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DE 
DEFESA
Ana Júlia Miranda, Olívia Kumaira, Lara Dantas, Marcos
Gabriel, Rebeca Prates, Sâmia Ganem, Sarah Müller 
Mecanismos
O termo defesa surge pela primeira vez em 1894, no estudo de Freud “As
Neuropsicoses de Defesa”, sendo discutido neste e em muitos outros de seus
estudo subsequentes, descrevendo a luta do ego contra ideias ou afetos dolorosos
ou insuportáveis. 
A palavra defesa foi abandona para mais tarde ser substituída por “recalcamento”,
porém posteriormente revogada, para novamente considerarmos defesa como
título. O motivo de tal reversão para o antigo conceito se da por Freud acreditar
ser vantajoso utiliza-lo de novo “desde que o empreguemos explicitamente como
uma designação geral para todas as técnicas de que o ego se serve em conflitos que
possam redundar em neurose, ao passo que retemos a palavra ‘recalcamento’ para
aquele método especial de defesa com que a linha de orientação assumida pelas
nossas investigações nos tornou mais familiarizados, em primeira instância” 
(Sigmund Freud, 1926, pg 37)
Os mecanismos de defesa
 Com a consideração de “recalcamento” reduzida a “um método especial de defesa”, é sugerida
uma investigação dos outros modos específicos de defesa. 
 Desse modo, é possível enumerar os métodos defensivos do ego, os quais são muito conhecidos
na pratica e intensamente descritos nos trabalhos teóricos de psicanálise: 
 Atualmente, temos estes métodos diferentes de defesa a nossa disposição. Alguns destes servem
para dominar grandes quantidade de pulsão ou afeto, enquanto outras apenas quantidades
menores, porém, a escolha do ego por determinados mecanismos de defesa se mantém duvidosa.
Assim, talvez seja mais vantajoso abandonarmos as tentativas de classificá-los, para que
possamos, ao invés disso, estudar em detalhe as situações que provocam as reações defensivas.
Recalque 
Regressão 
Negação
Formação reativa
Projeção 
Introjeção
Anulação 
Isolamento 
Sublimação ou deslocamento 
PROCESSOS DEFENSIVOS COM A
ORIGEM DA ANGÚSTIA E DO MEDO
 
Os perigos pulsionais contra os quais o ego se defende são sempre os mesmos, mas suas
razões para sentir que determinada irrupção de pulsão é perigosa podem variar. 
 
Motivos para a defesa contra as pulsões: 
O primeiro motivo para o qual o ego se defende da pulsão seria a “angústia de superego
nas neuroses de adultos”. Neste caso, o desejo pulsional tentar entrar na consciência e,
com a ajuda do ego, obter gratificações. Porém, mesmo com o ego não se opondo a tal
ato, o superego protesta, acarretando assim uma luta do ego com tal pulsão. Portanto,
vemos que o conflito não está imposto por motivos do ego considerar a pulsão perigosa,
e sim o superego proibir a gratificação dela, travando assim um conflito do ego com a
pulsão mesmo o motivo de instiga não sendo propriamente do ego. “Logo, o ego do
neurótico adulto teme as pulsões porque teme o seu superego. Sua defesa é motivada
pela angústia do superego. Enquanto a nossa atenção se confinar à defesa contra a
pulsão, estabelecida pelos neuróticos adultos, consideraremos o superego uma força
temível. Entendemos que ele é o autor de todas as neuroses, É o fomentador de
discórdias, o ‘mexeriqueiro’ que impede o ego de entrar em entendimentos amistosos
com as pulsões.” (Anna Freud, pg 45)
 
Em seguida, o segundo motivo para o qual o ego se defende da pulsão é a “angustia
objetiva na neurose infantil”. Agora, vemos que o estudo da defesa na neurose infantil
não é, de todo, um fator indispensável na formação das neuroses. A fim de não
transgredir as proibições impostas pelos pais, as crianças tratam suas moções
pulsionais da mesma maneira que os adultos, não entrando em conflito com seu
superego. Então, o ego de uma criança nao combate as pulsões por vontade própria,
assim como de uma culto, “Considera as pulsões perigosas, porque aqueles que criam e
educam a criança lhe proibiram a gratificação das mesmas e uma irrupção pulsional
acarreta restrições e a aplicação ou a ameaça de castigos. A angústia de castração
produz nas crianças o mesmo resultado que a angústia da consciência provoca nos
neuróticos adultos. O ego infantil teme as pulsões porque teme o mundo exterior. Sua
defesa contra elas é motivada pelo medo do mundo exterior, isto é, pela angústia
objetiva.” (Anna Freud, pg 47)
Um terceiro motivo da defesa contra as pulsões seria a “angustia pulsional (medo da
força das pulsões)”. Normalmente, a desconfiança do ego em relação às demandas
pulsionais está presente, mas é pouco perceptível. Isso ocorre porque o ego está ocupado
com seu domínio sobre as tensões entre o superego e o mundo externo, em oposição aos
impulsos do id. No entanto, se o ego se sentir abandonado por essas forças superiores e
protetoras, ou se as demandas pulsionais se tornarem excessivas, sua hostilidade em
relação às pulsões pode mudar e intensificar-se até o ponto de causar angústia. Tendo
então, sobre o ego, o papel desafiador em equilibrar as demandas impulsivas do id e as
restrições impostas pelo superego e pela realidade externa, quando ele se vê
sobrecarregado ou quando suas funções protetoras falham, a angustia se faz presente. 
 
Enfim, alem destes três motivos, há, ainda, aqueles que se originam da necessidade
associação por parte do ego. O ego do individuo adulto requer uma busca por uma
espécie de harmonia entre os impulsos, o que leva a uma série de conflitos. Esses
conflitos surgem de tendências opostas, como a homossexualidade e a
heterossexualidade, a passividade e a atividade, entre outros exemplos. Portanto,
forma como o ego lida com os conflitos entre impulsos opostos varia de acordo com a
pessoa e é influenciada pela quantidade de energia emocional e psíquica que é
direcionada para cada impulso em particular. O resultado pode ser uma repressão de
um impulso em favor do outro, uma aceitação de ambos com um compromisso ou
uma resolução alternativa dessas tensões internas, tais resultados fazem parte dos
mecanismos de defesa. 
Motivos para a defesa contra os afetos: 
As mesmas razões que levam o ego a se defender contra as pulsões também
estão presentes em sua defesa contra os afetos. Sempre que o ego busca se
proteger das motivações pulsionais, ele também é obrigado a rejeitar os afetos
associados a essas pulsões. Não importa a natureza dos afetos em questão, se
são agradáveis, dolorosos ou perigosos para o ego. Para o ego, nunca é
permitido experimentá-los exatamente como são. Se um afeto está ligado a
uma processo pulsional proibido, seu destino já está decidido
antecipadamente. A simples associação desse afeto com a pulsão é suficiente
para que o ego fique em guarda contra ele.
 
Terapia
Psicanalítica
Na analise da terapia psicanalítica, os processos de defesa são invertidos. Portanto, a
passagem dos impulsos ou afetos para a consciência é forçada, passando, então, aqueles
que anteriormente tinham sido repelidos pelos mecanismos de defesa. Assim, é deixado
para o ego e para o superego o encargo de chegarem a um acordo com eles. 
 
 Em casos de defesa contra a pulsão por motivos de angustia do superego e angústia objetiva, o
prognostico para a solução destes conflitos se encontra mais favorável, com o primeiro destes tendo
as melhores perspectivas para o êxito. 
 Quando as medidas defensivas são contra um afeto, é requerido algo a mais, além da analise, para
que obtenhamos resultados permanentes, uma vez que a criança deverá aprender a tolerar grandes
quantidades de “dor” sem recorrer aos seus mecanismos de defesa imediatamente. Assim, este algo
a mais se da por entender-se que, teoricamente, cabe a educação, mais do que a análise, ensinar tal
lição. 
 Os únicos estados patológicos que não respondem bem à análise são aqueles em que o paciente se
defende motivado pelo medo da intensidade de seus impulsos. Nesses casos, há o risco de
removermos as defesas do ego sem estarmos prontos para fornecer imediatamente o suporte
necessário. A luta intensa do ego para evitar ser dominado pelo id é, emessência, uma questão de
equilíbrio quantitativo. O que o ego busca nesse conflito é ser fortalecido. A análise psicanalítica, ao
trazer o conteúdo inconsciente do id para a consciência, pode fornecer esse reforço, o que tem um
efeito terapêutico. No entanto, à medida que a análise revela os processos defensivos do ego e os
torna inoperantes, também enfraquece ainda mais o ego e contribui para o avanço do processo
patológico.
Recalque
Recalque é um termo usado na psicanálise para descrever um processo em que a
mente leva para o inconsciente sentimentos ou experiências que seriam muito
dolorosas ou difíceis de serem aceitas e elaboradas pelo indivíduo. 
 
Se o indivíduo passou por algo traumático ou percebeu algo que seu ego não quer
aceitar, sua mente utiliza o recalque como mecanismo de defesa para "esconder" isso
no inconsciente, sem que o conteúdo latente (recalcado) apareça para o consciente.
 
Esse mecanismo ocorre para evitar o sofrimento no presente e para defender o
indivíduo de situações dolorosas que causam dor. 
Recalque
O recalque pode gerar sintomas neuróticos ou comportamentos que são
considerados problemáticos, porque o conteúdo latente (material
reprimido) continua influenciando a pessoa sem que ela saiba disso
conscientemente. 
 
Dessa forma, o conteúdo que foi reprimido não fica "quieto" lá no
inconsciente. Ele volta à vida da pessoa de uma maneira indireta, através
de associações mentais e físicas, podendo afetar tanto a mente quanto o
corpo. Isso pode se manifestar como fobias, histerias, obsessões e outros
sintomas, mas também pode aparecer em sonhos e atos falhos.
Recalque
Para superar esse mecanismo de defesa, é importante compreender o
material reprimido no inconscientes e elaborar uma interpretação que
faça sentido para o ego do paciente. Assim, ele pode caminhar em
direção a uma condição de cura ou melhora.
 
Normalmente, as pessoas não conseguem perceber a conexão entre seus
comportamentos conscientes e os pensamentos inconscientes. Por isso,
a psicanálise e o psicanalista são tão importantes. Utilizando,
principalmente, o método da associação livre , o psicanalista vai elaborar
hipóteses para entender o sistema psíquico e identificar os sinais do
inconsciente, a partir das informações fornecidas pelo paciente durante
a análise clínica.
 
Negação
Na psicanálise, quando a realidade é difícil de se encarar, negar é uma maneira
que o ego tem de se proteger. O indivíduo recusa-se a aceitar a situação real,
pois ela é desagradável e difícil de lidar. A negação é um sinal de que algo que foi
reprimido anteriormente, agora é consciente para o indivíduo, mas não é uma
aceito. 
 
Em seu artigo "A Negação" de 1925, Freud escreveu que a negação é o
reconhecimento do que foi reprimido. Ou seja, quanto mais o sujeito nega uma
situação, mas ele estará inconscientemente se confrontando com o objeto ou o
fato que foi recalcado.
 
Assim, quando confrontado com uma realidade que traz frustração e
descontentamento, o indivíduo usa 
a negação para evitar a dor e se ilude com falsas verdades para escapar do
sofrimento.
Negação
Negação por fantasias: 
 
Neste mecanismo de defesa, o ego recusa-se a tomar conhecimento de certa realidade
desagradável. Primeiro, a ignora, depois a nega, e, em imaginação, inverte os fatos
indesejáveis.
No texto de Anna Freud, “O ego e os mecanismos de defesa”, aparece o relato do menino
Hans, e cita que o fato do menino ter utilizado da negação por meio de suas fantasias
para satisfazer os desejos do ego.
 
“negou a realidade por meio de sua fantasia; transformou-a de modo a ajustar-se às suas próprias
finalidades e satisfazer seus próprios desejos; depois, e só depois, pôde ele aceitá-la.” 
 
Negação por atos e palavras: 
 
A negação por atos e palavras, ocorre da mesma maneira que a por fantasia, porém
ocorre a dramatização e exteriorização do pensamento. Dessa forma, é necessário um
certo grau de compatibilidade com a função de comprovação da realidade. 
 
Regressão
“[...] retorno da libido a anteriores pontos de interrupção de seu
desenvolvimento.”
“[...] parte da libido que havia evoluído para um estágio posterior retorna
para uma fase anterior do desenvolvimento.”
 
Reversão temporária ou a longo prazo do ego para um estágio anterior
de desenvolvimento, na qual se sentia de alguma forma mais seguro, em
vez de lidar com os impulsos inaceitáveis de um modo mais adaptativo.
 
Geralmente, se dá em resposta a situações estressantes.
 
Os comportamentos associados à regressão podem variar muito
dependendo de qual estágio a pessoa está afixada.
 
Fixação (parte da libido estancada nas fases iniciais, pré-genitais) como
um desenvolvimento imperfeito da libido que predispõe para a
regressão.
Formação Reativa
Mecanismo pelo qual a pessoa expressa uma tendência, atitude/modo de se
posicionar e relacionar, oposta ao conteúdo pulsional original.
Traço desenvolvido para manter a repressão desse impulso, negando e mascarando.
Esse determinado conteúdo é percebido como ameaçador e, para proteção, é
desenvolvida essa atitude oposta.
 
Serve para disfarçar para o mundo externo e pro próprio sujeito aquilo que de fato 
ele sente.
Quando um dos instintos produz ansiedade ao exercer pressão sobre o ego – seja
diretamente, seja por meio do superego – o ego pode tentar desviar o impulso
ofensivo concentrando-se em seu oposto.
 
 
https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1311323/ansiedade+normal+e+patologica.htm
Importante pontuar que onde a
formação reativa ocorre, o impulso
original rejeitado não desaparece,
mas persiste no inconsciente, em
sua forma original. 
Assim, onde o amor é
experimentado como uma
formação reativa ao ódio, não se
pode dizer que o amor substitui o
ódio, porque os sentimentos
agressivos originais ainda existem
sob o exterior afetuoso que apenas
mascara o ódio para escondê-lo da
consciência.
Constitui um mecanismo típico 
da neurose obsessiva.
Embora a formação reativa proteja
momentaneamente a autoestima
do indivíduo, com o tempo pode se
tornar um problema, gerando
comportamentos estereotipados,
pouco adaptados à realidade.
https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1374838/o+que+e+autoestima+como+melhora+la.htm
Anulação
“Atos compulsivos, em dois tempos,cujo primeiro tempo é anulado pelo
segundo[...].Sua verdadeira significação reside no fato que eles representam
o conflito de dois movimentos opostos e de intensidade quase igual.”
 
Ato ou comportamento voluntário, mas muitas vezes incontrolável;
 
Tentativa de anular um comportamento com outras ações;
 
 
Compulsão aparentemente “mágica”, particularmente característica da
neurose obsessiva.
Por sentirem emoções intensas principalmente relacionadas a culpa,
buscam alívio de seu sofrimento psíquico através de algum comportamento.
 
https://fr.wikipedia.org/wiki/N%C3%A9vrose_obsessionnelle
Isolamento
O isolamento é o mecanismo de defesa típico
das neuroses obsessivas. Ele atua de forma a
isolar um pensamento ou comportamento,
fazendo com que as demais ligações com o
conhecimento de si ou com outros
pensamentos fiquem interrompidos. Assim, os
outros pensamentos e comportamentos são
excluídos da consciência.
EX: o indivíduo pode lembrar de algo
traumático sem associar qualquer
sentimento a este fato, como por
exemplo, um indivíduo adulto que
lembra da separação dos pais, que
aconteceu em sua infância, e não se
permite sentir nada.
https://www.psicanaliseclinica.com/o-que-sao-neuroses/
O isolamento acontece após os sentimentos
terem sido reprimidos no inconsciente com
o recalcamento ou repressão. Após isso, o
isolamento vai se tornando frequente em
diversas situações. É a tentativa de se
distanciar de situações e experiências
ameaçadoras.
"Dessa forma, o modo de defesa adotado na formação de sintomas pelo ego de um
neurótico obsessivo é o de isolamento.Remove, simplesmente, as moções
pulsionais do respectivo contexto, enquanto as retém na consciência. Assim, a
resistência de tais pacientes assumeuma forma diferente. O paciente obsessivo
não fica no silêncio. Ele fala mesmo quando se encontra em um estado de
resistência. Mas corta todos os vínculos entre as suas associações e isola as ideias
dos afetos quando fala." (Freud, ANNA, p.31)
Projeção
A projeção se trata de um mecanismo de defesa psíquico
para que possamos nos proteger daquilo que a gente não
pode lidar. Com isso, podemos montar, de forma
involuntária, estratégias que nos desviam daquilo que a
gente não pode pensar ou trabalhar agora. Assim,
podemos aliviar a ansiedade, os sentimentos de culpa ou
dolorosos que surgem desse conflito.
 
 
No momento em que ela se ativa, a gente passa a
perceber pensamentos e sensações desagradáveis como
se pertencessem a outra pessoa. Em vez de assumirmos
como nossos, indicamos ser de outro alguém para
aliviar nossa carga emocional.
A culpa é minha, eu coloco em quem quiser
O mecanismo de projeção perturba as
nossas relações humanas quando
projetamos o nosso próprio ciúme e
atribuímos a outras pessoas os nossos
próprios atos agressivos. (Freud,
ANNA, p.90)
Mas pode funcionar também de outro
modo, habilitando-nos a formar
valiosos vínculos positivos e a
consolidarmos as nossas relações
mútuas.
"Esse é um mecanismo primitivo de
proteção que se manifesta já na nossa
infância. À medida que a gente cresce,
podemos construir meios sofisticados
de utilizar essa ferramenta." (Freud,
ANNA, p.89)
Introjeção
É quando absorvemos sem um filtro, é a falta de uma fronteira vital de uma
diferenciação entre o outro e eu, fazendo com que a gente absorva situações.
Como um fanatismo, por uma religião, em que a pessoa não apresenta nenhum
senso crítico daquilo, não questiona e apenas aceita.
Outro exemplo: diante de uma situação, com alguém mais poderoso, ou que
admiramos, podemos nos abster da nossa individualidade, dos nossos valores e
opiniões e concordar com tudo que a pessoa está falando.
Para Lacan, o que se introjeta é sempre um
traço do Outro, um significante que, ao
mesmo tempo que faz emergir o sujeito, o
reduz a ser apenas este significante. A
relação do sujeito com o Outro é, portanto,
sempre marcada por uma perda. Isso é o
que Lacan chama de alienação.
A introjeção de um significante é,
portanto, acompanhada de um
desaparecimento do sujeito.
Casos Clínicos:Anna Freud -
O menino das caretas
"O professor queixou- se de que o comportamento
do menino, quando censurado ou repreendido, era
bastante anormal. Nessas ocasiões, fazia caretas
que levavam a classe toda a estourar de riso. A
opinião do professor era que o menino estava
conscientemente troçando dele ou, então, os
esgares faciais deviam ser causados por algum
tique nervoso. Seu relatório foi prontamente
corroborado, pois o menino começou fazendo
caretas durante a consulta. Mas quando o
professor, o aluno e o psicólogo estavam juntos, a
situação ficou explicada."
Casos Clínicos: Anna Freud -
A criança e o dentista
“Paciente de 6 anos, a quem tenho aludido muitas vezes, teve de fazer uma série de visitas a
um dentista. No princípio, tudo correu pelo melhor: o tratamento não lhe doía e se mostrou
triunfante, troçando da idéia de que alguém pudesse ter medo do dentista. Mas surgiu o
momento em que o meu pequeno paciente chegou à minha casa extremamente mal-
humorado. O dentista acabara de lhe causar dor. Mostrou-se então rabugento, inamistoso e
desabafou seus sentimentos nos objetos da minha sala de consulta. Sua primeira vítima foi
um objeto de borracha vulcanizada. Queria que eu lhe desse o objeto e, quando recusei,
apanhou um canivete e tentou cortá-lo ao meio. A seguir, cobiçou um grande novelo de
barbante. Também queria que eu lhe desse e me descreveu, com palavras animadas e
convincentes, como o barbante faria uma boa trela para os seus animais. Quando me recusei
a entregar o novelo todo, apanhou novamente o canivete e cortou um grande pedaço do
barbante. Mas não o usou; pelo contrário, minutos depois, começou cortando o pedaço em
pequenos fragmentos. Finalmente, lançou tudo fora, voltou sua atenção para alguns lápis,
quebrando-lhes as pontas e afiando-as de novo.” 
 
Casos Clínicos: Anna Freud
- A curiosidade "da mãe"
“Um certo rapaz, quando o seu complexo de Edipo estava no auge,
empregou esse mecanismo para dominar a sua fixação na mãe. Suas felizes
relações com ela eram perturbadas por acessos de ressentimento. Ralhava
com ela, veementemente, com toda a espécie de desculpas. Mas uma
acusação misteriosa repetia-se invariavelmente: queixava-se com
persistência da curiosidade da mãe. É fácil perceber o primeiro passo na
eliminação dos afetos proibidos. Em sua fantasia, a mãe conhecia os seus
sentimentos libidinais em relação a ela e rejeitava indignadamente suas
tentativas de aproximação. A indignação materna era ativamente
reproduzida em seus próprios acessos de ressentimento contra ela.”
Casos Clínicos:Anna Freud
- A mulher dos vestidos
"Uma jovem preceptora contou em sua análise que, quando criança, era
dominada por duas idéias: queria ter belos vestidos e muitos filhos. Em suas
fantasias, era quase obsessivamente absorvida pela imagem da satisfação
completa desses dois desejos. Mas havia muitas coisas que ela também
exigia: queria ter e fazer tudo o que suas companheiras muito mais velhas
tinham e faziam - na verdade, queria fazer tudo melhor do que elas e ser
admirada por seus talentos. Seu constante grito de “Eu também!” era um
incômodo para as mais velhas. Era característico dos seus desejos serem ao
mesmo tempo urgentes e insaciáveis.
O que principalmente impressionava nessa paciente, como adulta, era o seu
caráter despretensioso e a modéstia das suas exigências na vida. Quando
começou a ser analisada, era solteira e sem filhos, suas roupas eram um tanto
surradas e discretas. Mostrou poucos sinais de inveja ou ambição e só
competia com outras pessoas se fosse forçada a isso por circunstâncias
externas. A primeira impressão era de que, como sucede freqüentemente, ela
evoluíra exatamente na direção oposta àquela que a sua infância nos levaria
a esperar, e de que os seus desejos tinham sido recalcados e substituídos, na
consciência, por formações reativas (discrição em vez de um anseio de
admiração, singeleza em vez de ambição)." 
Casos Clínicos:Anna Freud - A
mulher dos vestidos
"O repúdio de sua própria sexualidade não a impedia de tomar um interesse afetivo pela vida de amor de suas amigas
e colegas. Era uma entusiástica casamenteira e muitos casos amorosos lhe foram confiados. Embora não se
preocupasse com suas próprias roupas, mostrava um vivo interesse pela maneira de vestir de suas amigas. Não tendo
filhos, era dedicada às crianças de outras pessoas, como indica a própria escolha da profissão de preceptora. Poder-se-
ia dizer que exibia um grau invulgar de preocupação a respeito de suas amigas trajarem bonitos vestidos, serem
admiradas e terem filhos."
"Sua renúncia precoce à pulsão resultara na formação de um superego excepcionalmente severo, o que tornou
impossível gratificar seus próprios desejos. O seu desejo de pênis, com seus surtos na forma de ambiciosas fantasias
masculinas, foi proibido, assim como o seu desejo feminino de filhos e o desejo de exibir-se, nua ou em belos vestidos,
diante do pai e conquistar a sua admiração."
"A vaidade de suas amigas como que forneceu uma base para a projeção de sua própria vaidade, enquanto seus
desejos libidinais e suas fantasias ambiciosas eram igualmente depositados no mundo externo. A atitude de
retraimento que a proibição de seus impulsos a levava a adotar, no que a si própria dizia respeito, desaparecia quando
se tratava de satisfazer aos mesmos desejos, depois destes terem sido projetados em outrem."
Casos Clínicos:Anna Freud - A
mulher dos vestidos
 
"Esse endosso de seus próprios desejos em favor de outras pessoas era característico de toda a sua vida e podia
encontrar-se muito claramente, durante a análise, em pequenos incidentes isolados. Por exemplo, aos 13 anos,
ela apaixonou-se secretamente por um amigo de sua irmãmais velha, que tinha anteriormente sido o objeto
especial de seu ciúme. Tinha por vezes a idéia de que ele a preferia, em vez da irmã, e estava sempre esperando
que o rapaz desse algum sinal de que a amava. Aconteceu uma ocasião, como já acontecera antes, com
freqüência, ela ver-se preterida. O rapaz apareceu inesperadamente uma noite para levar sua irmã a um
passeio. Na análise, a paciente recordava agora, distintamente, como, depois de ter ficado paralisada de
desapontamento, começou de súbito a azafamar-se, buscando coisas para que a irmã saísse “bonita” e
afobando-se em ajudá-la na sua toalete. Enquanto assim fazia, a paciente estava felicíssima e esqueceu por
completo que não era ela, mas a irmã, quem iria divertir-se."
 
"Passava pelo mesmo processo quando estava em jogo a frustração, em vez da fruição dos desejos. Gostava de
dar às crianças sob a sua responsabilidade boas comidas. Em uma ocasião, a mãe de uma das crianças recusou-
se a entregar uma guloseima ao filho. Embora a minha paciente fosse, em geral, indiferente aos prazeres da
mesa, a recusa da mãe a deixou furiosamente indignada. Sofrera a frustração do desejo da criança como se fora
a própria, tal qual, no outro caso, rejubilara indiretamente com a satisfação dos desejos de sua irmã. Era
evidente que ela endossara às outras pessoas o direito a ter seus desejos realizados sem obstáculos."
Casos Clínicos:Anna Freud - A
mulher dos vestidos
"Esta última característica revelou-se ainda mais nitidamente, nas experiências de outra paciente do mesmo tipo.
Uma moça, cujas relações com o seu sogro eram particularmente amistosas, reagiu muito estranhamente à morte
da sogra. A paciente e outras mulheres da família ocuparam-se em distribuir o guarda-roupa da defunta. Ao
contrário de todas as outras, a minha paciente recusou-se a aceitar qualquer peça de vestuário para seu próprio
uso. Mas separou um casaco para dar de presente a uma prima que estava em má situação financeira. A irmã da
sogra queria tirar a gola de pele do casaco e ficar com ele, fazendo com que a minha paciente, que até então se
mostrara inteiramente indiferente e desinteressada nessa partilha, tivesse um acesso de fúria cega. Dirigiu a fúria
total de sua agressividade geralmente inibida sobre a sua tia e insistiu para que a sua protegida recebesse o que ela
lhe destinara."
 
 
Casos Clínicos:Anna Freud -
A mulher dos vestidos
Dionísio chega com um pedido de psicodiagnóstico, buscando respostas quanto a sua vida. Encaminhado
pelo Serviço de Psicologia Médica do hospital, com solicitação de avaliação psicológica para esclarecimento
diagnóstico. O paciente, soropositivo, se queixava de esquecimentos, insônia e desmotivação para tarefas
do cotidiano.Sua infância se passa em uma cidade fluminense, sem amigos, já que os pais não permitiam o
contato com vizinhos e saída de casa. Para o paciente, havia pouco contato com os pais, que não dialogavam
com os filhos.
 
Deu exemplo das idas à casa dos avós maternos: ele e os irmãos eram obrigados a ficar no lado de fora com o
avô esclerosado. A avó alegava que não queria desordem em casa enquanto o irmão mais velho, era o único
junto à própria mãe que tinha a autorização para entrar para lanchar. Lembra-se dos castigos desmedidos
do pai na marcenaria.
 
Casos Clínicos: Dionísio
Pouco antes de tomar consciência de sua doença, pediu desligamento da estatal, que trabalharia para
focar no projeto da empresa própria cujo já possuirá interesse.
 
Investiu no estabelecimento comercial próprio, quando no meio do investimento e obras, descobriu a
doença, o que fez com que ambas parassem e não houvesse um retorno do valor aplicado. Vendeu um
apartamento, mas não obteve o dinheiro da venda. Conseguiu abrir o estabelecimento, porém não fora
bem sucedido, tentando assim abrir outro no ramo de hotelaria. Também não obteve sucesso, dividindo
o primeiro estabelecimento com outro exclusivo para homossexuais.
 
Dionísio queixa-se, em suas entrevistas, de sua vida profissional quanto aos trabalhos autônomos, de
sua vida sexual por apresentar disfunção erétil pos o diagnóstico de HIV e pontuou que vinha em
mente o posicionamento da mãe de condenação das práticas homossexuais, considerando que
desconhecia de sua opção sexual.Citou que vinha tendo retorno no investimento no novo
estabelecimento, mas que questões profissionais ainda eram de grande preocupação. Demonstrou uma
preocupação para que o local parecesse higiênico e limpo, se preocupando para que o local não seja
frequentado por homossexuais “afetados”, que são de “má classe”, possuem gestos afeminados,
enquanto os “não afetados” seriam bons, educados, limpos e inteligentes, advogados, doutores,
engenheiros.
Casos Clínicos: Dionísio
Pouco antes de tomar consciência de sua doença, pediu desligamento da estatal, que trabalharia para
focar no projeto da empresa própria cujo já possuirá interesse.
 
Investiu no estabelecimento comercial próprio, quando no meio do investimento e obras, descobriu a
doença, o que fez com que ambas parassem e não houvesse um retorno do valor aplicado. Vendeu um
apartamento, mas não obteve o dinheiro da venda. Conseguiu abrir o estabelecimento, porém não fora
bem sucedido, tentando assim abrir outro no ramo de hotelaria. Também não obteve sucesso, dividindo
o primeiro estabelecimento com outro exclusivo para homossexuais.
 
Dionísio queixa-se, em suas entrevistas, de sua vida profissional quanto aos trabalhos autônomos, de
sua vida sexual por apresentar disfunção erétil pos o diagnóstico de HIV e pontuou que vinha em
mente o posicionamento da mãe de condenação das práticas homossexuais, considerando que
desconhecia de sua opção sexual.Citou que vinha tendo retorno no investimento no novo
estabelecimento, mas que questões profissionais ainda eram de grande preocupação. Demonstrou uma
preocupação para que o local parecesse higiênico e limpo, se preocupando para que o local não seja
frequentado por homossexuais “afetados”, que são de “má classe”, possuem gestos afeminados,
enquanto os “não afetados” seriam bons, educados, limpos e inteligentes, advogados, doutores,
engenheiros.
Considerações Finais
Os mecanismos de defesa são processos subconscientes automáticos que possibilitam a
mente desenvolver uma solução para conflitos, ressentimentos e frustrações não
solucionados ao nível da consciência.
 
São requisitados sempre que o ego percebe que uma invasão por meio do id pode
causar atrito com as imposições do superego, essa luta entre instâncias pode causar
prejuízos ao ego, que se vê na necessidade mais uma vez de intervir.
 
Ao longo deste trabalho, exploramos uma variedade de mecanismos de defesa. Cada
mecanismo possui uma função específica e é acionado em diferentes situações.
 
Eles têm em comum o objetivo de proteger a psique diante de situações consideradas
ameaçadoras e dolorosas, embora às vezes possam gerar problemas no cotidiano. A
psicanálise procura ajudar as pessoas a identificar e entender esses mecanismos para
que possam desenvolver estratégias mais saudáveis para enfrentar situações difíceis.
Compreender essas defesas em análise é essencial, para que assim o analista possa
inverter esses processos e chegar ao seu destino que é a compreensão do id.
 
Considerações Finais
“admitindo mesmo que o ego não goza de completa liberdade para arquitetar os
mecanismos de defesa que emprega, o nosso estudo desses mecanismos
impressiona-nos pela amplitude e grandeza de suas realizações. A existência de
sintomas neuróticos indica-nos que o ego foi sobrepujado e cada retorno de
impulsos recalcados, com seu reflexo na formação de compromisso, mostra que um
certo plano de defesa abortou e o ego sofreu uma derrota. Mas o ego sai vencedor,
quando as suas medidas defensivas atingem seus propósitos, isto é, quando
habilitam o ego a restringir o desenvolvimento de angústia e “dor”, transformando
as pulsões de modo que, mesmo em circunstâncias difíceis, uma certa medida de
gratificação seja obtida; assim, se estabelecem asrelações mais harmoniosas
possíveis entre o id, o superego e as forças do mundo externo.” (Freud, Anna, p.124)
 
Referências
FREUD, Anna. O ego e os mecanismos de defesa / Freud, Anna; tradução
Francisco Settineri. — Porto Alegre: Artmed, 2006. 
GALVAN, Gabriela. O conceito de regressão em Freud e Winnicott:
algumas diferenças e suas implicações na compreensão do adoecimento
psíquico. Winnicott e-prints, São Paulo , v. 7, n. 2, p. 38-51, 2012.

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