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8. Imunidade Tributária
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Índice
8.1) Noções Gerais
8.2) Análise das imunidades gerais previstas nas alíneas do inciso VI do art. 150 da CF/88
8.2.1) Imunidade Recíproca
8.2.2) Imunidade Religiosa (dos templos de qualquer culto)
8.2.3) Imunidade dos Partidos Políticos, das Entidades Sindicais e das Instituições de Educação ou de Assistência Social, Sem Fins Lucrativos
8.2.4) Imunidade do Livro, do Jornal, do Periódico e do papel destinado à sua impressão
8.2.5) Imunidade dos Fonogramas e Videofonogramas Musicais
8.3) Imunidades e espécies tributárias
8.4) O destinatário da imunidade é o contribuinte de direito
8.5) Imunidade e obrigações acessórias
Prof. Rodrigo Martins
8 Imunidade Tributária
Direito Tributário para a 1ª Fase do Exame
de Ordem (OAB)
Documento última vez atualizado em 14/06/2024 às 11:19.
8. Imunidade Tributária
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Noções Gerais
Conforme já foi explicado, os limites ao exercício da competência tributária (poder para instituir tributos) estão dispostos na CF/88 na forma de
(i) princípios e (ii) imunidades tributárias.
Portanto: por isso se diz que os princípios e as imunidades tributárias são limitações constitucionais ao poder de tributar.
Pois bem. Já estudamos os princípios; agora estudaremos as imunidades tributárias.
Há diversos conceitos doutrinários para as imunidades tributárias, mas, dentre todos, preferimos trabalhar com aquele dado por Hugo de Brito
Machado [1]:
Imunidade é o obstáculo decorrente de regra da Constituição à incidência de regra jurídica de tributação. O que é imune não pode ser tributado. A
imunidade impede que a lei defina como hipótese de incidência tributária aquilo que é imune. É limitação da competência tributária.
É possível concluir, portanto, que as imunidades tributárias são regras constitucionais de “incompetência” tributária, ou, dito de outro modo, são
regras de delimitação negativa de competência (o que significa "incompetência"), pois delimitam o que não pode ser tributado.
Logo: enquanto as normas atributivas de competência tributária são permissivas (permitem tributar), as imunidades são normas proibitivas (o
que é imune não pode ser tributado).
É como se a CF/88 "dissesse", ao dar competência tributária: “União, você pode instituir os seguintes tributos...”; “Estados, vocês, por sua vez, podem
instituir esses...”; “Municípios, para vocês eu distribuo esses...” etc. e no mesmo momento depois "dissesse", com as imunidades: “União, Estados,
Municípios e Distrito Federal, eu permiti que vocês instituíssem aqueles tributos (dei competência para tributar, dei poder), contudo, nessas situações
ou em relação a essas pessoas vocês não podem exigir determinados tributos” (são as imunidades tributárias).
Portanto: o que é imune não pode ser tributado, de modo que as entidades federativas não podem sequer editar leis pretendendo alcançar,
pela tributação, o que for imune; devido ser - a imunidade tributária - uma matéria constitucional, não pode a lei infraconstitucional (seja
ordinária ou complementar) dispor de modo contrário.
Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
Irrelevância da palavra ou expressão utilizadas pela Constituição Federal
Nem sempre o texto constitucional menciona, literalmente, a palavra "imune" ao criar uma imunidade tributária; às vezes a CF/88 prescreve "não
incide" determinado tributo, que são "isentos" de tributos, que "são gratuitos" etc.
Pois bem. O fato de a CF/88, em alguns dispositivos, utilizar termos ou expressões como "não incide", "são isentos", "são gratuitos" ou qualquer outro
é totalmente irrelevante!
O que importa é o seguinte: sempre que o texto constitucional proibir a tributação sobre determinada pessoa ou situação, estaremos diante de
uma norma de imunidade tributária, independentemente da palavra ou expressão utilizada.
Por exemplo, o § 7º do 195 da CF/88 prescreve o seguinte:
8. Imunidade Tributária
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CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(...)
§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em
lei.
(...).
Ao prescrever “são isentas” de contribuição, o texto constitucional está concedendo, em verdade, uma imunidade tributária.
Portanto, atenção: as imunidades estão espalhadas pelo texto da CF/88 com diferentes fórmulas linguísticas (palavras ou expressões). Não importa a
expressão linguística utilizada pelo constituinte: todas as vezes que compreendermos, ao lermos uma regra da Constituição Federal, que não haverá a
incidência de tributo sobre determinada pessoa, situação ou circunstância – repito, independentemente da palavra utilizada – estaremos diante de
uma imunidade tributária.
Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
Diferenças entre imunidade e isenção tributária
Muito embora isenção e imunidade tributária estabeleçam hipóteses em que determinadas pessoas ou situações não podem ser tributadas, são
institutos totalmente diferentes, que possuem distintos fundamentos jurídicos.
"Na prática", tanto a isenção quanto a imunidade implicam na "não tributação", mas são "coisas" totalmente diferentes.
A primeira diferença - e talvez a mais importante - se refere à fonte normativa da qual emanam: as imunidades são concedidas pela CF/88; e as
isenções, diferentemente, são concedidas por lei infraconstitucional, expedida pela própria entidade federativa que possui competência para instituir o
tributo.
Outra diferença: na imunidade não há incidência da norma tributária, ou seja, a norma tributária não alcança o fato ou situação imunes, pois a
imunidade é uma limitação ao poder de tributar (é uma regra de incompetência tributária); a isenção corresponde, diferentemente, em termos
simples, a uma dispensa legal do pagamento de um tributo à princípio devido (a norma de incidência tributária "incide num primeiro momento", ou
seja, o fato tributável é alcançado pela norma instituidora do tributo e depois incide outra, a norma de isenção, excluindo a obrigação tributária, ou
seja, impedindo a cobrança).
Por fim, por ter fundamento constitucional, uma imunidade não pode ser revogada ou limitada por meio de lei infraconstitucional (salvo se a própria
CF/88 permitir isto); diferentemente, como as isenções são concedidas por meio de lei, podem ser igualmente revogadas ou limitadas por meio de
outra lei.
Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
Classificação das imunidades tributárias
Já explicamos que "classificar" é separar em classes, de acordo com as semelhanças e diferenças dos objetos classificados (critérios classificatórios).
O ato de "classificar" ´é muito comum no universo jurídico: a doutrina classifica normas, princípios, correntes doutrinárias etc. As imunidades
tributárias são classificadas pela doutrina majoritária da seguinte forma:
O primeiro critério classificatório leva em consideração o objeto ou a pessoa que não pode ser tributado. Com base nesse critério as imunidades
podem ser subjetivas ou objetivas:
Ä Imunidades subjetivas: impedem a tributação sobre determinadas pessoas (é o caso, por exemplo, da imunidade recíproca, que impede que as
entidades federadas - pessoas jurídicas de direito público interno - tributem umas às outras por meio e impostos).
Ä Imunidades objetivas: impedem a tributação sobre determinadas situações ou objetos (é o caso, por exemplo, da imunidade dos livros).
O segundo critério classificatório leva em consideração a necessidade ou dispensabilidade de lei regulamentadora que estabeleça os requisitos
para o gozo da imunidade. Com base nesse critériopode suspender a aplicação do benefício.
(...).
Observe que na falta de atendimento a imunidade ficará suspensa, ou seja, acaso a entidade volte a atendê-los, voltará a fazer jus ao benefício.
A decisão administrativa que reconhece o direito à imunidade tem natureza declaratória
A decisão administrativa que reconhece o direito à imunidade tributária em questão possui natureza declaratória, de modo que os seus efeitos
(declarando direito à imunidade) retroagem à data em que a entidade comprove ter cumprido os requisitos do art. 14 do CTN, ou seja, os efeitos dessa
decisão se projetam para o passado, desde antes do momento atual.
Portanto, tal decisão possui efeitos ex tunc, pois se remete à época do fato ocorrido (momento do cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN).
A natureza declaratória da decisão administrativa que reconhece o direito à imunidade tributária foi destacada na Súmula 612 do STJ:
Súmula 612 do STJ: O certificado de entidade beneficente de assistência social (CEBAS), no prazo de sua validade, possui natureza
declaratória para fins tributários, retroagindo seus efeitos à data em que demonstrado o cumprimento dos requisitos estabelecidos por lei
complementar para a fruição da imunidade.
Assim, por exemplo: acaso uma determinada entidade cumpra os requisitos descritos no art. 14 do CTN em 10/03/2017, mas ingresse com o
seu pedido administrativo de reconhecimento de imunidade em 20/08/2017, cuja análise e decisão ocorra somente em 10/04/2018, os efeitos
dessa decisão (proferida em 12/04/2018) retroagirão (efeitos ex tunc) à data em que houve o cumprimento dos requisitos legais (10/03/2017),
considerando imune a entidade desde então (e não somente a partir da decisão que deferiu o pedido e consequentemente expediu o
certificado de entidade beneficente de assistência social - CEBAS).
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea “d”, da CF/88, os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão também têm imunidade
tributária:
8. Imunidade Tributária
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CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
(...).
Com essa imunidade tributária o constituinte originário procurou tutelar a liberdade de pensamento, de expressão e a liberdade de imprensa,
facilitando a difusão da cultura e a própria educação do povo, como forma de desenvolvimento da Nação.
Ela é uma imunidade objetiva, pois se refere a bens (livro, jornal, periódico e o papel destinado à sua impressão) e não a pessoas.
Alcance dessa imunidade
A imunidade tributária em questão é restrita aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado à sua impressão ou se estende, também, aos insumos
utilizados na confecção deles, como, por exemplo, tintas para impressão, cola etc.?
Pois bem: o STF tem uma interpretação restritiva acerca dessa imunidade, reconhecendo que ela abrange somente e tão somente os livros, os jornais,
os periódicos e o papel destinado à sua impressão.
Mas, não obstante isso, a Suprema Corte confere uma interpretação ampla à expressão "papel destinado à sua impressão", de modo a abranger os
filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos:
Súmula 657 [6] do STF: A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF, abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e
periódicos.
Portanto, atenção: os demais insumos necessários à confecção de livros, jornais ou periódicos, como, por exemplo, tinta, barbante, cola etc.
não são alcançados pela imunidade tributária em questão.
Outro aspecto controvertido é o seguinte: que é um livro, um jornal ou um periódico para fins de imunidade tributária?
Atenção: livro, jornal ou periódico é toda publicação que sirva à livre disseminação do pensamento ou que sirva à liberdade de imprensa,
de modo a facilitar a difusão da cultura ou a própria educação do povo.
Com base nisso, o STF já teve a oportunidade de julgar a aplicação dessa imunidade aos seguintes itens:
‘Álbum de figurinhas’. Admissibilidade. A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão tem por escopo
evitar embaraços ao exercício da liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, bem como facilitar o acesso da população
à cultura, à informação e à educação. O Constituinte, ao instituir esta benesse, não fez ressalvas quanto ao valor artístico ou didático, à relevância das
informações divulgadas ou à qualidade cultural de uma publicação. Não cabe ao aplicador da norma constitucional em tela afastar este benefício
fiscal instituído para proteger direito tão importante ao exercício da democracia, por força de um juízo subjetivo acerca da qualidade cultural ou do
valor pedagógico de uma publicação destinada ao público infanto-juvenil. (RE 221.239 [7], Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25-5-2004, Segunda
Turma, DJ de 6-8-2004.) No mesmo sentido: RE 179.893 [8], Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em 15-4-2008, Primeira Turma, DJE de 30-5-2008.
http://www.stf.jus.br/cgi-bin/nph-brs?d=SUMU&n=&s1=657.NUME.&l=20&u=http://www.stf.jus.br/Jurisprudencia/Jurisp.asp&Sect1=IMAGE&Sect2=THESOFF&Sect3=PLURON&Sect6=SUMUN&p=1&r=1&f=G
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http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=221239&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
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http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor.asp?id=530461&idDocumento=&codigoClasse=437&numero=179893&siglaRecurso=&classe=RE
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8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 25/39
Questão 2024 | 4000010344
A sociedade empresária Books & Books Ltda., veri�cando a queda na receita de venda de livros impressos e o fechamento de inúmeras outras
livrarias locais, decide alterar seu negócio para importação e comercialização no mercado interno de livros eletrônicos acompanhados dos
respectivos aparelhos exclusivamente leitores.
Diante desse cenário, assinale a a�rmativa correta.
A)
A importação de tais livros eletrônicos e seus respectivosaparelhos leitores por Books & Books Ltda. �ca imune da incidência do Imposto de
Importação.
B)
A comercialização no mercado interno de tais livros eletrônicos por Books & Books Ltda. é imune da incidência de Imposto sobre Circulação de
Mercadorias, mas não é imune da incidência deste tributo estadual na comercialização de seus respectivos aparelhos leitores.
C)
Embora tais livros eletrônicos e seus respectivos aparelhos leitores importados e comercializados no mercado interno por Books & Books Ltda.
sejam equiparados a livros, o Imposto de Importação e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias, por serem tributos indiretos, não podem
ser alcançados por essa imunidade.
D)
Os livros eletrônicos e seus respectivos aparelhos leitores importados e comercializados por Books & Books Ltda. não podem ser equiparados a
livros, razão pela qual não incide qualquer imunidade sobre a importação ou a comercialização deles no mercado interno.
Solução
Gabarito: A)
A importação de tais livros eletrônicos e seus respectivos aparelhos leitores por Books & Books Ltda. �ca imune da incidência do
Imposto de Importação.
A alternativa correta é a letra A.
A questão aborda o tema imunidade tributária.
A imunidade tributária é uma hipótese de não incidência constitucionalmente quali�cada, podendo ser conceituada como a limitação da
competência tributária constitucionalmente conferida aos entes políticos.
Assim, independentemente da terminologia utilizada, as limitações ao poder de tributar previstas na Constituição são consideradas
imunidade, sendo comum a utilização dos termos “não incide” e até mesmo “isentas”.
No que tange à imunidade estabelecida atualmente no art. 150, VI, d, da CF, mas existente mutatis mutandis no ordenamento brasileiro desde
a Constituição de 1946, há verdadeiro estímulo à atividade cultural, aliado à garantia da liberdade de manifestação do pensamento. A
imunidade encerra estímulo à atividade cultural, consistindo em defesa de uma liberdade fundamental.
Trata-se de imunidade objetiva, cuja aplicação é assim interpretada pelo STF:
“EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tributário. Imunidade objetiva constante do art. 150, VI, d, da CF/88. Teleologia
multifacetada. Aplicabilidade. Livro eletrônico ou digital. Suportes. Interpretação evolutiva. Avanços tecnológicos, sociais e culturais. Projeção.
Aparelhos leitores de livros eletrônicos (ou e-readers). 1. A teleologia da imunidade contida no art. 150, VI, d, da Constituição, aponta para a
proteção de valores, princípios e ideias de elevada importância, tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização e à difusão da
cultura; a formação cultural do povo indene de manipulações; a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos economicamente
fortes e fracos, entre grupos políticos etc; a liberdade de informar e de ser informado; o barateamento do custo de produção dos livros,
jornais e periódicos, de modo a facilitar e estimular a divulgação de ideias, conhecimentos e informações etc. Ao se invocar a interpretação
�nalística, se o livro não constituir veículo de ideias, de transmissão de pensamentos, ainda que formalmente possa ser considerado como tal,
será descabida a aplicação da imunidade. 2. A imunidade dos livros, jornais e periódicos e do papel destinado a sua impressão não deve ser
interpretada em seus extremos, sob pena de se subtrair da salvaguarda toda a racionalidade que inspira seu alcance prático, ou de
transformar a imunidade em subjetiva, na medida em que acabaria por desonerar de todo a pessoa do contribuinte, numa imunidade a que a
Constituição atribui desenganada feição objetiva. A delimitação negativa da competência tributária apenas abrange os impostos incidentes
sobre materialidades próprias das operações com livros, jornais, periódicos e com o papel destinado a sua impressão. 3. A interpretação das
imunidades tributárias deve se projetar no futuro e levar em conta os novos fenômenos sociais, culturais e tecnológicos. Com isso, evita-se o
esvaziamento das normas imunizantes por mero lapso temporal, além de se propiciar a constante atualização do alcance de seus preceitos. 4.
O art. 150, VI, d, da Constituição não se refere apenas ao método gutenberguiano de produção de livros, jornais e periódicos. O vocábulo
“papel” não é, do mesmo modo, essencial ao conceito desses bens �nais. O suporte das publicações é apenas o continente (corpus
mechanicum) que abrange o conteúdo (corpus misticum) das obras. O corpo mecânico não é o essencial ou o condicionante para o gozo da
imunidade, pois a variedade de tipos de suporte (tangível ou intangível) que um livro pode ter aponta para a direção de que ele só pode ser
considerado como elemento acidental no conceito de livro. A imunidade de que trata o art. 150, VI, d, da Constituição, portanto, alcança o
Encartes de propaganda distribuídos com jornais e periódicos. ISS. Art. 150, VI, d, da Constituição. Veículo publicitário que, em face de sua
natureza propagandística, de exclusiva índole comercial, não pode ser considerado como destinado à cultura e à educação, razão pela qual
não está abrangido pela imunidade de impostos prevista no dispositivo constitucional sob referência, a qual, ademais, não se estenderia, de
qualquer forma, às empresas por eles responsáveis, no que concerne à renda bruta auferida pelo serviço prestado e ao lucro líquido obtido. (RE
213.094 [9], Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 3-8-1999, Primeira Turma, DJ de 15-10-1999.)
A imunidade do livro eletrônico foi objeto de questão no 40º Exame de Ordem:
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
8. Imunidade Tributária
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livro digital (e-book). 5. É dispensável para o enquadramento do livro na imunidade em questão que seu destinatário (consumidor) tenha
necessariamente que passar sua visão pelo texto e decifrar os signos da escrita. Quero dizer que a imunidade alcança o denominado “audio
book”, ou audiolivro (livros gravados em áudio, seja no suporte CD-Rom, seja em qualquer outro). 6. A teleologia da regra de imunidade
igualmente alcança os aparelhos leitores de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados exclusivamente para esse �m, ainda que,
eventualmente, estejam equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, tais como dicionário de
sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do tamanho da fonte etc. Esse entendimento não é aplicável aos aparelhos multifuncionais, como
tablets, smartphone e laptops, os quais vão muito além de meros equipamentos utilizados para a leitura de livros digitais. 7. O CD-Rom é
apenas um corpo mecânico ou suporte. Aquilo que está nele �xado (seu conteúdo textual) é o livro. Tanto o suporte (o CD-Rom) quanto o livro
(conteúdo) estão abarcados pela imunidade da alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 8. Recurso extraordinário a que se
nega provimento. TESE DA REPERCUSSÃO GERAL: 9. Em relação ao tema nº 593 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do portal do
STF na internet, foi aprovada a seguinte tese: “A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se ao livro eletrônico (e-
book), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para �xá-lo.” (RE 330817, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 08-03-
2017,ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-195 DIVULG 30-08-2017 PUBLIC 31-08-2017)”
Com essas considerações é possível analisar as alternativas da seguinte forma.
A alternativa A está correta, pois revela o teor da Súmula Vinculante 57: “A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-
se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para �xá-los,
como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias.”
As alternativas B, C e D contrariam o enunciado da Súmula Vinculante 57, logo são incorretas.
Questão 2022 | 4000008646
A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou, em 2022, auto de infração de um milhão de reais em face da sociedade empresária Maçã
Ltda. por não ter recolhido o Imposto de Importação (II) e a Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) referentes ao ano de 2021,
incidentes sobre a comercialização de livros eletrônicos (ebooks) por ela importados e comercializados no país.
O departamento jurídico da sociedade autuada contrata você, como advogado(a), para emitir parecer para fundamentar sua defesa. Diante
desse cenário, assinale a a�rmativa correta.
A) O II e a CSLL são indevidos, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros.
B) Apenas o II é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros.
C) Apenas a CSLL é indevida, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros.
D) O II e a CSLL são devidos, pois os livros eletrônicos (e-books) não se enquadram na imunidade tributária dos livros.
Solução
Gabarito: B) Apenas o II é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros.
Análise do Caso
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: o livro eletrônico é abrangido pela imunidade tributária dos livros? Acaso positiva a
resposta, essa imunidade compreende somente o II - Imposto de Importação ou também alcança a CSLL - Contribuição Social Sobre Lucro
Líquido?
No caso:
> A Receita Federal lavrou Auto de Infração em face de determinada contribuinte porque constatou que ela não recolheu o II - Imposto de
Importação e a CSLL - Contribuição Social Sobre Lucro Líquido sobre a comercialização de livros eletrônicos (ebooks) por ela importados e
comercializados no país.
> Eis o cerne da questão: a autuação está correta? Os dois tributos são devidos? Ou são alcançados, ambos, pela imunidade tributária dos
livros? Ou somente um deles é imune?
A resposta é dada pelo art. 150, inciso VI, alínea “d”, da CF/88 e pela Súmula Vinculante nº 57:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
(...).
Súmula Vinculante nº 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado
interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para �xá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers),
ainda que possuam funcionalidades acessórias.
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "d", da CF/88, a operação de venda de livros é imune à incidência de impostos. Portanto, a referida
imunidade abrange somente os impostos, e não as contribuições. E de acordo com a Súmula Vinculante nº 57, tal imunidade tributária aplica-
se aos impostos incidentes sobre a importação e comercialização, no mercado interno, de livros eletrônicos (e-books). Dessa forma, quem for
alcançado por essa imunidade tributária não tem o dever de pagar impostos sobre a importação ou comercialização de livros eletrônicos, mas
O tema acima foi objeto de questionamento no 36º Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 27/39
permanece obrigado a pagar contribuições, que não são alcançadas pela imunidade tributária em questão. Portanto, no caso do problema em
questão, apenas o II – Imposto de Importação é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros
(mas não as contribuições), estando correta, assim, a LETRA B, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
Somente o II – Imposto de Importação é indevido, pois a imunidade dos livros eletrônicos (e-books) abrange somente os impostos, e não as
contribuições, como, no caso, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
A letra B está correta. CORRETA
De fato, somente o II – Imposto de Importação é indevido, pois a imunidade dos livros eletrônicos (e-books) abrange somente os impostos, e não
as contribuições, como, no caso, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
A letra C está incorreta. INCORRETA
Diferentemente, a CSLL é devida, pois a imunidade dos livros eletrônicos (e-books) abrange somente os impostos, e não as contribuições, como,
no caso, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, razão pela qual ela é devida.
A letra D está incorreta. INCORRETA
Somente o II – Imposto de Importação é indevido, sendo devida a contribuição, pois a imunidade dos livros eletrônicos (e-books) abrange somente
os impostos, e não as contribuições, como, no caso, a CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
Questão 2013 | 4000000977
Determinada editora de livros, revistas e outras publicações foi autuada pela �scalização de certo Estado, onde mantém a sede da sua
indústria grá�ca, pela falta de recolhimento de ICMS incidente sobre álbum de �gurinhas.
Nessa linha, à luz do entendimento do STF sobre a matéria em pauta, tal cobrança é
A) inconstitucional, por força da aplicação da isenção tributária.
B) inconstitucional, por força da aplicação da imunidade tributária.
C) constitucional, por força da inaplicabilidade da imunidade tributária.
D) inconstitucional, por estar o referido tributo adstrito à competência tributária da União Federal.
Solução
Gabarito: B) inconstitucional, por força da aplicação da imunidade tributária.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: qual entidade federativa detém competência tributária quanto ao ICMS - Imposto sobre
a Circulação de Mercadorias e Serviços? Os Estados-membros ou a União? Álbum de �gurinhas é abrangido pela imunidade tributária
do livro, jornal, periódico e do papel destinado à sua impressão? Ou possui isenção tributária?
No caso:
> Determinada editora foi autuada pela Fazenda Pública Estadual devido à falta de recolhimento do ICMS - Imposto sobre a Circulação de
Mercadorias e Serviços incidente sobre álbum de �gurinhas.
> Eis o cerne da questão: Fazenda Pública Estadual tem competência para exigir o ICMS? Ou esse imposto é da competência tributária
da União? Álbum de �gurinhas é abrangido pela imunidade tributária do livro? Ou possui isenção tributária? Qual o entendimento do
STF - Supremo Tribunal Federal sobre a matéria?
A resposta é dada pelo art. 150, inciso VI, alínea "d", da CF/88 e pelo quanto decidido pelo STF no julgamento do RE nº 221.239:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
A imunidade tributária dos álbuns de figurinha foi questionada no XI Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 28/39
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
(...).
Álbum de �gurinhas. Admissibilidade. A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão tem por
escopo evitar embaraços ao exercício da liberdade de expressão intelectual, artística, cientí�ca e de comunicação, bem como facilitar o acesso
da população à cultura, à informação e à educação. O Constituinte, ao instituir esta benesse, não fez ressalvas quanto ao valor artístico
ou didático, à relevância dasinformações divulgadas ou à qualidade cultural de uma publicação. Não cabe ao aplicador da norma
constitucional em tela afastar este benefício �scal instituído para proteger direito tão importante ao exercício da democracia, por
força de um juízo subjetivo acerca da qualidade cultural ou do valor pedagógico de uma publicação destinada ao público infanto-
juvenil. (RE 221.239, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 25-5-2004, Segunda Turma, DJ de 6-8-2004).
De acordo com o dispositivo constitucional em questão, os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão têm imunidade
tributária relativamente a impostos; não se trata, portanto, de isenção, mas de imunidade tributária. Ao julgar o RE nº 221.239, o STF
decidiu que tal imunidade abrange o álbum de �gurinhas. Portanto, no caso do problema em questão, a cobrança realizada pelo Fisco
Estadual é inconstitucional, por força da aplicação da imunidade tributária, estando correta, assim, a LETRA B, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
De fato, a cobrança realizada pelo Fisco Estadual é inconstitucional, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, não é por força da
aplicação de isenção tributária, mas em razão de imunidade.
A letra B está correta. CORRETA
De fato, a cobrança realizada pelo Fisco Estadual é inconstitucional, pois a operação praticada pela contribuinte é abrangida pela imunidade
tributária.
A letra C está incorreta. INCORRETA
Ao contrário, a cobrança realizada pelo Fisco Estadual é inconstitucional, pois o STF já decidiu que o álbum de �gurinhas é abrangido pela
imunidade tributária do livro.
A letra D está incorreta. INCORRETA
O ICMS é da competência tributária dos Estados e do Distrito Federal, e não da União.
Questão 2019 | 4000000547
A imunidade do livro eletrônico
E as modernas tecnologias, como os e-books (livros eletrônicos), são abrangidas pela imunidade em questão?
O STF já consolidou o entendimento, refletido na Súmula Vinculante nº 57, de que essa imunidade deve ser aplicada na comercialização e também
na importação de livros eletrônicos:
Súmula Vinculante nº 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado
interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda
que possuam funcionalidades acessórias.
Portanto, atenção: a imunidade tributária constante do art. 150, inciso VI, alínea "d", da CF/88 aplica-se ao livro eletrônico (e-book), inclusive
aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo. Mas não só na comercialização interna do livro eletrônico deve-se aplicar a regra de
imunidade; aplica-se também em relação aos impostos incidentes na importação.
A imunidade do livro eletrônico foi objeto de questão no XXVIII Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 29/39
O Estado Y lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica PJ para cobrança de créditos de Impostos sobre a Circulação de Mercadorias
e Prestação de Serviços (ICMS), decorrentes da produção e venda de livros eletrônicos. Adicionalmente aos créditos de ICMS, o Estado Y
cobrou o pagamento de multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória legalmente prevista.
Tendo isso em vista, assinale a a�rmativa correta.
A)
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; por outro lado, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação
acessória.
B)
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; no entanto, tendo em vista a previsão legal, é correta a cobrança de multa pelo
descumprimento da obrigação acessória.
C)
É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e
periódicos; da mesma forma, é correta a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação acessória, em vista da previsão legal.
D)
É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e
periódicos; no entanto, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
Solução
Gabarito: B)
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; no entanto, tendo em vista a previsão legal, é correta a cobrança de multa
pelo descumprimento da obrigação acessória.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: o livro eletrônico é abrangido pela imunidade tributária? A imunidade tributária
também abrange as obrigações acessórias da contribuinte?
No caso:
> O Estado autuou uma pessoa jurídica porque ela não pagou o ICMS - Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços
sobre a produção e venda de livros eletrônicos.
> Além dessa autuação por falta de recolhimento do imposto, a contribuinte também foi autuada porque não cumpriu uma obrigação
acessória que lhe foi legalmente imposta.
> Eis o cerne da questão: a primeira autuação está correta ou o imposto não é devido porque o livro eletrônico é abrangido pela
imunidade tributária? E a segunda autuação? Está correta ou a eventual imunidade sobre o livro eletrônico também abrange as
obrigações acessórias da contribuinte?
A resposta é dada pelos arts. 150, inciso VI e 134 do CTN:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
(...).
Súmula Vinculante nº 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no
mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para �xá-los, como leitores de livros
eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias.
Art. 175. Excluem o crédito tributário:
I - a isenção;
II - a anistia.
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação
principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente.
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "d" da CF/88, a operação de venda de livros é imune à incidência de impostos, como, no caso, o
ICMS, e de acordo com a Súmula Vinculante nº 57, essa imunidade abrange o livro eletrônico. Contudo, a imunidade tributária (qualquer
imunidade) alcança tão somente as obrigações principais, ou seja, o dever de pagar o tributo; as imunidades tributárias não impedem a
instituição e a exigência de cumprimento de obrigações acessórias (deveres instrumentais). Dessa forma, quem for alcançado por uma
imunidade tributária não tem o dever de pagar o imposto (obrigação principal), mas continua obrigado a cumprir as obrigações acessórias
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 30/39
ou deveres instrumentais; acaso as descumpra, estará sujeito, assim, à imposição de uma sanção, estando correta, dessa forma, a LETRA
B, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos, o que torna a primeira parte dessa a�rmativa correta. Porém, a cobrança da multa pelo
descumprimento da obrigação tributária acessória está correta, pois a imunidade não dispensa o contribuinte do cumprimento das obrigações
tributárias acessórias (deveres instrumentais).
A letra B está correta. CORRETA
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos, mas essa imunidade não dispensa o contribuinte do cumprimento das obrigações
tributárias acessórias (deveres instrumentais), estando correta, assim, a multa imposta.
A letra C está incorreta. INCORRETA
A cobrança do ICMS não está correta, pois o STF já paci�cou o entendimento de que os livros eletrônicos são abrangidos pela imunidade
tributária. De outro lado, a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação tributária acessória está realmente correta, pois a imunidade
não dispensa ocontribuinte do cumprimento das obrigações tributárias acessórias (deveres instrumentais).
A letra D está incorreta. INCORRETA
A cobrança do ICMS não está correta, pois o STF já paci�cou o entendimento de que os livros eletrônicos são abrangidos pela imunidade
tributária. Porém, a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação tributária acessória está correta, pois a imunidade não dispensa o
contribuinte do cumprimento das obrigações tributárias acessórias (deveres instrumentais).
Imunidade dos Fonogramas e Videofonogramas Musicais
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
De acordo com a alínea “e” do inciso VI do art. 150 da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral
interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial
de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013)
(...).
Portanto, a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal não poderão instituir impostos sobre gravação de música ou obras em geral, de som
ou imagem e som interpretadas por artistas brasileiros, e nem sobre os CDs, DVDS, Blu-Rays ou outros suportes materiais, e ainda arquivos digitais
que os contenham (aplicativos para celular, tablet, download pela Internet etc.).
Atenção: apenas o processo industrial de reprodução (replicação) dos CDs e DVDs (mídias ópticas de leitura a laser) poderá ser tributado, pois
expressamente excepcionado da imunidade tributária em questão.
Assim, em resumo:
Etapa de gravação do material: tem imunidade;]
Etapa de REPLICAÇÃO INDUSTRIAL: NÃO TEM IMUNIDADE;
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 31/39
Imunidades e espécies tributárias
Etapa de distribuição: tem imunidade; e
Etapa de comercialização aos consumidores: tem imunidade.
É muito comum algumas pessoas afirmarem que as imunidades alcançam "somente os impostos".
Essa afirmação está correta? Vejamos:
Já vimos acima que as imunidades tributárias previstas nas alíneas do inciso VI do artigo 150 da CF/88 alcançam somente os impostos.
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...).
Contudo, atenção: muito embora o inciso VI do art. 150 da CF/88 seja um dos mais importantes a disciplinar imunidades tributárias, ele não é o
único! De fato, as imunidades estão espalhadas por toda a CF/88 com diferentes fórmulas linguísticas ("são isentos", "não incide" etc.). De fato,
há várias imunidades tributárias espalhadas na CF/88 e algumas delas alcançam outras espécies tributárias que não "impostos", alcançando,
assim, taxas e contribuições.
Vejamos, então, as imunidades relativas às outras espécies tributárias.
Imunidades relativas a taxas
O art. 5º, incisos XXXIV, LXXIII, LXXIV, LXVVI e LXXVII, estipula diversas hipóteses de imunidades relativas a taxas:
CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal;
(...)
LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de
custas judiciais e do ônus da sucumbência;
LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
(...)
LXXVI - são gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei:
a) o registro civil de nascimento;
b) a certidão de óbito;
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 32/39
Questão 2010 | 4000001114
(...).
LXXVII - são gratuitas as ações de habeas corpus e habeas data, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania.
(...).
Conforme já explicamos acima, nem sempre o texto constitucional menciona, expressamente, que determinada situação ou pessoa é "imune"; às
vezes a CF/88 prescreve que "não incide" determinado tributo, que são "isentos" de tributos, que "são gratuitos" etc. Assim, o fato de a CF/88, em
alguns dispositivos, utilizar expressões como "não incide", "isenção", "são gratuitos" ou qualquer outro termo é totalmente irrelevante. Sempre que o
texto constitucional proibir a tributação sobre determinada pessoa ou situação, estará estipulando uma imunidade tributária.
Portanto, a CF/88 concede imunidade tributária de taxas nas seguintes hipóteses:
Para a impetração de habeas corpus ou habeas data;
Na forma da lei, para a prática dos atos necessários ao exercício da cidadania;
Para o registro civil de nascimento e para a obtenção da certidão de óbito para os reconhecidamente pobres;
Para a assistência judiciária integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos;
Para o exercício do direito de petição aos poderes públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;
Para a obtenção de certidões em repartições públicas;
Para a defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal; e
De custas judiciais para o ajuizamento de ação popular, salvo se comprovada má-fé.
Imunidades relativas a contribuições especiais
A CF/88 também estipula imunidades tributárias para algumas contribuições especiais.
A primeira delas se encontra prevista no art. 149, § 2º, inciso I, da CF/88:
CF/88: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias
profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem
prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
(...)
§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº
33, de 2001) [10]
I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;
(...).
Já vimos que a expressão utilizada não importa; todas as vezes que o não pagamento de um tributo decorrer de regra constitucional, estaremos diante
de uma imunidade tributária.
Assim, atenção: por força desse dispositivo constitucional, as receitas decorrentes de exportação são imunes à incidência de contribuições
sociais (como, por exemplo, PIS e COFINS) e de intervenção no domínio econômico (CIDE-Combustível e CIDE-Tecnologia ou Royalties).
Juntamente com a imunidade específica de IPI na exportação (que ainda será estudada), a imunidade de contribuições sociais relativamente às
receitas decorrentes de exportação já foi objeto de questionamento no Exame Unificado de Ordem:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art18. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 33/39
Caso determinada empresa se dedique exclusivamente à produção de manufaturados destinados à exportação, a ela se imputa a obrigação
de pagar
A) a contribuição social sobre o faturamento, destinada à seguridade social (COFINS).
B) a contribuição social destinada ao Programa de Integração Social (PIS).
C) o IPI.
D) o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza.
Solução
Gabarito: D) o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza.
A questão gira em torno do seguinte aspecto: dentre os tributos descritos nas alternativas, quais não são devidos por quem se dedica à
produção de manufaturados destinados à exportação? Contrario sensu, qual é o único tributo devido dentre as opções?
No caso:
Perguntou-se, genericamente, sem que tenha sido realizada a contextualização do tema num caso prático (como habitualmente faz a banca),
qual tributo é devido, dentre as opções, por quem atua na produção de manufaturados destinados à exportação.
> Eis o cerne da questão: qual o único tributo devido dentre as opções?
A resposta é dada pelo art. 149, § 1º, da CF/88:
CF/88: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das
categorias pro�ssionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I
e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
(...)
§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 33, de 2001)
I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001)
(...).
CF/88: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre:
(...)
IV – produtos industrializados;
(...).
§ 3º O imposto previsto no inciso IV:
(...)
III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.
(...).
De acordo com o art. 149, § 2º, inciso I, da CF/88, as receitas decorrentes de exportação são imunes (imunidade tributária) à incidência
de contribuições sociais, como, por exemplo, a contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição
para o Programa de Integração Social (PIS). E de acordo com o art. 153, § 3º, inciso III, da CF/88, as operações de exportação também são
imunes à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). No que tange ao IR - Imposto sobre a Renda, não existe qualquer
imunidade quanto às rendas decorrentes de operações de exportação. Portanto, no caso do problema em questão, caso determinada
empresa se dedique exclusivamente à produção de manufaturados destinados à exportação, a ela se imputa a obrigação de pagar o imposto
sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR), estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão
A letra A está incorreta. INCORRETA
As receitas decorrentes de exportação são imunes à incidência da contribuição social sobre o faturamento (COFINS), de modo que esse tributo
não será devido.
A letra B está incorreta. INCORRETA
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 34/39
As receitas decorrentes de exportação são imunes à incidência da contribuição social destinada ao Programa de Integração Social (PIS), de modo
que esse tributo não será devido.
A letra C está incorreta. INCORRETA
As operações de exportação são imunes à incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, de modo que esse tributo não será devido.
A letra D está correta. CORRETA
De fato, o IR - Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza será devido, pois não existe qualquer imunidade quanto às rendas
decorrentes de operações de exportação.
O destinatário da imunidade é o contribuinte de direito
Pois bem. O art. 195, § 7º, da CF/88, estipula, por sua vez, imunidade tributária de contribuição para a seguridade social para as entidades
beneficentes de assistência social (entidades privadas) que atendam às exigências estabelecidas em lei:
CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(...)
§ 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências
estabelecidas em lei.
(...).
Portanto: além da imunidade de impostos por força do art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88 (já estudado acima), as entidades beneficentes
de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei também têm imunidade tributária quanto às contribuições sociais.
É possível verificar, pois, que essa é uma imunidade condicionada (exatamente como aquela prevista na alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF/88),
pois o gozo depende do atendimento das condições estabelecidas em lei.
Já vimos que essas condições estão dispostas no art. 14 do CTN, já estudadas acima:
CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.
(...).
A jurisprudência do STF firmou-se no sentido de que todas as imunidades previstas no art. 150, inciso VI, da CF/88 são aplicáveis tão somente aos
impostos incidentes sobre os serviços, patrimônio ou renda do próprio ente imune, quando ele estiver na posição de contribuinte de direito, não
abrangendo os tributos a ele repassados na condição de contribuinte de fato.
“Contribuinte de direito”, já vimos, é aquele que pratica o fato gerador da obrigação tributária conforme previsto na lei instituidora do tributo, ou seja,
é quem pratica o verbo e o complemento que caracteriza o fato gerador do tributo.
Por exemplo: “contribuinte de direito” do ICMS é quem circula a mercadoria ou o serviço (verbo “circular” + complemento “mercadoria ou serviço”).
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 35/39
Questão 2012 | 4000001034
O procurador do município Gama decide contestar judicialmente a cobrança do ICMS discriminada na fatura da conta de luz do imóvel onde
funciona a sede da prefeitura, alegando a condição de ente político para livrar-se da exação.
A demanda da municipalidade deverá ser
A) acolhida, em razão da imunidade recíproca, que impede que os entes da federação instituam impostos sobre bens e serviços uns dos outros.
B) rejeitada, pois na situação apresentada o município se apresenta na condição de contribuinte de direito do ICMS.
“Contribuinte de fato”, diferentemente, é quem acaba arcando com o ônus econômico, isto é, com o custo financeiro do tributo, muito embora não
tenha praticado o fato gerador; é a pessoa a quem o custo do tributo é repassado no preço da mercadoria ou serviço.
Pois bem. Já vimos que "contribuinte de direito" do ICMS, por exemplo, é quem circula a mercadoria ou serviço, como, por exemplo, um revendedor
de veículo automotor ou uma concessionária de energia elétrica (já que a energia elétrica é considerada mercadoria para fins tributários); porque
"circulam" mercadorias, praticando, assim, o fato gerador do ICMS, são qualificados como "contribuintes de direito" do imposto.
Porém, esses "contribuintes de direito" destacam na nota fiscal ou na fatura o montante do ICMS por eles devido e embutem esse valor na conta,
repassando o custo ao consumidor final, que é o "contribuinte de fato" (justamente porque é quem acaba arcando com o custo financeiro do tributo).
Por exemplo: já notaram que na conta de energia elétrica,de telefone ou de TV a cabo consta o valor do serviço e também o destaque do valor do
ICMS, sendo que o valor total a pagar é a somatória desses dois valores?
Nessa hipótese, o consumidor final esse assume o papel de “contribuinte de fato”, pois acaba arcando com o custo financeiro do tributo devido pelo
“contribuinte de direito”.
O mesmo ocorre em relação ao IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, que também é um imposto indireto e que comporta o repasse do custo
no preço. Quando alguém compra um produto industrializado, aquele que o industrializou e vendeu é quem praticou o fato gerador do imposto
(contribuinte de direito), mas, no momento em que vende o produto, repassa o valor do tributo no preço (para o contribuinte de fato).
Atenção: de acordo com o STF, quando uma pessoa imune é consumidora de produtos ou serviços em relação aos quais acabam ficando
na situação de “contribuintes de fato”, devem, sim, arcar com o custo do tributo que lhes é repassado, não havendo imunidade nessa
hipótese.
Vejamos:
Tema 342: A imunidade tributária subjetiva aplica-se a seus beneficiários na posição de contribuinte de direito, mas não na de simples
contribuinte de fato, sendo irrelevante para a verificação da existência do beneplácito constitucional a repercussão econômica do tributo
envolvido.
Portanto, uma imunidade tributária subjetiva (dada para determinadas pessoas) não afasta a incidência dos impostos indiretos que repercutem
economicamente na pessoa imune quando ela está na posição de contribuinte de fato.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Vejamos como isso foi questionado no Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 36/39
C) acolhida, pois a empresa concessionária prestadora do serviço de fornecimento de energia não tem competência para cobrar ICMS.
D) rejeitada, pois o município não goza de imunidade com relação a imposto que incide apenas indiretamente sobre seus bens e serviços.
Solução
Gabarito: D)
rejeitada, pois o município não goza de imunidade com relação a imposto que incide apenas indiretamente sobre seus bens e
serviços.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: qual a condição jurídico-tributária de uma entidade federativa relativamente ao
imposto indireto (no caso, o ICMS - Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) que lhe é repassado no preço no momento
da aquisição de um produto ou serviço: ela é contribuinte de fato ou de direito? As entidades federativas têm imunidade tributária
quanto aos impostos indiretos que lhe são repassados no preço?
No caso:
> O Município Gama consumiu energia elétrica.
> Ao emitir a respectiva fatura de consumo de energia elétrica, a concessionária (fornecedora) embutiu o ICMS no preço total a ser pago pelo
consumidor (Município).
> Contudo, o Procurador do Município quer contestar judicialmente a cobrança desse ICMS embutido na fatura de energia elétrica.
> Para tanto, o Procurador quer alegar a condição de ente político do Município (entidade federativa) para tentar livrá-lo da exação tributária.
> Eis o cerne da questão: no caso, o Município é contribuinte de fato ou de direito do ICMS? O Município tem imunidade tributária
quanto a esse ICMS que lhe foi repassado no preço?
A imunidade recíproca de que gozam as entidades federativas (União, Estados-membros, Distrito Federal e Municípios) é prevista no art. 150,
inciso VI, alínea "a", da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...).
Pois bem: em julgamento realizado em regime de repercussão geral, a jurisprudência do STF �rmou-se no sentido de que as imunidades
subjetivas (dadas em função da pessoa, tal como a recíproca) são aplicáveis tão somente aos impostos incidentes sobre os serviços,
patrimônio ou renda do próprio ente imune, quando estão na posição de contribuinte de direito. Dessa forma, quando uma pessoa imune
é consumidora de produtos ou serviços e está, por isso, na situação de “contribuintes de fato”, deve arcar, sim, com o valor do tributo que lhe
está sendo repassado no preço, que incide apenas indiretamente sobre seus bens e serviços, não havendo, nesses casos, imunidade. Vejamos
a tese �xada pelo STF:
Tema 342: A imunidade tributária subjetiva aplica-se a seus bene�ciários na posição de contribuinte de direito, mas não na de simples
contribuinte de fato, sendo irrelevante para a veri�cação da existência do beneplácito constitucional a repercussão econômica do tributo
envolvido (RE nº 608.872).
Portanto, no caso do problema em questão, a impugnação do Procurador deve ser rejeitada, pois o Município não goza de imunidade com
relação a imposto que incide apenas indiretamente sobre seus bens e serviços, estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da
questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
De acordo com o STF, a imunidade tributária aplica-se a seus bene�ciários quando estão posição de contribuintes de direito, mas não quando
estão na condição de contribuintes de fato; como, na hipótese, o Município está na condição de contribuinte de fato, não incide, então, a
norma de imunidade tributária.
A letra B está incorreta. INCORRETA
De fato, a impugnação deve ser rejeitada, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, é porque o Município está na condição de
contribuintes de fato, e não de direito; de acordo com o STF, a imunidade tributária não se aplica aos seus bene�ciários quando estão na
condição de contribuintes de fato.
A letra C está incorreta. INCORRETA
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 37/39
A impugnação deve ser rejeitada, e não acolhida. E, na hipótese, a empresa concessionária não está exercendo "competência" tributária quanto
à cobrança do ICMS; ela é a contribuinte de direito do imposto e está tão somente repassando o ônus econômico da tributação para o
contribuinte de fato (Município).
A letra D está correta. CORRETA
De fato, a impugnação deve ser rejeitada, pois o Município não goza de imunidade em relação a imposto que incide apenas indiretamente
sobre seus bens e serviços, ou seja, quando está na condição de contribuinte de fato.
Imunidade e obrigações acessórias
Questão 2019 | 4000000547
O Estado Y lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica PJ para cobrança de créditos de Impostos sobre a Circulação de Mercadorias
e Prestação de Serviços (ICMS), decorrentes da produção e venda de livros eletrônicos. Adicionalmente aos créditos de ICMS, o Estado Y
cobrou o pagamento de multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória legalmente prevista.
Tendo isso em vista, assinale a a�rmativa correta.
A)
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; por outro lado, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação
acessória.
B)
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; no entanto, tendo em vista a previsão legal, é correta a cobrança de multa pelo
descumprimento da obrigação acessória.
C)
É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e
periódicos; da mesma forma, é correta a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação acessória, em vista da previsão legal.
D)
É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e
periódicos; no entanto, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
Solução
Gabarito: B)
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; no entanto, tendo em vista a previsão legal, é correta a cobrança de multa
pelo descumprimento da obrigação acessória.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: o livro eletrônico é abrangido pela imunidade tributária? A imunidade tributária
também abrange as obrigações acessórias da contribuinte?
No caso:O art. 113 do CTN prescreve que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória (a acessória também é denominada como dever
instrumental).
Este assunto (obrigação tributária) será estudado adiante, mas, não obstante, precisamos traçar, mesmo que de forma muito breve e resumida, a
diferença entre as duas:
Fazendo uma comparação com o Direito Civil, a obrigação tributária principal corresponde à obrigação de dar. Portanto, ela é patrimonial! É a
obrigação de dar dinheiro ao Estado (em sentido amplo) a título de tributo (por exemplo, quem circular mercadoria, deve pagar, isto é, dar dinheiro
ao Estado a título de ICMS).
Ainda fazendo uma comparação com o Direito Civil, a obrigação acessória (dever instrumental) corresponde a uma obrigação de fazer, não fazer
ou de tolerar algo (fiscalização) no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Verifica-se, assim, que ela não tem por objeto a
entrega (dever de dar) de dinheiro ao Estado a título de tributo (obrigação principal), sendo, assim, uma obrigação não-patrimonial (por exemplo,
quem circular mercadoria, além do dever de pagar o ICMS, que é uma obrigação principal de dar, também deve emitir nota fiscal, que é uma
obrigação acessória, posto que corresponde a um fazer).
Pois bem. Nas palavras de Roque Antonio Carrazza [11]:
(...) as imunidades não dispensam o cumprimento dos deveres instrumentais dependentes da obrigação principal (imune), ou dela consequentes.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Isso já foi explorado no Exame de Ordem, em questão já anteriormente vista:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 38/39
> O Estado autuou uma pessoa jurídica porque ela não pagou o ICMS - Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços
sobre a produção e venda de livros eletrônicos.
> Além dessa autuação por falta de recolhimento do imposto, a contribuinte também foi autuada porque não cumpriu uma obrigação
acessória que lhe foi legalmente imposta.
> Eis o cerne da questão: a primeira autuação está correta ou o imposto não é devido porque o livro eletrônico é abrangido pela
imunidade tributária? E a segunda autuação? Está correta ou a eventual imunidade sobre o livro eletrônico também abrange as
obrigações acessórias da contribuinte?
A resposta é dada pelos arts. 150, inciso VI e 134 do CTN:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão;
(...).
Súmula Vinculante nº 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no
mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para �xá-los, como leitores de livros
eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias.
Art. 175. Excluem o crédito tributário:
I - a isenção;
II - a anistia.
Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação
principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente.
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea "d" da CF/88, a operação de venda de livros é imune à incidência de impostos, como, no caso, o
ICMS, e de acordo com a Súmula Vinculante nº 57, essa imunidade abrange o livro eletrônico. Contudo, a imunidade tributária (qualquer
imunidade) alcança tão somente as obrigações principais, ou seja, o dever de pagar o tributo; as imunidades tributárias não impedem a
instituição e a exigência de cumprimento de obrigações acessórias (deveres instrumentais). Dessa forma, quem for alcançado por uma
imunidade tributária não tem o dever de pagar o imposto (obrigação principal), mas continua obrigado a cumprir as obrigações acessórias
ou deveres instrumentais; acaso as descumpra, estará sujeito, assim, à imposição de uma sanção, estando correta, dessa forma, a LETRA
B, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos, o que torna a primeira parte dessa a�rmativa correta. Porém, a cobrança da multa pelo
descumprimento da obrigação tributária acessória está correta, pois a imunidade não dispensa o contribuinte do cumprimento das obrigações
tributárias acessórias (deveres instrumentais).
A letra B está correta. CORRETA
Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos, mas essa imunidade não dispensa o contribuinte do cumprimento das obrigações
tributárias acessórias (deveres instrumentais), estando correta, assim, a multa imposta.
A letra C está incorreta. INCORRETA
A cobrança do ICMS não está correta, pois o STF já paci�cou o entendimento de que os livros eletrônicos são abrangidos pela imunidade
tributária. De outro lado, a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação tributária acessória está realmente correta, pois a imunidade
não dispensa o contribuinte do cumprimento das obrigações tributárias acessórias (deveres instrumentais).
A letra D está incorreta. INCORRETA
A cobrança do ICMS não está correta, pois o STF já paci�cou o entendimento de que os livros eletrônicos são abrangidos pela imunidade
tributária. Porém, a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação tributária acessória está correta, pois a imunidade não dispensa o
contribuinte do cumprimento das obrigações tributárias acessórias (deveres instrumentais).
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 39/39
Referências e links deste capítulo
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Curso de Direito Tributário
Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio
útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como de�nido na lei civil, localizado na zona urbana do Município.
Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?
PROCESSO=325822&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
A mesma regra é encontrada, ainda, no § 2º do art. 14 do CTN: "§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são
exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou
atos constitutivos."
http://www.stf.jus.br/cgi-bin/nph-brs?
d=SUMU&n=&s1=657.NUME.&l=20&u=http://www.stf.jus.br/Jurisprudencia/Jurisp.asp&Sect1=IMAGE&Sect2=THESOFF&Sect3=PLURON&Sect6=SUMUN&p=1&r
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?
PROCESSO=221239&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/portal/inteiroTeor/obterInteiroTeor.asp?id=530461&idDocumento=&codigoClasse=437&numero=179893&siglaRecurso=&classe=RE
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?
PROCESSO=213094&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Emendas/Emc/emc33.htm#art1
Curso de Direito Constitucional Tributárioas imunidades podem ser condicionadas e incondicionadas:
Ä Imunidades condicionadas: são aquelas cuja fruição depende, por exigência da própria CF/88 (art. 146, inciso II), do atendimento de certos
pressupostos estabelecidos pela legislação complementar infraconstitucional (é o caso, por exemplo, do patrimônio, renda ou serviços das
instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos, que devem atender aos requisitos estabelecidos em lei para poder gozar da
imunidade relativa a impostos, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88).
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 5/39
Análise das imunidades gerais previstas nas alíneas do inciso VI do art. 150 da CF/88
Ä Imunidades incondicionadas: são aquelas que não dependem do atendimento a pressupostos estabelecidos em lei complementar
infraconstitucional para serem usufruídas e que não podem, por isso, ser limitadas por lei (é o caso, por exemplo, da imunidade recíproca, que é
incondicionada).
O terceiro critério classificatório se refere ao âmbito de abrangência das imunidades, que podem ser divididas em específicas e genéricas:
Ä Imunidades genéricas: são mais amplas, porque impedem a tributação em relação a todos os impostos (como, por exemplo, a imunidade
sobre os templos religiosos, a recíproca etc.).
Ä Imunidades específicas: são aquelas que recaem sobre um imposto específico (é o caso, por exemplo, da imunidade do ICMS na exportação,
do IPI na exportação etc.).
Pois bem: estudaremos, neste momento, tão somente as imunidades GERAIS, pois as imunidades específicas serão estudadas adiante, quando
estudarmos o respectivo imposto ao qual cada uma delas se aplica.
Não obstante termos como foco, nesta aula, somente as imunidades gerais, exporemos abaixo, de forma resumida, as imunidades específicas, para
que você visualize e compreenda o que estamos explicando:
O art. 153, § 4º, inciso II da CF/88 concede imunidade específica quanto ao ITR, ao prescrever que esse imposto "não incidirá sobre pequenas
glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel".
O art. 156, § 2º, inciso I, da CF/88 concede imunidade específica quanto ao ITBI na incorporação de capital de Pessoa Jurídica ou em caso
de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, ao prescrever que esse imposto “não incide sobre a transmissão de bens ou
direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão,
incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses
bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil”.
O art. 155, § 2º, inciso X, alínea “a” da CF/88 concede imunidade específica quanto ao ICMS na exportação, ao prescrever que esse imposto
"não incide sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegurada a
manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores".
O art. 155, § 2º, inciso X, alínea “b” da CF/88 concede imunidade específica quanto ao ICMS sobre operações "que destinem a outros Estados
petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica".
O art. 153, § 3º, inciso III, da CF/88 concede imunidade específica quanto ao IPI na exportação, ao prescrever que esse imposto não incidirá
sobre produtos industrializados destinados ao exterior.
O art. 184 § 5º, da CF/88 concede imunidade específica quanto aos impostos federais, estaduais e municipais que porventura possam incidir
sobre operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.
Todas as hipóteses acima pontuadas se referem a imunidades específicas, que serão mais profundamente estudadas adiante, quando estudarmos
cada um dos respectivos impostos em espécie.
No momento, queremos nos ater às imunidades gerais.
Estudaremos, a partir de agora, o principal dispositivo constitucional que prescreve imunidades tributárias gerais:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023);
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral
interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de
mídias ópticas de leitura a laser.
(...)
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 6/39
Questão 2017 | 4000000769
O Município X instituiu taxa a ser cobrada, exclusivamente, sobre o serviço público de coleta, remoção e tratamento de lixo e resíduos
provenientes de imóveis. A igreja ABC, com sede no Município X, foi noti�cada da cobrança da referida taxa.
Sobre a hipótese apresentada, assinale a a�rmativa correta.
A) As Igrejas são imunes; portanto, não devem pagar a taxa instituída pelo Município X.
B) A taxa é inconstitucional, pois não é especí�ca e divisível.
C) A taxa é inconstitucional, uma vez que os Municípios não são competentes para a instituição de taxas de serviço público.
D) A taxa é constitucional e as Igrejas não são imunes.
Solução
Gabarito: D) A taxa é constitucional e as Igrejas não são imunes.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: os Municípios detém competência tributária para a instituição da taxa de coleta de lixo
domiciliar? Essa taxa é especí�ca e divisível? As taxas são abrangidas pela imunidade tributária religiosa?
No caso:
> Determinado Município instituiu uma taxa a ser cobrada em razão do serviço público municipal de coleta, remoção e tratamento de lixo e
resíduos provenientes de imóveis (taxa de coleta de lixo).
> A igreja ABC, que tem sede no Município X que instituiu a taxa, foi noti�cada para pagá-la (a taxa em questão).
> Eis o cerne da questão: o Município poderia ter instituído essa taxa? Ela é especí�ca e divisível? A igreja possui imunidade tributária
quanto a esta taxa?
A resposta é dada pelo art. 145, inciso II, da CF/88, pelos arts. 77 e 79 do CTN e pela Súmula Vinculante nº 19:
CF/88: Art. 30. Compete aos Municípios:
(...)
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora de
serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023).
§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de
atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou
tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
§ 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades
essenciais das entidades nelas mencionadas.
(...).
É necessário compreender, inicialmente, que essas imunidades previstas nas alíneas do inciso VI do artigo 150 da CF/88 (que serão detalhadas adiante)alcançam somente os IMPOSTOS.
De fato, observe a literalidade do inciso VI acima, segundo o qual é vedado às entidades federativas instituir impostos sobre as pessoas ou
situações especificadas nas alíneas.
Portanto, atenção: não há imunidade recíproca, nem religiosa, nem dos partidos políticos etc. para qualquer outra espécie tributária que não
seja imposto. Assim, não há imunidade, nesses casos, para taxas, para contribuições, para empréstimos compulsórios ou para contribuição de
melhoria. Essas imunidades descritas nas alíneas do inciso VI só alcançam IMPOSTOS (IPTU, ISS, IR, ITBI etc.).
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Isso já foi objeto de questionamento no Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 7/39
V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de
transporte coletivo, que tem caráter essencial;
(...).
CF/88: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:
(...)
II -, em taxas razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos especí�cos e divisíveis,
prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição;
(...).
CTN: Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas
atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público
especí�co e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.
Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77 consideram-se:
I - utilizados pelo contribuinte:
a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título;
b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo
funcionamento;
II - especí�cos, quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de unidade, ou de necessidades públicas;
III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos seus usuários.
Súmula Vinculante nº 19: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de
lixo ou resíduos provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.
De acordo com os dispositivos constitucionais em questão, os Municípios poderão instituir e cobrar taxa pela prestação de um serviço público
de interesse local quando prestarem ou colocarem o serviço à disposição do contribuinte. Logo, os Município detêm competência tributária
para instituir a taxa de coleta de lixo. Paralelamente a isso, o STF já consolidou o entendimento, na Súmula Vinculante nº 19, que a taxa
cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos
provenientes de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal, ou seja, é especí�ca e divisível (por isso não viola o texto
constitucional).
Mas os dispositivos e a súmula acima não dão todas as respostas; é preciso analisar, também, o art. 150, inciso VI, alínea "b", da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
b) templos de qualquer culto;
(...).
De acordo com o disposto constitucional imediatamente acima, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estão impedidos de
instituir impostos sobre os templos de qualquer culto, o que a doutrina designa como Imunidade Religiosa. Pois bem: de acordo com a
literalidade do dispositivo constitucional em questão e de acordo com o quanto já decidido pelo STF (RE 364.202), a imunidade tributária em
questão (em verdade, todas aquelas previstas nas alíneas do inciso VI do art. 150 da CF/88) são aplicáveis somente a impostos, não
alcançando as taxas ou qualquer outra espécie tributária.
Portanto, no caso do problema em questão, a taxa é constitucional e as Igrejas não são imunes, estando correta, assim, a LETRA D, que é o
gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
Sim, as Igrejas são imunes à incidência de impostos (Imunidade Religiosa), o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, essa
imunidade não abrange qualquer outra espécie tributária além dos impostos. Portanto, as Igrejas devem pagar a taxa instituída pelo Município
X.
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 8/39
A letra B está incorreta. INCORRETA
Ao contrário, a taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos
provenientes de imóveis é especí�ca e divisível, tendo sido considerada constitucional pelo STF.
A letra C está incorreta. INCORRETA
Compete aos Municípios organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local,
tal como o serviço público de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes de imóveis, podendo, em razão
disso, instituir uma taxa pela prestação do serviço.
A letra D está correta. CORRETA
De fato, a taxa em questão foi considerada constitucional pelo STF, pois é especí�ca e divisível. De outro lado, a Imunidade Religiosa não
abrange a taxa em questão, pois não abrange qualquer outra espécie tributária além dos impostos.
Questão 2010 | 4000001082
A imunidade recíproca impede que
A) a União cobre Imposto de Renda sobre os juros das aplicações �nanceiras dos Estados e dos Municípios.
B) o Município cobre a taxa de licenciamento de obra da União.
C) o Estado cobre contribuição de melhoria em relação a bem do Município valorizado em decorrência de obra pública.
D) o Estado cobre tarifa de água consumida em imóvel da União.
Solução
Gabarito: A) a União cobre Imposto de Renda sobre os juros das aplicações �nanceiras dos Estados e dos Municípios.
A questão gira em torno do seguinte aspecto: qual(is) tributo(s) é(são) alcançado(s) pela imunidade recíproca?
No caso:
> Perguntou-se, genericamente, sem que tenha sido realizada a contextualização do tema num caso prático (como habitualmente faz a
banca), qual dentre os tributos descritos nas alternativas é alcançado pela imunidade recíproca.
> Eis o cerne da questão: qual deles é alcançado pela referida imunidade?
A resposta é dada pela alínea "a" do inciso VI do art. 150 da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...).
De acordo com o inciso VI art. 150 da CF/88, todas as imunidades previstas nesse art. 150 alcançam somente os impostos. Dessa forma,
não há imunidade recíproca, nem religiosa, nem dos partidos políticos etc. para qualquer outra espécie tributária que não seja imposto. Logo,
não há imunidade tributária, diante do dispositivo constitucional em questão, para taxas, contribuições, empréstimos compulsórios ou para
contribuição de melhoria; muito menos para tarifa, que sequer é tributo. Portanto, no caso do problema em questão, a imunidade recíproca
impede que a União cobre Imposto de Renda sobre os juros das aplicações �nanceiras dos Estados e dos Municípios, estando correta, assim,
a LETRA A, que é o gabarito da questão.
A letra A está correta. CORRETA
De fato, considerando que a imunidade tributária recíproca alcança tão somente os impostos, ela impedirá que a União cobre Imposto de Renda
sobre os juros das aplicações �nanceiras dos Estados e dos Municípios.
Também no seguinte exame:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 9/39
A letra B está incorreta. INCORRETA
Qualquer outra espécie tributária diferente de imposto, como, por exemplo, a taxa, não é alcançada pela imunidade recíproca; logo, a imunidadeem questão não impede que o Município cobre a taxa de licenciamento de obra da União.
A letra C está incorreta. INCORRETA
Qualquer outra espécie tributária diferente de imposto, como, por exemplo, a contribuição de melhoria, não é alcançada pela imunidade
recíproca; logo, a imunidade em questão não impede que o Estado cobre contribuição de melhoria em relação a bem do Município valorizado em
decorrência de obra pública.
A letra D está incorreta. INCORRETA
A tarifa de água não possui natureza tributária, razão pela qual não poderia ser abrangida por qualquer norma imunizante. Ademais, a imunidade
recíproca alcança somente os impostos.
Imunidade Recíproca
Cientes, então, de que as imunidades previstas nas alíneas do inciso VI do art. 150 da CF/88 alcançam tão somente os IMPOSTOS, podemos passar
para a análise de cada hipótese.
As entidades políticas integrantes da Federação (União, Estados, Municípios e Distrito Federal) não podem exigir impostos umas das outras, devido à
imunidade recíproca estabelecida pelo art. 150, inciso VI, alínea “a”, da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...).
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 10/39
Questão 2013 | 4000001017
Uma autarquia federal, proprietária de veículos automotores adquiridos recentemente, foi surpreendida com a cobrança de IPVA pelo Estado
responsável pelos respectivos licenciamentos, não obstante vincular a utilização desses veículos às suas �nalidades essenciais.
Com base na hipótese sugerida, assinale a a�rmativa correta
A) A cobrança é constitucional, por se tratar de fato gerador do IPVA
B) A cobrança é constitucional, por se aplicar o princípio da capacidade contributiva.
C) A cobrança é inconstitucional, por se tratar de isenção �scal.
D) A cobrança é inconstitucional, por tratar de hipótese de imunidade tributária.
Solução
Atenção: de acordo com o STF (ACO nº 502), a imunidade recíproca alcança todo e qualquer imposto, e não somente aqueles que
porventura poderiam incidir sobre o patrimônio, renda ou serviços das entidades imunes.
A imunidade recíproca em questão é uma garantia da existência da Federação, sendo considerada, assim, uma cláusula pétrea, nos termos do art. 60,
§ 4º, inciso I, da CF/88.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas
De acordo com o art. 150, § 2º, da CF/88:
CF/88: Art. 150. (...)
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público (...) no que se refere ao
patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 132, de 2023)
(...).
Contudo, essa extensão não é absoluta:
CF/88: Art. 150. (...)
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de
atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou
tarifas pelo usuário (...).
Vejamos como esse assunto já foi abordado no Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 11/39
Gabarito: D) A cobrança é inconstitucional, por tratar de hipótese de imunidade tributária.
A questão gira em torno do seguinte aspecto: autarquia federal, proprietária de veículos automotores, está obrigada ao pagamento do
IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores quando vincula a utilização desses veículos às suas �nalidades
essenciais?
No caso:
> Uma autarquia federal adquiriu veículos automotores.
> Esses veículos são utilizados nas �nalidades essenciais da autarquia.
> E a autarquia está sofrendo a cobrança do IPVA - Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores.
> Eis o cerne da questão: apesar de utilizar os veículos automotores em suas �nalidades essenciais, a autarquia está obrigada ao
pagamento do IPVA?
A resposta é dada pelo art. 150, inciso VI, alínea "a" e §§ 2º e 3º, da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...)
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere
ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas �nalidades essenciais ou às delas decorrentes.
§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração
de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de
preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
(...).
De acordo com o dispositivo constitucional em questão, a imunidade recíproca sobre o patrimônio, renda e serviços é estendida às
autarquias e às fundações públicas, desde que a utilização seja vinculada às �nalidades essenciais da entidade. Se trata, no caso, de
imunidade tributária, pois a "não incidência" do tributo está prevista na Constituição Federal; acaso estivesse prevista em lei, seria isenção
tributária, e não
imunidade. Portanto, no caso do problema em questão, a cobrança de IPVA é inconstitucional, por tratar de hipótese de imunidade tributária,
estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
Apesar de a propriedade sobre veículo automotor ser fato gerador do IPVA, nos termos da CF/88, incide, no caso, a norma de imunidade
tributária, tornando inconstitucional a cobrança.
A letra B está incorreta.
INCORRETA
A cobrança é inconstitucional, pois a proprietária dos veículos automotores possui imunidade tributária.
A letra C está incorreta. INCORRETA
De fato, a cobrança é inconstitucional, o que torna a primeira parte da alternativa correta, mas não é em razão de isenção �scal; em verdade, é
em razão de imunidade tributária.
A letra D está correta. CORRETA
De fato, a cobrança é inconstitucional, por tratar de hipótese de imunidade tributária.
Extensão da imunidade recíproca às empresas públicas e às sociedades de economia mista prestadoras de serviço público em sentido estrito
De acordo com a literalidade do art. 150, §§ 2º e 3º, da CF/88, as empresas públicas e as sociedades de economia mista não seriam alcançadas pela
imunidade recíproca, pois não foram expressamente mencionadas pelo constituinte.
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 12/39
Contudo, a jurisprudência do STF reconhece o direito à imunidade recíproca às empresas públicas e às sociedades de economia mista, de
acordo com o seguinte critério:
Quando for uma empresa pública ou sociedade de economia mista prestadora de serviço público em sentido estrito, isto é, que não
concorre com a livre iniciativa, aplica-se a imunidade recíproca;
Quando for uma empresa pública ou sociedade de economia mista que exerce ATIVIDADE ECONÔMICA em sentido estrito, ou seja, que
concorre com a livre iniciativa privada, NÃO se aplica a regra de imunidade recíproca.
Essa diferenciação é baseada no texto constitucional, pois o próprio § 3º do art. 150 prescreve - vamos relembrar - que a imunidade não se aplica ao
patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos
privados. Vejamos:
CF/88: Art. 150. (...)
§ 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao
patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidadesessenciais ou às delas decorrentes.
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de
atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou
tarifas pelo usuário (...).
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Abrangência da imunidade tributária da ECT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos
A ECT - Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ou simplesmente "Correios" - é uma empresa pública federal que presta serviços de diferentes
naturezas: (i) ela presta serviço público em sentido estrito, em regime de monopólio, que é o serviço postal; mas (ii) ela também presta serviços
regidos pelas normas que disciplinam a atividades econômica em regime concorrencial (como, por exemplo, o transporte de encomendas).
Assim, de acordo com o texto constitucional em vigor (§§ 2º e 3º do art. 150), a ECT só teria imunidade - à princípio - quanto aos serviços públicos
em sentido estrito que presta em regime de monopólio.
Contudo, atenção: antes mesmo da reforma tributária trazida pela EC 132/2023, que inclui a ECT no § 2º acima, o STF já havia decidido,
em vários julgados, em Regime de Repercussão Geral, que a ECT tinha imunidade geral para todas as suas atividades, seja um serviço
público em sentido estrito prestado em regime de monopólio OU NÃO.
Vejamos as teses que foram fixadas pela Suprema Corte:
Tema 235: Os serviços prestados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, inclusive aqueles em que a empresa não age em regime
de monopólio, estão abrangidos pela imunidade tributária recíproca (CF, art. 150, VI, a e §§ 2º e 3º).
Tema 402: Não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de encomendas realizado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT,
tendo em vista a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal.
Tema 644: A imunidade tributária recíproca reconhecida à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT alcança o IPTU incidente sobre
imóveis de sua propriedade e por ela utilizados, não se podendo estabelecer, a priori, nenhuma distinção entre os imóveis afetados ao serviço
postal e aqueles afetados à atividade econômica.
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 13/39
Questão 2010 | 4000001109
A Cia. de Limpeza do Município de Trás os Montes, empresa pública municipal, vendeu um imóvel de sua titularidade situado na rua Dois, da
quadra 23, localizado no nº 06.
Neste caso, o novo proprietário
A) não paga o imposto de transmissão de bens imóveis, em função de ser bem público.
B) �ca isento do imposto predial e territorial urbano, ante a imunidade do patrimônio público.
C) paga o IPTU, mas não paga o ITBI, uma vez que, nesta última hipótese, quem transmite a propriedade do bem é empresa pública.
D) �ca obrigado a pagar todos os tributos que recaiam sobre o bem.
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...)
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora
de serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023).
§ 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de
atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou
tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
(...).
Portanto, atenção: a partir da reforma tributária (EC 132/2023), a extensão da imunidade recíproca aos Correios (ECT) não "depende" mais da
jurisprudência do STF, pois foi expressamente colocada no texto constitucional, que assimilou os entendimentos produzidos ao longo de anos
pelo STF.
Portanto, a ECT ("Correios") tem imunidade ampla, inclusive em relação às atividades que não são serviços públicos em sentido estrito.
Para ouvir ao áudio correspondente, acesse o LDI.
Inexistência de imunidade para o promitente comprador de bem imóvel pertencente à entidade imune
De acordo com a ressalva feita na parte final do § 3º do art. 150 da CF/88, o promitente comprador de bem imóvel pertencente a ente imune não
"leva consigo” a imunidade. Vejamos:
CF/88: Art. 150 (...)
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de
atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou
tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
(...).
De fato, a imunidade recíproca é da pessoa política (subjetiva), e não do bem (objetiva).
Assim, acaso o domínio útil (que é fato gerador do IPTU, nos termos do art. 32 do CTN [2] sobre um bem imóvel pertencente a uma entidade imune
seja transferido a um particular não imune, no caso, por força de um contrato de promessa de compra e venda, esse, ou seja, o particular, passa a
estar obrigado ao pagamento do IPTU, nos termos do art. 150, § 3º, acima e do art. 34 do CTN [3].
Vejamos como isto já foi cobrado no Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 14/39
Solução
Gabarito: D) �ca obrigado a pagar todos os tributos que recaiam sobre o bem.
A questão gira em torno do seguinte aspecto: quem é o bene�ciário da imunidade tributária recíproca? A imunidade é "do bem" ou "da
pessoa" imune? Qual a consequência disto?
No caso:
> Determinada empresa pública municipal vendeu um imóvel de sua titularidade.
> O comprador supostamente é um particular (supostamente porque o enunciado não deixa isso claro).
> Eis o cerne da questão: o adquirente desse imóvel passa a ser obrigado ao pagamento do IPTU - Imposto sobre a Propriedade Predial e
Territorial Urbana? O quanto ao ITBI - Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis? Ele é devido pelo adquirente? O fato de o imóvel
ter sido adquirido de pessoa imune à incidência de impostos tem alguma implicação?
A resposta é dada pelo art. 150, inciso VI, alínea "a", da CF/88:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...).
Dentre as classi�cações possíveis, a doutrina divide as imunidades em subjetivas e objetivas: as imunidades subjetivas impedem a
tributação sobre determinadas pessoas (é o caso, por exemplo, da imunidade recíproca, que impede que as entidades federadas
tributem umas às outras por meio e impostos); diferentemente, as imunidades objetivas impedem a tributação sobre determinadas
situações ou objetos (é o caso, por exemplo, da imunidade dos livros). Pois bem: sendo a imunidade recíproca prevista no art. 150, inciso
VI, alínea "a", da CF/88 do tipo subjetiva (ou seja, da pessoa), ela "não acompanha" os bens da pessoa imune, de modo que o particular,
adquirente de bem imóvel pertencente a entidade imune, passa a �car obrigado ao pagamento de todos os impostos incidentes sobre o
bem, sobre o patrimônio ou sobre a sua transmissão. Portanto, no caso do problema em questão, o novo proprietário �ca obrigado a pagar
todos os tributos que recaiam sobre o bem, estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
O novo proprietário �ca obrigado ao pagamento de todos os impostos,pois a imunidade recíproca é do tipo subjetiva, ou seja, da pessoa imune,
e não do bem.
A letra B está incorreta. INCORRETA
O novo proprietário �ca obrigado ao pagamento de todos os impostos, pois a imunidade recíproca é do tipo subjetiva, ou seja, da pessoa imune,
e não do bem.
A letra C está incorreta. INCORRETA
O novo proprietário �ca obrigado ao pagamento de todos os impostos, pois a imunidade recíproca é do tipo subjetiva, ou seja, da pessoa imune,
e não do bem.
A letra D está correta. CORRETA
De fato, o novo proprietário �ca obrigado ao pagamento de todos os impostos, pois a imunidade recíproca é do tipo subjetiva, ou seja, da pessoa
imune, e não do bem.
Questão 2016 | 4000000861
Fulano de Tal prometeu adquirir de uma autarquia federal um imóvel residencial urbano. O sinal e parte substancial do preço são pagos no
momento da lavratura da escritura pública de promessa de compra e venda, que é prontamente registrada no Registro Geral de Imóveis (RGI)
competente. O saldo do preço será pago em várias parcelas.
O mesmo assunto também foi objeto de abordagem no XX Exame:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 15/39
Após o registro da promessa de compra e venda
A) passa a incidir o IPTU, a ser pago pela autarquia.
B)
continua a não incidir o IPTU, por força da imunidade da autarquia (cujo nome continua vinculado ao imóvel no RGI, ainda que agora a autarquia
�gure como promitente vendedora).
C) passa a incidir o IPTU, a ser pago solidariamente pela autarquia e por Fulano de Tal.
D) passa a incidir o IPTU, a ser pago por Fulano de Tal, uma vez que registrada no RGI a promessa de compra e venda do imóvel.
Solução
Gabarito: D) passa a incidir o IPTU, a ser pago por Fulano de Tal, uma vez que registrada no RGI a promessa de compra e venda do imóvel.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: bem imóvel pertencente a ente público que possui imunidade tributária, objeto de
contrato de promessa de compra e venda a um particular, permanece imune à incidência de impostos? Ou seja, o fato de a propriedade
em si não ser transmitida, diante da celebração de tão somente uma promessa de compra e venda, afasta ou não a incidência do IPTU -
Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana sobre o bem, considerando que o promitente vendedor é imune?
No caso:
> Fulano de Tal, um particular que não possui imunidade tributária, �rmou promessa de compra e venda com uma autarquia federal, que tem
por objeto um imóvel residencial urbano.
> O sinal e parte substancial do preço foram pagos no momento da lavratura da escritura pública de promessa de compra e venda e o saldo
será pago em várias parcelas.
> Essa escritura pública da promessa de compra e venda foi registrada no Registro Geral de Imóveis (RGI) competente.
> Eis o cerne da questão: o fato de Fulano de Tal não ter adquirido a propriedade do imóvel em si, mas tão somente o direito real de
promitente comprador, afasta ou não a incidência do IPTU sobre o bem, considerando que o promitente vendedor é imune?
A resposta é dada pela parte �nal do § 3º do art. 150 da CF/88 e pelos arts. 32, caput, e 34 do CTN:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
(...).
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com
exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou
pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao
bem imóvel.
(...).
CTN: Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a
propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como de�nido na lei civil, localizado na zona
urbana do Município.
(...).
CTN: Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
De acordo com o dispositivo constitucional em questão, o promitente comprador de bem imóvel pertencente a ente imune não "leva
consigo” o direito à imunidade tributária recíproca, pois essa - a imunidade - é da pessoa política (imunidade subjetiva) e não do bem
(quando a imunidade seria objetiva). Como a imunidade não é transmitida com o bem, e como o promitente comprador passa a ter o
domínio útil sobre o imóvel com o registro da escritura pública da promessa de compra e venda, passará ele a ser, então, o
contribuinte do IPTU, nos termos do que dispõe o CTN. Dessa forma, no caso do problema em questão, passará a incidir o IPTU, a ser pago
por Fulano de Tal, estando correta, assim, a LETRA D, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 16/39
De fato, passará a incidir o IPTU, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, o imposto não será pago pela autarquia, mas pelo
promitente comprador, que passou a praticar o fato gerador do tributo, caracterizado pela titularidade do domínio útil sobre o bem.
A letra B está incorreta.
INCORRETA
Ao contrário, passará a incidir o IPTU, pois o promitente comprador de bem imóvel pertencente a ente imune não "leva consigo” o direito à
imunidade tributária recíproca, pois essa - a imunidade - é da pessoa política (imunidade subjetiva) e não do bem (quando a imunidade seria
objetiva).
A letra C está incorreta.
INCORRETA
De fato, passará a incidir o IPTU, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, o imposto não será pago solidariamente pela
autarquia e por Fulano de Tal, mas somente pelo promitente comprador (Fulano de Tal), que passou a praticar o fato gerador do tributo,
caracterizado pela titularidade do domínio útil sobre o bem.
A letra D está correta.
CORRETA
De fato, passará a incidir o IPTU, a ser pago por Fulano de Tal, promitente comprador, uma vez a promessa de compra e venda de imóvel
devidamente registrada no Registro Geral de Imóveis con�gura fato gerador do imposto, pela titularidade do domínio útil. Paralelamente, o
promitente comprador e não "leva consigo” o direito à imunidade tributária recíproca, pois essa - a imunidade - é da pessoa política (imunidade
subjetiva) e não do bem (quando a imunidade seria objetiva).
Inexistência de imunidade de IPTU para o imóvel pertencente a entidade imune e que foi cedido a particular que atua no regime da livre concorrência
O STF também já decidiu, em Regime de Repercussão Geral, que incide o IPTU sobre imóvel pertencente a pessoa imune que se encontra cedido a
pessoa jurídica de direito privado, devedora de tributos:
Tema 437: Incide o IPTU, considerado imóvel de pessoa jurídica de direito público cedido a pessoa jurídica de direito privado, devedora do tributo.
A Suprema Corte entendeu que a imunidade recíproca prevista no art. 150, inciso VI, alínea "a", da CF/88 não foi concebida de modo a permitir que
empresa privada que atua livremente no desenvolvimento de atividade econômica usufrua de vantagem advinda da utilização de bem público.
Destacou que nem mesmo as pessoas jurídicas de direito público gozam da imunidade tributária quando desenvolvem atividade econômica (CF, art.
150, § 3º).
Pois bem. A explicação é a mesma feita no tópico acima, pois, se o domínio útil (que é fato gerador do IPTU, nos termos do art. 32 do CTN) sobre um
bem imóvel pertencente a uma entidade imune for transferido a um particular não imune, nesse caso, por força de um contrato de cessão de uso,
esse, ou seja, o particular, passa a estar obrigado ao pagamento do IPTU, nos termos do art. 150, § 3º, acima e do art. 34 do CTN.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Os Cartórios e Tabeliães extrajudiciais não têm direito à imunidade recíproca
O STFtambém já decidiu que os serviços de registros públicos, cartorários e notariais, não possuem imunidade tributária:
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ITENS 21 E 21.1. DA LISTA ANEXA À LEI
COMPLEMENTAR 116/2003. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISSQN SOBRE SERVIÇOS DE REGISTROS
PÚBLICOS, CARTORÁRIOS E NOTARIAIS. CONSTITUCIONALIDADE. Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada contra os itens 21 e 21.1 da Lista
Anexa à Lei Complementar 116/2003, que permitem a tributação dos serviços de registros públicos, cartorários e notariais pelo Imposto sobre
Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN. Alegada violação dos arts. 145, II, 156, III, e 236, caput, da Constituição, porquanto a matriz constitucional do
Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza permitiria a incidência do tributo tão-somente sobre a prestação de serviços de índole privada.
Ademais, a tributação da prestação dos serviços notariais também ofenderia o art. 150, VI, a e §§ 2º e 3º da Constituição, na medida em que tais
serviços públicos são imunes à tributação recíproca pelos entes federados. As pessoas que exercem atividade notarial não são imunes à
tributação, porquanto a circunstância de desenvolverem os respectivos serviços com intuito lucrativo invoca a exceção prevista no art. 150, §
3º da Constituição. O recebimento de remuneração pela prestação dos serviços confirma, ainda, capacidade contributiva. A imunidade recíproca é
uma garantia ou prerrogativa imediata de entidades políticas federativas, e não de particulares que executem, com inequívoco intuito lucrativo,
serviços públicos mediante concessão ou delegação, devidamente remunerados. Não há diferenciação que justifique a tributação dos serviços
públicos concedidos e a não-tributação das atividades delegadas. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida, mas julgada improcedente. (ADI
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 17/39
Imunidade Religiosa (dos templos de qualquer culto)
3089, Relator(a): CARLOS BRITTO, Relator(a) p/ Acórdão: JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 13/02/2008, DJe-142 DIVULG 31-07-
2008 PUBLIC 01-08-2008 EMENT VOL-02326-02 PP-00265 RTJ VOL-00209-01 PP-00069 LEXSTF v. 30, n. 357, 2008, p. 25-58)
Portanto, por exercerem atividade com intuito lucrativo, aplica-se a exceção prevista no art. 150, § 3º, da CF/88, aos serviços de registros
públicos, cartorários e notariais, razão pela qual não são imunes à incidência de impostos.
Imunidade e sucessão tributária
Muito embora seja um tema que ainda iremos estudar adiante (responsabilidade tributária), é cediço que o adquirente de bem imóvel, de
estabelecimento ou que sucede a qualquer título uma empresa com débitos tributários fica responsável por essa dívida (artigos 130 a 133 do CTN), ou
seja, a dívida tributária se transmite ao sucessor.
Se é assim, seria correto afirmar que uma entidade imune, ao incorporar determinado patrimônio que possui débitos tributários, teria direito à
anulação desses débitos por força da sua imunidade tributária?
Não! De acordo com o STF, a imunidade tributária não extingue os créditos tributários constituídos legitimamente em nome de pessoa
não imune à época de sua constituição, ainda que patrimônio sobre o qual recai o tributo venha a ser incorporado por uma pessoa imune.
Vejamos:
Tema 224: A imunidade tributária recíproca não exonera o sucessor das obrigações tributárias relativas aos fatos jurídicos tributários ocorridos antes
da sucessão.
Portanto, a Suprema Corte entende que a imunidade não alcança as hipóteses de incorporação de patrimônio com dívida tributária por entidade
imune, entendendo, ainda, por consequência disto, que devem ser aplicadas as regras de responsabilidade tributária previstas no CTN.
Por exemplo: acaso o poder público municipal incorpore em seu patrimônio um automóvel com débitos de IPVA, constituídos antes da
incorporação em nome de pessoa não imune, a responsabilidade sobre esses débitos será transferida ao Município, por força do art. 131, inciso
I, do CTN.
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea “b”, da CF/88, as entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais
e beneficentes, também têm a garantia da imunidade tributária:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023);
(...).
Essa imunidade visa tutelar a liberdade de crença e de prática religiosa, que a CF/88 garante no art. 5º, incisos VI e VIII. Assim, por "culto" entende-
se toda manifestação religiosa, alcançando os mais diversos credos, ainda que não predominantes na sociedade brasileira.
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 18/39
Imunidade dos Partidos Políticos, das Entidades Sindicais e das Instituições de Educação ou de Assistência
Social, Sem Fins Lucrativos
Pois bem. Observe - atenção - que o dispositivo constitucional em questão estende a imunidade de impostos às organizações assistenciais e
beneficentes das entidades religiosas, o que foi incluído no texto constitucional pela reforma tributária trazida pela EC 132/2023.
Assim, por exemplo: acaso uma entidade religiosa sustente um centro de educação infantil, um abrigo para pessoas em situação de
vulnerabilidade social, uma creche etc., essas atividades também serão alcançadas pela imunidade tributária de impostos em questão,
desde que sejam, atenção, organizações assistenciais e beneficentes.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Necessidade de relação com as finalidades essenciais da entidade
O § 4º do artigo 150 da CF/88 prescreve que a imunidade religiosa em questão é reconhecida somente àquilo que estiver relacionado com as
finalidades essenciais da entidade:
CF/88: Art. 150 (...)
§ 4º. As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as
finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.
(...).
Contudo, atenção: de acordo com o STF, essa relação com as finalidades essenciais pode ser direta ou indireta.
Nesse sentido, um imóvel pertencente a uma entidade religiosa que está alugado a uma pessoa não imune tem a garantia da imunidade se - e
somente se - o valor do aluguel for revertido às finalidades essenciais da entidade religiosa:
Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. A imunidade prevista no art. 150, VI, b, CF, deve
abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços ‘relacionados com as finalidades
essenciais das entidades nelas mencionadas’. O § 4º do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas b e c do inciso VI do
art. 150 da CF. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas." (RE 325.822 [4], Rel. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgamento em 15-12-2002,
Plenário, DJ de 14-5-2004.).
Nesse caso a relação do bem com as finalidades essenciais é considerada indireta.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
Hipóteses controvertidas
A imunidade tributária em questão é restrita aos templos de qualquer culto religioso, não se aplicando, assim, à maçonaria, em cujas lojas não se
professa qualquer religião (RE 562.351, rel. min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 4-9-2012, Primeira Turma, DJE de 14-12-2012.).
Quanto aos cemitérios, serão abrangidos pela imunidade tributária religiosa somente quando forem extensões de entidades de cunho religioso.
Quando não forem extensões de entidades religiosas, não haverá imunidade (RE 578.562, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 21-5-2008, Plenário,
DJE de 12-9-2008).
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=325822&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=325822&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=325822&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=325822&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
http://www.stf.jus.br/jurisprudencia/IT/frame.asp?PROCESSO=325822&CLASSE=RE&cod_classe=437&ORIGEM=IT&RECURSO=0&TIP_JULGAMENTO=M
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 19/39
Questão 2023 | 4000009781
Um grupo de empresários da área têxtil decidiu criar um sindicato dos empregadores daquele setor, para �ns de representação e defesa dos
interesses da categoria econômica.
Na assembleia geral ordinária constitutiva da instituição e para elaboração do estatuto social, surgiu a dúvida a respeito da possibilidade de
obtenção da imunidade tributária sobre o patrimônio, renda ou serviços das entidades sindicais. Presente uma equipe de advogados, estes
são incitados a se manifestarem a respeito.
Diante desse cenário, assinale a a�rmativa correta.
A) Não há previsão constitucional para imunidade tributária de impostos de sindicato de empregadores.
B) O setor têxtil se trata de categoria econômica que não permite o enquadramento na imunidade tributária de impostos dos sindicatos.
C)
Tal sindicato faz jus à imunidade tributária de impostos, desde que exerça suas atividades sem �nalidade lucrativa e atenda ao requisito de não
distribuição de qualquer parcela do seu patrimônio ou renda.
De acordo com o art. 150, inciso VI, alínea “c”, da CF/88, os partidos políticos, inclusive suas fundações, as entidades sindicais dos trabalhadores, as
instituições de educação e as instituições de assistência social sem fins lucrativos também têm imunidade tributária relativamente a impostos:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
(...).
Atenção: de acordo com o STF, a imunidade em questão alcança todo e qualquer imposto, e não somente aqueles que porventura poderiam
incidir sobre o patrimônio, renda ou serviços das entidades acima mencionadas. Logo, nenhum imposto pode incidir sobre as pessoas descritas
em tal dispositivo.
Assim, de acordo com o dispositivo constitucional em questão, estão abrangidos por esta imunidade tributária:
Os partidos políticos e suas fundações;
As entidades sindicais DOS TRABALHADORES;
As instituições privadas de educação SEM FINS LUCRATIVOS; e
As instituições privadas de assistência social SEM FINS LUCRATIVOS.
O tema acima foi objeto de questionamento no 39º Exame de Ordem:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 20/39
D)
Desde que os recursos provenientes das contribuições associativas sejam aplicados exclusivamente na sua área de atuação e vinculados a suas
�nalidades essenciais, tal sindicato poderá gozar da imunidade tributária de impostos.
Solução
Gabarito: A) Não há previsão constitucional para imunidade tributária de impostos de sindicato de empregadores.
A alternativa correta é a letra A.
A letra A está correta. Nos termos da Constituição: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União,
aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos,
inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem �ns lucrativos,
atendidos os requisitos da lei;”
Veri�ca-se, assim, que existe imunidade tributária para sindicato de empregadores, tendo a própria Constituição restringido à imunidade
apenas as entidades sindicais dos trabalhadores.
A letra B está incorreta. A Constituição não apresenta tal vedação.
A letra C está incorreta. Não existe imunidade tributária para sindicato de empregadores. De toda forma, para �ns de aprofundamento,
pertinente mencionar que os sindicados que gozam da imunidade devem observar o art. 14 do CTN: : “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso
IV do art. 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu
patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos
institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua
exatidão.”.
Aclarado que o art. 9º “c”, dispõe o seguinte: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: c) o patrimônio, a
renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e
de assistência social, sem �ns lucrativos, observados os requisitos �xados na Seção II deste Capítulo”
A letra D está incorreta. Não existe imunidade tributária para sindicato de empregadores. Vide, ainda, complemento na assertiva C.
Necessidade de relação com as finalidades essenciais da entidade
Já vimos que o § 4º do artigo 150 da CF/88 [5] prescreve que a imunidade em questão abrange somente aquilo que estiver relacionado com as
finalidades essenciais da entidade.
CF/88: Art. 150 (...)
§ 4º. As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as
finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas.
(...).
Contudo, também já vimos acima que essa relação pode ser direta ou indireta, conforme entende o STF:
Súmula 724 do STF: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo Art.
150, VI, c, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.
SV nº 52: Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”,
da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas.
Assim, por exemplo: uma dessas entidades referidas no art. 150, inciso VI, alínea “c” da CF/88 poderá alugar um imóvel de sua propriedade a
terceiro não imunes. Nesse caso o imóvel não estará diretamente relacionado com as finalidades essenciais da entidade, mas, se o valor dos
aluguéis for aplicado nas atividades essenciais de tais entidades, tem-se que a relação será indireta, permanecendo o imóvel imune ao IPTU.
Pois bem. Em julgamento sob o regime de Repercussão Geral, o STF também firmou a tese de que a imunidade de IPTU alcança inclusive os lotes
vagos, temporariamente ociosos, de propriedade de instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 21/39
Questão 2017 | 4000000763
O reitor de uma faculdade privada sem �ns lucrativos (cujas receitas, inclusive seus eventuais superávits, são integralmente reinvestidas no
estabelecimento de ensino) deseja saber se está correta a cobrança de impostos efetuada pelo �sco, que negou a pretendida imunidade
tributária, sob o argumento de que a instituição de ensino privada auferia lucros.
Na hipótese, sobre a atuação do �sco, assinale a a�rmativa correta.
A) O �sco agiu corretamente, pois a imunidade tributária apenas alcança instituições de ensino que não sejam superavitárias.
B) O �sco agiu corretamente, pois a imunidade tributária apenas alcança instituiçõespúblicas de ensino.
C) O �sco não agiu corretamente, pois não há impedimento à distribuição de lucro pelo estabelecimento de ensino imune.
D)
O �sco não agiu corretamente, pois, para que seja concedida tal imunidade, a instituição não precisa ser de�citária, desde que o superávit seja
revertido para suas �nalidades.
Solução
Gabarito: D)
O �sco não agiu corretamente, pois, para que seja concedida tal imunidade, a instituição não precisa ser de�citária, desde que o
superávit seja revertido para suas �nalidades.
A questão gira em torno dos seguintes aspectos: uma instituição de educação sem �ns lucrativos está impedida de auferir lucro se quiser
ter direito ao reconhecimento da imunidade tributária? Somente as instituições públicas de educação têm direito à imunidade? Ou
também as privadas?
No caso:
> Se trata de uma faculdade privada sem �ns lucrativos.
> Suas receitas, inclusive seus eventuais superávits, são integralmente reinvestidas no seu próprio estabelecimento de ensino.
> O Fisco lhe negou o direito à imunidade tributária, sob o argumento de que ela auferia lucros.
> Eis o cerne da questão: a conduta do Fisco está correta? A instituição de educação em questão tem ou não tem direito à imunidade
tributária?
A resposta é dada pelo art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88 e pelo art. 14 do CTN:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições
de educação e de assistência social, sem �ns lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
(...).
CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º (obs.: leia-se, no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88) é subordinado à
observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.
(...).
Tema 693: A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da CF/88 aplica-se aos bens imóveis, temporariamente ociosos, de propriedade
das instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos que atendam os requisitos legais.
Para assistir ao vídeo correspondente, acesse o LDI.
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 22/39
De acordo com o inciso I do art. 14 do CTN, o reconhecimento do direito à imunidade tributária às entidades de educação sem �ns
lucrativos (e também às de assistência social, previstas no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88) é subordinado à não distribuição de
qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (além da necessidade de atenderem, também, cumulativamente,
os incisos II e III do mesmo art. 14 do CTN). Pois bem: o que signi�ca "não ter �ns lucrativos" para �ns de imunidade tributária? Não ter "�ns
lucrativos" signi�ca, juridicamente, não distribuir os seus lucros (atendendo a vedação do inciso I do art. 14 do CTN em questão). Não
signi�ca, assim, que estão impedidas de ter lucro. Portanto, a entidade de educação "sem �ns lucrativos" pode ter lucro, isto é, pode
ser superavitária, e tem a garantia da imunidade tributária desde que esse lucro (superávit) seja reinvestido em suas �nalidades
essenciais (já que ela não pode distribuir lucros se quiser obter o direito à imunidade tributária). Por �m, as instituições de educação (e
também de assistência social) referidas no art. 150, inciso VI, alínea "c", da CF/88 são entidades de natureza privada (logo, essa norma de
imunidade é dirigida a entidades privadas), pois as públicas são alcançadas, em verdade, pela imunidade recíproca prevista na alínea "a" do
mesmo dispositivo constitucional. Logo, no caso do problema em questão, o �sco não agiu corretamente, pois, para que seja concedida tal
imunidade, a instituição não precisa ser de�citária, desde que o superávit seja revertido para suas �nalidades, estando correta, assim, a
LETRA D, que é o gabarito da questão.
A letra A está incorreta. INCORRETA
O �sco não agiu corretamente, pois a realização de lucro (superávit) não retira o direito à imunidade tributária, desde que esse lucro seja
reinvestido em suas �nalidades essenciais; a entidade não pode, em verdade, distribuir o seu lucro, a qualquer título, se quiser obter o direito
à imunidade tributária.
A letra B está incorreta. INCORRETA
O �sco não agiu corretamente, pois as instituições de educação (e também de assistência social) referidas no art. 150, inciso VI, alínea "c", da
CF/88 são entidades de natureza privada (logo, essa norma de imunidade é dirigida a entidades privadas). As públicas são alcançadas, em
verdade, pela imunidade recíproca prevista na alínea "a" do mesmo dispositivo constitucional.
A letra C está incorreta. INCORRETA
De fato, o �sco não agiu corretamente, o que torna a primeira parte da alternativa correta, porém, há impedimento legal à distribuição de lucro
pelo estabelecimento de ensino imune. Para �ns de reconhecimento do direito à imunidade tributária, ele não está impedido de ter lucro; só
não pode distribuir o seu lucro.
A letra D está correta. CORRETA
De fato, o �sco não agiu corretamente, pois, para que seja concedida tal imunidade, a instituição não precisa ser de�citária, desde que o
superávit (lucro) seja revertido para suas �nalidades.
Conforme consta na parte final da alínea “c” em questão, essas imunidades alcançam somente as entidades que atendam aos requisitos estabelecidos
em lei:
CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
VI - instituir impostos sobre:
(...)
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
(...).
Logo, diferentemente das outras estudadas acima (recíproca e religiosa), essa imunidade prevista na alínea "c" é condicionada, pois o seu gozo
depende do atendimento das condições estabelecidas em lei.
Pois bem: onde estão previstas essas condições? Em que lei?
Em atendimento ao inciso II do art. 146 da CF/88, que exige Lei Complementar para regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, das
quais a imunidade é espécie, estão dispostas no CTN, art. 14:
8. Imunidade Tributária
8. Imunidade Tributária 23/39
Imunidade do Livro, do Jornal, do Periódico e do papel destinado à sua impressão
CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.
(...).
Assim, são condições legais para o reconhecimento da imunidade para as entidades referidas na alínea "c" em questão:
Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título;
Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais;
Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.
O atendimento aos requisitos do art. 14 em questão deve ser continuado, sob pena de suspensão da imunidade:
CTN: Art. 14 (...)
§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente