Prévia do material em texto
PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Aula 5 OBJETIVOS PARA HOJE • Organograma • Tipos de Natureza Jurídica • Estratégia Tributária ESTRATÉGIA TRIBUTÁRIA SIMPLES NACIONAL - O Simples Nacional é um regime tributário simplificado criado pela Lei Complementar nº 123/2006, destinado às microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) no Brasil. Ele foi criado para simplificar a arrecadação de impostos, unificando oito tributos em uma única guia de pagamento. Benefícios do Simples Nacional: • Unificação de Impostos: Os tributos federais, estaduais e municipais são unificados em um único documento de arrecadação, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). • Redução de Carga Tributária: Dependendo da atividade e do faturamento, as alíquotas podem ser menores do que em outros regimes tributários. • Facilidade de Gestão: Menos burocracia e facilidade na gestão contábil e fiscal. Obrigações do Simples Nacional: •Apuração Mensal: As empresas devem apurar e pagar os tributos mensalmente através do DAS. •Declaração Anual: É necessário enviar a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) até o último dia de março do ano seguinte. •Nota Fiscal Eletrônica: Obrigação de emitir nota fiscal eletrônica conforme a legislação de cada estado. Empresas que podem optar pelo Simples Nacional: •Critérios de Enquadramento: Podem optar pelo Simples Nacional as microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil e empresas de pequeno porte com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões. •Atividades Permitidas: Nem todas as atividades podem optar pelo Simples Nacional. Algumas atividades específicas são excluídas. O Simples Nacional é um regime tributário muito popular entre as pequenas empresas, pois, nele, você consegue apurar e recolher oito impostos de forma unificada e facilitar a operação administrativa, o que é muito apreciado quando a estrutura é mais enxuta. É o sistema tributário mais desburocratizado, como o próprio nome indica. No Lucro Presumido, será necessário recolher os impostos separadamente, cada um deles em um documento de recolhimento diferente, enquanto no Simples Nacional esse recolhimento é centralizado em uma única guia. Além disso, as chamadas obrigações acessórias, que envolvem a produção e entrega de documentos e declarações, também são cobradas em quantidade muito inferior no Simples Nacional. Diferente do Lucro Presumido — de poucas restrições —, para participar do Simples Nacional, é preciso ter um perfil específico. Esse regime só é possível para pequenas e médias empresas, por conta do seu critério de faturamento, que deve ser de até R$ 4,8 milhões por ano; ou seja, o equivalente a uma média de R$ 400 mil por mês. Comparação entre Estratégias Tributárias Para comparar os impostos devidos pelo Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, vamos usar um exemplo prático com uma empresa fictícia que tem um faturamento anual de R$ 1.200.000,00 e é uma prestadora de serviços (anexo III do Simples Nacional). No Simples Nacional, a alíquota é determinada pelo faturamento anual e pela atividade da empresa. Vamos utilizar uma tabela simplificada para encontrar a alíquota aplicável. Cálculo do Simples Nacional: Para um faturamento anual de R$ 1.200.000,00, a alíquota é de 16,00% com uma parcela a deduzir de R$ 35.640,00. Imposto = (Faturamento x Alíquota) - Parcela a Deduzir Imposto = (1.200.000,00 × 16,00%) − 35.640,00 Imposto = 192.000,00 − 35.640,00 = 156.360,00 LUCRO PRESUMIDO - Lucro Presumido é um regime de tributação em que a apuração dos impostos é calculada sobre a receita da empresa, portanto, é uma estimativa do lucro que define o quanto deve ser pago. O cálculo é feito a partir de um percentual chamado de margem de presunção, que é definido pela legislação conforme a atividade. Esses percentuais incidem de forma trimestral para o cálculo de dois tributos: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). O contribuinte também precisa pagar a contribuição para o PIS e COFINS e, dependendo da atividade, o ISS ou o ICMS. Para aderir ao Lucro Presumido, a empresa precisa ter um faturamento de até R$ 78 milhões por ano. Caso o valor seja superado, a empresa deve esperar até a mudança do ano-calendário para fazer o enquadramento em outro regime de tributação. Para ser optante, é preciso atuar em uma dessas áreas: • Serviços hospitalares • Transporte de cargas • Transportadores • Comércio de produtos ou mercadorias • Construção civil • Profissionais liberais e autônomos (como advogados, contadores, médicos, engenheiros, etc.) • Atividade rural. Os impostos apurados mensalmente são calculados a partir de um percentual que incide diretamente sobre o faturamento da empresa. A cada mês, o contribuinte recolhe três impostos: • PIS: 0,65% • COFINS: 3% • ISS ou ICMS: de 2% a 5%, dependendo do município e da natureza da atividade da empresa. O ISS é um tributo municipal, que incide sobre a prestação de serviços, enquanto o ICMS é estadual e incide sobre a circulação de mercadorias, podendo incluir serviços como transporte e comunicação. Já os impostos recolhidos a cada trimestre são: • IRPJ: alíquota de 15% sobre a estimativa de lucro • CSLL: alíquota de 9% sobre a estimativa de lucro. Para chegar à estimativa de lucro da empresa, é preciso aplicar em cima do faturamento da empresa nos três meses os percentuais da margem de presunção, que são os seguintes: • Revenda de combustíveis: 1,6% • Serviço de transporte que não seja com carga: 16% • Prestadores de serviços em geral: 32% • Demais atividades, incluindo o comércio em geral: 8%. A apuração dos tributos de recolhimento mensal é mais fácil, pois basta aplicar o percentual da alíquota ao faturamento no mês. Já o cálculo dos impostos com apuração trimestral é um pouco mais complicado. Os passos são os seguintes: • Calcule o faturamento total do trimestre • Pesquise a margem de presunção referente à sua atividade • Multiplique a alíquota pelo faturamento para chegar à base • Multiplique a base por 15% (ou 0,15) para obter o valor referente ao IRPJ • Multiplique a base por 9% (ou 0,09) para obter o valor referente à CSLL. Cálculo do Lucro Presumido Utilizando o mesmo exemplo da empresa fictícia que tem um faturamento anual de R$ 1.200.000,00 e é uma prestadora de serviços, a base de cálculo é 32% do faturamento. A alíquota do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) é de 15% e do CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) é de 9%. Além disso, há o PIS (0,65%) e COFINS (3%). Base de Cálculo = Faturamento x 32% = 1.200.000 × 32% = 384.000,00 IRPJ = 384.000 × 15% = 57.600,00 CSLL = 384.000 x 9% =34.560,00 PIS = 1.200.000 × 0,65% = 7.800,00 COFINS = 1.200.000 × 3% = 36.000 Total de Impostos no Lucro Presumido = 57.600,00 +34.560,00 + 7.800,00 + 36.000,00 = 135.960,00 Vantagens do Lucro Presumido O Lucro Presumido pode ser mais vantajoso para empresas com uma margem de lucro alta, pois nesses casos a carga tributária é mais baixa na comparação com o Lucro Real. Menos cálculos: a apuração dos impostos é simples, como você conferiu nos exemplos acima, otimizando o trabalho do setor financeiro Menos erros: as margens de presunção predefinidas reduzem as chances de recolhimentos incorretos Menos documentos: não é necessário manter registros tão detalhados do seu negócio, simplificando a conformidade tributária Vantagens do Lucro Presumido O Lucro Presumido pode ser mais vantajoso para empresas com uma margem de lucro alta, pois nesses casos a carga tributária é mais baixa na comparação com o Lucro Real. • Menos cálculos: a apuração dos impostos é simples, como você conferiu nos exemplos acima, otimizando o trabalho do setor financeiro • Menos erros: as margens de presunção predefinidas reduzem as chances de recolhimentos incorretos • Menos documentos: não é necessário manter registrostão detalhados do seu negócio, simplificando a conformidade tributária • Carga tributária reduzida: as alíquotas para PIS e COFINS são menores em relação ao Lucro Real • Privacidade financeira: não é preciso divulgar tantas informações relacionadas aos resultados da empresa. Desvantagens do Lucro Presumido • Menos abatimentos: o regime não prevê abatimento de créditos de PIS e COFINS, portanto a empresa não consegue descontar valores que poderiam gerar crédito tributário, como ocorre no Lucro Real • Margem alta para serviços: a margem de presunção de 32% para a atividade pode causar um forte impacto nos resultados da empresa • INSS sobre folha de pagamento: a contribuição patronal é calculada sobre a receita bruta, aumentando os encargos trabalhistas • Limitação no uso de prejuízos fiscais: ao contrário do Lucro Real, a modalidade não permite compensar prejuízos fiscais de anos anteriores com lucros futuros. LUCRO REAL - A empresa que não escolhe nenhum regime diversificado para recolher seus impostos fica automaticamente no regime geral de apuração, que utiliza como base de cálculo dos impostos o lucro real aferido no período. Os tributos são calculados após a verificação do lucro líquido da empresa em cada ano fiscal, com os acréscimos ou abatimentos previstos em lei. O Lucro Real é obrigatório para bancos, seguradoras e todas as empresas com receita bruta anual maior que R$ 78 milhões. Como ele é o sistema de apuração e recolhimento de impostos mais burocrático de todos, funciona melhor para grandes empresas, que têm a estrutura de pessoal necessária para lidar com toda a documentação exigida. Quem tem um custo operacional muito alto e uma margem de lucro pequena pode ter no lucro real a melhor opção para pagar os impostos. Nesses casos, o trabalho adicional no administrativo é facilmente pago com a economia de impostos. A maior diferença em relação ao Lucro Presumido é que, no Lucro Real, o imposto é diretamente ligado ao lucro da empresa. Se a empresa está operando com prejuízo, por exemplo, ficará desobrigada de recolher os impostos que incidem sobre o lucro. O Lucro Real é o tributo é calculado sobre o lucro líquido da empresa durante o período a ser apurado. Assim, nessas situações, a empresa precisa verificar qual é o lucro auferido. E, com base no valor obtido, efetuar o cálculo dos tributos devidos a título de IRPJ e CSLL. Há a possibilidade de utilização de créditos fiscais como os de PIS e COFINS não cumulativos, entre outros. As alíquotas no regime do Lucro Real são calculadas com base no efetivo lucro obtido pela empresa. O cálculo do lucro é feito pela seguinte fórmula: Receitas – Despesas = Lucro Real. Empresas que adotam esse regime tributário precisam ficar atentas às suas contas. Devem ter um controle rigoroso dos valores de entradas e saídas. A opção pelo Lucro Real é adotada quando o lucro efetivo (Lucro Real) é inferior a 32% do faturamento no período de apuração. As alíquotas para cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica são de 15% (quinze por cento) para lucro de até R$ 20.000,00 mensais, e 25% para lucro superior a R$ 20.000,00 mensais. O adicional de IRPJ na apuração pelo lucro real é calculado sobre a parcela do lucro que exceder R$ 20.000,00 mensais ou R$ 60.000,00 trimestrais. Já para pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a alíquota será de 9% (nove por cento) sobre o lucro. Cálculo do Lucro Real Voltando ao mesmo exemplo da empresa fictícia que tem um faturamento anual de R$ 1.200.000,00. No Lucro Real, a base de cálculo é o lucro efetivamente apurado. Vamos considerar um lucro de 10% do faturamento para simplificar (R$ 120.000,00 anuais ou R$ 30.000 trimestrais). IRPJ = 30.000,00 × 15% = 4.500,00 x 4 trimestres = 18.000,00 Adicional de IRPJ = 0 (só é cobrado do lucro acima de R$ 60.000,00 por trimestre) CSLL = 120.000,00 × 9% = 10.800,00 PIS = 1.200.000,00 × 1,65% = 19.800,00 (incide sobre o faturamento) COFINS = 1.200.000,00 × 7,6% = 91.200,00 Total = 18.000,00 + 10.800,00 + 19.800,00 + 91.200,00 = 139.800,00 Comparação dos Regimes: • Simples Nacional: R$ 156.360,00 • Lucro Presumido: R$ 135.960,00 • Lucro Real: R$ 139.800,00 Conclusão: Com base nos cálculos acima, o Lucro Presumido apresentou a menor carga tributária para a empresa fictícia com os dados fornecidos. O Simples Nacional, embora não seja o mais econômico neste exemplo específico, ainda oferece vantagens significativas em termos de simplicidade e facilidade de gestão. O Lucro Real pode ser mais vantajoso dependendo da margem de lucro efetiva da empresa, mas envolve uma complexidade maior na apuração dos resultados. Essa análise pode variar dependendo de diversos fatores, como o setor de atuação, a margem de lucro real e outros benefícios específicos de cada regime. NATUREZA JURÍDICA As possibilidades de enquadramento de empresas pela natureza jurídica no Brasil são diversas e dependem do tamanho, da atividade econômica, do número de sócios e da estrutura organizacional da empresa. A seguir, temos as principais naturezas jurídicas disponíveis: Empresário Individual (EI): É a pessoa física que exerce em nome próprio atividade empresarial. Tem responsabilidade ilimitada (patrimônio pessoal responde pelas dívidas da empresa).Não há distinção entre o patrimônio pessoal e o da empresa. Exemplo: Pequenos comerciantes e prestadores de serviços Microempreendedor Individual (MEI): É uma modalidade simplificada de empresário individual, criada para formalizar pequenos empreendedores. Seu faturamento anual é limitado a R$ 81.000,00.Pode ter até um empregado. Regime tributário simplificado (Simples Nacional). Exemplo: Vendedores ambulantes, cabeleireiros, eletricistas. Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI): É uma modalidade de empresa que permite a constituição de uma pessoa jurídica por um único titular. Capital social mínimo de 100 salários mínimos. Responsabilidade limitada ao capital social. Pode optar pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Exemplo: Prestadores de serviços de consultoria, pequenos comerciantes. Sociedade Limitada (LTDA): É a forma mais comum de sociedade, composta por dois ou mais sócios. Responsabilidade limitada ao capital social. Capital social dividido em cotas. Pode optar pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. Exemplo: Empresas de comércio, indústrias, prestadoras de serviços. Sociedade Anônima (S/A): É uma sociedade cujo capital é dividido em ações, e os acionistas têm responsabilidade limitada ao preço das ações subscritas. Pode ser de capital aberto (com ações negociadas em bolsa) ou fechado. Governança corporativa mais complexa. Pode optar pelo Lucro Presumido ou Lucro Real (não pode optar pelo Simples Nacional). Exemplo: Grandes corporações, bancos, indústrias de grande porte. Sociedade Simples (SS): Destinada a profissionais liberais que exercem atividade de prestação de serviços intelectuais, de natureza científica, literária ou artística. Responsabilidade dos sócios pode ser limitada ou ilimitada. Não pode exercer atividade empresarial. Exemplo: Escritórios de advocacia, clínicas médicas, empresas de consultoria. Cooperativa: Sociedade de pessoas com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, constituída para prestar serviços aos associados. Gestão democrática. Distribuição das sobras de forma proporcional à participação dos associados. Exemplo: Cooperativas agrícolas, cooperativas de crédito, cooperativas de trabalho Associação: Entidade sem fins lucrativos, constituída pela união de pessoas para fins não econômicos. Pode receber doações, contribuições e firmar convênios. Não distribui lucro entre os associados. Exemplo: Associações de moradores, ONGs, clubes esportivos. Fundação: Entidade criada por meio de doação de bens livres, destinados pelo instituidor à realização defins determinados. Deve ter um patrimônio suficiente para a realização de seus fins. Foco em atividades de interesse público, social, cultural, científico ou educacional. Exemplo: Fundações de pesquisa, fundações culturais, fundações educacionais. ATIVIDADE PRÁTICA Enquadre a sua empresa na natureza jurídica adequada e escolha o estratégia tributária adequada para o seu negócio RESUMINDO A SESSÃO DE HOJE! Competências Desenvolvidas: Registrar e controlar a guarda e a movimentação física dos bens patrimoniais. Resultados Apresentados: •Montagem do organograma •Enquadramento na estrutura jurídica •Definição da estratégia tributária Slide 1: PROCESSOS ADMINISTRATIVOS Slide 2: OBJETIVOS PARA HOJE Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33 Slide 34 Slide 35