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Unidade IV Responsabilização dos Agentes de Tratamento Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria RAIANNY LIMA BARROS INTERAMINENSE SILVIA CRISTINA DA SILVA AUTORIA Raianny Lima Barros Interaminense Silvia Cristina da Silva Olá. Somos Raianny Lima Barros Interaminense e Silvia Cristina da Silva. Eu, Raianny, sou formada em Direito pela Universidade de Ciências Sociais Aplicadas (Unifacisa) e especialista em Direito Tributário pelo Ins- tituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET). Atualmente sou professora conteudista e advogada. Como jurista, atuo na área de Direito Tributário. Antes de me dedicar integralmente à advocacia privada, tive experiência na área de direito público, em virtude do período de estágio na Procura- doria da Fazenda Nacional e no Ministério Público Estadual. Sou apaixo- nada e entusiasta pelo direito e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Eu, Silvia, sou mestre interdisciplinar em Educação, Ambiente e Sociedade – UNIFAE e tenho participação docente e discente no mestrado em Análise do Discurso - Universidade Federal de Buenos Aires. Sou especialista em Investigação de Antecedentes em instituições públicas e privadas; especialista em Docência do Ensino Superior e Direito e Educação pela Faculdade Campos Elíseos; pós-graduanda em EAD pela Faculdade Campos Elíseos e graduada em Ciências Jurídicas e Sociais – UNIFEOB. Atuo como vice-diretora acadêmica na Agência Nacional de Estudos em Direito ao Desenvolvimento (ANEDD); docente e conteudista em diversas instituições educacionais para cursos de graduação e pós-graduação; elaboradora de questões para concursos públicos em várias organizadoras; degravadora, redatora, tradutora e intérprete da língua espanhola. Por isso, fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte conosco! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO A responsabilidade civil na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais ..........................................................................................................10 Tratamento irregular ...................................................................................................................... 10 Reparação de danos e responsabilidade civil ........................................................... 12 Excludentes de responsabilidade....................................................................................... 18 Fiscalização ....................................................................................................21 Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais ........................................ 21 Funções da autoridade nacional ......................................................................25 Do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade .......................................................................................................................29 Boas práticas e governança ...................................................................33 Sanções administrativas ..........................................................................43 Parâmetros e critérios para a aplicação das sanções ..........................................47 Regulamento ..................................................................................................................................... 50 7 UNIDADE 04 Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 8 INTRODUÇÃO O uso de dados nos negócios e políticas públicas se tornou imprescindível. Em vista disso, a Lei Geral de Dados Pessoais estabeleceu regras para as operações de tratamento de dados pessoais, com o afã de proteger a privacidade das pessoas. Do mesmo modo, a legislação trouxe exigência de medidas capazes de trazer mais segurança aos titulares dos dados pessoais. Ocorre que é possível que haja descumprimento da norma e, de algum modo, o titular venha a ser lesado por algum ato ilícito ou incidente de segurança. Nesse caso, quem irá responder pelo dano causado? Como a LGPD pode responsabilizar e exigir ressarcimento? Existirá fiscalização? Caso positivo, quem a realizará? Quais são as penalidades aplicadas? Todos esses questionamentos serão respondidos nesta unidade, uma vez que iremos navegar pela forma de responsabilização, fiscalização, boas práticas e governança, além das sanções estabelecidas pela Lei. Preparado? Vamos juntos embarcar nesse conhecimento! Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vinda (o). Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Identificar e mensurar a repercussão da responsabilidade civil na proteção de dados; 2. Identificar as autoridades responsáveis pela fiscalização do uso inapropriado dos dados alheios; 3. Aplicar as regras e boas práticas de governança, que podem ser implementadas pelos agentes de tratamento; 4. Entender as hipóteses de sanções administrativas em caso de descumprimento da LGPD. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 10 A responsabilidade civil na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de identificar e mensurar a responsabilidade civil apresentada pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Esse conhecimento é essencial para compreender as hipóteses em que haverá responsabilização e ressarcimento de danos. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então, vamos lá. Avante! Tratamento irregular A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, visando salvaguardar os direitos dos titulares, estabeleceu a responsabilidade do controlador e do operador nos casos em que o tratamento for considerado irregular e gerar danos. Veja o que dispõe o seu artigo 44. Art. 44. O tratamento de dados pessoais será irregular quando deixar de observar a legislação ou quando não fornecer a segurança que o titular dele pode esperar, consideradas as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - o modo pelo qual é realizado; II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - as técnicas de tratamento de dados pessoais disponíveis à época em que foi realizado. Parágrafo único. Responde pelos danos decorrentes da violação da segurança dos dados o controlador ou o operador que, ao deixar de adotar as medidas de segurança previstas no art. 46 desta Lei, der causaao dano. (BRASIL, 2018) Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 11 Como se vê, toda vez que os agentes de tratamento não aplicarem a LGPD aos tratamentos de dados ou não aplicarem as medidas de segurança exigidas pela Lei, será irregular, conforme se verifica na figura 1. Figura 1 - Efeitos do descumprimento da LGPD Responsabilidade das partes Inobservância da norma Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Brasil, 2018. Logo, havendo dano em virtude da ausência de técnicas de segurança obrigatórias, o controlador e o operador irão responder por esses danos. Sobre o tratamento irregular, Mello é certeiro ao pontuar que se trata de “tratamento ilícito, toda operação que não corresponde com as expectativas do titular, levando em consideração um rol de circunstâncias que envolvem um cerne comum: práticas éticas e medidas de segurança” (MELLO, 2019, p. 209). Nesse ponto, cumpre ressaltar a importância de os agentes de tratamento efetuarem o registro de todas as operações de dados que realizarem, conforme determinação do art. 37 da LGPD, uma vez que irá facilitar a demonstração de todos os aspectos do tratamento, de modo a contribuir com a fiscalização, ao mesmo tempo em que auxilia na comprovação do atendimento às normas da LGPD por parte dos agentes (BRASIL, 2018). IMPORTANTE: A responsabilização dos agentes de tratamento é reflexo da aplicação dos princípios da segurança e da prevenção, constantes no art. 6º, VII e VIII da LGPD, eis que estes determinam a adoção de medidas técnicas e administrativas de segurança para casos acidentais ou ilícitos e a antecipação dos riscos, com o fito de proteger os dados pessoais (BRASIL, 2018). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 12 Percebe-se, portanto, que “o controlador deve ter da primazia à preservação da privacidade do titular por meio de medidas técnicas eficazes”, sob pena de ser responsabilizado pelos danos decorrentes do descumprimento dessa obrigação (MELLO, 2019, p. 210). Além desta hipótese de responsabilização dos agentes de tratamento dos dados pessoais, há previsão de reparação dos danos causados aos titulares. Vamos aprender? Reparação de danos e responsabilidade civil Os agentes de tratamento, controlador ou o operador serão responsáveis por reparar o dano causado a terceiro, nos termos do art. 42 da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Observe o que dispõe o dispositivo. Art. 42. O controlador ou o operador que, em razão do exercício de atividade de tratamento de dados pessoais, causar a outrem dano patrimonial, moral, individual ou coletivo, em violação à legislação de proteção de dados pessoais, é obrigado a repará-lo. (BRASIL, 2018) Fica claro, portanto, que no âmbito das operações de dados pessoais se houver dano causado a terceiro, em virtude de desobediência das normas contidas na LGPD, o controlador ou o operador devem reparar o dano a que deram causa, conforme é possível verificar na figura 2. Figura 2 - Reparação dos danos Operações de dados pessoais Danos causados a terceiros Reparação dos danos pelo operador Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Brasil, 2018. Vale salientar que se está diante de um caso de responsabilidade civil. Com efeito, sobre o conceito em questão, Mello (2019) esclarece que: A responsabilidade civil surge quando ocorre uma violação de norma jurídica preexistente, podendo ser tal norma contratual ou extracontratual. A violação do direito gera a possibilidade Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 13 para o ofendido requerer uma indenização por parte do ofen- sor, sendo que a ofensa pode ocorrer na modalidade patrimo- nial ou moral. (MELLO, 2019, p. 211-212) Infere-se que o artigo 42 da Lei nº 13.709/2018 trouxe esse tipo de responsabilidade para o controlador e o operador, em razão das obrigações que esses agentes possuem de proteger os dados pessoais através da aplicação integral das normas da Lei. ACESSE: A responsabilidade civil, como dito, pode ser contratual ou extracontratual. Para saber mais sobre essas espécies, leia os artigos 389 e seguintes; e art. 186 e seguintes do Código Civil, os quais abordam a responsabilidade contratual e extracontratual, respectivamente. Clique aqui para acessar. Quanto ao tema, você sabe dizer quando se configura a responsa- bilidade civil? De início, cumpre mencionar que há discussão acerca dos elementos necessários para a caracterização da responsabilidade civil. É que parte da doutrina defende que a culpa seria um requisito indispensável para a configuração da responsabilidade (TARTUCE, 2020). Por outro lado, há quem defenda que a culpa não é um pressuposto da responsabilidade civil e que para a sua caracterização bastam três elementos, quais sejam (MELLO, 2019, p. 212): 1. Conduta humana. 2. Nexo de causalidade. 3. Dano. Em síntese, a responsabilidade civil pode ser dividida em objetiva, quando a culpa não é analisada; e subjetiva, no caso em que a culpa é requisito para a obrigação de indenizar. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm 14 Figura 3 - Responsabilidade civil Objetiva Responsabilidade civil Subjetiva Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Mello, 2019, p. 12. No caso da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, o seu artigo 42 não faz menção à culpa do agente, de modo que se pode concluir que a Lei optou por estabelecer a responsabilidade civil objetiva (MELLO, 2019). IMPORTANTE: Para Mello (2019), a justificativa da responsabilidade civil objetiva se encontra no art. 927, parágrafo único do Código Civil, que dispõe sobre a obrigação de reparação de dano independente de culpa, sempre quando for especificado em lei ou quando a atividade realizada significar riscos para terceiros, como é o caso do tratamento dos dados (BRASIL, 2002). Pois bem, vimos que tanto o controlador, quanto o operador serão responsabilizados em caso de dano causado a terceiro pela atividade de tratamento de dados pessoais, mas e o encarregado? Sobre o questionamento, temos as precisas lições de Mello (2019). O inciso III do art. 43 menciona que quando terceiros (qualquer pessoa fora da relação entre agentes de tratamento e titular) forem os responsáveis pelo dano causado, existe uma hipótese de excludente de responsabilidade dos agentes, recaindo tal responsabilidade sobre o encarregado se for o terceiro envolvido, mas também pode ser atinente a um cyber criminoso (o que será demasiadamente difícil de comprovar). (MELLO, 2019, p. 213) Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 15 Nesse ponto, cumpre recordar que o encarregado é responsável pela comunicação entre os titulares, o controlador e a autoridade nacional de proteção de dados pessoais, conforme disposição expressa do art. 5º, VIII da LGPD (BRASIL, 2018). É induvidoso, mercê de tudo isso, que é possível que o encarregado cometa um erro na comunicação, que acarrete o dano ao terceiro, logo, pode, nesse caso, ser responsabilizado. Outrossim, o §1º do art. 42 da LGPD trouxe a hipótese da responsa- bilidade solidária, senão, veja-se: § 1º A fim de assegurar a efetiva indenização ao titular dos dados: I - o operador responde solidariamente pelos danos causados pelo tratamento quando descumprir as obrigações da legis- lação de proteção de dados ou quando não tiver seguido as instruções lícitas do controlador, hipótese em que o operador equipara-se ao controlador, salvo nos casos de exclusão pre- vistos no art. 43 desta Lei; II - os controladores que estiverem diretamente envolvidos no tratamento do qual decorreram danos ao titular dos dados respondem solidariamente, salvo nos casos de exclusão previstos no art. 43 desta Lei. (BRASIL, 2018) Portanto, caso o operador não siga as ordens do controlador ou atue em desconformidade com a LGPD, responderá solidariamente pelos danos causados. Além do mais, na hipótese de existirmais de um controlador realizando o tratamento, estes responderão solidariamente. IMPORTANTE: A responsabilidade solidária consiste no fato de a pessoa prejudicada poder exigir a indenização de qualquer um dos envolvidos, sem existir nenhuma ordem de preferência (MELLO, 2019). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 16 Por seu turno, o §2º do art. 42 da LGPD apresenta a possibilidade de inversão do ônus da prova. Leia com atenção o parágrafo. § 2º O juiz, no processo civil, poderá inverter o ônus da prova a favor do titular dos dados quando, a seu juízo, for verossímil a alegação, houver hipossuficiência para fins de produção de prova ou quando a produção de prova pelo titular resultar-lhe excessivamente onerosa. (BRASIL, 2018) Ao que se vê, sempre que houver alguma dificuldade em uma das partes conseguir a prova, é possível que haja a inversão do ônus da prova, ou seja, sua flexibilização. Cumpre registrar que essa disposição já existe no Código de Processo Civil, em seu art. 373, §1º, observe-se: Art. 373. O ônus da prova incumbe: 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. (BRASIL, 2015) Outrossim, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais determinou o seguinte em seu §3º do art. 42: § 3º As ações de reparação por danos coletivos que tenham por objeto a responsabilização nos termos do caput deste artigo podem ser exercidas coletivamente em juízo, observado o disposto na legislação pertinente. (BRASIL, 2018) Nessa perspectiva, cabe ressaltar que os direitos coletivos se dividem entre direitos essencialmente coletivos e direitos acidentalmente coletivos, segundo Mello (2019), conforme se verifica na figura 4 apresentada a seguir. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 17 Figura 4 - Direitos coletivos Acidentalmente coletivos Direitos coletivos Essencialmente coletivos Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Mello, 2019, p. 213. Mas o que significa isso? A respeito dos direitos essencialmente coletivos, precisas são as lições de Mello (2019): (i) difusos, (os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato) e (ii) coletivos stricto sensu (os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base). (MELLO, 2019, p. 214) Já o direito acidentalmente coletivo é aquele individual que se trata de maneira coletiva. Logo, falar em “tutela coletiva de direitos significa dizer que os direitos são individuais, porém tutelados de maneira coletiva” (MELLO, 2019, p. 214). Existem legislações que devem ser observadas, eis que tratam da tutela coletiva de direitos. É o caso do mandado de segurança coletivo, previsto no art. 5º, LXX da CF (BRASIL, 1988); Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985) e a Lei de Ação Popular (Lei nº 4.717/1965), de acordo com Mello (2019). Por seu turno, o §4º do art. 42 estabelece a possibilidade de ação de regresso com os demais responsáveis solidários. Ora, não seria justo que duas pessoas sejam igualmente responsáveis e apenas uma sofra o encargo financeiro de reparação de dano, não é mesmo? Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 18 Leia com atenção o referido dispositivo: § 4º Aquele que reparar o dano ao titular tem direito de regresso contra os demais responsáveis, na medida de sua participação no evento danoso. (BRASIL, 2018) O mesmo direito de regresso está previsto no art. 934 do Código Civil, veja-se: “Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou, salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta ou relativamente incapaz” (BRASIL, 2002). Ademais, o art. 45 da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais estabelece o seguinte: Art. 45. As hipóteses de violação do direito do titular no âmbito das relações de consumo permanecem sujeitas às regras de responsabilidade previstas na legislação pertinente. (BRASIL, 2018) Depreende-se, portanto, que o referido artigo representa a efetivação do princípio da especialidade, em que a lei específica prevalece em detrimento da lei geral (MELLO, 2019). Após conhecer as hipóteses de responsabilidade dos agentes de tratamento, em virtude do dano causado a terceiro no âmbito das operações de dados pessoais, passa-se a analisar as causas de exclusão de responsabilidade. Excludentes de responsabilidade A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais trouxe hipóteses de exclusão de responsabilidade dos agentes de tratamento em relação ao dano causado a terceiro, em seu art. 43. Observe o que dispõe o artigo: Art. 43. Os agentes de tratamento só não serão responsabilizados quando provarem: I - que não realizaram o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído; Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 19 II - que, embora tenham realizado o tratamento de dados pessoais que lhes é atribuído, não houve violação à legislação de proteção de dados; ou III - que o dano é decorrente de culpa exclusiva do titular dos dados ou de terceiro. (BRASIL, 2018) A primeira hipótese, constante no inciso I, se refere ao fato de que os agentes não realizaram o tratamento, logo, não deram causa ao dano sofrido em razão dessa operação. Por seu turno, a segunda hipótese (inciso II) está ligada ao fato de que, em que pese existir dano a terceiro causado pelo tratamento de dados pessoais, este foi realizado em conformidade com todas as normas da LGPD. Trata-se, em verdade, de exercício regular de direito, previsto também no art. 188, I do Código Civil e afasta a responsabilidade, pelo simples fato de que o agente não desrespeitou a lei em nenhum momento, logo, não deve sofrer o encargo de reparar os danos sofridos por terceiro (MELLO, 2019). Ora, não seria justo que uma pessoa respeitando todas as regras seja responsabilizado pelos danos de terceiros, não é mesmo? Por fim, a LGPD determinou como hipótese de exclusão de responsabilidade os casos em que o dano foi causado exclusivamente pelo terceiro ou titular dos dados, conforme inciso III do art. 43 da Lei (BRASIL, 2018). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 20 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o tratamento irregular de dados se configura pela não obediência à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, bem como pela não adoção das medidas técnicas e administrativas de segurança exigidas pela Lei. Portanto, você viu que nos casos em que os agentes de tratamento deixarem de adotar medidas de segurança e, por esse motivo, causarem danos a terceiros, os agentes irão responder por esses danos. Ademais, você deve ter aprendido que os agentes irão responder pelos danos patrimoniais, morais, individuais ou coletivos causados pela violação da LGPD no tratamento de dados pessoais. Viu que essa disposição legal consiste na responsabilidade civil, que ocorre pela violação de norma contratual ou extracontratual. Sobre os pressupostos da responsabilidade civil, alguns autores entendem que deve ser incluída a culpa, outros defendem que são apenas três: conduta humana, nexo de causalidade e dano. Você aprendeu também que a LGPD, por não fazer menção ao elemento da culpa, traz a figura da responsabilidade objetiva. Viu também que o encarregado pode ser responsabilizado apenas nos casosem que causar exclusivamente o dano. Viu, ainda, que a responsabilidade é solidária, uma vez que se pode exigir a reparação tanto do controlador quanto do operador, ou de qualquer um dos controladores, sem ordem correta. Há, nesse caso, direito de regresso daquele que pagou o encargo contra o outro responsável. Você também deve ter aprendido que há na LGPD previsão de inversão do ônus da prova quando houver dificuldades de uma das partes conseguir. Ademais, em prol do princípio da especialidade, nos casos de violação de tratamento de dados relacionado com o consumo, deve-se observar a legislação pertinente à área. Por fim, você viu que são três as hipóteses de exclusão da responsabilidade: quando os agentes não realizarem o tratamento; quando os agentes obedecerem à LGPD e quando o dano for causado exclusivamente por terceiro ou pelo titular dos dados. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 21 Fiscalização INTRODUÇÃO: A fiscalização de uma norma é de suma importância para garantir o seu fiel cumprimento, bem como penalizar aqueles que não a estiverem cumprindo. Neste capítulo, iremos identificar os agentes competentes por realizar a fiscalização do tratamento dos dados pessoais. Pronto? Vamos lá. Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais Inicialmente, cabe destacar que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) é responsável pela fiscalização da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), conforme previsão do inciso XIX, art. 5º da LGPD (BRASIL, 2018). Mas o que é a autoridade nacional? A ANPD é um órgão da administração pública federal, veja: Art. 55-A. Fica criada, sem aumento de despesa, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), órgão da administração pública federal, integrante da Presidência da República. § 1º A natureza jurídica da ANPD é transitória e poderá ser transformada pelo Poder Executivo em entidade da administração pública federal indireta, submetida a regime autárquico especial e vinculada à Presidência da República. § 2º A avaliação quanto à transformação de que dispõe o § 1º deste artigo deverá ocorrer em até 2 (dois) anos da data da entrada em vigor da estrutura regimental da ANPD. § 3º O provimento dos cargos e das funções necessários à criação e à atuação da ANPD está condicionado à expressa Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 22 autorização física e financeira na lei orçamentária anual e à permissão na lei de diretrizes orçamentárias. Art. 55-B. É assegurada autonomia técnica e decisória à ANPD. (BRASIL, 2018) Fica claro, portanto, que não haverá oneração do Estado com a criação da autoridade nacional, uma vez que serão utilizados cargos de órgãos e entidades já existentes, de acordo com o que dispões o art. 55-H da LGPD (BARROS; FERREIRA, 2019). A autoridade nacional é o “órgão da administração pública respon- sável por zelar, implementar e fiscalizar o cumprimento desta Lei em todo o território nacional”, conforme art. 5º, XIX da LGPD (BRASIL, 2018). A composição da ANPD se dará da seguinte maneira: Art. 55-C. A ANPD é composta de: I - Conselho Diretor, órgão máximo de direção; II - Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; III – Corregedoria; IV - Ouvidoria; V - Órgão de assessoramento jurídico próprio; e VI - Unidades administrativas e unidades especializadas necessárias à aplicação do disposto nesta Lei. (BRASIL, 2018) No que se refere ao Conselho Diretor, tem-se a seguinte previsão do art. 55-D: Art. 55-D. O Conselho Diretor da ANPD será composto de 5 (cinco) diretores, incluído o Diretor-Presidente. § 1º Os membros do Conselho Diretor da ANPD serão escolhidos pelo Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo Senado Federal, nos termos da alínea ‘f’ do inciso III do art. 52 da Constituição Federal, e ocuparão Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 23 cargo em comissão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS, no mínimo, de nível 5. § 2º Os membros do Conselho Diretor serão escolhidos dentre brasileiros que tenham reputação ilibada, nível superior de educação e elevado conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais serão nomeados. § 3º O mandato dos membros do Conselho Diretor será de 4 (quatro) anos. § 4º Os mandatos dos primeiros membros do Conselho Diretor nomeados serão de 2 (dois), de 3 (três), de 4 (quatro), de 5 (cinco) e de 6 (seis) anos, conforme estabelecido no ato de nomeação. § 5º Na hipótese de vacância do cargo no curso do mandato de membro do Conselho Diretor, o prazo remanescente será completado pelo sucessor. (BRASIL, 2018) Ao que se vê, o mandato dos membros do Conselho Diretor apresenta prazo de duração diferentes, logo pode-se concluir que a substituição não será simultânea (BARROS; FERREIRA, 2019). Cumpre registrar que esses membros poderão perder o cargo nas seguintes hipóteses elencadas pelo art. 55-E da LGPD (BRASIL, 2018): 1. Renúncia. 2. Condenação judicial transitada em julgado. 3. Pena de demissão decorrente de processo administrativo disciplinar. Figura 5 - Pressupostos para a perda de cargos Renúncia Condenação judicial Pressuposto para a perda de cargos Processo administrativo disciplinar Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Mello, 2019, p. 213. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 24 Cumpre registrar que o processo administrativo disciplinar será instaurado pelo Ministro de Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República e “conduzido por comissão especial constituída por servidores públicos federais estáveis”, conforme preceitua o §1º do art. 55-E da LGPD (BRASIL, 2018). Além disso, é o Presidente da República que irá decidir acerca do PAD, bem como determinar o afastamento preventivo do membro, quando recomendado pela comissão especial, nos moldes do §2º do art. 55-E da LGPD (BRASIL, 2018). Após o exercício do cargo, nos termos do art. 55-F da LGPD, os membros do Conselho Diretor observaram o disposto no art. 6º da Lei nº 12.813/2013, que trata sobre as hipóteses de conflito de interesse, que pode ser configurada como improbidade administrativa (BRASIL, 2018). ACESSE: Para conhecer as hipóteses de conflito de interesse após o exercício do cargo ou emprego, leia o art. 6º da Lei nº 12.813/2013. Clique aqui para acessar. Outrossim, a estrutura regimental da autoridade nacional será decidida pelo Presidente da República, recebendo a ANPD apoio técnico e administrativo da Casa Civil da Presidência da República, conforme art. 55-G, §1º da LGPD (BRASIL, 2018). IMPORTANTE: O regimento interno da autoridade nacional de proteção de dados será feito pelo Conselho Diretor, o qual também será responsável pela indicação das pessoas para os cargos em comissão e das funções de confiança da ANPD, nomeadas pelo diretor presidente, nos termos do §2º do art. 55-G e art. 55-I da LGPD (BRASIL, 2018). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12813.htm 25 Funções da autoridade nacional A autoridade nacional de proteção de dados pessoais possui funções extremamente importantes para o bom funcionamento das operações com dados. Nesse contexto, Barros e Ferreira (2019) elencam como funções da ANPD as seguintes apresentadas na figura 6 a seguir: Figura 6 - Funções da autoridade nacional Integrativa Interpretação Fiscalização Legislativa Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Barros e Ferreira, 2019, p. 21. Acerca das competências da autoridade nacional, elucidativas são as lições de Barros e Ferreira (2019): (i) editar normas e procedimentos sobre a proteção de dados pessoais, (ii) requisitar informações, a qualquer momento, aos controlares e operadores de dados pessoais que realizem operações de tratamento de dados pessoais, (iii) fiscalizar e aplicarsanções na hipótese de tratamento de dados realizado em descumprimento à legislação, mediante processo administrativo que assegure o contraditório, a ampla defesa e o direito de recurso, (iv) promover ações de cooperação com autoridades de proteção de dados pessoais de outros países, de natureza internacional ou transacional. (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 263) Depreende-se do disposto que a autoridade nacional é responsável pela regulamentação do tratamento dos dados pessoais, desde a elaboração de normas, sua interpretação, solicitação de informações dos agentes de tratamento, fiscalização e promoção de cooperação. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 26 ACESSE: Para conhecer todas as funções da autoridade nacional de proteção de dados, leia o art. 55-J da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Clique aqui para acessar. Assim é que se pode afirmar que a autoridade nacional possui grande relevância no âmbito administrativo do tratamento de dados pessoais, eis que além de regulamentar a operação, interpreta as normas contidas na LGPD, a fim de nortear a aplicação da Lei (BARROS; FERREIRA, 2019). Especificadamente à função de fiscalização, a ANPD irá poder realizá-la através da solicitação de informações dos agentes de tratamento, bem como por informações fornecidas pelos órgãos e entidades da administração pública. Outrossim, em temas de relevante interesse público, a ANPD pode realizar consultas e audiências públicas, a fim de sanar possíveis dúvidas. Sobre o tema, pontuam Barros e Ferreira (2019): Confere à ANPD o dever de consultar e se articular aos demais órgãos e autarquias especializados, como agências reguladoras, na tentativa de corrigir falhas de mercado, sempre no interesse público. Essa articulação é relevante no momento em que confere maior legitimidade e tecnicidade ao processo regulatório. (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 264-265) Como se vê, a autoridade nacional pode entrar em contato com entidades ou órgãos da administração pública para elucidar determinados assuntos. Nesse ponto, cumpre destacar que a ANPD lidará com diversos temas, eis que atuará em todo e qualquer tipo de tratamento de dados pessoais, o que resulta no contato com uma gama de setores da economia. Nessa linha, observe o que dispõe os §§3º e 4º do art. 55-J da LGPD: § 3º A ANPD e os órgãos e entidades públicos responsáveis pela regulação de setores específicos da atividade econômica e governamental devem coordenar suas atividades, nas Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm 27 correspondentes esferas de atuação, com vistas a assegurar o cumprimento de suas atribuições com a maior eficiência e promover o adequado funcionamento dos setores regulados, conforme legislação específica, e o tratamento de dados pessoais, na forma desta Lei. § 4º A ANPD manterá fórum permanente de comunicação, inclusive por meio de cooperação técnica, com órgãos e entidades da administração pública responsáveis pela regulação de setores específicos da atividade econômica e governamental, a fim de facilitar as competências regulatória, fiscalizatória e punitiva da ANPD. (BRASIL, 2018) Ressalte-se que as consultas e audiências públicas são exigidas quando a ANPD for elaborar os regulamentos e as normas editadas, em virtude do disposto no §2º, do art. 55-J, da LGPD (BRASIL, 2018). Por sua vez, também é requisito para a edição de normas e regulamento pela autoridade nacional, as análises de impacto regulatório, por expressa previsão do §2º, do art. 55-J da Lei nº 13.709/2018. Retomando o assunto da fiscalização, caso a autoridade nacional verifique descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, poderá no mesmo momento aplicar a sanção cabível, sendo garantido o processo administrativo, oportunidade em que será garantido o contraditório e a ampla defesa (BARROS; FERREIRA, 2019). Nessa perspectiva, poderá ser interposto recurso contra a decisão administrativa, e caso esta não seja reconsiderada, será encaminhada à autoridade superior, conforme previsão contida no artigo 56, §1º da Lei nº 9.784/1999. IMPORTANTE: Barros e Ferreira atestam que “devido à autonomia técnica da ANPD, não é possível interpor recurso hierárquico impróprio em razão das decisões proferidas pelo órgão. No entanto, o controle judicial dos atos da autoridade é possível” (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 266). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 28 Partindo da premissa que a atividade de fiscalização por parte da ANPD poderá acarretar identificação de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e, por consequência, a adoção de sanções, o art. 55-K da LGPD trouxe a seguinte determinação: Art. 55-K. A aplicação das sanções previstas nesta Lei compete exclusivamente à ANPD, e suas competências prevalecerão, no que se refere à proteção de dados pessoais, sobre as competências correlatas de outras entidades ou órgãos da administração pública. Parágrafo único. A ANPD articulará sua atuação com outros ór- gãos e entidades com competências sancionatórias e normati- vas afetas ao tema de proteção de dados pessoais e será o ór- gão central de interpretação desta Lei e do estabelecimento de normas e diretrizes para a sua implementação. (BRASIL, 2018) Ao que se depreende, a Lei determinou a proibição do bis in idem, que consiste em aplicar mais de uma sanção para um mesmo fato (BARROS; FERREIRA, 2019). Por outro lado, a autoridade nacional tem a função integrativa, ou seja, deve promover “atividades integrativas, que possibilitem a difusão de conhecimento na sociedade sobre as normas e políticas públicas de proteção de dados pessoais e sobre as medidas de segurança” (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 267). Figura 7 - Função integrativa Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Barros e Ferreira, 2019, p. 268. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 29 Cabe destacar que, por se tratar de um órgão da administração pública, a ANPD não possui patrimônio e receita próprios, o que reduz sua autonomia e dificulta sua atuação. Para Barros e Ferreira (2019) há “risco de sofrer ruptura por agentes do mercado, ou, ainda, se tornar refém de contingenciamentos ou restrição de recursos” (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 267). SAIBA MAIS: As receitas da ANPD estão discriminadas no art. 55-L da Lei nº 13.709/2018. Clique aqui para acessar. Do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade O Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (CNPD) integra a estrutura da ANPD e é “responsável pela elaboração de estudos e realização de debates e audiências públicas, e também pela indicação, com caráter sugestivo, de ações a serem realizadas pela autoridade de dados” (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 267). A composição do CNPD será a seguinte: Art. 58-A. O Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade será composto de 23 (vinte e três) representantes, titulares e suplentes, dos seguintes órgãos: I - 5 (cinco) do Poder Executivo Federal: II - 1 (um) do Senado Federal; III - 1 (um) da Câmara dos Deputados; IV - 1 (um) do Conselho Nacional de Justiça; V - 1 (um) do Conselho Nacional do Ministério Público; VI - 1 (um) do Comitê Gestor da Internet no Brasil; Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm 30 VII - 3 (três) de entidades da sociedade civil com atuação relacionada a proteção de dados pessoais; VIII - 3 (três) de instituições científicas, tecnológicas e de inovação; IX - 3 (três) de confederações sindicais representativas das categorias econômicas do setor produtivo; X - 2 (dois) de entidades representativas do setor empresarial relacionado à área de tratamento de dados pessoais; e XI - 2 (dois) de entidades representativas do setor laboral. Ao que se depreende, existe uma maior representatividadecivil no Conselho, sendo de grande valia mencionar que se busca promover a transparência do tratamento de dados, a fim de “garantir a accountability – ou prestação de contas – do órgão decisional” (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 268). Os representantes das entidades de sociedade civil com atuação na proteção de dados; instituições científicas, tecnológicas e de inovação; entidades representativas do setor empresarial ligado ao tratamento de dados e entidade representativas do setor laboral, serão indicados por regulamento e não podem compor o Comitê Gestor da Internet (CGI), conforme §3º do art. 58-A da LGPD (BRASIL, 2018). REFLITA: Caso fosse possível a indicação dos membros ao Comitê Gestor da Internet “poderia gerar distorções significativas no modelo proposto pela medida provisória”, não é mesmo? (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 268). O art. 58-B determina as funções do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais. Observe a dicção do artigo: Art. 58-B. Compete ao Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 31 I - propor diretrizes estratégicas e fornecer subsídios para a elaboração da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade e para a atuação da ANPD; II - elaborar relatórios anuais de avaliação da execução das ações da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; III - sugerir ações a serem realizadas pela ANPD; IV - elaborar estudos e realizar debates e audiências públicas sobre a proteção de dados pessoais e da privacidade; e V - disseminar o conhecimento sobre a proteção de dados pessoais e da privacidade à população. (BRASIL, 2018) Fica claro, portanto, que o CNPD deve promover segurança aos titulares de dados e prestar orientação no âmbito dos tratamentos de dados pessoais, implementando a Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade (BARROS; FERREIRA, 2019). Ademais, o CNPD irá fomentar o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico através da possibilidade de utilização dos dados e a proteção dos direitos individuais pela regulamentação da proteção de dados. Por fim, o Conselho será “responsável pela expansão do conhecimento da população no que se refere à proteção de dados pessoais” (BARROS; FERREIRA, 2019, p. 271). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 32 RESUMINDO: Você aprendeu neste capítulo que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) é responsável pela fiscalização do tratamento de dados pessoais e consiste em um órgão da administração pública federal indireta, que utiliza cargos de órgãos e entidades já existentes. Viu que a ANPD é composta por conselho diretor; conselho nacional de proteção de dados pessoais e de privacidade; corregedoria; ouvidoria; órgão de assessoramento jurídico próprio e unidades administrativas e unidades especializadas. Você aprendeu também que o conselho diretor é formado por cinco diretores escolhidos pelo presidente, dentre os brasileiros, com reputação ilibada, nível superior de educação e elevado conhecimento no campo da especialidade do cargo. Ainda, viu que esses membros podem perder o cargo por renúncia, condenação judicial transitada em julgado e pena decorrente de processo administrativo disciplinar. Além do mais, você viu que a estrutura regimentar da ANPD é escolhida pelo Presidente e que as funções da autoridade são a de fiscalizar, elaborar normas, interpretar e integrativa. Outrossim, viu que para a ANPD editar normas e regulamentos deve realizar consultas e audiências públicas, bem como análise de impacto regulatório. No âmbito da fiscalização, caso encontre alguma irregularidade, a autoridade pode aplicar sanção, devendo existir processo administrativo prévio. A LGPD também determinou a impossibilidade do bis in idem, ou seja, aplicar mais de uma sanção para um mesmo fato. A ANPD deverá realizar atividades integrativas para promover conhecimento da população sobre a proteção de dados. Por fim, viu que a autoridade nacional não possui patrimônio e receita próprios. Ademais, você aprendeu que o Conselho Nacional de Proteção de Dados e de Privacidade integra a ANPD e é composto por 23 representantes, em que cinco são do Poder Executivo Federal; um do Senado; um da Câmara dos Deputados; um do Conselho Nacional de Justiça; um do Conselho Nacional do Ministério Público; um do Comitê de Gestão da Internet; três da sociedade civil; três de instituições científicas, de tecnologia e inovação; três da Confederação Sindical representativas das categorias do setor produtivo, três de entidades representativas do setor empresarial e três das entidades representativas do setor laboral. Por fim, viu que o CNPD deve manter o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a proteção dos direitos individuais, bem como promover o conhecimento da população. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 33 Boas práticas e governança INTRODUÇÃO: Neste capítulo, você irá aprender as regras de boas práticas e governança e os agentes responsáveis por criá-las, no âmbito da proteção de dados pessoais. Esse conhecimento possui elevado valor para a manutenção do cumprimento da LGPD. Então? Está pronto para desenvolver essa competência? Vamos lá! A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais é a primeira legislação específica aplicável às operações com dados, logo, se trata da regulamentação dos tratamentos dos dados pessoais, com o fito de assegurar os direitos e as garantias individuais daqueles envolvidos nessas atividades, tendo em vista o risco dessas operações. Nesse cenário, a LGPD se preocupou em fixar a criação das regras de boas práticas e governança, a fim de fomentar o controle das entidades sobre pessoas, processos e sistemas relacionados ao cumprimento da proteção de dados. Mas o que se pode entender por “boas práticas” e “governança”? A governança consiste no “ato diretivo a partir do qual são regidas empresas e demais instituições”, ao passo que as boas práticas são o “conjunto de princípios e ações voltado ao atingimento de metas, desenvolvimento da organização e manutenção da credibilidade do público em relação a esta” (LOPES, 2019b, p. 229-330). Logo, as boas práticas e a governança nada mais são do que parte da estrutura organizacional de uma empresa, ligada às regras institucionais, alinhadas com a política interna de cada estabelecimento e ao cumprimento das normas. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 34 Figura 8 - Boas práticas e governança Regras institucionais Estrutura de uma empresa Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Lopes, 2019b, p. 229-330. Ao lado dessas expressões está o compliance, muito comentando na atualidade, visto que se refere à conformidade de determinada pessoa jurídica às leis e regulamentos (LOPES, 2019b). Sobre a importância das boas práticas e governança no âmbito da proteção de dados pessoais, Bioni (2019) explana: Leis de proteção de dados pessoais compõem necessariamente esse arranjo de governança, na medida em que suas normas abraçam todo e qualquer processamento de dados que sujeite um indivíduo ou uma coletividade a uma decisão automatizada. Pouco importa se tal tratamento se centra em uma informação isolada ou agregada e que não revele uma pessoa direta ou indiretamente (dados anonimizados), desde que ele impacte a sua vida e, portanto, o livre desenvolvimento da sua personalidade. (BIONI, 2019, p. 113) Dessa forma, a governança relacionada à LGPD revela sua essen- cialidade para assegurar tanto o livre desenvolvimento da personalidade da pessoa humana quanto outros direitos fundamentais que a Lei busca proteger. Logo, o incentivo para a adoção de boas práticas dentro de uma organização é a de fomentar internamente a realização de tratamento de dados pessoais seguros e adequados com a legislação pertinente. Para Lopes (2019b), “a finalidade de tais regramentos seria a de assegurarmecanismos internos de controle e supervisão, bem como mitigar possíveis riscos, de forma a resguardar a empresa e inspirar confiabilidade do público” (LOPES, 2019b, p. 231). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 35 Note que a adoção de boas práticas e governança também é importante para as empresas, pois gera a confiança das pessoas em fornecer seus dados pessoais para o tratamento desta. Ora, se uma organização se mostra estruturada e preocupada com a proteção das informações e cumprimento da Lei, é de se concluir que é seguro disponibilizar dados para ela, não é mesmo? Partindo dessa premissa, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais fixou a competência dos agentes de tratamento, controlador e operador, para formular as regras de boas práticas e governança. Sobre o tema, observe o que dispõe o art. 50 da Lei: Art. 50. Os controladores e operadores, no âmbito de suas competências, pelo tratamento de dados pessoais, individualmente ou por meio de associações, poderão formular regras de boas práticas e de governança que estabeleçam as condições de organização, o regime de funcionamento, os procedimentos, incluindo reclamações e petições de titulares, as normas de segurança, os padrões técnicos, as obrigações específicas para os diversos envolvidos no tratamento, as ações educativas, os mecanismos internos de supervisão e de mitigação de riscos e outros aspectos relacionados ao tratamento de dados pessoais. (BRASIL, 2018) Como se vê, as regras podem ser elaboradas de forma individual ou coletiva, através de associações. Além do mais, deverão abordar todos os aspectos das atividades de tratamento de dados pessoais, com o fito de salvaguardar as operações como um todo, não dando margem para dúvidas sobre a forma de atuação. Por seu turno, os agentes de tratamento, ao formular as mencionadas regras devem considerar “a natureza, o escopo, a finalidade e a probabilidade e a gravidade dos riscos e dos benefícios decorrentes de tratamento de dados do titular”, conforme §1º do art. 50 da LGPD (BRASIL, 2018). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 36 SAIBA MAIS: O incentivo da LGPD e as regras de boas práticas e governança estão em conformidade com os princípios gerais da segurança e da prevenção, de acordo com o §2º do art. 50 da Lei. Para recordar esses princípios, leia o art. 6º, VII e VIII da LGPD. Clique aqui para acessar. Assim é que o §2º do art. 50 da Lei Geral de Proteção de Dados Pes- soais determina que o controlador deve se atentar para as especificidades dos tratamentos em que opera, para formular as regras de boas práticas e governança de forma correta (BRASIL, 2018). VOCÊ SABIA? A GDPR apresenta como forma de governança os códigos de conduta “que são documentos a serem elaborados com o fito de harmonizar a correta aplicação da regulamentação com as especificidades e necessidades de cada setor” (LOPES, 2019b, p. 232). Cumpre destacar que a LGPD tomou o cuidado de fixar requisitos mínimos para o programa de governança a ser elaborado pelo controlador, a fim de impedir a ausência de regramento acerca de algum ponto das operações de tratamento de dados pessoais. Para que não haja dúvida, leia com atenção o §2º do art. 50 da LGPD: § 2º Na aplicação dos princípios indicados nos incisos VII e VIII do caput do art. 6º desta Lei, o controlador, observados a estrutura, a escala e o volume de suas operações, bem como a sensibilidade dos dados tratados e a probabilidade e a gravidade dos danos para os titulares dos dados, poderá: I - implementar programa de governança em privacidade que, no mínimo: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm 37 a) demonstre o comprometimento do controlador em adotar processos e políticas internas que assegurem o cumprimento, de forma abrangente, de normas e boas práticas relativas à proteção de dados pessoais; b) seja aplicável a todo o conjunto de dados pessoais que estejam sob seu controle, independentemente do modo como se realizou sua coleta; c) seja adaptado à estrutura, à escala e ao volume de suas operações, bem como à sensibilidade dos dados tratados; d) estabeleça políticas e salvaguardas adequadas com base em processo de avaliação sistemática de impactos e riscos à privacidade; e) tenha o objetivo de estabelecer relação de confiança com o titular, por meio de atuação transparente e que assegure mecanismos de participação do titular; f) esteja integrado a sua estrutura geral de governança e estabeleça e aplique mecanismos de supervisão internos e externos; g) conte com planos de resposta a incidentes e remediação; e h) seja atualizado constantemente com base em informações obtidas a partir de monitoramento contínuo e avaliações periódicas; II - demonstrar a efetividade de seu programa de governança em privacidade quando apropriado e, em especial, a pedido da autoridade nacional ou de outra entidade responsável por promover o cumprimento de boas práticas ou códigos de conduta, os quais, de forma independente, promovam o cumprimento desta Lei. (BRASIL, 2018) Fica claro, portanto, que o legislador optou por descrever minucio- samente cada aspecto do tratamento de dados pessoais que devem ser considerados para fins da implementação do programa de governança em privacidade. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 38 Em outras palavras, o controlador terá plena orientação para as escolhas do regramento de governança, relacionadas à demonstração de interesse deste nos processos e nas políticas públicas voltadas ao cumprimento da LGPD, conforme inciso I, a do art. 50 (BRASIL, 2018). Além disso, devem ser aplicadas as regras a todos os tratamentos em que o controlador opera (art. 50, I, b), ao passo que se deve atentar para as particularidades de cada atividade e dado, a fim de adequar o programa (art. 50, I, c) (BRASIL, 2018). Especificadamente acerca da segurança das operações, o contro- lador deve adotar medidas de antecipação dos riscos (art. 50, I, d) e de solução para os casos de incidentes (art. 50, I, g) (BRASIL, 2018). Do mesmo modo, o controlador deve manter a relação de confiança com o titular de dados, pautando sua comunicação com transparência (art. 50, I, e). Além do mais, deve manter atualização e monitoramento das atividades (art. 50, I, h) e realizar supervisões externas e internas (art. 50, I, f) (BRASIL, 2018). ACESSE: O §2º do art. 50 da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais toma como base diversos princípios gerais da disciplina da proteção dos dados pessoais. Logo, a fim de recordar todos esses princípios, leia o artigo 6º da LGPD. Clique aqui para acessar. Por fim, o controlador terá obrigação de demonstrar que seu programa de governança em privacidade é efetivo para quem for responsável pela fiscalização e cumprimento das normas da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, conforme previsão do inciso II do art. 50 da Lei (BRASIL, 2018). Nessa linha, precisas são as lições de Lopes (2019b): Por fim, observa-se que a LGPD, em clara alusão ao espírito consagrado pelo GDPR, buscou dar a esse campo, através da possibilidade de autorregulamentação, a autonomia Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13709.htm 39 necessária para viabilizar o livre desenvolvimento, porém sem negligenciar os direitos fundamentais dos sujeitos tutelados. (LOPES, 2019b, p. 232) Ao que se depreende, há nítida abertura para que cada pessoa jurídica possa criar suas regras internas, de acordo com as particularidades de suas operações, sem, contudo, deixar de observar as diretrizes estabelecidas pela LGPD. O §3º do art. 50 da LGPD apresenta a determinação de publicidade e atualização das regras de boas práticas e governança, ressaltando a possibilidade da autoridade nacional de dados reconhecê-las e divulgá-las (BRASIL, 2018). Outrossim, a ANPD será responsável por incentivar as boas práticas e governança, devendo estimular “a adoção de padrões técnicos que facilitem o controle pelos titulares dos seus dados pessoais”, de acordo com o disposto no art. 51 da LGPD (BRASIL, 2018). Sobre a finalidade da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais em promover as boas práticas e a governança, Lopes (2019b) atesta: Estimular a adoção de uma nova cultura organizacional e aprimorar a inteligência corporativa por parte de organizações responsáveis pelo tratamento de dados pessoais, com vistas ao desenvolvimento de um ambiente seguro e confiável. (LOPES, 2019b, p. 232) Como se vê, a Lei procurou estabelecer a responsabilidade de organização e regramentos específicos para as empresas que atuam com os tratamentos de dados pessoais, a fim de incentivar o desenvolvimento econômico sem deixar de assegurar a proteção dos direitos individuais envolvidos. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 40 ACESSE: Para saber mais sobre as etapas do programa de governança em privacidade, leia o Guia de Elaboração de Programa de Governança em Privacidade, que possui o intuito de orientar órgãos e entidades da Administração Pública Federal, autárquica e fundacional. Clique aqui para acessar. Ressalte-se que “uma boa governança corporativa digital traz mais agilidade, transparência e autonomia, portanto, está diretamente ligada à utilização da plataforma digital para fluxo de trabalho, preservação de conteúdo e tomada de decisões” (ATHENIENSE, 2020, p. 272). Noutros termos, pode-se concluir que a digitalização da governança tornará o processo de organização ainda mais célere e transparente, sendo de grande valia ressaltar que o uso da tecnologia não prejudicará o conteúdo e as decisões das organizações. IMPORTANTE: Em verdade, “o desafio está em arquitetar processos de governança que impeçam a ocorrência de efeitos indesejados ao se introjetar tais tecnologias nos circuitos decisórios do nosso cotidiano” (BIONI, 2019, p.113). É indiscutível, portanto, que a governança traz o controle das operações às empresas, principalmente no que se refere à tomada de decisões, eis que assegura o conhecimento sobre as operações, bem como promove meios para supervisão. Acerca da relevância das políticas de privacidade, Lopes (2019b) defende: Dessa forma, é fortemente recomendável que as empresas, à luz da LGPD, reformulem suas políticas de privacidade, elaborem planos de contingência e garantam meios de Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais https://www.gov.br/governodigital/pt-br/governanca-de-dados/GuiaProgramaGovernanaemPrivacidade.pdf 41 fiscalização periódica e contínua, a exemplo do fortalecimento dos procedimentos de auditoria. Nessa toada, interessante que se apure todo o processo de tratamento realizado, sobretudo no tocante à natureza e ao volume dos dados tratados, bem como a quem possui acesso a eles e quais técnicas de segurança são aplicadas para sua proteção. (LOPES, 2019b, p. 233) Fica claro, portanto, que a adoção de regras de boas práticas e de governança são essenciais para o conhecimento das organizações acerca de todos os aspectos de suas operações com os dados pessoais, ganhando relevo no que concerne ao controle dos processos e resultados das atividades. Do mesmo modo, tornar clara a política interna das empresas sobre a proteção de dados pessoais é de suma importância para a manutenção do cumprimento das normas trazidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Segundo Atheniense (2020), a governança promove o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a justiça social e proteção de direitos individuais. Logo, é incontroverso que a LGPD não foi criada com o intuito de proibir o uso de dados pessoais com objetivo econômico, mas sim para regulamentar essa atividade, incentivando a inovação e a economia, sem deixar de lado a proteção necessária aos direitos individuais envolvidos no tratamento de dados pessoais. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 42 RESUMINDO: Ao final deste capítulo você deve ter aprendido que a governança é um ato diretivo que irá reger as empresas e entidades, ao passo que as boas práticas consistem nos princípios e ações voltados para a organização, comprometimento, confiança e metas de uma empresa. Você aprendeu que o controlador e o operador são responsáveis por formular as regras de boas práticas e de governança, devendo observar as particularidades de cada operação de tratamento e respeitar os princípios gerais da segurança e da prevenção. Viu também que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais confere ao controlador a possibilidade de implementação de programa de governança em privacidade, desde que se observe as características mínimas de adoção de políticas internas que visem o cumprimento da LGPD e das boas práticas; aplicação do programa para todas as operações de tratamento em que o controlador atua; adaptação do programa conforme o tratamento e o tipo de dado; aplicação de medidas sobre impacto e riscos; assegurar a relação de confiança com o titular por meio da transparência; utilização de medidas para supervisões externas e internas; plano de resposta a incidentes e remediação; atualização e monitoramento. Ainda, você aprendeu que a pedido da ANPD ou outra entidade competente, o controlador deve demonstrar a efetividade do programa. Por sua vez, viu que deve haver publicidade e atualização das regras de boas práticas e governança e a ANPD pode reconhecê-las e divulgá-las. Por fim, você aprendeu que a autoridade nacional deve incentivar a adoção de medidas técnicas que possibilitem o controle do titular dos dados pessoais. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 43 Sanções administrativas INTRODUÇÃO: Neste capítulo você irá entender as hipóteses de sanções administrativas nos casos de descumprimento das normas da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Pronto para desenvolver essa importante competência? Avante! Com o objetivo de punir aqueles que descumpram as normas da LGPD, a referida Lei elencou as sanções administrativas aplicáveis a esses casos em seu art. 52, veja: Art. 52. Os agentes de tratamento de dados, em razão das infrações cometidas às normas previstas nesta Lei, ficam sujeitos às seguintes sanções administrativas aplicáveis pela autoridade nacional: I - advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas; II - multa simples, de até 2% (dois por cento) do faturamento da pessoa jurídica de direito privado, grupo ou conglomerado no Brasil no seu último exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, a R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por infração; III - multa diária, observado o limite total a que se refere o inciso II; IV - publicização da infração após devidamente apurada e confirmada a sua ocorrência; V - bloqueio dos dados pessoais a que se refere a infração até a sua regularização; VI - eliminação dos dados pessoais a que se refere a infração; X - suspensão parcial do funcionamento do banco de dados a que se refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 44 meses, prorrogável por igual período, até a regularização da atividade de tratamento pelo controlador; XI - suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais a que se refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual período; XII - proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas a tratamento de dados. (BRASIL, 2018) Ao que se depreende, a autoridade nacional detém a competência para aplicar as sanções administrativas trazidas pela LGPD, devendo analisar, de acordo com cada caso concreto, qual deve ser aplicada. No inciso I, tem-se a figura da advertência, que é uma forma de punição mais leve, uma vez que consiste em chamar a atenção doinfrator sobre seu ato irregular e dar a ele a oportunidade de correção, estipulando um prazo para tanto (LOPES, 2019a). Figura 9 - Aspectos da advertência Punição leve Oportunidade de correção Advertência Prazo prescricional Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Lopes, 2019a, p. 34. Por seu turno, a LGPD estabeleceu as hipóteses de multa para os casos de descumprimento das normas, podendo ser multa simples, prevista no inciso II, ou multa diária, constantes no inciso III do art. 52. A priori, cumpre registrar que ambas apresentam um limite monetário de aplicação de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por infração. No que se refere à multa simples, esta poderá chegar até 2% (dois por cento) do faturamento das empresas no último exercício, devendo haver Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 45 exclusão do encargo tributário para a apuração da receita. A referida sanção é “arbitrada por critério global, e não temporal” (LOPES, 2019a, p. 239). Por sua vez, a multa diária, como o próprio nome diz, será aplicada todos os dias em que persistir o descumprimento da norma de proteção de dados pessoais apontada. Cabe frisar que caso a ANPD não possua o valor do faturamento do ramo ou este seja incompleto ou inidôneo, poderá considerar o faturamento total da empresa ou grupo de empresas, nos termos do §4º do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). Além do mais, a receita arrecadada pela autoridade nacional com a aplicação das multas irá para o Fundo de Defesa de Direitos Difusos, previsto na Lei nº 7.347/1985 e Lei nº 9.007/1995, conforme §5º do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). Outrossim, tem-se a possibilidade de tornar pública a infração, servindo como uma punição para o infrator, eis que as pessoas irão saber desse fato e, provavelmente, diminuir a confiança na empresa. Ademais, servirá para dar conhecimento dos envolvidos na infração, como titulares dos dados (LOPES, 2019a). IMPORTANTE: “Por se tratar de medida apta a causar transtornos relevantes à reputação da empresa sancionada, em respeito à garantia constitucional do devido processo legal, é imprescindível que a sanção seja implementada somente após a devida apuração e confirmação da autoria e materialidade da infração sob análise” (LOPES, 2019a, p. 240). Nesse ponto, cabe destacar que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais não indicou quem seria o responsável pela divulgação da infração e se há meios específicos para a publicidade. Outra sanção que pode ser aplicada é a de bloqueio dos dados pessoais envolvidos na infração até a regularização da situação ensejadora da punição, conforme inciso V, do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 46 Da mesma forma, foi fixada a sanção de eliminação dos dados pessoais relacionados à infração, prevista no inciso VI do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). O bloqueio consiste na “suspensão temporária de qualquer operação de tratamento, mediante guarda do dado pessoal ou do banco de dados”, de acordo com o inciso XIII do art. 5º da LGPD, ao passo que a eliminação é a “exclusão de dado ou de conjunto de dados armazenados em banco de dados, independentemente do procedimento empregado”, nos termos do inciso XIV do art. 5º da LGPD (BRASIL, 2018). Ademais, tem-se as sanções de suspensão parcial do uso do banco de dados relacionado à infração e de suspensão do exercício do tratamento dos dados alusivos à infração, ambas com limite de 6 (seis) meses, podendo haver prorrogação por mais 6 (seis) meses, nos termos dos incisos X e XI do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). Por fim, existe a possibilidade de se proibir parcial ou totalmente as operações referentes ao tratamento de dados pessoais, conforme inciso X do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). No que se refere-se às sanções de suspensão parcial do uso do banco de dados e do exercício do tratamento e proibição parcial ou total das operações só poderão ser aplicadas nos seguintes casos: § 6º As sanções previstas nos incisos X, XI e XII do caput deste artigo serão aplicadas: I - somente após já ter sido imposta ao menos 1 (uma) das sanções de que tratam os incisos II, III, IV, V e VI do caput deste artigo para o mesmo caso concreto; e II - em caso de controladores submetidos a outros órgãos e entidades com competências sancionatórias, ouvidos esses órgãos. (BRASIL, 2018) Isso porque essas sanções são extremamente severas, uma vez que vão da suspensão do tratamento de dados à sua proibição, o que acarretaria um enorme impacto econômico para as empresas envolvidas na infração. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 47 IMPORTANTE: Frise-se que a aplicação das sanções administrativas pela LGPD não impossibilita as demais sanções civis, penais ou administrativas de outras legislações pertinentes, conforme §2º do art. 52 da Lei (BRASIL, 2018). De mais a mais, “excetuado o arbitramento de multas, o §3º do art. 52 permite a aplicação das demais sanções administrativas às entidades e órgãos públicos, sem prejuízo da legislação específica” (LOPES, 2019a, p. 240). Outrossim, é autorizada a conciliação entre controlador e titular dos dados nos casos de vazamento individual ou acesso não autorizado. Porém, se não houver acordo, será aplicada a sanção administrativa normalmente, conforme preceitua o §7º do art. 52 da LGPD (BRASIL, 2018). Pois bem, agora que já identificamos todas as sanções administrativas trazidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, vamos estudar os parâmetros e as diretrizes legais para a aplicação delas. Parâmetros e critérios para a aplicação das sanções Como visto, as sanções administrativas variam entre punições mais brandas e mais severas. Em vista disso, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, em seu art. 52, §1º, trouxe os parâmetros e critérios a serem observados para a escolha da sanção a ser aplicada ao caso concreto. Observe com atenção o que dispõe o referido parágrafo: § 1º As sanções serão aplicadas após procedimento administrativo que possibilite a oportunidade da ampla defesa, de forma gradativa, isolada ou cumulativa, de acordo com as peculiaridades do caso concreto e considerados os seguintes parâmetros e critérios: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 48 I - a gravidade e a natureza das infrações e dos direitos pessoais afetados; II - a boa-fé do infrator; III - a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator; IV - a condição econômica do infrator; V - a reincidência; VI - o grau do dano; VII - a cooperação do infrator; VIII - a adoção reiterada e demonstrada de mecanismos e procedimentos internos capazes de minimizar o dano, voltados ao tratamento seguro e adequado de dados, em consonância com o disposto no inciso II do § 2º do art. 48 desta Lei; IX - a adoção de política de boas práticas e governança; X - a pronta adoção de medidas corretivas; e XI - a proporcionalidade entre a gravidade da falta e a intensidade da sanção. (BRASIL, 2018) Depreende-se do dispositivo que a infração deve ser confirmada através de um procedimento administrativo, oportunizando a ampla defesa, para que seja possível aplicar as sanções administrativas. Isso porque a LGPD busca assegurar as garantias constitucionais e processuais, de modo que mesmo que haja descumprimento de suas normas, deve ser dada a oportunidade do suspeito se defender (LOPES, 2019a). Frise-se que, no que for pertinente, será aplicável a lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a Lei nº 9.784/1999, em virtude da natureza da LGPD (LOPES, 2019a). Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 49 IMPORTANTE: “A autoridade nacional, ao exercer dita competência, deverá obedecer, além da expressa ampla defesa, a princípios gerais como o da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência”(LOPES, 2019a, p. 244). Como se vê, deve-se levar em consideração para a escolha da sanção, a gravidade da infração, sua natureza, direitos das pessoas envolvidas, se houve boa-fé do infrator, se existiu vantagem para o infrator e, em caso positivo, qual foi. Figura 10 - Escolhendo a sanção Gravidade da infração Escolha da sanção Natureza Direitos das pessoas envolvidas Fonte: Elaborado pelas autoras com base em Lopes, 2019, p. 244. Ademais, é importante observar se houve reincidência, qual a capacidade econômica do infrator, o grau do dano e se o infrator está colaborando com a investigação, a fim de verificar qual a punição mais adequada. Vale salientar que alguns parâmetros se referem à adoção de medidas de segurança, boas práticas, governança, corretivas e de minimização do dano, em consonância com os princípios gerais da segurança e da prevenção. Sobre o tema, elucidativas são as lições de Lopes (2019a): Nota-se que a adoção de medidas de prevenção e segurança, conforme explicitado no capítulo anterior, é decisiva para resguardar os agentes de tratamento da aplicação de sanções mais graves e Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 50 onerosas. A verificação da existência de políticas de boas práticas e governança corporativa, como critério para o arbítrio punitivo, demonstra clara intenção do legislador em estimular no mercado o exercício de comportamento ético e precavido no tocante ao cuidado com dados pessoais. (LOPES, 2019a, p. 243) Ora, se a empresa adotou todas as medidas de segurança, prevenção, boas práticas e governança exigidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, podem-se concluir que a referida entidade estava, pelo menos nesse ponto, em conformidade com a proteção de dados. Por fim, a LGPD fixou como parâmetro a proporcionalidade entre a infração e a sanção aplicada, a fim de que não haja excesso ou escassez punitiva, conforme dispõe o inciso XI do §1º do art. 52 da Lei (BRASIL, 2018). “Em atenção ao princípio do non bis in idem, o qual veda que um mesmo fato seja punido mais de uma vez, há que se respeitar a compatibilidade entre as penalidades e a natureza de cada uma” (LOPES, 2019a, p. 244). Após entendermos os parâmetros e critérios para a aplicação das sanções administrativas, passa-se a estudar o regulamento destas. Regulamento A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais fixou a competência da autoridade nacional para estabelecer as diretrizes acerca do cálculo do valor-base das sanções de multa em seu art. 53, veja: Art. 53. A autoridade nacional definirá, por meio de regulamento próprio sobre sanções administrativas a infrações a esta Lei, que deverá ser objeto de consulta pública, as metodologias que orientarão o cálculo do valor-base das sanções de multa. § 1º As metodologias a que se refere o caput deste artigo devem ser previamente publicadas, para ciência dos agentes de tratamento, e devem apresentar objetivamente as formas e dosimetrias para o cálculo do valor-base das sanções de multa, que deverão conter fundamentação detalhada de todos os seus elementos, demonstrando a observância dos critérios previstos nesta Lei. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 51 § 2º O regulamento de sanções e metodologias correspondentes deve estabelecer as circunstâncias e as condições para a adoção de multa simples ou diária. (BRASIL, 2018) Ao que se vê, é através de um regulamento, o qual deverá ser objeto de consulta pública, que a ANPD irá estipular as metodologias que deverão ser utilizadas para o cálculo do valor-base das sanções de multa. Cumpre registrar que o referido regulamento serve para completar as lacunas da LGPD, ou seja, regular sobre questões pendentes ou genéricas (LOPES, 2019a). Especificadamente, os §§ 1º e 2º determinam que o documento deve abordar as formas e dosimetria para o cálculo do valor-base das multas, devidamente fundamentadas, bem como as condições para aplicação das multas simples e diária (BRASIL, 2018). A respeito do tema, Lopes (2019a) pontua: Portanto, por se tratar essas de disposições suplementares, as diretrizes basilares da LGPD podem, desde já, ser interpretadas, de forma sistemática, em favor da proteção de dados pessoais e com o objetivo declarado de resguardar os direitos fundamentais de liberdade, privacidade e o livre desenvolvimento da personalidade. Logo, editado o regulamento de que trata o presente art. 53, caberá aos operadores da lei verificar eventual conflito com outras disposições normativas e harmonizar a implementação de seus termos. (LOPES, 2019a, p. 246) Fica claro, portanto, após a edição do regulamento, verificar se existe alguma incompatibilidade com as normas da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. “Caso a infração seja cometida por empresa estrangeira, o art. 61 da LGPD determina que a intimação acerca dos atos ora previstos seja efetuada na pessoa do responsável pela filial, agência, sucursal, estabelecimento ou escritório instalado no Brasil, independentemente de procuração ou disposição contratual ou estatutária” (LOPES, 2019a, p. 240). Por fim, cumpre ressaltar que o valor da multa diária deve ser proporcional ao dano causado, e sua intimação deve apresentar a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 52 descrição da obrigação, o prazo para seu cumprimento e o valor diário cobrado, conforme art. 54 da LGPD (BRASIL, 2018). RESUMINDO: Vamos revisar o que estudamos neste capítulo? Você viu que caso haja infração à LGPD, serão aplicadas sanções administrativas aos agentes de tratamento, que podem ser: advertência; multa simples de até 2% do faturamento da empresa, limitada a 50 milhões de reais por infração; multa diária, também limitada ao valor de 50 milhões de reais por infração; publicização da infração; bloqueio e eliminação de dados relacionados à infração; além das sanções que só poderão ser aplicadas quando já tiver sido imposta pelo menos uma punição pelo mesmo fato ou o controlador estar submetido a outro órgão, quais sejam: suspensão do funcionamento do banco de dados relacionado à infração, por no máximo seis meses, prorrogável por igual período; suspensão do exercício da atividade de tratamento de dados, a que se refere a infração, por no máximo seis meses, prorrogável por igual período, e proibição parcial ou total do exercício de atividade relacionada a tratamento de dados pessoais. Você aprendeu também que todas as sanções, com exceção das multas, são aplicáveis aos órgãos e entidades públicas. Ademais, viu que pode haver conciliação direta entre controlador e titular nos casos de vazamento individual ou acesso não autorizado. Você também aprendeu que a LGPD fixou parâmetros e critérios a serem observados na aplicação das sanções, como ampla defesa, gravidade e natureza da infração, direito das pessoas afetadas, boa-fé, condição econômica do infrator, reincidência, grau do dano, cooperação do infrator, adoção de medidas que visem minimizar os danos, adoção de regras de boas práticas e governança, adoção de medidas corretivas e proporcionalidade entre a gravidade da infração e a sanção aplicada. Por fim, viu que a ANPD será responsável por elaborar um regulamento, com consulta pública prévia, para orientar o cálculo do valor-base das sanções de multa, contendo os critérios a serem utilizados e a dosimetria da multa. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 53 REFERÊNCIAS ATHENIENSE, A. A importância da governança digital na advocacia. In: GROSSI, Bernardo Menicucci (org.). Lei Geral de Proteção de Dados: Uma análise preliminar da Lei 13.709/2018 e da experiência de sua implantação no contexto empresarial. Porto Alegre: Editora Fi, 2020. BARROS, R. S. P.; FERREIRA, G. G. L. Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) e Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade. In: FEIGELSON, B.; SIQUEIRA, A. H. A. Comentários à lei geral de proteção dedados pessoais: Lei 13.709/2018. 1. ed. São Paulo: Thomson Reuters, 2019. BIONI, B. R. Proteção de dados pessoais: a função e os limites do consentimento. 2. ed. rev. atual. e reform. Rio de Janeiro: Forense, 2019. BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/ l10406compilada.htm. Acesso em: 09 jan. 2021. BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. 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