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Filosofia da ciência - resumos
Filosofia (Escola Secundária Jaime Moniz)
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Filosofia da ciência - resumos
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FILOSOFIA DA CIÊNCIA/ EPISTEMOLOGIA
A área da filosofia que se ocupa do estudo das questões relativas à prática e ao conhecimento
científico.
QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS
- O que é a ciência?
- Como podemos reconhecer um conhecimento científico?
- O que distingue uma boa teoria científica de uma má teoria científica?
- Qual deverá ser o método a adotar em ciência?
- Como progride a ciência?
- Será que o conhecimento científico é objetivo?
- O contexto cultural e social tem alguma influência sobre a atividade científica?
Desde o início, a ciência procurou constituir-se como um conjunto de conhecimentos e
procedimentos sistematizados e organizados , tendo em vista a produção de leis e teorias capazes
de descrever, explicar e prever os fenómenos.
SENSO COMUM
- O senso comum é um tipo de conhecimento prático na medida em que é com base nele que
orientamos a nossa vida quotidiana.
- O senso comum ou conhecimento vulgar é formado essencialmente pela apreensão
sensorial espontânea e imediata que fazemos da realidade. Ao contrário do conhecimento
científico, não é aprofundado, nem decorre de investigações planificadas e apoiadas por
testes. Por esta razão, não é disciplinar e é imetódico.
- Como se baseia nas impressões imediatas, não há grandes preocupações de o justificar, o
senso comum é um tipo de conhecimento superficial e pouco ou nada aprofundado.
- Pode ser definido como um conjunto de crenças, suposições, pressentimentos, ideias feitas,
uma vez que é com base nele que avaliamos e guiamos a nossa vida.
- É, por isso, o primeiro nível de conhecimento, uma vez que dá resposta a diversas situações
práticas da vida e, por outro, serve de alavanca a conhecimentos mais elaborados, como o
conhecimento científico.
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CLASSIFICAÇÃO DAS CIÊNCIAS
Formais: estudam conceitos, estruturas e processos puramente lógicos, abstratos e simbólicos.
ex: Lógica e Matemática
Empíricas
Naturais: Estudam factos e acontecimentos característicos da natureza.
ex: Biologia, Química e Física
Sociais e humanas: Estudam factos e acontecimentos característicos da vida social e humana.
ex: Sociologia, Psicologia, História e Economia
MÉTODO CIENTÍFICO
O método em Ciência - importância
O método em ciência corresponde ao conjunto de procedimentos, orientados por um conjunto de
regras, que estabelecem a ordem das operações a realizar com vista a atingir um determinado
resultado. A escolha de um método está dependente do tipo de objeto do qual se pretende obter um
conhecimento aprofundado (os métodos variam em função do objeto em estudo). Será o método que
permitirá distinguir aquilo que é conhecimento científico do que não pode ser considerado como tal.
Definição/representante da conceção indutivista do método científico
Perspetiva epistemológica que salienta a importância da indução para a ciência. Segundo a
perspetiva indutivista, o método que nos conduz à descoberta das leis científicas da natureza é o
indutivo.
O filósofo Francis Bacon foi quem primeiro defendeu um método para a ciência baseado na indução
e na experimentação
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As generalizações e as previsões são raciocínios indutivos.
- Nas generalizações parte-se da observação de casos particulares para uma afirmação geral.
- Nas previsões, a conclusão diz respeito a um caso particular futuro, e é obtida também a
partir de observações de casos particulares feitas no passado.
ETAPAS DO MÉTODO INDUTIVO
Observação
O cientista parte de factos ou fenómenos que observa e regista-os de forma sistematizada para
procurar encontrar as suas causas. A observação, que precede a teoria, é neutra, objetiva e
imparcial. A observação e o registo devem ser repetidos várias vezes, com rigor e método.
Formulação de hipóteses
Por meio da comparação e classificação dos casos observados, o investigador procura aproximar os
factos para descobrir a relação entre eles. Procede, assim, à formulação de hipóteses, explicações
acerca dos fenómenos e das suas relações. A hipótese é uma explicação provisória que tem a forma
de um princípio geral e está sujeita a verificação/confirmação
Experimentação
A hipótese tem de ser submetida à experimentação, esta é orientada no sentido de confirmar/verificar
a hipótese formulada. Se na fase da experimentação a hipótese for verificada, então pode
formular-se uma lei.
Lei
Recorrendo ao raciocínio indutivo, o cientista generaliza a relação encontrada entre os factos
semelhantes, traduzindo-a em leis que expressam as relações constantes entre esses factos.
A RESPOSTA AO PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO – O CRITÉRIO DE VERIFICABILIDADE
Uma das questões centrais de reflexão epistemológica nos últimos tempos incide precisamente sobre
qual o critério que permite demarcar o conhecimento científico de outros tipos de conhecimento –
problema da demarcação.
Os indutivistas consideram que a verificação (empírica) era o critério ideal – critério da
verificabilidade – sendo uma hipótese/teoria científica quando o seu conteúdo pode ser verificado
pela experiência.
PRESSUPOSTOS OU ENUNCIADOS DO INDUTIVISMO
Pressuposto da
indução
A atividade científica é indutiva porque a partir da acumulação de factos singulares,
infere enunciados universais.
Pressuposto da
acumulação
A evolução da ciência é cumulativa, consiste na acumulação e no aperfeiçoamento do
conhecimento (conhece-se cada vez mais e melhor)
As novas teorias acrescentam conhecimento às antigas (a evolução do conhecimento
ocorre numa linha de continuidade)
Pressuposto da
confirmação
As hipóteses, para serem científicas, apenas precisam de ser confirmadas
À medida que ocorrem mais casos de confirmação, aumenta o grau de probabilidade de
a hipótese ser verdadeira.
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CRÍTICAS AO INDUTIVISMO – PROBLEMA DA OBSERVAÇÃO E PROBLEMA DA INDUÇÃO
Problema da
observação
- A observação não é o ponto de partida do método científico, uma vez que, no momento
em que o cientista parte para a observação, já dispõe de um conjunto de teorias e de
expectativas.- A observação científica não é imparcial, pois o cientista já vai com um conjunto de
expectativas que vão condicionar a sua interpretação dos factos.
- Algumas teorias científicas referem-se a objetos que não podem ser observados, logo
não podem ser feitas generalizações com base na observação.
Problema da
indução
O raciocínio indutivo não confere o rigor lógico necessário às teorias científicas:
- Parte do pressuposto de que a Natureza se comporta sempre uniformemente
(determinismo)
- Por maior que seja o número de casos observados, não é legítimo inferir um enunciado
geral a partir de enunciados particulares, pois basta que surja um que o contrarie, para
que o enunciado seja refutado.
KARL POPPER
CRÍTICAS DE POPPER AO INDUTIVISMO
Considera que a especificidade metodológica da ciência não pode assentar na indução.
Rejeita o critério da verificabilidade e da confirmação das hipóteses ou teorias científicas.
KARL POPPER - COMO SE FAZ CIÊNCIA?
Substitui o método indutivo pelo método hipotético-dedutivo.
Substitui o critério de cientificidade das hipóteses/teorias: o critério de verificabilidade é substituído
pelo critério de falsificabilidade.
O MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
É um método crítico e pode ser caracterizado como o método de conjeturas ousadas e de tentativas
engenhosas e severas para refutá-las, daí chamar-se também método das conjeturas e refutações.
ETAPAS DO MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO
Facto-problema
O ponto de partida da investigação científica são os problemas ou factos-problemas
Um facto-problema é um problema que surge, em geral, de conflitos decorrentes das
nossas expectativas ou das teorias já existentes.
Estes problemas surgem num determinado contexto , provocando no cientista a
vontade de o decifrar ou resolver. Para isso, o cientista terá de propor uma explicação
provisória, conjetura ou hipótese, que possa explicá-lo.
Formulação da
hipótese ou
conjetura
A formulação da hipótese/conjetura é um momento criativo da atividade científica
associado à intuição e à imaginação. A hipótese não surge indutivamente da
observação, antes resulta de um raciocínio abdutivo (criativo).
Uma hipótese é uma explicação provisória de um dado fenómeno que exige
comprovação.
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Dedução das
consequências da
hipótese
Depois de a hipótese ter sido formulada, são deduzidas as suas principais
consequências. Ou seja, na prática o cientista procura prever o que pode acontecer
se a sua hipótese ou conjetura for verdadeira.
Experimentação
Agora será necessário descobrir se as previsões que o cientista fez estão ou não
corretas: a hipótese será testada, confrontada com a experiência.
Se for validada pela experiência, a hipótese é considerada como credível e passará a
ser reconhecida na comunidade científica – teoria corroborada (mesmo assim, deverá
continuar-se a submeter essa teoria a testes, cada vez mais severos, de falsificação)
Se não for validada, teremos de a abandonar ou de a reformular – teoria refutada ou
falsificada
A HIPÓTESE/TEORIA VALIDADA PELA EXPERIÊNCIA É VERDADEIRA?
- De acordo com Popper é errado afirmar que há hipóteses ou teorias verdadeiras, dado que elas
nunca são verificadas.
- O termo «verificação» é substituído pelo termo «corroboração»: uma teoria corroborada não é uma
teoria verificada mas uma teoria que resistiu aos testes ou tentativas de falsificação.
- Por ter resistido aos testes/tentativas de falsificação é considerada credível e aceite pela
comunidade científica.
- Nunca podemos estar certos de que alcançamos a verdade. Por isso, Popper prefere falar em
verossimilhança em vez de verdade: Uma teoria corroborada (que resistiu às tentativas de
falsificação) não é uma teoria verdadeira mas verosímil.
A RESPOSTA AO PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO – O CRITÉRIO DE FALSIFICABILIDADE
Popper rejeita o critério de verificabilidade, associada à confirmação das teorias científicas. Para
Popper as teorias científicas não são empiricamente verificáveis.
Não é a verificação empírica de uma dada hipótese que permitirá garantir a sua validade. Para que
ela venha a ser considerada credível, é preciso procurar refutá-la, isto é, falsificá-la. Por isso, Popper
propõe o critério de falsificabilidade, que se traduz no seguinte enunciado: uma hipótese será
científica se, e só se, for falsificável.
1. Testar uma teoria é tentar encontrar casos que sejam incompatíveis com ela. E isso é o oposto de
verificá-las. O que os cientistas fazem com as suas teorias é tentar falsificá-las.
2. A experiência é usada com o propósito de testar a resistência da hipótese/teoria.
GRAUS DE FALSIFICABILIDADE
De acordo com Popper:
- há graus de falsificabilidade;
- quanto maior for o grau de falsificabilidade de uma dada teoria ou proposição mais científica ela é;
- Quanto mais conteúdo empírico tiver uma teoria, isto é, quanto mais informação nos der sobre o
mundo que observamos, maior é o seu grau de falsificabilidade.
- as teorias ou proposições que não forem falsificáveis não são científicas.
- para serem científicas devem também proporcionar boas explicações e permitir fazer algumas
previsões - a falsificabilidade é uma condição necessária mas não suficiente para a cientificidade de
uma teoria.
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Na perspetiva de Popper...
Nunca podemos garantir que uma teoria científica é verdadeira uma vez que todas as teorias podem
ser substituídas por outras questões?
Se não temos qualquer garantia de que as teorias atuais são verdadeiras, como podemos pensar em
progresso científico?
Não precisamos de saber que as teorias são verdadeiras para haver progresso, basta que as teorias
atuais sejam melhores do que as anteriores. Uma teoria é melhor do que a anterior se resistir aos
testes de falsificabilidade a que a teoria anterior não resistiu.
Para Popper, a ciência avança por um processo racional de eliminação de erros, que consiste na
substituição de más teorias por teorias cada vez melhores. A evolução científica é caracterizada
como sendo um progresso de contínua aproximação à verdade. Nunca podemos dar como certo que
lá chegamos, mas temos boas razões para concluir que nos aproximamos dela cada vez mais.» aires
de almeida
CRÍTICAS A POPPER
- O processo de refutação ou falsificação não é o procedimento mais comum entre os cientistas.
Geralmente, os cientistas procuram confirmar o que as teorias científicas propõem. Há teorias cujas
previsões não se confirmaram e que não foram abandonadas. Isto significa que a teoria de Popper
não é descritiva (não diz como os cientistas procedem), mas sim normativa (diz como os cientistas
deviam proceder).
- Considerando a história da ciência, não parece que ela possa evoluir por um processo assente nas
refutações. Popper, com o critério falsificacionista, subestima o valor das previsões bem-sucedidas
(fundamentais para o progresso da ciência).
- Popper, com o critério falsificacionista, subestima o valor, para o progresso da ciência, das
previsões bem sucedidas. É expectável que o cientista se concentre mais nas previsões bem
sucedidas do que naquelas que são um fracasso. Estas previsões são fundamentais para o
progresso da ciência.
- A perspetiva de Popper não parece valorizar o conhecimento científico associado a resultados
positivos. Se há avanços tecnológicos e práticos, temos razões para acreditar que as teorias
científicas que os possibilitaram são verdadeiras e não se reduzem a meras conjeturas falsificáveis.
Descarregado por Maria ferreira (rimalshikh22@gmail.com)
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