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CÉREBRO MODIFICADO MAIS FOCO NO TRABALHO Como ele se transforma (para melhor!) com a prática regular As diferenças entre os A técnica ajuda você a ter mais concentração MINDFULNESS A NOVA MEDITAÇÃO QUE FUNCIONA! MENTE MAIS CALMA TIPOS DE MEDITAÇÃO MENTE MAIS CALMA O mindfulness pode dominar a ansiedade e o estresse. Veja como! O mindfulness pode dominar a ansiedade e o estresse. Veja como! COMECE A PRATICAR Passo a passo para se beneficiar desde já! COMECE A PRATICAR Passo a passo para se beneficiar desde já! Vida Longa e Saudável - Ano 1, Nº 10 R$ 5,90 VEL vida longa SAUDÁ & Telegram @clubederevistas https://t.me/clubederevistas EDITORIAL Das raízes orientais do budismo aos recentes conceitos ocidentais do médico estadunidense Jon Kabat-Zinn, o mindfulness tem reunido cada vez mais adeptos pelo mundo. Assim como outros tipos de meditação, a técnica tem o poder de mudar seu cérebro para melhor. Além disso, se praticada com frequência, é uma alternativa eficiente no tratamento de distúrbios mentais, como estresse, ansiedade e depressão. Tendo em vista esses e outros benefícios do método pelo corpo, produzimos esta edição com o tema MINDFULNESS. Nas próximas páginas, além de entender melhor sua origem, você vai descobrir como a atenção plena pode proporcionar mais foco no trabalho. E as vantagens não estão apenas no ambiente profissional, uma vez que seus relacionamentos também são beneficiados – saiba como ser mais feliz mantendo a cabeça no presente. Mas, se você não tem ideia de como iniciar no universo mindfulness, não se preocupe. Separamos dicas práticas, sugestões de aplicativos e livros para se familiarizar com o assunto. Boa leitura! A redação C A P A – I m a g e n s: S h u tt e rs to ck Im a g e s Milenar, porém moderno Telegram @clubederevistas A atenção plena Entenda a origem do conceito mindfulness e como se popularizou nos dias de hoje ÍNDICE Cérebro no presente A prática constante do método causa mudanças reais no órgão Pílulas da redação Confira os estudos mais atuais da neurociência sobre o assunto Viva melhor O mindfulness também proporciona o bem-estar dos seus relacionamentos No trabalho Atualmente, essa meditação é bastante procurada pelos executivos. Saiba por quê Contra distúrbios Buscar a atenção plena é um caminho alternativo eficiente para combater transtornos mentais Telegram @clubederevistas Dicas práticas Não é tão difícil quanto parece: veja como começar já a técnica e sinta seus benefícios Teste Responda às perguntas e descubra se você é uma pessoa mindful no dia a dia Aplicativos A tecnologia pode ajudar e muito na hora de meditar – confira nossas indicações de apps Na estante Livros que falam tudo sobre o universo do mindfulness Outras versões As diferenças dos outros tipos de meditação em relação ao mindfulness Músicas e mantras Nem sempre é fácil atingir a atenção plena. Entenda como determinados sons facilitam a tarefa Telegram @clubederevistas Saiba quais são as pesquisas mais recentes sobre o potencial e os benefícios do mindfulness para a saúde Pílulas DA REDAÇÃO Im ag e n s: S h u tt e rs to ck I m ag e s >> Férias ou mindfulness? Uma equipe de pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon, da Califórnia, nos Estados Unidos, selecionou 91 mulheres que não se encontravam grávidas e sem problemas de saúde ou uso de hormônios. O objetivo era comprovar os efeitos dos exercícios diários de meditação durante uma semana. Divididas em dois grupos, metade das voluntárias foi destinada a um período de férias convencionais, enquanto as outras participantes foram submetidas a uma rotina de uma hora de exercícios, duas de meditação, além de um período com atividades de autorreflexão. Os resultados obtidos revelaram que os efeitos ocasionados pelos dois tipos de “férias” foram semelhantes. Além disso, após dez meses, a segunda opção de descanso ainda apresentou benefícios no organismo. A prática regular ainda se refletiu no exame das voluntárias: em amostras de sangue, as meditadoras demonstraram melhorias nos níveis da função imunológica. Segundo o coordenador do estudo, o professor estadunidense Eric Schadt, o grupo que realizava a prática com frequência manifestou melhoria nas etapas inerentes ao envelhecimento, propondo às futuras pesquisas uma associação entre a prática e saúde a longo prazo. >> Eficácia em doenças crônicas Um estudo da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, foi feito com 84 mulheres do H. Lee Moffitt Cancer and Research Institute – instituto destinado à pesquisa sobre câncer. Enquanto passavam pelo tratamento radio e quimioterápico, as voluntárias, sobreviventes do câncer de mama, demonstraram melhoras emocionais e físicas após serem apresentadas a um programa de seis semanas de técnicas associadas ao mindfulness. Entre os dados analisados estão os níveis de ansiedade e depressão. Os resultados demonstram um aumento significativo no vigor físico após os exercícios. Além disso, o grau de problemas emocionais ocasionado pelo tratamento intensivo, como o medo do regresso da doença, foi reduzido. Isso permitiu ao grupo uma maior qualidade de vida se comparada com os resultados obtidos em terapias convencionais. >>Sem estresse Como as técnicas de mindfulness têm atenuado os efeitos dde rotinas estressantes? Segundo uma pesquisa realizada pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o Instituto Appana Mind, o método se revela como uma alternativa à diminuição dos níveis de cortisol no organismo. Com uma hora e quinze de meditação e ioga, três vezes durante a semana em um período de dois meses, um grupo de cuidadores de pessoas com Alzheimer apresentou os marcadores do hormônio reduzidos pela metade. O prejuízo causado pela presença do cortisol no sangue é demonstrado no sistema imunológico. Sabe- se que a substância pode ser um obstáculo à manutenção celular e ao combate de infecções, podendo, a longo prazo, desencadear problemas crônicos, como deficiências cardiovasculares e diabetes. Telegram @clubederevistas A atenção plena A correria da vida cotidiana está deixando a população mundial com maiores níveis de ansiedade e estresse. Esses transtornos, segundo a declaração da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendem a aumentar nos próximos anos, sendo a depressão a doença que será a mais incapacitante em 2020. Os dados de 2015 mostram que a taxa desses distúrbios aumentaram desde a estimativa da OMS, atingindo cerca de 322 milhões de pessoas no mundo (com maiores índices na América Latina). Devido a isso, as pessoas estão cada vez mais procurando um estilo de vida mais calmo e pacífico, se inspirando na cultura oriental para essa realização. É assim que surgiu a popularização da ioga, meditação e, mais atualmente, do mindfulness. Traduzido como atenção plena, é “um termo moderno para um dos aspectos da milenar prática de autorrealização em ioga. Significa estar consciente, ser consciente de sua consciência e capaz de experimentar um pensamento, sensação ou ação externa plenamente, com toda a sua atenção”, explica o mestre espiritual Giridhari Das. A prática de mindfulness tem sua origem milhares de anos atrás, mas hoje vive seu auge com a popularização pelo mundo. Conheça mais sobre o método Telegram @clubederevistas Na história da prática Primeiramente, é preciso entender que os termos ioga e mindfulness conhecidos hoje são conceitos modernos. O ioga com posições e movimentos corporais surgiu há menos de 100 anos, em 1931, quando Tirumalai Krishnamacharya, o pai fundador do método, viajou até o Himalaia tibetano para encontrar um guru que lhe ensinou as posições (ou asanas, em sânscrito). Contudo, o ioga origi- nalmente não apresenta posturas. O Ioga-sutra, composto por Patanjali há cerca de dois mil anos, segue a filosofia e técnicade atenção plena. “O foco é inteiramente no aspecto espiritual interno do ioga, tal como a estrutura mental para a prática, a atenção para controle e observação da mente, o estudo de como a mente funciona, meditação e a meta final, que é a libertação. É um tratado muito bonito, apesar de bastante técnico, sobre o funcionamento de nossa consciência”, explica Giridhari. A concepção da atenção plena tem origem ainda mais antiga, com a tradição hindu e o deus Krishna. O conceito foi retratado em seu texto Bhagavad-gita, há 5200 anos, em que se diz: “ioga significa conectar- -se, ou, em outras palavras, ser realmente você, e conectar-se à fonte de tudo, através da observação e direcionamento da própria mente”, lembra o mestre espiritual. Outros estudiosos ainda contam que diversos povos – como os primitivos homens das cavernas – tinham sua própria versão da atenção plena, sendo utilizada para a técnica de caça, por exemplo. Desse modo, é possível identificar que o mindfulness conhecido hoje teve diversos nomes. A técnica nasceu quase naturalmente no ser humano, visto a sua habilidade de concentração na capacidade cerebral e trazer sua consciência para o presente, além de ser utilizada para diferentes fins. A TÉCNICA DE KABAT-ZINN O Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness (ou Mindfulness Based Stress Reduction – MBSR) foi criado pelo médico Jon Kabat-Zinn na Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. A ideia do médico foi justamente unir o budismo e a ciência para benefício do corpo e mente no tratamento e redução de transtornos mentais. O MBSR é um programa de oito semanas, contendo oito sessões de três horas cada uma, incluindo um retiro com cerca de sete horas para uma dinâmica em grupo que contém meditações coletivas, ioga e alongamento. O médico foi criticado por acadêmicos e budistas pela junção de ambos, contudo, a popularização da atenção plena vem beneficiando cada vez mais as pessoas em diversos ambientes da vida cotidiana. Im ag e n s: S h u tt e rs to ck I m ag e s Telegram @clubederevistas MINDFULNESS NO BUDISMO Sidarta Gautama, o Buda, no processo de iluminação e autoconhecimento, especificou alguns critérios de seus ensinamentos para que fossem facilmente assimilados por outras pessoas. Uma delas é o Caminho Óctuplo, que consiste em uma série de práticas para alcançar a harmonia e o fim do sofrimento – a etapa final das quatro nobres verdades. O Caminho é dividido em oito técnicas baseadas na moderação e nas formas corretas de se viver e compreender o espaço e consciência. São elas: compreensão correta, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, concentração correta e atenção plena correta. O budismo compreende o mindfulness como o modo de desenvolver a atenção e consciência das ações do corpo e mente para evitar atos insensatos. É possível chegar à completa atenção por meio da contemplação da natureza e do presente. Por isso, a pessoa precisa encontrar a simplicidade da mente e não se deixar levar por pensamentos negativos. Em resumo, significa manter a mente pura e atenta. Uma técnica crescente A procura por uma vida mais plena e uma mente mais saudável tem aumentado consideravelmente. Há alguns anos, surgiram no ocidente aulas de ioga moderna nas academias, que ensinavam, além do exercício prático corporal, como fazer a energia fluir pelo organismo por meio da respiração e concentração, ou seja, a meditação. Foi por meio do Buda que a técnica do mindfulness se espalhou pelo mundo, especialmente no oriente. Atualmente, o cientista e médico estadunidense Jon Kabat-Zinn trouxe a atenção plena para os países ocidentais, reunindo cada vez mais praticantes. Ele concebeu um programa que une seus conhecimentos sobre budismo e a ciência para criar um projeto que ajuda a diminuir o estresse e ansiedade. Além disso, a popularização do mindfulness se dá pela sua facilidade de realização, bem como pelos diversos benefícios que a técnica traz. Outro fator são os incontáveis estudos que com- provam a eficácia do método. Pesquisas mostram que o mindfulness proporciona melhor sono, redução da ansiedade e estresse, além de ser um ótimo auxiliar no tratamento da depressão (saiba mais na página 12). O método também se mostra eficiente contra problemas respiratórios, cardíacos e dermatológicos, como a psoríase, feridas na pele que cicatrizam duas vezes mais rápido para quem pratica a atenção plena, se comparado àqueles que não meditam – mesmo com o tratamento a laser. Ter a validação e legitimidade da técnica pode afastar a associação com religiões e, assim, trazer uma nova visão medicinal sobre o assunto. O mindfulness é cada vez mais indicado como tratamento para melho- rar transtornos mentais e desenvolver a inteligencia emocional, já que muito do que as pessoas sentem são criadas pela prória mente, devido aos problemas pessoais e baixa autoestima. “Nós literalmente estamos nos deixando loucos. Você está interpretando a rea- lidade de tal forma, gerando todos estes sentimentos negativos, culminando em severa depressão, crises de ansiedade e pânico, tristeza, desânimos, falta de propósito, motivação, etc.”, explica Giridhari. CONSULTORIA Giridhari Das, mestre espiritual e em ioga e autor do livro O caminho 3T - Autoaperfeiçoamento e Autorrealização em Yoga. Telegram @clubederevistas Desligando as preocupações e julgamentos, a mente pode se concentrar no instante presente e melhorar o modo como os pensamentos são estruturados Cérebro no Permitir-se pausar a correria do dia a dia e aproveitar o momento não são um luxo supérfluo, afinal, já tem se comprovado que a técni- ca de mindfulness tem ajudado em tratamentos médicos. Recuperar a capacidade inata de vivenciar o presente sem julgamentos gera efeitos positivos no cérebro e no corpo, promovendo mais saúde e bem-estar. Reprogramando o cérebro O modo como pensamos e reagimos às situa- ções é programado pelos hábitos adquiridos no cotidiano e pelas memórias de medo e traumas acumulados ao longo da vida. Ambas as experi- ências acabam por automatizar o comportamento cerebral, aglutinando reações muitas vezes nocivas que geram estresse e alteram de forma negativa o modo como a realidade é enxergada. Olhar para algo e estabelecer uma relação de julgamento com indicações do passado ou do futuro é um costume assimilado no comportamento humano. Rompendo com essa lógica, o mindfulness é a técnica contrária aos moldes comuns de pensar. O termo, que pode ser traduzido como “consciência plena”, consiste em reduzir o fluxo mental e concentrar na vivência do instante. Permitindo-se pausar para assimilar o instante presente, sem julgamentos, o indivíduo trabalha presente a plasticidade cerebral, alterando a forma como pensa. “A partir do momento que desviamos o foco do problema, nos afastamos e conseguimos enxergar, por exemplo, que talvez os nossos medos e traumas passados estão influenciando a forma como estamos vivendo este problema de hoje, nos deixando pessimistas em relação ao futuro”, explica Lilian Marins, astróloga. Parar alguns minutos do dia para explorar o eu interior, deixar os sentimentos guiarem as percepções sobre as coisas e tentar criar uma ideia a partir disso – esse é o passo a passo da trans- formação no cérebro. Ao trabalhar a capacidade plástica deste órgão, é possível mudar a si próprio para melhor. Mas é preciso continuidade, já que a plasticidade tende a voltar ao formato anterior devido aos padrões repetitivos do cotidiano. Mapa da meditação A prática de mindfulness realiza alterações nos processos de percepção e reação dos fatos. As regiões cerebrais tocadas pela técnica medi- tativa são o córtex pré-frontal lateral (centro do planejamento e razão), responsável pela avaliação e planejamento das ações, o córtex pré-frontal medial (centro do “eu”), atrelado à autoconsciênciae as relações consigo e com os outros, lóbulo da ínsula (centro das sensações), que monitora as sensações do corpo e sentimentos instintivos Telegram @clubederevistas CONSULTORIA Lilian Marins, astróloga; Roberto Debski, psicólogo especialista em acupuntura e homeopatia. FONTE Practical Mindfulness – A step-by-step guide, com consultoria do psicólogo Ken A. Verni; editora DK, 2015. e, por fim, as amígdalas cerebelosas (centro do medo), responsáveis pelas emoções fortes como o medo e a reação de “bater ou correr”. Dentro desse mapa, uma pessoa que não pratica meditação tem a informação partindo do centro do “eu” alta- mente ligada aos centros do medo e das sensações, com pouca conexão com a região do planejamento e razão. Desse modo, o medo e outras emoções fortes acabam sendo in- ternalizadas e assimiladas às situações vividas sem discernimento se são re- ais ou não. Ao realizar exercícios de concentração plena, aumenta-se a conexão do centro do “eu” com o do planejamento e razão, diminuindo os impactos da a ínsula e as amígdalas cerebelosas. Os efeitos disso são redução da an- siedade e reação mais clara aos acontecimentos que envolvem emoções e possíveis riscos. O psi- cólogo Roberto Debski explica que “a prática da meditação mindfulness aumenta a atividade na região pré frontal, o que nos coloca novamente no controle dos pensamentos e reduz a resposta do organismo ao estresse”. Além disso, “altera regi- ões cerebrais associadas à memória, cognição, aprendizado, empatia e compaixão”, completa o especialista. CÉREBRO CONCENTRADO Um pequeno mapa de como o mindfulness atua CÓRTEX PRÉ-FRONTAL LATERAL: região responsável pela razão e planejamento das ações Córtex pré-frontal medial: área associada à autoconsciência e as relações consigo e com os outros Ínsula Córtex pré-frontal lateral Córtex pré-frontal medial Amígdalas cerebelosas Ínsula: centro das sensações do corpo e reações instintivas Amígdalas cerebelosas: centro das emoções fortes como o medo e reação de “bater e correr” Não praticante de mindfulness Praticante de mindfulness Im ag e n s: S h u tt e rs to ck I m ag e s Telegram @clubederevistas Manter o foco no agora com o mindfulness tem várias vantagens para o seu bem-estar, inclusive no tratamento de transtornos mentais Mente direcionada Telegram @clubederevistas Ficar apreensivo pelo futuro e se remoer pelo passado são comportamentos desagradáveis por si só. E, quando ultrapassam o desconforto emocional, podem evoluir para casos graves de distúrbios mentais, como ansiedade, estresse e até depressão. Se você já enfrentou ou conhece alguém que tenha passado por algum desses transtornos, sabe que o tratamento medicamentoso pode ser bastante agressivo. Desse modo, hoje em dia, vários especialistas recomendam caminhos alternativos para auxiliar no combate de quadros como esses. E uma opção cada vez mais difundida para esse propósito é a prática da meditação mindfulness. Saiba mais sobre os benefícios de desenvolver a atenção plena no dia a dia. De volta para o presente O acúmulo de obrigações em menos de 24 horas torna-se cada vez mais intenso, e não é por menos: trabalho, estudos e cuidados domésticos se misturam, dificultando a missão de desenvolver o autoconhecimento e manter a mente no pre- sente. Por isso, é natural que as pessoas fiquem inquietas com tarefas dos dias seguintes, mas não quer dizer que essa atitude seja saudável para a mente. “Ansiedade é o ato de sair do momento presente e se preocupar com o futuro, ou melhor, ‘pré-ocupar’ sua cabeça com coisas que você não tem o poder para resolver no momento”, pontua a coach de bem-estar Flavia Motta. Mesmo a ansiedade sendo um sentimento primitivo do ser humano, que prepara o corpo para situações que exigem luta ou fuga, quando exagerada, pode causar diversos sintomas negativos — sudorese, taquicardia, palpitações, fortes dores de cabeça são apenas alguns exemplos. Então, é importante não deixar a preocupação com um acontecimento futuro virar um transtorno de ansiedade generalizada — é aí que o mindfulness entra em ação. “Como a técnica ajuda a se atentar e contemplar única e exclusivamente o momento presente, sua prática constante irá reduzir o hábito de focar os pensamentos nas rotinas e problemas futuros. E, assim, sintonizar o que acontece no seu corpo, mente e no exterior a você”, explica Flavia. Mais benefícios Como o estresse e a ansiedade podem coexistir, a prática do mindfulness também é importante para auxiliar no combate das tensões do dia a dia. No caso desse distúrbio mental, a meditação age freando a amígdala cerebral, estrutura respon- sável pela coordenação das reações emocionais do estresse. Se não for devidamente tratado, esse transtorno prejudica muito além da sua paciência. Segundo o neurologista especialista em mindfulness Martin Portner, o quadro avançado também tem um efeito altamente negativo para a memória. O profissional explica que as reações aumentam a taxa do hormônio cortisol no sangue (que pro- longa as sensações de medo e estresse). “Além disso, a substância age no hipocampo, onde são formados os arquivos da memória. Sob o efeito crônico de elevadas taxas de cortisol, a pessoa passa a esquecer nomes, datas e objetos guarda- dos. A meditação mindfulness é o melhor remédio para evitar a desconfiguração dos arquivos da memória”, sugere o neurologista. Contra depressão Se a ansiedade é mais afetada pelos pensa- mentos futuros, o quadro depressivo tem uma ligação maior com o passado. Portner comenta que foram pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, que descobriram que a prática do mindfulness pode ser tão eficaz quanto a terapia cognitivo-comportamental no tratamento da depressão (também contra distúrbios ansiosos e de estresse) — além de ser uma opção mais rentável para o paciente. “Na Grã-Bretanha, o serviço nacional de saúde disponibilizou os ensinamentos sobre a atenção plena aos cidadãos ingleses, e cerca de 30% dos médicos de família encaminham os pacientes com sinais de depressão para treinamento em meditação mindfulness”, aponta o especialista. “A prática da meditação influencia diretamente os níveis hormonais, aumentando a produção de melatonina e, consequentemente, promovendo uma melhor qualidade do sono” Flavia Motta, coach de bem-estar Telegram @clubederevistas “A meditação mindfulness é o melhor remédio para evitar a desconfiguração dos arquivos da memória” Martin Portner, neurologista especialista em mindfulness Entretanto, é importante frisar que a depressão é uma doença grave e necessita de acompanha- mento profissional, por vezes sendo indicado o uso de remédios. “No tratamento medica- mentoso, ocorre uma elevação de substâncias cerebrais que agem como um escudo contra a depressão”, esclarece Portner. Já no caso do uso da meditação mindfulness, o indivíduo é capaz de desenvolver uma percepção mais consciente sobre o que está fazendo. Dessa maneira, a pes- soa consegue condicionar a mente a não remoer os sofrimentos passados desencadeadores dos sintomas depressivos. Telegram @clubederevistas BEM-ESTAR GERAL O mindfulness tem benefícios que vão além dos tratamentos de distúrbios mentais. Entenda como a prática pode ajudar você em diferentes aspectos. Sono tranquilo: além de reduzir o ritmo cerebral (de alfa ou beta para delta), “a prática da meditação influencia diretamente os níveis hormonais, aumentando a produção de melatonina e, consequentemente, promovendo uma melhor qualidade do sono”, elucida a coach de bem-estar Flavia Motta. Defesas reforçadas: se você anda muito estressado, isso pode prejudicar os mecanismos defensivos do seu organismo, uma vez que a elevação do cortisol no sangue reduz a eficiência do sistema imunológico. E, como afirma o neurologista Martin Portner, “o mindfulness é uma maneira efetiva, rápida e com grande custo-benefício para corrigir isso”.Sob controle: novamente o estresse se mostra um vilão, dessa vez, em relação ao sistema circulatório, visto que o aumento da pressão sanguínea é um sintoma característico do distúrbio. “Um estudo recente revelou que pessoas com fatores de risco elevadas para o acidente vascular cerebral (AVC), que foram iniciadas na meditação, tiveram uma redução na incidência desse quadro de 48% – um salto considerado muito significativo”, comenta o profissional. Novo em folha: uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, publicada na revista científica Annals of The New York Academy of Sciences, descobriu que a prática da atenção plena reduz a capacidade dos telômeros, “estruturas que formam uma espécie de capa na extremidade dos cromossomos”, esclarece Martin. E isso, com a prática constante do mindfulness, “retarda o envelhecimento na fase madura da vida”, conclui o neurologista. CONSULTORIAS Flavia Motta, coach de bem-estar; Martin Portner, neurologista, mestre em neurociência pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, escritor, palestrante e especialista em mindfulness; Roberto Debski, médico, psicólogo, orientador de grupos de meditação e coach e trainer em Programação Neurolinguística Aliado à psicologia A prática do mindfulness por si só é um meio eficiente tanto para se prevenir quanto para auxiliar no tratamento de distúrbios mentais. Contudo, a técnica também pode ser utilizada juntamente com outros tratamentos alternativos. E essa possibilidade de união deu origem à terapia cognitiva baseada em mindfulness (Mindfulness Based Cognitive Therapy - MBCT, no nome ori- ginal em inglês). A prática, desenvolvida pelos britânicos Mark Williams e John D. Teasdale e pelo ucraniano Zindel Segal, baseia-se no formato do Programa de Redução de Estresse Baseado em Mindfulness (Mindful Based Stress Reduction – MBSR, em inglês), elaborado pelo médico estadunidense Jon Kabat-Zinn (saiba mais na página 7). “Os participantes do MBCT treinam para reconhecer suas reações habituais inadequadas e disfuncionais às dificuldades di- árias, pensamentos, emoções e comportamentos negativos e aprendem a transformá-las em atitudes interessadas de aceitação e não julgamento para todos tipos de experiências”, explica o médico e psicólogo Roberto Debski. Como o nome diz, a opção também tem in- fluência da terapia cognitivo-comportamental, a qual “tem uma estrutura específica de atuação, onde se avalia e analisa o problema, a mudança necessária de comportamento e se planeja e testa a efetividade da terapia”, esclarece Roberto. Já o MBCT adiciona à prática meditativa consciência corporal, treinamento respiratório e outros mo- vimentos relacionados ao mindfulness. Inicialmente criada para tratar paciente com depressão, como afirma Debski, o método tam- bém é indicado para quem tem pensamentos disfuncionais, negativos, ansiosos e alterações de humor. Mas vale lembrar que, além de ser uma alternativa contra distúrbios, o mindfulness é recomendado para indivíduos que “querem ampliar a consciência a respeito de si próprios, de como funciona sua mente, melhorar a qualidade dos pensamentos e conquistar mais bem-estar e felicidade, com clareza do momento presente”, conclui o psicólogo. Im ag e n s: S h u tt e rs to ck I m ag e s Telegram @clubederevistas Aproveite os benefícios da atenção plena e torne seu dia a dia e relacionamentos mais positivos Viva melhor com mindfulness Segundo o escritor americano Joseph Goldstein, a atenção é a “capacidade de se concentrar em estímulos ou locais específicos”. Estar atento é uma parte de nossa vida cotidiana, mas a maioria das pessoas não está plenamente consciente disso. Com o dia a dia exigindo que os indivíduos sejam cada vez mais multitarefas, os instantes passaram a não serem apreciados como deveriam, pois preocupações e afazeres acabam mantendo a mente dispersa do momento presente. “A prática diária do treinamento da atenção plena permite que as pessoas vivam no agora, sem o automatismo e as ruminações mentais, proporcionando mais bem-estar e menos estresse”, aponta a professora de mindfulness Sonia Santos. Sentir o vento contra a pele enquanto caminha, o cantar de um pássaro, o sabor do alimento... Quando somos capazes de perceber e aceitar cada acontecimento pelo que ele é, podemos apreciar as pequenas coisas. Telegram @clubederevistas Bem-estar e controle emocional Somos incentivados, desde pequenos, a man- ter a mente sempre ativa. Em contramão a isso, a prática da atenção plena ensina a esvaziar a mente, mantendo a consciência nas experiências momento a momento, sem julgamentos ou crí- ticas. De acordo com o instrutor de mindfulness Damien Desnos, o praticante da atenção plena passa a evitar reações automáticas para agir de maneira intencional. “Aprendemos a lidar com situações de estresse relacional e profissional, com os medos, a perda de sentido e situações de incerteza. Isso nos traz um grande equilíbrio emocional”, detalha o especialista. Para Américo Barbosa, criador do método Hasta Ananda de Meditação Rápida, com o min- dfulness “você se reconhece melhor, sente mais sua presença interior expressando-se igualmente com a sua presença exterior”. As melhorias causadas pela prática, no entanto, vão além da autorregulação das emoções e do controle dos pensamentos. Ao realizá-la diaria- mente, desenvolve-se mais flexibilidade cognitiva e dos sistemas voluntários, o que, segundo Sonia, promove bem-estar e aprimoramento de capaci- dades mais especificas como calma, plenitude, relaxamento, concentração e foco. “Com isso, gera-se uma felicidade genuína, alicerçada por gratidão, empatia e altruísmo, além da maior compreensão do outro e das experiências da vida cotidiana”, elucida a professora de mindfulness. Positividade diante adversidades Hoje em dia, ter resiliência é quase uma ne- cessidade básica do ser humano para poder lidar com as adversidades de forma mais eficaz. “Nem todas as pessoas nascem com essa característica. No entanto, é possível aprender a se tornar resi- liente por meio do desenvolvimento da atenção em como estou pensando e me comportando”, aponta Sonia. Quando discutimos com alguém no traba- lho, por exemplo, a discussão não termina em nossa mente. É comum passar horas (ou até dias) pensando no que aconteceu, reformular o diálogo na mente, imaginando como teria sido diferente se tivéssemos dito isto ou feito aquilo. Ao praticar a meditação consciente da atenção plena, estes pensamentos são reduzidos logo após o término da experiência, mantendo a energia para os acontecimentos do momento presente. Segundo Sonia Santos, “com esta atitude, mudamos também o nosso cérebro, que se torna mais resistente às emoções destruidoras, como raiva e o apego, e aos eventos negativos comuns no dia a dia. Aprendemos a encerrar os eventos, não gastando energia, nos recuperando mais rapidamente das dificuldades”. O mindfulness, ainda, ensina aos praticantes, que coisas agradáveis e desagradáveis acontecem na vida a todo o momento. “Gosto de ensinar aos meus alunos e pacientes uma espécie de mantra — ‘isso também passa’, para os momentos difíceis, juntos com exercícios de respiração consciente”, relata a professora de mindfulness. Dessa forma, a pessoa aprende e permite aceitar o momento difícil, suavizando a resistência, e a se conectar com a paz no meio da dor. Relacionamentos otimizados De acordo com o doutor em comunicação semiótica e criador do método Hasta Ananda de Meditação Rápida Américo Barbosa, “praticar atenção plena é acender mais luzes naquilo que se vê, sente e pensa. Quem se ilumina mais, consequentemente consegue ver mais a luz que está nas outras pessoas”. Ou seja, praticar mindfulness colabora no aumento do amor e da amizade, tornando os indivíduos mais conscientes e compassivos com os acontecimentos e pessoas ao seu redor. “Você acaba aprendendoa cuidar de você mesmo e dos outros com atenção, cuidado e carinho”, completa o instrutor de mindfulness Damien Desnos. Imagine, por exemplo, uma situação de estresse que desencadeie uma raiva pelo amigo ou parceiro, causando um sentimento que leva à angustia ou à explosão. Se a pessoa aprender a sentir e co- nhecer suas emoções, é possível perceber a raiva pulsando sem reagir no momento do nervoso. “O Telegram @clubederevistas CONSULTORIAS Américo Barbosa, doutor em comunicação semiótica, criador do método Hasta Ananda de Meditação Rápida e especialista em mudrás, mantras e jin shin jyutsu; Damien Desnos, instrutor de mindfulness e diretor da ClaraMente; Sonia Santos, psicoterapeuta transpessoal, analista junguiana , terapeuta e professora de mindfulness. “A atenção plena cultiva as habilidades inatas da mente para estar focada, clara, criativa e sensível. Com tempo e prática, apreciamos mais o relacionamento entre nossos pensamentos, sentimentos, sensações físicas e o mundo externo” Damien Desnos, instrutor de mindfulness mindfulness permite aceitar e conhecer melhor as emoções e pensamentos, com atenção em como e quando eles che- gam, desenvolvendo o equilíbrio emocional”, explica Sonia Santos. Dessa forma, as reações explosivas, inapropriadas e intensas acabam sendo aliviadas e controladas, fazendo com que a pessoa quebre os elos da cadeia de comportamentos e hábitos nocivos. “A atenção plena não é sobre negar ou enterrar nossas emoções. Trata-se simplesmente de cultivar um relacionamento diferente com nossos sentimentos e experiências”, completa a professora de mindfulness. O DIA A DIA COM MINDFULNESS Use a técnica meditativa para sair do “piloto automático” e melhore sua rotina, tornando-a mais leve, grata, com empatia e positividade diante de possíveis adversidades. A psicoterapeuta e professora de mindfulness Sonia Santos explica que, ao longo dos anos, foi descobrindo e ensinando diferentes exercícios para as diversas personalidades de seus alunos. “Dessa forma, motivo cada um deles para que possam encontrar os exercícios que sejam mais compatíveis com suas características, seus diferentes jeitos de ser”, completa a especialista. Acompanhe, a seguir, algumas das sugestões: • “Sente-se diante de uma janela ou varanda, de onde possa obter uma vista bem bonita e veja tudo o que há para ver”, explica Sonia. Evite rotular e categorizar — pense de forma simplificada no que observa: “pássaro”, “árvore”, “avião”, por exemplo. Tente observar as cores, os padrões ou as texturas. “Preste atenção ao movimento da grama ou folhagens se estiver ventando, observe as muitas formas, cores e movimentos neste pequeno pedaço do mundo à sua frente, sob a perspectivas de alguém com não está familiarizado com a paisagem”, detalha a psicoterapeuta. • Observação dos cinco sentidos: este exercício pode ser feito em qualquer lugar. Observe cinco coisas que você pode ver; quatro coisas que você pode sentir; três coisas que você pode cheirar; uma coisa que você pode saborear. “Esse exercício pode ser feito em qualquer lugar, é rápido, fácil, e leva a um estado de consciência do momento presente”, aponta Sonia. • Sente-se confortável, mas conscientemente, procure abandonar os pensamentos e limpar a mente de forma calma. Concentre sua atenção em um sentimento e pergunte- se: Quem é você? Como você se sente a respeito de si mesmo? Como se sente interiormente? Se um pensamento errôneo ou diferente surgir, pergunte-se: a quem esse pensamento está ocorrendo? Segundo a professora de mindfulness, embora esse exercício seja mais difícil, ele “permite um contato maior com as emoções e sentimentos que buscamos esconder e a tomar contato com a autocompaixão”. • Espaço de respiração de três minutos: o primeiro minuto é gasto em responder à pergunta: “Como estou respirando agora?”, enquanto focalizamos os sentimentos, pensamentos e sensações que surgem e tentando observar essas palavras e frases. “O segundo minuto é gasto em manter a atenção, concentrando-se apenas na respiração, sentindo a inspiração e a expiração e como elas afetam a consciência sobre a respiração. O último minuto é usado para expandir a respiração para o resto do corpo”, finaliza Sonia. Im ag e n s S h u tt e rs to ck I m ag e s Telegram @clubederevistas Além do mindfulness beneficiar a vida pessoal, a técnica ainda promove melhor qualidade do ambiente de trabalho e promover a realização pessoal A prática favorita dos executivos A prática do mindfulness vem sendo, cada vez mais, um aliada na melhora da produtividade, foco e relacionamento dos empregados e empreendedores. Nos Estados Unidos, empresas como Google, Facebook, Samsung e eBay têm um momento para que seus empregados possam meditar. A técnica da atenção plena é o favorita dos executivos, pois “a prática diária do mindfulness clareia as ideias, ampliando nossa ‘visão de águia’, o que nos faz ter um panorama mais abrangente de qualquer assunto para tomar a melhor decisão para o nosso negócio”, explica o consultor empresarial Rafeek Albertoni. O método ainda aumenta a comu- nicação entre áreas do cérebro (saiba mais na página 10), trazendo a percepção e o foco para o momento. Tudo começou com Jobs Antes de fundar a Apple, comprar a empresa de animação Pixar e se tornar milionário aos 25 anos, Steve Jobs foi até a Índia atrás de um guru buscando iluminação espiritual. Ele percorreu diversas aldeias e voltou para os Estados Unidos determinado a con- tinuar com a prática de meditação, que realizou até o fim da sua vida. Em sua biografia autorizada, Jobs conta: "ao voltar, depois de sete meses em aldeias indianas, vi a loucura do mundo ocidental, bem como sua capacidade para o pensamento racional. Se você simplesmente sentar e observar, verá como sua mente é inquieta". Em seu funeral, todos os participantes receberam o livro Autobiografia de um Iogue, do indiano Paramahansa Yogananda, que fala sobre autorrealização. Esse foi seu último desejo. Telegram @clubederevistas FIQUE ATENTO! As profissões com maiores índices dessa síndrome são: médicos e enfermeiros, professores, policiais e bombeiros, atendentes de telemarketing, advogados, agentes penitenciários, executivos, jornalistas, entre outros. Essas carreiras estão inseridas no ranking de empregos mais estressantes. Além disso, as mulheres são mais afetadas pelo distúrbio, causado pela dupla jornada. Identificando os sintomas, o diagnóstico deve ser feito por um psicólogo. Steve Jobs foi quem popularizou a prática de mindfulness ligada ao empreendedorismo, já que muitas de suas ideias e inovações vieram dos momentos em que o empresário esteve apenas consigo meditando. “Sua mente simplesmente fica mais lenta, e você vê uma expansão tremenda do momento. Você enxerga tanta coisa que poderia ter visto antes. É uma disciplina, você tem de praticá- -la”, conta o livro Steve Jobs: A biografia. E não parou por aí: com sua influência, outros grandes empresários seguem a mesma linha, como Arianna Huffington (fundadora do portal de no- tícia The Huffington Post), Jack Dorsey (criador do Twitter), Oprah Winfrey e o executivo da Apple, Craig Federighi, acompanhando os passos do fundador da empresa. Benefícios na vida laboral O dia a dia nas empresas, muitas vezes, sobrecar- rega os funcionários e empreendedores por causa dos prazos, acúmulo de tarefas, mau relacionamento com colegas e chefias, muito consumo do tempo, entre outras causas. Com a popularização do mindfulness, muitas corporações relatam aumento na produtividade, foco e disposição dos emprega- dos, além do melhor convívio com outras pessoas. “O ambiente de trabalho determina a qualidade da empresa e dos empregados que ela irá manter ou atrair. Quanto mais os funcionários conseguem se livrar de comportamentos destrutivos, como surtos de raiva, inveja e a tendência para reclamação inútil, mais agradável se torna trabalhar nessa equipe ou empresa”,explica o mestre espiritual Giridhari Das. Além disso, os líderes das companhias também são beneficiados quando praticam o mindfulness, já que a técnica “faz uma conexão com os nossos sentimentos e nos ajuda a gerenciá-los com inte- ligência emocional, ampliando o conhecimento de nós mesmos e a maneira como lidamos com os problemas, com as outras pessoas e com o nosso trabalho”, conta Rafeek Albertoni. Foco no dharma Giridhari Das explica um con- ceito empregado na prática do ioga e mindfulness chamado dharma, palavra em sânscrito que signifi- ca “viver uma vida centrada em cumprir nosso dever”. Ou seja, são pequenas tarefas que devem ser realizadas no momento, como preparar uma refeição, divertir- -se em uma recreação ou fazer um relatório do trabalho. Ainda segundo Giridhari, mesmo que seu dharma mude repentinamente com um incidente ou imprevisto, a consciência não deve se dispersar, mas, sim, entender o novo momento e aproveitá-lo aqui e agora. “Se realizarmos nossas ações es- perando pelos resultados, ficaremos invariavelmente cheios de estresse e ansiedade. Não é necessário, nem útil, se pré-ocupar (ocupar a mente com o futuro) com o resultado no momento da ação. O planejamento e a construção de metas são por si só atos, e devem ser feitos por quem possui este dever. Então, não é que focar na ação implica em não pla- nejar ou em não buscar objetivos”, esclarece o mestre espiritual. A alteração bruta de dharmas pode deixar a mente inquieta, estressada e ansiosa. Contudo, a prática do mindfulness traz a resiliência, que é a capacidade de se adaptar à mudanças. Melhorar essa habilidade é essencial para o mundo corporativo, já que é preciso resolver de modo prático os problemas e tomar decisões certas rapidamente. NOVO EMPREGO Procurar emprego nunca é fácil. Deixa a mente agitada, ansiosa, o corpo reage a esses estímulos e o candidato pode não conseguir pensar claramente na imagem que deseja passar e nas melhores respostas para as perguntas da entrevista. A técnica do mindfulness pode colaborar neste momento, pois “quando você pratica a meditação, as coisas naturalmente clareiam dentro de você, trazendo uma nova perspectiva da situação. Isso aumenta automaticamente a autoestima, que é um valor fundamental nesta hora tão importante no qual você tem que vender sua melhor versão e imagem”, explica Rafeek Albertoni. Além disso, o momento de ir em busca de um cargo é uma oportunidade de reavaliar as escolhas da carreira profissional. Mais do que pensar em dinheiro e trabalho, “você pode investigar se o emprego que você está pleiteando honra todos os seus dharmas. E isso é um exercício interessante, pois, na meditação, temos que fechar os olhos para passar a enxergar a nossa verdade, e quais sonhos e necessidades são aqueles que nos fazem bem realmente”, aponta Giridhari Das. Telegram @clubederevistas CONSULTORIAS Giridhari Das, mestre espiritual em ioga e autor do livro O caminho 3T - Autoaperfeiçoamento e Autorrealização em Yoga; Rafeek Albertoni, palestrante motivacional, consultor e empresário. LIVRO Steve Jobs: A biografia, por Walter Isaacson. SÍNDROME DE BURNOUT Cansaço físico e mental, isolamento social, dificuldade de concentração, falta de energia, sentimento de não ser bom o suficiente e alterações repentinas de humor. Esses são alguns sintomas da síndrome de Burnout, que significa “queimado por completo” em inglês. Esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1974 quando o psicanalista estadunidense Herbert Freudenberger autodiagnosticou-se com o distúrbio. Contudo, a prática do mindfulness promete ajudar os pacientes com a síndrome ou com sintomas de exaustão laboral, já que “quando aprendemos a conviver e a relaxar profundamente dentro do aqui e do agora, o passado deixa de nos angustiar e o futuro já não nos causa mais ansiedade. Isso faz com que toda energia vital esteja disponível para atender os desafios que realmente importam”, conta Rafeek Albertoni. Im ag e n s: S h u tt e rs to ck .c o m /i m ag e s Telegram @clubederevistas Im ag e m : S h u tt e rs to ck I m ag e s RESULTADO Abaixo, confira a avaliação indicada pelo especialista em mindfulness. • 5 pontos ou menos: é aconselhável desenvolver uma forma de aprimorar o autocontrole e ajustar-se melhor ao tempo presente. • 6 a 8 pontos: você apresenta mecanismos próprios de lidar com o estresse diário, mostrando-se ajustado às exigências da sua rotina. • 9 ou 10 pontos: seu estilo de vida é baseado na valorização do momento presente característico do mindfulness moderno. Você é mindful? Faça o teste e saiba se está vivendo no presente ou se deve aprimorar essa capacidade Por ainda ser uma prática em difusão pelo mundo, nem todos possuem as características proporcionadas pela técnica. Com isso em vista, preparamos um teste, com consultoria do neurologista e especialista em mindfulness Martin Portner, para você saber se vive no momento presente. CONSULTORIA Martin Portner, neurologista, mestre em neurociência pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, escritor, palestrante e especialista em mindfulness FONTE Perguntas inspiradas em um teste do livro Practical Mindfulness – A step-by-step guide, com consultoria do psicólogo Ken A. Verni; editora DK, 2015. 1. Ao ouvir comentários de outras pessoas sobre você, sejam eles sobre suas fraquezas ou qualidades, costuma ficar surpreso? 2. Em situações que geram ansiedade ou estresse, você se sente capaz de olhar para o acontecimento como se estivesse de fora, tentando controlar os sentimentos imediatos? 3. Quando você está com muita raiva, é capaz de frear o que está dizendo por impulso e refletir sobre o assunto antes de prosseguir? 4. Você consegue escrever uma lista de tópicos sobre como reage em diferentes tipos de situações, mostrando ter bom conhecimento de si? 5. Você se considera uma pessoa que evitar ficar relembrando memórias ruins de eventos passados ou sofrer antecipadamente com o futuro? Leia as perguntas abaixo e, caso a resposta seja afirmativa, assinale a questão. Para cada opção marcada, conte um ponto. Ao final, some tudo e descubra se você é uma pessoa mindful. Caso não atinja uma boa pontuação, não se preocupe, na página seguinte você encontrará dicas sobre como ter a atenção plena no dia a dia. 6. Você acredita ser capaz de reconhecer os momentos positivos do dia a dia e demonstrar pequenas formas de gratidão pelas boas oportunidades que surgem em sua vida? 7. Quando algo de bom ou prazeroso chega ao fim, você busca não se lamentar, agradecendo pela soma das experiências percebidas até aquele momento? 8. Você avalia ser capaz de prestar atenção em sua própria respiração, percebendo o ar entrando e saindo dos pulmões, por cerca de cinco minutos sem pensar em nada além disso? 9. Durante partes importantes do seu dia, você consegue perceber um sorriso presente em seu rosto e celebrar os pequenos fatos que o fazem rir? 10. Se o instante que passou é o passado e o que ainda não chegou é o futuro, você se considera capaz de perceber o exato momento do instante presente? Telegram @clubederevistas Parece até esquisito falar que não estamos no presente, mas nosso cérebro anda cada vez mais acelerado e pensando no futuro. Saiba como aplicar o mindfulness e ter mais bem-estar Vivendo o agora “Mindfulness traz a ca- pacidade de analisar serenamente, sem julgamentos, as ex- periências que temos na vida (sejam elas pensamentos, emoções ou sensações) ou externas — relação com o meio, às pessoas e situações em geral. Assim, temos a oportunidade de escolher como responder a cada momento, saindo do modo automatizado e impensado de reagir”, resume a psicóloga clínica e instrutora de mindfulness Daniela Sopezki. Segredos da Mente - MINDFULNESS | 23 Telegram @clubederevistas cordações que ela traz. Por fim, deve-se colocá-la na boca e sentir todos os seus detalhes com a língua.“Parece fácil de início”, comenta o neurologista Martin Portner, “porém nota-se que é difícil prestar atenção nas mais simples tarefas do presente como uma uva-passa sem evitar que a mente volte a entrar no modo distração”, conclui. Algumas atitudes aparentemente simples (confira mais no box da próxima página) poten- cializam esse processo de atenção plena — mas é preciso muita prática, pois, com o bombardeio informacional em que vivemos hoje, distrair-se é muito fácil. Porém, é importante ressaltar que mindfulness não elimina as pressões da vida. “O que ela faz é ajudar a responder a elas de maneira mais efetiva, beneficiando o coração, cabeça e corpo”, sintetiza o neurologista Martin Portner. Comece já! Selecionamos algumas técnicas de mindfulness para você dar início ao exercício da atenção plena: Prática dos três minutos Tomada de consciência — essa etapa leva um minuto. Traga-se para a realidade presente e feche os olhos, se possível. “Questione-se: ‘Qual é a minha experiência agora? Qual a sensação em meu corpo neste momento?’”, indica a instrutora Daniela Sopezki. Repare nos movimentos do corpo enquanto você respira. Tente ficar consciente de como você está se sentindo emocionalmente, e de quais pensamentos passam por sua mente. Reconheça a sua experiência, mesmo que seja indesejada. Centrar-se - mais um minuto nessa fase. Suavemente, redirecione sua atenção à respira- ção. Foque em cada inspiração e expiração, sem interferir no ritmo. “A respiração pode funcionar como uma âncora para trazer você ao presente e ajudar a entrar em sintonia com um estado de consciência e quietude”, indica a profissional. Expandir – ampliar o campo de sua consci- ência em torno de sua respiração, para que ele inclua a percepção do seu corpo como um todo, formando uma unidade: note a sua postura, a expressão facial e os sons do ambiente. Encerre no fim de três minutos. Técnica da uva-passa Trata-se de uma técnica difundida pelo te- rapeuta e condutor de workshops Graham Lee, que destaca que ser mindful é como substituir o “eu estou me sentindo estressado” por algo como “sinto que há um estresse em curso”. Assim, a técnica consiste em, primeiramente, pegar uma uva-passa e observar, por meio do tato, como ela passa entre seus dedos. Depois, é hora de cheirá-la e pensar nas re- Técnicas unidas Outra forma de incluir o mindfulness na sua rotina é juntá-lo com outra prática saudável bastante popular: o ioga. Essa atividade, além de trabalhar o bem-estar do corpo, também auxilia a pessoa a conectar- se consigo mesma por meio do autoconhecimento, favorecendo a conquista da atenção plena. “Quando você sentir o exercício sendo feito, realizando as torções e posturas que visam desintoxicar a mente e organismo, vai potencializar os benefícios e internalizar as boas sensações, levando a calma e equilíbrio do momento para todo o dia”, afirma o mestre em bhakti ioga Giridhari Das. Im ag e n s: S h u te rs to ck .c o m /i m ag e s Telegram @clubederevistas “A respiração pode funcionar como uma âncora para trazer você ao presente e ajudar a entrar em sintonia com um estado de consciência e quietude” Daniela Sopezki, psicóloga clínica e instrutora de mindfulness Mindfulness do coração 1) Sente-se confortavelmente em qualquer lugar. Pode ser na sua casa, em uma praça, na sala de espera do consultório... 2) Tenha um sorriso suave no rosto; 3) Busque perceber a presença do coração no seu peito. Permaneça ligado nessa área com 50% de toda a sua atenção. Com o restante, gerencie a respiração. “O tempo da expiração (a fase em que o ar sai) deve ser maior do que o tempo da inspiração (a fase em que o ar é aspirado). Se você inspira contando lentamente até três, expire contando lentamente até seis. O total de um ciclo respiratório completa-se contando até nove (3+6)”, explica Portner; 4) Nada além disso deve ocupar a sua atenção. “Se um pensamento estranho ocorrer (‘acho que alguém acabou de me enviar uma mensa- gem no WhatsApp’), afaste-o delicadamente e volte sua atenção ao coração e à respiração”, indica o especialista. 5) Faça esse exercício durante quatro minu- tos e prossiga com suas atividades. Se puder, repita-o em outro momento. “São só quatro minutos dos 1440 do dia. Em pouco tempo, seu comportamento será reprogramado para o de uma pessoa mindful”, finaliza Martin. CONSULTORIAS Daniela Sopezki, psicóloga clínica e instrutora de mindfulness; Giridhari Das, mestre em bhakti ioga e life coach; Martin Portner, neurologista, mestre em neurociências pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, escritor, palestrante e especialista em mindfulness. Mais formas de aproveitar o mindfulness! • Concentre-se no momento. Se uma leve brisa soprar, sinta-a; • Ao andar pela rua, observe o vento agitando as folhas; • Quando o sol entrar por uma fresta da janela, experimente senti-lo aquecendo a pele; • Ouça os pássaros cantando à distância; • Sua casa está em silêncio? Tente apreciá-lo e mantê-lo pelo máximo de tempo que conseguir; • Quando se deitar na cama ou no sofá, perceba cada parte do seu corpo relaxada; • Ao tomar banho, sinta a água deslizando pelo seu corpo; • Teste-se no clássico exercício da respiração. Inspire e expire; • Quando estiver executando qualquer atividade, pratique direcionar suas energias e sua atenção somente para ela (exemplo: se está arrumando o quarto, atente-se aos detalhes dessa ação); • Está comendo? Então fique completamente presente no ato de comer, na sensação do talher nas mãos, na cadeira onde está sentado; • Procure identificar aromas, cores e sabores de tudo aquilo que está ingerindo; • Se trabalha com clientes, preste atenção no atendimento e naquilo que está fazendo; • Ao fazer uma apresentação, canalize sua concentração toda para esse momento, sempre se lembrando que você se preparou e vai saber explicar tudo; • Por fim, como sintetiza o life coach Giridhari Das, “não importa o que seja, coloque a sua presença, e a sua atenção no seus atos”. Telegram @clubederevistas Conheça algumas das variedades da prática que se espalhou pelo mundo todo promovendo melhor qualidade de vida Faça sua escolha! A o tornar a meditação parte do cotidiano, busca-se o oposto dos estados em que o ser humano é submetido durante o dia a dia, pois nossa atenção é incessantemente solicitada por muitas demandas e estímulos. “Estamos frequentemente passando por estados de ansiedade, de divagação ou de dispersão mental e apresentamos diversas tensões físicas e emocionais decorrentes do modo de viver”, detalha Beatriz Del Picchia, especialista em atenção e práticas meditativas. E engana-se quem imagina que, para meditar, é necessário estar sentado de pernas cruzadas no topo de uma montanha ou em algum local afastado do resto da sociedade. Seja focando em um objeto, de olhos abertos ou fechados, ouvindo músicas ou entoando mantras, as maneiras de praticar o ato meditativo são diversas. O importante, independente do tipo, é manter a mente aberta para treinar a atenção e aproveitar, da melhor forma, os benefícios que a meditação proporciona. Prática antiga e heterogênea O ato de meditar está presente em diversas culturas e religiões. Todas as técnicas meditativas surgiram den- tro de tradições religiosas com o objetivo de facilitar o indivíduo a buscar a autoconsciência e o aprimoramento mental e espiritual, sempre incluindo a conduta ética e com um sentido de beneficiar a comunidade através desse desenvolvimento pessoal. Há centenas de anos, civilizações mais antigas descobriram a grande capacidade da meditação de trazer seus praticantes a suas essências e, ao longo da historia, a prática se espalhou por diversos locais do mundo, incluindo o ocidente. É por isso que, hoje, existem métodos variados para praticá-la. Im ag e n s: S h u tt e rs to ck .c o m /i m ag e s Telegram @clubederevistas ENTENDA ALGUNS TERMOS Chacras - tratam-se de centros de energia que representamos diversos aspectos da natureza sutil do ser humano, que são: corpo físico, emocional, mental e energético. Os sete principais chacras (básico, sacro, cardíaco, laríngeo, frontal e coronário) estão localizados ao longo da coluna vertebral do corpo humano e, de acordo com a tradição hindu, possuem as cores do arco-íris. Védica - esse termo se refere aos “Vedas”, que são os textos mais antigos da civilização Indo-ariana. Sânscrito - é a língua clássica da Índia, utilizada no budismo, hinduísmo e jainismo. Insight - é um substantivo no idioma inglês que significa compreensão súbita de alguma coisa ou de determinada situação. O termo também está ligado a discernimento, esclarecimento. CONSULTORIA Beatriz Del Picchia, especialista em atenção e práticas meditativas. Diversos tipos Cada uma das práticas tem relação com as particularida- des dos lugares onde foram desenvolvidos e aprimorados. Dessa forma, Beatriz Del Picchia explica que, “embora todos os budismos tenham a mesma base, o budismo zen japonês foca mais no estado de silêncio mental e o budismo tibetano apresenta, além disso, meditações que buscam a identificação com deidades, por exemplo”. Confira, a seguir, algumas das diversas técnicas da prática meditativa: • Transcedental: de origem na tradição védica indiana (uma das mais antigas do mundo), esse método tem como objetivo chegar a um repouso profundo, buscando a fonte dos pensamentos. Recomenda-se praticá-lo, se possível, duas vezes ao dia, por um período entre 15 e 20 minutos de duração, sentado, com os olhos fechados, entoando um mantra (saiba mais na página 28) — dado ao praticante após uma cerimônia de iniciação. • Zazen: é a forma principal de meditação dentro da prática Zen-budista. “Za” significa sentar-se e “zen” refere-se ao estado de meditação profunda e sutil. A prática, portanto, deve ser realizada sentada, com a postura ajustada, músculos relaxados e olhos entreabertos, por um período de 25 mi- nutos, deixando os pensamentos irem e virem livremente, sem desviar a atenção. É comum entre alguns participantes COMO ESCOLHER? Identificar o tipo mais adequado para cada um não é uma questão teórica, mas, sim, prática. Segundo Beatriz Del Picchia, especialista em atenção e práticas meditativas, a sugestão é experimentar. “Procure grupos que ensine essas práticas, mas, atenção! Como esse assunto está na moda, infelizmente existem diversos ‘instrutores de meditação’ que não têm base nenhuma e podem confundir em vez de ajudar. Por isso, pesquise, veja referências”, sugere Picchia. Pesquisar por livros sobre o assunto também pode colaborar para o melhor entendimento (confira, na página 30, algumas opções de obras). alternar com a prática do Kihin, que consiste no Zazen em movimento, caminhando, com duração de 10 minutos, a fim de estimular a circulação e permitir que o praticante volte a sentar em Zazen. • Cristã e Bahkti-Ioga: essa prática é realizada, geralmente, por meditadores religiosos, reverenciando uma santidade. O praticante deve ficar em posição de adoração por períodos mais longos e a entonação de mantras sagrados — como sons tântricos ou frases cristãs como “Aleluia, Senhor” — fazem com que o foco da mente seja mantido. • Tântrica: nessa vertente, os praticantes acreditam que as emoções e doenças físicas estão relacionadas com chacras es- pecíficos (confira o box ao lado para entender melhor). A partir disso, as energias do corpo e mente passam a ser trabalhadas e estimuladas, a fim de transformar as energias negativas em positivas. São usados, na prática, mantras em sânscrito e tibe- tano, buscando a auto-cura e o acúmulo de boas energias para a evolução no caminho espiritual. • Vipassana: proveniente da Índia, essa meditação defende o conceito de que a mente é agitada e, para acalmá-la, é necessário usar a respiração como aliada. O praticante deve se concentrar na inspiração e expiração, purificando e tranquilizando os pensamentos, com o objetivo de atingir um insight, buscando a libertação e percepção das coisas como elas realmente são, se despertando para entendê-las a fundo, em suas essências. Outras ferramentas que podem ser utilizadas como foco na Vipassana são a postura, as sensações do corpo ou aspectos da natureza, como a água, por exemplo. Telegram @clubederevistas Músicas e mantras auxiliam na concentração e na manutenção do foco Em forma CONSULTORIA Aristides Brito, neurocientista e diretor do Marca Pessoal Treinamentos. Você já reparou que a maior responsável pela distração é a audição? É possível evitar olhar para alguém que passou perto, mas ouvir o grito de uma pessoa é inevitável. Desde os primórdios da humanidade, os ouvidos dos seres humanos foram treinados para estarem atentos aos barulhos de um predador ou a qualquer som que pudesse representar perigo. Dessa forma, esse sentido se tornou muito aguçado e, até hoje, os ruídos são capazes de desviar a atenção. A dificuldade em desligar um mundo externo cheio de sons representa um grande empecilho para a meditação. Por isso, escolher estímulos auditivos apropriados para a concentração pode ajudar, e muito, na prática. “A música faz com que a pessoa se concentre porque atrai a atenção para a audição, trabalhando no córtex cerebral de forma a anestesiá-lo. Além disso, também dá ritmo e, quanto mais lenta, mais se alinha ao batimento cardíaco e acalma. A mesma coisa para os mantras (e as orações), que fazem a mente focar em um ponto e desligar, caracterizando um estágio de relaxamento mais adequado”, afirma o neurocientista Aristides Brito. Importante para o cérebro Se meditar possui efeitos profundos no órgão, aliar essa prática à música e aos mantras gera resultados ainda mais eficazes. De acordo com Aristides, es- timula a circulação, melhora a oxigenação, libera dopamina – substância responsável pelo prazer – e desperta a memória, pois aciona o hipocampo. “O ritmo está ligado ao movimento e envolve circuitos do cerebelo relaciona- dos ao tempo e à coordenação motora. A harmonia também ativa o cerebelo e o tronco cerebral, que despertam a cog- nição. Ademais, a repetição de mantras ou letras de música incitam a área de broca e Wernicke, relacionados com a linguagem”, conclui o especialista. Im ag e m : S h u tt e rs to ck I m ag e s QUAL A MÚSICA CERTA? Muitos consultores e profissionais sugerem listas de títulos apropriados para deixar a mente tranquila e estabelecer um foco, pontos essenciais para a meditação. No entanto, a relação das pessoas com músicas e mantras é particular. Um som específico tem a capacidade de desencadear um sentimento diferente em cada indivíduo. Por isso, é indicado que a escolha seja feita por quem ouvirá a canção. de som Telegram @clubederevistas Confira os aplicativos para você começar a meditar de um jeito fácil e acessível! No seu celular Im ag e m : S h u tt e rs to ck I m ag e s e R e p ro d u çã o Com o avanço da tecnologia, é possível aprender novas habilidades com apenas alguns cliques. Assim, estar de bem consigo mesmo, melhorar sua saúde mental, sua autoestima e seu dia nunca ficou mais simples. Com um celular, é possível começar a meditar de uma forma fácil e com baixo custo. Descubra alguns aplicativos que ajudam você nesse caminho pela paz interior e atenção plena. Headspace O aplicativo foi idealizado por atores famosos, como Jared Leto e Emma Watson, além do fundador Andy Puddicombe. Seu objetivo é difundir a ideia que em apenas dez minutos por dia de meditação é o suficiente para uma vida mais feliz. Assim, o aplicativo tem um pacote inicial grátis chamado de Take10, em que, durante dez dias, o Headspace propõem meditações de dez minutos contendo vídeos explicativos. Após esse período, existe a versão premium para se aprofundar no assunto. Contudo, o aplicativo é totalmente em inglês. Disponível para iOS e Android. Zen Criado pela blogueira Juliana Goes, o aplicativo apresenta umasérie de meditações guiadas com temas como ansiedade, depressão e mindfulness, além de sons relaxantes, frases motivacionais e controle de humor, tudo em português. No canal do YouTube de Juliana, há uma extensão do Zen aos domingos, quando a criadora faz reflexões e propõe exercícios de bem-estar. Disponível gratuitamente (com versão premium para desbloquear conteúdos) para iOS e Android. Medita! Seguindo a mesma linha do Zen, Medita! foi o primeiro aplicativo totalmente brasileiro na área e oferece dezenas de meditações guiadas, mindfulness, insights e reflexões, orações, mantras, entre outros. Foi feito para ser usado em qualquer mo- mento e lugar, já que não necessita de internet. Disponível gratuitamente (com versão premium paga) para iOS e Android. Medite.se Mais um aplicativo brasileiro e, dessa vez, quase completamente gratuita. O app contém meditações guiadas, vídeos explicativos, introdução sobre a definição e im- portância da prática. Também é possível baixar os áudios para ouvir quando quiser e sem uso da internet. Disponível para iOS e Android. Meditation Game É um app que tem a proposta de facilitar a meditação para iniciantes, já que é muito difícil se concentrar na atenção plena no começo. Assim, com imagens e sons relaxantes, o jogo consiste em guiar um brilho branco pela tela para que ele consuma outros pequenos pontos brancos. Com isso, e respirando profundamente, é possível deixar a mente mais tranquila e sem pensamentos, se concentrando apenas no jogo. O aplicativo é inicialmente em inglês, mas tem a opção em português. Disponível gratuitamente para iOS e Android. Telegram @clubederevistas Na estante Atenção Plena: Mindfulness Editora: Sextante Autores: Mark Williams e Danny Penman Até agora a obra possui cerca de 200 mil exemplares vendidos. O livro e o CD de meditação (que acompanha o exemplar) apresentam uma série de práticas fáceis para expandir sua consciência e romper com os ciclos de ansiedade, estresse, infe- licidade e exaustão. Este método apresentado ajuda a trazer alegria e tranquilidade para a vida, permitindo que você enfrente seus desafios com uma coragem renova- da. O livro apresenta um curso de oito semanas com exercícios e meditações diárias que pretendem ajudá-lo a se libertar das pressões do dia a dia, tornando-o mais compreensível com si mesmo, e a lidar melhor com as dificuldades de modo sereno. Im ag e m : S h u tt e rs to ck I m ag e s Conheça livros que ajudarão você a compreender melhor e atuar dentro do universo do mindfulness Manual Prático de Mindfulness Editora: Pensamento Autores: John D. Teasdale, Mark Williams, Zindel V. Segal Escrito por mestres da psicologia clínica, este guia promete ajudar seus leito- res a superarem a depressão, a ansiedade e o estresse, de uma forma inovadora: aprendendo novas maneiras de reagir aos seus próprios pensamentos e sentimentos. Nesse programa apresentado pelos autores, a terapia cognitiva utilizada é baseada na atenção plena. É um livro recomendado para quem deseja treinar a sua mente com o objetivo de obter uma vida mais plena e gratificante. Mindfulness. O Diário Editora: Best Seller Autor: Corinne Sweet Repleto de ilustrações e páginas para registrar seus pensamentos, este livro oferece a seus leitores uma introdução ao conceito do mindfulness. A obra apresenta exercícios fáceis e simples da técnica, possíveis de serem feitos em qualquer lugar — seja na cadeira do seu escritório, em um trem lotado ou até mesmo na fila de um supermer- cado. Esse diário é uma boa recomendação para quem deseja ter uma rotina mais calma e sem estresse, seja ela no trabalho, na escola ou em casa. COORDENADORA DE REVISTAS DIGITAIS Hérica Rodrigues (herica.rodrigues@astral.com.br) REDAÇÃO Ana Carvalho (ana.carvalho@astral.com.br), Ana Kubata (anabeatriz.kubata@astral.com.br), Fernanda Villas Bôas (fernanda.villasboas@astral.com.br) e Gabrielle Aguiar (gabrielle.aguiar@astral.com.br) DESIGN Lilian Flaitt (lilian.flaitt@astral.com.br) e Roberta Lourenço (roberta.lourenco@astral.com.br) Conteúdo produzido e publicado originalmente na revista: Segredos da Mente Mindfulness, Ano 1, nº 2 - 2017 DIREÇÃO João Carlos de Almeida e Pedro José Chiquito CONTATO atendimento@astral.com.br ENDEREÇO Rua Joaquim Anacleto Bueno, 1-70, Setor M83 - Jardim Contorno, Bauru - SP - CEP: 17047-281 ©2024 EDITORA ALTO ASTRAL LTDA. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. PROIBIDA A REPRODUÇÃO. Ano1, Nº10 Telegram @clubederevistas Já disponível na Buda para Iniciantes não é apenas uma introdução aos ensinamentos budistas, mas um convite para transformar a sua vida. Com uma abordagem não dogmática e acessível, este e-book revela por que os ensinamentos de Buda continuam a inspirar e a transformar vidas, mesmo após 25 séculos. Este e-book é essencial para todos os que buscam um entendimento mais profundo da mente e do espírito. Telegram @clubederevistas https://t.me/clubederevistas