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1 Tipos de Sociedades Empresariais 2 3 Sumário Sociedades empresárias Da sociedade comercial à sociedade empresária Tipos de sociedades existentes Sociedades personificadas Classificação das sociedades personificadas Sociedades simples Sociedade limitada Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedades personificadas por ações Sociedades anônimas Das ações Constituição das Sociedades Anônimas Valores mobiliários Capital social Administração social Direitos e deveres dos acionistas Demonstrações contábeis e partilha do lucro e prejuízos Dissolução da sociedade anônima Sociedade em comandita por ações Sociedades cooperativas CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 6 7 11 14 15 15 17 21 26 30 31 36 42 45 48 49 55 59 61 63 65 4 Sumário O nascimento do cooperativismo Informações adicionais sobre as sociedades cooperativas O cooperativismo e o capital social Cooperativismo, negócios sociais e ecossistemas Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 66 68 70 71 74 5 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 6 @faculdadelibano_ 1 Sociedades empresárias 7 Tipos de Sociedades Empresariais Capitulo 1 Sociedades empresárias Da sociedade comercial à sociedade empresária A sociedade com fins lucrativos, latu sensu, é tão antiga quanto à história da humanidade. Os primitivos uniam-se para caçar, plantar e trocar, otimizando ganhos e aumentando as chances de sua sobrevivência, no exato brocardo “a união faz a força”, comunhão de esforços que foi sendo aprimorada, ampliada e sofisticada ao longo dos séculos. Paulatinamente, às regras costumeiras se somaram regras escritas, a exemplo do Códigos de Hamurabi, do Antigo Testamento e do Direito grego (emporikái díkai – regras para o comércio terrestre). Guerras foram motivadas pelo comércio, como as Púnicas, entre 264 a 146 a.C., fruto do desejo de dominância dos romanos no mar Mediterrâneo, em que pese o Direito Romano situar os bens no âmbito dos direitos civis, não havendo evidências de um direito comercial autônomo. Na Idade Média, em especial da metade do século XII até a segunda metade do séc. XVI, anos 1150 ao 1700, havia intenso comércio na Europa e Ásia, com destaque para as cidades italianas, onde imperaram as corporações de ofício, associações que regularizavam as atividades religiosas, econômicas ou político-sociais, e as corporações de comerciantes, associações que regulamentavam as atividades comerciais, um avanço regulatório importante, considerando que as atividades eram desenvolvidas no modelo familiar, lastreadas na affectio societatis. Objetivos Ao término deste capítulo, você vai conhecer as sociedades empresárias, regulamentadas nas leis brasileiras, em especial a evolução da sociedade comercial para essa sociedade empresária. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 8 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades empresárias Capitulo 1 Nesta mesma época, também com base no modelo familiar, maias, incas e astecas mantiveram intrincada e eficiente rede comercial, inclusive com transporte de mercadorias e pessoas entre o Atlântico e o Pacífico, especialmente, nas áreas hoje ocupadas pela América Central e México. Entre 1760 e 1840, entretanto, o boom tecnológico da Revolução Industrial começou a mudar o modelo familiar para o modelo comercial, focado na produção em série. Sob o império das ideias iluministas francesas do Estado Mínimo e do lassez fare (deixar fazer), o movimento liberalista político-econômico e a iniciativa privada sobrepujaram o regime estatal totalitarista e as sociedades comerciais adquiriram, definitivamente, vertente capitalista, com norte no lucro. No Brasil, a primeira Carta Régia, promulgada por Dom João VI, em 28 de janeiro de 1808, quatro dias após aportar no Brasil, abriu os portos e inseriu a então Colônia no comércio exterior, dando início a um próspero período comercial. Durante o reinado de Dom Pedro II, foi promulgado o Código Comercial de 1850, Lei n° 556, e decretado o Processo Comercial, Regulamento n° 737, normas que mudaram paradigmas legais, econômicos e sociais, sendo as mais importantes: a. Permissão para mulheres solteiras e viúvas exercerem o comércio em nome próprio, sem autorização de pais, filhos ou tutores, presumida tácita a autorização marital das casadas. Com os homens lutando em 41 guerras entre 1700 e 1850, coube às mulheres assumir os estabelecimentos comerciais familiares, criar e manter filhos e agregados. A economia da nação era dependente da força de trabalho feminina. b. Normatização de obrigações e prerrogativas - registro de empresas e atos comerciais no Registro do Comércio; exigência de escrituração fiscal; mínimo de 25 anos para a corretagem, proibida a mulheres e estrangeiros; dilação da praça de comércio para além do estabelecimento físico; concorrência cambial para regulação de preços etc. c. Formalização de direitos e obrigações financeiras e civis para fins ou decorrentes de atos comerciais, com aplicação subsidiária das leis civis - mandato, contratos de mútuo e empréstimos, responsabilidade civil, empreitada, obras, locação mercantil, compra e venda, comissão, troca ou escambo, fiança, cartas de crédito e abonos, hipoteca e penhor mercantis e depósito mercantil. 9 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades empresárias Capitulo 1 d. Regulamentação dos atos comerciais dos banqueiros e agentes de comércio - condutores de gêneros e transportes, trapicheiros e administradores de armazéns de depósito, feitores, guarda- livros e caixeiros, agentes de leilões e corretores. e. Reconhecimento e efetivação de diretos e obrigações dos sócios, constituição, funcionamento, dissolução, liquidação, extinção e quebra de companhias e sociedades comerciais de capital ou trabalho por quotas de participação, anônimas, em comandita, em nome coletivo ou com firma, de capital e indústria. f. Normatização dos títulos de crédito - letras de câmbio, notas promissórias e créditos mercantis. g. ‘Regulamentação do comércio marítimo. Um simples correr de olhos pelo Código Comercial, que reuniu regras e costumes já sedimentados, comprova práticas comerciais intensas e a existência de vários tipos de sociedades empresariais no Brasil, por 152 anos lastreadas na honra, na verdade, no cumprimento da palavra empenhada e em muitas leis espaças, que foram surgindo para suprir exigências comerciais e empresariais, até a entrada em vigência do Código Civil, em 11 de janeiro de 2003. Na segunda metade do século XX, o conceito de empresa mudou profundamente. Extrapolou a intermediação de mercadorias, no atacado ou no varejo, e atingiu status de atividade especializada, assentada em princípios técnicos, leis econômicas e concorrenciais, que se entrelaçam a outras ciências como administração de empresas, direito, psicologia, finanças, contabilidadeao público, ou com a utilização dos serviços públicos de comunicação. (BRASIL, 1976) No ato da subscrição, que é um ato irretratável, os sócios devem concretizar o pagamento da entrada e assinar a lista ou o boletim individual, autenticado pela instituição financeira. Ato seguinte, os sócios fundadores devem convocar a primeira assembleia, promover a avaliação dos bens e, se for o caso (art.8º, LSA), deliberar sobre a constituição da companhia e nomear os primeiros administradores. 3. Providências Complementares - os atos, instruídos com os documentos exigidos para o registro público, são registrados, na Junta Comercial, e publicados no Diário Oficial nos trinta dias posteriores (arts. 94 a 99, LSA). • A constituição por subscrição particular é muito mais simples. Os sócios fundadores deliberam a criação da sociedade anônima numa assembleia de fundação com a assinatura imediata do estatuto por todos os subscritores, ou o fazem por escritura pública na qual conste a qualificação dos subscritores, as cláusulas estatutárias, a relação das ações subscritas e o valor pago por elas, o recibo do depósito da entrada de 10% ou 50%, conforme o caso, a transcrição do laudo de avaliação dos peritos se o capital social for integralizado em bens, e a nomeação dos primeiros administradores e fiscais (art. 88, parágrafo 2°, LSA). Algumas regras são comuns às duas formas de constituição: a. Exigência da escritura pública, quando houver incorporação em bens imóveis na formação do capital social (art. 89, LSA). b. Possibilidade de representação do subscritor por procurador com poderes especiais, na assembleia de fundação ou no momento da assinatura da escritura pública (art. 90, LSA). c. Denominação da companhia, acompanhada da expressão “em organização”, durante o processo de constituição (art. 91, LSA). 45 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 d. Responsabilidade solidária dos fundadores e underwriting por prejuízos, decorrentes de descumprimento da lei, por culpa ou dolo em atos anteriores à constituição (art. 92, parágrafo único, LSA). e. Entrega dos livros, papéis e documentos de constituição da sociedade anônima para os primeiros administradores (art. 93, LSA). f. Registro e publicação dos atos constitutivos da empresa (art. 94, LSA). Concluídas todas estas etapas, a sociedade anônima poderá iniciar as suas atividades e o administrador deve providenciar a mudança de titularidade dos bens móveis e imóveis. No caso de bens imóveis, a certidão dos atos constitutivos, expedida pela Junta Comercial, equivale à escritura pública e é suficiente para a mudança de propriedade no Cartório de Registro de Imóveis. Valores mobiliários Além dos bens subscritos no estatuto, ao longo da sua vida, as sociedades anônimas podem emitir títulos de investimento ou valores mobiliários, com o objetivo de levantar recursos. São valores mobiliários: a. Partes Beneficiárias - são títulos negociáveis, com duração de no máximo dez anos, determinada nos estatutos, sem valor nominal e estranhos ao capital social, passíveis de alienação ou atribuição onerosa para pagamento de prestação de serviços. Os credores não são e não têm os mesmos direitos dos acionistas, exceto o de fiscalização. O limite para o pagamento não pode ultrapassar um décimo do lucro e qualquer modificação nos estatutos, para alteração ou modificação dos benefícios das partes beneficiárias, precisa ser aprovado em assembleia, por no mínimo metade dos titulares (arts. 46 a 51, LSA). As partes beneficiárias podem conter cláusula de conversibilidade em ações, se a emissora constituir uma reserva especial para capitalização. 46 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 A emissão desses títulos é proibida para as companhias abertas. b. Debêntures - são títulos de crédito representativos de empréstimo, mútuo com transferência de bens fungíveis, que a sociedade anônima realiza junto a terceiros, assegurando-lhes o direito de crédito contra ela, nas condições da escritura de emissão e do certificado, se expedido, nos quais conte: valor, índice de correção monetária, data do vencimento da obrigação, cláusula de conversibilidade em ações etc. (arts. 52 a 74, LSA). As debêntures são de quatro espécies: 1. Com garantia real - recaem sobre bens móveis e imóveis. 2. Com garantia flutuante - o titular do crédito tem preferência sobre os credores quirografários, se a companhia emissora falir. 3. Quirografária - o titular do crédito concorre com os demais credores, sem garantia, na massa falida. 4. Subordinada ou subquirografária - o titular do crédito tem preferência sobre os acionistas, se a devedora falir. Não podem ser agentes fiduciários: quem exerce função idêntica em outra emissão da mesma companhia; instituição financeira coligada à companhia emissora ou à entidade que subscreva a emissão; credores da sociedade emissora ou suas controladas; instituição financeira cujos administradores tenham interesse na sociedade emissora; e qualquer pessoa em situação de conflito de interesses pelo exercício da função. c. Bônus de subscrição - são títulos de investimento que conferem aos credores o direito de subscrever ações da sociedade anônima emissora em aumento futuro de capital (arts. 75 a 79, LSA). d. Nota promissória - a oferta pública de distribuição de notas promissórias está regulamentada na Instrução CVM 566/2015. É valor mobiliário de curto prazo para captação de recursos, com regra geral para liquidação e resgate em dinheiro, no prazo de até 360 dias da emissão, com uma única data de vencimento por série, e endosso em preto, com a expressão “sem garantia”, informada no título. Como nas demais sociedades empresárias, o capital social da sociedade anônima pode ser integralizado em espécie ou em bens corpóreos ou incorpóreos, móveis, imóveis ou 47 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 semoventes. A diferença é que, na sociedade anônima, os bens devem ser avaliados em laudo, firmado por três peritos ou por empresa especializada, no qual conste ampla e detalhada descrição dos bem e os critérios e elementos de comparação, utilizados na avaliação, acompanhado dos documentos comprobatórios da propriedade, a fim de evitar fraudes. O laudo é analisado pela assembleia-geral e, somente após aprovado, o bem pode ser integralizado. (art. 7° c/c art. 8°, LSA) Se pesar gravame sobre o bem e isso não ficar claro no laudo, presume-se transferida a propriedade para empresa (art. 9°, LSA). Avaliadores e subscritores respondem solidariamente pelos danos que causarem por dolo ou culpa na avaliação dos bens. Porém, se os bens estiverem em condomínio, a responsabilidade pelos danos causados à empresa, acionistas e terceiros, é subsidiária (parágrafo 6°, art. 8°, LSA). O mesmo ocorre em caso de endosso sem garantia ou proibitivo. Embora a regra geral não vincule o endossante como coobrigado perante terceiros, nas sociedades anônimas, a cláusula de endosso exoneratória, sem garantia, é sempre ineficaz e obriga o endossante perante terceiros, ainda que isso seja improvável, já que o certificado da integralização por transferência de crédito só é expedido, após a realização (art. 23, parágrafo 2°, LSA). A responsabilidade civil não exclui a responsabilidade penal, administrativa ou tributária. Importante Como a Lei Especial prepondera sobre a Lei Geral, o parágrafo único, do art. 10, da Lei 6.404/1976, excepciona a regra geral do art. 296, do Código Civil, que isenta de responsabilidade civil o cedente na insolvência do devedor, ou seja, nas sociedades anônimas, subscritores ou acionistas que contribuírem com bens para a formação do capital social respondem solidariamente com o vendedor. 48 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Capital social No decorrer da vida da sociedade anônima, o capital social pode, ser aumentadoou diminuído, e nem sempre pelo ingresso ou perda de recursos. Os aumentos podem ser por meio de: a. Emissão de ações - a autorização da emissão de novas ações deve ser decidida e votada em assembleia-geral, assembleia extraordinária ou pelo conselho de administração, desde que realizado, no mínimo, 3/4 do capital social, ou no limite do capital, autorizado no estatuto (art. 166, incisos I e II e IV, c/c art. 170, LSA). Se o estatuto fixar o capital autorizado, precisa indicar o órgão competente para autorizar a emissão das novas ações (art. 168, LSA). Inexistindo permissão para a emissão de novas ações ou havendo esgotamento das possibilidades previstas no estatuto, ele pode ser reformado em assembleia extraordinária, com inserção de cláusula para fixação do capital autorizado e definição do órgão autorizador (art. 166, inciso IV). b. Valores mobiliários ou título financeiro - é um título de propriedade ou de crédito, emitido pela conversão de debêntures ou partes beneficiárias conversíveis em ações, ou ainda pelo exercício de direitos, conferidos por bônus de subscrição ou opção de compra. (art. 166, III, LSA) c. Capitalização de lucros e reservas - é a destinação de parte do lucro líquido ou das reservas para reforço do capital social, com ou sem emissão de ações, autorizada pela assembleia-geral ordinária (art. 169, LSA). A redução do capital social é possível, sempre que ele deixar de refletir a realidade financeira por prejuízos patrimoniais ou por superdimensionamento no valor das ações, mas carreia para a empresa o dever de restituir o preço do capital integralizado para os acionistas ou diminuir o valor das ações não integralizadas ao montante das entradas (arts. 173 e 174, LSA). Credores quirografários podem opor-se à diminuição do capital no prazo decadencial de sessenta dias, após a publicação da ata da assembleia ou da decisão que a aprovou. O arquivamento da ata na Junta Comercial fica condicionada à prova do pagamento ou depósito judicial do crédito devido a eles (parágrafos 1° e 2°, art. 174, LSA). 49 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Se houver debêntures em circulação, o capital social somente poderá ser diminuído com a concordância da maioria dos debenturistas, reunidos em assembleia especial (parágrafo 3°, art. 174, LSA). Administração social A Lei 6.404/1976 estabelece, nos artigos 145 a 160, regras gerais para o exercício da administração societária e da direção, e denomina como órgãos societários a assembleia-geral, a diretoria, o conselho de administração e o conselho fiscal, sem prejuízo da liberdade estatutária de estabelecer outros para assessoramento ou execução do fim social. A assembleia-geral é o órgão máximo da sociedade anônima, de caráter exclusivamente deliberativo, que reúne todos os acionistas, com ou sem direito a voto. Os detentores de ações preferenciais nominativas têm voz nas assembleias, mas só podem votar na tomada de algumas decisões, como a constituição da sociedade anônima e a eleição em separado dos membros dos conselhos administrativo e fiscal etc. (parágrafo único, art. 125, LSA). A Lei 6.404/1976 exige a realização da assembleia-geral, nos seguintes termos: Art. 132. Anualmente, nos quatro primeiros meses seguintes, ao término do exercício social, deverá haver uma assembleia-geral para: I. - Tomar as contas dos administradores, examinar, discutir e votar as demonstrações financeiras. II. - Deliberar sobre a destinação do lucro líquido do exercício e a distribuição de dividendos. III. - Eleger os administradores e os membros do conselho fiscal, quando for o caso. IV. - Aprovar a correção da expressão monetária do capital social (artigo 167). (BRASIL, 1976) 50 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Para a instalação da assembleia-geral, a lei exige, em primeira convocação, a presença de 1/4 dos acionistas com poder de voto (art. 125, LSA), ampliada para 2/3, se o objetivo for a reforma dos estatutos (art. 135, LSA) e, em segunda convocação, nos dois casos, qualquer número. Já para a deliberação, a lei exige maioria absoluta, ou seja, metade mais um do total de ações com direito a voto, descontados os votos em branco (art. 129, LSA). O estatuto das sociedades anônimas de capital fechado pode estabelecer quórum maior para a tomada de decisões. A exceção é o quórum qualificado do art. 136, que exige, no mínimo, a aprovação de metade do capital votante. Art. 136. É necessária a aprovação de acionistas que representem metade, no mínimo, das ações com direito a voto, se maior quórum não for exigido pelo estatuto da companhia cujas ações não estejam admitidas à negociação em bolsa ou no mercado de balcão, para deliberação sobre: I. - Criação de ações preferenciais ou aumento de classe de ações preferenciais existentes, sem guardar proporção com as demais classes de ações preferenciais, salvo se já previstos ou autorizados pelo estatuto. II. - Alteração nas preferências, vantagens e condições de resgate ou amortização de uma ou mais classes de ações preferenciais, ou criação de classe mais favorecida. III. - Redução do dividendo obrigatório. IV. - Fusão da companhia ou sua incorporação em outra. V. - Participação em grupo de sociedades (art. 265). VI. - Mudança do objeto da companhia. Importante Quórum de instalação e quórum de deliberação são conceitos diferentes. O primeiro é um o número mínimo de acionistas para dar início às reuniões e o segundo, o número mínimo necessário para decisões. Nem sempre o quórum de instalação é suficiente para as decisões societárias. 51 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 VII. - Cessação do estado de liquidação da companhia. VIII. Criação de partes beneficiárias. IX. I- Cisão da companhia. X. - Dissolução da companhia. § 1° Nos casos dos incisos I e II, a eficácia da deliberação depende de prévia aprovação ou da ratificação, em prazo improrrogável de um ano, por titulares de mais da metade de cada classe de ações preferenciais prejudicadas, reunidos em assembleia especial, convocada pelos administradores e instalada com as formalidades desta Lei. § 2° A Comissão de Valores Mobiliários pode autorizar a redução do quórum previsto neste artigo, no caso de companhia aberta com a propriedade das ações dispersa no mercado, e cujas 3 (três) últimas assembleias tenham sido realizadas com a presença de acionistas, representando menos da metade das ações com direito a voto. Neste caso, a autorização da Comissão de Valores Mobiliários será mencionada nos avisos de convocação e a deliberação com quórum reduzido somente poderá ser adotada em terceira convocação. § 3 O disposto no § 2o deste artigo aplica-se também às assembleias especiais de acionistas preferenciais de que trata o § 1°. § 4º Deverá constar da ata da assembleia-geral que deliberar sobre as matérias dos incisos I e II, se não houver prévia aprovação, que a deliberação só terá eficácia após a sua ratificação pela assembleia especial prevista no § 1°. (BRASIL, 1976) Havendo empate, aplica-se o parágrafo 2°, do art. 129, da Lei 6.404/1976: § 2º No caso de empate, se o estatuto não estabelecer procedimento de arbitragem e não contiver norma diversa, a assembleia será convocada, com intervalo mínimo de 2 (dois) meses, para votar a deliberação; se permanecer o empate e os acionistas não concordarem em cometer a decisão a um terceiro, caberá ao Poder Judiciário decidir, no interesse da companhia. (BRASIL, 1976) Prescreve em dois anos a ação para a anulação de deliberações da assembleia, por vício de convocação ou de instalação, ou ainda por desprezo à lei ou às regras estatutárias, erro, dolo, fraude ou simulação (art. 286, LSA). 52 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 O conselho de administração, composto por no mínimo três conselheiros com mandatode três anos, no máximo, é facultativo nas sociedades anônimas de capital fechado, mas obrigatório nas de capital aberto, capital autorizado e nas sociedades de economia mista, e divide com a assembleia-geral o poder deliberativo (parágrafo 2°, art. 138, c/c art. 239, LSA). Cabe ao estatuto definir: um número fixo, ou o mínimo e o máximo de conselheiros, obrigatoriamente acionistas; a forma de escolha e substituição do presidente do conselho, pela assembleia ou pelo próprio conselho; as regras para a substituição dos conselheiros; o prazo de gestão, até o máximo de três anos, permitida a reeleição; as normas para convocação, instalação e funcionamento do conselho; e as regras para as deliberações. Os membros do conselho só podem ser destituídos pela assembleia- geral. E, no silêncio do estatuto, a lei exige que o conselho delibere sempre por maioria de votos (art. 140 e 146, LSA). A diretoria é o órgão que representa, legalmente, a sociedade anônima e executa as resoluções da assembleia-geral e do conselho de administração. Os cargos de direção só podem ser ocupados por acionistas, eleitos pelo conselho de administração ou pela assembleia- geral, mas a lei permite que sejam ocupados por até 1/3 dos membros do conselho administrativo. Todos podem ser destituídos a qualquer tempo. Na falta de previsão estatutária, qualquer um dos diretores pode representar legalmente a sociedade e praticar os atos necessários ao seu funcionamento regular, inclusive nomear mandatários com objetivo e prazo determinados, exceto para a representação judicial (art. 144, LSA). O estatuto deve prever: o número mínimo (acima de dois) e máximo de membros da diretoria; a duração do mandato até três anos, permitida a reeleição; a regras para a substituição dos diretores; suas competências e atribuições (art. 143, LSA). É dever da diretoria, ao fim de cada exercício social, providenciar a escrituração mercantil e comprovar, pelas demonstrações financeiras contábeis, o patrimônio real da empresa e eventuais mutações (art. 176, LSA). O conselho fiscal, composto por no mínimo três e no máximo cinco membros, acionistas ou não, com suplentes em igual número, todos eleitos pela assembleia-geral, tem a 53 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 incumbência de fiscalizar os órgãos de administração. É órgão de instalação obrigatória, mas de funcionamento facultativo, se houver previsão estatutária neste sentido (art. 161 e art. 163, LSA), mas que pode ser tornada factual por proposta de qualquer acionista “com 0,1 (um décimo) das ações com direito a voto, ou 5% (cinco por cento) das ações sem direito a voto, e cada período de funcionamento terminará na primeira assembleia- geral ordinária após a sua instalação.” (parágrafo 2°, art. 161, LSA). Os membros do conselho fiscal têm os mesmos direitos e deveres dos administradores, mas não podem exercer, concomitantemente, nenhum cargo de administração. Cônjuges e parentes, até terceiro grau dos administradores, tampouco podem ser membros do conselho fiscal (parágrafo 2°, art. 162). Os acionistas preferenciais sem direito a voto podem eleger, separadamente, um membro do conselho fiscal, direito estendido aos acionistas minoritários que representem 10% do capital votante (art. 161, parágrafo 4°, LSA). São deveres legais dos diretores e administradores, sem prejuízo de outros previstos no estatuto: o Dever de diligência (art. 153 e 154, LSA); o Dever de lealdade (art. 155 a 157, LSA, e parágrafo 1°, inciso XI, art. 195, Lei 9.279/1996); e o Dever de informar (art. 157 a 159, LSA). A prescrição, na Lei 6.404/1976, se dá nos seguintes prazos e termos: Art. 287 prescreve: I. - Em um ano: a. A ação contra peritos e subscritores do capital, para deles haver reparação civil pela avaliação de bens, contado o prazo da publicação da ata da assembleia- geral que aprovar o laudo. b. A ação dos credores não pagos contra os acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da companhia. II. - Em três anos: 54 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 a. A ação para haver dividendos, contado o prazo da data em que tenham sido postos à disposição do acionista. b. A ação contra os fundadores, acionistas, administradores, liquidantes, fiscais ou sociedade de comando, para deles haver reparação civil por atos culposos ou dolosos, no caso de violação da lei, do estatuto ou da convenção de grupo, contado o prazo: 1. - Para os fundadores, da data da publicação dos atos constitutivos da companhia. 2. - Para os acionistas, administradores, fiscais e sociedades de comando, da data da publicação da ata que aprovar o balanço, referente ao exercício em que a violação tenha ocorrido. 3. - Para os liquidantes, da data da publicação da ata da primeira assembleia-geral posterior à violação. c. A ação contra acionistas para restituição de dividendos recebidos de má-fé, contado o prazo da data da publicação da ata da assembleia-geral ordinária do exercício em que os dividendos tenham sido declarados. d. A ação contra os administradores ou titulares de partes beneficiárias para restituição das participações no lucro recebidas de má-fé, contado o prazo da data da publicação da ata da assembleia-geral ordinária do exercício em que as participações tenham sido pagas. e. A ação contra o agente fiduciário de debenturistas ou titulares de partes beneficiárias para dele haver reparação civil por atos culposos ou dolosos, no caso de violação da lei ou da escritura de emissão, a contar da publicação da ata da assembleia-geral que tiver tomado conhecimento da violação. f. A ação contra o violador do dever de sigilo de que trata o artigo 260 para dele haver reparação civil, a contar da data da publicação da oferta. g. A ação movida pelo acionista contra a companhia, qualquer que seja o seu fundamento. (BRASIL, 1976) Além da responsabilidade civil e penal, os administradores também respondem, administrativamente, perante a Comissão de Valores Mobiliários – CVM por desrespeito ao dever de anonimato (art. 11, Lei 6.385/76); por danos ao consumidor, resultantes de má administração (art. 28, CDC); subsidiariamente pelas obrigações fiscais e trabalhistas; 55 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 E no caso das operadoras de saúde, respondem também pelos danos causados por prestadores de serviço e fornecedores que infrinjam as leis consumeristas (art. 35-J, Lei 9.656/1998). Direitos e deveres dos acionistas Quanto aos acionistas, seu principal dever é pagar o preço de emissão das ações que subscreverem, na forma prevista no estatuto (art. 106, LSA). O acionista em débito que por três vezes for notificado por meio de publicação na imprensa oficial para pagar no prazo mínimo de trinta dias e não o fizer, estará constituído automaticamente em mora, passando ao status de acionista remisso. O débito, acrescido de correção monetária, juros e multa de até 10%, nos termos da regulamentação estatutária, pode ser objeto de ação executória, servindo o boletim de subscrição como título executivo extrajudicial. Os comprovantes da publicação na imprensa oficial devem instruir a inicial. Outra opção, tanto para as companhias de capital aberto como para as de capital fechado, e mesmo após o ajuizamento da execução, é a venda das ações subscritas e não quitadas em Bolsa, em leilão especial. Quitado o débito, se houver saldo, ele é entregue ao ex-acionista. Se o remisso não tiver bens executáveis e a venda das ações em Bolsa resultar infrutífera, a sociedade anônima pode declarar a caducidade das ações com retenção da entrada, se tiver sido realizada, ou integralizá- las, pagando por elas com fundos ou reservas (exceto a legal), somando- as ao patrimônio social. A importância a ser paga ao acionista remisso equivale ao resultado, obtido com a divisão do patrimôniolíquido da sociedade, apurado no último balanço, pelo número de ações, facultado ao devedor pedir o levantamento de um balanço especial para apurar o valor atualizado e econômico das ações (art. 45, LSA). Na falta de integralização das ações pela própria empresa, elas devem ser alienadas no prazo de um ano, sob pena de redução do capital. São direitos essenciais dos acionistas, previstos na Lei da S.A: 56 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Art. 109. Nem o estatuto social nem a assembleia-geral poderão privar o acionista dos direitos de: I. - Participar dos lucros sociais. II. - Participar do acervo da companhia, em caso de liquidação. III. - Fiscalizar, na forma prevista nesta Lei, a gestão dos negócios sociais. IV. - Preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição, observado o disposto nos artigos 171 e 172. V. - Retirar-se da sociedade, nos casos previstos nesta Lei. § 1° As ações de cada classe conferirão iguais direitos aos seus titulares. § 2° Os meios, processos ou ações que a lei confere ao acionista para assegurar os seus direitos não podem ser elididos pelo estatuto ou pela assembleia-geral. § 3° O estatuto da sociedade pode estabelecer que as divergências entre os acionistas e a companhia, ou entre os acionistas controladores e os acionistas minoritários, poderão ser solucionadas mediante arbitragem, nos termos em que especificar. (BRASIL, 1976) O direito de voto não é essencial e nem pode ser exercido por qualquer acionista. Porém, quando exercido, o voto deve ser livre e de boa-fé. O voto abusivo ou conflitante é expressamente vedado, sob pena de responsabilidade civil e penal. Voto abusivo é aquele que cause ou possa causar dano, ou favoreça a percepção de vantagem indevida para o próprio acionista ou para outrem, com prejuízo para a sociedade empresária ou outros acionistas (art. 115, LSA). O voto conflitante, passível de anulação, sem prejuízo da responsabilidade civil, é todo aquele que coloca em xeque os interesses do acionista frente aos interesses da empresa (parágrafo 1°, art. 115, LSA). Porém, não há impedimento legal para que os acionistas firmem, livremente, acordo de voto, protegido pelo anonimato e regido pela lei civil geral dos contratos, se o objeto da votação envolver o poder de controle, o exercício do direito de voto, a compra e venda de ações ou a preferência de aquisição, desde que eles sejam arquivados na empresa (art. 118, LSA). 57 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 A sociedade anônima não pode desatender os termos do acordo de voto, sob pena de ser impelida, judicialmente, a acatar a vontade contratual dos acionistas. Se no acordo houver previsão do direito de preferência, a empresa não tem legitimidade para compelir o contratante a respeitar o acordado e nem para registrar a venda de ações a terceiros. É o acionista preterido no direito de preferência quem tem legitimidade para pedir ao judiciário o cumprimento da avença. Quanto ao acionista controlador, a Lei 6.404/1976 o define como aquele que, simultaneamente, é titular permanente dos direitos de sócio com maioria dos votos nas deliberações da assembleia-geral e poder para eleger a maioria dos administradores, e pode dirigir e orientar as atividades sociais e o funcionamento dos órgãos societários (art. 116, LSA). O controlador responde pelo abuso do poder e pelos danos e prejuízos advindos do controle, nos seguintes termos: Art. 117. O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder. § 1º São modalidades de exercício abusivo de poder: a. Orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da economia nacional. b. Promover a liquidação de companhia próspera, ou a transformação, incorporação, fusão ou cisão da companhia, com o fim de obter, para si ou para outrem, vantagem indevida, em prejuízo dos demais acionistas, dos que trabalham na empresa ou dos investidores em valores mobiliários, emitidos pela companhia. c. Promover alteração estatutária, emissão de valores mobiliários ou adoção de políticas ou decisões que não tenham por fim o interesse da companhia e visem a causar prejuízo a acionistas minoritários, aos que trabalham na empresa ou aos investidores em valores mobiliários emitidos pela companhia. d. Eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente. 58 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 e. Induzir, ou tentar induzir, administrador ou fiscal a praticar ato ilegal, ou, descumprindo seus deveres definidos nesta Lei e no estatuto, promover, contra o interesse da companhia, sua ratificação pela assembleia-geral. f. Contratar com a companhia, diretamente ou por meio de outrem, ou de sociedade na qual tenha interesse, em condições de favorecimento ou não equitativas. g. aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que justifique fundada suspeita de irregularidade. h. Subscrever ações, para os fins do disposto no art. 170, com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. § 2º No caso da alínea e do § 1º, o administrador ou fiscal que praticar o ato ilegal responde solidariamente com o acionista controlador. § 3º O acionista controlador que exerce cargo de administrador ou fiscal tem também os deveres e responsabilidades próprios do cargo. (BRASIL, 1976) Se a sociedade anônima for instituição financeira, o controlador responde solidariamente com os ex-administradores, por danos e prejuízos perante o Banco Central, se instaurado o regime de administração especial temporária (art. 15, Decreto-lei n. 2.321/1987), a liquidação extrajudicial ou a intervenção (Lei n. 9.447/1997). Incidem em idêntica responsabilidade o controlador de seguradora, de entidade de previdência privada aberta e de capitalização (Lei n. 10.190/2001). A Lei 9.447/1997 regulamenta especificamente a responsabilidade solidária dos administradores das sociedades anônimas que forem instituições financeiras. A alienação das ações de controle das companhias abertas pode ser feita de forma direta ou indireta, em oferta pública e com autorização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM. (art. 254-A, LSA). As sociedades anônimas que dependem de autorização estatal para a sua constituição, só poderão ter o controle acionário alienado com autorização do órgão competente para aprovar o seu estatuto (art. 255, LSA). 59 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Demonstrações contábeis e partilha do lucro e prejuízos Quanto às demonstrações contábeis das sociedades anônimas, a exemplo das sociedades limitadas, elas devem ser apresentadas aos acionistas e publicadas ao fim de cada exercício social, tanto para provar a real solvabilidade da empresa, como a necessidade ou possibilidade de acrescer ou diminuir a quantidade de ações, estabelecer diretrizes de gestão, comprovar o pagamento das obrigações tributárias, trabalhistas, judiciárias etc. O exercício social não necessariamente precisa seguir o ano calendário. Em que pese, por praticidade seja usual delimitá-lo de 1° de janeiro a 31 de dezembro, o período de 12 meses pode ser, livremente, estabelecido nos estatutos (art. 175, LSA). As demonstrações financeiras devem ser publicadas, para posterior exame da Assembleia-geral Ordinária, em conjunto com os relatórios administrativos dos gestores (inciso I, art. 132, LSA). Já a escrituração mercantil, ou seja, ascontas e livros a serem apresentados pela diretoria ao fim de cada exercício social são: o balanço patrimonial, os lucros e prejuízos acumulados, o resultado do exercício social, o fluxo de caixa e, se a companhia for aberta, também o valor adicionado (art. 176, LSA). Devem ser apresentados: a. Balanço patrimonial - é a demonstração financeira do ativo, do passivo e do patrimônio líquido. b. Lucros e prejuízos acumulados - são os valores superiores ou inferiores à receita, não distribuídos aos acionistas. c. Resultado de exercício social - demonstra o desempenho da sociedade empresária, no exercício apurado, e tem por finalidade verificar o retorno do investimento dos acionistas e o grau de eficiência da administração. É apurado pelo confronto das receitas bruta e líquida e as despesas operacionais e não operacionais. d. Fluxo de caixa - demonstra a disponibilidade líquida da sociedade anônima, ou seja, os ingressos e despesas do caixa. O fluxo de caixa não é obrigatório para sociedades anônimas fechadas, com patrimônio líquido inferior a dois milhões de reais. e. Valor adicionado - é uma demonstração contábil, exigida apenas das sociedades anônimas de capital aberto, destinada a medir financeiramente a riqueza gerada pela empresa. 60 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Do resultado final do exercício e, antes da partilha do lucro ou destinação para novos investimentos, devem ser deduzidos os prejuízos acumulados e feita provisão para o pagamento do Imposto de Renda (art. 189, LSA). Eventuais prejuízos devem ser absorvidos “pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem” (parágrafo único, art. 189, LSA). Em seguida são pagas, sucessivamente, as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias (art. 190, LSA). Cumpridas todas essas obrigações, apura-se o lucro líquido da empresa, referente ao exercício social que deve ser dividido da seguinte forma: a. No mínimo 5% para a reserva legal, não podendo exceder 20% do valor do capital social, exceto se o saldo já existente for superior a 30% do capital social (art. 193, LSA). b. No percentual previsto no estatuto para a reserva estatutária (art. 194, LSA). c. Parte pode ser destinada à reserva de contingências, a critério da assembleia- geral, por proposta dos órgãos administrativos, com a finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro, decorrente de perda julgada provável, cujo valor possa ser estimado. Pode integrar esse valor, um percentual decorrente de doações e subvenções governamentais para investimentos, passíveis de serem excluídos da base de cálculo dos dividendos obrigatórios (art. 195-A c/c 202, LSA). d. Parte, também a critério da assembleia-geral, por proposta dos órgãos administrativos, pode ser destinada a reinvestimentos futuros por até cinco, ou prazo mais amplo se previsto, no projeto aprovado (art. 196, LSA). e. Eventual sobra do lucro, após a quitação dos dividendos aos acionistas, pode ser destinado a uma reserva de lucros a realizar (art. 197, LSA). f. Parte pode ser destinada a reserva de capital, para cobrir eventual ágio na subscrição de novas ações, o produto da venda de partes beneficiárias e os bônus de subscrição (parágrafo 1°, art. 182, LSA). g. Quitação dos dividendos obrigatórios, que é o retorno do investimento feito pelos sócios, no percentual mínimo de 50% do lucro líquido ajustado, na falta de previsão mais benéfica no estatuto (art. 202, LSA). 61 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Excepciona a obrigatoriedade da distribuição dos dividendos, a situação financeira precária da sociedade empresária ou a deliberação da assembleia-geral nas sociedades anônimas de capital fechado, na falta de oposição de qualquer dos acionistas. Neste caso, o lucro não distribuído constituirá reserva especial que será dividido entre os acionistas, tão logo permita a saúde financeira da empresa. Dissolução da sociedade anônima Por ter natureza institucional, a sociedade anônima sujeita-se ao regime de dissolução, previsto nos arts, 206 a 218, da Lei 6.404/1976, sem prejuízo das normas contidas no Código Civil e na Lei de Falências, aplicadas subsidiariamente. Estas são as possibilidades de dissolução, in verbis, previstas na Lei: Art. 206. Dissolve-se a companhia: I. - De pleno direito: a. Pelo término do prazo de duração. b. Nos casos previstos no estatuto. c. Por deliberação da assembleia-geral (art. 136, X). d. Pela existência de um único acionista, verificada em assembleia-geral ordinária, se o mínimo de dois não forem reconstituídos até o ano seguinte, ressalvado o disposto no artigo 251. e. Pela extinção, na forma da lei, da autorização parafuncionar. II. - Por decisão judicial: a. Quando anulada a sua constituição, em ação proposta por qualquer acionista. b. Quando provado que não pode preencher o seu fim, em ação proposta por acionistas que representem 5% (cinco por cento) ou mais do capital social. c. Em caso de falência, na forma prevista na respectiva lei. III. - Por decisão de autoridade administrativa competente, nos casos e na forma previstos em lei especial. (BRASIL, 1976) 62 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 A dissolução parcial pode ser evitada, mediante reembolso ao acionista dissidente com dinheiro do lucro ou reservas, excetuada a reserva legal e desde que não comprometa a solvência da empresa, ou seja, o próprio capital social. A morte também não traduz, por si, a dissolução da sociedade empresarial, já que os herdeiros ou legatários sub-rogam-se na titularidade dos direitos do sócio morto. Outras possibilidades de dissolução são a incorporação, a fusão e a cisão, com a absorção de todo o patrimônio por outras sociedades empresariais (art. 219, LSA, 1.113 a 1.122 CC). A incorporação e fusão de sociedades anônimas devem ser submetidas à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE, órgão judiciante administrativo, com jurisdição em todo o território nacional, sempre que atingirem os valores previstos no art. 88, da Lei 12.529/2011: Art. 88. Serão submetidos ao CADE pelas partes envolvidas na operação os atos de concentração econômica em que, cumulativamente: I. - Pelo menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 400.000.000,00 (quatrocentos milhões de reais) e II. - Pelo menos um outro grupo envolvido na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no país, no ano anterior à operação, equivalente ou superior a R$ 30.000.000,00 (trinta milhões de reais). (BRASIL, 2011) A lei permite três possibilidades de associação de sociedades empresariais para a execução de empreendimentos comuns: a. Grupos de fato - resultam da união entre sociedades coligadas, quando uma empresa tem influência significativa sobre outra sem controlá-la, e entre controladora e controlada, quando a primeira tem poder de controle sobre a segunda. Regra geral, é vedada a participação recíproca entre a companhia e suas coligadas ou controladas, exceto se a sociedade anônima puder adquirir legalmente suas próprias 63 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 ações (art. 244 c/c art. 30, § 1º, b, LSA). As demonstrações financeiras entre coligadas e controladas seguem regras próprias, previstas nos arts. 247 a 250 da Lei 6.404/1976. b. Subsidiária integral - as ações, em sua totalidade, ficam nas mãos de uma outra pessoa jurídica (letra d, inciso I, art. 206, LSA) . c. Grupo de direito - é uma reunião interempresarial de sociedades sob o controle de uma sociedade brasileira, denominada holding, para participação em empreendimentoscomuns. Devem ter a designação de “grupo” ou “grupo de sociedades”; podem contar com estrutura e órgãos de direção próprios e precisam ser registradas, na Junta Comercial, embora configurem uma reunião contratual de negócios e não tenham personalidade jurídica própria e nem respondam subsidiariamente pelas dívidas uma das outras (art. 267, LSA). Os grupos somente têm responsabilidade perante as autoridades antitruste (Lei 12.529/2011), trabalhistas (parágrafo 2°, art. 2°, CLT) e previdenciárias (inciso IX, art. 30, Lei 8.212/1991). A responsabilidade subsidiária das empresas que compõem a holding se limita às advindas de relação de consumo (parágrafo 2°, art. 28, Lei 8.078/1990). d. Consórcio - o consórcio não tem personalidade jurídica própria. Resulta da combinação de esforços e recursos para a execução de empreendimento comum, sujeito à aprovação do CADE, se os valores atingirem o montante previsto no art. 88, da Lei 12.529/2011, e não têm responsabilidade solidária, exceto com relação aos direitos consumeristas (parágrafo 3°, art. 28, Lei 8.078/1990) e licitatórios (inciso V, art. 33, Lei n. 8.666/93). As sociedades de economia mista só podem ser constituídas por lei, para atender a interesse público, e com capital, majoritariamente, público. Estão sujeiras às regras, contidas na lei de criação, às normas para administração societária, contida nos arts. 235 ao 240 da Lei 6.404/1976, sem prejuízo da aplicação subsidiária das normas gerais, do Código Civil e na Lei de Falências, bem como às normas e fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, se forem abertas. Sociedade em comandita por ações A sociedade em comandita por ações se sujeita à regulamentação da Lei das Sociedades Anônimas, arts. 280 a 284, com as alterações contidas nos 1.090 a 1.092 do Código Civil. 64 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Na sociedade em comandita por ações, somente os acionistas podem integrar a diretoria. O acionista diretor, também denominado gerente, é nomeado no estatuto para exercer essa atribuição, por prazo indeterminado, ou até que os acionistas que detiverem no mínimo 2/3 do capital pleiteiem a sua destituição, e sua responsabilidade sobre as obrigações societárias é ilimitada (art. 1.091, CC). Em razão da responsabilidade ilimitada do diretor, a assembleia- geral não pode mudar, sem o acorde do diretor, o objeto essencial da sociedade, prorrogar o prazo de duração da empresa, aumentar nem diminuir o capital social, emitir debêntures ou partes beneficiárias (art. 1.092, CC). A sociedade pode adotar firma, com o nome civil de acionista que não exerça cargo de direção, ou denominação, mas, em ambos casos, o nome deve conter a expressão indicativa do tipo societário (art. 1.161, CC). Afora essas diferenças contidas no Código Civil, aplicam-se, às sociedades em comandita por ações, todas as regras da Lei 6.404/1976 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir o que vimos. Você deve ter aprendido o que significa as sociedades anônimas. 65 @faculdadelibano_ 4 Sociedades cooperativas 66 Tipos de Sociedades Empresariais Capitulo 4 Sociedades cooperativas O nascimento do cooperativismo O cooperativismo nasceu na Inglaterra, em 1844, quando um grupo de trabalhadores reuniu esforços para montar um armazém, comprar alimentos em quantidade a menores custos e vendê-los também a menores preços. As sociedades cooperativas estão ligadas ao conceito de cooperação mútua, reunião de esforços em prol de um objetivo comum, com divisão dos resultados entre os cooperativados. São sociedades de pessoas e podem ter por objetivo social qualquer gênero de serviço, operação ou atividade econômica, social, ambiental ou cultural, sendo obrigatório o termo “cooperativa” na sua denominação. As cooperativas mais comuns são a agropecuária, de trabalho, de consumo, de crédito, de prestação de serviços e infraestrutura, de saúde e especiais, que, em geral, reúnem grupos vulneráveis como catadores de papel, deficientes físicos etc. Está regulamentada na Lei 5.764/1971 e é conceituada no art. 4°, nos seguintes termos: Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funcionam as sociedades cooperativas. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 67 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindo-se das demais sociedades pelas seguintes características: I. - Adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços. II. - Variabilidade do capital social, representado por quotas-partes. III. - Limitação do número de quotas-partes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais. IV. - Inacessibilidade das quotas-partes do capital a terceiros, estranhos à sociedade. V. - Singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade. VI. - Quórum para o funcionamento e deliberação da assembléia-geral com base no número de associados e não no capital. VII. - Retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da assembleia- geral. VIII. - Indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social. IX. - Neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social. X. - Prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa. XI. - Área de admissão de associados, limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços. (BRASIL, 1971) São constituídas a partir de um estatuto que regulamenta a denominação, sede, prazo de duração da sociedade, área de atuação, objeto, início e fim do exercício social e a data de levantamento do balanço geral, além dos direitos e deveres dos associados, responsabilidades, admissão e desligamento dos cooperados, capital e modo de integralização, devolução de sobras e rateios, regras administrativas, de fiscalização e de representação em juízo e fora dele, poderes e responsabilidade dos administradores e conselheiros fiscais, convocação dos cooperados para as assembleias-gerais, debates e direito de voto. 68 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 O ato constitutivo das cooperativas deve declarar, sob pena de nulidade: a denominação da sociedade, o seu objeto e o endereço da sede, a qualificação completa dos fundadores, o valor e o número da quota-parte de cada um, a aprovação do estatuto e a qualificação completa dos associados, escolhidos para os órgãos de administração, fiscalização e outros (art. 15, Lei 5.764/1971). O capital social inicial, necessário para a instalação e primeiras atividades sociais, é levantado por meio de estudos de viabilidade econômica e dividido em quotas-parte, com valor máximo limitado a um salário mínimo do país (art. 24, Lei 5.764/1971). O ato de constituição e o estatuto devem ser levados a registro na Junta Comercial. A mesma norma delimita a responsabilidade das cooperativas e dos cooperados nos seguintes termos: Art. 11. As sociedades cooperativas serão de responsabilidade limitada, quando a responsabilidade do associado pelos compromissos da sociedade se limitar ao valor do capital por ele subscrito. Art. 12.As sociedades cooperativas serão de responsabilidade ilimitada, quando a responsabilidade do associado pelos compromissos da sociedade for pessoal, solidária e não tiver limite. Art. 13. A responsabilidade do associado para com terceiros, como membro da sociedade, somente poderá ser invocada, depois de judicialmente exigida da cooperativa. (BRASIL, 1971) Finalmente, a estrutura organizacional das cooperativas é composta pelos seguintes órgãos sociais: assembleia-geral, ordinária e extraordinária, conselho de administração ou diretoria e conselho fiscal. Informações adicionais sobre as sociedades cooperativas O art. 3º da Lei n.º 5.764/71 declara que os entes desse contrato se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito social, sem objetivo de lucro. 69 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 A devolução das sobras dos rendimentos lucrativos, serão proporcionais às atividades realizadas pelo associado ou, ocorrerão de acordo com o estatuto da cooperativa, o quórum de instalação e deliberação nas assembleias de acordo com o número de associados e não no capital investido. A adesão à sociedade é voluntária, compreendendo um número ilimitado de associados e número mínimo de membros, conforme indicado no art.6º da Lei nº 5.764/71. O art. 5º da Lei nº 5.764/71 define que as cooperativas poderão adotar por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, sendo exigível expressão “cooperativa” em sua denominação e para as cooperativas de crédito é vedado o uso da expressão “Banco”. Quanto à classificação definida no art.6º da lei da Lei nº 5.764/71, são classificadas em singulares (art. 7º), centrais ou federações (art. 8º) e confederações de cooperativas (art. 9º). As singulares caracterizam-se pela prestação direta de serviços aos associados, as centrais e federações organizam os serviços econômicos e assistenciais de interesse das filiadas e as confederações têm por objetivo orientar e coordenar as atividades das suas filiadas. Conforme art. 10 da Lei n.º 5.764/71, além dessas classificações caberá ao respectivo órgão controlador caracterizar outras classificações que se apresentem. A responsabilidade está descrita na Lei nº 5.764/71, no art. 11 sendo limitada, quando a responsabilidade do associado pelos compromissos da sociedade se restringir ao valor do capital por ele subscrito, e no art. 12, o valor do capital social unitário não poderá ser superior ao maior salário mínimo vigente no país. Será ilimitada, quando a responsabilidade do associado pelos compromissos da sociedade for pessoal, solidária e não tiver limite, e no art. 13ª, a responsabilidade do associado para com terceiros, como membro da sociedade, somente poderá ser invocada, depois de judicialmente exigida da cooperativa. No ato constitutivo deverá declarar todas as exigências do art. 15, sob pena de nulidade. Depois de constituída, a cooperativa apresentará ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas para credenciamento em trinta dias da data da constituição e com todas as exigências cumpridas deverá arquivar os documentos, na Junta Comercial, e feita a respectiva publicação no Diário Oficial da União, onde estiver situada. Assim, a cooperativa adquire personalidade jurídica, tornando-se apta a funcionar. 70 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 O cooperativismo e o capital social O capital social é um conceito recente, mas tem um rápido crescimento na sua difusão e aprimoramento. O termo pode ser considerado de ordem econômica, sociológica e política, além de ser um produto, decorrente da qualidade de relações de grupos sociais espontâneos, com base na igualdade formal e no respeito mútuo. Também pode ser entendido como uma coesão social de atores em busca de uma mudança social, em que o envolvimento individual nas atividades coletivas, construção de cidadania e de redes de confiança mútua, são imprescindíveis. É importante ressaltar que o capital social promove dois tipos de desenvolvimento: o de capital humano, por meio do avanço em relação às habilidades individuais; e o capital social na perspectiva econômica. O cooperativismo adequa-se aos dois tipos de desenvolvimento, uma vez que é constituído de entes individuais com ações particulares que promovem um efeito coletivo, beneficiando a todos os envolvidos na sociedade cooperativa. A ideia do capital social é promover uma saída de distribuição de riqueza e renda que minimize as desigualdades sociais entre os cidadãos. Entendendo que o capital social pode promover a eficiência econômica do mercado e a produtividades de sua economia, considera- se uma medida viável que os governos poderiam implementar, com o objetivo de corrigir desigualdades e tornar justo o desenvolvimento econômico nas sociedades voltadas ao mercado. As interações entre sociedade e relações econômicas promovem segregações entre grupos sociais e isso faz parte da história da humanidade. Desse modo, minorias segregadas enfrentam os desafios da exclusão social e do desemprego que aliado à incapacidade do governo de atender às demandas sociais, promove o estabelecimento de ações, por parte de diversas instâncias, inclusive pela sociedade civil. O capital social surge nesse contexto como uma forma de promover a resolução de problemas sociais vividos nos dias atuais. Ainda que existam limites teóricos e metodológicos, o conceito de capital social constitui- se como um significativo elo no processo de revitalização da democracia, fomentando a construção de uma identidade coletiva, e por conseguinte, interferindo em maior compreensão e resolução dos dilemas atuais (Andrade; Cândido, 2008). 71 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 Uma visão que integra dois conceitos clássicos acerca do capital social de Bourdieu e Coleman é a síntese apresentada por Alexander Portes (1998) que afirma que o capital social é inerente a estrutura dos relacionamentos do indivíduo e, portanto, para possuir esse capital, o indivíduo tem que estar em relacionamento com outros, por diferentes motivações. A amplitude do conceito de capital social reflete uma característica essencial da vida social, pois os laços sociais (como a amizade) podem ser utilizados para diferentes propósitos (Adler; Kwon, 2002). Quando uma cooperativa, transforma resíduos, por exemplo, em fonte de recursos econômicos, o catador “acaba por renomea- lo, alimentando o próprio processo de ressignificação positiva de sua atividade laboral” (Benvindo, 2010, p. 72) e uma das formas de organização dos trabalhadores catadores de material reciclável ocorre por meio da formação de cooperativas (Sousa e Martins, 2018). Por meio das interações entre atores sociais, essa atividade pode caracterizar um processo de capital social, uma vez que há a união de pessoas em cooperação para que ocorra o desenvolvimento dessa atividade. Cooperativismo, negócios sociais e ecossistemas O termo ecossistema é mais usual na biologia e nas ciências sociais se conceitua como Ecossistema de Inovação (EI), tornando-se um importante motor do desenvolvimento econômico e social. Universidades, empresas, startups, governo e outros atores presentes num EI constituem uma rede complexa e dinâmica de relacionamentos que podem contribuir para a promoção do empreendedorismo e da inovação. Essa rede complexa de interações tornou-se um ativo competitivo da economia com base no conhecimento pela capacidade da transformação de conhecimento em inovação de alto valor agregado (SPINOSA et al., 2015). Nos parques tecnológicos, clusters, habitats e demais ambientes inovadores é possível identificar também a presença de aprendizado colaborativo, troca de conhecimento, compartilhamento de práticas de produção e geração de sinergia entre seus participantes, demonstrando assim que a gestão do conhecimento nesses ambientes torna-se elemento estratégicopara a geração da inovação (ANPROTEC, 2008; SPINOSA et al., 2015). 72 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 Durante o estudo da arte a respeito dos Ecossistemas de Inovação, realizado em pesquisa de âmbito de mestrado, identificou- se a relação entre essas redes de inovação, a gestão do conhecimento e o desenvolvimento socioeconômico com base no conhecimento. O objetivo deste trabalho é o de apresentar uma discussão a respeito da relação entre os ecossistemas de inovação e a gestão do conhecimento como estratégia fundamental para o desenvolvimento destes ambientes. Essa discussão busca colaborar com o entendimento de como é possível organizar o conhecimento nos dos ecossistemas, uma vez que ele é imprescindível à inovação e que sua presença transcende as organizações que fazem parte destas redes. Nesse aspecto, o cooperativismo atua como um negócio de impacto social por ser constituída por entes de uma comunidade, integrando seu próprio sistema em um outro processo do ecossistema. O aumento da competição global a necessidade por aperfeiçoamento dos processos produtivos e a forte pressão por qualidade, levam as organizações a inovarem em seus processos produtivos para satisfazer os consumidores e demais stakeholders. É nesse novo cenário que as organizações passam a entender a importância dos ativos intangíveis como indutores de diferenciação, o que gera aumento de lucratividade e valor de marca para as empresas, o pois para Kotler e Keller (2012) “a missão de qualquer negócio é fornecer valor ao cliente, sem abrir mão do lucro.” Assim, as organizações que almejam o sucesso apoiam-se em ativos e recursos intangíveis para a geração de valor aos clientes, principalmente por meio do capital intelectual e da gestão do conhecimento. O capital intelectual é utilizado como gerador de riqueza, no qual aspectos como conhecimento e informação são essenciais para o processo de inovação e criatividade das organizações. E como afirma Rezende (2002, p.78), “o principal foco gerador de riqueza não é mais o trabalho manual e sim o intelectual.” O capital intelectual é composto por fatores humanos e fatores internos e externos à organização, sendo que em cenários competitivos, os talentos compõem a peça fundamental para a conquista do sucesso empresarial.Igualmente, é por meio dos colaboradores que o conhecimento é disseminado e compartilhado dentro e fora das organizações, fluindo do nível individual até a formação do conhecimento organizacional. 73 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades cooperativas Capitulo 4 Logo, as organizações passaram a adotar práticas e métodos para gerir um recurso tão vantajoso como o conhecimento. Por isso, as grandes mudanças nos cenários de atuação das empresas, tanto públicas quanto privadas, em especial nesta Era da Informação e do Conhecimento, nos permite imaginar que uma fonte de vantagem ativo na expectativa de sua conversão em resultados (FRANCINI, 2002, p. 3). Tanto o capital intelectual quanto a gestão do conhecimento têm conquistado importante posição nas organizações, principalmente na adoção de estratégias sustentáveis. Além destes, outro aspecto tem forte influência nas organizações, a sustentabilidade. Em cenários competitivos, as empresas precisam atender às demandas externas para manterem-se competitivas e uma dessas demandas está na atuação das empresas em ações sociais e ambientais. Resumindo E então? Gostou do conteúdo? Aprendeu tudo sobre as espécies de sociedades empresárias? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você certamente aprendeu como se deu a transformação da sociedade comercial para a sociedade empresária, o que são e quais são as sociedades personificadas, como se constituem as sociedades simples, limitada, em nome coletivo, em comandita por ações, anônima e, finalmente, as cooperativas. Aprendeu também sobre a constituição e a importância do capital social, como são organizadas administrativamente qual a responsabilidade dos sócios. E, finalmente, aprendeu sobre a distribuição de lucros e dividendos. Agora você está preparado para seguir adiante e prender um pouco mais sobre o Direito Empresarial. 74 Tipos de Sociedades Empresariais Referências BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://bit.ly/36vujoQ. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei Complementar 23, de 14 de dezembro de 2006. Institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Brasília, DF: Presidência da República, [2006]. Disponível em: https://bit.ly/3kcQE3I. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Brasília, DF: Presidência da República, [1966]. Disponível em: https://bit.ly/304Sgpx. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Define a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1971]. Disponível em: http://bit.ly/2PjUMjH. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei 6.024 de 24 de março de 1974. Dispõe sobre a intervenção e a liquidação extrajudicial de instituições financeiras, e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1974]. Disponível em: https://bit.ly/3kfoOUD. Acesso em: 6 ago. 2019. BRASIL. Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Brasília, DF: Presidência da República, [1976]. Disponível em: http://bit.ly/2LOP6Ml. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei 8.245, de 18 de outubro de 1991. Dispõe sobre as locações dos imóveis urbanos e os procedimentos a elas pertinentes. 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Disponível em: http://bit.ly/2LPVwL2. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, [2015]. Disponível em: http://bit.ly/2RX6DpF. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Lei 13.874, de 20 de setembro de 2019. Institui a Declaração de Direitos de Liberdade Econômica. Brasília, DF: Presidência da República, [2019]. Disponível em: https:// bit.ly/3e7x3wG. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Decreto-Lei 1.608, de 18 de setembro de 1939. Código de Processo Civil. Brasília, DF: Presidência da República, [1939]. Disponível em http://bit.ly/36qo31y. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Decreto-Lei 73, de 21 de novembro de 1966. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Seguros Privados, regula as operações de seguros e resseguros e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, [1966]. Disponível em: https://bit.ly/2ZZyUCm. Acessoem: 26 ago. 2019. BRASIL. Decreto-Lei 5.342, de 1° de maio de 1942. 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Data da Publicação/Fonte: DJe 06/10/2010. Disponível em: https:// bit.ly/31rNlzc. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça – STJ. Súmula 435. Primeira Seção. Julgado em 14/04/2010, DJe 13/05/2010. DF: Superior Tribunal de Justiça, [2010]. Disponível em: https:// bit.ly/3BxTZS2. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça – STJ. Súmula 480. Segunda Seção. Julgado em 27/06/2012, DJe 01/08/2012. DF: Superior Tribunal de Justiça, [2012]. Disponível: https://bit. ly/3BxTZS2. Acesso em: 26 ago. 2019. BRASIL. Superior Tribunal de Justiça – STJ. TJ, Quarta Turma, Informativo 0510, 18 de dezembro de 2012. Disponível em: https://bit.ly/3kcRmxU. Acesso em: 26 ago. 2019. CHAGAS, E. E. Direito empresarial esquematizado. São Paulo: Saraiva, 2017. FORGIONI, P. A. Contratos empresariais: teoria geral e aplicação. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019. GONÇALVES NETO, A. de A. Direito de empresa: comentários aos artigos 966 a 1.195 do Código civil. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2018. MAMEDE, G. Manual de direito empresarial. São Paulo: Atlas, 2019. MARION, J. C. Contabilidade empresarial. Rio de Janeiro Atlas, 2018 RAMOS, A. L. S. C. Direito empresarial. São Paulo: Método, 2019. 77 Tipos de Sociedades Empresariais Referências TOMAZETTE, M. Curso de direito empresarial. São Paulo: Saraiva Jur, 2018. 78 Sociedades empresárias Da sociedade comercial à sociedade empresária Tipos de sociedades existentes Sociedades personificadas Classificação das sociedades personificadas Sociedades simples Sociedade limitada Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedades personificadas por ações Sociedades anônimas Das ações Constituição das Sociedades Anônimas Valores mobiliários Capital social Administração social Direitos e deveres dos acionistas Demonstrações contábeis e partilha do lucro e prejuízos Dissolução da sociedade anônima Sociedade em comandita por ações Sociedades cooperativas O nascimento do cooperativismo Informações adicionais sobre as sociedades cooperativas O cooperativismo e o capital social Cooperativismo, negócios sociais e ecossistemas Referênciasetc. No Brasil, o legislador constitucional optou por manter a autonomia do Direito Comercial, separando-o do Direito Civil ao tratar da competência exclusiva da União para legislar sobre essas matérias (art. 22, I, CF). Por outro lado, ao assentar a atividade econômica e financeira na “valorização do trabalho humano e na livre iniciativa” como meio de “assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social”, o legislador abandonou a Teoria do Ato de Comércio, focada no ato mercantil como centro das atividades societárias, e adotou a Teoria da Empresa, que regula, holisticamente, o exercício da atividade econômica empresarial (art.170, CF). 10 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades empresárias Capitulo 1 A segunda parte do Código Comercial, Lei 556/1850, que regulamenta o comércio marítimo segue vigente. Somente a primeira parte desse Código foi revogada pelo atual Código Civil, de 2002, e é hoje regida pela Teoria da Empresa. O próprio Código Civil prevê, no art. 2.037, que: Salvo disposição em contrário, aplicam-se aos empresários e sociedades empresárias as disposições de lei não revogadas por este Código, referentes a comerciantes, ou a sociedades comerciais, bem como a atividades mercantis. (BRASIL, 2002) A adoção da Teoria da Empresa, pelo Código Civil, mudou profundamente os direitos e as obrigações dos empresários e das sociedades empresárias, inclusive na sua relação com stakeholders, com outras ciências e com as externalidades - efeitos positivos e negativos das atividades comerciais sobre a sociedade em geral, o bem-estar social e, em última instância, a dignidade da pessoa humana. A empresa passou a ser vista como um fenômeno econômico- social, a partir de um perfil poliédrico, composto pelo empresário, aquele que “exerce, profissionalmente, atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços” (art. 966, CC), pela força produtiva organizada da empresa, pelo patrimônio empresarial (ativo e passivo) e pelo capital humano e seu perfil corporativo social. Em que pese transferida para o Código Civil, a atividade comercial- empresarial está prevista em título próprio, Parte Especial, Livro II, e é um conjunto de regras específicas, dirigidas pontualmente para a disciplina da atividade comercial econômica. Importante A doutrina majoritária adotou a denominação Direito Empresarial para destacar a Teoria da Empresa, em substituição à antiga Teoria do Ato do Comércio. Porém, isso não significa a extinção do Direito Comercial e das leis esparsas que regulamentam a matéria. Teoria do Ato do Comércio e Direito Comercial não são sinônimos. 11 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades empresárias Capitulo 1 Tipos de sociedades existentes Uma sociedade empresarial corresponde a uma união de pessoas diferentes com um mesmo intuito, que visa desempenhar uma mesma atividade profissional, pretendendo alcançar margens financeiras de lucro ao executar processos de aquisição, compra, venda, produção e fornecimento de bens e serviços, com a finalidade de alcançar crescimento financeiro. Esse é o principal conceito de sociedade empresarial. A sociedade empresarial pode ser classificada em vários tipos: sociedade simples; sociedade limitada; sociedade limitada unipessoal; sociedade em nome coletivo; sociedade em comandita simples; sociedade comandita por ações; sociedade anônima; sociedade cooperativa; sociedade em conta de participação; sociedade de advogados. A escolha de um tipo de sociedade depende dos critérios de identificação com o perfil do grupo que está se unindo. Conheça um pouco melhor sobre cada perfil de sociedade a seguir: • Sociedade simples - normalmente compreende profissionais prestadores de serviços; em muitos casos, são atividades de cunho intelectual que precisam ser registradas em órgãos de classe, como conselhos regionais ou nacionais. Essa sociedade não necessita registro na junta comercial. Mas a constituição, alteração ou dissolução devem ser registradas em cartório de registro civil de pessoas jurídicas. • Sociedade limitada - essa sociedade constitui um tipo de empresa, iniciada a partir do investimento do capital dos sócios e sua razão social é acompanhada da sigla LTDA. A empresa pode ter vários sócios, no entanto, um deles será o responsável legal da empresa. Sua abertura deve ser registrada na junta comercial. • Sociedade limitada unipessoal - a constituição dessa sociedade requer a integralização de capital social no ato. Esse capital é inferior ao da EIRELI, que compreende 100 salários mínimos. Este tipo de sociedade é constituído por apenas uma pessoa, por isso é denominada de unipessoal. • Sociedade em nome coletivo - essa sociedade é um tipo societário no qual todos os sócios são responsáveis e respondem pelas dívidas da empresa, de maneira ilimitada. O capital social e as dívidas contraídas pela empresa podem comprometer o patrimônio dos sócios. Essa sociedade só pode ser constituída por pessoa física e não pode ser administrada por terceiros. 12 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades empresárias Capitulo 1 • Sociedade em comandita simples - constituída por sócios que investem no capital social, mas não fazem parte de sua gestão. Os sócios são financiados por terceiros e têm responsabilidade integral pelo negócio. A razão social não pode conter o nome do investidor. • Sociedade comandita por ações - o capital da empresa é dividido por ações ou cotas. Apenas têm responsabilidades sobre a administração da empresa os sócios, nomeados na ata da constituição da empresa. • Sociedade anônima - pode ser dividida em duas modalidades: aberta e fechada. A aberta negocia ações na bolsa de valores, a fechada, não. Sua composição é feita por dois ou mais sócios que investem suas cotas de participação. O sócio que tem mais participação no capital da empresa, tem mais responsabilidade sobre ela. • Sociedade cooperativa - após a aprovação da Lei 10.406/2002, artigo 1.094, inciso II, deixou de ter um número mínimo de associados. Sua gestão é participativa e democrática e não tem fins lucrativos. Pode ser classificada como: singulares, composta por pessoas físicas; centrais ou federações, composta por no mínimo três cooperativas singulares; e confederação, constituída por, no mínimo, três federações. • Sociedade em conta de participação - composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas precisa desempenhar atividade econômica comercial. Todos os sócios trabalham com nome individual, mas promovendo efeito social. Não está sujeita a formalidades e não necessita de registro, porém tem um prazo determinado para acabar. Normalmente, funciona por um projeto com data para início e fim. • Sociedade de advogados - o registro dos seus atos constitutivos, no Conselho Seccional da OAB, em cuja base territorial tiver sede, seja aprovado, tendo a aplicação do Código de Ética e Disciplina, no que couber. Um advogado só tem direito a se associar a uma sociedade. 13 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades empresárias Capitulo 1 Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu tudo mesmo? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos apresentar o que vimos. Você deve ter aprendido como foi a evolução da sociedade comercial para a empresária. Também foram apresentados os aspectos históricos importantes dessa evolução. Por fim, soube quais as legislações nortearam as atividades comerciais em nosso país, a partir do século XIX, com Dom Pedro II, até a adoção da Teoria da Empresa pelo Código Civil que mudou, profundamente, os direitos e obrigações dos empresários e das sociedades empresárias. Posteriormente você aprendeu que as sociedades empresariais são constituídas por um grupo de pessoas com objetivos profissionais comuns, que podem se associar a um dos seguintes tipos de sociedade: sociedade simples; sociedade limitada; sociedade limitada unipessoal;sociedade em nome coletivo; sociedade em comandita simples; sociedade comandita por ações; sociedade anônima; sociedade cooperativa; sociedade em conta de participação; sociedade de advogados. 14 @faculdadelibano_ 2 Sociedades personificadas 15 Tipos de Sociedades Empresariais Capitulo 2 Sociedades personificadas Classificação das sociedades personificadas As sociedades personificadas têm personalidade jurídica própria, independentemente dos sócios, acionistas ou cooperativados. Elas se subdividem em: Sociedade Simples Pura; Sociedade Limitada; Sociedade Anônima; Sociedade em Nome Coletivo; Sociedade em Comandita Simples; Sociedade em Comandita por Ações e Sociedade Cooperativa. Sociedades simples Na vigência do Código Civil, de 1916, as sociedades simples – SS eram chamadas sociedades civis – SC. A expressão sociedade civil foi usada, pela primeira vez, por Adam Ferguson, na obra Ensaio sobre a História da Sociedade Civil, em 1767, para descrever a sociedade capitalista da época. Para Ferguson, a sociedade civil de pessoas deu origem às sociedades civis comerciais, naturalmente, numa conjunção de talentos, vigor e sabedoria, tanto na arte da persuasão, como no exercício do poder. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funcionam as sociedades personificadas e os tipos societários: sociedade limitada e sociedade em comandita simples. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 16 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Hoje, a sociedade simples diferencia-se das sociedades empresárias, pela dependência intrínseca da atuação dos sócios para o exercício da atividade econômica. Em contraposição, na sociedade empresária prevalece a organização empresarial. Outra diferença importante é o tipo de registro ao qual estão legalmente submetidas. A sociedade simples tem os seus atos constitutivos, registrados no Registro Civil das pessoas jurídicas, enquanto a sociedade empresária tem os seus atos constitutivos, registrados nas Juntas Comerciais. Os atos constitutivos de sucursais, filiais ou agências das sociedades simples, estabelecidas na mesma circunscrição da sede, devem ser averbados junto ao seu registro. Se elas estiverem estabelecidas em circunscrição distinta da sede, os atos constitutivos devem ser registrados na circunscrição do Registro Civil das pessoas jurídicas, na qual estão fisicamente. Nos dois casos, o pedido deve estar acompanhado da prova de inscrição da sociedade originária. São registradas no Registro Civil, as pessoas jurídicas discriminadas no art. 44, do Código Civil (associações, sociedades simples puras, fundações, organizações religiosas, partidos políticos e empresas individuais de responsabilidade limitada – EIRELI) e no art. 8°, da Lei 5.250/67, (jornais e periódicos, oficinas impressoras, empresas de radiodifusão e empresas agenciadoras de notícias). As sociedades simples subdividem-se em: a. sociedade simples pura ou sociedade simples propriamente dita: são aquelas que não adotam nenhum tipo societário específico e seguem as regras dos arts. 997 a 1.038, do Código Civil. O tipo de responsabilidade subsidiária, nestas sociedades, é de livre escolha dos sócios, podendo ser limitada ou ilimitada, conforme declarado no ato constitutivo (inciso VIII, art. 997, CC). Se os sócios optam pela subsidiariedade, a responsabilidade é ilimitada. Ao revés, se optam pela inexistência de responsabilidade subsidiária, ela será limitada. Como a solidariedade advém da lei ou do contrato, essa escolha é prerrogativa dos sócios, na ausência de previsão legal. 17 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 b. sociedades de natureza simples: são aquelas que adotam algum tipo societário simples: sociedade limitada, sociedade em nome coletivo ou a sociedade em comandita simples (art. 1.039 a 1.092, CC). Sociedade limitada Não há consenso entre os doutrinadores sobre o país de origem e nem a data de criação da Sociedade por quotas de responsabilidade limitada, como era denominada no século XIX. Em 1857, a Inglaterra regulou a “limited by guarantee”, que restringia a responsabilidade dos sócios à quantidade das ações que tinham. A França, em 28 de maio de 1863, legalizou a societé à responsabilité limitée, e a Alemanha fez o mesmo, em 20 de abril de 1892, ao promulgar a Lei Gsellschaften mit beschraenkter Haftung (Lei da Sociedade de Responsabilidade Limitada), modelos normativos imediata e, amplamente, adotados no meio comercial europeu e nas américas. Esse tipo societário foi incorporado à legislação brasileira, pelo Decreto 3.708/1919, e passou a ser o favorito dos empresários brasileiros pela contratualidade e pela limitação da responsabilidade dos sócios. Atualmente, a sociedade limitada está regulamentada nos artigos 1.052 a 1.087, do Código Civil, aplicando-se nela, subsidiariamente, as regras das sociedades simples (art. 997 a 1.038, CC), a Lei das Sociedades Anônimas – LSA (Lei 6.404/1976), a analogia e outras normas esparsas. Exemplo são as regras de desempate nas decisões sociais por maioria (§ 2°, art. 1.010, CC). Inexiste óbice legal para o uso da Lei das Sociedades Anônimas como legislação subsidiária, desde que os sócios incluam a opção no contrato social. Exemplo é o desempate nas decisões societárias com três ou mais sócios. Em vez da solução por maioria de votos, regra da sociedade simples (art. 1.010, CC), pode-se aplicar as regras do § 2°, do art. 129, da LSA, c/c o inciso III, do art. 1.078, do Código Civil, que submete a divergência a uma nova assembleia, em até 60 dias e, persistindo discordância, ao Judiciário. 18 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 A opção pela aplicação subsidiária das normas das sociedades simples ou das sociedades anônimas determina a regência supletiva (art. 1.053, CC). O problema é que essa escolha cria duas subespécies de sociedade limitada, uma regida pelas regras da sociedade simples e outra pelas regras da sociedade anônima, ambas com lacunas legais, somente supridas pela aplicação subsidiária de outras normas ou pela analogia. Como a natureza da constituição determina a da dissolução, a sociedade limitada só pode ser dissolvida pelas regras do Código Civil, independente da escolha dos sócios quanto à legislação, a ser aplicada subsidiariamente. (arts. 1.033 a 1.038 e 1.102 a 1.112, CC). Se a sociedade tiver passivo que ultrapasse o limite patrimonial penhorável dos sócios sobre as quotas subscritas, os credores amargam o prejuízo, ou seja, se a limitação da responsabilidade salvaguarda o patrimônio pessoal dos sócios e estimula o empreendedorismo, também aumenta a exigência de garantias para segurança do investimento dos credores (aval, fiança, seguros etc.), o que, a final, onera os produtos pela inserção da taxa de risco no preço. Os sócios só têm responsabilidade sobre o capital subscrito e não integralizado. Se o valor subscrito for totalmente integralizado em bens, os sócios não têm nenhuma responsabilidade sobre as dívidas da sociedade empresária e não respondem com o seu patrimônio pessoal. O prejuízo é totalmente, suportado pelos credores. Definição Esse tipo societário pode ser definido como uma sociedade empresarial de natureza contratual, constituída por um ou mais sócios, com capital social divido em quotas, responsabilidade de cada sócio, perante terceiros, restrita ao valor das quotas por ele subscritas e solidária integral entre os sócios com relação à integralização do capital social, respeitado o direito de regresso (art. 1.052 c/c art. 312, CC). Responsabilidade limitada, por sua vez, é a obrigação individual dos sócios de pagar, com o seu patrimônio pessoal, passível de penhora, e até o valor total das quotas por eles subscritas, as dívidas contraídas pela sociedade que excedam o ativo. 19 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadasCapitulo 2 Excepcionam a limitação e impõem responsabilidade subsidiária integral dos sócios pelas obrigações societárias, independente da integralização: a fraude legal e contratual (art. 1.080, CC); a sociedade marital, inclusive se registrada em afronta ao art. 977, do Código Civil; o abuso da personalidade jurídica (art.50, CC); e, pelo sócio retirante, obrigações trabalhistas contraídas, durante a sociedade até dois anos, após a averbação da modificação contratual (art. 10-A, CLT), exceto se houver fraude na alteração, quando a responsabilidade é solidária (parágrafo único, art. 10-A, CLT). Na sociedade limitada, a administração pelos sócios independe de previsão contratual e é, costumeiramente e quase sempre, conjunta e consensual, caracterizada pela affectio societatis e pelo esforço mútuo, embora não haja impedimento legal para o exercício da administração por não sócios, se nomeados e destituídos por decisão majoritária, com expressa autorização no contrato ou em aditamentos contratuais. Os administradores gerem a sociedade por prazo determinado ou indeterminado e devem ser nomeados, no contrato ou aditamento social, registrado na Junta Comercial, com estipulação expressa do início, fim ou interregno para o exercício dos atos de administração. Atos de condução, recondução e cessação do exercício do cargo de administrador, também, devem ser registrados na Junta Comercial. Os atos de renúncia devem ser feitos por escrito e têm efeito imediato entre os sócios. Porém, perante terceiros só têm efeito, após arquivados na Junta Comercial e publicados no Diário Oficial. Os atos de gestão e decisões administrativas são livres, exceto se houver formalidades previstas em lei, tais como: constituição, dissolução e liquidação das sociedades; operações societárias (transformação, incorporação, fusão, cisão e incorporação de ações); nomeação, remuneração e destituição de administradores; votação anual das contas; alteração do contrato social; expulsão de sócio (art. 1.085, CC). Como o sócio com maior número de quotas subscritas, o denominado “sócio majoritário”, tem maior poder de decisão, a lei estabeleceu regras e quórum deliberativo para resguardar os interesses dos sócios com menor número de quotas, os “sócios minoritários”. São elas: 20 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 a. unanimidade para designar administrador não sócio, antes da integralização do capital, e mínimo de dois terços, após a integralização (art. 1.061, CC). b. dois terços para destituir administrador sócio, nomeado no contrato social, no silêncio desse contrato (art. 1.063, § 1º, CC). c. três quartos para mudar o capital social e para decidir sobre incorporação, fusão e dissolução da sociedade ou cessação do estado de liquidação (art. 1.076, I, c/c art. 1.071, V e VI, CC). d. mais da metade do capital social, para designar e substituir administrador sócio ou não sócio em ato separado do contrato social, destituir administradores, estabelecer a forma da sua remuneração na ausência de previsão contratual, e decidir sobre o pedido de recuperação judicial (art. 1.076, II, III, c/c art. 1.071, II a IV e VIII, CC). e. maioria dos sócios com mais de metade do capital, para expulsar sócio minoritário, se permitido no contrato social, exceto nas sociedades com até dois sócios (art. 1.085, CC). f. mais da metade dos presentes em assembleia ou reunião para aprovação das contas dos administradores, e para nomeação e destituição de liquidantes e/ou julgamento das suas contas (1.076, III, c/c art. 1.071, I e VII, CC). Nas sociedades com dois sócios, é desnecessária a reunião para a exclusão de um deles (parágrafo único, art. 1.085, CC). Tampouco é preciso assembleia ou reunião nas sociedades limitadas microempresárias ou de pequeno porte para deliberações administrativas, exceto no caso de expulsão de sócio minoritário, quando é legalmente exigida e com quórum majoritário dos sócios detentores de mais da metade do capital social (art. 70, LC 123/2006). A prestação de contas anual, com balanço contábil e resultados, é obrigatória para os administradores e deve ser apresentada aos sócios, na forma prevista no contrato social ou em assembleia, no prazo máximo de quatro meses, após o fim do exercício social. 21 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Nas sociedades limitadas de grande porte, é comum a inserção no contrato social de regras para a instalação e o funcionamento de um conselho fiscal, composto por no mínimo três membros efetivos e três suplentes, sócios ou não, escolhidos por maioria, conforme regras contratuais ou em assembleia, para dar confiabilidade à administração e facilitar a fiscalização das contas pelos sócios minoritários. São impedidos de participar, no conselho fiscal, cônjuges e parentes até terceiro grau, administradores e empregados da sociedade empresária, de filial ou estabelecimento por ela controlado, para a garantia de isenção na fiscalização das contas. Os sócios minoritários que discordarem da escolha dos membros fiscais, escolhidos pela maioria, podem eleger separadamente um membro e um suplente, desde que juntos tenham, no mínimo, um quinto do capital social. Já os sócios, com 20% ou mais do capital social, podem escolher individualmente um representante para o conselho fiscal. Os membros escolhidos, pelos sócios minoritários, somam-se aos escolhidos pelos sócios majoritários. O Conselho Fiscal, por sua vez, pode contratar contadores para auxiliar no exame dos livros contábeis, mas a remuneração do profissional deve ser aprovada em assembleia. As sociedades limitadas de grande porte devem manter a mesma escrituração contábil das sociedades anônimas (parágrafo único, art. 3°, Lei n. 11.638/2007 c/c arts. 176 a 186, LSA). Sociedade em nome coletivo Definição Exercício social é o período de doze meses que serve de base para a elaboração dos demonstrativos contábeis, com a finalidade de apurar o resultado operacional e atualizar o patrimônio (ativo e passivo). 22 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Também denominada sociedade ilimitada, sociedade de responsabilidade ilimitada ou sociedade geral, a sociedade em nome coletivo, como é expressamente nominada na lei brasileira, está regulamentada nos arts. 1.039 ao 1.044, do Código Civil. Na falta de regras específicas, aplica-se a ela as regras gerais, contidas nos arts. 997 ao 1.038, do Código Civil. Sua origem remonta à Idade Média, à região hoje ocupada pela Itália, e ao modelo essencialmente familiar, lastreado na affectio societatis. Herdeiros de grandes fortunas, para evitar a perda de valor dos bens do espólio pela divisão, os deixavam em uma espécie de condomínio comercial gerido por um dos sócios, responsável direto pela administração do negócio e dos bens móveis, imóveis e semoventes, bem como pela divisão de lucros e perdas. Como sinal de identidade e sinônimo de honradez, confiabilidade e poder, bem como para publicitar a condição de empresa familiar, esse tipo de condomínio societário era designado pelo nome dos sócios ou da família (exemplo: Antonio Pietro & José Pietro, Pietro & Filhos etc.). Ao longo do tempo, a característica familiar da sociedade em nome coletivo mudou, passando a agregar pessoas estranhas ao núcleo íntimo dos sócios, unidas não pela affectio societatis, mas por um contrato social em prol, unicamente, de um objetivo econômico comum: o lucro. Hoje é um tipo empresarial raro, que deve desaparecer pelo desuso, sobretudo pela responsabilidade ilimitada (art. 1.023 e 1.024, CC). Pela natureza personalíssima, somente pessoas físicas podem ser sócios neste tipo de sociedade empresária e os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas dívidas da sociedade perante terceiros (art. 1.039, CC), em que pese inexista impedimento legal para que, por acordo unânime, os sócios delimitem a responsabilidade subsidiária decada um com relação aos demais. Também é opção dos sócios o tipo de sociedade, simples, registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, ou empresária, registrada na Junta Comercial. 23 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Essa escolha, porém, é muito importante, pois determina a forma pela qual a sociedade em nome coletivo poderá ser dissolvida. Se simples, ela se dissolve por qualquer dos motivos contidos nos incisos do art. 1.033, do Código Civil. Se empresária, ela pode ser extinta também pela falência, nos termos da Lei 11.101/2015 (art. 1.044, CC). O contrato social segue as regras gerais previstas no Código Civil: qualificação dos sócios e da própria sociedade, delimitação do capital, número, valor e forma de integralização das quotas sociais, direitos e obrigações dos sócios e do administrador, divisão de perdas e lucro (art. 997, CC), o nome social (art. 1.041, in flne, CC) e os limites para o uso da firma (art. 1.042, CC). Na condição de sociedade intuitu personae, a administração e a tomada de decisões administrativas são vedadas a terceiros e somente podem ser exercidas por um ou mais sócios, em conjunto ou separadamente, independente do percentual na participação societária, aplicando-se a eles as regras gerais da responsabilidade civil, o dever de prestar contas, a fiscalização dos atos pelos demais sócios etc. Quanto à forma de exercício da administração, ela pode ser coletiva, conjunta, simultânea ou sucessiva, conforme queiram os sócios, mas, regra geral, na sociedade em nome coletivo, as decisões são tomadas em conjunto, prevalecendo a decisão da maioria. (art. 1.010, CC) A contratação de gerentes, para cuidar das atividades empresariais diárias rotineiras, na sede ou em outros estabelecimentos da sociedade, é legalmente permitida. Quanto à cessão de quotas, a regra geral prevê a possibilidade por decisão unânime dos sócios. Mas não há óbice legal para inserção no contrato social de regras e condições para cessão e circulação das quotas, prevalecendo o avençado sobre a regra geral. 24 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Sendo assim, a regra geral que regulamenta a atuação dos sócios (art. 1.002, CC) é mitigada pelos usos e costumes sociais que a sociedade em nome coletivo, formalmente, adotar. Quanto aos bens, ainda que a sociedade tenha patrimônio próprio totalmente integralizado, os sócios têm responsabilidade solidária ilimitada para com ela e responsabilidade subsidiária entre eles (art. 1.039, CC). A desconsideração da pessoa jurídica é desnecessária na cobrança de dívidas desse tipo de sociedade, em razão da responsabilidade ilimitada dos sócios, imediatamente substitutiva, e cujos bens penhoráveis podem ser alcançados assim que comprovada a insuficiência de créditos da sociedade em ação de execução (art. 1.023 e 1.024, CC). Qualquer sócio que honrar a dívida da sociedade terá direito de regresso contra a própria sociedade, pela totalidade do que pagou, e contra os demais sócios, na proporção contratualmente avençada para a responsabilidade e a participação de cada um nas perdas. Perante terceiros, a responsabilidade é sempre solidária e todos os sócios, inclusive os admitidos na sociedade, após a constituição da dívida, são igualmente responsáveis pela obrigação (art. 1.025, CC). A premissa da solidariedade perante terceiros, não se aplica na subsidiariedade. O sócio recém-admitido não é responsável, em eventual ação de regresso, movida pelos sócios Importante Em que pese a sociedade em nome coletivo seja uma sociedade simples, fundada na affectio societatis e com natureza personalíssima, na atualidade esses conceitos são vistos de forma ampla, como um dever comportamental lastreado nos princípios da boa-fé, da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como na função social do contrato, assentado sob quatro pilares: a lei, o contrato social, os usos e costumes societários e a equidade. 25 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 antigos para ressarcimento por quitação de dívida existente, antes da sua integração na sociedade. Porém, se foi ele a quitá-la, poderá exigir a totalidade do que pagou dos demais sócios antigos (art. 1.007, CC). O sócio que se retira da sociedade em dissolução parcial tem responsabilidade residual, exceto se morto, quando ela alcança o valor do espólio, já que a responsabilidade não se estende aos herdeiros (art. 1.032, CC). Na insuficiência de bens da sociedade e dos sócios para a quitação das obrigações, o credor pode pedir a falência da sociedade em nome coletivo, se empresária, ou a declaração da insolvência, se simples. As quotas sociais podem ser objeto de penhora, desde que não haja prejuízo para a affectio societatis (art. 1.026 e parágrafo único, e art. 1.030, CC), mas é vedado ao credor particular de um dos sócios pedir a liquidação da quota do devedor, antes da dissolução da sociedade, exceto em caso de prorrogação tácita ou contratual que tenha sido objeto de oposição pelo credor, aceita judicialmente no prazo dilatório de noventa dias (art. 1.043 c/c art. 1.033, I, CC). Em decorrência da solidariedade, a falência ou a insolvência da sociedade empresária implica na falência ou insolvência também dos sócios (art. 81, Lei 11.101/05). Falecido algum sócio, silente o contrato social, aplica-se a regra geral do art. 1.028, do Código Civil. Importante São impenhoráveis o único imóvel usado para residência do sócio e família (art. 1°, Lei 8.009/90) e os bens elencados no art. 833, do Código de Processo Civil, a saber. 26 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Sociedade em comandita simples Em latim, o presente ativo do verbo commendāre, infinitivo de commendō (ou comandare no latim vulgar) traduz-se como empréstimo. As fontes e relatos históricos divergem, mas em linhas gerais as sociedades em comandita, Contrat de Command, ou contrato de encomendas, remonta às cidades italianas e ao comércio marítimo da Idade Média, nos séculos X e XI d.C. O Contrat de Command era uma espécie de contrato de parceria “criativa” para “driblar” uma proibição de cobrança de juros sobre empréstimos marítimos. O financiador-parceiro contribuía em dinheiro para cobrir custos da viagem e o capitão fornecia o navio para o transporte de bens de terceiros, com divisão do lucro do transporte no final das viagens. Em caso de perdas, o financiador respondia somente até o limite da sua contribuição para a parceria ou, em parâmetros atuais, tinha responsabilidade limitada até o valor investido. Nos dias atuais, comanditar significa investir dinheiro, ou fundos, numa sociedade, simples ou empresária, sob a administração de terceiros. A sociedade em comandita simples está regulamentada nos arts. 1.045 a 1.051, do Código Civil. Havendo lacuna, aplicam-se as regras para as sociedades em nome coletivo e para a sociedade simples, respectivamente (art. 1.046 e 1.040, CC). Esta sociedade caracteriza-se pela dualidade de sócios: de um lado, um ou mais investidores “comanditários” que aplicam “comandita” (recursos), em fundos de uma sociedade em comandita; e, de outro lado, um ou mais administradores “comanditados”, que recebem a “comandita” com o dever de bem administrá-la (1.045, CC). O sócio investidor-comanditário não pode ser administrador, mas pode ser constituído procurador pela sociedade, com poderes especiais e para fins específicos, ou seja, para resolver pendência determinada (parágrafo único, art. 1.047, CC). 27 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 O contrato social, além de atender às exigências do art. 997, do Código Civil, deve conter expressamente a qualificação completa do comanditário, pessoa física ou jurídica, a sua condição de investidor responsável pela integralização da totalidade do capital, a qualificação do comanditado, obrigatoriamente pessoa física, esua designação como administrador do capital e responsável pela gestão da sociedade (art. 1.039, CC). O incapaz pode ser comanditário, pois os seus bens estão protegidos (art. 974, CC), mas não podem ser comanditados, já que lhes falta capacidade civil para exercer os atos de administração obrigatórios. Qualquer alteração contratual deve ser aprovada pelos sócios unanimemente, exceto, se houver previsão diversa no contrato social (art. 999, CC). A administração simultânea de dois ou mais comanditados é permitida (art. 1.013, CC) e os seus direitos e obrigações são equivalentes aos dos sócios nas sociedades em nome coletivo (parágrafo único, art. 1.046, CC). Os sócios comanditados que forem demandados por credores podem lançar mão do “benefício de ordem”, ou seja, podem pedir ao juiz que a constrição recaia primeiro sobre os bens da sociedade, e que, somente após, comprovada nos autos da execução, a insuficiência de bens societários suficientes para a quitação das obrigações, ela atinja os seus bens pessoais. Havendo mais de um sócio comanditado (administrador), o credor pode exigir o cumprimento das obrigações de qualquer deles, total ou parcialmente, respeitado o direito de regresso do sócio pagador contra os demais, na proporção das suas quotas ou conforme, acordado no contrato social (art. 1.045 c/c art. 1.023, e art. 1.039, CC). Sócios recém-admitidos também respondem solidariamente perante terceiros pelos débitos constituídos, antes da sua entrada, mas pode reaver integralmente, dos demais sócios, em ação regressiva, o que pagou em nome da sociedade insolvente (art. 1.025, CC). 28 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Como os bens dos sócios comanditários respondem limitadamente, a insolvência ou a falência não os alcançam como pessoas físicas. Porém, a responsabilidade é ilimitada e a insolvência ou falência pessoal os alcança na falta de integralização completa do capital social subscrito, ressalvada a impenhorabilidade do único imóvel residência da família e os bens discriminados no art. 833, do CPC. Na dissolução parcial com retirada do sócio comanditário por morte, retirada motivada ou imotivada (art. 1.029, CC) ou exclusão do quadro societário (art. 1.030, CC), o sócio retirante ou seus herdeiros respondem pelas dívidas, perante terceiros no limite do seu investimento. O sócio comanditado e seus herdeiros, porém, não se eximem da responsabilidade por obrigações anteriores à morte, retirada ou expulsão, pelo prazo decadencial de dois anos contados da averbação da alteração contratual (art 1.048, CC). Como a responsabilidade é ilimitada, atinge a totalidade do patrimônio pessoal, inclusive os bens adquiridos, após a retirada, ressalvados os bens impenhoráveis. Os herdeiros, entretanto, respondem apenas até o limite da herança, não se estendendo à solidariedade aos seus bens pessoais (art. 1.792, CC). O comanditado também tem responsabilidade residual subsidiária, não extensiva aos herdeiros (art. 1.032, CC). O princípio da boa-fé alcança o sócio comanditário, que não é obrigado a repor lucros, recebidos de acordo com o balanço. Entretanto, na hipótese de fraude, somente ocorrerá nova distribuição de lucro, após a reintegração do capital social (art. 1.049, CC). Importante Na falta de quitação integral da obrigação é faculdade do credor pedir judicialmente a insolvência da sociedade simples, registrada no Cartório de Registro de Títulos e Documentos, ou a falência da sociedade empresária, com registro na Junta Comercial. 29 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas Capitulo 2 Como a sociedade em comandita, simples ou empresária, é intuitu personae na falta de previsão contrária no contrato social, a transferência de quotas deve ter a concordância unânime dos sócios (arts. 1.002 e 1.003 c/c 1.027 e 1.028, CC). Na sucessão hereditária, porém, a regra geral é a transferência das quotas dos sócios comanditários para os herdeiros (art. 1.050, CC). A dissolução societária ocorre pelas causas comuns (art. 1.044, CC) e quando há unicidade de categoria, ou seja, quando a sociedade passa a ter somente um sócio comanditário ou comanditado e não há recomposição societária no prazo de cento e oitenta dias exigidos em lei. (art. 1.051, inciso II, CC). Se restar apenas um sócio comanditário, impedido por lei de exercer atos de administração, caso do incapaz, a solução legal é a contratação de um administrador temporário para gerir a sociedade até a reconstituição societária (art. 1.047 c/c art. 1.051, CC). Em ambos casos, causa comum ou unicidade societária, a transformação da sociedade é legalmente permitida. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido como funcionam as sociedades personificadas e os tipos societários: sociedade limitada e sociedade em comandita simples. Viu a classificação das sociedades personificadas e as suas subdivisões. Aprendeu os conceitos de cada uma delas e as legislações que norteiam tais sociedades. 30 @faculdadelibano_ 3 Sociedades personificadas por ações 31 Tipos de Sociedades Empresariais Capitulo 3 Sociedades personificadas por ações Sociedades anônimas No universo das sociedades personificadas, há um grupo que se destaca pela complexidade, tanto do ponto de vista legal, como administrativo. São as sociedades anônimas e as sociedades em comandita por ações. As sociedades anônimas foram criadas para dar suporte legal, financeiro e logístico aos grandes investimentos nas colônias americanas, indianas e africanas. Eram empresas semipúblicas, que reuniam interesses e financiamento de reis e de particulares, para o exercício de atividades mercantis, transporte de mercadorias e recolhimento de impostos. A Companhia Unida das Índias Orientais, mais conhecida como Companhia Holandesa das Índias Orientais, criada em 1602, é a primeira sociedade anônima, formalmente, constituída de que se tem notícia. Essa Companhia, em 1610, para arrecadar ativos, dividiu o seu capital em quotas, iguais e transferíveis e vendeu parte delas a investidores. Pela primeira vez ao capital foi dada importância superior às pessoas, detentoras das quotas representativas do capital social. Em 1621, foi criada a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, também chamada Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais, no mesmo modelo de capital em quotas, para fazer concorrência ao comércio espanhol e português, inclusive escravocrata, Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender como funcionam as sociedades anônimas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! 32 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 brasileiro e caribenho. O cristãos-novos de Amsterdã – judeus recém-convertidos ao cristianismo - investiram mais de três milhões de florins em quotas dessa nova empresa, contra apenas 36 mil florins investidos por judeus sionistas. O Código Mercantil Francês, de 1807, regulamentou as sociedades anônimas, diferenciando-as das sociedades por ações e das sociedades em comanditas por ações. O Código Mercantil francês serviu de base para as normas de muitos países, inclusive o Brasil, na regulamentação das sociedades anônimas. A primeira sociedade anônima brasileira foi a Companhia Geral de Comércio do Brasil, criada em 1649, com investimento dos reis portugueses e de cristãos-novos, para assumir o monopólio do comércio entre a colônia e Portugal, controlar o comércio escravocrata entre a África e o Brasil, e fomentar agromanufatura no Nordeste, prejudicada pela dominação holandesa. Esta companhia foi sucedida pela Companhia Geral do Grão- Pará e Maranhão, em 1755, responsável pelo monopólio do comércio escravocrata e que, por sua vez, foi sucedida em1779, pela Companhia Geral das Capitanias de Pernambuco e Paraíba, cujo objetivo social era o negócio escravocrata e açucareiro. Posteriormente, em 1808, foi criada a sociedade anônima Banco do Brasil, nos dias atuais, o maior banco brasileiro. O primeiro ato regulatório das sociedades anônimas no Brasil foi o Decreto n° 575, promulgado em 10 de janeiro de 1849, que, no esteio do Código Mercantil francês, estabeleceu a necessidade de autorização do Poder Público para a criação, incorporação e aprovação dos seus estatutos. Logo depois, em 1850, também na mesma linha regulatória francesa, foi promulgado o Código Comercial Brasileiro, ainda vigente, mas modificado na sua primeira parte pelo atual Código Civil. De lá para cá e, durante muitos anos, as empresas mais comuns no Brasil foram as sociedades anônimas e as sociedades limitadas. 33 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Esse tipo societário está regulamentado na Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976, conhecida como Lei das Sociedades Anônimas – LSA, sendo o Código Civil, usado subsidiariamente (art. 1.089, CC). Sua denominação precisa indicar, obrigatoriamente, o objeto social, o nome do fundador acionista ou de pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa, acompanhada da expressão “sociedade anônima” ou “companhia”, por extenso ou abreviadamente (art. 160, CC). As sociedades anônimas subdividem-se em: a. Capital aberto - são sociedades empresariais com subscrição pública de valores mobiliários, ou seja, que negociam suas ações em bolsas de valores ou em mercados de balcão – fora das bolsas de valores -, arrecadando ativos por meio da venda de ações para o público investidor. A autorização da Comissão de Valores Mobiliários – CVM é exigência legal, prevista no art. 5°, da Lei 6.385/1976, para a negociação de ações em bolsa, mercado secundário para a venda e aquisição de valores mobiliários, ou mercado de balcão, também denominado Over-The-Counter, ou simplesmente OTC, mercado primário para compra, venda e distribuições de ações que não estão registradas em bolsa de valores . Operações em Bolsa ou em OTC são supervisionadas, pelo Banco Central do Brasil, e atuam sob as diretrizes do Conselho Monetário Nacional – CMN (Lei 4.595/1964). Definição As sociedades anônimas podem ser definidas como sociedade empresária, independente do seu objeto ser uma atividade civil ou comercial, com capital divido em ações, negociadas ou não no mercado financeiro, segundo sejam de capital aberto ou fechado, e cujos sócios ou acionistas, determinados e identificados, têm responsabilidade limitada ao preço de emissão das ações não integralizadas que subscreveram ou adquiriram. (art. 982, parágrafo único, CC, c/c art. 1° e parágrafo primeiro, art. 2°, LSA). 34 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Considerando que a estabilidade do mercado é imprescindível para a economia nacional, a lei confere legitimidade ao Ministério Público para, diante de irregularidades, de ofício ou a pedido da CVM, interpor Ação Civil Pública, preventiva ou satisfativa, com a finalidade de evitar prejuízos ou obter ressarcimento de danos, sofridos por titulares de valores mobiliários e investidores (Lei n. 7.913/1989). Porém, é vedado, por força de lei, obstar a livre circulação das ações de companhias abertas, sob qualquer justificativa ou circunstância, inclusive por meio da inserção de regras impeditivas nos estatutos. b. Capital fechado - são sociedades empresariais com subscrição privada de valores mobiliários, ou seja, cujas ações não são disponibilizadas para o mercado investidor e cujos sócios são os únicos proprietários das ações e da empresa. Ao contrário das companhias de capital aberto, as de capital fechado podem estabelecer limites à livre circulação das suas ações, representativas do seu capital social, com a concordância expressa dos acionistas, desde que isso esteja previsto no estatuto, não impeça eventuais negociações, nem sujeite os acionistas minoritários ao arbítrio dos administradores ou à maioria dos acionistas (art. 36, LSA). Por configurar uma sociedade de capital, nas sociedades anônimas a participação societária é livre para qualquer pessoa, física ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com exceção das restrições previstas no art. 222 e parágrafo primeiro da Constituição Federal. Sob o critério da nacionalidade as S.A são (art. 300, LSA): a. Nacionais - pessoas jurídicas constituídas, de acordo com as leis brasileiras, com sede e administração no Brasil, independente da nacionalidade e local de residência dos acionistas e da origem territorial do capital. b. Estrangeiras - pessoas jurídicas, constituídas de acordo com leis estrangeiras, com sede e administração no exterior, sob a fiscalização de governo alienígena. Em que pese o art. 1.134, do Código Civil, cite expressamente sociedades anônimas, as empresas estrangeiras podem ser acionistas ou sócias em quaisquer empresas brasileiras, exceto as jornalísticas e de radiodifusão, privativas para brasileiros natos ou naturalizados, ou pessoas jurídicas brasileiras com sede no país (art. 222 e parágrafo 1°, CF). 35 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 A lei permite também que empresas estrangeiras se instalem no Brasil, inclusive as subsidiárias, desde que obtenham autorização prévia do Poder Executivo que não estabelece condições, mediante comprovação da realização do capital declarado no contrato social ou no estatuto e apresentação dos seguintes documentos (incisos I a VI, art. 1.134, CC): I. - Prova de se achar a sociedade constituída conforme a lei de seu país. II. - Inteiro teor do contrato ou do estatuto. III. - Relação dos membros de todos os órgãos da administração da sociedade, com nome, nacionalidade, profissão, domicílio e, salvo quanto a ações ao portador, o valor da participação de cada um no capital da sociedade. IV. - Cópia do ato que autorizou o funcionamento no Brasil e fixou o capital destinado às operações no território nacional. V. - Prova de nomeação do representante no Brasil, com poderes expressos para aceitar as condições exigidas para a autorização. VI. - Último balanço. (BRASIL,2002) Importante O parágrafo 2, do art. 1.134, do Código Civil exige que os documentos sejam autenticados, em conformidade “com a lei nacional da sociedade requerente, legalizados no consulado brasileiro da respectiva sede e acompanhados de tradução em vernáculo.” O Brasil é signatário da Convenção sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros, mais conhecida como Convenção de Apostila de Haia, firmada na cidade de Haia, Holanda, em 5 de outubro de 1961, e promulgada pelo Decreto 8.660/2016, vigente no Brasil, desde 14 de agosto de 2016. Nos termos dessa Convenção, não se faz mais legalização consular nos 110 países signatários. Os documentos são apostilados, ou seja, registrados em Cartórios Públicos e arquivados num banco de dados comum, acessível aos notários de todos os países signatários. 36 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Sobre a tradução para o vernáculo, é preciso verificar se há reciprocidade entre o país emissor do documento e o Brasil. Se não houver reciprocidade, após apostilado ou consularizado - legalizado na Embaixada ou Consulado Brasileiro, o documento deve ser traduzido no Brasil, por tradutor juramentado, registrado na Junta Comercial do estado onde a empresa pretende se estabelecer. Das ações Ações são partes do capital social de uma empresa que, após integralizadas e disponibilizadas no mercado, deixam de expressar o capital empresarial inicial em razão da volatilidade do preço, sujeito às regras da oferta e da procura, à valorização ou desvalorização do produto ou serviço no mercado nacional ou internacional, às variações políticas,às intercorrências ambientais, entre outros fatores. São bens patrimoniais móveis, passíveis de penhora e transferíveis a herdeiros, integram o quadro associativo de forma impositiva e não podem ser objeto de apuração de haveres de forma isolada, exceto se os interessados detiverem a maioria absoluta das ações com direito a voto (art. 1.107 c/c 1.044, CC). Do ponto de vista estritamente legal, as ações são nominativas ou escriturais, conforme a transferência de titularidade e previsão nos estatutos (art. 20, LSA): Saiba Mais Caso queira se aprofundar no assunto: acesse o portal do Itamaraty que contém informações relevantes sobre o apostilamento, clicando aqui. Acesse também o Conselho Nacional de Justiça, clicando aqui. A legalização consular ainda é exigida para países não signatários da Convenção de Apostila de Haia e, no Brasil, é feita pelo Ministério das Relações Exteriores, em qualquer das suas representações. Para saber mais acesse aqui. https://www.gov.br/mre/pt-br/assuntos/portal-consular/legalizacao-de-documentos#apostila https://www.cnj.jus.br/brasil-disponibiliza-nova-plataforma-de-apostilamento-para-comunidade-internacional/ http://portal.mec.gov.br/revalidacao-de-diplomas/homologacao-legalizacao-e-apostilamento-de-documentos#:~:text=A%20legalização%20consular%20é%20efetuada,encaminhadas%20às%20referidas%20repartições%20consulares. 37 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 a. Nominativas - são ações documentadas em um certificado físico que atenda às seguintes exigências (art. 24, LSA): Art. 24. Os certificados das ações serão escritos em vernáculo e conterão as seguintes declarações: I. Denominação da companhia, sua sede e prazo de duração. II. O valor do capital social, a data do ato que o tiver fixado, o número de ações em que se divide e o valor nominal das ações, ou a declaração de que não têm valor nominal. III. Nas companhias com capital autorizado, o limite da autorização, em número de ações ou valor do capital social. IV. O número de ações ordinárias e preferenciais das diversas classes, se houver, as vantagens ou preferências conferidas a cada classe e as limitações ou restrições a que as ações estiverem sujeitas. V. O número de ordem do certificado e da ação, e a espécie e classe a que pertence. VI. Os direitos conferidos às partes beneficiárias, se houver. VII. A época e o lugar da reunião da assembleia-geral ordinária. VIII. A data da constituição da companhia e do arquivamento e publicação de seus atos constitutivos. IX. O nome do acionista. X. O débito do acionista e a época e o lugar de seu pagamento, se a ação não estiver integralizada. XI. A data da emissão do certificado e as assinaturas de dois diretores, ou do agente emissor de certificados (art. 27). (BRASIL, 2002) b. Escriturais - são ações sem certificado individual, mantidas em contas de depósito no nome do titular da ação, e cuja circulação é feita por meio do lançamento da operação no Livro de Registro de Acionista, mantido pela instituição financeira depositária e não pela sociedade anônima, ou seja, a transferência não se dá por meio de certificados em papel, mas por meio de transferência bancária, crédito ou débito de valores na conta do alienante e do adquirente, sob controle e responsabilidade das instituições financeiras administradoras das ações. 38 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Como a lei brasileira não mais admite ações ao portador, a qualificação de todos os acionistas, sem exceção, deve constar no Livro de Registro de Ações Nominativas ou Livro de Registro de Acionista, conforme a mudança de titularidade se dê por meio da sociedade anônima ou da instituição financeira administradora. A lei permite e é muito comum as sociedades empresárias contratarem os serviços de uma instituição financeira, autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM, denominada agente emissora de certificados, para escriturar e guardar o livro de Registro de Ações Nominativas. A propriedade das ações é presumida com a inscrição do nome do acionista no Livro de Registro de Ações Nominativas ou pelo extrato fornecido pela empresa custodiante, proprietária fiduciária das ações, registrados na Junta Comercial (art. 20, Lei 8.021/1990 c/c art. 31, LSA). Quanto ao valor, as ações classificam-se em: a. Nominal - resultado da divisão do valor do capital pelo número de ações. A critério dos acionistas, o valor nominal pode ou não ser incluído no estatuto. Se não for incluído, o valor nominal é inexistente. Ao revés, se incluído, o valor nominal e o número das ações só podem ser alterados, se houver modificação no valor do capital social, valorização monetária, desdobramento, agrupamento ou cancelamento de ações (art. 24, II c/c art. 12, LSA). b. Patrimonial - é obtido pela divisão do patrimônio líquido da empresa pelo número de ações que compõem o capital social e conhecido por meio do balanço contábil, ao fim de cada exercício social. É o valor a ser pago ao acionista, em caso de liquidação da sociedade anônima ou amortização das ações, quando retiradas total ou parcial Importante Após a Lei 8.021/1990, que dispõe sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais, não existem mais ações ao portador e ações endossáveis no Brasil. Os artigos, da Lei 6.404/1976, que tratam das ações ao portador e endossáveis foram revogados total ou parcialmente. 39 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 do mercado, por meio de ”distribuição aos acionistas, a título de antecipação e sem redução do capital social, de quantias que lhes poderiam tocar, em caso de liquidação da companhia” (art. 44, LSA). c. De negociação - é o preço de venda que as ações alcançam no mercado, a partir de fatores variáveis como perspectiva de lucro, desempenho empresarial, patrimônio líquido, macroeconomia, meio ambiente, consumo etc. d. Valor econômico - é calculado por especialistas em avaliação de ativos e representa o capital racional, ou seja, o valor real de cada ação, com base na probabilidade de renda real da sociedade anônima emissora. e. De emissão - é o preço, à vista ou parcelado, pago por quem subscreve uma ação, ou seja, compra uma parcela do ativo da sociedade anônima. O preço é estabelecido, inicialmente, no estatuto e, no decorrer da vida da empresa, é atualizado pela assembleia-geral, ou pelo conselho de administração, se o reajuste decorrer de aumento do capital com emissão de novas ações. O preço de emissão jamais pode ser inferior ao valor nominal. Se a contribuição do subscritor for superior ao valor nominal, o ágio deve ser destinado à reserva de capital (art. 13 c/c arts. 189 e 200, IV, LSA). Se o preço de emissão resultar de aumento do capital social, após realizados no mínimo 3/4 (três quartos), a subscrição pode ser pública ou particular, proibida a diluição injustificada da participação dos antigos acionistas (art. 170, parágrafo 1°, LSA). A diluição justificada, diminuição do patrimônio do sócio/acionista pela redução do percentual de cotas sociais ou ações de propriedade dos sócios, é permitida sempre que a empresa necessitar de reforço de capital, cabendo aos acionistas suportá-la, ainda que represente perda patrimonial. Quanto ao tipo de valor mobiliário representativo de unidade social as ações dividem- se em: a. Ordinárias - são ações de emissão obrigatória que conferem direitos previstos em lei para todos os sócios. Como são regulamentadas em lei, o estatuto não precisa discipliná-las. b. Preferenciais - são ações que, por previsão estatutária, conferem direitos e privilégios diferenciados aos acionistas, nos termos do art. 17, da Lei das Sociedades Anônimas: 40 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Art. 17. As preferências ou vantagens das ações preferenciais podem consistir: I. - Em prioridadena distribuição de dividendo, fixo ou mínimo. II. - Em prioridade no reembolso do capital, com prêmio ou sem ele ou III. - Na acumulação das preferências e vantagens de que tratam os incisos I e II. § 1 Independentemente do direito de receber ou não o valor de reembolso do capital com prêmio ou sem ele, as ações preferenciais sem direito de voto ou com restrição ao exercício deste direito, somente serão admitidas à negociação no mercado de valores mobiliários, se a elas for atribuída pelo menos uma das seguintes preferências ou vantagens: I. - Direito de participar do dividendo a ser distribuído, correspondente a, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) do lucro líquido do exercício, calculado na forma do art. 202, de acordo com o seguinte critério: A. Prioridade no recebimento dos dividendos mencionados neste inciso correspondente a, no mínimo, 3% (três por cento) do valor do patrimônio líquido da ação e B. Direito de participar dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo prioritário, estabelecido em conformidade com a alínea a ou II. - Direito ao recebimento de dividendo, por ação preferencial, pelo menos 10% (dez por cento) maior do que o atribuído a cada ação ordinária ou III. - Direito de serem incluídas na oferta pública de alienação de controle, nas condições previstas no art. 254- A, assegurado o dividendo pelo menos igual ao das ações ordinárias. § 2 Deverão constar do estatuto, com precisão e minúcia, outras preferências ou vantagens que sejam atribuídas aos acionistas sem direito a voto, ou com voto restrito, além das previstas neste artigo. § 3 Os dividendos, ainda que fixos ou cumulativos, não poderão ser distribuídos em prejuízo do capital social, salvo quando, em caso de liquidação da companhia, essa vantagem tiver sido expressamente assegurada. 41 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 § 4 Salvo disposição em contrário no estatuto, o dividendo prioritário não é cumulativo, a ação com dividendo fixo não participa dos lucros remanescentes e a ação com dividendo mínimo participa dos lucros distribuídos em igualdade de condições com as ordinárias, depois de a estas assegurado dividendo igual ao mínimo. § 5 Salvo no caso de ações com dividendo fixo, o estatuto não pode excluir ou restringir o direito das ações preferenciais de participar dos aumentos de capital decorrentes da capitalização de reservas ou lucros (art. 169). § 6 O estatuto pode conferir às ações preferenciais com prioridade na distribuição de dividendo cumulativo, o direito de recebê-lo, no exercício em que o lucro for insuficiente, à conta das reservas de capital de que trata o § 1 do art. 182. § 7 Nas companhias objeto de desestatização poderá ser criada ação preferencial de classe especial, de propriedade exclusiva do ente desestatizante, à qual o estatuto social poderá conferir os poderes que especificar, inclusive o poder de veto às deliberações da assembleia-geral nas matérias que especificar. (BRASIL, 1976) Além das vantagens elencadas no art. 17, os acionistas também podem votar, separadamente, para escolher um ou mais membros dos departamentos administrativos e para mudar o estatuto (art. 18, LSA). As ações preferenciais sem direto a voto, ou com restrições a ele, não podem ultrapassar 50% das ações emitidas (parágrafo 2°, art. 15, LSA). c. De fruição - são ações substitutivas de ações integralmente amortizadas, ou seja, cujos acionistas receberam, a título de antecipação e sem redução do capital social, o que lhes caberia na liquidação da sociedade empresária. Esse pagamento é feito com eventuais reservas de caixa. Porém, eventualmente, as ações de fruição também podem sofrer restrições ou vantagens estatutárias, como perda do direito de voto, do dividendo preferencial – em eventual liquidação recebem, depois das ações não amortizadas –, e da compensação corrigida monetariamente, na hipótese de reembolso (art. 44, parágrafo 5º, LSA). 42 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 Constituição das Sociedades Anônimas São duas as modalidades de constituição de uma sociedade anônima: por subscrição pública, com emissão de ações e participação de investidores, e por subscrição particular, ficando as ações com os sócios fundadores. • A Constituição de uma sociedade anônima por subscrição pública é feita em três etapas: 1. Requisitos preliminares - subscrição de todas as ações por no mínimo duas pessoas, fixação do capital social no estatuto, realização imediata de no mínimo 10% do preço das ações subscritas, com depósito também imediato, em dinheiro, no Banco do Brasil, outro banco ou seguradora autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (art. 80 e 81, LSA). Bancos e seguradoras devem fazer um depósito prévio mínimo de 50% do capital social (art. 27, Lei 4.595/1964). Esse depósito prévio configura, na realidade, a contratação pelos sócios fundadores de uma instituição financeira intermediária, denominada underwriting, para subscrever as ações, ou seja, assumir a titularidade das ações, emitidas pela sociedade anônima e oferecê-las aos investidores. Concretizado o depósito e a contratação do underwriting, os sócios têm seis meses para registrar a sociedade anônima. Importante As ações preferenciais e as ações ordinárias das companhias fechadas podem ser dividas em classes, de acordo com os direitos e restrições estatutárias (art. 16, LSA). Porém, o mesmo não se aplica às ações ordinárias das companhias abertas, que não podem ser divididas em classes (art. 15, § 1°, LSA). 43 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 2. Requisitos de constituição - é a fase de subscrição pública, com registro da emissão das ações, elaboração do estatuto, prospecto (arts. 82 a 93, LSA). Antes da constituição da sociedade anônima, os sócios precisam providenciar o registro prévio da emissão de ações na Comissão de Valores Mobiliários, subscrição que só pode ser feita com a intermediação de uma instituição financeira, e dos atos constitutivos, juntando: o projeto do estatuto social; a prova da contratação do banco que fará a captação dos investidores e do depósito prévio; o estudo de viabilidade econômica e financeira do empreendimento – leia-se da empresa; e o prospecto, documento assinado pelos sócios fundadores, pelos primeiros acionistas, e pela underwriting, com todos os detalhes sobre a sociedade anônima a ser constituída, inclusive expectativas, vantagens para acionistas investidores, objetivos, metas, valor do capital social inicial etc. Nos termos da Lei 6.385/76: Art. 19. Nenhuma emissão pública de valores mobiliários será distribuída no mercado sem prévio registro na Comissão. § 1º - São atos de distribuição, sujeitos à norma deste artigo, a venda, promessa de venda, oferta à venda ou subscrição, assim como a aceitação de pedido de venda ou subscrição de valores mobiliários, quando os pratiquem a companhia emissora, seus fundadores ou as pessoas a ela equiparadas. § 2º - Equiparam-se à companhia emissora para os fins deste artigo: I. – O seu acionista controlador e as pessoas por ela controladas. II. - O coobrigado nos títulos. III. - As instituições financeiras e demais sociedades a que se refere o Art. 15, inciso I. IV. - Quem quer que tenha subscrito valores da emissão, ou os tenha adquirido à companhia emissora, com o fim de os colocar no mercado. § 3º - Caracterizam a emissão pública: I. - A utilização de listas ou boletins de venda ou subscrição, folhetos, prospectos ou anúncios destinados ao público. 44 Tipos de Sociedades Empresariais Sociedades personificadas por ações Capitulo 3 II. - A procura de subscritores ou adquirentes para os títulos por meio de empregados, agentes ou corretores. III. - A negociação feita em loja, escritório ou estabelecimento aberto