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MEDICINA UNICESUMAR – ANA LUISA MATOS 
 
A liberação do cortisol é pulsátil e 
estimulada diretamente pelo ACTH 
liberado na adeno-hipófise. O ACTH, ou 
corticotrofina, é sinteti pela adeno-hipófise 
na forma de um grande precursor, a 
pró�opiomelanocortina (POMC). A POMC 
é processada após tradução vários 
peptídeos, incluindo a corticotrofina, a β-
lipotrofina e a β-endorfina 
A liberação de ACTH é pulsátil, com cerca 
de 7 a 15 episódios por dia. A estimulação 
da liberação de cortisol ocorre 15 minutos 
após o pico de ACTH. Uma importante 
característica da liberação do cortisol é o 
fato de que, além de ser pulsátil, ela segue 
um ritmo circadiano peculiarmente 
sensível a fatores ambientais e internos, 
como luz, sono, estresse e doença. A 
liberação de cortisol é maior durante as 
primeiras horas de vigília, e os níveis 
declinam à medida que o dia prossegue. 
Em consequência de sua liberação 
pulsátil, os níveis circulantes do hormônio 
variam durante todo o dia, e isso tem um 
impacto direto na interpretação dos níveis 
de cortisol, com base na hora da coleta da 
amostra de sangue 
O ACTH estimula a liberação de cortisol 
por meio de sua ligação a um receptor de 
melanocortina 2 da membrana plasmática 
acoplado à proteína Gαs nas células 
adrenocorticais, resultando em ativação da 
adenilato-ciclase, aumento do 
monofosfato de adenosina cíclico (AMPc) 
e ativação da proteína-quinase A. A 
proteína-quinase A fosforila a enzima 
colesteril- éster-hidrolase, aumentando a 
atividade enzimática, com consequente 
aumento na disponibilidade de colesterol 
para a síntese hormonal. Além disso, o 
ACTH ativa e aumenta a síntese da StAR, 
a enzima envolvida no transporte do 
colesterol para a membrana mitocondrial 
interna. Por conseguinte, o ACTH estimula 
as duas etapas iniciais e limitadoras de 
velocidade na síntese dos hormônios 
esteroides 
A liberação de ACTH pela adeno-hipófise 
é regulada pelo peptídeo hipotalâmico, o 
hormônio de liberação da corticotrofina 
(CRH), discutido Capítulo 3. O cortisol, que 
é sintetizado no córtex suprarrenal, entra 
na circulação, atravessa a barreira 
hematencefálica e alcança o hipotálamo e 
a adeno-hipófise, onde se liga a um 
receptor de glicocorticoide e inibe 
biossíntese e a secreção do CRH e do 
ACTH, em um exemplo clássico de 
regulação dos hormônios por 
retroalimentação negativa. Esse circuito 
estreitamente regulado é conhecido como 
eixo hipotalâmico-hipofisário-suprarrenal 
(HHSR) 
Eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal: 
O CRF, produzido pelo hipotálamo e 
liberado na eminência mediana, estimula a 
síntese e o processamento da POMC (pró 
opiomelanocorticona), com a consequente 
liberação dos peptídeos da POMC, que 
incluem o ACTH da adeno-hipófise. O 
ACTH liga-se ao receptor de 
melanocortina 2 na glândula suprarrenal e 
estimula a síntese dos hormônios 
esteroides da suprarrenal a partir do 
colesterol. Os glicocorticoides liberados na 
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circulação sistêmica exercem inibição por 
retroalimentação negativa sobre a 
liberação do CRF e do ACTH pelo 
hipotálamo e pela hipófise, 
respectivamente, em um exemplo clássico 
regulação hormonal por retroalimentação 
negativa. Esse circuito estreitamente 
regulado é conhecido como eixo HHSR 
Cortisol: 
Em virtude de sua natureza lipofílica, as 
moléculas de cortisol livre são, em grande 
parte, insolúveis em água. Por 
conseguinte, o cortisol geralmente é 
encontrado nos líquidos biológicos em 
uma forma conjugada (p. ex., como 
derivados de sulfato ou glicuronídeo) ou 
ligado às proteínas (ligação não covalente, 
reversível). A maior parte do cortisol é 
ligada à α2 -globulina de ligação dos 
glicocorticoides (transcortina ou globulina 
de ligação do cortisol [CBG]), um carreador 
específico do cortisol 
Os níveis normais de CBG são, média, de 
3 a 4 mg/dL e saturados com níveis de 
cortisol de 28 μg/dL. A síntese hepática da 
CBG é estimulada pelo estrogênio e 
diminuída pela doença hepática (cirrose). 
Cerca de 20 a 50% do cortisol ligado estão 
ligados inespecificamente à albumina 
plasmática. Uma pequena quantidade (a quantidade de 
hormônio secretada por surto seja 
praticamente constante, a frequência 
desses surtos varia de acordo com a hora 
do dia: é maior pela manhã e menor à 
noite. Esse padrão está ligado ao ciclo de 
sono-vigília e se inverte em pessoas que 
ficam acordadas à noite c dormem durante 
o dia 
O estresse, seja físico ou emocional, é um 
estimulo importante para a secreção de 
cortisol. Os estressores mais efetivos na 
estimulação da secreção de cortisol 
geralmente são estímulos nocivos como 
cirurgia, trauma, queimaduras, infecção, 
choque e dor; outros estressares incluem 
exposição a extremos de temperatura, 
exercício vigoroso e ansiedade 
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As citocinas pró-inflamatórias, 
especialmente a IL-1, IL-6 e TNF-alfa 
aumentam a secreção de ACTH tanto 
diretamente quanto por aumento da 
secreção de CRH. Além disso, o fator 
inibitório de leucemia (LIF), uma citocina 
da família da IL-6, é um outro ativador do 
eixo HPA. Com isso, o estresse físico 
aumenta a secreção de ACTH e cortisol, 
por meio de ações centrais mediadas por 
CRH e AVP. Então, a secreção de cortisol 
aumenta em resposta a febre, cirurgia, 
lesão por queimadura, hipoglicemia, 
hipotensão e exercício resposta 
contrarregulatória normal à agressão 
O estresse psicológico agudo eleva os 
níveis de cortisol, mas a razão de secreção 
parece ser normal em pacientes com 
estados crônicos de ansiedade e doença 
psicótica subjacente. Contudo, depressão 
está associada a concentrações elevadas 
de cortisol circulante e isso é uma 
consideração importante no diagnóstico 
diferencial da síndrome de cushing 
Efeitos do ACTH na suprarrenal: 
Os efeitos do ACTH na suprarrenal 
incluem tantos efeitos imediatos como 
crônicos, o resultado final é o estímulo da 
esteroidogênese suprarrenal e 
crescimento. O ACTH também aumenta a 
síntese de receptores de LDL e HDL, e 
possivelmente também a HMG-Coa 
redutase; além disso aumenta o peso da 
suprarrenal induzindo hiperplasia e 
hipertrofia da glândula. E a atrofia 
suprarrenal é uma característica da 
deficiência de ACTH 
Os principais hormônios produzidos pelas 
glândulas suprarrenais nos seres 
humanos pertencem a duas famílias 
diferentes, com base em sua estrutura: os 
hormônios esteroides, incluindo os 
glicocorticoides, os mineralocorticoides e 
os androgênios, e as catecolaminas 
norepinefrina (noradrenalina) e epinefrina 
(adrenalina) 
Córtex: 
O córtex sintetiza os hormônios esteroides 
da suprarrenal, denominados 
glicocorticoides, mineralocorticoides e 
androgênios (p. ex., cortisol, aldosterona e 
deidroepiandrosterona [DHEA]), em 
resposta à estimulação do hormônio 
adrenocorticotrófico (ACTH) ou da 
angiotensina 
 A zona glomerulosa contém um 
retículo endoplasmático liso em 
quantidade abundante e constitui a 
única fonte do mineralocorticoide 
aldosterona 
 A zona fasciculada possui 
quantidades abundantes de 
gotículas lipídicas e produz os 
glicocorticoides cortisol e 
corticosterona, bem como os 
androgênios DHEA e sulfato de 
DHEA (DHEAS) 
 A zona reticular desenvolve-se na 
vida pós-natal e pode ser identifica 
aproximadamente aos três anos de 
idade; também produz 
glicocorticoides e androgênios 
Medula: 
A medula interna origina-se de uma 
subpopulação de células da crista neural e 
é responsável pelos 10% restantes de 
peso das suprarrenais. A medula sintetiza 
as catecolaminas (p. ex., epinefrina e 
norepinefrina) em resposta à estimulação 
simpática (simpaticoadrenal) direta 
Vários aspectos das glândulas 
suprarrenais contribuem para a regulação 
da síntese dos hormônios esteroides e das 
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catecolaminas, como a arquitetura, o 
suprimento sanguíneo e o mecanismo 
enzimático das células individuais. O 
suprimento sanguíneo para essas 
glândulas provém das artérias 
suprarrenais superior, média e inferior. 
Ramos dessas artérias formam uma rede 
capilar organizada, de modo a propiciar o 
fluxo de sangue do córtex externo para 
área central, com um sistema de 
sinusoides de orientação radial. Essa 
direção do fluxo sanguíneo controla o 
acesso dos hormônios esteroides à 
circulação concentra esses hormônios na 
área central das suprarrenais, modulando, 
assim, as atividades das enzimas 
envolvidas na síntese das catecolaminas. 
A drenagem venosa das glândulas 
suprarrenais é realizada pela veia renal de 
cada lado, a veia direita drena na veia cava 
inferior e a veia esquerda drena na veia 
renal esquerda 
Sistema renina-angiotensina-
aldosterona: 
A síntese e a liberação de aldosterona na 
zona glomerulosa da suprarrenal são 
predominantemente reguladas pela 
angiotensina II e pelo K + extracelular, bem 
como, em menor grau, pelo ACTH. A 
aldosterona faz parte do sistema renina-
angiotensina-aldosterona, responsável 
pela preservação da homeostasia 
circulatória em resposta a uma perda de 
sal e de água (p. ex., em caso de sudorese 
intensa e prolongada, vômitos ou diarreia). 
Os componentes do sistema 
renina�angiotensina-aldosterona 
respondem de modo rápido a reduções no 
volume intravascular e na perfusão renal. 
A angiotensina II constitui o principal 
regulador fisiológico da secreção de 
aldosterona, crescimento celular e da 
proliferação das células da zona 
glomerulosa, além de constituir o principal 
estimulador da produção de aldosterona 
quando o volume intravascular está 
reduzido 
Tanto a angiotensina II quanto o K + 
estimulam a liberação de aldosterona pelo 
aumento nas concentrações intracelulares 
de Ca 2+. A angiotensina II liga-se ao 
receptor 1 de angiotensina AT1 GPCR 
(Gαq) ativando a fosfolipase C, levando à 
produção aumentada de inositol 1,4,5-
trifosfato (IP3 ) e diacilglicerol (DAG) em 
poucos segundos. O IP3 liga-se a seu 
receptor no retículo sarcoplasmático, 
abrindo um canal que possibilita o efluxo 
de cálcio para citoplasma. As 
concentrações extracelulares aumentadas 
de K + alteram o potencial de equilíbrio 
para o potássio através da membrana, 
resultando em despolarização da 
membrana e, consequentemente, influxo 
de 2+ por meio de canais de Ca 2+ dos 
tipos L e T regulados por voltagem 
O principal estímulo fisiológico para a 
liberação de aldosterona consiste uma 
redução do volume sanguíneo 
intravascular efetivo. A ocorrência de 
declínio do volume sanguíneo leva à 
redução da pressão da arteríola aferente 
renal, que é percebida pelo aparelho 
justaglomerular (barorreceptor), 
deflagrando a liberação de renina. A 
redução da pressão arteriolar aferente 
diminui a filtração glomerular e, por sua 
vez, reduz concentrações de cloreto de 
sódio (NaCl) no túbulo distal 
Células especializadas (mácula densa) 
nos túbulos distais estão adjacentes às 
células justaglomerulares (JG) da arteríola 
aferente e detectam as mudanças nas 
concentrações de NaCl no líquido tubular. 
O aumento das concentrações de NaCl no 
líquido tubular inibe a liberação de renina. 
Por outro lado, a diminuição do NaCl 
tubular estimula a liberação de renina. O 
sistema nervoso simpático também 
controla a liberação de renina 
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Os receptores β1 - adrenérgicos 
localizados nas células JG respondem à 
estimulação nervosa simpática com a 
liberação de renina. A renina catalisa a 
conversão do angiotensinogênio, uma 
proteína derivada do fígado, em 
angiotensina I. A angiotensina I circulante 
é convertida em angiotensina II pela 
enzima conversora de angiotensina (ECA), 
que está altamente expressa nas células 
endoteliais. O aumento da angiotensina II 
circulante produz vasoconstrição arteriolar 
direta, estimula as células adrenocorticais 
da zona glomerulosa a sintetizar e liberar 
aldosterona e estimula a liberação de 
arginina vasopressina pela neuro-hipófise 
O potássio também constitui um 
importante estímulo fisiológicopara 
produção de aldosterona, ilustrando um 
exemplo clássico de regulação de 
hormônio pelo íon que ele próprio controla. 
A aldosterona é de importância crítica na 
manutenção da homeostasia do potássio, 
aumentando a excreção de K + na urina, 
nas fezes, no suor e na saliva, impedindo 
o desenvolvimento de hiperpotassemia 
durante períodos de elevada ingestão de K 
+ ou após a liberação do K + do músculo 
esquelético durante exercício vigoroso. 
Por sua vez, as elevações nas 
concentrações do K + circulante estimulam 
a liberação de aldosterona pelo córtex 
suprarrenal 
Em resumo, a redução no volume 
sanguíneo circulante efetivo leva à 
redução da pressão da arteríola aferente e 
desencadeia a liberação de renina pelo 
aparelho justaglomerular no rim. A 
liberação de renina também é estimulada 
pela diminuição das concentrações 
tubulares de NaCl e pela ativação direta do 
sistema nervoso simpático (SNS). A renina 
cliva o angiotensinogênio, uma proteína 
sintetizada no fígado, e forma a 
angiotensina I 
A angiotensina I é convertida em 
angiotensina II pela enzima conversora de 
angiotensina (ECA), uma enzima ligada à 
membrana das células endoteliais, 
predominantemente na circulação 
pulmonar. A angiotensina II é um potente 
vasoconstritor e, quando presente na zona 
glomerulosa do córtex suprarrenal, 
estimula a produção e a liberação de 
aldosterona. A aldosterona aumenta a 
reabsorção de sódio e estimula a excreção 
de potássio. A produção de aldosterona 
também é estimulada por potássio, ACTH, 
norepinefrina e endotelinas 
 
A quantidade total de aldosterona liberada 
é acentuadamente menor que a dos 
glicocorticoides. Os níveis plasmáticos de 
aldosterona são, em média, de 0,006 a 
0,010 μg/dL (diferentemente dos níveis de 
cortisol de 13,5 μg/dL). Pode ocorrer um 
aumento de 2 a 6 vezes na secreção em 
consequência da depleção de sódio ou da 
redução do volume sanguíneo circulante 
efetivo. A ligação da aldosterona às 
proteínas plasmáticas é mínima, 
resultando em uma meia-vida plasmática 
curta de aproximadamente 15 a 20 
minutos. Esse fato é relevante para os 
efeitos mediados pelos receptores de 
mineralocorticoides e de glicocorticoides e 
para a sua especificidade 
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A atividade deficiente de aldosterona pode 
ser classificada em primária, secundária 
ou pseudo-hipoaldosteronismo 
O hipoaldosteronismo primário refere-
se à falta de produção de aldosterona 
pelas glândulas suprarrenais em 
consequência de doença de Addison 
(destruição da glândula suprarrenal por 
infecção, lesão ou processos autoimunes), 
distúrbios genéticos que afetam toda a 
glândula ou distúrbios genéticos que 
afetam conversões enzimáticas 
específicas necessárias para biossíntese 
da aldosterona. Duas dessas doenças 
genéticas, as formas perdedoras de sal 
das deficiências de 21-hidroxilase e 3β-
hidroxiesteroide-desidrogenase, também 
afetam a biossíntese do cortisol. Na 
deficiência primária de aldosterona, a 
atividade da renina plasmática encontra-se 
elevada, de modo que essa condição é 
também denominada hipoaldosteronismo 
hiperreninêmico 
A insuficiência secundária ocorre mais 
comumente devido à administração de 
esteroides exógenos, resultando na 
supressão da síntese de ACTH. A 
insuficiência adrenal secundária é uma 
perda de secreção de ACTH dependente 
da hipófise, o que reduz a produção de 
glicocorticoides. No entanto, a secreção de 
mineralocorticoides, incluindo aldosterona, 
permanece relativamente normal. A 
insuficiência adrenal secundária é mais 
comum do que a insuficiência primária, 
com sintomas geralmente ocorrendo após 
a descontinuação de um esteroide. 
 Primário: disfunção intrínseca da 
glândula adrenal mediada por 
autoimunidade, que leva à 
deficiência de cortisol e aldosterona 
 Secundário: administração crônica 
de glicocorticoides 
resultando apenas em disfunção 
hipotálamo-hipofisária e deficiência 
de cortisol. 
O hipoaldosteronismo secundário refere-
se à falta de produção de aldosterona em 
consequência de estimulação inadequada 
pela angiotensina II (hipoaldosteronismo 
hiporreninêmico), apesar da função 
suprarrenal normal. Essa condição em 
geral está associada à insuficiência renal 
O pseudo-hipoaldosteronismo é 
causado pela ausência de resposta à ação 
dos hormônios mineralocorticoides e 
caracteriza-se por grave perda de sal 
neonatal, hiperpotassemia e acidose 
metabólica. Essa doença herdada pode 
ser causada por uma mutação de perda de 
função no receptor de mineralocorticoide 
ou, na forma recessiva mais grave, por 
uma mutação de perda de função nas 
subunidades do CENa 
A doença de Addison resulta da destruição 
do córtex adrenal bilateral, levando à 
diminuição dos hormônios adrenocorticais, 
incluindo cortisol, aldosterona e 
andrógenos. O curso de ação insidioso da 
doença de Addison geralmente se 
apresenta com deficiência de 
glicocorticoide seguida de 
mineralocorticoide. No entanto, a condição 
também pode se apresentar agudamente, 
frequentemente desencadeada por 
doenças intercorrentes 
A doença de Addison é decorrente da 
lesão das glândulas adrenais e tem como 
etiologia diversas patologias, entre elas 
tuberculose, hemorragias, neoplasias 
primárias ou metástases, infecções 
(paracoccidioidomicose, histoplasmose, 
criptococose, coccidioidomicose, 
citomegalovirose), amiloidose, 
hemocromatose, adrenoleucodistrofia 
secundária a medicamentos e hiperplasia 
adrenal congênita. Entretanto, hoje se 
sabe que a causa mais comum de IAP é a 
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adrenalite autoimune, que é responsável 
por 65 a 84% dos casos 
DIC, trauma, meningococcemia e 
processos neoplásicos podem precipitar 
hemorragias adrenais bilaterais. Uma crise 
adrenal devido à meningococcemia é 
conhecida como síndrome de 
Waterhouse-Friderichsen e é mais comum 
em crianças e pacientes com asplenia 
Certas etiologias farmacológicas podem 
levar à insuficiência adrenal ao bloquear a 
síntese de cortisol. Por exemplo, o 
cetoconazol inibe diretamente as enzimas 
adrenais, e o etomidato pode ter um efeito 
dose-dependente ao inibir seletivamente a 
11β-hidroxilase, diminuindo a conversão 
de desoxicortisol em cortisol. 
A doença pode apresentar-se de forma 
aguda ou insidiosa. A forma aguda pode 
ser rapidamente fatal se não for 
identificada e tratada atempadamente 
Fatores de risco: 
DM1, hipoparatireoidismo, 
hipopituitarismo, anemia perniciosa, 
doença de graves, tireoidite crônica, 
dermatite herpetiforme, vitiligo e miastenia 
grave 
Quadro clínico: 
Os sintomas são frequentemente 
inespecíficos, caracterizando-se por 
astenia, anorexia, perda ponderal, mialgia, 
dor abdominal e vômitos intermitentes e 
surgem quando pelo menos 90% do tecido 
suprarrenal está destruído. A 
hiperpigmentação cutânea, aspecto típico 
e específico da insuficiência de 
suprarrenal primária, está quase sempre 
presente.4A hiponatremia, com ou sem 
hipercalemia associada, afeta 90% dos 
indivíduos com IA 
Sintomas inespecíficos como astenia, 
anorexia, perda de peso e distúrbios 
gastrointestinais (náuseas, vômitos, 
diarreia e constipação) são as 
manifestações mais comuns da DA, sendo 
os três primeiros presentes em 100% dos 
casos 
A deficiência dos hormônios adrenais 
também pode acarretar dor abdominal, 
hipotensão (principalmente postural), 
avidez por sal, redução da libido e 
rarefação dos pelos axilares e pubianos 
apenas nas mulheres 
Uma manifestação mais específica da DA 
(não está presente na IA secundária) é a 
hiperpigmentação, presente em 92-94% 
dos pacientes. A hiperpigmentação 
decorre de uma maior concentração de 
melanina na pele pela elevação do ACTH 
e seu precursor, a pró-opiomelanocortina 
(POMC). Caracteriza-se por ser 
generalizada, porém é mais facilmente 
percebida em áreasexpostas ao sol (face, 
pescoço, dorso das mãos), em regiões 
propensas a traumas ou fricção (dedos dos 
pés, cotovelos, joelhos, cintura, ombros) e 
nas linhas de dobras da mão, aréola, 
mamilo, axila, períneo, cicatriz umbilical e 
cavidade oral 
Outro sinal que se manifesta na pele é o 
vitiligo, o qual está presente em 10-20% 
dos pacientes diagnosticados com DA e 
sugere autoimunidade como etiologia 
A amenorreia também é um achado 
possível, e pode resultar da doença 
crônica, da perda de peso ou de uma 
ooforite autoimune 
Sintomas psiquiátricos, como síndrome 
cerebral orgânica, depressão ou psicose, 
podem ocorrer em pacientes com doença 
grave ou de longa duração 
A DA pode ocorrer isoladamente, mas 
cerca de 50-60% dos pacientes têm outras 
doenças autoimunes associadas, 
configurando as síndromes 
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poliglandulares autoimunes (SPA). Torna-
se importante, então, investigar a 
presença de hipoparatireoidismo, DM tipo 
1, vitiligo, doença celíaca e tireoideopatias 
autoimunes. Deve-se estar atento, 
também, a suspeita diagnóstica de DA em 
pacientes com hipotireoidismo que tiveram 
piora clínica após o início do tratamento 
com levotiroxina. Nesses casos, a 
deficiência de cortisol dos pacientes não 
acompanha o aumento da taxa metabólica 
desencadeada pela melhora da função 
tireoideana. 
Diagnóstico: 
Exames laboratoriais: 
Hiponatremia, acidose metabólica, 
anemia, hipercalemia e azotemia são 
comuns na insuficiência adrenal primária 
O paciente também pode apresentar 
hipoglicemia de jejum, hipoglicemia pós-
prandial e hipercalcemia (6%), mas estas 
são menos frequentes. Quando se 
suspeita do diagnóstico, a dosagem do 
cortisol basal (coletado entre 8-9 horas da 
manhã) pode ser útil como exame inicial. 
Níveis ≤ 5µg/dL sugerem a presença de IA, 
enquanto valores ≥18µg/dL praticamente 
excluem o diagnóstico. 1 Para 
confirmação, o teste de estimulação com 
tetracosactídeo (Cortrosina® ou 
Synachten®), porção ativa da molécula de 
ACTH, é considerado um dos melhores 
métodos. Após administração de 250µg de 
tetracosactídeo por via endovenosa, 
realiza-se dosagem de cortisol nos tempos 
0, 30 e 60 minutos, e, se um dos valores 
for ≥18µg/dL, exclui-se DA 
Na investigação do tipo de IA (primária ou 
secundária), a dosagem sérica do ACTH é 
útil, pois somente na primária o ACTH 
encontra-se elevado. Dessa maneira, 
concentrações >100pg/ml apontam para 
uma DA. Quando confirmado esse 
diagnóstico, investiga-se etiologia 
autoimune pela presença de auto 
anticorpos adrenais (ACA), presentes em 
60- 80% dos casos de DA autoimune. 
Infelizmente, são poucos os laboratórios 
no Brasil que realizam essa avaliação.2 
Em pacientes críticos, é válido pesquisar 
valores ao acaso de cortisol sérico, para 
não retardar o diagnóstico. Níveis 34 µg/dL, respectivamente, 
indicam e excluem o diagnóstico de 
hipocortisolismo 
Uma única determinação do nível sérico de 
cortisol é insuficiente para avaliar a função 
adrenal. No entanto, um nível matinal de 
cortisol >18 mcg/dL é um achado normal e 
pode excluir um diagnóstico de doença de 
Addison, enquanto um nível baixo de 
cortisol 18 mcg/dL = Normal 
 Insuficiência adrenal:em uma 
dosagem insuficiente. Atualmente, uma 
hidrocortisona de liberação modificada 
(Chronocort®) está sendo testada. 
Apresenta-se como uma opção que 
reproduz melhor a secreção circadiana 
fisiológica do cortisol, com alta exposição 
durante as primeiras quatro horas da 
manhã e níveis gradualmente menores ao 
longo do dia e intervalo livre de cortisol 
durante a noite 
Isso parece influenciar de maneira 
importante no desfecho metabólico dos 
pacientes e na sua qualidade de vida.6-8 
A reposição de mineralocorticoides é 
realizada com a fludrocortisona 
(Florinefe® - comprimidos de 0,1mg), com 
uma dose entre 0,05-0,2mg/dia. O ajuste é 
feito conforme resposta clínica: 
hipertensão e edema de tornozelo 
sugerem dosagem excessiva, enquanto 
avidez por sal, hipotensão postural e 
hipercalemia são sinais de reposição 
insuficiente. Além disso, a mensuração da 
atividade da renina plasmática pode 
auxiliar na otimização da dose de 
fludrocortisona, pois uma atividade acima 
ou abaixo do normal sugere 
respectivamente uso insuficiente e 
excessivo do fármaco 
Os pacientes com IA devem ser educados 
quanto ao risco da ocorrência de crise 
adrenal em vigência de infecções, 
cirurgias ou traumas e a como identificar e 
proceder nessa situação. Na ocorrência de 
situações de estresse, dobra-se ou triplica-
se a dose do glicocorticoide, a fim de 
mimetizar a resposta fisiológica do 
organismo. O ideal, pela possibilidade de 
emergência médica, é possuir ampolas de 
hidrocortisona em domicílio e utilizar 
pulseiras de identificação com nome, 
telefone de contato, nome e telefone do 
médico, diagnóstico e fármacos em uso. 
Se estiver em crise adrenal aguda, o 
paciente deve ser internado e receber 
solução salina fisiológica, solução 
glicosada 5% e hidrocortisona endovenosa 
na dose de 50mg a cada 6-8 horas 
Em muitos casos, o diagnóstico é feito 
somente após o paciente apresentar uma 
crise adrenal aguda manifestando-se com 
hipotensão, hiponatremia, hipercalemia e 
hipoglicemia. Isso pode ser precipitado por 
uma doença estressante ou fatores 
desencadeantes, como infecção, trauma, 
cirurgia, vômito ou diarreia. Estresse ou 
doença significativa podem desmascarar a 
deficiência de cortisol e mineralocorticoide 
A abordagem de pacientes com crise 
adrenal consiste nos seguintes 
componentes. 
 Ressuscitação de fluidos: para 
restaurar o volume intravascular 
com solução salina normal 
intravenosa (IV) 
 Dextrose: para corrigir hipoglicemia 
 Correção da deficiência hormonal: 
tanto glicocorticóide quanto 
mineralocorticoide 
Em pacientes com doença de Addison 
estabilizada, é necessário tratamento 
vitalício com reposição hormonal. A 
terapia de manutenção visa fornecer uma 
MEDICINA UNICESUMAR – ANA LUISA MATOS 
 
reposição para manter um nível fisiológico 
de glicocorticoide e mineralocorticoide. Os 
regimes de dosagem usuais são os 
seguintes: 
 Glicocorticoide 
o Hidrocortisona 5 a 25 mg/dia 
divididos em 2 ou 3 doses 
o Prednisona 3 a 5 mg/dia 
Considerações sobre o tratamento: 
 Em pacientes com doença de 
Addison, a secreção de 
glicocorticoides não aumenta 
durante o estresse. Portanto, na 
presença de febre, infecção ou 
outras doenças, a dose de 
hidrocortisona deve ser aumentada 
para compensar uma possível 
resposta ao estresse. Pacientes 
que tomam rifampicina necessitam 
de uma dose maior de 
hidrocortisona, pois a rifampicina 
aumenta a depuração da 
hidrocortisona. 
 O hormônio tireoidiano pode 
aumentar a depuração hepática do 
cortisol, precipitando uma crise 
adrenal. A reposição de 
glicocorticoides pode 
potencialmente normalizar o 
hormônio estimulante da tireoide 
 Em pacientes com diabetes 
insipidus concomitante, a terapia 
com glicocorticoides pode agravar o 
diabetes insipidus. O cortisol é 
necessário para a depuração de 
água livre, e a deficiência de cortisol 
pode prevenir a poliúria. 
 A gravidez, principalmente durante 
o terceiro trimestre, aumenta a 
necessidade de corticosteroides 
Medidas emergenciais 
1. Estabelecer acesso venoso periférico. 
2. Colher amostra de sangue para 
dosagem imediata de eletrólitos e glicemia 
e separar amostra para dosagem de 
cortisol sérico. Realizar glicosimetria e 
administração de glicose hipertônica se 
hipoglicemia. Não esperar resultado de 
exames.* 
3. Infundir de 1 a 2 litros de salina isotônica 
nas primeiras horas. Avaliação 
hemodinâmica frequente e atenção para 
distúrbios hidroeletrolíticos. 
4. Hidrocortisona 100-300 mg imediato 
seguido de dose de manutenção de 50-
100 mg a cada 6 a 8 horas. 
5. Medidas de suporte clínico de acordo 
com a necessidade 
Medidas após estabilização do paciente 
1. Continuar infusão intravenosa de salina 
isotônica de maneira mais lenta pelas 
próximas 24 a 48 horas. 
2. Procurar e tratar possível infecção 
associada. 
3. Realizar teste de estímulo com ACTH se 
paciente não for sabidamente portador de 
insuficiência adrenal. 
4. Determinar o tipo de insuficiência 
adrenal e suas causas caso sejam ainda 
desconhecidas (sempre solicitar avaliação 
da endocrinologia). 
5. Transicionar corticoterapia para via oral 
se possível após 2 a 3 dias. 
6. Iniciar reposição de mineralocorticóide 
assim que suspensa salina intravenosa e 
feita a transição de hidrocortisona para 
prednisona.

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