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2 UNIDADE 3 1.0 INTRODUÇÃO À PARASITOLOGIA HUMANA 1.1 CONCEITOS GERAIS EM PARASITOLOGIA - Os parasitas pois possuem diversas formas de transmissão. E podem causar doenças parasitárias. - A parasitologia é uma ciência que tem como base o estudo de organismos parasitas, seres que dependem de outros para sobreviver, retirando-lhes nutrientes, além das relações destes com seus referidos hospedeiros e o meio ambiente. - A parasitologia apresenta diversos ramos: a parasitologia médica, a parasitologia veterinária e a parasitologia agrícola. Aqui vamos estudar diferentes aspectos da parasitologia humana, assim como os das doenças parasitárias de grande importância médica. - Parasitismo = relação ecológica interespecífica, que ocorre entre indivíduos de espécies diferentes, se configurando como desarmônica, uma vez que quebra o equilíbrio metabólico de um dos organismos envolvidos (o hospedeiro), trazendo-lhe prejuízo, enquanto o outro organismo envolvido (parasita) se beneficia desta relação. - Alguns tipos de parasitismos: · Parasitismo obrigatório: É obrigatório, compreende aqueles organismos que desenvolvem um tipo de parasitismo no qual não são capazes de sobreviver fora de seus hospedeiros. Os parasitas podem até se manter no ambiente em suas formas encistadas (formas mais resistentes, como os cistos), porém, necessitam do hospedeiro para realizarem seu ciclo de vida na sua totalidade. · Parasitas facultativos: são aqueles que podem desenvolver seus ciclos de vida livres no ambiente, porém, eventualmente, são encontrados parasitando organismos vivos. - A grande maioria dos parasitas conhecidos estão englobados no grupo dos parasitas obrigatórios. - Hospedeiro: organismo que abriga o parasita. Ex.: o homem é hospedeiro de Ascaris lumbricoides. - Reservatório: qualquer organismo vivo ou matéria orgânica inanimada onde um parasita é capaz de viver e se multiplicar. - Vetor: veículo que transmite o parasita entre dois hospedeiros, pode ser sinônimo de transmissor. Pode ser classificado de duas formas: a. vetor biológico: é representado por um organismo vivo, como mosquitos que transmitem parasitas. b. vetor mecânico: representado por um veículo, como água ou alimentos, contaminado(a) com os parasitas. - Infecção: consiste na penetração e desenvolvimento ou multiplicação de patógenos de caráter microscópico. Pode se dar de forma biológica, quando ocorre a presença de agentes biológicos, ou por forma não biológica, quando se dá por meio de elementos químicos ou físicos. Existem as mais diversas vias de infecção, a saber: oral, cutânea, mucosa, genital, dentre outras. - Infestação: alojamento, estabelecimento e multiplicação de patógenos na superfície do corpo ou nas vestes do ser humano. - Profilaxia: conjuntos de ações que visam a prevenção, erradicação ou controle de parasitoses. - Alguns conceitos em saúde pública são igualmente importantes para compreendermos aspectos sobre as doenças parasitárias, sendo eles: · PREVALÊNCIA: proporção de uma população q tem a doença em um determinado intervalo de tempo; · INCIDÊNCIA: Número de casos novos de uma determinada doença registrados em um determinado intervalo de tempo. 1.2 TIPOS DE PARASITAS E HOSPEDEIROS - De acordo com sua localização no organismo parasitado, os parasitas podem ser classificados em: · ECTOPARASITAS: Aqueles que ocupam a superfície externa dos organismos e, portanto, conseguem realizar suas trocas gasosas diretamente com o ar; · ENDOPARASITAS: Localizam-se internamente ao organismo parasitado, geralmente alojados em cavidades ou tecidos. - Todos os seres de vida livre apresentam o seu habitat específico, que consiste no local adequado onde eles encontram capacidade de se desenvolver, de reproduzir e de sobreviver. No entanto, o habitat dos parasitas consiste em um organismo vivo (hospedeiro). Assim, existem três tipos de hospedeiros: 1. Hospedeiro definitivo: aquele que abriga o parasita na sua fase de maturidade ou atividade sexual. É onde o parasita se reproduz sexuadamente (aquela em que há formação e união de gametas); 2. Hospedeiro intermediário: aquele que apresenta o parasita em sua fase larval ou assexuada (aquela na qual não há gametas sendo formados); 3. Paratênico ou de transporte: nele o parasita não se desenvolve, permanece encistado (forma resistente do parasita). O hospedeiro não é capaz de destruir o agente parasitário, podendo transmiti-lo para outros organismos. Continua viável até atingir um novo hospedeiro. 1.3 TIPOS DE CICLOS BIOLÓGICOS -Ciclo biológico ou ciclo de vida dos parasitas todas as fases necessárias para que eles sejam transmitidos e se desenvolvam. Os parasitas apresentam um ciclo de vida, que compreende suas atividades vitais. - Muitos deles alternam entre seus ciclos de vida e por isso podemos classificar dois tipos de ciclos biológicos, de acordo com o número de hospedeiros necessários para que o ciclo se complete. · Ciclo homoxeno ou monoxeno: neste tipo de ciclo todos as etapas de vida do parasita necessitam apenas de um hospedeiro para ocorrerem. Exemplo: Ascaris lumbricoides. · Ciclo heteróxeno: Para que o parasita desenvolva todas as suas fases de vida é necessário mais de um hospedeiro. Quando são necessários dois hospedeiros, ele é chamado de dioxeno, como por exemplo, o ciclo de Taenia spp. Por outro lado, quando são necessários mais de dois hospedeiros, esse ciclo já passa a ser denominado polixeno, como o ciclo do cestódeo Dibothriocephalus latus. 1.4 INTERAÇÃO PARASITO-HOSPEDEIRO - O parasitismo consiste numa das relações que demonstra mais dependência de outros organismos. - Ao longo do processo evolutivo, estes organismos foram se adaptando de diversas formas para desenvolverem seus papéis ecológicos de parasitas, habitando diferentes hospedeiros através de diversos tipos de adaptações morfológicas, fisiológicas e biológicas: 1.4.1 Adaptações morfológicas - Ocorreram em partes do corpo ou até sistemas inteiros dos parasitas, a fim de desenvolverem a capacidade de se nutrirem dos hospedeiros. Podem ser do tipo: · Degenerações: Perda ou atrofia de órgãos ou aparelhos. Ex: pulgas e percevejos que perderam suas asas. · Hipertrofia: Aumento de alguns órgãos como os de proteção, resistência, fixação ou reprodução. - Exemplo: aumento de estruturas alimentares de insetos hematófagos para auxiliar na sucção do sangue do hospedeiro e o aumento de estruturas reprodutivas em alguns helmintos para gerar alta capacidade reprodutiva. 1.4.2 Adaptações Biológicas - Aquelas que permitiram aos parasitas ter maior sucesso reprodutivo e uma maior facilidade em perpetuar a espécie, até mesmo driblando as dificuldades para que atinjam o hospedeiro. São adaptações biológicas: · Capacidade reprodutiva: Alta produção de ovos, cistos e outras formas infectantes, na tentativa de sobreviverem e perpetuarem a espécie buscando novos hospedeiros. · Diversificação reprodutiva: Desenvolvimentos de diferentes estratégias reprodutivas, buscando tornar mais seguro e fácil o processo reprodutivo. Alguns ex são: hermafroditismo, partenogênese e esquizogonia. · Resistência ao hospedeiro: Capacidade de resistir aos ataques do sistema de defesa imunológica do hospedeiro. Exemplo: muitos helmintos conseguem resistir e até neutralizar a ação degenerativas dos sucos digestivos presentes no sistema digestório de seus hospedeiros. 1.4.3 Ação dos Parasitas sobre os Hospedeiros - Nem sempre a reação de parasitismos é tão maléfica a ponto de causar a morte de seu hospedeiro. A morte do hospedeiro também representa a morte do parasita, o que para ele não é vantajoso. Pois bem, é por isso que, na maioria das vezes, o parasita busca uma relação de equilíbrio (hospedeiro-parasito). - Quando esse equilíbrio é rompido por ações bastante diversas é que a doença parasitária se instala e o hospedeiro manifesta seu quadro sintomático. As ações patogênicas dos parasitas são muito variadas e vão desde ações mais leves, muitas vezes imperceptíveis, até ações mais prejudiciais. Os danos causados pelos parasitas podem ser diretos, quando provocadospor substâncias produzidas por eles; ou indiretos, quando são produtos das reações imunes do hospedeiro contra o parasita. - Existem alguns mecanismos pelos quais os parasitas agem em seus hospedeiros, são eles: · Ação irritativa: Quando ocorrem irritações no local parasitado, porém essas lesões não são graves. · Ação enzimática: Ocorre quando o parasita produz algum tipo de enzima capaz de degradar partes de tecidos para que, depois, ele possa assimilar essas partículas como alimento. · Ação traumática: Quando os parasitas provocam lesões consideráveis em órgãos ou tecidos do hospedeiro. · Ação espoliativa: Quando ocorre a perda de substâncias nutritivas por parte do hospedeiro. · Ação imunodepressora: O parasita libera substâncias q inibem a ação do sistema de defesa do hospedeiro. · Ação neoplásica: Ocorre quando o quadro de parasitose já pode ser considerado crônico e manifestações inflamatórias podem levar a formação de tumores malignos. 1.5 REAÇÕES DE DEFESA DO HOSPEDEIRO HUMANO A AÇÕES DE PARASITAS - O sistema imunológico humano lança mão de um conjunto de mecanismos utilizados para se defender de agentes parasitários, processo que se denomina resistência. Esta poderá ser total, quando o parasita não consegue se instalar, ou parcial, quando o parasita consegue se instalar, porém seu número se reduz bastante. - A resistência pode ser inata, quando independe de possíveis contatos anteriores com o agente infeccioso, ou adquirida, que ocorre na medida em que o hospedeiro teve contato com o agente infeccioso e conseguiu uma memória imunológica que vai atuar no combate posterior desse parasita, em um caso de possível reinfecção por esse parasita. - A resistência ocorre em vários níveis, que se configuram como barreiras químicas ou mecânicas de defesa, e se dá por meio de mecanismos morfológicos e fisiológicos do corpo humano, tais como: · Tegumento cutâneo: a pele humana atua como uma barreira mecânica, com atuação dos pelos, que acabam por dificultar a penetração de parasitas no organismo. Seu pH, levemente ácido, pode atuar na defesa contra estes agentes; · Cavidades revestidas por mucosas: é depositada uma grande quantidade de substâncias advindas de outras partes do corpo, entre elas estão vários ácidos. Nestas cavidades também ocorre uma alta produção de uma glicoproteína chamada mucina, que tem uma elevada viscosidade e é capaz de manter estas estruturas sempre úmidas, evitando assim a penetração destes agentes. Determinadas mucosas, como as do trato respiratório apresentam também especializações, chamadas de cílios, que estão em constante movimento, atuando na remoção de agentes físicos (poeira) e biológicos (bactérias, fungos, protozoários); · Fagócitos: células de defesa que têm ação fagocitária (capacidade de englobar e degradar os organismos invasores). São representados por células com alto potencial fagocitário, como os neutrófilos, eosinófilos e macrófagos. · Resposta inflamatória: é a resposta imunológica local, que envolve um complexo processo, geralmente acionado devido a danos provocados por agentes infecciosos. QD esse processo inflamatório é intenso, ocorre grande produção das células de defesa vistas na seção anterior e uma grande ação fagocitária delas. Pode ocorrer um processo de dor, rubor, calor e até o aumento do volume no local. QD o agente infeccioso é eliminado, e o processo inflamatório começa, chamamos essa inflamação de aguda. E se a ação dos organismos ainda perdurar por um tempo, passa a ser chamada de inflamação crônica. - Na maioria dos casos, os sintomas apresentados pelo hospedeiro humano não são suficientes para o diagnóstico da parasitose, sendo por isso empregadas algumas formas de detecção como: · PESQUISA VISUAL: Pode ser de caráter macro (piolhos e pulgas) ou microscópico (ovos de helmintos e cistos de protozoários). Essas estruturas podem ser encontradas em materiais clínicos como: - Sangue: por meio de exame direto ou a fresco; outro método é o de Strout; no método de esfregaço. - Fezes: pode ser realizado por meio do exame direto. Antes da análise, as amostras conservadas terão que ser submetidas a um método de concentração, a fim de separar os parasitos dos debris fecais. Essa separação pode se dar de três formas: método de Lutz; método de Faust; baermann-moraes; o método de sedimentação espontânea é o mais utilizado. · PESQUISA DE ANTÍGENOS PARASITÁRIOS: imunofluorescência direta e ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA), em nível fecal ou tecidual, a fim de detectar anticorpos específicos. 2.0 PRINCIPAIS GRUPOS DE ORGANISMOS DE INTERESSE PARASITOLÓGICO 2.1 NOÇÕES BÁSICAS DE NOMENCLATURA ZOOLÓGICA APLICADA À PARASITOLOGIA - Cada grupo de parasitas e suas espécies possuem escritas, para que sigam um padrão único. - O nome dado a determinada espécie é chamado pelo nome científico e ele tem regras básicas de escrita. - Existe um código de nomenclatura para nomear todas as espécies de acordo com regras de escrita específicas. - A importância desse código de nomenclatura e o porquê desses nomes científicos serem escritos em latim é tornar o nome de um parasita universal. Esse código evita confusões na nomeação desses seres por ser utilizado em todo o mundo. - Cada parasita conhecido hoje pela ciência foi nomeado por um cientista. Esse nome precisa ser baseado em regras de nomenclatura e cada grupo de organismos tem suas regras específicas. Temos então o código de nomenclatura zoológica, código de nomenclatura botânica, código de nomenclatura parasitológica, etc. - O nome da espécie sempre é binomial, ou seja, possui dois nomes; O primeiro é o gênero, escrito com a primeira letra maiúscula, e o segundo é o epíteto específico, escrito com letras minúsculas. 2.2 PRINCIPAIS GRUPOS DE IMPORTÂNCIA EM PARASITOLOGIA - Os animais que parasitam humanos estão reunidos em cinco grandes grupos, sendo: 1. Protozoa: seres unicelulares, dotados de diversas organelas, que desenvolvem suas funções vitais; 2. Platyhelminthes: chamados também de vermes achatados, são seres mais complexos; 3. Nematoda: compreendem os vermes com morfologia cilíndrica, ou vermes arredondados; 4. Achantocephala: vermes também cilíndricos, porém, diferenciados por apresentarem uma boca ou probóscide, repleta de pequenas adaptações ou ganchos que prendem o animal ao hospedeiro; 5. Arthropoda: representado pelos insetos e ácaros. - Estudo voltado para os parasitas representantes dos filos Protozoa, Platyhelminthes e Nematoda. - Os parasitas podem ser classificados grosso modo de acordo com sua forma de transmissão, visando assim um entendimento global dos relacionamentos deles com os seres humanos. - Os nomes das doenças causadas por parasitas seguem um padrão de nomenclatura que consiste no acréscimo do sufixo “ose” ou “íase” ao nome do gênero do agente causador da doença, como pediculose, giardíase. 3.0 ESTUDO DOS PROTOZOÁRIOS E PROTOZOOSES I - Esses representantes do reino protista são de grande interesse parasitológico. Isso porque os protozoários são seres unicelulares microscópicos, podendo assim se abrigar no interior das células do hospedeiro. Eles são heterotróficos, não são capazes de fabricar seu próprio alimento, necessitando se nutrir de outros seres. Esses organismos podem ser predadores ou filtradores, herbívoros ou carnívoros e parasitas, que compreendem os protozoários parasitas. - Os protozoários apresentam variações morfológicas, de acordo com a fase do ciclo de vida ou meio em que eles vivem, podendo ser esféricos, ovais ou alongados. Como são unicelulares, sua única célula apresenta organelas com funções importantes e vitais. Destacamos que a digestão destes organismos é intracelular (no interior), por meio de organelas chamadas de vacúolos digestivos. - Apesar de pequenos, esses seres são capazes de se locomover. A partir de estruturas derivadas do chamado citoesqueleto, que consiste em um sistema de organelas que sustenta a forma do organismo, eles possuem estruturas locomotoras como pseudópodes, flagelos ou cílios. - Os parasitas apresentam ciclos devida às vezes bem complexos. Isso não é diferente para os protozoários. dependendo da atividade fisiológica desempenhadas pelo parasita no atual momento de seu desenvolvimento, ele pode se apresentar de várias formas evolutivas distintas, sendo elas: · Trofozoíto: quando estão nessa forma evolutiva, os organismos desempenham todos as suas funções, geralmente tendo em vista um ambiente favorável ao seu desenvolvimento e reprodução; · Cisto: consiste em uma forma de resistência desenvolvida pelo protozoário parasita. O protozoário se encontra revestido por uma parede cística, na qual eles se encontram em inatividade metabólica. Podem permanecer nela até que o ambiente se torne favorável ao seu desenvolvimento completo. São geralmente encontrados em tecidos ou fezes de hospedeiros intermediários ou definitivos; · Oocisto: formas provenientes da reprodução sexuada de alguns protozoários parasitas. Apresentam um revestimento de uma parede cística resistente e estão geralmente presentes em fezes do hospedeiro; · Gametas: é a forma sexuada de algumas espécies de protozoários parasitas, sendo o gameta feminino chamado de macrogameta e o masculino de microgameta. - Os protozoários apresentam diferentes tipos de reprodução sexuadas e assexuadas. Dentre os tipos de reprodução assexuada, temos as seguintes: divisão binária, brotamento, endogamia e esquizogonia. - As doenças causadas por protozoários podem ser conhecidas como protozooses. 3.1 GIARDÍASE 3.1.1 Aspectos Gerais do Protozoário Giardia lamblia - Também conhecida como Giardia duodenalis, é um protozoário flagelado que parasita o intestino humano, apesar de também afetar outros animais. Durante seu ciclo de vida, ele possui duas formas: trofozoíto e cisto. Sua forma de trofozoíto tem um formato oval, em forma de uma pera, tendo sua face dorsal lisa e convexa, enquanto a face ventral é côncava e apresenta uma ventosa denominada disco ventral, que é responsável pela adesão do parasita à mucosa intestinal do hospedeiro. Ele possui ainda quatro pares de flagelos e dois núcleos em seu interior. Já a forma de cisto é oval, com dois ou quatro núcleos em seu interior, não apresenta flagelos nem disco ventral. - Os cistos são formas de resistência presentes nas fezes do hospedeiro contaminado. A reprodução destes parasitas ocorre assexuadamente por divisão binária, na qual ocorre duplicação do organismo, gerando dois indivíduos com o mesmo material genético. - Os trofozoítos desta espécie aderem à mucosa intestinal por meio de seu disco ventral e de movimentos flagelares, assim, estando lá aderido, se alimenta de partículas diminutas ricas em amido por meio do processo de endocitose. - Os trofozoítos desta espécie aderem à mucosa intestinal por meio de seu disco ventral e de movimentos flagelares, assim, estando lá aderido, se alimenta de partículas diminutas ricas em amido por meio do processo de endocitose. 3.1.1.1 Ciclo de vida - O protozoário Giardia lamblia é um parasita monoxeno, de ciclo biológico direto. A infecção ocorre por via oral, por meio da ingestão de alimentos ou água contaminados com cistos. Após isto, o desencistamento (“transformação” do cisto em trofozoíto) tem início no meio ácido do estômago e se completa a caminho do intestino delgado, onde ocorre de fato a transformação dele no trofozoíto. Uma vez nesse local, os trofozoítos se reproduzem por divisão binária longitudinal. O ciclo se completa pelo encistamento (formação do cisto) e eliminação do cisto para o meio externo, por meio das fezes do hospedeiro. - O ciclo se inicia com a ingestão de alimentos ou água contaminada, ou após contato com qualquer vetor que contenha os cistos do parasita (A). Em seguida, ao chegar ao meio ácido, no estômago, ocorre o início do processo de desencistamento e, ao chegar no intestino, o cisto completa seu desenvolvimento, transformando-se em trofozoíto (B). Dá-se, então, a partir desse momento, o processo de reprodução assexuada do trofozoíto, que ocorre por divisão binária. E, assim que ocorre uma ampla multiplicação das formas de trofozoíto no intestino, são produzidos também cistos (C). Estes cistos são então eliminados do hospedeiro nas fezes e permanecem no ambiente até encontrarem um novo hospedeiro para se desenvolverem reiniciando assim o ciclo. 3.1.1.2 Transmissão - A infecção do hospedeiro por este parasita se dá por via oral por meio da ingestão de cistos maduros. Estes cistos podem ser transmitidos por alguns mecanismos, tais como: Ingestão de águas sem tratamento e contaminadas com cistos; Alimentos contaminados por cistos; De pessoa para pessoa por meio de mãos contaminadas; Por sexo anal; Contágio com animais domésticos parasitados por espécies de Giardia semelhantes àquelas que parasitam humanos. 3.1.1.3 Mecanismos patogênicos e sintomatologia - Esses organismos têm uma capacidade incrível de se reproduzir rapidamente. Eles se mantêm agregados e, em alguns casos, formam uma espécie de “tapete” revestindo a mucosa intestinal, geralmente nas porções intestinais do duodeno e no jejuno, áreas que possuem modificações das paredes intestinais chamadas microvilosidades, que podem ser lesionadas ou atrofiadas em virtude da presença desses parasitas. Esse fato pode fazer com que a absorção de nutrientes nesta parte do intestino seja prejudicada, em especial a de substâncias como gorduras e vitaminas (A, D, E, K). - As manifestações clínicas variam desde pacientes assintomáticos até aqueles com sintomas evidentes. “Diarreia explosiva” é um sintoma. - Essa variabilidade de sintomas pode estar associada às características do parasita, como números de cistos, e do hospedeiro, como pH do suco gástrico, estado nutricional e resposta imune. 3.1.1.4 Diagnóstico - Para o diagnóstico clínico em crianças, observa-se os sintomas característicos, mas inespecíficos, como diarreia, insônia, náuseas, vômitos e dor abdominal. No entanto, para comprovação, é indicado um diagnóstico laboratorial que poderá ser parasitológico ou imunológico. - Para os testes parasitológicos deve-se realizar o exame de fezes do paciente, na tentativa de observar cistos ou trofozoítos. Por serem mais resistentes, os cistos sempre são encontrados. Já os trofozoítos são mais raros de se observar. - A forma das fezes pode ser um indicativo da forma evolutiva do parasita. Assim, nas fezes formadas, pode-se visualizar os cistos em preparação a seco, pelo método direto. - Nas fezes diarreicas podemos observar trofozoítos. Como eles são mais sensíveis do que os cistos, recomenda-se examinar o material fresco imediatamente após a coleta, para preservação deste organismo. O exame pode ser feito pelo método direto ou esfregaços corados pelo método da hematoxilina férrica. - Em casos mais crônicos, os exames permanecem negativos, apesar da presença do parasito no intestino. Então, nesse caso, faz-se necessário o diagnóstico pelo exame do fluido duodenal seguindo de biópsia jejunal, métodos muito invasivos e que, normalmente, requerem a realização de endoscopia. - Métodos imunológicos de diagnóstico. Para este fim, os mais utilizados são a imunofluorescência indireta e o método de ELISA. 3.1.1.5 Epidemiologia - Alguns aspectos devem ser considerados na epidemiologia dessa parasitose, como: essa doença pode chegar a níveis epidêmicos em regiões onde o tratamento de água é inexistente ou ineficiente; o encontro de espécies de Giardia semelhantes à G. lamblia em animais domésticos, bem como a possibilidade de algumas dessas espécies infectarem experimentalmente o homem, sugere a possibilidade da existência de reservatórios de Giardia para o homem; G. lamblia apresenta uma forma de cisto altamente resistente, além de ser resistente a processos de cloração da água; a giardíase é frequente em ambientes coletivos, como creches, internatos e enfermarias; alimentos consumidos crus ou que são mal higienizados. 3.1.1.6 Profilaxia - As medidas de prevenção para evitar a giardíase, de acordo com as formas de transmissão e a epidemiologia da doença, são: medidas de higiene pessoal básicas, tratamentode água e esgoto; identificar se animais domésticos como cães e gatos apresentam parasitas semelhantes à Giardia e tratá-los; tratamento precoce do doente e identificação da fonte de infecção. 3.1.1.7 Tratamento - Anteriormente, o tratamento era feito com a administração de furazolidona, Então, novos medicamentos têm sido indicados, sendo eles: metronidazol (Flagil), tinidazol (Fasigyn) e secnidazol (Secnidazol). Além disso, alguns anti-helmínticos do grupo dos benzimidazóis também podem ser utilizados. 3.2 Tricomoníase 3.2 Aspectos Gerais do Protozoário Trichomonas vaginalis - O Trichomonas vaginalis é o protozoário parasita causador de uma doença chamada tricomoníase. Ele afeta grande parte da população feminina mundial em idade reprodutiva (de 16 a 35 anos de idade). No entanto, esse parasita pode habitar tanto nas vias urinárias femininas quanto nas masculinas. - É apresentado apenas na forma de trofozoíto, não possuindo formas de cistos em seu ciclo de vida. Sendo polimórfico, pode ser ovoide ou elipsoide, com formato se modificando facilmente devido à ausência de estruturas de sustentação que lhe conferem rigidez. Mede de 10 a 30 micrômetros de comprimento e possui 4 flagelos livres, que partem de uma região chamada de canal periflagelar, além disso apresentam uma prega da membrana chamada de membrana ondulante. -Possuem um único núcleo grande e alongado, e inúmeros vacúolos em seu citoplasma, que armazenam diversos tipos de substâncias. Apresentam vesículas chamadas de hidrogenossomos. Vive habitualmente sobre a mucosa vaginal, assim como em outros órgãos do trato geniturinário do homem e da mulher. No homem já foi encontrado no prepúcio, na uretra e na próstata. - Sua nutrição ocorre por meio de partículas de glicose, frutose, maltose e glicogênio e, assim, obtidas a partir de carboidratos presentes nos órgãos que eles estão parasitando. São anaeróbios facultativos, desenvolvendo-se muito bem na ausência de oxigênio, por isso não conseguem viver muito tempo fora do hospedeiro, uma vez que também não apresenta formas de cisto, que são mais resistentes. 3.2.1 Ciclo de Vida - O ciclo de vida é monoxeno, desenvolve-se em apenas um hospedeiro. Ele só apresenta uma forma corporal, que é a de trofozoíto. Para que o parasita chegue até o seu hospedeiro definitivo, faz-se necessário um contato com fluidos de pessoas parasitadas, uma vez que, fora do hospedeiro, o tempo de vida de é bem reduzido. - A transmissão se dá por contato sexual direto com uma pessoa infectada. Em seguida, o parasita se reproduz no trato urinário masculino ou feminino. Alguns dos trofozoítos contidos nestes órgãos, ou em secreções vaginais ou prostáticas, podem passar para outro hospedeiro por via direta de transmissão, reiniciando assim o ciclo. 3.2.2 Transmissão - A tricomoníase pode ser classificada como infecção sexualmente transmissível (IST), pois uma das formas de transmissão é a relação sexual. O homem pode funcionar como vetor dessa doença. Também pode ocorrer por fômites (banho, roupas íntimas ou de cama, artigos de toalete, quando molhados ou úmidos) 3.2.3 Mecanismos patogênicos e sintomatologia -Esse parasita é considerado um dos principais patógenos do trato urogenital humano. - Para conseguir se nutrir do glicogênio que necessita, essa protozoário parasita secreta, no corpo do hospedeiro, uma série de aminoácidos, provenientes da metabolização dos seus hidrogenossomos. - Toda essa alteração que o parasita causa na vagina leva à produção de um corrimento vaginal característico chamado leucorreia. -Durante o ciclo menstrual, o número de parasitas e reações sintomáticas na vagina da mulher pode variar. - No homem, essa doença tem caráter mais assintomático. Nos casos sintomáticos, percebem-se algumas alterações, como pequenas escoriações na glande, que provocam a sensação de ardor em contato com a urina e durante o ato sexual. No homem, esse protozoário pode se localizar na bexiga e na vesícula seminal. 3.2.4 Diagnóstico - O diagnóstico clínico não é suficiente, uma vez que essa doença pode ser confundida com outras ISTs. Além do fato de que o T. vaginalis pode se autorevestir de proteínas plasmáticas do próprio hospedeiro, esse processo causa um tipo de camuflagem ao parasita, o que não permite que o sistema imune o reconheça como estranho, sendo, por isso, seu diagnóstico laboratorial essencial. 3.2.5 Epidemiologia - A perpetuação deste parasita depende da sobrevivência do hospedeiro humano, tendo em vista sua baixa resistência fora do corpo humano. Além disso, a taxa e prevalência da infecção no homem é bem inferior do que a da mulher. 3.2.6 Profilaxia - Como qualquer IST, o uso de preservativo masculino e feminino é a melhor prevenção para essa doença. 3.2.7 Tratamento - O parasita não se mostra sensível a antibióticos. Assim, os fármacos usados são os derivados de nitroimidazólicos, que atuam na formação de radicais tóxicos. - Os fármacos atuam nos hidrogenossomos de T. vaginalis, local onde eles são metabolizados e produzem um metabólito que parece afetar a síntese de DNA comprometendo, assim, o ciclo de vida do parasita. - O tratamento deve ocorrer de forma simultânea para parceiros sexuais. - Um outro membro da família Trichomonadidae é uma espécie considerada não patogênica, o que é importante para evitar diagnósticos errados. Estamos falando de Pentatrichomonas hominis, um protozoário flagelado, com ampla distribuição geográfica, com maior prevalência em regiões tropicais e que mede de 7 a 15 micrômetros. Habita o intestino da espécie humana. - A transmissão de P. hominis ocorre a partir da ingestão de alimentos e de água contaminada com fezes contaminadas (rota fecal-oral). Por serem difíceis de corar, esses organismos podem ser omitidos nas colorações permanentes e seu diagnóstico deve ser realizado nas fezes frescas por meio da observação da morfologia do parasita, utilizando como caracteres de diferenciação de T. vaginalis a membrana ondulante e o axóstilo. 3.3 AMEBÍASE 3.3.1 A diversidade das amebas - O complexo de amebas que utilizam o ser humano como hospedeiro é formado por protozoários do subgrupo Amoebozoa. Os organismos pertencentes a esse subgrupo são denominados amebas e se caracterizam por apresentar locomoção por meio de pseudópodes grossos e com extremidades arredondadas. - Os pseudópodes conferem a esses organismos uma forma irregular e assimétrica e sua única célula é provida basicamente de um núcleo central e diversos tipos de vacúolos. - Podem ser comensais ou parasitas e apresentam uma forma móvel, o trofozoíto, que desenvolve suas atividades vitais no trato gastrointestinal dos seres humanos. - A transmissão desses organismos ocorre por meio de água e alimentos contaminados por fezes contendo cistos. - A estrutura do núcleo de cistos e trofozoítos, assim como a forma do cisto, são diferentes para cada gênero de ameba, portanto, a sua identificação auxilia na diferenciação e no diagnóstico. - A diferenciação entre espécies de amebas é bem difícil, principalmente em amostras a seco. - As espécies de amebas que ocorrem no homem e podem ser confundidas com a espécie patogênica E. histolytica, são: · entamoeba hartimanni: esta espécie habita a luz (lúmen) intestinal, numa relação comensal, não patógena. O núcleo de seu trofozoíto é semelhante ao da E. histolytica, porém a estrutura do cisto se diferencia. · entamoeba coli:uma espécie comensal muito confundida com a E. histolytica. Características: núcleo da sua forma de trofozoíto com espessa cromatina, movimentação lenta e estágio de cisto com mais de oito núcleos. · entamoeba polecki: pode ser encontrada em animais como porcos e macacos, também pode ser observada no homem e sua morfologia é bem semelhante à da E. histolytica. Esse fato pode causar confusão e fazer com que o hospedeiro se submeta a um tratamento desnecessário, além disso, a principal característica distintiva é a presença de um só núcleo em sua forma cística. 3.4 ASPECTOS GERAIS DO PROTOZOÁRIO ENTAMOEBA HISTOLYTICA - A Entamoeba histolytica é a única espéciedo grupo das amebas que causa prejuízos à saúde do ser humano. Este protozoário apresenta diferentes formas em seu ciclo biológico ou ciclo de vida: · Trofozoíto: apresenta de 20 a 60 micrômetros de tamanho, geralmente apenas um núcleo, pouco nítido em formas vivas, mas bem visível em amostras coradas. Quando analisados a fresco, eles são ativos com seus pseudópodes grossos deslizando nas superfícies. No seu citoplasma, estão presentes vacúolos digestivos e restos de substâncias alimentares. Quando observados em microscopia eletrônica, esses organismos não apresentam organelas, como complexo de Golgi, retículo endoplasmático, centríolos ou microtúbulos; · Pré-cisto: consiste na fase intermediária do desenvolvimento entre a forma de cisto e a de trofozoíto, tem formato ovalado ou arredondado, apresenta diâmetro bem menor que o trofozoíto; · Metacisto: forma morfológica que apresenta vários núcleos (multinucleada), que emerge do cisto e dará origem aos trofozoítos assim que chegar ao intestino delgado; · Cistos: são estruturas esféricas ou ovais medindo de 8 a 20 micrômetros de tamanho, com núcleos bem visíveis e variando em número de um a quatro. Apresentam em seu citoplasma vacúolos de reserva contendo glicogênio em seu interior. 3.4.1 Ciclo de vida - E. histolytica é o agente causador da doença Amebíase e que esse parasita apresenta um ciclo biológico monoxeno, que é direto e bem simples. Nesse tipo de ciclo não há hospedeiros intermediários e a infecção se dá por via oral, pela ingestão do cisto por parte do ser humano, presente em água ou alimentos contaminados. - Os cistos passam pelo estômago, resistindo ao suco gástrico e sofrem desencistamento, com formação do metacisto, no final do intestino delgado ou início do intestino grosso. Em seguida, o metacisto sofre quatro e depois oito divisões, originando então oito trofozoítos, os quais migram para o intestino grosso a fim de colonizá-lo, reproduzindo-se assexuadamente por divisão binária e se fixando, então, na mucosa intestinal. - Em geral, eles ficam nessa mucosa alimentando-se de detritos e de bactérias sem causar prejuízos ao hospedeiro, sendo por isso chamados de comensais. No entanto, em certas circunstâncias, que ainda não são esclarecidas na literatura, podem desenvolver ações patogênicas, quebrando esse equilíbrio. Então, os trofozoítos (forma invasiva) invadem a mucosa intestinal e podem chegar à circulação e atingir outros órgãos, como o fígado, pulmões, rins e até cérebro. O ciclo se completa quando os trofozoítos sofrem desidratação e transformação nos cistos mononucleados, que sofrem sucessivas divisões, formando cistos tetranucleados, que são eliminados com as fezes formadas, não sendo encontrados em fezes liquefeitas. - O ciclo se inicia com a ingestão de alimentos ou água contaminada com cistos do parasita. Em seguida, ao chegar no intestino delgado, ocorre o início do processo de desencistamento e formação do metacisto, este se transforma em oito trofozoítos. Dá-se, então, a partir desse momento, o processo de reprodução assexuada do trofozoíto, que ocorre por divisão binária. Os trofozoítos podem se tornar invasivos e, consequentemente, se infiltrarem na mucosa intestinal. Nesse caso, poderão chegar à corrente sanguínea e atingir outros órgãos, tais como fígado, pulmões e cérebro. No intestino, os trofozoítos passam pelo processo de encistamento, no qual sofrem desidratação, dando origem aos cistos. Esses cistos são, então, eliminados do hospedeiro, por meio de suas fezes, até encontrarem um novo hospedeiro para se desenvolverem, reiniciando assim o ciclo. 3.4.2 Transmissão - A infecção do hospedeiro por esse parasita se dá por via oral a partir da ingestão de cistos maduros, presentes em água ou alimentos contaminados com fezes. Esses cistos podem ser transmitidos por meio de alguns mecanismos: ingestão de águas sem tratamento; alimentos contaminados por cistos; de pessoa para pessoa. 3.5 MECANISMOS PATOGÊNICOS E SINTOMATOLOGIA DA AMEBÍASE - A amebíase pode ou não apresentar manifestações clínicas. diversos fatores podem contribuir para que o trofozoíto mude de uma forma comensal para uma patogênica invasiva. O início desse processo invasivo ocorre quando o equilíbrio entre parasita-hospedeiro é rompido; em favor do parasita, temos, dois tipos de fatores que podem desencadear esse processo: fatores ligados ao hospedeiro; fatores ligados ao parasita. - O período de incubação da doença pode variar de 7 dias a 4 meses. As infecções causadas por esse parasita, na grande maioria, são assintomáticas. As formas sintomáticas da doença podem se manifestar por meio de colites disentéricas. - As complicações da amebíase intestinal são muito variadas. As mais comuns são perfurações e peritonite, hemorragias, colites pós-disentéricas e, mais raramente, estenose, apendicite e ameboma. - Nos casos mais graves, podem aparecer lesões intestinais com ulcerações na parede intestinal. Quando consegue chegar ao fígado, E. histolytica provoca lesões muito pequenas e múltiplas. Além disso, se a infecção alcançar os pulmões, pode formar um abscesso amebiano pulmonar. Em casos mais raros, desenvolve-se a amebíase cerebral. 3.5.1 Diagnóstico -O diagnóstico clínico da amebíase nem sempre é claro. Por isso, ele só pode ser considerado definitivo pelo encontro de formas evolutivas de E. histolytica nas fezes. - O diagnóstico laboratorial é realizado com fezes, soros e exsudados. Porém, o mais utilizado é o de fezes, que detecta cistos ou trofozoítos. 3.5.2 Epidemiologia - A incidência dessa doença é variável no mundo, podendo estar relacionada às precárias condições de higiene, educação sanitária e alimentação dos povos em países em desenvolvimento. 3.5.3 Profilaxia - As medidas profiláticas para amebíase, considerando suas formas de transmissão são as seguintes: medidas de higiene pessoal básicas; tratamento de água e esgoto; lavar bem e tratar todos os alimentos crus. 2.5.4 Tratamento - Os medicamentos utilizados no tratamento da amebíase podem ser divididos em três grupos: amebicidas que atuam na luz intestinal; amebicidas tissulares; amebicidas que atuam tanto no intestino como nos tecidos. 3.6 BALANTIDÍASE 3.6.1 Aspectos Gerais do Protozoário Balantidium coli - O Balantidium coli é considerado o protozoário parasita de maior dimensão já conhecido, medindo em média 60 micrometros. Os indivíduos dessa espécie apresentam a forma ovoide, porém, mais afilada na porção anterior, onde estão localizadas estruturas importantes: o perístoma, depressão da parede celular que conduz ao citóstoma, que atua na ingestão de partículas alimentares. - Esses organismos apresentam diversas organelas como vacúolos digestivos e pulsáteis, e dois núcleos, sendo um chamado de macronúcleo e outro de micronúcleo, que coordenada o processo reprodutivo do organismo. - O B. coli é o único parasita ciliado (que se locomove por meio de cílios) de humanos. Os cílios estão espalhados por todo o corpo do protozoário e seus batimentos coordenados fazem com que ele se locomova de forma rápida e direcional. Além disso, eles produzem correntes líquidas no meio, que dirigem partículas de alimento em direção ao citóstoma, onde se localizam diversos fagossomos que atuam na digestão. - A reprodução dessa espécie pode ocorrer de forma assexuada, por divisão binária, na qual o parasita se divide em dois, com características genéticas iguais; ou por brotamento, quando as células-filha aparecem como pequenas protusões que se destacam, progressivamente, da célula-mãe. Em certas condições, eles também podem desenvolver reprodução do tipo sexuada por conjugação, na qual os indivíduos permanecem conectados um ao outro pelo citóstoma. Essa conexão mantém-se por alguns minutos, propiciando o intercâmbio de material genético e, em seguida, os trofozoítos se separam. - Esses organismos se apresentam sob duas formas morfológicas no seu ciclo de vida: trofozoíto E cistos. 3.6.2 Ciclo de vida - Esse parasita habita o intestino grosso de seu hospedeiro. Ele não é capaz de penetrar nas mucosasintestinais quando essas estiverem sem nenhum ferimento anterior. - Quando a mucosa intestinal está lesionada, o B. coli é capaz de se instalar e levar ao desenvolvimento, no ser humano, da doença chamada balantidíase. - O ciclo de vida destes indivíduos é bem simples e do tipo monoxeno, ou seja, desenvolve-se apenas em um hospedeiro, que no caso é o humano. No ciclo de vida, a forma cística é ingerida por via oral a partir de alimentos ou água contaminada. Ao chegar no intestino, eles se desenvolvem em trofozoítos, formas infectantes que ficam alojadas em lesões do intestino grosso e lá eles se reproduzem de forma sexuada ou assexuada e são eliminados do corpo do hospedeiro por meio de suas fezes. 2.6.2.3 Transmissão - A Transmissão da balantidíase se dá pela ingestão das formas císticas do B. coli presentes em alimentos ou água contaminada, ou, por contato direto com hospedeiros contaminados com estes cistos e depois levando as mãos à boca. 2.6.2.3.1 Mecanismos patogênicos e sintomatologia da balantidíase - Esta doença pode ser assintomática, o protozoário permanece como um simples habitante do ambiente intestinal, sem produzir qualquer dano ou tornar-se patogênico. Ele pode penetrar na mucosa e até na submucosa intestinal já lesionada, produzindo lesões ainda maiores, do tipo necróticas. - Essas lesões variam desde uma simples hiperemia até ulcerações graves. Também podem ser encontradas zonas hemorrágicas. Raramente, em casos de pessoas com sistema imunológico deficiente, o parasita pode ser encontrado fora do intestino em órgãos como pulmões, peritônio e trato urogenital. Nas infecções pulmonares, o parasita pode alcançar este órgão por meio da corrente sanguínea ou do sistema linfático, ou mais dificilmente pela inalação direta de formas císticas do parasita. 2.6.2.4 Diagnóstico - O diagnóstico clínico é difícil de ser realizado, uma vez que a semelhança com a sintomatologia da colite amebiana e outras parasitoses intestinais é grande. Por isso, o exame laboratorial é essencial. O diagnóstico laboratorial é realizado pelo exame de fezes pelos métodos usuais. O parasita se cora intensamente em preparações de coloração permanente. 2.6.2.5 Epidemiologia - A balantidíase é uma doença cosmopolita, pois já foram registrados casos em várias partes do mundo. A transmissão por trofozoítos é mais rara, tendo em vista a sensibilidade dessas formas evolutivas à exposição ao meio externo. Na maioria das vezes, a infecção se dá pelos cistos, que podem resistir no meio em um período de até cinco semanas, quando no interior de fezes úmidas. 2.6.2.6 Profilaxia - Sua profilaxia limita-se aquelas utilizadas para a amebíase, como: medidas de higiene pessoal básicas; tratamento de água e esgoto; lavar bem e tratar todos os alimentos crus. - Como o porco é considerado por muitos estudos como reservatório natural da doença, ele deve ser tratado como potencial fonte de infecção para os humanos. 2.6.2.7 Tratamento - Os casos assintomáticos evoluem para uma cura espontânea. Porém, nas formas mais graves pode haver hemorragias, perfurações intestinais e desidratação, levando o paciente inclusive à morte. 3.7 MALÁRIA 3.7.1 Aspectos Gerais dos Protozoários do Gênero Plasmodium - Os parasitas do gênero Plasmodium são causadores da doença chamada Malária. Atualmente, são encontradas cerca de 150 espécies do gênero Plasmodium. Delas, apenas quatro espécies parasitam o homem. São elas: Plasmodium falciparum, Plasmodium vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale, sendo P. falciparum a espécie causadora da forma mais grave da doença. - As espécies desse gênero variam em tamanho, forma e aparência, de acordo com seu estágio de desenvolvimento dentro de seus hospedeiros. Eles apresentam diversas formas morfológicas, a saber: esporozoíto; criptozoítos; merozoítos; trofozoítos sanguíneos; microgametas; macrogametas; oocineto; oocisto. - Devido à grande quantidade de formas evolutivas, pode-se notar que o ciclo de vida dos parasitas do gênero Plasmodium é bem complexo e evolve mais de um hospedeiro. 3.7.2 Ciclo de vida - O ciclo de vida desses parasitas é heteroxeno, ou seja, se desenvolve com a presença de mais de um hospedeiro, sendo um deles o mosquito fêmea do gênero Anopheles, que atua como hospedeiro definitivo, pois é nele que ocorre a reprodução sexuada. - O hábitat do parasita varia de acordo com a fase do ciclo de vida dele no hospedeiro. No homem, onde se encontram na fase assexuada, os parasitas circulam na corrente sanguínea, infectando hepatócitos e eritrócitos, enquanto no interior dos insetos eles se desenvolvem na hemolinfa e nas glândulas salivares (fase sexuada). - O ciclo de vida desses indivíduos é complexo e inicia-se no hospedeiro humano (hospedeiro intermediário), quando os esporozoítos infectantes são inoculados no seu tecido epitelial pela fêmea infectada do inseto. - No hospedeiro inseto, que é o definitivo, ocorre o ciclo de vida sexuado ou esporogônico do parasita. - O ciclo de vida destes parasitas é bem complexo e envolve várias etapas de desenvolvimento, com diferentes formas corpóreas do parasita se desenvolvendo em diferentes tipos de hospedeiros. 3.7.3 Transmissão - Se dá por meio da picada da fêmea do mosquito do gênero Anopheles, contendo formas infectantes dos parasitas em suas glândulas salivares. Primatas não-humanos podem atuar como reservatórios desses parasitas. Apesar de rara, pode ocorrer a transmissão por meio de transfusão sanguínea. 3.7.3.1 Mecanismos patogênicos e sintomatologia da Malária - A malária pode ser considerada grave ou branda, dependendo das suas manifestações clínicas. Os sintomas e períodos de incubação variam de acordo com a espécies de Plasmodium e com a imunidade inata do paciente. Essa doença pode se desenvolver em alguns estágios: 1º Estágio: no qual a pessoa sente calafrios, palidez, fortes tremores, náuseas e até vômitos. 2º Estágio: também chamado de acessos maláricos, nesse estágio a pessoa sente dores de cabeça, febre alta, com intervalos cada vez mais regulares. - Os calafrios e febre alta são relacionados à esquizogonia sanguínea. Cada vez que os eritrócitos infectados se rompem liberando milhares de merozoítos no sangue, isso leva a um acesso malárico, caracterizado pela febre alta. Outros sintomas podem ser anemia, icterícia e pequenas hemorragias, as petéquias (ponto vermelho no corpo). - Se essa doença atingir o sistema nervoso central pode ocasionar a malária cerebral, podendo causar a manifestação mais grave da doença, podendo levar ao coma e até a morte. - A forma mais grave da doença é causada pela espécie Plasmodium falciparum e nela pode ocorrer aglutinação das hemácias, aumento do tamanho do baço (esplenomegalia), insuficiência renal, edema pulmonar ou comprometimento da função hepática. 3.7.4 Diagnóstico - O diagnóstico deve levar 1º em consideração se o paciente reside ou esteve em alguma área endêmica, além de saber se recebeu transfusões sanguíneas recentemente. Depois, deve-se investigar alguns sintomas como febre intermitente e anemia. - Para identificar se o paciente está com a doença ou não é necessário o diagnóstico laboratorial, que consiste na investigação de formas infectantes do parasita no sangue. 3.7.5 Epidemiologia - A malária afeta mais de 300 milhões no mundo anualmente, sendo a principal parasitose em áreas tropicais e subtropicais. Pode ser considerada endêmica em alguns lugares devido a incidência constante de casos no decorrer de muitos anos. Existem diversos níveis de endemicidade determinados por fatores que interferem na transmissão da doença, dentre os fatores estão: fatores biológicos; fatores ecológicos; fatores socioculturais econômicos e políticos. 3.7.6 Profilaxia - A profilaxia pode ser dar em diversos níveis: Individual; Quimioprofilaxia e Medidas coletivas. 3.7.7 Tratamento - Para um tratamento eficaz, é necessário um diagnóstico correto da doença, identificando em que fase do ciclo de vida o parasita se encontra, para uma maior eficácia dos medicamentos antimaláricos. - Medicamentos antimaláricospodem apresentar as seguintes ações: gametócitocida; esporonticida; esquizôntica tissular; esquizôntica tissular. 3.8 DOENÇA DE CHAGAS 3.8.1 Aspectos Gerais do Protozoário Trypanosoma cruzi - Dentre as espécies do grupo de tripanossomos que ocorrem nas américas, Trypanosoma cruzi é a mais importante do ponto de vista clínico, tendo em vista que é a causadora da doença de Chagas, uma doença que leva ao comprometimento cardíaco e/ou gastrointestinal. - T. cruzi é um parasita flagelado, ou seja, que possui flagelos como estruturas locomotoras. Em seu ciclo de vida esse parasita exibe formas morfológicas diversas, tais como: amastigotas; epimastigotas e tripomastigotas metacíclicas e sanguícolas). - O ciclo tripomastigotas > amastigota > tripomastigotas assegura a continuidade da infecção no hospedeiro vertebrado humano, bem como a propagação do parasitismo para outros órgãos e tecidos do corpo. 3.8.2 Ciclo de vida - O protozoário T. cruzi é considerado um parasita eurixeno, pois apresenta uma especificidade parasitária ampla, infectando diversas espécies de vertebrados, de aves e mamíferos. - O ciclo de vida desses indivíduos é do tipo heteroxeno e ocorre com a presença de um hospedeiro intermediário que, neste caso, são os triatomíneos, entre eles o inseto da espécie Triatoma infestans, conhecido popularmente como ba-rbeiro, o qual se infecta ao sugar o sangue de humanos ou de animais parasitados, que são os hospedeiros definitivos. No hospedeiro humano, encontram-se as formas intracelulares, enquanto no inseto vetor, as extracelulares. - O ciclo é reiniciado quando o inseto pica novamente um humano e libera suas fezes na pele humana, contendo essas formas infectantes. 3.8.3 Transmissão - A transmissão da doença de Chagas, causada pelo T. cruzi, classicamente se dá pela transmissão vetorial, ou seja, por intermédio do inseto vetor Triatoma infestans. - A principal forma de transmissão da doença de Chagas no Brasil está relacionada ao consumo de alimentos contaminados com as fezes do barbeiro. - A prevalência da doença de Chagas está diretamente associada à presença de seus vetores, os insetos triatomíneos hematófagos. A transmissão das formas infectantes do parasita também pode ocorrer, de forma mais rara, pelos seguintes meios: transfusão sanguínea e transmissão congênita. - Diversos animais silvestres podem ser considerados potenciais reservatórios do T. cruzi nas regiões brasileiras. 3.8.4 Mecanismos patogênicos e sintomatologia da doença de Chagas - As infecções geradas por essa doença tendem a ser assintomáticas, na maioria dos casos. Essa doença pode se apresentar em diversas fases no ser humano, são elas: fase aguda (sintomática ou assintomática); fase crônica assintomática (longo período assintomático); fase crônica sintomática (após permanecerem vários anos e estado assintomáticas, podem apresentar sintomas). 3.8.5 Diagnóstico - Na fase aguda da doença, os parasitas podem ser detectados por meio de exames de sangue a fresco, em gota espessa ou esfregaços, corados por Giemsa ou Leishman. - Na fase crônica da doença, também pode se empregar o xenodiagnóstico que consiste, em analisar insetos alimentados com sangue do paciente, verificar a presença de formas infectantes nas fezes deles. 3.8.6 Epidemiologia - O ciclo da doença, que antes se dava apenas com animais silvestres, incluiu o homem como hospedeiro. 3.8.7 Profilaxia - O controle da doença de Chagas consiste, no combate ao vetor, o inseto hematófago da espécie Triatoma infestans, chamado comumente de Barbeiro. - O tratamento da doença de Chagas por meio de vacinação, apesar de ainda estarem em fase de estudos, apresenta resultados que ainda se mostram pouco promissores. - Sugeridas medidas profiláticas, tais como: melhoria das habitações rurais, combate ao barbeiro, controle do doador de sangue, controle de transmissão congênita. 3.8.8 Tratamento - Apesar de não haver uma cura para a doença, deve-se diminuir de forma precoce ou eliminar a infecção e seus efeitos, na fase aguda da doença. SINTETIZANDO - A giardíase, causada por Giardia duodenalis e, também, a tricomoníase, doença parasitária que acomete boa parte das mulheres no mundo em idade reprodutiva. Caracterizamos a morfologia e fisiologia do seu agente causador, além de descrevermos como ocorre o seu ciclo de vida e os principais meios de transmissão desse parasita. - A amebíase, doença parasitária que afeta o intestino humano. O parasita E. histolytica apresenta diversos outros parasitas com morfologia semelhante a dele, sendo necessário conhecê-los a fim de evitar diagnósticos errôneos. Morfologia e fisiologia desse protozoário parasita, além do seu ciclo de vida e dos seus principais meios de transmissão. Epiidemiologia de doença causada por ele, que é chamada de amebíase, e das suas formas de profilaxia e tratamento. - Balantidíase, uma doença parasitária considerada cosmopolita, por ser registrada em diversas regiões do mundo. Ela pode ser negligenciada, devido à semelhança de sua sintomatologia com outras parasitoses, principalmente a amebíase. Os parasitas causadores desta doença são os únicos ciliados parasitas de humanos e suas dimensões são as maiores já registradas entre os demais protozoários parasitas. Aprendemos sobre o ciclo de vida desses parasitas, que é bem simples e envolve apenas o hospedeiro humano. Entendemos como se dá transmissão dessa doença, assim como seu diagnóstico e profilaxia e conhecemos um pouco sobre sua epidemiologia. - a Malária, característica de regiões tropicais e subtropicais úmidas, com um grande potencial de incidência em áreas endêmicas. Os parasitas causadores da malária pertencem ao gênero Plasmodium e podem ser de diferentes espécies, sendo a sua forma mais grave causada pelo P. falciparum. O ciclo de vida desses parasitas, que é bem mais complexo e envolve um mosquito do gênero Anopheles como hospedeiro intermediário. Entendemos como se dá transmissão dessa doença, assim como seu diagnóstico e profilaxia. Conhecemos também um pouco da epidemiologia dessa doença.