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DIREITO EMPRESARIAL CPV 1º PERÍODO 2025 TEMAS 01 CRISE NA EMPRESA. Processo judicial da empresa em crise. Natureza jurídica. Objetivos da recuperação judicial. Mediação antecedente e incidental: procedimento e limites. Regime geral de recuperação judicial e extrajudicial. 02 NORMAS DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Visão geral da Lei 11.101/2005.Aplicação do Código de Processo Civil. Financiamento do devedor em recuperação judicial. 03 REQUERIMENTO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Juízo competente. Requisitos da petição inicial. Legitimidade ativa e passiva. Consolidação processual e substancial. Tutela cautelar antecedente. 04 DEFERIMENTO DO PROCESSAMENTO. Natureza jurídica da decisão. Constatação prévia. Conteúdo e efeitos da decisão. Efeitos da recuperação judicial para os credores. Vedação à distribuição de lucros e dividendos. Restrições a constrições judiciais. Efeitos para os coobrigados. Efeitos na prescrição, nas ações e execuções (stay period). Dispensa de certidões. Desistência do pedido. 05 CRÉDITOS SUJEITOS À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Créditos incluídos e excluídos. Créditos trabalhistas e acidentários. Crédito fiscal: parcelamento, mediana de alongamento e transação. 06 VERIFICAÇÃO E HABILITAÇÃO DE CRÉDITOS. Lista de credores apresentada pelo devedor. Habilitações e divergências. Relação de credores do administrador judicial. Impugnações. Habilitação retardatária. Consolidação do quadro geral de credores. Ações judiciais para alteração do quadro geral de credores. 07 PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Elaboração e apresentação do plano. Legitimidade e prazo. Conteúdo. Laudo econômico-financeiro. Meios de recuperação judicial. Alienação judicial de ativo. Limitação ao plano. Manifestação dos credores. Objeções. Aditamento e alteração do plano. 08 ADMINISTRADOR JUDICIAL E COMITÊ DE CREDORES. Natureza. Critérios de escolha. Impedimentos. Nomeação. Impugnação. Investidura. Atribuições. Remuneração. Substituição. Destituição. Comitê de credores. Composição. Atribuições. Responsabilidade do administrador e dos membros do comitê. 09 ASSEMBLEIA DE CREDORES. Competência. Convocação e dispensa (termo de adesão). Instalação. Quóruns. Anulação do voto por abusividade. Alteração do plano de assembleia. Princípio da continuidade da assembleia. 10 CONCESSÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Aprovação tácita ou expressa do plano. Craw down. Controle judicial. Recurso. Efeitos. Cumprimento e fiscalização. Convolação em falência. Encerramento independentemente da consolidação do quadro de credores. 11 RECUPERAÇÃO ESPECIAL E EXTRAJUDICIAL. Noções gerais do plano de recuperação especial: legitimidade, facultatividade e vedações. Produtor rural: pedido e processamento. Convolação em falência. Recuperação extrajudicial. Natureza DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 1 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS 12 CRISE DA EMPRESA TRANSNACIONAL. Noções gerais. Universalismo. Territorialismo. Sistema misto. Cooperação internacional. A Lei modelo (LMIT) da Comissão da ONU para Direito Comercial Internacional. A questão da determinação do foro. Centro de interesses principais do devedor. Disposições da Lei nº 11.101/2005. 13 Análise de Gabarito Tema 01: CRISE NA EMPRESA. Processo judicial da empresa em crise. Natureza jurídica. Objetivos da recuperação judicial. Mediação antecedente e incidental: procedimento e limites. Regime geral de recuperação judicial e extrajudicial. 01ª QUESTÃO: Em 05/01/2023, a sociedade Tele Entrega S.A. requereu recuperação judicial, tendo obtido o deferimento do processamento no dia 02/06/2023. A publicação da 1ª lista de credores ocorreu três dias após o deferimento do processamento. Com base na situação hipotética, caso a Tele Entrega S.A. tivesse realizado mediação a menos de seis meses poderá haver a novação dos seus termos quando da elaboração do plano de recuperação judicial ou a novação deverá tomar como base o crédito originário que existia antes da mediação? Explique, com o amparo legal. 02ª QUESTÃO: Eco Indústria e Comércio Ltda. - em recuperação judicial, sociedade empresária que produz peças para motores a diesel para carros de passeio, tratores, caminhões e colheitadeiras ajuizou demanda com pedido de tutela de urgência em face de Luz Serviços de Eletricidade S.A. requerendo que a ré se abstivesse de suspender o fornecimento de energia elétrica da recuperanda. Narra a demandante que a situação de inadimplência perdura há cerca de 2 anos, período em que as partes celebram acordo de parcelamento do débito, a partir do qual a recuperanda chegou a depositar um sinal de R$ 70.000,00, demonstrando a intenção de cumprir o acordo de parcelamento. Diante do caso concreto apresentado e tendo em conta os princípios previstos na Lei mº 11.101/2005 responda se poderia a concessionária de energia elétrica suspender o fornecimento de eletricidade da recuperanda. Tema 02: NORMAS DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Visão geral da Lei 11.101/2005.Aplicação do Código de Processo Civil. Financiamento do devedor em recuperação judicial. 01ª QUESTÃO: No processo de recuperação judicial de Fertilizantes Apolo Ltda., o juízo da 1ª Vara Empresarial, ao deferir o processamento da recuperação judicial, ordenou, entre outras medidas, a suspensão de todas as execuções ou cumprimentos de sentenças contra a recuperanda pelo prazo de 180 (cento e oitenta) dias úteis, na forma do art. 6º, par. 4º, da Lei 11.101/2005. Foi correta a decisão do magistrado? Analise a questão, abordando o entendimento do Colendo Superior de Justiça sobre o tema. 02ª QUESTÃO: No curso da recuperação judicial de uma sociedade empresária, duas semanas após o processamento do pedido, foram celebrados contratos de financiamento para a recuperanda. Considerando-se o momento da celebração dos contratos e os efeitos da recuperação judicial, pergunta-se: os créditos decorrentes desses contratos podem ser incluídos no plano de recuperação? Em caso de inadimplemento dos contratos, é possível o ajuizamento de ação de cobrança em face do devedor por meio do manejo de requerimento de falência? DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 2 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS Tema 03: REQUERIMENTO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Juízo competente. Requisitos da petição inicial. Legitimidade ativa e passiva. Consolidação processual e substancial. Tutela cautelar antecedente. 01ª QUESTÃO: A Lei nº 14.112/2020 fez profundas alterações na Lei nº 11.101/2005, suprindo lacunas existentes em casos práticos. Dentre essas alterações, a legislação passou a prever o pedido de recuperação judicial sob consolidação processual. Sobre o tema, responda: a) A consolidação substancial pode ser considerada como litisconsórcio ativo? O pedido de recuperação judicial em consolidação processual é impositivo? b) Qual é o juízo competente para o conhecimento do pedido de recuperação em consolidação processual? 02ª QUESTÃO: Inácio, Aloisio e Gilmar, produtores rurais, ingressaram com pedido de recuperação, sendo o processamento deferido pelo juízo da vara empresarial. Irresignado, um dos credores interpôs agravo de instrumento contra a decisão, ao argumento de que os requerentes não teriam comprovado as suas inscrições na Junta Comercial pelo prazo mínimo de 2 (dois) anos. Esclareceu a agravante ser credora dos recorridos, com garantia real de R$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil reais), decorrente de cédulas de produto rural. Em suas contrarrazões, os agravados sustentaram: i) que sempre laboraram e contrataram com a comunidade de credores na qualidade de empresários rurais, cuja atividade principal era a de cultivo de grão; ii) que, em virtude de severa crise econômico-financeira, não encontrando outro caminho para adimplir as obrigações, requereram a recuperação judicial, oportunidade em que apresentaram todos os documentos exigidos na legislação de regência; iii) que exercem a atividade rural há mais de20 anos, apesar de somente terem procedido à inscrição na Junta Comercial há 1 (um) ano e 8 (oito) meses. Diante do caso concreto apresentado e, à luz do posicionamento do C.STJ sobre o tema, responda se é possível o deferimento do pedido de recuperação judicial de produtor rural que comprovadamente exerça atividade rural há mais de dois anos, ainda que esteja registrado na Junta Comercial há menos tempo. A resposta deve ser fundamentada. Tema 04: DEFERIMENTO DO PROCESSAMENTO. Natureza jurídica da decisão. Constatação prévia. Conteúdo e efeitos da decisão. Efeitos da recuperação judicial para os credores. Vedação à distribuição de lucros e dividendos. Restrições a constrições judiciais. Efeitos para os coobrigados. Efeitos na prescrição, nas ações e execuções (stay period). Dispensa de certidões. Desistência do pedido. 01ª QUESTÃO: A sociedade empresária Bem-viver Ltda., enfrentando dificuldades financeiras, ingressou, no dia 25/01/2024, com pedido de recuperação judicial, que foi deferido pelo juiz competente. Passados 50 dias, Bem-viver Ltda. apresentou seu plano de recuperação judicial, detalhando as medidas propostas para reestruturar suas finanças e garantir a continuidade de suas atividades. O plano foi submetido à assembleia geral de credores, onde foi aprovado por maioria. Diante disso, o juiz homologou o plano aprovado e concedeu a recuperação judicial. No entanto, a Fazenda Nacional discordou dessa decisão e interpôs agravo de instrumento. Em seu recurso, a Fazenda Nacional alegou que o juiz havia cometido um erro ao conceder a recuperação judicial sem exigir que a sociedade empresária apresentasse as certidões negativas de débitos tributários, documento que, segundo a Fazenda, é imprescindível para a concessão do benefício. Diante dos fatos narrados, decida o caso de forma fundamentada, mencionando os dispositivos legais pertinentes. DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 3 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS 02ª QUESTÃO: Netuno Equipamentos Eletrônicos Ltda. vendeu máquinas industriais para pagamento a prazo, em trinta parcelas fixas, para determinada sociedade empresária. As máquinas foram devidamente especificadas e são infungíveis. Do contrato, celebrado por escrito e registrado no domicílio do comprador, constou cláusula pela qual o vendedor reservou para si a propriedade dos bens até que o preço fosse integralmente pago. Verificado o inadimplemento do comprador a partir da décima segunda parcela, o vendedor o constituiu em mora mediante protesto do contrato. Durante a tramitação de ação de cobrança do preço devido, o comprador obteve o processamento de sua recuperação judicial. Com base nas informações acima, responda: com o processamento da recuperação judicial, fica suspensa a ação anteriormente ajuizada pelo vendedor? Responda, de forma fundamentada. Tema 05: CRÉDITOS SUJEITOS À RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Créditos incluídos e excluídos. Créditos trabalhistas e acidentários. Crédito fiscal: parcelamento, mediana de alongamento e transação. 01ª QUESTÃO: Em 2014, a sociedade empresária PPRT S.A. ingressou com pedido de recuperação judicial perante a 2ª Vara Empresarial do Rio de janeiro (RJ). O processamento foi deferido, com a suspensão de todas as ações e execuções contra a empresa pelo prazo de 180 dias. Contudo, em 2024, ainda não havia deliberação da assembleia de credores sobre o plano de recuperação judicial da PPRT. Nesse mesmo ano, Lucas, ex-empregado, obteve no juízo trabalhista uma ordem de bloqueio de valores nas contas da sociedade empresária, referente a um crédito trabalhista decorrente de verbas rescisórias não pagas desde 2013. A PPRT, por sua vez, suscitou conflito de competência no STJ, argumentando que o juízo trabalhista não poderia determinar o bloqueio de valores, alegando que a competência para decidir sobre atos de constrição seria exclusiva do juízo responsável pelo processo de recuperação judicial. Diante dos fatos narrados, decida a questão na qualidade de magistrado, fundamentando sua resposta. 02ª QUESTÃO: No processo de recuperação judicial de Ômega Operações Logísticas Ltda., a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa propôs ação de habilitação de crédito de multa administrativa por ela aplicada. O requerimento da autarquia foi indeferido pelo juízo da Vara Empresarial por entender que a dívida ativa da Fazenda Pública não se sujeita aos efeitos da ação de recuperação judicial. Pergunta-se: o crédito concernente à multa administrativa aplicada pela Fazenda Pública submete-se aos efeitos da recuperação judicial? Responda de forma fundamentada. Tema 06: VERIFICAÇÃO E HABILITAÇÃO DE CRÉDITOS. Lista de credores apresentada pelo devedor. Habilitações e divergências. Relação de credores do administrador judicial. Impugnações. Habilitação retardatária. Consolidação do quadro geral de credores. Ações judiciais para alteração do quadro geral de credores. 01ª QUESTÃO: José Silva é credor de determinada quantia em face de Olá S.A., em recuperação judicial. Todavia, seu crédito não foi incluído pela recuperanda no quadro geral de credores. Quais alternativas José possui para receber seu crédito? Responda, de forma fundamentada. DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 4 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS 02ª QUESTÃO: Manoel ajuizou ação pretendendo a habilitação de seu crédito trabalhista no quadro de credores de Blue Sea Industria Naval S.A. - em recuperação judicial. O ajuizamento da ação se deu após o encerramento da recuperação judicial. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido, para determinar, em benefício do demandante, a inclusão da quantia de R$ 145.000,00 (cento e quarenta e cinco mil reais) no quadro-geral de credores. Foi correta a decisão do magistrado? Responda à questão, de forma fundamentada. Tema 07: PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Elaboração e apresentação do plano. Legitimidade e prazo. Conteúdo. Laudo econômico-financeiro. Meios de recuperação judicial. Alienação judicial de ativo. Limitação ao plano. Manifestação dos credores. Objeções. Aditamento e alteração do plano. 01ª QUESTÃO: Em um determinado processo de recuperação judicial, o Juízo da 1ª Vara Empresarial deferiu a recuperação judicial, ressalvando, contudo, a cláusula 4.1.2.1, na parte em que prevê a realização de nova Assembleia Geral de Credores em caso de descumprimento do plano, em vez da imediata conversão em falência. Irresignada, a recuperanda interpôs agravo de instrumento, buscando, em suma, que seja mantido o plano de recuperação judicial, nos termos aprovados na Assembleia Geral de Credores. O recurso deve ser provido? Responda, de forma fundamentada. 02ª QUESTÃO: No processo de recuperação judicial da sociedade Cobre Indústria de Metais Ltda., após a apresentação do plano, foi concedido o prazo de trinta dias para que os credores se manifestassem sobre se concordavam ou não com o plano. Banco Zeta S.A. apresentou objeção, conforme autoriza o art. 55 da Lei nº 11.101/2005, e, por tal motivo, o juízo competente designou a assembleia geral de credores. Durante a assembleia, um dos credores suscitou uma dúvida: como devem ser consideradas as abstenções para apuração do resultado de votação na assembleia geral de credores? Aplicar-se-ia o art. 111 do Código Civil? Diante da indagação acima apresentada, responda-a, de forma fundamentada. Tema 08: ADMINISTRADOR JUDICIAL E COMITÊ DE CREDORES. Natureza. Critérios de escolha. Impedimentos. Nomeação. Impugnação. Investidura. Atribuições. Remuneração. Substituição. Destituição. Comitê de credores. Composição. Atribuições. Responsabilidade do administrador e dos membros do comitê. 01ª QUESTÃO: Após o deferimento do processamento da recuperação judicial da Companhia Celta de Bebidas S.A., o juízo da 6ª Vara Empresarial proferiu decisão determinando que a recuperanda efetuasse o depósito de 40% dos honorários do administradorjudicial, para que a referida verba ficasse reservada, conforme prevê a Lei 11.101/2005. A sociedade recuperanda não concordou com o decisum e interpôs agravo de instrumento contra a decisão, alegando, em suma, que a regra prevista na Lei 11.101/05 somente se aplica para o caso de falência, não devendo ser aplicada à recuperação judicial. Tem razão o Agravante? A resposta deve ser fundamentada. DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 5 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS 02ª QUESTÃO: Na recuperação judicial de Têxtil Sonora S.A, o Banco Japurá S.A., titular de 85% dos créditos com garantia real, indicou o juiz os representantes e suplentes de sua classe no Comitê de Credores. Xinguara Participações S.A, credora da mesma classe, impugnou a referida indicação, alegando descumprimento do art. 35, inciso I, alínea & ldquo;b & rdquo; da Lei 11.101/2005, porque a assembleia geral de credores tem por atribuições deliberar sobre a constituição do Comitê de Credores, assim como escolher seus membros e sua substituição, não tendo havido deliberação nesse sentido. Ademais, aduz a impugnante que não houve manifestação do Comitê de Credores, já constituído apenas com representantes dos credores trabalhistas e quirografários, sobre a proposta do devedor de alienação de unidade produtiva isolada não prevista no plano de recuperação. Ouvido o administrador judicial, este não se manifestou sobre a primeira impugnação e, em relação à segunda, opinou pela improcedência em razão de não constar do rol de atribuições legais do Comitê manifestar-se sobre a proposta do devedor. Com base na hipótese apresentada, responda se deve ser acatada a opinião do administrador judicial sobre a dispensa da oitiva do Comitê de Credores por falta de previsão legal? Tema 09: ASSEMBLEIA DE CREDORES. Competência. Convocação e dispensa (termo de adesão). Instalação. Quóruns. Anulação do voto por abusividade. Alteração do plano de assembleia. Princípio da continuidade da assembleia. 01ª QUESTÃO: Na recuperação judicial da Companhia Mascote de Tubos e Conexões, foi convocada, pelo juiz, assembleia de credores após a homologação do quadro geral. Nesse quadro existem apenas credores trabalhistas (Classe I), com privilégio geral e quirografário (Classe III). O total de créditos em cada uma das classes mencionadas, respectivamente, é de R$ 500.000,00 e R$ 7.000.000,00. Na primeira convocação da assembleia, verifica-se a presença de 17 dos 40 credores da Classe I, titulares de créditos no valor de R $ 295.000,00, e de 30 dos 50 credores da Classe III, titulares de créditos no valor de R$ 4.000.000,00. Victor Garcia, credor da Classe III, consulta seu advogado, presente na assembleia, a respeito dos itens a seguir. A) A assembleia de credores poderá ser instalada já em primeira convocação? B) Sendo certo que a assembleia terá por objeto deliberar sobre alienação de bens do ativo permanente, matéria não prevista no plano de recuperação, é necessária a aprovação da proposta por todas as classes de credores, em votação única e por quórum misto, isto é, pelo valor dos créditos e credores presentes? 02ª QUESTÃO: No processo de recuperação judicial de Carbono Química Ltda., foi realizada a assembleia geral de credores, sendo, na ocasião, criadas subclasses entre os credores quirografários, o que foi aprovado pelos credores de todas as classes. Irresignado, Banco Carioca S.A interpôs recurso, no qual alega ter havido violação ao artigo 58, par. 2º, da Lei 11.101/2005. Defende não ser possível imprimir tratamento diferenciado entre os credores da mesma classe, estabelecendo subclasses dentro do plano de recuperação judicial. Esclareceu que votou contra a aprovação do plano, mas que restou vencido. Assiste razão ao recorrente? Responda de forma fundamentada. Tema 10: CONCESSÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL. Aprovação tácita ou expressa do plano. Craw down. Controle judicial. Recurso. Efeitos. Cumprimento e fiscalização. Convolação em falência. Encerramento independentemente da consolidação do quadro de credores. DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 6 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS 01ª QUESTÃO: Beta Ltda. estava enfrentando graves dificuldades financeiras e, para evitar a falência, solicitou a recuperação judicial. No plano de recuperação judicial foram propostos prazos mais longos para o pagamento das dívidas e a venda de alguns ativos não essenciais para gerar caixa. Contudo, o plano também incluía uma cláusula que estipulava que, caso Beta Ltda. não cumprisse alguma de suas obrigações, em vez de converter imediatamente a recuperação judicial em falência, uma nova assembleia geral de credores deveria ser convocada para analisar a situação e buscar uma nova negociação. Embora essa cláusula tenha sido aprovada pela assembleia geral de credores, o juiz responsável pela recuperação judicial se recusou a homologá-la, alegando que a cláusula era ilegal. Segundo o magistrado, a lei exige que, em caso de descumprimento de qualquer obrigação, a recuperação judicial seja automaticamente convertida em falência. Inconformada com essa decisão, Beta Ltda. interpôs um agravo de instrumento, argumentando que & ldquo;as decisões da assembleia geral de credores são soberanas & rdquo; e que a cláusula proposta seria "o melhor caminho para assegurar a continuidade das atividades empresariais, preservando empregos, arrecadação de tributos e outros objetivos sociais. & rdquo; No entanto, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo manteve a decisão do juiz de primeira instância. Ainda insatisfeita, Beta Ltda. recorreu ao Superior Tribunal de Justiça, sustentando a validade da cláusula em questão. Diante dos fatos narrados, decida o caso de forma fundamentada, mencionando os dispositivos legais pertinentes. 02ª QUESTÃO: Em um determinado processo de recuperação judicial, o juízo da vara empresarial condicionou a homologação do plano de soerguimento, aprovado pela maioria dos credores, à regularização fiscal, nos termos do art. 57 da Lei nº 11.101/2005. Irresignada, a recuperanda interpôs agravo de instrumento, aduzindo ser dispensável a juntada de certidões negativas de débito tributário para a homologação do plano e a concessão da recuperação judicial, visto que tal medida é incompatível com o princípio da preservação da empresa, inviabilizando o propósito principal da lei. Pergunta-se: são exigíveis as certidões negativas de débito tributário como condição à concessão da recuperação judicial? Responda a questão à luz do entendimento mais recente do C. STJ. Tema 11: RECUPERAÇÃO ESPECIAL E EXTRAJUDICIAL. Noções gerais do plano de recuperação especial: legitimidade, facultatividade e vedações. Produtor rural: pedido e processamento. Convolação em falência. Recuperação extrajudicial. Natureza 01ª QUESTÃO: João, um produtor rural, exerce atividade agrícola de maneira habitual e contínua, mas não é formalmente registrado como empresário perante a Junta Comercial. Após enfrentar dificuldades financeiras, João requereu a recuperação judicial, alegando que preenche todos os requisitos legais. O juízo de primeiro grau indeferiu o pedido sob o argumento de que João não era inscrito como empresário na Junta Comercial há mais de dois anos, requisito essencial para pleitear a recuperação judicial. Inconformado, João interpôs recurso cabível. Indaga-se: conforme o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, João preenche os requisitos legais para o pedido de recuperação judicial? Justifique. 02ª QUESTÃO: O art. 166 da Lei 11.101/2005 prevê que se o plano de recuperação extrajudicial homologado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor, o juiz ordenará a sua realização, observado, no que couber, o disposto no art. 142 da LRF. Com base nesse dispositivo, responda se nas alienações com base no art. 166 também se deve aplicar a regra de não sucessãodo adquirente. DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 7 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS Tema 12: CRISE DA EMPRESA TRANSNACIONAL. Noções gerais. Universalismo. Territorialismo. Sistema misto. Cooperação internacional. A Lei modelo (LMIT) da Comissão da ONU para Direito Comercial Internacional. A questão da determinação do foro. Centro de interesses principais do devedor. Disposições da Lei nº 11.101/2005. 01ª QUESTÃO: OGX PETRÓLEO E GÁS PARTICIPAÇÕES S/A., OGX PETRÓLEO E GÁS S/A., OGX INTERNATIONAL GMBH e OGX ÁUSTRIA GMBH HSBC CTVM S/A interpuseram agravo de instrumento visando impugnar a decisão da 4ª Vara Empresarial que, deferindo o pedido de recuperação, em parte, excluindo as duas últimas sociedades recorrentes, por terem sede no exterior. Em suma, sustentam as agravantes: i) que as duas sociedades austríacas, integral e diretamente controladas pela OGX PETRÓLEO E GÁS PARTICIPAÇÕES S/A, constituem braço do Grupo Econômico no estrangeiro, servindo de meros veículos das sociedades brasileiras para a emissão de dívidas e recebimento de receitas no exterior, com vistas ao financiamento das atividades do Conglomerado no Brasil e, futuramente, o escoamento da produção para o mercado internacional; ii) que, por tais razões, todas as sociedades do Grupo são geridas e administradas de forma orgânica pelo mesmo corpo de executivos, todos residentes e domiciliados no Brasil, sendo este país, inquestionavelmente, o principal centro dos negócios das quatro empresas do Grupo OGX que formularam o pedido de recuperação judicial; iii) que, assim, os fatores ensejadores da crise das duas primeiras requerentes, com o atual insucesso das atividades nelas concentradas, implicam, também, na insolvência das suas afiliadas no exterior que, sendo meros veículos de seu financiamento, não possuem atividades próprias de onde retirar o seu sustento, muito menos para, na crise das brasileiras, honrar sozinhas a principal dívida do Grupo. Com base no caso concreto em análise, responda: seria juridicamente possível se admitir a recuperação judicial, em território brasileiro de sociedades empresárias sediadas na Áustria e que não tenham qualquer ativo físico ou filial, agência ou sucursal em solo brasileiro? DIREITO EMPRESARIAL - CP04 - 05 - CPV - 1º PERÍODO 2025 8 ESCOLA DA MAGISTRATURA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CADERNO DE EXERCÍCIOS BIBLIOGRAFIA GERAL ABRÃO, Carlos Henrique; TOLEDO, Paulo Fernando Campos Salles de (Coord.). Comentários à Lei de Recuperação de Empresas e Falência. 5.ed. São Paulo: Saraiva, 2012. ALMEIDA, Amador Paes de. Curso de Falência e Recuperação de Empresa. 28.ed. São Paulo: Saraiva, 2017. AYOUB, Luiz Roberto. CAVALLI, Cássio. A construção jurisprudencial de empresas. 3. Ed. rev.,atual. e ampl. - Rio de Janeiro: Forense: 2017. BEZERRA FILHO, Manoel Justino. Lei de Recuperação de Empresas e Falências Comentada. 12.ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017. CAMPINHO, Sergio Murilo Santos. 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