Prévia do material em texto
AULA 3 ESPAÇO GEOGRÁFICO, ECONOMIA E COMÉRCIO INTERNACIONAL Prof. Rodolfo dos Santos Silva A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 2 CONTEXTUALIZANDO A geografia não serve apenas para a formação escolar, ela serve também para um conhecimento muito mais amplo, ao poder e ao Estado, conforme afirmam Yves Lacoste, David Harvey, Henri Lefebvre e tantos outros geógrafos. A economia, por sua vez, é também um instrumento de poder e conhecimento que demonstra como a sociedade produz os bens e serviços que necessitam e como tais bens podem ser distribuídos de forma a satisfazer as necessidades desses indivíduos. De modelos econômicos liberais, no qual os indivíduos buscam satisfazer as suas necessidades contribuindo para o desenvolvimento de todos, sem a interferência do Estado, ao modelo de política econômica keynesiano, implantado a partir da década de 1930, no qual o Estado atua como um agente econômico e propulsor da economia, buscando o pleno emprego dos fatores de produção. Também se discute, nesta aula, as teorias mercantilistas e sua contribuição para o desenvolvimento do comércio internacional. Após o período mercantilista, quando surge o Estado Absolutista, criam-se formas de controlar o mercado interno e, como consequência, também o mercado externo. Passa-se pela importância da industrialização e da teoria liberal para a formação de um discurso de abertura das fronteiras dos Estados para o comércio internacional. Outra abordagem é a forma como os Estados buscaram proteger os seus mercados dos produtos industrializados dos países mais desenvolvidos economicamente. Aborda-se as crises econômicas e as duas guerras como forma de alavancar um outro modelo de economia internacional, com apoio da ONU e de suas organizações para o desenvolvimento, como foi o caso da CEPAL. Discute-se, ainda, a formação dos blocos econômicos como medidas de proteção utilizadas pelos países em diferentes continentes. TEMA 1 – O COMÉRCIO INTERNACIONAL E A GEOPOLÍTICA DO DESENVOLVIMENTO Tem-se como consenso que os seres humanos, por volta de 12.000 anos atrás, tinham como suas principais atividades a caça, a pesca e a coleta, vivendo em bandos e em cavernas, utilizando ferramentas rústicas extraídas da natureza. Com o desenvolvimento de ferramentas, novas técnicas de caça e pesca e o domínio do cultivo das terras e da domesticação dos animais, os seres humanos passam a gerar excedentes de produção. Logo, passaram a criar formas de trocas A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 3 desse excedente com outros grupos de seres humanos por produtos que não possuíam. Com a criação de instrumentos de navegação passaram a ir cada vez mais longe para alcançarem localidades que dispunham dos recursos de que necessitavam. Produtos que eram mais procurados e aceitos tornaram-se objetos bastantes valorizados e facilmente trocados por outros objetos. Assim, surgiu a mercadoria-moeda, cuja necessidade entre os povos daquela época era comum, pois era algo raro. O sal, a pimenta, o chá e o couro já foram utilizados como moeda de troca. Apesar da mercadoria-moeda possuir características essenciais, como interesse comum e raridade, não possuía a durabilidade e muitas delas não eram de fácil manuseio. Com a criação da moeda metálica, por volta do Século VII a.C., no reino da Lídia, região onde hoje se localiza o Iraque, tornou mais fácil a realização do comércio. O metal, de difícil deterioração e fácil manuseio, impulsionou a realização de trocas e fomentou o comércio. Após a cunhagem da moeda em ouro e prata, a moeda ganhou todas as características necessárias para transformá-la no grande instrumento facilitador das trocas: raridade, de fácil aceitação, de valor intrínseco e durabilidade. De acordo com Huberman (1986), até o Século XI d. C., apesar da moeda existir já há algum tempo, ainda o comércio não havia alcançado tanta expressão, principalmente devido às condições de acessibilidade ao que se era produzido. As poucas estradas existentes na Europa Ocidental neste período eram bastante precárias, os perigos de assaltos e as cobranças de taxas pelos senhores das terras desencorajavam qualquer mercador. Com o advento das Cruzadas, os caminhos se ampliaram e muitas estradas deram espaços para o surgimento de pequenas localidades de comércio. Para o autor, poucas eram as cidades, muitas delas eram cercadas e possuíam apenas funções de justiça e de manutenção dos exércitos. A partir do Século XII, em muitas das fortalezas, diversas pessoas vindas de diferentes lugares passaram a se estabelecer em seu entorno, dentre elas mercadores, comerciantes que traziam de tudo para vender a quem lá habitavam e ficavam por ali mesmo. Além disso, as cidades italianas, que estavam entre as mais desenvolvidas, assim como Constantinopla, fortaleciam-se com a ampliação do comércio no mar mediterrâneo. “No mar do Norte e no Báltico, os navios corriam de um ponto a outro para apanhar peixe, madeira, peles, couros e peliças. A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 4 Um dos centros desse comércio nos mares do norte era a cidade de Bruges, em Flandres” (Huberman, 1986, p. 21). Já na Idade Média, quando os Estados ainda não tinham uma certa organização, as cidades desempenhavam o papel de concentrar as atividades econômicas. Nelas se situavam as atividades produtivas e as de comércio, tudo dentro de regulamentações locais. Com o surgimento dos Estados-Nações a partir do Século XV, as leis passaram a ser ditadas em âmbito nacional e o controle passou a ser absoluto do rei. Esse Estado Absolutista se colocava acima das diferentes camadas sociais, e sob o pretexto de protegê-las agia em nome delas e de si próprio, buscando manter os privilégios de uma nobreza em decadência. Para manter os seus domínios, o Estado mantinha um intenso processo de mercantilização de sua economia, objetivando alcançar os recursos de que necessitava por meio da cobrança de tributos. Ao mesmo tempo que se expandia e explorava suas colônias, o Estado Absolutista proporcionava o surgimento de uma nova classe social e de poder, a classe dos mercadores e comerciantes. De acordo com Franco Junior e Pan Chacon (1991, p. 111), “o Estado Absolutista assumiu, assim, o papel de controlador da economia, regulando os desvios, contrações e crises da adolescência do capitalismo. Nascidos no mesmo contexto, Estado Moderno e capitalismo caminhavam lado a lado, cada um viabilizando o outro por meio do mercantilismo”. O desenvolvimento do capitalismo e o fortalecimento da classe mercantil propiciou a formação dos burgos (cidades) do comércio e das manufaturas. A classe dominante dessas cidades passou a ser conhecida como burguesia. A existência de artesãos qualificados, de pequenas e médias manufaturas e um número significativo de grandes comerciantes possibilitou à Inglaterra, em meados do Século XVIII, as condições para protagonizar a Revolução Industrial. Só mais tarde, no Século XVIII, Bélgica, França, Alemanha e Itália vão contribuir para o fenômeno da industrialização se expandir por diversos países do mundo. Para Hobsbawm (2012), o período entre 1789 e 1848 foi do triunfo da burguesia liberal e da industrialização capitalista, no qual a revolução burguesa superou a monarquia e a indústria capitalista superou todas as formas de produção existentes, alcançando geograficamente parte da Europa e da América do Norte. Com a Revolução Francesa (1789), o liberalismo passou a ser o lema da burguesia em todo o mundo. Os ideais liberais contagiaramos setores do comércio, da indústria e até mesmo parte da classe média e a maioria dos A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 5 capitalistas. Com a tomada do poder na França por Napoleão Bonaparte, dentro de sua proposta de expansão do império francês, boa parte dos ideais revolucionários se perderam. De acordo com Aquino et al. (1997), em 1814, logo após derrotar Napoleão em Leipzig, os países vencedores (Rússia, Prússia, Inglaterra e Áustria), reuniram-se com a maioria dos países europeus que sofreram perdas com os avanços das tropas napoleônicas para conter os avanços liberais e nacionalistas e dividir o domínio territorial europeu entre tais países. A aliança entre esses países foi uma forma conservadora para manter os laços das oligarquias tradicionais e evitar os avanços do liberalismo e do socialismo que colocavam em risco os afortunados dos grandes impérios do Século XIX. Conforme Aquino et al. (1997), a aliança garantiu a distribuição dos territórios entre os países de acordo com a Lei de Compensações, tendo como maior beneficiada a Inglaterra que, além de receber inúmeras concessões antes atreladas ao poder territorial francês, também passou a ter o caminho livre para ampliar seus negócios no continente europeu e a consolidar seus domínios sobre os mares e outros territórios para além. É certo que as alianças entre as grandes nações tiveram primeiramente objetivos de arrebatar aliados para manter a hegemonia sobre os territórios, porém, a partir de então, as nações passam a se aliar não só com objetivos de estratégias bélicas, mas também para o desenvolvimento dos mercados. TEMA 2 – O COMÉRCIO INTERNACIONAL E AS NAÇÕES IMPERIALISTAS As nações imperialistas europeias mantiveram sua intenção de controlar o mercado e os outros países objetivando garantir seus objetivos intervencionistas. Apesar da dura repressão e tentativas de controles contra os ideais liberais e socialistas, muitas revoltas populares pipocaram por toda a Europa e até mesmo na América. Muitas ex-colônias europeias se tornaram independentes, inclusive as da América Latina. Em 1815, a classe dominante e a monarquia da Rússia, Prússia e Áustria resolveram criar a Santa Aliança, cuja finalidade foi manter distante qualquer ameaça dos ideais libertários e garantir a intervenção em qualquer país europeu onde houvesse conflitos provocados por comunistas ou liberais. A Santa Aliança, por meio de diversos congressos realizados entre os países-membros, discutia e aprovava propostas comuns de repressões e intervenções nos países. A Inglaterra não via com bons olhos esse poder intervencionista da Santa Aliança, pois esta atrapalhava o desenvolvimento do A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 6 comércio europeu e podia também atrapalhar os seus negócios nos demais continentes. Os objetivos expansionistas das nações imperialistas europeias vão encontrar resistências do outro lado do continente. Os EUA, temendo o avanço dominial dos países europeus, reage por meio de seu presidente James Monroe, que, em 1823, sobe à tribuna do parlamento para discursar contra o colonialismo europeu em territórios americanos. A Doutrina Monroe, aprovada pelo congresso americano, foi uma afirmação de que os EUA reagiriam a qualquer iniciativa de colonização europeia que ameaçasse a integridade territorial e política de qualquer nação independente americana. A Doutrina Monroe se constituiu primeiro em um mecanismo de defesa dos norte-americanos, depois, serviu para esconder as reais intenções de expansão comercial e política dos EUA sobre a América. Os ideais liberais influenciaram o nacionalismo em países como Alemanha e Itália, que, movidos pelas suas regiões de produção industrial, buscaram ter sua autonomia em relação às demais nações europeias. Para Hobsbawm (2002), o capitalismo teve seus altos e baixos durante a segunda metade do Século XIX, porém, sua produção industrial não deixou de crescer aceleradamente. A indústria do ferro e do aço, indicadores de crescimento do período, proporcionaram aos principais países produtores mais do que o dobro de suas vendas no período, graças à expansão vertiginosa do comércio internacional. EUA, Alemanha, Rússia, Suécia entraram para o rol das grandes economias capitalistas. Os investimentos estrangeiros, principalmente os ingleses e franceses, cruzaram os oceanos e promoveram profundas alterações em países como o Brasil e Argentina. “O investimento estrangeiro na América Latina atingiu níveis assombrosos nos anos 1880, quando a extensão da rede ferroviária argentina foi quintuplicada e como o Brasil atraíram até 200 mil imigrantes por ano” (Hobsbawm, 2002, p. 59). As alianças europeias, assim como os interesses individuais expansionistas das nações imperialistas levaram, conforme já estudado anteriormente, à Primeira Grande Guerra Mundial. A Primeira Guerra Mundial não teve consequências apenas bélicas e territoriais, mas possibilitou a introdução de inovações em todas as áreas. No campo político, o Estado passou a ter que aprender a lidar com descontentamentos de seus habitantes, com as oposições e com pressões vindas do exterior. No campo econômico, foram instituídas normas A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 7 para o trabalho, para a importação e exportação de produtos, houve controle sobre a produção, sobre o consumo e sobre formação de preços. Houve a imposição de racionamentos e de priorização de fabricação de determinados produtos em detrimento da produção de outros. O endividamento externo e a busca de novas alianças econômicas e políticas foram outra marca deixada pelo conflito. O avião foi utilizado como arma beligerante e outras tantas inovações tecnológicas não só contribuíram para a expansão do conflito em âmbito mundial como também para ceifar a vida de milhões de pessoas. Durante o conflito, a Rússia de Nicolau II se enfraqueceu econômica e politicamente, sua população foi a mais penalizada. Na área rural, milhares de pessoas morreram pela falta de alimentos e de acesso às condições básicas de vida, nas cidades o desemprego, a precariedade das condições de trabalho e da informalidade beiravam a miséria extrema. Filas intermináveis para comprar pão ou conseguir qualquer outro mantimento levaram a uma grande revolta, primeiramente liderada pelas mulheres e depois por milhares de pessoas, que culminou na repressão e mortes impostas pelo Estado. Em março de 1917, houve a revolução Russa, que colocou no poder provisoriamente os mencheviques e os descontentes com o governo czarista. Porém, esse governo provisório reprimiu com violência uma passeata que pregava o fim do capitalismo e o estabelecimento de um governo socialista. Apoiados pela elite dominante e pelos antigos aliados czaristas (Inglaterra, França e Japão) que pretendiam manter e ampliar seus investimentos na Rússia, o governo menchevique e os brancos czaristas foram depostos por Lênin, que liderou os bolcheviques e iniciou o processo de criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. A Primeira Guerra Mundial não mudou só a configuração política e espacial, os EUA passaram a ser a grande nação motora do capitalismo mundial. A partir de então, esse país, aliados aos ingleses, buscou evitar a aproximação dos países europeus ao socialismo soviético. As crises econômicas tomaram conta da Europa durante a década de 1920, principalmente pelo processo de reconstrução dos países e também pela ampliação da capacidade das grandes indústrias das potências capitalistas; houve pouca demanda para muita produção. O resultado foi a crise de 1929. A crisede 1929 intensificou os problemas dos países europeus e a Itália se reconheceu fascista e apresentou seu modelo econômico e político ao mundo. A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 8 No poder desde 1922, após a “Marcha sobre Roma”, Benito Mussolini ascendeu ao poder com o compromisso de tirar o país da crise de desemprego, inflação alta e de instabilidade econômica e política. A “Grande Itália”, lema utilizado pelos fascistas, “camisas negras”, levou o governo a intervir na economia com construção de um elevado número de obras públicas para incentivar o emprego e promover o consumo, com incentivos à produção agrícola e concessões ao setor industrial. Apresentou a “Carta del Lavoro”, por meio da qual criou leis de proteção e incentivo aos trabalhadores, além de proibir as greves de patrões e empregados. Também, por meio das Corporações, uniu empregados e trabalhadores sobre um mesmo princípio, o da colaboração com o Estado. Visando a desviar os problemas internos e expandir o fascismo, o país acabou se envolvendo em conflitos bélicos, como o da “Guerra da Etiópia” (1935–1936) e a Guerra Civil Espanhola, quando se aproximou o nacional-socialismo alemão. O nacional-socialismo alemão nasceu durante a República de Weimar, logo após um levante socialista, liderados por Rosa de Luxemburgo e Karl Liebkencht, entre 1918 e 1919, na Baviera, Remânia e Berlim, que fora esmagado pelo Estado, sendo seus líderes todos executados. De acordo com Aquino et al. (1997), após esse evento o Governo Provisório buscou manter seu poder por meio de uma Assembleia Constituinte, embasada nos princípios do liberalismo econômico, com centralização do poder nas mãos do Estado. Com uma política de desvalorização constante da moeda, as exportações facilitaram a concentração da riqueza, principalmente dentre os exportadores de produtos industrializados e dos banqueiros. Quem mais perdeu com as altas inflacionárias foram os trabalhadores assalariados, os setores médios e as pequenas empresas. O descontentamento com o modelo econômico e político da Alemanha levou ao fortalecimento de grupos socialistas e de liberais que forçavam o Estado a tomar medidas por decretos. O aparecimento de grupos de ultradireita financiados por grandes empresas do setor industrial e financeiro, juntamente com a propagação de ideias contrárias ao comunismo bolchevique junto à pequena burguesia alemã, proporcionaram as bases de sustentação do Partido Nazista. Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler, do Partido Nazista foi escolhido como Chanceler da Alemanha e, em 1934, com a morte do Presidente Hinderburg, o Chanceler também assumiu a Presidência da República da Alemanha. Para se manter no poder, o Führer Alemão perseguiu os comunistas e opositores, pregou uma ideologia antissemita e passou a controlar os meios de comunicação e a A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 9 manter uma ideologia de apologia ao nazismo. Na economia buscou mobilizar o país para a retomada dos bens e dos territórios perdidos com o Tratado de Versalhes, com investimentos em indústrias bélicas e grandes obras públicas. Proibiu greves e apoiou a criação de corporações de trabalhadores e empresários visando a manter o país no caminho do pleno emprego. No setor externo, buscou formar alianças com países fornecedores de matérias-primas e manteve o interesse em unificar os povos de línguas germânicas e retomar territórios importantes, como os da Áustria e da Polônia. A Segunda Guerra Mundial trouxe consequências irreparáveis a todos os países, principalmente Europa e Ásia, onde os conflitos foram mais intensos. Estimam-se que foram aproximadamente 40 milhões o número de mortos, 20 milhões só na URSS, sem levar em conta os que sofreram algum tipo de sequela devido aos efeitos da guerra. Ao terminar a guerra, os primeiros anos dos principais países localizados em territórios que foram assolados pelos conflito foram duríssimos, pois boa parte de sua infraestrutura estava destruída (portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, centrais de energia e pontes), o que tornou sua recuperação ainda mais difícil, pois esses países sofreram com a “escassez de produtos, inclusive alimentos, fome e até mortes por falta de meios de subsistência; a escassez de carvão, além do impacto sobre a produção, também dificultava o aquecimento doméstico, essencial na época do inverno. Estas dificuldades se refletem nos índices do Produto Interno Bruto” (Saes; Saes, 2013, p. 436). A nação que saiu mais fortalecida do conflito foi os EUA. O país, além de ser o único a possuir a bomba atômica, ainda pôde se tornar hegemônico diante dos demais países capitalistas, tendo a garantia dos acordos firmados em Bretton Woods, antes mesmo da guerra terminar. Foi a única grande potência a sair da guerra com uma economia melhor do que a de quando começou o conflito. Todas as demais economias sofreram muito mais perdas com a guerra, ao passo que os EUA se tornaram a maior potência econômica, política, beligerante e financeira do mundo, saindo de um contexto de endividamento para uma das maiores emprestadoras de recursos do mundo. Mesmo antes de acabar a guerra, o Presidente Franklin de Lano Roosevelt (1933–1945) articulava formas de recursos para financiar as populações atingidas pela guerra, a União das Nações para a Reconstrução e Reabilitação – UNRR, uma espécie de embrião da ONU, foi utilizada como um instrumento de ajuda aos povos exilados da Segunda Guerra A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 10 Mundial. Com o término da Guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas – ONU. TEMA 3 – DA CRIAÇÃO DA ONU ÀS CONTRIBUIÇÕES DA CEPAL PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA AMÉRICA LATINA Com a criação da ONU, na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), em 24 de outubro de 1945, o objetivo era selar um acordo de paz entre os países e impedir que outro conflito nas mesmas proporções ocorresse. Na época, 51 países assinaram o acordo, hoje, a ONU possui 193 países filiados à Organização e tem sua sede em Nova York. Também tem como missão a promoção dos direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social. Para isso, a ONU possui escritórios espalhados pelo mundo e todo um sistema com instituições e agências específicas que contribuem para melhorar as condições de vida no planeta. Possui um organograma de funcionamento com diversos ramos de atuação. A Assembleia Geral é o seu órgão máximo. Ademais, existem o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Direitos Humanos, o Tribunal de Justiça e o Secretariado. A ONU foi muito importante no processo de reconstrução e desenvolvimento dos países. Em 1948, por meio do Conselho Econômico e Social, criou a Comissão Econômica para a América Latina – Cepal. A Cepal foi criada para estudar como poderiam ser melhoradas as condições de vida das populações que vivem na América Latina e Caribe. Atualmente, a Cepal conta com a participação de todos os países latino-americanos e caribenhos e mais os EUA, Grã-Bretanha, França e Holanda. A sede administrativa da Cepal está localizada na Cidade de Santiago, capital do Chile. Lideradas por Raul Prebisch e Celso Furtado, os estudos realizados pela Comissão chegaram à conclusão de que a principal causa da origem da pobreza e da miséria da América Latina estava nas relações de trocas desiguais, produtos primários de baixo valor agregado por bens industrializados e de tecnologia, dotados de alto valor agregado com outros países. Para superação dessa condição, os estudiosos da Cepal propuseram que os países deveriam promover a industrialização ea diversificação de sua produção de bens e serviços. As teorias defendidas pelos membros da CEPAL foram fundamentais para a busca de uma maior integração dos países latino-americanos. A distribuição de renda, a construção de infraestruturas de energia, de rodovias, ferrovias, portos, A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 11 reforma agrária e planejamento econômico eram algumas das condições apontadas por Raul Prebisch, Celso Furtado e Oswaldo Sunkel como forma de superação das condições de subdesenvolvimento desses países. Uma das grandes influências da CEPAL foi a criação da Associação Latino-Americana de Livre Comércio – ALALC, no início dos anos de 1950. O incentivo a ALALC foi fundamental para a organização do comércio entre os países do continente, ampliando a comercialização entre eles e dando condições de melhorias nos mercados nacionais. Também houve grandes melhorias, em cada país, no seu processo produtivo, buscando resultados com o menor custo possível dentro de suas dotações relativas de fatores de produção. Além disso, alcançaram relativamente índices importantes na substituição de importações e ampliação de seus parques industriais, melhorando em muito a capacidade de produção e exportação de bens manufaturados. Entre as décadas de 1950 e 1960, muitas grandes indústrias com sedes nos países centrais tiveram que destinar suas plantas industriais para os países periféricos. Incentivos, isenções e melhorias na infraestrutura foram alguns dos apontamentos necessários feitos pela Cepal como forma de atrair investimentos fixos de grandes multinacionais que pudessem melhorar a produção de bens de consumo, principalmente bens de produção e bens de capital. Máquinas e equipamentos para produzir outros bens e, dessa forma, a indústria local alcançar maior eficiência e poder de concorrência com produto estrangeiro e elevar seu nível de substituição de importações. Motivados pela Cepal, os governantes passaram a proporcionar condições para que essas plantas industriais contribuíssem para o desenvolvimento econômico e social desses países. O pensamento estruturalista dos membros da Cepal fortaleceu as ideias nacionalistas de muitos políticos da América Latina. No Brasil, o populismo colocado em prática por governantes entre 1950 a 1964 foi nessa linha. Getúlio Vargas criou várias empresas para proporcionar infraestrutura e substituir importações. Dentre as empresas criadas nesse período está O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – BNDE, em 1952, que inicialmente foi criado para auxiliar o programa de reaparelhamento econômico, serviu como o grande Banco de fomentação de empreendimentos básicos para o desenvolvimento econômico do país, tanto públicos quanto privados. A Petrobrás foi criada em 1953, depois de muitas manifestações populares na defesa do petróleo brasileiro, e começou as suas operações em 1954. Além disso, o governo criou a Empresa A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 12 de Energia Elétrica Brasileira, expandiu as atividades da Companhia Siderúrgica Nacional e melhorou as condições de produção da Companhia Vale do Rio Doce. Enquanto o Brasil e outros países latino-americanos buscavam se organizar por meio da ALALC, a Europa já havia criado o seu Mercado Comum Europeu. TEMA 4 – O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO ECONÔMICO EUROPEU E SEU MERCADO COMUM Com a colocação em prática do programa de reconstrução da Europa por meio do Plano Marshall, fortaleceu-se a ideia da criação de um mercado comum europeu, visando a romper as barreiras existentes, facilitar a circulação de produtos, serviços e pessoas, integração comercial e financeira entre os países. Anteriormente, o continente já havia tido uma experiência positiva com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, estabelecida em 1951, que facilitou as relações comerciais transnacionais. Em 1957, os governantes da Alemanha – RFA –, Itália, Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França assinaram o Tratado de Roma, criando a Comunidade Econômica Europeia – CEE. Mais tarde, foram integrados também à CEE a Inglaterra, a Dinamarca e a Irlanda. Em 1981, a Grécia também passou a fazer parte da CEE e, em 1986, Portugal e Espanha também aderiram ao mercado comum. Em 1992, em Maastrich (Holanda), 27 países assinaram o Tratado da União Europeia – UE. Esse tratado oficializou a constituição de um mercado comum com a criação de uma moeda também comum, o Euro, assim como políticas de integração econômica em vários setores importantes, como o de circulação de pessoas e de transportes. Em 2013, 28 países eram os membros da União Europeia e outros tantos ainda estão em negociações para se integrarem ao grupo. Os países-membros da UE (em ordem alfabética) são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Holanda, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia. Um dos maiores feitos da integração da UE foi sua unificação monetária, que se iniciou, no entendimento de Sandroni (2007), com a criação do Euro, adotado em 1° de janeiro de 1999, e que teve seu curso legal de circulação a partir de 1° de janeiro de 2002. Para o autor, conforme acordo de adesão, os países-membros tiveram algumas metas essenciais a seguir, dentre elas, a A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 13 abdicação de suas moedas, muitas delas centenárias, como foi o caso do Marco (Alemanha), Peseta (Espanha), Escudo (Portugal) e Franco (França). Além disso, “se comprometeram com as metas relacionadas com o déficit público (até 3% do PIB) e o endividamento interno (até 60% do PIB) e outras condições sobre inflação e taxas de juros fixadas pelo Tratado de Maastrich” (Sandroni, 2007, p. 320). Dessa maneira, o Tratado de Maastrich forçou os Estados europeus a adotarem como moeda o Euro, a comprometerem no máximo 60% de seu PIB com seu endividamento interno e, ainda, submeter as decisões adotadas pelo Banco Central Europeu (Eurobank). O Eurobank foi fundado em janeiro de 1999 e possui sua sede na Cidade de Frankfurt (Alemanha). Além disso, esse Banco possui um Conselho Diretor, composto por um Comitê Executivo e pelos Presidentes de todos os países que possuem o Euro como moeda comum. Dentre os objetivos do Banco está a centralização do crédito, a manutenção da estabilidade da moeda, o poder liberatório, o controle da emissão de moeda em cada país, a quantidade de divisas mantidas por cada país e a emissão de moeda. Para se adaptarem a tantas mudanças, os países europeus, principalmente as economias mais frágeis, não conseguiram conter seu nível de endividamento, o que era pressuposto para aqueles que queriam se beneficiar com o novo mercado comum. Grécia, Portugal, Espanha e Itália estão entre os países que tiveram dificuldades de manutenção de um mercado integrado, em uma proposta, cuja adaptação custou gastos maiores do que suas receitas, não conseguindo acompanhar o nível de desenvolvimento estabelecido pelo Tratado de Maastrich. Até mesmo as grandes economias industrializadas da Europa passaram por alto grau de endividamento, mas com um grande número de reservas cambiais conseguiram se sobressair em relação aos demais países. O grande problema foi a colocação da dúvida se de fato um mercado comum tão consistente conseguiria resistir a uma crise econômica como a de 2008. A crise de 2008 provocou grandes problemas às economias de todo o mundo, porém, é na UE que os impactos dessa crise vão abalar um mercado comum que parecia estar muito sólido.O abalo trouxe a ampliação do número de desempregados no continente europeu, que já convivia uma relação difícil com o desemprego tecnológico. A tentativa de implementação de medidas neoliberais, como contrapartida de muitos países para se manterem na zona do Euro, aponta para a desintegração dos direitos sociais e o fim de um estado de bem-estar social A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 14 dos países-membros. Essa desintegração tem contribuído para que muitos governantes sejam pressionados a rever esse processo de unificação europeia. TEMA 5 – O COMÉRCIO INTERNACIONAL E A FORMAÇÃO DOS BLOCOS ECONÔMICOS – NAFTA, ALCA E MERCOSUL As teorias do comércio internacional estão centradas nas relações de trocas de bens e serviços, conforme as dotações relativas de cada país na divisão internacional do trabalho. Com o fortalecimento das fronteiras entre os países, as barreiras alfandegárias se tonaram mais rígidas e o intercâmbio de mercadorias entre os países mais controlados. Do Século XIV até meados do Século XVIII, no comércio internacional prevaleceu a Teoria Mercantilista. Defendida por muitos teóricos da economia, como Thomas Gresham, Thomas Mun, Antoine de Montchristien, dentre outros, a Teoria Mercantilista defendia o controle das relações de comércio nas mãos do Estado e tinha como principal objetivo o saldo positivo na Balança Comercial, aumentando as exportações e restringindo ao mínimo possível as importações, retendo ouro e prata como sinal de acúmulo de riquezas. Nessas condições, algumas nações, como Holanda, França e Inglaterra, passaram a monopolizar o comércio internacional impondo os seus interesses aos de suas colônias e dos países com maior grau de dependência econômica. Para Costa, Santos (2011) e Sandroni (2007), a Inglaterra, como país monopolista e já avançado em seu processo de industrialização, passou a se opor ao comportamento dos países que atuavam dentro de uma linha de comércio internacional regida pela Teoria Mercantilista para impor uma linha de liberal de comercialização entre os países. No entendimento dos autores, a Inglaterra passou a pregar o livre mercado internacional, com o mínimo de interferência dos Estados sobre suas fronteiras economicamente, visando a garantir a entrada de seus produtos nesses países sem taxas alfandegárias, ou com a menor taxa possível. Um dos principais argumentos utilizados era de que a abertura ao comércio internacional proporcionaria aos países o acesso a uma maior quantidade de bens e, como consequência, um maior desenvolvimento econômico. Mas, dado ao avanço na produção de bens industrializados, as relações de trocas entre os países tenderam a ser mais vantajosas para a Inglaterra. Um lorde inglês chamado David Ricardo, em 1817, foi o responsável por criar uma teoria para justificar as vantagens obtidas por cada país nas relações A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 15 de trocas no comércio internacional. A teoria das vantagens comparativas pregava que cada país deveria se especializar naquilo que melhor pudesse produzir, ou seja, naquele produto ou serviço que, comparativamente ao ofertado no mercado internacional, os custos fossem mais vantajosos. Em oposição às teorias de abertura de mercado, surgiram também as medidas protecionistas, cujos Estados pretendiam proteger suas fronteiras e seu mercado interno para garantir sua produção e emprego e evitar a saída de divisas. A intensificação dessa atitude dos países acabou levando os países à Primeira Guerra Mundial, pois conforme Sandroni (2007, p. 162) “o protecionismo foi posto em prática em primeiro lugar pelos Estados Unidos e Alemanha, que disputavam os mercados de produtos industriais com a Grã-Bretanha, sendo seguidos gradualmente pela maioria dos países”. Após a ocorrência das duas grandes guerras mundiais, o comércio internacional passou por mudanças para se adaptar ao novo modelo de economia internacional posta, principalmente pelo processo de reconfiguração geopolítica e da Guerra Fria. Uma dessas mudanças foi a realização de um tratado de comércio internacional objetivando a criação de um órgão que pudesse contribuir de alguma forma para normatizar as transações econômicas entre os países. Um desses órgãos foi o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (General Agreement on Tariffs and Trade – GATT), criado em Genebra, na Suíça, em 1947, para contribuir para o desenvolvimento do comércio internacional, por meio da realização de acordos entre os países para reduzir tarifas alfandegárias, tratamento bilateral igualitário, eliminação de subsídios e de reserva de mercado para produtos internos por meio de cotas de importação. Em um primeiro momento, 23 nações foram signatárias do GATT. Em 1995, na cidade de Marrakesh, no Marrocos, foi criada a Organização Mundial do Comércio – OMC, que passou a ter os mesmos objetivos do GATT, que além de contar com um número maior de países, passou a existir de forma permanente, haja vista que o GATT era temporário. A partir da década de 1950, várias foram as crises econômicas que afetaram o mercado internacional e muitos países buscaram, por meio de relações comerciais com seus vizinhos, organizarem-se por meio de mercados comuns. Um dos primeiros mercados a se formar foram, conforme já vistos, a Associação Latino-Americana de Livre Comércio – ALALC – e a Comunidade Econômica Europeia do Carvão e do aço. No desenvolvimento dessas articulações entre os países para protegerem seus mercados surgiram ainda o Nafta e o Mercosul. A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 16 De acordo com Costa e Santos (2012), o Tratado Americano de Livre Comércio (Nort American Free Trade Agreement – Nafta) foi criado em 1989 e representa um acordo de livre comércio estabelecido entre os Estados Unidos e Canadá e depois ampliou-se com a participação do México. Pretendia os EUA, com a formação do bloco econômico, fazer frente ao Mercado Comum Europeu, encaminhado pelos países que compõem a União europeia. O acordo entrou em vigor em 1994 e tinha como previsão a abolição total das tarifas alfandegárias entre os três países em 2010. Apesar dos avanços comerciais entre os membros do bloco, alguns entraves políticos e econômicos acabaram não tornando possível tal abolição na data prevista. O chile, apesar de ser um país geograficamente localizado ao sul da América, é membro associado do bloco e possui vantagens nas relações comerciais com todos os demais países-membros. Apesar de se constituir como bloco, o Nafta não permite a livre circulação de pessoas entre os países pertencentes a ele. Na década de 1990, os EUA buscaram impor a todos os países americanos uma Área de Livre Comércio das Américas – Alca –, que tinha como objetivo uma integração entre todos os países da América Latina e Caribenha, mais o Canadá. De iniciativa dos EUA, a Alca pretendia ser o maior mercado comum do planeta. Uma das propostas para essa Área de Livre Mercado era a integração monetária. A proposta americana era de que o Dólar fosse a moeda comum a todos. Para Sandroni (2007), o projeto da Alca tinha grande abrangência, que ia desde a integração monetária, a preservação da propriedade intelectual, a instalação de bases militares americanas, acordos de comércio e tarifas até barreiras de proteção entre os países-membros em relação aos demais blocos econômicos ou países não membros. A Alca não foi bem-vista por governantes de muitos países latino- americanos, especialmente o Brasil e a Argentina, que percebiam na proposta americana uma mão de única via. Todos os mercados do continente aberto aos interesses do governoamericano, sem a devida contrapartida dos EUA. Além disso, a dolarização das economias de muitos dos países latino-americanos e caribenhos, iniciada nos primeiros anos da década de 1990, colocaram os países na dependência da oferta de dólares no mercado internacional. Muito diferente da proposta de unificação monetária da União Europeia, onde os países-membros se dispuseram a acabar com suas moedas para a criação de uma moeda comum, os EUA não se dispuseram a aceitar uma nova moeda e muito menos de pôr fim A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 17 ao Dólar e criar um Conselho Monetário dos países-membros da Alca. A proposta da Alca não avançou porque houve reações contrárias internas em praticamente todos os países atingidos pela Área de Livre Comércio das Américas. Um dos grandes entraves para a Alca foi a articulação já existente entre os países do cone sul das Américas, o Mercosul. De acordo com Costa, Santos (2012) e Sandroni (2007), o Mercosul começou a nascer após acordos comerciais realizados entre o Brasil e a Argentina e foi criado oficialmente com a assinatura do Tratado de Assunção, em 29 de novembro de 1991. Reunindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o acordo teve como proposta criar uma relação de livre comércio entre os países do Cone Sul, por meio de uma integração progressiva, levando em conta o desenvolvimento de cada país. Além de manter uma ampliação da comercialização de bens e serviços, matéria-prima e mão de obra entre os membros do Mercosul, o acordo previa o estabelecimento de cobranças de taxas de importação e exportações comuns e também a realização de diversos foros para discussões sobre as políticas da área de livre comércio do Cone Sul, principalmente sobre a adesão de novos países ao Bloco. Saiba mais Saiba mais sobre a Primeira Guerra Mundial assistindo ao Vídeo: PRIMEIRA Guerra Mundial o fim de uma era dublado. Erivaldo Santos. Disponível em: . Acesso em: 22 mar. 2019. A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 18 REFERÊNCIAS AQUINO, R. S. L. de; ALVARENGA, F. J. M. de; FRANCO, D. de A.; LOPES, O. G. P. C. História das sociedades atuais: das sociedades modernas às sociedades atuais. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1997. COSTA, A. J. D.; SANTOS, E. R. de S. Economia internacional: teoria e prática. Curitiba: Intersaberes, 2012. _____. Estratégias e negócios das empresas diante da internacionalização. Curitiba: Intersaberes, 2011. GARBOSSA, R. A.; SILVA, R. dos S. O processo de produção do espaço urbano: impactos e desafios de uma urbanização. Curitiba: Intersaberes, 2016. _____. Geografia política e geopolítica. Curitiba: Intersaberes, 2018. HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005. LEFEBVRE, H. O direito à cidade. São Paulo: Centauro, 2013. LENCIONI, S.; VIDAL-KOPPMANN; HYDALGO, R.; PEREIRA, P. C. X. (org.). Transformações socioterritoriais nas metrópoles de Buenos Aires, São Paulo e Santiago. São Paulo: FAUUSP, 2011. HUBERMAN, L. A história da riqueza do homem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986. MALLMANN, L.; BALESTRIN, N. L.; SILVA, R. dos S. Estado e políticas sociais no Brasil: avanços e retrocessos. Curitiba: Intersaberes, 2017. MASSEY, D. Pelo espaço: uma nova política da espacialidade. Tradução Hilda Pareto Maciel, Rogério Haesbaert. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. MANKIW, N. G. Introdução à economia. São Paulo: Cengage Learning, 2005. ROBSBAWM, E. A era dos extremos: o breve século XX, 1914–1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. _____. A era dos impérios: 1875–1914. São Paulo: Paz e Terra, 2002. SAES, F. A. M. de; SAES, A. M. História econômica geral. São Paulo: Saraiva, 2013. SANDRONI, P. Dicionário de economia do século XXI. São Paulo/Rio de Janeiro: Record, 2007. A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com 19 SANTOS, M. Por uma outra globalização. 24. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Editora Record, 2015. SCOTT, A. J. As cidades da terceira onda. In: PACHECO, S. M. M.; MACHACHADO, M. S. (orgs.). Globalização, políticas públicas e reestruturação territorial. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2012. SILVA, R. dos S. Orçamento participativo como transformação do espaço urbano. Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Geografia – UFPR. Curitiba: PPGEO/UFPR, 2017. SOUZA, N. de J. de. Desenvolvimento econômico. 5. ed. rev. São Paulo: Atlas, 2005. VASCONCELLOS, M. A. S. de. Introdução à Macroeconomia. In: PINHO, D. B.; TONETO JR., R.; VASCONCELLOS, M. A. S. Manual de economia: professores da USP. São Paulo: Saraiva, 2012. WALLERSTEIN, I. Análisis de Sistemas-mundo: una introducción. México: Siglo Vientiuno Editores, 1995. A luno: G ILD E R LO N A LB E R T D E A LC A N T A R A S ILV A E m ail: gilderlonalbert19@ gm ail.com