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Cuidados na saúde infantil UFCD-10654 Formador – Enfº Pedro Saraiva O que é a infância? O que é infância? Período de vida que vai do nascimento à adolescência, extremamente dinâmico e rico, no qual o desenvolvimento se faz, em simultâneo e em todos os domínios. O que é a infância? Todas as fases de desenvolvimento do ser humano são especiais pelas suas disposições e pelas tarefas de desenvolvimento únicas que delas fazem parte. O cérebro está em grande desenvolvimento, nos cinco primeiros anos de vida, tornando particularmente relevantes para o crescimento/desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo. O que é a infância? A Infância é uma espécie de tubo de ensaio para as fases de vida que se seguem . Na infância experimentam-se, desenvolvem-se e treinam-se competências, essenciais ao longo da vida. aprende-se a resolver problemas, toma-se contato com as emoções aprendendo formas de as gerir. …experimentam-se diferentes papéis e treina-se a empatia, fazem-se aprendizagens sobre como funciona o mundo de forma progressivamente mais complexa… Experiências de vida e estratégias de ajustamento que vão moldando formas de ser, formas de estar, formas de sentir… Fases de Desenvolvimento Infantil (Desenvolvimento Cognitivo) Piaget considera 4 períodos no processo evolutivo da espécie humana que são caracterizados "por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor" no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento. São eles: 1º Período: Sensório-motor (0 a 2 anos) 2º Período: Pré-operatório (2 a 7 anos) 3º Período: Operações concretas (7 a 11 ou 12 anos) 4º Período: Operações formais (11 ou 12 anos em diante). Período Sensório-motor (0 a 2 anos) No recém-nascido, as funções mentais limitam-se ao exercício dos aparelhos reflexos inatos. Assim sendo, o universo que circunda a criança é conquistado mediante a perceção e os movimentos (como a sucção, ou o movimento dos olhos, por exemplo). Período pré-operatório (2 a 7 anos) Período pré-operatório (2 a 7 anos): marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica, ou seja, é a emergência da linguagem. Nessa conceção, a inteligência é anterior à emergência da linguagem e por isso mesmo "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica, que constitui o núcleo do pensamento racional." Período das operações concretas (7 a 11, 12 anos) Período das operações concretas (7 a 11, 12 anos): neste período o egocentrismo intelectual e social (incapacidade de se colocar no ponto de vista de outros) que caracteriza a fase anterior dá lugar à emergência da capacidade da criança de estabelecer relações e coordenar pontos de vista diferentes (próprios e de outrem) e de integrá-los de modo lógico e coerente. Período das operações formais (12 anos em diante) …nesta fase a criança, ampliando as capacidades conquistadas na fase anterior, já consegue raciocinar sobre hipóteses na medida em que ela é capaz de formar esquemas conceituais abstratos e através deles executar operações mentais dentro de princípios da lógica formal. …com isso, a criança adquire "capacidade de criticar os sistemas sociais e propor novos códigos de conduta: discute valores morais de seus pais e constrói os seus próprios (adquirindo, portanto, autonomia)". Desenvolvimento físico e psicomotor O desenvolvimento é entendido como uma interação entre as características biológicas individuais (crescimento e maturação) com o meio ambiente ao qual o sujeito é exposto durante a vida. Crescimento, maturação e desenvolvimento humano são processos altamente relacionados que ocorrem continuamente durante todo o ciclo de vida. As aquisições motoras de crianças e adolescentes não podem ser compreendidas de forma exclusivamente biológica ou ambiental; uma abordagem biocultural é essencial, reconhecendo a interação entre fatores biológicos e socio-culturais presentes na vida do ser humano. A partir do nascimento, inicia-se uma complexa relação entre o bebé e o ambiente que o cerca. As estruturas neurológicas já estão razoavelmente bem formadas, principalmente o cérebro e as funções sensoriais exteroceptivas (visão, audição, tato, paladar e olfato), possibilitando um complexo interacional do bebé com seu redor. …as relações afetivas e sociais, principalmente com os pais, devem ser fortemente estabelecidas. Assim, fica claro que, desde o nascimento, o bebé já é capaz de sentir e começar a formar as primeiras impressões percetuais e afetivas com o ambiente que o cerca, que serão fundamentais para seu futuro desenvolvimento. A atividade motora do recém-nascido é bem ativa, mas desordenada e sem finalidade objetiva, movimentando de modo assimétrico tanto os membros superiores como os inferiores (pedalagem). Esse conjunto de relações com o mundo deixa clara a interferência que o ambiente exerce no desenvolvimento humano, sendo fundamental para a estruturação e a organização do sistema nervoso no que se refere aos aspectos emocionais, cognitivos e motores. No início da vida, dá-se uma evolução muito rápida, de modo que por volta dos três anos de idade o cérebro e as estruturas relacionadas já atingiram aproximadamente 70% do seu tamanho na idade adulta. Entre os 3 e os 5 anos de idade, os sistemas sensoriais devem continuar a ser estimulados através de uma ampla gama de experiências, com ênfase nos mecanismos propriocetivos, proporcionando à criança diferentes modos de integração sensório-motora (exterocetiva e propriocetiva). Entre os 5 e 10 anos de idade ocorre uma grande evolução na coordenação e controlo motor, facilitando a aprendizagem de habilidades motoras cada vez mais complexas. Durante a puberdade (aproximadamente dos 11 aos 16 anos de idade), ocorrem diversas alterações morfológicas e funcionais que interferem diretamente no envolvimento e na capacidade de desempenho por exemplo desportivo. …o pico de crescimento em estatura ocorre por volta dos 12 anos de idade e apresenta consideráveis variações em relação à idade cronológica, podendo ocorrer entre os 10 e os 14 anos. Desenvolvimento da linguagem O pensamento e a linguagem orientam a pessoa para a comunicação. Comunicar implica um pôr em comum, uma troca. Assim, há uma transmissão de uma mensagem destinada a informar e/ou a influenciar um individuo ou um grupo. Etapas na Aquisição da linguagem 1 mês - o bebé já consegue fixar o rosto do pai ou da mãe por longos períodos ficando cada vez mais interessado até esboçar um sorriso aberto. Se for correspondido com outro sorriso, tenderá a prolongá-lo. Já balbucia, emitindo breves sons de contentamento e segue os sons e a face. 2 meses - começa a palrar e a produzir vocábulos em resposta à estimulação quando brincam com ele. Chora quando quer chamar a atenção, começa a ser manipulador pois sabe que os pais respondem prontamente. 4 meses - geralmente já ri com intenção em resposta a estímulos que aprecia e chora em caso contrário. 8 meses - já imita, tentando vocalizar com entoação, usa algumas consoantes: ma-ma, pa-pa, da-da, sem significado. Responde ao nome, grita para chamar a atenção dos adultos. 9/12 meses - começa a entender o “não”, usa palavras como mamã ou papá já com significado. 12 meses - já revela um entendimento do que ouve. Compreende ordens simples como “vai dar ao papá” ou “ vai buscar um brinquedo”, mostrando que sabe o que lhe estamos a comunicar. 15 meses - a criança é ainda muito trapalhona a falar, compreende tudo e faz-se entender quer por palavras quer por gestos, pode utilizar alguns substantivos isolados. 18 meses - utiliza várias palavras: bola, cão, nomes de algumas pessoas; identifica algumas partes do corpo; executa gestos mais complexos para se expressar. 2 anos – já utiliza alguns verbos e adjetivos como “é bonito” ou “quero aquilo”. Compreende ordens complexas sendo capaz de cumprir 2 a 3 ordens em sequência “vai buscar os sapatos e vai dar ao pai que está na sala”. 3anos – constrói frases mais elaboradas com 3 ou mais palavras. Já entende os contrários – cima/baixo, dentro/fora, pequeno/grande. Já consegue utilizar o plural e por vezes o feminino/masculino. Já sabe o nome e a idade. Começa a questionar-se sobre o “porquê” das coisas. 4/5 anos – discurso mais elaborado, constrói frases mais elaboradas, expressa-se bem, utiliza os tempos verbais adequados. Pode eventualmente revelar ainda dificuldades no que se refere à articulação e/ou dicção. Desenvolvimento e Ambiente Em um ambiente favorável, os bebês/crianças seguem padrões de desenvolvimento normais, a menos que tenham sofrido algum dano grave. Pais que passam mais tempo com filhos, mais conversas, ambiente lúdico → melhor desempenho escolar e de linguagem. Desenvolvimento sócio-afetivo Um dos aspetos mais estudados tem sido a relação da díade mãe/filho. As características desta relação, no primeiro ano de vida, vão ter grande importância no desenvolvimento futuro da criança: personalidade, autoestima, confiança em si próprio, relacionamento interpessoal. Desenvolvimento sócio-afetivo Ao longo dos tempos vários estudos têm fornecido exemplos significativos de como a qualidade da relação mãe/filho influencia as futuras relações interpessoais. Desenvolvimento sócio-afetivo Na interação mãe / filho.. A relação inicia-se durante a vida intrauterina. Importante para a construção do ego. Relação de dependência. Relação de confiança por parte da criança. O nascimento da vida psíquica num bebé começa na relação que é estabelecida com a mãe. Desenvolvimento sócio-afetivo Através da mãe, a criança tem acesso aos objetos simples, depois a objetos progressivamente mais complexos e finalmente à sua dimensão. A relação de objeto da criança com a mãe, objeto de amor, define a afetividade relacional. Desenvolvimento sócio-afetivo O pediatra Inglês – Winnicott – os cuidados maternos adequados são indissociáveis do bebé e garantia de uma boa saúde mental. Um lactente isolado não existe: quando encontramos uma criança, encontramos cuidados maternos. Acrescenta, por outro lado, que o rosto da mãe é o primeiro e único verdadeiro espelho da criança. Desenvolvimento sócio-afetivo A relação mãe-bebé está correlacionada com o processo de maturação da criança. As primeiras experiências intersubjetivas desenvolvem-se num banho de afetos, (S. LEBOVICI, 1983). A mãe comunica os seus afetos interpretando as necessidades e desejos do bebé. Para isto, ela utiliza as suas capacidades de empatia, que lhe permitem perceber os estados afetivos do bebé. Outros fatores que influenciam o desenvolvimento infantil O desenvolvimento infantil está diretamente relacionado à promoção de cuidados que garantam saúde, nutrição, cuidados responsivos, segurança e aprendizagem. Algumas informações sobre a Primeira Infância • Crianças que não recebem os cuidados de criação adequados tem prejuízos no processo de desenvolvimento. Intervenções desenvolvidas na primeira infância, de caráter preventivo e promotor, possuem maior efetividade em relação a intervenções corretivas realizadas após essa fase. O investimento na primeira infância é um dos mais custo-efetivos, tendo em vista que as experiências nesta fase tem impacto direto na aprendizagem, na saúde, no comportamento, nas relações sociais. Os riscos para o desenvolvimento infantil incluem: - Determinantes biológicos • - Determinantes circunstanciais Problemas de desenvolvimento (sinais de alerta) As perturbações no desenvolvimento podem pôr em causa a harmonia da aquisição de conhecimentos e competências. As alterações e perturbações do desenvolvimento infantil podem ocorrer a nível motor, cognitivo ou sensorial. Quando isto acontece, o aconselhável é recorrer a técnicos especializados. Estes vão fazer o diagnóstico da perturbação e, posteriormente, elaborar um plano de intervenção individual tendo em conta as necessidades da criança e da sua família. Perturbações de Desenvolvimento Psicomotor: Sinais de Alerta no Desenvolvimento Infantil 4 a 6 Semanas Ausência de tentativa de controlo cefálico (controlo da cabeça); Não segue a face humana ou uma luz e/ou apresenta movimentos erráticos dos olhos; Não dirige o olhar e/ou não reage ao som (incluindo a voz humana); Dificuldade em manter-se alerta, com transições abruptas entre o sono e a irritabilidade. 3 Meses Não fixa nem segue objetos nem a face humana Não procura o som com o olhar; Não sorri; Não tem controlo da cabeça; Mantém as mãos sempre fechadas, não as abrindo mesmo quando o dorso da mão é estimulado; Membros rígidos em repouso, espástico; Sobressalto ao menor ruído; Chora e grita quando é tocado; Pobreza de movimentos. 6 Meses Ausência de controlo cefálico; Membros inferiores rígidos, com passagem direta à posição de pé quando se tenta sentar, revelando espasticidade; Não olha nem pega em objetos; Assimetrias (utiliza apenas uma mão); Não reage aos sons; Não vocaliza, silencioso ou muito monocórdico; Desinteresse do ambiente, não estabelece contacto ou mostra-se apático; Irritabilidade, estremece sempre que é tocado; Estrabismo manifesto e constante; Persistência de reflexos primitivos. 9 Meses Não se senta; Permanece imóvel e não tenta mudar de posição; Assimetrias em termos de postura ou de movimentos; Estrabismo, mesmo que inconstante; Sem preensão palmar e não explora os objetos oralmente; Não reage aos sons; Vocaliza monotonamente ou deixa de vocalizar; Apático e sem reação aos familiares; Engasga-se com facilidade. 12 Meses Não aguenta o peso nas pernas, por hipotonia; Não se senta; Permanece imóvel e não tenta mudar de posição; Estrabismo; Não pega nos brinquedos ou fá-lo com uma só mão; Não responde à voz, não emite polissílabos, fica muito silencioso; Não brinca, não estabelece contacto, não reage ao nome, Não mastiga. 18 Meses Não se põe de pé, anda em pontas ou não nada; Assimetrias; Não faz pinça fina, atira objetos ou leva-os sistematicamente à boca, sem uso funcional; Ausência de resposta à voz, não vocaliza espontaneamente e não diz palavras percetíveis; Não se interessa pelo que o rodeia, não estabelece contacto ocular e não apresenta intencionalidade comunicativa; Não cumpre ordens. 2 Anos Não anda ou anda sistematicamente em pontas; Deita objetos fora e não constrói nada; Não parece compreender o que lhe dizem; Não tem palavras inteligíveis; Não procura imitar, não se interessa pelo meio e pelas pessoas; Não tenta interagir; Não aponta, não pede e não mostra; Birras desajustadas em frequência e intensidade ou sem motivos aparentes. 3 Anos Anda sistematicamente em pontas; Mantém flapping dos braços (por exemplo, esticar e abanar); Não parece compreender o que lhe dizem, não junta duas palavras; Não usa funcionalmente os objetos e não tenta fazer algo construtivo ou criativo; Não tenta interagir com os outros, não socializa, não mostra, não partilha e não pede; Não usa o gesto como suporte para comunicar, no caso de dificuldades expressivas. 4, 5 e 6 Anos Hiperativo e agitado ou distraído e com dificuldades de concentração; Comportamento muito difícil, opositivo e desafiante, que não é controlável pelos pais; Problemas de interação social, associados ou não a comportamentos estereotipados e repetitivos; Dificuldades na comunicação e empatia; Linguagem incompreensível aos quatro anos; Substituições fonéticas e erros articulatórios presentes aos cinco/seis anos; Dificuldades nas aprendizagens pedagógica. Vinculação: a criança e o adulto de referência A vinculação é uma ligação emocional recíproca e duradoura entre o bebé e a figura parental, em que cada um contribui para a qualidade da relação. A vinculação tem um valor adaptativo para o bebé, assegurando-lhe que as suas necessidades psicossociais e físicas são satisfeitas. Praticamente qualquer atividade levada a cabo pelo bebé, que provoque uma resposta de um adulto poderá ser um comportamento de procura de vinculação: chupar, chorar, sorrir, abraçar e olhar paraa figura parental. Vinculação Desde o nascimento o bebé começa a estabelecer uma relação privilegiada com o adulto que lhe proporciona cuidados básicos e desse modo, assegura a sua sobrevivência. Ao realizar com regularidade essas funções o adulto tenderá a tornar-se uma figura de vinculação. Vinculação …a relação de vinculação poderá ser compreendida na medida em que o adulto seja capaz de garantir um ambiente seguro a um ser que procura proteção e que a percebe no outro que considera mais forte e mais apto. Fases da vinculação …temos quatro estádios: Na 1ª fase, (desde o nascimento até aos 2 meses) o recém-nascido usa os sistemas neonatais como o riso, o balbuciar, o choro para atrair potenciais cuidadores, estes comportamentos são direcionados a qualquer pessoa por perto, uma vez que não consegue distinguir adultos. Promovem proximidade, induzindo que outras pessoas se aproximem e peguem nele. 2ª fase (desde os 2 até aos 6 meses) o recém-nascido, com o desenvolvimento da audição e da visão, começa a discriminar cada vez mais os adultos, mostrando-se mais responsivo ao cuidador/mãe. 3ª fase (6 meses até 1 ano) o bebé é mais ativo na procura de proximidade e contacto às suas figuras discriminadas do que anteriormente, muito devido ao desenvolvimento da locomoção. Este novo comportamento, permite que o bebé use o cuidador como uma “base segura” para explorar o ambiente que o rodeia. 4ª fase (a partir dos 2 anos) a criança começa a ver o cuidador como uma pessoa independente, resultado da diminuição do seu ‘egocentrismo’. A relação transforma-se numa relação recíproca. A criança toma conhecimento dos objectivos e planos dos cuidadores e tenta influenciá-los. Comportamentos Sociais Algumas Considerações: Uma criança que seja incentivada a brincar durante muito tempo sozinha, tenderia a apresentar comportamentos de isolamento. De outro lado, caso fosse estimulada a somente estar em grupos, tenderia, com o passar do tempo, a apresentar problemas de concentração. Comportamentos Sociais É através das relações que as crianças pequenas começam a desenvolver o seu bem-estar socio-emocional, que inclui a capacidade de constituir relações satisfatórias com os outros, de brincar, comunicar, aprender, enfrentar desafios e sentir emoções. Comportamentos Sociais O bem-estar socio-emocional é muitas vezes conhecido como a saúde mental da criança, ou seja, é a capacidade crescente de experimentar e controlar as emoções, constituir relações seguras e explorar e aprender – tudo no contexto da família, da comunidade e dos antecedentes culturais. É importante, que os pais permitam que seus filhos tenham momentos dedicados a brincadeiras individuais,exep, jogos de memória, quebra-cabeças, entre outros…..como também momentos de convívio com os colegas, inclusive até mesmo usando os brinquedos que utilizam nas suas brincadeiras solitárias. A observação que as crianças fazem das pessoas e das situações é de fundamental importância para o comportamento social delas. Depois de adquirirem um certo conhecimento do mundo, aos 3 anos, elas já têm iniciativas de falar de si mesmas ou das pessoas que estão ao seu redor, iniciando as trocas de ideias. A partir desta idade, contar histórias, desenvolver a imaginação das crianças ouvindo as histórias que elas inventam e desenvolver actividades teatrais com elas é o reconhecimento de que as crianças já estão caminhando para se tornarem indivíduos na sociedade. Primeiros Comportamentos Sociais No inicio da segunda infância (3 aos 6 anos), as crianças começam a se comportar socialmente de maneira mais “rude”. Forma que precede os seus comportamentos sociais. Muitos desses comportamentos evidenciam qualidades ( capacidade de comunicação), que são virtudes quando mantido em moderação. A criança ainda não aprendeu a quantidade e os estilos próprios desses atos e atitudes. Então surge…. Negativismo Rivalidade Gozar e Maltratar Ciúme Os Grupos Entrada no grupo As crianças gostam de estar juntas e são tolerantes umas para as outras. Podem dizer algumas palavras, oferecer e tirar os brinquedos, mas raramente se zangam. Mesmo que uma criança bata noutra, pouco depois começam a brincar. Quando as crianças começam a interagir, mostram poucas preferências por este ou aquele companheiro. Gostam apenas de brincar juntas e, mais tarde, com alguém. A pouco e pouco, criam-se amizades. Estas podem ser de pouca duração. Embora algumas crianças pareçam inseparáveis durante semanas e até meses, na maior parte dos casos as amizades vão e vêm rapidamente. Importância do contexto pré-escolar e suas implicações nos comportamentos sociais A educação pré-escolar funciona como um contexto educativo facilitador do desenvolvimento de competências/habilidades fundamentais para uma integração plena e de sucesso das crianças no 1º ciclo. …..é ainda um espaço único de novas vivências e diferentes experiências! No jardim-de-infância a criança cresce e aprende sem pressões curriculares ….é por isso que a educação pré-escolar tem uma terminologia muito própria: Em vez de ensino usa-se a palavra educação! Não há professores, mas sim educadores! Os facilitadores das aprendizagens não dão aulas, antes organizam atividades! Os benefícios são imensos quer na socialização dos jovens, como no desenvolvimento das suas habilidades e competências, tais como: A capacidade de aprender a aprender. As competências sociais de cooperação, através da realização de atividades de grupo ou em pares. Permitem uma verdadeira partilha de ideias e o desenvolvimento de tarefas comuns, colaborando entre si para o mesmo fim. A auto-estima, através da criação de situações que possibilitem o reforço da concentração numa tarefa e o contacto e a exploração sensorial, nas quais as crianças possam pesquisar o que as rodeia e descobrir por si próprias materiais e objetos, desenvolvendo o autocontrolo e a autoconfiança. A capacidade de resiliência, através da realização de atividades que permitam dinâmicas criativas face às contrariedades. Assim é possível promover a imaginação e o sentido crítico da criança, reforçando o otimismo face às adversidades e aceitação positiva de novos desafios. ….como tal, torna-se fundamental que os pais, aquando a idade pré-escolar do seu filho, sejam capazes de fazer uma escolha educacional fundamentada. É importante que a criança usufrua de atividades educativas essenciais ao seu bom desenvolvimento cognitivo e comportamental. Importância do papel do adulto como modelo de referência Os modelos dos adultos são fontes de aprendizagens fundamentais para as crianças. …o seu exemplo é tomado como referência pelas crianças. A partir da observação das atitudes, escolhas e respostas emocionais dos mais velhos, as crianças encontram referências para: como comportar-se e expressar-se, mas mais do que isso, compreendem que reações devem apresentar em cada situação. … um adulto que demonstra uma raiva excessiva lidando com situações em que não há gravidade para isso, confundirá a criança, dá a entender que o mundo é um lugar frustrante e aquilo que não corresponde às expectativas é motivo para manifestações coléricas. Da mesma maneira, exemplos mais positivos de expressão de um desconforto, como firmeza na colocação de limites e oferecimento de alternativas mais adequadas de comportamento, ajudam a criança a descobrir outros meios de se posicionar frente às frustrações. …temos que perceber que as vivências da criança são momentos de aprendizagem e nós somos as principais figuras que elas têm como referência . Não somos perfeitos, erramos, mas devemos sempre tentar ser mais tolerantes e mais cuidadosos. Importância do Contexto Escolar e suas Implicações nos Comportamentos Sociais Todos nós temos consciência da importância extrema da educação em contexto escolar e das repercussões que essa mesma educação tem no comportamento das crianças. (Vamos comentar o quadro que se segue) QUESTÃO:- Hoje em dia, em que domínio, consideram que as nossas escolas, na generalidade se encaixam? Importância do Contexto Escolar e suas Implicações nos Comportamentos Sociais Conclusão As competências sociais na educação demostram uma evidente influencia na capacidade e desenvolvimento da aprendizagem do indivíduo. Nesse sentido é grande a importância das competências sociais para o sucesso escolar dos alunos, uma vez que se observa um aumento do sucesso escolar, em paralelo com o desenvolvimento adequado das competências sociais. ….alunos com dificuldades de interação, isto é, com as competências sociais comprometidas, demonstram mais dificuldades de aprendizagem, tendência para comportamentos desajustados e outas consequências negativas a longo prazo. Internet e Redes Sociais na Infância Nos dias de hoje, não há como negar a importância da internet. Por causa dela, temos acesso a informação, educação, comércio, lazer, entretenimento e, principalmente comunicação. Internet e Redes Sociais na Infância As redes sociais podem e devem ser utilizadas como uma ferramenta de comunicação, mas existe algo que a internet não pode proporcionar, a interação e o ambiente social, sendo que a permissão do seu uso excessivo leva à banalização da interação social e à superficialidade das relações interpessoais. Internet e Redes Sociais na Infância Os jovens já nasceram na geração do facebook, whatsapp, snapchat, skype, instragram, e não imaginam a sua vida sem estes meios de comunicação. Aliás, podemos observar uma rápida alteração de humor quando a internet falha em casa, quando não conseguem aceder ao wifi num local público ou quando esgotam os dados móveis. Internet e Redes Sociais na Infância …estes meios de comunicação possuem aspetos positivos como a comunicação fácil, a maior aceitação pelo grupo de pares ou a criação de uma maior rede de contactos. No entanto, também acarreta consequências negativas se for usado de forma descontrolada ou abusiva. Internet e Redes Sociais na Infância Poderá levar ao isolamento social, sedentarismo, diminuição do rendimento escolar, e em casos mais graves, dificuldades em estabelecer interação social. Quando já está instalada a dependência da internet, poderá surgir sintomatologia ansiosa e/ou depressiva. Internet e Redes Sociais na Infância Alguns autores já introduziram termos como a “depressão do facebook” ou o “toque fantasma” para descrever novos sintomas ou patologias derivadas do uso excessivo das novas tecnologias. Internet e Redes Sociais na Infância …por exemplo, a depressão do facebook faz-se sentir por uma tristeza ou angústia profundas por não estarem constante contacto com os outros, sentir que está desligado do mundo, e o toque fantasma é descrito como a sensação de estar a ouvir o telemóvel a tocar ou a vibrar quando na realidade não está. Internet e Redes Sociais na Infância Esta geração move-se pelo número de “likes” nas fotografias e publicações, pelo número de amigo sou seguidores nas redes sociais (amigos virtuais, porque não os conhecem na realidade), pela maior partilha de informação pessoal na sua página e é aqui que devemos ter alguma atenção. …pois apesar de todas as vantagens que esses espaços on-line oferecem, eles também são considerados a face mais perigosa do universo virtual, principalmente para as crianças. Isso porque são colocadas diante de uma tela cheia de possibilidades, mas também grandes perigos. Algumas atividade inapropriada/Riscos - Ciberbullying, Perseguição, Fraudes e riscos de divulgação de informação pessoal,(usurpação de identidade). Dependência. A Idade mínima aconselhadas para se ter uma conta nas redes sociais é: Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat: 13 anos Myspace: 14 anos WhatsApp: 16 anos YouTube: 18 anos A Sexualidade e Relações entre Pares A sexualidade é uma parte integrante da vida de cada indivíduo e contribui para a sua identidade ao longo de toda a vida e para o seu equilíbrio físico e psicológico. A Sexualidade e Relações entre Pares A Organização Mundial de Saúde (OMS) definiu, em 1975, saúde sexual como “a integração dos elementos emocionais, intelectuais e sociais do ser sexual por meios que sejam positivamente enriquecedores e que potenciem a personalidade, a comunicação e o amor” Freud descreveu a forma como a sexualidade se manifesta e se desenvolve ao longo da infância, embora surja numa fase mais precoce, é na adolescência que ocorre a verdadeira descoberta da sexualidade. A fase mais precoce da adolescência (10-13 anos). De seguida, a adolescência média (13-16 anos), fase esta, onde o grupo de pares ganha uma importância central. A auto-imagem e assume uma enorme preponderância, mas o objectivo é sobretudo a aceitação e integração no grupo de pares (habitualmente do mesmo sexo). A fase tardia da adolescência (16-19 anos) é caracterizada pela construção da identidade nas diversas áreas, incluindo a identidade sexual. É frequente vermos as primeiras relações a dois com maior profundidade e intimidade crescente. … Quando e como falar sobre sexualidade com a criança: Deve-se aproveitar a curiosidade natural e responder apenas o que foi perguntado de forma simples, na linguagem da criança. As primeiras noções de sexualidade podem ser passadas com exemplos das sementes das plantas e a reprodução dos animais. A sexualidade também pode ser abordada sutilmente através de músicas, desenhos, piadinhas, bonecos e contos clássicos do universo infantil. Características da Sexualidade - Por volta dos 11 – 12 anos, o adolescente está mais voltado para si mesmo, para o seu corpo; - O despertar da masturbação: essa prática proporciona um conhecimento do corpo; - Existem mitos sobre a masturbação, mas esta faz parte do desenvolvimento normal; Entrar em contato com o corpo modificado é algo que, quase sempre, causa desconforto e estranheza; - Com a intensa excitação, característica da adolescência, sintomas como medos e fobias podem aparecer. A relação de amizade com os amigos do mesmo sexo é uma forma de se protegerem do contato com o sexo oposto, que é muito desejado, mas também muito temido. A sexualidade e relações entre pares Desafios: Empenhar todos os esforços para promover uma sexualidade saudável e feliz. Aconselhar a uma maior utilização de contraceptivos, a um menor número de parceiros. Ajudá-los a refletir sobre as diferentes pressões a que estão sujeitos para o início da atividade sexual (media, redes sociais, publicidade, grupo de pares, vontade de experimentar) ou para o seu adiamento (valores religiosos, familiares, culturais, riscos), com o objectivo de os capacitar a decisões conscientes e informadas. Parentalidade PSICOLOGIA - conjunto das funções e atividades desenvolvidas por um progenitor ou cuidador, com vista ao saudável e pleno desenvolvimento da criança a seu cargo. DIREITO - vínculo jurídico que existe entre um progenitor e o seu filho ou entre um adulto e o menor a seu cargo, que acarreta direitos e obrigações. Estilos Parentais Autoritário: valorização do controle e da obediência sem questionamento, uso de castigos. Pais tendem a ser menos afetuosos. Indulgente/Permissivo: valorizam a auto expressão e a auto regulação, fazem poucas exigências e permitem que as crianças monitorizem o máximo possível suas próprias atividades. São bastante afetuosos e pouco exigentes. Negligente/Ausente: concentram-se mais nas próprias necessidades do que nas da criança. Pouca responsabilização pela criança, apenas a satisfação das suas necessidades básicas é mantida. Autorizante/Democrático: respeitam a individualidade, mas também enfatizam valores sociais. Orientam as crianças, mas respeitam suas opiniões e personalidades. São afetuosos, mas exigem bom comportamento. Parentalidade Numa sociedade, em que os vínculos sanguíneos ainda tem muito valor, espera-se que os pais biológicos exerçam a parentalidade, contudo, é sabido que o amor, e os vínculos afetivos sãouma construção, como tal, qualquer pessoa, casal ou família pode assumir esse papel! Parentalidade Somos responsáveis por cuidar, estimular, educar, amar, impor limites, fortalecer a autonomia e preparar a criança para os desafios e oportunidades da vida presente e adulta. Parentalidade “Pode-se considerar a paternidade uma missão? É incontestavelmente uma missão: é ao mesmo tempo um dever muito grande, e que determina, mais do que o homem imagina, sua responsabilidade para o futuro.” ALLAN KARDEC Obrigada pela atenção! image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.png image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.png image23.jpeg image24.jpeg image25.jpeg image26.jpeg image27.jpeg image28.png image29.jpeg image30.jpeg image31.jpeg image32.jpeg image33.png image34.png image35.jpeg image36.jpeg image37.png image38.png image39.png image40.jpeg image41.jpeg image42.jpeg image43.jpeg image44.jpeg image45.jpeg image46.jpeg image47.jpeg image48.jpeg image49.jpeg image50.jpeg image51.jpeg image52.jpeg image53.jpeg image54.jpeg image55.jpeg image56.jpeg image57.jpeg image58.jpeg image59.jpeg image60.jpeg image61.jpeg image62.jpeg image63.jpeg image64.jpeg image65.jpeg image66.jpeg image67.jpeg image68.jpeg image69.jpeg image70.jpeg image71.jpeg image72.jpeg image73.jpeg image74.png image75.jpeg image76.jpeg image77.jpeg image78.jpeg image79.jpeg image80.jpeg image81.jpeg image82.jpeg image83.jpeg image84.jpeg image85.jpeg image86.jpeg image87.jpeg image88.jpeg image89.png image90.jpeg image91.jpeg image92.jpeg image93.jpeg image94.jpeg image95.png image96.jpeg image97.jpeg image98.png image99.jpeg image100.jpeg image101.jpeg image102.jpeg image103.jpeg image2.png