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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICARIOCA 
 
 
 
 
 
 
 
O ATO DE CONTAR HISTÓRIAS E A ESTIMULAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS 
COGNITIVAS E SOCIOEMOCIONAIS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO 
FUNDAMENTAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DÉBORA CRISTINA OLIVEIRA VASCONCELOS 
 
Rio de Janeiro 
2019 
 
1 
 
DÉBORA CRISTINA OLIVEIRA VASCONCELOS 
 
 
 
 
 
O ATO DE CONTAR HISTÓRIAS E A ESTIMULAÇÃO DAS COMPETÊNCIAS 
COGNITIVAS E SOCIOEMOCIONAIS NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO 
FUNDAMENTAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Orientadora: Carolina Chaves Ferro 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Rio de Janeiro 
2019 
Trabalho de conclusão de 
curso apresentado ao Centro 
Universitário Carioca, como 
requisito parcial pra obtenção 
do grau de Licenciado em 
Pedagogia. 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
Dedico aos meus pais Bárbara e 
Marcel, pelo amor incondicional e por 
acreditarem em mim desde sempre. 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradeço este trabalho primeiramente a Deus, por 
me permitir chegar até aqui, apesar dos obstáculos, 
Ele me sustentou em cada segundo e me deu a 
vitória. Para mim era algo tão distante e inalcançável 
e hoje sei que se estou onde estou pela permissão do 
meu Senhor, que é luz para o meu caminho. 
A minha imensa gratidão aos meus pais, Bárbara e 
Marcel, por sempre investirem em mim me 
oferecendo a oportunidade de estudar, uma vida 
inteira agradecendo seria pouco, pois o amor, a força, 
o incentivo e as palavras de conforto de vocês fizeram 
e fazem a diferença em cada passo da minha 
caminhada. A minha filha Isabella por ser minha 
inspiração em vários momentos e por me ensinar 
tanto e ao meu amado e saudoso avô João, que não 
está mais presente comigo fisicamente, o levarei 
eternamente em meu coração. Essas cinco pessoas 
são os amores da minha vida. Eu nada seria e teria 
alcançado sem vocês. 
Extrema gratidão às pessoas que contribuíram para 
que esse trabalho se tornasse real. Fica o meu 
agradecimento aos colegas que fizeram parte dessa 
caminhada, aos que chegaram até o final junto 
comigo e aos que por algum motivo seguiram rumos 
diferentes. Em especial ao Marcos Ribeiro, que me 
proporcionou a incrível experiência de entrevistar a 
escritora de literatura infantil Ruth Rocha, a própria 
Ruth Rocha por ter disponibilizado um tempo para 
contribuir ricamente com suas experiências e 
conhecimento para este trabalho e por 
carinhosamente ter me enviado um livro autografado 
e a minha inteligentíssima orientadora e professora 
Carolina Chaves Ferro, que me ensinou tanto com a 
sua doçura e afeto em apenas um semestre. 
 
 
4 
 
 
 
RESUMO 
 
 
 
Este trabalho teve como objeto de estudo levar informação, construção do 
conhecimento e sugestões a pais e docentes sobre a importância da contação 
de histórias para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças nas 
séries iniciais do Ensino Fundamental e como ela pode ser utilizada como prática 
docente. O objetivo principal é promover a mudança comportamental 
primeiramente dos adultos para que possam colocar em prática a contação no 
dia a dia da criança, tornando um hábito, levando-a a desenvolver suas 
competências, a auxiliá-la a compreender suas emoções e a ter um bom convívio 
com o outro e o meio em que se encontra inserida. Pretende-se, também, 
demonstrar a promoção da mudança comportamental da criança por meio do ato 
de contar histórias. A partir das informações coletadas, foram analisados e 
discutidos aspectos como ter um olhar diferenciado ao outro, oportunizando a 
sua evolução no ambiente escolar e não escolar e concluiu-se que a parceria 
dos pais e professores é significativa, uma vez que se faz necessário programar 
projetos educacionais pretendendo favorecer os alunos tanto nas disciplinas 
curriculares quanto nas suas relações, abrangendo o conjunto de questões 
afetivas, que são os sentimentos. 
Palavras–chave: Contação de histórias. Competências cognitivas e 
socioemocionais. Séries iniciais do Ensino Fundamental. 
 
 
 
5 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
 
Nº da 
página 
1 – INTRODUÇÃO 6 
2 – REFERENCIAL TEÓRICO 10 
3 – RESULTADOS E DISCUSSÕES 21 
4 - CONCLUSÃO 29 
5 - REFERÊNCIAS 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 O ato de contar histórias é uma ação praticada desde a antiguidade. Esta 
prática traz benefícios não só para as crianças, mas a todos em todas as fases 
da vida, permitindo aos contadores desenvolver no outro as competências 
cognitivas e socioemocionais1. 
 A leitura é uma prática pedagógica tão rica que os docentes deveriam, ao 
longo do ano letivo, desenvolver diversos projetos literários com a inclusão dos 
pais, podendo ser trabalhado a curto, médio ou longo prazo. Muitas vezes os 
pais têm questões que os impedem de realizar com seus filhos a contação de 
histórias, então a escola se torna responsável por informar e levar instruções a 
esses pais, ressaltando a importância para a formação do ser integral da criança. 
Sendo assim, eles saberão como e porque é essencial pôr a contação de 
histórias em prática. 
 O professor deve traçar todos os objetivos que ele deseja alcançar com 
aquela turma e qual caminho ele vai seguir, mas, para que seja um projeto de 
excelência, ele também requer um planejamento, analisando particularidades e 
propondo atividades relacionadas a abordagem da contação. 
Existem docentes que não valorizam a contação de histórias, então é 
necessário levar os demais professores a conhecerem e experimentarem as 
maravilhas oferecidas pelas histórias. Além dos alunos, os professores precisam 
estar conectados com o universo da leitura e buscar uma dedicação para que 
possam ver os resultados que são valiosos. É uma prática onde todos os 
envolvidos saem beneficiados com a experiência. 
 Quando os docentes possuem um olhar diferenciado, mais afetuoso para 
a sua turma, eles conseguem identificar quais as necessidades daquelas 
crianças que precisam ser supridas. Logo a contação de histórias é uma das 
práticas pedagógicas que podem auxiliar na aprendizagem e nas emoções. 
 Para apontar a importância da contação de história para nossas crianças, 
este trabalho foi dividido em duas partes, uma teórica e uma analítica. A parte 
teórica discutirá os impactos pedagógicos que a contação de história acarreta na 
vida das crianças, demonstrando que a aprendizagem através da leitura é mais 
 
1 Refere-se ao convívio com o social e as emoções. 
7 
 
prazerosa e eficiente; a apresentação das temáticas a serem abordadas na 
contação de histórias, pois não há questão que não possa ser trabalhada com 
as crianças, desde que ela seja adaptada ao seu contexto; e os critérios e 
estratégias na prática da contação de histórias baseados nas competências 
cognitivas e socioemocionais, entendo que a leitura conjunta pode desenvolver 
as crianças de forma plena, tornando-as seres humanos mais conscientes e que 
lidam melhor com a diferença, com suas emoções, desenvolvendo plenamente 
sua cognição. 
 Já a parte analítica discute o papel dos docentes na contação de histórias, 
como eles são importantes nesse processo e como podem ajudar os 
responsáveis a entenderem a relevância dos livros na vida das crianças; logo 
após, será discutida a permanência da contação de histórias para as crianças do 
ensino fundamental, entendendo que essa prática deve permanecer e não ser 
excluída para crianças que já estão na fase do aprendizado da leitura; e, por 
último, serão avaliadas as respostas da renomada escritora brasileira Ruth 
Rocha, acerca da importância da literatura infantil. 
 
 
1.1 Objetivos 
 
 Conscientizar2 pais e docentes sobre a importância da contação de 
histórias em ambientes escolares e não-escolares, uma vez que a contação não 
é maisinterpretada como um meio de entreter crianças sem que haja um 
objetivo. É necessária a elaboração de um planejamento e que se realize uma 
preparação prévia do contador até que a contação aconteça. Quando os pais 
praticam a contação de histórias, eles conseguem que os vínculos afetivos sejam 
fortalecidos com seus filhos, auxiliando-os na canalização de suas emoções e 
na construção do conhecimento para a aprendizagem das disciplinas escolares. 
 O objetivo principal foi desmembrado em alguns objetivos específicos que 
são explorar os impactos pedagógicos da contação de histórias na 
aprendizagem e nas vivências das crianças; detectar as principais temáticas a 
serem abordadas com as crianças, definir os critérios e as estratégias na prática 
 
2 O ato de conscientizar trata-se de levar informação gerando a construção do conhecimento e tendo como 
consequência a mudança de comportamento, caso a conscientização ocorra. 
8 
 
da contação de histórias, pois eles são o caminho a ser percorrido em que o 
contador, sendo os pais ou os docentes, escolhe os recursos para utilizar durante 
a contação, visando alcançar os objetivos traçados para aquela determinada 
situação de forma lúdica. 
 
 
1.2 Justificativa 
 
 Justifica-se esse trabalho, pois a prática de contar histórias contribui para 
o desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança, por isso deve ser 
praticada na escola e em casa com o objetivo de estreitar e fortalecer vínculos 
afetivos, pois quando os pais e os docentes têm um olhar diferenciado a fim de 
detectar as competências cognitivas e socioemocionais que precisam ser 
desenvolvidas juntas, conseguem um resultado positivo. 
 Geralmente os docentes detectam previamente quando o aluno está 
passando por algum conflito, podendo ser interno ou externo. Deste modo, cabe 
ao professor desenvolver um trabalho paralelo com a família em busca da 
resolução do problema observado. Assim, as crianças conseguem desenvolver 
a aprendizagem e compreender suas emoções de forma lúdica, como é o papel 
da contação de histórias. 
 
 
1.3 Metodologia 
 
 Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e qualitativa, baseada no estudo 
da contribuição e auxílio que a contação de histórias promove no âmbito escolar, 
social e emocional da criança, demonstrando as possíveis mudanças 
comportamentais, e a aplicabilidade da Lei de Diretrizes e Bases, com os Temas 
Transversais, que são constituídos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, 
para que nós, profissionais de educação, possamos promover a aprendizagem 
do aluno. Esses materiais foram utilizados como fontes primárias. Também foi 
realizada uma entrevista com a escritora de livros infanto-juvenil Ruth Rocha, na 
qual ela ressalta a importância da leitura e da contação de histórias para o 
9 
 
desenvolvimento integral do ser e a construção do conhecimento fazendo uma 
ligação com as vivências da criança. 
 Como fontes secundária foram utilizados cinco materiais que mostram 
que as histórias contadas e as leituras realizadas funcionam como um meio de 
comunicação que proporciona ao outro o ato de aprender de forma lúdica, 
mantendo a criança motivada e interessada durante todo o processo, no 
desenvolvimento de valores e na formação de cidadãos plenos que tenham 
consciência dos seus direitos e deveres tornando-os seres pensantes e críticos 
para a formação da sociedade. 
 
 
1.4 Organização do Trabalho 
 
 Esse trabalho foi dividido em introdução, que caracteriza a primeira parte 
salientando a sua importância, os objetivos, justificativa e a metodologia; nos 
pressupostos teóricos, que foi desmembrado em três tópicos, desenvolvendo os 
impactos pedagógicos gerados através contação na aprendizagem e nas 
experiências de vida, as temáticas que podem ser abordadas por meio das 
histórias e os critérios e estratégias que podem ser abordados nas histórias com 
o enfoque nas competências cognitivas e socioemocionais. Dando continuidade, 
nos resultados e discussões, igualmente separados em três tópicos tratam o 
desfecho do que foi coletado, apontando a importância do papel do professor e 
da continuidade da contação de histórias no ensino fundamental, finalizando com 
uma entrevista realizada com a escritora Ruth Rocha, referência na temática há 
cinco décadas. Por último, a conclusão na qual o trabalho é finalizado e as 
referências bibliográficas onde menciona as fontes que auxiliaram na construção 
do mesmo. 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
 As discussões teóricas que envolvem a contação de histórias foram 
divididas em três partes. Num primeiro momento, serão discutidos os impactos 
pedagógicos que a contação gera na aprendizagem e nas experiências de vida. 
Entende-se, aqui, que o ato de contar histórias não é mera atividade lúdica. Ao 
contrário, promove um real aprendizado no aluno. Num segundo momento, 
procurou-se destacar as temáticas que podem ser abordadas com as crianças 
através da leitura. Ao contrário do que muitos acreditam, podemos trabalhar, 
inclusive, temas complexos com as crianças, desde que com uma linguagem 
adequada para a faixa etária em questão. Por último, nesta parte, refletiremos 
sobre as estratégias e critérios da prática docente que podem ser utilizadas na 
contação para o desenvolvimento socioemocional e cognitivo da criança. 
 
 
2.1 Impactos pedagógicos que a contação de histórias gera na 
aprendizagem e nas experiências de vida 
 
 Como descrito por Solimar Silva (2015), a estimulação da contação de 
histórias nas séries iniciais é muito presente, visando trabalhar a leitura e auxiliar 
a aprendizagem em variados aspectos, como o conhecimento de novas 
palavras, o uso de letras maiúsculas, quando necessário, identificação de 
elementos (“ç”, encontros vocálicos, palavras com um específico número de 
sílabas, dentre outros). No entanto, depois dessa fase, essa prática é exercida 
esporadicamente e, por consequência, perdemos a chance de utilizar esta 
ferramenta que é muito útil e rica em diversos aspectos. 
 Os educadores vão muito além de ensinar conteúdos curriculares a seus 
educandos, dá-se ao aluno o incentivo, motivação, orientação, diálogo e apoio, 
tendo como finalidade desenvolver o indivíduo como pessoa e o relacionamento 
social. Para que esse objetivo seja alcançado, é necessário um trabalho diário, 
incansável e responsável. 
 Pode-se abordar diversos assuntos com apenas uma história e alcançar 
vários públicos, tendo como foco a análise crítica do ouvinte. Os professores 
contribuem diariamente para a construção dos alunos como cidadãos, 
11 
 
primeiramente servindo de exemplo a ser seguido por meio do seu 
comportamento e suas atitudes. 
 Ao escolher uma história com a temática de amizade e solidariedade, se 
auxilia a criança a estreitar laços com quem se relaciona e a respeitar um 
posicionamento oposto ao seu. Os educadores estão constantemente 
estimulando dentro do ambiente escolar a criatividade e autonomia. Deste modo, 
a contação de histórias pode ser trabalhada com a função de despertar e 
estimular esse aluno. Controlar a si especificamente e o cuidado no que diz 
respeito ao próximo são temáticas que se consegue abordar na narrativa, assim 
como controlar seus impulsos na fala e ou ações, fazendo o indivíduo pensar 
antes de agir, logo, o mesmo consegue se controlar socioemocionalmente. 
 Não há momento apropriado para contar uma história que trate este 
assunto visto que estamos expostos a situações de conflitos sempre, logo, 
estaria sendo feito um trabalho de prevenção a uma determinada situação. 
 Quando o contador não age de forma preventiva, terá que agir para 
solucionar o problema. Se usarmos como exemplo uma turma na qual as 
crianças estejam se portando ao outro de modo agressivo por meio de palavras 
e atitudes ou fazendo julgamentos, contar uma história que fale sobre o assunto 
fará mais efeito do que umarepreensão ou castigos que podem gerar uma 
revolta no indivíduo. 
 As histórias têm o poder de marcar a vida das pessoas e é muito certo 
que quando alguém da turma for agir de forma indevida, se lembrarão do que 
lhes foi contado, fazendo associação entre a história e o que aconteceu. 
 A maturidade faz as pessoas perceberem que são necessários dois 
elementos: o poder de escolha e a responsabilidade que vem atrelada à mesma. 
Normalmente ocorre com crianças do Ensino fundamental I transferir para os 
seus responsáveis a culpabilidade de algo que deveria ter sido feito e não foi, 
isto referente a um ambiente escolar, consequentemente os pais em alguns 
momentos aceitam carregar a culpa e deixam passar despercebidos a 
oportunidade de agirem de uma maneira diferenciada, permitindo que a criança 
se frustre para que entenda que nem tudo é da maneira que queremos, porque 
se escolhemos fazer ou deixar de fazer algo referente a uma determinada 
situação, logo, esta decisão terá consequências e assumir esta consequência 
chama-se responsabilidade, independente dela ser boa ou ruim. Isso traz um 
12 
 
peso que ninguém gosta de levar. Junto ao entendimento do que é ter 
responsabilidade e do peso que ela acarreta é saber, também, que existem 
obrigatoriedades. Histórias com essa temática mostram que temos que colocar 
como prioridade o que faz parte das obrigações do cotidiano, que os erros nos 
levam ao acerto. 
 Estão presentes em nossa vida as diferenças culturais e religiosas, e 
individualidades. Conviver com pessoas diariamente tem as suas dificuldades. É 
indispensável tratar e praticar no meio escolar que tudo se inicia pelo respeito ao 
próximo, mesmo que ele tenha pensamentos e ações opostas às nossas. A 
escola só consegue efetivar com excelência a sua função se os pais estiverem 
em parceria com ela. A contação de histórias, além de estar presente nas salas 
de aula e em casa, pode ser usada em reuniões de responsáveis, conselhos de 
classe e para os docentes, promovendo a reflexão esperando sempre que ocorra 
uma mudança comportamental. 
 As histórias não atingem apenas as crianças, elas também alcançam os 
adultos e os tocam podendo servir como um despertar para uma determinada 
situação antes não notada. 
 Um dos pontos em que se pode ressaltar o fracasso escolar é que os 
alunos mal sabem interpretar e produzir um texto. Uma grande parcela dos 
discentes não tem o hábito de ler e isso faz com que a leitura se torne algo com 
pouca seriedade e completamente fora do meio do aluno e ouvir uma história 
acaba sendo rotulado como uma prática somente para crianças de 0 a 6 anos. 
A contação é uma ferramenta muito rica usada por poucos educadores que 
permite facilitar a aprendizagem também de conteúdos disciplinares, como 
Português, Matemática, História, Geografia, Ciências, produção textual, Filosofia 
e Sociologia. 
 Em conformidade com Elisa Ribeiro (2010), a contação de histórias para 
crianças incentiva a curiosidade, traçando um caminho até a descoberta, 
desenvolvendo a imaginação e organizando seus pensamentos. Amplia seus 
conhecimentos nas áreas emocionais, sociais e cognitivas, proporcionando a 
experimentação de diversos sentimentos como o medo, surpresa, afeto, tristeza, 
alegria, auxiliando na resolução dos conflitos internos (as emoções) e nos 
externos (o lidar com o outro e com o meio). 
13 
 
A contação traz à tona o lúdico que oferece um novo trajeto na 
aprendizagem, de uma forma mais leve e que cause efeitos positivos. Esta 
prática pode fazer da criança amanhã um leitor ativo, com um vasto vocabulário, 
que permite observar no decorrer do processo o desenvolvimento do aluno ao 
relacionar as histórias às realidades do dia a dia, como frustrações, anseios, 
idealizações para o futuro, entre outros. É importante ressaltar que há vários 
jeitos de narrar histórias e há de se considerar os objetivos que são ensinar, 
instruir, transformar, educar e divertir. 
 A ação de contar histórias interliga o leitor e o livro, e assim proporciona 
a adesão da fala e a ação da história e o livro como fontes informativas. 
 
 
2.2 Temáticas a serem abordadas através da contação de histórias 
 
 De acordo com Ana Luísa Lacombe (2015), as narrativas orais 
ultimamente têm passado por transições, visto que anteriormente a prática dessa 
atividade era limitada a poucos especialistas, mas na época atual é vista como 
um campo com incontáveis profissionais atuando como contadores de histórias. 
Com o acesso facilitado a essa prática, obteve-se o acréscimo de 
indivíduos habilitados nessa área, fazendo assim com que surgissem os 
conflitos. A título de exemplo, a qualificação breve e superficial ofertada por 
cursos, a insuficiente importância e valorização cedida à execução do ofício 
vinda por meio das organizações relacionadas ao âmbito cultural e educativo, 
entre outros. 
Lacombe mostra-nos vivências e análises próprias e de demais autores 
defensores de que é necessário fazer as devidas divisões referentes a cada 
gênero literário, sendo eles o gênero épico que é a mescla de elementos reais, 
fictícios e simbólicos, gênero dramático em que as histórias são abordadas em 
dramas e comédias, o gênero lírico que abrange as poesias, gênero teatral que 
são ricos em diálogos e próprios para atuação, gênero narrativo que envolve o 
narrador, o local, o tempo em que se passa a história, os personagens e a trama, 
e a fábula que oferece um ensinamento ao seu final, contendo objetos e animais 
que dentro da vida real não possuem vida. A atividade de narrar histórias teve 
início outrora por intermédio de avós, pais e educadores. 
14 
 
 Hoje se tem um olhar mais organizado e amplo para a realização da 
contação, através de assuntos que sejam significativos para serem debatidos, 
que levem o outro à reflexão e à mudança comportamental. É válido lembrar que 
a contação de histórias não se restringe apenas às crianças, mas também se 
estende a jovens, adultos e idosos, pois foi notado que o ato de contar histórias 
é valoroso independente da fase da vida em que se encontra, seja qual for a 
condição de vida em que uma pessoa esteja, permitindo-nos compreender todo 
o universo que nos envolve e todo os universo que somos. 
 No momento em que ouvimos uma história ser contada, é permitido entrar 
no mundo da narrativa, que, consequentemente, nos dá rumo para que aconteça 
a aprendizagem da leitura e dos demais conteúdos curriculares. As narrações 
inserem o sujeito no cenário, seguindo para a interpretação, evidenciando a 
subsistência de cada um, oferecendo um significado para existirmos. Contribuem 
para a área emocional do ser. 
Os estudos mostram que esta prática dispõe de grande ressalto da psique 
infantil. Quando se fala de contos de fada, esse conjunto de assuntos e ideias, 
que muitas vezes são repletos de crueldade e agressividade, têm propriedades 
medicinais e curativas. Existem comprovações em estudos que o 
comportamento da criança, com diferentes tipos de experiência, pode ser 
modificado positivamente. Ela elabora suas particularidades como 
amedrontamentos, conflitos, inquietudes, sofrimentos, carências afetivas e 
dependência emocional que são causadas pela falta de comunicação familiar, 
as relações desenvolvidas ou a falta delas ao longo da vida, o ambiente escolar, 
no trabalho e em todas as situações externas, bloqueios e obstáculos. 
 As temáticas são selecionadas de acordo com as atitudes 
comportamentais, a análise da criança ou do perfil da turma, consequentemente 
o contador escolhe a história apropriada para ser contada naquele momento. 
 Na visão de Vânia Dohme (2010), o ato de narrar histórias pode ser um 
excelente recurso pedagógico, pois através desta ação podem-se abordar 
questões relevantes no dia a dia da criança com uma linguagem de fácil 
compreensão e pode ser, também, adaptada à idade do indivíduo. Deste modo, 
as palavras trazemsignificados para o mesmo, fazendo com que ele entenda e 
se posicione em relação ao que foi trabalhado. 
15 
 
 Após a contação, é pertinente aplicar atividades lúdicas, como desenhar 
o que mais gostou e o que menos gostou na história, tendo como objetivo 
desenvolver a capacidade de imaginar cenário com todos os elementos 
existentes agregados, roda de conversa abrindo espaço para que todos se 
expressem dizendo como se sentiram ao ouvir a história, solicitar que produzam 
um texto com o seu ponto de vista, modificar parte da história que o ouvinte 
considera relevante, deixando marcado sua característica e opinião, responder 
questões voltadas para o entendimento das suas emoções partindo da história 
que ouviram, dentre uma infinidade de atividades que contam com a criatividade 
do contador e com o que ele observa do indivíduo. Todas essas atividades 
podem ser trabalhadas com diferentes públicos, mas cabe ao aplicador da 
atividade adaptá-la de acordo com a faixa etária e é através destas que o 
indivíduo acaba fazendo ligações com algumas de suas vivências. 
 A contação de histórias requer de seus contadores uma postura 
diferenciada, sendo ela corporal, de entonação da voz, alternando em tons altos 
e baixos, gesticulação das mãos e toda a movimentação corporal, uma conversa 
com o público antes de dar início a história para que haja uma descontração para 
iniciar o trabalho de prender a atenção do outro. 
 Antecipadamente, o contador deve saber qual comunicado quer 
apresentar a quem vai ouvir a história, que atitudes consequentemente pode-se 
incentivar ou coibir e quem ouve acaba se identificando com um determinado 
personagem, para por fim, poder tomar para si a conduta do mesmo analisando 
se é apropriada ou não a inserir em sua vida. O ouvinte também pode se 
identificar com o cenário onde se passa a história e tempo, podendo trazer à tona 
sentimentos e as sensações boas ou ruins. 
 Numerosas vezes conseguimos perceber nos desenhos, filmes e vídeos 
assistidos pelas crianças algumas atitudes inadequadas que às vezes sequer é 
a mensagem que deseja ser passada, mas mesmo assim a criança absorve a 
prática mencionada. Deste modo, os responsáveis precisam estar alertas quanto 
ao conteúdo que a criança recebe e, caso ache conveniente, remover o conteúdo 
do acesso das mesmas atrelado ao diálogo, que sempre se fez necessário 
independente do aspecto gerador de um conflito. O diálogo sempre se fez 
necessário sobre os assuntos do cotidiano, e, em certas vezes, o tema a ser 
abordado com a criança precisa de cuidados, então contar uma história acaba 
16 
 
auxiliando na passagem da informação de uma forma mais tranquila, sutil e 
apropriada. Esta prática, além de abordar os assuntos necessários para o 
momento acaba aproximando mais ainda os pais de seus filhos, pois é um tempo 
que se dedica à criança, de maneira a produzir e proporcionar algo direcionado 
a ela. Em vários momentos nota-se a criança interrompendo a fala do contador, 
explicando e interagindo sobre o que até o momento não lhe foi passado. 
 Quando o lúdico é usado como ferramenta para ensinar, torna a 
aprendizagem mais atrativa, desenvolvendo aspectos consideráveis que são a 
atenção, concentração, o raciocínio, a memória, senso crítico, formação do 
caráter, ética, imaginação e criatividade para que a criança possa ter a 
capacidade de ter um bom relacionamento interpessoal3 e intrapessoal4, que é 
fundamental para seu desenvolvimento. Todas essas questões sendo 
trabalhadas a partir da contação de histórias, os pontos citados são trabalhados 
de uma forma criativa e mais leve para o entendimento da criança, levando em 
conta a sua maturidade. 
 
 
2.3 Critérios e estratégias na prática da contação de histórias baseados nas 
competências cognitivas e socioemocionais 
 
 Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) do Ensino Fundamental I 
têm o objetivo de oferecer aos discentes qualidade no ensino, partindo da 
formação do professor, ressaltando a importância da educação continuada para 
que o docente siga construindo novos conhecimentos, aprendendo e 
desenvolvendo novas práticas e materiais pedagógicos para trabalhar com seus 
alunos, pois sabe-se que a aprendizagem do aluno, na escola, começa pelo 
docente, o modo como ele define os métodos para usar com a turma, a 
dedicação, o modo como ele se relaciona com seus educandos e como ele 
insere o lúdico para promover a construção do conhecimento dos seus alunos. 
O lúdico torna os conteúdos mais atrativos, mantendo a motivação desses 
alunos, fazendo com que não ocorra a evasão escolar. Deste modo, também é 
 
3 Está relacionado a comunicação dois ou mais indivíduos. 
4 Está relacionado a comunicação que o indivíduo tem com ele mesmo. 
17 
 
extremamente relevante a participação ativa da família proporcionando aos 
alunos um suporte dentro e fora do ambiente escolar. 
 Quando a família caminha juntamente com a escola, a possibilidade de 
atingir o objetivo é maior, pois a finalidade é desenvolver o indivíduo como um 
todo, oferecendo diversas possibilidades da aprendizagem acontecer em qual 
âmbito for. 
 Os critérios e estratégias são o caminho a ser percorrido em que o 
professor escolhe os recursos a serem utilizados durante o processo da 
contação de histórias, visando alcançar os objetivos traçados para aquela 
determinada situação de forma lúdica. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 
9.394 de 20 de Dezembro de 1996 ressalta no art. 32 as circunstâncias para que 
ocorra a aprendizagem do aluno visando: 
I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios 
básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; 
II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da 
tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; 
III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista 
a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e 
valores; 
IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade 
humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social. 
 
 A contação de histórias também deve estar fundamentada nos Temas 
Transversais5 que aborda assuntos como Meio ambiente, Pluralidade Cultural, 
Ética, Saúde e Orientação Sexual, pois o objetivo é formar cidadãos 
integralmente, tornando o indivíduo um ser reflexivo e crítico. Cabe aos docentes 
e à escola perceber quais aspectos tem-se necessidade de abordar com os 
alunos, pois o principal é levar o aluno a construir conhecimento em diversas 
áreas. 
 Ao escolher um assunto para ser abordado por meio de textos ou da 
contação de histórias, além de saber e analisar qual informação se pretende 
passar, deve-se atentar para como isso vai ser feito e o cuidado para a 
abordagem. Essa análise se dá para identificar se o texto está apropriado para 
a aprendizagem acontecer. 
 O professor deve ser visto como um padrão a ser seguido pelos alunos, 
mas não de maneira que os limite. Ele está muito além do que aquele que apenas 
detém todo saber e que os alunos precisam reproduzir, mas estão ali para formar 
 
5 São compostos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. 
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109224/LDBE-Lei-no-9394-de-20-de-Dezembro-de-1996#art-32
18 
 
seres pensantes e críticos, que conseguem se comunicar com os textos e 
através deles, aprendendo com seus próprios alunos que já chegam na escola 
com uma bagagem. 
 Frequentemente encontramos crianças que não possuem contato com a 
leitura em casa, logo a escola deve fornecer esse contato aos alunos e é através 
do professor que esse contato pode ser proporcionado ou não. Se o professor 
mostra aos seus alunos que ler ou ouvir uma história é importante para o seu 
desenvolvimento como um ser integral e que essa prática tem valor, logo os 
alunos irão começar a imergir nesse universo transformador, pois em muitas 
vezesé o professor quem acaba sendo o parâmetro para esse aluno. 
 É importante ressaltar que não é uma regra que quem é um leitor ativo 
seja um excelente escritor e que não cometa erros em sua escrita, porém a 
probabilidade é aumentada de que o leitor ativo tenha um vasto vocabulário e 
uma boa escrita. As escolas devem ter como objetivo formar bons leitores que 
estejam preparados para elaborarem textos que possuam coesão e coerência e 
que a ortografia seja bem desenvolvida. 
 Quando expomos uma criança a um texto, espera-se que ela dê 
significado a ele, visto que realizar a prática da leitura não é apenas um decifrar 
de códigos, a criança deve entender o texto plenamente e a mensagem que ele 
tem, a intenção de passar, embora cada criança que leia ou que ouça uma 
história possa interpretá-la de um modo, pois não existe apenas uma verdade 
absoluta. Tudo o que se oferece a uma criança é pensando plenamente em como 
irá auxiliá-la na aprendizagem, na sua mudança de comportamento e na 
percepção de determinados aspectos. 
 A leitura possui diversas finalidades, como ensinar, informar, oferecer 
conhecimento de mundo, possibilitando o contato com diversas culturas, 
expansão de conhecimentos, estimulação da imaginação e da criatividade, o 
auxílio na melhora da escrita e da fala, já que o alvo escolar é formar indivíduos 
habilitados para compreender todos os tipos de gêneros textuais, integrando aos 
sentimentos, emoções e afetos. 
 Quando se é usada a leitura como prática pedagógica, ela só se torna 
eficiente quando os resultados chegam mostrando que a criança tem se 
interessado em ler e tornou essa prática um hábito. Ribeiro (2019) relata que o 
contador de histórias precisa de planejamento desde o momento em que decide 
19 
 
narrar uma história independente do público alvo. É necessário ligar o ouvinte à 
história. 
 São necessários alguns princípios como surpreender o ouvinte, ter 
expressões corporais e faciais, conhecer previamente o que vai ser contado, é 
necessário que o contador e o ouvinte estejam envolvidos com a história para 
que o objetivo seja alcançado, a escolha das histórias deve estar de acordo com 
a maturação das crianças e com uma linguagem que elas consigam entender, 
além da atenção à voz. 
 Além do livro, o contador pode usar outros elementos para contar sua 
história, sendo eles, teatro de sombras, sucatas, marionetes, máscaras, 
imagens, retroprojetor, fantasias, fantoches feitos de materiais variados (colher 
de pau, meia, saco de papel, copo plástico, caixas e embalagens, e.v.a, 
dedoches, palitos e garrafas plásticas), vídeos, violão, chocalho etc. 
Antes do momento da contação, a preparação do ambiente contribui criando um 
clima para deixar a criança à vontade e confortável sem que haja interferências 
externas para que a criança se distraia o mínimo possível, trabalhar o 
vocabulário antes para construir o conhecimento de palavras novas e depois 
para fixa-las. 
 Ao encerrar uma história, é interessante que o contador direcione algumas 
perguntas aos ouvintes, abrindo um espaço para que eles se expressem e 
questionem pontos da história. Após esse momento, cabe inserir atividades 
lúdicas para a culminância do processo de contação. O professor deve sempre 
anotar observações feitas mediante as atividades que propõem aos alunos (se 
elas deram certo ou não), como as crianças respondem a atividade proposta, se 
houve aprendizagem e se é necessário promover outra atividade para que se 
atinja o objetivo. 
 Segundo Antoni Zabala e Laia Arnau (2010), os alunos acreditam que 
alguns ensinamentos voltados para os conteúdos sejam irrelevantes, porque não 
conseguem ver a sua importância devido aos professores não se preocuparem 
em aplicar toda a teoria no cotidiano deles. Os docentes precisam modificar o 
seu pensamento e olhar tradicional, as situações e o tempo são outros, embora 
tenhamos situações bem parecidas com as de anos atrás, só que hoje de uma 
forma mais diferenciada. 
20 
 
 Se com o passar dos anos só continuarmos a reproduzir o que já foi feito 
e não se falar em inovação, o aprender vai ser cada vez mais visto como algo 
maçante e pouco valorizado, tendo como importância apenas ser aprovado ao 
final do ano letivo, sem levar em conta um aprendizado para a vida. 
 As competências vêm a ser uma oposição ao método tradicional de ensino 
porque se referem a uma aprendizagem voltada para a realidade em que o aluno 
vive, tendo como objetivo o desenvolvimento pleno do ser, que são os elementos 
profissionais (a formação), sociais (como o ser se relaciona com os indivíduos e 
os ambientes a sua volta), emocional (como o ser lida com suas emoções) e a 
cognição (como funciona o caminho na cabeça da criança para que se possa 
chegar a aquisição do conhecimento e como corre a aprendizagem). O 
profissional e a escola precisam estar alertas em como essas questões podem 
influenciar positiva e negativamente o aluno no decorrer do processo. 
 O tradicionalismo é conceituado por uma parcela de pessoas como uma 
área limitadora, pois, com base nele, o aluno deve memorizar e reproduzir, logo 
não permite aos educandos que transfiram os conhecimentos disponibilizados 
em aula para a aplicação no dia a dia. Assim como avaliar um aluno deve ir além 
da reprodução, propondo que ele registre a sua maneira de ver o mundo. Sabe-
se que não existe uma metodologia correta, mas aquela a qual o aluno se adapta 
melhor e consegue alcançar o seu progresso. Então, cabe ao docente realizar 
ajustes e desenvolver estratégias para que consiga atender a todos que 
compõem a sua turma. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
21 
 
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
 Para discussão, após o referencial teórico, trouxemos questões 
consideradas relevantes para a temática apresentada. A primeira delas é o papel 
do professor no desenvolvimento e na propagação da contação de histórias. A 
segunda é a permanência da contação nos anos do Ensino Fundamental I, 
momento em que muitos professores parecem esquecer que continuam lidando 
com crianças, e que o lúdico e o ato de contar histórias permanece relevante 
para a aprendizagem. Por último, analisaremos a entrevista feita com a escritora 
Ruth Rocha, para que ela nos explique a porque a literatura infanto-juvenil é tão 
importante para o desenvolvimento socioemocional e cognitivo. 
 
 
3.1 Os docentes na contação de histórias 
 
 Os professores têm um papel fundamental na vida dos alunos. Os 
educadores possuem o poder de marcar vidas tanto de forma positiva quanto de 
forma negativa. Quando o docente encontra-se disposto a ensinar e desenvolver 
o aluno em sua plenitude, ele passa a ter um olhar afetuoso e identificador, a fim 
de acrescentar em suas aulas mecanismos que estimulem a construção do 
conhecimento, levando-os a aprendizagem. 
 Um desses mecanismos que o professor pode incluir nas suas práticas 
docentes é a contação de histórias, que possui uma infinidade de possibilidades 
e temáticas que podem ser abordadas para ensinar os conteúdos das disciplinas 
curriculares, assim como as soluções para os conflitos do dia a dia que 
interferem diretamente no comportamento e no desempenho escolar da criança 
e na sua relação com os ambientes em que frequenta e com as pessoas que 
fazem parte deles. 
 O docente é uma das pessoas que mais passa tempo com a criança. 
Logo, com o decorrer do tempo, começa a conhecer o seu aluno e consegue 
perceber quando algo não vai bem com ele e em que ponto começa afeta-lo 
negativamente, fazendo cair o seu rendimento escolar, tendo um comportamento 
oposto ao de costume. É a partir dessa percepção que o professor deve começar 
a agir. Primeiramente ele identifica o problema, seleciona o gênero literário que 
22 
 
o permite abordar a temática desejada, traça os objetivos que pretende alcançar 
e põe em prática. 
 O professor deve passar confiança aos seus alunos para que elesnão o 
vejam apenas como alguém que está em uma sala de aula por um tempo 
determinando, ensinando conteúdos sem se importar com o que eles sentem e 
pensam, mas como um mediador que tem o afeto como base para ensinar e 
ajudar seus alunos. 
 Para trabalhar uma história, ela não precisa selecionar uma já existente. 
O professor possui a liberdade de poder criar uma de acordo com as 
necessidades detectadas ou produzir uma com o auxílio da própria criança e/ou 
da turma, possibilitando uma maneira diferente do outro se expressar, pois é 
importante para quem ouve a história se identificar com ela e manter-se 
interessado permitindo-os interpretar as histórias de diversas maneiras. Isso se 
torna uma arte, pois não há uma regra, cada um tem visões e opiniões diferentes 
sobre uma situação que nos permite criar e olhar por outras perspectivas. Assim, 
o indivíduo aprende também a respeitar o posicionamento que seja oposto ao 
seu e o professor vai orientando para que os alunos compreendam que ouvir o 
outro é importante mesmo que não estejamos de acordo. 
 Quando é proposto pelo professor uma atividade de produção textual que 
promove ao aluno a exposição dos seus pensamentos e emoções através da 
escrita, esse método pode auxiliar a criança que tem dificuldade de expor seus 
sentimentos por meio da fala. Dessa forma, ela pode se sentir mais confortável 
do que falar diretamente com outra pessoa. 
 Os professores são grandes incentivadores e demonstradores. 
Através da contação de histórias, é possível fazer com que os alunos tomem 
gosto pela leitura, já que a contação demonstra a criança o quanto é importante 
ser minucioso por meio das palavras para que seja possível criar no indivíduo 
que ouve a curiosidade necessária para despertar o gosto pela leitura. A leitura, 
por sua vez, aprimora e amplia o vocabulário facilitando a comunicação entre os 
indivíduos. 
 É imprescindível que os professores estejam sempre pensando na 
formação continuada6, buscando o aprimoramento dos saberes para estarem 
 
6 É uma formação complementar com o objetivo de manter-se buscando conhecimentos, pois a todo 
momento aparecem novidades a serem aprendidas para quem é educador. 
23 
 
sempre atualizados. É oportuno que os docentes realizem cursos após a sua 
formação, mas um que se faz importante é o de contação de histórias, para que 
aprendam como devem atuar e se portar neste momento importante de troca de 
experiências e ensinamentos, pois o ato de contar histórias é visto como 
elemento interdisciplinar. 
 
 
3.2 A manutenção da contação de histórias no Ensino Fundamental 
 
 As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (DCN) 
salientam sobre o acesso escolar oferecido a crianças de seis aos quatorze anos 
de idade, tendo como objetivo a igualdade moral, civil e política pelo Estado, 
ressaltando os princípios éticos onde opõem quaisquer tipos de estabelecimento 
de diferenças referentes a raça, cor, idade, sexo, entre outros aspectos, 
princípios políticos, no qual se deve exercer a cidadania e fornecer as mesmas 
possibilidades a todos, mesmo aos que apresentem seja qual for o tipo de 
necessidade, ainda que se utilize outros meios. E os princípios estéticos, que 
discorre sobre a pluralidade cultural, a criatividade a racionalidade. Faz-se 
necessário instruir sobre as numerosas realidades. 
 As áreas de conhecimento que devem constar de forma obrigatória no 
currículo, também citado na Lei de Diretrizes e Bases, são o ensino de 
linguagens (língua portuguesa e estrangeira atual e a língua nativa dos 
indígenas), arte (incluindo a musicalização), educação física, matemática, 
ciências da natureza e humanas (história e geografia) e o ensino religioso, que 
é facultativo. 
 As temáticas que devem ser discutidas com os educandos são gênero, 
sexualidade e saúde, pois interferem diretamente na atualidade, além de 
acentuar os direitos da criança e do adolescente previstos no Estatuto da Criança 
e do adolescente (ECA), que tem como objetivo proteger as crianças e os 
adolescentes. 
 As temáticas citadas no DCN e no ECA podem ser trabalhadas em sala 
de aula por meio da contação, desta forma os assuntos podem ser tratados com 
a seriedade que precisam, mas lembrando que estão sendo tratados para 
crianças que muitas vezes não possuem maturidade suficiente, então se faz 
24 
 
necessário que, em dados momentos, os textos sejam adaptados para a idade 
e/ou nível de maturidade que o aluno atinge. 
 É de grande valia que a escola promova a informação dos pais e dos 
professores sobre os assuntos previstos nas leis. A maioria dos profissionais e 
responsáveis não têm conhecimentos sobre os assuntos, logo ficam 
impossibilitados de caminharem juntamente com a escola e com as propostas 
feitas pelo professor. 
 Como sabemos, é comum que a prática da contação de histórias nas 
séries iniciais do Ensino Fundamental fique esquecida devido à forma com que 
ela geralmente é tratada na Educação Infantil, como uma atividade para 
preencher o tempo ou para tentar manter as crianças quietas. 
 A contação precisar ser pensada cuidadosamente, uma vez que sabemos 
que, para colocarmos em prática, precisa-se de um planejamento já que ela é 
um método de ensino onde se trabalha a ludicidade. 
 O ato de contar histórias auxilia na alfabetização e letramento tornando 
esta fase mais prazerosa. Nos anos seguintes, ela favorece o enriquecimento do 
vocabulário. 
 Não é válido ter nas escolas uma biblioteca se a criança, durante o 
decorrer do ano letivo, não possui acesso a ela ou se os livros dispostos são 
muito antigos. A escola precisa realizar um levantamento referente aos gostos, 
o que desperta atenção de seus alunos, para que, assim, possa buscar materiais 
baseados no interesse da criança, objetivando o seu despertar para o mundo da 
leitura. 
 Hoje, as crianças possuem um acesso facilitado e rápido a tecnologia o 
que as afastam, de certa forma, da literatura, debilitando a escrita e a fala, onde 
crianças já passam a escrever palavras com abreviações da internet e inserir 
essas abreviações em seu vocabulário. Essa atitude é prejudicial para a 
evolução da criança. 
 Os docentes das turmas de Ensino Fundamental I têm como função 
primordial no ensino dos seus alunos a solidificação da base escolar, que 
consiste em prepara-los para seguir suas próximas etapas, fazê-los entender de 
fato a importante contribuição da leitura para a sua formação como um todo, para 
que eles se tornem seres questionadores, críticos e pensantes, trazendo a 
consciência de que um aluno que não interpreta e lê um texto com clareza é 
25 
 
muito provável que possua dificuldades não só na disciplina de Língua 
Portuguesa, mas também nas demais e isso implica na sua aprendizagem. 
Propor aos discentes a incluírem em sua rotina o hábito da leitura é um 
processo lento, referindo-se aos não-leitores, pois é necessário apresentar os 
diversos tipos de gêneros literários até que descubram qual os agradam mais, 
para então implementar os livros do gênero desejado. 
 A manutenção da contação de histórias no Ensino Fundamental I se dá 
através do despertar da curiosidade e da sensação de prazer que a leitura e o 
seu ouvir causam. Apesar de terem uma idade onde atualmente a contação é 
escassa, os alunos, ao ouvirem histórias, demonstram curiosidade e interesse 
em entender o caminho que os personagens irão trilhar e o enredo que tomarão 
e em diversos momentos fazem correlações com experiências já vivenciadas e 
também com detalhes da sua personalidade. 
 É uma estratégia educacional pouco valorizada, porém favorece de 
maneira significativa a prática docente. A contação não finaliza quando a história 
termina, pois um trabalho envolvendo a ludicidade deve ser desenvolvido após 
ouvi-la, continuando o processo avaliativo que teve início quando o docente 
detectou o problema e decidiu utilizar as históriascomo meio de intervenção para 
assistir a criança. 
 A criatividade das crianças se desperta através do ouvir e aprimora o 
conhecimento em várias áreas. 
 
 
3.3 A contação de histórias pela visão de uma grande escritora: o caso de 
Ruth Rocha 
 
 Ruth Machado Lousada Rocha, ou mais conhecida pelo público adulto e 
infantil como Ruth Rocha, a grandiosa e maior escritora de livros da literatura 
infanto-juvenil ainda hoje é referência para crianças e adultos, pois consegue 
fascinar a todos os públicos com as suas histórias. 
 Em 2019, completou cinquenta anos dedicados à literatura e tem 
publicados mais de duzentas obras que foram levadas a diversos países, sendo 
seus livros traduzidos para vinte e cinco idiomas. 
26 
 
 Algumas de suas obras são: Ninguém gosta de mim, Sapo Vira Rei Vira 
Sapo, Meus Lápis de Cor são só Meus, Meu Irmãozinho me Atrapalha, A Menina 
que não Era Maluquinha, O Menino que Quase Virou Cachorro, Borba, o Gato, 
Escolinha do Mar, O Que os Olhos Não Vêm, Pra Vencer Certas Pessoas, 
Historinhas Malcriadas, entre tantos outros trabalhos incríveis, mas destacam-
se dentre seus livros mais vendidos, o Marcelo, Marmelo, Martelo que é um best-
seller e O Reizinho Mandão. 
 Ruth Rocha contribui ricamente para a literatura infanto-juvenil. A 
linguagem utilizada em seus livros é atual e de fácil entendimento para seus 
leitores, proporcionando momentos prazerosos e de grande aprendizado 
durante a leitura. As ilustrações de seus livros compõem toda a história dando 
um toque especial e ajudando os leitores a embarcarem na viagem que a leitura 
proporciona. 
 Conforme os questionamentos direcionados a Ruth Rocha em uma 
entrevista, referentes a como a literatura infanto-juvenil pode contribuir para o 
processo de ensino-aprendizagem e nas vivencias dos alunos nas séries iniciais 
do Ensino Fundamental, obtivemos como resposta que a literatura desenvolve 
muitas virtudes no ser, tais como a ampliação dos horizontes, tanto geográficos 
quanto sociais e psicológicos, pois proporciona um vasto vocabulário, a 
estimulação do conhecimento, não só da língua portuguesa, mas das demais 
línguas, podendo citar o inglês como exemplo, possibilitando o desenvolvimento 
da fala, organização do pensamento, reforçando a formação dos estilos da 
escrita, diferenciando as letras bastão, que são geralmente usadas em livros, e 
a letra cursiva, utilizada no dia a dia escolar e pessoal. Gera o despertar e 
incentiva o desenvolvimento da imaginação e da criatividade, dentre inúmeras 
outras vantagens que se pode ressaltar a inserção do indivíduo na sociedade de 
modo que ele saiba detectar e pôr em prática os seus direitos e deveres, 
exercendo a cidadania. 
 Segundo Ruth Rocha, todos os temas e gêneros literários podem ser 
tratados com as crianças. O que faz um tema ser adequado é a forma com que 
ele é apresentado. Devemos levar em consideração sempre o ponto de vista da 
criança sobre o assunto e se ela se sente confortável para falar sobre. Não é 
interessante quando a história causa desconforto a ponto de contribuir 
negativamente para a criança, logo perde todo o seu encantamento. 
27 
 
As variedades temáticas são fundamentais para o enriquecimento cultural de 
forma geral, ressaltando os diversos costumes da sociedade, os quais citamos 
crenças religiosas, vestuário, as histórias transmitidas de geração em geração 
que se perpetuam até os dias de hoje, a arte e os legados históricos. Além 
desses aspectos, devemos mencionar o desenvolvimento emocional da criança, 
que é uma peça imprescindível para que todo o conjunto, emoção e 
aprendizagem, caminhem juntos funcionando harmonicamente para que 
nenhum desses pontos venha prejudicar o desenvolvimento e a aprendizagem. 
 Para que os pais compreendam a importância da contação de histórias 
para o desenvolvimento pleno da criança, é necessário dar voz e espaço a ela, 
promovendo o diálogo para que seja exposto o modo como ela se sente. Esse 
momento pode ser reservado juntamente com a realização da contação, pois 
nessa hora as crianças gostam de conversar com seus pais e de contar 
situações ocorridas, mas quando percebem que os pais não fornecem essa 
abertura, a criança se fecha e dá início ao afastamento dos pais, a falta das 
demonstrações afetivas e a guardar o que sente. Os pais precisam levar o que 
seus filhos têm a dizer a sério, partindo de um momento de lazer. 
Para que uma atitude se torne um hábito, é necessário dedicar um tempo diário, 
não é um processo que acontece de um dia para o outro. Esse hábito deve ser 
iniciado na primeira infância, sendo que alguns pais inserem a contação de 
história na vida de seus filhos desde a gestação. 
A escola tem o poder de transformar a leitura e a contação de história num 
hábito na vida acadêmica dos alunos, praticando-a desde o maternal, onde 
auxilia na inicialização da fala. Se essa prática for feita com seriedade, acarreta 
benefícios aos educandos. 
 Os professores devem também gostar da história que decidirem contar, 
para que assim a contação aconteça com entusiasmo, pois caso contrário as 
crianças não se conectarão com o que está sendo contado. As crianças 
possuem uma sensibilidade muito acentuada e percebem quando o professor 
está inteiro no que propôs a fazer para eles. Neste caso, os alunos o valorizam, 
pois o docente está verdadeiramente interessado em promover a troca de 
experiências. Ele deve ler a história várias vezes para conhecer e se familiarizar 
com o texto, como ele soa. 
28 
 
 A contação de histórias segue um passo a passo que requer tempo hábil 
para realiza-la, por isso é importante pensar na duração das histórias e se os 
ouvintes possuem fôlego para ouvi-las por um longo tempo. O ideal é que sejam 
selecionadas as histórias mais longas para os alunos um pouco maiores, pois 
normalmente possuem um tempo maior de concentração do que as crianças 
mais novas, onde a concentração é mais curta e querem logo trocar de atividade. 
Um dos objetivos é que as crianças desejem mais do que o professor está 
oferecendo a elas e não que pareça algo cansativo e maçante. Precisa ser bom 
para quem conta e para quem ouve. 
 A leitura é uma importante ferramenta para a educação, independente das 
séries ou da idade, mas é importante ressaltar que a literatura é uma expressão 
artística praticada desde a antiguidade e veio sendo desenvolvida pelos mais 
idosos para que os mais novos pudessem ter ciência dos acontecimentos com 
seus antepassados por contos, lendas, mitos e para passar ensinamentos 
religiosos, passando seus conhecimentos e experiências de pais para filhos. Ela 
deve ser apreciada como uma arte, devido ao desejo de segmentar o mundo 
real e o imaginário. A essência dessa arte encontra-se nas palavras. 
 As mudanças que desejamos observar nas crianças e nos demais 
envolvidos não ocorrem de maneira imediata, mas permite que o individuo 
reavalie as suas ações para que assim possa ocorrer a mudança de 
comportamento. É um processo que leva tempo, ainda mais se contarmos com 
os contratempos, que podemos usar como exemplo um acontecimento muito 
comum, que é a falta da participação dos pais, eles se tornam peças inativas 
durante o processo em que as crianças precisam fortemente do apoio, diálogo 
e do afeto. Muitas das vezes os alunos acabam transferindo para o professor um 
papel que cabe aos responsáveis executar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
 
4 CONCLUSÃO 
 
 Conclui-se este trabalho enfatizando a importância da coparticipação dos 
pais juntamente com os docentes, tendo como objetivo oferecer aos discentes 
uma aprendizagem significativa e lúdica despertando e mantendo o interesse 
dos mesmos almejando leva-los a construção do conhecimento obrigatório das 
disciplinas do currículo e as competências necessárias para que possam 
conviver em harmonia com o outro e consigo mesmo. 
 Ressalta-se também a necessidade do docente,mesmo depois de 
formado, dar continuidade à construção do seu próprio conhecimento, para 
assim oferecer aos seus alunos metodologias, práticas e abordagens diferentes 
para favorecê-los no processo de ensino-aprendizagem. O apoio da escola, não 
somente aos pais e alunos, mas ao professor, é imprescindível, fornecendo os 
recursos didáticos para que o mesmo possa realizar a contação de histórias de 
maneira atrativa e diversificada de acordo com cada situação encontrada, pois a 
contação deve acontecer de maneiras diferentes. 
 Entre a teoria e a prática há uma distância consistente, de modo que nem 
todos os professores praticam e veem a contação de histórias como uma prática 
que realmente pode-se obter resultados satisfatórios, por isso a importância de 
conscientiza-los. Ao contar uma história é importante que o professor use a 
afetividade, não como se fosse um acessório, mas que de forma sincera dê afeto 
aos alunos, pois espera-se que a criança se sinta acolhida. 
 Outros aspectos que merecem uma atenção maior é o cuidado no 
momento de seleção das histórias, analisando se o conteúdo realmente 
encontra-se adequado e se o texto não possui palavras inapropriadas para a 
faixa etária. Se faz necessário que o docente tenha o conhecimento prévio da 
história selecionada verificando se está de acordo com os objetivos que foram 
traçados. 
 A contação não precisa acontecer exatamente em um dia, ela pode ser 
dividida e trabalhada por um curto, médio ou longo prazo, mas ressaltando que 
para a mudança de comportamento acontecer leva um tempo, não há como 
estimar um prazo, é um processo muita vezes lento, variando de acordo com a 
temática. 
30 
 
 As fontes primárias7 utilizadas para a construção desse trabalho, que são 
os documentos oficiais de educação, devem fazer parte do conhecimento da 
escola, dos professores, pais e da comunidade, pois assim todos trabalham bem 
fundamentados e de forma coerente em prol da criança e do seu pleno 
desenvolvimento. 
 Com base nos dados coletados através da entrevista, deduz-se que se 
faz necessário que a criança tenha um contato frequente com a leitura, em 
virtude de formar seres pensantes e críticos já que a leitura favorece a visão de 
mundo. Assim como a participação efetiva dos pais na vida escolar da criança e 
na organização das emoções, pois o papel dos mesmos na vida da criança é 
primordial para que ela cresça de forma saudável, psicologicamente falando e 
tendo um apoio familiar. 
 Espera-se que os pais tenham ciência da importância da sua colaboração 
e fiscalização do ambiente escolar dos seus filhos. Quando os pais estão 
inteirados sobre o que eles vivem e/ou sentem, os permitem agir na identificação 
de problemas e na busca por soluções, já que esse não é um papel que se 
restringe à escola, mas inclui a família. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 Parâmetros Curriculares Nacionais, a Lei de Diretrizes e Bases de 1996, os Temas Transversais, o 
Estatuto da Criança e do adolescente e as Diretrizes Curriculares Nacionais. 
31 
 
5 REFERÊNCIAS 
 
Fontes Primárias: 
 
BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. Brasília-DF: 
MEC / SEB / DICEI, 2013. Disponível em: 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias
=15548-d-c-n-educacao-basica-nova-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 12 mar. 
2019. 
 
BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069, de 13 de julho 
de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. 
Acesso em: 15 mar. 2019. 
 
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases (LDB). Lei 9394/96, de 20 de dezembro de 
1996. Estabelece as diretrizes e bases da Educação Nacional. Brasília: MEC, 
1996. 
 
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Língua Portuguesa. 
Ensino Fundamental I. Brasília: MEC/SEF, 1998. 
 
Entrevista realizada com Ruth Rocha por e-mail, com intermédio do psicólogo e 
pedagogo Marcos Ribeiro. 
 
 
Fontes secundárias: 
 
LACOMBE, Ana Luísa. Quanta História Numa História. São Paulo: Ed: 
Realizações, 2015. 
 
DOHME, Vania. As histórias como meio de comunicação (Conte uma história 
para seu filho 1). São Paulo: Ed. Informal, 2013. 
 
32 
 
RIBEIRO, Elisa. A contribuição da contação e histórias para aprendizagem na 
Educação Infantil. Tcc online, 2010. Disponível em: https://tcconline.utp.br/wp-
content/uploads/2012/07/A-CONTRIBUICAO-DA-CONTACAO-DE-HISTORIAS-
PARA-A-APRENDIZAGEM-NA-EDUCACAO-INFANTIL.pdf. Acesso em: 24 mar. 
2019. 
SILVA, Solimar. Histórias para encantar e desenvolver valores. Petrópolis - 
RJ. Ed: Vozes, 2015. 
 
ZABALA, Antoni; ARNAU, Laia. Como aprender e ensinar competências. 
Tradução de Carlos Henrique Lucas Lima Porto Alegre. Ed: Artmed, 2010. 
 
 
https://tcconline.utp.br/wp-content/uploads/2012/07/A-CONTRIBUICAO-DA-CONTACAO-DE-HISTORIAS-PARA-A-APRENDIZAGEM-NA-EDUCACAO-INFANTIL.pdf
https://tcconline.utp.br/wp-content/uploads/2012/07/A-CONTRIBUICAO-DA-CONTACAO-DE-HISTORIAS-PARA-A-APRENDIZAGEM-NA-EDUCACAO-INFANTIL.pdf
https://tcconline.utp.br/wp-content/uploads/2012/07/A-CONTRIBUICAO-DA-CONTACAO-DE-HISTORIAS-PARA-A-APRENDIZAGEM-NA-EDUCACAO-INFANTIL.pdf

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