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1
2
ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico
FARMACOVIGILÂNCIA
Gustavo Mendes Lima Santos
Vitae Editora 
Anápolis (GO), 2023
3
Professor Gustavo Mendes Lima Santos
Farmacêutico. Formado pela USP de Ribeirão Preto. Mestre em Toxicologia pela Universidade 
Estadual de Maringá. Servidor da Anvisa há 17 anos. Gerente-Geral de Medicamentos 
e Produtos Biológicos. Professor no ICTQ - Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para 
o Mercado Farmacêutico.
EXPEDIENTE:
Autor: ICTQ – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico
Revisão Técnica: farmacêutica Me. Juliana Cardoso
Produção: Vitae Editora
Edição: Egle Leonardi e Jemima Bispo
Colaboraram nesta edição: Erika Di Pardi e Janaina Araújo
Diagramação: Cynara Miralha
4
O QUE É FARMACOVIGILÂNCIA 
Em 2002, a Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu o que era a Farmacovigilância 
e como deveria ser estruturada. Segundo a organização, Farmacovigilância é ciência relativa 
à detecção, avaliação, compreensão e prevenção dos efeitos adversos ou quaisquer problemas 
relacionados a medicamentos. 
Por eventos adversos entende-se os agravos à saúde de um paciente que podem estar 
presentes durante o tratamento com um produto farmacêutico. Tal efeito não se relaciona 
apenas ao medicamento, mas também a qualquer ação que envolve seu uso e que possa 
trazer tipo de risco. 
Logo, esses efeitos adversos, diferente de um efeito consequente do uso de um medicamento, 
expande a proposta para conceituar a ideia de que qualquer agravo à saúde de um paciente, 
ao longo de um tratamento com um produto farmacêutico, é escopo da ciência relacionada 
à Farmacovigilância. 
É comum prever que algumas situações possam estar relacionadas ao uso do medicamento. 
No entanto, a partir da nova definição em 2002 proposta pela OMS, ampliou-se o conceito 
para que a ciência traga respostas às relações entre qualquer agravo à saúde e o uso 
de um medicamento.
CONCEITOS EM FARMACOVIGILÂNCIA
Eventos Adversos
Falar em eventos adversos pressupõe a mobilização de uma lista de possíveis situações 
que podem causá-los: 
• Erros de Medicação;
• Desvio de Qualidade de Medicamentos, que podem gerar questões relacionadas à ineficácia,
entre outros agravos;
• Reações adversas a Medicamentos, geralmente são mapeadas em bulas, mas também
podem ser inesperadas;
• Interações Medicamentosas, previstas ou não previstas em bulas, também são escopo
da ciência da Farmacovigilância; 
• Intoxicações por uso de medicamentos.
POR QUE A FARMACOVIGILÂNCIA É NECESSÁRIA? 
• Desenvolvimento clínico de medicamentos
Ao pensar no desenvolvimento de um medicamento, observa-se que desde o começo já foi 
estudado em laboratórios, em animais e em humanos. Mas, por que ainda existe uma ciên-
cia que se preocupa com o uso, após o medicamento estar comercializado? Para responder 
aos questionamentos, parte-se da ideia de que o desenvolvimento clínico de um medicamento 
é dividido em três fases. São elas:
5
• Fase 1: segurança farmacológica
Preocupa-se em avaliar a segurança farmacológica de uma nova molécula, na qual testa-se 
uma quantidade menor de voluntários, normalmente sadios, e verifica-se a segurança 
do medicamento. 
Para aprovar uma fase 1, existe uma série de dados, os quais foram desenvolvidos antes, 
em escala laboratorial e em escala in vitro. Por isso, na primeira vez que uma molécula 
é testada em um ser humano, já existe um conjunto de dados de segurança importantes, 
os quais subsidiam as sequências do desenvolvimento clínico. 
• Fase 2: estudos exploratórios para definição de dose e população-alvo
São estudos que ainda buscam obter respostas, por exemplo: Qual a dose ideal de um 
medicamento? É necessário algum ajuste? Precisa-se administrar mais para obter a mesma 
resposta clínica? Pode-se diminuir a dose para obter a mesma resposta? 
A fase 2 também se preocupa com a chamada população-alvo. Nesses casos, as questões 
são: O novo medicamento pode ser administrado em idosos? E em pacientes com insuficiência 
renal e insuficiência hepática? 
Por isso, essa fase é exploratória, busca identificar a população-alvo e a dose resposta. 
Assim, no desenvolvimento de um medicamento, o mais importante é que se tenha a menor 
dose com a maior resposta.
• Fase 3: Estudos confirmatórios com população controlada
Essa é a fase na qual um medicamento é testado em uma população maior, a qual representa 
o público-alvo e a população mundial. Nesse sentido, fala-se de milhares de voluntários
e pacientes que serão testados.
São estudos chamados de “controlados”. O padrão ouro do que é um estudo clínico é o que 
se chama de estudo clínico randomizado e controlado. Isso porque, na fase 3, a preocupação 
é confirmar se o medicamento realmente funciona. Para a confirmação, é necessário fazer 
uma série de controles na população. Por isso, controla-se a alimentação, estabelecendo 
ainda critérios de inclusão e de exclusão. Isso é importante para que se consiga monitorar 
somente o efeito do medicamento e certificar sua funcionalidade. 
Ao final, o medicamento é aprovado pela agência reguladora, no caso do Brasil, pela 
Anvisa, a partir de estudos conduzidos em uma população controlada. É imprescindível 
controlar todos os aspectos e parâmetros, monitorando os voluntários que participaram dos 
estudos de maneira muito próxima. 
E OS DADOS DE VIDA REAL?
Trata-se de um momento em que o medicamento vai para a vida real, ou seja, para a população 
brasileira e mundial, em um contexto no qual o medicamento pode ser usado por diferentes 
pessoas, com diferentes idades, diferentes condições de alimentação, de metabolismo, usos 
que não estão previstos em bula, chamados de “uso off label”. Isso pode causar uma série 
de reações que são inesperadas e desconhecidas, o que justifica a preocupação em relação 
ao controle da população, a verificação do efeito do medicamento e o mapeamento de sua 
segurança. 
6
A Farmacovigilância é fundamental, pois uma série de eventos adversos podem ocorrer 
depois que o medicamento vai para o mercado. Por isso, é necessário que uma estrutura seja 
montada para que todas as reações sejam observadas, mapeadas e possam contribuir para 
as ações futuras. Tais ações vão desde um possível recolhimento do produto até mesmo 
sua proibição. Historicamente, há casos em que o medicamento aprovado por uma agência 
reguladora, pela Anvisa, inclusive. Depois, com a observação dos eventos adversos 
que ocorriam no uso pela população decidiu-se que o produto havia perdido o chamado 
"benefício-risco" positivo. 
No final, a decisão de uma agência reguladora em aprovar um medicamento e mantê-lo 
no mercado é de “benefício-risco”, ou seja, o risco de usar o medicamento não pode ser 
maior que o benefício terapêutico que ele possui. Sabe-se que qualquer medicamento possui 
um risco associado. Contudo, é necessário um balanço benefício-risco positivo para 
que o produto não seja retirado do mercado. 
No entanto, outros aspectos são interessantes quando se avalia os eventos que acontecem 
na população. 
Dessa forma, retomamos à pergunta: 
Por que a Farmacovigilância é necessária? 
Observar os eventos adversos é uma questão de saúde pública e alguns aspectos são 
fundamentais para serem realizados e discutidos no âmbito da ciência da Farmacovigilância.
• Identificação de riscos do uso na população em relação aos medicamentos:
Os riscos que um medicamento pode causar na população devem ser identificados pela 
Farmacovigilância. Essa é uma das primeiras e mais importantes ações. 
• Definição de critérios para análise de causalidade de riscos:
A Farmacovigilância se preocupa em saber o quanto os eventos adversos estão relacionados 
ou são a causa do uso dos medicamentos. Se não houver a relação de causalidade, pode ser 
que não se consiga fazer a relação e associar eventos adversos ao medicamento.
• Contribuição na tomada de decisão regulatória sobre a manutenção do benefício-risco
de medicamentos:
Algumas vezes, com os dadosgerados pela Farmacovigilância ou com as informações 
observadas com os eventos adversos, é possível fazer um novo balanço benefício-risco que 
pode gerar uma consequente retirada do medicamento do mercado. Por outro lado, existe 
a possibilidade de que, com os dados gerados pela Farmacovigilância, seja possível propor 
novos usos, os quais, inicialmente, não haviam sido estudados em estudos clínicos. 
Por exemplo, o medicamento não tinha a indicação para um câncer específico que, na prática 
médica, pelo uso off label, observa-se que há um benefício de um determinado medicamento 
para esse tipo de doença. 
Dessa forma, há a possibilidade de juntar dados e evidências, chamados de “evidências 
de vida real”, pois não são geradas a partir de estudos clínicos específicos, mas, sim, por meio 
da prática clínica, das observações dos profissionais prescritores. Com isso, pleiteia-se 
uma nova indicação. Destaca-se, neste ponto, uma importante contribuição da Farmaco-
vigilância, visto que o campo dos dados de vida real tem crescido sobremaneira. 
7
• Auxílio na tomada de decisão por gestores de recursos na saúde:
Quando um gestor de saúde precisa tomar uma decisão sobre qual medicamento será 
fornecido, por exemplo, pela sua Secretaria de Saúde ou pelo Ministério da Saúde, o balanço 
benefício-risco que é pautado pelos dados de vida real ou pelos dados observados pela 
Farmacovigilância pode ser muito importante. Sabe-se que riscos associados a medicamentos 
possivelmente geram agravos à saúde, com consequências não somente à saúde, mas 
em relação aos recursos e estruturas do sistema de saúde. Ou seja, tem a ver com uma questão 
de gestão econômica. 
Portanto, além dos aspectos de saúde pública relacionados às condições de saúde dos pacientes 
e da utilização do medicamento, a Farmacovigilância diz respeito ainda ao aspecto 
econômico da gestão pública. 
FARMACOVIGILÂNCIA NO BRASIL 
O Brasil faz parte da Uppsala Monitoring Centre (UMS), organização não governamental 
fundada na década de 1990, com o objetivo de auxiliar a Organização Mundial de Saúde 
(OMS) a organizar ações e a estruturar serviços de Farmacovigilância. 
São mais de 90 países que fazem parte desse consórcio. Ao fazer parte desse consórcio 
de países, o Brasil se compromete não só a compartilhar dados observados e ações 
de Farmacovigilância realizadas localmente, mas passa a seguir os mesmos ritos, proce-
dimentos, a utilizar as mesmas referências, a fim de que haja uma estrutura organizada 
nas questões de Farmacovigilância. 
A Anvisa foi designada como órgão gestor e estruturador da Farmacovigilância no Brasil, 
mas, apesar de estar centralizada no âmbito federal, as ações não são restritas à federação. 
Existem diversos atores envolvidos, situados em diferentes instâncias. 
INTERFACES DA FARMACOVIGILÂNCIA
O Centro de Vigilância Sanitária, descentralizado nos estados ou nos municípios, também 
é responsável por coletar dados de eventos adversos e tratá-los. 
Indústrias farmacêuticas também têm como grande responsabilidade essas ações. Existem 
ainda os centros de saúde que atendem aos pacientes, com seus respectivos profissionais 
de saúde ou prescritores como peça-chave nas ações de Farmacovigilância, assim como 
as farmácias, que são instituições que promovem e coletam dados relacionados aos eventos 
adversos. 
Lembrando que os pacientes precisam ser orientados a fazer parte desse sistema 
de Farmacovigilância, pois, no final, quem está utilizando os medicamentos devem saber 
quais são os possíveis eventos adversos. Portanto, esses pacientes devem ser capazes 
de identificá-los e relatar aos profissionais prescritores e farmacêuticos, a fim de que os dados 
sejam adequadamente coletados. 
8
REDE SENTINELA
A Rede Sentinela foi estruturada de forma paralela à regulamentação da Anvisa. Inicialmente, 
era uma rede de hospitais, cadastrados para serem observadores de riscos à saúde devido a 
medicamentos.
Diferente do que se idealizou de Farmacovigilância, como uma ação passiva de receber 
notificações de relatos de eventos adversos vindo dos pacientes e dos profissionais de saúde, 
a Rede Sentinela foi o primeiro movimento em que se estruturou uma busca ativa. 
Os hospitais sentinelas se estruturaram com uma equipe multiprofissional, a qual buscou 
gerenciar esses riscos, observar e estruturar os dados, ativamente, e fazer essa interface junto 
à Anvisa. 
Existem diferentes instâncias de participação na rede sentinela:
• Participante: Existência e funcionamento da gerência de risco, ou seja, que trabalhe com
os riscos que são observados no centro de saúde, a qual precisa se preocupar com alimentação 
regular dos bancos de dados de sistema de vigilância, para que esses dados sejam estruturados. 
Isso é obrigatório para a entrada e permanência na Rede. 
• Colaborador: Capacidade para desenvolvimento de estudos de interesse do Sistema
de Saúde Brasileiro. O escopo do trabalho não é apenas coletar e alimentar banco de dados 
ativamente, no caso do participante colaborador, também pode ser necessária a realização 
de estudos, mediante a necessidade de tratar os dados e apresentar resultados para a Anvisa 
ou para qualquer ente do Sistema de Saúde Brasileiro. 
• Centro de Cooperação: Cooperação horizontal para atividades de formação de pessoal, não
pressupõe apenas a busca ativa de dados e a geração de estudos, mas preconiza a transmissão 
de conhecimento e educação continuada a outras instituições de saúde ou a capacidade 
para desenvolvimento de material instrucional. Nesse nível, mais do que estudar e coletar, 
o centro é capaz de formar outros centros e ter materiais institucionais a serem divulgados.
• Centro de Referência: Coordenação e ou supervisão de sub-redes, pois já está no nível
de desenvolvimento e de experiência nas ações de Farmacovigilância, estruturando este 
nível com foco em temas ou tecnologias específicas. 
Para além da prerrogativa dos medicamentes, a Rede Sentinela lança mão de algum tema 
ou uso específico, como a Oncologia, por exemplo, ou algum subtema da área de medicamentos, 
no qual o centro de referência seja capaz de atuar. 
Inicialmente, foi pensado em Centro de Atendimento a pacientes. No entanto, esse conceito 
se ampliou para incluir farmácias, como um local no qual o paciente pode ser orientado e 
onde seja possível coletar informações que são valiosas para as ações de Farmacovigilância. 
A transformação da farmácia em um simples estabelecimento de dispensação de medica-
mentos e aconselhamento de uso e aconselhamento farmacêutico passa a ser um centro 
de busca ativa de dados de Farmacovigilância. 
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NOVO MARCO REGULATÓRIO DE FARMACOVIGILÂNCIA
A resolução 406, de julho de 2020, traz um novo conceito para a Farmacovigilância. Nesse 
caso, a Anvisa está preocupada com o que os detentores de registro, ou seja, as indústrias 
farmacêuticas têm que fazer para agir e fazer parte do Sistema de Farmacovigilância Nacional.
• Revoga a RDC 04, de 10 de fevereiro de 2009:
É chamado de “novo marco regulatório”, porque a RDC 406/2020 revoga a resolução 04, 
de 2009. Portanto, são mais de onze anos de diferença entre o marco inicial de Farmacovigilância 
e o mais recente. 
Dessa forma, a nova resolução foi uma proposta discutida em diferentes instâncias, 
não só com setor regulado ou com as indústrias farmacêuticas, mas também com todo 
o sistema de Farmacovigilância o qual pudesse ser bem estruturado.
• Convergência Regulatória Internacional (Guia ICH E2B):
Além da atualização dos conceitos mediante o novo cenário, as tecnologias mudaram 
para a fabricação de medicamentos. A capacidade de coletar dados, ao longo de onze anos, 
mudou muito. Hoje, fala-se em Big Data, aplicativos que coletam informações de saúde por 
meio dos relógios, de smartwatches, de aplicativos de celular etc. Há uma riqueza enorme 
e o marco regulatório de Farmacovigilância não poderia estar desatualizado nesse sentido. 
Por isso, a RDC 406/2020 emerge nesse cenário de atualização e trouxe maior convergên-cia regulatória, chamada assim porque, em 2019, a Anvisa foi aceita no comitê gestor 
do ICH (Fórum de Agências Reguladoras), que trata de harmonização de requisitos técnicos 
para medicamentos. 
A partir daí, o Brasil atingiu um novo patamar, no qual são necessárias internalizações 
de guias que já existem no âmbito do ICH. Um deles é o E2B, o qual harmoniza procedimentos 
de Farmacovigilância de relatos de segurança de uso de medicamentos.
Assim, o novo marco regulatório busca internalizar esses conceitos e trazer para o Brasil 
uma proximidade maior com os procedimentos das agências, no âmbito do ICH.
• Estabelece as Boas Práticas de Farmacovigilância:
Esse conceito está muito alinhado com outras boas práticas que a Anvisa estrutura, 
apresentando a ideia de que a Farmacovigilância também é uma ação que necessita de uma 
estrutura e procedimentos bem caracterizados, além de documentação, pessoal capaci-
tado e de condições mínimas dentro da Indústria Farmacêutica, por parte dos detentores 
de registro de medicamentos. 
Falar em boas práticas de Farmacovigilância é uma referência direta ao que já é praticado 
de forma bem estruturada pela Anvisa, a exemplo das boas práticas de fabricação, distribuição 
de medicamentos, biodisponibilidade, bioequivalência etc. 
O amplo conhecimento existente dentro da Anvisa de regulamentar e cobrar as boas práticas 
é incorporado nessa nova proposta de boas práticas da Farmacovigilância, 
por meio da Resolução 406/2020 e Resolução 718/2022.
Academico
Realce
10
• Apresenta requisitos, responsabilidades e padrões de trabalho a serem observados
por Detentores de Registro de Medicamentos (DRM):
É importante esclarecer que o Detentor de Registo de Medicamentos nem sempre 
é uma indústria farmacêutica. Muitas vezes, trata-se de uma empresa que possui um 
acordo comercial com uma indústria farmacêutica. A responsabilidade pelas 
ações de Farmacovigilância, ou seja, por cumprir as boas práticas, é de quem detém o 
registro. Por isso, se uma empresa é apenas uma importadora, ela tem que cumprir 
com todos os requisitos de responsabilidade estruturados pela RDC 406/2020 e Resolução 
718/2022. 
Para saber quem é o detentor do registro de um medicamento, é necessário olhar 
qual é o CNPJ associado à publicação no Diário Oficial da União do registo do 
medicamento. Pois, o registro, junto com a autorização da Anvisa sempre é associado a 
um CNPJ, o qual tem uma autorização de funcionamento junto à Anvisa para que possa 
realizar essas ações. Logo, esse CNPJ é o responsável pelas boas práticas.
RESPONSABILIDADES DO DRM 
A resolução 406/2020 e resolução 718/2022 traz algumas informações importantes sobre o 
Detentor de Registro do Medicamento e suas responsabilidades. A primeira delas é 
designar um responsável pela Farmacovigilância (RFV), bem como seu substituto (que 
não pode ser terceirizado). Qualquer detentor de registro precisa designar alguém que 
uma pessoa e um substituto, que devem ser do quadro de contratação da empresa. 
Esses responsáveis pela Farmacovigilância têm algumas responsabilidades primordiais, 
a saber:
I - Responder pelo Sistema de Farmacovigilância estruturado pelo Detentor de Registro 
de Medicamento e pelas questões relativas à Farmacovigilância.
II - Conhecer os perfis de segurança dos produtos sob responsabilidade do Detentor 
de Registro de Medicamento. Logo, esse responsável tem que ser o profissional ciente 
de todos os aspectos de segurança. Por exemplo: Quais os riscos deste medicamento? 
E quais reações adversas podem ser causadas, definidas em bula ou não, mas, por conta 
da característica do medicamento, podem ser causadas? Há medicamentos que, devi-
do ao seu uso, podem ser administrados para populações diferentes daquelas aprovadas, 
como idosos ou crianças, mesmo não estando em bulas. 
III - residir em território brasileiro e estar disponível sempre que for acionado.
É uma questão importante, principalmente, para indústria ou detentores de registros 
internacionais que não têm uma estrutura de pessoal muito grande no Brasil. 
O acionamento não se dá somente pelo detentor de registro, mas pode ser por qualquer 
ator da Farmacovigilância, inclusive, a Anvisa. 
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O QUE O RFV DEVE FAZER? 
Algumas questões importantes que o responsável pela forma vigilância deve fazer:
I - Implementar alterações no Sistema de Farmacovigilância, com vistas a promover, 
manter e melhorar o cumprimento dos requisitos regulatórios. O Sistema de Farmacovigilância 
deve ser estruturado dentro das ações do detentor de registro e de sua estrutura organizacional 
para que funcione efetivamente. 
O profissional tem por responsabilidade fazer as alterações, manter atualizado, observar 
se o sistema está funcionando adequadamente e, dessa forma, mantê-lo atualizado. 
II - Promover inclusões e sugestões nos Planos de Gerenciamento de Risco e Relatórios 
Periódicos de Avaliação Benefício-Risco. Ressalta-se que o Plano de Gerenciamento 
de Risco é o conjunto de ações que devem ser realizadas para que o medicamento seja 
utilizado adequadamente. Já os Relatórios Periódicos de Avaliação Benefício-Risco devem 
ser realizados frequentemente pelo detentor de registro para que esse balanço se mantenha 
positivo.
III - Responder prontamente perante a autoridade sanitária quanto à segurança de produtos 
sob responsabilidade do DRM.
SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA
O Sistema de Farmacovigilância foi estruturado pela resolução 406/2020 e assim deve 
continuar, pois é a maneira como a Anvisa entende que a Farmacovigilância deve ser estru-
turada dentro da organização do detentor de registro do medicamento. 
Portanto, deve: 
I - Garantir que a coleta e o processamento de todas as informações sobre Eventos Adversos 
sejam devidamente notificados ao Detentor de Registro de Medicamento por diversas fontes, 
incluindo representantes de visitação médica. Até as visitações realizadas pelos representantes 
de vendas aos médicos são fontes utilizadas para coleta de dados e informações, tratadas 
pelo detentor do registro.
As notificações são feitas ainda pelas farmácias, pacientes, sistema de atendimento 
ao consumidor, sistemas de reclamações estruturados nas indústrias farmacêuticas e os prescri-
tores. Tudo isso deve ser coletado e processado nesse sistema de farmacovigilância que precisa 
ser estruturado pelo detentor do registro.
II – Garantir o cumprimento dos requisitos regulatórios, definidos na RDC 406/2020. 
III – Garantir seu constante aperfeiçoamento ou capacidade de manter a coleta e o proces-
samento dos dados ativa, por meio de avaliação contínua e autoinspeção, conceitos trazidos 
pela resolução RDC 406/2020, em Farmacovigilância, para a detecção de não-conformidades 
e de oportunidades de melhoria.
12
COMPONENTES DO SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA 
Para estruturar esse sistema, é necessário atender a alguns requisitos definidos na RDC 406/2020:
• Documentação: Assim como as boas práticas de fabricação e de distribuição, a estrutura
documental é um aspecto muito importante para que esse sistema seja, efetivamente, 
implementado, com descrição detalhada da estrutura, interfaces, processos de trabalho, 
responsabilidades e atividades relacionadas ao gerenciamento de risco. 
• Pessoal: O RFV deve estar disponível em tempo integral, possuir graduação na área
de saúde, ter experiência e conhecimentos comprovados em Farmacovigilância. A equipe 
deve ser qualificada adequadamente e essas informações são sujeitas a inspeções ou a questiona-
mentos, por parte da agência reguladora.
• Treinamento: Devem ser ações contínuas, com um programa de treinamento devidamente
implementado. São necessárias as descrições dos aspectos fundamentais que precisam 
ser treinados, além do estabelecimento de um cronograma de treinamentos, um sistema 
para registrá-los e evidenciá-los diante de eventuais questionamentos. 
Esse sistema de treinamento precisa ser estruturado para ser uma garantia, uma qualificação 
adequada a todos os profissionais envolvidos nas açõesde vigilância sanitária. Mas também 
precisa ser claro quanto a sua rastreabilidade e efetividade quando as autoridades sanitárias 
forem inspecionar determinado detentor de registro. 
COMPONENTES DO SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA
• Procedimentos mínimos necessários que devem ser estabelecidos pelo Sistema
de Farmacovigilância: 
I – Coleta, processamento, codificação, classificação, avaliação e notificação para a autoridade 
sanitária competente. São procedimentos estruturantes da Farmacovigilância, os quais 
devem ser treinados pelos profissionais, registrados e atualizados constantemente. 
Esse é um dos itens mais importantes e mais estruturantes do novo conceito de boas 
práticas de Farmacovigilância.
II – Captura de informações de Eventos Adversos por meio diversas fontes de literatura 
científica, acessando revisões sistemáticas ou bases de dados de referência.
O profissional responsável, ou sua equipe, deve manter um procedimento de avaliação 
dos dados de literatura, das revisões sistemáticas que estão disponíveis na literatura 
científica. Alguns bancos de dados de referência também precisam ser consultados frequen-
temente, para que as informações de segurança dos produtos registrados pelo detentor 
sejam atualizadas.
III – Acompanhamento de Notificações sem evolução clínica conhecida. Não é possível 
saber o desfecho de notificações realizadas por profissionais do centro de saúde e que não 
têm evolução clínica conhecida. Por exemplo, um paciente tomou o medicamento e teve 
alteração de um exame laboratorial, mas não se fez o acompanhamento da evolução clínica, 
mesmo assim é preciso ter um procedimento para acompanhar essa notificação. Por isso, é muito 
importante que isso esteja bem estruturado no sistema de procedimentos do detentor 
do registro.
13
• Outros procedimentos:
IV – Processo de detecção de duplicação de notificações: Em alguns casos, da mesma fonte 
vem notificações duplicadas ou até mesmo de fontes diferentes, mas relativas ao mesmo 
evento. É necessário que haja um procedimento que esclareça como será realizada a identificação 
e o tratamento de notificações duplicadas. 
V - Processo de elaboração e implantação de Plano de Gerenciamento de Risco: Precisa 
ser um documento escrito e estabelecido pelo detentor do registro. O responsável pela 
Farmacovigilância deve fazer esse plano e executá-lo, além de elaborar os Relatórios 
de Avaliação Periódica de Benefício-Risco.
VI - Processo de elaboração de Relatórios Periódicos de Avaliação Benefício-Risco: 
Os documentos são a base da Farmacovigilância e precisam ser implementados e elaborados 
pelo detentor do registro conforme novo conceito introduzido; 
VII - Procedimentos de autoinspeção em Farmacovigilância: É necessário estabelecer 
um procedimento que determine quem vai fazer, com qual periodicidade, como serão 
relatados os achados encontrados na autoinspeção.
VIII - Treinamento de pessoal: Como será o registro do treinamento, como será conduzido, 
como se identificam os principais aspectos a serem treinados nas ações de Farmacovigilância, 
a fim de que haja um sistema adequado. 
IX - Gerenciamento de documentos: Os procedimentos operacionais são: quanto tempo 
será válido, qual a periodicidade para possível revisão, qual apelido da cidade de treinamento 
desses procedimentos? Então, a gestão documental é um aspecto muito importante, 
uma vez que, é por meio desses documentos que as autoridades sanitárias têm a certeza de que 
o sistema de farmacovigilância está funcionando. Também é a maneira como o detentor
do registro e o responsável conseguem padronizar suas ações E conseguem, finalmente,
executá-las;
X - Detecção de sinal de causalidade e de eventos adversos e sua revisão: Esse procedimento 
deve dizer como isso deve ser feito. 
XI - Avaliação Benefício-Risco: Precisa estar muito clara na documentação. Sabe-se 
que para se ponderar um benefício-risco, um conjunto de dados precisa ser avaliado, tanto 
os estudos clínicos como os dados gerados pela vida real do uso do medicamento. Por isso, 
para a avalição deve ser precisa para que faça sentido para a autoridade sanitária, ao verificar 
a proposta de manter ou não um determinado produto no mercado. 
XII - Interação entre questões de segurança e desvios da qualidade: Também precisa 
estar estabelecida em um procedimento. Um desvio de qualidade afeta o desempenho 
de um medicamento, tanto na eficácia quanto na segurança. Por isso, a relação entre essas 
duas observações precisa estar descrita em um procedimento. 
XIII - Processo de resposta às exigências de autoridades sanitárias: Sempre que uma autoridade 
sanitária fizer uma exigência, é necessário que haja um procedimento de resposta. 
XIV - Gerenciamento de informações de segurança urgentes: Eventos adversos graves, 
como morte ou hospitalização, resultantes e com uma relação de causalidade com o uso 
14
de medicamento, precisam ser gerenciados rapidamente. Por isso, é necessário um documento 
que trate essa questão. 
XV - Gerenciamento e uso de banco de dados e outros sistemas eletrônicos: Precisam 
ser estruturados, e o seu gerenciamento deve ser documentado por meio de procedimentos. 
XVI - Gerenciamento de Ações Corretivas e Ações Preventivas: Sempre que se observar 
um erro é preciso realizar uma ação corretiva. Da mesma forma, investir em ações que possam 
ser melhoradas para minimizar novos erros.
COMPONENTES DO SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA 
Os dados gerados pelas ações de Farmacovigilância, as notificações de eventos adversos, 
as notificações que são recebidas pelos diferentes atores devem ser estruturados em um 
banco de dados.
BANCO DE DADOS
Trata-se de registro sistemático, atualizado e rotineiro das atividades e informações 
relacionadas às Notificações de Eventos Adversos recebidas. É um conjunto de dados extenso, 
pois as fontes são diversas. Portanto, disponibilizá-los de maneira eletrônica, simples e didática 
é importante para que se facilite o gerenciamento do risco e sua avaliação.
A RDC 406/2020 estabelece que os dados precisam ser rastreáveis e mantidos por, 
no mínimo, 20 anos. Qualquer pessoa deve ter acesso e conseguir resgatar alguma informação 
no banco, de maneira simples. 
A nova resolução também preconiza a transferência dos dados entre o detentor do registro 
e os atores do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS) por meio de arquivos eletrônicos. 
A norma prevê ainda formatos específicos para facilitar essa transferência, garantindo 
um compartilhamento rápido para a tomada de decisão imediata. 
AUTOINSPEÇÃO
O conceito de autoinspeção trazido pelo Sistema de Farmacovigilância é uma das grandes 
novidades do novo marco regulatório e, como um programa estruturado, emerge do conceito 
de que a melhoria contínua do sistema é uma ação importante, a qual precisa ser observada 
por meio de uma autoinspeção.
Portanto, a RDC 406/2020 define a necessidade de uma frequência para a realização de autoins-
peções. As responsabilidades dos envolvidos, os procedimentos e demais documentos 
a serem seguidos, bem como o seu cronograma de execução, precisam estar claros, não só 
para quem é o detentor de registo, mas também para o responsável pela Farmacovigilância 
e para a autoridade sanitária.
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A norma traz uma periodicidade, preferencialmente, de uma por ano, não podendo 
ultrapassar dois anos. As inspeções incluem ainda os terceiros envolvidos, ou seja, quando 
outra empresa está coletando, armazenando dados ou realizando alguma atividade do Sistema 
de Farmacovigilância, pois são atores importantes no sistema. Nesses casos, os registros devem 
ser mantidos por cinco anos. 
OPERAÇÃO DO SISTEMA DE FARMACOVIGILÂNCIA
O banco de dados é uma peça fundamental para garantir agilidade e efetividade na coleta 
e na estruturação dos dados de notificação de eventos adversos, coletados de diferentes 
fontes. Nesse aspecto, saiba o que deve ser registrado no bando de dados:
I - Suspeita de reações adversas a medicamentos. 
II - Inefetividade terapêutica,total ou parcial. Ou seja, se um medicamento for indicado 
para dor de cabeça, por exemplo, e não apresentar nenhum efeito no paciente ou apresentar 
uma diminuição daquela dor, porém não resolver, o caso deverá ser incluído no banco 
de dados; 
III - Relatos provenientes de interações medicamentosas. É necessário que haja um profis-
sional de saúde, seja ele prescritor ou farmacêutico, acompanhando o paciente para entender 
se houve interação medicamentosa. A partir disso, é feita uma investigação, pois, o paciente, 
na maioria das vezes, não sabe quais possíveis interações medicamentosas. Por isso, o médico 
e o profissional farmacêutico são capazes de verificar se existe uma potencialidade de 
exacerbação ou até inibição de efeito, devido a essa interação. 
IV - Superdose de medicamentos também é uma informação importante. Isso porque, 
por não ser um uso aprovado, provavelmente, pode ser um uso acidental ou erro de medicação. 
A superdose é uma informação relevante que consta em bulas, portanto, as reações que são 
resultantes de medicamentos são valiosas para compor um modelo de bula que seja adequado 
e que apresente os riscos da superdose no uso de determinada medicação.
V - Abuso de medicamentos que, principalmente, tem um controle especial, os quais 
possuem um potencial de causar dependência ou de ação psicotrópica. Tais medicamentos 
possuem um risco de abuso muito grande, os quais e suas possíveis consequências precisam 
estar muito bem relatados no banco de dados para que componha não somente o texto 
de bula, mas também as ações de risco necessárias, pois, por mais que, proativamente, 
a agência reguladora busque controlar medicamentos e esclarecer o risco que eles têm, 
possível ação psicotrópica ou que precisem de um controle por potencial de abuso, 
sabe-se que pode haver outras medicações que possuem esse efeito, mas não esteja 
claro nos estudos clínicos. 
VI - Erros de medicação também precisam estar relatados no sistema de banco de dados, 
porque compõem um conjunto de informações. 
VII - Uso off label de medicamentos, ou seja, aqueles não aprovados pela Anvisa, 
mas feitos por responsabilidade do profissional de saúde, compõem dados importantes 
que podem, inclusive, subsidiar mudanças na bula, como inclusão de medicação ou outras 
informações relevantes. 
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VIII - Exposição a medicamento durante gravidez/lactação. Durante os estudos clínicos, 
nem sempre é possível expor voluntárias grávidas ou lactantes. Quando essa informação 
é relatada, compõe um dado valioso, o qual deve ser incluído em bula e precisa ser avaliado 
para que se saiba quais são os riscos do uso durante o período de gestação. 
IX - Eventos adversos por desvio de qualidade.
X - Outras situações que possam vir a ser objeto da Farmacovigilância e que estejam 
relacionados a eventos adversos, de uso indevido, não relacionado ou aprovado. 
O QUE DEVE SER NOTIFICADO À ANVISA? 
• Eventos Adversos Graves (esperados e inesperados), relatados de forma espontânea
ou solicitada, ocorridos em território nacional, no prazo máximo de 15 (quinze) dias corridos.
• Evento adverso grave/reação adversa grave, ou seja, qualquer ocorrência médica
indesejável, em qualquer dose, que resulte em morte, risco de morte, situações que requeiram 
hospitalização ou prolongamento de hospitalização já existente, incapacidade significativa 
ou persistente, anomalia congênita e evento clinicamente significativo.
É necessário saber a forma como se deve relatar as reações adversas. Uma dúvida muito 
frequente é com relação aos termos médicos utilizados, pois eles podem causar um impacto 
muito grande. Por exemplo, ‘dor de cabeça’ ou ‘cefaléia’. Por isso, é necessário saber usar 
o termo médico mais adequado para reportar essas informações. Essa é uma preocupação
que o próprio ICH (Fórum de Agências Reguladoras) trouxe e que a RDC 406/2020 busca
endereçar, porque se não for possível harmonizar esses termos médicos, a avaliação e estru-
turação de dados se complica.
COMO RELATAR E NOTIFICAR? 
Segundo o Art. 35 da RDC 406/2020, para descrição de termos médicos e de eventos 
adversos no envio dos relatórios e das notificações ao SNVS, os Detentores de Registro de 
Medicamento devem utilizar o Dicionário Médico para Atividades Regulatórias (MedDRA).
É importante seguir o que o novo marco de Farmacovigilância determina porque, 
para descrições de termos médicos e eventos adversos nos relatórios de notificação, o dicionário 
médico deve ser utilizado. 
A RDC 406/2020 estabelece qual é o dicionário que deve ser usado para relatar à Anvisa. O 
profissional de saúde nem sempre terá o conhecimento ou capacitação para utilizar o dicionário 
médico. Porém, o detentor do registro, o qual vai compilar a informação, coletar, tratar 
e remeter à autoridade sanitária, precisa se preocupar em usar esses termos para submissão 
à agência.
Em um avanço do Sistema de Farmacovigilância, os profissionais de saúde teriam esse 
dicionário bem difundido e implementado, porém, ainda é um desafio e precisa ser parte 
das ações do sistema. 
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PLANO DE GERENCIAMENTO DE RISCO
É um conjunto de documentos e informações que deve ser apresentado no momento 
do registro do medicamento. Isso é uma responsabilidade do detentor do registro, pois 
a Agência Nacional de Vigilância Sanitária revisa as informações e o texto de bula que será 
disponibilizado para os profissionais e pacientes. 
Com o uso do medicamento pela população, o detentor de registro tem o compromisso 
de elaborar um plano para gerenciar qualquer tipo de risco. Ele descreve as informações que 
são rotina da Farmacovigilância, bem como as ações adicionais propostas, para a minimização 
de riscos de cada medicamento. 
O plano deve ser apresentado por ocasião do registro nas situações previstas nos marcos 
regulatórios vigentes. Ele precisa responder sobre como as ações serão realizadas para que 
a Farmacovigilância desse medicamento seja feita, assim como qual população será acompa-
nhada e como esse dado será coletado, observado e tratado nos riscos associados ao medicamento.
Diante do risco de uso abusivo, devido à ação psicotrópica, é necessário saber de que maneira 
a empresa vai estruturar a distribuição do medicamento e de que forma o risco de abuso 
será endereçado, a fim de evitar que aconteça. Portanto, há riscos que podem ser minimizados 
e outros precisam ser observados por meio das ações de Farmacovigilância. 
Quando apresentar o Plano de Gerenciamento de Riscos?
Inicialmente, todo medicamento possui um risco. Porém, o plano estruturado no momento 
do registro deve ser apresentado e avaliado com mais cautela e de forma robusta ao abordar 
os seguintes casos: 
I – Novas entidades moleculares sintéticas, semi-sintéticas e biológicas: Por ser novo, 
não se sabe ao certo o desempenho do produto na população, por isso, há um risco maior 
associado, uma vez que, não houve a exposição dessa molécula, de maneira disseminada. 
II - Há uma preocupação com o gerenciamento do risco, no que diz respeito a vacinas, 
pois elas são entidades a serem administradas, as quais possuem um potencial grande 
de risco, porque afeta o sistema imunológico dos indivíduos. 
A ideia da vacina é uma estimulação não natural ao sistema imune do indivíduo, para 
que se possa protegê-lo de algum vírus. Essa estimulação, por vir, muitas vezes, de vírus 
inativados ou de fragmentos muito grandes, necessita ter um sistema de gerenciamento 
adequado. 
III - Produtos biológicos registrados pela via de desenvolvimento por comparabilidade 
são biossimilares, introduzidos, recentemente, no Brasil. 
Ainda há uma certeza sobre os riscos, pois, diferente dos genéricos e similares, eles têm 
a mesma molécula no medicamento inovador e genérico, com a mesma estrutura molecular, 
na mesma concentração e com a mesma forma farmacêutica. De uma certa forma, o risco 
é minimizado pela comparabilidade. 
Por mais que existam estudos de comparabilidade entre o produto biológico de referência 
e o biossimilar, no segundocaso, os produtos biológicos são macroestruturas em que a bios-
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similaridade não é assegurada integralmente. Há partes dela que não são iguais e podem 
resultar em um perfil de segurança diferente.
IV - Em casos de alterações significativas no registro, que impactem na segurança do produto. 
Por exemplo, se há uma alteração importante no IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), em dosagem, 
em via de administração, ampliação de uso em população, ou seja, população-alvo, não coberta 
pela aprovação da Anvisa, há uma incerteza sobre o risco adicional. Por isso, o plano 
de gerenciamento de risco precisa ser pensado nesse contexto. 
V - Caso haja um medicamento que já tenha um perfil de segurança bem estabelecido, 
no qual se identificou um dano inesperado, é necessário ter um plano de gerenciamento 
novo idealizado para essa situação. 
VI - Quando solicitado pela autoridade sanitária competente.
O QUE DEVE CONTER O PGR (PLANO DE GERENCIAMENTO DE RISCO)? 
I - Especificações de Segurança, contemplando: 
• Sumário do perfil de segurança conhecido do produto que seja de fácil acesso, para
conseguir identificar quais os pontos principais da segurança de determinado medicamento; 
• Dados de exposição de estudos não-clínicos, clínicos e de uso pós comercialização.
Ou seja, as informações de segurança e de exposição ao medicamento, gerados desde 
os estudos não-clínicos, modelos animais, de toxicologia. Todos os eventos adversos que 
foram observados nesses estudos;
• Outros aspectos relacionados ao uso do produto, como abuso e uso off label. É comum
perceber que para um medicamento, aprovado pela Anvisa para uma determinada indicação, 
já existe um potencial uso off label. Isso precisa ser avaliado pela empresa. Durante os estudos 
clínicos, é possível avaliar essa questão. No entanto, é importante que isso esteja no gerenciamento 
de plano de risco, porque não foi estudado o medicamento com esse uso. 
II - Dados epidemiológicos, observados no Brasil ou em outros países, precisam estar 
muito claros, contendo informações da população que provavelmente será exposta ao produto 
(população-alvo) e as comorbidades relevantes; 
III - Descrição das atividades de Farmacovigilância a serem desenvolvidas. Em algumas 
situações, são feitos registros dos pacientes que usam medicamento, principalmente, para 
doenças raras, nota-se que é mais fácil fazer um banco de dados nos quais seja possível 
coletar informações e fazer um acompanhamento desses pacientes ao longo do uso;
IV - Descrição dos riscos potenciais e identificados, contemplados na especificação 
de segurança, bem como das respectivas medidas de Farmacovigilância propostas para 
monitorá-los. As ações de Farmacovigilância precisam estar relacionadas aos riscos potenciais 
identificados.
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V - Descrição de medidas específicas para apresentação de informações críticas faltantes; 
VI - Previsão de coleta de informações, em adição aos estudos clínicos planejados, 
com o objetivo de aumentar o conhecimento da segurança do produto. Sabe-se que os estudos 
clínicos não são suficientes para endereçar todos os riscos e as empresas precisam fazer 
estudos adicionais. A coleta de informações desses estudos e de outras fontes precisam 
estar claras; 
VII - Descrição das ações adicionais propostas para a minimização de riscos em Farmacovi-
gilância, quando aplicável; 
VIII - Descrição das ações de segurança adotadas pelo Detentor de Registro do Medica-
mento decorrentes de medidas regulatórias tomadas por autoridades sanitárias estrangeiras, 
quando aplicável. Caso a Anvisa decida alterar a categoria de um produto ou ampliar 
o acesso a outras populações, e como isso vai impactar nas ações de segurança do detentor
de registro, é necessário descrever no plano de gerenciamento de risco.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O PGR 
O PGR deve ser atualizado à medida que novos dados relacionados à segurança ou utilização 
do medicamento em populações não estudadas na fase pré-registro são obtidos. 
Plano de Minimização de Risco: 
• Riscos identificados ou riscos potenciais
• Provável uso não estudado
RELATÓRIO PERIÓDICO DE AVALIAÇÃO BENEFÍCIO-RISCO
O objetivo deste relatório é rever e avaliar o perfil de segurança, constantemente. O balanço 
do benefício-risco pode mudar ao longo do tempo e a ideia precisa ser incorporada ao relatório 
que contém os dados e permite uma nova avaliação.
Ele deve incluir todas as notificações de eventos adversos recebidas, inclusive as não graves. 
Ainda que o evento tenha ocorrido em outro país, precisa estar presente no relatório. 
Há uma responsabilidade do profissional de vigilância sanitária de verificar as fontes 
internacionais, tanto de literatura científica quanto outras agências reguladoras, e os dados 
que são fornecidos por outras entidades internacionais.
Inicialmente, o relatório deve ser arquivado e armazenado pelo detentor, porém, somente 
se houver alguma ação decorrente dessa avaliação de benefício-risco é que deve ser subme-
tido para a agência, caso a Anvisa solicite o documento. Lembrando que a avaliação pode 
resultar em alteração do benefício-risco do produto.
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INSTRUÇÃO NORMATIVA 63, DE 22 DE JULHO DE 2020
A Instrução Normativa 63, de 22 de julho de 2020 foi lançada de forma paralela à RDC 
406/2020. Trata-se de um instrumento legal, emitido pela Anvisa, que estabelece como 
o relatório periódico precisa ser apresentado.
Os RPBRs são aplicados a todos os medicamentos registrados em território nacional,
independente da categoria, diferente de algumas classes que necessitam de atenção especial. 
• Atualização dos dados de segurança de forma padronizada e consolidada;
A instrução descreve que os relatórios devem ser utilizados para condução de análises 
sistemáticas, de forma regular, com o objetivo de identificar precocemente problemas e propor 
intervenções. É uma grande compilação das informações de segurança que são observadas 
pelo detentor do registro. 
QUANDO APRESENTAR O PLANO DE GERENCIAMENTO DE RISCO
• Princípio ativo único: o relatório precisa seguir o prazo estipulado pela Anvisa, sendo
um único relatório para todas as concentrações e formas farmacêuticas. Ele deve ser arquivado, 
mas a Anvisa pede para que seja apresentado em uma periodicidade específica. 
Uma questão importante trazida pelo novo marco regulatório de Farmacovigilância 
diz respeito à essa periodicidade que está definida pela Anvisa e pela necessidade de ser feita 
por princípio ativo, e não por cada forma farmacêutica ou apresentação do produto.
Para medicamentos que têm o princípio ativo único, é necessário seguir o prazo estipulado 
pela Anvisa, sendo trata-se do único relatório que contém todas as informações das concentrações 
de formas farmacêuticas. Isso é uma estratégia para otimizar a coleta de dados, evitar 
uma quantidade de informações que não seja compilável e tratável.
• Princípios ativos em dose fixa: deve seguir prazo estipulado pela Anvisa, do contrário,
é necessário apresentar no prazo mais frequente para o princípio ativo único. 
• Medicamentos clone: são aquelas parcerias comerciais entre empresas. É muito comum,
na indústria farmacêutica, ter os chamados ‘medicamentos clone’. Há somente uma fabricante 
e várias empresas comercializam com nomes de marcas diferentes, por questões estratégicas 
de mercado, por exemplo. Porém, nesse caso, por ser apenas um medicamento, também será 
um relatório único, o qual será de responsabilidade da empresa que detém a ‘matriz’, 
ou seja, o primeiro registro daquele produto. 
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O QUE CONTÉM O RELATÓRIO PERIÓDICO DE AVALIAÇÃO BENEFÍCIO-RISCO? 
• Análise dos relatos de eventos adversos;
• Relatos de inefetividade terapêutica;
• Revisão dos dados acumulados ao longo dos anos;
• Apresentação dos dados de segurança de estudos e de outras informações relevantes
de segurança; 
• Atualizações do Plano de Gerenciamento de Risco, se aplicável.
A instrução normativa traz alguns tópicos para a estruturação do relatório, como: 
I - Sumário executivo, na línguaportuguesa, compilando as informações mais relevantes 
do RPBR, que deve seguir modelo disponibilizado no Portal da Anvisa e trazer um resumo 
geral do que é esse relatório; 
II - Status da autorização de comercialização do produto no mundo; 
III - Ações tomadas no intervalo do relatório por razões de segurança.;
IV - Alterações nas informações de segurança de referência; 
V - Exposição estimada e padrões de uso: 
a) exposição cumulativa de sujeitos em ensaios clínicos;
b) exposição de pacientes cumulativa e no intervalo proveniente da experiência de
comercialização.
VI - Dados em sumários de tabulação: 
a) informação de referência, ou seja, todas as referências consultadas ou utilizadas;
b) sumários de tabulações cumulativas de eventos adversos graves de estudos clínicos;
c) sumários de tabulações cumulativas e no intervalo de dados provenientes da pós
comercialização. 
VII - Sumários de achados significativos de segurança provenientes de ensaios clínicos 
durante o intervalo do relatório: 
a) ensaios clínicos concluídos;
b) ensaios clínicos em andamento;
c) acompanhamento de longo prazo;
d) outro uso terapêutico do medicamento;
e) novos dados de segurança relacionados a terapias de combinação fixa.
VIII - Achados provenientes de estudos não-intervencionais. Por exemplo, sabe-se
de estudos científicos e acadêmicos, observacionais, ou seja, estudos epidemiológicos. 
IX - Informações provenientes de outros ensaios clínicos e fontes: 
a) outros ensaios clínicos que não são específicos do medicamento, mas que possuem
algum dado de segurança importante; 
b) erros de medicação relatados e que se observa algum dado.
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X - Dados não-clínicos; 
XI - Literatura; 
XII - Outros relatórios periódicos; 
XIII - Falta de eficácia em ensaios clínicos controlados; 
XIV - Informações pós-fechamento; 
XV - Visão geral dos sinais: novos, em andamento ou encerrados;
XVI - Avaliação de sinais e riscos: 
a) sumário das preocupações de segurança;
b) avaliação de sinal;
c) avaliação de riscos e novas informações;
d) caracterização de riscos;
e) efetividade da minimização do risco (se aplicável).
XVII - Avaliação de benefícios:
a) informações importantes inicialmente identificadas sobre eficácia/efetividade;
b) informações recentemente identificadas sobre eficácia/efetividade;
c) Caracterização dos benefícios.
XVIII - Análise integrada de Benefício-Risco para indicações aprovadas:
a) contexto do Benefício-Risco - necessidade médica e alternativas importantes;
b) avaliação da análise de Benefício-Risco.
XIX - Conclusões e ações a serem tomadas frente à avaliação de benefício-risco;
XX- Anexos:
a) informação de referência;
b) sumário de tabulação cumulativa de eventos adversos graves de ensaios clínicos
e sumários de tabulação no intervalo/cumulativo da experiência de comercialização; 
c) sumário de tabulação de sinais de segurança (se não estiver incluído no corpo do relatório);
d) listagem de estudos intervencionais e não-intervencionais com objetivo primário
de monitoramento de segurança pós-registro;
e) Lista das fontes de informação usadas para preparar o relatório (quando o Detentor
de Registro de Medicamento julgar necessário).
DOCUMENTO DE REFERÊNCIA SOBRE SEGURANÇA DO MEDICAMENTO
Esse documento também é uma proposta da instrução normativa 63/2020 para dizer 
como os dados se consolidam.
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O QUE É O DOCUMENTO DE REFERÊNCIA SOBRE SEGURANÇA DO 
MEDICAMENTO (DRSM)?
São dados consolidados sobre a segurança do medicamento, com vistas a proporcionar 
abordagem prática, eficiente e consistente da avaliação benefício-risco. Foram trazidos dois 
conceitos são importantes para o documento, os quais não tiveram os termos traduzidos 
pela RDC 63/2020:
Company Core Data Sheet (CCDS): documento preparado pelo Detentor de Registro 
de Medicamento contendo, além de informações de segurança, material relacionado a indicações, 
dosagens, farmacologia e outras informações referentes ao produto. 
Company Core Safety Information (CCSI): documento integrante do CCDS, que contempla 
todas as informações de segurança relevantes (eventos adversos listados) e apresentadas 
a todas as autoridades sanitárias em cujas jurisdições o medicamento é comercializado, 
com exceção de exigências estritamente locais. A ideia é que esse documento seja a consolidação 
de tudo o que há de segurança para facilitar a estruturação e a compilação dos relatórios 
periódicos de produtividade e de avaliação benefício-risco.
PERIODICIDADE, DATA DE NASCIMENTO INTERNACIONAL E DATA DE 
FECHAMENTO DO BANCO DE DADOS
• Data de Nascimento Internacional: data do primeiro registro sanitário de dado produto,
relacionado a determinado princípio ativo, concedido em qualquer país do mundo, 
que deve ser disponibilizada no Portal da Anvisa.
• Data de Fechamento do Banco de Dados: é a data designada como data limite para
a inclusão de dados em determinado RPBR. Fica a cargo da Anvisa a determinação 
de quando apresentar esses relatórios e qual a data máxima. 
QUAIS SÃO AS DATAS IMPORTANTES?
De acordo com o Art. 19 da IN 63/2020, o intervalo entre a data de fechamento do 
banco de dados e a submissão dos RPBR será de: 
I - 70 dias, para RPBR com periodicidade de até 12 (doze) meses; 
II - 90 dias, para RPBR com periodicidade superior a 12 (doze) meses; 
III - 90 dias, para RPBRs excepcionais, a menos que outro prazo seja determinado pela Anvisa. 
RECLAMAÇÕES E RECOLHIMENTOS
Como estabelece a RDC 658, de 30 de março de 2022, as reclamações sobre os produ-
tos devem ser examinadas, as causas dos desvios de qualidade investigadas e medidas 
apropriadas adotadas em relação aos produtos com desvio e em relação à 
prevenção da recorrência.
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Além disso, pessoal adequadamente treinado e experiente deve ser responsável por gerenciar 
investigações de reclamações e defeitos de qualidade e por decidir as medidas a serem tomadas, 
a fim de gerir qualquer risco potencial apresentado por essas questões, incluindo recolhimentos. 
Sabe-se que a equipe receberá reclamação e estruturará a investigação, a fim de saber a causa 
raiz, se houve algum problema na fabricação, na embalagem, no transporte, no armazenamento 
etc. Tudo isso requer uma experiência e uma visão sistemática das boas práticas. Assim, é impor-
tante ter um pessoal bem treinado e estruturado, não só para fazer investigação, mas também 
para propor as medidas para que o risco seja minimizado. 
Ação mais drástica para uma reclamação de produto seria, efetivamente, o recolhimento 
de todas as unidades do lote do mercado.
PROCEDIMENTOS PARA TRATAMENTO DE INVESTIGAÇÃO DE RECLAMAÇÕES
Entre os procedimentos para tratamento de investigação de reclamações sugere-se de 
acordo com o Art. 332.:
III- Verificação ou teste de amostras de referência e/ou de retenção e, em certos Casos, uma revisão
do registro de produção, certificação do lote e distribuição do lote (especialmente para produtos
sensíveis à temperatura);
IV- Em alguns casos, é necessário solicitar uma amostra ou devolução do produto defeituoso
do reclamante e, quando uma amostra for fornecida, deve ser realizada avaliação apropriada;
V- Avaliação do(s) risco(s) apresentado(s) pelo desvio de qualidade precisa ser feita com muita
cautela, com base em sua gravidade e extensão;
VI- Processo de tomada de decisão a ser adotado, com relação à necessidade potencial de ações de
redução de risco a serem tomadas na rede de distribuição, como recolhimentos de lote ou de produto
ou outras ações;
VII- Avaliação do impacto que qualquer ação de recolhimento pode ter sobre a disponibilização
do medicamento a pacientes em qualquer mercado afetado, e a necessidade de se notificar
as autoridades competentes sobre esse impacto. Trata-se de uma questão de logística
com forte impacto no abastecimento do produto e precisa ser ponderada
junto à autoridade sanitária, antes de iniciar um processo de recolhimento;
VIII- Todas as comunicações internas e externas precisam ser bem estruturadas para que se possa
ter rastreabilidadedas decisões e devem ser realizadas em relação a um desvio de qualidade
e sua investigação;
IX- Identificar a(s) potencial(ais) causa(s) raiz(es) do desvio de qualidade é fundamental.
É necessário que haja um sistema para identificar a causa raiz de investigação dos docu-
mentos e dos profissionais para que se saiba exatamente o que esperar com a investigação e
como o desvio pode ser minimizado;
X- Necessidade de Ações Corretivas e Preventivas (CAPAs) apropriadas a serem identificadas
e implementadas para a questão, bem como para a avaliação da eficácia das CAPAs. Caso haja uma ação
corretiva, isso precisa ser listado.
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Realce
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PROCEDIMENTOS PARA RECOLHIMENTO 
Caso haja, efetivamente, um recolhimento:
• Art. 351. Todas as autoridades sanitárias competentes interessadas devem ser
informadas com antecedência nos casos em que exista a intenção do recolhimento;
• § 1º Em situações muito graves, isto é, naquelas com o potencial de causar sérios
impactos à saúde do paciente, pode ser necessário tomar medidas rápidas de redução
de risco antes de se notificar as autoridades competentes. O ideal é que, sempre que
possível, haja uma discussão com a autoridade sobre como e porque fazer. Tudo
será discutido com a autoridade para que seja considerada uma ação conjunta
• § 2º Sempre que possível, deve-se acordar as medidas com as autoridades competentes,antes da
sua execução;
• Art. 352. Deve-se considerar se a ação de recolhimento proposta pode afetar diferentes mercados
de diferentes maneiras, e, se este for o caso, devem ser desenvolvidas e discutidas as
ações apropriadas de redução de risco específicas do mercado com as autoridades
sanitárias competentes;
• Art. 353. Deve ser considerado o risco de desabastecimento de um medicamento que não tenha
uma alternativa registrada levando em conta o seu uso terapêutico, antes de se decidir
sobre uma medida de redução do risco como um recolhimento.
REFERÊNCIAS
• OMS - Organização Mundial da Saúde. Safety monitoring of medicinal products.
The importance of pharmacovigilance. Genebra: Organização Mundial de la Salud, 2002.
• OMS - Organização Mundial da Saúde. Departamento de Medicamentos Essenciais e Outros
Medicamentos. A importância da Farmacovigilância. Brasília: Organização Pan-Americana
da Saúde, 2005.
• OMS - Organização Mundial da Saúde. Perspectivas políticas de la OMS sobre
medicamentos. La farmacovigilancia: garantia de seguridad en el uso de los
medicamentos. Genebra: Organización Mundial de la Salud, 2004.
• Resolução RDC n. 406, de 22 de julho de 2020.
• Instrução Normativa n. 63, de 22 de julho de 2020.
• Resolução RDC n. 658, de 30 de março de 2022.
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