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DOI: 10.55905/cuadv15n6-006 
 
Recebimento dos originais: 13/06/2023 
Aceitação para publicação: 14/07/2023 
4942 
 
CUADERNOS DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO, v.15, n.6, p. 4942-4955, 2023 
 
Reflexões sobre teorias epistemológicas do conhecimento que 
influenciam o multiculturalismo 
 
Reflections on epistemological theories of knowledge that 
influence multiculturalism 
 
Carlos Gabriel Araújo Bulhões 
Mestrando em Ensino pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPGEN) 
Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de 
Mato Grosso, Universidade de Cuiabá (IFMT-UNIC) 
Endereço: Rua Professora Zulmira Canavarros, 95, Centro, Cuiabá – MT, 
CEP: 78005-200 
E-mail: carlosgabrielifmt@gmail.com 
 
Marta Maria Pontin Darsie 
Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) 
Instituição: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado de 
Mato Grosso, Universidade de Cuiabá (IFMT-UNIC) 
Endereço: Rua Professora Zulmira Canavarros, 95, Centro, Cuiabá – MT, 
CEP: 78005-200 
E-mail: marponda@uol.com.br 
 
Marcelo Franco Leão 
Doutor em Educação em Ciências pela Universidade Federal do Rio Grande do 
Sul (UFRGS) 
Instituição: Universidade de Cuiabá, Instituto Federal de Educação, Ciência e 
Tecnologia do Estado de Mato Grosso (IFMT-UNIC) 
Endereço: Rua Professora Zulmira Canavarros, 95, Centro, Cuiabá – MT, 
CEP: 78005-200 
E-mail: marcelo.leao@ifmt.edu.br 
 
RESUMO 
Com a globalização o fluxo migratório permitiu a coexistência entre diversas 
culturas, a qual resultou em um multiculturalismo social presente nas 
sociedades. Este texto teve como objetivo refletir sobre quais as teorias 
epistemológicas que se relacionam/influenciam na interculturalidade/ 
multiculturalismo presente nas sociedades em dias atuais. Configura-se como 
uma pesquisa bibliográfica, descritiva e exploratória, de abordagem qualitativa, 
cuja realização ocorreu no primeiro semestre de 2023. Foram realizadas 
reflexões sobre as nove categoriais epistemológicas (Empirismo; Racionalismo; 
Interacionista; Materialismo histórico; Tendência histórica; Teoria crítica; 
Pensamento complexo; Estruturalismo e Pós-estruturalismo), as quais 
possibilitaram identificar que a teoria epistemológica de Boaventura de Sousa 
Santos é a que mais se relaciona e/ou influencia no entendimento de 
multiculturalismo da sociedade contemporânea. A qual fundamenta-se numa 
 
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visão descolonizada e fora do padrão eurocêntrico, buscando a construção de 
suas próprias epistemes. 
 
Palavras-chave: epistemologia, globalização, pós-modernismo. 
 
ABSTRACT 
With globalization the migratory flow allowed the coexistence between diverse 
cultures, which resulted in a social multiculturalism present in societies. This text 
aimed to reflect on which epistemological theories relate/influence the 
interculturality/ multiculturalism present in societies today. It is configured as a 
bibliographic, descriptive and exploratory research, with a qualitative approach, 
whose realization occurred in the first semester of 2023. Reflections were made 
on the nine epistemological categories (Empiricism; Rationalism; Interactionist; 
Historical materialism; Historical trend; Critical theory; Complex thinking; 
Structuralism and Post-structuralism), which made it possible to identify that 
Boaventura de Sousa Santos' epistemological theory is the one that most relates 
and/or influences the understanding of multiculturalism in contemporary society. 
Which is based on a decolonized vision and outside the Eurocentric pattern, 
seeking the construction of its own epistemes. 
 
Keywords: epistemology, globalization, postmodernism. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
A construção do conhecimento científico trilhou por diversas perspectivas 
e moldes durante as evoluções sociais, a epistemologia, episteme e logos (do 
grego), também chamada de estudo do conhecimento. Esses estudos nos 
forneceram diversas categorias epistemológicas que contribuíram em reflexões 
e propostas de como podem ou ocorrem a construção desse conhecimento tido 
como científico. 
Com o passar dos anos, as evoluções sociais possibilitaram o surgimento 
de diversas correntes epistemológicas, as quais buscaram contribuir para essa 
concepção da construção da Ciência, podemos destacar a corrente empirista, 
racionalista, interacionista, o materialismo e a tendência histórica, a teoria crítica, 
o estruturalismo e o pós-estruturalismo, as quais são as mais expressivas, dentro 
de uma visão eurocêntrica colonizadora. 
Todavia, essa evolução social permitiu também o surgimento de novas 
epistemologias que não se baseiam em moldes e costumes europeus, 
 
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constituindo novas epistemologias do hemisfério sul, descolonizadas, as quais 
consideram o seu contexto social também passível de contribuição na 
construção do que ser científico. 
A globalização, por exemplo, possibilitou um maior fluxo de migrações 
pelo mundo, sejam por crises humanitárias, desastres naturais ou perseguições 
políticas a onda de migrantes elevou-se em muitos países nos últimos, na busca 
de melhores qualidades de vida e de trabalho esses migrantes buscam também, 
por meio do ambiente social, um espaço de melhores oportunidades 
profissionais e acolhimento. 
Neste contexto epistemológico, as sociedades têm se tornado um espaço 
multicultural a qual possibilita a vivência entre migrantes, refugiados, apátridas, 
nativos entre outros, e ao mesmo tempo permite a construção de uma 
interculturalidade, por meio do conhecimento prévio de cada indivíduo, 
proveniente da interação de culturas e realidades diferentes. 
Hoje, são os professores, por exemplo, que se caracterizam uma maior 
centralidade pela construção deste conhecimento e no desenvolvimento de 
valores relevantes a construção do pensamento científico. 
Considerando tais fenômenos, é interessante compreender em como as 
bases conceituais da epistemologia estão presentes nesta interculturalidade e 
no multiculturalismo, presente na sociedade atual. Desta forma, o presente texto 
tem como objetivo refletir sobre quais as teorias epistemológicas que se 
relacionam/influenciam na interculturalidade/multiculturalismo presente nas 
sociedades em dias atuais. 
 
2 REFLEXÕES TEÓRICAS SOBRE O MULTICULTURALISMO 
O conceito de epistemologia, segundo Tesser (1995), pode ser definido 
como a Ciência que estuda a Ciência, em outras palavras, pode ser 
exemplificada na reflexão da construção do que é ser científico, de como ocorre 
essa organização, como funciona seus modos operante, e suas manifestações. 
Ainda para o autor, a Ciência não tem sua organização fundamentada no neutro, 
mas sim, em interesses e conhecimentos da sociedade em que está inserida. 
 
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Desta forma, a epistemologia pode ser caracterizada também como um 
conjunto de escolhas, decisões e estratégias que são fundamentadas para a 
construção do que é ser cientifico, vale destacar ainda, que podem coexistir 
inúmeras correntes epistemológicas, cada qual alicerçada sobre seus teóricos e 
seu contexto social (PAVIANI, 2009). 
Historicamente, Santos e Meneses (2010), em sua obra conjunta 
intitulada ‘Epistemologias do Sul’, faz uma reflexão das agressões realizadas 
pelo colonialismo e o capitalismo aos povos colonizados, contatando que essas 
culturas foram imersas involuntariamente na ‘epistemologia da modernidade’, 
por meio da violência, dos preconceitos e da discriminação. Embora reconheça 
esses preconceitos, Santos (1987) afirma ainda que estamos caminhando para 
o fim deste ciclo hegemônico epistemológico, o qual a globalização tornou/tem 
tornado a ciência multicultural. 
Santos e Meneses (2010) fazem ainda uma breve alusão ao processo de 
colonização das américas,a qual a “descoberta” do “Novo mundo” culminou na 
extensão do comércio europeu levando a ocupação de territórios nas américas 
e a exploração da mão de obra escrava, como consequência, os povos nativos 
foram extintos ou tiveram que se refugiarem para o interior do território. 
Embora o termo ‘multicultural’ seja abrangente e autoexplicativo, 
proveniente ou composto de várias culturas (Tradução do Dicionário Oxford 
Languages), Santos (2013) caracteriza esse termo em dois aspectos, o 
multiculturalismo colonial também chamado de monoculturalismo colonial e o 
multiculturalismo emancipatório, os quais se diferenciam em suas 
interpretações. 
Num ponto de vista histórico, perpetuou-se em todas as sociedades a 
noção de um multiculturalismo colonial, a qual uma cultura dominante – do 
colonizador, se sobrepõe as demais geralmente composta por minorias, 
tornando-as marginalizadas e inferiores, todavia, somente com o passar dos 
anos essas minorias tiveram reconhecimento aos costumes e a direitos 
individuais (SANTOS, 2013). 
 
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Santos (2013) assume ainda que a valorização e reconhecimento de 
culturas inferiorizadas anteriormente são de “fachadas” e que esse 
multiculturalismo colonial busca através do discurso – e somente ele. “valorizar 
o multicultural”, mas, priorizando uma única cultura. 
 
É um multiculturalismo que, mesmo quando reconhece outras culturas, 
assentasse sempre na incidência, na prioridade de uma língua 
normalizada, estandardizada, que é a língua oficial, seja o inglês, seja 
o português, seja qual for - por exemplo, muitos países reagem muito 
contra a educação bilíngue e currículos bilíngues - e, portanto, é um 
multiculturalismo que de fato não permite que haja um reconhecimento 
efetivo das outras culturas (SANTOS, 2013, p. 21). 
 
Embora reconheça essas diferenças esse tipo de multiculturalismo não se 
mostra inclusivo, Tavares (2014), define esse tipo de multiculturalismo como 
eurocêntrico, o qual é empregado apenas para abranger e conceituar os fluxos 
migratórios do hemisfério sul em direção ao norte, distinguindo as culturas 
quantos a língua, costumes e relações étnicas presentes no espaço europeu, 
sem espaço para a diversidade e para a construção de projetos políticos. 
Como alternativa, Santos (2013) propõe uma forma denominada de 
multiculturalismo emancipatório progressista e pós-colonial, baseado na 
globalização e em diversas culturas, fundamentada na luta de classes e nos 
interesses individuais, o qual está relacionada primeiramente a uma 
redistribuição econômica que segundo o mesmo, resulta na igualdade como 
princípio e prática. 
 
E, portanto, o multiculturalismo progressista é o multiculturalismo que 
procura por numa equação, sem dúvida política, científica, 
intelectualmente e culturalmente complexa, mas a única que, ao meu 
entender, vale a pena ser um objeto de luta, esta tensão entre uma 
política de igualdade e uma política de diferença (SANTOS, 2013, p. 
21). 
 
O autor supracitado reconhece ainda que não existe é não é um objetivo 
criar uma cultura pura e totalmente homogênea, assim como para Fleuri (1999), 
o qual destaca que o termo multicultural considera apenas culturas diferentes 
coexistindo em um mesmo espaço sem se interrelacionar umas com as outras. 
De forma análoga, Nanni (1998) sugere também a chamada interculturalidade, 
 
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o qual não considera apenas o contexto histórico, mas, as relações e influências 
que a convivência entre si possibilita essas culturas adquirirem. 
Araújo, Costa e Tavares (2018) e Tavares (2014) sugerem que a 
interculturalidade é proveniente do multiculturalismo, a qual considera somente 
a coexistência de culturas em uma sociedade, todavia, a interculturalidade 
abrange horizontes mais amplos, a qual aponta para a necessidade de diálogos 
mais críticos e propostas mais frutíferas, sendo uma construção entre os 
diferentes tipos de cultura presente na sociedade. 
Embora Multiculturalismo/interculturalidade sejam termos que abordem a 
mesma problemática, para Nosella (2020) a ênfase semântica pode ser 
caracterizada de forma diferente, para a mesma o multiculturalismo está ligado 
a um sentido político, normativo e ideológico, e a interculturalidade está 
relacionada a organização de um processo de integração, ou em outras palavras, 
de uma hegemonia político-cultural. 
Esses conflitos semânticos influenciaram diretamente na construção do 
saber científico, o qual se permaneceu alicerçado sobre um monoculturalismo 
político, ideológico e eurocêntrico. Como proposta, Santos (2002, p. 9) pontua 
que é necessário “transformar as ausências em presenças.” Ou seja, é 
necessária uma superação da escola e cultura dominante, a qual hoje a ciência 
deve se fundamentar no universalismo e na globalização. 
Araújo, Costa e Tavares (2018) discorrem ainda que essa dominação 
europeia e epistemológica sobre os povos do hemisfério sul são frutos restantes 
do colonialismo, o qual ainda influencia fortemente devido a paradigmas 
impostos inerente ao sistema capitalista. Assim como Tavares (2009) aponta 
como uma dominação na esfera política e cultural do conhecimento. 
Desta forma, são necessárias novas epistemologias a qual contemple 
também outros olhares e outras posições, seja do colonizado, do nativo ou do 
imigrante. 
 
 
 
 
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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo bibliográfico, descritivo e 
exploratório, de abordagem qualitativa, realizado a partir da leitura de artigos 
científicos que contemplam a temática interculturalidade e multiculturalismo, 
visto que, esse tipo de abordagem possibilita uma maior abrangência dos 
fenômenos estudados do que a investigação direta (GIL, 2002). 
O levantamento bibliográfico foi realizado no mês de abril de 2023, na 
base de dados do portal Periódicos da CAPES, sendo aplicados filtros de 
pesquisa para seleção de artigos publicados e com maior relevância. Foram 
utilizadas como descritores de busca as seguintes palavras: “multiculturalismo”, 
“interculturalidade”, “epistemologia”, “multicultural”, “intercultural” e 
“multiculturalismo/interculturalidade” nos títulos e resumos de cada artigo, as 
quais foram também combinadas e colocadas nos respectivos plurais com 
objetivos de maximizar a buscar. 
Como critérios para seleção de objeto de estudos, foram analisados o 
título e resumo de cada artigo, quando necessário realizado a leitura em sua 
totalidade, as obras que contemplassem a reflexão das bases epistemológica 
acerca do multiculturalismo/interculturalidade foram selecionadas como objeto 
de estudo e discutidas posteriormente. 
Para melhor contextualizar as discussões e os resultados obtidos foi 
elaborado um quadro, o qual contempla um resumo das principais correntes 
epistemológicas apresentadas na disciplina de ‘Epistemologia: Teorias do 
conhecimento’, ofertada pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino (PPGEn) 
do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). É importante ressaltar que o intuito 
deste estudo não é aprofundar em várias correntes epistemológicas, esse 
resumo serviu como norte para as discussões que envolvam, fundamentam e 
contribuem com as bases do multiculturalismo e da interculturalidade. 
 
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
Embora exista o embate semântico entre as diferenças políticas e 
ideológicas do multiculturalismo e a interculturalidade (NOSELLA, 2020), 
 
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fundamentamos aqui nossas discussões acerca do caráter epistemológico, o 
qual buscar compreender quais as bases epistemológicas comuns que 
alicercearam esses dois movimentos recentes. 
O Quadro1 consiste numa breve descrição das principais categoriais 
epistemológicas e suas concepções acerca da construção do conhecimento, 
obtidos da literatura inerente as anotações de bordo da disciplina ministrada no 
PPGEn-IFMT. 
Cabe ressaltar que o diário de bordo possibilita a reflexão acerca do ponto 
de vista do autor, permitindo também focalizações em torno da problemática 
analisada e desenvolvimento de níveis descritivos analisados (OLIVEIRA et al, 
2017). 
 
Quadro 1: Categoriais epistemológicas. 
Epistemologia Teoria 
Empirismo 
 O conhecimento é construído por meio de estímulos em que o objeto 
de estudo promove nos sentidos do espectador de forma a induzi-lo 
– Uma relação direta e unidirecional entre Objeto → Sujeito. E que a 
partir desta relação ocorre a construção do conhecimento. Sendo 
assim, o sujeito é caracterizado como um receptor passivo e devendo 
assim permanecer sem interferir no estudo. 
Racionalismo 
A construção do conhecimento deve ser formada assim como na 
matemática e na lógica, o espectador através dos sentidos deve fazer 
deduções acerca do objeto analisado – Uma relação direta e 
unidirecional entre Sujeito → Objeto as quais são obtidas por intuição 
e inferência racionais e lógicas, em que o sujeito é participante ativo 
do processo de construção do conhecimento. 
Interacionista 
Busca resolver o debate empirista x racionalista, propondo que tanto 
a razão quanto a experiência são necessárias para se chegar ao 
conhecimento, sendo essa aquisição um processo constituído pelo 
indivíduo durante toda a vida. De tal forma, que o ser humano é fruto 
de uma série influências no processo de aprendizagem. 
Materialismo histórico 
Fruto das relações sociais capitalistas, marcada pelas lutas de classe 
e exploração do homem pelo homem. Tendo como principais nomes 
Karl Marx e Friedrich Engels, os quais debruçaram também sobre a 
organização social e econômica voltada exclusivamente para 
industrias sustentadas pela exploração da mão de obra. 
Tendência histórica 
A construção do conhecimento decorre de um processo histórico 
social, o qual a metafísica e a ontologia são valorizadas. Isso significa 
que todos os seres humanos passam a ser considerados críticos, 
pensantes e autônomos. 
Teoria crítica (Escola 
de Frankfurt) 
A escola de Frankfurt surge como uma crítica a teoria tradicional, 
buscando a realização de estudos que transformem a realidade 
social, como pesquisas interdisciplinares com várias áreas do 
conhecimento. 
Pensamento complexo 
Desenvolve uma nova concepção de como o mundo existe e suas 
inter-relações, sendo uma maneira de repensar a realidade e suas 
 
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relações sistêmicas. Tendo como principal nome Edgar Morin, essa 
corrente destaca a presença do “todo” nas “partes” a qual ocorre de 
forma inseparável e complexa. 
Estruturalismo 
A cultura humana está colocada no homem criando uma estrutura 
interligada em vários aspectos, como estruturas, em que elementos 
culturais estão imersos na mente das pessoas, em outras palavras, o 
todo por ser considerado bem maior que a mera soma das partes, 
visto que, as partes se inter-relacionam. 
Pós-estruturalismo 
Consiste na superação do estruturalismo através da radicalização, 
sendo um movimento pluridisciplinar, que sugere novas abordagens 
da realidade social e especificamente nos sujeitos, as quais são 
influenciadas pelas relações de poder a partir do desenvolvimento 
histórico e cultural a qual estão inseridos. 
Fonte: Diário de bordo dos autores (2023). 
 
Historicamente, todas essas correntes epistemológicas abordadas 
tiveram suas bases fundamentadas no contexto social europeu colonizador, 
interligadas ao poderio dos cleros e da Igreja Católica, o qual iniciou a partir do 
século XV, e foi expandida com o advento das grandes navegações, e também, 
posteriormente a partir do século XVII com o iluminismo. 
Essa breve reflexão nos leva a compreender que a construção do 
conhecimento científico trilhou por diversas concepções, todavia, sempre 
relacionadas ao contexto social e político europeu: ‘O monoculturalismo’, 
pontuado por Santos (2013). De tal forma, as questões sociais e do indivíduo 
não foram consideradas pelas primeiras correntes epistemológicas. 
No embate entre empiristas x racionalistas, acerca da construção do 
conhecimento e nas relações entre sujeito e objeto, embora essas correntes não 
tenham um interesse na abordagem cultural e intercultural, concordamos que, 
nestas concepções a aprendizagem do indivíduo (único) está sendo analisada, 
dessa forma, um único sujeito não promove cultura (FLEURI, 1990). 
A corrente interacionista, por sua vez, no campo cultural buscou apenas 
solucionar o embate entre empiristas x racionalistas acerca da construção do 
conhecimento, pontuando que tanto os sentidos quanto razão são necessárias 
para a construção do conhecimento tido até então como cientifico. 
É em Marx e Engels que surgem os primeiros atos voltados a sociedade, 
todavia, não uma sociedade multicultural, pluralista e detentora de direitos, mas 
sim uma classe de povos trabalhadores pobres, famintos, doentes e explorados 
 
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pelas grandes empresas movidas no sistema capitalista, desta forma, essa 
corrente epistemológica busca a valorização do trabalho manual, a qual Marx 
chama de mais valia. E a igualdade de todos promovida diretamente pelo estado. 
Embora o Materialismo histórico de Marx e Engels não se configure 
diretamente como uma luta pela valorização das culturas e dos sujeitos 
presentes no multiculturalismo e na interculturalidade atual, no viés 
epistemológico, podemos considerar esse o precursor para as futuras correntes, 
as quais observamos na tendência histórica, na escola de Frankfurt e no 
pensamento complexo, um profundo embasamento na complexidade das 
relações e nos indivíduos como críticos e ativos do processo cultural, nos 
sistemas sociais complexos, na individualidade do sujeito com o ‘todo’ e com as 
‘partes’. Assim como, destacado por Nosella (2020), a interculturalidade sempre 
esteve presente na sociedade, todavia, somente nos dias atuais é mais 
atenuante. 
É no pós-estruturalismo que encontramos a maior influência quanto a 
fundamentação do multiculturalismo/interculturalidade, embora não sejam 
correntes similares, é possível notar algumas semelhanças entre si. Casali e 
Peres (2018) pontuam que para o pós-estruturalismo as relações da sociedade 
não se configuram apenas no campo econômico, mas também no campo 
individual, como o gênero, a sexualidade e as questões étnicos racionais. 
De forma semelhante, o multiculturalista Santos (2013) reflete sobre o viés 
cultural progressista que busca dar luz a questões discriminatórias, étnicas, 
sexuais e muitas outras proveniente das diferenciações por classes sociais. 
 
E a política da diferença não se resolve progressisticamente pela 
redistribuição: resolve-se por reconhecimento. E, portanto, o 
multiculturalismo progressista é o multiculturalismo que procura por 
numa equação, sem dúvida política, científica, intelectualmente e 
culturalmente complexa, mas a única que, ao meu entender, vale a 
pena ser um objeto de luta, esta tensão entre uma política de igualdade 
e uma política de diferença (SANTOS, 2013, p. 21). 
 
Santos (2013) se coloca em uma epistemologia semelhante aos pós-
estruturalismo ao qual denomina pós-modernismo de oposição, onde reconhece 
 
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que é necessário um tipo de produção cientifica mais intercultural, a qual não se 
debruça somente sobre os dos grandes problemas da modernidade. 
 
Portanto, temos problemas modernos para os quais não há soluções 
modernas. Esta visão, pela qual me tenho batido, é o que eu chamo de 
pós-modernode oposição; aliás, sem olhar muito as palavras, porque 
a minha posição cabe perfeitamente dentro da modernidade, para 
aqueles que consideram que a modernidade tem em si mesma 
diferentes paradigmas, diferentes formas de modernidade; portanto, 
esta versão que eu defendo pode ser perfeitamente englobada dentro 
de uma destas versões oposicionais, marginalizadas dentro da própria 
modernidade ocidental (SANTOS, 2013, p. 28). 
 
Ainda interligada ao movimento pós-estruturalista e presente no 
multiculturalismo, destacam a abordagem das identidades individuais dos 
sujeitos, inerentes de práticas, aos sistemas sociais e as relações de poder 
(DINIS; PEREIRA, 2015). 
No tocante a interculturalidade, concordamos com Fleuri (1990), na 
estratégia em que antes de tudo é necessário promover a relação entre todas as 
pessoas, enquanto membros da sociedade histórica, as quais são fruto de um 
processo cultural heterogêneo onde cada sujeito é ativo para suas críticas e 
pensamentos. 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Por meio da reflexão realizada foi possível constatar que o epistemólogo 
Boaventura de Sousa Santos conceitua a globalização como um processo 
contínuo, podendo ora se caracterizar como hegemônico e contra hegemônico, 
o qual está relacionando diretamente com o contexto histórico, político e social 
em que a sociedade está inserida. 
Além disso, o epistemólogo apresenta o multiculturalismo como duas 
vertentes, uma colonial, baseada nos moldes e na perspectiva do colonizador, a 
qual reconhece a existência de outras culturas, mas a inferioriza tornando-a 
marginalizada. E um multiculturalismo emancipatório, o qual é baseado na 
globalização e em diversas culturas, este, sugere as relações entre culturas, 
como um interculturalismo, vale ressaltar, que o objetivo do autor não é criar uma 
 
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cultura hegemônica, mas, possibilitar através dos discursos, das estruturas e dos 
diálogos uma igualdade como princípio e prática -descolonizada. 
Essas características multiculturais/interculturais apresentam também 
algumas fundamentações com as correntes epistemológicas pós-estruturalistas, 
embora o autor se coloque numa posição de pós-modernismo de oposição, o 
mesmo considera a qual destaca a necessidade de uma produção cientifica mais 
multicultural. 
Ao analisar o contexto histórico das correntes epistemológicas, foi 
possível constatam também que a ciência durante seu desenvolvimento é uma 
ferramenta de construção social, ligadas a interesses políticos e ao contexto 
histórico em que se estava imersa. Por fim, esse estudo sobre a epistemologia 
do conhecimento de forma ampla, permite refletirmos em como a ciência se faz 
ciência, tornando-nos sujeitos mais críticos e participantes do processo de 
transformação da Ciência, assim como, os povos colonizados mantiveram suas 
culturas frente a opressão e a marginalização imposta pelo colonizador. 
 
 
 
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