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Resumo de aula – Prof. Odair José Torres de Araújo 
1 
 
DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de teoria do Estado. São Paulo: Saraiva, 2003 (Pp. 51 - 118). 
 
ORIGEM E FORMAÇÃO DO ESTADO 
 
“O estudo da origem do Estado implica duas espécies de indagação: uma a respeito da época do 
aparecimento do Estado; outra relativa aos motivos que determinaram e determinam o 
surgimento dos Estados”. (p. 51). 
“A denominação Estado (...), significando situação permanente de convivência e ligada à sociedade 
política, aparece pela primeira vez em ‘O Príncipe’ de Maquiavel. 
Teorias sobre o aparecimento do Estado: 
a) O Estado sempre existiu. 
b) Sociedades humanas existiram sem a presença do Estado: o motivo do surgimento do 
Estado estaria ligado as necessidades e conveniências dos diversos grupos humanos. 
c) Estado teria surgido no século XVII: apresenta algumas características bem definidas. 
Formação originária do Estado: 
a) Formação natural ou espontânea. 
b) Formação contratual. 
Causas determinantes do aparecimento do estado (teorias não-contratualistas): 
- Origem familial ou patriarcal. 
- Origem em atos de força, de violência ou de conquista. 
- Origem em causas econômicas ou patrimoniais. 
- Origem no desenvolvimento interno da sociedade. 
Criação de Estado por formação derivada: 
- Fracionamento: quando uma parte do território de um Estado se desmembra e 
passa a constituir um novo Estado. 
- União: quando Estados se unem e passam se submeter a uma Constituição 
comum, desaparecendo os Estados preexistentes que aderiram a União, formando 
assim um “novo” Estado. 
- Formas atípicas: ocorrências imprevisíveis de formação do Estado. 
 
 
Resumo de aula – Prof. Odair José Torres de Araújo 
2 
 
EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ESTADO 
 
- Estado Antigo: as características centrais do Estado desse período são: natureza 
unitária e a religiosidade. (p. 62). 
- Estado Grego: A característica fundamental é a cidade-Estado, ou seja, a polis, 
como a sociedade política de maior expressão”. (p. 63). 
- Estado Romano: característica de cidade-Estado apesar das grandes conquistas 
territoriais. (p. 64). 
- Estado Medieval: presença do Cristianismo (Igreja forte) como fonte unificadora 
dos povos. Caracterizado pela fragmentação do poder e instabilidade política. (p. 
66-70). 
- Estado Moderno: apesar de não haver um consenso geral sobre as características 
desse modelo de Estado, fala-se muito em alguns elementos que o constituem tais 
como: povo, território, poder, finalidade, dentre outras características 
fundamentais. 
 
 
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO 
 
1. Soberania 
 
 O conceito de soberania é uma das bases do Estado Moderno (ver p. 74). 
 Somente no século XVI é que o conceito de soberania recebe um tratamento teórico 
sistemático, embora ele já comece a ser gestado, do ponto de vista da prática governamental 
(monarquias), no século XII e seguintes. (ver p. 76). 
 Jean Bodin (1576): “a soberania é o poder absoluto e perpétuo de uma República [leia-se 
Estado], palavra que se usa tanto em relação aos particulares quanto em relação aos que 
manipulam todos os negócios de estado de uma República” (p. 77). 
 Importante destacar que o conceito de soberania está ligado ao Estado, como um poder deste 
e não um poder do Governante. Este último faz uso da soberania, porque tratar-se-ia de um ente 
que está a frente dos negócios do Estado e a soberania seria um meio para transformar sua 
administração possível (ver p. 77). Aqui cabe destacar a noção de personalidade jurídica do 
Resumo de aula – Prof. Odair José Torres de Araújo 
3 
 
Estado. Porém, num Estado absolutista a soberania tende a se confundir com o próprio 
governante (monarca). 
 Três formas de encarar o conceito de soberania: 
a) Sentido Político: “Concebida em termos puramente políticos, a soberania expressava a 
plena eficácia do poder incontrastável de querer coercitivamente e de fixar as 
competências” (p. 80). 
b) Sentido Jurídico: “uma concepção puramente jurídica leva ao conceito de soberania como 
poder de decidir em última instância sobre a atributividade das normas, vale dizer, sobre a 
eficácia do direito” (p. 80). 
c) Sentido Culturalista: admite que os fenômenos do estado são indissociavelmentesociais, 
jurídicos e políticos (Miguel Reale): entende “soberania como o poder de organizar-se 
juridicamente e de fazer valer dentro de seu território a universalidade de suas decisões 
nos limites dos fins éticos de convivência” (p. 80). 
 Características da soberania: consensualmente seriam: uma; indivisível; inalienável; e 
imprescritível. Outras características, segundo Sanzucchi, seriam: “a soberania é um poder 
originário, exclusivo, incondicionado e coativo” (p. 81). 
 
Justificação e titularidade da soberania: 
 
Justificação Titularidade 
Teorias teocráticas Monarca como representante de Deus 
 
Teorias democráticas 
O Povo; a Nação; o Povo concebido 
numa ordem integrante; Estado como 
personalidade jurídica. 
 
 Objeto e significação da soberania: é exercida sobre os indivíduos que são a unidade elementar 
do Estado (ver p. 83). 
 
2. Território 
 O conceito de território como elemento integrante da noção de Estado surge com o Estado 
Moderno (ver p. 89). 
 Aspectos fundamentais: 
Resumo de aula – Prof. Odair José Torres de Araújo 
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a) “Não existe Estado sem território” (p. 89); 
b) “O território estabelece a delimitação da ação soberana do Estado” (p. 90); 
c) “Além de ser elemento constitutivo necessário, o território, sendo o âmbito de ação 
soberana do Estado, é objeto de direitos deste, considerado no seu conjunto” (p. 90); 
 Limites territoriais: 
Dois problemas que não apresentam consenso teórico e, ao mesmo tempo, apresentam graves 
questões empíricas: 
a) A extensão do território sobre o mar: não há um consenso, podendo ser resultado de 
acordos unilaterais. Os interesses, atualmente envolvidos, são praticamente de natureza 
econômica (ver p. 92). 
b) A soberania sobre o espaço aéreo: não há um consenso, além disso, há problemas de 
ordem prática e outros ocasionados pelo desenvolvimento tecnológico (ver p. 93). 
Obs: Os problemas relacionados a uma delimitação territorial estão ligados ao Direito 
Internacional. A questão, porém, em destaque é que tal Direito nem sempre reconhecido por 
todos os Estados do Globo e, ao mesmo tempo, não há um organismo internacional dotado de 
reconhecimento jurídico e poder coativo capaz de impor decisões fins em questões dessa 
natureza. 
 
3. O Povo 
 O autor inicia este capítulo procurando delimitar o aspecto jurídico do conceito de povo. Para 
tanto, faz algumas distinções importantes, tais como as que se seguem: 
- População: mera expressão numérica (p. 95). 
- Nação: conceito surgiu no século XVIII expressão do povo como unidade 
homogenia (aspectos culturais no sentido antropológico do termo) (ver p. 95). 
 A noção jurídica de povo: estaria relacionada à noção de cidadania (ver p. 96-98). Os indivíduos, 
integrantes do povo, são dotados, em relação ao Estado e demais membros, de direitos e deveres 
(ver p. 98). 
 Três atitudes em virtude do vínculo jurídico entre Estado e os membros que formam o Povo: 
a) Atitudes negativas: subordinação dos indivíduos aos atos do Estado; 
b) Atitudes positivas: direitos dos indivíduos em relação ao Estado; e obrigação do Estado de 
protege-los. 
c) Atitudes de reconhecimento: cidadão ativo (eleitor; jurado; etc.). 
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 “Deve-se compreender como povo o conjunto dos indivíduos que, através de um momento 
jurídico, se unem para constituir o Estado, estabelecendo com este vínculo jurídico de caráter 
permanente, participando da formação da vontade do Estado e do exercício do poder soberano” 
(p. 100). 
 
4. Finalidade e funções do Estado 
Não há consenso em relação a finalidade enquanto elemento constitutivo do Estado: 
Kelsen:para este autor o estudo do Estado deve ser restringir ao campo técnico-jurídico. 
Finalidade do Estado seria uma questão política e não de investigação teórica. (p. 102). 
Mortati: Finalidade do Estado seria algo demasiado genérico. (p. 102). 
Gropali: para este autor o Estado teria sim uma finalidade: ordem, bem-estar e o progresso (p. 
103). 
 
Algumas classificações teóricas quanto a finalidades do Estado: 
Classificação Geral: 
*Fins objetivos do Estado (p. 103): 
- Fins universais. 
- Fins particulares. 
*Fins subjetivos do Estado (p. 104): 
- Encontro da relação entre os Estados e os fins individuais (p. 104). 
 
Relação do indivíduo com o Estado: 
*Fins expansivos: anulação do indivíduo (p. 104): 
a) Utilitárias: bem supremo seria o máximo desenvolvimento material 
b) Ética: Estado como fonte moral, onipotente e onipresente. 
*Fins limitados (p. 105): 
- Estado é visto como vigilante da ordem social. 
*Fins relativos (teoria solidarista) (p. 106): 
- Vida do estado: conservar, ordenar e ajudar. 
Outra classificação (p. 107): 
*Fins exclusivos/fins essenciais 
*Fins concorrentes/fins complementares ou integrativos. 
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Visão de Dallari (p. 107): 
Finalidade do Estado seria: busca do bem comum de um certo povo, situado em determinado 
território. 
 
5. O Poder do Estado 
 Algumas características importantes do poder do Estado: “Diz então que, no Estado, o poder se 
reveste de características que não são encontradas em outro lugar, a saber: seu modo de 
enraizamento no grupo lhe dá uma originalidade que repercute na situação dos governantes e sua 
finalidade o liberta da arbitrariedade das vontades individuais; seu exercício, enfim, obedece a 
regras que limitam seu perigo” (p. 109). 
 “Para a maior parte dos autores o poder é um elemento essencial ou uma nota característica do 
Estado. Sendo o Estado uma sociedade, não pode existir sem um poder, tendo este na sociedade 
estatal certas peculiaridades que o qualificam, das quais a mais importante é a soberania” (p. 110). 
 “Enquanto que uma corrente doutrinária pretende caracterizar o poder do Estado como poder 
político, incondicionado e preocupado em assegurar sua eficácia, sem qualquer limitação, uma 
diretriz oposta qualifica-o como poder jurídico, nascido do direito e exercido exclusivamente para 
consecução de fins jurídicos” (p. 111). 
 A constatação empírica, porém, é a de que no Estado se verifica tanto a manifestação de um 
poder político quanto jurídico. Não há a necessidade de oposição conceitual, até porque é possível 
notar uma relação de dependência quanto ao exercício dos dois poderes! 
 
 
CONCEITO DE ESTADO 
 
A análise sobre o conceito de Estado segue, segundo Dallari, duas orientações: noção de força e 
natureza jurídica. 
Duguit: “Estado como uma força material irrestivível, acrescentando que essa força, atualmente, é 
limitada e regulada pelo direito” (p. 116). 
Raneletti: “menciona um uma prévia noção social de Estado, segundo a qual este é um povo 
fixado num território e organizado sob um poder supremo originário de império, para atuar com 
ação unitária seus próprios fins coletivos”. 
Jellinek: noção jurídica do Estado: corporação territorial dotada de um poder originário (p. 117). 
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Hans Kelsen: Estado seria uma ordem coativa normativa da conduta humana (p. 118). 
Dallari: “Estado seria uma ordem jurídica soberana que tem por fim o bem comum de um povo 
situado em determinado território” (p. 118).

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