Prévia do material em texto
Filosofia da ciência - resumos Filosofia (Escola Secundária Jaime Moniz) Verifica para abrir em Studocu A Studocu não é patrocinada ou endossada por alguma faculdade ou universidade Filosofia da ciência - resumos Filosofia (Escola Secundária Jaime Moniz) Verifica para abrir em Studocu A Studocu não é patrocinada ou endossada por alguma faculdade ou universidade Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278 https://www.studocu.com/pt?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos https://www.studocu.com/pt/document/escola-secundaria-jaime-moniz/filosofia/filosofia-da-ciencia-resumos/26684562?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos https://www.studocu.com/pt/course/filosofia/4474604?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos https://www.studocu.com/pt?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos https://www.studocu.com/pt/document/escola-secundaria-jaime-moniz/filosofia/filosofia-da-ciencia-resumos/26684562?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos https://www.studocu.com/pt/course/filosofia/4474604?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos FILOSOFIA DA CIÊNCIA/ EPISTEMOLOGIA A área da filosofia que se ocupa do estudo das questões relativas à prática e ao conhecimento científico. QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS - O que é a ciência? - Como podemos reconhecer um conhecimento científico? - O que distingue uma boa teoria científica de uma má teoria científica? - Qual deverá ser o método a adotar em ciência? - Como progride a ciência? - Será que o conhecimento científico é objetivo? - O contexto cultural e social tem alguma influência sobre a atividade científica? Desde o início, a ciência procurou constituir-se como um conjunto de conhecimentos e procedimentos sistematizados e organizados , tendo em vista a produção de leis e teorias capazes de descrever, explicar e prever os fenómenos. SENSO COMUM - O senso comum é um tipo de conhecimento prático na medida em que é com base nele que orientamos a nossa vida quotidiana. - O senso comum ou conhecimento vulgar é formado essencialmente pela apreensão sensorial espontânea e imediata que fazemos da realidade. Ao contrário do conhecimento científico, não é aprofundado, nem decorre de investigações planificadas e apoiadas por testes. Por esta razão, não é disciplinar e é imetódico. - Como se baseia nas impressões imediatas, não há grandes preocupações de o justificar, o senso comum é um tipo de conhecimento superficial e pouco ou nada aprofundado. - Pode ser definido como um conjunto de crenças, suposições, pressentimentos, ideias feitas, uma vez que é com base nele que avaliamos e guiamos a nossa vida. - É, por isso, o primeiro nível de conhecimento, uma vez que dá resposta a diversas situações práticas da vida e, por outro, serve de alavanca a conhecimentos mais elaborados, como o conhecimento científico. Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278 https://www.studocu.com/pt?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS Formais: estudam conceitos, estruturas e processos puramente lógicos, abstratos e simbólicos. ex: Lógica e Matemática Empíricas Naturais: Estudam factos e acontecimentos característicos da natureza. ex: Biologia, Química e Física Sociais e humanas: Estudam factos e acontecimentos característicos da vida social e humana. ex: Sociologia, Psicologia, História e Economia MÉTODO CIENTÍFICO O método em Ciência - importância O método em ciência corresponde ao conjunto de procedimentos, orientados por um conjunto de regras, que estabelecem a ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado resultado. A escolha de um método está dependente do tipo de objeto do qual se pretende obter um conhecimento aprofundado (os métodos variam em função do objeto em estudo). Será o método que permitirá distinguir aquilo que é conhecimento científico do que não pode ser considerado como tal. Definição/representante da conceção indutivista do método científico Perspetiva epistemológica que salienta a importância da indução para a ciência. Segundo a perspetiva indutivista, o método que nos conduz à descoberta das leis científicas da natureza é o indutivo. O filósofo Francis Bacon foi quem primeiro defendeu um método para a ciência baseado na indução e na experimentação Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278 As generalizações e as previsões são raciocínios indutivos. - Nas generalizações parte-se da observação de casos particulares para uma afirmação geral. - Nas previsões, a conclusão diz respeito a um caso particular futuro, e é obtida também a partir de observações de casos particulares feitas no passado. ETAPAS DO MÉTODO INDUTIVO Observação O cientista parte de factos ou fenómenos que observa e regista-os de forma sistematizada para procurar encontrar as suas causas. A observação, que precede a teoria, é neutra, objetiva e imparcial. A observação e o registo devem ser repetidos várias vezes, com rigor e método. Formulação de hipóteses Por meio da comparação e classificação dos casos observados, o investigador procura aproximar os factos para descobrir a relação entre eles. Procede, assim, à formulação de hipóteses, explicações acerca dos fenómenos e das suas relações. A hipótese é uma explicação provisória que tem a forma de um princípio geral e está sujeita a verificação/confirmação Experimentação A hipótese tem de ser submetida à experimentação, esta é orientada no sentido de confirmar/verificar a hipótese formulada. Se na fase da experimentação a hipótese for verificada, então pode formular-se uma lei. Lei Recorrendo ao raciocínio indutivo, o cientista generaliza a relação encontrada entre os factos semelhantes, traduzindo-a em leis que expressam as relações constantes entre esses factos. A RESPOSTA AO PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO – O CRITÉRIO DE VERIFICABILIDADE Uma das questões centrais de reflexão epistemológica nos últimos tempos incide precisamente sobre qual o critério que permite demarcar o conhecimento científico de outros tipos de conhecimento – problema da demarcação. Os indutivistas consideram que a verificação (empírica) era o critério ideal – critério da verificabilidade – sendo uma hipótese/teoria científica quando o seu conteúdo pode ser verificado pela experiência. PRESSUPOSTOS OU ENUNCIADOS DO INDUTIVISMO Pressuposto da indução A atividade científica é indutiva porque a partir da acumulação de factos singulares, infere enunciados universais. Pressuposto da acumulação A evolução da ciência é cumulativa, consiste na acumulação e no aperfeiçoamento do conhecimento (conhece-se cada vez mais e melhor) As novas teorias acrescentam conhecimento às antigas (a evolução do conhecimento ocorre numa linha de continuidade) Pressuposto da confirmação As hipóteses, para serem científicas, apenas precisam de ser confirmadas À medida que ocorrem mais casos de confirmação, aumenta o grau de probabilidade de a hipótese ser verdadeira. Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278 https://www.studocu.com/pt?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos CRÍTICAS AO INDUTIVISMO – PROBLEMA DA OBSERVAÇÃO E PROBLEMA DA INDUÇÃO Problema da observação - A observação não é o ponto de partida do método científico, uma vez que, no momento em que o cientista parte para a observação, já dispõe de um conjunto de teorias e de expectativas.- A observação científica não é imparcial, pois o cientista já vai com um conjunto de expectativas que vão condicionar a sua interpretação dos factos. - Algumas teorias científicas referem-se a objetos que não podem ser observados, logo não podem ser feitas generalizações com base na observação. Problema da indução O raciocínio indutivo não confere o rigor lógico necessário às teorias científicas: - Parte do pressuposto de que a Natureza se comporta sempre uniformemente (determinismo) - Por maior que seja o número de casos observados, não é legítimo inferir um enunciado geral a partir de enunciados particulares, pois basta que surja um que o contrarie, para que o enunciado seja refutado. KARL POPPER CRÍTICAS DE POPPER AO INDUTIVISMO Considera que a especificidade metodológica da ciência não pode assentar na indução. Rejeita o critério da verificabilidade e da confirmação das hipóteses ou teorias científicas. KARL POPPER - COMO SE FAZ CIÊNCIA? Substitui o método indutivo pelo método hipotético-dedutivo. Substitui o critério de cientificidade das hipóteses/teorias: o critério de verificabilidade é substituído pelo critério de falsificabilidade. O MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO É um método crítico e pode ser caracterizado como o método de conjeturas ousadas e de tentativas engenhosas e severas para refutá-las, daí chamar-se também método das conjeturas e refutações. ETAPAS DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO Facto-problema O ponto de partida da investigação científica são os problemas ou factos-problemas Um facto-problema é um problema que surge, em geral, de conflitos decorrentes das nossas expectativas ou das teorias já existentes. Estes problemas surgem num determinado contexto , provocando no cientista a vontade de o decifrar ou resolver. Para isso, o cientista terá de propor uma explicação provisória, conjetura ou hipótese, que possa explicá-lo. Formulação da hipótese ou conjetura A formulação da hipótese/conjetura é um momento criativo da atividade científica associado à intuição e à imaginação. A hipótese não surge indutivamente da observação, antes resulta de um raciocínio abdutivo (criativo). Uma hipótese é uma explicação provisória de um dado fenómeno que exige comprovação. Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278 Dedução das consequências da hipótese Depois de a hipótese ter sido formulada, são deduzidas as suas principais consequências. Ou seja, na prática o cientista procura prever o que pode acontecer se a sua hipótese ou conjetura for verdadeira. Experimentação Agora será necessário descobrir se as previsões que o cientista fez estão ou não corretas: a hipótese será testada, confrontada com a experiência. Se for validada pela experiência, a hipótese é considerada como credível e passará a ser reconhecida na comunidade científica – teoria corroborada (mesmo assim, deverá continuar-se a submeter essa teoria a testes, cada vez mais severos, de falsificação) Se não for validada, teremos de a abandonar ou de a reformular – teoria refutada ou falsificada A HIPÓTESE/TEORIA VALIDADA PELA EXPERIÊNCIA É VERDADEIRA? - De acordo com Popper é errado afirmar que há hipóteses ou teorias verdadeiras, dado que elas nunca são verificadas. - O termo «verificação» é substituído pelo termo «corroboração»: uma teoria corroborada não é uma teoria verificada mas uma teoria que resistiu aos testes ou tentativas de falsificação. - Por ter resistido aos testes/tentativas de falsificação é considerada credível e aceite pela comunidade científica. - Nunca podemos estar certos de que alcançamos a verdade. Por isso, Popper prefere falar em verossimilhança em vez de verdade: Uma teoria corroborada (que resistiu às tentativas de falsificação) não é uma teoria verdadeira mas verosímil. A RESPOSTA AO PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO – O CRITÉRIO DE FALSIFICABILIDADE Popper rejeita o critério de verificabilidade, associada à confirmação das teorias científicas. Para Popper as teorias científicas não são empiricamente verificáveis. Não é a verificação empírica de uma dada hipótese que permitirá garantir a sua validade. Para que ela venha a ser considerada credível, é preciso procurar refutá-la, isto é, falsificá-la. Por isso, Popper propõe o critério de falsificabilidade, que se traduz no seguinte enunciado: uma hipótese será científica se, e só se, for falsificável. 1. Testar uma teoria é tentar encontrar casos que sejam incompatíveis com ela. E isso é o oposto de verificá-las. O que os cientistas fazem com as suas teorias é tentar falsificá-las. 2. A experiência é usada com o propósito de testar a resistência da hipótese/teoria. GRAUS DE FALSIFICABILIDADE De acordo com Popper: - há graus de falsificabilidade; - quanto maior for o grau de falsificabilidade de uma dada teoria ou proposição mais científica ela é; - Quanto mais conteúdo empírico tiver uma teoria, isto é, quanto mais informação nos der sobre o mundo que observamos, maior é o seu grau de falsificabilidade. - as teorias ou proposições que não forem falsificáveis não são científicas. - para serem científicas devem também proporcionar boas explicações e permitir fazer algumas previsões - a falsificabilidade é uma condição necessária mas não suficiente para a cientificidade de uma teoria. Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278 https://www.studocu.com/pt?utm_campaign=shared-document&utm_source=studocu-document&utm_medium=social_sharing&utm_content=filosofia-da-ciencia-resumos Na perspetiva de Popper... Nunca podemos garantir que uma teoria científica é verdadeira uma vez que todas as teorias podem ser substituídas por outras questões? Se não temos qualquer garantia de que as teorias atuais são verdadeiras, como podemos pensar em progresso científico? Não precisamos de saber que as teorias são verdadeiras para haver progresso, basta que as teorias atuais sejam melhores do que as anteriores. Uma teoria é melhor do que a anterior se resistir aos testes de falsificabilidade a que a teoria anterior não resistiu. Para Popper, a ciência avança por um processo racional de eliminação de erros, que consiste na substituição de más teorias por teorias cada vez melhores. A evolução científica é caracterizada como sendo um progresso de contínua aproximação à verdade. Nunca podemos dar como certo que lá chegamos, mas temos boas razões para concluir que nos aproximamos dela cada vez mais.» aires de almeida CRÍTICAS A POPPER - O processo de refutação ou falsificação não é o procedimento mais comum entre os cientistas. Geralmente, os cientistas procuram confirmar o que as teorias científicas propõem. Há teorias cujas previsões não se confirmaram e que não foram abandonadas. Isto significa que a teoria de Popper não é descritiva (não diz como os cientistas procedem), mas sim normativa (diz como os cientistas deviam proceder). - Considerando a história da ciência, não parece que ela possa evoluir por um processo assente nas refutações. Popper, com o critério falsificacionista, subestima o valor das previsões bem-sucedidas (fundamentais para o progresso da ciência). - Popper, com o critério falsificacionista, subestima o valor, para o progresso da ciência, das previsões bem sucedidas. É expectável que o cientista se concentre mais nas previsões bem sucedidas do que naquelas que são um fracasso. Estas previsões são fundamentais para o progresso da ciência. - A perspetiva de Popper não parece valorizar o conhecimento científico associado a resultados positivos. Se há avanços tecnológicos e práticos, temos razões para acreditar que as teorias científicas que os possibilitaram são verdadeiras e não se reduzem a meras conjeturas falsificáveis. Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com) lOMoARcPSD|34045278