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8 A LIBERAÇÃO DA EUTANÁSIA E SUICÍDIO ASSISTIDO NO BRASIL Telêmaco Borba - PR 2024 1 INTRODUÇÃO A legalização da eutanásia no Brasil é um tema que desperta intensos debates por envolver questões éticas, religiosas, jurídicas e sociais. A eutanásia refere-se à prática de encerrar a vida de alguém, com consentimento, para aliviar um sofrimento extremo causado por doenças terminais ou condições irreversíveis. Atualmente, a prática é proibida no país e pode ser penalizada como homicídio segundo o Código Penal Brasileiro. Embora o tema seja controverso, há uma crescente discussão sobre a possibilidade de regulamentação, impulsionada por movimentos que defendem a autonomia individual e o direito a uma morte digna. Por outro lado, grupos contrários argumentam que a legalização pode abrir precedentes perigosos e ferir valores fundamentais da sociedade brasileira, como a preservação da vida. Diante desse cenário, a discussão exige um olhar cuidadoso e equilibrado, considerando aspectos médicos, legais e morais, além das particularidades culturais do Brasil. 2 Fundamentação teórica Na atualidade, a morte assistida é a realidade de vários países da Europa Ocidental: Holanda, Bélgica, Luxemburgo e Suíça; em dois países norte-americanos: Canadá e Estados Unidos; e na Colômbia, único representante da América do Sul. Para apresentar a maneira como a morte assistida ocorre nesses lugares e comparar sua legislação com a de outros países semelhantes em termos socioeconômicos e culturais, auxilia na compreensão do assunto e serve como base para discussões futuras. Ao término do trabalho, a comparação entre a posição dos outros países foi abordada para enriquecer a discussão. A Colômbia é o único país da América Latina onde a eutanásia é permitida. A prática foi descriminalizada em 1997, mas somente em abril de 2015 o Ministério da Saúde definiu como poderia ser realizada. Antes disso, era considerada “homicídio por piedade” e havia certa confusão sobre sua execução devido à falta de critérios claros. Atualmente, é regulamentada pela Resolução 12. 116/2015, que estabelece os procedimentos para a morte digna. Apenas um caso de eutanásia foi registrado até agora, envolvendo Ovídio Gonzáles, de 79 anos, que sofria de dor intensa devido a câncer. É essencial capacitar médicos e profissionais de saúde para enfrentar os dilemas éticos ligados ao fim da vida. Outro país a ser citado é Luxemburgo, o qual em 16 de março de 2009, que legalizou a eutanásia e o suicídio assistido, que são regulados pela Comissão Nacional de Controle e Avaliação. A lei se aplica a adultos competentes com doenças incuráveis e terminais que causam sofrimento intenso e sem alívio. O paciente deve solicitar o procedimento através de um documento escrito, que deve ser registrado pela Comissão. Essa solicitação pode ser revogada a qualquer momento. O médico deve consultar outros profissionais antes da realização, e o óbito deve ser comunicado à Comissão em até oito dias. Entre 2009 e 2014, foram registrados 34 casos de morte assistida, a maioria mulheres entre 60 e 79 anos, com diagnóstico de câncer. No Brasil a questão da eutanásia ainda não é regulamentada, mas é amplamente debatida entre médicos, filósofos, religiosos e profissionais do direito. Atualmente, é classificada como crime de homicídio no Código Penal e, dependendo da situação, pode ser também induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. O Código de Ética Médica proíbe que médicos acabem com a vida do paciente, mesmo a pedido, e destaca a importância de cuidados paliativos em casos de doenças terminais. A ortotanásia é apoiada pela Constituição, pois garante a morte digna ao paciente terminal. O Conselho Federal de Medicina permite que médicos limitem tratamentos em fase terminal, respeitando a vontade do paciente e garantindo cuidados para alívio do sofrimento. Além disso, as diretivas antecipadas de vontade garantem que os desejos do paciente prevaleçam sobre outros pareceres, mesmo familiares. A legalização da eutanásia em diferentes nações tem sido objeto de análise quanto à sua eficácia, impacto na saúde e no bem-estar dos indivíduos, particularmente no que se refere ao alívio do sofrimento de pacientes acometidos por doenças graves. Entre os vários benefícios vinculados a esta prática, já legalizada em diversos países, destacam-se: a) A diminuição do sofrimento físico resultante de dores agudas e sintomas debilitantes, assim como a mitigação do sofrimento psicológico decorrente da falta de esperança em uma possível recuperação. b) Aumento da dignidade no fim da vida: Estudos revelam que os pacientes atribuem grande importância à autonomia sobre suas vidas, evitando a extensão desnecessária da dor e do sofrimento. c) Elaboração de estratégias para cuidados paliativos: a regularização da eutanásia frequentemente impulsiona avanços na área dos cuidados paliativos, uma vez que a legislação nesses países habitualmente exige que todas as alternativas de tratamento e alívio da dor sejam esgotadas antes da consideração da eutanásia. d) Evita tratamentos invasivos desnecessários: Pesquisas indicam que a legalização da eutanásia pode diminuir a realização de intervenções fúteis e dispendiosas em fases terminais de enfermidades, propiciando uma alocação mais eficiente de recursos médicos. e) Luto mais saudável: Estudos sugerem que os familiares de indivíduos que escolheram a eutanásia experimentam níveis reduzidos de culpa e sofrimento psicológico, em contraste com aqueles que vivenciaram a morte de entes queridos de forma dolorosa e prolongada. A experiência global indica que, quando devidamente regulamentada, a eutanásia pode se configurar como uma alternativa eficaz e ética para a mitigação do sofrimento e a promoção de um desfecho digno à vida. Simultaneamente, demanda um diálogo constante e monitoramento rigoroso para harmonizar os direitos individuais com as preocupações pertinentes. 3 METODOLOGIA A implementação da eutanásia no Brasil exige um projeto ético e cuidadoso, voltado para pacientes terminais com condições irreversíveis e sofrimento insuportável, além de seus familiares e profissionais de saúde. Também busca envolver a sociedade para ampliar a compreensão do tema e reduzir preconceitos. O projeto será realizado em hospitais com cuidados paliativos, universidades e plataformas digitais, garantindo alcance amplo. Entre as ações previstas estão a capacitação de profissionais de saúde, palestras e debates para informar a população e a criação de protocolos éticos e legais baseados em experiências de países que já regulamentaram a prática (Holanda e Bélgica). Comitês especializados podem ser formados para avaliar os casos individualmente. Haverá apoio psicológico para pacientes e familiares, com grupos de suporte e atendimento individualizado. Campanhas de conscientização em diversas mídias esclarecerão dúvidas e combaterão estigmas. Pesquisas e monitoramento contínuos garantirão que as normas sejam respeitadas e os impactos avaliados. O objetivo principal é promover a dignidade e a autonomia do paciente de maneira responsável e humanizada. 4 resultados esperados A regulamentação da eutanásia é uma medida de saúde pública que promove a dignidade e o respeito pela autonomia individual, permite que pacientes em sofrimento irreversível tomem decisões conscientes sobre o fim de suas vidas, possibilitando também que as famílias se preparem adequadamente para a morte de seus membros. Entre os benefícios esperados, os mais proeminentes são o potencial para aliviar o sofrimento humano, respeitar a autonomia e encorajar um debate mais aberto e responsável sobre cuidados paliativos e saúde mental. Além disso, a implementação da legislação e das políticas públicas sobre a eutanásia pode incentivar melhorias nos sistemas de saúde e dar maior ênfase ao acolhimento e ao apoio psicológico. Espera-se que a legalização seja acompanhada de campanhas educativas e programas de formação para profissionais de saúde, para garantirque o processo siga a legislação e seja conduzido de forma ética e compassiva. Portanto, quando regulamentada de forma organizada, a eutanásia pode tornar-se um ato de empatia, reforçando princípios de humanidade e respeito pela escolha individual. REFERÊNCIAS HERINGER, Astrid; PERIM, Sabrina Fontoura. A eutanásia no Brasil. Revista Direito e Justiça: Reflexões Sociojurídicas, v. 8, n. 11, p. 13-36, 2008. DE CASTRO, Mariana Parreiras Reis et al. Eutanásia e suicídio assistido em países ocidentais: revisão sistemática. Revista Bioé SIQUEIRA-BATISTA, Rodrigo; SCHRAMM, Fermin Roland. A eutanásia e os paradoxos da autonomia. Ciência & Saúde Coletiva, v. 13, p. 207-221, 2008.tica, v. 24, n. 2, 2016. image1.png