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DIREITO MÉDICO 
 
Módulo: 
BIOÉTICA 
 
TEMA 02 – EVOLUÇÃO DAS NORMAS 
 
Aula 01 
 
A evolução das normas acaba coincidindo com a parte histórica da bioética, 
de modo que é importante que isso seja levado em consideração. Isso porque, muitas 
normas decorreram de certo contexto histórico 
É importante ressaltar que alguns temas não possuem norma. Assim, as 
normas que estudaremos tem caráter geral e não se esgotam. Iremos, deste modo, 
entender o contexto histórico e suas premissas gerais. 
Quando falamos de bioética como ciência, ela iniciou-se na década de 70. 
Porém, antes disso já falávamos em bioética, mas não com essa nomenclatura. No 
próprio código de Hamurabi temos uma menção à ela, já que há alusão a preocupação 
com o outro. Claro que estamos nos referindo àquele momento histórico, sendo certo 
que elas não são levadas em consideração atualmente. 
O que também é importante dizer é que as vezes nós juristas acabamos quase 
sempre realizando trabalhos e trazendo a necessidade de se existir normas, leis, 
regulamentações. Mas a pergunta que devemos nos fazer é: determinada norma ou 
projeto de lei faz sentido para determinado contexto histórico? 
Vejamos o exemplo da Lei de Doação de Órgãos: Antes, a doação era 
presumida. Ou seja, para que não fosse doador de órgãos, a pessoa deveria se 
manifestar em contrário. Esse modelo foi trazido de Portugal, pois lá, ele funcionava 
muito bem. 
Entretanto, aqui não funcionou. A doação de órgãos sofreu uma queda 
vertiginosa. As razões podem ter sido variadas, e um dos motivos pode ter sido a 
ausência de um debate prévio junto a sociedade, ou até mesmo uma campanha de 
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conscientização. Aí voltamos à pergunta: determinada norma ou projeto de lei faz 
sentido para determinado contexto histórico? 
 Fato é que a lei precisou ser alterada, passando da doação presumida para 
doação mediante autorização do familiar (LEI Nº 9.434, DE 4 DE FEVEREIRO DE 
1997), embora isso viole o princípio da autonomia. 
 
❖ Evolução das normas sobre ética e bioética no Brasil 
1. Código de Hamurabi; 
2. Juramento Hipocrático (sec. V a.C); 
3. Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948); 
4. Surgimento da bioética (1971); 
5. Constituição Federal (1988); 
6. Declaração sobre o genoma humano e os direitos humanos (1997); 
7. Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos (2005); 
8. Código de Ética Médica. 
 
Veja que, depois do código de Hamurabi, tivemos o juramento Hipocrático. No 
juramento já existia a figura do sigilo, algo que atualmente tem sido tema de muitos 
debates, principalmente em razão do advento da Lei Geral de Proteção de Dados 
(LGPD). 
O fato causa certa estranheza se pensado sob o prisma da medicina, já que 
a profissão convive com isso desde o século V, ou seja, desde que ela existe. É claro 
que hoje falamos de sanções, e não somente de uma premissa ética, mas ainda sim 
é algo comum à medicina. 
A Declaração Universal Dos Direitos do Homem foi um marco. Muito do que 
estava lá ainda não se consegue aplicar, talvez por ausência de maturidade em alguns 
aspectos. Mas sem dúvida, a Declaração é um documento essencial. 
Sobre o surgimento da bioética já deliberamos sobre o assunto, mas convém 
relembrar que ela, como matéria cientifica e objeto de estudo, nasceu nos anos 70, 
embora antes disso já se falasse sobre ela, ainda que não com esta nomenclatura. 
 
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Em 1988 tivemos a Constituição Federal, que democratizou o país e trouxe 
novos paradigmas sociais. Muitos deles ainda não são aplicados, como a Saúde 
Universal. Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) funcione bem, pensando na 
escala universal de sua implantação, ainda há falhas, o que acaba impactando na 
Judicialização da saúde. 
Acerca da Declaração sobre o genoma humano e os direitos humanos, temos 
outro marco importante, já que a norma trouxe diretrizes sobre a dignidade humana, 
o genoma humano, o direito das pessoas envolvidas, normatizou as pesquisas com 
genomas e discorreu sobre as condições para o exercício da atividade científica e a 
solidariedade e cooperação internacional. 
A Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos foi a norma que 
concretizou a importância da bioética tanto no Brasil como no mundo. É um dos 
documentos de maior relevância dentro do objeto de nosso objeto de estudo, já que 
trouxe diversos princípios que analisaremos de maneira mais detalhada. 
Por fim, temos o Código de Ética Médica, que debutou no país em 1988, 
seguindo o advento da Constituição. Também trouxe impacto na seara da saúde, 
sendo aperfeiçoado com o tempo, sendo a mais recente data em 2018. Ele trouxe 
inovações em relação ao consentimento, pacientes, direitos do médico e do paciente, 
como deve ser a assistência, entre outros. 
Para encerrarmos, é importante que se entenda que essas normas são feitas 
pela categoria médica para os médicos. Por isso, pode ser que em algumas 
oportunidades as questões sobre pacientes sejam insuficientes, já que se pensa, em 
um primeiro momento, na conduta médica. 
 
 
 
Aula 02 
 
Continuando com os estudos, vejamos agora os documentos internacionais 
importantes para a bioética. Em destaque, as mais importantes. Iremos abordar 
alguns aspectos sobre cada um deles, de modo que recomendamos o seu estudo 
complementar. 
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❖ Documentos internacionais 
▪ Declaração de Nuremberg (1947) 
▪ Declaração de Helsinque (1964) 
▪ Pacto Internacional Sobre Direitos Econômicos, Sociais, Culturais e o Pacto 
Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (1966) 
▪ Convenção Internacional das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas 
as formas de Discriminação Racial (1965) 
▪ Relatório Belmont (1978) 
▪ Convenção das Nações Unidades sobre a Eliminação de todas as formas 
de discriminação contra as mulheres (1979) 
▪ Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989) 
▪ Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica (1992) 
▪ Regras Gerais sobre a igualdade de Oportunidades para Pessoas com 
deficiência (1993) 
▪ Declaração da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência 
e a Cultura (UNESCO) sobre a Raça e os Preconceitos Raciais (1978) 
▪ Declaração da UNESCO sobre a Responsabilidade das Gerações 
Presentes para as Gerações Futuras (1997); 
▪ Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural (2001) 
 
A declaração de Nuremberg foi o resultado do julgamento de Nuremberg. 
Fala-se de direito de pesquisa em seres humanos e consentimento, que é o principal 
aspecto da Declaração. 
Sobre a Declaração de Helsinque, ela traz princípios éticos para as pesquisas 
médicas em seres humanos. Outro ponto importante é que ela exige que a importância 
da pesquisa seja proporcional ao risco ao qual o pesquisador é exposto, sob pena de 
ser considerada ilegal. 
O Pacto Internacional Sobre Os Direitos Econômicos e Sociais teve seu 
impacto mundial em 1966. Seus principais fundamentais são o reconhecimento da 
dignidade da pessoa humana, autonomia e deveres do indivíduo para com seus 
semelhantes e a coletividade. 
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A Convenção Internacional das Nações Unidades sobre a Eliminação de 
todas as Formas de Discriminação Racional, como o nome já diz, visa o respeito ao 
princípio da igualdade. Contudo, mesmo sendo uma convenção de 1965, ainda hoje 
estamos diante de discriminações constantes, infelizmente. 
O Relatório de Belmont também é de extrema relevância. Pela primeira vez 
foram trazidos os princípios da bioética que são utilizados até hoje: justiça, 
beneficência, não maleficência e autonomia. 
A Convenção Das Nações Unidas Sobre A Eliminação De Todas As Formas 
De Discriminação Contra As Mulheres é um documento que data de 1979 e que ainda 
não é comtemplado em sua integralidade.Até hoje há discriminação contra as 
mulheres, sendo este um fato notório e que não demanda maiores digressões. 
Há ainda a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito das Crianças. No 
Brasil há o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Essa declaração traz o direito 
dos vulneráveis, mas como vemos no dia a dia, ela também não é aplicada em sua 
integralidade. Não são raros vermos os casos de crianças trabalhando, deixando de 
estudar e sem os cuidados necessários. 
A Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade Biológica é um dos 
instrumentos mais importantes quando se pensa no meio ambiente. Mais de 160 
países assinaram o acordo, que entrou em vigência no ano de 1993. 
Sua estrutura, em suma, trata da conservação da diversidade biológica, o uso 
sustentável da biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos benefícios 
provenientes da utilização dos recursos genéticos – e se refere à biodiversidade em 
três níveis: ecossistemas, espécies e recursos genéticos1. 
Sobre as Regras Gerais sobre a igualdade de Oportunidades para Pessoas 
com Deficiência, há previsão da equidade de oportunidades às pessoas, com a 
implementação de condições justas e favoráveis de trabalho, incluindo-as no sistema. 
 
 
1 https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/biodiversidade/convencao-sobre-
diversidade-
biologica#:~:text=A%20Conven%C3%A7%C3%A3o%20sobre%20Diversidade%20Bio
l%C3%B3gica,internacionais%20relacionados%20ao%20meio%20ambiente. 
 
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Como mencionamos ao falar da Convenção de 1965, ainda há muito a evoluir 
em relação a discriminação racial, apesar declaração da UNESCO sobre a Raça e os 
Preconceitos Raciais. 
A Declaração da UNESCO sobre a Responsabilidade das Gerações 
Presentes para as Gerações Futuras fala sobre responsabilidade do meio ambiente, 
sobre o mundo que deixaremos à próxima geração. 
Já a Declaração Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural aborda 
questões sobre a diversidade cultural e o pluralismo cultural como fatores de 
desenvolvimento social. 
Embora algumas dessas normas ainda necessitem de evolução, bem como 
algumas são mais aplicadas que outras, é certo que todas elas, de uma forma ou de 
outra, contribuem para o estudo da bioética, razão pela qual consideramos importante 
que se tenha conhecimento sobre sua existência. 
 
Aula 03 
 
Sem prejuízo da menção das normas, falaremos de algumas delas de maneira 
mais detalhada. A primeira será o Código de Nuremberg, de 1947. 
Lembramos que na Segunda Guerra Mundial, os alemães realizaram diversos 
tipos de pesquisas em seres humanos que foram feitos prisioneiros de guerra nos 
campos de concentração; pesquisas essas que foram devidamente julgadas. 
Deste modo, o Tribunal de Nuremberg, em 9 de dezembro de 1946, julgou 23 
(vinte e três) pessoas, das quais vinte eram médicos que foram considerados 
criminosos de guerra pelos brutais experimentos realizados. 
Em 19 de agosto de 1947 foram divulgadas as sentenças, além de documento 
que ficou conhecido como Código de Nuremberg. Sete acusados foram condenados 
à morte. Este documento tornou-se um marco na história: pela primeira vez 
estabeleceu-se recomendação internacional sobre os aspectos éticos envolvidos na 
pesquisa em seres humanos. As premissas do julgamento de Nuremberg foram: 
O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial. 
Significa dizer que as pessoas que serão submetidas a determinado experimento 
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devem ser legalmente capazes de dar consentimento; essas pessoas devem exercer 
o livre direito de escolha sem qualquer intervenção de elementos de força, fraude, 
mentira, coação, astúcia ou outra forma de restrição posterior (...). 
O que ocorreu nos campos de concentração foi totalmente o oposto disso. 
Nenhum dos prisioneiros da Segunda Guerra deu seu consentimento às experiencias 
realizadas. Bem verdade, não tiveram qualquer tipo de escolha. 
Deste então, ficou estabelecido que, para que o sujeito da pesquisa seja 
submetido a ela, eles devem ter capacidade para tanto, exercendo seu direito de 
escolha. Quem garantirá a qualidade do consentimento será o próprio pesquisador. 
Cabe a ele a garantia de que o termo de consentimento esteja livre de vícios. 
O experimento deve ser tal que produza resultados vantajosos para a 
sociedade e que não possam ser buscados por outros métodos de estudo, mas não 
podem ser feitos de maneira casuística ou desnecessariamente. Em outras palavras, 
se o resultado de uma pesquisa possa ser obtido por outro meio, a pesquisa não 
deve ser realizada. 
O experimento deve ainda, ser baseado em resultado de experimentação com 
animais e no conhecimento da evolução da doença ou outros problemas em estudo; 
dessa maneira, os resultados já conhecidos justificam a condição do experimento. 
O experimento deve ser conduzido de maneira a evitar todo sofrimento e 
danos desnecessários, quer físicos, quer mentais. Ou seja, o sujeito de pesquisa deve 
ficar confortável, não podendo colocar o ser humano em situação degradante ou de 
sofrimento. 
Ainda, não deve ser conduzido nenhum experimento quando existirem razões 
para acreditar que possa ocorrer morte ou invalidez permanente; exceto, talvez, 
quando o próprio médico ou pesquisador se submeter ao experimento. Embora a 
questão do médico se colocar em risco não seja mais vista desta forma, esta foi a 
construção à época do julgamento. 
O grau de risco aceitável dever ser limitado pela importância do problema que 
o pesquisador se propõe resolver. Assim, temos questões sociais até hoje e que 
precisam ser resolvidas. Podemos usar como exemplo a pandemia de Covid, já que 
foi necessário o estudo em seres humanos e isso traria bem ao mundo, o que justificou 
as pesquisas. 
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Além disso, devem ser tomados cuidados especiais para proteger o 
participante do experimento de qualquer possibilidade de causar dano, invalidez ou 
morte, mesmo que remota. 
O experimento deve ser conduzido apenas por pessoas cientificamente 
qualificadas e o participante deve ter a liberdade de se retirar no decorrer do 
experimento. Aliás, tal fato é muito importante mencionar, pois o paciente pode mudar 
de ideia a qualquer tempo. Ou seja, o consentimento pode ser renovado ou revogado. 
O pesquisador deve estar preparado para suspender os procedimentos 
experimentais em qualquer estágio se ele tiver motivos razoáveis para acreditar que 
a continuação do experimento provavelmente causará danos, invalidez ou morte para 
o sujeito de pesquisa. 
O segundo documento importante para nossos estudos é a Declaração de 
Helsinque. Na aludida declaração, tivemos o aprimoramento dos princípios do Código 
de Nuremberg. 
Os interesses do indivíduo passaram a prevalecer sobre os interesses da 
ciência e da sociedade. Ademais, a pesquisa deve ser feita primeiro em animais, 
divulgada na literatura científica, antes de ser realizada em seres humanos. 
Todo cuidado deve ser tomado para preservar a privacidade e a integralidade 
do participante. O fato é especialmente relevante hoje em dia com o advento da Lei 
Geral de Proteção de Dados (LGPD). Embora o termo de consentimento conste o 
nome do paciente, se a pesquisa for divulgada a terceiros, os dados pessoais devem 
ser omitidos. 
Assim, o consentimento foi trazido de maneira mais completa: os 
pesquisadores devem mencionar ao sujeito de pesquisa os objetivos, os métodos, 
riscos e prováveis benefícios. Eventuais desconfortos também devem ser 
comunicados. 
Ainda, o participante não pode consentir sob pressão. Ou seja, o 
consentimento deve ser livre e espontâneo, sem qualquer interferência externa. 
Sobre a análise das questões éticas, estas serão estudadas por uma 
comissão independente. Hoje em dia isso já ocorre no Brasil. Toda a pesquisa é 
analisada por órgão independente, jáque se fosse feita pelo próprio pesquisador ou 
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patrocinador, a análise poderia ser maculada em face dos interesses pessoais e/ou 
financeiros. 
 
 
Aula 04 
 
Outro documento importante para nossos estudos é o Relatório Belmont. Ele 
criou os três princípios básicos para a pesquisa envolvendo os seres humanos, que 
são: 
 
a) Respeito pelas pessoas: os indivíduos devem ser tratados como agentes 
autônomos; os com autonomia reduzida (vulneráveis) têm direito à proteção. 
Institucionaliza-se assim o consentimento informado. 
 
b) Beneficência: não fazer o mal, propiciar o máximo de benefícios com o mínimo 
de danos possíveis 
 
c) Justiça: cuidado na seleção e equidade em relação aos sujeitos das 
pesquisas. 
 
A importância do relatório Belmont, além de seu conteúdo, é ter nomeado os 
três princípios basilares. Ademais, o quarto princípio nasceu deste relatório, na obra 
de Beauchamp e Childress, que foi baseada no relatório de Belmont. 
O quarto documento importante é a Declaração Universal de Bioética e 
Direitos Humanos, de 24 de junho de 2005, da UNESCO. Aludido documento define 
o objetivo da Bioética. 
Além disso, pela primeira vez na história, os Estados-membros 
comprometeram-se entre si e à comunidade internacional a respeitar e aplicar os 
princípios fundamentais da bioética em um único texto. Ou seja, levou a bioética a um 
nível internacional. 
 
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Dele também nasceu uma visão mais evoluída da bioética, com mais relação 
com nosso tempo atual. Além da questão histórica, há também a aplicação da bioética 
no Brasil, sendo assim um grande passo na evolução da matéria. 
Sem prejuízo, ao consagrar a bioética entre os direitos humanos 
internacionais e ao garantir o respeito pela vida dos seres humanos, a Declaração 
reconhece a interligação que existe entre ética e direitos humanos no domínio 
específico da bioética. Ou seja, os conceitos acabaram por se interligar, com a 
finalidade de atingir o respeito e a dignidade da pessoa humana. 
A Declaração Universal de Bioética e Direitos Humanos trouxe ainda 
princípios que merecem ser elencados, já que muitos deles são utilizados em casos 
práticos. Senão vejamos: 
 
▪ Dignidade humana e direitos humanos: é a base, a interligação dos direitos 
humanos com a bioética. Não há como falar de bioética sem dignidade, sem a 
vida digna. Lembrando que o conceito é subjetivo, depende do entendimento 
de cada um. 
 
▪ Benefício e dano: Necessário ponderar sobre benefício e dano. Até que ponto 
submeter um paciente a um tratamento faz sentido? Se faz necessário alinhar 
a questão com o paciente. 
 
▪ Autonomia e responsabilidade individual: A autonomia deve respeitar os 
valores do indivíduo, cabendo a ele escolher o melhor para si. Ademais, cabe 
a própria pessoa responder pelos seus atos. 
 
▪ Consentimento: A manifestação clara e inequívoca acerca de uma 
determinada vontade. Deve ser livre de vícios e de pressões externas para que 
o consentimento seja puro, integral. 
 
▪ Indivíduos sem a capacidade para consentimento: O paciente precisa, 
minimamente, entender o que está acontecendo, dar seu assentimento. 
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▪ Respeito pela vulnerabilidade humana e pela integridade individual: 
Destacamos, pois se trata de princípio importante. Precisamos entender sobre 
a população e as pessoas vulneráveis, trazendo-as ao mesmo patamar dos 
não-vulneráveis. 
 
▪ Privacidade e confidencialidade: Em suma, um dos pilares mais importantes 
da relação médico-paciente, garantindo que falar a verdade e trazer os detalhes 
de um determinado histórico clínico, leva a um diagnóstico preciso. 
 
▪ Igualdade, justiça e equidade: Deve-se tratar todo indivíduo de forma 
equivalente, alcançando assim um senso de justiça e igualdade de direitos. 
 
▪ Não-discriminação e não-estigmatização: Podemos citar como exemplo a lei 
que trouxe maior sigilo a determinados tipos de doença, com o fito de evitar 
que os pacientes sejam discriminados pela sociedade. 
 
▪ Respeito pela diversidade cultural e pelo pluralismo: Trata-se de não julgar, 
entender as novas dinâmicas, deixando valores conservadores e que não são 
necessariamente verdadeiros para trás, buscando entender o indivíduo. 
 
▪ Solidariedade e cooperação: Nos termos do art. 13 da Declaração Universal 
de Bioética e Direitos Humanos, “a solidariedade entre os seres humanos e 
cooperação internacional para este fim devem ser estimuladas”. 
 
▪ Responsabilidade social e saúde: Trata-se do acesso a saúde, seus 
cuidados, especialmente entre os mais vulneráveis, além da melhoria das 
condições de vida e do meio ambiente. 
 
▪ Compartilhamento de benefícios: Trata-se de compartilhar os benefícios que 
decorrem das pesquisas cientificas, com o fito de auxiliar no acesso à saúde e 
ofertar novas modalidades de diagnósticos e tratamentos. 
 
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▪ Proteção das gerações futuras: De acordo com o art. 17 da norma em estudo, 
trata-se do “...impacto das ciências da vida sobre gerações futuras, incluindo 
sobre sua constituição genética, deve ser devidamente considerado”. 
 
▪ Proteção do meio ambiente, da biosfera e da diversidade: Trazendo o 
conceito do art. 17 da Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos 
temos: 
 
Devida atenção deve ser dada à inter-relação de seres humanos com 
outras formas de vida, à importância do acesso e utilização adequada 
de recursos biológicos e genéticos, ao respeito pelo conhecimento 
tradicional e ao papel dos seres humanos na proteção do meio 
ambiente, da biosfera e da biodiversidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Bibliografia 
 
BRASIL. Lei nº 9.434 de 4 de fevereiro de 1997. Dispõe sobre a remoção de 
órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá 
outras providências. Publicada no D.O.U em 05/02/1997, p. 2191. Disponível em 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9434.htm. Acesso em 19/08/2022. 
 
UNESCO. Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos. 
Disponível em https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000146180_por. Acesso em 
19/08/2022. 
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