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E-book da Unidade- Avaliação Psicológica_ Definição, Histórico e Formação

Unidade 1 do material sobre Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico: definição e histórico; legenda de ícones didáticos; ética e legislação; elaboração e tipos de documentos psicológicos (declaração, atestado, relatório, laudo, parecer). Contém informações sobre os autores.

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Avaliação Psicológica 
e Psicodiagnóstico
Unidade 1
Avaliação psicológica: definição, 
histórico e formação
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
JÉSSICA DE ASSIS SILVA 
SHEILA MARIA PRADO SOMA
FÁBIO PEREIRA SOMA
AUTORIA
Jéssica de Assis Silva
Sou formada em Psicologia pela Universidade Federal do Pará, 
com Mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de São Carlos 
e Doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade de São Paulo. 
Adicionalmente, sou especialista em Terapia Comportamental e Cognitiva 
pela USP sendo docente em cursos de graduação e especialização 
e gostaria de dividir um pouco dessa experiência com você! A Editora 
Telesapiens e eu estamos empenhados em te acompanhar nessa jornada! 
Conte conosco!
Sheila Maria Prado Soma
Sou Psicóloga há 22 anos, com mestrado e doutorado pela 
Universidade Federal de São Carlos. Tenho experiência em Psicologia 
Clínica e docência no ensino superior, pois trabalhei todo esse tempo 
com a formação de profissionais nessa área e produção de conteúdos 
e pesquisas. Psicologia é a minha paixão e, transmitir minha experiência 
profissional e de vida àqueles que estão em formação é um dos focos do 
meu trabalho. Por esse motivo fui convidada pela Editora Telesapiens a 
integrar seu elenco de autores independentes. 
Fábio Pereira Soma
Tenho formação em Filosofia, Pedagogia e sou Mestre em Filosofia 
pela Unesp, com experiência técnico-profissional na área de educação de 
mais de 12 anos. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha 
experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. 
Por isso fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. 
Estamos muito felizes em ajudar você nesta fase de muito estudo e 
trabalho. Conte conosco!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Conceito e histórico de avaliação psicológica ............................... 10
Conceito de Avaliação Psicológica .................................................................................... 10
Histórico da Avaliação Psicológica ..................................................................................... 15
Ética e legislação em Avaliação Psicológica...................................22
Aspectos éticos ................................................................................................................................22
Legislação em Avaliação Psicológica ..............................................................................26
Ética e formação em Avaliação Psicológica ................................................................28
Elaboração de documentos em avaliação psicológica .............. 32
Normas para a elaboração de documentos decorrentes de Avaliação 
Psicológica ...........................................................................................................................................32
Tipos de documentos psicológicos ................................................................................. 36
Declaração ....................................................................................................................... 36
Atestado psicológico ................................................................................................ 36
Relatório psicológico ................................................................................................ 38
Relatório multiprofissional .................................................................................... 39
Laudo psicológico ...................................................................................................... 40
Parecer psicológico .................................................................................................... 41
Guarda de documentos decorrentes de Avaliação Psicológica .................. 41
Devolutiva de Avaliação Psicológica ..................................................44
Etapas do processo de Avaliação Psicológica ..........................................................44
Entrevista devolutiva .....................................................................................................................45
Entrevista devolutiva e normatização atual ................................................................ 50
Entrevista devolutiva e pesquisa em Avaliação Psicológica ...........................52
7
UNIDADE
01
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a área de Avaliação Psicológica é uma das mais 
tradicionais no campo da Psicologia e está em constante crescimento? 
Nesta unidade você terá a oportunidade de conhecer mais de perto 
essa área a começar pelo capítulo 1, em que abordaremos o conceito 
e os principais marcos históricos desse campo. 
Já no capítulo 2 você terá a oportunidade de conhecer um pouco 
mais sobre os aspectos éticos e a legislação que permeia o trabalho 
do profissional no campo de avaliação. Adicionalmente, o capítulo 3 
descreve os principais documentos envolvidos em uma avaliação 
psicológica, as normas vigentes e discute acerca da guarda desses 
documentos. Por fim, a devolutiva da avaliação é importante e discutida 
no capítulo 4 para orientar sobre a importância e responsabilidade que 
envolve um dos últimos passos que compreende essa avaliação. 
Curioso para aprender mais sobre essa área tão importante no 
campo da Psicologia? Ao longo desta unidade letiva você mergulhará 
neste universo!
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso objetivo é auxiliá-
lo no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Conhecer o desdobramento histórico da Avaliação Psicológica.
2. Discutir princípios éticos e legislação em Avaliação Psicológica.
3. Descrever e diferenciar os principais documentos pertinentes ao 
campo de Avaliação Psicológica. 
4. Debater sobre formas de devolutiva da Avaliação Psicológica.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
10
Conceito e histórico de avaliação psicológica
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você conseguirá entender como 
funciona o processo histórico da Avaliação Psicológica. 
Isto será fundamental para o exercício de sua profissão 
e para a compreensão do que se entende hoje por esse 
campo de atuação. Então? Motivado para desenvolver essa 
competência e ter um diferencial no mercado de trabalho? 
Vamos juntos cumprir essa meta!
Conceito de Avaliação Psicológica
A Avaliação Psicológica (AP) é a única atividade reconhecidamente 
privativa do profissional de Psicologia, cuja compreensão de determinado 
fenômeno se dá a partir de uma base científica que envolve desde 
conceitos importantes a teoriascompor o 
mesmo. 
Na seção VII da Resolução 06/2019 é essencial a entrega de 
relatório, laudo a realização da entrevista devolutiva. Essa entrevista pode 
ser realizada com uma diversidade de atores, a exemplo do que pode ser 
visto na figura. 
Figura 23 - Possibilidades de realização de entrevista 
devolutiva segundo Resolução nº 06/2019 do CFP
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://e-psi.cfp.org.br/wp-content/uploads/2018/11/Resolu%C3%A7%C3%A3o-Comentada-Documento-Final.pdf#:~:text=%C3%89%20importante%20salientar%20que%20a%20Resolu%C3%A7%C3%A3o%20CFP%20n%C2%BA,a%20presta%C3%A7%C3%A3o%20de%20todos%20os%20servi%C3%A7os%20de%20Psicologia.
52
ACESSE:
Para saber mais sobre a legislação atual que trata sobre a 
elaboração de documentos psicológicos e o componente 
final da Entrevista Devolutiva, é necessário consultar a 
última seção do documento, Clique aqui.
Entrevista devolutiva e pesquisa em 
Avaliação Psicológica
É sempre importante ao final do processo avaliativo explicitar as 
razões do que está escrito no documento. Além disso, o profissional deve 
realizar a entrevista sempre que essa for solicitada, seja pelo indivíduo, 
instituição ou responsáveis. 
Nunes et al. (2012) aponta que apesar de ser um direito do 
participante, poucas pesquisas envolvendo o campo de Avaliação 
Psicológica abordam esse tema. A entrevista devolutiva é uma etapa 
essencial para a conclusão do estudo, além de reforçar o direito e a 
consideração quanto aos participantes. 
A entrevista pode ser utilizada tanto no início da coleta de dados 
como ao final, numa perspectiva de fornecer uma devolutiva sobre o 
trabalho realizado, além de ser uma forma também de integração de 
dados a respeito do que foi avaliado/observado.
SAIBA MAIS:
O artigo de Cassep-Borges (2009) é um dos poucos que 
abordam a devolutiva de dados de pesquisa e fornece 
dados importantes inclusive sobre a percepção dos 
participantes quanto a essa prática. Confira!
CASSEP-BORGES, V. Devoluçăo de dados por correio 
eletrônico: uma alternativa para pesquisas quantitativas. 
Avaliaçăo Psicológica, v. 8, n.1, p. 149-152, 2009. Clique aqui.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-n-06-2019-comentada.pdf
53
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu 
mesmo, tudinho? Agora, só para termos certeza de 
que você realmente entendeu o tema de estudo deste 
capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que o processo de avaliação psicológico 
é composto por várias etapas. Essas etapas podem ser 
desde a entrevista inicial, de maneira a coletar dados e 
compreensão da demanda, a seleção de instrumentos e 
técnicas até a sua aplicação e discussão de resultados. 
Outras etapas, como a integralização das informações 
obtidas no processo de avaliação, bem como, a produção 
de documentos nesse contexto, é o que vai fornecer 
bases para a realização de uma última etapa, a devolutiva. 
A entrevista devolutiva é fruto do processo de avaliação 
e deve conter as principais informações pertinentes ao 
processo, seja os objetivos do trabalho realizado, seja as 
discussões quanto a encaminhamentos ou adequação ao 
contexto do qual a avaliação faz parte. É válido frisar que é 
um direito ao indivíduo a devolutiva e deve ser embasada 
tecnicamente e cientificamente. A linguagem adotada 
varia de acordo com quem participa da devolutiva, sempre 
devendo manter o sigilo das informações. A normatização 
06/2019 do CFP, além de discutir sobre a elaboração de 
documentos psicológicos, também fornece as diretrizes 
para a elaboração da entrevista devolutiva. Sempre que 
essa devolutiva for solicitada, o profissional deve realizá-la, 
independente de um contexto presencial ou à distância.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
54
REFERÊNCIAS
ANACHE, A. A.; REPPOLD, C. T. Avaliação psicológica: Implicações 
éticas. In SANTOS, A. A. et al. (orgs.). Avaliação psicológica: Diretrizes para 
a regulamentação da profissão, pp. 57-86. Brasília, DF: Conselho Federal 
de Psicologia, 2010.
AMBIEL, R. A. M.; PACANARO, S. V. Da testagem à Avaliação 
Psicológica: aspectos históricos e perspectivas futuras. In: AMBIEL, R. 
A. M. et al. Avaliação Psicológica: guia de consulta para estudantes e 
profissionais da Psicologia, p. 10-27. São Paulo: Casa do Psicológo, 2011. 
BANDEIRA, D. R. Repensando a formação em Avaliação Psicológica 
no Brasil. In: GRUPO de Trabalho do Ano da Avaliação Psicológica. Ano 
da Avaliação Psicológica: Textos geradores. Brasília: Conselho Federal de 
Psicologia, p. 129-132, 2011.
BICALHO, P. P. G. Ética e Direitos Humanos sob o crivo da avaliação 
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CESCON, L. F. Avaliação Psicológica: Passado, Presente e Futuro. 
Estudos Interdisciplinares em Psicologia. Londrina, v. 4, n. 1, p. 95-109, jun. 
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COHEN, R. et al. Testagem e avaliação psicológica: introdução a 
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CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 017/2002. 
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CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 07/2003. 
Brasília: CFP. Disponível em: https://bit.ly/2VJziCA. Acesso em: 3 ago. 2021.
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução CFP nº 06/2019 
comentada: Orientações sobre a elaboração de documentos escritos 
produzidos pela (o) psicóloga (o) no exercício profissional. Brasília: CFP. 
Disponível em: https://bit.ly/3fRUmO4. Acesso em: 3 ago. 2021.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
55
CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico-V. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artes 
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avaliação psicológica. Psicologia, Ciência e Profissão, v. 32, n. 2, p. 496-
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PASQUALI, L.; ALCHIERI, J. C. Os testes psicológicos no Brasil. In: 
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PELLINI; M. C. B. M.; LEME, I. F. A. S. A ética no uso de testes no 
processo de Avaliação Psicológica. In: AMBIEL, R. A. M. et al. Avaliação 
Psicológica: guia de consulta para estudantes e profissionais da 
Psicologia, p. 163-177. São Paulo: Casa do Psicológo, 2011.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
56
PRIMI, R. Responsabilidade e ética no uso de padrões de qualidade 
profissional na Avaliação Psicológica. In: GRUPO de Trabalho do Anoda 
Avaliação Psicológica. Ano da Avaliação Psicológica: Textos geradores. 
Brasília: Conselho Federal de Psicologia, p. 53-58, 2011.
WILLIAMS, L. C. A.; CASTRO, M. S. L. B. Ética na Atuação Profissional 
e na Pesquisa em Psicologia Forense. In: GOMIDE, P. I. C.; STAUT JÚNIOR, 
S. S. (org.). Introdução à Psicologia Forense. Curitiba, Juruá, 2016, p. 15-32. 
ZAIA, P. et al. Análise dos processos éticos publicados no Jornal do 
Federal. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 38, n.1, p. 8-21, 2018.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnósticoe noções que subsidiam as interpretações 
acerca desse fenômeno (MÄDER, 2016). No caminho compreendido 
entre a demanda e a devolutiva de uma Avaliação Psicológica, segundo 
Mäder (2016), “há aspectos tanto técnicos quanto éticos que devem ser 
considerados”. 
Há muitos profissionais míopes quanto ao verdadeiro formato de 
uma avaliação psicológica, a qual jamais deve ser reduzida a aplicação de 
testes (MÄDER, 2016). 
A Figura 1, a seguir, contempla as dimensões a serem consideradas 
na Avaliação Psicológicacomo aponta Cohen et al. (2014): 
Figura 1 - Dimensões da Avaliação Psicológica conforme Cohen (2014)
Técnica Ética e Legal Relacional
Social Profissional
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
11
Trata-se de uma prática processual não restrita, cujo método de 
avaliação escolhido depende desde a demanda atendida ao foco da 
observação (se criança, adulto, idoso etc.) sendo tal prática por vezes 
fornecedora das bases da atuação do psicólogo (MÄDER, 2016). A 
dimensão técnica refere-se à confiabilidade e ao valor dessa avaliação 
que envolve a responsabilidade do profissional, o conhecimento e 
suas habilidades, além de sua própria experiência nessa prática. Tal 
confiabilidade pode também ser discutida a partir dos tipos de recursos 
utilizados, se entrevistas, testes ou mesmo observação e esses analisados 
a partir de sua articulação as variáveis estudadas e os diferentes contextos 
(MÄDER, 2016). 
Há uma distinção, necessária entre testagem psicológica e avaliação 
psicológica, e essa diferença será descrito no Quadro 1 a seguir: 
Testagem refere-se ao uso de testes psicológicos para a avaliação. 
Quadro 1 – Comparativo entre testagem psicológica e avaliação psicológica
Tópico Testagem Psicológica Avaliação Psicológica
Objetivo Obtenção de medidas
Resposta a um encaminhamento, 
resolução de problema ou tomada 
de decisão.
Processo
Individual ou em grupo; 
envolve o uso de testes
Descrever o “como”, não é limitado 
a resultados. 
Avaliador Não é essencial
Essencial desde o planejamento 
até as conclusões.
Habilidade 
do avaliador
Habilidades técnicas 
envolvendo a aplicação, 
correção e interpretação de 
testes 
Habilidades para a seleção, 
avaliação, sistematização, 
integração e leitura, 
conceitualização da demanda. 
Resultados Escores
Responder à solicitação a partir da 
mobilização de diversas fontes de 
dados para esclarescimento de 
uma demanda. 
Fonte: Elaborado pelos autores com base em Mäder (2016, pp. 18-19).
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
12
Na literatura, há aqueles autores que criticam o uso de testes, uma 
vez que tal prática seria excludente e um trabalho de cunho tecnicista, 
enquanto há outros profissionais que destacam a sua legitimidade como 
ferramenta para o estabelecimento de rigor científico a avaliação sendo 
um importante instrumento de diagnóstico (CESCON, 2013).
O ideal seria a busca por um meio-termo nessa prática, visto que 
há de se resguardar o próprio indivíduo em sua relação com a sociedade 
na avaliação, a partir do reconhecimento do próprio Código de Ética 
Profissional do Psicólogo (2005), ser pautado também na Declaração 
Universal dos Direitos Humanos, o que corrobora com a importância de 
trabalhar para além do indivíduo, mas o considerando em seu contexto 
social e histórico (CESCON, 2013).
Além dos testes, a avaliação psicológica pode conter outros 
recursos comuns e fundamentais, tais como a entrevista ou a observação. 
Adicionalmente, outras estratégias podem ser utilizadas de forma 
complementar a avaliação, como a dinâmica de grupo, estratégias lúdicas 
ou mesmo uma pesquisa de cunho documental (MÄDER, 2016). Conforme 
destacado por Mäder (2016), “um processo de AP envolve diversas etapas”, 
conforme descrito a seguir: 
Figura 2 - Exemplo de etapas envolvendo a Avaliação Psicológica
Identificação 
do fenômeno
Hipótese Contrato
Levantamento 
de dados
Técnicas Instrumentos
Racioncínio 
clínico
Elaboração 
de documento
Devolutiva
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Alguns autores aproximam esse processo à ideia de psicodiagnóstico, 
em que há a aquisição de informações relativas à queixa, ao levantamento 
dos sintomas presentes, à coleta de dados pertinentes à história clínica do 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
13
cliente, à observação de seu comportamento e, em adição, à discussão 
de resultados frutos da aplicação de testes, sejam estes psicométricos 
ou projetivos. Dessa forma, tal prática permite estabelecer classificações 
e predições quanto ao comportamento do indivíduo além de favorecer o 
planejamento de uma intervenção adequada (CUNHA, 2000). 
Ainda sobre as dimensões da AP, a dimensão ética e legal envolve 
atentar-se ao nível de complexidade do fenômeno estudado além do 
próprio tipo de intervenção utilizada. Cabe ao profissional destacar alguns 
pontos presentes na figura a seguir, sobre essa dimensão da avaliação:
Figura 3 - Exemplo do que deve ser avaliado quanto 
a dimensão ética e legal da Avaliação Psicológica
Dimensão 
técnica
Capacitação 
técnica
Redução 
de danos
Demanda
Sofrimento 
envolvido
Questões 
emocionais
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Nesse quesito, embora variáveis do contexto estejam presentes e 
por vezes façam parte de uma avaliação, essas devem ser ponderadas na 
avaliação (MÄDER, 2016). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
14
Cabe ao profissional, nesse caso, lembrar-se do caráter técnico, 
científico e ético a que deve se referir à avaliação (MÄDER, 2016). A 
conduta ética pode ser avaliada desde antes de uma avaliação, na escolha 
do método, por exemplo, até a elaboração e guarda de documentos 
decorrentes da avaliação. 
IMPORTANTE:
O Código de Ética Profissional e a normatização 
estabelecidapelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) 
devem ser revistas e atualizadas por parte do avaliador no 
exercer de sua profissão (MÄDER, 2016).
Outra dimensão deve ser discutida na AP, essa dimensão é a 
relacional. Para tanto, é imprescindível que o profissional busque sempre a 
postura de neutralidade e imparcialidade mesmo diante de conflito ou em 
meio a pressões externas. A fragilidade do objeto de análise fica exposta 
e nesse momento é importante compreender que há uma análise dos 
fenômenos psicológicos e a funcionalidade dos mesmos (MÄDER, 2016). 
A própria avaliação pode ter um efeito terapêutico e a busca de um vínculo 
salutar entre o profissional e o observado é fundamental (MÄDER, 2016). 
Para Mäder (2016), dimensão social refere-se à atenção aos possíveis 
desdobramentos de uma AP à pessoa parte dessa avaliação, sobretudo 
a maneira com a qual repercute socialmente os resultados oriundos de 
uma avaliação. 
Segundo Tavares (2010), a AP pode tanto ser instrumento de auxílio 
como de exclusão ao avaliado. Nesse sentido, deve-se sempre ponderar 
as consequências positivas ou negativas e as motivações envolvendo 
essa avaliação. Adicionalmente e de maneira geral, atenção aos direitos 
humanos torna-se imperativa nesse contexto. 
Por último, a dimensão profissional implica que o profissional fique 
atento a aspectos teórico práticos de sua intervenção. A capacitação ou 
o domínio do seu exercer profissional reflete no conhecimento desse 
profissional quanto à legislação vigente (normas do CFP e código de ética 
profissional), o domínio no campo da psicopatologia e da psicometria, 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
15
além das habilidades envolvendo o planejamento e execução da AP ou 
mesmo a integração das informações obtidas. Para tal, é fundamental a 
formação e atualização continuada do profissional (MÄDER, 2016). 
DEFINIÇÃO:
Segundo a Resolução do CFP nº 007/2003, a AP é um 
processo que envolve desde a coleta de dados e estudos 
acerca de um fenômeno, mas também envolve o interpretar 
de dados a respeito desse fenômeno psicológico, devendo 
contemplar, pois, a relação tambémdesse com o indivíduo e 
com a sociedade num contexto mais amplo (CESCON, 2013).
Histórico da Avaliação Psicológica
Conhecer o processo histórico de AP é fundamental pois ao longo 
do tempo, a demanda de estudo envolvendo diferentes fenômenos 
apresenta diferentes configurações também desse exercer profissional 
(MÄDER, 2016). Inclusive Cunha (2000) cita que a confusão de que a 
AP seja o sinônimo de testagem implica no fator histórico que permeia 
o início do século XX, no qual o profissional de fato tinha essa função 
como seu principal atributo profissional. Tal prática, por vezes, implicava 
na classificação do indivíduo em aspectos de normalidade e adequação 
à sociedade. 
Desde o início do século XIX, na Alemanha e França, começou a 
haver a preocupação quanto a avaliação do grau de funcionamento 
cognitivo do indivíduo que tivesse danos no cérebro, bem como o 
diagnóstico de algum transtorno (MCREYNOLDS, 1986 apud AMBIEL; 
PACARANO, 2011).
A Alemanha também foi o local de criação do primeiro laboratório 
voltado à pesquisa psicológica em Leipzig na Alemanha, pelo teórico 
Wilhelm Wundt. Como desdobramento, muitos pesquisadores 
começaram a ser treinados tanto na Europa quanto nos Estados Unidos 
(AMBIEL; PACARANO, 2011). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
16
Figura 4 - Wilhelm Wundt
Fonte: Wikimedia Commons
Francis Galton começou o estudo envolvendo a mensuração de 
funções psicológicas em seu laboratório antropométrico, com estudos 
voltados á discriminação sensorial, por exemplo. Posterior a esse 
teórico, temos o americano James M. Catell, cujo foco de estudo seria 
o funcionamento da mente em seus processos elementares (AMBIEL; 
PACARANO, 2011). 
Em 1900, na França, Binet e Simon foram os responsáveis pela 
preocupação com uma maior precisão de medidas de avaliação e 
também com o estudo de funções mais amplas, tais como a memória 
entre outras. Dessa forma, foi criada a Escala Binet-Simon que consistia 
num instrumento envolvendo 30 itens classificados em ordem crescente, 
conforme a dificuldade apresentada (AMBIEL; PACARANO, 2011). Em tal 
teste, sob encomenda do governo francês, havia a avaliação de funções 
que convergiam para a avaliação do nível de inteligência de crianças 
na cidade de Paris para que fosse possível o direcionamento dessas 
crianças a um sistema que contemplasse possíveis dificuldades (AMBIEL; 
PACARANO, 2011).
Segundo Ambiel e Pacarano (2011), foi Wilhelm Stern a estabelecer 
o quoeficiente intelectual posteriormente aprimorado por Terman na 
Universidade de Stanford nos Estados Unidos em 1916. Com a adaptação 
da Escala Binet Simon para os EUA, foi estabelecida a Escala Stanford-
Binet. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
17
VOCÊ SABIA?
Para o teste de QI era realizada uma avaliação da 
capacidade intelectual, sugerida por Stern e Terman, a 
partir da divisão do índice estabelecido a partir da idade 
mental (IM) pela idade cronológica (IC) e posteriormente 
era realizada a multiplicação desse valor por 100. Se a 
idade mental ultrapassasse a idade cronológica, o escore 
correspondente seria acima de 100, ao passo que se a 
idade cronológica ultrapassasse a idade mental, o escore 
seria abaixo de 100.
Dubois (1970 apud AMBIEL e PACARANO, 2011) destaca que 
após o estabelecimento e disseminação da escala Stanford Binet 
outros instrumentos foram construídos, principalmente no contexto da 
Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Nesse contexto, eram apreciados 
testes que tinham como características a simplicidade e rapidez em sua 
aplicação, bem como formas de avaliação que pudessem ser aplicados 
de maneira coletiva, a exemplo dos instrumentos Army Alpha e Army 
Beta, instrumentos não-verbais voltados a avaliação de inteligência. No 
pós-guerra, por exemplo, esses instrumentos foram liberados para uso 
civil após revisão, estudos em diferentes contextos e com indivíduos de 
diferentes faixas etárias (AMBIEL; PACARANO, 2011). 
Segundo Ambiel e Pacarano (2011), o contexto da Primeira Guerra 
Mundial foi fundamental para a construção e aprimoramento do uso de 
testes, favorecendo tanto a sua qualidade quanto a sistematização de sua 
administração ou mesmo correção. Além do mais, os mesmos autores 
apontam que a partir de 1920 houve o desenvolvimento de testes nos 
mais variados contextos e demandas, como o escolar, a exemplo do 
surgimento do School Aptitude Test (SAT). 
Charles Spearman foi um dos nomes expressivos na fase inicial da 
Psicometria com o estudo de modelos matemáticos associados tanto à 
discussão quanto ao funcionamento mental, sendo o responsável pelo 
refinamento do método de correlação de Karl Pearson. Houve, nesse 
período, a sugestão de que as habilidades cognitivas eram convergentes 
a uma capacidade mais ampla, o nomeado “fator g”. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
18
Ambiel e Pacarano (2011) reforçam o papel de Thurstone em 1938 
em contraponto a essa capacidade geral, sugerindo que houvesse 
habilidades específicas e independentes sem a articulação para uma 
habilidade geral. Foi Carroll, em 1993 a propor uma integração das teorias 
de inteligência que envolvesse um modelo hierárquico a respeito das 
habilidades estudadas. 
Figura 5 - Karl Pearson, biometricista, um dos responsáveis pelo método de correlação
Fonte: Wikimedia Commons
A discussão e o desenvolvimento acerca dos testes foram de 
extrema importância para a Psicologia, uma vez que, permitiram que a 
teoria fosse também testada num contexto real, auxiliando nos avanços 
científicos dessa ciência (AMBIEL; PACARANO, 2011).
Ao longo da história e durante o surgimento de várias abordagens 
psicológicas o objetivo em comum era a compreensão do homem sob uma 
perspectiva individual, ou seja, o papel do profissional na Psicologia ainda 
era uma forma de avaliação (BOCK, 2001). Essa forma de avaliar o sujeito 
no âmbito individual foi se modificando, principalmente com o surgimento 
da Psicologia Sócio-Histórica, no qual se passou a contemplar o indivíduo 
como um ser também ativo no processo e arraigado de aspectos sociais, 
histórico e culturais, sendo impossível dissociá-lo de sua realidade social 
(CESCON, 2013). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
19
Ao refletir sobre o histórico brasileiro no âmbito da Avaliação 
Psicológica, o uso de testes, inicialmente refletiu num período de 
empolgação em seu uso, posteriormente surgiram críticas quanto a esse 
método restrito de avaliação e a habilidade de avaliadores, o que levou 
a prática para uma etapa de organização e regulamentação da mesma, 
sempre em constante atualização (PASQUALI; ALCHIERI, 2001). 
Figura 6 - Fases no Histórico de Avaliação Psicológica 
no Brasil segundo Pasquali e Alchieri (2001)
1836-1930 
Produção 
médico-
científica 
acadêmica
1930-1962 
Psicologia 
no ensino na 
universidade
1962-1970 
Cursos de 
graduação em 
Psicologia
1970-1987 
Cursos 
de pós-
graduação
1987 em 
diante 
Laboratórios 
de pesquisa
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
A Figura 6 aponta que uma das fases iniciais na discussão do 
desenvolvimento da AP no Brasil, envolve a Psicologia como sendo 
parte da grade curricular de cursos de Medicina, sobretudo envolvendo 
a discussão de processos psicológicos básicos. A partir de 1930 houve a 
presença da Psicologia em outros cursos na área aplicada, tais como o 
jornalismo e administração, por exemplo, e uma maior disseminação e 
construção de saberes dentro desse campo. Os autores apontam ainda, 
que o próprio estabelecimento da Psicologia enquanto profissão, a partir 
da Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, contribuiu para a criação de cursos 
de graduação e que, posteriormente, a criação do Conselho Federal 
de Psicologia e os Conselhos regionais na década de 1970 auxiliaram a 
reflexão acerca de currículos mínimos e nos conteúdos básicos para a 
formação profissional.
Ambiel e Pacarano (2011) destacam que essa nova configuraçãocontribuiu ao debate quanto ao uso de testes em Psicologia, uma 
discussão de cunho científico e político com destaque para a baixa 
qualidade de formação dos profissionais no âmbito da avaliação. Após 
críticas quanto a práticas abusivas no uso da testagem psicológica nas 
décadas de 80 e 90, houve o investimento em formação. 
A Fundação do Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica 
favoreceu não só a construção de testes, mas também o debate quanto a 
adaptação e a validação de testes psicológicos no Brasil. Uma das ações 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
20
foi a criação da Revista de Avaliação Psicológica, além disso a promoção 
de eventos científicos na área. Com o tempo, cursos de pós-graduação 
nessa área também foram possíveis e contribuíram para os alicerces da 
prática realizada atualmente no Brasil (AMBIEL; PACARANO, 2011). 
A Resolução nº 02/2003 contribuiu para o estabelecimento de 
critérios mínimos de qualidade para o uso de testes, favorecendo a 
adaptação dos mesmos ao contexto brasileiro e também o aumento de 
pesquisas na área (AMBIEL; PACARANO, 2011; CFP, 2003). 
Em 2003, foi estabelecido o Sistema de Avaliação de Testes 
Psicológicos (SATEPsi) em que há avaliação de instrumentos psicológicos 
conforme a sua adequação a realidade brasileira e ao seu alcance 
quanto ao fenômeno a ser observado e avaliado, o que contribuiu para o 
aprimoramento da AP (AMBIEL; PACARANO, 2011; CFP, 2003). 
ACESSE:
Acesso o site do SATEPSI para a verificação de testes 
validados e de uso autorizado em atividades de avaliação. 
Clique aqui.
Adicionalmente, no ano de 2011 foi estabelecido em uma ação 
do CFP como um ano temático da Avaliação Psicológica em que houve 
discussões em três eixos: formação, relações institucionais e participação 
da psicologia em outros contextos e áreas e um terceiro eixo que 
articulasse os dois primeiros (AMBIEL; PACARANO, 2011). 
SAIBA MAIS:
Para saber mais sobre o ano de 2011, uma boa dica é 
acessar o material do CFP que conta com textos sobre os 
três eixos debatidos naquele ano elaborado pelo Grupo de 
Trabalho responsável. Grupo de Trabalho do Ano Temático 
da Avaliação Psicológica. Ano da Avaliação Psicológica: 
Textos geradores. Brasiília: Conselho Federal de Psicologia, 
2011. Clique aqui.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://satepsi.cfp.org.br/
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/04/anodaavaliacaopsicologica_prop8.pdf
21
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo, 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que o que foi proposto. Você deve 
ter aprendido que a Avaliação Psicológica é uma prática 
privativa do psicólogo e daí a importância para o seu 
conhecimento e devida realização. Para uma avaliação bem 
sucedida, o profissional deve se atentar não só a teoria, mas 
a diretrizes técnicas e éticas no exercício de sua profissão. A 
Avaliação Psicológica pode ser entendida em pelo menos 
cinco dimensões, sendo elas: a)técnica; b) ética e legal; 
c) relacional; d) social; e e) profissional.Essa prática não 
deve ser confundida com testagem psicológica, embora 
o uso de testes tenha uma importância significativa, tanto 
historicamente quanto no período atual para a prática de 
avaliação. A Avaliação Psicológica não é restrita ao uso de 
testes e diferencia-se da testagem psicológica desde os 
objetivos de seu trabalho até os resultados provenientes 
dessas práticas. Embora por vezes ter recebido críticas, o 
uso de testes foram fundamentais para o aprimoramento 
da Psicologia enquanto ciência, e mesmo para o 
estabelecimento do campo de Avaliação Psicológica no 
Brasil e no mundo.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
22
Ética e legislação em Avaliação Psicológica
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você entenderá como 
funcionam os aspectos éticos e a legislação no exercício 
da Avaliação Psicológica. Isso será fundamental para 
entender a responsabilidade técnica e a normatização 
que envolve esse campo de atuação. Adicionalmente, 
para a compreensão completa da ética é fundamental o 
entendimento de que essa também deve passar pela 
reflexão da formação profissional. E então? Motivado para 
levar uma prática segura e responsável, contemplando o 
papel de um verdadeiro profissional na área de Avaliação 
Psicológica?Vamos juntos conhecer um pouco mais desses 
aspectos fundamentais para uma formação completa 
nesse campo!
Aspectos éticos
Muniz (2018) destaca que 2011, o ano temático da Avaliação 
Psicológica no Brasil, estabelecido pelo Conselho Federal de Psicologia 
(CFP), foi fundamental na articulação dessa área com aspectos não só 
técnicos, éticos, mas também em diálogo constante com os Direitos 
Humanos. 
Ética profissional implica tanto na reflexão quanto na normatização 
estabelecida sobre a conduta do profissional no exercício de sua profissão 
e que deve ser colocada em prática (MUNIZ, 2018). 
Tanto o Código de ética Profissional quanto as normas 
disponibilizadas pelo Sistema Conselhos (Conselho Federal e Conselhos 
Regionais) são importantes para nortear a reflexão quanto a prática. 
Segundo Hutz (2015), a primeira atitude ética do profissional em Avaliação 
Psicológica é concernente ao se afirmar como apto ou não a realizar esse 
tipo de trabalho, questionando o nível de domínio teórico prático para a 
sua execução.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
23
Figura 7 - Tópicos importantes para a conduta ética profissional
Conduta ética
Legislação
Atualização/ 
formação
Contexto 
adequado de 
avaliação 
Sigilo
Técnicas, 
métodos e 
instrumentos 
de base 
científica
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
ACESSE:
A Resolução nº 010/2005 é relativa ao Código de Ética 
Profissional que versa sobre os princípios fundamentais e 
conta com 72 condutas orientativas ao profissional, baseado 
nos direitos humanos universais com ideias envolvendo 
princípios de justiça social, bem comum, reforçando 
aspectos de dignidade, envolvendo a prática profissional e 
seu elo com a comunidade atendida. Clique aqui.
Particularmente, o conhecimento acerca do Código de Ética 
Profissional é imprescindível, pois viabiliza a consciência do profissional 
quanto a sua responsabilidade e também para que esse esteja ciente de 
que há consequências no exercer de sua profissão (MUNIZ, 2018). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf
24
Figura 8 - Resumo estrutural do Código de Ética Profissional
Direitos Humanos 
Universais
Código de ética 
Profissional
7 princípios 
fundamentais
7 princípios 
fundamentais
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
É importante pensar que, o primeiro código de ética remete ao 
ano de 1975 e que, a partir do que foi discutido ao longo do tempo em 
articulação com a categoria profissional e demandas da sociedade, foi 
feita uma reformulação para um novo documento em 2005. Dessa forma, 
é necessário frisar que se trata de um processo dinâmico e articulado com 
as alterações tanto de direitos como de deveres do indivíduo ao longo do 
tempo (MUNIZ, 2018). 
Apesar de uma estrutura ampla, algumas condutas presentes, 
sobretudo nos artigos 1º e 2º do Código de Ética profissional, que 
envolvem respectivamente deveres fundamentais. Assim, o que é vedado 
ao profissional de Psicologia no exercer de sua profissão, aproxima-se ao 
que é esperado no contexto de avaliação (MUNIZ, 2018), verifica-se essa 
informação conforme o Quadro 2, a seguir:
Quadro 2 – Condutas esperadas e vedadas ao profissional de Psicologia segundo 
os artigos 1º e 2º do código de ética profissional (Resolução nº 010/2005) 
em consonância com a área de Avaliação Psicológica
É dever do profi ssional
(artigo 1º)
É vedado ao profi ssional
(artigo 2º)
Ter o domínio teórico e técnico sobre a 
execução de seu trabalho.
Emitir documento sem a devida qualidadeteórica, técnica ou científi ca.
Informar sobre os objetivos e 
procedimentos do trabalho realizado.
Interferência quanto a validação das 
informações ou fi dedignidade dos resultados 
de instrumentos e técnicas psicológicas.
Fornecer informações necessárias a 
quem de direito a respeito dos resultados 
obtidos por meio de avaliação.
Ser avaliador em situações cujo vínculo 
profi ssional ou pessoal estão presentes.
Cuidados sob a guarda, empréstimo, 
comercialização etc. de materiais 
privativos.
Realizar diagnósticos ou mesmo realizar a 
divulgação de procedimentos bem como de 
resultados pertinentes a prática, pecando na 
manutenção do sigilo.
Fonte: Elaborado pelos autores com base em Muniz (2018).
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
25
Adicionalmente, Muniz (2018) aponta que o artigo 18 do código de 
ética também contempla a área de avaliação, visto que discorre sobre 
a viabilidade de empréstimo, venda, divulgação ou mesmo ensino de 
instrumentos psicológicos de maneira a impedir o exercício ilegal da 
profissão. É válido frisar que o Código de ética é de cunho transversal 
(Figura 9) e implica a articulação entre sociedade, profissão, entidades e 
a própria ciência.
Figura 9 - Transversalidade do código de ética profissional
Código de ética 
Profissional
Sociedade
Profissão Entidades
Ciência
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Primi (2011) destaca que o processo de avaliação psicológica 
deve favorecer condições e igualdade de direitos, compreendendo que 
as pessoas têm diferenças e que o profissional lida com situações que 
envolvem decisões de impacto direto a esses indivíduos, lidando não só 
com interesses individuais, mas também sociais, devendo prezar pelo 
bem-estar de ambos, ou seja, indivíduo e o meio social em que vive.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
26
O autor supracitado sugere que a prática psicológica no âmbito de 
avaliação deve ter como base evidências científicas e a reflexão acerca 
dos limites que envolvem o exercer profissional, sempre respeitando 
o que é preconizado pelos órgãos e as comunidades tanto no campo 
científico como profissional; limites do que deve ou não ser feito, 
considerando o grau de influência de suas decisões sob os direitos das 
pessoas (PRIMI, 2011).
Legislação em Avaliação Psicológica
Além do Código de ética profissional, outras legislações 
estabelecidas pelo Sistema Conselhos são essenciais para a reflexão e 
norteamento de condutas profissionais envolvendo a avaliação. 
Quadro 3 – Alguns marcos de legislação na área de Avaliação Psicológica no Brasil
Tipo de Documento Número
Resolução 002/2001
Resolução 002/2003
Resolução/Código de ética 010/2005
Resolução 005/2012
Nota Técnica 01/2017
Nota Técnica 02/2017
Resolução 009/2018
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Em termos históricos, a Resolução nº 003/2003 em aprimoramento 
da Resolução nº 025/2001 pode ser considerada um marco, porque 
contribuiu para o campo dos testes, tanto com a regulamentação quanto 
com a comercialização e elaboração dos mesmos. Adicionalmente 
enfatizou a preocupação quanto à qualidade dos instrumentos, sendo 
esses necessariamente munidos de evidências para a sua consideração 
enquanto válidos, precisos e consequente normatização. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
27
Para Muniz (2018), a Resolução nº 003/2003 favoreceu ainda um 
aumento no número de testes e de pesquisas relativas a sua aplicabilidade, 
além de reforçar o princípio fundamental IV do código de ética relativo à 
responsabilidade na atuação profissional. 
A Resolução nº 009/2018 forneceu diretrizes básicas para a área 
de Avaliação em Psicologia, refletindo não só sobre os instrumentos, mas 
também sobre métodos, técnicas e critérios para que os testes utilizados 
fossem considerados aptos ao seu uso. Essa resolução revogou as 
Resoluções nº 002/2003 e nº 005/2012 e as Notas Técnicas nº 01/2017 
e nº 02/2017. 
Figura 10 - Martelo de juiz
Fonte: Freeimages
Outras resoluções são importantes e podem ser revisadas pelo 
profissional que deseja atuar no campo de avaliação. Um exemplo seria 
a Resolução nº 002/2016 que versa a respeito do contexto envolvendo 
concursos públicos e processos seletivos, em que é comum a participação 
de um profissional de psicologia exercendo atividades de avaliação.
A Resolução nº 011/2018 contempla a Avaliação Psicológica e 
a prestação de serviços nesse campo por meios tecnológicos. Nesse 
caso, cabe não só a reflexão do profissional para além da resolução, mas 
também para refletir sobre questões que envolvam o acesso restrito 
a esses meios por parte da população, que apresenta a demanda por 
avaliação ou mesmo o debate quanto à manutenção da qualidade e ética 
do serviço (MUNIZ, 2018). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
28
Figura 11 – Pessoa em atendimento remoto
Fonte: Freepik
Pellini e Leme (2011) enfatizam que nem avaliações, nem mesmo 
decisões sob resultados que envolvam medidas desatualizadas e sem 
verificação sobre a validade devem ser consideradas. Adicionalmente, 
o próprio contexto em que ocorre a avaliação deve ser um ambiente 
próprio para tal. Os Princípios Éticos e Código de Conduta da Associação 
Americana de Psicologia, embora mais antigos que as resoluções atuais 
brasileiras, já versavam sobre isso (1992, apud PELLINI; LEME, 2011).
Ética e formação em Avaliação Psicológica
De acordo com Bandeira (2011), a formação em Avaliação Psicológica 
no Brasil passou por transformações ao longo do tempo, principalmente 
após a década de 1990. A autora enfatiza que inicialmente essa formação 
era voltada apenas para o campo dos testes, restringindo essa formação 
a sua aplicação e correção, sem o investimento acerca da reflexão de sua 
prática ou mesmo da própria utilização desses testes.
Com os diversos grupos de trabalho envolvendo as associações de 
profissionais como avaliadores, professores, pesquisadores, foi necessária 
a criação de debates ao longo do tempo, para tanto, isso favoreceu alguns 
avanços nesse sentido. 
EXEMPLO: Alguns exemplos de entidades de cunho técnico e 
científico, cujos profissionais contribuíram para o desenvolvimento e 
melhor formação da Avaliação Psicológica no país, foram a Associação 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
29
Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP), o 
Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP) (BANDEIRA, 2011).
Para Fonseca (2011), a prática, por si só, exclusiva do profissional 
psicólogo, deveria ser a principal motivação para o investimento na 
formação adequada e crítica desses profissionais. A autora destaca que 
o que acontece recorrentemente é uma prática inadequada e por vezes 
distante da formação e, quando essa ocorre, por vezes envolvem estágios 
sem a devida supervisão e formação. Embora haja uma diversidade de 
campos e abordagens, Löhr (2011) aponta ser necessário o conhecimento 
acerca de comportamento humano, epistemologia e compreensão 
quanto a instrumentos e técnicas que envolvem o exame psicológico 
(LÖHR, 2011).
Figura 12 - Estudantes em formação
Fonte: Freeimages
Verifica-se que a competência profissional é consonante também 
com o quanto esse profissional é hábil em extrair uma maior quantidade 
de informações dos métodos e instrumentos empregados. Por esse 
motivo e pelo fato de ser uma área em constante diálogo com outras 
(Medicina, Direito, Administração) e também atuante em uma amplitude 
de contextos (saúde, jurídica, escolar, trânsito etc.) a formação é uma 
maior garantia de um trabalho responsável e ético (FONSECA, 2011).
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
30
Em um estudo realizado por Jesus Jr (2007), de maneira a verificar 
a percepção de alunos de Psicologia sobre ética, foi constatado que 
estudantes do último ano do curso tiveram pior desempenho do que 
os do primeiro ciclo, o que demonstra a necessidade de uma formação 
continuada para a garantia daconduta ética para além da academia e em 
contextos aplicados da profissão. 
Outros estudos tais como o de Frizzo (2004) ou de Muniz (2018) 
analisam algumas infrações cometidas por profissionais em que há 
destaques quanto a infrações envolvendo aspectos de perícia, avaliação 
e aplicação de procedimentos ou o julgamento quanto ao comportamento 
envolvendo aspectos técnicos.
SAIBA MAIS:
O texto de Amêndola (2014) traça um perfil histórico 
envolvendo a formação em psicologia e sua articulação 
com aspectos éticos e demandas sociais. É uma excelente 
fonte de conhecimento sobre esse tema. 
Amendola, M. F. Formação em Psicologia, Demandas 
Sociais Contemporâneas e Ética: uma Perspectiva. 
Psicologia: Ciência e Profissão, 2014, v. 34, n. 4, pp. 971-983, 
Brasília, 2014. Clique aqui.
É válido frisar que a formação tem sido apontada na literatura 
como uma das vias para a garantia de uma conduta ética (ANACHE; 
REPPOLD, 2010; FRIZZO, 2004; JESUS JR. et al., 2007; MUNIZ, 2018) e que 
o profissional deve ser treinado inclusive quanto a uma consciência social 
do seu trabalho.
Uma formação continuada nos diversos níveis de formação 
(graduação e pós-graduação stricto e latu sensu) viabilizam uma avaliação 
a ser realizada de tanto de forma ética e de qualidade quanto técnico-
científica (ZAIA et al., 2018). 
A conduta ética em avaliação psicológica por vezes destaca 
aspectos técnicos que refletem a ética. Todavia, conforme aponta Pellini 
e Leme (2011), além de aspectos técnicos, uma conduta ética e crítica, 
sendo o exercer profissional em avaliação psicológica também uma ação 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://www.scielo.br/j/pcp/a/mfHF7YnWzBckW8JQZWsfS5t/?lang=pt
31
ético-política. Para Bicalho (2011) o reconhecimento quanto a necessidade 
de um trabalho político engloba a aceitação de que o profissional, nesse 
caso, não é isento ou neutro. 
A prática psicológica abarca a discussão sobre concepções relativas ao 
mundo, o homem e a sociedade em contexto mais amplo. Compreendendo 
que o trabalho envolve tomada de decisão e consequências diretas ao 
indivíduo e o seu ser social, é importante assumir posições quais sejam 
arraigadas de princípios éticos (BICALHO, 2011). 
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo, 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido 
que a conduta ética profissional em Avaliação Psicológica é 
permeada por vários quesitos, como a legislação vigente, 
a constante informação e atualização profissional, os 
contextos em que ocorrem a avaliação,sendo necessário 
haver ainda uma preocupação com relação ao sigilo das 
informações oriundas dessa prática, bem como uma 
preocupação não só teórica mas também técnica, o que 
é característico de um exercer profissional de qualidade. 
Você deve ter visto ainda, que para a consulta de questões 
envolvendo a ética pode ser feita a partir do Código de Ética 
Profissional e as normas disponíveis no Sistema Conselhos 
(Conselho Federal de Psicologia e Conselhos Regionais de 
Psicologia). É importante destacar que a formação ética 
foi modificada ao longo da história pensando também nas 
transformações da concepção do indivíduo e sociedade, 
seus direitos e deveres. Adicionalmente, por ser uma área 
atuante em diversos contextos e demandas é imprescindível 
considerar a formação em avaliação psicológica como 
uma formação política e social com desdobramentos ao 
indivíduo e suas relações a curto, médio e longo prazo.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
32
Elaboração de documentos em avaliação 
psicológica
OBJETIVO:
Ao término desse capítulo você compreenderá 
os principais pontos pertinentes a elaboração de 
documentos psicológicos e aqueles específicos oriundos 
de uma Avaliação Psicológica. Você conhecerá sobre 
a normatização vigente quanto a sua elaboração e a 
importância da guarda de documentos. Isto será essencial 
para dar prosseguimento ao seu trabalho, uma vez que é 
parte do atendimento às demandas apresentadas nesse 
processo. E então? Engajado para aprender os principais 
pontos e diferenciar os tipos de documentos que permeiam 
essa prática? Conte conosco para conhecer um pouco mais 
e se capacitar quanto a essa habilidade tão importante para 
a sua prática!
Normas para a elaboração de documentos 
decorrentes de Avaliação Psicológica
É interessante, além da elaboração de um contrato descritivo 
quanto a prestação dos serviços a serem realizados durante a Avaliação 
Psicológica, a emissão de documentos consonantes às normas 
estabelecidas, e que isso ocorra de maneira estruturada seguindo 
aspectos também formais (MÄDER, 2016).
Segundo Mäder (2016), o documento produzido é uma forma de 
materialização do trabalho realizado e acaba por demonstrar, dentre 
outros aspectos, a competência teórico-técnica do avaliador, e cabe a 
esse profissional, a partir do momento em que é disponibilizado esse 
documento, responder pelos procedimentos realizados e por todo o 
conteúdo alí indicado. O norte para essa elaboração deve ser o Código de 
ética profissional e a legislação vigente. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
33
Entende-se por documento psicológico uma ferramenta de 
comunicação por escrito sendo esse resultado de uma prestação de 
serviço a pessoas ou grupos, bem como a instituições. Tal documento 
pode ser solicitado pelo usuário do serviço ou por equipes profissionais, 
por exemplo, devendo ser mantidos os princípios éticos, técnicos e 
científicos, além de uma linguagem profissional formal (CFP, 2019). 
O ano de 2001 é um dos marcos para o âmbito de elaboração 
de documentos psicológicos decorrentes de avaliação, a partir do 
fornecimento de orientações concernentes a elaboração de documentos 
psicológicos. Dessa forma, é facilitada a padronização e regularidade dos 
materiais produzidos tanto pela sua forma como qualidade (CFP, 2019).
A Figura 13 mostra alguns dos marcos históricos na elaboração de 
documentos em psicologia. 
Figura 13 - Resoluções do CFP importantes para a compreensão 
acerca da Elaboração de Documentos Psicológicos
30/2001 17/2002 07/2003 06/2019
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Em dezembro de 2000 ocorreu o I Fórum Nacional de Avaliação 
Psicológica que subsidiou a construção da Resolução nº 30/2001 do CFP, 
oriunda também de outras ações importantes no campo de avaliação, tal 
como a Assembleia das Políticas Administrativas e Financeiras datada de 
maio de 2001. Refletindo-se sobre os princípios éticos e norteando quanto 
a uma postura técnica profissional, o Conselho Federal de Psicologia 
estabeleceu o Manual de Elaboração de Documentos Psicológicos 
decorrentes da Avaliação (CFP, 2001). Essa resolução foi revisada na 
Resolução nº 17/2002.
A Resolução nº 17/2002 destaca, mediante queixas de 
representatividade ética e a necessidade de uma produção que seja 
qualificada desses documentos, que haja uma linguagem profissional, 
contemplando clareza e concisão, além de reconhecer a avaliação 
enquanto um processo dinâmico cuja determinação também engloba 
fatores históricos, sociais e mesmo econômicos. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
34
A Resolução nº 07/2003 discute sobre o Manual de Elaboração 
de Documentos escritos, mas sob o enfoque daqueles envolvidos 
na prestação de serviços em Psicologia, sobretudo aqueles frutos de 
avaliação psicológica. A Figura 14 resume os principais quesitos para essa 
elaboração, segundo tal resolução: 
Figura 14 - Tópicos de destaque para a elaboração de 
documentos escritos segundo a Resolução nº 07/2003
Princípios norteadores
Modalidades de documentos
Conceito/Finalidade/Estrutura
Validade/Guarda de documentos
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Dentre as resoluções destacadas, a mais recente envolvendo 
a elaboração de documentos psicológicos se trata da Resolução nº 
06/2019. Talresolução revoga a Resolução nº 07/2003 e contempla além 
dos campos de atuação profissional da Psicologia, também a inclusão de 
orientações acerca do Relatório Multiprofissional. 
Outro destaque dessa resolução é o destino e envio de documentos 
e as discussões que permeiam a entrevista devolutiva, bem como, a 
ênfase na responsabilidade do profissional ao elaborar os documentos 
se capacitando eticamente e tecnicamente para essa ação. Tal resolução 
também aponta a necessidade de prezar pela estrutura própia de cada 
um dos documentos, sendo essa relacionada, sobretudo a sua finalidade. 
Como princípios fundamentais na elaboração de documentos 
psicológicos, é importante destacar: a) princípios técnicos; b) princípios de 
linguagem técnica; c) princípios éticos. Os envolvidos na avaliação têm o 
direito de saber tanto sobre os objetivos como dos resultados do serviço 
prestado, podendo inclusive ter acesso a esses documentos escritos. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
35
A Figura 15 elenca os diferentes tipos de documentos a serem 
produzidos pelos profissionais, segundo a Resolução nº 06/2019 do 
Conselho Federal de Psicologia. O detalhamento dos documentos 
segundo essa norma será descrito no subtópico a seguir “Tipos de 
documentos psicológicos”.
Figura 15 - Documentos elaborados pelo profissional de psicologia no 
exercer de sua profissão detalhados na Resolução nº 06/2019 do CFP
Atestado 
Psicológico
Declaração
Relatório 
Multiprofissional
Relatório 
Psicológico
Parecer 
Psicológico
Laudo 
Psicológico
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
ACESSE:
Para saber mais sobre a elaboração de documentos 
psicológicos contemplando as mudanças ocorridas a partir 
da Resolução do CFP nº 06/2019, que tal acessar o vídeo 
do Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul, 
no qual são abordadas detalhadamente essas mudanças 
e fornecidas orientações quanto as novas diretrizes? 
CRP RS, 2020. Orientação e Elaboração de Documentos 
Psicológicos. Clique aqui.
Cabe destacar que quaisquer dúvidas acerca da elaboração de 
documentos psicológicos, há a jurisprudência dos conselhos regionais 
e mesmo, se cabível, a orientação do Conselho Federal. É importante 
destacar que o não cumprimento das disposições estabelecidas na 
norma vigente incorre em falta ético-disciplinar (CFP, 2019). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
www.youtube.com/watch?v=AMVkI0E3wC0
36
Tipos de documentos psicológicos
Declaração
Dentre os documentos a serem elaborados pelo profissional, a 
declaração é o mais objetivo, pois é um documento breve e sucinto, cujo 
objetivo principal é de prestar informações sobre o serviço.Tal documento 
aborda pontos como o comparecimento da pessoa ao atendimento ou 
o acompanhamento psicológico prestado. Pode-se, nesse documento, 
inserir informações quanto ao tempo de atendimento, dias e horários 
relativos à prestação desse serviço. Segundo a Resolução nº 06/2019, a 
declaração segue a seguinte estrutura: 
 • Título: “Declaração”. 
 • Identificação, com nome completo do usuário.
 • Finalidade, que é o que resguarda o profissional no que se 
concerne ao uso do dado.
 • Informações sobre local, dias, horários. 
 • Encerrar incluindo, local, data e carimbo com assinatura do 
profissional.
É válido lembrar que, na declaração, não é permitido que o 
profissional descreva sobre os sintomas, situações ou mesmo estados 
psicológicos, incorrendo em infração ética caso isso aconteça. 
Atestado psicológico
O atestado psicológico, diferentemente da declaração, é resultante 
de um processo de avaliação psicológica e deve ser realizado à medida 
que é contemplada a competência profissional para tal elaboração. Tal 
documento visa informar sobre o estado psicológico de um indivíduo ou 
uma situação específica sobre o mesmo. Deve seguir a estrutura abaixo:
 • Título.
 • Identificação, nome completo e quando necessário incluir alguma 
informação sociodemográfica.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
37
 • Solicitante, especificando detalhadamente quem fez a solicitação 
do referido documento.
 • Finalidade, ou seja, o motivo do pedido.
 • Descrição das condições emocionais/psicológicas, fruto 
do raciocínio psicológico ou avaliação. É facultado o uso de 
classificações diagnósticas. 
 • Encerrar incluindo, local, data e carimbo com assinatura do 
profissional e rubrica em todas as páginas.
IMPORTANTE:
O atestado psicológico é útil no que se concerne à 
comunicação de justificativa de faltas e/ou impedimentos, 
além disso, se o indivíduo está apto ou não para a realização 
de alguma atividade. O profissional também pode atestar 
sobre motivos de afastamento ou dispensa de alguma 
atividade. É importante frisar que não se trata de um 
diagnóstico nosológico.
É facultado ao profissional destacar, ao fim do atestado, que não 
está autorizada a utilização do documento para outros fins que não aquele 
requerido. Cabe ao profissional realizar a guarda da cópia do atestado 
junto ao material utilizado para a avaliação, podendo ser solicitado pelo 
órgão regulamentador. 
Figura 16 - Assinatura de documento
Fonte: Freeimages
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
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Relatório psicológico
O relatório Psicológico pode ter caráter informativo e deve contemplar 
variáveis também históricas e sociais. Trata-se de um documento repleto 
de detalhes cujo objetivo é comunicar sobre a atuação profissional, 
compondo recomendações, intervenções e encaminhamentos do caso 
em atendimento. 
Tal documento possui tanto valor técnico como científico, e é 
imperativo que seja composto por uma narrativa detalhada embasada 
no Código de Ética profissional. É diferente de um relatório de atividades 
instucional.
Esse documento deve ser estruturado da seguinte forma:
 • Identificação, contendo o título do documento, o nome da pessoa 
ou instituição foco, solicitante, finalidade e autor (Detalhes do 
profissional, inscrição no conselho).
 • Descrição da demanda, na qual deve descrever com detalhes 
acerca do que motivou a busca pelo serviço, quem forneceu as 
informações etc.
 • Procedimento, que deve detalhar todos os passos sustentados 
de maneira técnico-cientpifica, enfatizando o referencial teórico 
adotado. Deve-se, nesse tópico, citar todos os envolvidos 
no processo de avaliação de maneira detalhada, fornecendo 
informações como o número de encontros realizados, a sua 
duração e relatos de maneira objetiva. Os procedimentos adotados 
devem respeitar a complexidade do que é avaliado.
 • Análise, na qual deve-se apresentar toda a evolução do trabalho 
de maneira sistêmica e com fundamentação tanto técnica quanto 
teórica, consonante com a demanda apresentada. Tudo o que for 
citado nesse tópico deve ser sustentado cientificamente. Deve-se 
prezar pela linguagem objetiva e precisa, mesmo com informações 
de cunho subjetivo.
 • Conclusão, que deve abarcar a natureza dinâmica do evento 
observado, bem como trazer conclusões a partir da análise 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
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realizada. É nas conclusões que, caso necessário, devem constar 
possíveis encaminhamentos, orientações ou mesmo a sugestão 
de continuidade do serviço.
 • Encerrar incluindo, local, data e carimbo com assinatura do 
profissional e rubrica em todas as páginas.
Ao profissional é facultado enfatizar que o relatório não pode ser 
utilizado para outros fins que não aqueles descritos na identificação do 
documento, reforçar o sigilo das informações ali descritas ou mesmo a sua 
responsabilidade sob o que é feito com o documento após a devolutiva 
da avaliação. 
Relatório multiprofissional
Figura 17 - Reunião Profissional
Fonte: Freeimages
O relatório multiprofissional é um documento com orientações 
semelhantes aquelas descritas no item anterior, “Relatório Psicológico”, 
com a diferença de que se trata de um relatório produzido em contexto 
multiprofissional e com a possibilidade de elaboraçãoem conjunto com 
os demais profissionais envolvidos na equipe, ainda que preservado 
os princípios éticos e a autonomia desses profissionais. Tem a seguinte 
estrutura: 
 • Identificação.
 • Descrição da Demanda.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
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 • Procedimentos.
 • Análises.
 • Conclusão.
 • Encerramento é realizado com o nome completo ou social tembém 
completo, o número de inscrição profissional do responsável 
ou responsáveis, com as laudas numeradas, rubricadas e com 
assinatura e carimbo ao final da última página. 
Embora seja um relatório multiprofissional, as informações contidas 
que sejam pertinentes a métodos e técnicas privativas do psicólogo devem 
constar em tópico separado dos demais, mantendo a responsabilidade e 
sigilo por parte daquilo que lhe cabe enquanto profissional. 
Laudo psicológico
O laudo psicológico trata-se de um documento fruto de uma avaliação 
psicológica, de maneira a embasar decisões em relação a demandas 
específicas. Tal documento é constituído por informações técnicas sobre 
procedimentos, devendo ser fundamentado com referências sobre o tema 
e baseado no código de Ética profissional. Sua estrutura é:
 • Identificação.
 • Descrição da demanda.
 • Procedimento.
 • Análise.
 • Conclusão.
 • Referências.
 • Encerrar incluindo, local, data e carimbo com assinatura do 
profissional e rubrica em todas as páginas.
No laudo é obrigatória a inserção das referências utilizadas como 
fonte científicas e referências bibliográficas do que foi utilizado. No 
procedimento, a descrição tanto de fontes fundamentais, como fontes 
complementares de informação devem estar detalhadas. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
41
Parecer psicológico
O parecer psicológico é um documento que visa à apresentação 
de uma análise técnica a respeito de uma demanda específica, com a 
finalidade de diminuir as dúvidas sobre questões-problema tanto no 
campo documental, como no campo de avaliação. Esse documento não 
é resultante de uma avaliação psicológica ou intervenção psicológica. 
Assim como no laudo, é importante citar as fontes científicas utilizadas, 
preferencialmente nas notas de rodapé. 
Esse documento tem a seguinte estrutura:
 • Identificação.
 • Descrição da demanda.
 • Análise.
 • Conclusão.
 • Referências.
 • Encerrar incluindo, local, data e carimbo com assinatura do 
profissional e rubrica em todas as páginas.
SAIBA MAIS:
O documento do Conselho Federal de Psicologia reflete 
sobre os tipos de documentos e suas finalidades e orienta 
sobre sua elaboração.Conselho Federal de Psicologia 
(2019). Resolução CFP 06/2019 comentada: Orientações 
sobre a elaboração de documentos escritos produzidos 
pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional. Brasília: CFP. 
Clique aqui.
Guarda de documentos decorrentes de 
Avaliação Psicológica
No sigilo das informações, fruto da avaliação psicológica, é essencial 
refletir sobre a guarda desses documentos, pois isso é uma postura ética 
esperada como conduta profissional (MÄDER, 2016). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2019/09/Resolu%C3%A7%C3%A3o-CFP-n-06-2019-comentada.pdf
42
Figura 18 - Gavetas para guardar documentos
Fonte: Freepik
A guarda de materiais, sobretudo aquela dos instrumentos que 
são restritos à prática psicológica é imperativa: todos os instrumentos e 
quaisquer formas de registro devem ser mantidos em sigilo, em armários 
com chave. É válido ressaltar que a depender da instituição em que 
ocorra o trabalho, essa informação pode erroneamente estar de fácil 
acesso a outras pessoas e profissionais, o que pode comprometer o sigilo 
do trabalho realizado, por isso reforça-se a necessidade do cumprimento 
dessa orientação (MÄDER, 2016).
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
43
RESUMINDO:
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo, 
tudinho? Agora, só para termos certeza de que você 
realmente entendeu o tema de estudo desse capítulo, 
vamos resumir tudo o que vimos. Você aprendeu que há 
diferentes documentos psicológicos e a preocupação e 
formatação dos mesmos depende de uma norma vigente. 
A normatização quanto à elaboração de documentos 
psicológicos mudou ao longo do tempo, acompanhando 
não só as mudanças na profissão, mas também uma 
demanda de garantia ética e técnica por parte dos 
profissionais. A elaboração de documentos implica 
numa responsabilidade profissional técnico-científica e 
ética, contemplando as orientações do Código de Ética 
Profissional e daquilo que é estabelecido pelo Sistema 
Conselhos. Para cada tipo de documento há uma estrutura 
pertinente e a finalidade de cada tipo também é norteadora 
das informações que devem ser ali contidas. Embora, 
por vezes, haja a articulação com outros profissionais, é 
importante o psicólogo manter o que é privativo de sua 
função mesmo na confecção desses documentos.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
44
Devolutiva de Avaliação Psicológica
OBJETIVO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
como é realizada uma devolutiva de Avaliação Psicológica, 
bem como seus principais fatores a serem considerados, 
seja o contexto em que ocorre essa avaliação seja 
as normativas vigentes. Isto será fundamental para a 
completude do seu trabalho de avaliação e importante para 
o objeto a ser avaliado. E então? Encorajado a compreender 
e capacitar-se para uma finalização adequada do processo 
desse trabalho? Vamos juntos conhecer um pouco mais da 
devolutiva nessa área!
Etapas do processo de Avaliação 
Psicológica
O processo de Avaliação Psicológica é composto por seis etapas, a 
exemplo do que o Conselho Federal de Psicologia estabelece (CFP, 2018):
1. Entrevista clínica – é nessa primeira etapa que o profissional 
psicólogo realiza uma entrevista a partir da utilização de roteiros, 
cuja finalidade seja compreender qual o motivo da demanda por 
avaliação, além disso é um momento importante para a obtenção 
de informações fundamentais para a aplicação da bateria de 
testes a serem selecionados para compor a avaliação.
2. Bateria de testes – é nesse momento que o psicólogo, a partir 
das informações obtidas por meio da entrevista inicial, definirá os 
testes a serem utilizados, respeitando a demanda apresentada e 
verificando a compatibilidade com o objeto analisado. 
3. Administração, pontuação e interpretação de testes – nesse 
momento ocorre a aplicação dos testes e demais instrumentos a 
serem utilizados, de acordo com o que foi planejado. O psicólogo 
corrige e verifica os resultados obtidos. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
45
4. Integrar e conceituar informações coletadas – é nessa etapa que o 
profissional de psicologia reúne todas as informações de maneira 
a articular o que foi observado e avaliado para a elaboração de um 
documento, a exemplo do relatório psicológico. 
5. Relatório de avaliação psicológica – tal relatório deve ser estabelecido 
de acordo com as diretrizes do Conselho Federal de Psicologia 
em suas normas vigentes e respeitando o seu caráter técnico e 
científico, além dos princípios éticos. É de extrema importância ser 
considerado também o caráter dinâmico da avaliação. 
6. Feedback – aqui o psicólogo faz a devolutiva ao cliente sobre os 
resultados obtidos na avaliação. Uma das formas para que isso 
seja realizado é por meio da entrevista devolutiva. 
Figura 19 - Etapas da avaliação psicológica segundo CFP (2018)
Bateria de TestesEntrevista clínica
Integração /
conceitualização
Administração
Feedback
Relatório de 
Avaliação
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
Entrevista devolutiva
Pellini e Leme (2011) destacam a Resolução nº 01/2002, que discute 
também o papel da Avaliação Psicológica em concursos públicos e outros 
processos seletivos e, nesse contexto, enfatizava a importância de uma 
entrevista devolutiva como sendo direito do indivíduo ser informado sobre 
os serviços prestados pelo profissionalda Psicologia, além disso, ser um 
direito ter acesso aos resultados obtidos a partir da avaliação. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
46
Figura 20 – Profissional em entrevista devolutiva com o cliente
Fonte: Freepik
Conforme apontado por Pellini e Leme (2011), o próprio Código 
de Ética Profissional discute o quesito da devolutiva já no seu artigo 1º, 
resumidamente, têm-se as seguintes informações: 
 • Transmitir o que é de direito ao usuário para tomada de decisões 
(alínea g).
 • Orientar a quem de direito sobre os desdobramentos, como 
exemplo,encaminhamentos do serviço prestado, fornecendo 
quando solicitado documentos pertinentes ao trabalho (alínea h). 
É considerada entrevista devolutiva aquela que é resultante de um 
processo de avaliação psicológica, a considerar determinantes históricos 
e sociais, bem como os seus efeitos sob o indivíduo. O profissional deve 
atuar e se preocupar não só sob o indivíduo mas sob esses condicionantes. 
A respeito do tipo de linguagem utilizada em uma devolutiva 
envolvendo outros profissionais, cabe diferenciar a postura do profissional 
psicólogo nesse contexto, conforme apontado no Quadro 4. 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
47
Quadro 4 – Linguagem adotada pelo profissional psicólogo em devolutiva, 
a depender do contexto no qual se insere segundo Pellini e Leme (2011)
Tipo de profi ssional Linguagem adotada
Entre colegas 
psicólogos
Podem ser utilizados termos técnicos e referenciar as fontes 
utilizadas. 
Outros profi ssionais
Rever os pontos da avaliação de maneira acessível, mas deve 
haver a preocupação em resguardar o sigilo. 
Fonte: Elaborado pelos autores (2021).
A devolutiva pode ser realizada como oriunda de solicitação de 
várias áreas de atuação e, independente da área, é importante esclarecer 
o trabalho realizado e os motivos envolvendo a atuação, bem como, o 
profissional deve estar atento aos impactos que essa avaliação pode 
causar ao cliente e o contexto mais amplo do qual ele participa (PELLINI; 
LEME, 2011). Para cada área/contexto em que ocorre a devolutiva, faz-se 
necessário destacar que há de se considerar diferentes formas e ênfases 
na devolução. 
Pode ocorrer também casos em que a devolutiva ocorre em 
contexto escolar. Nesse campo, é sempre importante selecionar o 
tipo de informação que é transmitida durante a devolutiva, havendo a 
preocupação em trabalhar questões no campo pedagógico e facilitar a 
linguagem, realizando o trabalho de maneira acessível aos envolvidos 
(PELLINI; LEME, 2011).
Figura 21 – Contexto escolar
Fonte: Freeimages
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
48
Nas devolutivas realizadas no âmbito jurídico, por exemplo, por 
vezes a comunicação é feita diretamente para operadores do direito. 
Nesses casos, é importante avaliar a forma com que as informações 
chegam e o tipo de informação que deve ser transmitida a esse outro 
profissional (PELLINI; LEME, 2011). 
Em alguns casos, é válido destacar que o profissional deve se abster 
de fornecer e realizar uma devolutiva de maneira direta ao indivíduo 
avaliado, o que pode também entrar em conflito com os princípios éticos 
e diretrizes de conduta no seu exercer profissional. No entanto, em 
situações como essa, o trabalho do psicólogo quando atrelado ao Poder 
Judiciário deve atentar-se e responder em primeira instância a demanda 
estabelecida judicialmente (WILLIAMS; CASTRO, 2016).
Em contexto de recrutamento e seleção, é sempre importante na 
devolutiva enfatizar as características do cargo, bem como as técnicas 
exigidas e empregadas cabíveis a esse contexto. Para tanto, isso deve 
ser realizado com o cuidado de não expressar ao indivíduo que suas 
características implicam em um problema para a empresa ou para a 
vaga em questão, entretanto, deve-se discutir o perfil necessário para 
essa contratação ou uma indicação positiva para o preenchimento nessa 
seleção (PELLINI; LEME, 2011).
SAIBA MAIS:
O livro a seguir discute sobre Avaliação Psicológica, 
contemplando a atuação profissional no âmbito das 
organizações e sobre os principais temas pertinentes a 
esse contexto de avaliação. 
HUTZ, C. S.; BANDEIRA, D. R.; TRENTINI, C. M. (orgs.). 
Avaliação Psicológica no contexto organizacional e do 
trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2015.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
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Figura 22 – Contexto de recrutamento e seleção
Fonte: Freepik
Independente da área em que ocorra a avaliação e o processo de 
devolutiva, é imprescindível prezar e promover o crescimento do indivíduo. 
Sempre que solicitado e de acordo com o Código de Ética Profissional 
(010/2005) a devolutiva deve ser fornecida por escrito quando solicitada 
(PELLINI; LEME, 2011). 
Outros contextos também podem fazer parte da avaliação, como 
em contextos de habilitação para CNH ou na área da clínica e da saúde. 
O momento de transmissão da informação pode ser feito tanto durante o 
atendimento, como na situação clínica, ou ao final do processo, como no 
contexto de trânsito ou de um concurso (PELLINI; LEME, 2011). 
Sobre as informações e formas de realização dessa devolutiva, é 
dever profissional avaliar quais as informações serão documentadas, 
sempre contemplando qual a situação e o contexto envolvido, os 
objetivos, a fundamentação e atentando-se para os cuidados éticos e 
técnicos nessa tarefa, afinal deve-se ter preocupação primordial com o 
sigilo das informações (PELLINI; LEME, 2011). 
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
50
SAIBA MAIS:
Vídeo do Conselho Federal de Psicologia sobre Entrevista 
Devolutiva, o qual discute a entrevista devolutiva a partir 
da Resolução nº 04/2019, uma das resoluções que debate 
a prática a partir do que é estabelecido nas diretrizes da 
norma. Acesse-o clicando aqui.
Entrevista devolutiva e normatização atual
Segundo a Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 
06/2019, no artigo 16 da Seção V que trata do destino e envio de 
documentos, é importante destacar que essa entrega deve ser realizada 
de maneira direta a quem de interesse (seja beneficiário, responsável 
legal ou mesmo o solicitante), mas que isso seja feito por meio de uma 
entrevista devolutiva. 
Ainda de acordo com tal resolução, deve-se manter o protocolo 
quanto a entrega de documentos na entrevista, solicitando a assinatura 
do solicitante no documento. A entrevista é uma maneira de esclarecer 
verbalmente o conteúdo do documento. 
Ainda que seja realizada a entrevista devolutiva e entrega de 
documentos envolvendo a assinatura do solicitante, como prova de que a 
recebeu, é de extrema importância a guarda de documentos em função 
da possibilidade de fiscalização por parte do Conselho ou mesmo em 
meio a uma solicitação de parte judicial (CFP, 2019). 
A Resolução nº 11/2018 do CFP versa sobre protocolos envolvendo 
o ambiente de tecnologia e recursos digitais de informação. Ainda que 
digital, a importância da assinatura é destacada. Caso seja impossibilitada 
a assinatura, faz-se necessário um protocolo digital, envolvendo o envio e 
confirmação do e-mail sobre a devolutiva dos documentos, para tanto o 
solicitante acusar recebimento.
Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico
https://www.youtube.com/watch?v=AHSELnoE4wk
51
SAIBA MAIS:
A Resolução nº 11/2018 discute sobre a prestação de 
serviços em Psicologia que são mediados por meio de 
tecnologia de informação e comunicação, as famosas TICs. 
Num contexto em que essas práticas têm avançado, é de 
extrema importância a atualização nesse quesito. Essa é a 
versão comentada da resolução que discute os principais 
pontos. Acesse-a clicando aqui.
Caso ocorra a tentativa de realizar a entrega de documentos 
oriundos da avaliação e entrevista devolutiva e isso seja impossibilitado, 
é recomendado, a partir da mesma resolução, detalhar o registro de 
tentativas de contato junto ao prontuário do indivíduo. Se for um prontuário 
digital, é imperativo o escaneamento dos documentos para

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