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APG 6 - Sistema Circulatório
★ Principais características do sistema circulatório
O sistema circulatório abrange o sistema vascular sanguíneo e o sistema vascular linfático.
O sistema vascular sanguíneo é um conjunto de estruturas tubulares ocas compostas do
coração, encarregado de impulsionar o sangue, e dos vasos sanguíneos, que distribuem o
sangue pelo organismo e o retornam ao coração. O conjunto de vasos sanguíneos é
composto das artérias, das arteríolas, dos capilares sanguíneos, das vênulas e das veias.
As artérias são vasos cujo diâmetro se torna menor à medida que se ramificam, e sua
função é conduzir o sangue do coração para os tecidos.
As arteríolas, além de conduzir o sangue, exercem um papel importante no controle da
pressão arterial.
Os capilares sanguíneos constituem uma rede complexa de tubos muito delgados. Através
de suas paredes, ocorre a maior parte do intercâmbio entre o sangue e os tecidos pela
passagem de O2, água, íons e moléculas de diversos tamanhos.
As veias se formam pela convergência dos capilares e seu diâmetro se torna cada vez mais
calibroso à medida que se aproximam do coração, para onde conduzem o sangue
proveniente dos tecidos.
O sistema vascular sanguíneo é, portanto, um sistema fechado, no interior do qual o sangue
circula continuamente.
O sistema vascular linfático tem características diferentes do sistema vascular sanguíneo.
Inicia-se pelos capilares linfáticos, vasos de fundo cego e de pequeno calibre que se
originam nos tecidos. Os capilares linfáticos gradualmente se reúnem para formar vasos de
diâmetro crescente cujos segmentos finais terminam em dois ductos que desembocam em
grandes veias próximas ao coração e transportam a linfa para o sangue.
Uma das funções do sistema linfático é recolher e retornar ao sangue parte do líquido
contido no espaço extracelular dos tecidos, denominado linfa, e participar da resposta
imunitária permitindo a recirculação de linfócitos no corpo e transportando antígenos aos
linfonodos.
★ Componentes da parede dos vasos sanguíneos
A parede dos vasos sanguíneos é formada pela associação de vários tecidos organizados
em camadas chamadas túnicas. Nos vasos mais calibrosos, a parede é mais espessa e
composta das seguintes camadas: túnica íntima, túnica média e túnica adventícia. A
estrutura da parede se simplifica à medida que os vasos se tornam menos calibrosos.
● Túnicas íntimas
A camada celular mais interna dos vasos, em contato com o sangue, é um epitélio simples
pavimentoso denominado endotélio, apoiado sobre uma lâmina basal. O endotélio é uma
interface entre dois importantes compartimentos do organismo: o sangue e os tecidos que
envolvem os vasos sanguíneos. Nos vasos mais calibrosos, pode haver, em torno da lâmina
basal, uma camada subendotelial de tecido conjuntivo e que pode apresentar células
musculares lisas
Nos vasos arteriais, a túnica íntima está separada da túnica média pela lâmina elástica
interna, uma estrutura laminar composta principalmente de elastina. Ela tem aberturas
(fenestras) que permitem a difusão de substâncias do sangue para nutrir células da parede
do vaso
↳ Células endoteliais
As células endoteliais são achatadas, seus núcleos são ovalados e repousam sobre uma
lâmina basal. A parede dos vasos mais delgados – capilares sanguíneos e vênulas
pós-capilares – é formada somente por uma camada de células endoteliais e sua lâmina
basal. Nas artérias, o longo eixo das células endoteliais orienta-se na direção do fluxo
sanguíneo.
O endotélio dos capilares sanguíneos efetua as trocas bidirecionais entre o sangue e o
tecido que circunda os capilares, e as células endoteliais são capazes de controlar o
transporte de substâncias entre esses compartimentos. Através da parede dos capilares
são transferidos O2, CO2, água, íons, nutrientes, metabólitos, hormônios, sob forma de
pequenas moléculas, macromoléculas, além de células.
Além de revestir internamente os vasos sanguíneos, as células endoteliais têm inúmeras
outras funções, tais como:
● Disposição de uma superfície que impede a coagulação de sangue
● Conversão de bradicinina, serotonina, prostaglandinas, norepinefrina
(noradrenalina), trombina etc. em compostos biologicamente inertes
● Lipólise de lipoproteínas por enzimas localizadas na superfície das células
endoteliais para liberar triglicerídios e colesterol
● Produção de fatores vasoativos que influenciam o tônus vascular, como a
endotelina-1, peptídeo com potente ação vasoconstritora, e agentes vasodilatadores
(p. ex., óxido nítrico) e fatores de relaxamento
● Conversão de angiotensina I em angiotensina II
● Síntese e secreção de fatores de crescimento, por exemplo, o fator de crescimento
do endotélio vascular (VEGF), com importante papel na formação do sistema
vascular durante o desenvolvimento embrionário e na neoformação de vasos e
regulação do crescimento dos capilares em condições normais e patológicas em
adultos.
Endotélio e coagulação sanguínea
O endotélio tem ação antitrombogênica, impedindo a coagulação de sangue. Quando
células endoteliais são danificadas, por exemplo, por lesões provocadas pela
aterosclerose, o tecido conjuntivo subendotelial é exposto, induzindo a agregação de
plaquetas. Essa agregação inicia uma cascata de eventos que resultam na formação de
fibrina a partir do fibrinogênio do sangue.
Dessa maneira, um coágulo intravascular, ou trombo, é formado e pode crescer até obstruir
completamente o fluxo vascular local. Porções de massa sólida podem separar-se do
trombo e ser levadas pelo sangue, podendo obstruir vasos sanguíneos distantes, processo
chamado embolia. Em ambos os casos, pode ocorrer parada do fluxo vascular,
constituindo-se em uma potencial condição de ameaça à vida.
↳ Pericitos
Nos vasos da microcirculação – arteríolas pré-capilares, capilares e vênulas pós-capilares
–, há células apoiadas externamente sobre a camada endotelial denominadas pericitos.
São células de origem mesenquimal dotadas de longos processos citoplasmáticos e que
envolvem externamente e de maneira descontínua segmentos da parede desses vasos.
Acredita-se que os pericitos contribuam para a estabilidade do endotélio, embora a
totalidade de suas funções ainda não seja conhecida. Possivelmente, participam da
formação de novos vasos sanguíneos, do crescimento e da reparação de pequenos vasos
sanguíneos e que possam se comportar como progenitores de outros tipos celulares. A
existência de miosina, actina e tropomiosina nos pericitos sugere que essas células também
tenham uma função contrátil e de migração.
● Túnicas médias
É formada, em grande parte, por camadas concêntricas de fibras musculares lisas
organizadas helicoidalmente em relação ao vaso. Principalmente em arteríolas e pequenas
artérias, as fibras são frequentemente conectadas entre si por junções comunicantes
(junções gap).
Cada fibra muscular é envolvida por uma lâmina basal e por uma quantidade variável de
matriz extracelular por elas produzida e composta de fibras e lâminas de elastina, fibras
reticulares (de colágeno do tipo III), proteoglicanos e glicoproteínas.
Defeitos na túnica média de artérias
Quando a túnica média de uma artéria é debilitada por defeito embrionário, doença ou
lesão, a parede da artéria pode dilatar-se. Quando essa dilatação progride, pode
transformar-se em um aneurisma. A ruptura do aneurisma tem consequências graves e
pode causar graves hemorragias e morte.
● Túnica adventícia
A túnica mais externa dos vasos sanguíneos é composta principalmente de tecido
conjuntivo frouxo e denso. Sua quantidade e proporção dependem do calibre e do tipo de
vaso, arterial ou venoso. A periferia da túnica adventícia frequentemente se continua com o
tecido conjuntivo do local em que o vaso sanguíneo está passando.
● Vasa vasorum
Nas paredes dos vasos mais calibrosos, há arteríolas, capilares e vênulas, principalmente
na túnica adventícia e, em menor quantidade, na porção externa da túnica média. Esses
vasos são denominados vasa vasorum (do latim “vasos dos vasos”) e fornecem oxigênio enutrientes às células da adventícia e da média, porque em vasos calibrosos essas camadas
dificilmente podem ser nutridas por difusão a partir do sangue que circula no lúmen do vaso.
Há maior quantidade de vasa vasorum em veias que em artérias.
★ Tipos de vasos sanguíneos
- Vasos da macrocirculação: mais calibrosos, responsáveis por transportar sangue aos
órgãos e levá-lo de volta ao coração (grandes, médias e pequenas artérias e veias)
- Vasos da microcirculação: com menos de 100 μm de diâmetro e visíveis somente ao
microscópio (arteríolas, capilares e vênulas pós-capilares). Realizam a distribuição final de
sangue arterial nos tecidos e o recolhimento inicial de sangue venoso.
Os vasos sanguíneos arteriais e venosos da macrocirculação são classificados pelo seu
diâmetro e pela estrutura de sua parede. As artérias são de dois tipos: elásticas e
musculares, também denominadas artérias de distribuição. As veias são classificadas em
veias de pequeno, médio e grande calibres.
● Artérias elásticas ou condutoras
As artérias elásticas incluem a aorta, a artéria pulmonar e alguns de seus ramos. As
paredes desses vasos têm cor amarelada devido ao acúmulo de elastina na túnica média.
A túnica íntima também tem fibras elásticas e é proporcionalmente mais espessa que a
íntima de uma artéria muscular. Entre a túnica íntima e a média há uma lâmina elástica
denominada lâmina elástica interna, que, em cortes histológicos, nem sempre pode ser
facilmente distinguida das demais lâminas elásticas da túnica média. Como resultado da
ausência de pressão sanguínea e da contração do vaso por ocasião da morte, a lâmina
elástica interna das artérias geralmente apresenta aspecto ondulado nos cortes
histológicos.
A túnica adventícia é relativamente delgada nas artérias elásticas.
↳ Lâminas elásticas
Uma característica marcante das artérias elásticas é a presença de lâminas elásticas
perfuradas, organizadas concentricamente na túnica média.
Seu número aumenta com a idade.
Entre as lâminas elásticas há fibras musculares lisas que se organizam em disposição de
hélices em torno do lúmen, além de fibras colágenas, proteoglicanos e glicoproteínas. O
conjunto de lâminas elásticas, músculo liso e tecido conjuntivo confere à parede das artérias
elasticidade e resistência a forças mecânicas.
As lâminas elásticas da túnica média têm a importante função de uniformizar o fluxo de
sangue. Após a sístole cardíaca, a pressão intravascular se eleva nas artérias e a parede
das artérias elásticas se distende. Em seguida, após a diástole, a parede retorna ao seu
estado anterior graças à elasticidade de suas paredes, conferida principalmente pelas
lâminas elásticas.Se a parede não tivesse essa elasticidade, a pressão arterial aumentaria
muito após a sístole cardíaca e se reduziria muito durante a diástole
Nessas condições, o fluxo de sangue seria quase intermitente em vez de ser contínuo. A
diferença entre a pressão sistólica e a diastólica seria muito grande e prejudicial ao
funcionamento dos vasos, podendo inclusive causar lesões em vasos com paredes mais
delicadas, como os capilares e as vênulas pós-capilares. Graças às lâminas elásticas,
obtém-se um fluxo contínuo e uniforme de sangue em todo o sistema arterial e nos
capilares, e é mantida uma pressão compatível com as funções orgânicas. As pressões
durante a distensão e após o retorno constituem, respectivamente, a pressão sistólica e a
pressão diastólica (máxima e mínima).
● Artérias musculares ou de distribuição