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1 FATECE FACULDADE DE TECNOLOGIA, CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO. ROSELI GUIMARÃES GOMES DOS SANTOS A IMPORTÂNCIA DE CONTAR HISTÓRIA E O ENSINO FUNDAMENTAL PIRASSUNUNGA 2015 ROSELI GUIMARÃES GOMES DOS SANTOS A IMPORTÂNCIA DE CONTAR HISTÓRIA E O ENSINO FUNDAMENTAL Monografia apresentada para conclusão do Curso de Pós-graduação em Arte de Contar Histórias . PIRASSUNUNGA 2015 SUMÁRIO I. INTRODUÇÃO............................................................................................p.01 II. CONTAR HISTÓRIAS............................................. .................................p.06 III. ENSINO FUNDAMENTAL........................................................................p.12 IV. CONCLUSÃO...........................................................................................p.19 VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................p.24 RESUMO O presente trabalho discorrerá sobre a arte de contar histórias e sua influência no Ensino Fundamental, a partir de uma revisão bibliográfica de fontes científicas como: artigos, revistas, sites, etc. Desde os primórdios a comunicação existe de diversas formas e, neste trabalho, será trabalhada principalmente a questão da oralidade, presente na narrativa de histórias. Nos primórdios, o conhecimento era transmitido por imitação, logo após surge o advento da comunicação verbal. Na área da educação podemos observar que as crianças idealizam seus personagens em um mundo de fantasia, para assim começar seu processo de desenvolvimento de aprendizagem, indo mais tarde para a esfera da educação formal. Por conta da banalização da contação de historias, pode-se observar nas escolas a falta de reconhecimento da importância do contar histórias como método pedagógico e facilitador da transmissão de conhecimentos. O professor pode atuar como agente transformador, visando o desenvolvimento integral dos alunos, de forma preventiva para as séries mais avançadas, ajudando na formação de identidades. Também é importante ressaltar que a arte de contar histórias nos anos iniciais é mais fácil do que nos anos posteriores, por se tratar inclusive de uma maior aceitação do público infantil, enquanto os adolescentes preferem histórias mais palpáveis. Palavras- Chaves: ensino fundamental; contação de histórias; educação. “A criança e o adulto, o rico e o pobre, o sábio e o ignorante, todos, enfim,ouvem com prazer as histórias – uma vez que essas histórias sejam interessantes,tenham vida e possam cativar a atenção”. A historia narrada, lida, filmada ou dramatizada, circula em todos os meridianos, vive em todos os climas, não existe povo algum que não se orgulhe de suas histórias, de suas lendas e seus contos característicos”- Tahan (1996) I.INTRODUÇÃO Durante muito tempo os conhecimentos eram transmitidos apenas oralmente, através de histórias, poesia e até música. Os valores culturais eram passados de geração para geração através da fala. Segundo Torres (2008), antes da escrita é quando este saber é transmitido através da oralidade. A partir dessa transmissão de conhecimentos, estes eram armazenados na memória de cada um, sendo cada história resignificada a cada vez que era passada de boca em boca. O ato de contar histórias remete à esta época, onde o saber não possuía meios de armazenamento, senão a própria memória do individuo e com isso, observamos todo o sentido que se é dado para a historia a ser contada, seja pelo contador ou pelo o ouvinte. Atualmente, em nossa sociedade, a contação de histórias foi banalizada, sendo tida como um ato mecânico, sem sentimentos. È preciso dar sentido ao que se conta. Segundo Torres (2008) como este saber era transmitido oralmente, a memória desses conhecimentos configurava extrema importância na apreensão destes conteúdos. O fato de ser culturalmente importante a transmissão de conhecimentos para futuras gerações traz em pauta a questão de como a oralidade foi importante neste processo e a contação de histórias já estava presente na antiguidade. Por conta da banalização da contação de historias, pode-se observar nas escolas a falta de reconhecimento da importância do contar histórias como método pedagógico e como facilitador da transmissão de conhecimentos. De acordo com Souza (2011), durante muito tempo contar histórias foi visto apenas como entretenimento, como forma de distração para as crianças e ainda hoje pode-se observar essa realidade em diversas instituições de ensino. No entanto, no século XXI a figura do contador de histórias vem ganhando espaço e reconhecimento. Sua importância dentro do espaço educacional é de extrema valia, bem como em outros ambientes, como feiras, bibliotecas, livrarias e mesmo dentro do ambiente familiar. Segundo Barbosa et al (2008) é de extrema valia ressaltar que a brincadeira não possui um local específico para acontecer,não possui materiais específicos para realizá-la, basta um pequeno estímulo para que aguce sua criatividade e através da sua imaginação ela produza um mundo de fantasias onde vai experienciar novas vivencias, internalizar diversos conteúdos. Também é importante lembrar a importância da postura corporal exercida no momento da narração. Dependendo da leitura a ser feita, uma postura mais expressiva, mais gestual, contribui de maneira significativa para a compreensão do texto a ser narrado. A linguagem do corpo é percebida pelos ouvintes e significada também por eles, por isso muitas vezes ela se faz presente na contação das histórias e é eficaz. Segundo Wechsler (2002) entende-se por criatividade um conjunto de elementos externos e internos. Dentre eles: os processos cognitivos, personalidade, subjetividade do processo de aprendizagem, cultura, família, entre outros. Todos estes elementos são de extrema influência no saber criativo do educando. É importante ressaltar que a criatividade não é necessariamente uma expressão artística, o que muitas vezes é tido como fato dentro do senso comum. O saber criativo pode se expressar diante de diversas áreas, de diversas formas, refletindo inclusive a adaptabilidade da criança em meio às diversas situações em que é submetida, voluntariamente ou não. Portanto, com a preocupação de as crianças apreenderem os conteúdos e também desenvolverem suas diversas habilidades, faz-se necessário que o educador cogite também formas variadas para que a aprendizagem se concretize e que os educandos possam concluir suas tarefas sociais com autonomia e segurança. Também é necessário que o professor sinta-se seguro para diversificar o modo de ensino, que mexa com o lúdico estimulando o saber imaginário dessas crianças. Podemos observar a contação de histórias como um método em potencial para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita, inclusive a compreensão durante a leitura de um texto. Desta forma é de extrema importância que os profissionais que trabalham com educação, em especial os que trabalham com a estratégia de contação de histórias, qualifiquem-se e induzam o saber criativo dentro do processo de aprendizagem. O reconhecimento da contação de histórias como método pedagógico é atual e cultural. Alguns grupos, como tribos africanas, indígenas, entre outros, já o identificavam como parte integrante do processo de transmissão de conhecimentos. Podemos observar a literatura presente em diferentes culturas, folclore, mitologia, poesia, entre diferentes textos como patrimônio social. Os registros das diferentes histórias não ficam apenas mais na memória dos indivíduos, mas atualmente é possível ter esses registros de forma concreta, seja através de livros, pergaminhos, artigo e, no atual momento de desenvolvimento tecnológico também virutalmente. Uma simples informação pode ser compartilhada na velocidade da luz através da Internet e o acesso aos diferentes registros destas histórias ficou facilitado. No contexto da arte-educação, o contar histórias pode articular-se com todos os modos de autoexpressão, seja literária,verbal, musical, teatral, plástica ou corporal. “Assim como o mito, a lenda e a saga, o conto maravilhoso não é só um relato de um determinado tempo, histórico, mas traz na sua própria natureza a possibilidade atemporal de falar da experiência humana como uma aventura que todos os seres humanos partilham, inscrita e vivida em cada circunstância histórica de acordo com as características específicas de cada lugar e de cada povo.” (Machado apud Fasanello, 2012) Para Read apud Fasanello (2012) a arte deveria ser um dos pilares da educação, já que muitas metodologias pedagógicas estão restritas a processos cognitivos intelectuais que fazer com que a assimilação de conteúdos seja apenas a reprodução mecânica dos conteúdos apreendidos em sala de aula. Este modelo, além de não incentivar a curiosidade do aluno para aprender, remete ao conhecimento vertical, ou seja, a transmissão de conhecimentos de cima para baixo, onde o professor apenas repassa informações, sem estimular o saber criativo, o prazer no processo de aprendizado. È necessário um processo de sedução entre o professor e o aluno no tocante à sede de saber, incentivando e estimulando as crianças, dentro da subjetividade de cada um. A metodologia pedagógica que compreende a arte-educação privilegia a orientação psicológica do adulto e da criança, atentando-se à uma educação através dos sentidos. Esta proposta é pensada enquanto uma abordagem integral da realidade, já que é na educação dos sentidos que estão baseados a consciência, a inteligência e o pensamento do indivíduo humano. Também visa harmonizar o crescimento do subjetivo em cada ser humano, pois essa singularidade contribui para a legítima variedade da vida em relação ao contexto social dos alunos, dos professores e das escolas. Ainda assim esta não é uma prática comum no Ensino Fundamental. As instituições educacionais não privilegiam um trabalho peculiar com a leitura, porque a contação de histórias se distancia dos métodos das avaliações, ou seja, os professores sentem dificuldade em mensurar notas quando se trata de avaliação através da arte, uma avaliação mais mecânica e menos subjetiva é priorizada no âmbito educacional, que ainda vê a arte de contar histórias como entretenimento apenas, sem um cunho pedagógico. Segundo Wechsler (2002) o sistema de avaliação escolar por notas tem sido o mais usual entre os professores. A ideia de inovar, pode trazer dificuldades à alguns professores mais tradicionalistas. Com isso, o desempenho é medido apenas pelas notas, que poucas vezes refletem de fato o nível de aprendizagem da criança. Muitas vezes um aluno pode não estar bem emocionalmente, ou doente fisicamente, o que pode exercer influência no seu rendimento no dia da avaliação. Uma avaliação, talvez mais abrangente e criativa, daria margem para melhores estatísticas de desempenho dentro do ambiente escolar. De acordo a autora, é necessário levar em conta que muitas vezes a questão da avaliação pode desmotivar um aluno, fazendo com que seu desempenho caia, muitas vezes por represálias sofridas ou por questões relacionadas à autoestima. II.CONTAR HISTÓRIAS “O ofício de contar histórias é remoto (...) e por ele se perpetua a literatura oral, comunicando de indivíduo a indivíduo e de povo a povo o que os homens, através das idades, têm selecionado da sua experiência como mais indispensável à vida. “(Meireles apud Fasanello,2012) A educação através da arte é algo novo no meio educacional brasileiro. Durante muitos anos a arte de contar histórias era tida apenas como entretenimento, ou como uma maneira de distração para as crianças e não como parte essencial do processo de aprendizagem. Em 1961, foi fundada na Dinamarca a IPA-Associação Internacional pelo Direito da Criança de Brincar, após sua expansão, foi inaugurada em 1997 uma sede no Brasil, sendo contemplada pela Câmera Municipal de São Paulo, como órgão que tem como intuito preservar os direitos das crianças e adolescente, formada por uma equipe multidisciplinar, tendo com prioridade, o direito ao brincar e acesso à cultura. De acordo com Souza (2001), vários estudiosos defendem que a contação de histórias é um valioso auxiliar na prática pedagógica de professores da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental. As histórias estimulam o saber criativo e a imaginação, facilitando assim o aprendizado e desenvolvendo as linguagens oral, escrita e visual,de forma a incentivar o prazer pela leitura. Também possível trabalhar através dos contos a capacidade reflexiva da criança, colaborando dessa forma na constituição de sua personalidade, trabalhando assim subjetivamente com cada indivíduo, dentro de seu contexto sociocultural. De acordo com Juliano (1999), o fato de contar e ouvir histórias contribui para a formação do sujeito. Através da oralidade podemos internalizar e projetar nossos conteúdos, ressignificando-os através de nossas relações. Com isto, nosso desenvolvimento é mais completo e complexo e dependente do outro, ao qual nos identificamos. O costume de ouvir histórias desde cedo atua de forma preventiva, ajudando na formação de identidades. No momento que se conta a história estabelece-se uma relação de troca entre narrador e ouvinte, o que faz com que toda a bagagem cultural e afetiva destes ouvintes venha à tona. “Contar histórias é uma arte porque traz significações ao propor um diálogo entre as diferentes dimensões do ser”- (Fasanello,2012) Segundo a autora, na antiguidade a narração de histórias era vista sob um olhar inferior à escrita, no entanto os povos se reuniam ao redor da fogueira e contavam suas lendas e contos, difundindo a sua cultura e os seus costumes. Estas reuniões eram atividades simplórias, por isso a rejeição dessa prática socialmente, que era vista sem nenhum objetivo concreto a não ser o entretenimento. Essas lendas histórias pertenciam à memória coletiva do imaginário social, destinadas a ouvintes de todas as idades q que não sabiam ler. Segundo Tahan apud Souza (2001) “até os nossos dias, todos os povos civilizados ou não, tem usado a história como veículo de verdades eternas, como meio de conservação de suas tradições, ou da difusão de ideias novas.” O homem descobriu que a arte de contar histórias além de recrear, ocasionava a admiração e entusiasmo e, desta forma, conquistava a aprovação dos ouvintes. O narrador de histórias tornou-se o centro da atenção popular pelo prazer que suas narrações proporcionavam. Desta forma, durante muito tempo a contação de histórias foi uma prática oral. Podemos observar que na Idade Média os contadores de histórias eram muito respeitados, eram os famosos trovadores, que contavam histórias dos mais diversos tipos: contos, lendas, mitos, poesia, musicais, entre outros e espalhavam essas historias por dentre os mais distintos povoados. Com o surgimento da escrita, as histórias, além de à priori serem orais, passam a serem redigidas e registradas em diversos documentos. A partir da documentação de histórias, podemos observar a evolução dos contos infantis. Podemos observar também diversas doutrinas religiosas que utilizam ou utilizaram a contação de historias como meio de difusão de suas ideias. Religiões budistas, medicina hindu, contos africanos, entre outros seguimentos religiosos são potenciais utilizadores dos contos. No Oriente Médio encontramos o narrador profissional de contos de fadas e grandes coleções de contos de fadas indianos e turcos fazem parte da educação dos jovens príncipes. Com o advento da tecnologia, o processo de contar histórias foi se aprimorando e no século passado podemos observar a chegada de recursos audiovisuais. Surge o cinema, a televisão, o computador e quase no fim do século a multimídia. Desta forma, a arte de contar histórias no século XX conta com estes recursos adicionais, portanto observamos a contação contemporânea não apenas na forma oral ou escrita, mas também virtual ilustrada. Agora nós não somente ouvimos e lemos histórias, mas assistimos à sua representação audiovisual.No entanto, também vale advertir que estes mesmos elementos que muitas vezes facilitam a vida no sentido de acesso aos mais diversos conteúdos, podem atrapalhar no sentido da criança vivenciar seu lúdico, sua fantasia no real, não apenas no virtual. Muitos educandos acabam ficando sem motivação para pegar um livro na biblioteca, ou ler uma revista, uma vez que o conteúdo online é mais rápido e mais tentador. Podemos observar nas diversas redes sociais o volume de informações compartilhadas, mas poucos sãos os clubes de leitura, ou os grupos de estudo atualmente. Com o virtual, enalteceu-se o individual, criando um mundo online disponível para o que se queira acessar, ou mesmo quem se queira ser. Um recurso também muito utilizado, inclusive no ambiente educacional é o computador. Com o computador perde-se a voz do narrador, sua entonação e o sentido que ele dá na história a ser contada, porém se ganha com a sofisticação da narração, com diversos sons e imagens que não seriam possíveis de serem absorvidos apenas com o narrador. A internalização da história é uma ação individual e subjetiva, e as mais buscadas pelo público infantil ainda são as que possuem um narrador humano, ou seja, conclui-se que a figura do contador de histórias continua sendo a ponte entre o ouvinte e o conto, esteja este ao vivo ou na tela do computador. Os contos tradicionais, como os contos de fadas, possuem uma linguagem simbólica, o que ajuda a criança no entendimento da historia e na projeção e identificação com o conto. Em momentos de angustias e inseguranças, a criança encontra conforto e segurança na história, geralmente com um final feliz. A literatura educa através dos contos e histórias moralizantes tradicionais, que ainda são achadas em livros didáticos e alguns livros infantis. Os contos modernos são historietas originais criadas por autores contemporâneos que trazem uma renovação literária, abordando o cotidiano das crianças, desde as situações mais ordinárias, bem como temas existenciais, sociais, morais, éticos, religiosos, entre outros temas que estão inseridos em nosso contexto sociocultural. O livro de imagens é outro recurso da contação de histórias, sendo que as histórias são narradas por meio de imagens, não utilizando o texto verbal, uma forma de literatura para crianças ainda pouco explorada. As imagens são narrativas com conteúdos descritivos e ação, diferentemente de ilustrações decorativas dos livros infantis, com diversos minudencies da história, entre uma imagem e outra, que devem ser projetados no imaginário do leitor ou contador, com passagem de tempo e mudanças de espaço importantes, com destaque para o gestual das personagens e tudo que for indicador de ação e movimento para que a história possa ser bem compreendida. De acordo com Fasanello (2012) os contos tradicionais possuem um grande valor no processo educacional, por serem capazes de superar, de forma sutil e profunda, os diferentes processos de aprendizagem, incentivando as nossas habilidades, recuperando o encanto da escola e o prazer do aprendizado. Mais que uma simples metodologia de sensibilização e interação entre os corpos docente e discente, a arte de contar histórias, integrada a outras linguagens de arte, pode ser usada como ponte que conecta as bases intelectuais de autores, contadores e ouvintes. Segundo Mainelli (2006) nas pesquisas realizadas por Hilary Cooper, a autora relata que as crianças ao interagirem com objetos do passado estabelecem relações que as levam a idealizar o que os homens do passado sentiam e pensavam ao utilizar determinado objeto. Assim, pode-se perceber que ao narrar à história aparecem valores e opiniões sobre a sociedade fictícia do conto. O conhecimento prévio das crianças sobre os episódios afirmados e os valores do grupo social ao qual pertencem entrelaçam-se na construção do novo conhecimento que estão desenvolvendo. Aparecem, de forma muito clara, os conceitos de trabalho e responsabilidade, noções sociais bastante enfatizadas pelos diversos grupos, promovendo assim a expressão de valores socioculturais diversificados e possibilitando assim a troca de vivências e apreensão de novos conteúdos, antes não conhecidos. Segundo Piaget apud Moreno (2009) a criança, dentro do espaço lúdico, ao entrar em contato com novas propostas de atividades, brincadeiras diferentes, materiais que não possuía contato anteriormente, ressignifica suas experiências, adquire novas vivencias, estimulando assim suas capacidades cognitivas. É a partir destes novos estímulos que ela vai desenvolvendo suas habilidades. Muitas vezes, portanto, por conta da mecanização e da verticalização do sistema de ensino, perde-se o entretenimento, a ludicidade, o estímulo do imaginário, que podemos observar, por exemplo, na arte de contar histórias. Muitos educadores ainda não se deram conta do quanto as histórias podem ajudá-los. Muitos deles ainda continuam utilizando as histórias, quando utilizam, apenas para acalmar e entreter os educandos e não percebem as várias possibilidades de uma boa história. O principal objetivo em contar uma história é divertir, dar prazer ao aprendizado de forma a estimular a imaginação, mas, quando bem narrada, pode atingir outros objetivos, tais como: educar, instruir, constituir personalidades, desenvolver o raciocínio, ser porta de acesso para trabalhar algum conteúdo programático, podendo aumentar o interesse pela aula, favorecendo a compreensão de situações desagradáveis e ajudando a resolver conflitos. Agrada a todos sem fazer distinção de idade, classe social ou circunstância de vida. III. ENSINO FUNDAMENTAL “Porque para formar grandes leitores, leitores críticos, não basta ensinar a ler. É preciso ensinar a gostar de ler. [...] com prazer, isto é possível, e mais fácil do que parece” (Villardi, 1997). O Ensino Fundamental compreende o público que possui a faixa etária de 7 a 14 anos, composto por duas etapas (1ª a 4ª série e 5ª a 8ª série), com um teste nacional no final de cada etapa. Antes da Constituição de 1988, os três níveis de governo –- municipal, estadual e federal –estavam envolvidos com o financiamento e a oferta de todos os ciclos de ensino. Seguindo as novas normas estabelecidas pela Constituição de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases de 1996 definiu as responsabilidades administrativas da seguinte forma: os governos estaduais e municipais compartilham a responsabilidade do financiamento e provisão do ensino fundamental de 1ª a 8ª série e cabe ao governos estaduais prover o ensino médio da 1ª a 3ª série. Art. 211, § 1 a 4- Os sistemas de ensino, no Brasil, são organizados em regime de colaboração entre a União , os Estados e o Distrito Federal. à União, cabe a organização do sistema de ensino federal e dos territórios, financiando as instituições públicas federais e exercendo, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e o padrão mínino de qualidade mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.Aos Municípios cabe a responsabilidade de atuarem, prioritariamente, no ensino fundamental e na educação infantil; os Estados e o Distrito Federal atuam principalmente no ensino fundamental e médio definindo formas de colaboração, de modo a assegurar a universalidade do ensino obrigatório. Nos últimos anos, Estados e Municípios passaram a atuar, também, no nível superior. A Educação, no Brasil, passou por diversas modificações, até chegar ao modelo horizontal atual. O sistema educacional, apesar de passar por mudanças significativas, ainda possui muitos traços tradicionalistas, como por exemplo, a avaliação por meio de provas e notas. A transmissão vertical de conteúdos ainda permeia o âmbito dos processos de ensino, porém essa realidade vem sido modificada com o passar dos anos e os diversos estudos na área. A grande dificuldade das instituições de ensino no concernente à contação de histórias é mensurar notas avaliativas quando se trabalha comcontos, pois se trata de uma educação não palpável, pautada no imaginário dos ouvintes e do próprio contador. Muitas vezes a avaliação faz com que a criança ou o adolescente perca o interesse pela leitura por pensar que pode estar sendo avaliado enquanto conta ou ouve uma história. De acordo com Barbosa (2009), desde que ler tornou-se uma ferramenta de extrema importância no cotidiano do ser humano, escrever e compreender a escrita também. As crianças, por terem o processo de aprendizagem dado através do modo lúdico trabalham muito bem com a oralidade, a imaginação e imitação, portanto através de livros, revistas, gibis e afins elas começam a identificar as letras e palavras e a reproduzi-las. Também é importante ressaltar que a contação de histórias nos anos iniciais é mais fácil do que nos anos posteriores, por se tratar inclusive de uma maior aceitação do público infantil, enquanto os adolescentes preferem histórias mais palpáveis, não mais apenas os contos de Fada, ou livros ilustrados, porém de qualquer forma seu caráter preventivo é de extrema importância. Segundo Villardi (1997) o fracasso escolar no ensino fundamental se refere ao desenvolvimento pelo gosto da leitura e formação de leitores, que recai sobre a forma como o professor está trabalhando a relação do livro com o aluno. A literatura não é estimulada adequadamente e a contação de histórias é uma alternativa para que os educandos tenham uma experiência positiva com a leitura e a escrita, e não uma tarefa rotineira escolar que transforma a leitura e a literatura em simples instrumentos para as provas, afastando o aluno do prazer de ler, como que fosse uma obrigação. Um dos principais objetivos da escola é fazer com que os alunos tenham prazer na leitura. Com isto faz-se necessário encontrar outras formas de persuadir os alunos para que eles busquem a leitura, que gostem de ler. Segundo Meirelles apud Fasanello (2012) : “o gosto de ouvir é como o gosto de ler”. Alguém que toma gosto em ouvir histórias, provavelmente, procurará lê-las também. Ou, até mesmo, chegará a escrevê-las, já que “o gosto de contar é idêntico ao de escrever e os primeiros narradores são os antepassados anônimos de todos os escritores”. A contação de histórias auxilia, principalmente, os educandos vindos de famílias analfabetas, já que estas crianças não seriam mais inseridas diretamente num discurso formal e científico, mas sim partiriam do que lhes é conhecido. Souza (2001) afirma que a narração de histórias é uma estratégica pedagógica que pode favorecer significativamente a prática docente na educação infantil e ensino fundamental. A escuta de histórias estimula a criatividade, educa, desenvolve as funções cognitivas, dinamiza o processo de leitura e escrita, além de ser uma atividade interativa que potencializa a linguagem infantil. A ludicidade através de jogos, danças, brincadeiras e contação de histórias no processo de aprendizagem desenvolve as práticas sociais, a responsabilidade e a expressão, estimulando as capacidades da criança e incentivando seu aprendizado, construindo seu conhecimento sobre o mundo ao seu redor. Em meio ao prazer, ao encanto e ao entretenimento que as narrativas criam, vários tipos de aprendizagem acontecem, sejam elas educacionais ou emocionais. No âmbito psicanalítico Freud apud Bomtempo (1999) diz que a atividade lúdica é um meio de se fantasiar na tentativa de aliviar as necessidades não satisfeitas ou reprimidas. Papéis são representados ludicamente e a criança, a partir dessas interações e representações criadas vai desenvolvendo suas capacidades cognitivas e emocionais, criando seu meio de comunicação com o mundo, fazendo uma releitura do que foi vivenciado. Segundo Moreno (2009), a narração, além de uma forma de transmissão de conhecimentos e comportamentos, é também uma forma de desenvolvimento. No âmbito lúdico, as crianças reproduzem seu cotidiano, os comportamentos com os quais estão acostumadas e adquirem novos comportamentos, internalizam novas regras sociais e, através da comunicação, estimulam-se entre si. A escuta favorece a narração e processos de alfabetização e letramento: habilidades cognitivas, consciência metalingüística e desenvolvimento de comportamentos alfabetizados, competências verbais, reconhecimento de letras, relação entre fonema e grafema, construção textual, conhecimentos sintáticos, semânticos e ampliação do léxico, constituindo-se como uma rica fonte para o aumento de repertórios. Dentro das histórias podemos observar a estrutura do conto: as personagens, apresentação inicial do conto, sucessão de eventos/ações e o final; esta dinâmica facilita a compreensão textual e a criação de histórias pela própria criança, assim cooperando para o desenvolvimento habilidades lingüísticas em nível oral e escrito. Os diversos aprendizados são possíveis na medida em que essas histórias acontecem em tempo e espaço diversificados, tornando-se um instrumento criativo de exploração a ser usado pelo educador. Inclusive, segundo Busatto apud Souza (2001) essa metodologia didática possibilitará ao aluno valorizara identidade cultural e a respeitar a multiplicidade de culturas e a diversidade inerente a elas. “as narrativas de casos e contos podem ser aproveitadas em todas as atividades. Através dessas narrativas podem ser ministradas aulas de Linguagem, Matemática, Educação Física, com o máximo de interesse e maior eficiência”. (p.142). “É o exemplo do escritor Monteiro Lobato,que mostrou que até a aritmética, com seus cálculos e suas frações, pode ser aprendidasob a forma de história...” (Tahan apud Souza,2001) A contação de histórias apresenta grande valia, apesar da lacuna de conhecimentos avaliativos presentes neste campo, pois ao ouvir uma história que relate sua trajetória até o momento e que ainda antecipe o futuro que a nova fase escolar lhe reserva, a criança elabora o forçoso rompimento dos vínculos estabelecidos nessa fase, preparando-se assim para uma nova etapa, diminuindo assim o nível de stress, o medo e a insegurança que a nova fase apresenta. Alguns aspectos devem ser levados em conta na hora de propiciar o ambiente ideal para a narração de um conto: espaço físico adequado (lembrando que não necessariamente deve ser a sala de aula, lugares como bibliotecas, parques, buffets também compreendem um espaço que possibilite a contação), ambiente aconchegante, distinto de distrações externas e internas que possam vir a atrapalhar o processo, preparação das histórias com antecedência de forma ao contador criar uma familiaridade com a história a ser contadas, matérias para ilustrar a história como bonecos, fantoches, fantasias, que inclusive podem ser confeccionados pelos próprios ouvintes. Aspectos devem ser considerados para o sucesso da contação de histórias facilitando a concretização das fantasias e a expressão dos sentimentos. De acordo com Barbosa (2009), além da escolha dos materiais e locais, são necessárias algumas técnicas para que a contação de histórias surta efeito. Por exemplo: o tom de voz, a segurança do educador, a entonação a cada história, a atenção do professor em relação aos ouvintes, entre outras. Uma opção também é a confecção dos próprios materiais. “Como toda arte, a de contar histórias também possui segredos e técnicas. Sendo uma arte que lida com matéria – prima especialíssima, a palavra, prerrogativa das criaturas humanas, depende, naturalmente, de certa tendência inata, mas que pode ser desenvolvida, cultivada, desde que se goste de crianças e se reconheça a importância da história para elas.”- Coelho apud Barbosa (2009) Segundo a escritora Cléo Busatto, especialista em contação de histórias, o narrador deve descobrir as razões pelas quais contar tais histórias, para o público para o qual irá contá-las e em que contexto. Salienta a importância de o educador estar movido pela sensibilidade na interação que terá com a narração e é necessário que haja identificação entre o narrador e o conto com a história sugerida, estudando-a, buscando assim seu sentido e apreendendo seusimbolismo. A plateia ouve uma mesma história, mas o modo como cada pessoa experimentará será diferente. “(...) que crianças destes níveis etários dispõem já de um conceito de causalidade, que se observa no seguimento coerente de uma narração; não será o conceito “formal” de causalidade, mas é já o narrativo que o ajudará a formalizar posteriormente o conceito de causalidade histórica. (Sole apud Mainelli ,2006). Para as séries mais avançadas é preciso que o professor se atente às demandas do público. Interagir com os alunos e empoderá-los de forma a eles decidirem as histórias a serem discutidas dentro do ambiente escolar faz com que a prática da leitura e contação de histórias sejam prazerosas, que eles encontrem sentido nas histórias e que o aprendizado se dê não apenas de uma forma técnica, mas também, através da interação aluno-professor e que seja possível, assim, a internalização dos conteúdos a serem transmitidos de forma à assimilação dos mesmos ser facilitada. Uma alternativa é chegar a um acordo entre a sala, através de debates, reuniões e afins, deixando que os mesmos também tenham voz ativa e possam expressar suas opiniões e vontades, para que assim o conteúdo a ser trabalhado possa ser considerado facilitador para a transmissão de conteúdos e apreensão de conhecimentos. De acordo com Barbosa et al (2008) cabe ao professor, com o objetivo de obter a compreensão e o conhecimento da evolução dos alunos, refletir sobre qual será a atividade proposta, tendo para si a clareza de seu objetivo, do que deseja transmitir. Também é necessário que o educador fique atento ao tipo de atividade proposta e a intenção da mesma, como se encaminhará, delimitando seu espaço físico, material a ser utilizado e tempo hábil de realização, além de estar ciente da fase de desenvolvimento que a criança se encontra. Pensar se esta atividade lhe trará benefícios no concernente ao seu processo de aprendizado e se ela será capaz de realizar a atividade, pois muitas vezes uma atividade é aplicada e não se encaixa no perfil da criança, causando constrangimento e desmotivação. Segundo Martinelli et al (2009) a partir do século XIX, a infância passou a ser estudada com mais ênfase por diversos teóricos e diferentes vertentes da psicologia como a gestalt, a psicanálise, o construtivismo, o behaviorismo e a abordagem sócio-histórica. Com a afirmação da criança dentro de sua faixa etária, dentro de seu processo de desenvolvimento infantil, fizeram-se necessários outros estudos acerca do tema para melhor compreensão do processo de desenvolvimento da criança. A partir do século XVII, ocorre o reconhecimento em relação a infância e suas particularidades, educadores da época começam a mudar o direcionamento da educação. A partir disso, as crianças passam a serem preservadas do ponto de vista psicológico e moral e os alicerces usados para educar constituem as bases do ensino até os dias de hoje. Pensar no contexto em que a criança está inserida subjetivamente e suas dificuldades também facilita na hora da compreensão de demandas que se tem dentro de uma sala de aula, tal como um todo, mas também as demandas individuais são importantes de serem reconhecidas. IV. CONCLUSÃO O contato inicial com a literatura desde a infância com livros ilustrados com imagens ou sem textos e o trabalho com contação de histórias podem ser uma grande alavanca na obtenção da leitura para além da simples decodificação linguística. “A leitura é um dos meios mais eficazes de desenvolvimento sistemático da linguagem e da personalidade. Trabalhar com a linguagem é trabalhar com o homem”. (BamBerger apud Souza ,2001) O reconhecimento da atividade lúdica como potencializadora do desenvolvimento infantil, ainda há uma banalização, naturalização da brincadeira, compreendida como uma atividade sem contribuições satisfatórias. Muitas vezes, no dia-a-dia, com cotidiano atarefado e estressante do mundo adulto, portanto, não é contemplada a importância devida para esta atividade juntamente à criança. O ideal é trabalhar com a contação de histórias desde a educação infantil, no sentido de prevenção para os próximos anos e não apenas de promoção da educação. De acordo com o estágio de desenvolvimento que a criança que se encontra a atividade, bem como a história a ser contada é escolhida, o que facilita em seu processo de aprendizagem. A criança cria estratégias de leitura e escrita, quando se tem o contato nas séries iniciais para o desenvolvimento dessas habilidades nas séries posteriores, do Ensino Fundamental. Crianças ainda não alfabetizadas trabalhariam com livros com imagens e, conforme sua fase, trabalhando com livros com gravuras e textos, depois apenas textos. A apreensão de leitura e escrita se dá nesse momento, o que facilitará posteriormente, nas outras séries, a assimilação de conteúdos. Vale ressaltar que no Ensino Fundamental a criança já pode participar efetivamente também das decisões em sala e, em comum acordo com o educador, a sala escolher as histórias a serem trabalhadas, para assim este processo se dar de forma prazerosa. O educador necessita incluir em seu planejamento pedagógico períodos dedicados à leitura, formando crianças que gostem de ler e escrever, ou seja, uma geração de leitores e escritores que tem a literatura infantil para si como um meio de interação e entretenimento. Segundo Abramovich (1991), o ato de escutar contos é o ponto de partida para o processo de aprendizagem de se tornar um leitor assíduo. Além da escolha dos materiais, vale ressaltar a diversidade de histórias que podemos encontrar: contos de fada, textos jornalísticos, documentários, livros de ficção, romances, histórias verídicas, poemas, entre outros. De acordo com a demanda que se tem e os acordos estabelecidos, se escolhe o estilo de leitura que irá fazer. A identificação com a leitura a ser feita é imprescindível para o sucesso da oficina, pois há a internalização do simbólico, dos desejos imaginários, dentro da projeção do ouvinte na história contada. “(...)em termos educacionais, um objetivo da incorporação dos contos tradicionais e da arte de contar histórias é ampliar o potencial e os recursos dos educadores, de modo a que estimulem o valor educativo da metáfora (histórias) e utilizem-na como instrumento de trabalho dentro da escola nas diversas disciplinas e ocasiões.” ( Fasanello,2012) A contação de histórias desperta o pensamento narrativo e reflexivo. Uma forma de pensar juntamente com o pensamento científico, interligado à subjetividade e ao emocional, surge em circunstâncias onde o indivíduo busca a compreensão da realidade através do simbólico. Desta forma, a arte de contar histórias favorece o psiquismo, o desenvolvimento de suas funções cognitivas e emocionais da criança, enquanto cresce a identificação com os modelos que convive para constituição de personalidade. Muitas vezes se é pensado em desenvolvimento apenas em seu caráter intelectual, ou na personalidade apenas em seu aspecto emocional, porém o desenvolvimento integral é o conjunto de complexos que moldam o psiquismo humano. Não apenas a transmissão de conteúdo e seu desenvolvimento cognitivo, ou não apenas a estimulação motora da criança, também não se deve pautar apenas em seu psicológico ou social, mas sim em todo um conjunto interrelacionado biopsicossocialmente. Carvalho et al (2005) destaca que, principalmente no Brasil, a preocupação com os aspectos da educação infantil é crescente. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional-LDB-(Brasil, 1996) a educação infantil deve ser oferecida para promover o desenvolvimento integral das crianças até seis anos de idade, integrando seus aspectos sociais, físicos, intelectuais e psicológicos, incluindo o desenvolvimento da criatividade que, pode ser favorecida com a inserção do brincar no ambiente educativo. As instituições educacionais têm uma grande responsabilidade nesse processo, pois o sistema educativo deve atuar no auxílio a quem cresce em uma cultura específica a se identificar e identificar tambéma diversidade cultural. A partir das narrativas é possível construir uma identidade e de encontrar-se dentro da própria cultura, sendo assim o sistema educacional deveria promover e divulgar contos orais e escritos que mostrem à realidade multicultural brasileira resgatando diversas tradições, favorecendo deste modo a edificação da identidade infantil. O objetivo da inclusão dos contos tradicionais e da arte de contar histórias é a ampliação do potencial educacional e o acréscimo de recursos diversificados para os educadores, de modo a incentivar o valor educativo das metáforas e utilização delas como instrumento de trabalho dentro da escola nas diversas disciplinas e situações. De acordo com Fasanello (2012) as dificuldades apontadas pelos professores para investir em novos métodos educativos que incorporassem as experiências e as vivências dos próprios alunos em seus contextos cotidianos muitas vezes tem a ver com a dificuldade de estabelecer um método avaliativo para a arte-educação. Muitas vezes os educadores optam pela forma mais tradicionalista de transmissão de conteúdos, ou seja, a prova escrita ou oral, não dando assim abertura às novas estratégias que busquem o saber criativo e prazeroso dentro do âmbito escolar. Muitas crianças com dificuldades emocionais e de aprendizagem passaram a ter mais alegria, capacidade de convívio e estabelecimento de relações interpessoais, além da aquisição de habilidades para a superação de problemas, já que muitos contos selecionados, adaptados ou mesmo criados pela equipe docente ou pelos próprios alunos, de forma sutil, exprimiam tais dificuldades e diante do implícito no grupo, das projeções e internalizações inconscientes das histórias foi possível se trabalhar tais questões. As linguagens de arte e expressão integradas ao estudo de contos complementam o trabalho, funcionando como meios de expressão, elevação de autoestima e autonomia adequadas ao crescimento interno e externo das crianças. Os contadores de histórias que se utilizam de histórias tradicionais se baseiam no seu vínculo com a vida concreta, como também com o sagrado. No instante em que acontece a valorização das raízes, das religiões, das diversas culturas, das expressões artísticas, etnia e raças, como também no compartilhamento da própria história, do próprio contexto no qual o individuo está inserido podemos ter o alicerce sobre a qual se constituem os processos de identificação do sujeito e constituição de sua personalidade. Os contos possibilitam enxergar as diferenças culturais e constatar que a diversidade é saudável, além de possibilitar a troca de experiências e possibilitar novas vivências, tanto para o narrador, quanto para os ouvintes. Ao utilizar-se a narração de histórias, todos obtêm ganhos, sejam os ouvintes, que serão instigados a imaginar e criar, produzindo pensamentos criativos e reflexivos, seja o contador, que terá a oportunidade de recriar uma atmosfera de resgate da memória. E, ao pensarmos na escola,seja na educação infantil como prevenção para os anos posteriores, ou no Ensino Fundamental, tanto os alunos como os professores terão uma aula muito mais atrativa e motivadora, estimulando dessa forma o saber prazeroso e criativo. Assim, quem mais sai ganhando é, na verdade, a sociedade, que receberá cidadãos mais criativos e capazes de conviver com a diversidade. V. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 2.ed. São Paulo: Scipione;1991. BARBOSA, S. L; BOTELHO, H. S. Jogos e brincadeiras na educação infantil. 2008. 34 f. Monografia (Graduação em Normal Superior)* - Centro Universitário de Lavras, Lavras, 2008. BARBOSA, Christiane Jaroski et al. Contação de histórias para crianças dos anos iniciais.Rev. FACEVV;V.3, P. 23-33. Vila Velha, 2009. BOMTEMPO, Edda. Brinquedo e educação: na escola e no lar. Psicol. Esc. Educ. (Impr.), Campinas, v. 3, n. 1, 1999 . 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