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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO CONTEXTO DA INCLUSÃO ESCOLAR ANA BEATRIZ GITSOS MORAES PORTO Rio de Janeiro 2019.2 ANA BEATRIZ GITSOS MORAES PORTO A IMPORTANCIA DA FAMÍLIA DO CONTEXTO DA INCLUSÃO ESCOLAR Orientadora: Márcia de Medeiros Aguiar Rio de Janeiro 2019.2 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Carioca, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho, à minha família, que me apoiou e me incentivou não me deixando desistir. Em especial, minha mãe Ana Cristina Gitsos e aos meus avôs maternos que juntos não mediram esforços para eu alcançar mais esta etapa da minha vida. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por ter me dado força e sabedoria para alcançar mais esta etapa da minha vida. A minha orientadora Márcia Aguiar por ter me orientado com muita dedicação, paciência e sabedoria. Agradeço a minha família que é a minha fortaleza e a razão pela qual me fez chegar até aqui. Agradeço também a minha amiga Luana Oliveira que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos da minha vida, que não me deixou desistir no primeiro obstáculo, que fez com que tudo se tornasse mais leve e alegre. Ao Tales que me estendeu a mão, me dando força e não me permitindo desistir. Muito obrigada a todos por torcerem por mim. RESUMO Este trabalho teve como objeto de estudo a importância da família no contexto da inclusão escolar. Perpassando por pontos primordiais para abordar tal assunto. Desta forma, é possível afirmar que a realização da pesquisa tem grande relevância e destaca- se por apontar a importância da relação família/escola para o processo de ensino- aprendizagem do aluno de inclusão. A partir das informações coletadas, constatou-se que a família é o primeiro contato que o aluno tem com a educação, pois transmite moral e valores primordiais para que a criança possa exercer futuramente o seu papel diante a sociedade. Já a escola exerce o papel de formar o aluno como sujeito crítico e pensante diante da sociedade. Ali são passados saberes socioculturais, com equidade entre os sujeitos. Perpassando por esses pontos, a pesquisa também aborda a importância da inclusão dos alunos com deficiência na classe regular de ensino, visando sempre a interação desses alunos com os demais alunos ditos “normais” para a sociedade. Logo, concluiu-se a importância que a relação família e escola tem no processo de ensino-aprendizagem doa alunos de inclusão. Palavras–chave: inclusão - ensino-aprendizagem - relação família/escola. SUMÁRIO Nº da página 1 – INTRODUÇÃO 6 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 10 3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 25 4 - CONCLUSÃO 36 5 - REFERÊNCIAS 38 6 – ANEXOS 39 6 1. INTRODUÇÃO Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), sob o tema A importância da família no contexto da inclusão escolar, tem o propósito de analisar e refletir sobre a importância do envolvimento da família nas atividades escolares, pois a união da escola e a família contribui no processo de ensino-aprendizagem dos alunos (PEREIRA, 2004; BATISTA et al, 2016.) Neste estudo, analisa-se as contribuições da parceria da família com a escola, visto que ambas funcionam como uma via de mão dupla, mesmo que tenham objetivos distintos, compartilham a mesma tarefa que é preparar o aluno para a vida sociocultural. Essa pesquisa foi realizada em instituições públicas e privadas com educadores do ensino fundamental, buscando compreender a importância da família no contexto da inclusão escolar e suas contribuições no desenvolvimento social e intelectual dos alunos, buscando também observar se as principais políticas e práticas de educação inclusiva estão sendo oferecidas e cumpridas de forma adequada. Além de compreender a relação e a influência familiar no desenvolvimento educacional dos alunos, o presente trabalho pode contribuir para que o docente possa também entender as atitudes e dificuldades encaradas pelos discentes no seu cotidiano escolar. 1.1. Objetivos 1.1.1. Objetivo geral: Compreender a importância do papel da família na inclusão escolar. 1.1.2. Objetivos específicos: Conceituar a história da inclusão no Brasil. Identificar as principais políticas e práticas de educação de educação inclusiva. Reconhecer o papel da família junto à escola no processo de ensino- aprendizagem do aluno de inclusão. 7 1.2. Justificativa No Brasil, segundo dados apresentados pelo Ministério da Educação (MEC) e o Censo Escolar da Educação Básica de 2018, as matrículas da educação especial nas classes comuns do ensino regular apresentaram um significativo crescimento que chegou a 1,2 milhões, obtendo um aumento de 33,2% em relação a 2014. Esse aumento foi influenciado pelas matrículas de ensino médio que dobraram durante o período. Considerando apenas os alunos de 4 a 17 anos da educação especial, podemos verificar que o percentual de matrículas de alunos incluídos em classe comum também vem aumentando gradativamente, passando de 87,1% em 2014 para 92,1% em 2018. A Lei nº 9.394 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) define no capítulo 5 a educação especial, visando assegurar o atendimento aos educandos com necessidades especiais e estabelece critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público, entre outros itens. O Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008, dispõe sobre ao atendimento educacional especializado. Trazer para o centro de discussões o conceito da importância da família na inclusão escolar e mostrar como a relação família/escola pode impactar diretamente no processo de desenvolvimento do aluno têm reflexo direto no processo de ensino- aprendizagem do discente. Assim, para um desabrochar, o aluno tem de ser entendido e atendido. As famílias devem entender que os alunos necessitam que elas sejam parceiras da escola, dando assim a assistência para o aluno com necessidades educacionais. Parte da família o desconforto de estar entrando em questões íntimas no ambiente escolar e sem contar com o tempo em que os pais disponibilizam aos seus filhos que, por muitas vezes, por motivos de trabalho acabam se distanciando e deixando de participar dessa realidade e formação do discente no âmbito escolar. Se a família não tiver a conscientização de que o aluno com necessidades educacionais deve ser acompanhado, ele encontrará dificuldade, tanto na socialização com os colegas como no processo de ensino-aprendizagem, tendendo a aumentar as dificuldades de acompanhar o desenvolvimento da turma. Desta maneira, essa distância e falta de diálogo das duas partes faz com que o aluno com necessidades educacionais fique assim mais inseguro e criando um bloqueio em seu desenvolvimento. 8 Como a produção científica tem como objetivo apropriar-se da realidade para melhor analisá-la e, posteriormente, produzir transformações, a discussão sobre a importância da famíliamaneiras de promover essa ligação. SPRI2: De parceria, de troca de conhecimentos. Deve informar os hábitos da criança, se houve algo que possa ter provocado uma mudança no comportamento, medicação, os tipos de terapias que está fazendo. Acompanhar os desafios da criança na escola, se informar como ela está aprendendo ou não etc. 35 SPU2: Primeiro, a família tem de entender que a escola é um dos espaços de aprendizagem. É entender que a escola é um dos momentos e não o único momento de inclusão, é um dos momentos da socialização. Agora, para isso, a família precisa entender que eles estão ali para somar, mas somar se eu, enquanto família, tiver uma postura de ajuda, de colaboração, de compreensão, de compartilhar os momentos. É trazer para escola momentos de inclusão que possam ser usados num ambiente escolar. Sendo assim, percebe-se que ambas as partes acreditam que a relação família e escola é muito importante para o desenvolvimento do aluno, pois quando se é estabelecida, o rendimento pedagógico do aluno apresenta resultados positivos e dá a ele mais vontade e segurança para aprender, não o deixando apreensivo diante do meio escolar em que está inserido. 36 4. CONCLUSÃO Esta pesquisa foi realizada buscando expor um tema que em muitas instituições acabam prejudicando o desempenho escolar e o processo de ensino-aprendizagem do aluno. Aborda também a importância da inclusão dos alunos com deficiência em turmas regulares de ensino, promovendo a interação dos mesmos com os demais alunos, pois, de acordo com a Lei 7.853 de 24 de outubro de 1989, que estabelece em seu art.1º, as normas gerais que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiências e sua efetiva integração social. Está presente em seu art. 2º, que cabe ao poder público e seus órgãos, assegurar as pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus diretos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao fazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade. Para a inserção de aluno nas classes de ensino regular, cabe à escola promover um espaço aconchegante para que o aluno se sinta acolhido e protegido. A escola é um lugar de formação do sujeito, pois é lá que o aluno aprende os valores culturais e sociais. Bem como a escola, o docente tem, em suas funções, a de incentivar e formar o aluno um sujeito crítico e pensante diante da sociedade. Faz-se importante à relação da família com a escola, em que as duas partes estejam presentes em ambos os espaços. É importante também que a família entenda que, para um aluno ter um bom desempenho pedagógico, ele precisa perceber que está sendo atendido e acompanhado não só pela escola, através das tarefas de casa, do seu dia a dia e das brincadeiras e festas oferecidas, mas também pela família. Já que a família e a escola implicam diretamente no desempenho pedagógico e na disciplina do aluno, entende-se que, se o aluno se sentir inseguro, poderá ter um resultado negativo em seu rendimento escolar, tornando-se também um aluno indisciplinado. O presente tema teve como relevância pontuar fatores importantes para o crescimento e desenvolvimento integral do discente, fazer pensar na forma em que é trabalhado e transmitido o conhecimento e conteúdo oferecido nas escolas para os alunos com necessidades educacionais especiais, pois é direito ter um atendimento especializado com materiais adaptados de acordo com as necessidades. De acordo com as entrevistas realizadas, a pesquisadora pode perceber que os pais, quando matriculam seus filhos numa instituição de ensino, espera que os alunos 37 sejam atendidos de acordo com suas necessidades, de forma que os alunos aprendam não só os conteúdos, mas também a ter um convívio social com outras pessoas, por meio de regras e de limites impostos no ambiente escolar, pontua também a importância da troca entre a família e a escola; a família sendo o primeiro contato que o aluno tem com o meio social, com a função de transmitir valores primordiais na formação do sujeito perante a sociedade e a escola como o ambiente onde haverá o convívio de todos os sujeitos, independente de suas particularidades. Pode-se afirmar que esta pesquisa atendeu os objetivos estabelecidos, uma vez que foi descrita a história da inclusão no Brasil, identificando as principais políticas e práticas de educação inclusiva e reconhecendo o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão. Também foi afirmada a hipótese construída, visto que o envolvimento dos pais nas atividades escolares auxilia no bom desenvolvimento pedagógico do aluno, isto é, a parceria família e escola tem de ser vista como uma via de mão dupla, mesmo que ambas tenham objetivos distintos, compartilham da mesma tarefa que é preparar o aluno para a vida sociocultural. Portanto, é importante que a família esteja cada vez mais presente na vida escolar do aluno, participando e possibilitando ao mesmo novas experiências, respeitando as ideias propostas no ambiente escolar. Logo, para que isso aconteça de forma natural, a sociedade precisa entender e acolher as crianças com deficiência, até porque ninguém é igual, todos têm suas necessidades. 38 5. REFERÊNCIAS BATISTA, Jullyane da Silva et al. A importância da família no processo ensino aprendizagem dos alunos das séries iniciais do fundamental. Editora realize. Natal, v.1, 2016. Disponível em: . Acesso em: fev.2019. DEIMLING, Natália Neves Macedo; MOSCARDINI, Saulo Fantato. Inclusão escolar: política, marcos históricos, avanços e desafios. In: Revista Eletrônica de Política e Gestão Educacional (Online), v. 12, 2012, p. 03 - 29. Disponível em: . Acesso em mar.2019. FERREIRA, Maria Cecília Carareto Ferreira; FERREIRA, Julio Romero. Sobre inclusão, políticas públicas e práticas pedagógicas. In: GÓES, Maria Cecília Rafael; LAPLANE, Adriana Lia F. Políticas e Práticas de Educação Inclusiva. 2 ed. Campinas: Autores Associados, 2004. p. 21 - 48. GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. MANTOAN. Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar. O Que É? Por Quê? Como Fazer? São Paulo: Moderna, 2015. PEREIRA, Esther Cristina. Escola e família - uma parceria que dá certo. Curitiba: Curitiba, 2004. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007. https://periodicos.fclar.unesp.br/rpge/article/view/9325/6177 39 6. ANEXOS 6.1. Questionário para os pais UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Prezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 40 I - IDENTIFICAÇÃO: PU1 Idade: 39 Escola pública ou privada? Pública II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: 1- Na sua concepçãoqual é o papel da escola para que a inclusão do seu filho aconteça efetivamente? A escola deve primeiramente cuidar do conforto básico a cadeirantes como rampas e banheiros acessíveis, a escola teria um ótimo papel na inclusão contendo ensino e divulgação sobre a diversidade humana, mostrando aos alunos que a diferença entre eles é normal, informação é a palavra chave para todos terem uma boa convivência. 2- No que a família deve colaborar para que o aluno de inclusão possa ser melhor atendido e acompanhado? Certamente passando todas as necessidades, dificuldades e passando todas as informações possíveis sobre o aluno, ser presente e ativo na vida escolar. 3- Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? Junto a escola acredito que seria a ESTIMULAÇÃO também fora do ambiente escolar, procurarem juntos compreender os limites de cada aluno e dar apoio, todos os alunos devem ser encorajados, porém os de inclusão precisam sempre de mais e o principal amor... 41 UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Prezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 42 I - IDENTIFICAÇÃO: PU2 Idade: 43 Escola pública ou privada? Pública II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: 1- Na sua concepção qual é o papel da escola para que a inclusão do seu filho aconteça efetivamente? A escola poderia resolver essas coisas sem a interferência dos pais. 2- No que a família deve colaborar para que o aluno de inclusão possa ser melhor atendido e acompanhado? Com pontualidade e assiduidade e ajudar o filho no dia a dia. 3- Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? A família deve estar sempre presente e ajudando os professores no que for possível. 43 UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Prezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 44 I - IDENTIFICAÇÃO: PR1 Idade: 35 Escola pública ou privada? Privada II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: 1- Na sua concepção qual é o papel da escola para que a inclusão do seu filho aconteça efetivamente? Ter profissionais especializados, oferecer material adaptado dentro das necessidades da criança e sempre manter o trabalho em equipe junto a direção e aos demais professores que o atendem. 2- No que a família deve colaborar para que o aluno de inclusão possa ser melhor atendido e acompanhado? É importante que a família reconheça se a escola está realmente preparada p receber esta criança caso esteja a família precisa respeitar o tempo dela dentro das necessidades. (tem pais q jogam a criança em horário integral na escola, muitas vezes isso se torna cansativo p criança e não produtivo). 3- Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? Participar tanto dentro da escola quando fora ajudando nas tarefar de casa e sempre dando dicas relacionadas à parte comportamental da criança para que a escola possa atendê-la da melhor forma. 45 6.2. Questionário para os discentes UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Prezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 46 I - IDENTIFICAÇÃO: SPRI1 Idade: 28 anos Formação completa: Ensino superior na Faculdade de Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Tempo de docência: 7 anos Escola pública ou privada? Privada II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: Entrevista para os Docentes 1 - O que é preciso para promover a inclusão de qualidade de modo a atender e assegurar todos os direitos do aluno com deficiência? Primeiro precisamos compreender o conceito de inclusão. O ato de incluir, perante a língua portuguesa, é adicionar coisas ou pessoas em grupos e núcleos que antes não faziam parte. Ainda que garantida na LDB (Lei de Diretrizes e Bases), a inclusão escolar deve ser entendida como um direito ao cidadão que garanta sua autonomia e seu desenvolvimento cognitivo. Conhecer e diagnosticar os alunos com deficiência, suas competências e habilidades para construir contextos de desenvolvimento que garantam a esses alunos confiança, autonomia e autoestima. Ações promovidas pela escola, tais como brincadeiras, gincanas, atividades que respeitem cada sujeito como único ao mesmo passo que promova essa inclusão social. Dito exemplo vivido em uma aula de educação física onde crianças deveriam arremessar uma bola. Cada ser é único e arremessou do seu jeito. Alguns com o pé, outros usando a cabeça e um aluno deficiente, com paralisia, com auxílio do professor que prendeu a bola em seu pescoço, arremessou a bola com alguns movimentos de levantar seu pescoço, a bola caiu concluindo assim o seu arremesso. Esse é um dos objetivos da inclusão, usar de projetos igualitários de ensino, acolhendo as experiências e aprendizados, respeitando as competências de cada criança. A escola como espaço físico precisa adaptar sua infraestrutura para receber alunos com deficiência. Como espaço pedagógico precisa capacitar profissionais da educação para este acompanhamento, atendimentos multifuncionais como uma sala de recurso dotada de materiais didáticos e pedagógicos e mobiliários que promova com condições de acesso e participação no ensino esse 47 atendimento educacional. Planejamento específico também assegura a inclusão pedagógica elaborado pela integração da equipeque atenda ao aluno, como o professor gestor e o professor das atividades multifuncionais. 2 - De que maneira a escola se faz importante para a interação do aluno de inclusão na sala de aula e na sociedade? A escola é o espaço onde a criança encontra o acolhimento que irá vivenciar por muitos anos de sua vida. A escola é o lugar onde a criança aprende a viver em sociedade. É ali que se multiplica o saber, exerce o pensamento crítico, compartilha as experiências. A educação inclusiva é essencial na formação e construção do caráter do indivíduo na primeira infância. Aprender a lidar com frustrações, limitações, vivenciar as diferenças e encontrar os obstáculos, conhecer o novo. É a Escola um lugar que se vive em sociedade, a criança não caminha só, ela vive neste ambiente repleto de estímulos, incentivos e aprendizados. 3 - Você considera importante a participação efetiva da família no âmbito escolar? Se sim, quais os benéficos que essa participação ocasiona no desenvolvimento do aluno com deficiência? Sim. Acredito que aproximar a família a participar ativamente do cotidiano escolar estimula o aprendizado com resultados positivos de aproveitamento escolar. Terceirizar a educação e colocar a responsabilidade sobre a escola dificulta no processo de desenvolvimento do aluno com deficiência. Alunos com deficiência se sentem apoiados e amados quando inicia dentro de casa o despertar pela leitura, escrita, além de estimular essa rotina. O apoio e o envolvimento da família são a motivação para que a criança busque seu desenvolvimento e evolução nos aspectos psicomotor, físico, intelectual, social e emocional, que envolvem o processo de aprendizagem. 4 - Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? Estimular, incentivar, participar e principalmente compreender as potencialidades e necessidades do aluno de inclusão. Unir o aprendizado dentro e fora do ambiente escolar, como estímulo a uma continuação no processo de ensino. Ligar uma vivência 48 do que foi desenvolvido e aprendido na escola para em casa instigar essa experiência vivenciando passeios, leituras ou outras maneiras de promover essa ligação. UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Prezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 49 I - IDENTIFICAÇÃO: SPRI2 Idade: 50 Formação completa: Pós-graduação em psicopedagogia Tempo de docência: 25 anos Escola pública ou privada? Privada. Os últimos seis anos na pública também. II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: Entrevista para os Docentes 1 - O que é preciso para promover a inclusão de qualidade de modo a atender e assegurar todos os direitos do aluno com deficiência? Professores flexíveis e com algum embasamento teórico, mediadores especializados, recursos pedagógicos, uma sala de recursos e boa vontade de todos. 2 - De que maneira a escola se faz importante para a interação do aluno de inclusão na sala de aula e na sociedade? A escola propicia relações sociais com seus parede pode ajudar no desenvolvimento dos inclusos. 3 - Você considera importante a participação efetiva da família no âmbito escolar? Se sim, quais os benéficos que essa participação ocasiona no desenvolvimento do aluno com deficiência? A parceria escola-família é importante para haver uma troca de conhecimentos e de experiência e para traçar os melhores caminhos e estratégias para o educando. Não sou a favor dos familiares serem os mediadores escolares dessas crianças, pois sobrecarrega os mesmos e algumas vezes podem interferir nas decisões da equipe pedagógica. 4 - Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? 50 De parceria, de troca de conhecimentos. Deve informar os hábitos da criança, se houve algo que possa ter provocado uma mudança no comportamento, medicação, os tipos de terapias que está fazendo. Acompanhar os desafios da criança na escola, se informar como ela está aprendendo ou não etc. UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Prezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 51 I - IDENTIFICAÇÃO: SPU1 Idade: 34 Formação completa: Pedagogia Bilíngue Libras/Português Tempo de docência: 6 anos Escola pública ou privada? Pública II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: Entrevista para os Docentes 1 - O que é preciso para promover a inclusão de qualidade de modo a atender e assegurar todos os direitos do aluno com deficiência? Para promover a inclusão deste aluno, é preciso: profissionais capacitados, materiais e recursos pedagógicos adaptados a tal deficiência, e por último, porém não menos importante, o apoio da família. Não basta a escola garantir a entrada desta criança, é preciso que esta, seja acolhida e atendida de modo a garantir seu desenvolvimento, tanto na sua formação acadêmica, com social. 2 - De que maneira a escola se faz importante para a interação do aluno de inclusão na sala de aula e na sociedade? O espaço escolar, muitas das vezes é o único lugar que a criança com deficiência frequenta, pois, muitas famílias têm dificuldades em promover a ida destes a outros espaços. Por isso é de extrema importância que a Escola receba este aluno, lhe garantindo interação em sala e socialmente. 3 - Você considera importante a participação efetiva da família no âmbito escolar? Se sim, quais os benéficos que essa participação ocasiona no desenvolvimento do aluno com deficiência? Sim, é fundamental o apoio da família, pois ela quem garante que este aluno estará frequentando o espaço escolar, não adianta termos uma escola com profissionais e 52 todos os recursos necessários para o atendimento do aluno, e a família não o levar para escola, não participar das atividades. Escola e família devem trabalhar juntos, para garantir que o atendimento da criança com deficiência seja proveitoso e dê resultados. 4 - Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? Acredito ter respondido está questão junto a resposta anterior. 53 UNICARIOCA CURSO DE GRADUAÇÃO EM PEDAGOGIA TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSOPrezado(a), Convidamos você a participar de uma pesquisa acadêmica sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. O relatório de pesquisa intitulado A importância da família no contexto da inclusão escolar é desenvolvido por Ana Beatriz Gitsos Moraes Porto, aluna do Curso de Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca, orientada pela professora Marcia de Medeiros Aguiar. Contamos com sua participação que contribuirá para a compreensão do fenômeno estudado. Asseguramos que as informações que possam identificá-lo(a) serão omitidas na apresentação final dos resultados. Atenciosamente, Ana Beatriz Gitsos Graduanda em Licenciatura em Pedagogia da UniCarioca. Profa. Marcia Aguiar Professora orientadora do Curso de Pedagogia 54 I - IDENTIFICAÇÃO: SPU2 Idade: 53 anos Formação completa: Doutorado incompleto que irei defender no fim do ano. Tempo de docência: 37 anos de magistério Escola pública ou privada? Pública II - ROTEIRO DA ENTREVISTA: Entrevista para os Docentes 1 - O que é preciso para promover a inclusão de qualidade de modo a atender e assegurar todos os direitos do aluno com deficiência? Primeiro eu acho que tem que entender a inclusão não é apenas colocar as pessoas porque é uma forma de excluir. Promover a inclusão dos alunos com deficiência é permitir e dar a eles a oportunidade de ter o direito garantido de estudar, de aprender, de circular, de andar e de falar, direito de cidadão, direito como pessoa, como ser humano. E a escola não está preparada para isso, a escola não está olhando para isso, olha um discurso extremamente longe de uma realidade, de uma prática, de uma postura social, cidadã com o outro, com esse jeito, com esse outro aluno. Então, quando a gente fala dessa promoção da inclusão de alunos de deficiência, a gente pensa em uma coisa bem maior, o que é ter hoje um aluno autista, um aluno com deficiência motora numa da sala de aula, que tipo de atividades eu enquanto professor terei que proporcionar a esse aluno que tem o mesmo direto de que uma aluno “normal” na minha sala de aula, isso pra mim é inclusão, eu pensar a diferença na diversidade porque todos nós somos diferente, todos nos temos coisa diferentes para pensar, para posta, para falar, então assim, não a igualdade. E ai pensamos apenas numa coisa certinha e esquecemos de entender esse outro, que tem outras habilidade, outras sensações e a gente a vezes por fazer a coisa tão geral esquece de ver essa pessoa. Então, promover a inclusão pra mim é olhar essa singularidade na coletividade. 2 - De que maneira a escola se faz importante para a interação do aluno de inclusão na sala de aula e na sociedade? 55 De que escola você está falando? As escolas têm um discurso muito bonito, mas junto com esse discurso bonito da escola vem sempre as perguntas se o aluno já tem mediadora, se tem alguém que possa ficar com ele, se tem alguém que possa leva-lo ao banheiro, se tem alguém que possa ajuda-lo... E o que o professor faz? É claro e evidente que ele tem que dar conta de 20, 25 alunos, mas acho que em uma escola que abarca a inclusão, uma proposta extremamente inclusiva, cidadã, de primeiro momento eu não posso ter muitos alunos porque eu tenho que dar atenção à todos os alunos. Não só o aluno que traz uma deficiência, mas sim a todos os alunos que ali estão presentes. Então, a primeira proposta de uma escola cidadã é um número reduzido de alunos nas salas, ter uma proposta diferenciada na qual esse professor junto com a coordenação e direção elabore atividades que tragam esse aluno para viver coisas significativas durante o dia a dia, dar significado para esse ensino e para esse aluno. É para preparar esse aluno para a vida, parra a sociedade em que vive. 3 - Você considera importante a participação efetiva da família no âmbito escolar? Se sim, quais os benéficos que essa participação ocasiona no desenvolvimento do aluno com deficiência? A escola não vive sozinha, a escola precisa da família e a família precisa da escola. Quando se traz a família para a escola, você passa a ter um laço com a família, mas não é só para reuniões de pais e nas festividades. Quando eu tenho um aluno, eu tenho ali um pequeno ciclo familiar. E ter a família junto com a escola é um grande ganho pra ambas as partes. Para a escola porque a mesma entende a família, compreende o andamento daquela família e para a família quanto mais ela acompanha o andamento da escola mais ela entende o pedagógico, a proposta, as atividades, pode ajudar, pode auxiliar, pode complementar... Fazer a família como uma aliada, principalmente com a criança com deficiência. Conhecer o histórico principalmente dessa família é importante para que essa criança seja melhor acompanhada e que haja um melhor desenvolvimento e sempre andando junto com a família. 4 - Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? Primeiro, a família tem que entender que a escola é um dos espaços de aprendizagem. É entender que a escola é um dos momentos e não o único momento de inclusão, é um dos momentos da socialização. Agora para isso, a família precisa entender que eles 56 estão ali para somar, mas somar se eu, enquanto família tiver uma postura de ajuda. De colaboração, de compreensão, de compartilhar os momentos. É trazer para escola momentos de inclusão que possam ser usados num ambiente escolar.na inclusão escolar, além de aspecto prático muito relevante, reveste-se de importância para o meio acadêmico. Nesse contexto, a maior produção de estudos e conteúdos sobre a importância da família na inclusão escolar pode ser o início de um processo de transformação do papel da família para que o aluno seja acompanhado e atendido corretamente para que com isso ele possa apresentar progressos em seu desenvolvimento integral. Para o curso de Pedagogia e a área de conhecimento que envolve a inclusão, pesquisas e trabalhos sobre a importância da família na inclusão escolar são cada vez mais necessários e pertinentes. 1.3. Metodologia Essa pesquisa insere-se no modo de pesquisa qualitativa, pois, segundo Severino (2007), na abordagem qualitativa, pode-se adotar vários meios de pesquisa, fazendo-se referência a seus estudos do saber científico do que propriamente a aspectos metodológicos. Com relação aos fins da pesquisa, esse projeto caracteriza-se como pesquisa exploratória. Gil (2008) aponta que tal pesquisa tem como principal intuito desenvolver, esclarecer e modificar conceitos ou ideias, tendo em conta a concepção de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos decorrentes. Sendo assim, de todos os tipos de pesquisa, esta acaba sendo a que apresenta menor rigidez em seu planejamento. No entanto, tal tipo de pesquisa é desenvolvido com o objetivo de proporcionar uma visão geral, de tipo aproximativo, em relação a um determinado fato. Tendo como finalidade o processo de um problema mais esclarecido, sujeito a apuração mediante métodos mais sistematizados. Essa pesquisa contará com procedimentos como pesquisa bibliográfica que, segundo Severino (2007), é aquela que é feita a partir de registros já existentes, consequentes de pesquisas anteriores em documentos impressos como livros, artigos, teses e dados de teorias já trabalhados por outros pesquisadores e devidamente registrados. E estudo de caso que se caracteriza na pesquisa que é direcionada ao estudo de um caso específico, de forma que considere específico um conjunto de casos semelhantes, tendo sua coleta de dados e sua análise, em geral, da mesma forma que nas pesquisas de campo. O caso escolhido deve ser satisfatório e significativo, de modo a 9 ser capaz a fundamentar uma universalização para situações similares, autorizando inferências. Os dados devem ser coletados e registrados com o necessário rigor e seguindo todos os procedimentos de pesquisa de campo, sendo trabalhados através de análise rigorosa e apresentados em relatórios qualificados. Quanto aos instrumentos que serão utilizados, de acordo com Severino (2007), a observação, que é todo o método que permite acesso aos fenômenos estudados, sendo uma etapa fundamental em qualquer tipo ou modalidade de pesquisa; e a entrevista, que tem como técnica a coleta de informações sobre um assunto inicialmente abordado adquirindo os dados diretamente do pesquisador em que foi estudado, possibilitando uma interação entre o pesquisador com o pesquisado. Tal método se faz muito utilizado nas pesquisas de área das Ciências Humanas, onde o pesquisar visa aprender o que os autores pensam, sabem, representam, fazem e argumentam. 1.4. Organização do Trabalho Este estudo está assim dividido: Introdução, parte na qual se apresenta o estudo e monstra a sua importância; Referencial teórico, na qual se exploram as teorias que baseiam o estudo; Resultados e Discussões, onde se discute os dados coletados e os seus resultados; Conclusão onde se apresentam as considerações finais sobre o estudo e sobre os principais resultados obtidos, e Referências, onde são citadas as referências utilizadas no desenvolvimento do estudo. 10 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. Conceitos da inclusão no Brasil Para Deimling e Moscardini (2012), a inclusão se preocupa mais com os aspectos relacionados ao desenvolvimento do aprendizado, do que com os resultados ou quocientes obtidos nas provas, por exemplo. No entanto, a inclusão vista como uma filosofia educacional é um realismo social, pois envolve a transformação nos sistemas de ensino, sistemas de avaliação, nos programas, na sociedade etc. Mas, para atingir essas mudanças, é preciso basear-se em estudos e investigações, compreendendo melhor esse problema e como ocorre a aprendizagem. E é nessa nova concepção que se verifica a importância da relação que há da criança portadora de necessidades educacionais especiais se relacionar com crianças sem necessidades educacionais especiais, propriamente ditas, considerando que é sob tal viés que se desenvolvem as relações socais, inclusive fora dos muros da escola, quando o indivíduo se percebe como um integrante ativo na sociedade. Nesse aspecto, como bem afirmam os autores Deimling e Moscardini (2012), a educação inclusiva deve perceber as transformações sociais, haja vista que: Falar sobre a inclusão escolar não significa apenas falar sobre os documentos legais que fundamentam e instituem metas e diretrizes para a inclusão de todas as pessoas e, em particular, daquelas com deficiência no sistema regular de ensino, mas implica, igualmente, tratar sobre os movimentos sociais que, mesmo antes das iniciativas legais do poder público, tiveram como protagonistas os grupos organizados de pais ou mesmo de sujeitos com diferentes tipos de deficiência, que se reuniram com o objetivo de discutir propostas e planos de ação, visando à luta por seus direitos. (DEIMLING e MOSCARDINI, 2012, p. 4). Em tal perspectiva, a educação inclusiva representa a inserção de pessoas com necessidades especiais no âmbito social, onde possam estabelecer seus padrões de igualdade e valores dentro e fora da escola. O mundo todo tem se preocupado com a educação inclusiva, pois representa uma ação de cunho político, social e pedagógico de inserção de pessoas com necessidades especiais na rede de ensino tanto infantil, quanto fundamental, médio, técnico e superior. Tal ponto de vista permite situar a escola, pensar o seu papel e o tipo de mediação que ela pode desenvolver, não apenas recebendo influências e 11 reproduzindo as relações sociais, mas também influenciando processos de mudanças e de superação das contradições que apontam para a melhoria de qualidade das relações sociais. Sendo assim, se a escola está hoje mediando interesses da classe dominante, pode também ser reorganizada para mediar interesses das classes dominadas (menos favorecidas), como é o caso dos indivíduos que possuem algum tipo de deficiência, seja ela física, mental ou intelectual. Logo, refletindo acerca da potencialidade de intervenção da escola na transformação social, pode-se considerar que a escola é aquela que possibilita a discussão das condições em que vivem os educandos, possibilitando a percepção da esfera do técnico e sua articulação com o sociopolítico. O papel político dessa escola seria o desmascaramento das relações de poder, possibilitando ao aluno a descoberta do lugar social que ele ocupa na comunidade. O fenômeno educacional não ocorre de modo isolado da história da sociedade. Isso porque a educação não é exceção à regra geral de que não se pode compreender um fenômeno senão inserindo-o, primeiramente, na estrutura mais ampla de que ele faz parte e na qual tem uma função, que é o seu objetivo, independente do fato de que os homens que agem e criam estão ou não conscientes deles. Ora, o fenômeno educacional é parte integrante da vida da sociedade em seu conjunto e não pode ser analisado sem referência a esse todo. Assim, é um caráter essencial que exista um conhecimento de tudo que norteia a interação humana, haja vista que esse desenvolvimento de uma relação interpessoal é ímpar para que se possa estabelecer um bom andamento das atividades educacionais, principalmente em decorrência de o trabalhocom a diversidade, em dados momentos, apresentar resistência, daí a necessidade de o profissional saber lidar com a individualidade e as diversidades que se manifestam diariamente, no ambiente escolar, principalmente no intuito de promover a autonomia e construção própria do conhecimento, pelo próprio aluno, haja vista que essa característica é que irá contribuir para sua independência em sociedade, conforme estabelecem Deimling e Moscardini (2012): A aceitação do fato de que as capacidades eminentemente humanas não são inatas encerra em si o questionamento de qualquer discurso que justifique a ausência da estruturação de medidas pedagógicas inovadoras com base em uma visão limitante de deficiência, advogando a impossibilidade de aprendizagem e de desenvolvimento dos sujeitos que apresentam essa condição. Dessa forma, se interpõe a um modelo inclusivo que se pauta pelo ensino de habilidades 12 pragmáticas e pelo descrédito nas potencialidades de aprendizagem encerradas nos alunos em situação de inclusão, aludindo a uma realidade na qual esses sujeitos tenham as suas especificidades atendidas não somente com vista a inseri-los perifericamente na sociedade, mas objetivando o desenvolvimento psíquico desses indivíduos de modo a torná-los autônomos. (DEIMLING e MOSCARDINI, 2012, p. 18). Portanto, a interação, também possibilita uma inclusão mais ampla, considerando que a convivência, com a diversidade promove, principalmente na criança, a construção de mecanismos psicológicos emancipatórios, que configurem a aceitação de forma natural o que, por sua vez, ainda contribui para que exista a propagação da aceitação das diferenças, e dê significado a uma inclusão que supere os desafios e avance para a formação de um cidadão independente e ativo, não apenas na construção do conhecimento, mas também da sua própria história. Mantoan (2015) aborda a importância da integração e inserção do sujeito com deficiência no ensino regular, de modo consciente e principalmente, responsável, de forma que o educando se sinta respeitado e valorizado dentro do ambiente escolar, percebendo a sua importância para a própria sociedade. A cultura, aspectos adquiridos socialmente, como a ética e a moral, ou seja, elementos assimilados através de uma educação informal é algo que recebemos e que atravessa gerações. O grande problema é que junto a tudo que é positivo, vem aquilo que não é positivo, sem uma intervenção de pensamento e reflexão, são perpetuados crenças e mitos, além de preconceitos e, durante muitos anos, a desigualdade e a exclusão refletiram, na prática, muitas destas ideologias. O Brasil é um país de raça miscigenada, tendo milhões de brasileiros que além do sangue indígena, recebeu também parte de sua cultura, costumes e linguagem de diversas partes, que naturalmente, passaram a compor o todo. Entretanto, como bem afirma a autora Mantoan (2015): O mundo gira e, nestas voltas, vai mudando. Nelas, vamos nos envolvendo e convivendo com o novo, mesmo que não nos apercebamos disso. Há, contudo, os mais sensíveis, os que estão de prontidão, “plugados” nessas reviravoltas. Estes, dão o primeiro sinal de alerta, ao anteverem a novidade, a necessidade e a emergência do novo, a urgência de adotá-lo, para não sucumbir ao que é velho e ultrapassado. (MANTOAN, 2015, p. 20). Nesse sentido, as quebras de paradigmas são fundamentais para que as transformações ocorram, e quando se fala em transformação, não apenas estão sendo 13 restringidas as mudanças que devem ocorrer em sala de aula, por exemplo, na forma de determinado professor atuar, mas que isso vá além, e corrobore para metamorfoses efetivas, em toda uma comunidade, seja ela local ou global. Nota-se que é intrínseco nas culturas, o preconceito e a falta de informação sobre a pessoa com deficiência, fatores que levaram por muitos anos a exclusão daqueles que eram taxados de deformados, inválidos, muitas vezes abandonados pelos pais e em grandes cidades usados como atrações bizarras de circo. Por muitos anos, a deficiência foi vista como “castigo Divino”, sendo enfrentada assim pelas famílias como uma vergonha para a geração. Paradigma quebrado com o passar dos séculos e amadurecimento religioso e social. O preconceito e desinformação ainda persistem, porém, em menor escala tendo em vista a globalização, acesso as informações e aos órgãos e instituições que buscam equidade e justiça social, colocando como centro das discussões a pessoa com deficiência e sua capacidade de viver em sociedade e contribuir para a mesma; sendo auxiliados pela ciência que avançou e trouxe à tona a racionalização e o estudo científico, identificando as causas das deficiências e desmistificando os mitos e crenças acerca do tema, o que foi essencial para que a exclusão escolar desses indivíduos fosse drasticamente reduzida, de forma que se iniciaram os primeiros passos rumo à inclusão, e não apenas social, mas também no que concerne ao cenário educacional, visto que a educação é um componente, e uma instituição da sociedade, fundamental para a garantia de direitos. No Brasil, umas das ações que marcaram a mudança de cultura, foi a criação do Instituto dos Meninos Cegos, implementado pelo imperador Dom Pedro II, e, posteriormente, a criação do Instituto dos Meninos Surdos. Entretanto, apenas no século XX é que houve uma verdadeira onda de discussão e organização de grupos em torno do assunto referente à inserção da pessoa com deficiência nas escolas regulares. A inclusão vai além da inserção dos discentes especiais nas salas de aula regulares, é preciso adequação dos prédios escolares, a escola precisa se organizar para receber TODOS os alunos, com TODAS as suas particularidades, formação dos professores, inspetores, coordenadores, gestores, até mesmo da equipe administrativa e, ainda, a possibilidade de disponibilização de outras funções além do pedagógico, como profissionais da área de assistência social, psicólogos, enfim, todo esse conjunto de fatores que, de fato, irão criar uma escola inclusiva. 14 O objetivo da integração é inserir um aluno, ou um grupo de alunos, que já foi anteriormente excluído, e o mote da inclusão, ao contrário, é o de não deixar ninguém no exterior do ensino regular, desde o começo da vida escolar. As escolas inclusivas propõem um modo de organização do sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é estruturado em função dessas necessidades. Por tudo isso, a inclusão implica uma mudança de perspectiva educacional, pois não atinge apenas alunos com deficiência e os que apresentam dificuldades de aprender, mas todos os demais, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral. (MANTOAN, 2015, p. 28). Com o passar dos anos, novos paradigmas passam a surgir. Os mais recentes são quanto a integração e inserção da pessoa com deficiência no ensino regular, de uma maneira consciente e principalmente responsável, de modo que o educando se sinta respeitado e valorizado dentro da escola, percebendo a sua importância para a própria sociedade. 2.2. Principais políticas e práticas de educação inclusiva De acordo com Ferreira e Ferreira (2013), é incontestável que na atualidade ainda exista o desafio de possibilitar o acesso e a permanência dos alunos com necessidades educacionais especiais na escola, na perspectiva inclusiva. No entanto, compreender quais os desafios para a prática educacional dirigida a esses alunos num contexto relacionado às políticas públicas de educação inclusiva são de grande relevância para identificar os avanços e falhas no ensino, conhecer os interesses e estratégias das propostas de implementação das políticas educacionais pelos agentes financeiros e pelo Estado. Nesse sentido, a pesquisa em documentos oficiais é pertinente pela relevância do conhecimento dos objetivos,propostas, intervenções, progressos e inadequações contempladas nas diretrizes nacionais e internacionais das políticas de educação inclusiva, as quais têm gerado constantes discussões e significativas mudanças no âmbito escolar através das relações entre a escola e sociedade. Os documentos que constituem a política pública de educação especial nacional na perspectiva inclusiva são: a Constituição Federal de 1988, a Lei 7.853 de 24 de outubro de 1989, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96, a Resolução CNE/CEB nº 2/2001 e Resolução CNE/CEB nº 4/2009; 15 internacionalmente, o principal documento que embasou os nacionais foi a Declaração de Salamanca, realizada em 7 e 10 de junho de 1994 em Salamanca, na Espanha. É evidente uma trajetória da educação inclusiva no cenário educacional, considerando a importância de conhecer e interpretar os interesses dos organismos financeiros e reguladores, que por muitas vezes são incoerentes com a estrutura do ensino. Por meio de inúmeras abordagens que envolvem as políticas públicas, identifica-se um contexto amplo e de complexidade. Cabe ressaltar que não é suficiente a constituição de uma política pública educacional bem definida, com conteúdo bem construído, formulado; o importante e imprescindível é trabalhar para que a política aconteça, contemplando de forma efetiva o processo de desenvolvimento e aprendizagem do principal sujeito da esfera educacional: o aluno. Ao tratarmos da construção do conceito de políticas, nos remetemos ao princípio do termo que o originou, assinalando as mudanças advindas ao longo dos tempos. Segundo Shiroma, Moraes e Evangelista (2007, p.7 apud FERREIRA e FERREIRA, 2013, p. 24), o termo política prenuncia uma multiplicidade de significados, presentes nas múltiplas fases históricas do Ocidente. Em sua acepção clássica, deriva de um adjetivo originado de polis – politikós – e refere-se à cidade e, por conseguinte, ao urbano, ao civil, ao público, ao social. Silva (2002, p. 7 apud FERREIRA e FERREIRA, 2013, p. 25) também contribui afirmando: [...] que políticas refere-se ao conjunto de atos, de medidas e direcionamentos abrangentes e internacionais, estabelecidos no campo econômico e estendidos à educação pública pelo Banco Mundial, dirigidas aos Estados da América Latina e assumidos pelos governos locais, que tratam de disciplinar, de ordenar e de imprimir a direção que se deseja para a educação nacional. Muitas vezes os anseios de muitos gestores, educadores, alunos e seus pais para com a educação não é correspondido. Em partes é sugerido a escola exercer sua autonomia, mas por outro há o domínio por parte dos órgãos interessados em direcionar os passos da educação. Para Ball e Mainardes (2011, p. 13 apud FERREIRA e FERREIRA, 2013, p. 29): 16 As políticas envolvem confusão, necessidades (legais e institucionais), crenças e valores discordantes, incoerentes e contraditórios, pragmatismo, empréstimos, criatividade e experimentações, relações de poder assimétricas (de vários tipos), sedimentação, lacunas e espaços, dissenso e constrangimentos materiais e contextuais. Na prática as políticas são frequentemente obscuras, algumas vezes inexequíveis, mas podem ser, mesmo assim, poderosos instrumentos de retórica, ou seja, formas de falar sobre o mundo, caminhos de mudança do que pensamos sobre o que fazemos. As políticas, particularmente as políticas educacionais, em geral são pensadas e escritas para contextos que possuem infraestrutura e condições de trabalho adequada (seja qual for o nível de ensino), sem levar em conta variações enormes de contexto, de recursos, de desigualdades regionais ou das capacidades locais. Portanto, em relação às políticas públicas educacionais, é necessário considerar o papel do Estado, ressaltando sua importância. O Estado deve apresentar propostas de políticas que não beneficiem somente uma parcela da população. Nesse entendimento, afirma Sidney (2010, p. 39 apud FERREIRA e FERREIRA, 2013, p. 32): [...] não caberia ao Estado assumir a perspectiva ético-política de uma comunidade promovendo um bem comum relacionado com uma tradição local (como, por exemplo, definir a identidade e a cultura de um grupo específico como componente obrigatório do currículo da educação pública) ou com os valores nacionais, em nome dos quais certas políticas públicas deveriam ser promovidas. O Estado deve proteger os indivíduos de imposições comunitárias, ou de uma maioria no poder, de uma forma de vida ou valor específico a ser seguido. Atrelado a uma concepção de democracia formal, cabe ao Estado, sobretudo, garantir os direitos civis, entre os quais estão a liberdade de escolha cultural e educacional. A política educacional só terá sentido quando democraticamente construída por uma identidade coletiva e não individual e singular. O Estado é um dos principais lugares da política e um dos principais atores políticos. Em seu sentido mais simples, a política é uma declaração de algum tipo – ou ao menos uma decisão sobre como fazer coisas no sentido de “ter” uma política -, mas que pode ser puramente simbólica, ou seja, mostrar que há uma política ou que uma política foi formulada. (BALL, MAINARDES, 2011, p. 14 apud FERREIRA e FERREIRA, 2013, p. 39). A educação não deve ser pensada de forma abstrata e a implementação das políticas educacionais são necessárias à sensibilização e à qualificação de todos os sujeitos envolvidos no processo, para que, então, sejam criadas as políticas de Estado e 17 não políticas de Governo, lembrando que nem tudo que serve para o Governo, serve para a escola, para a educação. Após um ano da Constituição da República Federativa do Brasil (1988), foi implementada a Lei 7.853 de 24 de outubro de 1989, que estabelece, em seu art. 1º, as normas gerais que asseguram o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiências e sua efetiva integração social, nos termos desta Lei. Em seu § 1º, na aplicação e interpretação desta Lei, são considerados os valores básicos da igualdade de tratamento e oportunidade, da justiça social, do respeito à dignidade da pessoa humana, do bem-estar, e outros, indicados na Constituição ou justificados pelos princípios gerais de direito. E está presente no art. 2º que ao Poder Público e seus órgãos cabe assegurar às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos, inclusive dos direitos à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à previdência social, ao amparo à infância e à maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituição e das leis, propiciem seu conforto pessoal, social e econômico. Do exposto acima, referente a Lei 7.853/89, é mister salientar a continuidade dos direitos básicos da pessoa com necessidades educacionais especiais, como ter a oportunidade de ser, aprender e conviver socialmente, enfatizando a necessária e urgente formação e qualificação do professor para atuar com esses alunos que desejam mostrar suas habilidades e aprender vencendo suas limitações e estigmas. No caso de uma formação inicial e continuada direcionada à inclusão escolar, estamos diante de uma proposta de trabalho que não se encaixa em uma especialização, extensão ou atualização de conhecimentos pedagógicos. Ensinar, na perspectiva inclusiva, significa ressignificar o papel do professor, da escola, da educação e de práticas pedagógicas que são usuais no contexto excludente do nosso ensino, em todos os seus níveis. A inclusão escolar não cabe em um paradigma tradicional de educação e, assim sendo, uma preparação do professor nessa direção requer um design diferente das propostas de profissionalização existentes e de uma formação em serviço que também muda, porque as escolas não serão mais as mesmas, se abraçaremesse novo projeto educacional. (MANTOAN, 2015, p. 54 - 55). A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96, no art. 58 § 1º, garante que haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial, ou seja, neste artigo, há a afirmação do dever do Estado de fornecer, quando necessário, serviços de apoio especializado na escola regular, visando atender às necessidades 18 especiais dos alunos, sabendo que a efetivação desses serviços deve ser permanente, visto as próprias “peculiaridades dos alunos da educação especial”. Deve-se levar em conta a realidade e as potencialidades de cada aluno, até que se tenha uma definição da proposta pedagógica para a educação dos alunos com necessidades educacionais especiais, de preferência uma política que contemple toda a estrutura e organização educacional e principalmente o processo de desenvolvimento e aprendizagem de todos os alunos. As Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, na Resolução nº 2/2001, determinam o atendimento especial desde a Educação Infantil às crianças com necessidades educacionais especiais mediante a avaliação e interação com a família e a comunidade, o que de fato vem contribuir com o aprendizado e fortificar os laços com a escola. A inclusão escolar tem sido mal compreendida, principalmente no seu apelo a mudanças nas escolas comuns e especiais. Sabemos, contudo, que sem essas mudanças não garantiremos a condição de nossas escolas receberem, indistintamente, a todos os alunos, oferecendo- lhes condições de prosseguir em seus estudos, segundo a capacidade de cada um, sem discriminações nem espaços segregados de educação. (MANTOAN, 2015, p. 23). Pela presente legislação, além da matrícula em classes comuns do ensino regular, o aluno com necessidades educacionais especiais terá garantida a oferta no Atendimento Educacional Especializado (AEE). Essa medida contribui, entretanto, há carências, como a falta de professores capacitados em AEE e a inexistência das próprias salas de atendimento. Em relação às políticas públicas de educação especial inclusiva, é preciso acompanhar as ações e intervenções das organizações financiadoras e dos governos Estadual e Federal para com a educação, e que a implementação das políticas públicas educacionais vise uma escola que vivencie em seu dia a dia uma educação especial na perspectiva inclusiva. A reformulação e construção de uma escola de qualidade para todos, na perspectiva inclusiva, é almejada pelas famílias, alunos e escola, entretanto, exige-se modificações profundas nos sistemas de ensino, partindo de uma política pública efetiva de educação inclusiva, a que deve ser gradativa, contínua, sistemática e principalmente planejada com o objetivo de oferecer aos alunos com necessidades educacionais especiais educação de qualidade que proporcione na prática, na ação 19 docente, na aprendizagem e nas relações intersociais a superação de toda e qualquer dificuldade que se interponha à construção de uma escola democrática. Grande parte dos documentos referentes às políticas públicas de educação especial na perspectiva inclusiva apresenta como princípios o direito do aluno com necessidades educacionais especiais à educação, ao acesso e permanência na escola, a formação e qualificação dos professores, currículo, métodos, recursos, organizações e infraestrutura adequada para constituir uma educação satisfatória. Ressalta-se que são promissores os discursos presentes nas políticas educacionais inclusivas. Houve avanços, como o elevado número de matrículas na rede de ensino regular de alunos com necessidades educacionais especiais, o que é significativo, porém, é urgente focar na qualidade da educação. Independente da interferência, é preciso lutar por novas políticas, caminhos e ações promissoras, coerentes e transformadoras dos sistemas educacionais inclusivos, onde a escola seja um espaço fundamental na valorização da diversidade e garantia da cidadania de cada um que, em momentos, apresenta limitações, mas em outros, muito potencial e habilidade. 2.3. Papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem Batista (2016) expõe reflexões relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos, baseando-se na relação da família e escola com o intuito de abordar alguns pontos importantes para a formação do sujeito, perpassando por pontos primordiais para obter um bom resultado educacional, tendo como enfoque a relação da família no ambiente escolar. Desde os primórdios da humanidade, a educação tinha como propósito inserir melhor o ser humano no mundo, tornando-os seres pensantes e preservando os seus valores, fazendo também com que a educação permaneça ligada às questões sociais e culturais. Antigamente a educação era direcionada para pequenos grupos da população, onde o educador realizava o seu papel diretamente nas residências dos seus alunos, levando a relação educacional junto das famílias. Para Batista et al (2016), com a invenção de um espaço voltado para a educação (a escola) a relação que foi estabelecida entre o educador e a família de juntar o meio social do aluno com o cultural junto à educação, tendo o apoio e o comprometimento da 20 família acabou “esquecido”. A escola passou a ser o espaço voltado para acolher e auxiliar no processo de ensino-aprendizagem, possibilitando (pelo menos como ideia) a educação universal e acessível para todos. Com este olhar, Dayrell (1996 apud BATISTA et al, 2016, n.p.) afirma que: A escola é vista como uma instituição única, com os mesmos sentidos e objetivos, tendo como função garantir a todos o acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente acumulados pela sociedade. Tais conhecimentos, porém, não reduzidos a produtos, resultados e conclusões, sem se levar em conta o valor determinante dos processos. Materializado nos programas e livros didáticos, o conhecimento escolar se torna “objeto”, “coisa” a ser transmitida. Ensinar se torna transmitir esse conhecimento acumulado e aprender se torna assimilá- lo. Como a ênfase é centrada nos resultados da aprendizagem, o que é valorizado são as provas e as notas e a finalidade da escola se reduz ao “passar de ano. A escola também tem o papel de promover a cidadania e a cultura do aluno, formando um espaço onde o mesmo possa transmitir os valores que lhes foram ensinados em seu seio familiar, ou seja, um espaço de interação social de diferentes culturas e valores que lhes foram transpassados e um ambiente que não haja a diferença entre o sujeito. A escola não pode minimizar o sujeito, mas também não deve isolá-lo, é tarefa escolar preservar as características culturais de cada indivíduo e o inseri-lo em contrastes com as diferenças para que esse possa desde cedo aprender a respeitá-las. (BATISTA et al, 2016, n.p.) A partir disto, o ambiente escolar não pode ser visto como um lugar onde o professor é o responsável por cuidar e educar os alunos. O papel do educador vai além do que ensinar o aluno a ler e a escrever. É fazer desse aluno um cidadão crítico e pensante para a sociedade que expõem suas opiniões diante da mesma e é por tal questão, a importância de os aspectos socioculturais serem desenvolvidos no âmbito escolar. Desta forma, torna-se primordial a relação família-escola para um melhor aproveitamento no ensino-aprendizagem do aluno. A formação dos estudantes se torna mais eficaz quando essa associa que os lugares que mais frequenta possuem relações intrínsecas e que seus pais e professores transmitem ensinamentos e discutem a respeito desses. (BATISTA et al, 2016, n.p.) 21 Tal relação tem de ser pensada como uma via de mão dupla, fazendo com que a escola se torne um ambiente agradávele acolhedor para o aluno. Neste contexto, entretanto, as funções da família e da escola têm se confundido. As famílias acabam passando a responsabilidade de educar para a escola, esquecendo-se dos seus valores e princípios como primeiro segmento educacional que o sujeito obteve contato. A família é a primeira ligação que o indivíduo tem com o meio educacional. A integração entre as partes desenvolvem na criança os aspectos cognitivos, afetivos e sociais e a integração entre elas faz-se indispensável para um melhor aproveitamento pedagógico. Para Batista et al (2016, n.p.), “tendo em vista a diversidade de organizações familiares, considera-se que a referência às famílias diz respeito àquelas configurações familiares compostas por pelo menos, um adulto e uma criança ou um adolescente”. A família exerce um papel de suma importância na escola, como educar os alunos para exercerem, futuramente, diante da sociedade em que vivem, moral e valores que lhes foram passados. Atualmente, tendo em vista a ocupação pessoal dos membros da família, o seu acompanhamento e colaboração no âmbito escolar passaram a ser ausentes e fez com que o educador, além de transmitir os conteúdos, se tornasse também o formador de valores e educador moral, valores esses que deveriam ser passados no meio familiar, que é o ponto de partida na formação social do sujeito. Por mais que a família e a escola tenham objetivos distintos, compartilham da mesma tarefa de preparar o aluno para a vida com os seus valores culturais e sociais diante da sociedade. O envolvimento dos pais nas atividades escolares, como as tarefas de casa, auxilia no bom desempenho, seja ele pedagógico ou disciplinar. Uma falta de comunicação entre os dois sistemas pode desencadear pouca harmonia e insatisfação do ambiente escolar para o aluno, ou seja, a boa comunicação entre a escola e a família favorece ainda mais o crescimento e o desenvolvimento do aluno. Pereira (2004) realizou um estudo visando frisar a importância da família no âmbito escolar, apontando os pontos primordiais para o sujeito obter um bom resultado educacional. O autor expõe reflexões relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem dos alunos, baseando-se na relação da família na escola. Também aborda alguns pontos importantes para a formação do sujeito, perpassando por outros pontos primordiais para obter um bom resultado educacional, tendo como enfoque a relação da família no ambiente escolar. Pelos meios que a sociedade proporciona, as crianças e adolescentes 22 têm acesso a informações que nem sempre são vistas ou interpretadas de uma forma correta. A união das duas instituições favorece o debate e a revisão de conceitos. Tendo em vista o quanto as empresas exigem dos seus empregadores hoje em dia, a escola deveria ser uma espécie de “porto seguro” para que as pessoas se sintam seguras e confiantes indo até lá, de modo que formem seres críticos e pensantes. Segundo Pereira (2004, p. 65), “os pais devem buscar na escola um porto seguro para discutir relações e atitudes. A resolução dos problemas se dará com mais qualidade e de forma mais rápida”. É na escola que o aluno passa a maior parte do tempo, é lá que a criança vai ser preparada para a sociedade. Então é importante a família e a escola seguirem a mesma linha de pensamento e os mesmos valores para que assim possam ser realçados dentro de sala, porque nem todos pais têm tempo de dar a devida atenção aos filhos. A escola deve ser atenta ao comportamento das crianças e adolescentes para que se necessário estar informando aos pais, desenvolvendo um elo de confiança entre eles e mostrando que está disposto a ajudar, deixando claro que eles devem ser aliados para que o objetivo seja alcançado. Por quê se não houver a aliança entre os dois haverá uma discordância de pensamentos e valores que pode acabar confundindo a mente do aluno. De acordo com Pereira (2004, p. 67), “é na escola que a criança vai ter estruturação quanto a limite e regra, porque lá tem diretora, tem professores, tem o zelador, o tio da portaria, cobrando tudo sistematicamente. Todos com o mesmo discurso”. É importante que os pais analisem o ambiente escolar, para que fiquem tranquilos sabendo onde o filho passa a maior parte do tempo e também para que os filhos se sintam seguros e protegidos. E quando chegarem em casa dar a atenção necessária para as crianças, sempre conversando, perguntando, se preocupando. Vai ser através da escola onde a criança vai experimentar seus limites, executar as regras, criar responsabilidades que não viram em casa. Então é preciso que a família valorize o aprendizado ensinado na escola para que não seja ensinado em vão, para que toque o aluno e o inspire a praticar boas ações. Nem sempre o aluno vai ter um pai ou uma mãe presente, que se importe com ele, que compareça a reuniões ou a pequenos eventos escolares. Mas essa cumplicidade entre as instituições são de extrema importância, é preciso que a escola mostre que está de braços abertos para os responsáveis participarem, que mostre acolhimento e que sempre pense em um jeito de incluir os pais, e existem algumas formas para isso, sendo ela informando os pais por e-mail, 23 agenda, bilhete e etc, com o tempo a participação fluirá e ocasionará a educação de forma significativa. Segundo Pereira (2004, p.68) “a parceria escola-família é primordial no processo de educação e assim o pai pode usar a escola e esta ter a família como apoio, mesmo a escola sendo uma comunidade de divisão de espaço”. A autora acredita que a família não se apega ao âmbito escolar, por isso o processo acaba se perdendo. Se ela percebesse o quão importante é a parceria escola/família e abrisse espaço para a escola tudo seria diferente. Se a família dessa abertura dos ocorridos familiares, a escola poderia auxiliar no processo de entendimento do aluno. Para Pereira (2004, p.68) “a família não procura a escola, não se vê como aliada. Não acredita que este pode ser o segredo da educação”. O docente educa o discente como um filho, da mesma forma que os pais. Ser educador é uma virtude, mas simultaneamente lidar com frustrações, pois nem sempre o que realmente acontece é o que ele quer de melhor para o aluno. Nem sempre o comportamento do aluno na escola condiz com o comportamento dele diante a família, deste modo em diferentes situações que pais e docente não conseguem compreender o motivo do mesmo ser tão diferente na escola e tão diferentes diante da família. O aluno por meio do amor e da emoção consegue ter o poder de sedução. A autora acredita que a escola tem total liberdade para abordar essa situação, e se o docente tiver maturidade conversará com o aluno sobre a atitude que ele teve com os pais. Nesse contexto, a parceria da família com a escola é inevitável. Acredito que a partir do momento que a família procura a escola e matricula o filho, ela está de comum acordo com a proposta de trabalho desta instituição e a filosofia que a mesma tem com o cerne de seu trabalho. (PEREIRA, 2004, p.69). Quando se fala de parceria, está claro para a autora que o principal objetivo da escola é formação integral da criança, tendo o professor o papel de o ajudar a desenvolver a sua autonomia, aprendizado de vida e tornando um sujeito feliz. Por tanto, se ambas as partes caminharem juntas e confiantes nessa parceria, um podendo contar com o outro, ou seja, a família contando com a escola e o professor contando com os pais, certamente terá a educação que se sonha. Isto é, a escola e a família possuindo como objetivo central a felicidade do discente, todo o processo educacional e de formação do aluno será manifestado com mais tranquilidade, e com maior naturalidade, visando resultados muito positivos. 24 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 3.1 Caracterização da pesquisa de campo e perfil dos entrevistados A primeiraparte da pesquisa de campo foi realizada na Zona Sul do estado do Rio de Janeiro em uma instituição privada de ensino que tem como público-alvo Educação infantil e Ensino Fundamental I, onde foi observada a relação da família do discente de inclusão com a docente que atende o mesmo, visando mostrar a importância da participação da família no âmbito escolar e suas contribuições para o processo de ensino-aprendizagem do aluno com deficiência. A segunda parte da pesquisa de campo foi realizada no estado do Rio de Janeiro, aplicando dois tipos de questionário estruturado para a coleta de dados nas entrevistas realizadas. As entrevistas foram realizadas em instituições privadas e públicas. Os questionários estavam caracterizados pelo público a ser entrevistado, isto é, um questionário com perguntas para os docentes que atuam com alunos de inclusão; e outro questionário para os pais de alunos com necessidades educacionais especiais, ou seja, alunos da inclusão. Para manter o anonimato dos participantes da pesquisa, cada docente, que atua com alunos de inclusão de escola privada, foi representado da seguinte forma: Sujeito de escola Privada 1 (SPRI1) e Sujeito de escola Privada 2 (SPRI2). Os docentes, que atuam na escola pública, foram representados da seguinte maneira: Sujeito de escola Pública 1 (SPU1) e Sujeito de escola Pública 2 (SPU2). Os pais de alunos de inclusão foram representados da seguinte forma: Pais de Escola Privada 1 (PR1) e Pais da Escola Privada 2 (PR2); e os de escola pública foram representados por Pais de Escola Pública 1 (PU1) e Pais de Escola Pública 2 (PU2). Os entrevistados foram representados deste modo com a finalidade de identificar as falas de cada um e melhor organizá-las. A coleta de dados serviu para que a pesquisadora pudesse ter um parâmetro acerca do tema abordado, que contribuiu também para a análise da observação da relação da família do discente de inclusão com a docente que atende o mesmo. 3.2. Apresentação dos resultados 3.2.1. Observação na escola da Zona Sul do Rio de Janeiro 25 Indo a campo, a pesquisadora pode observar no período de um mês, na escola particular na zona sul do Rio de Janeiro, durante o horário escolar do Aluno a sua interação e socialização com o grupo e as dificuldades apresentadas por tal, diante das atividades propostas. O aluno em sua rotina na escola se mostrava sempre com muita insegurança. Na interação com o grupo, quando a atividade era direcionada, não conseguia realizá-la, ficava com vergonha e falava que não sabia fazer o que estava sendo solicitado. Quando eram atividades livres, como recreio, na maioria das vezes, preferia brincar sozinho e, quando ocorria de estar brincando com outro colega, ficava retraído. O docente, atuando sempre como um mediador dos seus alunos, pensava em ideias e propunha novas atividades e desafios para instigar o Aluno, mostrando que todos que estavam ali participando tinham dúvidas, erros e acertos como ele. A pesquisadora também pode observar as adaptações de materiais que eram feitas pelo próprio docente para que o aluno pudesse acompanhar as atividades e o respectivo conteúdo e seus colegas de classe. Mas, mesmo diante desses recursos, o Aluno continuava se mostrando desinteressado, não tirava dúvidas e não sinalizava suas dificuldades. Diante dessas observações, o docente relatou que já havia diversas vezes marcado reuniões pedagógicas para sinalizar à família as dificuldades enfrentadas pelo Aluno e solicitar averiguações de outros profissionais da área da saúde e pedagógica, mas a família era ausente. Nas reuniões pedagógicas não aparecia e em os relatórios do Aluno, realizados pelo docente em todos os bimestres, não eram assinados, o que caracterizava que a família não tomava ciência de como estava o rendimento do Aluno em sala. A escola, por sua vez, também não mostrava interesse em querer ajudar o docente. Quando os demais profissionais da escola foram abordados, falaram que não tinham mais o que fazer além de marcar reuniões com os pais. Porém, esses profissionais não ajudavam na elaboração de atividades nem realizam um acompanhamento individualizado do Aluno, gerando uma sobrecarga para o professor, pois o Aluno não copiava do quadro o conteúdo passado, e, além dos outros alunos, o professor teria de dar conta de aplicar suas atividades adaptadas no caderno. Mesmo sem saber especificamente qual era de fato a deficiência do aluno, as adaptações eram feitas de modo que o Aluno pudesse aprender um pouco do que era aplicado. 26 Por esse relato de observação, verifica-se a importância da família para o desenvolvimento pedagógico do educando. Quando este não é atendido e acompanhado, implica diretamente em sua interação com o grupo, fazendo-o ainda mais inseguro e incapaz de melhorar o seu relacionamento e desenvolvimento de forma integral, impedindo-o de superar suas dificuldades. 3.2.2. Entrevistas com docentes Nas entrevistas feitas com os docentes que atuam com alunos de inclusão, foram constatadas as seguintes características: todos os entrevistados são mulheres com a idade entre 34 e 53 anos, com bastante tempo de docência. A Tabela 1 apresenta o perfil de cada docente de escolas públicas e privadas entrevistado. TABELA 1- Perfil das docentes de escolas públicas e privadas Professor Idade Formação Tempo de docência Instituição pública ou privada SPRI1 28 PEDAGOGIA 07 PRIVADA SPRI2 50 PSICOPEDAGOGIA 25 PRIVADA SPU1 34 PEDAGOGIA BILINGUE - LIBRAS E PORTUGUÊS 06 PÚBLICA SPU2 53 PEDAGOGIA 37 PÚBLICA Fonte: Elaborada pela pesquisadora Após a tabulação e à apuração dos resultados, a partir das respostas obtidas, nota-se que: De acordo com a primeira pergunta, O que é preciso para promover a inclusão de qualidade de modo a atender e assegurar todos os direitos do aluno com deficiência? Conclui-se que, para promover uma inclusão de qualidade e que possa melhor atender os direitos do aluno com deficiência, é importante a capacitação dos profissionais, para que tenham maior embasamento teórico, visando proporcionar uma melhor inclusão 27 para os seus alunos. A escola deve oferecer uma boa estrutura para receber os alunos de inclusão e promover eventos e brincadeiras em prol da interação e socialização desses alunos com deficiência. Conforme a segunda pergunta, De que maneira a escola se faz importante para a interação do aluno de inclusão na sala de aula e na sociedade?, as entrevistadas concordaram que é a escola o ambiente em que o aluno tem o primeiro contato social. É nesse espaço que o aluno aprende a viver em sociedade e a desenvolver seu pensamento crítico. Este ambiente se faz importante para que haja a interação do aluno com outras pessoas, para que ele seja cada dia mais incentivado, estimulado e esteja sempre pronto para enfrentar novas barreiras, obstáculos e para aprender a lidar com frustrações. Na terceira pergunta, Você considera importante a participação efetiva da família no âmbito escolar? Se sim, quais os benéficos que essa participação ocasiona no desenvolvimento do aluno com deficiência?, todas as profissionais consideraram a participação efetiva dos pais importante, pois ocasiona um bom desenvolvimento integral do aluno. Tendo em vista que é através da participação da família que o aluno se motiva a buscar melhores resultados em seu aproveitamento escolar. De acordo com a quarta pergunta, Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão?, as entrevistadas deram um enfoque na importância da relação família/escola no processo de ensino-aprendizagem dos alunos de inclusão. Abordando a importância da família no âmbito escolar em que o aluno está inserido. Apontando também que a família tem como papel promover a participação e a troca de conhecimento desse alunode inclusão com a escola, possibilitando ao aluno dar continuidade no que foi ou está sendo trabalhado na escola, em casa, promovendo passeios, leituras e afins. 3.2.3. Entrevistas com os pais de alunos de inclusão Nas entrevistas feitas com os pais de alunos que sofrem a inclusão, nota-se que todos são mulheres, com idade entre 35 e 43 anos e com filhos na faixa etária de 7 a 18 anos. A Tabela 2 apresenta o perfil de cada responsável de discente de inclusão de escolas públicas e privadas entrevistado. TABELA 2 - Perfil pais de alunos de inclusão de escolas públicas e privadas 28 Pai Idade Instituição pública ou privada PU1 39 PÚBLICA PU2 43 PÚBLICA PR1 35 PRIVADA Fonte: elaborada pela pesquisadora A partir da reflexão sobre as respostas obtidas, tendo em vista a primeira pergunta - Na sua concepção qual é o papel da escola para que a inclusão do seu filho aconteça efetivamente?- conclui-se que para a inclusão de seus filhos aconteça efetivamente a escola precisa acolher os alunos portadores de quaisquer deficiências, proporcionando- lhes um ambiente bem estruturado e de fácil acesso, em que eles possam se sentir seguros e protegidos, visando sempre à oferta um ensino de qualidade com atendimento especializado e sala de recurso. Na segunda pergunta – No que a família deve colaborar para que o aluno de inclusão possa ser melhor atendido e acompanhado? - as entrevistadas apontaram que para o aluno de inclusão possa ser melhor atendido e acompanhado, a família deve colaborar sendo presente e ativa na vida escolar do aluno, reconhecendo as dificuldades e os desafios que estão sendo impostos para o aluno naquele ambiente e sabendo respeitar o tempo do aluno. De acordo com a terceira pergunta - Qual o papel da família junto à escola no processo de ensino-aprendizagem do aluno de inclusão? - as entrevistadas trouxeram como pontos importantes a estimulação e a participação, dando o apoio que o aluno precisa para que possa obter um bom desempenho. No final da entrevista, a PR1 relatou que após várias tentativas de matricular o seu filho com Síndrome de Down em escolas privadas, quando chegava lá, olhavam para ele e sugeriam que procurasse uma escola pública, pois ali não teriam recursos para ser oferecido, ou solicitavam que o levassem junto, se sentiu angustiada com a situação e resolveu escrever um texto em nome do filho informando que a sua mãe achou que seria fácil conseguir uma escola, já que ao redor de casa tinham várias. Depois de muitas tentativas, encontrou a atual escola em que seu filho estuda. 3.3. Análise e discussão 29 Segundo as apresentações dos resultados, nota-se a importância de trazer para o centro de discussões o conceito de inclusão do aluno no âmbito escolar. Fazer pensar que a inclusão é o ato de incluir o aluno no ambiente social para que haja a interação do mesmo com os demais alunos. Segundo Deimling e Moscardini (2012), o que foi citado acima: Falar sobre a inclusão escolar não significa apenas falar sobre os documentos legais que fundamentam e instituem metas e diretrizes para a inclusão de todas as pessoas e, em particular, daquelas com deficiência no sistema regular de ensino, mas implica, igualmente, tratar sobre os movimentos sociais que, mesmo antes das iniciativas legais do poder público, tiveram como protagonistas os grupos organizados de pais ou mesmo de sujeitos com diferentes tipos de deficiência, que se reuniram com o objetivo de discutir propostas e planos de ação, visando à luta por seus direitos. (DEIMLING e MOSCARDINI, 2012, p. 4). No entanto, a família exerce um papel fundamental na vida escolar do aluno de inclusão. Passando os valores que serão primordiais para a vida social do sujeito, interagindo e estimulando para que o aluno se sinta acolhido e seguro não só em sua rotina escolar, mas também diante da sociedade. Ter uma família participativa faz com que o aluno se sinta assistido pela família, caso contrário, o mesmo, ao sentir-se desamparado pela família, enfrentará mais dificuldades em seu ensino-aprendizagem, desencadeando também falta de disciplina que implicará diretamente em seu rendimento pedagógico. Deve-se também atentar-se à carga horaria em que é oferecida para os alunos de inclusão, pois, segundo a entrevistada PR1, “a família tem o papel de saber em qual instituição o aluno melhor se adapta e não apenas deixá-lo em uma escola integral”. O momento de escolher a escola em que o seu filho irá estudar é muito delicado, pois não basta só o fato de a escola ser bonita ou ser mais perto de casa, mas sim se irá receber o seu filho, atendendo as necessidades em que ele precisa. De acordo com isso, a entrevistada PR1, apresentou o texto que fez se passando por seu filho, pois, conforme ela mesmo disse: “infelizmente existe uma realidade bizarra relacionada à inclusão dentro da rede privada”. Mamãe achou que seria fácil, mas não foi! Tem uma escola em frente nossa casa, tem outra na mesma calçada, tem outras bem bonitas na rua de trás... Mamãe achou que escolheria uma escola para me matricular. Mas... Nem todas as escolas 30 estavam preparadas para me receber, e olha só o que a mamãe ouviu; Mãe, nós não temos estrutura para receber seu filho. Mãe, nós não temos sala de recursos. Mãe, nós não trabalharmos com material adaptado. Mãe, ele aqui vai ficar perdido. Mãe, não tem professor de apoio, nem mediador. Mãe, é melhor você procurar vaga em uma escola pública. Mãe, procura uma escola específica que atenda crianças como ele. Mãe, vem com ele para gente conhecer o Yan. No dia seguinte eu ia junto com a mamãe, quando a gente voltava, ela chorava no caminho para casa. Ela tentava esconder de mim, mas era difícil. Mamãe falou que eu sou um gigante e essas escolas são muito pequenas para me receber. Até que um dia mamãe me levou em uma escola bem grandona, gigante como eu. Nós fomos conhecer a turma que me recebeu muito bem. Eles cantaram uma música de bom dia só para mim, eu participei das brincadeiras e mamãe saiu dessa escola satisfeita e sorrindo. Ela chorou também, mas foi de emoção. Hoje eu tenho muitos amigos, minha professora é linda! Na minha escola todo mundo gosta de mim! Além de triste, muitas famílias passam por situações parecidas como esta quando estão à procura de uma escola para os seus filhos. Muitas instituições, por mais que seja proibido negar a matrícula de um aluno, acabam fazendo com que os pais desistam de matricular seus filhos, fazendo-os ainda acreditar que aquela escola não é um bom lugar para a criança. A escola tem o papel de promover a cidadania e a cultura para o aluno. Fazer com que o ambiente escolar seja além de acolhedor para todos independente de raça ou religião, mas também um espaço que propicie a troca de conhecimento entre os sujeitos. Que seja um espaço onde o olhar seja todo voltado para o aluno, para o seu desenvolvimento integral como cidadão. Com base nisso, DAYRELL (1996) afirma que: A escola é vista como uma instituição única, com os mesmos sentidos e objetivos, tendo como função garantir a todos o acesso ao conjunto de conhecimentos socialmente acumulados pela sociedade. Tais conhecimentos, porém, não reduzidos a produtos, resultados e conclusões, sem se levar em conta o valor determinante dos processos. Materializado nos programas e livros didáticos, o conhecimento escolar se torna “objeto”, “coisa” a ser transmitida. Ensinar se torna transmitir esse conhecimento acumulado e aprender se torna assimilá- lo. Como a ênfase é centrada nos resultados da aprendizagem, o que é valorizado são as provas e as notas e a finalidade da escola se reduz ao “passar de ano. (DAYRELL, 1996, apud BATISTA et al, 2016, s.p.) 31 O docente tem a função de formar o aluno um cidadão crítico e pensante diante da sociedade, paraque ele saiba expor, como sujeito, suas ideias e princípios. Os pais entrevistados expõem que: PU1: A escola deve primeiramente cuidar do conforto básico a cadeirantes como rampas e banheiros acessíveis, a escola teria um ótimo papel na inclusão, contendo ensino e divulgação sobre a diversidade humana, mostrando aos alunos que a diferença entre eles é normal, informação é a palavra-chave para todos terem uma boa convivência. PR1: Ter profissionais especializados, oferecer material adaptado dentro das necessidades da criança e sempre manter o trabalho em equipe junto a direção e aos demais professores que o atendem. Promover a integração do aluno portador de deficiência é fundamental para o seu desenvolvimento e interação. A escola é o ambiente onde o aluno passa a conviver e a lidar com as regras e limites que lhes são impostos. É o ambiente que conta com o auxílio de profissionais especializados, como professores, auxiliares, diretores, coordenadores, dente outros. Sobre promover a integração e interação do aluno portador de deficiência, as docentes entrevistadas falaram: PR1: A escola é o espaço onde a criança encontra o acolhimento que irá vivenciar por muitos anos de sua vida. A escola é o lugar onde a criança aprende a viver em sociedade. É ali que se multiplica o saber, exerce o pensamento crítico, compartilha as experiências. A educação inclusiva é essencial na formação e construção do caráter do indivíduo na primeira infância. Aprender a lidar com frustrações, limitações, vivenciar as diferenças e encontrar os obstáculos, conhecer o novo. É a escola um lugar que se vive em sociedade, a criança não caminha só, ela vive neste ambiente repleto de estímulos, incentivos e aprendizados. PR2: A escola propicia relações sociais com seus pares, podendo ajudar no desenvolvimento dos inclusos. 32 PU1: O espaço escolar, muitas das vezes, é o único lugar que a criança com deficiência frequenta, pois, muitas famílias têm dificuldades em promover a ida destes a outros espaços. Por isso é de extrema importância que a escola receba este aluno, garantindo- lhe interação em sala e socialmente. PU2: De que escola você está falando? As escolas têm um discurso muito bonito, mas junto com esse discurso bonito da escola vem sempre as perguntas: se o aluno já tem mediadora, se tem alguém que possa ficar com ele, se tem alguém que possa levá-lo ao banheiro, se tem alguém que possa ajudá-lo... E o que o professor faz? É claro e evidente que ele tem de dar conta de 20, 25 alunos, mas acho que em uma escola que abarca a inclusão, uma proposta extremamente inclusiva, cidadã, de primeiro momento, eu não posso ter muitos alunos porque eu tenho que dar atenção a todos os alunos. Não só o aluno que traz uma deficiência, mas sim a todos os alunos que ali estão presentes. Então, a primeira proposta de uma escola cidadã é um número reduzido de alunos nas salas, ter uma proposta diferenciada na qual esse professor junto com a coordenação e direção elabore atividades que tragam esse aluno para viver coisas significativas durante o dia a dia, dar significado para esse ensino e para esse aluno. É para preparar esse aluno para a vida, parra a sociedade em que vive. Para que o aluno tenha um desenvolvimento integral, observa-se que, em muitas vezes, as funções da escola e da família têm se confundido. A família acaba querendo passar a sua função de educar o aluno para a escola, esquecendo assim de educar a partir de seus valores e princípios, uma vez que é o primeiro meio social em que o aluno é inserido. Foi perguntado aos docentes se eles consideram importante a participação da família na escola. A respeito disso, eles entendem o seguinte: SPRI1: Sim. Acredito que aproximar a família a participar ativamente do cotidiano escolar estimula o aprendizado com resultados positivos de aproveitamento escolar. Terceirizar a educação e colocar a responsabilidade sobre a escola dificulta no processo de desenvolvimento do aluno com deficiência. Alunos com deficiência se sentem apoiados e amados quando inicia dentro de casa o despertar pela leitura, escrita, além de estimular essa rotina. O apoio e o envolvimento da família são a motivação para que a criança busque seu desenvolvimento e evolução nos aspectos 33 psicomotor, físico, intelectual, social e emocional, que envolvem o processo de aprendizagem. SPRI2: A parceria escola-família é importante para haver uma troca de conhecimentos e de experiência e para traçar os melhores caminhos e estratégias para o educando. Não sou a favor dos familiares serem os mediadores escolares dessas crianças, pois sobrecarrega os mesmos e algumas vezes podem interferir nas decisões da equipe pedagógica. SPU1: Sim, é fundamental o apoio da família, pois ela quem garante que este aluno está frequentando o espaço escolar. Não adianta termos uma escola com profissionais e todos os recursos necessários para o atendimento do aluno, e a família não o levar para escola, não participar das atividades. Escola e família devem trabalhar juntos, para garantir que o atendimento da criança com deficiência seja proveitoso e dê resultados. SPU2: A escola não vive sozinha, a escola precisa da família e a família precisa da escola. Quando se traz a família para a escola, você passa a ter um laço com a família, mas não é só para reuniões de pais e nas festividades. Quando eu tenho um aluno, eu tenho ali um pequeno ciclo familiar. E ter a família junto com a escola é um grande ganho para ambas as partes. Para a escola que entende a família, compreende o andamento daquela família, e para a família quanto mais ela acompanha o andamento da escola mais ela entende o pedagógico, a proposta, as atividades, pode ajudar, pode auxiliar, pode complementar... Fazer a família uma aliada, principalmente da criança com deficiência. Conhecer o histórico dessa família é importante para que essa criança seja mais bem acompanhada e que haja um melhor desenvolvimento e sempre andando junto com a família. Diante disso, é preciso a conscientização da família de que ela exerce um papel fundamental na escola, o lugar onde os alunos transferem tudo que lhes foi ensinado. Segundo Pereira (2004, p. 68), “a parceria escola-família é primordial no processo de educação e assim o pai pode usar a escola e esta ter a família como apoio, mesmo a escola sendo uma comunidade de divisão de espaço”. 34 Por mais que os objetivos da escola e família sejam distintos, partilham da mesma função de preparar o aluno para a vida, com os seus valores culturais e sociais diante da sociedade. O envolvimento dos pais nos eventos da escola e nas tarefas de casa faz com que o aluno se sinta acolhido e assistido, proporcionando-lhe assim um bom desempenho pedagógico e disciplinar. No entanto, a falta da família no ambiente escolar do aluno afeta não só seu desenvolvimento pedagógico, mas também na (in)disciplina. A respeito disso, os pais entrevistados abordam que: PR1: Participar tanto dentro da escola quando fora, ajudando nas tarefar de casa e sempre dando dicas relacionadas à parte comportamental da criança para que a escola possa atendê-la da melhor forma. PU1: Junto a escola acredito que seria a ESTIMULAÇÃO também fora do ambiente escolar, procurarem juntos compreender os limites de cada aluno e dar apoio, todos os alunos devem ser encorajados, porém os de inclusão precisam sempre de mais e o principal, o amor. PU2: A família deve estar sempre presente e ajudando os professores no que for possível. Os docentes apontam que: SPRI1: Unir o aprendizado dentro e fora do ambiente escolar, como estímulo a uma continuação no processo de ensino. Ligar uma vivência do que foi desenvolvido e aprendido na escola para em casa instigar essa experiência vivenciando passeios, leituras ou outras