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1 ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR OS JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL DE 1 A 6 ANOS AS ESCOLAS PÚBLICAS BRASILIERAS Fernanda Barbosa Santiago 1 Maria da Conceição Guerra de Moraes 2 RESUMO O presente artigo discute a relevância do brincar, associado a jogos pedagógicos, no processo de ensino-aprendizagem na Educação Infantil, com foco em escolas públicas brasileiras. O estudo tem como objetivo compreender a utilização do lúdico como recurso didático e propõe estratégias para aprimorar a aplicação de jogos e brincadeiras na educação de crianças de 1 a 6 anos nas escolas públicas brasileiras. A metodologia abordada refletem os pensamentos de grandes teóricos da história, inclui uma revisão bibliográfica fundamentada em autores como Vygotsky (1994), Piaget (1973), Kishimoto (1996), Santos (2007), Minayo (2006), que em diversos momentos de suas carreiras se dedicaram a compreender o papel dos jogos e brincadeiras no desenvolvimento infantil, assim como o papel do lúdico no desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança, além de uma pesquisa de campo que investiga a prática do brincar no ambiente escolar. Os resultados evidenciam a importância do lúdico no processo de socialização e aprendizado das crianças, destacando a necessidade de estratégias mais eficazes para o planejamento e execução dessas atividades no contexto educacional. Esse tema é de suma importância e deve ser trabalhado por pedagogos, professores, comunidade, escola e familiares, que desejam ajudar a criança a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. PALAVRAS-CHAVE: Jogos, Lúdico, Aprendizagem, Brincadeiras, Educação Infantil, Escolas Públicas. 1 INTRODUÇÃO No cenário educacional, principalmente na educação infantil, a temática sobre o brincar surge como um agente facilitador, aliais como ferramenta pedagógica aliada a aprendizagem, sendo utilizado por alguns teóricos e pedagogos já algum tempo. Por tratar-se de algo dinâmico, é exigido cuidado em seu planejamento e execução dentro do ambiente escolar. A ludicidade, o brincar estar estritamente ligado ao mundo infantil, sendo uma importante forma de comunicação, é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano. De modo geral, a brincadeira no universo infantil, estar ligada ao desenvolvimento integral do ser humano 2 nos aspectos físico, social, cultural, afetivo, emocional e cognitivo. Para tanto, faz-se necessário conscientizar os pais, educadores e sociedade em geral sobre o papel da ludicidade na infância. Vale pontuar que o ato de brincar é direto da criança reconhecido pela legislação brasileira tanto na Constituição Federal (1988), artigo 227, quanto no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990), artigos 4º e 16, mas ainda não oferece as condições para que esse direito seja exercido plenamente por todas as crianças. Outros direitos e princípios do ECA guardam direta relação com o brincar, dentre os quais destacamos, direito ao lazer (art. 4º), direito à liberdade e à participação (art. 16), peculiar condição de pessoa em desenvolvimento (art. 71). (FLORES, Marilena, do IPA Brasil, 2015). No dicionário Aurélio (2003) brincar é, “divertir-se, recrear-se, entreter-se, distrair-se, folgar", também pode ser "entreter-se com jogos infantis", ou seja, brincar é algo muito presente nas nossas vidas, ou pelo menos deveria ser. Já na visão de Oliveira (2000) o brincar não significa apenas recrear, é muito mais, caracterizando-se como uma das formas mais complexas que a criança tem de comunicar-se consigo mesma e com o mundo, ou seja, o desenvolvimento acontece através de trocas recíprocas que se estabelecem durante toda sua vida. Quando a criança brinca, sempre apresenta um comportamento além do habitual, do diário, assim ela se sente maior do que realmente é, também mais importante perante outras crianças, quando ela brinca com mais crianças desenvolve a socialização, companheirismo e até o respeito (WAJSKOP, 1995). Sob a ótica de Vygotsky (1998), é através do brincar que a criança equilibra as tensões provenientes de seu mundo cultural, construindo sua individualidade, sua marca pessoal, sua personalidade. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9394/1996, em seu Art. 62, a formação de docentes para atuar na educação básica deve ser realizada em nível superior, por meio de cursos de licenciatura plena, oferecidos por universidades e institutos superiores de educação. A lei admite, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos quatro primeiros anos do ensino fundamental, o nível médio na modalidade Normal. Dessa forma, a legislação deixa claro que é necessário, no mínimo, uma formação em nível superior para atuar como professor na educação básica, especialmente nos anos iniciais. Santos (2007, p. 41) salienta que: 3 As formações de profissionais da Educação Infantil deveriam estar presentes disciplinas de caráter lúdico, pois a formação do educador resultará em sua prática em sala de aula. Essas disciplinas ajudarão 13 na formação e preparação dos educadores para trabalharem com crianças, assim: “o lúdico servirá de suporte na formação do educador como objetivo de construir na sua reflexão – ação - reflexão buscando dialetizar teoria e prática, portanto reconstruindo a práxis”. Uma vez que é na educação infantil a criança experiencia o lúdico em sua rotina para se desenvolver, dessa forma, o professor deve estimulá-los a exprimir seus desejos, fazendo assim a interação pedagógico lúdica. Através dos jogos e brincadeiras as crianças têm maior facilidade em aprender e socializar com facilidade, pois aprendem a tomar decisões e perceber melhor o mundo dos adultos. Assim é a maneira como o professor deve trabalha com o brincar, desenvolvendo o psicológico, o intelectual, o emocional e o físico-motor das crianças, para que seja identificado a necessidade de cada aluno e assim, facilitar no aprendizado e desenvolvimento proposto pelo Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil que enxergam as brincadeiras como ferramentas que ajudam as crianças a transformar os conhecimentos que possui em conceitos com o que está brincando, como também estabelece vínculos do papel que está assumindo e tomando consciência e generalizando para outras situações de papéis que assumidos. Sendo assim, considera-se que na educação infantil as brincadeiras têm fundamental contribuição para o desenvolvimento e aprendizagem da criança, constituindo-se em um meio que possibilita a criança ao brincar desenvolver a linguagem, a imaginação e estratégias para solucionar problemas, movimenta-se e criar e interagir de forma a desenvolver suas potencialidades. O Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil norteia que: Nas brincadeiras, as crianças transformam os conhecimentos que já possuíam anteriormente em conceitos gerais com os quais brinca. Por exemplo, para assumir um determinado papel numa brincadeira, a criança deve conhecer algumas de suas características. Seus conhecimentos provêm da imitação de alguém ou de algo conhecido, de uma experiência vivida na família ou em outros ambientes, do relato de um colega ou de um adulto, de cenas assistidas na televisão, no cinema ou narradas em livros etc. [...] É no ato de 12 brincar que a criança estabelece os diferentes vínculos entre as características do papel assumido, suas competências e as relações que possuem com outros papéis, tomando consciência disto e generalizando para outras situações (BRASIL, 1998, p. 22). Neste sentido Kishimoto (2002, p. 146) traz a contribuição de que “por ser uma ação iniciada e mantida pela criança, a brincadeira possibilita a busca de meios, pela exploração ainda que desordenada, e exerce papel fundamental na construção de saber fazer”. Entende-se 4 que a brincadeirana visão da autora ajuda a criança a buscar meios que a ajude a aprender como fazer. Brincando a criança aprende a se relacionar com as pessoas e os objetos que estão ao seu redor, pois aprende com a experiência que vão tendo e assim através das vivencias, interagindo com as pessoas de seu grupo social vai possibilitar a apropriação da realidade da vida. Como professora atuante na área da educacional, vejo que devemos ampliar nossa identidade de cuidar do desenvolvimento das crianças como seres únicos, que sentem, pensam, criam, imaginam o mundo à sua própria maneira, e tem vontade de aprender e descobrir coisas novas, com uma enorme Capacidade de comunicação e de indagação em busca de compreender as coisas do mundo que as cercam. 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 APRESENTAR O BRINCAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DA BNCC, COMO EIXO ESTRUTURAL PARA A EDUCAÇÃO INFANTIL Antes mesmo de uma criança dar os primeiros passos elas já começam a interagir através das brincadeiras, isso mostra como tais são importantes, fazem parte do universo infantil proporcionando momentos agradáveis. De acordo com a lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9394/96, as propostas pedagógicas da Educação Infantil deverão considerar que a criança é o centro do planejamento curricular, é sujeito histórico e de direitos que, nas interações, nas relações e práticas cotidianas, constrói sua identidade pessoal e coletiva, brincar, imaginar, fantasiar, desejar, aprender, observar, experimentar, questionar, e constrói sentidos sobre a natureza e a sociedade, produzindo Cultura (BRASIL, 2013). De acordo com a BNCC Na Educação Infantil, as aprendizagens essenciais compreendem tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências que promovem aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos de experiências, sempre tomando as interações e a brincadeira como eixos estruturantes. Essas aprendizagens, portanto, constituem-se como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento (BRASIL, 2018, p. 44). O ‘conviver’ diz respeito às interações, onde se tem uso de diferentes linguagens promovendo o conhecimento de si e do outro. O ‘brincar’ amplia e diversifica as produções culturais, conhecimentos, experiências e habilidades. O ‘participar’ trata do planejamento das 5 atividades da vida cotidiana, tais como as brincadeiras, os ambientes, desenvolvendo linguagens e conhecimentos. O ‘explorar’ está relacionado aos movimentos, sentidos, emoções, transformações, ambiente etc., o que possibilita ampliação de saberes culturais em diferentes modalidades. O ‘expressar’ tem a ver com diálogo, a comunicação das necessidades, sentimentos, dúvidas, hipóteses, opiniões, utilizando-se de diversas linguagens. O ‘conhecer- se’ aborda a identidade pessoal, como um sujeito sócio-histórico e cultural, se construindo por meio das interações, linguagens e brincadeiras vivenciadas no contexto escolar. A BNCC também apresenta cinco campos de experiência que estruturam a Educação Infantil (BRASIL, 2018): Os campos de experiências constituem um arranjo curricular que acolhe as situações e as experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes, entrelaçando-os aos conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural. A definição e a denominação dos campos de experiências também se baseiam no que dispõem as DCNEI3 em relação aos saberes e conhecimentos fundamentais a ser propiciados às crianças e associados às suas experiências (BRASIL, 2018, p. 40). Os campos de experiência definidos pela BNCC são (BRASIL, 2018): O eu, o outro e o nós – A interação é o eixo principal. As crianças devem ser estimuladas a construir sua própria identidade e a descobrir o outro, pontos fundamentais para o desenvolvimento de autonomia e coletividade, visto que amplia a autopercepção e a percepção do outro. Corpo, gestos e movimentos – Com os sentidos, gestos e movimentos corporais, as crianças aprendem a explorar o mundo a sua volta, se expressando (linguagem) e produzindo conhecimento. Neste sentido, é importante que sejam desenvolvidas atividades onde as crianças possam ampliar seu repertorio de gestos e movimentos. Traços, sons, cores e formas – Assim como o corpo, gestos e movimentos, este campo de experiência está diretamente ligado a linguagem. Por meio de experiências e vivencias artísticas, culturais e científicas, locais e universais, como música e teatro, é proporcionado as crianças o desenvolvimento do senso crítico e estético, além de sensibilidade, apropriação e criatividade. Escuta, fala, pensamento e imaginação – A imersão na cultura oral e escrita amplia e enriquece as expressões e linguagens. Assim, a promoção de experiências onde a criança possa falar e ouvir potencializa sua participação na cultura oral, assim como a construção da sua concepção de escrita, compreendendo que assim como a oralidade, a escrita também é uma forma de comunicar. Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações – O amplo conhecimento do mundo está centrado em curiosidades e 6 descobertas. Logo são necessárias atividades que despertem a curiosidade, possibilitando observar, manipular de objetos, e investigar e explorar o ambiente. Como base de incentivos no processo educacional, o lúdico promove o rendimento escolar, além de fornecer o conhecimento e desenvolvimento da oralidade e o pensamento e sentido, dessa maneira, quando o professor compreende a importância do brincar como principal ferramenta estimuladora dentro do ambiente onde a criança está inserida, ajuda na estruturar de sua personalidade, autoestima, conhecimento de mundo, assim, cada brincadeira tem uma função especifica direcionada a cada faixa etária, quando dividimos as atividades lúdicas para cada criança de acordo com sua idade, cada uma tem uma função para desenvolver suas habilidades. Como salienta Maluf (2004) que “as crianças comunicam-se através do brincar e por meio dele tornam-se operativas”, portanto, o brincar está relacionado de forma estreita como a linguagem todos os diálogos e formas de comunicação que envolve o brincar. No entendimento de Nicolau (1986), seus estudos, afirma que quando a criança está brincando ou jogando, libera e canaliza suas energias, podendo transformar, portanto, uma realidade difícil em algo mais leve, dando abertura à fantasia, enfrentando os desafios, imitando e representando as interações presentes na sociedade no qual se vive, atribuindo aos objetos significados diferente, definindo e respeitando as regras, que são estipuladas pelo contexto social. Neste viés, Kishimoto (2006), explora que existem várias formas de brincar, a criança pode brincar de amarelinha, pião, carrinho, boneca, pega-pega, corda, bambolê, com bola arremessando ou em um jogo disputando com outras crianças, jogo de tabuleiros, jogos pedagógicos ou simplesmente brincadeira de imitação. Existem dois tipos de brincar: O brincar livre é quando utilizamos o lúdico informal, por exemplo, no ambiente familiar, é um momento em que a criança explora e investiga situações sozinhas por meio do brincar, as crianças aprendem algumas coisas sobre situações onde irão enfrentar como pessoa além de permitir que as crianças sejam capazes de enriquecer e manifestar sua aprendizagem. Já o brincar dirigido é quando usamos os jogos por meio de aprendizagem para a criança buscando e orientando na atividade lúdica para fins de desenvolver suas experiências em diferentes níveis para sua capacidade cognitiva através do brincar dirigido, às crianças tem variedades de possibilidades para o domínio dentro do ambiente escolar, por meio de jogos e brincadeiras. As brincadeiras aparecem como eixo estrutural dentro da proposta da educação infantil ao lado das interações e brincadeiras. Vygotsky (1984) e Kishimoto (1993), constituem-se nas referências básicas que fundamentaram este estudo por trazeremcontribuições acerca do jogo 7 e do brincar na educação infantil, além de tratarem da questão da socialização e constituição do ser pela interação social. A criança interage com meio explorando possibilidades, ampliando seu repertorio, as brincadeiras proporcionam para as mesmas o conhecimento com sentido significativo, o ato de brincar é permitir ter sensações incríveis o sentimento de poder imaginar. 2.2 CONCEITUAR OS TIPOS DE JOGOS E BRINCADEIRAS COMO INSTRUMENTOS FUNDAMENTAIS NO DESENVOLVIMRNTO A CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Os jogos e brincadeiras desempenham um papel vital no desenvolvimento da criança. Eles não só proporcionam diversão, mas também são ferramentas poderosas para o ensino de habilidades cognitivas, motoras e sociais. Os jogos e brincadeiras auxiliam no desenvolvimento integral da criança, visto que, essas ferramentas didáticas são uma maneira fácil, divertida e prazerosa para obter uma aprendizagem significativa. Para o desenvolvimento destas atividades na educação infantil, são necessárias metodologias que envolvam e prendam a atenção das crianças. Huizinga (1980) vai dizer que: O jogo é uma atividade, consequentemente tomada como não séria e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com o qual não se pode obter qualquer lucro, praticado dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo certa ordem e certas regras. (HUIZINGA, 1980, p. 13). Existem diversos jogos e brincadeiras, jogos de regras, jogos motores e jogos que imitam a realidade, e as brincadeiras que podem ser cantadas e brincadeiras de roda com origens em tradições folclóricas, esses jogos e brincadeiras transmitem culturas para as crianças, novos conhecimentos e, de certa forma, ensina sobre culturas populares do passado. Essas atividades consideradas tradicionais são importantes para o desenvolvimento cognitivo e motor da criança, dando ênfase principalmente nos anos iniciais, já que ao brincar a criança aprende a expressar os seus sentimentos, a fazer movimentos com o corpo e a usar o seu intelectual. Contudo, o uso de jogos computadorizados na educação infantil tem se tornado também uma ferramenta, pois, no mundo atual os recursos tecnológicos são diversos e as crianças começam a utilizá-los cada vez mais cedo. O ato de brincar é como visto como parte da cultura popular de um povo, ao brincar a criança está diretamente ligada às práticas sociais e culturais e o uso de jogos e 8 brincadeiras na educação infantil permite ampliar o seu universo cultural e social, desta forma essas atividades lúdicas trabalham a socialização e o intelectual da criança de forma divertida. Desse modo, os jogos e brincadeiras exercem efeitos sobre a criança e sua aprendizagem. Friedmann (1996) nos diz que: O jogo tradicional faz parte do patrimônio lúdico-cultural infantil e traduzem valores, costumes, formas de pensamentos e ensinamento. Seu valor é inestimável e constitui para cada indivíduo cada grupo, cada geração, parte fundamental da sua história de vida. (FRIEDMANN, 1996, p 43). No Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil, a brincadeira é vista como “[...] uma imitação, transformada no plano das emoções e das ideias de uma realidade anteriormente vivenciada. ” (RCNEI, 1998, p.27). Quando a criança brinca, ela reproduz situações vivenciadas no contexto ao qual ela estar inserida, desenvolve novas habilidades, se diverte, aprende a respeitar e seguir as regras proposta pela brincadeira, a expor os seus sentimentos e está em constante processo de socialização. Oliveira (2000) acrescenta a seguinte contribuição: A evolução lúdica, notadamente, nos primeiros anos de vida mostra que ao brincar a criança desenvolve a inteligência, aprende prazerosamente e progressivamente a representar sua realidade, deixa, em parte, o egocentrismo que a impede de ver o outro como diferente dela, aprende a conviver. O lúdico não está nas coisas, nos brinquedos ou nas técnicas, mas nas crianças, ou melhor, dizendo, no homem que as imagina, organiza e constrói (OLIVEIRA, 2000, P.10). Os jogos e brincadeiras são altamente produtivos para a criança, visando a sua formação plena e o seu desenvolvimento integral, a criança se forma e se desenvolve ao brincar, seja em casa, na escola, no parquinho ou em qualquer outro ambiente, o ato de brincar envolve todo um processo positivo na vida da criança, os jogos e brincadeiras facilitam a apreensão da realidade de uma forma criativa e divertida. Kishimoto ao falar sobre a importância do jogo afirma que: O jogo como promotor da aprendizagem e do desenvolvimento, passa a ser considerado nas práticas escolares como importante aliado para o ensino, já que colocar o aluno diante de situações lúdicas como jogo pode ser uma boa estratégia para aproximá-lo dos conteúdos culturais a serem veiculados na escola. (KISHIMOTO 2002, p. 13) Os principais conceitos para o desenvolvimento da criança é através do lúdico onde tem um papel muito importante, pois a criança aprende e se desenvolve de maneira prazerosa com 9 o uso dos jogos e brincadeiras, esses jogos proporciona a criança curiosidade, ao brincar e estimulados neurônios da felicidade trazendo um aprendizado tranquilo. O jogo e o brincar são fundamentais para o desenvolvimento efetivo e completo da criança pelo fato de colaborarem significativamente com o desenvolvimento físico cognitivo infantil, além de envolverem as relações afetivas que a criança estabelece com o meio e com os indivíduos nele inseridos, (Miranda: Silva 2010, p. 3). Marafon (2009) contribuem quando afirma que “a brincadeira é a atividade em que o motivo está no próprio processo de brincar ou seja, o que motiva a criança é a atividade em si. ’’ A brincadeira é um desejo da criança que surge da necessidade de fazer algo que lhe proporciona prazer pelo simples fato de estar realizando uma atividade de interação inerente, sem fins para alcança-lo. Quando o professor traz algo novo é instantânea a motivação da criança esse sentido é explorado áreas cognitivas de sua mente estimulando os cinco sentidos do corpo o educador deve elaborar estratégias para o educando trazendo de forma clara e eficaz para o desenvolvimento, pois o brincar é fundamental e a principal ferramenta estimuladora para o processo de aprendizagem. Para Oliveira e Sousa, (2008) “o brinquedo é um suporte, um dos meios para desencadear a brincadeira; todavia, a brincadeira, em parte, escapa ao brinquedo. ’’ Para as autoras o brinquedo é para as crianças, assim ocorre o brincar, todavia não atrapalha ao estabelecer a ação do brincar. Quanto mais a criança brinca, mais ela é estimulada, refletindo o verdadeiro sentido de brincar e o corpo transmite liberdade e o prazer na realização do brincar, dessa forma a criança aprende e se relaciona no meio social em momento de alegria e satisfação, as brincadeiras livres em sala pode-se perceber o quando a criança está feliz, ao expressar suas emoções e euforia ativando a competitividade e trazendo alegria ou tristeza ao ganhar ou perder. Já Medeiros (2010), afirma que o ato de brincar não constitui perda de tempo nem tampouco um passatempo para preencher o tempo livre da criança em sala: quando o brincar é oferecido na escola, o aluno se desenvolve integralmente, e se desenvolve de maneira cativante, sendo capaz de desprender suas energias, imaginar, construir normas e encontrar alternativas para resolução de imprevistos durante o brincar. Especificamente busca-se compreender o quanto são importantes os jogos e as brincadeiras para as crianças na vida e nos processos pedagógicos. 2.3 DESENVOLVER ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR OS JOGOS E BRINCADEIRAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL 10 Para otimizar o uso dos jogos e brincadeirasna educação infantil, especialmente nas escolas públicas, é necessário implementar estratégias pedagógicas que considerem o contexto social e cultural das crianças. A análise do brincar na educação infantil é feita no artigo 9º das Diretrizes Curriculares de Educação Infantil. No artigo 9º, os eixos norteadores das práticas pedagógicas devem ser as interações e as brincadeiras, indicando que não se pode pensar no brincar sem as interações. O brincar é umas das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia (RCNEI, Brasil, 1998). O brincar não pode ser simplesmente um passatempo. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil “brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia’”. Vale ressaltar que por meio das brincadeiras as crianças interagem entre si, estabelecendo vínculos e novas aprendizagens (RCNEI, 1998, p.22). Sob a ótica de Adriana Lima (2002) “Não existe nada que a criança precise saber que não possa ser ensinado brincando”. Sendo assim, o planejamento é necessário para o cumprimento da ação pedagógica onde o educador se torna um mediador entre as interações e as brincadeiras. As brincadeiras na Educação Infantil são essenciais, pois é por meio do brincar que a criança interage com os demais. Portanto, é importante que o professor selecione as brincadeiras proporcionando a troca de conhecimentos, favorecendo a interação social como promoção de aprendizagens. A Educação Infantil é o espaço destinado à criança pequena, então é importante que haja integração do brincar no contexto escolar, com mediação intencional do educador, pois a brincadeira é inerente à criança e está diretamente associada à ação educativa na infância. 2.3.1 INTEGRAÇÃO DO BRINCAR AO PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO Uma das principais estratégias é a integração sistemática do brincar ao planejamento pedagógico. Isso implica que os professores devem planejar atividades lúdicas que estejam alinhadas aos objetivos educacionais, garantindo que o brincar não seja visto apenas como um passatempo, mas como uma parte integral do processo de aprendizagem. Adriana Lima (2002) sugere que praticamente tudo o que uma criança precisa aprender pode ser ensinado por meio de brincadeiras, tornando o processo mais envolvente e eficaz. 2.3.2 JOGOS QUE DESENVOLVEM A COORDENAÇÃO MOTORA AMPLA. 11 A coordenação motora ampla, e a capacidade de realizar movimentos que envolvem os músculos e as articulações, em harmonia com o espaço físico do entorno. É muito importante na educação infantil, ela fortalece os músculos e aprimora a destreza, também impulsiona a confiança e autoestima das crianças. É através da coordenação motora ampla que as crianças aprendem a explorar suas capacidades físicas, desafiando-se a superar limites e descobrir novos horizontes. Por isso, vale apena incentivar essa capacidade por meios de jogos e brincadeiras fazendo a diferença para o desenvolvimento de diversas habilidades durante a infância e que acompanharão as crianças ao longo da vida, até a fase adulta, vejamos alguns desses jogos. Os jogos e as brincadeiras auxiliam crianças no processo de pensar, e imaginar, criar, se relacionar com os demais. As brincadeiras são atividades físicas ou mentais que se fazem de maneira espontânea que proporciona prazer a quem a executa (QUEIROZ, 2003, p.158). As seguintes brincadeiras trazem enormes benefícios para o desenvolvimento das habilidades do público infantil: Amarelinha desenvolve a lateralidade a coordenação motora a interação social noção de espaço. Pular corda. Tem o papel importante para desenvolver. Pois estimula habilidades, flexibilidade, equilíbrio e concentração. Corrida com obstáculos: auxilia no desenvolvimento da coordenação motora global, estruturação do espaço temporal e esquema corporal e equilíbrio. O boliche desenvolve a organização, concentração, raciocínio lógico, senso corporativo. A corrida de saco trabalha a agilidade, equilíbrio, coordenação motora e velocidade. O pega-pega é uma brincadeira onde o pegador conta até 10 e os jogadores correm até chegar ao ponto de segurança sem serem pegos. Parafraseando Piaget, “Os jogos são brincadeiras e ao mesmo tempo meios de aprendizagem” (Piaget, 1967, p, 87). Assim, o jogo pode ser muito mais que uma simples brincadeira, pois proporciona ao desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Atividades como cortar papel com tesouras, fechar botões de roupas, brincar com blocos, pegar objetos com as mãos comer escrever e colorir são atividades que estimulam a coordenação motora fina. É essencial para o desempenho das tarefas que as crianças realizam diariamente vejamos: vestir, escovar os dentes, lavar as mãos, brincar, pintar, desenhar. 2.3.3 CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES E INFRAESTRUTURA ADEQUADA É crucial também que os professores sejam capacitados para utilizar o lúdico de forma eficaz, e que as escolas sejam equipadas com infraestrutura adequada para a realização dessas atividades. Isso inclui espaços apropriados para brincadeiras, materiais pedagógicos 12 diversificados e uma formação contínua para os educadores, para que possam desenvolver atividades lúdicas que atendam às necessidades de cada faixa etária. A formação continuada, centrada no ambiente escolar, é uma prática defendida por Nóvoa (1995). Segundo o autor, "as situações que os professores enfrentam possuem características únicas, exigindo, portanto, respostas igualmente únicas" (1995, p. 27). Aplicando esse pensamento ao contexto da Educação Infantil, é fundamental proporcionar aos profissionais espaços para avaliação e discussão, integrados às demais atividades realizadas nas instituições. Isso permite que a formação ocorra de maneira contínua e inserida no cotidiano, sendo vista não apenas como uma necessidade, mas como um direito para garantir uma Educação Infantil de qualidade. A formação contínua é indispensável não apenas para aprimorar a atuação dos profissionais e melhorar a prática pedagógica, mas também é um direito inalienável de todos os professores, além de uma conquista e um direito da sociedade em busca de uma escola pública de qualidade. Em relação ao trabalho educativo com crianças pequenas, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998) 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo destacou a importância do brincar no desenvolvimento infantil e propôs estratégias para melhorar a aplicação dos jogos e brincadeiras na educação infantil, especialmente em escolas públicas brasileiras. Ensinar na Educação Infantil significa proporcionar situações de cuidado, de brincadeiras, interação professor-criança e criança- criança, situações estas que possibilitam a aprendizagem das crianças como enfatiza o Referencial Curricular para Educação Infantil (1998). O profissional atuante nessa etapa se caracteriza como mediador do processo de ensino-aprendizagem, o mesmo precisa ouvir e sentir as crianças apropriar-se do que elas pensam, observar o que brincam e como brincam, as suas concepções, o seu desenvolvimento, pois nessa fase inicia-se a formação do ser humano sensível, de uma base de valores que proporcionarão às mesmas a busca e a vontade de aprender e também a ser. Para tanto, uma proposta pedagógica que considere as diversas linguagens (oral e escrita; matemática; artística; corporal; musical, temporal e espacial) é essencial para propiciar às crianças o contato com a pluralidade de conhecimentos, no entanto, a intervenção do educador necessita ser repensada e refletida de modo que a relação entre o que se planeja e 13 o que se faz, em termos de ação pedagógica têm que ser algo real e efetivo, nesse sentido um primeiro passo é atentar a fundamentos que norteiem essa proposta englobando princípios éticos da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade, princípios políticosdos direitos e deveres da cidadania, do exercício da criticidade, princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade, da qualidade , além da concepção de criança enquanto cidadão de direitos e que, para que suas prioridades sejam atendidas requer de uma legislação e políticas de atendimento eficaz, como também, de educadores comprometidos com a infância. Através dessa pesquisa pôde-se saber que o brincar é fundamental no processo de ensino-aprendizagem, jogar, brincar são atividades importantes para o desenvolvimento emocional, afetivo, cognitivo e social dos alunos. Pôde-se, ainda, constatar, de perto, o quanto as brincadeiras e os jogos têm perdido espaço para a alfabetização precoce. Com a oportunidade de ver a atuação de um educador que ministra suas aulas de forma lúdica, descontraída e dinâmica tomando o processo de ensino-aprendizagem muito divertido e prazeroso, contudo sabe-se que são raros os professores que trabalham assim, tornando esse processo de ensino um verdadeiro massacre às crianças. Foi possível perceber que os pais e escolas cobram muito do professor para que seu filho saia da educação infantil alfabetizado e, não percebem o quanto isso é prejudicial para a criança. Cada vez mais cedo são obrigadas a trocar brinquedos por livros. Quando se faz referência ao termo massacre, o que se quer dizer é que atropelamento é desrespeito à maturidade e ao desenvolvimento da criança. Ensinar e exigir que uma criança de cinco anos manuseie com facilidade o traçado em cursivo é bem complicado, pois sua coordenação motora não está preparada para tal exigência. Ao mesmo tempo, fazer certa pressão para que essas crianças leiam, também é algo que não condiz com a idade da criança. Contudo, na instituição essas exigências são normais e, aqueles que não conseguem, estão fora do padrão estabelecido. Através dessa pesquisa, pôde-se alcançar o objetivo proposto que foi perceber a importância do lúdico, dos jogos e das brincadeiras na educação infantil e, como esses recursos são utilizados pelos educadores em sala de aula. E assim, o desenvolvimento da criança é resultado da interação de uma aprendizagem natural e, ao mesmo tempo, estimulada, que ocorre por meio da experiência adquirida no ambiente e com capacidade própria da criança, em que cada uma tem seu ritmo próprio e sua capacidade individual. 14 4 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brincar. Brasília: MEC/SEF, 1998. BRASIL, 1998, p. 22. De acordo com a DCNEI (2010, p.12) A educação infantil constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e cuidam de crianças de 0 a 5 anos. Ainda de acordo com as DCNEI (2010.p 25). FREIRE, Paulo, 1997, p. 59. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: paz e terra, 1997. KISHIMOTO, Tisuko M. Jogos, brinquedos, brincadeiras e a educação 11 ed. São Paulo. Cortez, 2008. HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. 2. ed. 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