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Comércio Internacional e Geopolítica

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AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESPAÇO GEOGRÁFICO, 
ECONOMIA E COMÉRCIO 
INTERNACIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rodolfo dos Santos Silva 
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CONTEXTUALIZANDO 
A geografia não serve apenas para a formação escolar, ela serve também 
para um conhecimento muito mais amplo, ao poder e ao Estado, conforme 
afirmam Yves Lacoste, David Harvey, Henri Lefebvre e tantos outros geógrafos. 
A economia, por sua vez, é também um instrumento de poder e conhecimento que 
demonstra como a sociedade produz os bens e serviços que necessitam e como 
tais bens podem ser distribuídos de forma a satisfazer as necessidades desses 
indivíduos. De modelos econômicos liberais, no qual os indivíduos buscam 
satisfazer as suas necessidades contribuindo para o desenvolvimento de todos, 
sem a interferência do Estado, ao modelo de política econômica keynesiano, 
implantado a partir da década de 1930, no qual o Estado atua como um agente 
econômico e propulsor da economia, buscando o pleno emprego dos fatores de 
produção. Também se discute, nesta aula, as teorias mercantilistas e sua 
contribuição para o desenvolvimento do comércio internacional. 
Após o período mercantilista, quando surge o Estado Absolutista, criam-se 
formas de controlar o mercado interno e, como consequência, também o mercado 
externo. Passa-se pela importância da industrialização e da teoria liberal para a 
formação de um discurso de abertura das fronteiras dos Estados para o comércio 
internacional. Outra abordagem é a forma como os Estados buscaram proteger 
os seus mercados dos produtos industrializados dos países mais desenvolvidos 
economicamente. Aborda-se as crises econômicas e as duas guerras como forma 
de alavancar um outro modelo de economia internacional, com apoio da ONU e 
de suas organizações para o desenvolvimento, como foi o caso da CEPAL. 
Discute-se, ainda, a formação dos blocos econômicos como medidas de proteção 
utilizadas pelos países em diferentes continentes. 
TEMA 1 – O COMÉRCIO INTERNACIONAL E A GEOPOLÍTICA DO 
DESENVOLVIMENTO 
Tem-se como consenso que os seres humanos, por volta de 12.000 anos 
atrás, tinham como suas principais atividades a caça, a pesca e a coleta, vivendo 
em bandos e em cavernas, utilizando ferramentas rústicas extraídas da natureza. 
Com o desenvolvimento de ferramentas, novas técnicas de caça e pesca e o 
domínio do cultivo das terras e da domesticação dos animais, os seres humanos 
passam a gerar excedentes de produção. Logo, passaram a criar formas de trocas 
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desse excedente com outros grupos de seres humanos por produtos que não 
possuíam. Com a criação de instrumentos de navegação passaram a ir cada vez 
mais longe para alcançarem localidades que dispunham dos recursos de que 
necessitavam. Produtos que eram mais procurados e aceitos tornaram-se objetos 
bastantes valorizados e facilmente trocados por outros objetos. Assim, surgiu a 
mercadoria-moeda, cuja necessidade entre os povos daquela época era comum, 
pois era algo raro. O sal, a pimenta, o chá e o couro já foram utilizados como 
moeda de troca. 
Apesar da mercadoria-moeda possuir características essenciais, como 
interesse comum e raridade, não possuía a durabilidade e muitas delas não eram 
de fácil manuseio. Com a criação da moeda metálica, por volta do Século VII a.C., 
no reino da Lídia, região onde hoje se localiza o Iraque, tornou mais fácil a 
realização do comércio. O metal, de difícil deterioração e fácil manuseio, 
impulsionou a realização de trocas e fomentou o comércio. Após a cunhagem da 
moeda em ouro e prata, a moeda ganhou todas as características necessárias 
para transformá-la no grande instrumento facilitador das trocas: raridade, de fácil 
aceitação, de valor intrínseco e durabilidade. 
De acordo com Huberman (1986), até o Século XI d. C., apesar da moeda 
existir já há algum tempo, ainda o comércio não havia alcançado tanta expressão, 
principalmente devido às condições de acessibilidade ao que se era produzido. 
As poucas estradas existentes na Europa Ocidental neste período eram bastante 
precárias, os perigos de assaltos e as cobranças de taxas pelos senhores das 
terras desencorajavam qualquer mercador. Com o advento das Cruzadas, os 
caminhos se ampliaram e muitas estradas deram espaços para o surgimento de 
pequenas localidades de comércio. Para o autor, poucas eram as cidades, muitas 
delas eram cercadas e possuíam apenas funções de justiça e de manutenção dos 
exércitos. 
A partir do Século XII, em muitas das fortalezas, diversas pessoas vindas 
de diferentes lugares passaram a se estabelecer em seu entorno, dentre elas 
mercadores, comerciantes que traziam de tudo para vender a quem lá habitavam 
e ficavam por ali mesmo. Além disso, as cidades italianas, que estavam entre as 
mais desenvolvidas, assim como Constantinopla, fortaleciam-se com a ampliação 
do comércio no mar mediterrâneo. “No mar do Norte e no Báltico, os navios 
corriam de um ponto a outro para apanhar peixe, madeira, peles, couros e peliças. 
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Um dos centros desse comércio nos mares do norte era a cidade de Bruges, em 
Flandres” (Huberman, 1986, p. 21). 
Já na Idade Média, quando os Estados ainda não tinham uma certa 
organização, as cidades desempenhavam o papel de concentrar as atividades 
econômicas. Nelas se situavam as atividades produtivas e as de comércio, tudo 
dentro de regulamentações locais. Com o surgimento dos Estados-Nações a partir 
do Século XV, as leis passaram a ser ditadas em âmbito nacional e o controle 
passou a ser absoluto do rei. Esse Estado Absolutista se colocava acima das 
diferentes camadas sociais, e sob o pretexto de protegê-las agia em nome delas 
e de si próprio, buscando manter os privilégios de uma nobreza em decadência. 
Para manter os seus domínios, o Estado mantinha um intenso processo de 
mercantilização de sua economia, objetivando alcançar os recursos de que 
necessitava por meio da cobrança de tributos. Ao mesmo tempo que se expandia 
e explorava suas colônias, o Estado Absolutista proporcionava o surgimento de 
uma nova classe social e de poder, a classe dos mercadores e comerciantes. De 
acordo com Franco Junior e Pan Chacon (1991, p. 111), “o Estado Absolutista 
assumiu, assim, o papel de controlador da economia, regulando os desvios, 
contrações e crises da adolescência do capitalismo. Nascidos no mesmo 
contexto, Estado Moderno e capitalismo caminhavam lado a lado, cada um 
viabilizando o outro por meio do mercantilismo”. 
O desenvolvimento do capitalismo e o fortalecimento da classe mercantil 
propiciou a formação dos burgos (cidades) do comércio e das manufaturas. A 
classe dominante dessas cidades passou a ser conhecida como burguesia. A 
existência de artesãos qualificados, de pequenas e médias manufaturas e um 
número significativo de grandes comerciantes possibilitou à Inglaterra, em 
meados do Século XVIII, as condições para protagonizar a Revolução Industrial. 
Só mais tarde, no Século XVIII, Bélgica, França, Alemanha e Itália vão contribuir 
para o fenômeno da industrialização se expandir por diversos países do mundo. 
Para Hobsbawm (2012), o período entre 1789 e 1848 foi do triunfo da burguesia 
liberal e da industrialização capitalista, no qual a revolução burguesa superou a 
monarquia e a indústria capitalista superou todas as formas de produção 
existentes, alcançando geograficamente parte da Europa e da América do Norte. 
Com a Revolução Francesa (1789), o liberalismo passou a ser o lema da 
burguesia em todo o mundo. Os ideais liberais contagiaramos setores do 
comércio, da indústria e até mesmo parte da classe média e a maioria dos 
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capitalistas. Com a tomada do poder na França por Napoleão Bonaparte, dentro 
de sua proposta de expansão do império francês, boa parte dos ideais 
revolucionários se perderam. De acordo com Aquino et al. (1997), em 1814, logo 
após derrotar Napoleão em Leipzig, os países vencedores (Rússia, Prússia, 
Inglaterra e Áustria), reuniram-se com a maioria dos países europeus que 
sofreram perdas com os avanços das tropas napoleônicas para conter os avanços 
liberais e nacionalistas e dividir o domínio territorial europeu entre tais países. 
A aliança entre esses países foi uma forma conservadora para manter os 
laços das oligarquias tradicionais e evitar os avanços do liberalismo e do 
socialismo que colocavam em risco os afortunados dos grandes impérios do 
Século XIX. Conforme Aquino et al. (1997), a aliança garantiu a distribuição dos 
territórios entre os países de acordo com a Lei de Compensações, tendo como 
maior beneficiada a Inglaterra que, além de receber inúmeras concessões antes 
atreladas ao poder territorial francês, também passou a ter o caminho livre para 
ampliar seus negócios no continente europeu e a consolidar seus domínios sobre 
os mares e outros territórios para além. É certo que as alianças entre as grandes 
nações tiveram primeiramente objetivos de arrebatar aliados para manter a 
hegemonia sobre os territórios, porém, a partir de então, as nações passam a se 
aliar não só com objetivos de estratégias bélicas, mas também para o 
desenvolvimento dos mercados. 
TEMA 2 – O COMÉRCIO INTERNACIONAL E AS NAÇÕES IMPERIALISTAS 
As nações imperialistas europeias mantiveram sua intenção de controlar o 
mercado e os outros países objetivando garantir seus objetivos intervencionistas. 
Apesar da dura repressão e tentativas de controles contra os ideais liberais e 
socialistas, muitas revoltas populares pipocaram por toda a Europa e até mesmo 
na América. Muitas ex-colônias europeias se tornaram independentes, inclusive 
as da América Latina. Em 1815, a classe dominante e a monarquia da Rússia, 
Prússia e Áustria resolveram criar a Santa Aliança, cuja finalidade foi manter 
distante qualquer ameaça dos ideais libertários e garantir a intervenção em 
qualquer país europeu onde houvesse conflitos provocados por comunistas ou 
liberais. A Santa Aliança, por meio de diversos congressos realizados entre os 
países-membros, discutia e aprovava propostas comuns de repressões e 
intervenções nos países. A Inglaterra não via com bons olhos esse poder 
intervencionista da Santa Aliança, pois esta atrapalhava o desenvolvimento do 
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comércio europeu e podia também atrapalhar os seus negócios nos demais 
continentes. 
Os objetivos expansionistas das nações imperialistas europeias vão 
encontrar resistências do outro lado do continente. Os EUA, temendo o avanço 
dominial dos países europeus, reage por meio de seu presidente James Monroe, 
que, em 1823, sobe à tribuna do parlamento para discursar contra o colonialismo 
europeu em territórios americanos. A Doutrina Monroe, aprovada pelo congresso 
americano, foi uma afirmação de que os EUA reagiriam a qualquer iniciativa de 
colonização europeia que ameaçasse a integridade territorial e política de 
qualquer nação independente americana. A Doutrina Monroe se constituiu 
primeiro em um mecanismo de defesa dos norte-americanos, depois, serviu para 
esconder as reais intenções de expansão comercial e política dos EUA sobre a 
América. 
Os ideais liberais influenciaram o nacionalismo em países como Alemanha 
e Itália, que, movidos pelas suas regiões de produção industrial, buscaram ter sua 
autonomia em relação às demais nações europeias. Para Hobsbawm (2002), o 
capitalismo teve seus altos e baixos durante a segunda metade do Século XIX, 
porém, sua produção industrial não deixou de crescer aceleradamente. A indústria 
do ferro e do aço, indicadores de crescimento do período, proporcionaram aos 
principais países produtores mais do que o dobro de suas vendas no período, 
graças à expansão vertiginosa do comércio internacional. EUA, Alemanha, 
Rússia, Suécia entraram para o rol das grandes economias capitalistas. Os 
investimentos estrangeiros, principalmente os ingleses e franceses, cruzaram os 
oceanos e promoveram profundas alterações em países como o Brasil e 
Argentina. “O investimento estrangeiro na América Latina atingiu níveis 
assombrosos nos anos 1880, quando a extensão da rede ferroviária argentina foi 
quintuplicada e como o Brasil atraíram até 200 mil imigrantes por ano” 
(Hobsbawm, 2002, p. 59). 
As alianças europeias, assim como os interesses individuais 
expansionistas das nações imperialistas levaram, conforme já estudado 
anteriormente, à Primeira Grande Guerra Mundial. A Primeira Guerra Mundial não 
teve consequências apenas bélicas e territoriais, mas possibilitou a introdução de 
inovações em todas as áreas. No campo político, o Estado passou a ter que 
aprender a lidar com descontentamentos de seus habitantes, com as oposições e 
com pressões vindas do exterior. No campo econômico, foram instituídas normas 
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para o trabalho, para a importação e exportação de produtos, houve controle sobre 
a produção, sobre o consumo e sobre formação de preços. Houve a imposição de 
racionamentos e de priorização de fabricação de determinados produtos em 
detrimento da produção de outros. O endividamento externo e a busca de novas 
alianças econômicas e políticas foram outra marca deixada pelo conflito. O avião 
foi utilizado como arma beligerante e outras tantas inovações tecnológicas não só 
contribuíram para a expansão do conflito em âmbito mundial como também para 
ceifar a vida de milhões de pessoas. 
Durante o conflito, a Rússia de Nicolau II se enfraqueceu econômica e 
politicamente, sua população foi a mais penalizada. Na área rural, milhares de 
pessoas morreram pela falta de alimentos e de acesso às condições básicas de 
vida, nas cidades o desemprego, a precariedade das condições de trabalho e da 
informalidade beiravam a miséria extrema. Filas intermináveis para comprar pão 
ou conseguir qualquer outro mantimento levaram a uma grande revolta, 
primeiramente liderada pelas mulheres e depois por milhares de pessoas, que 
culminou na repressão e mortes impostas pelo Estado. Em março de 1917, houve 
a revolução Russa, que colocou no poder provisoriamente os mencheviques e os 
descontentes com o governo czarista. Porém, esse governo provisório reprimiu 
com violência uma passeata que pregava o fim do capitalismo e o estabelecimento 
de um governo socialista. Apoiados pela elite dominante e pelos antigos aliados 
czaristas (Inglaterra, França e Japão) que pretendiam manter e ampliar seus 
investimentos na Rússia, o governo menchevique e os brancos czaristas foram 
depostos por Lênin, que liderou os bolcheviques e iniciou o processo de criação 
da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS. 
A Primeira Guerra Mundial não mudou só a configuração política e espacial, 
os EUA passaram a ser a grande nação motora do capitalismo mundial. A partir 
de então, esse país, aliados aos ingleses, buscou evitar a aproximação dos países 
europeus ao socialismo soviético. As crises econômicas tomaram conta da 
Europa durante a década de 1920, principalmente pelo processo de reconstrução 
dos países e também pela ampliação da capacidade das grandes indústrias das 
potências capitalistas; houve pouca demanda para muita produção. O resultado 
foi a crise de 1929. A crisede 1929 intensificou os problemas dos países europeus 
e a Itália se reconheceu fascista e apresentou seu modelo econômico e político 
ao mundo. 
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No poder desde 1922, após a “Marcha sobre Roma”, Benito Mussolini 
ascendeu ao poder com o compromisso de tirar o país da crise de desemprego, 
inflação alta e de instabilidade econômica e política. A “Grande Itália”, lema 
utilizado pelos fascistas, “camisas negras”, levou o governo a intervir na economia 
com construção de um elevado número de obras públicas para incentivar o 
emprego e promover o consumo, com incentivos à produção agrícola e 
concessões ao setor industrial. Apresentou a “Carta del Lavoro”, por meio da qual 
criou leis de proteção e incentivo aos trabalhadores, além de proibir as greves de 
patrões e empregados. Também, por meio das Corporações, uniu empregados e 
trabalhadores sobre um mesmo princípio, o da colaboração com o Estado. 
Visando a desviar os problemas internos e expandir o fascismo, o país acabou se 
envolvendo em conflitos bélicos, como o da “Guerra da Etiópia” (1935–1936) e a 
Guerra Civil Espanhola, quando se aproximou o nacional-socialismo alemão. 
O nacional-socialismo alemão nasceu durante a República de Weimar, logo 
após um levante socialista, liderados por Rosa de Luxemburgo e Karl Liebkencht, 
entre 1918 e 1919, na Baviera, Remânia e Berlim, que fora esmagado pelo 
Estado, sendo seus líderes todos executados. De acordo com Aquino et al. (1997), 
após esse evento o Governo Provisório buscou manter seu poder por meio de 
uma Assembleia Constituinte, embasada nos princípios do liberalismo econômico, 
com centralização do poder nas mãos do Estado. Com uma política de 
desvalorização constante da moeda, as exportações facilitaram a concentração 
da riqueza, principalmente dentre os exportadores de produtos industrializados e 
dos banqueiros. Quem mais perdeu com as altas inflacionárias foram os 
trabalhadores assalariados, os setores médios e as pequenas empresas. O 
descontentamento com o modelo econômico e político da Alemanha levou ao 
fortalecimento de grupos socialistas e de liberais que forçavam o Estado a tomar 
medidas por decretos. O aparecimento de grupos de ultradireita financiados por 
grandes empresas do setor industrial e financeiro, juntamente com a propagação 
de ideias contrárias ao comunismo bolchevique junto à pequena burguesia alemã, 
proporcionaram as bases de sustentação do Partido Nazista. 
Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler, do Partido Nazista foi escolhido 
como Chanceler da Alemanha e, em 1934, com a morte do Presidente Hinderburg, 
o Chanceler também assumiu a Presidência da República da Alemanha. Para se 
manter no poder, o Führer Alemão perseguiu os comunistas e opositores, pregou 
uma ideologia antissemita e passou a controlar os meios de comunicação e a 
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manter uma ideologia de apologia ao nazismo. Na economia buscou mobilizar o 
país para a retomada dos bens e dos territórios perdidos com o Tratado de 
Versalhes, com investimentos em indústrias bélicas e grandes obras públicas. 
Proibiu greves e apoiou a criação de corporações de trabalhadores e empresários 
visando a manter o país no caminho do pleno emprego. No setor externo, buscou 
formar alianças com países fornecedores de matérias-primas e manteve o 
interesse em unificar os povos de línguas germânicas e retomar territórios 
importantes, como os da Áustria e da Polônia. 
A Segunda Guerra Mundial trouxe consequências irreparáveis a todos os 
países, principalmente Europa e Ásia, onde os conflitos foram mais intensos. 
Estimam-se que foram aproximadamente 40 milhões o número de mortos, 20 
milhões só na URSS, sem levar em conta os que sofreram algum tipo de sequela 
devido aos efeitos da guerra. Ao terminar a guerra, os primeiros anos dos 
principais países localizados em territórios que foram assolados pelos conflito 
foram duríssimos, pois boa parte de sua infraestrutura estava destruída (portos, 
aeroportos, ferrovias, rodovias, centrais de energia e pontes), o que tornou sua 
recuperação ainda mais difícil, pois esses países sofreram com a “escassez de 
produtos, inclusive alimentos, fome e até mortes por falta de meios de 
subsistência; a escassez de carvão, além do impacto sobre a produção, também 
dificultava o aquecimento doméstico, essencial na época do inverno. Estas 
dificuldades se refletem nos índices do Produto Interno Bruto” (Saes; Saes, 2013, 
p. 436). 
A nação que saiu mais fortalecida do conflito foi os EUA. O país, além de 
ser o único a possuir a bomba atômica, ainda pôde se tornar hegemônico diante 
dos demais países capitalistas, tendo a garantia dos acordos firmados em Bretton 
Woods, antes mesmo da guerra terminar. Foi a única grande potência a sair da 
guerra com uma economia melhor do que a de quando começou o conflito. Todas 
as demais economias sofreram muito mais perdas com a guerra, ao passo que os 
EUA se tornaram a maior potência econômica, política, beligerante e financeira 
do mundo, saindo de um contexto de endividamento para uma das maiores 
emprestadoras de recursos do mundo. Mesmo antes de acabar a guerra, o 
Presidente Franklin de Lano Roosevelt (1933–1945) articulava formas de recursos 
para financiar as populações atingidas pela guerra, a União das Nações para a 
Reconstrução e Reabilitação – UNRR, uma espécie de embrião da ONU, foi 
utilizada como um instrumento de ajuda aos povos exilados da Segunda Guerra 
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Mundial. Com o término da Guerra, foi criada a Organização das Nações Unidas 
– ONU. 
TEMA 3 – DA CRIAÇÃO DA ONU ÀS CONTRIBUIÇÕES DA CEPAL PARA O 
DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA AMÉRICA LATINA 
Com a criação da ONU, na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), 
em 24 de outubro de 1945, o objetivo era selar um acordo de paz entre os países 
e impedir que outro conflito nas mesmas proporções ocorresse. Na época, 51 
países assinaram o acordo, hoje, a ONU possui 193 países filiados à Organização 
e tem sua sede em Nova York. Também tem como missão a promoção dos 
direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social. Para isso, a ONU 
possui escritórios espalhados pelo mundo e todo um sistema com instituições e 
agências específicas que contribuem para melhorar as condições de vida no 
planeta. Possui um organograma de funcionamento com diversos ramos de 
atuação. A Assembleia Geral é o seu órgão máximo. Ademais, existem o 
Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Direitos 
Humanos, o Tribunal de Justiça e o Secretariado. 
A ONU foi muito importante no processo de reconstrução e 
desenvolvimento dos países. Em 1948, por meio do Conselho Econômico e 
Social, criou a Comissão Econômica para a América Latina – Cepal. A Cepal foi 
criada para estudar como poderiam ser melhoradas as condições de vida das 
populações que vivem na América Latina e Caribe. Atualmente, a Cepal conta 
com a participação de todos os países latino-americanos e caribenhos e mais os 
EUA, Grã-Bretanha, França e Holanda. A sede administrativa da Cepal está 
localizada na Cidade de Santiago, capital do Chile. Lideradas por Raul Prebisch e 
Celso Furtado, os estudos realizados pela Comissão chegaram à conclusão de 
que a principal causa da origem da pobreza e da miséria da América Latina estava 
nas relações de trocas desiguais, produtos primários de baixo valor agregado por 
bens industrializados e de tecnologia, dotados de alto valor agregado com outros 
países. Para superação dessa condição, os estudiosos da Cepal propuseram que 
os países deveriam promover a industrialização ea diversificação de sua 
produção de bens e serviços. 
As teorias defendidas pelos membros da CEPAL foram fundamentais para 
a busca de uma maior integração dos países latino-americanos. A distribuição de 
renda, a construção de infraestruturas de energia, de rodovias, ferrovias, portos, 
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reforma agrária e planejamento econômico eram algumas das condições 
apontadas por Raul Prebisch, Celso Furtado e Oswaldo Sunkel como forma de 
superação das condições de subdesenvolvimento desses países. Uma das 
grandes influências da CEPAL foi a criação da Associação Latino-Americana de 
Livre Comércio – ALALC, no início dos anos de 1950. O incentivo a ALALC foi 
fundamental para a organização do comércio entre os países do continente, 
ampliando a comercialização entre eles e dando condições de melhorias nos 
mercados nacionais. Também houve grandes melhorias, em cada país, no seu 
processo produtivo, buscando resultados com o menor custo possível dentro de 
suas dotações relativas de fatores de produção. Além disso, alcançaram 
relativamente índices importantes na substituição de importações e ampliação de 
seus parques industriais, melhorando em muito a capacidade de produção e 
exportação de bens manufaturados. 
Entre as décadas de 1950 e 1960, muitas grandes indústrias com sedes 
nos países centrais tiveram que destinar suas plantas industriais para os países 
periféricos. Incentivos, isenções e melhorias na infraestrutura foram alguns dos 
apontamentos necessários feitos pela Cepal como forma de atrair investimentos 
fixos de grandes multinacionais que pudessem melhorar a produção de bens de 
consumo, principalmente bens de produção e bens de capital. Máquinas e 
equipamentos para produzir outros bens e, dessa forma, a indústria local alcançar 
maior eficiência e poder de concorrência com produto estrangeiro e elevar seu 
nível de substituição de importações. Motivados pela Cepal, os governantes 
passaram a proporcionar condições para que essas plantas industriais 
contribuíssem para o desenvolvimento econômico e social desses países. 
O pensamento estruturalista dos membros da Cepal fortaleceu as ideias 
nacionalistas de muitos políticos da América Latina. No Brasil, o populismo 
colocado em prática por governantes entre 1950 a 1964 foi nessa linha. Getúlio 
Vargas criou várias empresas para proporcionar infraestrutura e substituir 
importações. Dentre as empresas criadas nesse período está O Banco Nacional 
de Desenvolvimento Econômico – BNDE, em 1952, que inicialmente foi criado 
para auxiliar o programa de reaparelhamento econômico, serviu como o grande 
Banco de fomentação de empreendimentos básicos para o desenvolvimento 
econômico do país, tanto públicos quanto privados. A Petrobrás foi criada em 
1953, depois de muitas manifestações populares na defesa do petróleo brasileiro, 
e começou as suas operações em 1954. Além disso, o governo criou a Empresa 
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de Energia Elétrica Brasileira, expandiu as atividades da Companhia Siderúrgica 
Nacional e melhorou as condições de produção da Companhia Vale do Rio Doce. 
Enquanto o Brasil e outros países latino-americanos buscavam se organizar por 
meio da ALALC, a Europa já havia criado o seu Mercado Comum Europeu. 
TEMA 4 – O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO ECONÔMICO EUROPEU E SEU 
MERCADO COMUM 
Com a colocação em prática do programa de reconstrução da Europa por 
meio do Plano Marshall, fortaleceu-se a ideia da criação de um mercado comum 
europeu, visando a romper as barreiras existentes, facilitar a circulação de 
produtos, serviços e pessoas, integração comercial e financeira entre os países. 
Anteriormente, o continente já havia tido uma experiência positiva com a 
Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, estabelecida em 1951, que facilitou 
as relações comerciais transnacionais. Em 1957, os governantes da Alemanha – 
RFA –, Itália, Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França assinaram o Tratado de 
Roma, criando a Comunidade Econômica Europeia – CEE. Mais tarde, foram 
integrados também à CEE a Inglaterra, a Dinamarca e a Irlanda. Em 1981, a 
Grécia também passou a fazer parte da CEE e, em 1986, Portugal e Espanha 
também aderiram ao mercado comum. 
Em 1992, em Maastrich (Holanda), 27 países assinaram o Tratado da 
União Europeia – UE. Esse tratado oficializou a constituição de um mercado 
comum com a criação de uma moeda também comum, o Euro, assim como 
políticas de integração econômica em vários setores importantes, como o de 
circulação de pessoas e de transportes. Em 2013, 28 países eram os membros 
da União Europeia e outros tantos ainda estão em negociações para se integrarem 
ao grupo. Os países-membros da UE (em ordem alfabética) são: Alemanha, 
Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, 
Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Holanda, Irlanda, Itália, 
Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República 
Tcheca, Romênia e Suécia. 
Um dos maiores feitos da integração da UE foi sua unificação monetária, 
que se iniciou, no entendimento de Sandroni (2007), com a criação do Euro, 
adotado em 1° de janeiro de 1999, e que teve seu curso legal de circulação a partir 
de 1° de janeiro de 2002. Para o autor, conforme acordo de adesão, os 
países-membros tiveram algumas metas essenciais a seguir, dentre elas, a 
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abdicação de suas moedas, muitas delas centenárias, como foi o caso do Marco 
(Alemanha), Peseta (Espanha), Escudo (Portugal) e Franco (França). Além disso, 
“se comprometeram com as metas relacionadas com o déficit público (até 3% do 
PIB) e o endividamento interno (até 60% do PIB) e outras condições sobre inflação 
e taxas de juros fixadas pelo Tratado de Maastrich” (Sandroni, 2007, p. 320). 
Dessa maneira, o Tratado de Maastrich forçou os Estados europeus a 
adotarem como moeda o Euro, a comprometerem no máximo 60% de seu PIB 
com seu endividamento interno e, ainda, submeter as decisões adotadas pelo 
Banco Central Europeu (Eurobank). O Eurobank foi fundado em janeiro de 1999 
e possui sua sede na Cidade de Frankfurt (Alemanha). Além disso, esse Banco 
possui um Conselho Diretor, composto por um Comitê Executivo e pelos 
Presidentes de todos os países que possuem o Euro como moeda comum. Dentre 
os objetivos do Banco está a centralização do crédito, a manutenção da 
estabilidade da moeda, o poder liberatório, o controle da emissão de moeda em 
cada país, a quantidade de divisas mantidas por cada país e a emissão de moeda. 
Para se adaptarem a tantas mudanças, os países europeus, principalmente 
as economias mais frágeis, não conseguiram conter seu nível de endividamento, 
o que era pressuposto para aqueles que queriam se beneficiar com o novo 
mercado comum. Grécia, Portugal, Espanha e Itália estão entre os países que 
tiveram dificuldades de manutenção de um mercado integrado, em uma proposta, 
cuja adaptação custou gastos maiores do que suas receitas, não conseguindo 
acompanhar o nível de desenvolvimento estabelecido pelo Tratado de Maastrich. 
Até mesmo as grandes economias industrializadas da Europa passaram por alto 
grau de endividamento, mas com um grande número de reservas cambiais 
conseguiram se sobressair em relação aos demais países. O grande problema foi 
a colocação da dúvida se de fato um mercado comum tão consistente conseguiria 
resistir a uma crise econômica como a de 2008. 
A crise de 2008 provocou grandes problemas às economias de todo o 
mundo, porém, é na UE que os impactos dessa crise vão abalar um mercado 
comum que parecia estar muito sólido.O abalo trouxe a ampliação do número de 
desempregados no continente europeu, que já convivia uma relação difícil com o 
desemprego tecnológico. A tentativa de implementação de medidas neoliberais, 
como contrapartida de muitos países para se manterem na zona do Euro, aponta 
para a desintegração dos direitos sociais e o fim de um estado de bem-estar social 
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dos países-membros. Essa desintegração tem contribuído para que muitos 
governantes sejam pressionados a rever esse processo de unificação europeia. 
TEMA 5 – O COMÉRCIO INTERNACIONAL E A FORMAÇÃO DOS BLOCOS 
ECONÔMICOS – NAFTA, ALCA E MERCOSUL 
As teorias do comércio internacional estão centradas nas relações de 
trocas de bens e serviços, conforme as dotações relativas de cada país na divisão 
internacional do trabalho. Com o fortalecimento das fronteiras entre os países, as 
barreiras alfandegárias se tonaram mais rígidas e o intercâmbio de mercadorias 
entre os países mais controlados. Do Século XIV até meados do Século XVIII, no 
comércio internacional prevaleceu a Teoria Mercantilista. Defendida por muitos 
teóricos da economia, como Thomas Gresham, Thomas Mun, Antoine de 
Montchristien, dentre outros, a Teoria Mercantilista defendia o controle das 
relações de comércio nas mãos do Estado e tinha como principal objetivo o saldo 
positivo na Balança Comercial, aumentando as exportações e restringindo ao 
mínimo possível as importações, retendo ouro e prata como sinal de acúmulo de 
riquezas. Nessas condições, algumas nações, como Holanda, França e Inglaterra, 
passaram a monopolizar o comércio internacional impondo os seus interesses aos 
de suas colônias e dos países com maior grau de dependência econômica. 
Para Costa, Santos (2011) e Sandroni (2007), a Inglaterra, como país 
monopolista e já avançado em seu processo de industrialização, passou a se opor 
ao comportamento dos países que atuavam dentro de uma linha de comércio 
internacional regida pela Teoria Mercantilista para impor uma linha de liberal de 
comercialização entre os países. No entendimento dos autores, a Inglaterra 
passou a pregar o livre mercado internacional, com o mínimo de interferência dos 
Estados sobre suas fronteiras economicamente, visando a garantir a entrada de 
seus produtos nesses países sem taxas alfandegárias, ou com a menor taxa 
possível. Um dos principais argumentos utilizados era de que a abertura ao 
comércio internacional proporcionaria aos países o acesso a uma maior 
quantidade de bens e, como consequência, um maior desenvolvimento 
econômico. Mas, dado ao avanço na produção de bens industrializados, as 
relações de trocas entre os países tenderam a ser mais vantajosas para a 
Inglaterra. 
Um lorde inglês chamado David Ricardo, em 1817, foi o responsável por 
criar uma teoria para justificar as vantagens obtidas por cada país nas relações 
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de trocas no comércio internacional. A teoria das vantagens comparativas pregava 
que cada país deveria se especializar naquilo que melhor pudesse produzir, ou 
seja, naquele produto ou serviço que, comparativamente ao ofertado no mercado 
internacional, os custos fossem mais vantajosos. Em oposição às teorias de 
abertura de mercado, surgiram também as medidas protecionistas, cujos Estados 
pretendiam proteger suas fronteiras e seu mercado interno para garantir sua 
produção e emprego e evitar a saída de divisas. A intensificação dessa atitude 
dos países acabou levando os países à Primeira Guerra Mundial, pois conforme 
Sandroni (2007, p. 162) “o protecionismo foi posto em prática em primeiro lugar 
pelos Estados Unidos e Alemanha, que disputavam os mercados de produtos 
industriais com a Grã-Bretanha, sendo seguidos gradualmente pela maioria dos 
países”. 
Após a ocorrência das duas grandes guerras mundiais, o comércio 
internacional passou por mudanças para se adaptar ao novo modelo de economia 
internacional posta, principalmente pelo processo de reconfiguração geopolítica e 
da Guerra Fria. Uma dessas mudanças foi a realização de um tratado de comércio 
internacional objetivando a criação de um órgão que pudesse contribuir de alguma 
forma para normatizar as transações econômicas entre os países. Um desses 
órgãos foi o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (General Agreement on Tariffs 
and Trade – GATT), criado em Genebra, na Suíça, em 1947, para contribuir para 
o desenvolvimento do comércio internacional, por meio da realização de acordos 
entre os países para reduzir tarifas alfandegárias, tratamento bilateral igualitário, 
eliminação de subsídios e de reserva de mercado para produtos internos por meio 
de cotas de importação. Em um primeiro momento, 23 nações foram signatárias 
do GATT. Em 1995, na cidade de Marrakesh, no Marrocos, foi criada a 
Organização Mundial do Comércio – OMC, que passou a ter os mesmos objetivos 
do GATT, que além de contar com um número maior de países, passou a existir 
de forma permanente, haja vista que o GATT era temporário. 
A partir da década de 1950, várias foram as crises econômicas que 
afetaram o mercado internacional e muitos países buscaram, por meio de relações 
comerciais com seus vizinhos, organizarem-se por meio de mercados comuns. 
Um dos primeiros mercados a se formar foram, conforme já vistos, a Associação 
Latino-Americana de Livre Comércio – ALALC – e a Comunidade Econômica 
Europeia do Carvão e do aço. No desenvolvimento dessas articulações entre os 
países para protegerem seus mercados surgiram ainda o Nafta e o Mercosul. 
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De acordo com Costa e Santos (2012), o Tratado Americano de Livre 
Comércio (Nort American Free Trade Agreement – Nafta) foi criado em 1989 e 
representa um acordo de livre comércio estabelecido entre os Estados Unidos e 
Canadá e depois ampliou-se com a participação do México. Pretendia os EUA, 
com a formação do bloco econômico, fazer frente ao Mercado Comum Europeu, 
encaminhado pelos países que compõem a União europeia. O acordo entrou em 
vigor em 1994 e tinha como previsão a abolição total das tarifas alfandegárias 
entre os três países em 2010. Apesar dos avanços comerciais entre os membros 
do bloco, alguns entraves políticos e econômicos acabaram não tornando possível 
tal abolição na data prevista. O chile, apesar de ser um país geograficamente 
localizado ao sul da América, é membro associado do bloco e possui vantagens 
nas relações comerciais com todos os demais países-membros. Apesar de se 
constituir como bloco, o Nafta não permite a livre circulação de pessoas entre os 
países pertencentes a ele. 
Na década de 1990, os EUA buscaram impor a todos os países americanos 
uma Área de Livre Comércio das Américas – Alca –, que tinha como objetivo uma 
integração entre todos os países da América Latina e Caribenha, mais o Canadá. 
De iniciativa dos EUA, a Alca pretendia ser o maior mercado comum do planeta. 
Uma das propostas para essa Área de Livre Mercado era a integração monetária. 
A proposta americana era de que o Dólar fosse a moeda comum a todos. Para 
Sandroni (2007), o projeto da Alca tinha grande abrangência, que ia desde a 
integração monetária, a preservação da propriedade intelectual, a instalação de 
bases militares americanas, acordos de comércio e tarifas até barreiras de 
proteção entre os países-membros em relação aos demais blocos econômicos ou 
países não membros. 
A Alca não foi bem-vista por governantes de muitos países latino-
americanos, especialmente o Brasil e a Argentina, que percebiam na proposta 
americana uma mão de única via. Todos os mercados do continente aberto aos 
interesses do governoamericano, sem a devida contrapartida dos EUA. Além 
disso, a dolarização das economias de muitos dos países latino-americanos e 
caribenhos, iniciada nos primeiros anos da década de 1990, colocaram os países 
na dependência da oferta de dólares no mercado internacional. Muito diferente da 
proposta de unificação monetária da União Europeia, onde os países-membros 
se dispuseram a acabar com suas moedas para a criação de uma moeda comum, 
os EUA não se dispuseram a aceitar uma nova moeda e muito menos de pôr fim 
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ao Dólar e criar um Conselho Monetário dos países-membros da Alca. A proposta 
da Alca não avançou porque houve reações contrárias internas em praticamente 
todos os países atingidos pela Área de Livre Comércio das Américas. 
Um dos grandes entraves para a Alca foi a articulação já existente entre os 
países do cone sul das Américas, o Mercosul. De acordo com Costa, Santos 
(2012) e Sandroni (2007), o Mercosul começou a nascer após acordos comerciais 
realizados entre o Brasil e a Argentina e foi criado oficialmente com a assinatura 
do Tratado de Assunção, em 29 de novembro de 1991. Reunindo Brasil, 
Argentina, Paraguai e Uruguai, o acordo teve como proposta criar uma relação de 
livre comércio entre os países do Cone Sul, por meio de uma integração 
progressiva, levando em conta o desenvolvimento de cada país. Além de manter 
uma ampliação da comercialização de bens e serviços, matéria-prima e mão de 
obra entre os membros do Mercosul, o acordo previa o estabelecimento de 
cobranças de taxas de importação e exportações comuns e também a realização 
de diversos foros para discussões sobre as políticas da área de livre comércio do 
Cone Sul, principalmente sobre a adesão de novos países ao Bloco. 
Saiba mais 
Saiba mais sobre a Primeira Guerra Mundial assistindo ao Vídeo: 
PRIMEIRA Guerra Mundial o fim de uma era dublado. Erivaldo Santos. 
Disponível em: . Acesso 
em: 22 mar. 2019. 
 
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