Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

SUMÁRIOSUMÁRIO
PR O P O S T A PE D A G Ó G I C A .............................................................................................................. 03
Dó r i s Sa n t o s de Fa r i a
PG M 1 
US O INT E G R A D O DE MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 
............................................................................................................................................................. 1 1
Ca r m e n M o r e i r a de Ca s t r o Ne v e s e Le i l a Lo p e s de Me d e i r o s
PG M 2 
IN T E G R A Ç Ã O DE MÍ D I A S : IMP R E S S A S , EL E T R Ô N I C A S E DI G I T A I S 
............................................................................................................................................................. 26
A int e g r a ç ã o da s tec n o l o g i a s imp r e s s a s , ele t r ô n i c a s e di g i t a i s
Jos é Ma n u e l M o r a n
PG M 3 
DO RÁ D I O À TV E AO VÍD E O EM SA L A DE AU L A 
............................................................................................................................................................. 33
 Ma t h i a s Go n z a l e z de So u z a 
PG M 4
CO M U N I D A D E S DE AP R E N D I Z A G E M EM RE D E 
............................................................................................................................................................. 34
Li a n e M a r g a r i d a Ro c k e n b a c h Ta r o u c o 
PG M 5
A IMP O R T Â N C I A DA GE S T Ã O NO S PR O J E T O S DE EA D ............................................................... 41
Ma r i a El i z a b e t h Bi a n c o n c i n i de Al m e i d a e M a r i a El i s a b e t t e Br i s o l a Br i t o Pr a d o
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 2 .
PR O P O S T A PE D A G Ó G I C APR O P O S T A PE D A G Ó G I C A
MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O
Dóris Santos de Faria1
1. APRESENTAÇÃO
Tomando como referência o Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação – 
“Mídias na Educação” –, desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância do Ministério 
da Educação – SEED/MEC – em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação e 
Universidades Federais do consórcio nacional Universidade Virtual Pública do 
Brasil/UniRede, esta série Debate: Mídias na Educação, que encerra as séries inéditas do 
Salto para o Futuro no ano de 2006, tem como proposta, ao longo dos cinco programas, 
analisar as mídias com maior potencial de uso pedagógico na produção e na distribuição de 
materiais. Além de analisar as especificidades de cada mídia e a complementaridade das 
diferentes linguagens, a importância do uso integrado, tanto das mídias entre si quanto destas 
ao projeto pedagógico, receberá destaque especial. 
Ao longo da semana, o processo de produção e implementação do “Mídias na Educação” será 
tema dos debates e das entrevistas gravadas com pessoas envolvidas nesse programa, desde 
sua concepção até a oferta atual. 
O “Mídias na Educação” é um programa cuja característica mais marcante é a de auxiliar os 
educadores na apropriação do conceito de co-autoria, como uma poderosa estratégia de 
aprendizagem. Da mesma forma que estimula a produção cooperativa de professores e alunos, 
a produção e a implementação do programa resultam da cooperação entre MEC, 
Universidades e Secretarias de Educação. Utiliza a modalidade de educação a distância – 
EAD – e é estruturado em ciclos constituídos por conjuntos de módulos temáticos. O Ciclo 
Básico do programa, composto por 6 módulos, com duração total de 120 horas, constitui a 
versão em andamento. 
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 3 .
O primeiro módulo do Ciclo Básico – Integração de Mídias na Educação – é o módulo 
introdutório a todo o programa. Trata da integração das mídias e oferece uma visão geral 
sobre as mais utilizadas no ensino e na aprendizagem: TV e vídeo, Rádio, Impressos e 
Informática. Em 2005, foi oferecido, como uma versão-piloto, a 1.200 professores cursistas 
de todo o país, já familiarizados com Tecnologias de Informação e Comunicação – as TICs –, 
que auxiliariam na identificação de ajustes necessários ao próprio programa e poderiam vir a 
atuar como tutores em versões posteriores. Um módulo dedicado à Tutoria foi também 
oferecido, concomitantemente, de modo a permitir uma discussão básica sobre o tema aos 
interessados. 
Os 4 módulos seguintes do Ciclo Básico são dedicados aos conhecimentos básicos de cada 
uma das mídias apresentadas no Módulo Introdutório. Um módulo dedicado à gestão 
integrada das mídias conclui o ciclo básico de estudos sobre o uso integrado de mídias na 
educação. 
A partir da análise do “Mídias na Educação”, o espectador poderá conhecer melhor o 
trabalho dos diferentes profissionais envolvidos na produção e oferta deste programa, na 
verdade concebido como um “per-curso”, porque se coloca de modo contínuo, diferenciando-
se em níveis distintos (extensão, aperfeiçoamento e especialização), conforme a duração e a 
profundidade dos conteúdos (básico, intermediário e avançado) de cada um dos módulos. 
Cada universidade integrante do sistema tem autonomia para definir sua oferta, inclusive 
quanto aos níveis acadêmicos. Para maior conhecimento sobre a concepção desse curso 
estamos apresentando em anexo o texto “Mídias na educação”, de Carmen Neves e Leila 
Medeiros (ver PGM 1 desta série).
Os módulos desenvolvem-se na direção do específico de cada mídia – TV e vídeo, rádio, 
material impresso e Internet –, e buscam desenvolvê-las de maneira integrada, tanto na 
agregação tecnológica quanto na produção dos materiais e na capacitação dos professores e 
dos tutores, de modo a atuarem em sala de aula de um modo mais dinâmico e criativo, 
aproveitando todas as oportunidades mediáticas disponíveis.
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 4 .
Também será abordada na série a questão da gestão – seja na organização pedagógica, seja na 
produção dos materiais e no ensino –, por meio da análise específica do tema “gestão” em 
EAD, no último programa dessa série. A educação a distância, como um processo educativo 
extremamente (bem) planejado, passa a demandar requisitos mais complexos para sua 
organização do que simplesmente a entrada do professor numa sala de aula presencial e um 
desenrolar do ensino à mercê de uma certa aleatoriedade, num processo interativo bem mais 
simplificado.
O aspecto da integração das mídias certamente força alguns direcionamentos que devem ficar 
visíveis ao longo dos programas, para que o público, especialmente de professores, possa 
compreender procedimentos necessários para que as mídias possam ser integradas ao 
trabalho pedagógico: visão sistêmica dos planejadores, multidisciplinaridade na 
produção dos conhecimentos e produtos, e gestão integrada de todos os componentes.
Como a concepção pedagógica do “Mídias na Educação” baseia-se fortemente na autoria e no 
trabalho colaborativo, o cursista desenvolverá projetos contemplando o uso das mídias 
trabalhadas, reforçando os princípios de cooperação e co-autoria.
Em conclusão, a temática da aplicação das mídias na educação será desenvolvida por meio 
desses cinco programas, todos se voltando para os aspectos específicos das mídias-temas de 
cada programa e sua integração, passando pela concepção dos projetos, seu planejamento e 
execução, até chegar ao elo final do processo, a sala de aula, quer dos primeiros cursistas do 
Programa de Formação Continuada, quer de seus alunos, num futuro mais imediato. 
Sintetizando, todos os programas deverão abordar os consensos, as dificuldades e 
as contradições de: 
• educação a distância como processo sistêmico,deste texto, havia mais de cem web-rádios cadastradas no 
site www.radio.com.br, transmitindo programações de diferentes gêneros, tais como: 
jornalístico, musical clássico, pop e religioso, dentre outros. Apenas três emissoras 
transmitiam uma programação variada, intercalando música com pequenos blocos de 
informações culturais e de utilidade pública, abordando temas como saúde, meio ambiente e 
educação para o trânsito: Rádio Educativa Udesc – Florianópolis, Rádio Educativa Udesc – 
Joinville e Rádio Educativa Udesc – Lages, todas no estado de Santa Catarina. A Associação 
Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão-ABERT informa que, no Brasil, existem 
aproximadamente 3 mil emissoras de rádio comerciais e 7 mil comunitárias, sendo que esse 
número deve dobrar nos próximos dez anos.
Apesar de inúmeras iniciativas de entidades estudantis, comunitárias e mesmo particulares, na 
tentativa de preencherem a imensa lacuna existente no cenário nacional, para o uso do rádio 
como instrumento educativo, não existe, por parte dos governos – em suas instâncias federal, 
estadual ou municipal – incentivo à autoria e produção de programas puramente educacionais. 
Torna-se necessário que a educação informal ou sistematizada, desenvolvida por meio dessas 
novas tecnologias, possa ser apoiada numa pedagogia adequada e consciente das mudanças da 
Sociedade da Informação, cada vez mais exigente e ansiosa pelo conhecimento. Percebe-se 
que o imenso potencial educativo do rádio, quer através do sistema tradicional de transmissão 
em ondas de freqüência modulada (FM), ondas médias (OM), ondas tropicais (OT) e ondas 
curtas (OC) ou via Internet, está subutilizado, servindo essa poderosa mídia apenas para 
reproduzir notícias ou música de qualidade duvidosa, sem atender às reais e urgentes 
necessidades educacionais do povo brasileiro.
Torna-se necessário, sobretudo, que o rádio possa ser introduzido nas escolas, como recurso 
pedagógico, propiciando aos educandos a oportunidade de aprender a produzir e selecionar 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 37 .
http://www.radio.com.br/
programas educativos de qualidade, exercendo um senso crítico sobre o que ouvem e recebem 
através das diversas mídias. Os educadores e produtores de programas da rádio devem estar 
atentos para evitar a mera transposição dos modelos educativos tradicionais que ainda 
oferecem uma educação bancária, sem questionamentos ou crítica. Devem, por outro lado, 
enfatizar e destacar o uso pedagógico do rádio, valorizando a aprendizagem colaborativa e 
participativa, que ressalte os valores individuais e coletivos e estimule os indivíduos a serem 
co-participantes do próprio processo de evolução, aprendendo a conhecer, a fazer, a conviver 
e a ser. Torna-se necessário projetar o nosso amanhã em termos educacionais, construirmos e 
consolidarmos esta sociedade, alicerçada pela ética, justiça e solidariedade, já que essas são 
competências que se aprendem. Daí entendermos a educação como um processo amplo, um 
projeto para toda uma vida, um bem ao qual se agregue valor permanentemente e possa ser 
promovido pelo uso de tecnologias que alcancem a todos.
Ao analisarmos o modelo de ensino tradicional – no qual o professor se posta diante dos 
alunos que, na maioria dos casos, assistem passivamente, sem direito a questionamentos, 
limitando-se a anotar aquilo que lhes é dito – verificamos que a introdução de novos recursos 
midiáticos, como a linguagem radiofônica televisiva, enseja uma maior participação e 
envolvimento dos aprendizes com os conteúdos disciplinares. Tal envolvimento é reforçador 
do processo de aprendizagem, já que transfere para o aluno uma maior autonomia e 
participação em todo o processo.
O áudio e o vídeo como mídias difusoras da aprendizagem
Não existem ainda informações e pesquisas suficientes capazes de embasar a suposição de 
que a simples introdução de um kit multimídia numa sala de aula, permitindo aos alunos o 
acesso a Internet, seja por si só uma variável pedagógica capaz de melhorar o desempenho 
dos envolvidos. Esta intenção preliminar, no entanto, apresentada em sala de aula, gerou 
visível entusiasmo e curiosidade e pareceu-nos, ao mesmo tempo, ser uma solução bastante 
acessível, já que não privilegiaria o acesso ao conteúdo a um grupo limitado de estudantes, 
nem restringiria esse acesso.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 38 .
Muitas são as escolas que têm estabelecido projetos-piloto, por meio dos quais disponibilizam 
recursos básicos para instalação de uma rádio-pátio (mesa de som, tocador de CDs, microfone 
e caixas de som),ou mesmo projetos mais sofisticados, com o uso de computador, placa de 
captura de som e vídeo, webcams e gravador de CDs. Esses projetos educacionais, 
envolvendo recursos de áudio, têm produzido impactos visíveis no processo ensino-
aprendizagem, além da animação e do entusiasmo com que os alunos e professores se 
envolvem colaborativamente para a produção de programas educativos, do tipo áudio-aula ou 
vídeo-aula. 
É importante destacar, ainda, que as situações e as tarefas propostas em projetos dessa 
natureza são corrigidas e adaptadas conforme as necessidades da disciplina e as limitações da 
escola. Percebe-se que o próprio processo de construção de vídeo ou áudio-aulas, no qual se 
faz necessário um planejamento, desde a escolha da pauta, a pesquisa, a escolha dos 
apresentadores, as entrevistas, a gravação e a edição, procedimentos esses previamente 
estabelecidos, de forma tão completa e independente do trabalho realizado em sala de aula 
quanto for possível.
Muitos projetos desenvolvidos por escolas do Ensino Médio criaram estruturas próprias para 
o acompanhamento de atividades a distância, definindo-se a necessidade de utilização de um 
microcomputador dotado de navegador de Internet (Internet Explorer, Netscape Navigator ou 
similar), com o aplicativo (gratuito) RealAudio Player instalado. Tal aplicativo (e seu 
respectivo formato de arquivo) é, em geral, escolhido por dispor de uma excelente relação 
entre quantidade de áudio e tempo de transferência, evitando assim que os alunos sejam 
obrigados a aguardar durante dezenas de minutos para acompanhar apenas alguns segundos 
de aula – algo que seguramente aconteceria com os alunos sem conexão dedicada, caso o 
conteúdo fosse disponibilizado em vídeo.
Sem lugar a dúvidas, vivemos em uma sociedade de aprendizagem. Esta demanda por 
aprendizagens contínuas e massivas é uma das características que definem a sociedade atual. 
Mas não se trata apenas de aprender muitas coisas, senão de aprender coisas diferentes, por 
meios igualmente diferentes e em um tempo escasso, dado o grande volume de informações 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 39 .
que devemos processar, e a velocidade de mudança e inovação, que nos exige o 
aperfeiçoamento constante ao longo de toda a vida.
Na busca de uma solução eficaz aos desafios propostos pela atual sociedade às organizações 
educacionais, surge a revalorização das modalidades de educação semipresencial e a 
distância. Essas modalidades educativas começam a se desenvolver em sua terceira geração, 
em que os recursos das mídias tradicionais – texto, áudio e vídeo – são potencializados a 
partir de sua fusão na Internet. 
A Internet, essa poderosa mídia digital, otimiza e barateia a distribuição de informação 
audiovisual e textual, abrindo inúmeras opções educativas e surgindo como alternativa para 
responder ao escasso tempo de que as pessoas dispõem, à dificuldade de deslocamento no 
tráfego dos grandes centros urbanos e à impossibilidade de contar com os especialistas 
necessários em cada região para estruturarcursos e programas de alta qualidade.
Alternativas viáveis para a melhoria dos processos educativos
Uma resposta à complexidade dos processos que envolvem o ensino-aprendizagem e a 
urgência em formar indivíduos competentes, que a sociedade atual demanda, depende da 
criação estratégica de um espaço de produção e difusão de conhecimentos atualizados, em 
linguagem didática, através do uso de todo o potencial das novas tecnologias de comunicação 
e informação. Aí reside a inovação e a excelência em programas e cursos que envolvam o uso 
dos recursos midiáticos de massa, como o rádio, a TV e a Internet, ou ainda a integração de 
todas elas. A sala de aula é a célula-máter, a incubadora de tais projetos.
É fundamental que as escolas proporcionem uma oferta educativa que se constitua a partir do 
diagnóstico das necessidades de formação da população alvo e de suas características 
culturais, elemento central do planejamento educativo e das estratégias de comunicação, com 
ampla utilização de todos os recursos tecnológicos existentes, e que se caracterize pela 
elaboração de materiais diversos e adaptados a cada uma das realidades em que se 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 40 .
desenvolvem as atividades educativas, não só no que diz respeito à elaboração de conteúdos 
conceituais, mas também às experiências de aprendizagem e às atividades do plano de ensino.
Espera-se que os gestores escolares apostem em estratégias pedagógicas dinâmicas, com 
programas que sejam atualizados permanentemente, respondendo ao acelerado ritmo de 
mudança da sociedade do conhecimento e do mercado de trabalho atual, superando assim o 
anacronismo em que, cedo ou tarde, caem os conteúdos escolares do modelo de ensino 
presencial. 
Percebe-se que as instituições de ensino – quer sejam do nível básico, fundamental ou médio, 
ao desenvolverem uma sólida estrutura tecnológica e comunicacional, articulada por uma 
estratégia pedagógica que considere ações desenvolvidas para melhorar a comunicação entre 
os alunos e os docentes – têm obtido uma resposta positiva global no rendimento dos alunos e 
dos professores. Tais ações elevam a auto-estima de todos e de cada indivíduo, 
transformando-os em verdadeiros protagonistas de suas atividades de ensino e aprendizagem.
Ofertas educativas possibilitam tirar o estudante do marasmo e do tédio característicos da 
educação tradicional, permitindo-lhe criar, inovar e compartilhar experiências com os demais 
colegas, e têm produzido resultados altamente positivos. As trocas e o trabalho colaborativo 
em torno de projetos, tais como a construção de uma rádio-web para a escola, ou produção de 
um vídeo retratando a realidade do bairro, dota o estudante de um poder adicional de 
transferência a diversas situações da vida, constrói pontes para a formação de cidadãos 
conscientes de seus direitos, de seus deveres e, sobretudo, dos seus limites e potencialidades. 
Uma proposta pedagógica que permita construir aulas globais, recorrendo aos especialistas de 
diferentes instituições, cidades e mesmo países, na formação de um corpo de professores 
altamente especializados em cada uma de suas áreas de conhecimento, provavelmente levará a 
uma difusão mais rápida e melhor do conhecimento, com ganhos para todos. Através de 
atividades diversificadas e abertas, tais estratégias podem favorecer a transferência de saberes 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 41 .
aos mais variados contextos profissionais, promovendo a auto-aprendizagem, criando 
possibilidades para que o aluno aprenda a aprender e concedendo-lhe plena autonomia. 
As linguagens atrativas e sedutoras do rádio e da televisão podem e devem ser apropriadas por 
alunos e professores e fazer parte do universo cotidiano educativo, a partir de projetos 
criativos e inovadores em sala de aula. Desta forma, a educação brasileira poderá enfrentar o 
desafio de transformar as velhas e empoeiradas salas de aula em ambientes atraentes e 
agradáveis aos nossos jovens, despertando-lhes o desejo de para lá se dirigirem, com uma 
renovada emoção de se sentirem parte de um projeto real de vida e não apenas agentes 
passivos desse processo.
RE F E R Ê N C I A S BI B L I O G R Á F I C A S
BIANCO, Nélia R. Del. Cadernos de Comunicação – Avaliação do Programa Escola Brasil. 
Brasília, Ministério da Educação, 2000.
BRUM, Eron. Política, o palco da simulação. Santos, A Tribuna, 1988.
COSTELLA, Antonio. Comunicação - do grito ao satélite. São Paulo: Mantiqueira, 1978. p. 
36-120.
CORRÊA, Arlindo Lopes (ed.). Educação de massa e ação comunitária. Rio de Janeiro: 
AGGS/MOBRAL, 1979. 
CUNHA, Célio da. A pedagogia no Brasil. In: LARROYO, Francisco. História geral da 
pedagogia. São Paulo: Mestre Jou, 1974. Apêndice, p. 880-915. 
ESPINHEIRA, Ariosto. Rádio e Educação. São Paulo, Melhoramento, 1934.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 42 .
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 3a ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1975. 
FREITAG, Bárbara. Escola, estado e sociedade. 6a ed. São Paulo: Moraes, 1986.
GONZALEZ, Mathias. Fundamentos de Tutoria em Ead. São Paulo, Avercamp, 2005.
LUCENA, Carlos. A Educação na Era da Internet. Rio de Janeiro: Clube do Futuro, 2003. 
Ministério da Educação e Cultura/Movimento Brasileiro de Alfabetização. Educação 
permanente e educação de adultos no Brasil. Rio de Janeiro: Bloch, 1976. 
No t a s : 
1 Es c r i t o r , ps i c o p e d a g o g o , ge s t o r de Pl a n e j a m e n t o Ed u c a c i o n a l e 
Co o r d e n a d o r do Rá d i o Es c o l a na Se c r e t a r i a de Ed u c a ç ã o a Di s t â n c i a do 
M i n i s t é r i o da Ed u c a ç ã o
 
PROGRAMA 4PROGRAMA 4
CO M U N I D A D E S DE AP R E N D I Z A G E M EM RE D E
Liane Margarida Rockenbach Tarouco1
Antes de iniciar a discussão da constituição e da manutenção de comunidades de 
aprendizagem em rede, cabe uma breve análise das condições atualmente existentes no Brasil 
para ensejar e apoiar as comunidades de aprendizagem em rede. A disseminação do acesso à 
Internet no Brasil segue crescendo e a taxa de crescimento aumentou, conforme se pode 
perceber pelo gráfico da figura 1, que consolida dados da pesquisa domiciliar realizada pelo 
IBGE (2005).
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 43 .
Figura 1: Domicílios com computador
 Fonte: Dados do levantamento domiciliar do IBGE (2005).
Isto representou, em 2005, cerca de 7.2 milhões de domicílios com microcomputador e acesso 
à Internet, num total de aproximadamente 53 milhões de domicílios. 
Conforme destacado por Vecchiati (CGI/BR):
“Ainda que poucas pessoas percebam, estamos vivendo uma grande revolução. É uma 
revolução sutil, silenciosa, que já interfere e vai interferir muito mais na vida do cidadão. 
Ainda mais sutil que a interferência da TV na vida do ser humano. A Internet é a grande 
responsável por isso. Se compararmos com a revolução trazida pela televisão, veremos 
que o poder da Internet é muito maior: enquanto a TV possibilita uma comunicação de via 
única, a Internet oferece duas vias, o que permite a interação e a integração em rede das 
comunidades que dela participam.”
Mesmo nos casos em que não há computador e acesso à Internet em casa, o acesso está sendo 
buscado em outros locais, como mostra o gráfico seguinte, com a tabela resumindo os locais 
de acesso à Internet nos últimos 3 meses (CGI/BR).
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 44 .
2003 2004
2005
15 16
19
11 12 14
0
5
10
15
20
Percentagem de domicílios com computador
Microcomputador com
acesso à Internet
Microcomputador 
Dos 24,4% entrevistados que acessaram a Internet nos últimos 3 meses, 10,3% acessaram em 
casa, mas apenas 7,7% têm acessoexclusivamente em sua residência. A maioria – 14,1% – 
não acessou a Internet de casa, mas de outros locais fora de seu domicílio, principalmente do 
trabalho, escola, casa de outra pessoa e centros de acesso pago. 
Um outro resultado interessante da pesquisa do CGI/BR foi revelar que as gerações mais 
jovens, mesmo tendo menos renda, valorizam mais o computador e, por isso, dedicam parte 
maior dos seus recursos para a aquisição de um computador. Se alguém perguntar a um 
jovem, atualmente, o que pensa fazer para melhorar suas possibilidades no mercado de 
trabalho, receberá como resposta, na maioria esmagadora das vezes, que ele pensa fazer um 
"curso de computador" para conseguir um emprego melhor. A busca de alternativas de 
treinamento e educação através da Internet é, sem dúvida, uma motivação dos usuários e a 
pesquisa do CGI/BR aponta que, dentre os usuários que acessam a Internet, a comunicação e a 
educação ocupam posições majoritárias: 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 45 .
De onde acessou a Internet nos últimos 3 
meses
TIC (%)
Em casa 10,3
No trabalho (quando diferente de casa) 6,5
Da escola 5,2
Da casa de outra pessoa 4,3
Centro público de acesso gratuito 0,5
Centro público de acesso pago 4,3
Não acessou a Internet nos últimos 3 meses 75,6
Atividades desenvolvidas na 
Internet concernentes a 
treinamento e educação 
Percentual 
(%)
Treinamento e educação 56,45
Realizar atividades escolares 47,05
Outras atividades relacionadas à 
educação
29,39
Cursos de extensão e pós-graduação 4,69
 
Atividades desenvolvidas na 
Internet- Comunicação
Percentual (%)
Comunicação 81,67
Enviar e receber e-mail 70,51
Enviar mensagens instantâneas 34,74
Participar de chats 28,21
Participar de sites de 
comunidades e relacionamentos 
(ex. Orkut)
21,97
O que este panorama permite entrever? Foi constatado, na pesquisa do CGI/BR, que as 
gerações mais novas estão vislumbrando uma perspectiva de melhoria associada ao acesso à 
Internet. Esta percepção intuitiva dos jovens é corroborada por diversos autores, que ressaltam 
ser a educação a pedra básica sobre a qual deve ser ancorado todo o esforço de 
desenvolvimento e aprimoramento da qualidade de vida dos povos. E uma das formas de 
promover um melhor nível de escolarização, bem como a readaptação e a recapacitação de 
quem que já está no mercado de trabalho, é através da educação continuada. A educação 
formal e a educação continuada podem ser ensejadas através da Internet, mas a forma como o 
processo de ensino/aprendizagem deve passar a ocorrer neste contexto é, sem dúvida, 
diferente de como tem sido desenvolvido tradicionalmente.
Como alunos e professores podem e devem passar a atuar? O novo papel do estudante passa a 
ser mais ativo, autodirigido (heutagogia, conforme referido por Paloff, 2005), em que ele deve 
ser capacitado a aprender a aprender usando interações colaborativas. Mudanças precisam 
ocorrer e uma das mais significativas é uma ampliação no processo de aprendizagem 
colaborativa. O uso da Internet potencializa a aprendizagem colaborativa, e o aprender e o 
comunicar constituem duas das principais atividades dos usuários da Internet, conforme 
anteriormente destacado. Na aprendizagem colaborativa: o aluno aprende com seus pares e o 
educador orienta, medeia e anima o processo de construção do conhecimento (Lotito 2005). 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 46 .
Com isso, cria-se oportunidade para o trabalho em rede e o desenvolvimento da capacidade de 
cooperar, aprender, acessar e produzir informação, que será uma habilidade exercida não 
apenas na fase formal do processo educacional, mas principalmente no decorrer da carreira de 
cada um, pois a educação continuada constitui uma demanda imperiosa do mercado de 
trabalho, em constante transformação. Mas o aprender neste novo contexto e, em especial, o 
aprender em grupo requerem novas habilidades. O surgimento de comunidades de 
aprendizagem em rede representa uma oportunidade e uma alternativa indispensável neste 
novo contexto de aprendizagem. 
Lotito destacou também que as principais características de uma Comunidade Virtual de 
Aprendizagem são:
1) A comunicação não depende do tempo nem do local, o que oportuniza a participação de 
quem está envolvido em outras atividades, profissionais, acadêmicas, ou mesmo pessoais, que 
a inviabilizariam.
2) A comunicação se dá entre muitas pessoas e, neste contexto, a realimentação é mais rica e 
contextualizada. 
3) O produto é coletivo. O conhecimento humano é essencialmente coletivo e a vida social 
constitui um dos fatores essenciais da formação e do crescimento dos conhecimentos pré-
científicos e científicos. 
4) Os participantes são ativos. Trazem suas experiências e conhecimento. 
5) A escrita é estimulada. E esta demanda pode contribuir para levar à redução do problema 
do analfabetismo funcional. Adicionalmente, também prepara para a sociedade, em que o 
fator de produção relevante é o conhecimento, e que requer um indivíduo conhecedor, 
informatizado, digital, que interpreta linguagens icônicas. 
6) A comunicação ocorre por meio do computador conectado à Internet. As ferramentas 
atualmente disponíveis vão bem além do correio eletrônico que, no início, era a base da 
interação das comunidades de aprendizagem em rede. Atualmente chats são utilizados em 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 47 .
formas puramente textuais ou em ambientes gráficos, como o Palace, com cenários onde 
avatares representam os participantes do grupo, que assumem personalidades e, através dos 
mesmos, interagem no grupo (figura 2). As mensagens instantâneas constituem, atualmente, 
não apenas uma ferramenta de lazer, mas são utilizadas no suporte a estudantes e na 
comunicação síncrona entre os integrantes da comunidade e já agregam recursos multimídia 
(intercâmbio usando voz, vídeo e co-trabalho em quadro branco)
7) Pode haver um mediador que anima, incentiva e viabiliza o debate, fazendo evoluir a 
comunicação em um sentido. Este constitui um papel relevante para os professores e tutores 
no contexto das comunidades de aprendizagem em rede: estimular, acompanhar a pesquisa, 
debater os resultados. Orientar, estimular, relacionar, mais que informar, é a função 
primordial do mediador. Faz-se necessário, neste contexto, um modelo de gestão adhocrático, 
conforme referido por Fichmann (2006), no qual são reduzidos os ingredientes de formalidade 
e impessoalidade, oferecendo maior autonomia aos atores que participam de um projeto, e 
com hierarquia imprecisa, na qual as pessoas mudam de papel de uma situação para outra.
8) A motivação dos participantes é muito importante. Um dos pilares desta motivação é uma 
sensação de reciprocidade, que passa a vigorar na comunidade de aprendizagem em rede, 
quando cada participante sente-se recompensado pelo retorno que o grupo proporciona. A 
recompensa pode ser cognitiva (aprendeu com o grupo e busca dar continuidade ao processo 
de aprendizagem colaborativa) mas pode também ser afetiva e/ou emocional (recebe 
reconhecimento do grupo).
Figura 2: Ambiente de chat gráfico
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 48 .
A capacidade de procurar informação relevante e discriminar o que é importante do que é 
acessório, ou mesmo irrelevante, também constitui uma das habilidades requeridas neste 
cenário. Uma nova forma de ler, que não mais demanda versões impressas de documentos 
para serem trabalhados e que emprega práticas de leitura dinâmica, é necessária para perceber 
com eficiência o que interessa e que precisará ser objeto de atenção mais intensa. Esta forma 
de buscar informação, na qual as páginas da Internet são velozmente recuperadas e avaliadas 
em relação ao seupotencial de usabilidade é, ao mesmo tempo, uma característica positiva e 
negativa. A busca incessante de mais e mais informações para posterior aproveitamento pode 
levar a um esgotamento do processo nesta fase. O fenômeno, referido com Infoglut, leva a 
uma voraz acumulação de informações, sem que uma apropriada análise sobre as mesmas seja 
realizada. Esta voracidade derivou de um processo em que a carência de informação era 
intensa para uma nova situação na qual há abundância de material, revistas on-line, tal como a 
RENOTE (2006) e todo o acervo que a CAPES (2006) possibilitou em seu portal Periódicos, 
com acesso on-line a revistas tradicionalmente disponibilizadas apenas em forma impressa. 
Isto nos leva à seguinte indagação: Como desacelerar este processo, para ensejar a reflexão, 
que é essencial para a aprendizagem significativa? Novos hábitos de trabalho em grupo, 
fluência com ferramentas de comunicação, cooperação e coordenação precisam ser 
aprendidos e exercitados. 
O trabalho do grupo Mídia Informática e Internet do Programa de Formação em Mídias na 
Educação da Internet buscou criar condições para desenvolver esta fluência, com as 
ferramentas de autoria pelo professor, para que ele possa criar condições e estímulo para a 
nova forma de ensinar e aprender que utiliza comunidades de aprendizagem em rede.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 49 .
RE F E R Ê N C I A S BI B L I O G R Á F I C A S
CAPES. Portal de periódicos. Disponível em http://www.capes.gov.br. Acessado em 
outubro de 2006.
CGIBR. Pesquisa Sobre o uso das tecnologias da informação e da comunicação no 
Brasil 2005.Comitê Gestor da Internet no Brasil. 
IBGE. Pesquisa domiciliar. Disponível em http://www.ibge.gov.br . Acessado em 
outubro de 2006.
Fichmann, Silvia. Gestão, transdisciplinaridade e comunidade virtual de 
aprendizagem: uma utopia pragmática. São Paulo: Centro de Educação 
Transdisciplinar – CETRANS/ Escola do Futuro da USP – EFUSP.
Lotito, Márcia. Comunidade virtual de aprendizagem: o ambiente do portal educarede. 
2005. Disponível em http://www.educarede.org.br. Acessado em Outubro de 
2006.
Palloff, Rena e Pratt, Keith. O aluno virtual. Porto Alegre: ARTMED, 2004.
RENOTE. Revista Novas Tecnologias na Educação. UFRGS/CINTED. Disponível em 
http://www.cinted.ufrgs.br/RENOTE/ Acessada em 2006.
No t a :
 Pr o f e s s o r a da Un i v e r s i d a d e Fe d e r a l do Ri o Gr a n d e do Su l - 
UFRGS/CINTED.
PROGRAMA 5PROGRAMA 5
A IMP O R T Â N C I A DA GE S T Ã O NO S PR O J E T O S DE EA D
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 50 .
http://www.cinted.ufrgs.br/RENOTE/
http://www.educarede.org.br/
http://www.capes.gov.br/
O pap e l da ge s t ã o na int e g r a ç ã o do us o da s m í d i a s na es c o l a e as 
po s s i b i l i d a d e s da for m a ç ã o a dis t â n c i a na
for m a ç ã o do ed u c a d o r
Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida1
Maria Elisabette Brisola Brito Prado2
Fica decretado que, a partir deste instante,
Haverá girassóis em todas as janelas,
Que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra,
E que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
Abertas para o verde onde cresce a esperança! (Trecho do Poema “Estatutos do Homem”, 
de Thiago de Mello).
A temática deste texto evidencia a necessidade de abordarmos três conceitos que se 
apresentam de forma inter-relacionada: a gestão, a integração das mídias na escola e a 
formação a distância do educador.
O que é a gestão?
O conceito etimológico de gestão indica vários sentidos relacionados com a ação de gestar, 
trazer, gerir, administrar, dirigir, proteger, abrigar, produzir, criar, ter consigo, nutrir, manter, 
mostrar, fazer crescer, digerir, pôr em ordem, classificar... (Houaiss, 2001).
De acordo com Almeida (2006), a noção atual de gestão vai muito além da concepção de 
organização administrada como máquina, cujo funcionamento é facilmente controlado e 
abrange tanto a gestão de informações e conhecimentos gerados na própria instituição ou 
advindos de outros contextos, como as complexas relações que se estabelecem na diversidade 
de interesses e pontos de vista, englobando as múltiplas dimensões constitutivas do ser 
humano (cognitivas, sociais, políticas, pedagógicas, técnico-administrativas).
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 51 .
Os processos de gestão constituem a tessitura de redes de significados e sentidos, que 
articulam as competências e habilidades individuais daqueles que atuam na instituição com as 
práticas, valores e crenças desse contexto e, ainda, com inúmeros elementos que interferem 
continuamente em sua vida e funcionamento.
Portanto, a concepção de gestão enfatiza a práxis humana, considerando que os sujeitos se 
constituem no trabalho. À medida que desenvolvem suas produções, os sujeitos se 
transformam, produzem sua realidade e são transformados por ela.
A questão que se coloca é qual a relação entre a gestão e o uso integrado das mídias na 
prática pedagógica?
O uso das mídias no contexto escolar requer um novo aprendizado do professor, que vai além 
do saber operacional dos recursos midiáticos (Prado, 2003; Almeida, 2005). Relembrando a 
chegada dos computadores nas escolas, o maior desafio era propiciar ao professor saber usar 
pedagogicamente os recursos computacionais de forma contextualizada com os conteúdos 
curriculares. O que se desejava era que a incorporação do computador na escola ocorresse de 
fato, demandando novas práticas do professor e viabilizando aos alunos novas formas de 
aprender e de representar o conhecimento. De igual maneira se desejava fazer o uso, com 
sentido pedagógico, de outras mídias, como a TV, o rádio, DVD, máquina digital, a 
filmadora, a Internet... 
Isso aconteceu? De uma maneira diversificada e pontual podemos dizer que sim. Algumas 
experiências, mais localizadas, aconteceram revelando resultados bastante positivos em 
termos de propiciar ao aluno o aprendizado baseado na autoria, criatividade, produção de 
conhecimento e na aprendizagem por meio da exploração de simulações. Tudo isso 
potencializado pelas características inerentes da tecnologia digital de expressar o pensamento, 
registrá-lo e recuperá-lo a qualquer tempo e de qualquer lugar, permitindo atualização 
constante e levando a fazer, analisar e refazer esse processo continuamente.
Entretanto, também aconteceu ou ainda acontecem práticas de utilização das mídias na escola 
de maneira dicotomizada das demais atividades, ou mesmo como um apêndice da 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 52 .
intencionalidade pedagógica do professor. Muitas vezes, um assunto é trabalhado na sala de 
aula usando as tecnologias mais habituais como livro, caderno, caneta... E, num outro 
momento, fragmentando o próprio trabalho pedagógico, o aluno usa, por exemplo, o 
computador para digitar algo, buscar uma informação ou simplesmente fazer uma cópia, sem 
estabelecer relação com os conteúdos estudados na sala de aula. Quando isto acontece, o uso 
das mídias e tecnologias acaba empobrecendo o processo de aprendizagem do aluno e deixa 
de trazer inovações para a prática pedagógica.
Isto significa que dar acesso aos recursos tecnológicos e midiáticos à comunidade da escola 
(alunos, professores, diretores, coordenadores, funcionários) é necessário e fundamental, 
entretanto, não é suficiente. É preciso ir além, potencializando a apropriação destes recursos 
com significado para quem os utiliza. Dito de outra forma, permitindo que cada protagonista 
do contexto escolar aprenda a operacionalizar tais recursos, reconhecendo as especificidades 
das diferentes mídias e, principalmente, asimplicações envolvidas na sua utilização, na 
perspectiva da função e do papel que cada protagonista desempenha, empregando-as para 
resolver os problemas que enfrenta em seu cotidiano e para atender às suas necessidades e aos 
seus interesses.
Tratando-se do professor, a apropriação das diferentes mídias na sua atuação em sala de aula 
requer a reconstrução do conhecimento sobre a própria prática pedagógica. Nesse sentido, 
envolve repensar a concepção de aprendizagem, a sua coerência em termos de ensino e 
abordagem pedagógica e o conhecimento curricular sendo trabalhado de forma articulada com 
os recursos das mídias e tecnologias, o que indica tanto a necessidade de dominar as 
operações e funcionalidades básicas das tecnologias, como a necessidade de entender a 
linguagem das mídias (Prado, 2005).
Com a integração das tecnologias e mídias na prática pedagógica se evidencia a importância 
de o professor compreender os processos de gestão da sala de aula, no que se refere ao ensino, 
à aprendizagem e às estratégias que desenvolve, na criação de situações que favoreçam ao 
aluno integrar significativamente os recursos das tecnologias e mídias, como forma de 
trabalhar a busca de informação, a pesquisa, o registro, as novas linguagens de expressão do 
pensamento, comunicação e produção do conhecimento. De fato, este caráter complexo traz 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 53 .
um outro sistema de representação simbólico, que provoca a conscientização do professor 
sobre a necessidade de desenvolver a gestão da prática pedagógica e dos recursos que 
utiliza. 
No entanto, fazer a gestão da prática pedagógica é algo novo para o professor. Não podemos 
nos esquecer de que o professor foi preparado para planejar o ensino, dar aula, transmitir 
informações, passar e corrigir exercícios e provas para os alunos. E agora, diante de um novo 
cenário da educação, ele precisa lidar com a rapidez e a abrangência de informações, de 
dados, com o dinamismo do conhecimento e com a integração de tecnologias e diferentes 
formas de representação. Evidencia-se uma nova organização de tempo e espaço de 
aprendizagem, que ultrapassa a estrutura da instituição escolar, bem como a diversidade de 
situações que exigem do professor um posicionamento crítico e reflexivo para fazer suas 
escolhas e definir suas prioridades em relação às atividades a desenvolver, de acordo com as 
condições da realidade em que atua e dos recursos de que dispõe, desenvolvendo estratégias 
criativas e novas aprendizagens.
As novas relações com o saber que as tecnologias e mídias propiciam, principalmente com o 
acesso à Internet, potencializam a articulação da escola com outros espaços produtores de 
conhecimento, desencadeando mudanças substanciais em seu interior, apontando para a 
criação de um espaço complexo, aberto e flexível, no qual a gestão da prática pedagógica e a 
aprendizagem se desenvolvem em um processo colaborativo de enfrentamento das 
problemáticas contextuais, por meio de trocas recíprocas, respeito, co-responsabilidade e 
(re)construção de conhecimento. Assim, a escola vai recuperando seu lócus de espaço 
aglutinador de saberes, produtor e disseminador de conhecimentos, que se alarga para além de 
seus muros e adentra os espaços virtuais, ignorando as fronteiras geográficas e temporais.
Daí a necessidade e a urgência de propiciar a formação continuada e em serviço de 
educadores, para que possam identificar e analisar as formas adequadas e construtivas de 
fazer a gestão da sala de aula, que pode se abrir para o mundo com o uso das tecnologias e 
mídias integradas nas dinâmicas das situações de aprendizagem dos alunos. E tal formação 
pode ser viabilizada por meio de ambiente virtual de aprendizagem.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 54 .
Por que formação a distância, via ambiente virtual?
As questões relacionadas à EAD, até um tempo atrás, predominavam em torno de assumir 
uma posição a favor ou contra, uma vez que essa modalidade de ensino trazia uma 
preocupação para os educadores em termos da sua qualidade e, conseqüentemente, da 
aprendizagem do aluno. No entanto, no final da década de 90, com o avanço da tecnologia e a 
disseminação da Internet, a EAD ganhou um novo foco de análise, evidenciando novas 
questões e envolvendo, de forma híbrida, aspectos de caráter tecnológico e educacional. Com 
isso, as preocupações passaram a girar em torno das diferentes abordagens educacionais de 
EAD veiculadas com o suporte das plataformas computacionais, denominadas de ambientes 
virtuais.
Sob esse enfoque, pode-se destacar um leque de possibilidades que transitam desde uma 
abordagem de EAD baseada no broadcast (distribuição de informações) até outras abordagens 
que priorizam as interações e o processo de construção de conhecimento. A nova perspectiva 
de EAD é denominada por Valente (2000) com o “estar junto virtual”, que se caracteriza por 
uma concepção de ensino que enfatiza o ato de aprender por meio das interações e no 
desenvolvimento de atividades reflexivas e de autoria, favorecendo o processo de 
reconstrução do conhecimento. Na abordagem do “estar junto virtual”, a mediação 
pedagógica é centrada no acompanhamento e na interação do professor com o aluno e entre os 
alunos. O professor, com base no acompanhamento investigativo do processo de 
aprendizagem dos alunos, faz a gestão da prática pedagógica no contexto virtual, recriando 
novas estratégias, desafiando cognitivamente os alunos na busca de superações de conflitos e 
de atingir novos patamares de aprendizagem (Valente, Prado e Almeida, 2003; Almeida, 
2005; Prado e Almeida, 2006).
No contexto virtual, evidencia-se uma nova maneira de aprender que ocorre a partir do 
estabelecimento da rede colaborativa entre os participantes, a qual vai sendo construída por 
meio das interações e das produções coletivas que acontecem nos vários espaços virtuais 
propiciados pelas diferentes ferramentas tecnológicas disponíveis. Nessa rede de 
aprendizagem, o aluno expressa e registra suas idéias, compartilha suas reflexões e produções 
via escrita, lê os registros deixados pelos colegas, apropria-se deles e faz novas intervenções, 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 55 .
recriando as idéias originais. Assim, a interação em rede proporciona vivenciar diferentes 
momentos de compartilhar significados, fazer releituras e desenvolver a meta-reflexão. É 
nessa rede de interações que a importância do papel do outro fica evidenciada, enquanto 
interlocutor das ações e reflexões práticas e teóricas (Rossetti-Ferreira, Amorim, Silva e 
Carvalho, 2004). Nessa perspectiva, a rede se sustenta e se enriquece pela diversidade de 
olhares, potencializando a cada um comparar, estabelecer novas relações, diferenciações e 
vivenciar situações reflexivas e criativas que envolvem buscas coletivas e em grupos de 
soluções e de produção de conhecimento (Almeida e Prado, 2006).
Outra possibilidade oferecida pelo contexto da EAD é a formação continuada de educadores, 
que pode ser viabilizada na ação, ou seja, contemplando nas atividades do curso as reflexões e 
intervenções sobre os elementos constituintes do cotidiano do educador e de sua prática 
profissional. O aprendizado na ação – ou contextualizado – lida com os fatos reais. Essa 
característica, sendo um dos princípios do curso de formação continuada, favorece ao 
educador reconhecer a funcionalidade daquilo que está aprendendo-fazendo e, 
conseqüentemente, atribuir significado e sentido para a própria aprendizagem (Prado e 
Valente, 2002; Almeida, 2004). Além disso,enquanto membro de um grupo em formação, o 
educador tem os colegas do curso como parceiros, com quem compartilha experiências, 
recebe apoio diante de dificuldades e espelha-se em suas conquistas. Tem também, no 
professor responsável pela formação, a orientação para enfrentar os desafios e tomar 
consciência de que o desenvolvimento da autonomia, propiciado pelas novas aprendizagens, 
lhe dá a sensação de empoderamento sobre a gestão da sala de aula.
Essa forma de aprender permite ao profissional da prática ter uma compreensão localizada em 
relação ao universo da sua atuação, o qual poderá ser ampliado por meio do estabelecimento 
de novas relações, envolvendo diferentes níveis de influências que atuam em seu entorno de 
ação. Portanto, a compreensão ampliada completa as compreensões localizadas e abre 
caminho para novas sistematizações da prática e da teoria (Prado e Valente, 2002; Prado, 
2003). 
Daí a necessidade de entender que as novas características de aprendizagem implicam novas 
estratégias para a elaboração da proposta de um curso a distância, a qual se desenvolve 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 56 .
ancorada em princípios educacionais articulados com práticas comunicacionais viabilizadas 
pelas tecnologias de suporte e mídias incorporadas ao curso. Entretanto, o desafio é grande 
quando as propostas de cursos envolvem maior quantidade de alunos e de turmas. Há 
necessidade de ter estrutura tecnológica e uma logística de trabalho pedagógico e de gestão 
muito bem articulada para lidar com o quantitativo de alunos, mantendo o qualitativo da 
formação dialógica, contextualizada e reflexiva.
Para compatibilizar os princípios educacionais do “estar junto virtual” com as características 
de uma nova configuração contextual de curso em grande escala, é necessário fazer a 
composição das equipes de concepção e desenvolvimento de projetos de EAD, considerando-
se as distintas competências exigidas para a produção e o desenvolvimento de cursos 
mediatizados por tecnologias, os novos papéis que desempenham e o trabalho em parceria 
entre os componentes de diferentes áreas de domínio (Ferreira, F.C. et al., 2005; Prado e 
Almeida, 2005). Além de envolver a participação de diversos profissionais, é necessário 
recriar novas estratégias de trabalho na equipe e entre as diversas equipes, bem como formas 
de gerenciamento da documentação gerada no curso durante a sua realização, incluindo 
instrumentos de acompanhamento, dados estatísticos, relatórios e avaliações em processo para 
realimentar as análises e as decisões que possam garantir, no quantitativo, o aspecto 
qualitativo da EAD. E para isto é essencialmente necessário fazer a gestão de EAD numa 
perspectiva de rede. Uma rede humana articulada que veicula interações e (re)organização 
no contexto da rede tecnológica e permite estabelecer conexões entre o olhar micro sobre as 
necessidades e participações individuais com a visão macro sobre o panorama da globalidade, 
para compreender a complexidade da gestão em EAD e agir na emergência das demandas 
contextuais, respeitando as diretrizes políticas e as prioridades institucionais.
 
RE F E R Ê N C I A S BI B L I O G R Á F I C A S
ALMEIDA, M. E. B de. O Projeto Gestão Escolar e Tecnologias: concepção e 
história. In: Fernando José de Almeida e Maria Elizabeth Bianconcini de 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 57 .
Almeida. Liderança. Gestão e tecnologias. Para a melhoria da 
educação no Brasil. PUC/SP, Microsoft, 2006.
ALMEIDA, M. E. B de. Gestão de tecnologias na escola: possibilidades de uma 
prática democrática. In: Salto para o Futuro. Série Integração de 
tecnologias, linguagens e representações. Rio de Janeiro: TV Escola, 
SEED-MEC, 2005.
_________ . Inclusão digital do professor. Formação e prática pedagógica. 
São Paulo: Articulação Universidade Escola, 2004.
FERREIRA, F.C.; SAPUCAIA, F.; RUBIM, L.C.; VILLARINHOS, M.C.; 
PRADO, M. E. B. B.; ALMEIDA, M.E.B. de. A complexidade e a 
complementaridade de saberes e competências profissionais na 
implementação de um projeto de formação de gestores escolares via 
Internet. In: II Congresso Mundial de Transdisciplinaridade, Vitória, 
ES, 2005.
HOUAISS, A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: 
Objetiva, 2001.
PRADO, M.E.B.B. Integração de Mídias e a reconstrução da prática 
pedagógica. Série Integração de tecnologias, linguagens e 
representações. Rio de Janeiro: TV Escola, SEED-MEC, 2005.
PRADO, M.E.B.B. Educação a Distância e Formação do Professor: 
Redimensionando Concepções de Aprendizagem. Tese de Doutorado. 
Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, PUC-SP, 2003.
PRADO, M. E. B. B.; ALMEIDA, M. E. B de. Estratégias em educação a 
distância: a plasticidade na prática pedagógica do professor. In: José 
Armando Valente e Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida. 
Integração de tecnologias na educação. São Paulo: Avercamp, 2006. 
(no prelo).
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 58 .
_________ . A formação de gestores para a incorporação de tecnologias na 
escola: Uma experiência de EAD com foco na realidade da escola, em 
processos interativos e atendimento em larga escala. In: 12º Congresso 
Internacional de Educação a Distância – ABED, Florianópolis, SC, 
2005.
ROSSETTI-FERREIRA, M. C.; AMORIM, K. de S.; SILVA, A. P. S.; 
CARVALHO, A. M. A. Rede de significações e o estudo do 
desenvolvimento humano. Porto Alegre: Artmed, 2004.
VALENTE, J. A. Educação a Distância: Uma oportunidade para mudança no 
ensino. In: Maia, C.(coord.). Ead br: Educação a distância no Brasil 
na era da Internet. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2000.
VALENTE, J. A.; PRADO M. E. B.; ALMEIDA, M. E. B. de (orgs.). 
Formação de educadores via distância. São Paulo: Avercamp, 2003. 
No t a s :
 Li c e n c i a d a e Ba c h a r e l em Ma t e m á t i c a ; Me s t r e e Do u t o r a em Ed u c a ç ã o pel a 
PU C S P ; Pr o f e s s o r a do De p a r t a m e n t o de Ci ê n c i a da Co m p u t a ç ã o e do 
Pro g r a m a de Pó s- gr a d u a ç ã o em Ed u c a ç ã o : Cu r r í c u l o , da PU C S P . 
Co o r d e n a d o r a do Pr o j e t o Ge s t ã o Es c o l a r e Te c n o l o g i a s , de s e n v o l v i d o pel a 
PU C S P , em pa r c e r i a com a Mi c r o s o f t B r a s i l e com Se c r e t a r i a s de Es t a d o s de 
Sã o Pa u l o , Go i á s e CO N S E D com ou t r o s no v e Es t a d o s . Pe s q u i s a d o r a e 
co n s u l t o r a na ár e a de for m a ç ã o de ed u c a d o r e s , te c n o l o g i a na edu c a ç ã o , 
ed u c a ç ã o a di s t â n c i a e inc l u s ã o di g i t a l .
2 Pe d a g o g a e M e s t r e em Ps i c o l o g i a Ed u c a c i o n a l pe l a Fa c u l d a d e de 
Ed u c a ç ã o da UN I C A M P , Do u t o r a em Ed u c a ç ã o pe l o Pr o g r a m a de Pó s-
Gr a d u a ç ã o em Ed u c a ç ã o : Cu r r í c u l o da PU C S P . At u a l m e n t e pa r t i c i p a da 
Eq u i p e Ge s t o r a do Pr o j e t o Ge s t ã o Es c o l a r e Te c n o l o g i a s , de s e n v o l v i d o pe l a 
PU C S P , em pa r c e r i a com a Mi c r o s o f t B r a s i l e com Se c r e t a r i a s de Es t a d o s de 
Sã o Pa u l o , Go i á s e CO N S E D com ou t r o s no v e Es t a d o s . At u a com o 
pe s q u i s a d o r a co l a b o r a d o r a do NI E D- UN I C A M P e com o con s u l t o r a na ár e a 
de for m a ç ã o de ed u c a d o r e s , tec n o l o g i a na edu c a ç ã o e em ed u c a ç ã o a 
di s t â n c i a .
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 59 .
Presidente da República
Luis InácioLula da Silva
Ministro da Educação
Fernando Haddad 
Secretário de Educação a Distância
Ronaldo Mota 
TV ESCOLA/SALTO PARA O FUTURO
Diretora do Departamento de Produção e Capacitação em Educação a Distância
Leila Lopes de Medeiros
Coordenadora Geral de Produção e Programação
Viviane de Paula Viana
Supervisora Pedagógica
Rosa Helena Mendonça
Acompanhamento Pedagógico
Maria Angélica Freire de Carvalho
Coordenadora de Utilização e Avaliação 
Mônica Mufarrej
Copidesque e Revisão
Magda Frediani Martins
Diagramação e Editoração
Equipe do Núcleo de Produção Gráfica de Mídia Impressa 
Gerência de Criação e Produção de Arte – TVE Brasil
Consultora especialmente convidada
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 60 .
Dóris Santos de Faria
E - mail: salto@mec.gov.br
Home page: www.tvebrasil.com.br/salto
Rua da Relação, 18, 4º andar. Centro.
CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ)
Novembro/Dezembro 2006
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 61 .planejado, e cuja gestão deve ser 
integrada; 
• as especificidades das próprias mídias, mas também sua integração a outras mídias; 
• multidisciplinaridade dos conteúdos; 
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 5 .
• cooperação entre os participantes por meio das atividades colaborativas e a (co) 
autoria nos projetos. 
2. CONCEITUAÇÃO 
Educação é Comunicação e, como tal, deve estar atenta à questão da interatividade, não só 
entre os sujeitos, alunos e professores, mas também das tecnologias envolvidas, caminhando 
desde uma menor interatividade, como os casos clássicos de Cinema, TV e Vídeo, até grande 
interatividade, como nas comunidades de aprendizagem conectadas pela rede Internet. 
Integração de Mídias e Internet são tendências fortes nos dias de hoje. 
A importância de abordar a integração das mídias resulta de um momento histórico em que, 
para além do alcance tecnológico, a abordagem especializada, limitada exclusivamente a uma 
mídia, certamente restringe o campo de atuação docente e, porque também limita o universo 
do interesse dos jovens alunos, pode comprometer a eficácia do ensino na sala de aula.
Isso não quer dizer que o uso de mídias em sala de aula tenha que necessariamente envolver 
mais de uma única mídia. Evidentemente que não, pois isso vai depender dos objetivos do 
momento, dos procedimentos possíveis e dos conteúdos a serem abordados. Essa opção deve 
ser, no entanto, consciente e diretamente relacionada à proposta pedagógica em que se insere. 
Com o objetivo de proporcionar esta conscientização em relação ao uso das diferentes mídias, 
em todas as suas etapas, o Programa de Formação Continuada Mídias na Educação, por 
meio dos projetos desenvolvidos pelos cursistas, vai caminhar gradualmente na direção da 
integração, para que, antes de tudo, o professor conheça razoavelmente bem as operações e 
aplicações de cada uma das mídias abordadas, mas que também seja capaz de articulá-las, 
quando necessário, para a sua integração.
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 6 .
Mesmo em sala de aula, a execução dos programas entre os alunos também pode se dar de 
modo interativo, tornando qualquer produção resultante de uma autoria compartilhada (co-
autoria). Este conceito também vai permear os diferentes programas da série. A necessidade é, 
portanto, de desenvolver o conceito de co-autoria como um determinante essencial, hoje 
em dia, para o trabalho com as diversas mídias, mas integrando-as, e necessariamente 
resultando de uma abordagem multidisciplinar para a produção de qualquer conteúdo. 
Assim, a partir do exposto, dois conceitos passaram a ser fundamentais para a abordagem do 
tema de aplicação das mídias na educação e para a compreensão, pelos professores, do papel 
que, em nossa atualidade, essas mídias exercem no processo educativo: 
• por um lado, desenvolver o conceito de integração que, no caso das mídias, venha a 
superar a especialidade de cada uma delas e seja capaz de trabalhar as mídias, de modo 
articulado, apropriadas aos diferentes interesses, dentre as diversas mídias que se mostrem 
adequadas; 
• por outro lado, assumir o conceito de (co) autoria, seja entre os diferentes profissionais 
multidisciplinares envolvidos na produção dos materiais, seja na atuação docente-tutorial, 
capaz de produzir, continuamente, em sua sala de aula, os diversos pequenos projetos 
pedagógicos relativos aos conteúdos a serem trabalhados com os alunos.
3. JUSTIFICATIVA
Já existe uma razoável expertise nacional em cada uma das mídias, assim como existe 
também uma razoável produção de textos e materiais feitos por autores individualmente 
identificáveis em nosso cenário. Só mais recentemente – e associadas ao desenvolvimento da 
Internet no Brasil e às comunidades de atuação em rede – as instituições começaram a 
trabalhar de modo mais coletivo, e seus profissionais de maneira mais colaborativa. Existem 
algumas experiências, como os consórcios educativos interinstitucionais, por exemplo, mas 
somente agora se observa um movimento mais definido de produção cooperativa e diversos 
exemplos já surgem, a partir dos editais da SEED/MEC. Isso parece ser essencial para a real 
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 7 .
implantação do ensino a distância no Brasil, mas não só, certamente terá papel decisivo em 
todas as modalidades de ensino.
Assim é que, a partir da experiência passada no curso “TV na Escola e os Desafios de Hoje”, 
nosso país começou a presenciar a realização, coordenada pela SEED/MEC, de um programa 
a distância que aborde as mídias de modo integrado, desde a sua produção, fruto do trabalho 
cooperativo e da co-autoria dos professores que o produziram, da atuação de gestores, 
professores e tutores que o implementam e também dos alunos ao longo do Programa de 
Formação Continuada, através da realização de seus projetos em conjunto. A análise do 
“Mídias na Educação” e, através dela, da gestão de processos em EAD, objeto desta série do 
Salto para o Futuro, possibilitará a mais de uma dúzia de milhares de educadores da rede 
pública do país uma oportunidade de discussão a respeito da utilização, em sala de aula, das 
diversas mídias existentes, de forma contextualizada às condições de que dispõe. 
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
A integração das mídias vai além dos limites tecnológicos, atingindo dimensões pedagógicas 
e humanísticas, quando supera as questões mais técnicas e também passa a desenvolver 
preocupações relativas às condições de cidadania.
 Assim sendo, num aspecto bem mais genérico, do ponto de vista teórico-filosófico, um 
programa de formação que trabalhe a questão da integração das mídias pode até adentrar, 
além dos aspectos mais restritos aos seus próprios conteúdos, nas teorias sociopsicológicas 
clássicas do ser humano, seu comportamento e sua vida em sociedade, como, por exemplo, as 
grandes correntes teóricas da Educação, da Psicologia e da Psicanálise e as de Comunicação 
de Massa. Mas também pode avançar sobre aquelas abordagens relativas à cognição e à 
aprendizagem humanas, como as Teorias Construtivistas de Piaget, Vygotsky, ou mesmo 
abordagens como as de Paulo Freire, para falar das mais conhecidas.
Fenômeno análogo podemos verificar em relação ao ensino a distância, ao considerarmos 
estratégias educacionais oriundas daquelas teorias e dos métodos mais gerais da própria 
educação. É o caso do construtivismo, e também de teorias mais específicas relacionadas a 
metodologias diretivas do ensino, como as aplicações que foram desenvolvidas pelas escolas 
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 8 .
comportamentalistas. Esses fundamentos teóricos, clássicos para a educação e o ensino, estão 
disponibilizados nas bibliotecas, e podem (devem) ser analisados por estudantes e 
professores. 
Em relação ao tema da integração das mídias, outros aspectos teóricos devem ser 
considerados, por terem implicações metodológicas: as mudanças da linguagem das mídias, as 
limitações e amplitudes das inovações tecnológicas e suas ferramentas, em todo o espectro de 
sua atuação junto a comunidades e classes socioetárias. A depender das finalidades a que se 
propõe o uso das mídias umas aplicações, e não outras, podem ser mais ou menos 
apropriadas. Caberá ao professor, de acordo com seus objetivos pedagógicos, decidir como irá 
atuar em sala de aula e que mídia(s) irá utilizar. 
A passagem do material impresso para mídias diversas – como a TV, o vídeo e a Internet – 
impõe um tratamento diferenciado para o texto, que passa de sua formulação linear para a 
hipertextual. 
Os conhecimentos são aprendidos por caminhos diversos no percurso do aluno, não só de sua 
vida pessoal, mas também do percurso que fizer no hipertexto, de modo que, cada vez mais, o 
processotorna-se personalizado, exclusivo do próprio sujeito e de suas experiências ao 
caminhar na rede hipertextual.
Esse “construtivismo hipertextual” é um processo não-linear, transitório, em permanente 
mutação (hiper) textual. Além disso, os sujeitos envolvidos passam a desenvolver uma outra 
dinâmica de atuação interativa que, como a linguagem, também já não é mais linear. A 
transformação que isso propicia hoje – na linguagem e na interação social –, especialmente 
nos jovens, é imensa, de modo que escola e professor não podem ficar alijados desse 
processo, precisam estar capacitados para apropriá-lo no ensino.
 
Quão mais são usadas multimídias, especialmente integradas, mais dependentes ficam de um 
processo mais complexo, de abordagem multidisciplinar, nem sempre de fácil acesso ao 
professor na sala de aula, especialmente do nível básico; daí, a importância, nos tempos 
atuais, da oferta de materiais bem qualificados para a utilização no ensino. 
DE B A T E : M Í D I A S NA ED U C A Ç Ã O 9 .
De certo modo, esses aspectos ficam mais facilitados quando se trabalha por meio de projetos 
coletivos, em que cada qual contribui com algum diferencial. Certamente que a atuação sob a 
premissa de uma Pedagogia de Projetos possibilita uma série de avanços, seja do ponto de 
vista prático, das ações didáticas, seja do ponto de vista da aprendizagem dos alunos, muito 
mais dinamizada. Mas nisso há também outro componente que merece reflexão – a questão da 
autoria dos trabalhos – que foi assimilada como fundamental para este programa, que visa à 
integração das mídias na educação. 
Como os projetos passam a ser realizados por diversos autores, dependem, assim, de um 
processo de construção coletiva que tem importantes implicações educativas, desde 
motivacionais e socioconstrutivas até filosóficas, no campo dos valores, como os de ética, de 
cooperação, etc. Desse modo, um programa de formação como este de integração de mídias 
vai além dos aspectos mais técnicos e alcança outras vertentes, muito mais humanísticas. 
A Pedagogia de Projetos depende do alcance das capacidades interativas dos participantes ao 
longo dos projetos desenvolvidos em cada módulo pelos alunos, em regime de co-autoria, 
configurando uma “Pedagogia da Autoria” que orienta o programa Mídias na Educação.
Estes aspectos – multidisciplinaridade dos conteúdos, integração de mídias e co-autoria 
de projetos – passam a constituir a vertente fundamental do Mídias na Educação e devem ser 
bem explorados ao longo da série do Salto para o Futuro.
Temas que serão discutidos na série Debate: Mídias na educação, que será apresentada 
no Salto para o Futuro/TV Escola/SEED/MEC, de 27 de dezembro a 01 de dezembro de 
2006:
PGM 1 – Uso integrado de mídias na educação
O primeiro programa da série/debate abordará a concepção do projeto – Mídias Integradas na 
Educação – e sua realização, bem como a articulação interinstitucional na sua realização, 
centrando nos aspectos mais relevantes para sua produção. A elaboração dos materiais 
pedagógicos, mídia por mídia, e a importância da questão co-autoral e da integração na 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 10 .
realização do projeto e, ainda, na condução da aprendizagem, é também um dos enfoques 
desse programa. 
PGM 2 - Integração de mídias: impressas, eletrônicas e digitais
O segundo programa vai enfocar a importância da realização de projetos nas diferentes 
mídias, das mais complexas, e suas integrações, às mais simples e conhecidas, como a mídia 
impressa. O programa apresentará, também, uma reflexão sobre a comunicação humana pela 
escrita e a história inicial dos cursos a distância com material impresso, integradas às 
diferentes mídias. E, ainda, ressaltará a importância da integração das mídias no processo de 
aprendizagem dos alunos e, portanto, de sua relevância para a capacitação dos professores. 
PGM 3 - Do rádio à TV e ao vídeo em sala de aula
Este terceiro programa ressalta uma abordagem comparativa das tecnologias visuais e 
auditivas e suas aplicações no ensino. Tratará, portanto, da utilização da TV, do vídeo e do 
rádio na sala de aula, retratando a passagem do rádio para a TV na EAD. 
PGM 4 - Comunidades de aprendizagem em rede
 A Internet e suas possibilidades na EAD, seus propósitos e avanços são temas abordados 
neste programa da série, o qual destacará a Internet comparando-a às outras tecnologias, 
vendo-a como um grande suporte, ressaltando a interatividade no processo educacional.
PGM 5 – A importância da gestão nos projetos de EAD
Este último programa da série tratará, de forma inter-relacionada à gestão, a integração das 
mídias e a formação a distância do educador. O enfoque estará na prática pedagógica e os 
processos de gestão da sala de aula, ressaltando a relação ensino e aprendizagem, como 
também a elaboração de materiais didáticos que favoreçam o aluno a integrar os diferentes 
recursos tecnológicos e midiáticos, na busca de informações e de construção de 
conhecimentos.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 1 1 .
RE F E R Ê N C I A S BI B L I O G R Á F I C A S
Belloni, M. L. O que é mídia-educação. Campinas, SP: Autores Associados (Coleção 
Polêmicas do nosso tempo). 
Chevallard, Y. La Transposición Didáctica: Del saber sábio al saber enseñado. 
Buenos Aires: Aique Grupo Editor, 2005.
Fiorentinni, L. M. R., Moraes, R. de A. Linguagens e Interatividade na Educação a 
Distância. Rio de Janeiro, DP&A Editora, 2003.
Neves, C. M. e Medeiros, L. L. , 2006. Mídias na Educação. (ver PGM 1 desta série)
Neves, C. M. A Pedagogia da Autoria. SENAC: Boletim Técnico, v. 3, set./dez. 2005.
Mercado, L.P.L.(org.). Novas Tecnologias na Educação: reflexões sobre a prática. 
Maceió: EDUFAL, 2002. 210 p.
Moran, J. M., 2006. A integração das tecnologias impressas, eletrônicas e digitais. 
(ver PGM 2 desta série.)
Moran, J.M., Mastto, M.T. Novas tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas: 
Papirus, 2000.
Santos, G. L. (org.). Tecnologias na Educação e Formação de Professores. Brasília: 
Plano Editora, 2003. 154 p. 
Silva, M. Sala de Aula Interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2ª ed., 2001. 220 p. 
No t a :
1 Do u t o r a em Ps i c o l o g i a pel a US P (SP) com Pó s- dou t o r a d o em An t r o p o l o g i a 
Bi o l ó g i c a (University College London), Pr o f e s s o r a ap o s e n t a d a do 
De p a r t a m e n t o de Ec o l o g i a da Un i v e r s i d a d e de Bra s í l i a e pe s q u i s a d o r a-
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 12 .
as s o c i a d a de se u Centro de Educação a Distância (CEA D/U n B), 
at u a l m e n t e di r i g i n d o o Laboratório de Estudos do Futuro da UnB . 
Pa r t i c i p o u , de n t r e ou t r o s cu r s o s a di s t â n c i a pa r a os qua i s pr o d u z i u ma t e r i a i s , 
da co o r d e n a ç ã o do s cu r s o s TV na Escola e os Desafios de Hoje e Mídia 
Integradas e Educação, e do Curso de Licenciatura em Biologia a Distância 
do Co n s ó r c i o Se t e n t r i o n a l da Un i R e d e , tod o s com a SE E D/M E C . Co n s u l t o r a 
de s t a sé r i e .
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 13 .
PROGRAMA 1PROGRAMA 1
MÍ D I A S INT E G R A D A S AP L I C A D A S À ED U C A Ç Ã O
 M í d i a s na Ed u c a ç ã o 1
Carmen Moreira de Castro Neves2
Leila Lopes de Medeiros3
“Em todo o homem existe um ímpeto criador. O ímpeto de criar nasce da inconclusão do 
homem. A educação é mais autêntica quanto mais desenvolve este ímpeto ontológico de 
criar.”
Paulo Freire
1. Um pouco de história
Muito se discute sobre qualidade na educação. A complexidade do ato educativo suscita 
inúmeras abordagens emúltiplas respostas, mas a análise de casos de sucesso indica alguns 
pontos comuns. 
Estudos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira – INEP, feitos a partir 
de instituições de ensino cujos alunos alcançaram pontuação elevada no Sistema Nacional de 
Avaliação da Educação Básica – SAEB, apontam como fatores presentes nessas escolas: 
gestores com capacidade de liderança e autonomia para desenvolver projetos personalizados; 
professores com boa auto-estima e comprometidos com o sucesso escolar e um ambiente 
escolar caracterizado pela pluralidade de estratégias didáticas. 
Interessante ressaltar esse último aspecto. Não são escolas necessariamente bem localizadas 
ou com instalações “ricas”: a riqueza é de estratégias pedagógicas. São escolas que exploram 
todos os recursos de que dispõem, aí incluindo os que estão na comunidade em que se 
inserem. Livros didáticos, obras literárias, sucata, jornais, revistas, rádio, televisão, 
computadores, Internet, bibliotecas (da escola e do bairro ou cidade), laboratórios, parques, 
praças, reservas ecológicas, teatro, pátio, quadra de esportes (própria ou da comunidade), 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 14 .
todos esses e outros recursos integram harmonicamente o projeto pedagógico, incentivando os 
alunos, elevando a qualidade da educação e conquistando o apoio das famílias.
Os gestores e professores desses casos bem sucedidos são profissionais criativos, 
protagonistas da educação e não simples repetidores. Assim como eles, seus alunos são 
sujeitos ativos, autores de projetos que desenvolvem, via de regra, de forma colaborativa, com 
orientação e incentivo de seus mestres.
Aprofundando a análise, o protagonismo dos sujeitos – gestores, professores e alunos – parece 
ser o fundamento do sucesso escolar. 
Em 1996, o Ministério da Educação, por meio da então recém-criada Secretaria de Educação 
a Distância - SEED, lançou nacionalmente o programa TV Escola. A finalidade da TV Escola 
diz respeito à qualidade da educação e seu foco são alunos, professores e gestores da 
educação. Desde então, houve um acompanhamento da reação das escolas e de seus agentes 
ao programa. Com base nas observações e pesquisas feitas e em análises comparadas com a 
experiência de outros países, no ano de 2000, foi elaborado o curso TV na Escola e os 
Desafios de Hoje, uma proposta para capacitar os educadores no uso crítico e criativo da TV e 
do vídeo.
O curso de extensão a distância, com carga horária equivalente a 180 horas, foi concebido 
pela SEED e teve o apoio de universidades públicas na sua elaboração, implementação, 
tutoria e certificação. Dividido em três módulos de 60 horas cada, o propósito do curso não 
era treinar um usuário, mas formar um educador capaz de refletir sobre a importância da TV e 
do vídeo na educação e de analisar criticamente as produções a que assiste diariamente 
(Módulo I), que soubesse aplicar a linguagem de TV e vídeo no cotidiano escolar (Módulo 
II), e que também pudesse produzir vídeos e programas televisivos e elaborar um projeto de 
intervenção na própria realidade – em outras palavras, um educador que também pudesse ser 
protagonista em TV e vídeo (Módulo III). O sucesso do curso4 gerou novas edições, nos anos 
subseqüentes. Mais ainda: universidades parceiras na implementação introduziram conteúdos 
em seus programas de graduação e pós-graduação; tutores aproveitaram a experiência para 
elaborar dissertações e teses; alunos do curso usaram seu Trabalho Final como alavanca para 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 15 .
especialização ou mestrado; universidades ainda incipientes em educação a distância 
implantaram núcleos de EAD, a partir da estrutura montada para atender aos professores da 
rede pública; inúmeros trabalhos sobre o curso foram apresentados em seminários, congressos 
e eventos diversos. Além disso, uma demanda, proveniente de Rondônia, gerou uma versão 
em Braille para professores portadores de deficiência visual.
Em 2005, no entanto, as discussões sobre convergência de mídias, TV digital interativa e 
integração de tecnologias e dos programas da SEED motivaram o Departamento de Produção 
e Capacitação em Programas de EAD a aprimorar o projeto, desenhando o Programa de 
Educação Continuada Mídias na Educação.
Como finalidade do programa, permanece o compromisso da Secretaria de Educação a 
Distância com a qualidade da educação pública e a valorização de seus agentes: alunos, 
professores, gestores.
2. Mais que um curso: um percurso
Toda a experiência com o curso TV na Escola e os Desafios de Hoje continuava válida, em 
especial o propósito de formar autores em TV e vídeo. Todavia, era preciso atualizar a 
linguagem, integrar as tecnologias, renovar as estratégias didáticas, garantir aos educadores 
condições de produção em diferentes linguagens e mídias.
A proposta era ambiciosa. No século XXI, para ser um profissional competente, capaz de 
aprender ao longo da vida e, ainda, de participar ativamente de uma sociedade 
tecnologicamente desenvolvida, o educador, entre outras competências, deverá ter domínio 
das linguagens e ser capaz de produzir em quatro áreas básicas: material impresso, TV/vídeo, 
rádio e informática/rede. 
O princípio que caracteriza a nova proposta é o da pedagogia da autoria, 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 16 .
[...] um processo marcado pela riqueza de estratégias didáticas, intencionalidade e 
profundidade, que se inicia com a exploração (busca de informações em diferentes fontes: 
livros, TV, internet, rádio, CD-ROMs, DVDs, dicionários, enciclopédias etc.), continua 
com a experimentação (comparar, argumentar, testar, extrapolar, enfim, descobrir o que 
fazer com as informações) e conclui com a expressão direta (autoria, em diversas mídias, a 
partir das informações coletadas, analisadas, contextualizadas e trabalhadas). A 
pedagogia da autoria é intencional, profunda, ética. O compartilhamento do processo de 
produção e a avaliação dos produtos geram novas análises, visões interdisciplinares e 
novas produções, impulsionando um contínuo crescimento (Neves, 2005).
A pedagogia da autoria concretiza ensinamentos de educadores renomados, como, por 
exemplo, Paulo Freire, valorizando os sujeitos – sejam eles gestores, professores ou alunos, 
podendo estender-se à comunidade. 
Esse uso de múltiplas linguagens, tecnologias e estratégias didáticas nos remete a Paulo 
Freire, que afirma: “a leitura do mundo precede a leitura da palavra” (Freire, 1983). As 
diferentes formas de expor a autoria são um convite à reflexão, à consciência crítica e à 
construção do conhecimento. O projeto de intervenção que completa o curso tem o potencial 
de objetivar a realidade, fazendo com que o cursista descubra “sua presença criadora e 
potencialmente transformadora dessa mesma realidade” (Freire, op. cit.).
Um professor que seja formado em um ambiente de criação-reflexão-ação tende a levar para 
sua sala de aula essa mesma pedagogia da autoria, dando voz e vez a seus alunos. 
Mas, como fazer para oferecer uma formação tão ampla e exigente aos professores, se 
sabemos o quanto eles são sobrecarregados no seu dia-a-dia? A idéia foi pensar em um 
programa que pudesse ser flexível e permitisse diferentes níveis de aprofundamento, segundo 
os interesses individuais e as características das escolas onde atuam os educadores. Não 
somente um curso, mas um verdadeiro programa de educação continuada, com diversas 
possibilidades de percurso. 
3. Mídias na Educação: a autoria como estratégia pedagógica
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 17 .
A formação continuadade educadores constitui, por si mesma, um grande desafio, sobretudo 
considerando a modalidade presencial como opção. A educação a distância apresenta-se 
como uma alternativa educacional importante, uma vez que permite ao professor receber sua 
formação sem se ausentar de suas atividades e aplicar novos conceitos e estratégias ao seu 
cotidiano. Permite, também, que um trabalho pedagógico de qualidade possa ser levado, 
eqüitativamente, a todo o país.
A certificação de estudos constitui um aspecto relevante na formação continuada, razão pela 
qual a participação de Universidades confere consistência e credibilidade aos programas 
desenvolvidos.
Desenhar um programa de formação continuada ultrapassa a idéia de criar um curso 
convencional. Para que se possa atender às efetivas necessidades de atualização e ampliação 
de conhecimentos a uma clientela heterogênea, é importante imprimir um grau de 
flexibilidade que faça com que profissionais com diferentes necessidades de formação sintam-
se adequadamente contemplados. Isso se intensifica quando se trata de uma formação em 
mídias, na apropriação de tecnologias com uma proposta autoral. 
Tema em constante mutação, as TICs exigem compatível flexibilidade no tratamento das 
diferentes linguagens e estruturas, sem que se perca de vista a discussão social e pedagógica 
de seu emprego. Exigem, também, uma reflexão densa, de modo a impedir que modismos 
transitórios sejam impostos à escola de forma inconseqüente e até predatória. 
Diante desses desafios, foi concebido o Programa de Formação Continuada em Mídias na 
Educação, um programa modular de formação continuada para profissionais de educação, 
dedicado ao uso das mídias no processo de ensino e de aprendizagem, de forma integradora, 
articulada e autoral. 
Integradora, uma vez que estimula a inserção das diferentes mídias ao processo de ensino e de 
aprendizagem, promovendo uma diversificação de linguagens e tecnologias capaz de 
enriquecer e modernizar o projeto pedagógico. 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 18 .
Articulada, pois contempla uma estrutura em módulos cuja duração permite equivalência aos 
sistemas de créditos, adotados nas Instituições de Ensino Superior – as IES. Os módulos do 
programa foram concebidos para terem duração de 15 horas – correspondentes a um crédito 
nas IES – ou múltiplos desse número. Isso permite maior flexibilidade para a inserção dos 
módulos em diferentes percursos de aprendizagem (Graduação, Extensão, Pós-graduação).
Autoral, uma vez que estimula a autoria nas diferentes mídias, permitindo novas e instigantes 
formas de aprender e de construir conhecimento, a partir da apropriação de linguagens e 
tecnologias aplicáveis à educação.
Além disso, a possibilidade de certificação em diferentes níveis (Extensão, Aperfeiçoamento e 
Especialização) amplia a possibilidade de desenhar percursos que atendam às demandas e 
diferenças locais de sistemas educacionais e IES. 
A forma inovadora e compartilhada como os recursos são utilizados para o desenvolvimento 
do programa contribui para a construção cooperativa de uma cultura de produção e oferta de 
programas a distância.
Foram previstos para o programa, inicialmente, três ciclos com as seguintes especificidades e 
certificações:
• Ciclo Básico, com duração total de 120 horas e certificação de Extensão;
• Ciclo Intermediário, com 180 horas de duração e certificação de Aperfeiçoamento;
• Ciclo Avançado, com certificação de 360 horas e certificação de Especialização.
Outras possibilidades de certificação podem ser definidas pelas universidades, em função da 
demanda e dos vários percursos. 
O Ciclo Básico, primeiro percurso a ser oferecido, é constituído pelos seguintes Módulos:
• Módulo Conceitual Introdutório – 30 horas
• Módulo Básico de TV – 15 horas
• Módulo Básico de Informática – 15 horas
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 19 .
• Módulo Básico de Material Impresso – 15 horas
• Módulo Básico de Rádio – 15 horas
• Módulo Básico de Gestão de Mídias – 15 horas
Dois momentos presenciais – um no início do Módulo Introdutório e outro no Módulo de 
Gestão – complementam o Ciclo Básico do programa.
Ao longo do percurso, será desenvolvido um espaço virtual de publicação da produção dos 
cursistas: o Espaço “Galeria das Mídias”, um repositório de projetos aplicáveis à Educação 
que garantirá visibilidade ao trabalho autoral dos participantes. 
O Módulo Conceitual Introdutório, desenvolvido com a cooperação de educadores que 
participaram do curso “TV na Escola e os desafios de hoje”, constituiu o ponto de referência 
para a formatação dos demais módulos, cuja elaboração e implementação ficaram a cargo de 
IES de todo o país.
Em 2005, iniciou-se o processo de elaboração de cerca de 900 horas de conteúdos 
educacionais, que permitirão aprofundamento nos quatro blocos do curso: impressos, TV, 
informática e rádio.
Na dinâmica concebida para o Programa, as 900 horas em produção não esgotam as inúmeras 
possibilidades de estudos e pesquisas decorrentes do tema TICs na educação, daí a 
importância de seus agentes estarem atentos às tecnologias emergentes. É essa dinâmica que, 
em conjunto com os múltiplos percursos, caracteriza o programa como de educação 
continuada e lhe permite usos autônomos pelo MEC, secretarias de educação, universidades, 
escolas e os próprios cursistas.
A implementação experimental do Módulo, em 2005, para 1.200 educadores com experiência 
prévia em mídias, ajudou a validar o modelo, tanto de elaboração como de implementação. 
Uma nova oferta, em 2006, atenderá a 10.000 educadores e será constituída dos seis módulos 
previstos para o Ciclo Básico.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 20 .
Ainda em 2006, deverá iniciar-se a preparação de dois novos blocos de estudos: o que se 
propõe a formar técnicos de suporte e o que proverá conteúdos educacionais à comunidade, 
contribuindo para aprimorar as propostas de inclusão digital voltadas para a sociedade 
brasileira.
Perpassando toda a proposta pedagógica do curso, está a questão da autoria como estratégia 
didática. Não se trata, como já foi dito, de treinar um usuário de mídias, mas de formar um 
cidadão capaz de explorar, analisar e refletir criticamente sobre as inúmeras fontes de 
informação e comunicação que o cercam, bem como de produzir em diferentes linguagens e 
mídias, comprometendo-se com o impacto dessa criação no meio que o cerca. 
A pedagogia da autoria é um novo olhar sobre a pedagogia interativa proposta por Marianne 
Hardy e outros autores em Naissance d’une pedagogie interactive (1991), baseados em uma 
concepção de aprendizagem defendida por Piaget, Vygotsky, Wallon e Paulo Freire. Marco 
Silva (2002, p.176), ao estudar com profundidade o que significa uma sala de aula interativa, 
propõe:
A convicção de que a aprendizagem é um processo de construção discente baseada nas 
interações explica a centralização do aluno no processo de aprendizagem. (...) O professor 
não é somente ator na rede de interações, mas sobretudo autor. Ele provoca e 
disponibiliza a rede de interações, tomando por base os fundamentos da interatividade. É 
nessa materialidade comunicacional que ele expressa sua autoria. Aliás, manter essa 
materialidade, essa ambiência, já constitui sua autoria.
Esse é um dos propósitos do programa Mídias na Educação: oferecer aos educadores as 
condições conceituais e materiais para que vivenciem, no seu cotidiano, a pedagogia da 
autoria.
4. Uma obra aberta: a formatação do Programa
A concepção do Programa de Formação Continuada em Mídias na Educação implica uma 
formatação tão inovadora quanto a proposta autoral que encerra. Vilches (2003, p. 24) chama 
DE B A T E : MÍ D I A S NAED U C A Ç Ã O 21 .
a atenção sobre os efeitos da interatividade propiciada pelas tecnologias digitais ao afirmar 
que: 
A interface não é um complemento de ver, como o controle remoto: é o centro da 
interação, a verdadeira zona de produção das novas relações sociais que regerão o uso da 
comunicação digital. Desse modo, a interatividade permite aos usuários usarem as mídias 
para organizar seu espaço e seu tempo, e não o inverso, como acontecia com os meios 
tradicionais baseados na manipulação das imagens e dos sons, a partir de um centro 
emissor. 
Formatar o programa unicamente a partir do trabalho da equipe de técnicos do MEC e 
colaboradores, ainda que respeitados no âmbito educacional, não refletiria a expectativa 
metodológica que o perpassa. 
Para que se preservasse a perspectiva autoral no próprio programa, os educadores do meio 
acadêmico, a partir da integração de Instituições Públicas de Ensino Superior – IPES –, 
passaram a colaborar tanto no detalhamento pedagógico quanto no planejamento dos 
diversos módulos que o comporiam. A identidade da proposta seria garantida pelo projeto 
básico, pelo acompanhamento da equipe técnica responsável e pela concepção metodológica 
do próprio programa.
De acordo com a proposta metodológica, e a exemplo do que já ocorria no TV na Escola e os 
Desafios de Hoje, cada módulo deveria conter, em si próprio, o aspecto teórico, de exploração 
das linguagens específicas à mídia tratada, e suas interseções com o ambiente social, os seus 
impactos no âmbito educativo e, por último, sua apropriação pelo educador como ferramenta 
de autoria e de formação de autores.
As três dimensões descritas deveriam ter como ponto de partida um desafio, uma situação que 
remetesse o educador para seu cotidiano e exigisse dele algum tipo de intervenção. Todo o 
percurso de aprendizagem deveria ter, como ponto de chegada, uma proposta de atuação que 
constituiria objeto de análise e reflexão para o educador.
O esquema a seguir procura refletir a proposta metodológica descrita. Ela deveria estar 
presente, preservada a criatividade dos autores, em cada um dos módulos elaborados pelas 
diferentes instituições, imprimindo a necessária unidade metodológica ao programa.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 22 .
O projeto foi apresentado em reunião da UNIREDE, “consórcio de 70 instituições públicas 
de ensino superior que tem por objetivo democratizar o acesso à educação de qualidade por 
meio da oferta de cursos a distância” (UNIREDE, s.d.). Divulgada a proposta, as IPES que 
manifestaram interesse pela elaboração de módulos nas mídias e tecnologias de TV e vídeo, 
Informática, Rádio e Material Impresso foram organizadas em grupos, sob a coordenação de 
uma das IPES com experiência anterior consistente na temática escolhida. 
Esses grupos, congregando IPES de todo o Brasil, utilizaram, na maior parte do tempo, a 
própria modalidade, a distância, para conduzir seus trabalhos. Por meio de listas de discussão 
e fóruns, as IPES estruturaram e articularam suas ações com relação ao projeto. 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 23 .
Si
tu
aç
ão
 p
ro
bl
em
a
Mídia como objeto de estudo Caracterização
Especificidades
Utilização da mídia no processo 
de ensino e aprendizagem
Mídia como recurso para o 
ensino e a aprendizagem
Vantagens e desvantagens
Exploração pedagógica da 
mídia
Autoria na mídia e articulação 
com as demais
Mídia como suporte 
para a produção de 
conhecimento e de 
informação de 
professores e alunos
Pr
op
os
ta
 d
e 
aç
ão
A
va
lia
çã
o/
Pu
bl
ic
aç
ão
Em decorrência da segmentação em grupos, foram estabelecidas rodadas de reuniões 
presenciais que ajudariam a garantir unidade aos módulos, ainda que respeitadas as 
especificidades de cada mídia. 
A primeira rodada das reuniões presenciais, que foram articuladas e acompanhadas pelo 
MEC, marcou a definição de aspectos básicos comuns ao projeto. Nelas foram definidos 
critérios que ultrapassassem as decisões individuais, tais como padrões estéticos e formais, 
indicação de temas e ementas, distribuição de tarefas, elaboração de cronogramas e de novos 
encontros presenciais, quando necessários.
Essas reuniões mostraram-se de suma importância, uma vez que nelas puderam ser expostas, 
com mais detalhes, tanto a expectativa da Secretaria de Educação a Distância em face da 
atuação das instituições, a abordagem metodológica e as principais estratégias de ensino e de 
aprendizagem, quanto as propostas de ação das IPES participantes.
Merecem registro, também, as discussões a respeito do constructo da co-autoria5 como 
estratégia pedagógica e suas implicações na prática docente e na própria formação do 
professor. 
A relevância social do trabalho dos professores e pesquisadores das IPES se materializou na 
dedicação à formação continuada de professores da Educação Básica, nos esforços para 
melhorar a qualidade da educação que é oferecida nesse nível educacional. As reuniões foram 
marcadas pelo empenho com que os professores das universidades enfrentaram o desafio de 
proporcionar aos educadores metodologias mais criativas, estimulando aprendizagens mais 
consistentes, prazerosas e geradoras de novas aprendizagens.
O desafio da melhoria da qualidade passa, assim, a ser respondido por meio do trabalho 
cooperativo das IPES envolvidas. O saber produzido na Academia estrutura-se para ajudar 
educadores a compreenderem as tecnologias e linguagens midiáticas, capacitando-os a serem 
autores, nos variados suportes a que tenham acesso, e formadores de alunos que enfrentem, da 
mesma forma, o desafio da autoria.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 24 .
Nessas reuniões, professores especialistas nas diferentes tecnologias e linguagens trabalharam 
não no sentido de formar especialistas nas respectivas tecnologias e mídias, mas sim 
profissionais suficientemente hábeis para utilizá-las, juntamente com seus alunos, como novos 
suportes de aprendizagem. 
Professor e alunos co-autores estariam sendo preparados para, juntos, ousarem na 
apresentação e no entendimento de conceitos e idéias. O papel, o texto escrito, tradicional 
suporte da materialização da compreensão pedagógica de alunos e professores nas escolas, 
passa a constituir a base para apresentações imagéticas, programas radiofônicos, vídeos, 
apresentações multimídia e tudo o mais que a criatividade dos envolvidos e a tecnologia 
disponível permitam.
Criar projetos transdisciplinares e multimídia abre novas formas de compreensão dos 
conteúdos de aprendizagem e de trabalho cooperativo, ultrapassando as próprias propostas 
dos currículos tradicionalmente desenhados. Além disso, o domínio de técnicas e de 
linguagens midiáticas transforma alunos e professores em leitores mais críticos nas diferentes 
mídias, mais preparados, em sua vida pessoal, para lidar com informações veiculadas, 
compreendendo melhor os recursos que fazem com que tais informações sejam percebidas 
segundo os interesses que são subjacentes a elas.
Importante notar que a própria formação continuada que vai sendo desenhada e os módulos 
dos percursos definidos nessas reuniões começam a refletir, eles próprios, uma compreensão 
realista, por parte dos especialistas, a respeito das necessidades e carências cotidianas dos 
professores. Longe de limitar o conhecimento, sob o argumento de que o professor já está 
sobrecarregado em sua atuação escolar, são buscadas maneiras de facilitar a apropriação 
progressiva de conhecimentos teórico-práticos significativos, capazes de oferecer uma base 
sólida para a ação docente. No trabalho dos especialistas, destaca-se a preocupação em 
cooperarpara que os professores realmente tenham acesso a conhecimentos considerados 
indispensáveis ao trabalho docente e ao cotidiano dos cidadãos, em um mundo 
tecnologicamente desenvolvido e em permanente evolução.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 25 .
Tem sido comum o relato das experiências bem sucedidas, e de soluções criativas que vêm 
sendo desenvolvidas por educadores nos cursos de formação de professores. Isso faz com que 
as reuniões técnicas dos grupos criem novas oportunidades de troca de experiências entre 
IPES de todo o país.
Outro aspecto que tem trazido vitalidade e soluções criativas é a participação de profissionais 
das Secretarias de Educação nos encontros técnicos. Sobretudo os diretamente ligados à 
formação continuada de professores têm contribuído positivamente para que os currículos, a 
linguagem e os temas focais sejam da maior relevância para os profissionais a que se 
destinam. Têm-se criado boas oportunidades para que a teoria educacional e a prática docente 
travem um diálogo rico e democrático, cujo resultado possa ser um apoio mais efetivo à 
ampliação da qualidade dos resultados da educação. 
Mais do que a formatação de um programa, pode-se supor que uma nova maneira de conceber 
a formação continuada, transpassando as IES e potencializando os talentos das diversas 
universidades, respeitando aspectos peculiares, está sendo consolidada com a ajuda deste 
programa. 
Trata-se, pois, de construir colaborativamente uma obra aberta que, como nos diz Umberto 
Eco, é aquela que instaura um novo tipo de relação entre os atores envolvidos, cria situações 
comunicativas, levanta novos problemas práticos e abre páginas das ciências contemporâneas 
e do futuro. Nessa perspectiva e lidando com as TICs – um tema em constante evolução –, o 
Programa de Formação Continuada Mídias na Educação configura-se como um processo 
dinâmico, em movimento, passível de ser aprimorado continuamente pela intervenção de seus 
atores-autores.
5. A UAB e o Programa Mídias na Educação
Para a Universidade Aberta do Brasil e para as instituições de ensino superior em geral, o 
Programa de Educação Continuada Mídias na Educação é, em primeiro lugar, uma 
oportunidade de preparação de tutores e outros profissionais ligados à produção e à 
implementação dos novos cursos, sem custos de elaboração de programas específicos.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 26 .
Há, também, uma possibilidade de inserção dos conteúdos em seus programas de graduação, 
pós-graduação e extensão. 
As estratégias didático-pedagógicas do programa Mídias na Educação podem inspirar e 
orientar os autores dos programas da UAB no desenho de seus cursos.
Significa, ainda, para os profissionais e alunos da UAB, na perspectiva de uma educação 
continuada e autônoma, um espaço de produção de novos conteúdos ligados ao tema e de 
publicação das produções dos egressos.
Mais importante, talvez, seja o fato de que o curso, mesmo sendo sobre tecnologias da 
informação e da comunicação – TICs, dá ênfase ao humano e não à tecnologia em si. De fato, 
a complexidade da educação a distância e o desafio do uso das TICs podem fazer com que, no 
início do processo, gestores e docentes concentrem-se mais nas questões da técnica e da 
tecnologia – racionalidade instrumental – do que na educação como processo humanizador, 
desenvolvido por e para pessoas. No programa Mídias na Educação, 
[...] as tecnologias da informação e da comunicação deixam de ser encaradas como um 
mero recurso instrucional moderno e adquirem o status de fato gerador/provocador de 
uma nova pedagogia: centrada no aluno, orquestrada por docentes e gestores 
competentes, capaz de promover uma interatividade que derruba os limites físicos da sala 
de aula e contribui para formar o cidadão crítico, participativo, solidário e responsável 
(Neves, 2005).
RE F E R Ê N C I A S BI B L I O G R Á F I C A S
Eco, Umberto. Obra Aberta. São Paulo: Perspectiva, 1976.
Freire, Paulo. Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
Hardy, Marianne et al. (orgs.). Naissance d’une pedagogie interactive. Paris: 
ESF/INRP, 1991.
Neves, Carmen Moreira de Castro. A Pedagogia da Autoria. In: Boletim Técnico do 
Senac, v. 31, n.3, set./dez. 2005. 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 27 .
Silva, Marco. Sala de Aula Interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2002.
Unirede. Quem somos. Disponível em: . Acesso em: 02 de 
março de 2006.
Vilches, Lourenço. A migração digital. São Paulo: Loyola, 2003.
No t a s :
E s t e te x t o faz pa r t e do do c u m e n t o de el a b o r a ç ã o do pr o j e t o M í d i a s na 
edu c a ç ã o .
2 Me s t r e em Ed u c a ç ã o , Es p e c i a l i s t a em Po l í t i c a s Pú b l i c a s e Ge s t ã o 
Go v e r n a m e n t a l - Ge s t o r .
3 Me s t r e em Ed u c a ç ã o , Es p e c i a l i s t a em Inf o r m á t i c a Ed u c a t i v a e EA D .
4 Ins c r e v e r a m- se no cu r s o , no an o de 2000, 234.000 ed u c a d o r e s e a m é d i a 
de at e n d i m e n t o foi de 30.000 cur s i s t a s/a n o .
5 En t e n d e- se aq u i o ter m o co-au t o r i a com o de c o r r ê n c i a do co n c e i t o de 
ped a g o g i a da au t o r i a an t e r i o r m e n t e ap r e s e n t a d o . Pr o f e s s o r e alu n o , un i d o s 
por um pr o p ó s i t o au t o r a l com u m , pa s s a m a coo p e r a r pa r a a el a b o r a ç ã o de 
pr o d u t o s au t o r a i s de m a i o r com p l e x i d a d e , com o co s t u m a m se r aq u e l e s qu e 
en v o l v e m ma i s de um a m í d i a ou que se de s t i n a m à pub l i c a ç ã o . Es t e 
co n c e i t o , com u m à pe s q u i s a ac a d ê m i c a pod e , pr e s e r v a d a s as pr o p o r ç õ e s , 
fa z e r pa r t e da re a l i d a d e es c o l a r de s d e o en s i n o fun d a m e n t a l . A pr o d u ç ã o de 
pr o f e s s o r e s e al u n o s ul t r a p a s s a , de s s a m a n e i r a , o co n c e i t o de m e r o 
ex e r c í c i o . Pa s s a a co n s t i t u i r o res u l t a d o co n c r e t o de su a s pe s q u i s a s e 
en s a i o s na co n s t r u ç ã o e apr o p r i a ç ã o de co n h e c i m e n t o , de ac o r d o com sua s 
po s s i b i l i d a d e re a i s .
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 28 .
http://www.unirede.br/
PROGRAMA 2PROGRAMA 2
IN T E G R A Ç Ã O DE DI V E R S A S MÍ D I A S : IM P R E S S A S , EL E T R Ô N I C A S E 
DI G I T A I S
A int e g r a ç ã o da s tec n o l o g i a s
im p r e s s a s , ele t r ô n i c a s e di g i t a i s 
José Manuel Moran1
Estamos deslumbrados com o computador e a Internet na escola e vamos deixando de lado a 
televisão, o vídeo e o jornal, como se já estivessem ultrapassados, não fossem mais tão 
importantes ou como se já dominássemos suas linguagens e sua utilização na educação. As 
tecnologias caminham para a convergência, para a integração, para a mobilidade e para a 
multifuncionalidade, isto é, para poder realizar atividades diferentes num mesmo aparelho, em 
qualquer lugar, como acontece no telefone celular (falar, enviar torpedos, baixar músicas...).
As tecnologias evoluem em quatro direções fundamentais:
Do analógico para o digital (digitalização);
Do físico para o virtual (virtualização);
Do fixo para o móvel (mobilidade);
Do massivo para o individual (personalização). Carly Fiorina, ex-presidente da 
Hpackard.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 29 .
Falaremos, a seguir, de algumas formas de integração das tecnologias na educação: 
tecnológica, pedagógica, comunicacional e humanística.
Integração tecnológica e pedagógica
A apropriaçãodas tecnologias pelas escolas e universidades passa por quatro etapas, até o 
momento: a primeira é o acesso, o tê-las à disposição na secretaria, biblioteca, laboratório, 
salas de aula. Muitas escolas são deficientes, carentes de quase tudo. Apesar dos avanços 
nestes últimos anos, ainda reina uma profunda desigualdade: muitas escolas não têm acesso às 
novas tecnologias. Depois do acesso, precisamos de capacitação, de saber o que fazer com 
todas as tecnologias. Isto também não acontece de forma significativa em muitas escolas: a 
formação é pontual, burocrática e distante das necessidades reais. 
As escolas ainda se sentem fortemente pressionadas pelas expectativas tradicionais das 
famílias, pela pressão do acesso às melhores universidades, pelo cipoal de normas das várias 
instâncias administrativas, pela força da cultura educacional convencional, pelo precário 
investimento público. Mesmo os colégios mais avançados tecnologicamente continuam 
apegados às aulas com transmissão de conteúdo, fragmentadas em disciplinas, com presença 
obrigatória e pouca flexibilidade e inovação. 
As escolas que têm acesso às tecnologias costumam seguir algumas etapas na sua 
implantação:
1) Primeira etapa: tecnologias para fazer melhor o mesmo
As tecnologias começaram a ser utilizadas para melhorar o desempenho do que já existia: 
melhorar a gestão administrativa: automatizar rotinas de matrícula, boletos, notas, folha de 
pagamento, receitas. Depois ajudam o professor a “dar aula” na organização de textos 
(conteúdo), nos programas de apresentação, na ilustração de aulas (vídeos, softwares de 
conteúdos específicos), de avaliação (planilhas, bancos de dados), a fazer pesquisa (bases de 
dados e Internet). Ao mesmo tempo, os alunos encontram nas tecnologias ferramentas de 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 30 .
apoio à aprendizagem: programas de texto, de multimídia, de navegação em bases de dados e 
Internet, de comunicação, até chegar aos ambientes virtuais de aprendizagem.
2) Segunda etapa: tecnologias para mudanças parciais 
Numa segunda etapa, o avanço das tecnologias e o seu domínio técnico-pedagógico propiciam 
a criação de espaços e atividades novos dentro da escola, que convivem com os tradicionais: 
utiliza-se mais o vídeo para tornar as aulas mais interessantes; desenvolvem-se alguns 
projetos na Internet, nos laboratórios de Informática. Professores e alunos criam páginas e 
divulgam seus trabalhos. Professores propõem atividades virtuais de grupos, listas de 
discussão2, fóruns3 e mais recentemente blogs4 , programas de rádio (podcasts5), produção de 
vídeos. Esses programas se sofisticaram com a utilização de plataformas integradas de ensino, 
que permitem fazer atividades a distância. Mas o importante, o que vale de verdade, continua 
sendo o currículo, as aulas presenciais, as notas. Típico desta segunda etapa é a divisão entre a 
grade curricular obrigatória (disciplinas) e as atividades virtuais (projetos, webquests6...) que 
costumam ser voluntários ou considerados atividades complementares. 
A escola continua a mesma, no essencial, mas há algumas inovações pontuais, periféricas, que 
começam a pressionar por uma mudança mais estrutural. Muitas escolas e universidades não 
fazem mudanças profundas mas, ao contrário, massificam com as tecnologias o modelo 
centrado no professor (por exemplo, através de teleaulas), focando mais a transmissão do que 
a interação e a pesquisa.
3) Terceira etapa: tecnologias para mudanças inovadoras
Numa terceira etapa, as tecnologias começam a ser utilizadas para modificar a própria escola 
e a universidade: para flexibilizar a organização curricular, a forma de gestão do ensino-
aprendizagem. Trabalha-se mais com projetos integrados de pesquisa e há mais atividades 
semipresenciais. O currículo universitário permite atividades a distância complementares às 
presenciais. As escolas de Ensino Fundamental e Médio ainda se sentem fortemente 
pressionadas pelas secretarias de educação, pelo vestibular das universidades, pelas 
expectativas tradicionais das famílias e pela força da cultura escolar tradicional. Por isso, 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 31 .
ainda não estão conseguindo quebrar o modelo padrão: aulas presenciais, presença 
obrigatória. Mesmo os colégios mais avançados tecnologicamente continuam amarrados, 
presos no peso da tradição e das expectativas sociais convencionais.
Um dos problemas sérios atuais é a demora das universidades em assumir novos modelos 
pedagógicos inovadores e mais séria ainda é a defasagem das escolas de educação básica: 
estacionaram na mesmice. Mesmo com grandes portais de serviços virtuais e franquias não 
mexem no essencial, que é o processo de ensino-aprendizagem. O virtual, até agora, é um 
complemento – só – do presencial, que é o que realmente conta e que continua acontecendo 
da mesma forma.
Integração comunicacional
As tecnologias facilitam a interação, a troca, a colaboração, mas não resolvem sozinhas os 
problemas de fundo: as dificuldades de entender-nos, de aceitar os outros como são, de 
compreender o mundo interior próprio e o dos outros. A educação é um processo que 
possibilita facilitar e expressar a comunicação em níveis cada vez mais profundos e ricos 
entre todos os participantes, fundamentalmente professores e alunos. 
Quanto mais variedade de opções de informação-comunicação, mais fácil é dispersar-se, 
permanecer na superfície, nas aparências, no agito, nas interpretações da moda. A escola pode 
transformar-se em um espaço privilegiado de comunicação profunda, rica, aberta, inovadora, 
crítica; em um espaço de organizar, num clima de confiança e com a mediação dos 
professores, o caos informativo, de idéias, de avaliações, que precisamos enfrentar 
diariamente.
As tecnologias permitem hoje, como nunca antes, que professores e alunos se expressem de 
muitas formas e meios, por escrito, por áudio (rádio, programas de som na internet), por vídeo 
e multimídia (câmeras digitais, vídeos na Internet). A Internet possui hoje inúmeros recursos 
que combinam publicação e interação, através de listas, fóruns, chats, blogs. Existem portais 
de publicação mediados, onde há algum tipo de controle, e existem outros abertos, baseados 
na colaboração de voluntários. O site www.wikipedia.org/ traz um dos esforços mais notáveis 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 32 .
http://www.wikipedia.org/
no mundo inteiro de divulgação do conhecimento. Milhares de pessoas contribuem para a 
elaboração de enciclopédias sobre todos os temas, em várias línguas. Qualquer pessoa pode 
publicar e editar o que outras pessoas colocaram. Só em português foram divulgados mais de 
30 mil artigos na wikipedia. Com todos os problemas envolvidos, a idéia de que o 
conhecimento pode ser co-produzido e divulgado é revolucionária e nunca antes tinha sido 
tentada da mesma forma e em grande escala.
A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar 
os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. É 
importante educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias 
e das mídias, que facilitem a evolução dos indivíduos. O poder público pode propiciar o 
acesso de todos os alunos às tecnologias de comunicação como uma forma paliativa, mas 
necessária, de oferecer melhores oportunidades aos pobres, e também para contrabalançar o 
poder dos grupos empresariais e neutralizar tentativas ou projetos autoritários.
Integração humanística
Um dos grandes pontos de dificuldade da integração deve-se à tensão entre os educadores 
humanistas e os tecnológicos.
 Os humanistas focam a comunicação,a interação, a construção do conhecimento, a 
criação de comunidades de aprendizagem. Os tecnológicos ressaltam o avanço dos 
softwares (programas), a velocidade de transmissão, as soluções telemáticas (a distância).
 Os que conhecem as tecnologias têm nos prometido soluções, facilidades, grandes 
mudanças. Os que focam mais as dimensões humanas do ensino-aprendizagem falam mais 
de “olho-no-olho”, de comunicação afetiva, de valores. 
 Os humanistas dizem que as tecnologias são importantes, mas, em geral, resistem o 
quanto podem a uma utilização mais ampla, inovadora. Permanecem ancorados na sala de 
aula como espaço de resistência, fora do qual não se atrevem a avançar.
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 33 .
 Os educadores tecnológicos, impulsionados por administradores em busca de resultados, 
ampliam mais e mais o número de alunos atendidos simultaneamente, focam 
predominantemente o conteúdo, a auto-aprendizagem e limitam a interação ao mínimo, 
para diminuir os custos e aumentar os lucros.
Precisamos dos educadores humanistas, que experimentem formas de interação virtual com a 
presencial, que nos ajudem a encontrar os caminhos para equilibrar quantidade e qualidade 
nos diversos tipos de situações educacionais em que nos encontramos hoje. Precisamos que 
eles nos mostrem como criar novas formas de interação, como incentivar a pesquisa 
individual e em grupo, a avaliação ao longo do curso, o estabelecimento de vínculos, a 
discussão aberta de valores importantes para a sociedade.
Precisamos dos educadores tecnológicos, para que nos tragam as melhores soluções para cada 
situação de aprendizagem, que facilitem a comunicação com os alunos, que orientem a 
confecção dos materiais adequados para cada curso, que humanizem as tecnologias e as 
mostrem como meios e não como fins.
É importante humanizar as tecnologias: são meios importantes; caminhos para facilitar o 
processo de aprendizagem. É importante também inserir as tecnologias nos valores, na 
comunicação afetiva, na flexibilização de espaço e tempo de ensino-aprendizagem. 
Alguns endereços interessantes para educadores na Internet:
http://webquest.sp.senac.br/
http://www.webquest.futuro.usp.br/
http://www.livre.escolabr.com/ferramentas/wq/ajuda/criando.htm
http://www.escolabr.com/virtual/wiki/index.php?title=PodEscola
http://www.escolabr.com/virtual/videoaula/wiki/index.htm
http://www.classinformatica.com.br/projetos/webquest/
http://www.colegiodante.com.br/content/cat20040802_40/new20050301_476/view
http://www.vivenciapedagogica.com.br/
http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm
http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/home.php
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 34 .
http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/home.php
http://www.educarede.org.br/educa/index.cfm
http://www.vivenciapedagogica.com.br/
http://www.colegiodante.com.br/content/cat20040802_40/new20050301_476/view
http://www.classinformatica.com.br/projetos/webquest/
http://www.escolabr.com/virtual/videoaula/wiki/index.htm
http://www.escolabr.com/virtual/wiki/index.php?title=PodEscola
http://www.livre.escolabr.com/ferramentas/wq/ajuda/criando.htm
http://www.webquest.futuro.usp.br/
http://webquest.sp.senac.br/
http://www.moodlebrasil.net/moodle/
http://cadernos.futuro.usp.br/
http://www.cidadedamalta.pt/entrada.html
http://www.sitiodosmiudos.pt/sitio.asp
http://www.eca.usp.br/prof/moran
No t a s :
1 Do u t o r em Com u n i c a ç ã o . Di r e t o r Ac a d ê m i c o da Fa c u l d a d e Su m a r é- SP. Ex-
Pro f e s s o r de No v a s Te c n o l o g i a s na Un i v e r s i d a d e de Sã o Pa u l o . Te x t o s so b r e 
te c n o l o g i a s na ed u c a ç ã o em: ww w . e c a . u s p . b r/p r o f/m o r a n
2 Lista de discussão per m i t e qu e gr u p o s de pe s s o a s se com u n i q u e m en t r e 
si co n t i n u a m e n t e : a m e n s a g e m que um en v i a ch e g a a tod a s as ou t r a s e tod o 
m u n d o pod e res p o n d e r , com e n t a r ou co l o c a r no v a s me n s a g e n s qu e ch e g a m 
por co r r e i o el e t r ô n i c o e que tam b é m po d e m fic a r di s p o n í v e i s num a pá g i n a na 
In t e r n e t (com o em ww w . g r u p o s . c o m . b r ou em ht t p ://br.g r o u p s . y a h o o . c o m/ ).
3 O fórum é um a fer r a m e n t a qu e rod a num a pág i n a na Int e r n e t e que pe r m i t e 
a pr o f e s s o r e s e alu n o s di s c u t i r al g u n s tóp i c o s do cu r s o , at r a v é s de 
m e n s a g e n s que sã o col o c a d a s na pág i n a a qu a l q u e r mo m e n t o , e que po d e m 
se r ac e s s a d a s tam b é m a qua l q u e r tem p o e de qua l q u e r lug a r po r qu e m en t r a 
na q u e l a pá g i n a .
4 Blogs são pág i n a s int e r a t i v a s na In t e r n e t , ut i l i z a d a s pr i n c i p a l m e n t e pa r a 
co n t a r ex p e r i ê n c i a s pe s s o a i s , de gr u p o e qu e tam b é m pod e m ser ut i l i z a d a s 
por pr o f e s s o r e s e al u n o s par a ap r e n d e r . Qu a n d o pr e d o m i n a m as ima g e n s 
ch a m a m- se videologs ou vlogs . 
5 Po d c a s t s sã o pr o g r a m a s de som, de rád i o fei t o s na In t e r n e t e qu e pod e m 
tam b é m se r ba i x a d o s e ou v i d o s po r ap a r e l h o s toc a d o r e s de m ú s i c a MP3 
com o o I-PO D da AP P L E .
6 Webquest é um a me t o d o l o g i a de pe s q u i s a em gr u p o de for m a co l a b o r a t i v a , 
ut i l i z a n d o pr i n c i p a l m e n t e a Int e r n e t pa r a bu s c a r as inf o r m a ç õ e s . Du a s 
pág i n a s int e r e s s a n t e s so b r e es s a me t o d o l o g i a po d e m ser co n s u l t a d a s em 
ww w . webquest .fu t u r o . u s p . b r e em ht t p://web q u e s t . s p . s e n a c . b r/
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 35 .
http://webquest.sp.senac.br/
http://www.webquest.futuro.usp.br/
http://br.groups.yahoo.com/
http://www.grupos.com.br/
http://www.eca.usp.br/prof/moran
http://www.eca.usp.br/prof/moran
http://www.sitiodosmiudos.pt/sitio.asp
http://www.cidadedamalta.pt/entrada.html
http://cadernos.futuro.usp.br/
http://www.moodlebrasil.net/moodle/
PROGRAMA 3PROGRAMA 3
 DO RÁ D I O À TV E AO VÍD E O EM SA L A DE AU L A
 Lim i t e s e po s s i b i l i d a d e s do áu d i o e do ví d e o na edu c a ç ã o
Mathias Gonzalez de Souza1
Após uma releitura acurada dos trabalhos relacionados com o uso do rádio na educação 
permanente e continuada, nas últimas quatro décadas no Brasil, constata-se que os vários 
programas – desenvolvidos por instituições públicas e privadas, emissoras comunitárias, 
educativas, universitárias e comerciais – acumularam experiência em capacitar e instruir 
pessoas, em nível substancial, além de proporcionar entretenimento e lazer. Destacamos a 
década de 70 como a fase mais profícua do rádio no seu envolvimento com a educação 
continuada. O rádio foi largamente empregado na oferta de curso supletivo do primeiro e do 
segundo grau, como também na alfabetização de jovens e adultos, tendo o apoio pedagógico 
da mídia impressa, por meio de apostilas disponibilizadas em bancas de jornais e livrarias. 
No atual momento, com o advento da Internet e das comunicações via satélite, 
DE B A T E : MÍ D I A S NA ED U C A Ç Ã O 36 .
acompanhamos o surgimento da terceira geração do rádio sobre IP (rádios para serem ouvidos 
exclusivamente pela Internet, também chamados web-rádios) cujo estúdio de produção e 
transmissão pode ser um simples microcomputador com recursos de multimídia, tendo no 
entanto alcance mundial. 
No Brasil, até a data da elaboração

Mais conteúdos dessa disciplina