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CONEXÕES LITERÁRIAS: CONHECENDO A LITERATURA BRASILEIRA PRODUZIDA EM MATO GROSSO
Relato de Experiência
Eixo Temático XI: BIBLIOTECA
SANTANA, Jéssica de Jesus[footnoteRef:0] [0: Professora Licenciada em Letras/Inglês, Pedagogia. Especialista em Língua Portuguesa e Docência do Ensino superior e em Gestão escolar e coordenação pedagógica.] 
Resumo
A literatura, a nosso ver, não deve figurar em sala de aula como um conteúdo a ser avaliado. Na defesa que fazemos, o acesso a ela é o de um direito inerente ao estudante. Considerando o que propõe Candido (2004), a literatura é embrionária do processo de humanização, portanto, se tomada como objeto de ensino, que o seu propósito esteja amplamente vinculado ao de sensibilizar e encantar crianças e jovens. Acreditando nessa prerrogativa esse relato tem o propósito de compartilhar com os educadores e demais interessados a experiência de difusão da literatura brasileira produzida em Mato Grosso, entre estudantes da Escola Estadual Patriarca da Independência durante o ano letivo de 2024.
Palavras-chave: Literatura. Mato Grosso. Estudantes.
1 Introdução 
É frequente ouvir dos estudantes, especialmente os cursistas de Ensino Médio, a admissão que não gostam de ler. São eles que atestam mais prontamente certa ojeriza pela leitura literária, isso se deve quase sempre, em razão de um processo de ensino que associou a leitura literária à obrigatoriedade da nota. Por outra via, entendo também que a leitura é um exercício difícil, que exige concentração. Ler demanda articular conhecimentos linguísticos, socioculturais, históricos, bem como uma série de outras ilações que, por vezes, tornam, especialmente a leitura literária, desafiadora para jovens leitores, mormente aqueles que, inseridos no ambiente tecnológico, optam por uma relação mais intrincada com as mídias sociais. O livro físico tem sido relegado pelas novas gerações, é suficiente que se observe a preferência dos estudantes pelos celulares e Chromebook. 
Foi diante dessa conjuntura que, durante o ano letivo de 2024, nos propomos desenvolver um projeto de leitura que privilegiava a literatura brasileira produzida em Mato Grosso. A denominação é uma terminologia adotada por nós com a perspectiva de desanuviar a perspectiva de pensarmos essa literatura pelo viés regionalista, que em nossa opinião, conduz uma adjetivação pouco eficiente, particularmente quando projetamos a literatura contemporânea. 
Corrobora a nossa constatação produções com a de Eduardo Mahon, Divanize Carbonieri, Marta Helena Cocco, Edson Flávio, Adilson Vagner de Oliveira, Marli Walker, Lucinda Persona, Luciene Carvalho, em que invariavelmente pouco ou quase nada do cenário mato-grossense é colocado em perspectiva. O tipicamente regional ocupou espaço na literatura produzida no estado em obras romanesca como as de Ricardo Guilherme Dicke, e na poesia memorialística de precursores como Dom Aquino Correa, Natalino Ferreira Mendes, José de Mesquita, entre outros, porque Mato Grosso tem uma produção literária consistente. Haja visto a contribuição de Eduardo Mahon (2021), que em dissertação de mestrado aporta uma discussão contribuitiva acerca da literatura produzida em Mato Grosso enfatizando prioritariamente a produção contemporânea. 
Espaços alheios
	Dois cenários se propuseram a partir do posto. O desafio concernente ao professor de Língua Portuguesa, a imperiosa missão de formar leitores, e a constatação de que temos no estado uma literatura consistente. Pareciam-nos dois aportes alinhados, todavia separados por um entrave. Como propiciar o encontro entre o jovem e o livro de forma intuitiva e não impositiva. No correr do primeiro bimestre, convêm situar, estávamos num espaço improvisado. Enquanto aguardávamos o término da reforma da escola, o salão de festa da igreja católica do bairro foi transformado em escola. Provisoriamente não dispúnhamos de um lugar adequado para mobilizar leituras. Todavia, foi a partir dali que impulsionamos o contato do leitor com o livro produzido em Mato Grosso
	A praça da igreja, as salas improvisadas, o quintal farto ao redor do salão serviu de ambientação para as primeiras leituras e trocas de experiências leitoras. O “Piquenique Literário” selou no intercurso do primeiro bimestre o contato com obras e autores da literatura produzida em Mato Grosso. O acervo, ainda que bastante precário, oportunizou um momento impar de apreciação do livro literário produzido no estado. Privilegiamos para esse encontro, obras de autores atuantes, os contemporâneos, que podiam ser acionados pelos alunos em redes sociais. Essa aproximação facultou maior interesse dos estudantes, que a partir dessa ação, passaram a buscar mais informações acerca de obras e autores que produzem literatura em Mato Grosso. 
A transformação: o espaço, o livro, o leitor, o autor
	A reforma da escola assegurou novo espaço para a biblioteca, ampla, iluminada, climatizada o que favoreceu melhores condições para o trabalho a ser desenvolvido, bem como melhor acesso dos leitores ao livro. A escola recebeu doações importantes de obras literárias, e houve também empenho da direção em adquirir livros novos, o que possibilitou inclusive aumentar o acervo de livros produzidos em Mato Grosso. 
Em meados do segundo bimestre, devidamente instalados, acionamos o romancista Adilson Vagner de Oliveira, autor de “Espaço de Família” “Dois” e “Túnel do Tempo” para o primeiro “Café Literário” com as turmas de Ensino Médio. Como atividade prévia, a proposta para o bimestre foi a leitura do romance “Espaço de família”. A visita do autor aconteceu em junho e fechou o primeiro ciclo de discussões. 
Ainda no segundo bimestre foi realizado o segundo “Café literário” com a turma do terceiro ano do Ensino Médio. Já inseridos num processo de leitura, troca de livros e impressões de leitura, o que observamos foi o alargamento de interesse dos estudantes, maior autonomia, inclusive, para escolhas mais assertivas, o que assegurou maior diversidade e riqueza de impressões no momento de partilha das leituras realizadas por eles. 
Viajantes do conhecimento
	A ideia de uma viagem cultural foi fomentada ainda no curso do primeiro bimestre. Alimentada em cada obra lida e em cada autor que se tornara conhecido dos estudantes. Posterior as férias de julho, novas rodadas de leituras foram incentivadas. Com a perspectiva da viagem cada vez mais real e próxima, os estudantes leitores se dedicaram, e ajustados os pontos, em outubro foi realizada a primeira viagem cultural à Cuiabá. Na oportunidade trinta estudantes puderam conhecer a Academia Mato-grossense de Letras, bem como a história de seus precursores. Visitam o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso e ainda almoçaram com os autores Eduardo Mahon, Cristina Campos, Stefanie Sande e Olga Maria Castrillon Mendes. Na oportunidade, a escola recebeu importante doação de livros da editora Carlini e Caniato, obras passaram a partir da data a compor o acervo da biblioteca. O escritor Edson Flávio enviou igualmente uma doação significativa de seu novo livro de contos, o qual está sendo lido pelos estudantes do terceiro ano para o ultimo café literário a ser realizado em novembro do corrente ano. 
Considerações finais
	Estamos vivendo momentos cruciais da história da educação, não é difícil constatar que a Educação Básica altera a passos largos estrutura e concepções. No caso das escolas de tempo integral, como é a nossa, toda uma nova conformação se exercita. Na prática todos somos executores de ações, o estudante não pode, e não fica passivo. O professor não pode e não deve se permitir acomodar. A experiência aqui relatada indica a possibilidade de conciliar tecnologias distintas, o livro, o Chromebook, o celular. Não é preciso relegar um em detrimento de outro, entretanto, utilizar as potencialidades de cada um desses instrumentos requer um pouco de ousadia, coragem e inventividade. O livro e o celular necessariamente não precisam ser oponentes e podem ser, contrário a isso, complementares. A leitura literária a partir do que aportaCandido (2004) é potente meio de humanização. Essa verdade pode ser constatada no encontro do jovem com o livro, nas discussões privilegiadas nesses espaços em que para além das notas, das médias, o estudante encontra um espaço favorável para a partilha. 
 
ANEXOS 
Lançamento do projeto “Passaporte literário”. Leitura e piquenique na praça
 Participação na 1ª Mostra científica de Tangará da serra Café literário com a turma do terceiro ano
1º encontro interescolar de leitores. Visita à Academia Mato-grossense de Letras
Visita ao Museu de Arte Sacra. Almoço com autores
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
CANDIDO, Antonio. Direito à literatura. 4ª edição, reorganizada pelo autor. Rio de Janeiro 2004.
CANDIDO, Antonio. Iniciação à literatura brasileira. Rio de Janeiro: Ouro Sobre azul, 1999
DALCASTAGNÈ, Regina. Literatura contemporânea: um território contestado. Vinhedo. Editora Horizonte/ Rio de Janeiro, Editora da Uerj. 2012.
MAHON, Eduardo. A gente era obrigada a ser feliz. 1ª edição. Cuiabá – MT: Carlini & Caniato Editorial, 2019
MAHON, Eduardo. A literatura contemporânea em Mato Grosso. 1ª edição. Cuiabá – MT: Carlini & Caniato Editorial. 2021.
MAHON, Eduardo. Alegria. Cuiabá: Carlini & Caniato/ Porto Alegre: Sulina, 2018. MAHON, Eduardo. O cambista. Cuiabá – MT. Carlini & Caniato, 2014.
MAHON, Eduardo. Mea culpa. 1ª edição. Cuiabá – MT: Carlini & Caniato Editorial, 2020
MAHON, Eduardo. O fantástico encontro de Paul Zimmermann. Cuiabá MT: Carlini e Caniato, 2016.
MAHON, Eduardo. O homem Binário e outras memórias da Senhora Bertha Kowalski. Cuiabá – MT; Carlini e Caniato, 2017.
PERRONE-MOISÉS, Leyla. Mutações da literatura no século XXI. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
RESENDE, Beatriz. Possibilidades da nova escrita literária no Brasil. Rio de Janeiro: Revan, 2014.
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