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SOCIOLOGIA E EDUCAÇÃO Aula 1 SOCIEDADE E EDUCAÇÃO Sociedade e Educação Olá, estudante! Nesta aula você refletirá sobre as diferentes classes sociais sob a perspectiva do marxismo e sobre a fabricação de produtos culturais, à semelhança do processo industrial. Essas reflexões são cruciais para a compreensão da divisão da sociedade em diferentes classes sociais e para entender como o capitalismo “invade” até o meio artístico, promovendo uma massificação das obras de arte, distorcendo a realidade. Vamos lá?! Ponto de Partida A educação é um processo intrinsecamente ligado à nossa integração na sociedade, sendo moldada por regras, normas morais, éticas, costumes e línguas compartilhadas pelos nossos antepassados. Os valores legados pelas gerações anteriores funcionam como um guia específico para a vida coletiva, sendo transmitidos ao longo da história das diversas sociedades. Cada sociedade, com suas identidades sociais distintas, contribui para uma essência única, enriquecendo a tradição e a herança cultural que são passadas de geração em geração. O ato educacional é uma forma essencial para que esses valores sejam transferidos de uma geração para a próxima, desempenhando um papel crucial na manutenção da estrutura e dos fundamentos de uma sociedade, proporcionando segurança aos indivíduos. Para nos aprofundarmos no assunto, vamos refletir sobre a seguinte situação: na aula de Sociologia, a professora apresenta aos alunos reportagens que tratam do mesmo assunto (político), no entanto, publicadas por diferentes veículos de comunicação de massa: jornais, revistas, blogs e sites jornalísticos. Considerando-se que 1) os materiais apresentados trazem visões diferentes sobre o mesmo fato (às vezes, contraditórias) e 2) os estudantes apresentam uma concepção de mundo aprendida na vivência cotidiana (principalmente, familiar), a atividade dá origem a um acirrado debate. Os educandos passam a identificar algumas fontes e notícias como “verdadeiras”, dividindo-se em, praticamente, dois grupos de posicionamento. A professora elenca com o corpo discente alguns pontos que deveriam ser pesquisados, para tirar a dúvida que repousava sobre ele e todos vão para o laboratório de informática para realizar a pesquisa. De volta à sala de aula, a educadora retoma o debate a partir dos resultados das pesquisas realizadas. Alguns alunos começam a perceber que o posicionamento que adotam diante de alguns fatos não tem fundamento plausível – alguns preferem se calar, e outros, mesmo assim, querem fazer valer sua opinião, dizendo que as fontes são manipuladas para que se pensasse o contrário do que eles entendem. O que esta atividade mostra para a professora? E para os próprios estudantes? Qual é o sentido de uma atividade como esta? Vamos Começar! As interações entre sociedade e educação são complexas e variadas, uma vez que a escola busca constantemente na sociedade os temas e as tendências contemporâneas para desenvolver e estruturar sua proposta curricular. Ao mesmo tempo, a sociedade, com expectativas semelhantes, busca na escola os elementos necessários para se atualizar e preparar seus membros para as demandas do mundo do trabalho e da cidadania contemporânea. Nesse contexto, podemos afirmar que os eventos históricos e sociais exercem uma influência mútua entre a educação e a sociedade. Os acontecimentos históricos, como eventos sociais significativos, têm o poder de moldar e direcionar as práticas educacionais. Dessa forma, a educação, por sua vez, desempenha um papel fundamental na resposta e adaptação da sociedade a esses acontecimentos, contribuindo para a formação de indivíduos capazes de enfrentar os desafios do seu tempo. A sociedade capitalista A transição da Idade Média para a Idade Moderna marcou também a queda do sistema Feudal e a ascensão do sistema Capitalista. É importante compreender que as Revoluções Burguesas (Revolução Industrial e Revolução Francesa) foram influenciadas pelos ideais iluministas. Esses ideais trouxeram uma nova maneira de interpretar o mundo, proporcionando uma racionalização dos conhecimentos, deixando de lado explicações atreladas a questões supersticiosas e fantasiosas. As mudanças foram profundas em todos os setores da sociedade, desde a maneira como o trabalho passou a ser organizado, nas relações entre patrões empregados, nas relações políticas, culturais, etc. Karl Marx (1818-1883) é um dos autores que nos oferece uma profunda reflexão sobre o sistema capitalista e seus desdobramentos. A lógica capitalista, fundamentada na propriedade privada, estabelece a necessidade de obtenção de lucro nas atividades empreendidas, uma vez que é por meio desse lucro que há a possibilidade de que os indivíduos tenham acesso às benesses produzidas e ofertadas pelo sistema. Entretanto, nem todos os indivíduos possuem propriedades ou capital, resultando em disparidades no acesso aos bens. Essa dinâmica econômica, baseada na busca pelo lucro, cria uma divisão entre aqueles que têm propriedades e capital (burguesia) e aqueles que não possuem esses recursos (proletariado). Essa disparidade de acesso aos benefícios econômicos e sociais é uma característica intrínseca ao sistema capitalista, gerando desigualdades significativas na distribuição de recursos e oportunidades. Os bens são econômicos, financeiros, culturais, etc., a falta de um acarreta a falta do outro – embora essa relação não seja plenamente necessária. A sociedade é desigual e, para que o capitalismo funcione, deve continuar desigual. É a propriedade privada que dá origem à situação na qual as classes se opõem e vivem em luta constante. Eis a luta de classes, um dos conceitos mais importantes do pensamento de Marx. O autor observa que, ao analisarmos a história da humanidade, estruturada em sociedades, identificamos um tema constante em todas as épocas: a persistente existência de classes sociais específicas que competem pelo controle, ou, no mínimo, procuramos impedir que outras classes alcancem tal controle. Segundo Marx (1996, p. 66), “homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição”. Essa oposição sempre tem como base a propriedade privada, que é vista como o elemento crucial para garantir a sustentação da vida material. A classe mais privilegiada, em qualquer sociedade, será aquela que detém o controle sobre os meios de produção. Educação e classes sociais Ao longo da história, as sociedades se desenvolveram divididas em classes ou castas. Em alguns momentos, essas divisões foram determinadas por questões religiosas, enquanto em outras foram influenciadas por fatores econômicos. Por serem fatores distintos que determinaram e determinam essa divisão, a sociedade nunca se caracterizou como um grupo homogêneo (Marx, 1996). Se uma sociedade exibisse uma característica de homogeneidade, seria viável um único projeto educativo abrangendo toda a sociedade. No entanto, o que é possível observar é uma homogeneidade dentro de cada grupo (classe) que compõe uma sociedade. Na realidade, cada grupo é geralmente definido por elementos comuns que são específicos, sendo um conjunto de pessoas que se identificam entre si. A questão a ser refletida é: como a divisão da sociedade em grupos leva à realização da educação de maneiras diferentes? Pensar a educação como um processo único que se realiza de forma objetiva em qualquer realidade é um discurso ideológico. Essa realidade persiste porque parte do pressuposto de que todos os indivíduos em uma sociedade recebem um nível de instrução uniforme e enfrentam oportunidades sociais equivalentes, sendo as diferenças entre as pessoas atribuídas apenas ao mérito individual. No entanto, na prática, as políticas educacionais frequentemente implementam processos que estabelecem modelos diversos de educação, o que acaba por contribuir para disparidades nas oportunidades e nos resultados educacionais. É preciso reconhecer que a influência dos contextos é tão significativa que é difícilresistir às tendências predominantes. Uma sociedade dividida em classes é estruturada de maneira que a educação acaba reforçando essa divisão. A presença de diferentes modelos de escola reflete e reproduz os diversos interesses das classes sociais distintas. Essa dinâmica é tão arraigada que passa a ser percebida quase como algo inerente ou natural. Sob tal perspectiva, Durkheim (2007, p. 47) entende que cada sociedade, considerada num momento determinado do seu desenvolvimento, tem um sistema de educação que se impõe aos indivíduos com uma força geralmente irresistível. É inútil pensarmos que podemos criar nossos filhos como queremos. Há costumes com os quais temos de nos conformar; se os infringimos, eles vingam- se nos nossos filhos. Estes, uma vez adultos, não estarão em condições de viver no meio dos seus contemporâneos, com os quais não se encontram em harmonia. É importante ressaltar que Durkheim ao longo de sua obra não se preocupou em refletir sobre as diferentes classes sociais, essa não foi uma questão para o autor assim como foi para Marx. No entanto, Durkheim analisou profundamente o funcionamento da sociedade e das diferentes estruturas que a compõe e influenciam. Dito isso, é possível a compreensão de que a escola é o lugar em que a sociedade se mostra por meio de valores que guiam a prática e que são transmitidos diretamente aos alunos. As classes sociais, por sua vez, utilizam-se dos meios que dispõe para manter ou tentar transformar a situação vigente. Podemos interpretar que, por um lado, há uma instituição que visa formar estudantes com autonomia e liberdade para escolher seus caminhos de realização. Trata-se de uma escola privada, que oferece um conteúdo mais abrangente ao considerar a formação humana. Para essa instituição, o sistema é eficaz e deve ser mantido, pois traz constantes benefícios. Por outro lado, temos uma escola pública que, devido a vários fatores, em sua maioria influenciados por questões econômicas, oferece uma instrução básica que, de certa forma, predetermina os futuros caminhos possíveis dos estudantes, restringindo as suas opções. Para essa instituição, a situação necessita de alterações (Marx, 1978). De certa maneira, entende-se que existe uma correlação entre tipos de escola e classes sociais. Inicialmente, devemos considerar os projetos políticos que delineiam as direções possíveis para a educação. Em segundo lugar, mesmo em uma escola pública, que teoricamente possui um único projeto educacional, o meio social em que está inserida exerce uma grande influência em suas práticas, relacionando-se à perspectiva de vida dos estudantes, às características socioculturais da comunidade, entre outros aspectos (Marx, 1978). Dessa forma, é de suma importância compreender que a escola não é um ambiente neutro, exigindo uma análise profunda para refletir sobre sua função na sociedade. A educação possui uma influência tão significativa que pode ser um elemento de superação das desigualdades sociais, mas também pode simplesmente reproduzi-las. Siga em Frente... Indústria cultural Outro ponto que merece nossa reflexão é a maneira pela qual a sociedade transmite ao indivíduo uma determinada visão da realidade. Mesmo que ele não perceba, acaba internalizando diferentes abordagens para interagir com o mundo ao seu redor, influenciado pelo conteúdo que recebe, seja de maneira formal (através da disseminação de informações "oficiais" pelos meios de comunicação e outros instrumentos) ou informal (no cotidiano, no âmbito do senso comum, por meio de opiniões que parecem ser pessoais). Para nos aprofundarmos nessa reflexão, tomemos como base os pensadores da Escola de Frankfurt. A Escola de Frankfurt foi, originalmente, uma instituição filosófica que se originou com pensadores marxistas, mas não no sentido de simples prolongamento e reprodução. A Escola deu origem à chamada Teoria Crítica da Sociedade, como proposta de uma nova reflexão sobre a sociedade, a partir dos âmbitos econômicos, históricos, psicológicos e sociais. Foi no bojo da Escola de Frankfurt que surgiu o conceito de Indústria Cultural, pois uma das maneiras de dominação capitalista se daria pela cultura. De acordo com Theodor Adorno e Max Horkheimer (1985), desde o início do século XX, temos testemunhado um fenômeno cultural mundial marcante, o capitalismo industrial, que teve origem no contexto da Revolução Industrial. Para ser assimilado pelas pessoas, esse sistema econômico necessitou de uma vigorosa força de propaganda ideológica. Esse fenômeno não apenas transformou as estruturas econômicas, mas também influenciou profundamente as perspectivas culturais, sociais e ideológicas em todo o mundo. A disseminação de ideias e valores associados ao capitalismo industrial desempenhou um papel crucial na aceitação e adoção desse modelo econômico em diversas sociedades ao redor do globo. Assim, podemos entender o conceito de Indústria Cultural como se ela fosse um vasto aparato a serviço da sociedade contemporânea, essencialmente tecnológica. Ela se vale dos meios de comunicação de massa (televisão, rádio, jornais, revistas e hoje em dia internet) para transmitir os valores e ideais que são úteis ao sistema. A divulgação ocorre sem a devida preocupação com o nível de veracidade que está sendo transmitido. Na verdade, a massa receptora muitas vezes não compartilha dessa preocupação, pois, ao observar as intenções de quem transmite (ou financia os meios de comunicação), torna-se evidente que a intenção, muitas vezes, é justamente não transmitir a verdade de forma intencional. Essa dinâmica destaca como a manipulação da informação pode ser utilizada estrategicamente para atender a interesses específicos (do sistema) e mostra a necessidade de um ImprimirA+A- Alto Contraste 20/02/2025, 07:24 Página 1 de 1