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1 
Universidade Anhanguera-Uniderp 
Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 ASSÉDIO MORAL NAS RELAÇÕES DE TRABALHO 
 
 
 
 
 
 
 
 
KARLA BETHÂNIA FERNANDES NAZAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RIO VERDE – (GOIÁS) 
2011 
 
 
 
2 
KARLA BETHÂNIA FERNANDES NAZAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MEDIDAS ASSÉDIO MORAL NAS RELAÇÕES DE TRABALHO 
 
 
Monografia apresentada ao Curso de Pós-
Graduação lato sensu TeleVirtual em Direito 
do Trabalho, na modalidade Formação para 
o Magistério Superior/ Formação para 
Mercado de Trabalho, como requisito 
parcial à obtenção do grau de especialista 
em Direito do Trabalho. 
 
Universidade Anhanguera-Uniderp 
Rede de Ensino Luiz Flávio Gomes 
 
 
 
 
Orientador: Prof.ª ALCINA APARECIDA MOLINA 
 
 
 
 
RIO VERDE – (GOIÁS) 
2012 
 
 
 
3 
DEDICATÓRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Deus pelas inúmeras graças recebidas, realizações e 
conquistas. 
Ao meu esposo, pelo apoio e incentivo. 
Aos amigos: Cárita Batista, Luciana Marques, e Alex Carelli, 
que indiretamente contribuíram para o desenvolvimento deste 
estudo. 
Aos professores, que com empenho procuraram transmitir seus 
conhecimentos. 
A minha orientadora em razão de sua capacidade profissional e 
intelectual. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
RESUMO 
 
 
 
Esse Trabalho cientifico foi delimitado ao assunto: Assédio Moral nas Relações de 
Trabalho. Devido à importância relevante e um dos mais sérios no contexto social. 
Estabelece-se como referencial teórico, através do método dedutivo do Direito e 
como procedimento técnico à pesquisa bibliográfica. Este fenômeno é fruto de um 
conjunto de fatores, tais como a globalização econômica predatória, vislumbrada 
somente da produção e do lucro, e atual organização do trabalho, marcada pela 
competição agressiva e pela opressão dos trabalhadores através do medo e da 
ameaça. O problema do assédio moral se não enfrentado de frente, pode 
desencadear a debilidade da saúde de milhares de trabalhadores, prejudicando 
sensivelmente, a qualidade de vida das pessoas e a economia de um País. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Palavras-chave: 
 
Assédio moral, dignidade humana, conseqüências. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5 
ABSTRACT 
 
 
This scientific work was limited to the subject: moral harassment in the 
relationsshipof work. Because of the importance and relevance of the most serious in 
a social context. It is as theoretical reference, through deductive method of law and 
procedure as the technical literature search. This plenomenon is the result of a 
number of factors, such as predatory economic globalization, only discern of 
production and profit, and the current organization of work, marked by aggressive 
competition and the oppression of workers througt fear and threat. The problem of 
bullying is not tackled head on, can trigger the weakness of the health of thousands 
of workers, significantly impairing the quality of life of people and economy of a 
country. 
 
 
 
 
 
Key words: Harassment, human dignity, working relations.. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
SUMÁRIO 
 
 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 7 
2. CONTEXTO HISTÓRICO ....................................................................................... 9 
2.1 Conceito ............................................................................................................ 10 
2.2 Distinção do assédio moral para o dano moral e o assédio sexual ............ 11 
3. O ASSÉDIO MORAL ........................................................................................... 12 
3.1 Sujeitos do assédio moral ............................................................................... 13 
3.1.1 O agressor ..................................................................................................... 13 
3.1.2 - os espectadores .......................................................................................... 14 
3.1.3 A vítima .......................................................................................................... 14 
3.2 Classificação .................................................................................................... 15 
3.2.1 Assédio vertical descendente ...................................................................... 15 
3.2.2 Assédio vertical ascendente ........................................................................ 15 
3.2.3 Assédio moral horizontal .............................................................................. 15 
3.3 Elementos caracterizadores ............................................................................ 15 
4. Legislação específica sobre assédio moral no Brasil......................................15 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 26 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ........................................................................ 28 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
 
 
7 
A proposta desse trabalho científico é demonstrar através de 
fundamentos jurídicos, o instituto do assédio moral, seu contexto histórico, seus 
sujeitos, as conseqüências e as legislações existentes. O estudo proposto trata-se 
de uma violação a um dos fundamentos importantes da carta maior, pois viola a 
dignidade da pessoa humana e acarreta prejuízos à relação de trabalho e ao próprio 
trabalhador agredido. 
As consequências geradas pelo assédio moral não se limitam à saúde da 
vítima do processo destruidor, atingem também a esfera social da vida do 
empregado, além das consequências econômicas do fenômeno, sobre o 
empregado, a empresa e a sociedade. 
Com a globalização, as relações de trabalho atualmente vivem um clima 
de constante insegurança, exigi-se cada vez mais e melhores resultados, é natural 
que surja um ambiente de competições e cobranças, tornando o ambiente de 
trabalho propício, para os casos de assédios morais, manifestados de varias 
maneiras, produzindo inúmeras consequências tanto para os empregados, quanto 
para as empresas. 
Embora, apenas recentemente o instituto do assédio moral tenha 
merecido interesse dos doutores, a importância do tema é irrefutável, justificando-se 
na intensificação, amplitude e efeitos desse fenômeno deletério que, em boa hora foi 
despertada a atenção dos juristas. 
O assunto é relevante e urge ações concretas para prevenir e combater 
os casos de assédio moral e punir os ofensores. 
A metodologia será oriunda de pesquisa meramente teórica, através de 
método dedutivo. 
O método procedimental utilizado será o dogmático jurídico do Direito. 
Como procedimento técnico será utilizada a pesquisa bibliográfica, com 
analise temática e textual de obras e artigos jurídicos pertinentes. 
A investigação será sistemática em três partes: 
No primeiro capitulo, a abordagem se centra no contexto histórico e 
conhecimento, do que venha a ser assédio moral bem como sua diferenciação com 
dano moral e assédio sexual. 
No segundo capitulo os sujeitos do dano moral, sua classificação e seus 
elementos caracterizadores. 
 
 
8 
O terceiro capitulo expõe as consequências do dano moral, tanto na 
vitima como para seus agressores e sociedade em geral e a violação a dignidade da 
pessoa humana com essa prática. 
E por fim as legislações especifica que tratam do tema. 
Hoje em dia não é raro encontrar pessoas submetidas a condições 
desumanas, às vezes essas condições não se limitam as instalações físicas, mas 
também a uma verdadeira tortura psicológica sofrida por muitos empregados. Essas 
situações levam a maioria das vítimas a uma decisão fora do normal, algumas 
abrem mão de seus direitos trabalhistas, outras acabam nutrindo pensamentos 
suicidas.O assédio moral viola a dignidade do trabalhador, deixando como seqüela 
inúmeros danos à saúde física e psíquica da vítima. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. CONTEXTO HISTÓRICO 
 
 
 
9 
 
Assédio moral nas relações de trabalho não é um fenômeno recente, 
pode se dizer que é tão antigo como o próprio trabalho. 
Para Santucci (2006, p.11): 
O assédio moral existe desde os primórdios da vida familiar e social. Isso é 
fato! Trata-se, como dizem muitos de um terror psicológico, onde a pessoa 
pode adoecer física e mentalmente, chegando algumas vezes, até a morte. 
Mesmo sendo tudo isso uma verdade, toda a humanidade sempre conviveu 
silenciosamente com esse fenômeno, e por incrível que pareça, foi pouco 
discutido na antiguidade, até mesmo esquecido, impressionado por ser tão 
destruidor das relações sociais, principalmente no ambiente de trabalho. 
 
O tema ganhou maior relevância nas últimas décadas com a divulgação 
de pesquisas realizadas na área de Psicologia, desenvolvidas na Europa (França) e 
nos países escandinavos, com ênfase voltada para o mundo do trabalho. Durante a 
década de 80, o psicólogo alemão Heinz Leymann foi o precursor do estudo sobre o 
tema, seus estudos não só difundiram na Europa, como também na Alemanha, 
levando Santucci (2006, p. 12) a afirmar que: 
 
No inicio de 1984 Heinz Leymann publica o resultado de uma longa 
pesquisa pelo Nationl Board of Occupational Safety and Health, in Stokolm, 
onde ficam caracterizadas as conseqüências do mobbing, sobretudo na 
esfera neuropsíquica, sobre a pessoa que é exposta a um comportamento 
humilhante no trabalho durante certo período de tempo, não importando se é 
por parte de colegas ou se é por parte dos superiores. Esse estudo teve 
maior destaque na Suécia, onde Leymann morou em meados dos anos 
cinqüenta, e evidencia que em um ano 3,5% dos trabalhadores de uma 
população economicamente ativa de 4,4 milhões de pessoas sofreram 
perseguição moral por um período superior a 15 (quinze) meses. Só que 
aquela época para ser caracterizado o mobbing (ou assédio moral), era 
necessário que as humilhações se repetissem pelo menos uma vez na 
semana e tivessem a duração mínima de 06 (seis) meses. Isso foi chamado 
de psicoterror. 
 
A partir das pesquisas publicadas na Psicologia, o assédio moral 
começou a chamar a atenção de estudiosos de outros ramos da Ciência, dentre 
eles, o Direito. Imediatamente, percebeu-se que o tema é multidisciplinar, não 
podendo ser esgotado por apenas uma área do conhecimento humano. Ainda que 
as pesquisas tivessem inicio nas relações humanas sob o prisma psicológico, eram 
necessárias, também, as contribuições da Sociologia e, principalmente, do Direito, 
como forma de conhecer os principais focos originadores do problema, bem com os 
meios de coibi-los e de solucioná-los. 
 
 
10 
No final da década de 90, a psicanalista e vitimóloga francesa Marie-
France Hirigoyer lançou um livro que desenvolveu a discussão acerca do assédio 
moral na esfera jurídica. Sua obra contesta a questão com base em relatos de casos 
reais, abordando pontos como a vítima, a perversidade do agressor, as 
consequências a longo prazo, e as da saúde da vítima. 
O tema a partir da obra de Hirigoyen ganhou proporções internacionais, 
sendo que na França, Suécia, Noruega, Austrália, Itália, na Europa como fora dela, 
passaram a produzir leis visando impedir o assédio moral nas relações de trabalho. 
No Brasil, a discussão ainda é receosa, mas nem por isso o fenômeno é inexistente. 
As legislações, municipais e estaduais, editadas até o momento, que tratam 
especificamente, do assedio moral, tem como alvo, a proteção do empregado no 
setor público. Existem projetos de lei para o tema, mas nada, ainda de significado na 
área trabalhista, o que seria verdadeiramente pertinente. 
 
 
2.1 Conceito 
 
 De acordo com Ferreira, Aurélio (2004, p. 210), o verbo assediar na língua 
portuguesa é definido da seguinte forma: “pôr assedio ou cerco a (praça ou lugar 
fortificado); perseguir com insistência”. 
O assédio moral é conhecido em diversos campos: escolar, familiar, trabalho, 
relacionamentos, sem exceção, e em todos os povos, porém cada qual com seus 
próprios juízos de valores. Sua denominação varia de acordo com cada país, por 
exemplo: mobbing (Itália, Alemanha e países escandinavos), bullying (Inglaterra), 
harassment (Estados Unidos), harcèlement moral (França), ijime (Japão), psicoterror 
laboral ou acoso moral (em paises de língua espanhola), terror psicológico, tortura 
psicológica ou humilhações no trabalho (países de língua portuguesa). 
Não obstante, a forma como o assédio moral se manifesta também não é 
igualmente estabelecida, o que acaba por dificultar sua terminologia. 
 Para Hirigoyen (2008, p. 65) o assédio moral consiste em: 
 
Toda e qualquer conduta abusiva manifestando-se, sobretudo por 
comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos que possam trazer dano à 
personalidade, à dignidade ou à integridade física ou psíquica de uma 
pessoa, pôr em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho. 
 
 
 
11 
Santucci (2006, p.18) traça o seguinte conceito: 
 
O assédio moral é a exposição dos trabalhadores a situações humilhantes e 
constrangedoras no exercício de suas funções, sendo mais comuns em 
relações hierárquicas autoritárias e sem simetrias, em que predominam 
condutas negativas, relações desumanas e aéticas, de um ou mais chefes 
dirigidas a um ou mais subordinados, desestabilizando a relação da vítima 
com o ambiente de trabalho e a organização, forçando-o a desistir do 
emprego. 
 
O assédio é evidenciado mediante uma série de condutas, sempre 
abusivas e agressivas, o abuso, excesso ou descomedimento revela no contexto 
abordado, a intenção antijurídica, danosa, visada deliberadamente pela parte. 
 
2.2 Distinção do assédio moral para o dano moral e o assédio sexual 
 
O assédio moral precisa ser distinguido das demais espécies das quais, 
apesar de possuírem princípios comuns, com ele não se confundem. 
O dano moral não pode ser confundido com o assédio (moral ou sexual), por 
se tratar de um direito da personalidade. Como ensina Pamplona Filho (2006, p. 4): 
 
De fato, o assédio, seja moral ou sexual, é uma conduta humana, como 
elemento caracterizador indispensável da responsabilidade civil, que gera 
potencialmente danos, que podem ser tanto materializados, quanto 
extrapatrimoniais. O dano moral é justamente este dano extrapatrimonial 
que pode ser gerado pelo assédio, ou seja, a violação de um direito da 
personalidade, causada pela conduta reprovável ora analisada. 
 
A indenização por dano moral é inconfundível com as indenizações 
trabalhistas tampouco se confunde com a reparação devida por danos patrimoniais. 
Felker (2007) explica que o assédio moral difere do assédio sexual por 
chantagem, pois este somente acontece verticalmente, para ser caracterizado como 
delito, de cima para baixo nas hierarquias, e vem revestido de uma conotação 
sexual enquanto o assédio moral pode-se verificar em plano horizontal, pois pode 
caminhar em todas as direções e se refere às outras hipóteses, que não de natureza 
sexual. 
Segundo Bitencourt (2005) o assédio sexual tem legislação especifica, lei 
10.224 de 2001, artigo 216-A, que identifica o assédio sexual como: constranger 
alguém como intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o 
 
 
12 
agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendente inerente ao exercício 
de emprego, cargo ou função. A pena prevista é de um a dois anos de detenção. 
Muitas pessoas tendem a confundir os termos assédio moral e assédio 
sexual. A diferença entre as duas modalidades está nos interesses tutelados, uma 
vez que o assédio moral fere a dignidade psíquica do ser humano, enquanto o 
assédio sexual atenta contra a liberdade sexual do individuo. 
 
3. O Assédio MoralFalar de assédio moral nas relações de trabalho é dar importância aos 
problemas enfrentados pela sociedade atual, no âmbito do trabalho que engloba um 
conjunto de fatores, como: a globalização econômica, que visa somente à produção 
e o lucro, e à atual organização de trabalho, marcada pela competição agressiva e 
pela opressão dos trabalhadores através do medo e da ameaça. 
Neste sentido o site www.assediomoral.org(2002), ressalta que: 
 
O desabrochar do individualismo reafirma o perfil do novo trabalhador: 
autônomo, flexível, capaz, competitivo, criativo, agressivo, qualificado e 
empregável. Estas habilidades o qualificam para a demanda do mercado, 
que procura a excelência e saúde perfeita. Estar apto significa 
responsabilizar os trabalhadores pela formação/qualificação e culpabilizá-los 
pelo desemprego, aumento de pobreza urbana e miséria, desfocando a 
realidade e impondo aos trabalhadores um sofrimento perverso. 
 
A exploração do medo dos trabalhadores diante do desemprego, por meio de 
ameaças de demissões instaura um processo de terrorismo desencadeando uma 
total desconfiança, uma verdadeira guerra de todos contra todos. 
O assédio inicia-se de maneira sutil, não escolhe sexo, e pode começar com 
pequenos apelidos, insinuações, pequenas ironias, maledicências, piadinhas, e tudo 
isso vai crescendo como uma “bola de neve” até que o agressor/assediador perde 
totalmente o controle. Neste processo, a vítima é sujeita a ataques repetitivos e 
contínuos. 
Os malefícios gerados pelo assédio moral são muitos, de início a vítima 
escolhida é isolada do grupo, passando a ser discriminada diante dos colegas. Este 
clima gera na pessoa/vítima um sofrimento capaz de atingir diretamente sua saúde 
física e psicológica, desencadeando doenças crônicas, cujos resultados 
acompanharão por toda vida. 
 
 
13 
É através da justiça que a vítima busca amparo, e isso se dá por intermédio 
da atividade legislativa, que resguarda o trabalhador dos malefícios gerados pelo 
assédio moral, garantindo que sua dignidade e o exercício de seu trabalho sejam 
valorizados e respeitados. 
A Competência para julgar ações envolvendo danos morais e materiais 
decorrentes das relações de trabalho, é da Justiça do Trabalho, conforme Emenda 
Constitucional 45/2004, que ampliou a competência da Justiça do Trabalho, que está 
expresso no artigo 114 da Constituição Federal de 1988. 
Neste sentido a Consolidação das Leis do Trabalho, que é o conjunto de leis 
que regula as relações entre empregador e empregado, não menciona diretamente o 
assédio moral. Mas, desde o final da década de 90, a justiça do trabalho vem 
aceitando causas sobre assédio moral. E são essas sentenças dos juizes que estão 
servindo de base para futuros processos. 
 
3.1 Sujeitos do assédio moral 
 
A doutrina estabelece que, são três os sujeitos do assédio moral: 
 
3.1.1 - o agressor 
3.1.2 - os espectadores 
3.1.3 - a vítima 
 
3.1.1 O agressor 
 
O agressor é aquela pessoa que agride, é o irritante, é o invasor, é um sujeito 
perverso. Ele utiliza mecanismos perversos para se defender, como a vingança, a 
vontade de destruir o outro. Percebe-se que a perversidade implica em estratégias 
de utilização e depois de destruição do outro, sem a menor culpa. 
Paraski (2006) considera que o assediador tem um perfil, tratando-se de uma 
pessoa perversa, que se sente feliz e realizada em praticar o mal, que se compraz 
com o sofrimento e o desespero alheio, que tudo faz pela infelicidade dos seus 
semelhantes, que gosta de demonstrar poder e força, sem quaisquer limites éticos 
ou ditados pela natureza e condição humana. 
 
 
 
14 
3.1.2 Os expectadores 
 
As agressões ocorrem geralmente diante de outras pessoas, que são 
consideradas como expectadores, muitas vezes os expectadores não fazem nada 
para impedir as agressões, por entender que a vítima seja responsável pelo seu 
sofrimento. Silenciam por medo, temem a perda do cargo ou emprego ou mesmo de 
serem escolhidas, como próxima vítima do agressor. 
Para Santucci (2006, p. 23) expectadores são: 
 
São pessoas, colegas, superiores, encarregados da gestão de pessoal, que, 
querendo ou não, de algum modo participam dessa violência e a vivenciam, 
mesmo que por reflexo. Há dois tipos de espectadores conformistas: os 
passivos e os ativos. Estas contribuem com o agressor, levando avante a 
humilhação, pronunciando palavras ou frases que visem a concordar com 
aquilo dito pelo agressor, e aqueles que simplesmente ouvem, sem 
alterações de quaisquer naturezas. 
 
Há ainda os expectadores que não agem frontalmente e sim, lateralmente, 
confrontando-se com a vítima. Neste caso, praticam o assédio moral, porém não são 
adversários direito da vítima, apenas ajudam o verdadeiro agressor a destruir 
rapidamente a vítima. 
Os expectadores na maioria das vezes ficam do lado do agressor, como um 
incentivador, levando em frente às humilhações que o agressor pronunciou. Ocorre 
que neste caso o expectador é vítima por ser fiel ou cúmplice do agressor. 
 
 
 3.1.3 A vítima 
 
Vítima ou sujeito passivo é a pessoa que sofrem agressões reiteradas e 
sistemáticas. Visando hostilizá-lo, inferioriza-lo e isolá-lo do grupo, comprometendo 
a sua vida pessoa, revertendo em dano à saúde mental e física. 
A vítima pode ser tanto do sexo masculino quando do feminino, desde que 
possua algo que atraia o agressor, sendo geralmente aquele que se destaca no 
grupo, por ser mais jovem ou mais especializado, ou mesmo como se veste e fala, 
despertando a inveja ou ciúmes nos outros colegas de trabalho. (BASTOS, 2001) 
 
3.2 Classificação 
 
 
15 
 
O assédio moral pode ser classificado como: Assédio vertical descendente, 
assédio vertical ascendente e assédio moral horizontal. 
 
3.2.1 Assédio vertical descendente 
 
Este se caracteriza pelo fato de uma pessoa com superioridade hierárquica 
sobre a outra. É o tipo de assédio mais comum praticado pelo empregador ou seus 
prepostos. A subordinação da relação de emprego existente propicia o aparecimento 
da conduta perversa, com o intuito de levar o obreiro a pedir demissão. 
Pode ser feito quando o agressor quiser eliminar a vítima, pelo simples fato de 
valorizar seu próprio poder, quando se sentir ameaçado, ou mesmo para reduzir 
custos para a empresa. (FERREIRA, 2004) 
 
3.2.2 Assédio vertical ascendente 
 
É o caso mais raro de ocorrer, acontece quando o empregador subordinado, 
em relação ao chefe, ou um determinado grupo de pessoas praticam atos de 
humilhação, contra o superior hierárquico, acontece o fenômeno inversamente ao 
assédio vertical descendente (FERNANDES, 2004). 
 
3.2.3 Assédio moral horizontal 
 
O assédio moral horizontal ocorre com menos freqüência, caracteriza-se pelo 
assédio praticado entre colegas de trabalho de mesmo nível hierárquico. Geralmente 
é ocasionado, entre colegas de trabalho que disputam um cargo melhor ou uma 
promoção. Acontece de forma individual ou coletiva. 
 
3.3 Elementos caracterizadores 
. 
Para que se configure o assédio moral nas relações de trabalho faz-se 
necessário um ato agressor, um dano à dignidade do trabalhador. Não trata 
exatamente de dano físico-psíquico, mas os atos devem causar uma degradação 
das condições de trabalho. 
 
 
16 
O dano moral é um dos elementos que caracteriza o assédio, pois decorre, 
automaticamente, de um ato ilícito. 
Segundo Thome (2008, p. 35): 
Não há, praticamente, controvérsia acerca da necessidade da existência do 
dano para a configuração do assédio, porém, é importante ressaltar que 
alguns atos, em um primeiro momento, podem parecer anódinos, sem 
importância, ou sem intuito algum de lesar os direitos da personalidade do 
empregador, mas, diante da análise de todos os elementos do ambiente de 
trabalho, fica configurado o assédio moral. 
Outros elementos são a repetição e duração, requisitos que a grande maioria 
das doutrinas e jurisprudênciaexige para a configuração do assédio moral nas 
relações de trabalho. 
Quanto ao número mínimo de repetições necessárias, alguns doutrinadores 
entendem que só há assédio moral quando a agressão ocorrer por pelo menos, uma 
vez por semana, durante, no mínimo seis meses. Respeitando as opiniões dos 
autores, a delimitação é rígida quanto às repetições, podendo gerar injustiças, pois o 
assédio moral nem sempre há um número maior ou menor de repetições. 
Paroski (2006) explica, o caso de um trabalhador que move uma demanda em 
face do seu empregador postulando pagamento de horas extras, e, a partir do 
conhecimento da ação trabalhista, esse passa a maltratá-la de forma violenta, 
expondo-o a situações de vexame perante seus colegas, com advertência verbais 
públicas, com rebaixamento de funções, com retirada dos meios materiais 
necessárias ao exercício de sua atividade profissional e proferindo palavras de baixo 
calão ou adjetivos nada honrosos. Nessa situação, não há porque exigir-se 
freqüência semanal de uma vez e duração mínima de seis meses nesse tipo de 
atitude do empregador ou de seus prepostos, para se caracterizar assédio moral de 
gravidade tal que leve á desestabilidade emocional e psicológica da vítima, 
fragilizando-a e desnorteando-a, inclusive forçando-a a se ver na condição de 
abandonar o serviço ou pedir demissão. 
Em contrapartida Ferreira (2004, p. 48) afirma que “é necessária à repetição e 
o prolongamento no tempo da conduta abusiva, pois o assédio moral não se 
confunde com uma agressão isolada, que não mais se repetiu”. 
Neste diapasão Thome (2008, p. 36) relata que: 
 
A jurisdição brasileira vem citando a repetição dos atos agressivos como um 
dos requisitos para a configuração do assédio moral. Também a jurisdição 
alemã e a espanhola consideram que esporádicos não caracterizam assédio 
moral no trabalho (...) No Brasil, há jurisprudência no sentido de que deve 
 
 
17 
haver a prolongação no tempo da degradação psíquica para haver assédio 
moral nas relações de emprego (...) Diante da própria idéia de assédio, tem-
se que uma certa duração no tempo faz-se necessária para sua 
configuração, mas o limite temporal será determinado conforme o caso 
concreto. 
 
Um dos principais elementos do assédio moral e á finalidade de exclusão da 
vítima do ambiente de trabalho. Esta exclusão gera um desequilíbrio enorme, 
causando estresse, insônia, falta de ânimo para tudo, inclusive para procurar outro 
emprego se for o caso, e em algumas pessoas leva até o suicídio. 
A intensidade e a intencionalidade também são elementos do assédio moral, 
o primeiro utiliza-se de meios perversos em sua prática enquanto o segundo dar-se-
á pela intenção de prejudicar e atingir moralmente a vítima. 
 Com tudo dito analisamos que a doutrina majoritária considera que todos os 
elementos acima citados são intrínsecos do assédio moral nas relações de trabalho. 
 
 
 
 
 
4. Legislação específica sobre assédio moral no Brasil 
 
A legislação existente no Brasil com o objetivo de prevenir e coibir o assédio 
moral e punir o assediador, ainda é muito modesta. Não há, ainda, uma lei de âmbito 
nacional. 
Em diversos Estados e Municípios já há legislação sobre o assédio moral, 
porém se limita em órgão da administração pública municipal e estadual. 
De acordo com Felker (2007), o primeiro município brasileiro a adotar 
legislação sobre o assédio moral foi o município de Iracemópolis, no Estado de São 
Paulo, pela Lei Municipal nº. 1.163, de 24 de abril de 2000, que dispõe, 
expressamente, sobre o assédio moral nas dependências do local de trabalho. 
Depois os municípios de Cascavel, no Paraná, com a Lei nº. 3.243, de 05 de maio 
de 2001; o município de Sidrolândia, no Estado de Mato Grosso do Sul, através da 
Lei nº. 1.078 de 2001. A cidade de São Paulo (SP), em seqüência o município de 
Americana, no estado de São Paulo, promulgada em 07 de junho de 2002, a Lei 
Municipal nº. 3.671, nos mesmos termos das legislações, anteriores, transcritas, de 
 
 
18 
Iracemópolis e de São Paulo. A cidade de Rio de Janeiro (RJ), pela Lei nº. 3.921, de 
22 de agosto de 2002. E o município de Campinas no Estado de São Paulo com a 
Lei Municipal nº. 11.409, de 04 de novembro de 2002. 
Estas diversas leis municipais e estaduais tratam da aplicação de penalidades 
a pratica do assédio moral por servidores e funcionários públicos, na administração 
pública municipal, direta e indireta, empresas públicas municipais, fundações e 
autarquias. Estas leis trazem uma definição do que seja assédio moral, e suas 
punições. 
Neste mesmo sentido Felker (2007, p. 199), refere às punições como: 
advertência escrita, suspensão, multa e demissão. Em alguns casos se tem 
estipulado, além de penalidade imposta, também a participação em um curso de 
aprimoramento profissional, onde contará com conteúdos programáticos versando 
sobre ética profissional e relações interpessoais, numa tentativa de reeducação. As 
multas são destinadas a um Fundo para Manutenção de Cursos de Aprimoramento 
Profissional ou Escola de Formação do Serviço Público, já em atividade em alguns 
Estados e Municípios. 
Em cada legislação há, normalmente, a forma de procedimento que deverá 
ser por iniciativa da parte ofendida, através de queixa ou representação. E ao 
agressor se deverá conceder amplo direito de defesa. 
É importante destacar que algumas empresas privadas e entes públicos já 
têm procurado introduzir medidas de prevenção, visando à garantia da dignidade do 
ser humano no seu local de trabalho. 
Há proposta, no âmbito federal, de alteração do Código Penal e outros 
projetos de lei. Há de ser destacado o Projeto de Lei nº. 4.742/01, da autoria do 
Deputado Federal Marcos de Jesus, o qual estabelece o art. 146-A no Código Penal, 
com a seguinte redação:” A desqualificar, reiteradamente, por meio de palavras, 
gestos ou atitudes, a auto-estima, a segurança ou a imagem do servidor público ou 
empregado em razão de vínculo hierárquico funcional ou laboral.”A pena fixada é de 
detenção de três meses a um ano, além de multa. 
O Relator desse projeto, Deputado Aldir Cabral, alterou o texto original e após 
uma série de justificativas, entendeu que a matéria deveria ser tratada no Capítulo 
Relativo a Periclitação da Vida e da Saúde, com o número 136-a, com a seguinte 
redação: 
 
 
19 
“Depreciar, de qualquer forma e reiteradamente a imagem ou desempenho 
de servidor público ou empregado, em razão de subordinação hierárquica 
funcional ou laboral, sem justa causa, ou tratá-lo com rigor excessivo, 
colocando em risco ou afetando sua saúde física ou psíquica”. (Felker, 2007 
p. 2005) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONSIDERAÇOES FINAIS 
 
Ao longo deste trabalho vimos casos, exemplos e o desenrolar de processos 
agressivos em determinados contextos, mas esta lista não é limitativa e esse 
fenômeno ultrapassa amplamente o mundo da empresa, estando, portanto em 
diversos ambientes. 
Assédio moral é um tipo de violência psíquica no trabalho, que se caracteriza 
como um processo de repetitivos ataques, mediante atos diversos que vão desde 
aqueles, aparentemente, inocentes ao mais humilhante, que afetam a vítima e 
provocam uma degradação psicológica em suas condições de trabalho. 
O assedio moral é um mal que atinge a sociedade moderna, por vários 
fatores, mas dentre outros os que se destacam são a globalização e a crescente 
competitividade. 
Atualmente, ele vem sendo expandido/ estudado por algumas áreas como 
medicina e psicologia e, consequentemente, pelo Direito. 
Ocorre que ainda não existe no país nenhuma lei trabalhista que tenha por 
objetivo impedir a prática do assédio moral, só há iniciativas legislativas isoladas em 
alguns Estados e Municípios visando à proteção dos servidores públicos. Porém é 
importante ressaltar que a competência para legislar sobre direito do trabalho é 
 
 
20 
privativa da União, conformedispõe o artigo 22, I da Constituição Federal. Assim, as 
leis até o momento sobre assédio moral nas relações de trabalho com foco para 
servidores públicos, não são normas jurídicas trabalhistas, mas sim normas 
administrativas que visam à regulamentação de condutas entre Administração 
Pública e seus contratados. 
Entretanto a assédio moral no ordenamento jurídico brasileiro não é 
totalmente ausente de previsão legal, tendo em vista que a própria Constituição 
Federal assegura o respeito à dignidade humana, à cidadania, à imagem e ao 
patrimônio moral do obreiro, inclusive com a indenização por danos morais (art. 5º, V 
e X, da Constituição Federal). 
Neste sentido a atuação sindical pode tornar-se muito eficaz, pois mesmo não 
havendo uma lei federal especifica prevendo a existência de prevenção, os 
sindicatos podem estar atuando no sentido de exigir a inserção de clausulas 
combatendo o assédio moral nas relações de trabalho nos acordos e convenções. 
 
. 
Faz-se necessário um trabalho de prevenção através de informação e 
conscientização do mal que o assédio moral gera. 
A empresa deve desenvolver projetos de interação e comunicação respeitosa 
humana e solidária entre todos os membros que integram o processo produtivo. Os 
sindicatos têm um importante papel a desempenhar na prevenção e fiscalização 
contra o assédio moral, resguardando a tutela individual e coletiva. 
É imperativo a criação de uma lei especifica sobre o assunto, entretanto sua 
falta não impede uma resposta jurídica ao fenômeno. Atualmente cabe 
hodiernamente aos juizes o dever de enfrentar e realizar julgamentos justos com o 
intuito de unir e ao mesmo tempo em caráter preventivo a coibição da prática de 
novo ato danoso. 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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