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DIFICULDADES E DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM AULA 4 Profª Eliza Ribas Gracino A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, abordaremos a questão do fracasso escolar frente às dificuldades de leitura e habilidades matemáticas, teorizando sobre suas causas. Nossa pretensão é contribuir para a reflexão sobre os diversos fatores que interferem na aprendizagem e, consequentemente, no sucesso escolar. Entre os fatores que contribuem para a perpetuação do fracasso, é possível apontar a organização da escola, nos seus aspectos físicos, administrativos e financeiros, a formação e as práticas docentes, a ausência de políticas públicas voltadas à educação e o papel do psicopedagogo como mediador do processo de escolarização, atuando junto à escola, à família e ao aluno, refletindo sobre as possibilidades de interferência. Ao tratar do fracasso, é preciso explicitar o que se entende por sucesso escolar na sociedade contemporânea. Embora muitos autores tenham discutido esse tema, parece claro que o aluno de sucesso é aquele que possui uma linguagem oral e escrita aceita formalmente pela sociedade, bem como o aluno que possui habilidades matemáticas suficientes para assegurar o seu uso social. Porém, é necessário pontuar que nem todos os alunos aprendem da mesma forma e no mesmo ritmo. Entrentanto, todos têm capacidade de aprender, desde que sejam respeitados os ritmos e os tempos individuais. Nesse sentido, este texto abordará também a adaptação e a flexibilização curricular como instrumentos importantes no processo de ensino e aprendizagem. Nossos objetivos para esta aula são: refletir sobre o fracasso escolar, identificando as causas e as possíbilidades de interferências; relacionar o fracasso escolar com a construção da aprendizagem e a formação de professores; reconhecer o papel da neurociência para a educação; analisar a importância das adaptações curriculares para a aprendizagem; elencar as possibilidades de adaptações e flexibilizações curriculares na prática docente. Para alcançarmos esses objetivos, estruturamos esta aula em cinco partes: 1. fracasso escolar: várias causas; 2. a formação de professores e a aprendizagem; 3. a contribuição da neurociência para a educação; 4. organização didática e as variações metodológicas; 5. adaptações curriculares e a prática pedagógica. A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 3 TEMA 1 – FRACASSO ESCOLAR: VÁRIAS CAUSAS Para se discutir o fenômeno do fracasso escolar, é preciso percebê-lo em sua complexidade e suas multideterminações. Diversos são os autores que abordam o tema, os eixos de explicações históricamente construídos para explicar suas causas e, também, a busca por sua superação. No que diz respeito a escola pública, o fenômeno do fracasso escolar possui “uma dimensão valorativa cuja significação política e pedagógica não foram suficientemente explicados” (Tiball, 1998, p. 12). As primeiras preocupações que motivaram estudos críticos sobre a temática fracasso escolar datam da década de 1980 e denotam arbitrariedades e tendências à psicologização, à patologização. Dentre os principais autores que abordam o tema estão Saviani (1982), Patto (1999) e Angelucci (2004). As principais explicações sobre o fenômeno dividem-se em três vertentes, formuladas a partir da realidade do momento histórico: as que culpabilizam a criança e/ou seus familiares, atribuindo o fracasso a aspectos oriundos do indivíduo, como fatores de ordem biológica, emocional, psicológica, familiar ou cultural; as que culpablizam o professor, tendo como principais culpadas a formação docente e a insuficiência da metodologia utilizada em suas aulas; outra vertente diz respeito às políticas impostas por uma sociedade excludente e classista (Patto, 1999; Angelucci et al., 2004). 1.1 Explicando a pedagogia histórico-crítica A pedagogia histórico-crítica tem como precursor Dermeval Saviani, que desenvolveu sua teoria a partir dos pressupostos do materialismo histórico dialético, reconhecendo o indivíduo como ser constituído histórico-socialmente a partir de partes opostas e interdependentes em constante conflito (contradição). O autor preocupou-se em estudar o fracasso escolar a partir da escolarização das classes populares, socialmente marginalizadas, enfatizando o papel da escola como instância produtora do conhecimento (Saviani, 2008). Para Saviani, a educação é uma categoria fruto da produção do homem, portanto é trabalhada dessa maneira, uma atividade exclusiva da humanidade. Por serem atividades que corroboram para o processo de desenvolvimento humano, elas se inter-relacionam (Saviani, 2007). A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 4 Entretanto, para o autor, a educação é trabalho não material, que deve ser compreendido a partir dos condicionantes sociais e das contradições da sociedade. A aula é a produção de um ato de consumo (Saviani, 2008). O avanço das forças produtivas (pós-Revolução Industrial) fez com que a educação se tornasse uma necessidade no mundo do trabalho, uma vez que o avanço técnico das máquinas trouxe a necessidade de trabalho intelectual para operar a maquinaria, pois as máquinas são as responsáveis pelo processo manual, legando à escola o papel de produzir a socialização dos indivíduos, adequando-os à máquina (Saviani, 2007). A partir desse momento, a educação passa a assumir um caráter dualista, ou seja, de natureza prática para as profissões manuais e de domínio teórico para as elites, futuros dirigentes, nos diversos setores sociais, quando deveria ser politécnica, unindo “trabalho intelectual e trabalho material” (Saviani, 2007, p. 161), dominando princípios tecnicocientíficos. Nessa perspectiva, a função da escola é legar a seus alunos o saber elaborado, o conhecimento científico, o saber erudito e a cultura, historicamente construídos pela humanidade, democratizando o conhecimento, permitindo assim a transformação e a superação das desigualdades. 1.2 Pedagogia histórico-crítica e fracasso escolar A educação é um processo de trabalho essencialmente humano e humanizador, permeado pela cultura e por valores, conceitos e símbolos que só têm sentido se assimilados pelo homem, capacitando-o a produzir individualmente a “humanidade produzida historicamente" (Saviani, 2008, p. 14). Desta feita, a principal preocupação pedagógica deve ser o método de ensino, a técnica, os processos e as organizações que possibilitem o avanço do saber, cujo principal fim é a progressão do aluno concreto, transformando o “saber elaborado em saber escolar" (Saviani, 2008, p. 75). A negação e a precarização do saber histórico socialmente produzido, a desvalorização da escola, a falta de investimentos em qualidade e o descompromisso com o ensino das classes populares, desvalorizando sua cultura e negando-lhes acesso à cultura erudite, têm contribuído para que as crianças oriundas das classes populares fracassem. Para a pedagogia histórico crítica, o grande desafio é que a educação seja pensada como prática social A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 5 dialética, na qual tanto professores quanto alunos sejam valorizados (Saviani, 2008). TEMA 2 – A FORMAÇÃO DE PROFESSORES E A APRENDIZAGEM A instituição escolar tem como principal característica a diversidade, com vários elementos culturais, devendo seguir as normas estabelecidas pelo Estado, modificando a si e a sua função, a partir da realidade e dos fundamentos sócio-históricos e ontológicosentre trabalho e educação, sendo um espaço complexo, multifacetado e repleto de demandas sociais, fundamentado na sociedade de classes, cujos interesses são antagônicos (Saviani, 2007). A formação de professores é um dos fatores que influenciam na qualidade da educação, atuando para seu sucesso ou fracasso, entretanto não é o único fator, pois somadas a ela estão as políticas educacional, as questões pertinentes ao financiamento em educação etc. Não é a intenção culpabilizar o professor (Candau, 1987; Braga, 1988; Marques, 1992). As políticas brasileiras para a formação de professores também sofreram alterações, de acordo com o período histórico. Seu início se deu com a Lei das Escolas de Primeiras Letras (1827-1890), nas quais os professores eram instruídos no “método do ensino mútuo”, expandindo-se até as escolas normais (1890-1932), com as escolas-modelo e os cursos de pedagogia e de licenciatura (1939-1971), que incorporaram o modelo dos conteúdos culturais cognitivos, enfatizando os conteúdos científicos, em detrimento dos aspectos didáticos pedagógicos (Savini, 2009a, p. 143). 2.1 A formação inicial de professores Pelo processo de formação docente, perpassam desafios que se originam nas políticas e nas demandas sociais, bem como o reconhecimento social da profissão. Neste sentido, Gauthier et al. (2006, p. 35) considera que “[...] a formação inicial, recebida na Universidade, refletiria melhor a prática no meio escolar, e o saber do próprio professor, difundido no seio da Universidade, acharia aí um reconhecimento de sua pertinência”. Na década de 1980, com a abertura democrática, o movimento para a reformulação dos cursos de pedagogia e demais licenciaturas se intensificou, resultando na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), Lei nº A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 6 9394, de 20 de dezembro de 1996, que destina um capítulo específico aos profissionais da educação, trazendo a formação de professores em nível superior como prioridade, o que privilegia a reflexão a partir do acesso a conhecimentos de cunho teórico-práticos (Gatti, 2009). A preocupação com a formalização dos saberes docentes é “uma das condições essenciais a toda profissão, é a formalização dos saberes necessários à execução das tarefas que lhes são próprias” (Gauthier, 1998, p. 20). Apesar das modificações na formação inicial docente impostas pelas novas políticas, ainda permanece a distância entre a formação acadêmica do professor e a prática concreta em sala de aula, pois sua formação ainda privilegia a técnica e as questões voltadas a prática, segundo a qual o ensino é frontal, desconsiderando a caminhada já realizada pelos educandos (Schön, 2000). 2.2 A formação continuada de professores De acordo com a LDB (Lei nº 9394/1996), “a associação entre teorias e práticas, inclusive mediante a capacitação em serviço", preconizando sobre a formação continuada (Brasil, 1996, p. 22). A formação continuada pressupõe uma formação permanente, para além de treinamentos dos métodos e das técnicas, estendendo-se “ao terreno das capacidades, habilidades e atitudes” (Imbernón, 2002, p. 49). A formação continuada é um processo contínuo de formação do professor, fruto de discussões acadêmicas, políticas, sindicais e de produção legislativa com a intenção de pleitear melhorias à profissão do educador e à própria escola, reconhecendo docentes e discentes como sujeitos que têm saberes acumulados e história de vida que contribuem para o processo educativo (Ferreira, 2008). Como parte do processo de desenvolvimento profissional, a formação continuada deve ser dialética e com vistas a transformar a prática docente, embasando-a na teoria. Da mesma maneira, as teorias precisam capacitar o professor ao enfrentamento das situações vivenciadas na prática docente, permitindo ao profissional compreender as relações estabelecidas sócio-político- históricamente (Sacristán, 1999). A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 7 TEMA 3 – A CONTRIBUIÇÃO DA NEUROCIÊNCIA PARA A EDUCAÇÃO O conhecimento biológico para a compreensão humana ganhou destaque no século XXI, com destaque na área da educação às neurociências. A especial atenção aos estudos do cérebro fez com que alguns cientistas denominassem este século como o “'século do cérebro” (Vidal; Ortega, 2011). O termo neurociência foi cunhado pela primeira vez para identificar um projeto interdisciplinar, cujo objetivo era estudar os fenômenos relacionados ao cérebro e ao sistema nervoso, na década de 1960 (Rose; Abi-Rached, 2013). Sua definição não é uma tarefa fácil: a mais próxima é uma disciplina cuja intenção é perceber e explicar os fenômenos psicológicos a partir das atividades neuroquímicas, neurofisiológicas e neurofuncionais do cérebro (Churchland, 2004), circundando diferentes áreas científicas voltadas ao estudo do sistema nervoso (Pickersgill, 2013). Como projeto interdisciplinar, pelo qual perpassam diversas ciências, a neurociência pode contribuir com a atividade educativa, uma vez que: Educadores- professores e pais- assim como psicólogos, neurologistas ou psiquiatras são, de certa maneira, aqueles que mais trabalham com o cérebro. Mais do que intervir quando ele não funciona bem, os educadores contribuem para a organização do sistema nervoso do aprendiz e, portanto, dos comportamentos que ele apresentará durante a vida. E essa é uma tarefa de grande responsabilidade! Portanto, é curioso não conhecerem o funcionamento cerebral (Cosenza, 2011, p. 7). A compreensão dos aspectos evolutivos do cérebro e de suas estruturas, principalmente no que tange à aprendizagem e, portanto, à educação sob diferentes pontos de vista e com diversas finalidades, pode em muito auxiliar nos processos que envolvem ensino e aprendizagem. 3.1 O cérebro e os processos superiores da mente Os estudos neurocientíficos aferiram que o sistema nervoso é plástico, modificando-se a partir de estímulos recebidos, ou seja, por conta da formação de circuitos neuronais novos, permite a aquisição de novas habilidades, aperfeiçoando as já existentes. A memória, responsável por adquirir, formar, conservar e acessar as informações, é um processo indispensável para os sistemas psicológicos, A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 8 permitindo que o indivíduo recorra “às suas experiências passadas a fim de usar essas informações no presente” (Sternberg, 2000, p. 204). Ao exercitar a memória, a partir da aquisição de um novo conhecimento, a quantidade de neurotransmissores se amplia, uma vez que o número de neurônios que se articulam para formar esse conhecimento se expandem, fortalecendo as relações sinápticas entre eles (Sternberg, 2000). Desta maneira, ao se repetir a atividade, possibilitamos que as ligações de uma rede se fortaleçam, envolvendo um maior número de neurônios. 3.2 Neurociência e educação Dada a complexidade do corpo humano, a atuação de todas as áreas cerebrais é importante. Devido a essa complexidade, qualquer desordem no sistema nervoso traz como consequência dificuldades na aprendizagem. Por esse motivo, a neurociência é um importante aliado na aprendizagem e nas pesquisas sobre o fracasso escolar, auxiliando nas práticas pedagógicas (Assencio-Ferreira, 2005). Os estudos recentes sobre a mente, o cérebro e os processos neurais de pensamento e aprendizagem têm tornado possíveis explicações a respeito da ciência da educação. A contribuição científica com estudos a respeito das funções superiores tem descortinado questões que podem levar a pesquisa educacional básica à prática pedagógica, umavez que “[…] Os estudos de psicologia social, de psicologia cognitiva e de antropologia evidenciam que toda aprendizagem acontece em cenários que apresentam conjuntos específicos de normas e expectativas culturais e sociais” (Bransford, 2007, p. 20). TEMA 4 – ORGANIZAÇÃO DIDÁTICA E AS VARIAÇÕES METODOLÓGICAS As descobertas a respeito da neuroplasticidade cerebral das funções mentais modificaram a prática educacional, bem como as estratégias utilizadas para a prática docente, indicando novas formas de se ensinar, buscando perceber como se dá a aprendizagem humana, com vistas a estimular mudanças no sistema educacional e avançando em prol da melhoria da prática, estudando o ser humano, como ser aprendente “[…] produto das interações interiores e exteriores que realiza com os outros seres humanos, ou seja, com a sociedade no seu todo” (Fonseca, 2009, p. 65). A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 9 Dentre as questões importantes que o professor perceba para que as situações de aprendizagem se efetivem, está compreender a aprendizagem como processo, que envolve mais de um sujeito, o aprendente e o ensinante. Nesse processo é preciso que o aprendente confie no ensinante, a fim de permitir a este auxiliar a ressignificação e a transformação do conhecimento em aprendizagem (Pain, 1987). 4.1 A importância da didática: ensinar bem Já pontuamos em estudos específicos sobre as abordagens e teorias sobre a aprendizagem a importância dada por Henri Wallon às questões pertinentes à afetividade, uma vez que acreditava que esta desenvolvia-se progressivamente, junto com a inteligência. Portanto, não é de admirar quando os alunos elegem alguns professores como modelo. O prestígio e a aceitação permitem aos alunos uma aprendizagem mais efetiva nas aulas desses professores, uma vez que “[…] estes podem aprender com esses professores muito mais do que o professor conscientemente pretende ensinar” (Morales, 2006, p. 22). A capacidade de ensinar bem, de inspirar e motivar torna o professor insubstituível, mais importante do que técnicas, métodos ou teorias. Na verdade, entende-se que ensinar bem é ensinar certo, de forma que os alunos aprendam, promovendo seu desenvolvimento mental, utilizando-se para isso de instrumentos de mediação que auxiliarão na compreensão de conceitos (Nóvoa, 2009). 4.2 A prática escolar diária e o papel do professor O papel do professor diante da prática escolar diária é de mediar a relação do aluno com o objeto de conhecimento, adequando e adaptando o currículo, reconhecendo o aluno em sua singularidade, conduzindo-o a compreender seu processo de aprendizagem, visando à autonomia e ao desenvolvimento da criatividade. Nesse sentido, considera-se o papel do professor como fundamental, tendo ele a responsabilidade de organizar os meios para que o aluno se relacione com o conhecimento: selecionando conteúdos, planejando modos de ensino, criando um ambiente propício à aprendizagem e garantindo a aprendizagem de todos os alunos. A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 10 Na compreensão e na realização do processo de ensino-aprendizagem, é preciso trabalhar equilibradamente as dimensões humana (do ser), técnica (do fazer) e política (da análise de contexto), uma vez que a combinação desses enfoques permite estruturar o “ter didática” (Candau, 1988). TEMA 5 – ADAPTAÇÕES CURRICULARES E A PRÁTICA PEDAGÓGICA O currículo é um importante componente do trabalho pedagógico da instituição escolar, uma vez que permite o subsídio dos processos de ensino- aprendizagem. Também pode ser visto como um processo de seleção de conhecimentos e saberes a serem trabalhados na escola, extrapolando a mera listagem de conteúdos, mas ligado à maneira como o indivíduo se desenvolve e se constitui (Sacristán, 2000). Previstas no art. 50 da Lei de Diretrizes e Bases, de acordo com a qual “[…] Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades” (Brasil, 1996), desta maneira incluindo a todos nos processos de ensino e aprendizagem, as adaptações permitem adequar os conteúdos do currículo às singularidades dos alunos com necessidades especiais e dificuldades de aprendizagem. O currículo deve ser inclusivo, flexível, aberto e com uma perspectiva democrática. As adaptações curriculares devem ser reconhecidas como instrumentos para propiciar aos alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem o acesso ao currículo, flexibilizando de forma particular a um ou a mais indivíduos, valorizando o potencial de cada um (Carvalho, 2006). Ao adaptar o currículo, o professor fundamenta sua ação pedagógica, definindo o que o aluno deve aprender, em que momento e de que maneira, organizando o ensino e tornando o currículo dinâmico e flexível, de maneira a atender a todos (Abreu, 2013). 5.1 Adaptações curriculares de grande porte As adaptações de grande porte ocorrem no projeto político-pedagógico escolar envolvendo ações de competência e atribuições político-administrativas, demandando mudanças e atitudes de natureza política, administrativa, econômica, burocrática. A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 11 Dividem-se em seis tipos: adaptações de acesso ao currículo, adaptações de objetivos, adaptações de conteúdo, adaptações de método de ensino e da organização didática, adaptações do sistema de avaliação e adaptações de temporalidade (Brasil, 2001). 5.2 Adaptações curriculares de pequeno porte As adaptações de pequeno porte impulsionam modificações menores e competências específicas dos docentes, a partir de pequenos ajustes nas condutas e nos planejamentos desenvolvidos na prática educativa. As modificações do currículo devem permitir a participação de todos, tanto na sala de aula quanto a partir de um programa educacional individualizado (PEI). No PEI, devem constar informações que subsidiarão o planejamento, contendo os níveis de desempenho educacional atual do aluno; os objetivos pretendidos; as indicações de apoio de serviços especiais (se houver necessidade); a indicação de estratégias de adaptações curriculares a serem executadas; as modificações a serem realizadas no processo de avaliação do aluno assim; e a indicação de como e com que periodicidade o programa será avaliado (Mcloughlin; Lewis, 2001). NA PRÁTICA Dentre os assuntos discutidos nesta aula, estão os pertinentes aos professores que ensinam bem, extrapolando os conteúdos propostos, devido a sua postura ética de promover o desenvolvimento mental, utilizando-se para isso de instrumentos de mediação que auxiliarão na compreensão de conceitos. Com base em sua história de vida e no conteúdo estudado, elabore um texto falando de um professor que marcou sua trajetória e de como, à luz da teoria, pode perceber essa influência. FINALIZANDO Nesta aula, cuja temática foi o fracasso escolar e as práticas pedagógicas, tivemos a oportunidade de, mesmo diante de um histórico de exclusão, da realidade da presença na escola das dificuldades de aprendizagem e do fracasso escolar, as pesquisas apontam caminhos e alternativas, pautando-se em novas concepções acerca de como o indivíduo aprende e de que métodos adequados A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 12 podem garantir a aprendizagem de todos, inclusive dos que possuem deficiências ou acentuadas dificuldades de aprendizagem. As contribuições da pesquisa e da neurociência aplicadas à educaçãoauxiliaram no desenvolvimento de novas práticas e novos métodos de ensino, mas o professor ainda é imprescindível para a vida do aluno, na medida em que ele é o mediador do conhecimento e o agende de mudanças nas práticas pedagógicas. A luno: A N T O N IO JO S E D O S S A N T O S IN Á C IO E m ail: antoniojosesantosinacio@ gm ail.com 13 REFERÊNCIAS ABREU, M. A. de. Adaptações curriculares e educação inclusiva. Portal Educação. Disponível em: . Acesso em: 1 set. 2019. ANGELUCCI, C. B. et al. O estado da arte da pesquisa sobre o fracasso escolar (1991-2002): um estudo introdutório. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 1, p. 51-72, 2004. ASSENCIO-FERREIRA, V. J. O que todo professor precisa saber sobre neurologia. São José dos Campos: Pulso, 2005. BRAGA, M. M. A licenciatura no Brasil: um breve histórico sobre o período 1973- 1987. Ciência & Cultura, São Paulo, v.40, n.2, p.1-27, 1988. BRANSFORD, J. D.; BROWN, A. L.; COCKING, R. R. Como as pessoas aprendem. Cérebro mente, experiência e escola. São Paulo: Senac, 2007. BRASIL. Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. _____. Ministério da Educação. 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