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m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ E N D O C R I N O L O G I A DIABETES MELLITUS: INSULINOTERAPIA JANEIRO/2022 P R O F . M A R I A T E R E Z A G U E R R A m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Diabetes Mellitus: Insulinoterapia PROF. MARIA TEREZA GUERRA APRESENTAÇÃO: Prezado(a) colega! Seja bem-vindo(a) ao curso de Endocrinologia e Metabologia do Revalida Exclusive. Cientes das obrigações que um Revalidando tem ao longo da sua jornada, nossa metodologia foi cuidadosamente pensada para trazer a você o resultado desejado da maneira mais eficiente possível, ou seja, colocaremos à sua disposição todas (e somente) as armas de que você precisa para vencer essa batalha. Todo conhecimento pode ser importante para a vida de um(a) médico(a), mas a prova não é a vida. É uma simulação criada pela mente do examinador. Como toda mente tem seus padrões, preferências e hábitos, estudamos as provas minuciosamente para elaborar um material teórico completo, mas escrito em linguagem direta e didática. Basta dominar todo esse conteúdo para conseguir o seu CRM? Não. A prova não é uma livre-demonstração de conhecimento; é, acima de tudo, um teste em que suas chances de sucesso são diretamente proporcionais à qualidade de seu treino. Resolver questões de prova não lhe trará somente ganhos cognitivos, também proporcionará autoconhecimento e tranquilidade, duas coisas fundamentais ao longo dessa jornada. Nisso também nos diferenciamos, pois disponibilizamos um completo e atualizado banco de questões comentadas, alternativa por alternativa, porque reconhecer o errado também ensina o certo. Entender o estilo da prova é essencial para calcular m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ Diabetes Mellitus: Insulinoterapia /estrategiamedt.me/estrategiamed Estratégia MED @dramariaterezaguerra @estrategiamed o que é previsível, mas também estamos atentos aos assuntos que, eventualmente, podem ganhar notoriedade por acontecimentos sociais, econômicos e epidemiológicos. Disponibilizaremos questões inéditas, quando necessário, para que você não seja surpreendido(a), e nossos simulados contemplarão essas apostas. Uma vez apresentado o curso, permita que eu me apresente. Realizei a Residência de Clínica Médica no Real Hospital Português de Beneficência em Pernambuco – RHP, onde trabalho até hoje como endocrinologista. Já a Residência Médica de Endocrinologia e Metabologia, fiz no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira – IMIP, hospital-escola da Faculdade Pernambucana de Saúde – FPS, onde fui tutora de 2018 a 2020. A seguir, um resumo de meu histórico de aprovações em concursos: • Aprovações em provas de Residência Médica: Clínico Geral Plantonista (1ª colocada). ◦ Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região 2018 – Analista Judiciário – Área Especializada – Medicina (2ª colocada). ◦ Tribunal Regional Federal da 5ª Região 2017 – Analista Judiciário – Apoio Especializado – Medicina (3ª colocada). ◦ Ministério Público da União 2013 – Analista do Ministério Público da União – Área de atividade: Medicina – Especialidade: Clínica Médica. ◦ EBSERH/UFPE 2014 – Médico – Clínica Médica. Feitas as devidas apresentações, desejo bons ◦ SES-DF 2013 – Clínica Médica (Hospital Universitário de Brasília – HUB-UNB). ◦ SES-PE 2013 – Clínica Médica (RHP). ◦ SES-PE 2015 – Endocrinologia e Metabologia (IMIP). • Aprovações em Concursos Públicos: ◦ Ministério Público do Estado de Pernambuco 2018 – Analista Ministerial – Área Medicina (1ª colocada). ◦ Prefeitura da cidade do Recife 2014 – Médico estudos. Caso surja alguma dúvida ao longo do caminho, estarei no fórum de dúvidas para compartilharmos aprendizados e experiências sobre a especialidade mais linda da Clínica Médica. Cordialmente, Professora Maria Tereza Guerra. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://t.me/estrategiamed https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://www.instagram.com/dramariaterezaguerra/ https://www.instagram.com/prof.alexandremelitto/ https://www.instagram.com/estrategiamed/ http://www.ebserh.gov.br/web/hub-unb m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 4 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia SUMÁRIO APRESENTAÇÃO DA AULA 5 1.0 INTRODUÇÃO 5 2.0 FARMACOCINÉTICA DAS INSULINAS 6 3.0 INSULINOTERAPIA NO DIABETES MELLITUS TIPO 2 9 3.1 A PRIMEIRA DECISÃO A SER TOMADA 9 3.2 PASSO 1: ESQUEMA BASAL 11 3.3 PASSO 2: ESQUEMA BASAL-PLUS 14 3.4 PASSO 3: ESQUEMA BASAL-BÓLUS 15 4.0 INSULINOTERAPIA NO DIABETES MELLITUS TIPO 1 24 4.1 PRINCÍPIOS GERAIS 24 4.2 PRESCREVENDO INSULINA PARA O PACIENTE COM DIABETES MELLITUS TIPO 1 25 5.0 LISTA DE QUESTÕES 31 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 32 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 32 m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 5 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia APRESENTAÇÃO DA AULA Prezado(a) colega, O tema insulinoterapia foi abordado em 7 questões do Revalida (6 do INEP e 1 da UFMT). Tal como foi exposto no primeiro livro do presente módulo, isso corresponde a 28% das questões sobre diabetes mellitus e a 12% das questões de endocrinologia. CAPÍTULO 1.0 INTRODUÇÃO A insulinoterapia deve imitar e corrigir as deficiências da secreção pancreática de insulina. Portanto, quanto maior o grau de disfunção pancreática, maior será a necessidade de insulina exógena. Os pacientes com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) têm uma deficiência absoluta de insulina; logo, necessitam de insulina em doses plenas, ou seja, insulinas basal e prandial em doses suficientes para substituir a secreção pancreática em sua totalidade. Os pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) têm uma deficiência relativa de insulina, ou seja, a insulina produzida é insuficiente para as demandas glicêmicas do paciente e/ou o hormônio encontra resistência periférica à sua ação. Nesse caso, a necessidade de insulina exógena surgirá à medida que a função das células beta pancreáticas declinar ao longo do tempo. INEP UFMT Múltipla escolha 5 1 Discursiva 1 0 Entretanto, ressalto que essa estatística não reflete necessariamente a real importância do tema, pois os conceitos gerais sobre a terapia insulínica serão muito úteis quando você estudar cetoacidose diabética (tópico bastante cobrado no Revalida). Portanto, encare este livro digital como uma base para um aprendizado mais amplo, que, sem sombra de dúvidas, vai garantir a você valiosos pontos na prova. Como sempre gosto de reforçar: “decorar” deve ser a última opção, e “entender” sempre será a melhor estratégia. Tentaremos dar o máximo de sentido e ancoragem aos conceitos aqui abordados, entre teoria e questões. Finalmente, vamos caminhar juntos ao longo do estudo e garantir as questões que vão coroar sua aprovação e assegurar o seu CRM. Cordialmente, Professora Maria Tereza Guerra. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 6 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Glicemias controladas por cada classe de insulina: • Insulina basal ◦ Glicemia de jejum ◦ Glicemias pré-prandiais • Insulina prandial ◦ Glicemias pós-prandiais. CAPÍTULO 2.0 FARMACOCINÉTICA DAS INSULINAS Antes de expormos os princípios da prescrição insulínica no paciente diabético, é de fundamental importância que você compreenda o comportamento farmacocinético das insulinas. Com esse conhecimento sedimentado, os passos subsequentesserão automaticamente compreendidos. A secreção de insulina acontece de forma bifásica: • secreção basal (constante ao longo o dia); • secreção prandial (picos secretados após as três refeições principais). IMAGEM 1. Variação diária na secreção de insulina. Adaptado de: POLONSKY, K. S; GIVEN, B. D.; VAN CAUTER, E. Twenty-four-hour profiles and pulsatile patterns of insulin secretion in normal and obese subjects. J Clin Invest 81:442–448, 1988. A secreção basal de insulina corresponde a 40-60% da produção diária total do hormônio e tem como objetivo suprimir a produção hepática de glicose, a glicogenólise e a cetogênese (o que mantém a euglicemia no estado de jejum e nos períodos pré- prandiais). Já os picos pós-prandiais de secreção de insulina destinam-se a cobrir a incursão glicêmica decorrente da ingestão alimentar, por meio da promoção de captação e armazenamento periféricos de glicose. É justamente esse padrão de secreção bifásica que a insulinoterapia deve imitar. FIQUE ATENTO! In su lin a pl as m áti ca m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 7 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Logo, a primeira divisão que você deve ter em mente é a que separa as insulinas em basais (NPH – Neutral Protamine Hagedorn, detemir, glargina e degludeca) e prandiais (regular, lispro, asparte, glulisina, faster aspart e inalável tecnosfera): TABELA 1 Insulinas basais x prandiais Insulinas basais NPH Detemir Glargina Degludeca Insulinas prandiais Regular Lispro Asparte Glulisina Faster aspart Inalável tecnosfera Dentro da classificação basal x prandial, há uma subdivisão que leva em consideração a duração do efeito terapêutico das insulinas: TABELA 2 Insulinas basais Ação intermediária • NPH Ação longa • Glargina U100 • Detemir Ação ultralonga • Glargina U300 • Degludeca TABELA 3 Insulinas prandiais Ação rápida • Regular Ação ultrarrápida • Lispro • Asparte • Glulisina • Faster aspart • Inalável tecnosfera m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 8 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Entre as insulinas de ação prolongada, temos duas cujo efeito se estende para além de 24 horas: a glargina U300 e a degludeca. Entretanto, ainda assim, tais insulinas devem ser aplicadas a cada 24 horas para que atinjam o estado de equilíbrio no plasma. No gráfico a seguir, ilustramos como cada insulina se comporta do ponto de vista farmacocinético. Na tabela em sequência, sumarizamos esses dados de maneira objetiva, com os nomes comerciais de cada formulação. IMAGEM 2. Perfil farmacocinético das insulinas e análogos de insulina. TABELA 4 Perfil farmacocinético das insulinas e análogos de insulina INSULINA INÍCIO DE AÇÃO PICO DE AÇÃO DURAÇÃO DO EFEITO TERAPÊUTICO Ação longa Glargina U100 (Lantus®, Basaglar®) 2-4 h Ausente 20-24 h Detemir (Levemir®) 1-3 h 6-8 h 18-22 h Ação ultralonga Glargina U300 (Toujeo®) 6 h Ausente 36 h Degludeca (Tresiba®) 4 h Ausente 42 h Faster aspart m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 9 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Ação intermediária Insulina NPH 2-4 h 4-10 h 10-18 h Ação rápida Insulina regular 30 min-1 h 2-3 h 5-8 h Ação ultrarrápida Lispro (Humalog®) Aspart (Novorapid®) Glulisina (Apidra®) 5-15 min 30 min-2 h 3-5 h Faster aspart (FIASP®) 2,5 min 1-3 h 5 h Insulina inalável tecnosfera (Afrezza®) Imediato 10-20 min 1-2 h Adaptado de: Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Posicionamento oficial SBD nº 01/2020. Conduta terapêutica no diabetes tipo 1: algoritmo SBD 2020. Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Posicionamento oficial SBD nº 02/2020. Tratamento da hiperglicemia no diabetes tipo 2. CAPÍTULO 3.0 INSULINOTERAPIA NO DIABETES MELLITUS TIPO 2 3.1 A PRIMEIRA DECISÃO A SER TOMADA A primeira questão acerca do tratamento farmacológico do DM2 é sabermos se o paciente tem indicação de insulinoterapia imediata ou se podemos começar o tratamento pelos antidiabéticos não insulínicos (antidiabéticos orais e/ou agonistas do receptor do GLP-1). A insulina deve ser considerada sempre que o paciente com DM2 apresentar sinais de catabolismo, clínica de hiperglicemia descompensada ou glicemias muito elevadas. Em situações como essas, o estado de glicotoxicidade já instalado prejudica ainda mais a função das células betapancreáticas e a ação periférica da insulina. Ou seja, ainda que o paciente com DM2 tenha função pancreática residual, em estados de m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 10 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia ESCLARECENDO! hiperglicemia importante, os antidiabéticos não insulínicos são insuficientes para contornar os efeitos deletérios da glicotoxicidade. Uma vez que o controle glicêmico é alcançado, podemos tentar suspender a insulinoterapia e manter o paciente apenas com antidiabéticos não insulínicos. Outra situação em que devemos iniciar a insulinoterapia no DM2 é quando os antidiabéticos não insulínicos, em associação tripla ou quádrupla, falham em alcançar o controle glicêmico. Quando devemos introduzir a insulinoterapia no DM2? Em qualquer tempo, na vigência de um dos seguintes requisitos: • sinais de catabolismo (perda de peso, cetose e hipertrigliceridemia); • sinais e sintomas de hiperglicemia descompensada (poliúria, polidipsia, noctúria e perda de peso); • glicemias muito elevadas: ◦ glicemia plasmática ≥ 300 mg/dL ou HbA1c ≥ 10% (segundo a ADA*); ◦ HbA1c ≥ 9% (segundo a SBD**). Como terceiro antidiabético: • pacientes com doenças cardiovasculares; • pacientes com doença renal crônica; • pacientes de baixo poder aquisitivo. Como quarto antidiabético: • pacientes com risco de hipoglicemia; • pacientes com sobrepeso/obesidade. *American Diabetes Association **Sociedade Brasileira de Diabetes. A insulina é a terapia antidiabética mais associada à hipoglicemia e ao ganho de peso, por isso é a 4ª linha de tratamento para os pacientes com sobrepeso/ obesidade ou risco elevado de hipoglicemia. É a 3ª linha de tratamento nos pacientes com doenças cardiovasculares e renais, porque esses grupos se beneficiam de maneira especial de alguns antidiabéticos orais e injetáveis (nomeadamente, os inibidores do SGLT2 e os agonistas do receptor do GLP-1). Constitui-se como uma opção mais precoce nos pacientes com baixo poder aquisitivo, porque os preços dos novos antidiabéticos ainda são um fator limitante à sua aquisição. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 11 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia INDO MAIS FUNDO! 3.2 PASSO 1: ESQUEMA BASAL O paciente com DM2 tem uma deficiência insulínica relativa, ou seja, ainda tem alguma reserva pancreática ao diagnóstico; portanto, geralmente a insulinização é iniciada com uma insulina basal, ao deitar-se. O fenômeno do “alvorecer” (ou aurora) trata-se da tendência natural do organismo a apresentar glicemias mais elevadas ao acordar. Isso resulta do aumento da secreção de hormônio do crescimento (GH) durante o sono (o que aumenta a resistência insulínica) e do pico de cortisol por volta das 8 horas da manhã (o que estimula a gliconeogênese hepática). É justamente esse fenômeno que justifica o fato de iniciarmos a insulinoterapia pela aplicação de uma dose de insulina basal na hora em que o paciente vai deitar (esquema bedtime). Vamos conhecer esse passo a passo de maneira intuitiva e ilustrada a partir de agora: Passo 1 Esquema basal inicial ou bed time • Introduzir insulina basal: ◦ NPH ao deitar-se (geralmente, às 22 horas). OU ◦ Análogos de ação longa ou ultralonga (podem ser aplicados em qualquer horário do dia). • Dose inicial sugerida: ◦ 10 unidades internacionais (UI) ou 0,1-0,2 UI/kg. • Titulação: ◦ Pela glicemia de jejum. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 12 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia IMAGEM 3. Esquema bed time com insulina NPH. IMAGEM 4. Esquema basal inicial com análogo de insulina de ação longa ou ultralonga. Independentemente de prescrevermos análogos de insulina ou NPH, poderemos reavaliar a dose de insulina a cada 2-3 dias, tendo como parâmetros as glicemias pré-prandiais (principalmente a glicemia de jejum). Com a evolução da doença, pode ser necessário aumentar gradativamente a insulina basal. Entretanto, tenha em mente que um paciente que necessite de 30-40 UI noturnas de insulina NPH para se manter euglicêmico provavelmente se beneficiará da introdução de uma segunda aplicação da insulina. Ou seja, em vez de prescrevermos 38 UI de insulina NPH às 22 horas, seria mais prudente dividir essa dose em duas aplicações: a primeira dose em jejum e a segunda dose ao deitar-se. A proporção de cada dose dependerá do comportamento glicêmico do paciente, mas, inicialmente, pode-se optar por uma proporção de 50% e 50% ou 70% e 30%. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 13 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Tratando-se de insulinoterapia, as “receitas de bolo” servem apenas para o pontapé inicial do tratamento, pois o manejo dependerá essencialmente da resposta do paciente à medicação. Classicamente, em doses plenas, a NPH costuma ser ofertada em duas aplicações (antes do café da manhã e ao deitar-se). Sua ação pode perdurar de 10 a 18 horas, ou seja, se o efeito de cada dose durar apenas 10 horas, o paciente ficará sem cobertura basal durante 4 horas do dia. Portanto, o esquema em três aplicações é considerado mais adequado e semelhante à secreção pancreática basal de insulina. IMAGEM 5. Esquema basal ampliado com insulina NPH em duas doses. IMAGEM 6. Esquema basal ampliado com insulina NPH em três doses. ESCLARECENDO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 14 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia FIQUE ATENTO! Em suma, os horários de aplicação da insulina NPH dependerão da quantidade de vezes que a insulina será aplicada: Esquema com 1 dose de insulina NPH • Ao deitar-se Esquema com 2 doses de insulina NPH • Antes do café da manhã • Ao deitar-se Esquema com 3 doses de insulina NPH • Antes do café da manhã • Antes do almoço • Ao deitar-se Se houver evolução para a necessidade de duas aplicações de NPH ou doses elevadas de análogo de insulina basal, devemos reavaliar os antidiabéticos utilizados pelo paciente. Uma vez que esse requerimento de insulina denota baixa reserva pancreática, os secretagogos de insulina (sulfonilureias e glinidas) perdem eficácia como terapêutica antidiabética. Ou seja: não adianta “chicotear” um pâncreas exaurido. 3.3 PASSO 2: ESQUEMA BASAL-PLUS Caso o paciente se apresente com as glicemias pré-prandiais normais, mas evolua com hiperglicemia pós- prandial, é hora de avançarmos para o segundo passo: a introdução de insulina prandial. Passo 2 Esquema basal-plus • Introduzir insulina prandial antes da refeição mais copiosa do dia ou daquela após a qual a glicemia esteja fora da meta glicêmica. • Dose inicial sugerida: ◦ 4 U/dia ou 10% da dose basal. • Titulação da insulina prandial: ◦ Pela glicemia observada 2 horas após a refeição em que a insulina foi aplicada. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 15 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia IMAGEM 7. Esquema basal-plus. Com o evoluir da doença, pode ser necessário introduzir mais uma aplicação de insulina prandial, ou seja, uma ampliação do esquema basal-plus. IMAGEM 8. Ampliação do esquema basal-plus. 3.4 PASSO 3: ESQUEMA BASAL-BÓLUS Quando, para manter a euglicemia, precisarmos prescrever insulina basal em dose plena e insulina prandial antes das três refeições principais, dizemos que o paciente está em uso do esquema basal-bólus (ou insulinização plena). Seria o último passo no processo de insulinização: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 16 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Passo 3 Esquema basal-bólus ou insulinização plena • Insulina basal em dose plena (suficiente para cobrir as 24 horas do dia) associada à insulina prandial antes das três refeições principais. • Atentar-se para a quantidade de aplicações de cada tipo de insulina basal: ◦ NPH: 2-3 vezes ao dia; ◦ Detemir: 1-2 vezes ao dia*; ◦ Demais insulinas basais: 1 vez ao dia. *A detemir é o único análogo basal cujo efeito dura menos de 24 horas. IMAGEM 9. Esquema basal-bólus com insulina NPH em duas doses. IMAGEM 10. Esquema basal-bólus com insulina NPH em três doses. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 17 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia HORA DE PRATICAR! IMAGEM 11. Esquema basal-bólus com análogo de insulina. Por fim, internalize as duas regras de ouro do ajuste insulínico: 1. Ajustamos a dose de insulina basal de acordo com as glicemias pré-prandiais. 2. Ajustamos a dose de insulina prandial de acordo com as glicemias pós-prandiais comparadas ao valor prévio à refeição. Ou seja… Para ajustar a insulina basal Para ajustar a insulina prandial Olhe as glicemias pré-prandiais dos horários cobertos pela insulina basal. Olhe a glicemia pós-prandial e compare-a com a glicemia pré-prandial. Agora, vamos fazer um exercício para sedimentar os conceitos expostos até aqui. Paciente de 65 anos, portador de DM2, faz uso de metformina em dose plena e esquema basal-bólus com insulina NPH em jejum (20 UI) e ao deitar-se (10 UI), além de insulina regular antes das três refeições principais nas seguintes dosagens: 4/6/4 UI. Traz para a consulta de retorno o seguinte registro de hemoglicotestes (HGTs): m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 18 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Jejum 2 horas após café Pré-almoço 2 horas após almoço Pré-jantar 2 horas após jantar 223 mg/dL 204 mg/dL 146 mg/dL 257 mg/dL 142 mg/dL 227 mg/dL Primeira pergunta: Quais são as metas de HGT para esse paciente? Alvos mais ou menos rigorosos podem ser considerados a depender do paciente em questão. As metas devem ser individualizadas com base na duração do DM, na idade, na expectativa de vida, nas Metas de controle glicêmico ADA* SBD** Glicemia pré-prandial (mg/dL) 80-130acima da meta, devemos aumentar a insulina em todos os horários, correto? Nem sempre! Mesmo em mapas glicêmicos completamente desregulados, muitas vezes o ajuste a ser feito deve ser pontual, pelo simples fato de que a hiperglicemia pode ser cumulativa, ou seja, o fato de a insulina em determinado horário ser insuficiente pode prejudicar o controle glicêmico subsequente. Mas voltemos ao caso para analisar cada horário separadamente: comorbidades, na presença de complicações crônicas e no risco de hipoglicemia oculta. Entretanto, de maneira geral, perseguimos as seguintes metas terapêuticas no tratamento do DM: m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 19 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Horário HGT Análise Jejum 223 mg/dL Insulina determinante desse HGT: • NPH noturna. Conduta: • Aumentar a dose de insulina NPH noturna. 2h após café 204 mg/dL Insulina determinante desse HGT: • Insulina prandial do café da manhã. Conduta: • Apesar desse HGT estar acima da meta, repare que é menor que a glicemia pré-prandial, ou seja, a insulina pré-prandial do café foi suficiente para metabolizar a incursão glicêmica do café da manhã. O paciente encontra- se hiperglicêmico nesse horário porque já se encontrava hiperglicêmico antes da refeição. Portanto, o simples aumento da NPH noturna já deve ser suficiente para normalizar a glicemia de jejum e a glicemia pós-prandial do café, ou seja, a insulina prandial do café está em dose adequada. Pré-almoço 146 mg/dL Insulina determinante desse HGT: • Insulina NPH da manhã. Conduta: • Essa glicemia reflete principalmente a adequação da NPH, mas trata- se de um desvio pequeno em relação à meta e é possível que a melhora da glicemia de jejum (pelo aumento da NPH noturna) também tenha um efeito positivo nesse horário. Portanto, insulina NPH da manhã mantida (por ora). 2h após almoço 257 mg/dL Insulina determinante desse HGT: • Insulina prandial do almoço. Conduta: • Repare que houve um incremento importante da glicemia após a refeição. Logo, a insulina prandial do almoço precisa ser aumentada com toda a certeza. Pré-jantar 142 mg/dL Insulina determinante desse HGT: • NPH da manhã. Conduta: • Muito embora essa glicemia esteja sob influência direta da NPH matinal, é possível que o aumento da insulina prandial do almoço seja suficiente para compensar a glicemia pré-jantar. Portanto, no momento, não é mandatório aumentarmos a insulina NPH da manhã. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 20 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia 2h após jantar 227 mg/dL Insulina determinante desse HGT: • Prandial do jantar. Conduta: • A insulina prandial do jantar foi insuficiente para compensar a incursão glicêmica dessa refeição, portanto faz-se necessário aumentar a dose de insulina prandial do jantar. Geralmente, quando aumentamos ou diminuímos a dose de insulina, fazemos isso de 2 em 2 UI e podemos reavaliar a eficácia de nossas modificações a cada 2-3 dias (em estados hiperglicêmicos mais pronunciados, o ajuste poderá ser mais proeminente e frequente). Para finalizarmos esse tópico, quero que você imagine a seguinte situação: Um paciente diabético de 54 anos comparece à consulta de retorno em uso de metformina 500 mg de 8/8 horas, insulina NPH (22 UI em jejum e 14 UI antes do jantar) e insulina regular (06 UI antes do café da manhã, almoço e jantar). Trazia consigo o registro glicêmico a seguir. Horário Variabilidade glicêmica (mg/dL) Jejum 184-232 Pós-café 147-158 Pré-almoço 89-95 Pós-almoço 134-149 Pré-jantar 91-99 Pós-jantar 118-125 Ao deitar-se 91-98 Ou seja, nosso paciente encontra-se com a glicemia de jejum elevada, apesar de estar indo dormir euglicêmico. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 21 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia INDO MAIS FUNDO! Enquanto você já se preparava para informar ao paciente que, em razão da hiperglicemia de jejum, você pretende aumentar a NPH noturna, ele diz: “Tenho acordado durante a madrugada com mal-estar, batedeira no peito e suor frio.” O que essa fala pode representar? Ela mudaria sua conduta? Bem, se aparecer uma questão de prova com esse script, não tenha dúvidas, a banca quer induzi-lo(a) a pensar no “efeito Somogyi”. Efeito (ou fenômeno) Somogyi A hipoglicemia apresentada durante a madrugada resulta na liberação de hormônios contrarreguladores, os quais estimulam os processos de gliconeogênese e glicogenólise. Como resultado, o paciente evolui com hiperglicemia ao amanhecer. Voltando ao caso, nosso paciente tem um importante fator de risco para o desenvolvimento de hipoglicemia durante a madrugada: a aplicação de insulina prandial + insulina NPH antes do jantar. Tal prática aumenta as chances de ocorrerem picos somados de ação insulínica durante o final da noite e a madrugada, entretanto é prescrita por uma questão de comodidade do paciente, pois permite que, em uma única “picada”, ele receba as duas insulinas. Portanto, a conduta diante da suspeita do efeito Somogyi é solicitar que o paciente realize o HGT às 3 horas da madrugada. Confirmando-se essa possibilidade, precisamos neutralizar os dois fatores que podem colaborar para o surgimento desse efeito, ou seja, transferir a aplicação da insulina NPH do jantar para o horário em que o paciente for se deitar e avaliar se há a necessidade de reduzir a dose de insulina basal noturna. Em termos ilustrativos, devemos realizar a seguinte alteração: Em alguns casos, além da alteração de horário, pode ser necessário reduzir a dose de insulina basal noturna. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 22 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia CAI NA PROVA (REVALIDA NACIONAL – INEP – 2014) Um paciente com 56 anos de idade, com antecedentes de obesidade desde a adolescência e hipertensão arterial sistêmica há cerca de 15 anos, em uso de enalapril – 10 mg duas vezes ao dia, procurou ambulatório de clínica médica com queixas de poliúria e polidipsia iniciadas há cerca de três meses. Ele refere que perdeu cerca de 9 kg nesse período, sem alterações na dieta habitual. Nega também doenças cardíacas, renais ou hepáticas. O paciente é sedentário e trouxe exame da semana anterior que mostra glicemia de jejum de 346 mg/dL (valor de referência = 75-99 mg/dL) e uma outra glicemia de jejum, do dia anterior à consulta, de 334 mg/dL. A glicemia capilar no momento da consulta foi de 441 mg/dL. Ao exame físico, paciente encontra-se em estado geral regular, eupneico, desidratado (+/4+) e corado. Observa-se acantose nigricans cervical, índice de massa corporal (IMC) = 28,7 kg/m², circunferência abdominal = 105 cm, pressão arterial 130 x 70 mmHg sentado e de pé. Auscultas cardíaca e pulmonar normais. Além da orientação dietética e da prática de atividade física, a conduta a ser adotada, neste momento, com posterior reavaliação, deve ser: A) Tratamento sem medicamentos por enquanto. B) Metformina – 500 mg 2 vezes ao dia. C) Glibenclamida – 5 mg 2 vezes ao dia. D) Insulina NPH – 10 U ao deitar. COMENTÁRIO: O enunciado traz o caso clínico de um paciente com DM2 e apresentação clínica e laboratorial de hiperglicemia descompensada. Diante dessa situação, o tratamento de primeira linha é a prescrição de insulinoterapia, que, geralmente, é iniciada pelo esquema bed time. Gabarito: alternativa D. (REVALIDA NACIONAL – INEP – 2012) Uma mulher de 64 anos de idade, obesa, diabética dotipo II há 10 anos, faz uso de metformina em dose alta (2 g/dia), sem obter controle glicêmico adequado. Em consulta ambulatorial de controle, realizada há dez dias, apresentava: peso = 70 kg; glicemia de jejum = 197 mg/dL (valor de referência: 99 mg/ dL); hemoglobina glicada = 7,9% (valor de referência: 4 a 6,4% Hb); microalbuminúria. Naquela ocasião, foi negociada com a paciente a suspensão da metformina e o início de insulina NPH - 14 UI antes do café da manhã e 7 UI antes do jantar. Retornando à consulta hoje, a paciente traz controles de glicemias capilares > 200 mg/dL em cada três de quatro dosagens diárias, realizadas durante uma semana. Qual a conduta mais adequada em relação às doses de insulina? A) Trocar a insulina NPH por insulina lispro antes do café da manhã. B) Trocar a insulina NPH por insulina glargina antes do café da manhã. C) Acrescentar insulina regular antes das refeições e meia dose às 22h. D) Aumentar a dose da insulina NPH da manhã e acrescentar dose extra às 22h. E) Aumentar as doses da insulina NPH antes do café da manhã e antes do jantar. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 23 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia COMENTÁRIO: Perceba que as glicemias trazidas pela paciente encontram-se fora das metas terapêuticas em 75% das dosagens. Apesar de o examinador não deixar claro em que horários essas hiperglicemias aconteceram, devemos supor que ocorreram antes das refeições, uma vez que a aferição das glicemias pós-prandiais só costuma ser realizada em pacientes que utilizam insulina prandial. Incorreta a alternativa A: não devemos ofertar insulina prandial antes de compensarmos as glicemias pré-prandiais por meio do ajuste nas doses de NPH. Além disso, quando o paciente diabético recebe a indicação de insulina prandial, esta deverá somar-se ao esquema basal, e não o substituir. Incorreta a alternativa B: estamos diante de uma necessidade de incremento de dose da insulina basal. Ou seja, não adianta trocarmos a insulina sem aumentar a sua oferta em termos quantitativos. Incorreta a alternativa C: não devemos ofertar insulina prandial antes de compensarmos as glicemias pré-prandiais por meio do ajuste nas doses de NPH. Além disso, a insulina prandial somente deve ser aplicada antes das três refeições principais. Incorreta a alternativa D: Em doses plenas, a insulina NPH costuma ser aplicada através de dois esquemas distintos: • esquema de 2 doses (antes do café da manhã e ao deitar-se). • esquema de 3 doses (antes do café da manhã, antes do almoço e ao deitar-se). Ou seja, pode ser uma opção ofertar a dose noturna ao deitar-se (em vez de aplicá-la ao jantar), mas jamais ofertamos duas aplicações noturnas de NPH. Correta a alternativa E: uma vez que as glicemias prandiais estão elevadas ao longo das 24 horas do dia, devemos aumentar a oferta de insulina basal nos dois horários em que ela é aplicada. Gabarito: alternativa E. (REVALIDA NACIONAL – UFMT – 2006) Mulher, diabética, usuária de insulina NPH humana antes do café da manhã e às 23h, apresenta, há uma semana, episódios de sudorese de madrugada, cefaléia e palpitação. Considere as seguintes afirmações, tendo como referência o caso apresentado. I. Trata-se de episódios de hiperglicemia. Recomenda-se ajustar as doses de insulina. II. Trata-se de episódios de hipoglicemia. Recomenda- se reduzir a dose noturna de insulina. III. Trata-se de efeito Somogyi. Quais estão corretas? A) Apenas I. B) Apenas II. C) Apenas III. D) Apenas II e III. E) Apenas I e III. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 24 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia CAPÍTULO 4.0 INSULINOTERAPIA NO DIABETES MELLITUS TIPO 1 4.1 PRINCÍPIOS GERAIS Em um paciente com DM1, ou seja, com deficiência absoluta de insulina, devemos ofertar o esquema basal-bólus (insulinização em doses plenas). Entretanto, antes de partirmos para as devidas explicações sobre a insulinização plena, convém que você entenda um fenômeno conhecido como “período de lua de mel”. O período de lua de mel acontece na fase inicial do diagnóstico do DM1. Caracteriza-se por uma redução no requerimento de insulina para o alcance das metas terapêuticas. Essa fase, também chamada de remissão parcial, acontece em razão de uma produção residual de insulina pelo pâncreas; entretanto, dura poucos meses e ocorrerá evolução inexorável para o estado de insuficiência insulínica absoluta. Para ilustrar esse conceito, imagine uma situação hipotética: um escolar de 8 anos, previamente hígido, dá entrada em um serviço de emergência pediátrica com sinais clínicos de hiperglicemia e catabolismo; os exames laboratoriais atestam o diagnóstico de DM. Indica-se, portanto, o tratamento insulínico intensivo. Após a alta e seguindo corretamente a prescrição de insulina em domicílio, o escolar evolui com hipoglicemias persistentes. O que explicaria essa sucessão de fatos? Sabemos que, muitas vezes, os pacientes recebem o diagnóstico de DM1 no pronto-socorro durante um estado de hiperglicemia aguda. Como já explicamos previamente, a glicose elevada é tóxica à função das células betapancreáticas e reduz a sensibilidade periférica à ação da insulina. Ou seja, mesmo que o pâncreas ainda tenha alguma função residual, a secreção de insulina e a ação periférica do hormônio estarão prejudicadas. Com a normalização dos níveis glicêmicos e o COMENTÁRIO: A hipoglicemia pode causar sintomas neurogênicos (autonômicos) e neuroglicopênicos. Os sintomas neurogênicos podem ser mediados pelas catecolaminas (tremores, palpitações, ansiedade e excitação) ou pela acetilcolina (sudorese, fome e parestesia). Já os sintomas neuroglicopênicos decorrem do efeito da escassez de glicose na homeostase das funções neurológicas: cefaleia, tontura, fraqueza, sonolência, delírio, confusão, convulsão e coma. Portanto, é perceptível que nossa paciente está evoluindo com episódios hipoglicêmicos durante a madrugada. Para resolvermos o problema, devemos reduzir a dose de NPH noturna. Entretanto, não podemos afirmar que ocorreu efeito Somogyi, pois o enunciado não relatou hiperglicemia matinal. Gabarito: alternativa B. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 25 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia controle do estresse oxidativo, haverá um incremento transitório da função pancreática e da sensibilidade insulínica, o que pode levar a episódios de hipoglicemia nos primeiros meses de tratamento do DM1. Dessa forma, você poderá encontrar um paciente com diagnóstico recente de DM1 que não esteja em uso de esquema basal-bólus, mas tenha em mente que se trata de uma situação transitória. No DM1 estabelecido, temos duas opções de esquema terapêutico: • Esquema basal-bólus com insulina NPH ◦ Insulina NPH em 2-3 doses ao dia. ◦ Insulina prandial antes das três refeições principais. • Esquema basal-bólus com análogo de insulina como insulina basal ◦ Análogo de insulina basal 1-2 vezes ao dia. ◦ Insulina prandial antes das três refeições principais. 4.2 PRESCREVENDO INSULINA PARA O PACIENTE COM DIABETES MELLITUS TIPO 1 Em geral, pacientes recém-diagnosticados requerem uma dose diária total inicial de insulina, que varia de 0,5 a 1 UI/kg, conforme o contexto clínico apresentado. Crianças pré-púberes geralmente requerem doses mais baixas e doses mais altas podem ser necessárias na puberdade, em quadros de cetoacidose diabética ou em pacientes em uso de medicações hiperglicemiantes (glicocorticoides, por exemplo). Uma vez calculada a dose total de insulina, devemos ter em mente que40 a 50% desse valor deverá ser ofertado na forma de insulina basal; o restante será dividido entre as três aplicações pré-prandiais. Caso o paciente faça uso de NPH, uma opção é dividir a dose total de NPH em duas aplicações: • 2/3 antes do café da manhã; • 1/3 ao deitar-se. Outra estratégia possível é dividir a dose total de NPH em 3 aplicações com doses iguais. Vamos a um exemplo para fixar a teoria. • Em um paciente de 30 kg, a dose diária total pode variar de 15 a 30 UI/dia. • Digamos que se trata de um paciente asmático em uso de corticoides orais, ou seja, um paciente propenso ao desenvolvimento de hiperglicemia. • Optamos pela dose diária total de 30 UI. Como dividir essa quantidade ao longo do dia? ◦ 50% de insulina basal (vide tabela a seguir); ◦ 50% de insulina prandial (vide tabela a seguir). ESCLARECENDO! m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ 26 Prof. Maria Tereza Guerra | Endocrinologia | Janeiro 2022 Diabetes Mellitus: Insulinoterapia Em uso de NPH como insulina basal Em uso de análogo de insulina como insulina basal NPH1 • 10 UI antes do café da manhã • 5 UI ao deitar-se Regular ou análogos ultrarrápidos • 5 UI antes do café da manhã • 5 UI antes do almoço • 5 UI antes do jantar Análogo de ação longa ou ultralonga • 15 UI ao deitar-se ou antes do café da manhã Regular ou análogos ultrarrápidos • 5 UI antes do café da manhã • 5 UI antes do almoço • 5 UI antes do jantar 1 Uma segunda opção seria ofertar três aplicações de 5 UI de NPH. CAI NA PROVA (REVALIDA NACIONAL – INEP - 2017) Um homem com 18 anos de idade procura a Unidade Básica de Saúde com queixas de indisposição, poliúria, polidipsia e perda ponderal de 5 kg nos últimos 4 meses. Realizou teste de glicemia de jejum no dia anterior, cujo resultado foi de 382 mg/dL. O paciente relata que não há história de diabetes melito na família. Ao exame físico, constata-se índice de massa corporal = 20,9 kg/m², circunferência abdominal 90 cm, pressão arterial = 123 x 82 mmHg; não se observa acantose nigricans. O resultado do exame clínico dos aparelhos circulatório e respiratório do paciente é normal. Diante desse quadro, o médico introduziu insulinas NPH e regular de imediato e encaminhou o paciente ao endocrinologista para seguimento. Nessa situação, a orientação médica adequada a esse paciente e seus familiares é A) a introdução de dieta hipocalórica, para perda de 5 a 10% do peso e redução mais rápida da glicemia. B) a suspensão da dieta e da insulina em casos de síndromes febris ou diarreia, para diminuir riscos de hipoglicemia. C) a suspensão da insulina NPH quando a glicemia de jejum for menos que 100 mg/dL, devido ao risco de hipoglicemia. D) o adiamento do início de atividade física, pois existe o risco de o paciente desenvolver cetoacidose glicêmica nesse momento. COMENTÁRIO: Pela conjunção das informações a seguir, concluímos que o enunciado nos traz um caso de DM1: • 18 anos de idade; • peso normal (IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m2); • circunferência abdominalpupilas simétricas e fotorreagentes, sem rigidez nucal; temperatura axilar = 36,4 ºC; pressão arterial = 90 x 50 mmHg; frequência cardíaca = 116 bpm; frequência respiratória = 24 irpm e glicemia capilar = HI (high, elevada). Aparelhos cardiovascular e respiratório sem anormalidades ao exame físico. Havia dor à palpação difusa do abdome, sem massas, visceromegalias ou sinais de irritação peritoneal. Ruídos hidroaéreos presentes. Foi prescrita solução salina a 0,9% - 1.000 mL e, após 1 hora de atendimento, verificou-se: glicemia capilar = 584 mg/dL; pressão arterial = 110 x 65 mmHg; glicemia = 566 mg/dL (VR = 70 - 99); gasometria venosa: pH = 6,9; HCO3-= 8 mEq/L (Vr = 22-25); K+= 2,9 mEq/L (VR = 3,5-5,0); Cl-= 115 mEq/L; ânion gap = 27; Na+= 150 mEq/L (VR = 135-145mEq/L ); ureia = 35 mg/dL (Vrtherapy in diabetes mellitus. UpToDate (2021). 3. Ruth S. Weinstock. Management of blood glucose in adults with type 1 diabetes mellitus. UpToDate (2021). 4. Linda M. Delahanty. Nutritional considerations in type 1 diabetes mellitus. UpToDate (2021). 5. Deborah J. Wexler. Insulin therapy in type 2 diabetes mellitus. UpToDate (2021). ARTIGOS ORIGINAIS: 1. Polonsky, K.S.; Given, B.D.; Van Cauter, E. Twenty-four-hour profiles and pulsatile patterns of insulin secretion in normal and obese subjects. J Clin Invest 81:442–448, 1988. CAPÍTULO 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS Prezado(a) colega, Insulinoterapia acaba sendo um tema bastante técnico e protocolar, mas, para nossa alegria, é também um assunto bastante lógico. Com os conceitos-chave na cabeça, você conseguirá resolver todas as questões com confiança e tranquilidade. Treine bastante em nosso sistema de questões para ancorar todos os conceitos aprendidos. Se porventura surgir alguma dúvida, estarei a postos no fórum para dirimi-la. Foi uma satisfação estar com você em mais uma jornada de aprendizado e evolução. Cordialmente, Professora Maria Tereza Guerra. m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ m e d v i d e o s . c o m Có pi a nã o é ro ub o ♥ APRESENTAÇÃO DA AULA 1.0 INTRODUÇÃO 2.0 FARMACOCINÉTICA DAS INSULINAS 3.0 INSULINOTERAPIA NO DIABETES MELLITUS TIPO 2 3.1 A PRIMEIRA DECISÃO A SER TOMADA 3.2 PASSO 1: ESQUEMA BASAL 3.3 PASSO 2: ESQUEMA BASAL-PLUS 3.4 PASSO 3: ESQUEMA BASAL-BÓLUS 4.0 INSULINOTERAPIA NO DIABETES MELLITUS TIPO 1 4.1 PRINCÍPIOS GERAIS 4.2 PRESCREVENDO INSULINA PARA O PACIENTE COM DIABETES MELLITUS TIPO 1 5.0 Lista de questões 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS