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Este livro, fruto da parceria acadêmica entre
Naro e Scherre, outras vezes, Scherre e Naro,
que tem se provado fecunda e relevante,
segue uma linha mestra muito clara:
apresentar evidências de que características
morfossintáticas e fonológicas do português
brasileiro, atualmente envoltas em estigma
e preconceito social, são heranças românicas
e portuguesas arcaicas e clássicas, e não
modificações mais recentes advindas das
línguas africanas, ou das línguas dos
povos ameríndios.
Longe de negar a importância da influência
africana e indígena para nossa cultura,
Naro e Scherre apresentam suas ideias
e os fatos do português europeu garimpados
das obras da dialetologia portuguesa
em sete capítulos. Eles identificam as raízes
linguísticas românicas e lusitanas que
insistem em permanecer em nossa fala
e que, com mais intensidade, se revelam
nas bocas dos brasileiros que tiveram
pouco acesso aos bancos escolares ou que
habitam as áreas rurais e as periferias das
grandes cidades.
Até que novos fatos possam surgir, Naro e
Scherre localizam em terras lusitanas a
origem de estruturas linguísticas portuguesas
não padrão que, em função de uma
confluência de motivações, se ampliaram
e se tornaram visíveis em terras hoje brasileiras.
Prefácio
Ataliba T. de Castilho
ORIGENS DO
PORTUGUÊS
BRASILEIRO
Anthony Julius Naro
Maria Marta Pereira Scherre
De tudo o que veremos nos sete capítulos
deste livro, o fato que salta aos olhos é
muito simples: o português do Brasil
sempre foi o português. No território que
atualmente ocupa como língua materna
da nação brasileira, não se estabeleceu
nenhum traço estrutural estranho à
estrutura original com a qual a língua
portuguesa aportou na América. O
resultado do garimpo em todos os com-
ponentes da gramática que apresentamos
neste livro nos permite estabelecer que
virtualmente todos os traços, típicos e
característicos do português popular
atual do Brasil, em especial os que o
distinguem de outras variedades mais
prestigiadas, já estavam presentes na
língua que aqui chegou com os próprios
portugueses. Esses traços, já presentes
nas variedades da língua que serviram
de entrada para o processo histórico de
sua implantação no novo continente, não
constituem qualquer tipo de desconti-
nuidade ou de ruptura estrutural na
transformação da língua, como previsto
nas hipóteses crioulísticas clássicas.
Não existe base empírica para sustentar a
hipótese de que um conjunto significati-
vo de características usuais no português
brasileiro contemporâneo, especialmente
no português brasileiro popular, tenha
origem em características estruturais das
línguas africanas ou em quaisquer outras
línguas que não o próprio português.
Houve, por certo, transformação, tanto
aqui como na Europa, durante esses
cinco séculos, mas até o momento não se
estabilizou no Brasil nenhuma mudança
capaz de alterar a tipologia da língua.
Os dados qualitativos e quantitativos
expostos neste livro permitem afirmar
que a língua portuguesa chegou ao
Brasil já com as características variáveis
classificadas por alguns estudiosos como
crioulas, semicrioulas, crioulizantes etc.
Essa variação tomou dimensões mais
amplas e alcançou uma escala bem maior
aqui, onde as condições sociais inerentes
à nativização da língua por uma nova
comunidade de fala, tais como o mul-
tilinguismo e a aquisição da língua por
adultos, deixaram de manter as normas
que a mantinham dentro de limites mais
estreitos na sua comunidade de origem.
O português brasileiro não é o portu-
guês simplificado ou o português com
influência africana; é o português com as
suas raízes originais, rurais e populares,
transplantado para uma terra mais fértil
e con sequentemente com um desenvol-
vimento mais intenso. Longe de ser um
português crioulizado, o português do
Brasil é o português radicalizado.
Anthony Julius Naro,
livre-docente pela UFRJ, for-
mou-se em matemática pela
Polytechnic University of
New York, doutorou-se em
lin guís tica pelo Massachu-
setts Institute of Technology.
Fez estágios de pesquisa em
Coimbra, Lisboa, Luanda e
Malanje e foi professor visitante nas Universidades
de Chicago, Pennsylvania, Roma, California (Los
Angeles) e Cornell. É professor titular da Univer-
sidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisador nível
1A do CNPq e membro fundador do Programa de
Estudos sobre o Uso da Língua [PEUL] da UFRJ.
Sua produção se concentra em socio linguística
e linguística histórica. Atua principalmente nos
seguintes temas: concordância verbal, ordem ver-
bo-sujeito, pidginização e crioulização, variação
linguística. É autor de A Study on the Origins of
Pidginization (1976); Da métrica medie val galai-
co-portuguesa (1971); Estudos diacrônicos (1973);
Variação e funcionalidade (2005).
Maria Marta Pereira Scherre
é doutora em linguística pela
UFRJ, pesquisadora associada
da UnB, pesquisadora 1 B no
CNPq e membro do Programa
de Estudos sobre o Uso da Lín-
gua [PEUL] da UFRJ. É autora
de Doa-se lindos filhotes de
poodle — Variação linguísti-
ca, mídia e preconceito (2005) e de diversos artigos
e capítulos em revistas científicas e obras no Brasil
e no exterior. É co-organizadora de Padrões socio-
linguísticos — Análises de fenômenos variáveis
do português falado no Rio de Janeiro (1996).
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reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer
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por escrito da Parábola Editorial Ltda.
ISBN: 978-85-88456-65-5
1a edição - 2a reimpressão, abril de 2014
© do texto: Naro & Scherre
© da edição: Parábola Editorial, São Paulo, fevereiro de 2007
Editor: Marcos Marcionilo
Capa E projEto GráfiCo: Andréia Custódio
fotos dos autorEs: Wanderley Ramos Libório
foto da Capa: STOCKXPERT
ConsElho Editorial: Ana Stahl Zilles [Unisinos]
Angela Dionisio [UFPE]
Carlos Alberto Faraco [UFPR]
Egon de Oliveira Rangel [PUC-SP]
Gilvan Müller de Oliveira [UFSC, Ipol]
Henrique Monteagudo [Universidade de Santiago de Compostela]
Kanavillil Rajagopalan [UNICAMP]
Marcos Bagno [UnB]
Maria Marta Pereira Scherre [UFES]
Rachel Gazolla de Andrade [PUC-SP]
Roberto Mulinacci [Universidade de Bolonha]
Roxane Helena Rodrigues Rojo [UNICAMP]
Salma Tannus Muchail [PUC-SP]
Sírio Possenti [UNICAMP]
Stella Maris Bortoni-Ricardo [UnB]
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA FONTE
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
N188g
Naro, Anthony Julius
Origens do português brasileiro / Anthony Julius Naro, Maria Marta Pereira
Scherre [organização]. - São Paulo : Parábola Editorial, 2007.
(Lingua[gem] ; 20)
Apêndice
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-88456-65-5
1. Língua portuguesa - Brasil - História. 2. Língua portuguesa - Português
falado - Brasil. 3. Língua portuguesa - Variação.4. Língua portuguesa -
Concordância. I. Scherre, Maria Marta Pereira, 1970-. II. Título. III. Série.
07-0260 CDD 469.798
CDU 811.134.3’27
Aos representantes anônimos da ampla comunidade
de fala de língua portuguesa, dos dois lados do
Atlântico, colaboradores essenciais na busca do
entendimento das origens do português brasileiro
jJ
A Joana Lopes Alves, uma investigadora portuguesa
com certeza, de espírito e ouvidos argutos,
que, livre de preconceitos e pré-conceitos,
conseguiu capturar fatos variáveis da fala cotidiana
portuguesa e se dispôs a deles nos falar com a
simplicidade dos cientistasqüente criação de novas estrurtLlras lingüísticas, fato que, para ele, não teria
ocorrido em francês. Em verdade, o que se vê no francês falado é a localização
da marca de plural, q.rando existe, na primeira posição, seja esta ocupacla por
um artigo oLr por qualquer outro elemento qlre admita tal marca.
os fatos acima arrolados permitem levantar a hipótese de que o proces-
so da queda do -s final no portugrrês do Brasil tenha tido seu início no
portugr-rês dialetal da Europa, que, por sua vez, estava apenas dando conti-
nrridade a uma deriva pré-românica. Conseqüentemente, é plaursível supor
qLre o impulso inicial do processo de perda da concordância nominal se
situe também em fenômenos fonológicos trazidos da Europa, à semelhança
da concordância verbo/sr-rjeito.
4. soBRE O pApEL DA pOSrÇÃO Nn coNCoRDÂNCn NOMTNAL
A posição linear que o elemento ocupa no sN foi considerada a variável
lingüística mais importante nos primeiros trabalhos variacionistas que anali-
saram a concordância nominal de número no português falado no Brasil
(l3raga & Scherre, 1976, Braga, 1g77iScherre, 1978; Por-rte, 197c), Nina,
l9tl0, Ctry, 198 l). Todos cstes trabalhos (algrrns clctalhcs rlas;rrrr,rstr,rs s;ro
'r(rt I \ ,,t, ,, t,) | t( ll I',)t,L; i1,;,,,111,,,1
.r1,t,',, tttlttlos Itdividida em três categorias, encontra-se exem-
plificada a seguir, com o elemento sob análise em negritoe,
l) primeira posrçào,
umas casinha bonitinhaltodos os anos/sua s tiasl novas escolas/corsas
lindas eles todos/as 6oas ações.
2) Segunda posição,
umas casináa bonitinha/todos os anos
suas úras/novas escolas/coisas lindas leles todoslas boas ações.
3 ) Demars posiçôes,
umas casinha bonitinha/toáos os anos/as boas açõeslaquelas cruzinha
toda/uns colega meu/três risco verde/as conta quase toda/ os meus
quatro filhos/as três coisa mais importante
as mulheres ainda muito mais antiga
de Esttrclos clo Uso da l-.íngua (PEUL), programa de pesrluisa desenvolvido descle l9tj2 por uma
erltripe de pcsquisadores da UFRJ, UFRR.I/CNPq e UFF, através do Departamento de [-ingtiística e
Filologia da Faculdadc de Letras da UFRJ.
9' A variável f osição liwar é comumente subdividicla em quatro categorias. Nestc caso, optamos
por trôs porque os dadtts da qr:arta, cluinta e sextâ posiçõcs são poncos c licarianr muito íragnreptados
qttattclo do cruzamcllto entre posiÇão, classe e relação. Alónr disso, essas posiçrlcs tô1r r6;11r.rta
lrrento lrastarrtc scntelhantc.
',,,t , I, ' I , l t, 'Lrl ll \l r,r,ll1 I
 '",,rrr,ivr'l posir,-uo/cllrst,/r,llrçlt,r, l)of sr.l;r vt'2, litott tottt st tt t,tlr'1'1,,,,'',,
, ', rrrlrlrítt ltrlas alraixo,
I)condicionamentos são bem
mais complexos do que se pensava anteriormente, conforme nos eviden-
ciam os resultados da variável posiçãolclasselrelação apresentados na tabela 2.
Tàbela 2 Efeito da variável relaçãorposição/classe na presença de plural em clerrenros do sx no português brasileiro, dados
de 48 falantes adultos do Rio c1e Ianciro lparte do Corpas Cerso da de.rcla de Br do [,1,,granrr .1. Ertu.lo, sobre o Uso cla
Língua (PELIL)li'
10. Na parte denominada skp ilp, o proÉirama trabalha de forma progressiva buscando as variá-
vcis lltais ilrportantcs clo ponto cle vista estatístico, ou seja, as que ÍItais dão conta da variaçã9 rlps
',,,1r' , ,,1 rll,lll lr,'l tl'l,,,lit t t
t )'. rt'srrltatlos rla tlrlrr'l,r ') po«lcnt scr olltarlos solr tri's l)('rsl)( ( trv:r., ,r rl.r
1,, ),,r( (r(,, u rla classe nuclear/não-nuclear e a da rclação cntr'( ir t l.rsst nrr, l, .rr,i
,,rr, nu( Icur'. C)lhando sob a perspectiva da posição, vcrilicanros rlrr, srr,r rrrllrr
, rr( r,r n(r() ó trrriforme. A evidência mais forte dessa não-Lrrriíorrrritlrrrlr' potl, ,,,
r
, r,,,nlr.ltla na diferença existente entre o efeito da seélunda posi=370i.,
o, l9
39156=71)'Y,'
o,3 3
601178-34t'l'
o,t8
66/71-9301,
o,67
l.tí),/tILí,",
o, I.I
'/7l'ig'Yt","
o,17
I ()')1/l 55.t /O',,
o,?1l
llllls,l'ii'\',
(),3 I
2 826/3,43t),',82.At
I r lrcla 3. Marcas explícitas de plural nos elementos do SN em função da variável posição eu relação ao úiclco do sN t l,osi\'ão lhrilt
t ltlir rla cs4uerda
-
Dados de 64 falantes do Rio de Janeiro, amostra PEUL da década de 19 B 0.
Concluindo esta seção, pudemos verificar que o efeito da posição linear
is«rlada não tem a força que se supunha ter. O que existe é um jogo comple-
xo de influências cruzadas de posição, classe nuclear/não'nuclear e relação
cntre classe nuclear/não-nuclear, que se pode ver nos resultados da tabela .3,
( )l'l(.l l" |)( ) |I )l'lIlr.lll , llll,\,ll I ll,l( )
o.32
26.1/279 = 95%
o,84
=91o/"
3 )-7716.375=51%)
o,20
( )t tr ,t t.t,, | )( ) i,r )tr I I l(.l ll,, lli,\,,íl I ll{( )
c()rr) l)irsc Íl()s claclos dos ó'tr falantesconr a nrarca dt plrrral no noÍre substantivo, l)dtt ttt\tt lo\
iütitlo\,Jt)\ tolr4,r(tlarlo2Í7,p.6ii) r',rsirlrrl!,rs (hlo)lrrltr:lrt (tlarlo2,lll,P 7l)
',i,lilj L,ll,,,,,1 lLill.li,llll\lll,,,ll .ll
(, (.( )N(-t-usÀ()
(.«rncluímos, sugerindo uma descrição geral de nosso modelo dc c{cst'rr
volvirrrc:nto do português popular do Brasil.
lr A língua portuguesa falada em Portr-rgal antes da colorti;:;rt,-,ro rl,, lir,r
,,il jii çrossLría uma deriva secular que a impulsiottava ao Iorr;1,, .1, ,,,t,
vt Ior cle desenvolvimento.
I ) No l3rasil, este vetor se encontrou com outras for popr-rlaçõcs ctrropóias c asiáticas, ()riLrndas de tcrras ondc () l)()r'
tLrguês era clesconhecido.
Através de todas essas fases, segLrndo nossa visão, o impulso motor do
desenvolvimento do portr-rguês do Brasil veio já embr-rtido na deriva secr-rlar
da língua de Portrrgal. Se as sementes trazidas de lá germinaram mais rápido
e cresceram mais fortes, é que as condições, aqui, mostraram-se mais propí-
cias dcvido a uma coNfr.LrÊNCIA I)E Nlorrv()s.
CAI'íTU LO 2
@
CONCORDANCIA
VA RIAVEL EÀA PORTLJC LJ I S:
A SITIJAÇÃO N()
BRASIL E ElVt PORTTJ(;AI
ANrsouv Jut.tLIs N,rtto
N4,rnra Matrrn Penetn,t St t tt ttttt
. r. INTRODUÇÃO',
ialetos não-padrão do português do Brasil apresentam'
forma generalizada, fenômel'ros tlt' t,,tt,,,ttl,ttt, t,t r"t
riável, cuja origem suscita controvórsia. Silo t'xt tttl'1"" 't
concordância variável de núrncro vcrllo/strlt'it,, 'l ( ( )rr
,,,r,l,rrrt r.r variável de número entre os elementos do silrtagllla ttottttn,rl , ,t
lrrrcordância variável de número no sintagma predicativo (Naro, 19811
Schcrre & Naro, 199l),
( ).(.r{ 1r()\ (.xl)r( ssl; rrossa graticlào a n()ss()s attxiliart's rlr' 1tts,1tttt,t, lir, ,rrrl,, 1,,',, l, I ttt,.,
r rr, ( .rrr,.rr.,ro Anlrrnt.s c lllanr.llarrcto dos Slntris, s(rr) clrl() Ltrtlritllt,, rr,l(, l( rr,r "r,1,, 1,,,', r'" 1
, ,,,1,,,,r l)(s(lur\;ltn,ttiqltttltll()st(xt()\tllttlitvrisl)()lttl8ll(s(sittlttt ,tlltt"> enrddnçailo ft)rlu4ut\ ltt lJt,t'tl
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lWEtNttEtcH, U., L.tuov, \W., Henzde Doa-se lindos filhotes de
poodle — Variação linguísti-
ca, mídia e preconceito (2005) e de diversos artigos
e capítulos em revistas científicas e obras no Brasil
e no exterior. É co-organizadora de Padrões socio-
linguísticos — Análises de fenômenos variáveis
do português falado no Rio de Janeiro (1996).
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527f9e3ac9e7b9b1b3625602f4337c6ddb7e4fa841ba118d5cdbefa994a4296b.pdfnatos
dedicamos este livro.
Y
SUMÁRIO
Agradecimentos .................................................................................................. 9
Prefácio — Ataliba T. de Castilho (USP, CNPq) ..................................................... 11
introdução — Maria Marta Pereira Scherre ......................................................... 17
caPítulo 1: SOBRE AS ORIGENS DO PORTUGUÊS POPULAR DO BRASIL
(Anthony Julius Naro & Maria Marta Pereira Scherre) ....................................... 25
1. Introdução .......................................................................................... 25
2. Argumentação histórica ...................................................................... 26
3. Motivações históricas europeias ......................................................... 32
4. Sobre o papel da posição na concordância nominal .......................... 36
5. Distribuição geográfica ..................................................................... 44
6. Conclusão .......................................................................................... 47
caPítulo 2: CONCORDÂNCIA VARIÁVEL EM PORTUGUÊS: A SITUAÇÃO
NO BRASIL E EM PORTUGAL
(Anthony Julius Naro & Maria Marta Pereira Scherre) ........................................ 49
1. Introdução .......................................................................................... 49
2. Deriva versus crioulização .................................................................... 50
3. Concordância variável no português europeu moderno .................... 53
4. Documentação histórica da concordância variável no português europeu 58
5. Implicações ......................................................................................... 65
6. Conclusão ........................................................................................... 69
caPítulo 3: GARIMPANDO AS ORIGENS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO:
SOBRE TRÊS ESTRUTURAS LINGUÍSTICAS RADICAIS
(Maria Marta Pereira Scherre & Anthony Julius Naro) ........................................ 71
1. Introdução .......................................................................................... 71
2. Sobre três estruturas linguísticas radicais ........................................... 73
3. Outros nove aspectos estruturais considerados como específicos do
português brasileiro ........................................................................... 78
r 7 r
r Origens dO pOrtuguês brasileirO r
r 8 r
4. Sobre a concordância variável no português europeu não padrão ..... 79
5. Conclusão ........................................................................................... 83
caPítulo 4: AMPLIANDO OS HORIZONTES DO DEBATE SOBRE AS ORIGENS
DA CONCORDÂNCIA VARIÁVEL NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
(Maria Marta Pereira Scherre & Anthony Julius Naro) ....................................... 87
1. Introdução .......................................................................................... 87
2. Concordância verbal .......................................................................... 91
3. Concordância nominal ....................................................................... 103
4. Sobre o uso reiterado de expressões que denotam frequência de
variação da concordância no português europeu não padrão ............. 107
5. Sobre as palavras de Adolfo Coelho................................................... 110
6. Evidênciais adicionais: o trabalho de Varejão (2006) ......................... 112
7. Conclusão ........................................................................................... 114
caPítulo 5: SOBRE AS ORIGENS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO:
GARIMPO FONOLÓGICO
(Maria Marta Pereira Scherre & Anthony Julius Naro) ........................................ 117
1. Introdução .......................................................................................... 117
2. O garimpo deste trabalho .................................................................. 120
3. Garimpando além dos traços supostamente crioulizantes ................. 130
4. Reflexões finais ................................................................................... 132
caPítulo 6: O CONCEITO DE TRANSMISSÃO LINGUÍSTICA IRREGULAR
E AS ORIGENS ESTRUTURAIS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
(Anthony Julius Naro & Maria Marta Pereira Scherre) ........................................ 135
1. O conceito de transmissão linguística irregular ................................. 135
2. Sobre a possibilidade da ‘transmissão linguística irregular’ no brasil .. 143
3. Conclusão ........................................................................................... 157
caPítulo 7: PREENCHIMENTO DO SUJEITO PRONOMINAL E
CONCORDÂNCIA VARIÁVEL NO PORTUGUÊS BRASILEIRO
(Anthony Julius Naro & Maria Marta Pereira Scherre) ........................................ 161
1. Introdução .......................................................................................... 161
2. Análise ................................................................................................ 167
3. Conclusão ........................................................................................... 175
CONCLUSÃO (Anthony Julius Naro) ................................................................. 179
ANEXOS ........................................................................................................... 187
BIBLIOGRAFIA ................................................................................................. 195
r Garimpo das raízes do portuGuês brasileiro r
r 9 r
Y
AGRADECIMENTOS
N
ossa pesquisa faz parte do Programa de Estudos sobre o
Uso da Língua (PEUL), sediado no Departamento de
Linguística e Filologia da Faculdade de Letras da Uni-
versidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Aos nossos
companheiros do PEUL — Alzira Verthein Tavares de Macedo, Charlotte
Emmerich, Christina Abreu Gomes, Claudia Roncarati, Eduardo Cafezeiro,
Giselle Machline de Oliveira e Silva, Helena Gryner, Jürgen Heye, Leda Bisol,
Maria Cecília Magalhães Mollica, Maria da Conceição Auxiliadora de Paiva,
Maria Eugênia Lamoglia Duarte, Maria Luiza Braga, Nelize Pires de Omena,
Sebastião Josué Votre, Vera Lúcia Paredes Pereira da Silva —, cúmplices de
longas jornadas acadêmicas e de inúmeros momentos de amizade, em diferentes
pontos do espaço e do tempo, nosso sincero agradecimento.
Os pesquisadores e os auxiliares de pesquisa do PEUL são apoiados pelo
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e
pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES),
por meio de bolsas individuais e de auxílios para participação em eventos
científicos. A estes importantes órgãos de fomento, entidades governamentais
brasileiras promotoras do desenvolvimento científico e tecnológico, o nosso
respeitoso agradecimento.
Expressamos também nossa gratidão a Solange Tristão, pela presteza no
apoio administrativo ao PEUL, sem reservas, e a todos os auxiliares de pes-
quisa de iniciação científica, sem os quais não teria sido possível levar a cabo
os resultados da pesquisa com os dados do Corpus Censo e dos textos medievais
portugueses apresentados em nossos textos.
r 9 r
r 10 r
r Origens dO pOrtuguês brasileirO r
Agradecemos a Djalma Cavalcante Melo, professor da Universidade de
Brasília (UnB), pela disponibilidade de ler a versão de sete meses deste livro, e
a Nelize Pires de Omena, pela leitura perspicaz e criteriosa da versão de nosso
livro que já julgávamos de nove meses. Ledo engano. Nelize nos fez ver quantas
incongruências ainda permaneciam. Nos esforçamos para atender de forma plena
às pertinentes sugestões de Nelize. Agradecemos a Rachel Dettoni, a Conceição
Paiva e a Josane Moreira de Oliveira por informações importantes a respeito
do comportamento do sintagma nominal em francês; a Alan Baxter pela leitura
atenta do textoque resultou no capítulo 5 deste livro, especialmente pelas críticas
instigantes; e a Maria Sônia Dias Pereira (Soninha), pela extrema paciência com
os detalhes impiedosos das referências bibliográficas. Agradecemos também a
Maria do Carmo de Oliveira pela revisão cuidadosa da versão final deste livro.
Contradições conscientes e inconscientes que ainda restarem são, sem dúvida,
de nossa inteira responsabilidade.
r 11 r
r Prefácio r
Y
PREFÁCIO
AtAlibA t. de CAstilho (UsP, CNPq)
E
ste livro está nucleado à volta dos seguintes eixos, da maior
importância para o debate atual sobre o português brasileiro:
uma identificação rigorosa de fenômenos variáveis do portu-
guês brasileiro em dados do português europeu popular, uma
interpretação do português brasileiro mais conforme à sua sócio-história e
uma reflexão teórica inovadora sobre aquisição e mudança. No que se segue,
concentro-me nos três últimos aspectos.
1. IDENTIFICANDO FENÔMENOS VARIÁVEIS
EM DADOS DO PORTUGUÊS EUROPEU POPULAR
Este livro é um cuidadoso apanhado dos trabalhos dos dois autores sobre
as origens e a natureza estrutural do português brasileiro gerados no interior
do grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, li-
derados por Anthony Naro, confrontados com os que os antecederam, num
balanço importante de mais de 50 anos de pesquisas continuadas sobre o
português brasileiro.
Seus autores e pesquisadores associados vêm proporcionando há tempos
uma rigorosa descrição do português brasileiro, com fundamento na metodo-
logia variacionista de Labov. O vitorioso Projeto Censo Linguístico, ali gerado,
irradiou-se pelo país, dando surgimento a outros grupos de pesquisadoress em
vários Estados brasileiros.
r 12 r
r Origens dO pOrtuguês brasileirO r
São aqui identificados fenômenos centrais na descrição do português bra-
sileiro, tais como
(1) fenômenos morfofonológicos:
■ simplificação do padrão silábico, com perda do -s e alternância de [l]
e [r] (sultão / surtão);
■ nasalação (ingreja, inducar) e desnasalação (eles amo, eles come);
■ assimilação de /d/ em /-nd/, /b/ em /-mb/;
■ alterações da coda silábica: queda da consoante (fasidade, dino), inser-
ções vocálicas (meli, mari, calori);
■ quedas vocálicas (marelo, sucra);
(2) fenômenos sintáticos:
■ uso de ele acusativo;
■ uso de mim em lugar de eu na função de sujeito;
■ uso de se como reflexivo universal, como em eu se alembro;
■ uso de ter existencial;
■ ampliação das perífrases verbais, como vou falar em lugar de falarei;
■ supressão ou alternância de preposições, como em ele gosta mata virge,
tem que cuidar em mim;
■ falta de concordância de número entre constituintes do sintagma no-
minal, detectando-se que a posição linear inicial não é individualmente
determinante;
■ falta de concordância de gênero, como em o meu sobrinha, cabelo grossa;
■ falta de concordância de pessoa gramatical entre o verbo e o sujeito,
como em eu foi, eu apanhou 2 quilos;
■ falta de concordância de número entre o verbo e o sujeito, como em
tava lá as empregadas.
Para o entendimento desses fenômenos, foram consideradas as variáveis
geográficas (que nada comprovaram, dada a disseminação territorial desses
fenômenos) e sociais (estas sim, de importância, sobretudo o grau de escolari-
dade e o contraste rural-urbano). As análises comprometem as explicações via
influência africana ou indígena, dada a não concentração dos fatos examinados
nas áreas povoadas por essas etnias, entre outras razões.
r 13 r
r Prefácio r
Não foram encontradas diferenças estruturais entre o português brasileiro e
o português europeu no que diz respeito aos fenômenos elencados, o que con-
traria várias afirmações, sobretudo de linguistas portugueses. Naro e Scherre são
enfáticos quanto a isso: nada se identificou no Brasil que também não ocorresse
em Portugal. Tratar distintamente os fatos corresponderá a “perder generaliza-
ções linguísticas importantes, o que, sem dúvida, não constitui o objetivo da
pesquisa linguística”. Eles comprovam que a “ampla variação de concordância
que ocorre em solo brasileiro” dá continuidade a propriedades do português
europeu não padrão.
2. INTERPRETANDO O PORTUGUÊS BRASILEIRO
Desde que Domingos Borges de Barros, o Visconde de Pedra Branca, pu-
blicou num atlas francês de 1826 um texto sobre a língua portuguesa do Brasil,
o assunto nunca mais saiu de nossas agendas. Passados cento e oitenta anos, e
vencida a fase amadorística das intervenções de políticos e literatos, as pesquisas
dos linguistas se concentraram em três teses:
(1) Tese da ancianidade de nossa língua: o português brasileiro é uma con-
tinuação do português arcaico, com pequenas alterações.
(2) Tese da emergência de uma nova gramática do português: a partir do séc.
XIX, o português brasileiro passou a construir uma nova gramática.
(3) Tese crioulística: características do português brasileiro decorrem de
um período de falares crioulos e semicrioulos de base africana.
Este livro vincula-se claramente à primeira linha interpretativa, rechaçan do
a terceira e não se manifestando sobre a segunda. Novos elementos são agrega-
dos ao debate, concentrados na morfossintaxe do português popular brasileiro,
comparados então a pesquisas recentes sobre a variedade europeia. Seus autores
afirmam enfaticamente que ainda não se conseguiu “identificar nenhuma carac-
terística do português do Brasil que não tenha um ancestral claro em Portugal”.
Mas não se pense que este é um trabalho inaceitavelmente esquemático,
pois seus autores não deixam de observar, equilibradamente, que o português
brasileiro e o português europeu “apresentam diferenças também inquestio náveis,
r 14 r
r Origens dO pOrtuguês brasileirO r
que devem e precisam ser entendidas à luz do contexto linguístico-social que
cerca cada uma das comunidades de fala”.
3. TEORIZANDO SOBRE AS PESQUISAS FEITAS
Este livro se ocupa também de uma interpretação teórica valiosa sobre
as pesquisas relativas ao português brasileiro, em que os autores mesmos e
outros linguistas estiveram envolvidos nas últimas décadas. O leitor encon-
trará aqui (1) o reconhecimento de que a complexidade é inerente às línguas
naturais e (2) a apresentação da hipótese da nativização, contraposta à teoria
da aquisição imperfeita.
Quanto a (1), sabe-se que a retenção do sujeito tem sido interpretada
como uma decorrência da simplificação da morfologia verbal. Assim, um fato
sintático seria determinado por um fato morfológico. Indo contra esta análise,
Naro e Scherre mostram no Cap. 6 que sujeito plural e verbo no plural tendem
a co-ocorrer, ou seja, “marcas levam a marcas”, “zeros levam a zeros”. O exame
criterioso dos dados mostrou que convém desconfiar da postulação de regras de
determinação entre pontos do sistema linguístico. Um fator único não tem valor
heurístico suficiente, pois a língua ilustra aqui “dois processos independentes”.
Vale o mesmo para o suposto desaparecimento da concordância no português
brasileiro, pois “houve recentemente no Brasil um aumento na taxa geral de uso
da concordância”. Por outras palavras, os sistemas não são lineares, são dinâmi-
cos, exibem um comportamento irregular, feito de movimentos pendulares de
ida e volta, como é próprio dos sistemas complexos.
Quanto a (2), rejeitando a interpretação crioulista do português brasileiro,
os autores entram de rijo no debate atual, oferecendo outra generalização so-
bre os contactos linguísticos havidos no Brasil, notadamente com os africanos
e os indígenas. Eles argumentam que não estavam dadas as condições para o
surgimento de pidgins por aqui, nem por parte dos indígenas, que já dispunham
de uma língua geral, nem por parte dos africanos. Os pidgins, como se sabe, são
o primeiro passo para o surgimento de crioulos.
Analisando cuidadosamente o conceito da “transmissão linguística irregular”,
os autores o rejeitam, por encerrar algo de negativo, de anormal, propondo em
r 15 r
r Prefácior
seu lugar a hipótese da nativização, para explicar como uma comunidade adquire
uma nova língua. É esse o caso quando “uma língua vinda de fora se torna a língua
nativa da comunidade, que perde parcial ou totalmente a plena funcionalidade
de suas línguas maternas anteriores”. Mas não se trata, aqui, de uma simples
substituição de termos. Refletindo sobre a sócio-história do português brasileiro,
os autores mostram que esses contactos não promoveram nenhuma modificação
na tipologia estrutural da língua, tão somente aprofundaram tendências surgidas
já em Portugal, ali documentadas, e transplantadas para o Brasil.
O livro proporcionará a especialistas da academia e ao público em geral uma
leitura apaixonante, da maior relevância para o momento atual de ampliação de
nossos conhecimentos linguísticos sobre o português brasileiro. Vale a pena
destacar em suas páginas a ocorrência frequente da metáfora do garimpo, que
lembra outra, a da escavação, proposta por Fernando Tarallo. Uma nova e ativa
geração de pesquisadores brasileiros vem garimpando nosso passado linguístico
em arquivos e bancos de dados, escavando o que foi para entender o que é. Este
livro é um presente régio para todos eles e para todos nós.
@
TNTRODT.JÇAO
M,cnr,{ M,ARra Prnnrnq Sc-Hunnr,
conteúdo deste livro tem uma linha mestra clara, l1rr,.
sentar evi morfossintrítit rrs
e fonológicas do português brasileiro, atualnrcntc cnvol
tas em estigma e preconceito social, são heranç.ts r{,nl(r
nicas e as arcaicas e clássicas e não modificações nrais rcccntcs
das língr-ras africanas, que vieram para o Brasil com scLls l)()v()s (.s
t lavizados e sub;ugados, ou das línguas dos povos ameríndios, qr-re arltri j;i sr.
crtcontravam quanclo vieram os colonizadores europeus. Tampouc() \.1() ()
rc'sr"rltado de processos de simplificação ou outras modificações cspontârr«.,rs
,;rtrsacÍas pelo contato, durante o processo da transmissão não-tradicion.rl tl,r
lírrgr-ra. Nossa posição é diferente da hipótese de crior-rlizaçã.,rr tlt.
st:nricrioulização da língua portuguesa em terras brasileiras, assunritl;r ;ror
,livcrsos estr-rdiosos, entre os quais se incluenr alguns pesqr-risac{orcs cstr';rrr
geiros. de ir-rfluência africana c
I lil ntificar as raízcs
Itrsil-ar.ras que insistem em
(lu(', c()nr nrais intensiclade, se rcvelam nas falas e rras
que tiveram pouco acesso aos bancos escolares ou que habitam as áreas ru.
rais e as periferias das grandes cidades.
Âpltst'tttttttt()s rl()ssll\ ttlrliits c os írtos rlo portrrgrrôs ('ur()l)(.u ;i,rrrrrrp,rtlr,,,
,l.r',,,lrt,tr tl,r tlr,rlt'tol,,gt,t l)()rtlr,lu(\,r t'rrr s«'lc t,r;rítrrlos Nrrlrrr,ilrrrr.rrlr.,,r,,
t,l, t,l', ", ( ttlt( ( lrr.'.rrr1, ,., l,tlr).) (,( ,rv(,lrtrrr,rtrr , ,rs ,ur,rlr.,,'s .,r' ,ttttPlt,trr ( rrrt rr
l)t,. liLi ritlril til,lli,,
,l,rr rt lt lt'r.tos lrrt.ttl) l){rl)lr( ir(los r'nr l('vi\tJ\ t livrrrs, \L.i}.u.r(l,rnr(.rttr. l"lt"stc
livlo, l,s tcxtos sc iil)rcsL'lltallr iuntos, rcíjscritos cm tnaior oll pleÍi()r gral, c
cxibcrr incliscr-rtivelrlente Lrma rclativa
-
às vezes forte
-
sohreposição,
fruto da continuridade ininterrupta da nossa linha mestra de racigcínio ini-
ciada na primeira metade da década de 90 do século XX.
o capítulo que abre este livro
-
"sobre as origens do porttrguês popu-
Iar do Brasil"
-
f um3 versão ampliada e atr-ralizada do um texto que foi
escrito para homenagear nosso saudoso colega Fernando Târallo. publicacio
em 1993, na revista de Documentação de Estuáos un Lingiiística Teórica e Aplicada
(D.E.L.T.A.). Nele conjugam-se o rasrreamento de traços lingüísticos con-
tidos nos livros de história das línguas românicas e resultac{os cle pesqr.risas
lingüísticas sobre a variação da concordância nominal de número, um dos
aspectos assumido como dos mais característicos da pressr-rposta crioulização
cla língua portuguesa em terras brasileiras, nos termos das palavras de Adolfo
Coelho, escritas na segunda metade do século xlx (1967: 43). N4as o cora-
ção de nosso garimpo lusitano se apresenta nos capítr_rlos 2, 3 e 4, e sua história
assim se conta e alguns agradecimentos especiais assim se registram.
o início de nosso garimpo em textos de pesquisas dialetológicas sobre
o português eLrropeu se deu r.ro Centro Linguístico da Universidade de Lis-
boa, em 1995. L-á ficamos por I5 clias. Tivemos possibilidade de levantar
material significativo para o início da pesquisa, graças aos nossos colegas e
amigos portugueses, a quem agradecemos pela amável acolhida dr-rrante nossa
breve visita. Nossos agradecimentos primeiro a Maria Helena Mira Mateus,
por toda a assistência, tanto pessoal quanto acadêmica, e a Joana Alves, pelo
tempo que nos dedicou no debate, na audição de fitas e na cessão generosa
de material inédito. os pesqr-risadores do Centro nos deram assistência es-
pecial e nos permitiram o Lrso do espaço físico e de outros recursos, sefir os
quais nossa pesquisa seria impossívei. Pela excepcional amabilidade e assis-
tência acaclêmica, queremos também agradecer a Maria Fernanda Bacelar do
Nascimento, aJoão saramago e a Maria Luísa segura dacruz, bem como à
secretaria do Centro, Adélia Torrado Silvares, e à bibliotecária, Têresa Cayolla,
à época. voltando ao Brasil, fizemos um relatório detalhado de nossa via-
gem para o CNPq e para a CAPES
-
'Buscando as origens,,_, q*ando a
idéia do garimpo se avoluntou e começou a tomar corpo.
| ;t ,t ,ttr rr ,
l:ltt l()í)7, lcvlrtrr,,t lr{}ssir\ lltirttcit'its lt llcx,r,':, l)irtir ,r I{t rrru,r,, Arrrr,rl ,l,r
l.rrrgrristic Society of Anrerica, Sessãcl Socicty lor l)itlliir ,rrrrl ( r, r,l,
i.,rtrgtrages, realizada em Chicago. Nesse evcnto, riplcscrrtrrrrr)\ ()\ l)rnr( r
,,,t rcsult;rdos do nosso garimpo, ao lado de análi..;cs cla var-i;rq.;r, tlir ,,,,,,,,,
rlrirrcia verbal para o português brasileiro e para o portrrgrrôs ult lrit r, I l,,rrv,'
,rli rrrna veemente intervenção do organizador do evcnt(), )olrrr Mt \)ílr,r t.r,
rrrrr crioulista de idéias bem fortes. Considerava Mc\Whortcr (lu(' ('sl,rv,un()..
,lucrcndo negar nossas raízes africanas e desprezar a contribuição tlt'unr ( í,n
tingcnte enorme da população brasileira. Contrariamente, o (lr.r(' c()nr( (,,rv.r
nr()s a discutir era o fato de a literatura pertinente atribuir à irrllrrirrt r,r ,1,
lirrgrras africanas apenas traços lingüísticos de menor prcstígio, 1)l't'scrrlr'.. rr.
portrrguês falado no Brasil. Na ocasião, Naro tan-lbém len-rbrotr as tlrrr,,'.,,,,,,
r orrtirrentais do Brasil e o fato d.e existir uma relativa uniformidacl(: r)()s tr,r(.r,,,
,litos popr-rlares, independentemente da origem étnica da popr-rla,,.ro rl, ,,r,l,r
rt"l"giiio do país. Em 2000, saiu publicada uma versão ampliada cLr [r'rr,,,trr,
,r;rrcscntamos no evento de 1997, sob organização do próprioJohn N4t.Wlr,,rt,,
l:,,sa publicação é a base do segundo capítu1o deste livro, "Concorclânci,r v,rrr,r
vt'l cm português: a situação r-ro Brasil e em Portugal". Ainda q111 l()i)'r', r,
,lt"scnvoivirnento de nossas idéias foi também apresentado no C,lrrr rrssào das origens c{o português brasileiro.
l:rrr nraio clc 2(XX), levamos para o público portrrguês, pcla prrrr. rr,r v,.',
,rrrrostrirs tlas pt'de Dante Lucchesi, também publicadas
'o refericlo livro. o capítula 7
l ll I t,,t ) trt, Jl lt lll,
' "l'rccttcltimcnto do sr-r.yeito pron«rrrirral c c(Naro, 1978: 338-.33í)),
sabemos que as duas variantes já tinham, de forma variável, traços típicos tlc
pidgin/crioulo, tais como verbos desprovidos de flexões e pronomes acen-
tuados. Uma forma estereotipada seria mim saber em vez de eu sei. Parece tluc
na variante oriental se utilizavam em maior grau esses traços pidginizantes,
No início do século XVI, época dos primeiros contatos de portugucscs
.ornT'il;ffimffiiÍffiãm,ffio, em Portugal um tipo de-e-stratégia para a
, ornunicação com estrangeiros f) sistema verbal resrtltantc, 111111.',1r1,, rlrr
r,rriSilva Neto (t 986), or,-r da
mútua das
litsv? geral paulista, flos termos
de Rodrigues (1996), ir-rfluência diversas línguas no contexto cie
aprenclizaclo do pc'irtuguês, da iíngua geral e de outras línguas conto segundas
línguas; e de elementos pidginizantes vindos da Europa.
A esse quadro se juntou, em números selnpre tnaiores, a população de
origem africana. À írnica informação segura que temos a respeito da situação
lingüística dos prin]eiros africanos chegados ao Brasil é a de que falavam
1ínguas africanas e, em alguns casos e em diversos graus, adqr-iiriram conhe-
cimentos da língua geral ou do portuggês. Falta qgalquer informação sobre o
tipo
-
pidiginizario ou não
-
glssc4s 1ínguas. Entretanto, daclo o fato de
que as populações africanas eram muito concentradas geograficamente, com
falantes de línglras banto para o su1 e os da região do ioruba mais para o
norte, parece inevitável a existência, entre os africanos no Brasil, de pelo
Írenos duas línguas gerais de base africana, de forma semelhar.rte aos sistemas
de base tr-rpi atestados. lle fato, essa é a hipótese clássica na lingüística bra-
sileira, sugerida tão cedo quanto o início do século XX passado. Nina
Rodrigues (193212A04: 145-181), ern As aJricanos no llrasil, aventa a hipótese
de dois sistemas de base africana resultantes do contato de várias 1ínguas
africanas entre si e dessas com o português: um pidgin de hase ioruba mais
ao norte (de uma língua sudanesa) e outro de base quimbunclo mais ao sui
(de uma 1íngua banto) (cf., tarnbém, Rodrigues, 1983, 32).
Com a descoberta, em 1978, da comunidade do Cafuncló '- um bairro
rural na área do denominado dialeto caipira clo Estado de São Pauio
-
e os
estudos de Vogt t Fry ( 1996), agora temos evidências em favor das idéias
de Nina Rodrigues. Esta pequena comunidade, consistente de cerca de 80
pessoas, tem suas origens diretas na doação de um pedaço de terra a dois ex-
escravos, ancestrais da população atr-ral, pelos seus ex-proprietários, utn pou
co antcs da Aholição, em 1888, Então, as origcr.rs cla con.rLtrticladc clo (lalLrltdri
',, .|r,t l ,l,t l, ] il, lt. ,,t,t li r l,, ,lit itt
sllo prccisamente da época da maior influência africana no Brasil, quarrcl«r a
irrigração européia em ampla escala estava apenas começanclo. Emhora a
t:ornurridade seja separada fisicamente da população da redondeza, as pessoas
tl«r Çafu.n"dó participam da economia local de várias formas e mantêm contatos
sociais com pessoas de várias raças, cores e status sociais. SHa língua nativa é q.
P«rrtuglrês denomina5lg ?g1ra, indistinguível do de seus vizinhos, ,0r; .1.,,
to,ii6alrr iut;-ffi1?ngua denominada africana, que é usada entre eles mesnrrs
c(rno Lrm código secreto. segundo Vogt a Fry (ooa, n6-134), esta,,língua
irÍrir:ana" pode ser considerada como sendo formada de estruturas do porttr-
gttôs, com quase todos os verbos e nomes substituídos por formas de base
lrlnto. Em contraste com os pidgins/crioulos mais bem conhecidos, caracterl-
árrl«rs como gramática "africana" com léxico português, o sistema do ClaÍirrrrlú
é t: x a ta me n te o co ntrári o' qlT {§3_ p.:*11grs1 :ga krsg._t_p rová ve r
rtirnologia quimbundo, J;"rlgu'-daJaü+ítia*bm{ à órig.rn derra situaçã«r sri
r/rrrrris paitóeiiã-üi' i àrri. anizaçáo superficiar do português popular do ljrasil
krcal, do período, através da relexificação para os propósitos de comunicação
Itrtt'agrupal, a partir da língua de cóntato banto acima referida.
Í'r«rjetando para o passado o que ocoÍre com o cafundó, é fácil enten,
rlt'r' por que a literatura não contém alusão a um pidgin ou crioulo de base
lr(,rtugrresa -
provavelmente não havia. Parece mais verossímil que os br+
rileir«ls de origem africana falassem variantes locais do português popular dã
li.itsil, da época, ou um pidgin de base africana que, com o correr do tempo,
r itirr cm desuso, exceto para os casos de comunicação secreta. Essa aborda-
grnr tem a vantagem de explicar a pesada influência lexical das línguas afri.
( nnüs l1o português popular do Brasil.
i l)arece-qntão improvável qrre tenha existido nO_BrastL_U!0L lfuglll!-Ldgn
,,1' c1,,,,,1? d. brS. l p*oç:udq enre com a
eúrla aÍro-.-b{asileila.ou ameríndia. Tàl língua .r, Jiipenrár.r .*ittêir.
r la cle outras "línguas gerais", de bases não-européias/ que já preenchiam as
I '.i ,,r,,llrrr,r l,,r ,Í,.,r,,,ulr,trlo Por.( otrto ( lí)í)() g5 l.lír) rlr.rrrrlirrr,,rr/,,, ,,rr rr.1,r .,r.1,rrrrrÍ,,, l,
,r ,,,,1, i,(,í)(),,tr)",Í, "rrrrr,trl.r.Prrrncrlrst1r.1rr1,,.,,,.,rlr.,rr,,rrl,,,r,,rrr,,,r,1,.Irrrrrr \,l,rrrr,
l' rrr ( r)rr, unl,l ltttpltt,r rrrr.,t,t, rlrtr.] ,,rtrsl.t rl, ,rilr 1,..,r, () (.ilrr)l)r.rl ,. ,1,. ,rr,,,r ),r,lrr,rlr,.rI I j I l'rt., rtttt ,1,',, tl\',,1\,,rrrr',lto rl, l,rllr.rrlo rl,, r orr, r'rlo rlr ,rrrlrr rrorrlo r, nr(.1( rr(,,, r, lr rt,,r ,r,,
1 ,1,,,'ilI,)1)||) lJ)1 1)
( )1r1r ,1 1..1', i )( ) l,( )li I I Ir ,l il ,, lill \l,Il I lll( )
llcccssiclaclcs c()nrLrnicativas da popr-rlação. Mas não podemos deixar de sus-
peitar qr-re a pidginizaçào em si, quase endêmica no Brasil desde o início da
Colônia (e antes, tanto no caso da "língua de preto" da Europa e, provavel-
mente, das 1ínguas gerais tupi e africanas), tenha exercido inflr-rência no
desenvolvin-rento do português brasileiro
3. MOTIVAÇÔES HISTORICAS EUROPÉIAS
Um dos fenômenos mais freqüentemente citados como sendo de ori-
gem crioula no português do Brasil é a variabilidade dos sistemas de concor-
dância r-rominal (Coelho, 1967) e verbal (Guy, 1989)
típicas, bem como certas línguas da África ocidental, costumam apresentar
uma única forma lexical que não admite qualquer modificação para indica-
ção de noções subsidiárias do tipo pessoa, gênero, número, tempo, aspecto
etc. Segundo esse ponto de vista, a perda rparcial ou total) dos mecanismos
de concordância no Brasil, em especial a nominal, segundo Coelho (1967)
e Cuy (1989), seria o resr-rltado da "africanização" do português, em outras
palavras, de reestruturação gramatical do português, de acordo com algum
modelo africano, em terras brasileiras.
É perfeitamente possível, entretanto, que a língua portuguesa já possuísse o
embrião do novo sistema mais analítico, antes mesmo de sair da Europa. Tâl
' estado de coisas se torna bastar-rte plar-rsível dada a deriva secular das línguas
românicas, e indo-européias de maneira geral, em direção à urriformização
morfológica, com a sobrevivência apenas das formas 'irregulares' mais salientes.
A variação na concordância verbal tem um componente que parece pura-
mente fonológico, quando o plural conrenr ['komi] se reduz à forma singular conre
['komi], a única diferença existente pode ser a perda da nasalização da vogal não
acenülada final. Tàl regra existe atualmente no português do Brasil e opera varia-
velmente também sobre formas não-verbais do tipo gdragem, homem, oirgem etc.,
em que se observa a possibilidade das formas gdrdge , home, uirge. Por outro lado,
quando a forma comerdm [ko'merêvú - ko'merú -ko'meru] é substituída por comeu
[ko'mew], a diferença consiste na sr-rbstitr,rição de uma desinência eram por oLttra
rtr c o fcnômeno não é n.rais fonológico. Existe evidência empírica a sLrgcrir
rr,rltlt , r,t I ,, l,,t l/r ll ,l'r)llll \l l,,,llf i f
qLlc, em etapas anteriores do desenvolvimento da concordância verbal variávcl,
o tipo comem/come, em que atua a regra fonológica da desnasalização, liderava
rnaciçamente a redução da concordância (Naro, 1981a: 93). Daí conclui-se que
a redução morfológica da concordância é um desenvolvimento mais tardio,
criado a partir da ampliação da redução fonológica. De fato, essa primeira etapa
- a desnasalizaçáo
-
sxisfç na fala popular de Portugal, principalmente na
rcgião de Entre-Douro-e-N4inho, onde, segundo Leite de Vasconcellos (tStlil
l9O1: 87), a regra atua tanto em nomes (oirgun como birge) como em verbo§
(pcrtem como bírte). Temos aí uma origem européia da redução da concordância
vcrbal, sem qualquer Miry"ã'Fiõü; "oü-ffi;;í"m, ffi t
rcgra é,aliás, bem antiga: a omissão da nasal final é freqüente nos textos medle'
vais portugueses e até em latim clássico a nasal final era fraca (Crandgent, l9íl2r
lÍ)3). Omitia-se a nasal tanto em inscrições pré-clássicas como em inscrlçt1eri
lrlebéias tardias (Sturlevant, 1940, 151), tendo sido restaurada apenas durante .r
íasc da língua clássica escrita. *a
(.omo vimos, ha1&Áé".^ydrc que o fenômeng úJlesnasalização-não
é cspecífico do pq[tffireÊ6 Brasil. Admitindo gue a mudança lingüÍstica
rprc envolve a concordância'qgrbolíujeito t.l.hkgç_rnjsiado".n_a-Í.onoloeia,
prciÇisamente.atlayÉs"-da-desiiásalização, conclHr[]g]*gg-e_ §u.+-s,"gÍrgç"ns re-
nlontam pelo menos até os tempos pré-clássicos. Resta saber se podemos
opli*, ã i"ãiÜãããTAma;-tôriõíâ..ããôffiffiãl. Embora sejam raras as
tttcnções à ausência do -s final no português europeu, temos evidências
lristftiàas do comportamento variável do -s, desde o latin[e*g:.tgg
lj'lqg-q'{g"T3li-._*:-.e.sidsntais-es;f
1gas.
I)ara o português eurepeu, vamos encontrar, nas palavras de Leite de
Vasconcellos (tgazlrco1, 97-98), evidências de enfraquecimento do -s de
Ionna geral e queda do -s final em circunstâncias especiais. Segundo este
.rutor, pronuncia-se é7r gfflCye-glO-diantrde-eonlqrnte surda e no final
t I e_ p g I-a v r a s
19 _Sjgrbiin.a"-t ü. l._Pry s" L o b s e r;ã-Tãínl5éilG n a
lirtrcnradüia, ocorre freqüenteme-nte a substituição do -s por -r em sÍlaba
átotta diante de uma consoante sonora (or áedos por os áedos, mermo por mr;sffio),
Aílrma, além disso, que na pronúncia corrente + (-z) se perde diante de -r
(*rr) (o'rcís por os rús;e d{ reis por dezreis) e se assimila completamente diante
tle íricativas palatais (o'jarros por os jdrros e a'xaoes por as cbaues).
L
N,r lristori;t tlas lírrgtr.ts t'onrittic.as enr gcral, tcnros riruitas cvirli'rrr r.rs tlr.
cltrccla ()tr cllíraquccinrento do -s final. Já nos dialetos itálicos pr-c-r.trrrrapi
cos, encontramos freqr-icnte omissão do + final e, nas inscrições latinas primiti
vas, encontra-se o -s omitido livremente. Na época clássica, porénr, e corl-
tinr-rando até o século II, o -s reaparece, para então desaparecer"dc novo
(Crandgent, 1962: 190). Mesmo no Iatim clássico o -s era apagado sob
certas circunstâncias, embora Cícero tachasse essa pronúncia de "subr.uisticum"
(Sturtevant, 194o, 16 1). Desses fatos conclui-se que o -s final dificilmente
era pronunciado rra língua poptrlar de qualquer fase da história do latim.
Crandgent (1962,91), entretanto, é de opinião de qr-re o -s deve ter sido
reforçado na Gália, Espanha e outras regiÕes devido a "primitivos l-rábitos
lingüísticos dos indígenas" e assirn se salvou em certas regiões. Como quer
que seja, mesmo r-ra Ron'rânia Ocidental, constataram-se, desde o início, os-
cilações na realização de -s, que cai sob determinadas circunstâncias em
sardo e sobrctudo em francês, onde se criou toda uma nova sistemática de
marcação dc plurais na língua falada.
Segr-rndo Blanchc-Benvcniste (lg9g: 20-21), "o -s do plural nominal en-r
francês se pronunciava até o sécr-rlo XV", mas, no francês atual, "a regra geral
é que, na língua falada, a diferença entre si,gular e plural se percebe apenas
nos determinantes nominais e nos casos dc ligação". Nos casos scguidos de
consoante, em qlre não ocorre o fenômeno da ligação, a diferença entre
singular e plural se faz apenas por alternância vocálica: uma vogal média
central [e] para o singular; e uma vogal rnédia anterior para o plural [e].
Assim, ainda segundo Blanche-Benveniste (1999, 20;22), em francês, le rurr
blanc'o muro branco'se pronuncia [le rnyr blãl e lcs nutrs bloncs'os,rlrros
brancos' se pronuncia [e myr bla]. Da mesffra fornia, lc n\me ftctit liure ocrt le
passionnait'o mesmo livrinho verde o apaixonava' se ouve conro Ile nrtino
poti livro ver lo pasjcne] c le-nknespelrt5liore5oert, le passionnareri 'os mesmos
Iivrinhos verdes o. apaixonavam' se ouve como Ile memo poti livra ve r la
pasjcnel, ou seja, o equivalente -- em termos cle não-concordâr-rcia . a 'os
rresmo pequeno livro vercle o apaixonou'.
segr"rndo cuy (1989: 232-234) por suit vez, essas mesmas característi-
cas de Iocalização da marca formal do plr-rral no início do sintagma nominal
(sN) tambénr se encontl'am em diversos pic{gins/crioulos, bem como em al-
I)tr I t,,,ti,t l|i|t .rI lt ,)
llunlas Iínguas africanas c 11o I)ortugr-rôs popular do Brasil. Ttrdavia, corrsidcra
elc r;trc o fenômeno,egrirancês é diferente, tendo em vista qr-rc, rrcstc cas{t,
l nrarca de plural sobrevive p{ry1pgb}ç1rtilry*gflgB Então, segr-rnd«r Ouy,
(t()s9); a ütstinçao"tG;IfiGffiãço d. ,,,*áIiâsse particular, arrigos, c
trilo c{c uma posição sintática particular, a primeira posição do sintagrna.
,\ posição de Cr-ry (1989) não corresponde à rcalidaclc rl., lr,rrrtt,," I l,rl,,
,tr( ( nr llancôs a estrutLlra nominal com um sr-tbstantivo ()r.r r.u)l lrrl;t lrr,,r n,r l)l
,r, r,r l)()sição exibe uma distribuição limitada ao nível cla clátrsrrl,r, nr,r\,r llrrrí r
r.r lri,^.r(,ir() pode ser ocupada, minimamente/ com distrihtriçao t l,rrrr,rl ,rrrrl,l,r
I ) l)or um artigo: leliorella livrê] 'o livro' llesliorct llc livrol',s lr,,r,,
)) l)()rLrmpossessivo: monliore [mõlivrg] 'meulivro'1,,,r, 1,,,,,' lrrr, lrrr,tl
'rtteus livro', mon ami [mõnami] 'meu amigo' / urts ,nut, lrrr,.';,,,r',,1 ,r, ,,.
;unigo';
i ) l)()r um demonstrativot ce lil)re [se livre] 'este livro' / ,r, 1,,,,,., ]
,,, L, r, r
I
'cstes livro', cet ami ls9tami]'este amigo' / ces amis l cczurrrr'1'5( r'.,,rr r r r;,, r
| ) l)()r um numeral, troisliores [trwa livra] 'três livro', lroís ,tturs lt,u,.r. ,,,,,,
'três amigo'.
Vcrilica-se, assim, que o francês indica a oposição sirrgrrl;rr'/plrrrrl , rrr
,;,r.rl,1rrcr- cleterminante nominal na primeira posição, seja cstc rlt'tt lrrrrr,rrrt,'
rrrrr ,rligo, um possessivo, um demonstrativo (por mcio tlc irlt.',n,rn( r,r
',,,,rlrril, sc o segmento seguinte for uma consoantei e pcla prcs('lr(,ir rlr | 'l
,,,nr(, ('lcr'lrcnto de ligação, se o segmento segLrinte for unra vog,rl) r' ,rl,'
,,r(',rr() unr numeral. Portanto, o padrão de indicação de plr-rralirlatlc cl,, lr,rrr
,,'. n,r() l'sobrevive primariamente no artigo", não "é um traç() dc'rurrr ,1,r,,.,,'
l,,rrtrr rrl;rr (artigos)", como afirma Cuy (1989, 2-32), ntas tcnrlc, sinr, ,r .,, r
,rr,r ( ulctcrística de "uma posição sintática particular", a prirrrt'irrl l){)\r{..,ro
Iim verdade, embora com restrições distribucionais bem severas, é pos
ívcl cncontrar em francês sintagmas nominais sem determinantes na pri
',,,t't,, t,l,, I lr I t,,,t,lt l t,,,llt,, t
,, \;'r,rrl,,(nr()\rIla(lrtÍl)cttorri,(.orttciçiiol)lrivar'fosant N1,,rcu,rrlr'()ln,r'rr,rlr,,r rrrl,,rrrr,r
r!)l),)rl,l,rl('\,r rcsDcitri tlo corrport;tnrt'nt() (l():,N, lrais ptoPlrlrlcrrlc rl,r;1rrrD,, rr,,rrrrr,rl ,,,,
I',, rrtrr.ris crlrrivoros tlt rnLtrllrct,rqio s,ro tlt r()\s,l ( x(lrrtiv,r r,.porr.,rl,rlrrl,r,l,'
\' ;11,,',,rr rtn Iotlrr;irris rorlsllonrlltn.ros tlcurtntos rnorl,rl,i;1rr,,r Ír,rrr,,.,r'., rr,rÍr ,r,{,,, rrr
,,, 1,1,.r,,r,, rr prr rcrrt,rtl,r crrtrr' I
,
,
( )t.ttr .t t..t,, | )( ) I'r )lt I I J( ,l ll ,, ilr.\,,tI J ll,( I
nrcira Posição nos segLrintes CâSOS: erD títr-rlos e anúlrcios, conro enl (s), em
coorclenação totalizante, como em (6); depois da preposição de, como em
(7), bem como em outros contextos específicos,
1) belles promesses 'belas promessas'; bous plans pour oos oac(il,tces 'bons planos
para slras férias',
2) gdrçons et Jilles s'entendent bien'meninos e meninas se entendem bem';
:) je ooudrais un lit,re de bonnes recettes de cuisine 'eu gostaria de um livro de boas
receitas de cozinha'.
De fato, um texto corrido em francês, especialmente de r,rm jornar, pode
apresentar r,tm bom número de ocorrências sem determinantes na primeira
posição. Estes casos são fundamentais para se discutir a argumentação de Cuy
(1989), porque a idéia da crioulização clássica implica reestrr-rturação de for-
mas no plano da morfologia e da sintaxe, ou seja, ruptura lingüística e conse-