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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA RAQUEL RIBEIRO DOS SANTOS Rio de Janeiro 2019 RAQUEL RIBEIRO DOS SANTOS A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO PROFISSONAL NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Orientador: Marcia de Medeiros Aguiar Rio de Janeiro 2019 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário Carioca, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Pedagogia. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho, a Deus, que me guia e me sustenta, pois Ele me deu forças para prosseguir. AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus familiares e amigos que torceram por mim, em especial ao meu amigo Roberto que me incentivou muito na reta final desta caminhada. À minha orientadora Márcia, agradeço o incentivo e paciência, serei eternamente grata por todo o carinho e ajuda para que eu alcançasse este sonho na minha vida que é a graduação. RESUMO Este trabalho teve como objeto de estudo o conceito de educação inclusiva e a relevância da capacitação dos profissionais de educação para o sucesso do processo de aprendizagem de crianças com necessidades especiais nas escolas regulares, com o objetivo de identificar como esta capacitação pode ajudar não apenas o professor mediador, mas também o professor regente da turma e toda a comunidade escolar para que o processo de inclusão ocorra de fato. Desta forma, é possível afirmar que a realização da pesquisa tem grande relevância e destaca-se por contribuir para identificar a importância da formação continuada para os profissionais que trabalham nas escolas. A partir das informações coletadas, foram analisadas e discutidas as ações docentes que se fazem necessárias para a evolução e renovação das práticas pedagógicas e isso inclui a capacitação profissional. Palavras–chave: formação continuada, educação inclusiva, inclusão escolar. SUMÁRIO Nº da página 1 – INTRODUÇÃO 7 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 10 3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 22 4 - CONCLUSÃO 27 5 - REFERÊNCIAS 30 7 1. INTRODUÇÃO A prática da educação inclusiva exige mudanças no processo de ensino aprendizagem. O profissional que trabalha em escolas regulares deve ser preparado para lidar com alunos especiais de forma adequada e precisa de desenvolvimento profissional contínuo, com o objetivo de atender as necessidades destes alunos. 1.1. Objetivos 1.1.1. Objetivo geral Identificar a relevância da formação continuada dos professores e suas implicações no processo de aprendizagem dos alunos com necessidades educacionais especiais inseridos no contexto das escolas regulares. 1.1.2. Objetivos específicos • Apresentar breve histórico da educação inclusiva no Brasil. • Identificar os fatores que possam facilitar a implantação da educação inclusiva no sistema regular de ensino. • Apresentar breves informações sobre a Lei Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. 1.2 Justificativa No campo da educação especial, historicamente, temos assistido muitas mudanças paradigmáticas, normativas e conceituais que resultam ou deveriam resultar em mudanças nas práticas sociais e educacionais envolvendo os sujeitos da educação especial. Estas mudanças ganharam maior visibilidade a partir da década de 1990, através das políticas de inclusão, propagadas mundialmente por meio de documentos internacionais como a Declaração de Salamanca (1994) e a Convenção de Guatemala (2001). Tais políticas de inclusão ampliaram a discussão sobre a educação especial, envolvendo os 8 diferentes níveis e modalidades de ensino. Em esfera nacional, a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 9.394/96 garantiram o direito à escolarização desses alunos, preferencialmente, no espaço comum de ensino. O ingresso gradual e sistemático no ensino comum implicou em mudanças necessárias para possibilitar tanto o acesso como a permanência desses alunos nos espaços escolares, e envolveu diretamente a formação continuada de professores ou a falta dessa formação. No que diz respeito à formação inicial de professores, a aprovação da Resolução nº.1 de 2006 referente às Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia – Licenciatura determinou a extinção das habilitações dos cursos de pedagogia, inclusive no campo específico da educação especial, devendo esta formação ocorrer em nível de pós-graduação ou através da formação continuada. O professor, na educação inclusiva, precisa ser preparado para lidar com as diferenças, com a singularidade e a diversidade de todas as crianças e não com um modelo de pensamento comum a todas elas. Sendo assim, colocar em foco o conceito de educação continuada, trazer para o centro da discussão a importância da formação continuada e mostrar como isto pode ajudar os professores regentes da turma e os professores mediadores a contribuírem positivamente no processo de ensino aprendizagem dos alunos com necessidades especiais, podem ser passos decisivos para efetivas mudanças nas práticas sociais e educacionais. Segundo Mantoan (2003), as ações de formação, bem como, a construção de práticas pedagógicas parece apontar para a ausência de uma discussão epistemológica sobre temas vinculados à educação inclusiva tais como, o próprio conceito de educação inclusiva, o diagnóstico, a deficiência, a formação de professores, as práticas pedagógicas com estes alunos. Sendo assim, esta pesquisa tem a finalidade de compreender o conceito de educação inclusiva, como ocorre a prática da educação inclusiva, qual a importância do professor regente e, também, do professor mediador, a importância da formação continuada para os profissionais que trabalham com educação especial e como o professor especialista pode melhor contribuir para a formação do aluno especial nas escolas regulares. 9 1.3 Metodologia Esta pesquisa se baseia no modelo de pesquisa qualitativa, pois se caracteriza por reunir dados em formatos narrativos que podem ser em forma de diários, questionários abertos, entrevistas e observações que não são apresentados em um sistema de numeração. Conforme Severino (2007), são várias metodologias de pesquisa que podem adotar uma abordagem qualitativa, modo de dizer que faz referência mais a seus fundamentos epistemológicos do que propriamente a especificidades metodológicas. Com relação aos fins da pesquisa, esse projeto caracteriza-se como uma pesquisa exploratória, pois busca por meio dos seus métodos e critérios, uma proximidade da realidade do objeto estudado tendo o pesquisador o objetivo de realizar a construção do levantamento bibliográfico sobre o tema. Segundo Severino (2007), a pesquisa exploratória busca apenas levantar informações sobre determinado objeto, delimitando assim um campo de trabalho, mapeando as condições de manifestação desse objeto. Na verdade, ela é uma preparação para a pesquisa explicativa. Referente à natureza das fontes utilizadas para a abordagem do objeto, esse projeto é baseado em pesquisas bibliográficas. 1.4. Organização do Trabalho Este trabalho está assim dividido: Introdução, parte na qual se apresenta o trabalho e demonstra a sua importância; Pressupostos teóricos, na qual se exploram as teorias que embasam o trabalho; Resultados e discussões, onde se discute os dados coletados e os seus resultados; Conclusão onde se apresentam as considerações finais sobre o trabalho e sobreos principais resultados obtidos e Referências, onde são citadas as referências utilizadas no desenvolvimento do trabalho. 10 2.REFERENCIAL TEÓRICO Considera-se que os fundamentos teóricos e metodológicos da inclusão escolar têm possuído como foco a diversidade do educando e desta forma a importância da preparação dos educadores, principalmente a dos professores que ministram aulas em classes regulares, uma vez que precisam dar conta do atendimento das necessidades educacionais dos alunos com ou sem deficiência. 2.1. Breve histórico da educação inclusiva no Brasil Observa-se que nas últimas décadas, especialmente a partir da década de 1990, muito se tem debatido sobre um Sistema Educacional Inclusivo, nas áreas política, cultural, social e pedagógica, em prol do direito de todos a uma educação inclusiva de qualidade. No Brasil, a Educação Inclusiva somente começou a fundamentar-se a partir da Conferência Mundial de Educação Especial, em 1994, quando foi proclamada a Declaração de Salamanca. E apenas no decorrer dos anos 2000 é que foi implantada uma política denominada “Educação Inclusiva”. A Educação Inclusiva, de modo geral, ainda é um grande desafio a ser encarado. Atingir qualidade para atender às demandas desse setor exige novas dimensões da escola no que consiste não somente na aceitação, sobretudo, na valorização das diferenças. Segundo Mantoan (2003), a crise de paradigmas que envolve a educação especial e inclusiva nos faz pensar nas mudanças pelas quais passamos constantemente, querendo ou não, estando preparados ou não, mesmo que não percebamos. Essas mudanças são muitas vezes imprevisíveis e inevitáveis, e o mais importante é conseguir acompanhá-las e adaptar-se a elas. Conscientemente ou não, estamos sempre agindo segundo paradigmas, e esses paradigmas que norteiam o nosso comportamento, podem ser descritos, por exemplo, como valores, princípios, regras e crenças,quando não satisfazem mais, pois não dão conta de solucionar os novos problemas e desafios que encontramos, entram em crise. 11 Assim Thomas Kuhn, em sua obra A Estrutura das Revoluções Científicas e outros pensadores, como Edgar Morin, em O Paradigma Perdido: A Natureza Humana, definem paradigma. Uma crise de paradigma é uma crise de concepção, de visão de mundo e quando as mudanças são mais radicais, temos as chamadas revoluções científicas. O período em que se estabelecem as novas bases teóricas suscitadas pela mudança de paradigmas é bastante difícil, pois caem por terra os fundamentos sobre os quais a ciência se assentava, sem que se finquem de todo os pilares que a sustentarão daí por diante. (MANTOAN, 2003, p. 11) Para que as escolas façam esse movimento de inclusão com sucesso, é preciso que todos os envolvidos no ambiente educacional e no processo de aprendizagem estejam abertos a mudanças. O enfraquecimento da base rígida e excessivamente burocrática no que diz respeito a estrutura organizacional que vemos nas escolas tende a ser uma saída proposta pela inclusão para que a escola possa desenvolver uma ação formadora por todos os que dela participam. Mantoan (2003) enfatiza mais uma vez que a inclusão requer mudança do paradigma educacional atual que já há algum tempo mostra sinais de esgotamento. Redes cada vez mais complexas de relações, fruto da velocidade das comunicações e acesso cada vez maior e mais fácil a informações estão rompendo fronteiras e estabelecendo novos marcos de compreensão entre as pessoas e do mundo em que vivemos. E com essas novidades batendo a porta, a escola não pode continuar ignorando o que acontece ao redor e marginalizando as diferenças, no que diz respeito aos processos de formação dos alunos, e muito menos ficar alheia ao fato de que aprender implica ser capaz de expressar, dos mais variados modos, o que se sabe, implica representar o mundo a partir das origens, dos valores e sentimentos de cada um. A Educação Inclusiva, de modo geral, ainda é um grande desafio, mesmo com as mudanças de paradigmas educacionais ocorridas ao longo da história do Brasil, principalmente, quando se trata, não apenas de incluir estudantes com necessidades educativas especiais em salas de aulas regulares, mas também, estabelecer relações eficazes que possa favorecer atendimento igualitário entre estudantes com necessidades educacionais especiais e os demais estudantes, para que eles se sintam, de fato, incluído no contexto escolar e social. A inclusão chega justamente com a proposta de mudança desse atual paradigma educacional. Cada vez mais a diversidade humana encontra-se em posição de 12 destaque. Sejam as diferenças culturais, sociais, de gênero, religiosas, enfim, o respeito e a capacidade de lidar e conviver com essas diversidades é condição fundamental para que possamos compreender o mundo e a nós mesmos. Mantoan (2003) também aborda a questão da exclusão escolar. Segundo a autora, a exclusão escolar ocorre das mais diversas e perversas maneiras, pois quase sempre o que é considerado é a ignorância do aluno diante dos padrões da escola, mas não são considerados os novos conhecimentos. Exclui, então, os que ignoram o conhecimento que ela valoriza e, assim, entende que a democratização é massificação de ensino, e não cria a possibilidade de diálogo entre diferentes lugares epistemológicos, não se abre a novos conhecimentos que não couberam, até então, dentro dela. Para chegar à definição de inclusão, é necessário que haja uma reflexão das perspectivas sobre a educação inclusiva e seu conjunto de princípios. Sobre a educação especial, Mittler (2000 apud AINSCOW, 2009, p. 12) (...) a Declaração de Salamanca defende que escolas regulares com orientação inclusiva constituem “o meio mais eficaz de combater atitudes discriminatórias, construindo uma sociedade inclusiva e atingindo educação para todos”. Além disso, sugere que tais escolas podem “proporcionar educação eficaz para a maioria das crianças, melhorar a eficiência e, consequentemente, o custo-benefício de todo o sistema educacional” (UNESCO, 1994). Durante os anos subsequentes à sua publicação, tem havido esforços consideráveis em muitos países para mudar a política e a prática educacional em direção à inclusão. Escolas regulares com orientação inclusiva seria a melhor forma de combater a discriminação e construir uma sociedade consciente das diferenças. Segundo Ainscow (2009), durante o desenvolvimento da educação especial, a educação inclusiva foi apresentada em alguns momentos como complemento à educação geral e em outros casos foi totalmente deixada de lado. Se esta questão é confusa, no que diz respeito à educação especial, logo à educação inclusiva também, tem todo um contexto histórico pois, fazendo uma análise neste sentido, o autor cita que, no início, a educação especial assumia papel de escolas especiais separadas de escolas regulares que eram gerenciadas por organizações religiosas ou filantrópicas e este serviço acabou sendo adotado como medida educacional nacional, mas que muitas vezes 13 levava a um sistema educacional paralelo para esses alunos considerados como necessitados de atenção e cuidados especiais. Recentemente houve questionamento com relação à eficácia dessa separação dos sistemas de educação. Pesquisas sugerem que existe forte influência do lar e da escola na qualidade da aprendizagem e que as dificuldades educacionais podem ter outras origens além da deficiência. Cada vez mais acredita-se que a reorganização e melhorias nas escolas comuns dentro da comunidade é melhor forma para a criança aprender, mesmo as ditas com necessidades especiais. Porém, mesmo em países que trazem políticas públicas de integração, um problema apontado é um aumento na caracterização dos alunos como especiais, para aumentar assim o ganho de recursos adicionais.De acordo com essa questão, o autor aborda argumentos que constantemente é apresentado pelas escolas que afirmam muitas vezes que a aprendizagem não acontece de maneira eficaz por conta de alguma deficiência do aluno, tirando a atenção de questões, como por que as escolas falham em ensinar tantas crianças. Ainscow (2009) apresenta algumas definições de inclusão, pois para ele a inclusão pode ser definida de várias maneiras. Destacam-se três definições que podem ser de muita importância para o campo da mediação escolar. A primeira definição diz respeito à inclusão referente à deficiência e à necessidade de educação especial. Sobre esta definição há uma suposição de que inclusão é principalmente educação de estudantes com deficiência ou portadores de necessidades educacionais especiais, nas escolas regulares. Mas a eficácia desta abordagem levanta questionamentos, pois, ao tentar aumentar a participação dos estudantes, a educação enfoca a deficiência ou as necessidades especiais e ignora qualquer outra forma de participação. A segunda definição que se pode destacar refere-se à inclusão como resposta a exclusões disciplinares. No que diz respeito a esta definição, leva à reflexão a questão comportamental, pois em muitos países mau comportamento e necessidades educacionais especiais são comumente associados quando se fala em inclusão, o que pode gerar muita dificuldade de inteiração entre a criança, a família e a comunidade escolar, caso não haja um diagnóstico correto. A terceira definição é a inclusão como forma de promover escola para todos. Nesta linha de pensamento, o cenário seria uma escola regular de ensino comum 14 para todos. Mas na prática isso não funcionaria, pois mesmo que não houvesse crianças com deficiências, haveria crianças diferentes, seja em meio social, ritmo de aprendizagem ou bagagem de vida. A valorização da comunidade pode envolver o desenvolvimento do sentimento de responsabilidade por grupos maiores que a família e que a nação: a valorização da comunidade é sobre cidadania e cidadania global. A comunidade, como valor, convida ao cultivo de sentimentos de serviço público. (AINSCOW, 2009, p.19) 2.2. Fatores que podem facilitar a implantação da educação inclusiva no sistema regular de ensino Considera-se que os fundamentos teóricos e metodológicos da inclusão escolar têm possuído como foco a diversidade do educando e desta forma a importância da preparação dos educadores, principalmente a dos professores que ministram aulas em classes regulares, pois precisam dar conta do atendimento das necessidades educacionais dos alunos com ou sem deficiência, é colocada em segundo plano ou até mesmo esquecida. Sobre a necessidade da formação continuada de professores para que possam atuar nas redes de ensino regular atendendo alunos com necessidade educacionais especiais: Na medida em que a orientação inclusiva implica um ensino adaptado às diferenças e às necessidades individuais, os educadores precisam estar habilitados para atuar de forma competente junto aos alunos inseridos nos vários níveis de ensino. A implantação da educação inclusiva tem encontrado limites e dificuldades, em virtude da falta de formação dos professores das classes regulares para atender às necessidades educacionais especiais, além da precariedade da infraestrutura e de condições materiais para o trabalho pedagógico junto a crianças com deficiência. O que se tem colocado em discussão, principalmente, é a ausência de formação dos educadores para trabalhar com essa clientela, e isso certamente se constitui em um sério problema na implantação de políticas desse tipo. (NASCIMENTO,2009, p. 4) Nascimento (2009) menciona que a própria LDB reconhece a importância da capacitação dos professores como pré-requisito para a inclusão, ao 15 estabelecer, em seu artigo 59, que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais que além de currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades, entre outros, terão acesso a professores do ensino regular capacitados para a integração. Diante dessa situação, se torna importante a capacitação dos professores com o objetivo de atender as individualidades apresentadas pelos alunos. A partir da Declaração de Salamanca (1994), a noção de escola inclusiva tomou uma maior dimensão, pois os alunos portadores de deficiência não são os únicos excluídos do sistema regular de ensino, que é programado para atender alunos ditos “normais”, vindos de um ambiente familiar adequado, motivado, sem dificuldades próprias de aprendizagem, sem problemas sociais e culturais, por exemplo. Nesta continuidade, Glat (2000 apud NASCIMENTO, 2009, p. 5) informa: A escola pública, criada a partir dos ideais da Revolução Francesa como veículo de inclusão e ascensão social, vem sendo em nosso país inexoravelmente um espaço de exclusão não só de deficientes, mas de todos aqueles que não se enquadram dentro do padrão imaginário do aluno ‘normal”. As classes especiais, por sua vez, se tornaram verdadeiros depósitos de todos aqueles que, por uma razão ou outra, não se enquadram no sistema escolar. Verifica-se que, embora a necessidade de preparação adequada dos agentes educacionais seja cada vez mais evidente, o que tem acontecido nos cursos de formação docente, em termos gerais, é a ênfase dada aos aspectos teóricos, com currículos distanciados da prática pedagógica, não proporcionando, de fato, a capacitação necessária aos profissionais para o trabalho com a diversidade dos alunos. Essa deficiência na formação dos docentes traz sérias consequências ao sentido do princípio inclusivo, pois tal deficiência resulta em custos e retrabalhos que posteriormente poderiam ser evitados. A formação docente não pode restringir-se à participação em cursos eventuais. Precisa abranger necessariamente programas de capacitação, supervisão e avaliação que sejam realizados de forma integrada e permanente, ou seja, precisa ser formação continuada e o professor precisa ser ajudado a 16 refletir sobre a sua prática, para que compreenda suas crenças em relação ao processo e se torne um pesquisador de sua ação, buscando aprimorar o ensino oferecido em sala de aula, pois na educação inclusiva, o professor precisa ser preparado para lidar com as diferenças, com a singularidade e a diversidade de todas as crianças e não com um modelo de pensamento comum a todas elas. O mediador escolar tem a função de acompanhar e auxiliar o estudante com deficiência a se adaptar e criando condições e ferramentas para que este aluno possa usufruir do ambiente escolar. A Educação Especial influencia as Políticas Públicas da Educação. Incluir estudantes com necessidades educativas especiais, tanto nos espaços sociais quanto em salas de aulas regulares, como forma mais avançada de democratização das oportunidades educacionais, considerando as escolas inclusivas como meio mais eficaz de combater a discriminação é uma expressão de política pública na Educação. A publicação da Política Nacional de Educação Especial, orientando o processo de integração nacional que condiciona o acesso de alunos com deficiência às classes comuns do ensino regular que possuem condições de acompanhar e desenvolver as atividades curriculares programadas do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos ditos normais. Essa política condiciona o acesso dos estudantes com necessidades educativas especiais às classes comuns do ensino regular, no entanto, não provoca uma reformulação das práticas educacionais de maneira que sejam valorizados os diferentes potenciais de aprendizagem no ensino comum, mas mantém apenas a responsabilidade da educação desses estudantes exclusivamente no âmbito da educação especial. A questão da desigualdade e da inclusãosocial na Educação reflete sobre as políticas públicas e documentos legais que apoiam a educação inclusiva. A inclusão daqueles que se encontram fora do sistema escolar é uma discussão que ocorre há bastante tempo e que a convivência mútua é de absoluta importância em todos os contextos da vida social. Sobre a inclusão, Sassaki (2003 apud SILVEIRA, 2015, p. 41) escreve: O paradigma da inclusão social consiste em tornarmos a sociedade toda em um lugar viável para a conivência de pessoas de todos os tipos e condições de realização de seus direitos, necessidades e potencialidades. Neste sentido, os adeptos e 17 defensores da inclusão, chamados de inclusivistas, estão trabalhando para mudar a sociedade, a estrutura dos sistemas sociais comuns, as suas atitudes, os seus produtos e bens, as suas tecnologias etc., em todos os aspectos: educação, trabalho, saúde, lazer. Silveira (2015) destaca que existe uma ligação muito forte entre a ideia de inclusão e exclusão e ambas fazem parte do mesmo processo. Desta maneira, entende-se que os termos inclusão e exclusão não podem ser pensados separadamente, até mesmo historicamente, os processos de exclusão social, tal como a exclusão dos doentes mentais, dos pobres, dos gays e tantas outras diferenças que o mundo produziu precisam ser descontextualizadas. Entende-se, portanto que, além da devida contextualização histórica, fica impossível entender, defender ou operar conceitualmente com inclusão sem o devido entendimento de que ela é um processo em uma sociedade de desigualdade social. (SILVEIRA, 2015, p.44) Muitos debates que envolvem o termo desigualdade, na maioria das vezes, não parecem ter por meta reduzi-la ou combatê-la de forma eficaz na prática. E, na ausência de políticas públicas eficazes na área educacional, essas diferenças acabam sendo reforçadas. A escola é imprescindível para o desenvolvimento da sociedade e precisa buscar diminuir a falta de respeito a si e ao outro, diminuir a discriminação negativa e a exclusão, incentivando atitudes como a cooperação, a tolerância, e a solidariedade para que a inclusão realmente ocorra. É perceptível que muito já se avançou no que diz respeito a educação inclusiva, mas ainda tem muito trabalho a ser feito. No que tange a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares, ela já deu passos importantes e houve mudanças significativas na Educação nos últimos vinte e cinco anos, comum aumento considerável no número de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas regulares. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (2015- Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania, legitima a preocupação social política da inclusão. Assim, passou-se a ter uma 18 preocupação em proporcionar de fato condições favoráveis para a aprendizagem dos alunos com necessidades educacionais especiais que se encontravam excluídos. Para que a inclusão educacional de fato ocorra, é preciso o envolvimento de todos os membros da equipe escolar no planejamento de ações e programas voltados ao tema. Se faz necessário também que estes profissionais da educação deem continuidade ao desenvolvimento e ao aprofundamento de estudos, visando à melhoria do sistema educacional. A direção de escolas inclusivas deve envolver-se na organização de reuniões pedagógicas, desenvolver ações voltadas aos temas relativos à acessibilidade universal, às adaptações curriculares, bem como convocar profissionais externos para dar suporte aos docentes e às atividades programadas. O administrador escolar necessita ter uma liderança ativa, incentivar o desenvolvimento profissional docente e favorecer a relação entre escola e comunidade. Diante da orientação inclusiva, as funções do gestor escolar incluem a definição dos objetivos da instituição, o estímulo à capacitação de professores, o fornecimento de apoio às interações e a processos que se compatibilizem com a filosofia da escola e, ainda a disponibilização dos meios e recursos para a integração dos alunos com necessidades educacionais especiais. Mas para que a aprendizagem ocorra é preciso uma transição entre diferentes paradigmas de conhecimento. Nascimento (2009), aponta que quando se aborda a necessidade da diferenciação curricular é comum atribuir essa responsabilidade ao professor, porém uma responsabilidade tão decisiva não deve ser exclusivamente atribuída ao professor por dois motivos:(1)a escola é uma estrutura com uma inércia organizacional considerável, começando pela realidade da sala de aula onde os alunos são agrupados aleatoriamente em grupos (turmas) que permanecem estáveis ao longo de vários anos;este agrupamento, se não for desmembrado em função das atividades, do nível dos alunos, dos projetos, etc. torna-se um constrangimento e uma limitação dado que é um grupo artificial e aleatório de aprendizagem, por vezes, o maior ou menor sucesso dos alunos na escola depende deste mecanismo puramente aleatório: se estivesse numa outra turma o sucesso do aluno poderia ser completamente diferente; por outro lado, horários, espaços, equipamentos, 19 materiais etc. representam importantes constrangimentos para realizar uma diferenciação curricular e que não são possíveis de mudar por uma vontade solitária do professor. (2)a diferenciação do currículo é uma tarefa da escola no seu todo. É a coesão do coletivo “escola” que pode incentivar a confiança para desenvolver projetos inovadores e que permite ao professor desenvolver um bom trabalho no que diz respeito também à educação. Aparentemente, a formação continuada pode favorecer a implementação da proposta inclusiva; todavia necessita estar aliada a melhorias nas condições de ensino, ao suporte de profissionais no auxílio ao trabalho do professor, bem como ao compromisso de cada profissional em trabalhar para a concretização dessas mudanças. Para os docentes, a presença de uma equipe que dê suporte aos agentes educacionais constitui-se na principal necessidade para a educação inclusiva. Tal fato deriva da urgência que estes profissionais têm em obter auxílio e orientações a respeito do trato com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. Outro fator destacado como importante para a inclusão seria a realização de adaptações na estrutura curricular. Tudo o que foi exposto acima indica que o professor precisa ser auxiliado no processo de inclusão e não pode trabalhar isoladamente. Decorre daí o fato de que os educadores destacaram o imprescindível apoio de profissionais especializados. Acredita-se que é preciso preparar todos os professores, com urgência, para se obter sucesso na inclusão, através de um processo de inserção progressiva, tornando desta forma mais fácil para o professor relacionar-se com seus diferentes alunos, e consequentemente, com suas diferenças e necessidades individuais. Observamos que para oferecer uma educação de qualidade para todos os educandos, inclusive para os que apresentam necessidades educacionais especiais, a escola precisa capacitar seus professores, preparar-se e adaptar- se. Inclusão não significa, simplesmente, matricular os educandos com necessidades especiais na classe comum, ignorando suas necessidades especificas, mas significa dar ao professor e à escola o suporte necessário à sua ação pedagógica. 20 2.3. Considerações da LDB sobre a educação especial Conforme a Lei Nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996,capítulo V, entende- se por educação especial a modalidade de educação escolar oferecida aos alunos com necessidades educacionais especiais, preferencialmente na rederegular de ensino. Caso não seja possível integrar o aluno especial nas classes comuns do ensino regular, em função de condições específicas do próprio aluno, o atendimento educacional deverá ser feito em classes especializadas. Ao aluno com necessidades educacionais especiais deve ser assegurada a oferta de educação especial que deve começar na educação infantil e se estender ao longo da vida. A lei classifica alunos com necessidades especiais, os alunos que possuem transtornos globais de desenvolvimento, altas habilidades e superdotação. Quando matriculados nas escolas regulares, sendo necessário, deverá ser oferecido serviço de apoio especializado para atender as particularidades educacionais desses alunos. Segundo esta lei, ao aluno com deficiência deve ser assegurado o direito a ter suporte especial no que diz respeito a recursos educativos, métodos, técnicas, currículo e organização específicos para atender as suas necessidades. Os alunos especiais têm direito a terminalidade específica, quando em virtude de suas deficiências não puderem atingir as exigências para conclusão do ensino fundamental e os alunos com superdotação têm o direito de aceleração para concluir o programa em menor tempo. Sobre a capacitação profissional de professores, o artigo 59 III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns. (BRASIL, 1996) Verifica-se também que aos alunos com necessidades especiais reserva- se o direito a educação para o trabalho, que visa a integração na vida em sociedade, acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais, aos alunos com superdotação direito inclusão no cadastro nacional de alunos com altas 21 habilidades, assim como a identificação precoce de suas habilidades para desenvolvimento das suas potencialidades. 22 3.RESULTADOS E DISCUSSÕES O processo de aprendizagem não é uma simples transmissão de informação, mas uma transição entre diferentes paradigmas de conhecimento. Para Nascimento (2009), uma escola que não diferencia o seu currículo, não usa modelos inclusivos, forçosamente não promove a igualdade de oportunidades entre os seus alunos. Afirma também que quando se aborda a necessidade da diferenciação curricular é comum atribuir essa responsabilidade ao professor e levanta a questão se uma responsabilidade tão decisiva pode ser exclusivamente atribuída a um professor individualmente? De acordo com a pesquisa realizada por Nascimento e publicada em formato de artigo intitulado Preparando professores para promover a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais no Portal Educacional do Estado do Paraná1 em 2009, parece que não e aponta duas razões: Em primeiro lugar a escola é uma estrutura com uma inércia organizacional de dimensão considerável, começando pela realidade da sala de aula onde os alunos são agrupados aleatoriamente em grupos (turmas ou classes) que permanecem estáveis ao longo de vários anos. Este agrupamento, se não for desmembrado em função das atividades, do nível dos alunos, dos projetos etc. torna-se um constrangimento e uma limitação, dado que é um grupo artificial e aleatório de aprendizagem. Em segundo lugar a diferenciação do currículo é uma tarefa da escola no seu todo. É a coesão do coletivo “escola” que pode incentivar a confiança para desenvolver projetos inovadores e que permite ao professor assumir riscos. É indubitável que a dinâmica da educação inclusiva repousa muito sobre a iniciativa, os valores e as práticas de inovação do professor; mas não parece correto afirmar que é pela sua única vontade que a diferenciação do currículo se pode realizar. (NASCIMENTO,2009,p. 8) Em face dessas considerações, a pesquisa realizada por Nascimento visou investigar como professores do Ensino Médio entendem a inclusão escolar, buscando, também, conhecer as dificuldades existentes e as suas 1Link: http://www.diaadia.pr.gov.br/ 23 necessidades de preparação para promover a inclusão de alunos com deficiência no ensino comum. A pesquisa contou com 10 professores atuantes em escola de ensino médio da rede estadual de ensino em um município do interior do Paraná. A maioria dos participantes encontrava-se na faixa de 30 a 50 anos. Inicialmente foi proposto na escola, na qual a pesquisa se realizou, a organização de um grupo de estudo cuja temática central consistiria na discussão do processo de inclusão dos alunos com deficiência. Nesta ocasião, ocorreu a divulgação para todos os professores e as inscrições foram realizadas de acordo com o interesse e disponibilidade destes. Na sequência, foi distribuído, em uma reunião pedagógica realizada na escola, um questionário com objetivo de levantar os conhecimentos que os professores dispunham sobre o processo de inclusão bem como suas necessidades de preparação. Os professores deveriam respondê-lo e devolvê-lo posteriormente. Os objetivos do questionário foram explicados também nesta reunião. O questionário consistia em duas partes. A primeira de identificação, contendo informações sobre idade, sexo, formação acadêmica, tempo de atuação profissional e participação em eventos; a segunda que era um roteiro de questões orientadoras para as entrevistas semiestruturadas com esses profissionais. O roteiro focalizou as seguintes dimensões: concepções sobre a Educação Inclusiva (conceito, ideias e opiniões que os profissionais têm acerca da Educação Inclusiva), desenvolvimento do processo de inclusão (dificuldades encontradas pelos participantes na realização do processo) e condições necessárias à efetivação da Educação Inclusiva (sugestões dos docentes quanto aos aspectos necessários para a viabilização da inclusão escolar). Após análise das respostas do questionário, as sessões foram iniciadas com o grupo de estudo proposto com os dez participantes que se interessaram. As sessões de grupo de estudo foram realizadas em uma sala do Colégio Estadual Dr. Nilson ribas – E.M.N. Foram organizados encontros semanais com 4 horas de duração cada, perfazendo um total de 10 encontros. No grupo de estudo, foi utilizado o caderno temático com os seguintes temas: Educação Inclusiva: concepções; Alunos com deficiência mental: características e prática pedagógica; Surdez: características gerais, abordagens comunicativas, sistemas de apoio, atendimento educacional especializado; 24 Alunos com deficiência física/neuro-motora: quem são os alunos, adequações de recursos educacionais, atendimento educacional especializado; Alunos com deficiência visual: conceituação e abordagem educacional, baixa visão – principais patologias e estratégias pedagógicas, escolarização do aluno cego. 3.1. Resultados da pesquisa Quanto à formação inicial dos professores, todos cursaram o magistério e já possuíam formação acadêmica em nível superior em licenciaturas. Em relação a especializações todos os professores também já haviam concluído. Em relação ao tempo de serviço, todos os docentes participantes apresentaram longa experiência com no mínimo 5 anos de atuação. Dos 10 participantes, 6 pertenciam ao quadro próprio do magistério estadual e 4 eram professores PSS2. Sobre a experiência prévia e a formação continuada de professores para atuação com alunos que apresentam NEE, verificou-se que nenhum deles possuía experiência anterior junto a alunos com deficiência. Após a análise dos depoimentos dos participantes nos questionários, foi possível identificar diferentes visões sobre a inclusão escolar. Os docentes deram maior destaque a presença de crianças com NEE, compartilhando o mesmo espaço físico das demais. A ideia dapresença de crianças com NEE na classe regular constitui-se como principal aspecto do conceito de inclusão. Entretanto, segundo Nascimento (2009), é sabido que o simples fato da criança com NEE estar em um mesmo espaço com os demais não significa que esteja incluída no contexto escolar. Para que haja efetiva inclusão devem ser desenvolvidas práticas que favoreçam relações significativas que culminem com a aprendizagem. Conforme a pesquisa, ao discorrerem sobre as dificuldades encontradas na realização da inclusão escolar, os entrevistados destacaram a falta de apoio técnico, ou seja, falta de suporte de profissionais especializados. A falta de formação também foi bastante enfatizada. Os participantes deixaram claro em 2O PSS é um processo seletivo simplificado, realizado pela SEED do estado do Paraná, para contratação temporária de professores, pedagogos, intérprete de libras, auxiliares de serviços gerais e técnicos administrativos. 25 seus depoimentos uma grande preocupação com a falta de orientação no trabalho junto aos alunos com NEE. A ausência de uma equipe formada por especialistas das diferentes áreas que atue junto aos professores parece ser um obstáculo importante à realização de projetos inclusivos. Também foi destacada a falta de capacitação do professor e da equipe pedagógica em lidar com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais. Alguns expressaram a ideia de que a formação continuada deveria ser ofertada aos docentes pelos órgãos administrativos regionais, indicando que se faz necessária à realização de cursos de capacitação para que todos os envolvidos no processo inclusivo tenham condições de desenvolver um trabalho adequado às necessidades desse alunado. Aparentemente, a formação continuada pode favorecer a implementação da proposta inclusiva; todavia, necessita estar aliada a melhorias nas condições de ensino, ao suporte de profissionais no auxílio ao trabalho do professor, bem como ao compromisso de cada profissional em trabalhar para a concretização dessas mudanças. Para os docentes, a presença de uma equipe que dê suporte aos agentes educacionais constitui-se na principal necessidade para a educação inclusiva. A formação em serviço também foi destacada. Tal fato deriva da urgência que estes profissionais têm em obter auxílio e orientações a respeito do trato com alunos que apresentam NEE. Outro fator destacado como importante para a inclusão seria a realização de adaptações na infraestrutura dos estabelecimentos escolares. Indicaram também a necessidade de que os docentes estejam abertos ao processo de inclusão para poderem atuar de forma satisfatória com alunos com NEE. Tudo o que foi exposto acima indica que o professor precisa ser auxiliado no processo de inclusão e não pode trabalhar isoladamente. Decorre daí o fato de que os educadores destacaram o imprescindível apoio de profissionais especializados. Nascimento (2009) aponta que a pesquisa possibilitou uma maior clareza em relação à necessidade de preparação de professores para lidar com alunos com necessidades educacionais especiais. A hipótese de que os professores não estavam preparados para os processos de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais foi confirmada bem como a necessidade da elaboração de programas de formação continuada para discutir de forma mais aprofundada os temas aqui abordados. 26 Este estudo possibilitou também a identificação de áreas mais críticas para o atendimento de alunos com NEE. 27 4. CONCLUSÃO Conforme Nascimento (2009), a formação continuada pode sim favorecer a implantação da educação inclusiva, todavia necessita estar aliada a melhorias nas condições de ensino, ao suporte de profissionais no auxílio ao trabalho do professor bem como o compromisso de cada profissional em trabalhar para a concretização dessas mudanças. 4.1. Suporte de outros profissionais especializados A ausência de uma equipe formada por especialistas das diferentes áreas como psicólogos e terapeutas, que deveriam atuar junto aos professores regentes de turma auxiliando no processo de aprendizagem dos alunos com necessidades educacionais especiais, parece ser um importante obstáculo para a realização dos projetos inclusivos. Segundo Nascimento (2009), para os docentes, a presença de uma equipe que dê suporte aos agentes educacionais constitui-se na principal necessidade para a educação inclusiva. A formação em serviço também. Tal fato deriva da urgência que estes profissionais têm em obter auxílio e orientações a respeito do trato com alunos que apresentam NEE. 4.2 Adaptações e infraestrutura A acessibilidade física é um elemento essencial para a legitimação da inclusão educacional, uma vez que deve garantir o acesso de todos os alunos, nos mais diversos espaços, com facilidade, autonomia e segurança, sendo um facilitador para a participação de todos nas atividades escolares. Capellini e Lopes(2015) afirmam que acessibilidade física consiste na remoção de barreiras de um determinado espaço para que todos tenham acesso a ele. As condições de acessibilidade física nas escolas são precárias, principalmente, quanto à presença de barreiras arquitetônicas, visto que muitas construções são antigas, construídas quando o paradigma da inclusão ainda não existia, não se considerava a presença dos alunos com deficiência em classes regulares. 28 Atualmente, no Brasil, há um quadro de leis que determina a acessibilidade física na escola, no entanto, somente a lei não é suficiente para garantir ambientes acessíveis. 4.3. Inclusão e a desigualdade social A desigualdade social consiste em violação dos direitos humanos. Determinados grupos são mais ou menos favorecidos e sendo assim cabe o questionamento do porquê não há prioridade em minimizá-la, ainda mais quando essa desigualdade atinge crianças e adolescentes no ambiente escolar. Muitos debates que envolvem o termo desigualdade, na maioria das vezes, não parecem ter por meta reduzi-la ou combatê-la de forma eficaz na prática, e, na ausência de políticas públicas eficazes na área educacional, essas diferenças acabam sendo reforçadas. Silveira(2015) afirma que a escola é imprescindível para o desenvolvimento da sociedade e precisa buscar diminuir a falta de respeito a si e ao outro, diminuir a discriminação negativa e a exclusão, incentivando atitudes como a cooperação, a tolerância e a solidariedade para que a inclusão realmente ocorra e traga ao centro da discussão o fato de que políticas públicas nas instituições partem do processo de necessidades universais, tratando somente do coletivo e deixando de lado necessidades individuais e limitações do sujeito. Muito já se avançou no que diz respeito a educação inclusiva, mas ainda tem muito trabalho a ser feito. No que tange a inclusão de alunos com necessidades especiais nas escolas regulares, conclui-se que passos importantes foram dados com as mudanças significativas que aconteceram na Educação nos últimos 25 anos. Houve um aumento considerável no número de inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas escolas. Passou-se a ter preocupação em proporcionar de fato condições favoráveis para a aprendizagem dos alunos com necessidades educacionais especiais que se encontravam excluídos. Tal assertiva reforça que para haver sucesso no processo de inclusão, tanto na área educacional, quanto no aspecto social, é necessário que se reconheça a inclusão ligada à solidariedade, à compaixão, ao respeito à diversidade - questões que envolvem toda a sociedade e vão muito além dos portões da escola. 29 Muitas das discussões sobre a necessidade de mudanças para que a prática da educação inclusiva funcione envolve diretamente a capacitação de professores ou a falta dela e, neste contexto,surge o medo, a resistência e as argumentações por parte dos professores que questionam o trabalho com esses alunos por sentirem falta de formação específica para o desenvolvimento do trabalho pedagógico. Tais argumentações muitas vezes servem ainda para explicitar uma recusa em aceitar estes alunos em sala de aula, para justificar um possível fracasso no processo de ensino e aprendizagem e para reivindicar uma formação específica para trabalhar com esses alunos. Logo, a formação continuada é importante para que o professor tenha a oportunidade de se capacitar, possa ter o conhecimento e se sinta seguro para lidar com os alunos que tenham necessidades especiais dentro de uma escola regular, estando apto para desenvolver estratégias, para conhecer estes alunos, identificar as dificuldades e desenvolver suas habilidades, adaptando o planejamento e as práticas de ensino. 30 5. REFERÊNCIAS AINSCOW, Melvin. Tornar a educação inclusiva: como esta tarefa deve ser conceituada? In: FÁVERO, Osmar, FERREIRA, Windyz, IRELAND, Timothy, BARREIROS, Débora. Tornar a educação inclusiva. Brasília: Unesco, 2009. p.11 – 21. BRASIL/MEC. Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 1996. FREITAS, Emanoele. Mediador Escolar –Recriando a arte de ensinar. 1ª ed. Rio de Janeiro: Wak, 2015. CAPELLINI, Vera Lúcia M. Fialho; LOPES, Jessica Fernanda. Escola Inclusiva: um estudo sobre a infraestrutura escolar e a interação entre os alunos com e sem deficiência. Cadernos de Pesquisa em Educação - PPGE/UFES. Vitória. a. 12, v. 19, n. 42, p. 91-105, jul./dez. 2015. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? In: ARAÚJO, Ulisses F. (Org.). Cotidiano Escolar. 1 ed. São Paulo: Moderna, 2003. p. 11-17. NASCIMENTO, Rosangela Pereira do. Preparando professores para promover a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais. Portal Educacional do Estado do Paraná. Londrina, 2009. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2496-8.pdf. Acesso em: abril/2019. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. 23 ed. São Paulo: Cortez, 2007. SILVEIRA, Andrea Rosa da. Autismo Infantil: práticas educativas integradoras e movimentos sociais.1ª ed. Curitiba: Appris, 2015. http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/2496-8.pdf