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Sistema nervoso central Encéfalo - Telencéfalo, Cerebelo e Tronco encefálico. Medula espinhal. Substância branca: axônios dos neurônios, oligodendrócitos interfasciculares, astrócitos fibrosos e parênquima neural. - Encéfalo: central - Medula espinhal: fora Substância cinzenta: corpos dos neurônios, oligodendrócitos satélites, astrócitos protoplasmáticos e neurópila. - Encéfalo: fora - Medula espinhal: central Células Neurônios Célula que realiza funções nos níveis consciente e inconsciente e coordena as atividades do organismo. Essas funções são realizadas por contato dos neurônios entre si e com as células da neuróglia por meio de canais de comunicação (junções gap). Os neurônios têm um corpo celular (onde se encontra o núcleo), prolongamentos ramificados (dendritos) e um prolongamento principal (axônio). Tem a função de transmitir os impulsos elétricos e químicos, fazer a interpretação espacial e temporal dos impulsos e fazer a regulação inibitória e estimulatória dos impulsos. Astrócitos As funções dos astrócitos no SNC são as de regulação, reparo e suporte. Os astrócitos são o tipo celular mais numeroso no SNC. Os astrócitos estão envolvidos na homeostase do SNC e regulam os equilíbrios iônico e hídrico, as concentrações de antioxidantes, a absorção e o metabolismo de neurotransmissores, e o metabolismo ou a apreensão de neurotoxinas potenciais, incluindo amônia, metais pesados, e neurotransmissores aminoácidos excitatórios como o glutamato e o aspartato. Os astrócitos também secretam fatores de crescimento e moléculas da matriz extracelular, que têm papel não somente no desenvolvimento mas também no reparo do SNC. No SNC, os processos reparadores que ocorrem após uma lesão, como inflamação e necrose, são a principal responsabilidade dos astrócitos. O reparo é feito por aumento e divisão astrocítica e por abundante proliferação dos processos celulares astrocíticos contendo filamentos intermediários compostos por GFAP, um processo chamado de astrogliose. Quando os neurônios morrem, os espaços deixados pela perda do corpo celular são preenchidos, e tais espaços (e humanos/ lesões no hipocampo), os animais tornam-se agressivos e tendem a morder outros animais, pessoas e objetos ao seu redor, incluindo instrumentos de contenção. Paralisia de mandíbula, língua e faringe resultarão em salivação profusa por causa da dificuldade ou impossibilidade de deglutição, com consequente broncopneumonia por falsa via. Em bovinos, a raiva manifesta-se principalmente na forma paralítica (lesões no cerebelo e córtex) e os sinais clínicos mais frequentes são incoordenação dos membros pélvicos, seguida de paresia e paralisia flácida, decúbito esternal, seguido de decúbito lateral, relaxamento do esficter anal, incontinencia urinária, tremores de cabeça, opistótono e sialorréia. Os equinos podem apresentar cólica e sinais genitourinários (lesões medulares). O quadro geral pode ser definido como meningoencefalite e mielite não supurativa com ganglioneurite cranioespinal. Corpúsculos de Negri em neurônios podem estar presentes. A confirmação pode ser feita por imunofluorescência, com anticorpos contra antígenos rábicos, conforme recomendação oficial, ou imuno histoquímica. As lesões macroscópicas do tecido nervoso central infectado estão frequentemente ausentes. Podem ser encontrados hiperemia das leptomeninges, conteúdo ruminal na traqueia e hemorragia medular. Na raiva paralítica pode haver distensão da bexiga, ampola retal distendida e repleta de fezes, sinais de disfagia e necrose medular (equinos). Cinomose A cinomose canina é uma das doenças mais importantes da espécie canina. Ela é causada por um Morbillivirus (família Paramyxoviridae), um vírus de RNA envelopado e pouco resistente ao meio ambiente, que causa encefalopatia desmielinizante, que pode ser aguda após doença sistêmica em cães jovens ou crônica em animais adultos e idosos, por persistência do vírus no SNC. O quadro clínico depende da idade do animal, do estado imunológico e da estirpe do vírus. A doença sistêmica consiste em lesões epiteliais disseminadas: dermatite pustular, conjuntivite, gastrenterite e broncopneumonia mucopurulentas, acompanhadas de marcada imunossupressão. O vírus se replica avidamente nos órgãos linfóides primários e secundários e, a partir deles, células infectadas migram para os órgãos alvo epiteliais e nervosos. Cães com infecção aguda liberam o vírus em suas fezes, saliva, urina e exsudatos nasal e conjuntival, no entanto, a transmissão ocorre principalmente por aerossóis e gotículas infectantes provenientes dos animais infectados e se expande rapidamente entre animais jovens susceptíveis. Além do contato direto, a infecção também pode se dar através de alimentos ou objetos contaminados. São muitos os fatores que podem levar a uma variação no desencadeamento dos sinais clínicos da cinomose canina, tais como as condições ambientais, a idade e o estado imunológico do hospedeiro. A incidência é mais alta entre os 60 e 90 dias de vida, período em que diminui a taxa de anticorpos maternos, no entanto cães até os dois anos de idade são comumente afetados, em função da não vacinação, falhas imunológicas ou ausência de contato com o vírus. Cães a partir dos 7 - 9 anos também podem desenvolver a doença. O vírus é retido na mucosa dos turbinados nasais (turbulência centrífuga), infecta macrófagos locais e é espalhado pelos macrófagos (tráfego leucocítico) para os linfonodos regionais (retrofaríngeos). O CDV se replica nestas linfonodos regionais e a replicação é seguida por uma viremia primária que infecta os linfonodos sistêmicos distantes, baço e timo. Com a infecção do sistema linfóide, pode ocorrer imunossupressão, resultando em infecções bacterianas secundárias como conjuntivite, rinite e broncopneumonia. 4 a 6 dias após a viremia preliminar, uma segunda viremia ocorre intensamente via tráfego leucocitário. O CDV se espalha a partir das células do sistema linfoide para infectar o SNC e as células epiteliais da mucosa respiratória, mucosa da vesícula urinária e trato gastrointestinal. A doença clínica desenvolvida pelos cães infectados é caracterizada por sinais clínicos e lesões respiratórias, gastrintestinais, dermatológicas, oftálmicas e neurológicas, que podem ocorrer sequencialmente, simultaneamente ou isoladamente, com evolução longa. De modo geral, um animal clinicamente doente, apresenta secreção óculonasal mucopurulenta, dificuldade respiratória, mioclonias, convulsões, apatia, ataxia, febre, diarreia, perda de peso, vômito, e tosse. Nos sinais dermatológicos, podem apresentar dermatite pustular e hiperqueratose dos coxins e do nariz. Outra lesão ocasionalmente observada é a hipoplasia do esmalte dentário. Os animais afetados pela forma nervosa manifestam sinais variáveis de ataxia e incoordenação motora e, como lesão característica, mioclonias dos músculos faciais, mastigatórios, cervicais e dos membros. Em alguns casos, os cães têm convulsões, porém os sinais mais importantes são os de defeitos na condução nervosa determinados pela desmielinização das fibras, que resulta na manifestação clínica de mioclonia persistente (tiques). Outros sinais são andar em círculos, tremores, paraplegia e movimentos de pedalagem. As lesões macroscópicas da cinomose nervosa nem sempre são evidentes. As lesões microscópicas predominantes são de desmielinização, mieloencefalite não supurativa com manguitos perivasculares linfohistioplasmocitários, gliose, extensa astrocitose detectada por imuno histoquímica, áreas de malácia e corpúsculos de inclusão eosinofílicos intranucleares em células gliais (astrócitos) e neurônios - corpúsculos de Lentz. Os corpúsculos de inclusão podem ser observados no encéfalo, pulmão, bexiga e estômago. Encefalite por Alfavírus Encefalite equina do leste (EEE), encefalite equina do oeste (WE) e Venezuelana (VE). “Mal do roda”. Estes vírus pertencem ao gênero Alfavírus, família Togaviridae. Os alfavírus possuem características estruturais e morfológicas em comum, com considerável relação antigênica, e são transmitidos por artrópodes, principalmente mosquitos culicídeos. Dentre estes, o EEE é o que apresenta maior virulência e patogenicidade. O EEE tem algumas espécies de mosquitos como vetores potenciais, equídeos e humanos como hospedeiros acidentais, e como principais reservatórios, as aves silvestres. Os equinos entram em contato com o vírus por meio de feridas cutâneas penetrantes por picadas de mosquitos infectados. Os mosquitos se infectam ao picarem aves, que são reservatórios do vírus. Variações sazonais de temperatura e precipitação influenciam muito a densidade populacional de mosquitos e, assim, a ocorrência da doença. Após a penetração cutânea, o vírus pode entrar diretamente no sistema circulatório e infectar monócitos ou ser depositado em tecidos vascularizados da MEC (conjuntivos) e infectar células dendríticas (células de Langerhans) e macrófagos teciduais (Fig. 4-45). Nestas células, o vírus se dissemina via tráfego leucocitário aos linfonodos regionais, seja pelo sistema circulatório ou pelos vasos linfáticos, onde infecta linfócitos. O vírus também pode se disseminar aos linfonodos regionais via viremia livre de células, pelos vasos linfáticos. O vírus, então, se dissemina sistemicamente, via tráfego leucocitário, em linfócitos e macrófagos pelas vênulas pós-capilares ou vasos linfáticos e ducto torácico para o sistema circulatório, chegando aos linfonodos, ao baço, ao timo, à medula óssea, às placas de Peyer, ao pâncreas e à musculatura esquelética. A infecção provoca necrose de células mielóides na medula óssea e de linfócitos nos linfonodos e no baço. É chamada de “mal do roda” pelos equinos com essa doença normalmente andarem em círculos. Macroscopicamente, os animais apresentam hemorragia e focos de malacia na substância cinzenta da medula e encéfalo ou não apresentam lesões. Microscopicamente, os animais infectados com a EEE apresentam meningoencefalite neutrofílica e os animais infectados com a WE e a VE apresentam meningoencefalite linfoplasmocitária.O diagnóstico é obtido por cultivo celular, PCR e imuno-histoquímica. Mieloencefalopatia/mieloencefalomalaciapor herpesvírus equino tipo 1 É causada por uma mutação do herpesvírus equino-1 ou, raramente, herpesvírus equino-4. O herpes-vírus equino 1 (EHV-1) (um alfa-herpes-vírus) é uma causa importante de aborto equino, infecção neonatal de potros e morte em adição à mieloencefalite. O EHV-1 também pode causar a rinopneumonite. É primariamente uma doença de adulto, embora animais jovens possam ser afetados. A mieloencefalopatia por herpesvírus equino inicia-se com a inalação do EHV-1. O vírus infecta as células epiteliais da nasofaringe e se espalha para o tecido reticular local, no qual infecta os linfócitos e os macrófagos (monócitos). Por meio do tráfego leucocítico pelos macrófagos (monócitos), o EHV-1 é transferido para as células endoteliais do SNC. A lesão característica no SNC causada pela infecção com EHV-1 é a vasculite, que afeta as células endoteliais dos pequenos vasos sanguíneos com trombose e resulta em necrose focal do SNC (infarto). A inflamação das células endoteliais resulta em vasculite, levando a trombose e infarto do tecido neural suprido pelo vaso trombosado. As lesões ocorrem em ambas as substâncias cinzenta e branca da medula espinhal, medula oblongata, mesencéfalo, diencéfalo e córtex cerebral (principal lesão na medula). Os sinais clínicos incluem uveíte unilateral ou bilateral, secreção nasal serosa, sonolência e aborto. Macroscopicamente, observa-se hemorragia radial focal na medula e pneumonia intersticial. Meningite piogranulomatosa A peritonite infecciosa felina (PIF) é uma doença viral sistêmica de distribuição mundial, causada por um coronavírus de RNA com fita simples que afeta tanto gatos domésticos quanto felinos selvagens. Trata-se de uma doença sistêmica e progressiva com um amplo espectro de sinais e que gera alta mortalidade. Vários sistemas podem ser acometidos, como o respiratório, o nervoso, o oftálmico, e também a forma da PIF multissistêmica. A variação na virulência entre as cepas do vírus está relacionada com a sua capacidade de infectar e se replicar em macrófagos.O vírus é encontrado nas secreções e excreções de gatos infectados, que, durante a fase aguda da doença, o transmitem, via fecal-oral, oral-oral, oral nasal. A patologia da PIF é tipicamente caracterizada por graves danos inflamatórios e sistêmicos das membranas serosas e lesões piogranulomatosas generalizadas que ocorrem nos pulmões, fígado, tecido linfático e cérebro. O vírus replica-se em células epiteliais do trato respiratório superior da orofaringe, onde anticorpos antivirais são produzidos, e é capturado pelos macrófagos. Dentro de monócitos/macrófagos, o vírus é transportado por todo o corpo, se localizando em várias paredes venosas e locais perivasculares. A replicação perivascular local e a subsequente reação tecidual piogranulomatosa produzem a lesão clássica da PIF. A PIF possui uma grande variedade de sinais clínicos, dependendo da virulência da cepa, da resposta imune do hospedeiro e do sistema orgânico acometido. Têm-se como achados anamnésicos o início insidioso, a perda de peso gradual e diminuição de apetite, parada de desenvolvimento em filhotes, febre persistente (flutuante) e a não melhora do quadro com antibióticos. Durante o exame físico percebe-se depressão; condição deficiente; parada do crescimento; perda de peso; pelagem sem brilho, áspera; icterícia; à palpação o abdome apresentará massas (granulomas ou piogranulomas) dentro do omento, na superfície de vísceras (especialmente os rins) e dentro da parede intestinal (os linfonodos mesentéricos podem estar aumentados). Pode-se também encontrar lesões oculares como uveíte anterior, precipitados ceráticos, alteração da cor da íris, pupilas de formato irregular e lesões neurológicas do tronco cerebral, cerebrocortical ou da medula espinhal. Na clássica PIF efusiva, esses sinais são acompanhados por uma distensão abdominal progressiva, devido ao acúmulo de um líquido viscoso amarelo ascético, cuja quantidade pode variar de alguns mililitros a mais de um litro, conferindo ao abdome um aspecto de barril. Em casos de doença não-efusiva, as lesões granulomatosas são geralmente muito maiores e circundadas por mais fibrose, há também necrose em órgãos abdominais, olhos e SNC. Com frequência estão presentes muitos nódulos granulomatosos na superfície do pâncreas, rim, pulmão, e outros órgãos, as meninges podem ser opacas, e podemos observar sinais macroscópicos de panoftalmite. Pode-se observar também meningite e meningoencefalite piogranulomatosas em animais que desenvolvem a forma não efusiva. Histologicamente, as principais alterações consistem de graus variáveis de perivasculite e vasculite piogranulomatosas, principalmente em arteríolas e veias de pequeno calibre em diversos órgãos. Até 30% dos animais com PIF têm envolvimento do sistema nervoso central (SNC). As lesões consistem de vasculite por deposição de imunocomplexos. Adicionalmente, há falha na RIC em destruir o vírus, resultando em múltiplos granulomas formados por macrófagos infectados no interior do SNC. Sinais clínicos de distúrbios neurológicos são mais frequentes na forma não-efusiva, e mesmo gatos sem déficits neurológicos podem apresentar lesões microscópicas inflamatórias no SNC. Os sinais clínicos mais frequentes são paresia dos membros pélvicos, ataxia generalizada, hiperestesia toracolombar, nistagmo, anisocoria, mudanças no comportamento, apreensão, tetraparesia e tremores. Quando a doença causa meningite, os sinais clínicos (por ex., incoordenação, tremores, hiperestesia, mudanças de comportamento, apreensão e febre sem uma causa aparente) refletem danos ao tecido nervoso subjacente. Além das meninges, o plexo coróide e o epêndima podem ser afetados e causar obstrução ocasional do aqueduto mesencefálico, resultando em hidrocefalia. Meningoencefalite por herpesvírus bovino tipo 5 A meningoencefalite causada por herpesvírus bovino-5 é uma doença infecto-contagiosa, aguda ou subaguda e geralmente fatal, que afeta principalmente bovinos jovens (2 meses a 3 anos) submetidos a situações de estresse. A transmissão de BoHV-5 ocorre principalmente por contato direto ou indireto entre bovinos, e os sítios de replicação primária são as mucosas oral, nasal, orofaríngea e ocular. Nesses locais ocorre uma fase de replicação primária em células epiteliais, após a qual o vírus invade as terminações nervosas e é transportado até neurônios de gânglios sensoriais, onde o agente pode replicar ativamente ou estabelecer latência. Os vírions responsáveis pela infecção neurológica têm acesso ao SNC pelas fibras nervosas distribuídas na mucosa nasal. Esses vírions alcançam o encéfalo após transporte intraaxonal retrógrado em células nervosas locais, principalmente do bulbo olfatório e nervo trigêmeo. A localização e intensidade das lesões no encéfalo de bovinos afetados por meningoencefalite por BoHV-5, mais acentuadas nas porções rostrais do telencéfalo. Em casos de infecção por BoHV-5, ocorre invasão do SNC e produção de meningoencefalite e o vírus pode inclusive atingir o gânglio e estabelecer latência sem prévia replicação epitelial, caso esteja em grande quantidade no inóculo. Pode ainda estabelecer latência sem produzir sinais clínicos de meningoencefalite durante a infecção primária. Os sinais neurológicos consistem em incoordenação, cegueira e tremores musculares e morte em 4 ou 5 dias após o início dos sinais. Os bezerros afetados apresentam sinais clínicos caracterizados por anorexia, corrimentos nasal e ocular e sinais nervosos – depressão profunda, nistagmo, opistótono, tremores, marcha para trás ou em círculos, andar cambaleante, convulsões e quedas. Pode haver, ainda, dificuldade para a ingestão de água ou apreensão de alimentos, cegueira e ranger de dentes. A depressão profunda pode ser o único sinal clínico evidente nos primeiros 2 a 3 dias da doença. Os bovinos afetados apresentam desidratação, emagrecimento, febre, ranger de dentes, tremores musculares, andar em círculos, cegueira, incoordenação, pressão da cabeça contra objetos, nistagmo e disfagia.Alguns bovinos podem sofrer quedas e permanecer em decúbito, com movimentos de pedalagem, opistótono e convulsões. Sinais clínicos inespecíficos, como dor abdominal, anorexia, taquicardia, taquipnéia, pêlos arrepiados e melena também são descritos em casos da doença. Os animais ficam debilitados com rapidez, mas, macroscópicamente, pode não haver lesões específicas. As lesões macroscópicas, quando presentes, consistem em hiperemia das meninges e malácia do córtex telencefálico, que pode apresentar áreas amareladas ou acinzentadas. Em algumas ocasiões, essas áreas exibem -se deprimidas, podendo-se observar, também, cavitação da substância cinzenta. Em alguns casos de evolução prolongada, pode ser visto o achatamento das circunvoluções cerebrais, protrusão do cerebelo através do forame magno, congestão dos vasos meningeanos, aumento do LCR ou malácia. Em bezerros acometidos pela forma sistêmica, além das lesões do sistema nervoso, observam -se ulcerações no sistema digestório, principalmente abomaso e rúmen e, ainda, hepatomegalia, pericardite e pneumonia. As lesões não são simétricas, podem ter ampla variação entre os bovinos e são claramente mais intensas nas porções rostrais do encéfalo. Os achados microscópicos definem uma meningoencefalite não supurada difusa. Febre catarral maligna Bacterianas Abscessos cerebrais Abscessos no SNC se dão principalmente em animais jovens, em geral com menos de 1 ano de idade. As portas de entrada para as bactérias são múltiplas, incluindo via umbilical, faringe e trato gastrointestinal. Podem ocorrer também por extensão de sinusites, rinites e faringites bacterianas; as faringites, nesses casos, podem ser traumáticas (perfuração por corpo estranho ou pistolas de dosificação). Corte de cauda em ovinos, suínos e cães pode determinar infecção ascendente e formação de meningomielites e abscessos na medula espinhal. Há relatos da ocorrência de abscessos para- hipofisários e leptomeningite em bezerros, onde era utilizada a técnica de desmame interrompido pelo uso de tabuleta nasal. A patogênese, nesses casos, não está totalmente esclarecida, mas as bactérias que ocasionam o abscesso de pituitária podem migrar pela circulação venosa nasal, cujos vasos formam o seio cavernoso, que se entremeia com a rete mirabile para a troca de calor, e propiciam a deposição das bactérias nos locais adjacentes. No entanto, há relatos de casos de abscessos para- hipofisários associados a sinusite sem o uso da tabuleta nasal. Os abscessos podem ser epidurais (entre o periósteo e a dura máter), subdurais (entre a dura máter e as leptomeninges) ou submeningeais (no espaço subaracnóideo ou abaixo da pia máter, no parênquima cortical). Podem se iniciar ao redor de um vaso com êmbolo bacteriano ou a partir de um foco de encefalite séptica. Macroscopicamente, nos estágios iniciais, os abscessos contêm um centro liquefeito branco ou amarelado e fluido ou semissólido. As margens são irregulares e pobremente definidas mesmo à microscopia. Os neurônios e a neuróglia se degeneram e a micróglia e os vasos são razoavelmente resistentes e reativos em uma zona periférica estreita. Em abscessos velhos que se desintegram, o centro pode se separar da cápsula e o tecido ao redor têm coloração amarelada em decorrência do edema. Os sinais e a importância clínica desses abscessos são relacionados com o efeito da massa, a qual comprime e substitui o tecido nervoso, confinado na cavidade craniana. Depressão, incoordenação, ataxia, opistótono, decúbito e pedalagem são sinais clínicos observados. Na ocorrência de abscessos múltiplos, a morte ocorre rapidamente. Os solitários possibilitam sobrevivência maior, com exceção de abscessos bulbares, porque o edema associado interfere nos centros vitais. Botulismo É uma doença grave decorrente de intoxicação alimentar de animais e humanos por exotoxinas produzidas pelo Clostridium botulinum. A bactéria C. botulinum é um bacilo anaeróbio, Gram Positivo, formador de esporos. Encontra-se amplamente difundido na natureza, em locais como solo, água estagnada e matéria orgânica de origem vegetal ou animal. Os esporos são muito resistentes e se mantêm por longos períodos nos mais diversos ambientes. Quando prolifera em material orgânico, como cadáveres, material vegetal em decomposição e alimentos acondicionados para humanos, produz exotoxinas de diferentes tipos. Essas toxinas costumam intoxicar o animal por meio da alimentação. A toxina é absorvida através do endotélio capilar e entra na corrente sanguínea. Uma vez que a toxina botulínica esteja na corrente sanguínea, ela entra na junção neuromuscular e se liga aos receptores nos terminais pré-sinápticos das sinapses colinérgicas periféricas. A toxina é, então, internalizada nas vesículas, translocada para o citossol e, então, medeia a proteólise de componentes do aparato de exocitose induzida pelo cálcio, interferindo então com a liberação de acetilcolina. A inibição (bloqueio) da liberação de acetilcolina resulta em paralisia flácida dos músculos inervados pelos nervos colinérgicos craniais e espinhais, mas não existe dano aos nervos adrenérgicos ou sensoriais. As espécies mais acometidas por botulismo são bovinos, aves e equinos. Os bovinos se contaminam com ingestão ou lambedura de ossos em pastagens, ingestão de restos de cadáveres e de água, principalmente as superficiais com matéria orgânica. Forragens ou cama de aviário contendo animais mortos também são fontes comuns de contaminação. As aves se contaminam, muitas vezes, ao ingerirem larvas de cadáveres em decomposição. Equinos podem se contaminar nas pastagens. Há casos esporádicos em cães e gatos, embora estes sejam considerados naturalmente bastante resistentes. Os casos naturais em cães são atribuídos à ingestão de cadáveres em decomposição. O botulismo é uma das principais causas de mortalidade de bovinos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país. Os sinais clínicos em bovinos aparecem horas ou dias após a contaminação. O curso pode variar também, dependendo da dose ingerida. Na fase inicial, há incoordenação, anorexia e ataxia. Segue-se paralisia flácida progressiva, decúbito e respiração abdominal. O quadro de paralisia tende a se agravar, surgindo dificuldade de mastigação e deglutição. A língua pode ficar exposta, ou seja, o animal não consegue recolhê la. Acúmulo de alimentos na boca e sialorréia também ocorrem. A morte pode acontecer em menos de 2 dias ou o quadro pode se prolongar por 7 dias ou mais. Alguns animais se recuperam. Nas demais espécies animais, os sinais clínicos são ataxia e paralisia flácida. A parada respiratória decorrente da falta de movimentos do diafragma é causa habitual de morte. A toxina do Clostridium botulinum não causa lesões teciduais macro ou microscópicas. Tétano Tétano é uma doença infecciosa que acomete todos os mamíferos; é caracterizada por graves espasmos musculares paralisantes. Não é contagiosa, no entanto o agente etiológico, Clostridium tetani, tem distribuição muito ampla na natureza. Os esporos dos bacilos estão presentes nos ambientes mais variados possíveis, incluindo o solo e fezes de animais. Esses esporos podem permanecer viáveis na natureza por até 40 anos, segundo dados de literatura internacional. A espécie equina é particularmente sensível. Ovinos e caprinos também são frequentemente acometidos. A manifestação clínica da doença é decorrente da ação de toxinas no SNC. O início do processo ocorre em ferimentos no corpo do animal – decorrentes de ação traumática de objetos perfurantes, cortantes ou contundentes –, nos quais ocorre instalação do bacilo. Também pode ocorrer no umbigo do recém- nascido quando não há apropriada desinfecção, em ferimentos na cavidade oral ou, ainda, em ferimentos internos, no sistema digestório, produzidos por alimentos grosseiramente fibrosos. Cravos inadequados ou mesmo pregos utilizados no ferrageamento de equinos também podem ser incriminados. Durante o casqueamento também se pode provocar lesão suficiente para a instalação da infecção. Seringas e agulhasnão esterilizadas utilizadas na aplicação de vacinas e medicamentos também podem veicular o bacilo. Por outro lado, já houve caso de vacina contaminada com esporos do bacilo que provocou tétano em dezenas de bovinos no Brasil. Após a instalação do bacilo na lesão, ocorre multiplicação bacteriana e posterior esporulação. Nessa fase de esporulação, as toxinas bacterianas são liberadas, sendo absorvidas localmente. Os bacilos não invadem os órgãos, permanecendo apenas no local. A neurotoxina liga se a terminações nervosas e segue fluxo nervoso retrógrado, adentrando o SNC. Uma das toxinas produzidas, a tetanolisina, causa ou agrava necrose de tecidos no local da instalação do C. tetani. Outra toxina, a tetanospasmina, adentra os neurônios inibidores, impedindo a liberação de GABA e glicina. Dessa maneira, impede a neurotransmissão, tendo como consequência a falta de inibição do estímulo inibidor, o que resulta em contração muscular, rigidez e tetania. Os neurotransmissores inibitórios agem para deprimir as ações dos impulsos nervosos excitatórios dos neurônios motores superiores que são impostos aos neurônios motores inferiores. Se estes impulsos não podem ser deprimidos por mecanismos inibitórios normais, surgem os espasmos musculares generalizados característicos do tétano. A tetanospasmina parece agir por quebra seletiva de uma proteína componente das vesículas sinápticas, prevenindo então a liberação de neurotransmissores pelas células. Os sinais clínicos são decorrentes da ação da tetanospasmina, ou seja, da inibição da ação de neurônios inibidores e consequentes espasmos extensores. Observam- se posição do animal em cavalete, ou seja, as quatro patas distendidas, rígidas e ligeiramente entreabertas; orelhas eretas; hiperexcitabilidade, com desencadeamento de contrações ao toque ou ao estímulo sonoro; trisma mandibular (saliva pode se acumular na boca); andar cambaleante, quando ainda consegue; protrusão de terceira pálpebra; midríase; sudorese, hipertermia e narinas dilatadas. Em bovinos, relata-se também timpanismo, opistótono, paralisia espástica, retenção de placenta e insuficiência respiratória que pode levar à morte. Animais podem também permanecer em decúbito, fazendo movimentos decorrentes de contração muscular. A morte decorre de insuficiência respiratória por disfunção do diafragma e de outros músculos auxiliares do movimento respiratório. Exceto pelo ferimento anaeróbico, não existem lesões macro e microscópicas no tecido com tétano. Listeriose O principal agente causal é uma bactéria Gram Positiva do gênero Listeria, L. monocytogenes, que sobrevive, de preferência, em locais com matéria vegetal em degradação. A principal via de transmissão, tanto para seres humanos quanto para animais, é a contaminação de alimentos. É causa de grandes perdas econômicas em ruminantes, nos quais pode, também, ocasionar mastite. Em fêmeas prenhes, pode invadir o útero e provocar abortamento. Meningite ou meningoencefalite em decorrência de septicemia podem ocorrer em ruminantes e suínos. As lesões do sistema nervoso ocorrem mais em ruminantes e consistem em meningoencefalite. A meningoencefalite, contudo, é observada apenas em animais adultos; ruminantes jovens e monogástricos respondem com meningite. A L. monocytogenes internaliza- se em células epiteliais intestinais ou também pode colonizar as placas de Peyer, invadindo as células M intestinais, que, como se sabe, recobrem essas placas. Em seguida, pode colonizar tecidos mais profundos, com posterior disseminação via corrente sanguínea ou linfonodos em direção a órgãos- alvo, como fígado e baço. A bactéria migra, via axônios sensoriais e usando o transporte axonal retrógrado, para o gânglio trigeminal e, então, para dentro do cérebro (medula) ou via axônios motores diretamente para o mesencéfalo e medula (neurônios motores − núcleo do nervo cranial V). A infecção pode disseminar-se rostral e caudalmente para outras áreas do tronco encefálico. Os sinais clínicos refletem lesão inflamatória do tronco encefálico e consistem em depressão inicial, com afastamento do rebanho, seguida de sinais unilaterais de torneio, desvio lateral de cabeça e do corpo e paralisia do nervo facial, com queda da orelha e da pálpebra; há também paralisia do lábio superior, com hipersalivação e dificuldade para apreender, mastigar e deglutir os alimentos, como consequência da lesão do nervo trigeminal. Com a progressão das lesões, pode haver queratite e hifema. Os animais mostram, a seguir, ataxia, paresia, decúbito e morte, após 1 ou 2 semanas do início do quadro. À necropsia, as meninges podem estar hiperêmicas e opacas, e o LCR turvo. Em alguns casos, pode haver áreas de malácia, caracterizadas por áreas focais amareladas no parênquima, principalmente nos corpos quadrigêmeos, tálamo, ponte e bulbo. As lesões microscópicas consistem em manguito mononuclear perivascular e infiltrado de neutrófilos com formação de microabscessos no mesencéfalo, na ponte e no bulbo e nas meninges correspondentes. Parasitárias Mieloencefalite por protozoário (Sarcocystis neurona) É uma doença infecciosa e frequentemente fatal de equinos causada pelo Sarcocystis neurona. Os equinos são considerados hospedeiros terminais e aberrantes do parasita, que, diferentemente de outros Sarcocystis, que penetram em músculos estriados, localizam-se no SNC. A doença é progressiva e, sem tratamento, leva o animal à morte. Equinos de qualquer idade podem ser afetados, com predileção por adultos jovens. Para S. neurona os hospedeiros definitivos são gambás que se alimentam de carne dos hospedeiros intermediários contendo cistos. A infecção ocorre após a ingestão de esporocistos presentes no alimento, água e pastos contaminados com fezes do hospedeiro definitivo (gambá). Os eqüinos não transmitem S. neurona a outros equinos ou gambás. Os merozoítos podem passar através da barreira hemato-encefálica dentro de leucócitos ou atravessando os citoplasmas das células endoteliais. O quadro clínico é muito variável e depende da localização das lesões no sistema nervoso. Há predileção pela medula espinal, e as lesões, que muitas vezes são assimétricas, ocorrem tanto na substância branca quanto na cinzenta. Como a medula espinhal é mais afetada que o encéfalo, as manifestações clínicas refletem esse comprometimento, e os animais têm ataxia e fraqueza muscular. A perda de neurônios dos núcleos motores provoca degeneração walleriana ipsilateral do nervo envolvido e atrofia por denervação da musculatura associada, notadamente de glúteos, quadríceps femoral, infra e supraespinhosos. Quando o tronco cervical é afetado, os equinos mostram sinais de neurônio motor inferior e déficit proprioceptivos no membro ipsilateral. As lesões encefálicas acontecem mais na ponte e no bulbo – com envolvimento dos núcleos dos pares cranianos – e os animais apresentam ataxia, alterações da propriocepção e sinais vestibulares, flacidez e atrofia da língua e dos músculos da mastigação e disfagia. No caso de lesões do córtex telencefálico, os equinos manifestam depressão, mudanças comportamentais, cegueira e diminuição de reflexos na face contralateral. À necropsia, podem ser observadas áreas amolecidas e de cor castanha do tecido nervoso. Histologicamente, há malácia e mielite ou mieloencefalite não supurativa, por vezes com leptomeningite. Em cerca de um terço dos casos é possível identificar o parasita por meio da marcação imuno histoquímica de esquizontes e merontes. O agente pode ser encontrado em citoplasma de neurônios, células mononucleares e endoteliais ou livres, não encistados, sob a forma de agregados, tanto na substância branca quanto na cinzenta. Babesiose cerebral Babesia spp. são protozoários intracelulares (piroplasmas) transmitidos por artrópodes (carrapatos e moscas picadoras) por via transplacentária ou por transfusões sanguíneas. Infecções por Babesia spp. em bovinos são caracterizadas por febre, anemia, hemoglobinemia, hemoglobinúria e, em muitos casos, morte. A doença clínica é relacionada a ciclos repetidosde invasão e multiplicação dos protozoários em eritrócitos do hospedeiro, seguidos de lise eritrocitária e invasão de outros eritrócitos. Tem sido observado que, na infecção por B. bovis em bovinos, ocorre sequestro de eritrócitos parasitados nos capilares da substância cinzenta do encéfalo. Na necropsia de todos os casos, a substância cinzenta dos córtices telencefálico e cerebelar e dos núcleos da base tinham uma cor róseo-cereja. Embora essa alteração fosse bem marcada na substância cinzenta, era também levemente perceptível na substância branca. Enfermidades do sistema nervoso central não-infecciosas Malformações Em decorrência do alto grau de diferenciação e complexidade, o tecido nervoso se torna altamente suscetível aos agentes teratogênicos. Disrafismos As condições disráficas são malformações que ocorrem por fechamento defeituoso do tubo neural durante o desenvolvimento e podem ocorrer em qualquer ponto ao longo do tubo. Exemplos dessas condições são: espinha bífida, que se dá por defeito dorsal da coluna vertebral, em geral caudal, com ou sem herniação das meninges, e crânio bífido, em que o defeito da linha média do crânio possibilita a projeção de meninges e/ou cérebro (encefalocele, meningocele ou meningoencefalocele). Hipoplasia cerebelar Vários vírus estão relacionados com a hipoplasia cerebelar nos animais domésticos: vírus da panleucopenia felina, da BVD e da peste suína e o herpes vírus canino. A proliferação viral nessa localização acaba causando hipoplasia da camada granular e desorganização das células de Purkinje. À macroscopia, a hipoplasia pode se apresentar com muitas variações, com maior ou menor envolvimento do cerebelo ou estruturas cerebelares. Em alguns casos, o cerebelo pode estar normal e os defeitos hipoplásicos são detectados apenas por meio de exame microscópico detalhado. Os animais afetados apresentam vários graus de sinais neurológicos cerebelares; a ataxia e a dificuldade de permanecer em estação são usuais, mas os animais permanecem alertas e se alimentam bem. Os movimentos são fortes e vigorosos, porém há perda da capacidade de coordená los. É habitual hipermetria como o sinal mais típico de alteração cerebelar. Ocasionalmente, a cabeça pode estar voltada para a região caudal, em posição de opistótono. Hidrocefalia No cérebro normal, o LCR é produzido pelo plexo coróide dentro dos ventrículos. Normalmente, o LCR circula através do sistema ventricular e entra na cisterna magna (comunicação com o espaço subaracnóide) na base do tronco encefálico. A hidrocefalia refere-se ao acúmulo exagerado de LCR dentro do sistema ventricular do cérebro. Se a hidrocefalia se desenvolve antes do fechamento das suturas cranianas, há aumento da cabeça, manifestado pela elevação da sua circunferência. Se a hidrocefalia ocorre após a fusão das suturas, está associada à dilatação dos ventrículos e ao aumento da pressão intracraniana, sem alteração da circunferência da cabeça. Dois mecanismos básicos podem causar incremento no volume do LCR: mecanismos compensatórios (congênita) e obstrutivos (adquirida). A hidrocefalia compensatória ocorre quando o parênquima cerebral é destruído ou não chega a se desenvolver adequadamente − por exemplo, em defeitos cerebrais cavitários, como na hidranencefalia e na porencefalia. Já a hidrocefalia obstrutiva ocorre em razão de fluxo irregular do LCR (hidrocéfalo interno) no encéfalo ou diminuição na reabsorção do líquido pelo sistema venoso. O ponto mais crítico da circulação do LCR é o aqueduto mesencefálico, sendo o local mais comum de malformação que ocasiona a hidrocefalia obstrutiva. A estenose do aqueduto, quase sempre relacionada com a fusão dos dois colículos rostrais, é a causa mais frequente de obstrução. A estenose do aqueduto pode acontecer por inflamações pré e pós -natais que lesam a superfície ependimária do aqueduto ou pode ser consequência de outra malformação acentuada no tronco encefálico ou processos neoplásicos (ependimoma, tumor do plexo coróide). Metabólica Polioencefalomalácia Polioencefalomalacia designa a necrose com amolecimento (malácia) da substância cinzenta (pólio) do encéfalo. A Polioencefalomalacia é uma enfermidade neurológica, não infecciosa, dos ruminantes que pode ser causada por: alterações no metabolismo da tiamina, associadas a dietas altas em concentrados, levando a acidose clínica ou subclínica, que reduz o número de microrganismos do rúmen que sintetizam tiamina, bem como permite o crescimento das bactérias que produzem tiaminase; ingestão de análogos da tiamina, como o amprólio; ingestão de vegetais contendo tiaminases; alto consumo de enxofre nos alimentos e água. No Brasil, bovinos adultos pastejo extensivo são mais predispostos a desenvolver a doença. Os sinais clínicos incluem cegueira, opistótono, nistagmo, incoordenação, andar em círculos, agressividade e decúbito (2-3 dias). Macroscopicamente, observa-se amolecimento das circunvoluções cerebrais, herniação do cerebelo em direção ao forame magno, e, ao corte, coloração amarelada e cavitação da substância cinzenta. Nos casos crônicos pode haver estreitamento acentuado e até desaparecimento da substância cinzenta. Tóxicas Leucoencefalomalácia Leucoencefalomalácia é uma doença grave e fatal, decorrente da ingestão de alimentos, em geral milho, que contenham a micotoxina fumonisina B1, produzida pelo fungo Fusarium verticillioides. O milho é o melhor substrato para crescimento desse fungo, mas outros grãos, e mesmo a ração formulada, podem contê lo. O aspecto mofado do milho ou de outros alimentos é forte indicação para a suspeita clínica de leucoencefalomalácia, denominada por alguns autores como doença do milho mofado. A instalação dos sinais clínicos é súbita, havendo rápido agravamento das manifestações clínicas e morte dentro de poucas horas a 3 ou 4 dias. Clinicamente, os equídeos apresentam- se febris, por vezes ictéricos, manifestando sinais neurológicos, como ataxia, sonolência, visão deficiente, fraqueza, cambaleio, andar em círculo, paralisia faringiana parcial ou total, apoio da cabeça em objetos, disfagia e dificuldade de apreensão e mastigação dos alimentos. As moléculas de fumonisina B1 e B2 são estruturalmente muito semelhantes à molécula de esfingosina, que é fundamental para a síntese da esfingomielina e de outros esfingolipídios. Os passos em que a fumonisina B1 participa prejudicando a síntese de esfingolipídios são múltiplos e não bem conhecidos e mais importantes nos equídeos que em outras espécies em que essa doença não ocorre. a fumonisina B1 inibe a ceramina sintetase, enzima necessária à biossíntese de esfingolipídios. Dessa inibição resulta acúmulo de ceramina e de outros esfingolipídios complexos, com consequente acúmulo de esfinganina livre e, mais tarde, de esfingosina. Esse processo, se mantido por longo tempo, resultará em depleção de esfingolipídios complexos (esfingomielina, cerebrosídeos e gangliosídeos), que mantêm a função e a estrutura de tecidos nervosos. As lesões descritas na leucoencefalomalácia invariavelmente consistem em necrose da substância branca dos hemisférios cerebrais e edema. A inspeção macroscópica do encéfalo quase sempre revela amolecimento, que pode ser sentido à palpação de sua superfície. Pode haver também sinais de edema cerebral, notadamente pelo achatamento das circunvoluções. Ao corte, observam-se áreas amareladas e amolecidas da substância branca e, às vezes, com pequenas hemorragias. Alterações mais acentuadas de malácia são observadas como áreas levemente deprimidas da substância branca até extensas áreas com cavitações. As lesões podem ser bilaterais nos hemisférios cerebrais, mas dificilmente são simétricas. Podem ocorrer também no tronco encefálico, cerebelo e medula espinal. À microscopia, verifica-se ampla distribuição de áreas de malácia e cavitações irregulares ao redor de vasos sanguíneos, os quais podem mostrar também parede lesada, com camadas dissociadas por edema e hemorragia. Intoxicação por plantas Plantas que causam armazenamento lisossomal