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GEOGRAFIA DA SAÚDE 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Thiago Fogaça 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A Geografia, por si só, é uma ciência multidisciplinar. Nesta aula, iremos 
discutir sobre relações entre questões de saúde e doença das populações e as 
inter-relações existentes entre as disciplinas tradicionais da Geografia e, 
também, em outras ciências, como a Epidemiologia e a Saúde coletiva. 
O geógrafo, ao mapear as doenças, também obtém informações que, na 
maioria das vezes, são sigilosas, demandando a análise e liberação por parte de 
comitês de ética. Além disso, existem caminhos necessários para a obtenção de 
dados de saúde que serão abordados nesta aula. De posse das informações, 
ainda é necessário o seu tratamento, para que se tornem um dado geográfico. 
Uma das ciências a que daremos destaque é a Saúde Coletiva, cuja 
estrutura está atrelada aos conhecimentos biomédicos e das ciências sociais, 
buscando a relação entre os elementos que caracterizam a problemática das 
doenças nas populações. 
A compreensão do contexto de disseminação de determinadas doenças 
também se faz necessária sob a perspectiva da Epidemiologia, ciência que 
esteve sempre ligada aos estudos de Geografia médica e da saúde, sendo 
mecanismo para fortalecer análises e contribuir em outras áreas do saber. 
Por fim, devido às configurações das sociedades, existem as doenças que 
se desenvolvem sobretudo em regiões de baixa renda e com graves problemas 
estruturais, necessitando de análise socioeconômica para seu entendimento. 
TEMA 1 – GEOGRAFIA DA SAÚDE – MULTIDISCIPLINAR 
Nosso primeiro tópico foi pensado para apresentar alguns exemplos e 
conexões entre as disciplinas de Geografia e sua relação com a saúde/doença 
das populações. 
Primeiramente, a Geografia possui suas divisões levando em 
consideração as ciências exatas e humanas, já se apresentando em diferentes 
estudos de forma multidisciplinar. Agora, pensando diretamente sobre a 
Geografia da Saúde, é possível apresentarmos exemplos de sua 
multidisciplinaridade. 
Iniciaremos com o contexto ambiental, que já abordamos em outro 
momento, mas agora com vistas a apresentar exemplos práticos da 
multidisciplinaridade. Em primeiro lugar, é importante pensarmos que o contexto 
 
 
3 
ambiental está relacionado com questões de saúde das populações a partir da 
paisagem, levando em consideração os elementos do clima, a vegetação e o 
relevo, por exemplo; eles são determinantes no cotidiano dos homens, ora se 
apresentando como barreira, ora facilitando a vida cotidiana. 
Muitos trabalhos de Geografia da Saúde abordam questões da paisagem 
física e sua relação com os registros de doenças, como as de climatologia e 
saúde, facilmente encontrados nos periódicos on-line. As doenças respiratórias, 
como as gripes, são comuns no inverno do centro-sul do Brasil, no entanto, em 
regiões de clima seco, são expressivos os problemas com alergias, por exemplo. 
O clima também é condicionante de doenças, direta ou indiretamente. Se 
pegarmos o exemplo das arbovirores (dengue, chikungunya e zika vírus) que 
são transmitidas por vetores (mosquito Aedes aegypti) podemos relacionar o 
clima como condicionante para a sobrevivência do mosquito transmissor; o 
Aedes aegypti tem seu desempenho facilitado em temperaturas em torno dos 20 
e 30 ºC; extremos para mais ou menos são barreiras para ele. 
Outro exemplo de aspecto ambiental consiste no relevo, que também é 
responsável por condicionar aspectos do modo de vida da população, inclusive 
sendo um fator para o clima. No entanto, para pensarmos sobre a Geografia da 
Saúde e a Geomorfologia, selecionamos um exemplo prático desta relação. O 
exemplo consiste nos problemas de saúde da população de Cubatão (SP), que 
na década de 1980 apresentava níveis de poluição do ar muito acima do 
tolerado, deixando muitos moradores doentes. O local que se destacou com o 
adoecimento da população se chama Vila Parisi e se encontra na porção norte 
da cidade. Se pesquisarmos a Geomorfologia do local, veremos que a cidade 
está próxima à Serra; paralelamente a isso, ocorreu a instalação de muitas 
fábricas na região e, como consequência, ocorreu concentração de poluentes na 
superfície. 
O relevo pode atuar como barreira e dificultar a dissipação de poluentes. 
Em documento sobre a qualidade do ar em Cubatão, apresentado pelo Governo 
do Estado de São Paulo (CETESB, 1986), já ocorria a descrição da topografia 
diferenciada, tendo diferentes níveis de altitude, no intervalo entre 650 e 1.200 
metros acima do nível do mar e influenciando nas correntes de ar. Devido a 
declividade e presença das áreas de Serra, a poluição se concentrava em 
determinados locais da cidade. Mais detalhes sobre o assunto podem ser 
encontrados nos periódicos on-line. 
 
 
4 
 Prosseguindo, abordaremos os aspectos socioeconômicos relacionados 
aos estudos de Geografia da Saúde. As disciplinas de Geografia Urbana, 
Econômica e Regional são exemplos apresentados em publicações de 
geógrafos da saúde. A organização das cidades influencia na qualidade de vida 
da população. No exemplo anterior, sobre a Vila Parisi, podemos ainda 
mencionar que a população mais afetada pela poluição era de baixa renda. 
Graves problemas sociais são condicionantes na proliferação de doenças. 
Dentre elas podemos destacar problemas com resíduos sólidos, esgoto a céu 
aberto, qualidade da água e falta de água potável, afetando grandes 
contingentes populacionais pelo país, tendo em vista que a organização 
territorial está baseada no mercado. Os investimentos em infraestrutura e saúde, 
por exemplo, são maiores em áreas nobres das cidades, por exemplo. 
Complementando-se, a relação entre renda, escolaridade e qualidade de 
vida é evidente em estudos sobre doenças transmissíveis, como a dengue. 
Diferentes estudos identificaram que as pessoas de baixa renda e escolaridade 
são as mais acometidas por dengue no país. Isso ocorre devido a dinâmica de 
proliferação do Aedes aegypti, que deposita seus ovos em soluções líquidas 
(água, esgoto, entre outros), mais abundantes em regiões de vulnerabilidade 
socioeconômica. 
 Nosso próximo aspecto consiste no contexto cultural. Muitas doenças são 
oportunistas e se manifestam, também, devido ao modo de vida das populações. 
No entanto, esta relação não é simples e necessita de estudos aprofundados. 
Porém, podemos apresentar exemplos práticos e atuais sobre o modo de vida 
de diferentes populações. Iniciaremos com a alimentação que nos apresenta 
diferentes processos e modos de obtenção e preparo dos alimentos. Em 
algumas culturas orientais existe o consumo de animais exóticos e que podem 
possuir toxinas prejudiciais ao homem; neste sentido o preparado deverá levar 
em consideração a eliminação destes riscos, mas, caso não ocorra, poderá 
ocorrer problemas de saúde. 
Outro exemplo que podemos apresentar consiste no comportamento dos 
brasileiros perante a pandemia da Covid-19 iniciada em 2019. Muitas pessoas 
adotaram posturas negacionistas sobre o risco de transmissão do vírus pelo ar, 
não utilizaram os equipamentos de segurança, como a máscara, e também não 
fizeram isolamento social, como preconizado pela OMS e por profissionais de 
saúde. Este comportamento ainda será estudado por diferentes ciências, mas é 
 
 
5 
diretamente relacionável à Geografia da Saúde em parceria com a Educação, no 
geral, e Educação em Saúde, áreas que poderiam contribuir significativamente 
para a consolidação da alfabetização científica e o correto uso de resultados 
comprovados cientificamente. Geógrafos da saúde podem aplicar questionários 
e entrevistas com profissionais de saúde para entender as características e 
modo de vida dos pacientes mais resistentes ao tratamento, por exemplo. 
Todos os exemplos apresentados até o momento ilustram possibilidades 
de estudos para geógrafos da saúde de maneira interdisciplinare que podem 
gerar resultados utilizados para a tomada de decisão. Estamos falando de 
planejamento. 
Estudos prévios sobre o relevo e outras condições ambientais na cidade 
de Cubatão poderiam ter evitado a contaminação de muitas pessoas residentes 
por lá. Investimento em educação e estudos mais aprofundados sobre a 
transmissão de doenças pela fronteira internacional poderiam ter preparado os 
brasileiros para lidar com a Covid-19 de forma mais efetiva, por exemplo. Em 
relação à dengue, investimento em infraestrutura urbana e combater a 
desigualdade de renda poderão contribuir para diminuir a quantidade de 
criadouros do vetor em áreas de fragilidade socioambiental e, assim, diminuir os 
registros da doença. Ambos exemplos citados são questões de planejamento. 
O geógrafo da saúde, a partir de uma perspectiva multidisciplinar poderá 
propor ações de planejamento ou fornecer subsidio para os tomadores de 
decisão elaborarem políticas públicas eficientes sobre diferentes temas. 
Em nosso próximo tópico falaremos sobre alguns desafios, mas também 
possibilidade de estudo para os geógrafos da saúde. 
TEMA 2 – DESAFIOS E POSSIBILIDADES ENTRE GEOGRAFIA E SAÚDE 
Para prosseguirmos em nossos estudos, passaremos a verificar algumas 
barreiras/dificuldades para a Geografia da Saúde como disciplina nos cursos de 
Geografia e possibilidades de trabalho para os futuros geógrafos. 
Primeiramente, devemos ter em mente que a Geografia da Saúde é uma 
ciência nova, datando do último século. Sua trajetória esteve ligada ao 
mapeamento das doenças e seu nome sofreu mudanças, passando de 
Geografia Médica, para Geografia da Saúde. No entanto, você encontrará textos 
se referindo a ela das duas maneiras, sobretudo se forem internacionais. 
 
 
6 
O fato de ser novidade no meio acadêmico dificulta sua inserção nos 
currículos básicos para o ensino de Geografia, no ensino superior. Poucas 
instituições dispõem da disciplina na grade fixa dos cursos e, em alguns casos, 
não falam sobre ela. Em outros casos, você poderá encontra-la como disciplina 
optativa, que não possui data fixa para ser ministrada. Estes fatos estão 
associados ao grupo de professores dos cursos de Geografia do país, que, na 
maioria das vezes, trabalham com a divisão tradicional do curso, o que pode 
dificultar a inserção de novas disciplinas. Além disso, se existem poucas 
instituições que ofertam a disciplina, serão poucos profissionais disseminando 
este conhecimento. Assim, existe um desafio inicial de implementação da 
Geografia da Saúde na grade fixa dos cursos de Geografia do país. 
Agora que comentamos sobre a inserção da Geografia da Saúde nos 
cursos de Geografia, devemos tentar extrapolar esse limite, passando para 
outras áreas do conhecimento. O geógrafo da saúde poderá atuar em diferentes 
seguimentos da sociedade, como nas Secretarias de Saúde, por exemplo, que 
possuem equipes multidisciplinares para combater e minimizar impactos das 
doenças nas sociedades. No entanto, o conhecimento do geógrafo para as 
questões de saúde ainda não está consolidado na sociedade, pois existe um 
caminho de consolidação que passará, primeiramente, pela Geografia nas 
instituições, para poder ser reconhecida em outros segmentos. Um exemplo 
prático sobre esse assunto pode ser visualizado com a pandemia da Covid-19, 
que teve sua problemática inserida nas escolas, mas, prioritariamente, nas 
disciplinas de Ciências e Biologia. 
Alguns desafios também foram apresentados por Connell e Walton-
Roberts (2016), que evidenciaram o que foi chamado por eles de certa 
negligência dos geógrafos da saúde em suas pesquisas, ocorrendo maior ênfase 
nos processos de saúde e doença e pouca, ou nenhuma, da geografia do 
trabalho. Para os autores, os geógrafos não têm se dedicado ao estudo das 
relações de trabalho dos profissionais de saúde e sua influência nas políticas 
públicas, por exemplo. Assim, em nosso texto os autores surgem com uma 
crítica, mas gostaria de convidá-los a pensar na mesma como uma possibilidade 
de trabalho futuro. 
Prosseguindo em nossa aula, passaremos a evidenciar algumas 
possibilidades de trabalho para geógrafos da saúde, com ênfase naquelas 
evidenciadas pelos autores. 
 
 
7 
Nosso primeiro destaque será para as pesquisas de geógrafos da saúde 
cujo tema é ou se aproxima de aspectos da violência nas sociedades. 
Primeiramente, precisamos dar atenção ao uso da palavra violência, cuja 
trajetória está permeada por discussões, transformações e subdivisões. Ou seja, 
para deixarmos mais claro este assunto, podemos exemplificar diferenciando-se 
a violência física da emocional, por exemplo, que podem apresentar “gatilhos” 
(agentes motivadores) diferenciados. Logo, a violência pode ser diferenciada em 
seu agente, mas também em sua espacialidade, que fornece ao geógrafo 
perspectivas de trabalho, pois se tentarmos visualizar uma situação de violência 
em nossas cidades, provavelmente, terá local e contexto específico. A violência 
também possui marcador social, pois poderá se manifestar de diferentes formas, 
levando em consideração a estrutura de determinados grupos. 
 Agora que refletimos sobre a violência podemos pensar sobre temas que 
se relacionam com o assunto, podendo sugerir pesquisas sobre grupos 
minoritários, como os moradores de rua e a dinâmica de uso da terra que os 
colocaram nesta situação; outro exemplo pode estar nas doenças psicossociais, 
como a depressão e suicídio (ou tentativa), que também se relacionam com 
processos associados a violência emocional; a violência no campo e sua relação 
com a propriedade da terra em diferentes regiões do país. 
Como segundo destaque nas possibilidades de trabalho em Geografia da 
Saúde, evidenciarmos o contexto das migrações. O registro da movimentação 
das pessoas não é simples de ser obtido e, muitas vezes, não está disponível. 
No entanto, como já evidenciamos anteriormente, existe uma demanda por 
esses fluxos, tendo em vista que o transporte de pessoas doentes tem facilitado 
a transmissão de doenças pelo mundo. Aproveitando o exemplo já utilizado 
nesta aula, temos a pandemia da Covid-19 e seu processo de transmissão 
iniciado na China, tendo rapidamente se espalhado para todos os países. No 
entanto, vale ressaltar que a dinâmica da doença é complexa e deverá levar em 
consideração as políticas adotadas, como fechamento das fronteiras, prevenção 
mediante distanciamento social e uso de equipamentos de segurança básicos, 
como o caso da máscara. A dinâmica de distribuição e prevalência da doença 
poderá trazer muitos resultados aos geógrafos da saúde, demonstrando a 
relevância do tema sobre migração para as questões de saúde/doença das 
populações. 
 
 
8 
Como terceira e última indicação de possibilidades de trabalho temos o 
contexto das paisagens terapêuticas, que consistem em locais que poderão 
proporcionar a cura de doenças físicas, espirituais e mentais. As paisagens 
terapêuticas têm ganho evidencia devido ao modo de vida das populações e, a 
partir disso, podem se caracterizar de diferentes maneiras. Tentaremos 
exemplificar com o modo de vida nos grandes centros urbanos, com a correria 
do dia a dia e presença de poluição visual e auditiva, por exemplo, fazendo com 
que seus habitantes procurem locais distantes e próximos a natureza para 
recarregar energias e buscar equilíbrio mental e espiritual. Aos geógrafos, este 
tema pode proporcionar diferentes abordagens de estudo, podendo, um deles, 
basear-se na experiência dos gestores de hotéis-fazenda, buscando 
compreender as origens do público atendido e possíveis motivações para a 
hospedagem. 
Agora que já evidenciamos alguns desafios e possibilidades para estudos 
em Geografia da Saúde, passaremos a verificar maneiras de obter informações 
sobre as doenças das populações. 
TEMA 3 – DESAFIOS E POSSIBILIDADES ENTRE GEOGRAFIA E SAÚDE – 
OBTENÇÃO DE DADOS 
Neste ponto de nosso estudo,já podemos falar sobre procedimentos para 
conseguir informações de saúde no país. No entanto, quando as pesquisas 
científicas levam em consideração informações sobre a população, como 
doenças, ou até mesmo com a coletada de dados primários por meio de 
entrevista ou questionários, elas deverão possuir parecer com aprovação de um 
ou mais Comitês ou Conselhos de Ética registrados no país. Este fato se justifica 
devido a necessidade de cautela e métodos que não causem algum tipo de 
prejuízo para as pessoas e/ou instituições envolvidas no estudo. Por exemplo, 
se você estiver pesquisando sobre uma doença transmissível, não poderá 
apresentar informações que permitam a identificação dos infectados; o mesmo 
vale para as entrevistas. Apenas em casos raros os entrevistados permitem que 
você informe seus nomes no estudo, mas os Conselhos de Ética solicitarão que 
eles sejam preservados e substituídos por códigos. Podemos, ainda, 
exemplificar sobre estudos da área de saúde, que poderão necessitar de coleta 
de fluídos, como o sangue humano, assim, existe a necessidade de revisão dos 
métodos e aprovação para sua continuidade. 
 
 
9 
As pesquisas que precisarão de aprovação pelos Conselhos de Ética em 
pesquisa deverão ser registradas pelo pesquisador principal (no ambiente serão 
os orientadores e/ou coordenadores de pesquisas) no website disponível em: 
. 
O registro solicitará várias etapas prevendo detalhes do projeto de 
pesquisa, pessoas envolvidas, método da pesquisa, entre outros. No entanto, 
algumas informações são importantes, como a instituição proponente, que 
consiste na Instituição de ensino ou pesquisa do pesquisador principal, a ou as 
instituições coparticipantes, que são aquelas que de forma direta ou indireta 
estarão participando do estudo. 
Para tornar o entendimento mais facilitado, utilizaremos um exemplo 
prático: João Silva é acadêmico do curso de Geografia da Universidade de 
Belém e pretende estudar os condicionantes da dengue em Belém do Pará. 
Antes de solicitar os dados sobre os doentes, é preciso fazer a submissão na 
Plataforma Brasil, para conseguir aprovação para o estudo. Como João é 
acadêmico, será seu orientador, um professor efetivo da Universidade de Belém, 
quem deverá submeter o projeto. Como serão necessários os dados de dengue 
de Belém, a instituição coparticipante deverá ser ou a Secretaria Municipal de 
Saúde de Belém de escala municipal ou a Regional de Saúde de escala regional 
(temos as duas opções de secretarias para solicitar dados, por exemplo). No 
entanto, existem duas situações que podem ocorrer: 
1. João entrará em contato com a Secretaria de Saúde (municipal ou 
estadual) para pedir os dados de dengue e será solicitado que o Conselho 
de Ética vinculado à Secretaria analise o projeto. Neste caso, João e seu 
orientador enviarão o projeto, via Plataforma Brasil, para as secretarias, 
seguindo o passo a passo do Comitê que for indicado pelos profissionais 
de saúde. Cada Comitê possui suas regras, que podem ser bastante 
distintas, por isso, o pesquisador deverá buscar as informações, que 
estão, geralmente, de forma on-line. 
2. João entrará em contato com a Secretaria de Saúde (municipal ou 
estadual) para solicitar os dados de dengue, mas os profissionais de 
saúde solicitarão que o projeto tenha sido primeiramente aprovado pelo 
Conselho de Ética da Universidade de Belém e, após, enviado para 
aprovação do Conselho de Ética vinculado à Secretaria de Saúde. 
Atualmente, este processo está automatizado. Assim que o projeto for 
 
 
10 
aprovado pelo Conselho de Ética da universidade, ela poderá encaminhar 
para o Conselho da Secretaria, pois estará registrada como coparticipante 
e previamente registrada na Plataforma Brasil. Após a aprovação e com 
o parecer em mãos, poderão ser solicitados os dados diretamente à 
Secretaria de Saúde. 
Outra situação que pode ocorrer é a necessidade de informações de mais 
de uma cidade ou região, ou até mesmo na escala nacional, o que torna o 
processo via Plataforma Brasil diferenciado. Primeiramente, você deverá 
submeter o projeto para avaliação do Conselho de ética da sua Instituição de 
ensino ou pesquisa e, após a aprovação, solicitará os dados via Ministério da 
Saúde, para dados nacionais, e Regionais de saúde, para grupos de cidades. 
No entanto, quanto maior o volume de informações necessárias, mais demorado 
e burocrático se torna o processo. No entanto, a partir de 2011, tornou possível 
solicitar dados via Lei de acesso a informação, o que julgo mais adequado para 
informações de grupos de cidades ou em escala nacional. 
A Lei n. 12.527, de novembro de 2011, que se refere ao acesso a 
informações no território nacional, consiste em grande avanço no direito dos 
pesquisadores em analisar aspectos da sociedade. Esta lei permite acesso aos 
diferentes tipos de informações. Mas como ela funciona? 
Primeiramente, deverá ser aberto um pedido (por meio do website 
disponível em: , do governo 
federal). Lá você deverá indicar de quais dados necessita e destacar, 
claramente, os objetivos do estudo e as instituições vinculadas ao mesmo; essas 
informações ajudam na agilidade do processo. As pessoas responsáveis pela 
leitura dos pedidos possuem o prazo de 60 dias para responder, no entanto, 
também são responsáveis por enviar seu pedido para os setores responsáveis. 
O processo pode demorar um pouco, mas é bastante eficiente. Por mais que a 
lei garanta o acesso a informação, o mesmo é facilitado se for solicitado por 
pesquisador vinculado a alguma instituição de ensino nacional, pública ou 
privada e de posse do parecer de aprovação de algum Conselho de ética 
envolvido no estudo. Já tivemos uma experiência com solicitação de dados em 
que informações sobre o zika vírus, por exemplo, foram cedidas com apenas a 
aprovação do Conselho de Ética da instituição na qual estudávamos. Então, você 
deverá se informar sobre essa necessidade. 
 
 
11 
Até este momento, você pode estar se questionando sobre a burocracia 
para elaborar estudos com base na Geografia da Saúde. A princípio, parece 
trabalhoso, no entanto, com o tempo estas etapas são mais tranquilas. Mas é 
importante prever no cronograma do estudo pelo menos três meses para a 
aprovação no Conselho e solicitação dos dados. 
Agora, se você quiser fazer algum estudo com menor aprofundamento, 
poderá conseguir informações sobre determinadas doenças mediante consulta 
on-line no DataSUS, sistema de dados de saúde do SUS, no link: 
. 
Os dados disponíveis não possuirão todas as informações registradas no 
sistema, como a idade, escolaridade, endereço e bairro, por exemplo, mas 
podem ser utilizados para comparar cidades, pelo registro histórico de doenças. 
Vale ressaltar que só se deve “comparar o comparável”; essa frase serve para 
muitos fatos da sociedade, mas para nosso estudo se relaciona ao fato de não 
ser possível comparar casos de doenças em cidades com características 
distintas, como por exemplo, uma cidade com 500.000 habitantes e outra com 
50.000, pois, a dinâmica delas será diferenciada. 
Espero que mediante minhas contribuições vocês possam obter dados de 
saúde para pesquisas futuras. 
TEMA 4 – RELACIONANDO SABERES: GEOGRAFIA DA SAÚDE, SAÚDE 
COLETIVA E EPIDEMIOLOGIA SOCIAL 
Nesta aula, estamos enfatizando a multidisciplinaridade da Geografia da 
Saúde, passando pelas áreas de atuação da Geografia e estabelecendo 
relações com os processos de saúde/doença das populações. Agora, devemos 
dar atenção aos conhecimentos de outras ciências que também são essenciais 
para a construção de análises em Geografia da Saúde. Para tanto, falaremos da 
Saúde Coletiva e da Epidemiologia Social. 
A Saúde Coletiva foi fortalecida e difundida pelo Brasil após os anos 1970,cujo marco foi a criação da Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde 
Coletiva (Abrasco). Em um primeiro momento, ao analisarmos a junção dos dois 
termos (saúde + coletiva), temos condições de inferir que se trata de uma ciência 
que busca compreender processos de saúde/doença nas coletividades. 
A Saúde Coletiva é uma ciência que visa relacionar aspectos individuais 
(a doença) com o complexo processo coletivo de formação das sociedades, 
http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php?area=0203
 
 
12 
levando em consideração a economia, meio ambiente e aspectos psíquicos, por 
exemplo, que estão presentes no contexto da saúde/doença das populações. É 
uma ciência que também se relaciona com outros conhecimentos de forma 
multidisciplinar e interdisciplinar. 
Muitos geógrafos da saúde têm citado e utilizado metodologias de 
pesquisa da Saúde Coletiva. A que daremos destaque consiste na Figura 1, com 
os Determinantes Sociais de Saúde (DSS), que apresentam diferentes 
elementos, separados por hierarquia, para auxiliar na compreensão dos 
processos de saúde/doença das populações. 
Figura 1 – Determinantes Sociais de Saúde (DSS) 
 
Fonte: CCMS, 2016. 
Para compreendermos melhor a dinâmica apresentada na Figura 1, 
partiremos de alguns exemplos práticos de possíveis processos de 
saúde/doença das populações. 
A pandemia da Covid-19 poderá nos trazer diferentes métodos de análise 
utilizando os DSS. Primeiro exemplo de cunho individual: Maria tem 35 anos de 
idade e trabalha como gerente de relacionamentos em um banco privado. Maria 
está grávida e possui histórico de problemas no aparelho respiratório. Ela 
positivou para Covid-19 e ficou hospitalizada. 
 
 
13 
Agora que já descrevemos uma situação individual, podemos extrapolar 
para o coletivo, quando pensamos nas várias Marias que tiveram a doença e 
viveram situações similares. A análise geográfica utilizando os DSS deverá levar 
em consideração: 
1. Idade, sexo e fatores hereditários, já explicitados no exemplo; 
2. Ambiente de trabalho; 
3. Condições socioeconômicas; neste caso, se Maria perder o emprego; 
4. Serviços sociais de saúde; verificar o contexto do atendimento e se Maria 
possui plano de saúde, por exemplo. 
Poderíamos elencar mais tópicos, caso Maria apresentasse outras 
características que afetam diferentemente seu modo de vida. No entanto, o 
intuito foi introduzir maneiras de estudar o caso de Maria e similares. 
O próximo exemplo será para identificarmos outros aspectos. João 
contraiu a Covid-19 no início da epidemia no Brasil. Precisou ser hospitalizado, 
onde permaneceu 45 dias. Mesmo se recuperando da Covid-19, João 
apresentou efeitos colaterais (sequelas) que impediram seu retorno ao trabalho. 
Seis meses após a infecção, João ainda apresenta dificuldades respiratórias que 
comprometeram seu trabalho na construção civil. João, entre muitos outros 
brasileiros, está desempregado. Seguindo a mesma lógica do exemplo anterior, 
precisaremos estabelecer alguns elementos essenciais: 
1. Idade, sexo e fatores hereditários; 
2. Redes sociais e comunitárias; auxílio em despesas básicas, por exemplo; 
3. Ambiente de trabalho – formal ou informal? Poderá receber auxílio do 
governo? 
4. Serviços Sociais de Saúde; acompanhamento após o período de 
internação; 
5. Condições de vida e de trabalho; contexto coletivo e social, levando em 
consideração moradia e modo de vida. 
Note que são muitas variáveis que deverão ser analisadas para 
compreendermos aspectos geográficos utilizando os DSS como embasamento 
metodológico para este exemplo. 
Prosseguindo com nosso conteúdo, passaremos a identificar como a 
Epidemiologia está presente nos estudos geográficos. No entanto, iniciaremos 
com uma breve definição da mesma. A Epidemiologia é uma disciplina dos 
 
 
14 
cursos de saúde e se destina a estudar a proliferação das doenças e seus 
diagnósticos, mas, também, levando em consideração o modo de vida e perfil 
socioeconômico dos infectados, utilizando-se de métodos de análise que 
contemplam os determinantes e condicionantes das epidemias. 
A relação entre a Geografia e a Epidemiologia se faz presente pelo uso 
de conceitos tradicionais, como o de lugar, espaço geográfico e território, como 
ferramentas de caracterização dos ambientes, pessoas e doenças. Vale 
ressaltar que já estamos abordando as questões sociais e as territorialidades em 
saúde desde o início de nossos estudos, pois nossa sociedade é desigual e 
promove territórios mais vulneráveis a determinadas doenças. 
Outro destaque para a Epidemiologia foi a inserção da variável social em 
seus estudos, datando-se em período após anos 1970, em que o mundo viu 
surgir novas doenças, como o HIV. 
A Epidemiologia Social Crítica, conforme foi nominado essa atribuição da 
Epidemiologia, foi o de maior incorporação da Geografia nas questões de saúde 
coletiva (Faria; Bortolozzi, 2009) e possuía como principal objetivo, a análise das 
desigualdades na saúde, que são ocasionadas, sobretudo, pelas diferenças 
socioeconômicas. 
A junção dos conhecimentos da Saúde Coletiva e da Epidemiologia nos 
estudos de geógrafos se tornam maneira de avançar na proposta de investigar 
os condicionantes das doenças e subsidiar políticas públicas para diminuir as 
desigualdades e, assim, garantir melhor qualidade de vida para a população. 
Aproveitando as discussões sobre a questão social e a distribuição das 
doenças, passaremos a evidenciar aspectos da reprodução de doenças 
psicossociais. 
TEMA 5 – DESIGUALDADES SOCIAIS E AS DOENÇAS: O LUGAR E A 
REPRODUÇÃO DAS DOENÇAS PSICOSSOCIAIS 
Chegamos ao último tema de nossa aula para tratar de outros assuntos 
que são multidisciplinares. Vimos até o momento como a Geografia da Saúde 
possui condições de conversar com disciplinas da Geografia e outras ciências. 
Assim, para finalizarmos com o mesmo objetivo inicial, falaremos da relação com 
o lugar de convivência e a reprodução das doenças psicossociais, cujo tema é 
bastante complexo e pouco abordado por geógrafos da saúde. 
 
 
15 
A depressão é hoje um exemplo de doença psicossocial evidente em 
nossa sociedade, mas que necessita, por exemplo, que se verifique os DSS para 
analisar as influências do meio que ocasionam sua ocorrência. Diferentes fatores 
deverão ser levados em consideração, porém, o modo de vida é um 
condicionante essencial para esta análise. 
Já estudamos sobre os impactos do modo de vida na proliferação das 
doenças, no geral. Há que se mencionar, também, que ocorreram 
transformações importantes em nossas sociedades nas últimas décadas, como 
a industrialização, urbanização, mecanização da agricultura, entre outros. Junto 
com as transformações, chegaram os problemas ambientais, como os diferentes 
tipos de poluição (da água, ar, alimentos, sonora e visual, por exemplo), o 
incentivo ao consumismo e a busca pela satisfação pessoal com bens materiais, 
por exemplo. Todos esses fatores podem ser condicionantes para a depressão. 
Para tornar este texto mais próximo de nossa realidade, utilizaremos o 
exemplo da pandemia da Covid-19, iniciada, no Brasil, no ano de 2020. Mas 
porque a pandemia de uma doença poderia ser um exemplo de condicionante 
para doenças psicossociais? 
São diversas formas para estabelecermos uma relação, que poderão ser 
visualizados pelos exemplos a seguir. 
1. Acompanhando os casos de Covid-19, acentuou-se uma crise na 
economia e no fechamento de muitos estabelecimentos comerciais, em 
sua maioria de menor porte, colaborando com o crescente aumento do 
desemprego. 
2. A doença, que esteve sem controle no país, ocasionou mudanças na 
rotina dos brasileiros, com muitos serviços sendo adaptados para o 
modelo home office, priorizando o isolamento social preconizado pela 
OMS. 
3. Muitas famílias perderam seus entes queridos para a doença, tendo sido 
registrados mais de 500.000 óbitos em 2021. 
Todos os exemplos apresentadosilustram um cenário de tristeza e 
dificuldades que as pessoas passaram a viver com a pandemia. Em reportagem 
elaborada por Tiago Américo, da CNN de São Paulo, deu-se destaque para o 
aumento no consumo de antidepressivos no ano de 2020. 
A venda de antidepressivos e estabilizadores de humor tiveram um 
aumento expressivo durante o ano passado. Um levantamento, obtido 
 
 
16 
com exclusividade pela CNN, do Conselho Federal de Farmácias, 
mostra que quase 100 milhões de caixas de medicamentos controlados 
foram vendidos em todo o ano de 2020 - um salto de 17% na 
comparação com os 12 meses anteriores. (CNN Brasil, 2021, s/p.) 
As variáveis geográficas presentes no modo de vida e como 
condicionantes para a pandemia da Covid-19 poderão ser utilizadas pelos 
geógrafos para analisar o impacto da doença no território e auxiliar na tomada 
de decisão. 
É importante frisarmos que as doenças psicossociais podem ter influência 
genética, como nos casos de bipolaridade, porém, o modo de vida e a estrutura 
da sociedade podem contribuir para intensificar ou amenizar sintomas. 
NA PRÁTICA 
Leia a citação a seguir: “O clima pode influenciar tanto indireta quanto 
diretamente a saúde das populações, podendo ser maléfico ou benéfico, 
dependendo do contexto de vulnerabilidade das populações” (Ayoade, 2002). 
Com base no trecho lido, pesquise e aponte ao menos dois exemplos 
dessas influências climáticas na sociedade. 
FINALIZANDO 
A Geografia já se apresenta como uma ciência inter e multidisciplinar na 
compreensão do espaço geográfico. Ao relacioná-la com a saúde das 
populações e as outras ciências da saúde, evidencia-se uma gama de atributos 
e possibilidades para os geógrafos da saúde atuarem. 
Paralelamente ao avanço das ciências sociais, da saúde coletiva e da 
epidemiologia, os geógrafos passaram a discutir aspectos das desigualdades 
que condicionam os modos de vida (Milton Santos é um personagem ímpar 
nesse cenário) e a interagir com maior influência nas ciências médicas. Esse fato 
foi apresentado com os desafios e possibilidades para o trabalho dos geógrafos 
da saúde e sua efetivação nas sociedades. 
Com base nas discussões, é necessário frisar que a saúde das 
populações é um misto de fatos histórico-culturais e econômicos que foram 
herdados desde as civilizações antigas e não devem ser reduzidos para 
experiências individuais, pois sua totalidade se encontra na coletividade e no 
ambiente em que vivem (Backes et al., 2009). No entanto, “para as ciências 
médicas o olhar para o indivíduo é importante, pois a partir do modo de vida é 
 
 
17 
possível analisar variáveis particulares, tais como hábitos alimentares, 
condicionamento físico, idade, sexo, raça, entre outras” (Backes et al., 2009). 
Além disso, a relação entre renda e escolaridade também é definidora de 
ambientes mais saudáveis, pois, à medida que o indivíduo adquire 
conhecimentos, pode alterar posturas e criar melhores condições de vida. 
Assim, visualizamos diferentes relações entre a Geografia da Saúde e 
outras ciências, apresentando exemplos práticos de sua aplicação. Esperamos 
ter possibilitado reflexões sobre a disciplina em sua realidade, no seu cotidiano, 
incentivando estudos futuros. 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
AYOADE, J.O. Introdução à climatologia para os trópicos. 8. ed. Rio de 
Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. 
BACKES, M. T. S. et al. Conceitos de saúde e doença ao longo da história sob 
o olhar epidemiológico e antropológico. Revista de Enfermagem, Rio de 
Janeiro, v. 17, n. 1, p. 111-117, 2009. 
CCMS (Centro Cultural do Ministério da Saúde). Condições socioeconômicas, 
culturais e ambientais gerais. CCMS, 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 5 
out. 2021. 
CETESB. Qualidade do ar na região metropolitana de São Paulo e em 
Cubatão. Governo do Estado de São Paulo. Companhia Ambiental do Estado 
de São Paulo. 1986. Disponível em: . Acesso em: 5 out. 2021. 
CNN Brasil. Venda de antidepressivos cresce 17% durante pandemia no 
Brasil. Reportagem de Tiago Américo. 23 de fevereiro de 2021. Disponível em: 
. Acesso em: 5 out. 2021. 
CONNELL, J.; WALTON-ROBERTS, M. What about the workers? The missing 
geographies of health care. Progress in Human Geography. v. 40, n. 2, 2016, 
p. 158–176. 
FARIA, R.M.; BORTOLOZZI, A. Espaço, território e saúde: contribuições de 
Milton Santos para o tema da Geografia da Saúde no Brasil. R. RA´E GA, Editora 
UFPR: Curitiba, n. 17, 2009, p. 31-41. 
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/02/23/venda-de-antidepressivos-cresce-17-durante-pandemia-no-brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/02/23/venda-de-antidepressivos-cresce-17-durante-pandemia-no-brasil

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