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3
AUTORES:
BALTAZAR RODRIGUES
Procurador do Estado do Rio de Janeiro - PGE/RJ. Sócio do
escritório Fontana, Maurell, Gaio e Rodrigues Advogados. Mestre
em Direito Processual pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro - UERJ. Ex-Diretor Jurídico do Fundo Único de Previdência
Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência - 2013/2014).
Aprovado nos seguintes concursos: PGE/RJ (15º lugar - 2010);
Advogado do BNDES (65º lugar - 2009).
RODRIGO DUARTE
Advogado da União. Ex-Oficial de Justiça e Avaliador Federal no
TRF da 2ª Região; Ex-Técnico Administrativo do Ministério Público
da União (MPU) e Ex-Técnico de Atividade Judiciária no Tribunal
de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ); Aprovado e nomeado no
concurso de Analista Processual do Ministério Público do Rio de
Janeiro (MPE/RJ).
MIGUEL BLAJCHMAN (Organizador)
Advogado. Fundador do site Questões Discursivas. Ex-Analista de
Planejamento e Orçamento da Secretaria Municipal da Fazenda
do Rio de Janeiro (SMF/RJ). Aprovado nos seguintes concursos:
Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado do
Rio de Janeiro (TCE/RJ). Analista e Técnico do Ministério Público
do Estado do Rio de Janeiro (MPE/RJ) e Advogado da Dataprev.
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SUMÁRIO:
CONCEITOS DE CONSTITUIÇÃO – PÁGINA 4
ADVOGADO – CRA/PR – 2019 - QUADRIX
INTERPRETAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO – PÁGINA 9
DEFENSOR PÚBLICO - DPDF - 2013 - CESPE
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2013 – BANCA PRÓPRIA
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE – PÁGINA 12
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSP – 2019 – VUNESP
PROCURADOR AUTÁRQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJMS - 2015 – VUNESP
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROCURADOR DO ESTADO – PGE/MT – FCC - 2016
PROCURADOR – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA/GO – 2019 – IADES
PROCURADOR – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA/GO – 2019 – IADES
PROCURADOR MUNICIPAL - PGM-PAULÍNIA/SP - 2016 – FGV
TRIBUNAIS DE CONTAS – TCM/SP - 2015 – FGV
ADVOGADO DA UNIÃO – AGU - 2016 - CESPE
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SP - 2012 - FCC
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJPA – 2011 - CESPE
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RO - 2011 - FCC
MAGISTRATURA – TJDFT – 2014 - CESPE
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/BA - 2014 - CESPE
CPI – PÁGINA 36
DELEGADO DE POLÍCIA - PCMA - 2012 – FGV
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJAM - 2013 – FGV
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-RECIFE/PE - 2014 - FCC
DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS – PÁGINA 44
PROCURADOR– PGM-FOZ DO IGUAÇU/PR – 2019 – FAPIPA
DIPLOMATA – MRE – 2019 – CESPE
ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DE CARUARU - 2015 – FGV
DELEGADO DE POLÍCIA - PCMA - 2018 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/AC - 2017 - CESPE
PROCURADOR AUTÁRQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
ANALISTA – MPE/SP - 2015 – VUNESP
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RN - 2015 - CESPE
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-ES - 2013 - VUNESP
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5
DEFENSORIA PÚBLICA – DPE/PR – FCC - 2017
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRF3 – FCC - 2015
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/TO - 2017 - CESPE
POLÍCIA CIVIL - PCBA – 2013 – CESPE
POLÍCIA CIVIL - PCBA – 2013 - CESPE
ANALISTA JUDICIÁRIO - STJ – 2012 - CESPE
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RO - 2011 - FCC
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/ES - 2012 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/AC - 2012 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO - DPDF - 2013 - CESPE
EDUCAÇÃO – PÁGINA 84
PROCURADOR DO MUNIÍPIO - PGM - CUIABÁ/MT - 2014 - FCC
FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA - TRIBUNAIS DE
CONTAS – PÁGINA 87
AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – TCE/MG - 2018 - CESPE
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-ES - 2013 - VUNESP
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RR - 2004 - CESPE
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/TO – 2008 – CESPE
TRIBUNAL DE CONTAS - TCU - 2008 - CESPE
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/SP - 2011 - FCC
AUDITOR - CONTROLADORIA GERAL DO ESTADO DO MATO GROSSO -
2015 - FMP
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/MS - 2013 – BANCA PRÓPRIA
PROCURADOR DO BANCO CENTRAL - 2009 - CESPE
TRIBUNAL DE CONTAS - TCDF - 2012 - CESPE
TRIBUNAIS DE CONTAS - TCM/GO - 2015 - FCC
FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA – PÁGINA 109
ANALISTA DO MPU - MPU - 2018 - CESPE
PROCURADOR DO DF - PGDF - 2013 - CESPE
INTERVENÇÃO – PÁGINA 115
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RN - 2014 - FCC
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS – PÁGINA 117
ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCE/AM - FCC - 2013
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJAM - 2016 - CESPE
PROCURADORIA MUNICIPAL - PGM-FORTALEZA/CE - 2017 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSE – 2008 - CESPE
ORÇAMENTO - PÁGINA 123
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ANALISTA DE POLÍTICAS PÚBLICAS - SEPLAG-NITERÓI-RJ - 2018 – FGV
PODER CONSTITUINTE – PÁGINA 125
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PB – FCC (2018)
ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DOS DEPUTADOS – 2014 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO -0 DPE/PE - 2014 - CESPE
ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA – PÁGINA 131
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AP - 2006 - CESPE
ORGANIZAÇÃO DO ESTADO – PÁGINA 133
OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA - ABIN - 2018 - CESPE
PROCURADOR LEGISLATIVO (PB) - FCC - 2013
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AM - 2017 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RR - 2013 - CESPE
PODER EXECUTIVO – PÁGINA 140
DEFENSOR PÚBLICO – DPE/RS – FCC (2018)
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJPA - 2014 – VUNESP
PROCURADOR DO ESTADO – PGE/MA – FCC (2016)
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RO - 2011 - FCC
PODER LEGISLATIVO – PÁGINA 140
ANALISTA - ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO SERGIPE – FCC (2018)
POLÍCIA DO SENADO - SENADO FEDERAL - 2008 – FGV
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS - 2012 - FCC
PROCESSO LEGISLATIVO - PÁGINA 153
ANALISTA LEGISLATIVO - ASSEMBLEIA DE RONDÔNIA - 2018 – FGV
PROCURADOR – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA/GO – 2018 – IADES
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJPR – 2017 - CESPE
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF4 – 2016 – BANCA PRÓPRIA
PODER JUDICIÁRIO - PÁGINA 162
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJCE - 2018 – CESPE
PROCURADOR - ASSEMBLEIA DO MARANHÃO - 2013 – FGV
ADVOGADO DA UNIÃO – AGU - 2016 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJPB – 2011 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJAC – 2012 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJPA – 2011 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJMA – 2013 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJMA – 2013 - CESPE
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7
NACIONALIDADE – PÁGINA 179
DIPLOMATA – MRE – 2018 – CESPE
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS – PÁGINA 181
JUIZ DE DIREITO - TJPE - FCC - 2013
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/SE - 2012 - CESPE
SEGURANÇA PÚBLICA – PÁGINA 184
POLÍCIA CIVIL – PCES – 2010 – CESPE
DELEGADO DE POLÍCIA – PCAL – 2012 - CESPE
DELEGADO DE POLÍCIA – POLÍCIA FEDERAL – 2013 – CESPE
DELEGADO DE POLÍCIA – PCRJ – 2012 – FUMARC
SÚMULA VINCULANTE – PÁGINA 191
PROCURADOR - PGM-MANAUSPREV/AM - 2015 - FCC
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJPA – 2011 - CESPE
TRATADOS INTERNACIONAIS – PÁGINA 194
MAGISTRATURA FEDERAL - TRF5 - 2018 - CESPE
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJCE - 2018 - CESPE
ADVOGADO DA UNIÃO – AGU - 2016 - CESPE
DIPLOMATA - MRE - 2016 - CESPEdispositivo
de lei, afastando a incidência da lei no caso, sem, entretanto, declarar
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31
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Prevista no art. 97 da CRFB, a cláusula de reserva do plenário
(também chamada de “fullbench”) menciona que o julgamento da
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, quando
efetuada por tribunal, só será possível pelo voto da maioria absoluta dos
seus membros ou dos membros de seu órgão especial. Saliente-se que isso
não impede que os juízos singulares declarem a inconstitucionalidade de lei
ou ato normativo no controle difuso, bem como não se aplica às turmas
recursais dos juizados especiais, pois turma recursal não é tribunal.
Um entendimento importante por parte do STF é que a cláusula de
reserva de plenário é aplicável somente aos textos normativos erigidos sob a
égide da atual Constituição. As normas editadas quando da vigência das
Constituições anteriores se submetem somente ao juízo de recepção ou não
pela atual ordem constitucional, o que pode ser realizado por órgão
fracionário dos Tribunais sem que se tenha por violado o art. 97 da CRFB.
Diante disso, a câmara deveria ter submetido a questão ao Plenário
do Tribunal ou ao respectivo Órgão Especial e, depois, ficando reconhecida a
inconstitucionalidade, decidir o mérito do recurso de apelação, observando o
que foi decidido pelo plenário ou pelo órgão especial.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Súmula Vinculante nº 10 –Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, art.
97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público,
afasta sua incidência, no todo ou em parte.
O art. 97 da Constituição, ao subordinar o reconhecimento da
inconstitucionalidade de preceito normativo a decisão nesse sentido da
"maioria absoluta de seus membros ou dos membros dos respectivos órgãos
especiais", está se dirigindo aos tribunais indicados no art. 92 e aos
respectivos órgãos especiais de que trata o art. 93, XI. A referência,
portanto, não atinge juizados de pequenas causas (art. 24, X) e juizados
especiais (art. 98, I), os quais, pela configuração atribuída pelo legislador,
não funcionam, na esfera recursal, sob regime de plenário ou de órgão
especial. [ARE 792.562 AgR, rel. min. Teori Zavascki, j. 18-3-2014, 2ª
T, DJE de 2-4-2014.]
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO.
EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. LEI 4.156/62. MATÉRIA
INFRACONSTITUCIONAL. ARGUIÇÃO DE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA
DECISÃO. OFENSA REFLEXA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE
RESERVA DE PLENÁRIO (ARTIGO 97 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL).
expressamente a sua inconstitucionalidade. Diga se a Câmara agiu em
acordo ou desacordo com a medida.
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32
INOCORRÊNCIA. NORMA ERIGIDA SOB A ÉGIDE DA CONSTITUIÇÃO
ANTERIOR. RECEPÇÃO DA LEI POR ÓRGÃO FRACIONÁRIO. POSSIBILIDADE. 1.
Os princípios da legalidade, do devido processo legal, da ampla defesa e do
contraditório, da motivação das decisões judiciais, bem como os limites da
coisa julgada, quando a verificação de sua ofensa dependa do reexame
prévio de normas infraconstitucionais, revelam ofensa indireta ou reflexa à
Constituição Federal, o que, por si só, não desafia a instância extraordinária.
Precedentes 2. A cláusula de reserva de plenário (fullbench) é aplicável
somente aos textos normativos erigidos sob a égide da atual
Constituição. 3. As normas editadas quando da vigência das Constituições
anteriores se submetem somente ao juízo de recepção ou não pela atual
ordem constitucional, o que pode ser realizado por órgão fracionário dos
Tribunais sem que se tenha por violado o art. 97 da CF. Precedentes: AI- AgR
582.280, Segunda Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 6.11.2006 e AI
831.166-AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, Dje de 29.4.2011. 3.
Agravo regimental desprovido (AgIN 851.849 AgRg / RT 935).
MAGISTRATURA – TJDFT – 2014 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
É importante notar que a competência para o controle concentrado
de constitucionalidade, no que tange a uma lei do Distrito Federal, será
determinada pelo seu conteúdo. Com efeito, sabe-se que aquele ente
federativo apresenta competências legislativas estaduais e municipais,
conforme previsto no art. 32, § 1º, da CRFB.
Quando a lei distrital apresentar conteúdo afeto aos Estados, a
impugnação de sua constitucionalidade será de competência do STF, em
virtude do disposto no art. 102, I, a, da CRFB. Por outro lado, quando a lei
distrital apresentar conteúdo municipal, sua constitucionalidade deverá ser
questionada no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT),
vez que assim dispõe o art. 125, § 2º, da CRFB. Aliás, esse entendimento
encontra-se consagrado na Súmula 642, do STF.
O amicus curiae é uma figura processual importada do direito
estrangeiro. Inserida pela primeira vez em nosso ordenamento pela Lei nº
9.868/99, (o art. 7º, § 2º, permite a manifestação de outros órgãos ou
entidades). Com efeito, o amicus curiae representa uma entidade estranha
Em relação ao tema do controle de constitucionalidade, responda
justificadamente aos seguintes quesitos: a- A quem compete julgar Ação
Declaratória de Inconstitucionalidade contra lei do Distrito Federal que viola
a Constituição Federal?; b- Qual a natureza jurídica do amicus curiae?; c-
Qual a distinção entre o instituto da interpretação conforme a Constituição e
ação declaratória de inconstitucionalidade sem redução de texto?
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33
ao processo originário, mas que apresenta interesse em seu desfecho ou
notória especialização sobre o tema em debate.
Sua natureza jurídica sempre foi objeto de debate, pois não se
encaixa propriamente em nenhuma das definições clássicas. Não se trata de
uma parte do processo, vez que não dispõe de todos os ônus e benefícios que
lhe usualmente pertence. Por outro lado, há quem defenda que se trata de
uma intervenção de terceiros sui generis, o que parece ter sido acolhido pelo
Novo Código de Processo Civil, consoante a topografia de seu art. 138.
Por fim, a interpretação conforme a Constituição é uma técnica de
hermenêutica que permite ao julgador excluir determinadas hipóteses de
interpretação, que levariam à aplicação inconstitucional da norma. Por sua
vez, a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto é
verdadeira hipótese de controle de constitucionalidade, pelo qual uma
hipótese de aplicação é expressamente rechaçada, sem qualquer alteração
formal no texto da norma.
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/BA - 2014 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao item 1, nos termos da jurisprudência do STF, verifica-se
a impossibilidade de processamento simultâneo das duas ADIs. Trata-se da
situação denomina simultaneus processus, na qual deverá ser suspenso o
processamento da ADI estadual até a conclusão do julgamento da ADI
ajuizada perante o STF, já que a decisão desse influenciará na persistência ou
não da ADI local.
Em outras palavras, o ajuizamento simultâneo das ADIs é possível,
mas seu processamento simultâneo e consequente julgamento não, já que a
ADI estadual deverá ser suspensa até o julgamento final da ADI federal. Não
se mostra, portanto, possível que se continue o processamento da ADI
estadual (com a colhida de informações, pareceres, solicitações adicionais,
relatório e voto), tendo em vista que ela poderá perder seu objeto, a
decisão transitada em julgado. [valor: 8,00 pontos]
De acordo com a jurisprudência do STF relativa ao processamento de ADIs
federal e estadual em face de uma mesma lei estadual e considerando que o
parâmetro de controle estadual seja de observânciaobrigatória, pelo
princípio da simetria, analise, de forma fundamentada, os seguintes
aspectos: 1- possibilidade de processamento simultâneo das ADIs federal e
estadual em face da mesma norma estadual; [valor: 11,00 pontos] 2-
possibilidade de processamento de ADI estadual superveniente,
impugnando a constitucionalidade da norma estadual, caso esta venha a ser
declarada inconstitucional pelo STF, ao julgar procedente ADI federal em
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34
depender do desfecho da ADI em trâmite perante o STF. Assim, suspende-se
o trâmite/processamento da ADI estadual para se aguardar o desfecho da
federal.
Logo, é uma causa de suspensão prejudicial do processo de controle
concentrado de constitucionalidade, nos termos da jurisprudência do STF. Tal
conclusão só será atingida ao se considerar que o parâmetro de controle
invocado perante a Constituição Estadual é de reprodução obrigatória.
Em relação ao item 2, verifica-se a impossibilidade de processamento
da ADI estadual superveniente. Isso porque, uma vez tendo a norma sido
declarada inconstitucional pelo STF, em julgamento de ADI com trânsito em
julgado, tal diploma normativo restou extirpado do ordenamento jurídico.
Dessa forma, não subsistirá norma apta a ser apreciada em julgamento de
ADI estadual superveniente. Nesses casos, a ADI estadual não deverá ser
proposta e, caso o seja, será considerada prejudicada, por perda de objeto.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Ação direta de inconstitucionalidade. Pedido de liminar. Lei nº 9.332, de 27
de dezembro de 1995, do Estado de São Paulo. - Rejeição das preliminares de
litispendência e de continência, porquanto, quando tramitam paralelamente
duas ações diretas de inconstitucionalidade, uma no Tribunal de Justiça local
e outra no Supremo Tribunal Federal, contra a mesma lei estadual
impugnada em face de princípios constitucionais estaduais que são
reprodução de princípios da Constituição Federal, suspende-se o curso da
ação direta proposta perante o Tribunal estadual até o julgamento final da
ação direta proposta perante o Supremo Tribunal Federal, conforme
sustentou o relator da presente ação direta de inconstitucionalidade em voto
que proferiu, em pedido de vista, na Reclamação 425. - Ocorrência, no caso,
de relevância da fundamentação jurídica do autor, bem como de
conveniência da concessão da cautelar. Suspenso o curso da ação direta de
inconstitucionalidade nº 31.819 proposta perante o Tribunal de Justiça do
Estado de São Paulo, defere-se o pedido de liminar para suspender, ex nunc e
até decisão final, a eficácia da Lei nº 9.332, de 27 de dezembro de 1995, do
Estado de São Paulo. (ADI 1.423-MC/SP, Rel. Min. Moreira Alves, Tribunal
Pleno, DJU de 22/11/96
AJUIZAMENTO DE AÇÕES DIRETAS DE INCONSTITUCIONALIDADE TANTO
PE‘áNTE O “UP‘EMO T‘IBUNáL FEDE‘áL (CF, á‘T. 102, I, “á”) QUáNTO
PERANTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA LOCAL (CF, ART. 125, § 2º). PROCESSOS DE
FISCALIZAÇÃO CONCENTRADA NOS QUAIS SE IMPUGNA O MESMO DIPLOMA
NORMATIVO EMANADO DE ESTADO-MEMBRO, NÃO OBSTANTE
CONTESTADO, PERANTE O TRIBUNAL DE JUSTIÇA, EM FACE DE PRINCÍPIOS,
QUE, INSCRITOS NA CARTA POLÍTICA LOCAL, REVELAM-SE IMPREGNADOS DE
PREDOMINANTE COEFICIENTE DE FEDERALIDADE (RTJ 147/404 – RTJ
152/371-373). OCO‘‘ÊNCIá DE ‘“IMULTáNEU“ P‘OCE““U“’. HIPÓTE“E DE
SUSPENSÃO PREJUDICIAL DO PROCESSO DE CONTROLE NORMATIVO
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35
ABSTRATO INSTAURADO PERANTE O TRIBUNAL DE JUSTIÇA LOCAL.
NECESSIDADE DE SE AGUARDAR, EM TAL CASO, A CONCLUSÃO, PELO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DO JULGAMENTO DA AÇÃO DIRETA.
DOUT‘INá. P‘ECEDENTE“ (“TF).” (áDI 4138, ‘el. Min. Celso de Mello, DJe
16.12.2009
Coexistência de jurisdições constitucionais estaduais e federal. Propositura
simultânea de ação direta de inconstitucionalidade contra lei estadual
perante o STF e o Tribunal de Justiça. Suspensão do processo no âmbito da
Justiça estadual, até a deliberação definitiva desta Corte. Precedentes.
Declaração de inconstitucionalidade, por esta Corte, de artigos da lei
estadual. Arguição pertinente à mesma norma requerida perante a Corte
estadual. Perda de objeto”. (Pet 2.701-AgR, Rel. p/ o ac. Min. Gilmar
Mendes, Plenário, DJ de 19.03.2004
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36
CPI
DELEGADO DE POLÍCIA - PCMA - 2012 – FGV
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Não há qualquer óbice à criação de Comissão Parlamentar de
Inquérito no âmbito das Assembleias Legislativas, mas desde que haja
previsão na Constituição do Estado-membro e que sirva para investigação de
fatos abrangidos por sua competência fiscalizatória. Frise-se que a criação de
comissões parlamentares de inquérito no âmbito estadual se trata, conforme
entendimento do STF, de norma de observância obrigatória, à luz do
princípio federativo.
As CPIs possuem, por força do art. 58, §3º, da CRFB, poderes de
investigação próprios das autoridades judiciais. Dentro desses poderes inclui-
se a quebra do sigilo bancário dos investigados. Este poder se estende às
comissões estaduais, as quais possuem poderes simétricos aos das CPIs
federais, dentre eles, a possibilidade de quebra do sigilo bancário, conforme
já decidiu o STF.
Todavia, a determinação de quebra de sigilo feita monocraticamente
pelo Presidente da CPI se revela nula. Isto porque, consoante estabelecido
pelo STF, por se tratar de medida restritiva de direito fundamental, a quebra
A Assembleia Legislativa do Estado X instaurou Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) para apurar denúncias de irregularidades em licitações e
contratos de informática celebrados no âmbito de uma autarquia estadual.
Durante os trabalhos da Comissão, o seu Presidente determinou a quebra do
sigilo bancário de Roberval, o Diretor de Administração e Finanças da
autarquia, investigado pela Comissão. Os dados bancários de Roberval,
fornecidos pelo Banco Central, foram analisados pela CPI, em conjunto com
as demais provas documentais e depoimentos, concluindo-se não ter havido
fraude nas licitações e contratos investigados. Assim, noventa dias depois de
sua instalação, a Comissão encerrou seus trabalhos, determinando o
arquivamento de todos os elementos de prova produzidos durante a
investigação. Na semana seguinte, Roberval impetrou mandado de
segurança contra o ato do Presidente da CPI, requerendo a suspensão dos
efeitos do ato que determinou a quebra do seu sigilo bancário e, como
consequência, que os documentos obtidos pela Comissão não fossem
remetidos ao Ministério Público, mas sim devolvidos para o órgão do Banco
Central que os havia fornecido. A partir do caso apresentado, responda aos
itens a seguir: 1- É possível a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito
no plano estadual? Caso positiva a resposta, foi correta a determinação da
quebra de sigilo bancário pelo Presidente da CPI? Com o encerramento dos
trabalhos da CPI e arquivamento dos elementos produzidos, a impetração de
Mandado de Segurança com pedido de devolução para o BC de todos os
elementos de prova produzidos pela Comissão está correta?
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37
de sigilo somente poderá ser adotada após deliberação da Comissão, em
obediência ao princípio da colegialidade.
Em relação à impetração do mandado de segurança, houve
incorreção, ainda que tenha sido respeitado o prazo decadencial. Isso ocorre
porque com o encerramento da CPI pela conclusão dos seus trabalhos, não
subsiste objeto para eventual mandado de segurança, tampouco
legitimidade passiva ao presidente da CPI.
Da mesma forma, perde o objeto o mandado de segurança
anteriormente impetrado. A questão já foi decidida pela Jurisprudência dos
tribunais superiores, inclusive afirmando não ser possível a indicação do
presidente de Comissãojá encerrada como autoridade coatora. Com o
término dos trabalhos da Comissão de que resultou o ato questionado
(quebra do sigilo bancário), exauriu-se o mandato de seu presidente, o que
implica impossibilidade de figurar como autoridade coatora, ainda que
subsistam os documentos produzidos. Após o encerramento dos trabalhos da
Comissão estadual, a Assembleia Legislativa passa a ser a responsável pelos
documentos, e não o presidente da CPI.
JURISPRUDÊNCIA APLICADA:
“Poderes de CPI estadual: ainda que seja omissa a LC 105/2001, podem
essas comissões estaduais requerer quebra de sigilo de dados bancários,
com base no art. 58, § 3º, da Constituição.” (áCO 730, rel. min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 22-9-2004, Plenário, DJ de 11-11-2005.)
"O princípio da colegialidade traduz diretriz de fundamental importância na
regência das deliberações tomadas por qualquer Comissão Parlamentar de
Inquérito, notadamente quando esta, no desempenho de sua competência
investigatória, ordena a adoção de medidas restritivas de direitos, como
aquelas que importam na revelação (disclosure) das operações financeiras
ativas e passivas de qualquer pessoa. A legitimidade do ato de quebra do
sigilo bancário, além de supor a plena adequação de tal medida ao que
prescreve a Constituição, deriva da necessidade de a providência em causa
respeitar, quanto à sua adoção e efetivação, o princípio da colegialidade, sob
pena de essa deliberação reputar-se nula." (MS 24.817, rel. min. Celso de
Mello, julgamento em 3-2-2005, Plenário, DJE de 6-11-2009.)
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
(A questão tem por objetivo avaliar o conhecimento do candidato quanto ao
tema das Comissões Parlamentares de Inquérito, especialmente em vista da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal acerca dos limites aos poderes
investigatórios da Comissão.). O candidato deve identificar, em primeiro
lugar, a possibilidade de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
no plano estadual, desde que prevista na Constituição do Estado-Membro. A
esse respeito, o Supremo Tribunal Federal, inclusive, já afirmou que a
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38
possibilidade de criação de comissões parlamentares de inquérito seria, à luz
do princípio federativo, uma norma de absorção compulsória nos Estados-
Membros, destinada a garantir o potencial do Poder Legislativo em sua
função de fiscal da Administração (nesse sentido, ACO 730, Rel. Min.
Joaquim Barbosa, julgamento em 22-9-2004, Plenário, DJ de 11-11-2005). O
candidato deverá, ainda, identificar que a Constituição da República, em seu
Art. 58, § 3º, atribui às Comissões Parlamentares de Inquérito "poderes de
investigação próprios das autoridades judiciais". Dentre esses poderes,
inclui-se a quebra do sigilo bancário dos investigados. Entretanto, o Supremo
Tribunal Federal já fixou o entendimento de que tal medida restritiva de
direito fundamental somente poderá ser adotada após deliberação da
Comissão, e não de forma monocrática, em respeito ao princípio da
colegialidade. Nesse sentido: "O princípio da colegialidade traduz diretriz de
fundamental importância na regência das deliberações tomadas por
qualquer CPI, notadamente quando esta, no desempenho de sua
competência investigatória, ordena a adoção de medidas restritivas de
direitos, como aquelas que importam na revelação (disclosure) das
operações financeiras ativas e passivas de qualquer pessoa. A legitimidade
do ato de quebra do sigilo bancário, além de supor a plena adequação de tal
medida ao que prescreve a Constituição, deriva da necessidade de a
providência em causa respeitar, quanto à sua adoção e efetivação, o
princípio da colegialidade, sob pena de essa deliberação reputar-se nula."
(MS 24.817, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 3-2-2005, Plenário, DJE
de 6-11-2009.). Item II - O candidato deve identificar que a impetração do
mandado de segurança foi incorreta, ainda que tenha sido respeitado o
prazo decadencial, uma vez que, com o encerramento da Comissão
Parlamentar de Inquérito pela conclusão dos seus trabalhos, não subsiste
objeto para eventual mandado de segurança, e nem legitimidade passiva ao
Presidente da CPI. Da mesma forma, perde o objeto o mandado de
segurança anteriormente impetrado. A questão já foi decidida reiteradas
vezes pelo Supremo Tribunal Federal, que sempre afirmou, inclusive, não ser
possível a indicação do Presidente de Comissão já encerrada como
autoridade coatora. Com o término dos trabalhos da Comissão de que
resultou o ato questionado (quebra do sigilo bancário), exauriu-se o
mandato de seu Presidente, o que implica impossibilidade de figurar como
autoridade coatora, ainda que subsistam os documentos produzidos. Após o
encerramento dos trabalhos da Comissão estadual, a Assembléia Legislativa
passa a ser a responsável pelos documentos, e não o Presidente da CPI (MS
23.709 AgR, Rel. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 9-8-2000, Plenário;
MS 25.459 AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 4-2-2010, Plenário,
DJE de 12-3-2010; MS 25.081 AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento
em 31-5-2006, Plenário, DJ de 29-6-2007).
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJAM - 2013 – FGV
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SUGESTÃO DE RESPOSTA:
De acordo com a jurisprudência do STF, é legítima a quebra de sigilo
fiscal, bancário e telefônico por Comissão Parlamentar de Inquérito, desde
que façam de modo fundamentado, já que gozam dos poderes próprios das
autoridades judiciais, consoante o art. 58, §3º, da CRFB.
Tais poderes são extensíveis às comissões formadas nas assembleias
estaduais, consoante decidiu o STF. O art. 102, I, “b”, da C‘FB atribui o foro
por prerrogativa de função ao Deputado Federal, que somente poderá ser
processado e julgado perante o STF, mas, conforme entendimento recente,
desde que a apuração envolva pertinência para com o cargo ocupado. Por
ser tratar de uma assembleia estadual, portanto, que exerce poderes
próprios das autoridades judiciárias estaduais, entende-se que o membro do
Congresso Nacional está fora do seu alcance, por isso incabível a convocação
para depor, na qualidade de investigado.
Na qualidade de testemunha, a convocação é viável, sem condução
coercitiva. O art. 3º da Lei nº 1.579/52, que dispõe sobre as comissões
parlamentares de inquérito, remete à disciplina do CPP. Este diploma, por
sua vez, em seu art. 221, caput e § 1º, assevera que o depoimento será
tomado mediante ajuste de dia e hora entre a autoridade e o juiz. Admite-se,
inclusive, o depoimento por escrito.
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-RECIFE/PE - 2014 - FCC
A Assembleia Legislativa de um Estado da Federação instaurou Comissão
Parlamentar de Inquérito voltada à apuração de irregularidades envolvendo
os contratos de concessão de linhas de transporte intermunicipais. A
Assembleia determinou, por ato próprio, a quebra do sigilo de dados
bancários e fiscais de todos os envolvidos, tendo descoberto que certo
Deputado Federal patrocinava, de modo ilícito, os interesses de uma das
concessionárias junto ao Estado. Ato contínuo, a Comissão expediu ato
convocando o Deputado Federal para depor na qualidade de investigado.
Ante o quadro, indaga-se: É juridicamente legítima a quebra de sigilo
bancário e fiscal realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito estadual?
Pode a Comissão Parlamentar de Inquérito estadual investigar e convocar
Deputado Federal para depor como testemunha ou investigado, sob pena de
condução coercitiva?
As comissões parlamentares de inquérito constituem importante
instrumento de controle e fiscalização atribuído ao Poder Legislativo. Nos
termos do texto constitucional, essas comissões serão criadas “mediante
requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato
determinado e por prazo tcerto”, bem como “terão poderes de investigação
própriosdas autoridades judiciais”. ánalise o regime constitucional das
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SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao primeiro questionamento, é legítima a prorrogação do
prazo certo para a apuração do objeto da CPI e, segundo o STF, deve ser
estipulado novo limite e o termo final não pode ultrapassar a legislatura.
Frise-se que cada legislatura tem duração de quatro anos, compreendendo
quatro sessões legislativas ordinárias ou oito períodos legislativos.
No tocante ao segundo questionamento, o funcionamento e a
composição das CPIs observarão o disposto no art. 58, §1º, da CRFB, isto é,
na constituição das Mesas e de cada Comissão, é assegurada, tanto quanto
possível, a representação proporcional dos partidos ou dos blocos
parlamentares que participam da respectiva Casa.No caso de omissão dos
líderes das bancadas, há um dever no sentido de que a direção da Casa
Legislativa indique os membros. Existe, no sistema político-jurídico brasileiro,
um verdadeiro estatuto constitucional das minorias parlamentares, cujas
prerrogativas, notadamente aquelas pertinentes ao direito de investigar,
devem ser preservadas pelo Poder Judiciário.
Conforme a visão do STF, a norma inscrita no art. 58, § 3º, da CRFB
destina-se a ensejar a participação ativa das minorias parlamentares no
processo de investigação legislativa, sem que, para tanto, mostre-se
necessária a concordância das agremiações que compõem a maioria
parlamentar. O direito de oposição, especialmente aquele reconhecido às
minorias legislativas, para que não se transforme numa prerrogativa
constitucional inconsequente, há de ser aparelhado com instrumentos de
atuação que viabilizem a sua prática efetiva e concreta no âmbito de cada
uma das Casas do Congresso Nacional.
A maioria legislativa não pode frustrar o exercício, pelos grupos
minoritários que atuam no Congresso Nacional, do direito público subjetivo
que lhes é assegurado pelo art. 58, § 3º, da CRFB, e que lhes confere a
prerrogativa de ver efetivamente instaurada a investigação parlamentar, por
período certo, sobre fato determinado.
No tocante ao terceiro questionamento, as CPIs não podem obter
diretamente informações acerca de processos que tramitem sob o segredo
de justiça, pois dependem de reserva de jurisdição para obter o acesso. As
CPIs possuem a prerrogativa de obter informações cobertas pelo sigilo fiscal,
mas desde que observadas algumas condicionantes. Os requerimentos para
comissões parlamentares de inquérito, examinando especificamente os
seguintes aspectos: a) Legitimidade de prorrogação do “prazo certo”
definido para o inquérito parlamentar. b) Funcionamento e composição da
comissão em face da omissão dos representantes (líderes) das bancadas
partidárias majoritárias em indicar parlamentares para integrá-la. c)
Legitimidade e condicionantes para obtenção de informações cobertas por
segredo de justiça e sigilo fiscal.
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tal intento devem ser aprovados pela maioria da CPI (princípio da
colegialidade) e a decisão do colegiado deve conter explícita e idônea
motivação em indícios e documentos da investigação.A motivação deve ser
contemporânea à decisão, isto é, não pode ser apresentada posteriormente.
Destaque-se que o STF aduz que a quebra do sigilo inerente aos
registros bancários, fiscais e telefônicos, por traduzir medida de caráter
excepcional, revela-se incompatível com o ordenamento constitucional
quando fundada em deliberações emanadas de CPI cujo suporte decisório
apoia-se em formulações genéricas, destituídas da necessária e específica
indicação de causa provável, que se qualifica como pressuposto legitimador
da ruptura, por parte do Estado, da esfera de intimidade a todos garantida
pela CRFB.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
A duração do inquérito parlamentar – com o poder coercitivo sobre
particulares, inerentes à sua atividade instrutória e à exposição da honra e
da imagem das pessoas a desconfianças e conjecturas injuriosas – e um dos
pontos de tensão dialética entre a CPI e os direitos individuais, cuja solução,
pela limitação temporal do funcionamento do órgão, antes se deve entender
matéria apropriada à lei do que aos regimentos: donde, a recepção do art.
5º, § 2º, da Lei. 1.579/1952, que situa, no termo final de legislatura em que
constituída, o limite intransponível de duração, ao qual, com ou sem
prorrogação do prazo inicialmente fixado, se há de restringir a atividade de
qualquer CPI.” (HC 71.261, rel. min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 11-
5-1994, Plenário, DJ de 24-6-1994.) No mesmo sentido: RE 194.346-AgR, rel.
min. Joaquim Barbosa, julgamento em 14-9-2010, Segunda Turma, DJE de 8-
10-2010.
Criação de CPI: requisitos constitucionais. O Parlamento recebeu dos
cidadãos, não só o poder de representação política e a competência para
legislar, mas também o mandato para fiscalizar os órgãos e agentes do
Estado, respeitados, nesse processo de fiscalização, os limites materiais e as
exigências formais estabelecidas pela CF. O direito de investigar – que a
Constituição da República atribuiu ao Congresso Nacional e às Casas que o
compõem (art. 58, § 3º) – tem, no inquérito parlamentar, o instrumento
mais expressivo de concretização desse relevantíssimo encargo
constitucional, que traduz atribuição inerente à própria essência da
instituição parlamentar. A instauração do inquérito parlamentar, para
viabilizar-se no âmbito das Casas legislativas, está vinculada, unicamente, à
satisfação de três exigências definidas, de modo taxativo, no texto da Carta
Política: (1) subscrição do requerimento de constituição da CPI por, no
mínimo, 1/3 dos membros da Casa legislativa, (2) indicação de fato
determinado a ser objeto de apuração e (3) temporariedade da CPI.
Preenchidos os requisitos constitucionais (CF, art. 58, § 3º), impõe-se a
criação da CPI, que não depende, por isso mesmo, da vontade aquiescente
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da maioria legislativa. Atendidas tais exigências (CF, art. 58, § 3º), cumpre,
ao presidente da Casa legislativa, adotar os procedimentos subsequentes e
necessários à efetiva instalação da CPI, não lhe cabendo qualquer apreciação
de mérito sobre o objeto da investigação parlamentar, que se revela
possível, dado o seu caráter autônomo (RTJ 177/229 – RTJ 180/191-193),
ainda que já instaurados, em torno dos mesmos fatos, inquéritos policiais ou
processos judiciais. A prerrogativa institucional de investigar, deferida ao
Parlamento (especialmente aos grupos minoritários que atuam no âmbito
dos corpos legislativos), não pode ser comprometida pelo bloco majoritário
existente no Congresso Nacional e que, por efeito de sua intencional recusa
em indicar membros para determinada CPI (ainda que fundada em razões de
estrita conveniência político-partidária), culmine por frustrar e nulificar, de
modo inaceitável e arbitrário, o exercício, pelo Legislativo (e pelas minorias
que o integram), do poder constitucional de fiscalização e de investigação do
comportamento dos órgãos, agentes e instituições do Estado, notadamente
daqueles que se estruturam na esfera orgânica do Poder Executivo. (...)
Legitimidade passiva ad causam do presidente do Senado Federal –
autoridade dotada de poderes para viabilizar a composição das comissões
parlamentares de inquérito." (MS 24.831, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 22-6- 2005, Plenário, DJ de 4-8-2006.) Vide: MS 26.441, Rel.
Min. Celso de Mello, julgamento em 25-4-2007, Plenário, DJE de 18-12-2009.
A quebra do sigilo inerente aos registros bancários, fiscais e telefônicos, por
traduzir medida de caráter excepcional, revela-se incompatível com o
ordenamento constitucional, quando fundada em deliberações emanadas de
CPI cujo suportedecisório apoia-se em formulações genéricas, destituídas da
necessária e específica indicação de causa provável, que se qualifica como
pressuposto legitimador da ruptura, por parte do Estado, da esfera de
intimidade a todos garantida pela CR. Precedentes. Doutrina. O controle
jurisdicional de abusos praticados por CPI não ofende o princípio da
separação de poderes. O STF, quando intervém para assegurar as franquias
constitucionais e para garantir a integridade e a supremacia da Constituição,
neutralizando, desse modo, abusos cometidos por CPI, desempenha, de
maneira plenamente legítima, as atribuições que lhe conferiu a própria Carta
da República. O regular exercício da função jurisdicional, nesse contexto,
porque vocacionado a fazer prevalecer a autoridade da Constituição, não
transgride o princípio da separação de Poderes. Doutrina. Precedentes." (MS
25.668, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 23-3-2006, Plenário, DJ de
4-8-2006.)
O princípio da colegialidade traduz diretriz de fundamental importância na
regência das deliberações tomadas por qualquer CPI, notadamente quando
esta, no desempenho de sua competência investigatória, ordena a adoção
de medidas restritivas de direitos, como aquelas que importam na revelação
(disclosure) das operações financeiras ativas e passivas de qualquer pessoa.
A legitimidade do ato de quebra do sigilo bancário, além de supor a plena
adequação de tal medida ao que prescreve a Constituição, deriva da
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necessidade de a providência em causa respeitar, quanto à sua adoção e
efetivação, o princípio da colegialidade, sob pena de essa deliberação
reputar-se nula." (MS 24.817, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 3-2-
2005, Plenário, DJE de 6-11-2009.)
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DIREITOS INDIVIDUAIS E COLETIVOS
PROCURADOR DO MUNICÍPIO – PGM-FOZ DO IGUAÇU/PR – 2019 – FAPIPA
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
“egundo o texto constitucional, “a casa é asilo do indivíduo, ninguém
nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de
flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por
determinação judicial”.
Segundo a jurisprudência do STF, o domicílio a que se refere a
Constituição Federal é todo compartimento habitado, compreendendo até
mesmo os aposentos de habitação coletiva, desde que ocupados, como os
quartos de hotel e até mesmo alguns veículos quando utilizados para
habitação.
No entanto, segundo o Supremo, este conceito não se estende ao
escritório de Elizeu, mormente pelo fato de que o investigado é o próprio
advogado, hipótese em que não há amparo legal para a inviolabilidade do
escritório profissional. Neste sentido, o STF entendeu, no julgamento do
Inquérito 2424, que nenhum direito é absoluto, não podendo o direito
fundamental de proteção ao domicílio servir de acobertamento e incentivo
para o cometimento atos criminosos, o que possibilita que as escutas sejam
inseridas no escritório do advogado investigado ainda que em período
noturno, já que durante o dia os agentes seriam facilmente identificados.
Sendo assim, de acordo com o entendimento jurisprudencial, as provas são
plenamente lícitas e aptas a instruir a persecução criminal.
Ressalta-se ainda que a entrada forçada em domicílio sem a anuência
do morador e sem mandado judicial, ainda que em período noturno, é
permitida, além das hipóteses previstas no texto constitucional (art. 5º, XI,
CF/88), quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas a
Elizeu é advogado e foi denunciado pela prática dos crimes de lavagem de
dinheiro e corrupção passiva. O Ministério Público, ao oferecer Denúncia, a
instruiu com a transcrição de escutas ambientais, inseridas com autorização
judicial, durante o período noturno em seu escritório profissional.
Considerando a tutela constitucional conferida aos direitos individuais, bem
como a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal relativa à inviolabilidade
do domicílio da pessoa, responda justificadamente: a. Qual o conceito de
domicílio para o STF? Este conceito se estenderia ao escritório profissional
de Elizeu? b. Seria devida a declaração de nulidade e o consequente
desentranhamento das transcrições juntadas ao processo e utilizadas para
dar ensejo à acusação de Elizeu? c. Além das hipóteses de relativização da
inviolabilidade domiciliar prevista no texto da Constituição Federal, há
alguma outra admitida pela jurisprudência do STF? Em caso positivo, qual?
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posteriori, que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante
delito (RE 603616).
DIPLOMATA – MRE – 2019 – CESPE
á Constituição Federal de 1988 prevê, no seu art. 5.º, inciso LXVII, que “não
haverá prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel”. á
figura do depositário infiel surgiu em decorrência do contrato de depósito
previsto no ordenamento nacional e definido na doutrina como um negócio
jurídico por meio do qual a parte depositante transfere à parte depositária a
guarda de um objeto móvel, para que seja devidamente conservado e,
posteriormente, devolvido. Acerca da possibilidade de prisão do depositário
infiel, o Código Civil brasileiro estabelece, em seu art. 652, que “seja o
depósito voluntário ou necessário, o depositário que não o restituir quando
exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão não excedente a um ano, e
ressarcir os prejuízos”. Dessa forma, seria, em tese, admissível a prisão do
depositário infiel na hipótese de não cumprimento da obrigação de devolver
o bem depositado. No entanto, o entendimento do Supremo Tribunal
Federal (STF) acerca da forma como o ordenamento nacional deve tratar a
figura jurídica do depositário infiel considera o Pacto Internacional dos
Direitos Civis e Políticos (“Ninguém poderá ser preso apenas por não poder
cumprir com uma obrigação contratual”) e a Convenção ámericana sobre
Direitos Humanos – Pacto de São José da Costa Rica (“Ninguém deve ser
detido por dívidas. Este princípio não limita os mandados de autoridade
judiciária competente expedidos em virtude de inadimplemento de
obrigação alimentar”), ambos tratados internacionais ratificados em 1992
pelo Estado brasileiro. Considerando que o texto apresentado tem caráter
motivador, redija um texto dissertativo a respeito da prisão civil do
depositário infiel na perspectiva do sistema jurídico brasileiro,
especialmente do STF. Em seu texto, responda aos seguintes
questionamentos. 1 - É lícita a prisão civil do depositário infiel? 2 - Qual é a
natureza jurídica e a posição hierárquica, no ordenamento jurídico, do Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos e do Pacto de São José da Costa
Rica? 3 - Quais são os efeitos da relação da legislação nacional
infraconstitucional e constitucional com os tratados internacionais
mencionados no que se refere à prisão civil do depositário infiel?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao item 1, o art. 5º, LXVII, da CRFB aduz que não haverá
prisão civil por dívida, salvo a do responsável pelo inadimplemento
voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel.
Portanto, é estabelecido textualmente no nosso sistema a regra da
inexistência de prisão civil por dívida, salvo em duas hipóteses: (a)
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inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia; e (b)
depositário infiel.
Contudo, desde a ratificação, pelo Brasil, do Pacto Internacional dos
Direitos Civis e Políticos (art. 11) e da Convenção Americana sobre Direitos
Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (art. 7.º,7), ambos no ano de
1992, surgiu a controvérsia sobre a possibilidade de haver prisão civil do
depositário infiel, com fundamento no art. 5º, LXVII, da CRFB. A razão da
controvérsia é que os tratados internacionais mencionados só permitem a
prisão civil na hipótese de não pagamento de obrigação alimentícia, mas não
na do depositário infiel.
Apreciando a questão, especificamente no tocante à aplicação do
Pacto de San José da Costa Rica, o STF firmou entendimento no sentido de
que a prisão civil por dívida é aplicável apenas ao responsável pelo
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia, e não ao
depositário infiel. A partir desse entendimento, o STF editou a Súmula
Vinculante nº 25, que dispõe que é ilícita a prisão civil de depositário infiel,
qualquer que seja a modalidade do depósito.
Acerca do item 2, a jurisprudência do STF afirma que os tratados e as
convenções internacionais sobre direitos humanos celebrados pelo Brasil têm
natureza supralegal, ou seja, se situam abaixo da Constituição, mas acima
da legislação interna. Dessa forma, os tratados internacionais sobre direitos
humanos são atos normativos infraconstitucionais (abaixo da Constituição
Federal), porém, diante de seu caráter especial em relação aos demais atos
normativos internacionais, também são dotados de um atributo de
supralegalidade (acima das leis).
Já no que se refere ao item 3, por força dessa supralegalidade, o
Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos e a Convenção Americana
sobre Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa Rica, ratificados pelo
Brasil em 1992, tornaram inaplicável a legislação infraconstitucional sobre a
prisão do depositário infiel com eles conflitante, seja ela anterior ou posterior
ao ato de ratificação de tais normas internacionais, e, com isso, afastaram a
possibilidade de prisão do depositário infiel prevista na CRFB.
A força paralisante do tratado internacional não incide diretamente
sobre o texto da CRFB, mas sim sobre a legislação infraconstitucional que o
regulamenta. Portanto, o texto constitucional não é revogado pelo tratado
internacional; apenas se torna inaplicável em razão da ausência de normas
infraconstitucionais regulamentadoras — estas, sim, paralisadas pela norma
internacional. Assim, a previsão constitucional da prisão civil do depositário
infiel (art. 5º, LXVII) não foi revogada pela ratificação, pelo Brasil, do Pacto
Internacional dos Direitos Civis e Políticos (art. 11) e da Convenção
Americana sobre Direitos Humanos – Pacto de San José da Costa Rica (art.
7.º, 7), mas deixou de ter aplicabilidade diante do efeito paralisante desses
tratados em relação à legislação infraconstitucional que disciplina a matéria,
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seja essa legislação anterior ou posterior à data de ratificação de tais
normas internacionais.
Em suma, ao reconhecer status de supralegalidade aos tratados
internacionais sobre direitos humanos, o STF firmou entendimento de que,
desde a ratificação pelo Brasil, no ano de 1992, do Pacto Internacional dos
Direitos Civis e Políticos e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos
– Pacto de San José da Costa Rica, não há base legal para aplicação da parte
final do art. 5º, LXVII, da CRFB, ou seja, para a prisão civil do depositário
infiel.
É importante observar, ainda, que, durante o período em que o STF
admitiu a prisão civil do depositário infiel, o tribunal também placitava a
prisão civil de outros devedores, em contratos distintos, por equiparação à
figura jurídica do depositário infiel. Admitia-se, por exemplo, a prisão do
devedor nos contratos de alienação: fiduciária em garantia, de penhor
mercantil, de penhor agrícola e de depósito de imóvel.
Com o afastamento da prisão civil do depositário infiel, todas essas
hipóteses de prisão civil por equiparação também resultaram afastadas
(afinal, se elas eram decretadas por equiparação ao depositário infiel, e a
prisão deste não mais é aceita, aqueles devedores, por óbvio, também não
poderão mais ser presos). Atualmente, portanto, a única prisão civil por
dívida admitida no Brasil é a do devedor de alimentos.
ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA MUNICIPAL DE CARUARU - 2015 – FGV
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Na medida em que Pedro preencheu os requisitos exigidos pela
ordem jurídica para receber o benefício estatutário, passou a ter direito
adquirido à sua percepção, por se tratar de um direito fundamental,
consoante o art. 5º, XXXVI, da CRFB. O fato de lei posterior ter extinto o
Pedro, servidor público federal, preencheu os requisitos exigidos para o
recebimento de determinado benefício estatutário. No entanto, antes de
formular o respectivo requerimento, sobreveio lei que alterou a sistemática
anterior e extinguiu o benefício. Apesar da nova lei, Pedro continuou
achando que tinha direito ao benefício e formulou requerimento para
recebê-lo, o qual foi indeferido por um órgão colegiado presidido por
Ministro de Estado. Desse indeferimento não cabia recurso administrativo
com efeito suspensivo. Com base na narrativa acima, sob a ótica
constitucional, responda aos itens a seguir. 1. Pedro possuía direito ao
benefício? 2. Existe alguma ação constitucional para tutelar direitos
individuais violados por decisão administrativa, como o que Pedro entende
possuir? 3. Perante que órgão do Poder Judiciário, dentre aqueles previstos
na ordem constitucional, deveria ser ajuizada a ação?
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benefício, antes do seu requerimento por Pedro, não prejudica em nada o
direito à sua percepção, já que a lei não pode retroagir em detrimento do
direito adquirido.
Em razão da violação de direito líquido e certo de Pedro, será possível
a sua tutela pela ação constitucional de mandado de segurança, prevista no
art. 5º, LXIX, da CRFB.
Por fim, como o benefício foi indeferido por um órgão colegiado, e
não propriamente pelo Ministro de Estado que o preside, não incide a regra
do art. 105, I, “b”, da C‘FB, o que afasta a competência do “TJ. Nessa linha,
o mandado de segurança será impetrado perante um juiz federal, tal qual
dispõe o art. 109, VIII, da CRFB.
DELEGADO DE POLÍCIA - PCMA - 2018 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Entende-se por tortura como sendo o ato de constranger alguém para
obter informação ou confissão, mediante a prática de violência física,
psicológica ou moral. O art. 5º, III, da CRFB claramente dispõe uma vedação
à tortura, ou seja, ninguém poderá ser submetido à tortura e a tratamento
desumano ou degradante.
Com isso, os agentes que praticaram a tortura cometeram uma
violação a um direito fundamental previsto no texto constitucional, pois
usaram técnicas ilícitas de constrangimento ilegal, apesar de o resultado ter
sido a obtenção de informações que acabaram por levar à descoberta do
crime. Importante salientar que o repúdio constitucional à tortura é tão
Em uma ação de combate ao tráfico de drogas em determinada cidade, a
polícia civil, por meio de departamento especializado em repressão ao
narcotráfico, prendeu um homem que portava vinte quilos de
entorpecentes, balança de precisão e certa quantia em dinheiro, em cédulas
trocadas. Esse indivíduo foi encontrado em um bar de sua propriedade,
oportunidade na qual foi algemado e conduzido à delegacia. A operação
deflagrada foi possível após a prisão de outro traficante, que forneceu as
informações em confissão extrajudicial realizada em sede inquisitorial após a
utilização de meios de tortura. Considerando essa situação hipotética,
disserte sobre o princípio da proibição à tortura, à luz da Constituição
Federal de 1988, da doutrina e do entendimento do STF. Em seu texto,
aborde, fundamentadamente, os seguintes aspectos: 1 - proibição à tortura
como direito fundamental e efeitos jurídicos de eventual violaçãoa esse
direito; [valor: 5,00 pontos] 2 - extensão dos efeitos da violação ao princípio
fundamental da proibição à tortura, no que se refere aos sujeitos;[valor:
5,00 pontos] 3 - limites para o uso de algemas em operações policiais. [valor:
4,25 pontos]
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grande que o art. 5º, XLIII, da CRFB a considera como crime inafiançável e
insuscetível de graça ou anistia, respondendo pelo crime os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-lo, omitirem-se, sejam eles agentes
públicos ou não.
No tocante às algemas, a Súmula Vinculante nº 11 menciona que só é
lícito o uso delas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de
terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de
nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.
Além disso, o Decreto nº 8.858/16, regulamentando o art. 199 da Lei
nº 7.210/84 (Lei de Execução Penal) e com base em uma série de diplomas
internacionais e a CRFB, vai na mesma trilha, apenas acrescentando que é
vedado emprego de algemas em mulheres presas em qualquer unidade do
sistema penitenciário nacional durante o trabalho de parto, no trajeto da
parturiente entre a unidade prisional e a unidade hospitalar e após o parto,
durante o período em que se encontrar hospitalizada.
O emprego de algemas terá as seguintes diretrizes: a dignidade da
pessoa humana (art. 1º, III, da CRFB); a proibição de que qualquer pessoa
seja submetida a tortura, tratamento desumano ou degradante (art. 5º, III,
da CRFB); a Resolução nº 2010/16, de 22 de julho de 2010, das Nações
Unidas sobre o tratamento de mulheres presas e medidas não privativas de
liberdade para mulheres infratoras (Regras de Bangkok); e o Pacto de San
José da Costa Rica, que determina o tratamento humanitário dos presos e,
em especial, das mulheres em condição de vulnerabilidade.
Assim, no caso de uso indevido de algemas, haverá responsabilização
administrativa, civil e penal do agente ou da autoridade responsável por tal
intento. O agente ou autoridade responsável, pelo teor da Súmula Vinculante
nº 11, é o magistrado, já que esse enunciado sumular aplica-se à fase
processual. Logicamente, isso não exclui eventual responsabilização estatal
ou representação da vítima para fins de perquirição penal do crime de abuso
de autoridade.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Torturar é constranger alguém para obter informação ou confissão,
mediante a prática de violência física, psicológica ou moral. A Constituição
Federal perfilha expressamente, no art. 5.º, III, a proibição à tortura,
assinalando que ninguém poderá ser submetido a tortura, nem a tratamento
desumano ou degradante. Assim, cuida-se de “direito absoluto, insuscetível
de relativizações, sob pena de se fulminar o arcabouço do estado
democrático de direito.” (Uadi Lammêgo Bulos. Curso de direito
constitucional. Ed. Saraiva, 10.ª ed., p. 566 ss). Dessa forma, os agentes em
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questão violaram direito fundamental previsto na Constituição, ao proceder
a técnicas ilícitas de constrangimento ilegal, ainda que o resultado tenha
sido a obtenção de informações que acabaram por levar à descoberta do
crime. Observação: a indicação de efeitos genéricos ou específicos da
condenação serão levados em consideração para fins de correção.
Importante destacar que o art. 5.º, inciso XLIII, determina que a lei considere
como crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a prática da
tortura, respondendo pelo crime os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-lo, se omitirem, sejam eles agentes públicos ou não. A
utilização de algemas deve estar lastreada em razões justificadoras da sua
necessidade, conforme consta na Súmula Vinculante n.º 11, que deverá ser
expressamente mencionada pelo candidato: só é lícito o uso de algemas em
casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade
física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil
e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato
processual a que se refira, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.
Assim, a utilização de algemas é excepcional; não utilizá-las é a regra, nos
moldes da jurisprudência do STF, representada aqui na Rcl. 22.557, relator
ministro Edson Fachin, que informa que a exceção exige fundamento idôneo
devidamente justificado na forma escrita. Portanto, a excepcional utilização
de algemas será possível desde que fundamentada expressamente pela
autoridade responsável. Em resumo, nas quinze linhas disponíveis, deverá o
candidato destacar que 2.1 a Constituição Federal reconhece
expressamente, no art. 5.º, III, a proibição à tortura, como direito absoluto e
insuscetível a relativizações; e que o art. 5.º, inciso XLIII, determina que a lei
considere como crime inafiançável e insuscetível de graça ou anistia a
prática da tortura; 2.2 o art. 5.º, inciso XLIII, estabelece que devem
responder pelo crime de tortura os mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-lo, se omitirem. Assim, erraram os agentes que utilizaram os
meios de constrangimento ilegal, devendo ser responsabilizados na forma da
lei. 2.3 a Súmula Vinculante n.º 11 assinala que só é lícito o uso de algemas
em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à
integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão
ou do ato processual a que se refira, sem prejuízo da responsabilidade civil
do Estado. A jurisprudência dominante no STF é a de que a utilização de
algemas não é arbitrária, desde que justificada, por escrito, para impedir
fuga ou reação indevida do preso. Portanto, a excepcional utilização de
algemas será possível desde que fundamentada expressamente pela
autoridade responsável. Acrescenta-se que a apresentação do custodiado
algemado à imprensa pelas autoridades policiais não afronta o Enunciado 11
da Súmula Vinculante, tendo em vista, ainda, que, no julgamento do Rcl
7116/PE, Rel. Min. Marco Aurélio 1ª Turma, julgado em 24/5/2016 (Info
827), a prisão precedeu de ordem judicial. Observação: a indicação sobre a
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configuração de ato de improbidade bem como a vedação sobre o uso de
algemas em mulheres grávidas durante o trabalho do parto serão levadas
em consideração apenas para fins de demonstração de domínio jurídico do
candidato.
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/AC - 2017 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
No que se refere ao item 1, o princípio da dignidade da pessoa
humana (ou princípio da dignidade humana), previsto na Constituição
Federal (art. 1º, III), amplamente utilizado na seara penal e aplicável à
situação apresentada, possui dois prismas: um objetivo, que envolve a
garantia do mínimo existencial ao ser humano, atendendo às suas
necessidades básicas de vivência; e um subjetivo, que cuida tanto do
sentimento de responsabilidade quanto da autoestima, inerentes ao ser
humano desde o nascimento até a morte.
Assim, a vítima e os autores dos crimes têm iguais direitos com
relação à preservação de sua dignidade como pessoas humanas que são. O
princípio da humanidade da pena, também chamado de “princípio da
limitação das penas”, refere-se à necessidade de limitação das penas e
prescreve forma de tratamento ao preso que respeite seus direitos humanos.
O princípioencontra previsão constitucional no art. 5º, XLVII, XLVIII,
XLIX e L, da CRFB, tendo especial relevância à questão que dispõe que é
assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral.
No que tange ao item 2, tendo em vista que é dever do Estado,
imposto pelo sistema normativo, manter em seus presídios os padrões
mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua
responsabilidade, nos termos do art. 37, §6º, da CRFB a obrigação de
ressarcir os danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos
Recentemente, o STF julgou Recurso Extraordinário interposto por detento
que havia ajuizado ação contra o Estado visando ao pagamento de
indenização por danos morais em decorrência de condições sub-humanas do
estabelecimento prisional no qual cumpre pena de reclusão. Entre essas
condições, foram apontadas a superlotação e a ausência de condições
mínimas de saúde e higiene no estabelecimento carcerário. Com base nas
informações do texto acima, redija um texto dissertativo acerca da
obrigação do Estado de fornecer condições mínimas de estrutura aos
estabelecimentos prisionais. Em seu texto, aborde: 1 - o princípio da
dignidade da pessoa humana e o princípio da humanidade da pena; [valor:
5,00 pontos] 2 - o princípio do mínimo existencial e o da reserva do possível,
à luz do entendimento majoritário do STF. [valor: 4,50 pontos]
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detentos em decorrência da falta ou insuficiência das condições legais de
encarceramento.
Analisando um caso concreto, o STF condenou o Estado ao
pagamento de indenização por danos materiais e morais a detento em razão
de ausência de condições mínimas de saúde e de higiene do estabelecimento
prisional. Isso ocorre por conta da noção de que o Estado tem a obrigação
constitucional de ofertar aos detentos que cumpram pena em
estabelecimento prisional condições razoáveis de higiene e saúde,
fornecendo estrutura condizente com os princípios constitucionais e os
direitos e as garantias fundamentais, em tudo aplicáveis ao direito penal.
Frise-se que o STF também entendeu que o princípio da reserva do
possível (entendido como uma limitação financeira invocada pelo Poder
Público) não pode ser arguido pelo Estado para escusar-se de cumprir com
sua obrigação constitucional, especialmente se há afronta ao mínimo
existencial e aos princípios da dignidade humana e da humanidade das
penas.
PROCURADOR AUTÁRQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
As universidades podem contar, por previsão constitucional, com
recursos de origem privada, e mesmo não dispondo de competência para
definir a origem dos recursos que serão utilizados para a manutenção e
desenvolvimento do ensino, podem elas definir quais são as atividades de
pesquisa e extensão passíveis de realização por meio de recursos privados.
Assim, o princípio da gratuidade não as obriga a perceber
exclusivamente recursos públicos para atender sua missão institucional. Ele
exige, porém, que, para todas as tarefas necessárias à plena inclusão social,
missão do direito à educação, haja recursos públicos disponíveis para os
estabelecimentos oficiais. Essas são as tarefas de manutenção e
Em 26 de abril de 2017, o Supremo Tribunal Federal, em Tema de
Repercussão Geral, de número 535, estabeleceu o seguinte entendimento:
“á garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por
universidades públicas de mensalidade em cursos de especialização.” á
Constituição da República Federativa do Brasil elegeu a educação como um
direito social de todos e dever do Estado e da família, que será promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, e tem como objetivo o
desenvolvimento da pessoa, bem como seu preparo para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho. Diante disso, e considerando a
amplitude do direito à educação, discorra sobre a constitucionalidade da
decisão.
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desenvolvimento do ensino e, consequentemente, são a elas que se estende
o princípio da gratuidade.
Nada obstante, é possível às universidades, no âmbito de sua
autonomia didático-científica, regulamentar, em harmonia com a legislação,
as atividades destinadas preponderantemente à extensão universitária,
sendo-lhes, nessa condição, possível a instituição de tarifa. O ensino gratuito
é o de graduação, porque o de pós-graduação lato sensu pode ser, sim, alvo
de taxas.
Os cursos de pós-graduações de instituições públicas mantidos com
recursos privados não encerram prática violadora da garantia constitucional
de gratuidade do ensino público. Nem todas as atividades desenvolvidas na
universidade pública são de ensino, sendo certo que apenas estas restam
cobertas pelo princípio da gratuidade. Na pós-graduação lato sensu
predominam as características de extensão e pesquisa.
O núcleo essencial da gratuidade de ensino é composto por ensino
fundamental, ensino médio e ensino superior de graduação. A gratuidade
ampla e geral a qualquer forma de educação é interpretação que não se
coaduna com a Constituição Federal. Diante disso, a garantia constitucional
da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por universidades públicas de
mensalidade em cursos de especialização.
ANALISTA – MPE/SP - 2015 – VUNESP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O Ministério Público pode sim ajuizar demanda para que o
medicamento seja fornecido, ainda que envolvendo apenas uma pessoa
(interesse individual). A saúde é um direito fundamental de todos e dever do
Estado, garantido mediante ações de recuperação, como o fornecimento de
medicamentos, com fundamento no art. 196 da CRFB.
Muito embora não seja usual que o parquet atue na defesa de
direitos individuais, há legitimidade em função de essa instituição estar
incumbida de defender os direitos individuais indisponíveis (vida, por
Cidadão portador de doença grave necessita de medicamento de alto custo,
de uso contínuo, para sua sobrevivência, mas não possui condições
financeiras de adquiri-lo nas quantias necessárias. O fornecimento gratuito
não é realizado por unidades de saúde pública de nenhum dos entes
federativos, alegando-se que tal medicamento não se encontra nas listas de
fornecimento aprovadas pelo Ministério da Saúde. Tal cidadão procura
atendimento no Ministério Público do Estado de São Paulo. Pergunta-se:
Pode o Ministério Público do Estado de São Paulo ajuizar demanda a fim de
que o medicamento seja fornecido ao indivíduo? Fundamente sua resposta.
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54
exemplo) e o respeito, dos Poderes Públicos, aos direitos assegurados no
texto constitucional.
Assim, sendo o direito à saúde um direito que deve ser respeitado
mediante ações do Poder Público, com caráter individual, mas indisponível, é
cabível a atuação do Ministério Público. Portanto, o direito à saúde
perfectibiliza o direito à vida, motivo pelo qual está plenamente respaldada a
atuação do parquet. Ademais, diversos Ministérios Públicos possuem
entendimentos internos que dispõem sobre a possibilidade de o membro
atuar em direitos individuais indisponíveis, ainda mais quando o objeto em
voga é o direito à saúde.
Esse entendimento encontra respaldo na jurisprudência do STF e STJ,
que aduzem que o Ministério Público é parte legítima para ingressar em juízo
com ação civil pública visando compelir o Estado a fornecer medicamento
indispensável à saúde de pessoa individualizada.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
O Ministério Público é parte legítima para ingressar em juízo com ação civil
pública visando a compelir o Estado a fornecer medicamento indispensável à
saúde de pessoa individualizada.” (‘E 407.902, rel. min. Marco áurélio,
julgamento em 26-5-2009, Primeira Turma, DJE de 28-8-2009.) No mesmo
sentido:RE 648.410-AgR, rel. min. Cármen Lúcia, julgamento em 14-2-2012,
Primeira Turma, DJE de 14-3-2012.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A resposta deve ser afirmativa, mesmo em se tratando de um interesse
individual, há, nesse caso, legitimidade do Ministério Público para pleitear
esse direito em juízo. A saúde é um direito fundamental de todos e dever do
Estado, garantido mediante ações de recuperação, como o fornecimento de
medicamentos, com fundamento no art. 196 da Constituição Federal.
Embora não seja regra a atuação do Ministério Público na defesa de direitos
individuais, há legitimidade do Parquet nesse caso, em razão do previsto nos
art. 127 c.c. o art. 129, inciso II, da Constituição Federal. No art. 127, caput,
prevê-se a atuação do Ministério Público para a defesa de direitos
individuais indisponíveis, como o direito social à saúde. E o art. 129, inciso II,
da Carta da República prevê o dever do Ministério Público de zelar pelo
respeito, dos Poderes Públicos, aos direitos assegurados no texto
constitucional. Assim, sendo o direito à saúde um direito que deve ser
respeitado mediante ações do Poder Público, com caráter individual, mas
indisponível, é cabível a atuação do Ministério Público. Esse entendimento
encontra respaldo na jurisprudência do STF. Julgados do Supremo Tribunal
Federal utilizados como referência: O Ministério Público é parte legítima
para ingressar em juízo com ação civil pública visando a compelir o Estado a
fornecer medicamento indispensável à saúde de pessoa individualizada. (RE
407.902, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 26.05.2009, Primeira
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Turma, DJE de 28.08.2009) Agravo regimental no recurso extraordinário.
Constitucional. Direito à saúde. Legitimidade do Ministério Público para
defesa de interesse individual indisponível. Precedentes. Agravo regimental
ao qual se nega provimento (RE 648410 AgR, Rel. Min. Cármem Lúcia,
Primeira Turma, julgado em 14.02.2012, DJe-053 DIVULG 13-03-2012 PUBLIC
14.03.2012. 15. Não, o Ministério Público não pode atuar no caso em tela.
Zero na questão 16. Sim, sem fundamentação da legitimidade (1,0) Sim, com
fundamentação da legitimidade na Constituição Federal (2,0) Até 2,017.
Direito à saúde, garantido a todos e ao cidadão do caso (art. 196) 2,0 18.
Direito individual indisponível (art. 127 da CF) e atuação do MP de zelarpelo
efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevânciapública aos
direitos assegurados nesta Constituição (art. 129, II, da CF). Até 4,019.
Precedentes do STF. 1. NÃO, O MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO PODE ATUAR NO
CASO EM TELA - Conforme constante da resposta esperada, a resposta
deveria ser afirmativa, no sentido de que o Ministério Público possui
legitimidade para ajuizar ação, ainda que na defesa de direito individual,
desde que este se configure como direito individual indisponível. Portanto, a
negativa da legitimidade conduziu à nota zero na questão como um todo,
pois não há como avaliar outros itens se a premissa basilar da resposta foi
negada. Também foi atribuída nota zero na questão aos candidatos que
responderam que a legitimidade do Ministério Público somente surgiria
subsidiariamente à legitimidade da Defensoria Pública, pois esta seria a
instituição legitimada, admitindo-se a atuação do Ministério Público como
supletiva, considerando que as Defensorias Públicas ainda não foram
plenamente instaladas no país. Trata-se de premissa incorreta, pois a
legitimidade do Ministério Público decorre, no caso trazido pela questão, de
legitimidade ampla, concorrente, disjuntiva e autônoma do Parquet, não
dependendo do posicionamento ou funcionamento da Defensoria Pública.
Não há que se falar, no caso em tela, de aplicação do conceito de
inconstitucionalidade progressiva. Esta tese foi fixada pelo Supremo Tribunal
Federal (RE 135328) em relação à ação civil ex delicto, quanto à previsão
constante do art. 68 do Código de Processo Penal, possuindo escopo
determinado, não cabendo tal interpretação ampliativa. Isso porque a ação
que pleiteasse medicamentos, como na questão proposta, possui
fundamento na Constituição Federal, como direito individual indisponível
(art. 127, caput, da Constituição Federal), sendo que a ação civil ex delicto
deriva do referido dispositivo infraconstitucional, da legislação processual
penal, portanto, etiologicamente diferentes as hipóteses, não é possível
aplicar a mesma solução juídica. Além disso, a ação civil ex delicto trata de
interesse patrimonial e disponível, enquanto o direito à saúde e, em última
instância, à vida, que estão em jogo na questão, não possuem caráter
disponível. Também foi atribuída nota zero à resposta que negou a
legitimidade do Ministério Público para a propositura da ação individual,
mas afirmou a legitimidade para inclusão dos medicamentos necessários
para o Cidadão na lista de fornecimento. Essa resposta também parte de
premissa incorreta, de atuação do Parquet somente em interesses que não
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se caracterizem como individuais, quando o caso da questão trazia hipótese
em que a atuação se dá em prol de interesse individual, com o qualificativo
de indisponível, com respaldo da Constituição. 2. SIM, SEM
FUNDAMENTAÇÃO DA LEGITIMIDADE (1,0) SIM, COM FUNDAMENTAÇÃO DA
LEGITIMIDADE NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (2,0) Caso a resposta afirmasse
ser o Ministério Público parte legítima para propor a ação, sem alusão à
fundamentação constitucional, a nota seria 1,0 (um). Havendo apontamento
de que a legitimidade do Parquet deriva de previsão da Constituição Federal,
o item foi avaliado com nota 2 (dois), pois foi considerado suficiente, já que
o aprofundamento da fundamentação foi desmembrado para pontuação nos
itens seguintes. A afirmação de que a legitimidade do Ministério público
encontrava amparo na legislação infraconstitucional foi reputada incorreta.
A Lei da Ação Civil Pública é prévia à Constituição Federal (Lei Federal n.º
7.347/85) e não trata de direitos individuais como no caso proposta na
questão. Também não cabe invocação do Estatuto da Criança e do
Adolescente ou do Estatuto do Idoso, já que o cidadão da questão não foi
qualificado como nenhum desses sujeitos de direito, não sendo os diplomas,
então, aplicáveis. À argumentação de que a atuação do Ministério Público
era fundada na tutela do direito à saúde, acompanhada de descrição sobre
as características e fundamentos desse direito (direito de segunda geração,
direito fundamental, obrigação solidária dos entes federativos de prestar
assistência à saúde) também foi atribuída somente nota 1,0 (um), pois a
questão da legitimidade não decorre do direito invocado, seja ele saúde ou
qualquer outro. 3. DIREITO À SAÚDE, GARANTIDO A TODOS E AO CIDADÃO
DO CASO (ART. 196) (2,0) Não era necessário que a resposta se alongasse no
direito à saúde, pois a questão indagava de questão procedimental –
legitimidade do Ministério Público – bastando que fosse registrado que o
direito à saúde do Cidadão estava sendo violado e que isso ensejaria atuação
do Parquet. Admitiu-se, com a mesma pontuação plena do item, a menção
ao direito à vida, já que a promoção, a proteção e a recuperação da saúde
visam à manutenção da vida, que também é um direito indisponível. 4.
DIREITO INDIVIDUAL INDISPONÍVEL (ART. 127 DA CF) E ATUAÇÃO DO MP DE
ZELAR PELO EFETIVO RESPEITO DOS PODERES PÚBLICOS E DOS SERVIÇOS DE
RELEVÂNCIA PÚBLICA AOS DIREITOS ASSEGURADOS NESTA CONSTITUIÇÃO
(ART. 129, II, DA CF). (até 4,0) Era necessário que a resposta deixasse claro
que o direito à saúde, visto do prisma individual do indivíduo que precisa de
medicamentos para a manutenção e a preservação de sua vida, é um direito
indisponível e, por isso, passível de tutela pelo Ministério Público, para que
houvesse pontuação total do subitem, ou seja, 2,0 (dois)pontos. Não foram
pontuadas respostas que arrolaram todos os interesses tutelados pelo
Ministério Público, que foram descritos como “coletivos, sociais,
transindividuais, individuais homogêneos ou individual homogêneo
indisponível”, pela imprecisão técnica. Isso porque mesmo que neste rol
constassem os “direitos individuais indisponíveis”, não era possível aferir se
o candidato detinha conhecimento de que o caso era específico, do direito
individual à saúde de um determinado Cidadão, tutelado pelo Parquet. Era
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57
necessária afirmação inequívoca que o direito do Cidadão era individual
indisponível e, consequentemente, passível de tutela. No mesmo sentido,
como a Súmula n.º 7 do Conselho Superior do Ministério Público do Estado
de São Paulo se refere a direitos individuais homogêneos – e não individuais
puros, como no caso da questão – a menção a essa súmula não é correta e,
por consequência, não pode ser pontuada. A invocação da Súmula n.º 45 do
Conselho Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo é correta,
pois trata da legitimidade do Ministério Público para propor ação civil
pública visando que o Poder Público forneça tratamento médico ou
medicamentos, ainda que só para uma pessoa. No entanto, a mera menção,
sem a explanação dos fundamentos da súmula, não foi considerada resposta
suficiente à pontuação deste item. Registre-se que não bastava afirmar que
o interesse do caso era individual, nem somente que se tratava de direito
fundamental indisponível. Era necessário conjugar os dois aspectos – tutela
individual de direito – direito indisponível - para pontuar item c da grade.
Variações desse formato foram aceitas, desde que ficasse inequívoco que a
resposta considerava que os dois requisitos deveriam estar
simultaneamente presentes. Por fim, para pontuação plena no item (quatro
pontos), era necessário que a resposta também abordasse a legitimidade do
Ministério Público em atuar para que o Poder Público cumpra com seus
deveres para efetivação dos direitos fundamentais, no caso, a saúde. 5.
PRECEDENTES DO STF (até 2,0) Deveria a resposta contemplar o
posicionamento do Supremo Tribunal Federal, apontando que existem
julgados que afirmam a legitimidade do Parquet para atuar em defesa de
direito individual indisponível, como a saúde, no caso em tela. O registro do
posicionamento da Corte Suprema sobre temas outros afetos ao direito à
saúde – como a não aplicação da reserva do possível, mínimo existencial,
responsabilidade solidária dos entes federativos pela prestação dos serviços
de saúde – não foram pontuados, pois embora sejam afirmações corretas, a
questão versava sobre a legitimidade do Parquet e não sobre estes outros
aspectos citados. A menção à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
não pontuou neste item em específico, já que se trata de questão
constitucional, razão pela qual sempre deverá prevalecer o entendimento do
Supremo Tribunal Federal. No entanto, a correta utilização dos fundamentos
constantes dos julgados do Superior Tribunal de Justiça – como a relevância
social do direito à saúde – foram pontuados caso corretamente
apresentados, em relação aos itens 3 e 4 da grade.
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RN - 2015 - CESPE
Maior de idade, absolutamente capaz e hipossuficiente nasceu mulher, mas
se vê e é percebida perante a sociedade como homem. Embora tenha
optado por não realizar cirurgia de transgenitalização, essa pessoa, tendo
em vista seu desejo de proceder à retificação de seu registro de nascimento
para alterar seu prenome e trocar o gênero feminino para o masculino,
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58
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
O neoconstitucionalismo é um viés teórico do campo do direito
constitucional que busca não mais atrelar o constitucionalismo apenas à
ideia de limitação do poder político, mas, acima de tudo, à eficácia e à força
normativa da Constituição, especialmente diante da expectativa de
concretização dos direitos fundamentais. Nesse sentido, o
neoconstitucionalismo prega uma maior valorização dos princípios, em
detrimento das regras, assim como o desenvolvimento de princípios e
métodos inovadores de hermenêutica constitucional e a utilização da técnica
da ponderação de princípios e direitos fundamentais em conflito.
Destacam-se, também, o papel do Poder Judiciário na concretização
dos princípios e dos valores constitucionais, a expansão da jurisdição
constitucional e a abertura da argumentação jurídica à moral. Como
consequência da ideia de eficácia e de força normativa da Constituição,
verificou-se, no final do século XX e início do século XXI, a publicização do
direito privado, que passou a ser caracterizada como constitucionalização do
direito. A constitucionalização do direito associa-se a um efeito expansivo
das normas constitucionais, cujo conteúdo material e axiológico se irradia,
com força normativa, por todo o sistema jurídico.
Os valores, os fins e os comportamentos contemplados nos princípios
e nas regras da Constituição passam a condicionar a validade e o sentido de
todas as normas do direito infraconstitucional, o que ocorre também no
tocante às normas relativas ao registro civil.
Na situação hipotética apresentada, a pretensão da assistida pode
ser defendida, considerando-se a aplicação, à situação concreta
apresentada, do princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1.º, III, da
CF), do objetivo fundamental da República Federativa do Brasil consistente
na promoção do bem de todos, sem preconceito de sexo (art. 3.º, IV, da CF),
bem como dos direitos fundamentais à igualdade (art. 5.º, caput, da CF) e à
proteção da intimidade (art. 5.º, X, da CF).
procurou a Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte para
ingressar com a ação competente. Com base nessa situação hipotética,
redija um texto dissertativo acerca da temática do neoconstitucionalismo
apresentando argumentos de mérito em favor do pleito da assistida. Ao
elaborar seu texto, atenda ao que se pede a seguir. 1- Apresente o conceito
de neoconstitucionalismo. [valor: 0,80 ponto] 2- Discorra sobre a
constitucionalização do direito, apontando, pelo menos, duas normas da
Constituição Federal de 1988 que podem ser aplicadas em defesa da
pretensão da assistida. [valor: 0,80 ponto] 3- Discuta sobre o ativismo
judicial e a concretização do direito à autodeterminação sexual. [valor: 0,80
ponto]
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59
O Poder Judiciário realiza a constitucionalização do direito, ao
interpretar a norma infraconstitucional da forma que melhor realize o
sentido e o alcance dos valores e fins constitucionais. Tal atuação pode ser
identificada como decorrência do chamado ativismo judicial que consiste na
escolha, pelo Poder Judiciário, de um modo específico e proativo de
interpretar e aplicar a Constituição, expandindo o seu sentido e alcance. A
ideia de ativismo judicial está, assim, associada a uma participação mais
ampla e intensa do Poder Judiciário na concretização dos valores e dos fins
constitucionais, promovendo a aplicação direta da Constituição a situações
não expressamente contempladas em seu texto, independentemente de
manifestação do legislador ordinário.
Na presente situação hipotética, o juiz, ao adotar uma postura
ativista e acolher o pedido de retificação do registro de nascimento da
assistida, mediante a aplicação direta dos supramencionados artigos da CF,
estará promovendo a concretização do direito à autodeterminação sexual.
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-ES - 2013 - VUNESP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
á construção da Teoria da “‘eserva do Possível” teve origem na
Alemanha, notadamente a partir dos anos 70. Com essa nova visão que
surgia à época, a Corte Constitucional DELEGADO DE POLÍCIA - PCCE - 2014 - VUNESP
DELEGADO DE POLÍCIA - PCSP - 2014 - VUNESP
ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DOS DEPUTADOS – 2014 - CESPE
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8
CONCEITOS DE CONSTITUIÇÃO
ADVOGADO – CRA/PR – 2019 - QUADRIX
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O objeto da Constituição é, em linhas gerais, estabelecer a estrutura
do Estado, a organização de seus órgãos, o modo de aquisição do poder, a
forma de seu exercício e os limites de sua atuação, assegurar os direitos e as
garantias dos indivíduos, fixar o regime político e disciplinar os fins
socioeconômicos do Estado, bem como os fundamentos dos direitos
econômicos, sociais e culturais. D
Em que pese exista alguma divergência doutrinária sobre o tema,
entre os elementos da Constituição, destacam-se os orgânicos (que
estabelecem as normas sobre a estrutura do Estado e o exercício do Poder),
os limitativos (que limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do
Estado de Direito), os socioideológicos (as normas que revelam o caráter de
compromisso das constituições modernas entre o Estado individualista e o
Estado Social), os de estabilização constitucional (normas destinadas a
assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da Constituição, do
Estado e das instituições democráticas) e os formais de aplicabilidade
(normas que estatuem regras de aplicação das constituições).
Na linha do pensamento de Hans Kelsen, o ordenamento jurídico é
constituído a partir de uma estrutura hierarquizada de normas, na qual
emerge a supremacia da Constituição, tida como ponto de apoio e condição
de validade de todas as normas jurídicas, na medida em que é a partir dela
que se desencadeia o processo de produção normativa. É dizer, portanto, que
todas as normas do ordenamento jurídico devem, necessariamente, estar
afinadas e em absoluta conformidade com as disposições constitucionais.
Inicio, pois, minha palestra com estas perguntas: que é uma Constituição?
Qual é a verdadeira essência de uma Constituição? Em todos os lugares e a
toda hora, à tarde, pela manhã e à noite, estamos ouvindo falar da
Constituição e de seus problemas constitucionais. Na imprensa, nos clubes,
nos cafés e nos restaurantes, é este o assunto obrigatório de todas as
conversas. E, apesar disso, ou por isso mesmo, formulada em termos
precisos esta pergunta: qual será a verdadeira essência, o verdadeiro
conceito de uma Constituição? Estou certo de que, entre essas milhares de
pessoas que falam dela, existem muito poucos que possam dar‐nos uma
resposta satisfatória. Ferdinand Lassalle. O que é uma Constituição? São
Paulo: Edições e Publicações Brasil, 1933 (com adaptações). Considerando
que o texto acima tenha caráter exclusivamente motivador, redija um texto
dissertativo acerca do tema a seguir. Ordenamento jurídico, Constituição e
norma fundamental Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os
seguintes aspectos: a) objeto da Constituição; b) elementos da Constituição;
e c) supremacia da Constituição.
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9
INTERPRETAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO
DEFENSOR PÚBLICO - DPDF - 2013 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao princípio da unidade da Constituição, ele ganha relevo
autônomo como princípio interpretativo quando com ele se quer significar
que o Direito Constitucional deve ser interpretado de forma a evitar
contradições (antinomias, antagonismos) entre as suas normas e, sobretudo,
entre os princípios jurídicos-políticos constitucionalmente estruturantes.
Como ponto de orientação, guia de discussão e fator hermenêutico de
decisão, o princípio da unidade obriga o intérprete a considerar a
Constituição na sua globalidade e procurar harmonizar os espaços de tensão
existentes entre as normas constitucionais a concretizar. Daí que o intérprete
deva sempre considerar as normas constitucionais não como normas
isoladas e dispersas, mas sim como preceitos integrados em um sistema
interno unitário de normas e princípios.
No tocante à interpretação conforme à Constituição, é o princípio no
qual o intérprete adota a interpretação mais favorável à CRFB, considerando-
se seus princípios e jurisprudência, sem, contudo, afastar-se da finalidade da
lei. Possui algumas dimensões que deverão ser observadas: a prevalência
da CRFB, que é a essência deste método, já que enfatiza a supremacia da Lei
Maior; a conservação da norma, visto que, ao adotar a interpretação que vai
ao encontro da Constituição, propicia-se sua eficácia e evita-se que seja
declarada inconstitucional e deixe de ser aplicada.
Por serem as normas constitucionais normas jurídicas, sua interpretação
requer o entendimento de conceitos e elementos clássicos. Todavia, as
normas constitucionais apresentam determinadas especificidades que as
singularizam. Em razão disso, foram desenvolvidas ou sistematizadas
categorias doutrinárias próprias, identificadas como princípios específicos ou
princípios instrumentais de interpretação constitucional, que constituem
premissas conceituais, metodológicas ou finalísticas que devem anteceder,
no processo intelectual do intérprete, a solução concreta da questão posta.
Tais princípios, embora não expressos no texto da Constituição, são
reconhecidos pacificamente pela doutrina e pela jurisprudência. Luís
Roberto Barroso. Curso de direito constitucional contemporâneo: os
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. 4.ª ed., 2013, p.
322 (com adaptações). Considerando que o fragmento de texto acima
apresentado tem caráter meramente motivador, discorra sobre o significado
dos seguintes princípios de interpretação constitucional: unidade da
Constituição [valor: 1,20 ponto]; interpretação conforme a Constituição
[valor: 1,20 ponto]; presunção de constitucionalidade [valor: 1,20 ponto];
efetividade [valor: 1,20 ponto].
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Além disso, também há a exclusão da interpretação contra legem, o
que impossibilita que a lei seja interpretada contrariamente ao seu texto
literal com o intuito de considerá-la constitucional; há espaço de
interpretação que dita que este método só pode ser aplicado quando
houver a possibilidade de opção, ou seja, deve existir mais de uma
interpretação para então optar-se por aquela conforme a Constituição.
Também ocorre rejeição ou não aplicação de normas inconstitucionais, em
que sempre que o juiz analisar a lei utilizando todos os métodos existente e
verificar que ela é contrária à Constituição deverá declarar a sua
inconstitucionalidade E, por fim, o intérprete não pode atuar como
legislador positivo, ou seja, aquele que interpreta a lei não pode dar a ela
uma aplicabilidade diversa daquela almejada pelo legislativo, pois, caso
assim proceda, considerar-se-á criação de uma norma regra pelo intérprete
e a atuação deste com poderes inerentes ao legislador, o que é proibido.
No que tange ao princípio da presunção de constitucionalidade, ele
encerra uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração
em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. Em sua dimensão
prática, o princípio se traduz em duas regras de observância necessária pelo
intérprete e aplicador do direito: (a) não sendo evidente a
inconstitucionalidade, havendo dúvida ou a possibilidade de razoavelmente
se considerar a norma como válida, deve o órgão competente abster-se da
declaração de inconstitucionalidade; (b) havendo alguma interpretação
possível que permita afirmar-se a compatibilidade da norma com a
Constituição, em meio a outras que carreavam para ela um juízo de
invalidade, deve o intérprete optar pela interpretação legitimadora,
mantendo o preceito em vigor.
Por fim, acerca do princípio da efetividade (ou da máxima
efetividade), ele consiste em atribuirAlemã proferiu célere decisão que
marcou a aplicação da Teoria da “‘eserva do Possível”, que ficou conhecida
como o caso “numerus clausus”, dado que discutia a limitação do número de
vagas nas universidades públicas alemãs.
A Corte alemã proferiu decisão em demanda judicial ajuizada por
estudantes que não haviam sido aceitos em universidades de medicina de
Hamburgo e Munique em razão da política de limitação de vagas em cursos
superiores imposta pela Alemanha, na época. A pretensão dos estudantes
baseou-se no artigo 12 da Lei Fundamental Alemã, segundo o qual todos os
alemães têm direito a escolher livremente sua profissão, local de trabalho e
seu centro de formação.
Para decidir a querela, a Corte Constitucional compreendeu –
aplicando a teoria inovadora da “‘eserva do Possível” – que o direito à
prestação positiva (o número de vagas nas universidades) encontrava-se
dependente da reserva do possível, firmando posicionamento de que o
cidadão só poderia exigir do Estado aquilo que razoavelmente se pudesse
Explique brevemente o que vêm a ser a denominada cláusula da reserva do
possível, a proibição do retrocesso e o mínimo existencial. Em seguida,
mencione uma situação jurídica concreta de atuação do Promotor de Justiça
em relação a algum desses institutos.
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60
esperar. Dito de outra forma, o aduzir da Corte Alemã encontrou respaldo na
razoabilidade da pretensão frente às necessidades da sociedade.
O princípio da proibição do retrocesso impede, em tema de direitos
fundamentais de caráter social, que sejam desconstituídas as conquistas já
alcançadas pelo cidadão ou pela formação social em que ele vive. A cláusula
que veda o retrocesso em matéria de direitos a prestações positivas do
Estado (como o direito à educação, o direito à saúde ou o direito à segurança
pública) traduz, no processo de efetivação desses direitos fundamentais
individuais ou coletivos, obstáculo a que os níveis de concretização de tais
prerrogativas, uma vez atingidos, venham a ser ulteriormente reduzidos ou
suprimidos pelo Estado.
Em consequência desse princípio, o Estado, após haver reconhecido
os direitos prestacionais, assume o dever não só de torná-los efetivos, mas
também se obriga, sob pena de transgressão ao texto constitucional, a
preservá-los, abstendo-se de frustrar – mediante supressão total ou parcial –
os direitos sociais já concretizados. á noção de “mínimo existencial”, que
resulta, por implicitude, de determinados preceitos constitucionais (art. 1º, III
e art. 3º, III, ambos da CRFB), compreende um complexo de prerrogativas
cuja concretização se revela capaz de garantir condições adequadas de
existência digna, em ordem a assegurar, à pessoa, acesso efetivo ao direito
geral de liberdade e, também, a prestações positivas originárias do Estado,
viabilizadoras da plena fruição de direitos sociais básicos, tais como o direito
à educação, o direito à proteção integral da criança e do adolescente, o
direito à saúde, o direito à assistência social, o direito à moradia, o direito à
alimentação e o direito à segurança.
O papel do Ministério Público está fortemente relacionado a esses
institutos quando se sabe que cabe ao parquet, por meio de sua função de
fiscal da lei e de promover a justiça, fazer valer a execução de políticas
públicas definidas no texto constitucional. Isso ocorre também com a própria
implementação de direitos sociais assegurados pela CRFB, buscando a
efetividade desses direitos constitucionais por meio das ações disponíveis a
buscar esse desiderato, como emanação direta do postulado da essencial
dignidade da pessoa humana.
A aplicação dessas teorias ocorre na obrigação imposta ao poder
púbico nas chamadas prestações positivas originárias do Estado,
viabilizadoras da plena fruição de direitos sociais básicos, tais como o direito
à educação, o direito à proteção integral da criança e do adolescente, o
direito à saúde, o direito à assistência social, o direito à moradia, o direito à
alimentação e o direito à segurança.
DEFENSORIA PÚBLICA – DPE/PR – FCC - 2017
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61
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Criada por Montesquieu, a teoria da separação de poderes parte do
princípio de que todo indivíduo tem a tendência de abusar do poder do qual
dispõe, razão pela qual necessita que ele seja contido. Em virtude disso, o
aludido autor sugeriu que fossem criados três poderes, cada qual com uma
função estatal distinta: Legislativo (elaboração de normas gerais e abstratas,
aplicáveis a todos os indivíduos), Executivo (dar concretude aos comandos
ditados pelas normas gerais) e Judiciário (interpretar as normas e sanar
conflitos). Além disso, cada poder teria como finalidade contrabalançar os
demais, de modo que jamais houvesse uma sobreposição, por meio da
chamada Teoria dos Freios e Contrapesos.
No entanto, ao longo do tempo viu-se uma crise de legitimidade entre
os poderes, notoriamente o Executivo e o Legislativo. Por diversas vezes, a
sociedade passou a ver seus governantes como omissos, passando a fazer
pressão para que essas condutas omissivas fossem supridas pelos outros
poderes, como forma de dar efetividade às normas jurídicas (principalmente
a Constituição). Assim, surgiu a teoria do ativismo judicial, segundo o qual
caberia ao Poder Judiciário proferir decisões que acabariam tendo
implicações (ainda que políticas) para além do caso concreto em julgamento.
Por outro lado, a teoria vem recebendo muitas críticas exatamente
pela sua falta de legitimidade, já que pode levar à subversão de políticas
públicas, criadas por um órgão eleito democraticamente pelo povo, por
intermédio de um Poder que apresenta investidura limitada, já que em boa
parte do planeta, os juízes não são eleitos: muitos são investidos por
concurso e há até casos em que são nomeados por determinados
governantes. Seus limites, portanto, ainda são difíceis de serem desenhados
com clareza.
Iniciada por diversas decisões da Suprema Corte Americana, em
precedentes como Marbury vs Madison (afirmação da superioridade
normativa da Constituição), Dred Scott (inexistência de direitos para
escravos) e Lochner (impossibilidade de o Estado estabelecer normas
trabalhistas), o ativismo também pode ser observado em casos do Supremo
Tribunal Federal, como a equiparação de união homoafetiva à heteroafetiva,
antes da existência de norma expressa que assim determinasse. Por outro
lado, exemplo de rejeição ao ativismo podia ser visto quando a Corte se
recusava a aplicar a progressão de regime em crimes hediondos (o que foi
posteriormente modificado pela própria jurisprudência e até pela legislação).
Discorra, subjetivamente, sobre o ativismo judicial, abordando sua origem,
fundamentos, e, sobretudo, limites e críticas. Aponte um exemplo de
ativismo judicial e um exemplo de postura contrária ao ativismo na
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (Elabore sua resposta definitiva
em até 30 linhas).·.
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62
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Abordagem esperada: 1- origem do ativismo judicial na jurisprudência
americana; 2- desassociar o ativismo e a autocontenção de preconcepções
ideológicas; 3- abordar a judicialização da política e das relações sociais de, o
caráter analítico da Constituição, a crise de representatividade dos demais
poderes e a jurisdição constitucional no Brasil. 4 - apontar críticas ao
ativismo judicial; 5- expor a autocontenção judicial, com suas principais
características; 6- apresentar exemplo de ativismo e autocontenção judicial.
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRF3 – FCC - 2015
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A Constituição Federal garante que todos podem reunir-se
pacificamente, sem armas em locais abertos ao público,independentemente
de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à
ESTUDO DE CASO - Considere a seguinte situação hipotética: Mauro,
empregado da empresa X, inconformado com a situação política atual do
país, através das redes sociais e dos sindicatos de diversas categorias
profissionais, marcou reunião de apoio ao impeachment da Presidente da
República, na cidade de São Paulo, na calçada da Av. Paulista, em frente à
Estação do Metrô Trianon-MASP. A reunião foi previamente comunicada às
autoridades responsáveis respeitando todas as formalidades exigidas, não
sendo requerida nenhuma autorização expressa. Diana, também empregada
da empresa Z, tendo retornado ao trabalho há 15 dias de uma licença de
maternidade de cento e vinte dias, ao tomar conhecimento da reunião de
Mauro, sendo defensoria do atual governo, marcou, também pelas redes
sociais, reunião de apoio ao Presidente da República para o mesmo dia, no
mesmo horário, e no mesmo local, não comunicando e nem solicitando
autorização previamente a qualquer autoridade. No referido dia, um caos se
instalou no local, uma vez que as pessoas dos dois grupos passaram a se
enfrentar fisicamente, causando, inclusive, danos à estrutura da fachada da
empresa X localizada nas proximidades. Diante dos fatos, a referida empresa
rescindiu o contrato de trabalho com Mauro e Diana por justa causa
alegando incontinência de conduta de Mauro e ato de indisciplina de Diana.
Neste caso, considerando que ambas as reuniões forram marcadas após o
horário de trabalho de Mauro e Diana, bem como que os empregados não se
utilizaram da estrutura da sua empregadora para marcar as referidas
reuniões, responda, fundamentadamente: A. Mauro e Diana respeitaram a
Constituição Federal no tocante ao exercício do direito de reunião? B. A
empresa X rescindiu corretamente os contratos de trabalhos de seus
empregados? (30 LINHAS)
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63
autoridade competente, tratando-se, pois, de direito individual o coligar-se
com outras pessoas, para fim lícito.
No caso em tela, Mauro agiu corretamente porque comunicou
previamente às autoridades competentes, não sendo necessária autorização
expressa. Porém, deve-se observar que o direito de reunião deve ocorrer de
forma pacífica, sem armas, não tendo o grupo agido corretamente ao
confrontar-se com o outro grupo.
Acerca de Diana, ocorreu desrespeito ao alicerce do direito de
reunião, ou seja, a não frustração de outra reunião convocada anteriormente
para o mesmo local, bem como não avisou previamente à autoridade
competente e ainda confrontaram com o outro grupo. Diana não respeitou a
Constituição Federal.
A empresa X rescindiu incorretamente os contratos de trabalhos de
seus empregados, tendo em vista que eles não praticaram conduta
tipificadora de justa causa na rescisão contratual, tratando-se de condutas
não relacionadas ao desempenho de suas atividades laborais. As condutas
tipificadoras da rescisão do contrato de trabalho com justa causa estão
taxativamente previstas no art. 482 da CLT. O ato de incontinência de
conduta está relacionado ao desregramento do empregado no tocante à
vida sexual e o ato de indisciplina diz respeito ao descumprimento de ordens
gerais de serviço.
Com relação à estabilidade gestacional de Diana, esta não seria um
obstáculo à rescisão contratual por justa causa, tendo em vista que não há
garantia de emprego ante a falta grave. No caso em tela, as condutas não
tipificaram falta grave, permanecendo a estabilidade gestacional.
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/TO - 2017 - CESPE
Em seu art. 5.º, inciso LIV, a Constituição Federal de 1988 assevera que
ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal. O princípio do devido processo legal é uma das garantias mais amplas
do direito constitucional, além de ser uma premissa essencial nas relações
de caráter processual. É, portanto, um princípio intrínseco às atividades dos
cargos de analista judiciário, como o processamento de feitos e a função de
apoio em julgamentos. Considerando que o texto acima tem caráter
unicamente motivador, disserte sobre o princípio do devido processo legal.
Em seu texto, aborde os seguintes aspectos, conforme a Constituição
Federal de 1988, a doutrina e o entendimento do Supremo Tribunal Federal:
1 - as garantias processuais dos indivíduos no Estado democrático de direito,
apresentando, pelo menos, quatro prerrogativas constitucionais que se
relacionam com o devido processo legal; [valor: 6,00 pontos] 2 - a aplicação
do princípio do devido processo legal aos estrangeiros; [valor: 1,50 ponto] 3
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64
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao item 1, o princípio do devido processo legal, que se
subdivide em devido processo legal formal e devido processo material, é uma
garantia de que o Estado deve sancionar, retirar o patrimônio ou proceder de
acordo com regras estabelecidas, sempre assegurando o contraditório e a
ampla defesa.
Como desdobramento desse princípio, temos o direito ao
contraditório e à ampla defesa; o direito ao juiz natural (previamente
estabelecido, ou seja, sendo vedado o juízo ou tribunal de exceção, que é
criado posteriormente ao fato); o direito de ser processado e julgado tendo
acesso a uma defesa técnica e sem provas ilícitas; e o direito de ser preso
apenas por determinação da autoridade competente e na forma estatuída
pela ordem jurídica.
A CRFB menciona alguns princípios que se correlacionam com o
devido processo legal, como a inafastabilidade de jurisdição (art. 5º, XXXV), a
plenitude do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV), o direito ao juiz
natural (art. 5º, XXXVII, LIII e LIV) e a publicidade do processo (art. 5º, LX).
Em relação às prerrogativas constitucionalmente asseguradas e
aplicadas ao devido processo legal, há: a garantia de livre acesso ao Poder
Judiciário; o direito à citação e ao conhecimento prévio do teor da acusação;
o direito a um julgamento público e célere, sem dilações indevidas; o direito
ao contraditório e à plenitude de defesa (direito à autodefesa e à defesa
técnica); o direito a não ser processado e julgado com base em leis
posteriores ao fato; o direito à igualdade entre as partes; o direito de não ser
processado com fundamento em provas revestidas de ilicitude; o direito ao
benefício da gratuidade; o direito à observância do princípio do juiz natural;
o direito ao silêncio; o direito à prova; o direito de presença nos atos de
interrogatório.
Em relação ao item 2, o STF entende que o estrangeiro também tem
direito ao devido processo legal nos mesmos moldes que aplicáveis aos
brasileiros natos ou naturalizados, diante da previsão do art. 12, §2º, da
CRFB. O estrangeiro tem direito público subjetivo à observância e ao integral
respeito ao devido processo legal, mesmo que não possua domicílio no país,
e está exposto à condição indisponível de sujeito de direitos.
Em relação ao item 3, com base na teoria dos frutos da árvore
envenenada, a prova ilícita originária contamina todas as demais provas
obtidas a partir dela, ou seja, todas as demais provas decorrentes daquela
prova ilícita são também ilícitas. Esse entendimento é estabelecido pelo art.
5º, LVI, da CRFB. A jurisprudência, especialmente a do STF, legitimou sua
- a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada no contexto do
devido processo legal. [valor: 2,00 pontos]
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65
aplicação em diversos julgados, declarando a nulidade de todos os atos
praticados no processo, na hipótese de a prova ter sido obtida de forma
ilícita.
Importante frisar que também são consideradas ilícitas as provas
ilícitaspor derivação, pois o devido processo legal proíbe a utilização dessas
provas e garante a ampla defesa ao acusado. O STF faz uma mitigação dessa
teoria no caso de autodefesa, como seria o caso de uma invasão de um
domicílio para subtrair um elemento probatório que prove a inocência
(estado de necessidade ou legítima defesa). Outra exceção é quando, no
processo, não se demonstrar o nexo causal entre as provas ilícitas e as
derivadas ou quando essas puderem ser obtidas de forma independente.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
O devido processo legal ou due process of law é uma garantia essencial com
caráter subsidiário e geral em relação às demais garantias. As garantias
processuais presentes no Estado democrático de direito e que lhe são
inerentes são: 1 – o direito ao contraditório e à ampla defesa; 2 – o direito
ao juiz natural; 3 – o direito a não ser processado e condenado com base em
prova ilícita; e 4 – o direito a não ser preso senão por determinação da
autoridade competente e na forma estabelecida pela ordem jurídica (Gilmar
Mendes e Paulo Branco. Curso de Direito Constitucional. 8.ª ed., São Paulo:
Saraiva, 2013). A Constituição Federal de 1988 arrola os princípios que estão
consubstanciados no devido processo legal, como a inafastabilidade de
jurisdição (art. 5.º, XXXV), a plenitude do contraditório e da ampla defesa
(art. 5.º, LV), o direito ao juiz natural (art. 5.º, XXXVII, LIII e LIV) e a
publicidade do processo (art. 5.º, LX). Entre as prerrogativas constitucionais
aplicáveis ao devido processo legal, podem-se citar: a garantia de livre
acesso ao Poder Judiciário; o direito à citação e ao conhecimento prévio do
teor da acusação; o direito a um julgamento público e célere, sem dilações
indevidas; o direito ao contraditório e à plenitude de defesa (direito à
autodefesa e à defesa técnica); o direito a não ser processado e julgado com
base em leis posteriores ao fato; o direito à igualdade entre as partes; o
direito de não ser processado com fundamento em provas revestidas de
ilicitude; o direito ao benefício da gratuidade; o direito à observância do
princípio do juiz natural; o direito ao silêncio; o direito à prova; o direito de
presença nos atos de interrogatório. Esse rol de direitos constitucionais
intrínsecos ao devido processo legal foram arrolados pelo Ministro Celso de
Mello na relatoria do HC 94.016, de 7/4/2008, conforme lembrado pelos
autores Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino (Direito Constitucional
Descomplicado, 9.ª ed., São Paulo: Método, 2012, p. 184-5). Por fim, o
princípio da proporcionalidade também tem sede material no princípio do
devido processo legal, como se vê dos seguintes excertos: As normas legais
devem observar, no processo de sua formulação, critérios de razoabilidade
que guardem estrita consonância com os padrões fundados no princípio da
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66
proporcionalidade, pois todos os atos emanados do Poder Público devem
ajustar-se à cláusula que consagra, em sua dimensão material, o princípio do
substantive due process of law. (ADI 2667 MC–DF – Tribunal Pleno – Rel.
Ministro Celso de Mello – J. 19/6/2002.) O Estado não pode legislar
abusivamente, eis que todas as normas emanadas do Poder Público —
tratando-se, ou não, de matéria tributária — devem ajustar-se à cláusula
que consagra, em sua dimensão material, o princípio do “substantive due
process of law” (CF, art. 5.º, LIV). O postulado da proporcionalidade
qualifica-se como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade
material dos atos estatais. Hipótese em que a legislação tributária reveste-se
do necessário coeficiente de razoabilidade. Precedentes”. (‘E-AgR
20084/PR. AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Rel. Ministro Celso de
Mello. Julgamento: 25/6/2002 Órgão Julgador: Segunda Turma. Publicação
DJ 16/8/2002 PP-00092.) 2 O princípio do devido processo legal é
amplamente aplicável ao estrangeiro, conforme expresso no art. 12, § 2.º,
da Constituição Federal: “á lei não poderá estabelecer distinção entre
brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
Constituição”. ássim, os instrumentos processuais de tutela do indivíduo
presentes na Constituição Federal de 1988 alcançam plenamente o
estrangeiro. A jurisprudência do STF está assentada nesse entendimento
(RDA 59/326, RT 312/363; RTJ 164/193-194). O estrangeiro tem direito
público subjetivo à observância e ao integral respeito ao devido processo
legal — ainda que não possua domicílio no país — e está exposto à condição
indisponível de sujeito de direitos. 3 Conforme a teoria dos frutos da árvore
envenenada, a prova ilícita originária contamina todas as demais provas
obtidas a partir dela, ou seja, todas as demais provas decorrentes daquela
prova ilícita são também ilícitas. Esse entendimento é estabelecido pela
Constituição Federal de 1988 no art. 5.º, inc. LVI. O Supremo Tribunal
Federal já legitimou sua aplicação em diversos julgados, declarando a
nulidade de todos os atos praticados no processo, na hipótese de a prova ter
sido obtida de forma ilícita. O exemplo clássico é o de confissão de crime por
meio de tortura. Destarte, são consideradas ilícitas as provas ilícitas por
derivação. O devido processo legal proíbe a utilização dessas provas e
garante a ampla defesa ao acusado. A respeito da teoria dos frutos da árvore
envenenada, citam-se os julgados do Supremo Tribunal Federal (HC 74.116-
9/SP; HC 69.912/RS; HC 72.588-1/PB; entre outros). Na doutrina, citam-se as
explicações trazidas pelos livros Direito Constitucional Descomplicado, 9.ª
ed., São Paulo: Método, 2012; Curso de Direito Constitucional, Gilmar
Mendes e Paulo Branco, 8.ª ed., São Paulo: Saraiva, 2013, p. 531-2. O
candidato poderá ainda, mas não necessariamente, demonstrar que o
Supremo Tribunal Federal permite algumas exceções à aplicação dessa
teoria, quando no processo não se demonstrar o nexo causal entre as provas
ilícitas e as derivadas ou quando essas puderem ser obtidas de forma
independente. Por fim, a prova, em princípio ilícita, poderá ser admitida se
produzida pelo réu em estado de necessidade ou legitima defesa.
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67
POLÍCIA CIVIL - PCBA – 2013 – CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em primeiro plano, deve-se recordar que o art. 5º, XIII, da CRFB
estabelece que é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações
telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso,
por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins
de investigação criminal ou instrução processual penal.
Neste sentido, a interceptação das comunicações epistolares do
investigado apresenta-se claramente inconstitucional, dada à vedação
estabelecida pelo dispositivo acima mencionado. A interceptação da
comunicação consiste na sua interrupção ou intromissão por terceiro, sem o
conhecimento de um (ou ambos) dos interlocutores, o que exatamente
corresponde ao caso em análise.
De outro lado, a interceptação telefônica realizada pelos policiais
demonstra-se constitucional, pois foi realizada com autorização judicial,
conforme permissão constante na parte final do art. 5º, XIII, da CRFB.
Importante mencionar que estando todos os elementos já
documentados nos autos, é direito do advogado do investigado ter acesso,
conforme estabelece a Súmula Vinculante nº 14, que aduz que é direito do
defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de
prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por
órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do
direito de defesa.
Por fim, a Lei nº 13.245/16 modificou o Estatuto da OAB e ampliou os
direitos dos advogados no tocante ao acesso a inquéritos. Com isso, garante-
se ao advogado a possibilidade de ter acesso a todos osNo âmbito de procedimento investigatório criminal, agentes policiais
decidiram interceptar a correspondência de servidor público estadual
suspeito da prática dos crimes de peculato e corrupção passiva. Os
documentos apreendidos abrangiam faturas de cartão de crédito, cartas e
envelopes. Simultaneamente, mediante autorização judicial determinando a
quebra do sigilo da comunicação telefônica do referido servidor, os agentes
policiais gravaram as conversas telefônicas do investigado com várias
pessoas. As provas obtidas serviram de base para o indiciamento do servidor
público e o envio do inquérito policial ao MP para o oferecimento de
denúncia. Em face dessa situação hipotética, discorra sobre a
constitucionalidade dos procedimentos adotados pelos policiais, indicando
os direitos e garantias fundamentais aplicáveis ao caso e mencionando a
possibilidade de o advogado de defesa ter acesso aos elementos de prova
produzidos no âmbito do inquérito policial.
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68
documentos de uma investigação, sejam físicos ou digitais, mesmo que ela
ainda esteja em curso. A regra já valia para as delegacias de polícia, mas não
abrangia o acesso a outras instituições, como o Ministério Público.
POLÍCIA CIVIL - PCBA – 2013 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Segundo estabelece o art. 5º, XI, da CRFB, a casa é asilo inviolável do
indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou,
durante o dia, por determinação judicial.
No Código Penal, a abrangência da definição de “casa” compreende
qualquer compartimento habitado, aposento ocupado de habitação coletiva
e compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou
atividade, consoante o art. 150, §4º.
Deste modo, no caso concreto, o dormitório de hotel encontra-se
protegido pelo dispositivo constitucional em análise. Estando ausentes
quaisquer das hipóteses em que se permite a violação do domicílio, a
incursão policial ali realizada se revela inconstitucional.
Consequentemente, por força do art. 5º, LVI, C‘FB (“são
inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”), bem como
do art. 157 e seu §1º, do Código de Processo Penal, e à vista da ilegalidade
da busca e apreensão realizada pela polícia, com violação ao domicílio, as
provas ali obtidas não poderão ser utilizadas no processo judicial
correspondente.
ANALISTA JUDICIÁRIO - STJ – 2012 - CESPE
Após recebimento de denúncia anônima, agentes da polícia civil invadiram,
no período da noite, quarto de hotel, com o objetivo de proceder à busca e à
apreensão de materiais e documentos supostamente utilizados por
determinado hóspede em crimes relacionados à clonagem de cartões de
crédito. Os materiais e os documentos obtidos durante a invasão do quarto
de hotel foram as únicas provas que alicerçaram a denúncia oferecida pelo
MP. Com base nessas provas, foram tomados depoimentos de diversas
testemunhas, os quais serviram, também, de fundamento para a
condenação do réu. Com base nessa situação hipotética, redija texto
dissertativo sobre a (in)constitucionalidade da operação policial, abordando,
necessariamente, de forma justificada, os seguintes aspectos: 1- direitos e
garantias fundamentais aplicáveis ao caso; 2- (im)possibilidade jurídica de
utilização, em processo judicial, das provas obtidas na referida operação.
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69
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O direito fundamental à inviolabilidade domiciliar vem previsto no
art. 5º, XI, da CRFB, constituindo uma importante proteção a eventuais
abusos estatais e de particulares.
Uma ordem jurídica e política democrática, que respeite o cidadão,
deve prever também o respeito ao domicílio da pessoa, física ou jurídica, pois
é lá que ela exerce suas atividades pessoais e/ou profissionais.
Pela sistemática atual, a regra é a inviolabilidade do domicílio.
Porém, como não existem direitos absolutos e eles tampouco podem ser
usados para proteger atividades ilícitas ou que revelem um caráter de
excepcionalidade, existem hipóteses em que a proteção domiciliar é
mitigada.
Um tema importante envolve a abrangência do termo “domicílio”. á
doutrina e a Jurisprudência enxergam a temática por um viés muito amplo,
ou seja, além da própria casa, abarcaria também o escritório profissional,
oficinas, garagens, quartos de hotéis… ássim, é possível estender o prisma do
alcance domiciliar para qualquer aposento de habitação coletiva, desde que
ocupado.
Apenas a autoridade judicial poderá determinar a violação do
domicílio, mas desde que ela ocorra durante o dia e por uma ordem
devidamente fundamentada. O conceito de dia, para o STF, abrange o
período físico da aurora ao crepúsculo.
Além da hipótese de violação domiciliar durante o dia para
cumprimento de ordem judicial (acaso já seja o período noturno, as
autoridades deverão tomar o cuidado de cercar o local e aguardar o
amanhecer), há outras três hipóteses possíveis. A primeira delas está na
ocorrência de flagrante delito; a segunda está na hipótese de ocorrência de
algum desastre e, por fim, a terceira hipótese que permite a violabilidade
domiciliar é a prestação de socorro ao morador.
Todas as situações acima relatadas demandam um pronto
atendimento e, por isso, não seria razoável aguardar um provimento judicial
para, por exemplo, prender quem esteja cometendo um crime em flagrante
delito ou auxiliar alguém que esteja necessitando de socorro.
Redija, de forma fundamentada, um texto dissertativo acerca da
inviolabilidade domiciliar, garantida pela Constituição Federal no art. 5.º,
inciso XI. Em seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos: 1-
conceito de domicílio para a Constituição Federal; 2- autoridades com poder
de ordenar a violação domiciliar; 3- hipóteses de admissibilidade de violação
domiciliar.
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70
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RO - 2011 - FCC
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Acerca do ajuizamento da ação de controle concentrado de
constitucionalidade, com base no art. 103, VIII, da CRFB e art. 2º, VIII, da Lei
nº 9.868/99, o partido político com representação no Congresso Nacional
(em quaisquer das Casas) é parte legítima para propor ADI.
A jurisprudência do STF, a partir de uma interpretação dada ao texto
constitucional, estabeleceu uma distinção entre os legitimados ativos,
dividindo-os em universais e especiais.Os chamados legitimados ativos
universais podem propor a ADI e a ADC independentemente da existência de
pertinência temática. Enquadram-se nesta categoria, dentre outros, o
partido político com representação no Congresso Nacional. Assim,
plenamente cabível o ajuizamento da referida ação pelo partido político A.
Além disso, o requisito da representação no Congresso é aferido no
momento do ajuizamento, conforme entendimento do STF. Também com
base na visão do STF, o partido político, para ajuizar ação direta de
inconstitucionalidade deve estar representado por seu Diretório Nacional,
ainda que o ato impugnado tenha sua amplitude normativa limitada ao
Estado ou Município do qual se originou.
Ainda dentro do aspecto formal, o enunciado fala em lei municipal
impugnada mediante áDI no “TF. O art. 102, I, “a”, da C‘FB menciona
claramente que compete ao STF processar e julgar, originariamente, a ação
direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e
a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal.
Com isso, a possibilidade para o partido político questionar perante o STF
seria mediante uma ADPF, acaso cabível, ou uma representação de
inconstitucionalidade da lei municipal no Tribunalde Justiça pertinente, com
base no art. 125, §2º, da CRFB.
Acerca do mérito da referida lei, com base no art. 227 da CRFB e nos
arts.3, 4º e 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente, a proteção da
criança e do adolescente configura objetivos do país, principalmente no
combate às formas de incitação à violência e à discriminação, além de
colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.A proteção aos direitos da criança e do
adolescente qualifica-se como um dos direitos sociais mais expressivos,
subsumindo-se à noção dos direitos de segunda geração, cujo adimplemento
Uma lei municipal proibiu que os jornais locais veiculassem, na primeira
página, notícias e fotos que incitassem a violência e discriminação, como
medida de proteção à infância e à adolescência. O partido político A com
representação no Congresso Nacional ajuizou ADI no STF contra a referida
lei. Fale sobre o aspecto material dessa lei e sobre a viabilidade da ação.
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71
impõe ao Poder Público a satisfação de um dever de prestação positiva,
consistente em um facere.
Logo, em um primeiro momento, a vedação apresenta
compatibilidade com as finalidades protetivas previstas no texto
constitucional, não só para a criança e ao adolescente, mas também para a
toda sociedade, pois veda que a imprensa descumpra sua função social e
divulgue notícias que incitem a violência e a discriminação. Situação
diferente é a notícia que apenas veicula uma atitude violenta ou que
promoveu a violência, pois aí estar-se-á diante da liberdade de informação,
corolário básico de uma Democracia. Há grande diferença entre uma notícia
incentivar a violência (pregar a morte de bandidos) e a discriminação (pregar
a inferioridade racial de negros) e noticiar que houve a morte de bandidos ou
que determinado segmento social defende a pureza racial.
Como não há princípios absolutos, realiza-se uma ponderação entre
ambos, calcada na ideia de harmonização dos dispositivos constitucionais e
reforçando-se a unidade dela. Assim, a colisão aparente de princípios
constitucionais é resolvida pela ponderação. Ronald Dworkin, ao tratar dos
princípios, trabalhou essencialmente a diferenciação entre regras e
princípios, determinando em sua formulação teórica uma crítica ao
positivismo jurídico. Referido autor aduziu que as regras possuem uma
dimensão de validade, sendo que os princípios possuem uma dimensão de
peso. Com isso, as regras estariam em uma disposição excludente, ou seja,
aplicam-se pela expressão “ou tudo ou nada”, em que uma regra prevalecerá
sobre a outra, diante da ocorrência de uma colisão. Com referência aos
princípios, para solucionar as colisões existentes, deve-se analisar o
argumento que direciona a uma decisão particular, visualizando-os como
padrões de orientação da justiça e de equidade, aplicados diferentemente
aos casos concretos. Logo, os princípios são normas imediatamente
finalísticas, primariamente prospectivas e com pretensão de
complementaridade e de parcialidade, para cuja aplicação demandam uma
avaliação da correlação entre o estado de coisas a ser promovido e os efeitos
decorrentes da conduta havida como necessária à sua promoção.
A ponderação pode ser entendida como uma técnica de decisão
própria para hardcases, em relação aos quais o raciocínio tradicional da
subsunção não é adequado. A estrutura geral da subsunção pode ser descrita
da seguinte forma: premissa maior – enunciado normativo – incidindo sobre
premissa menor – fatos – e produzindo como consequência a aplicação da
norma ao caso concreto. O que ocorre comumente nos casos difíceis, porém,
é que convivem, postulando aplicação, diversas premissas maiores
igualmente válidas e de mesma hierarquia que, todavia, indicam soluções
normativas diversas e muitas vezes contraditórias. A subsunção não tem
instrumentos para produzir uma conclusão que seja capaz de considerar
todos os elementos normativos pertinentes; sua lógica tentará isolar uma
única norma para o caso.
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72
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Partido político. Legitimidade ativa. Aferição no momento da sua
propositura. Perda superveniente de representação parlamentar. Não
desqualificação para permanecer no polo ativo da relação processual.
Objetividade e indisponibilidade da ação. [ADI 2.618 AgR-AgR, rel.
min. Gilmar Mendes, j. 12-8-2004, P, DJ de 31-3-2006.] = ADI 2.427, rel.
min. Eros Grau, j. 30-8-2006, P, DJ de 10-11-2006
Ilegitimidade ativa ad causam de Diretório Regional ou Executiva Regional.
Firmou a jurisprudência desta Corte o entendimento de que o partido
político, para ajuizar ação direta de inconstitucionalidade perante o STF,
deve estar representado por seu Diretório Nacional, ainda que o ato
impugnado tenha sua amplitude normativa limitada ao Estado ou Município
do qual se originou. [ADI 1.528 QO, rel. min. Ellen Gracie, j. 24-5-2000,
P, DJ de 23-8-2002.]
Partido político. Ação direta. Legitimidade ativa. Inexigibilidade do vínculo de
pertinência temática. Os partidos políticos, desde que possuam
representação no Congresso Nacional, podem, em sede de controle
abstrato, arguir, perante o STF, a inconstitucionalidade de atos normativos
federais, estaduais ou distritais, independentemente de seu conteúdo
material, eis que não incide sobre as agremiações partidárias a restrição
jurisprudencial derivada do vínculo de pertinência temática. [ADI 1.407 MC,
rel. min. Celso de Mello, j. 7-3-1996, P, DJ de 24-11-2000.
Recurso extraordinário. Argüição de inconstitucionalidade de dispositivo da
Lei Orgânica do Município de Boa Vista, Estado de Roraima, julgada
improcedente. 2. Assentado o entendimento de que a fixação do número de
vereadores da Câmara Municipal de Boa Vista, pelo art. 13 da Lei Orgânica
em foco, então impugnado, está dentro dos limites da regra constitucional
Federal. 3. Juízo de validade de norma municipal, pelo Tribunal de Justiça do
Estado, em face de regra da Constituição Federal. O art. 125, § 2º, da Lei
Magna, prevê a hipótese de controle concentrado de constitucionalidade de
lei ou ato normativo municipal, tão-só, diante da Constituição estadual. 4. A
norma da Carta de Roraima apontada como ofendida - o art. 15 - não
constitui regra de repetição do art. 29, IV, a, da Lei Magna Federal, à vista do
qual se proferiu a decisão. 5. Não dispunha a Corte local de competência
para processar e julgar a constitucionalidade de dispositivo da Lei Orgânica
do Município de Boa Vista, perante a Constituição Federal (art. 29, IV, a). 6.
Extinção do processo sem julgamento do mérito por impossibilidade jurídica
do pedido, eis que a Constituição não prevê a hipótese de ação direta em
que se argüa a inconstitucionalidade de lei municipal em face da
Constituição Federal. 7. Recurso extraordinário conhecido e provido para
anular o acórdão, por incompetência do Tribunal local.” (“TF – Recurso
Extraordinário - RE n. 171819/RR - Relator(a): Min. Néri da Silveira –
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73
Julgamento em 08/04/2002 – Órgão Julgador: Segunda Turma - DJ 24-05-
2002 PP-00069.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BARCELLOS, Ana Paula de. Alguns Parâmetros Normativos para a
Ponderação Constitucional. In: A Nova Interpretação Constitucional:
ponderação, direitos fundamentais e relações privadas. Luís Roberto Barroso
(Org.). 3. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. 55.
BARROSO, Luís Roberto. Direito Constitucional Contemporâneo – Os
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2010, p.335.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Do ponto de vista material, a Constituição Federal não prevê explicitamente
limites a liberdade de expressão, porem,quanto a criança e adolescente,
coloca no artigo 227/CF, a absoluta prioridade do dever do Estado, da
sociedade e da família, de assegurar aos jovens o direito a vida, a educação,
dignidade e a liberdade, com o fim de resguarda-los de toda a forma de
discriminação, violência, exploração, crueldade e opressão. Cabe assim ao
candidato abordar a questão apresentando conhecimento hermenêutica da
relação da convivência entre os Princípios constitucionais e princípios, como
a unidade da Constituição, razoabilidade e proporcionalidade da medida
(adequação e necessidade), limites dos Direitos Fundamentais e tipos de
colisão, diante dos artigos art. 52, 24 e 30, todos da CF. Do ponto de vista
formal, não e possível aventar inconstitucionalidade de lei municipal perante
o STF diretamente, assim, a ação só poderia ser interposta perante o
Tribunal de Justiça Estadual (Artigo 125, § 2'/CF). 0 partido politico deve ter
representação no Congresso Nacional (art. 2º, Lei nº 9.868/99). Para a
discussão jurídica de eventual inconstitucionalidade, caberia o ingresso de
Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental, perante o STF (art. 102,
§12/CF e Lei n' 9,882/99) ou ação declaratória de inconstitucionalidade no
Âmbito estadual, com fundamento na Constituição Estadual.
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/ES - 2012 - CESPE
A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência,
promulgada por meio do Decreto Presidencial No. 6.949/2009, assim
estabelece: “1. Os Estados Partes reconhecem que todas as pessoas são
iguais perante e sob a lei e que fazem jus, sem qualquer discriminação, a
igual proteção e igual benefício da lei. (...). 4. Nos termos da presente
Convenção, as medidas específicas que forem necessárias para acelerar ou
alcançar a efetiva igualdade das pessoas com deficiência não serão
consideradas discriminatórias.”. Com base nas informações acima
apresentadas e na situação das pessoas com deficiência, discorra sobre o
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74
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O princípio da igualdade é um dos pilares do regime de direitos
fundamentais previsto na Constituição Federal, estando expresso em
diversos pontos do texto constitucional como no art. 3º, IV, art. 5º, caput e
inciso I, art. 19, III, art. 150, II.
A igualdade pode ser dividida em formal e material. A igualdade
formal consiste em uma igualdade de direito, em conferir, por lei, idêntico
tratamento a todos os indivíduos, não criando distinções de qualquer
natureza entre as pessoas. Já a igualdade material vai além, buscando uma
realização efetiva da igualdade. A igualdade material pode ser representada
através da célebre frase: “tratar igualmente os iguais e desigualmente os
desiguais”. ássim, de acordo com a igualdade material, são admitidos
tratamentos diferenciados àquelas pessoas que se encontrem em situações
diferentes.
É com base na igualdade material que se sustentam as ações
afirmativas, consistentes em condições favorecidas concedidas a
determinados grupos que se encontram em posição especial dentro da
sociedade, como é o caso das pessoas com deficiência.
Segundo a doutrina, o princípio da igualdade possui ainda duas
dimensões. A dimensão subjetiva consiste no direito de o indivíduo, em face
do Estado, exigir tanto uma abstenção, de não impor situações desiguais
para os indivíduos, bem como de exigir ações positivas, no sentido de realizar
a igualdade. Por sua vez, a dimensão objetiva consiste em considerar a
igualdade como princípio informador de todo o ordenamento jurídico,
orientando, inclusive, a elaboração de novas normas.
A Carta Magna traz diversas normas consubstanciadoras de ações
afirmativas em prol das pessoas com deficiência, como por exemplo, a
reserva de percentual de vagas em concursos públicos (art. 37, VIII),
atendimento educacional especializado (art. 208, III), garantia de acesso
adequado das pessoas com deficiência a edifícios públicos e transporte
coletivo (art. 227, § 2º).
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/AC - 2012 - CESPE
princípio da igualdade, abordando, necessariamente, os seguintes aspectos:
1. Igualdade formal e material, 2. dimensões subjetiva e objetiva; 3.
Exemplo de medida que fomenta a política de discriminação positiva em
relação às pessoas com deficiência, conforme previsão constitucional.
Entre os inúmeros pedidos em ações ajuizadas por defensores públicos na
área do direito à saúde inclui-se o fornecimento de medicamentos, de
suplementos alimentares, órteses e próteses; criação de vagas em unidades
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75
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Modernamente, prevalece a idéia de que os direitos fundamentais,
inclusive aqueles prestacionais, possuem eficácia imediata, cabendo, apenas,
delimitar-se a extensão. Nesta categoria enquadram-se os direitos sociais
como dimensão dos direitos fundamentais do homem, que são prestações
positivas estatais, enunciados em normas constitucionais, cujas políticas
públicas podem e devem ser sindicadas pelo Judiciário, principalmente no
que tange o direito à saúde.
Superou-se, assim, entendimento que os enquadrava como regras de
conteúdo programático a serem concretizadas mediante intervenção
legislativa ordinária, sob pena de se ferir o princípio da harmonia e
independência dos Poderes. Desapegou-se da negativa de obrigação estatal
a ser cumprida com fulcro nos direitos fundamentais, o que tinha, como
consequência, a impossibilidade de categorizá-los como direitos subjetivos,
até mesmo quando em pauta a omissão do Estado no fornecimento do
mínimo existencial. Consoante os novos rumos interpretativos, a par de dar-
se eficácia imediata aos direitos fundamentais, atribuiu-se ao intérprete a
missão de desvendar o grau dessa aplicabilidade, porquanto mesmo que se
pretenda dar máxima elasticidade à premissa, nem sempre se estará infenso
à uma interpositio legislatoris, o que não ocorre, vale afirmar, na porção do
direito que trata do mínimo existencial.
Portanto, os direitos fundamentais, consoante a moderna diretriz da
interpretação constitucional, são dotados de eficácia imediata. O princípio
da aplicabilidade imediata e da plena eficácia dos direitos fundamentais está
encartado no art.5º, §1º, da CRFB. A reserva do possível não constitui
justificativa para que o Poder Executivo possa se eximir das obrigações
impostas pela Constituição. A referida cláusula apenas é aplicável em
de terapia intensiva; contratação de servidores; realização de exames e
cirurgias; custeio de tratamentos fora do domicílio, e no exterior, e mesmo
pedidos de tratamentos experimentais ainda não amplamente reconhecidos
pela comunidade científica. Tais procedimentos, que caracterizam a
denominada judicialização das políticas públicas de saúde, resultam em
decisões que, em regra, repercutem em todos os níveis da Federação e
refletem, ainda, possíveis consequências sociais, pelo potencial de interferir
no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2009, o Supremo Tribunal Federal
(STF), por exemplo, convocou audiência pública para discutir a questão da
saúde pública com a sociedade. Em face do contexto descrito acima, disserte
sobre os aspectos jurídico-constitucionais que envolvem a “judicialização das
políticas públicas de saúde”, fazendo referência à posição do “TF a respeito.
Ao elaborar o seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes tópicos: 1-
garantia do direito social à saúde; 2- reconhecimento do direito a
medicamento; 3- princípio da separação dos poderes; 4- cláusula da reserva
do possível.
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76
decorrência de justo motivo, objetivamente aferido, devendo ser
prontamente afastada quando a sua adoção implique violação ao núcleo
essencial dos direitos constitucionais fundamentais.á construção teórica da “reserva do possível” teve origem na
Alemanha, a partir do início dos anos de 1970. De acordo com a noção de
reserva do possível, a efetividade dos direitos sociais estaria sob a reserva
das capacidades financeiras do Estado, uma vez que seriam direitos
fundamentais dependentes de prestações financiadas pelos cofres públicos.
á partir disso, a “reserva do possível” (Der Vorbehalt des Möglichen) passou
a traduzir (tanto para a doutrina majoritária, quanto para a jurisprudência
constitucional na Alemanha) a idéia de que os direitos sociais a prestações
materiais dependem da real disponibilidade de recursos financeiros por parte
do Estado, disponibilidade esta que estaria localizada no campo
discricionário das decisões governamentais e parlamentares, sintetizadas no
orçamento público.
Não obstante, a reserva do possível, antes de atuar como barreira
intransponível à efetivação dos direitos fundamentais, deve viger como um
mandado de otimização dos direitos fundamentais, impondo ao Estado o
dever fundamental de, tanto quanto possível, promover as condições ótimas
de efetivação da prestação estatal em causa, preservando, além disso, os
níveis de realização já atingidos, o que, por sua vez, aponta para a
necessidade do reconhecimento de uma proibição do retrocesso, ainda mais
naquilo que se está a preservar: o mínimo existencial.
De acordo com o entendimento do STF, embora seja fato que o
Estado possui limitações financeiras, a Administração Pública não pode criar
obstáculo artificial que revele o ilegítimo, arbitrário e censurável propósito
de fraudar, de frustrar e de inviabilizar o estabelecimento e a preservação,
em favor da pessoa e dos cidadãos, de condições materiais mínimas de
existência. Logo, a reserva do possível não pode ser usada para que entes
públicos fujam indevidamente de suas obrigações constitucionais, ou seja, o
Estado não está autorizado a dispor de ampla discricionariedade na
aplicação de direitos fundamentais.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 13 ª Edição. São Paulo:
Malheiros, 2003, p. 588.
SARMENTO, Daniel. Direitos Fundamentais e Relações Privadas. 2ª Edição.
Rio de Janeiro: Lumen Júris. 2006, p.107.
SARLET, Ingo Wolfgang. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. Livraria do
Advogado: Porto Alegre, 2005, p. 53.
JURISPRUDÊNCIA APLICADA:
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77
DIREITO CONSTITUCIONAL. DIREITO À SAÚDE. AGRAVO REGIMENTAL EM
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. SEPARAÇÃO DOS PODERES.
VIOLAÇÃO. NÃO CONFIGURADA. OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA DOS ENTES
FEDERATIVOS. PRECEDENTES. HIPOSSUFICIÊNCIA. SÚMULA 279/STF. 1. É
firme o entendimento deste Tribunal de que o Poder Judiciário pode, sem
que fique configurada violação ao princípio da separação dos Poderes,
determinar a implementação de políticas públicas nas questões relativas ao
direito constitucional à saúde. 2. O acórdão recorrido também está alinhado
à jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reafirmada no julgamento do
RE 855.178-RG, Rel. Min. Luiz Fux, no sentido de que constitui obrigação
solidária dos entes federativos o dever de fornecimento gratuito de
tratamentos e de medicamentos necessários à saúde de pessoas
hipossuficientes. 3. A controvérsia relativa à hipossuficiência da parte ora
agravada demandaria a reapreciação do conjunto fático-probatório dos
autos, o que não é viável em sede de recurso extraordinário, nos termos da
Súmula 279/STF. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.
(ARE 894085 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira Turma,
julgado em 15/12/2015, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-029 DIVULG 16-02-
2016 PUBLIC 17-02-2016)
FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS. POSSIBILIDADE DE BLOQUEIO DE
VERBAS PÚBLICAS PARA GARANTIA. RATIFICAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA
FIRMADA POR ESTA SUPREMA CORTE. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
(RE 607582 RG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 13/08/2010, DJe-
159 DIVULG 26-08-2010 PUBLIC 27-08-2010 EMENT VOL-02412-06 PP-01185
LEXSTF v. 32, n. 381, 2010, p. 275-280 )
DEFENSOR PÚBLICO - DPDF - 2013 - CESPE
Maria, diagnosticada como portadora de obesidade mórbida, aguarda há
três anos por uma cirurgia bariátrica que havia sido indicada pelos médicos
como um procedimento de urgência. Após ter passado por todos os
procedimentos prévios exigidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para a
realização da cirurgia, não tendo conseguido realizá-la, Maria procurou a
Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) para entrar com ação de
obrigação de fazer em face do governo do Distrito Federal (GDF). Ela afirma
que há mais de cinco mil pessoas à sua frente na fila de espera da cirurgia e
que poucos hospitais do DF são credenciados pelo SUS para realizar esse
tipo de procedimento, sendo de dez anos a expectativa do tempo que ela
terá de aguardar na fila, considerando-se que são realizadas 44 cirurgias
bariátricas por mês pelo SUS, o que perfaz um total de 528 procedimentos
por ano. Maria alega, ainda, que seu quadro clínico se agravou
recentemente, em razão da diabetes e de outras doenças associadas à
obesidade, estando sua vida em risco. Suas alegações foram comprovadas
por meio de laudos e exames médicos. Em sua defesa, o GDF alegou que a
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78
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A saúde é direito fundamental garantido pela Constituição da
República. Na dicção do art. 196 do texto magno, a saúde é direito de todos
e dever do Estado, sendo garantido a qualquer pessoa independente de
qualquer contribuição. O direito à saúde faz parte do rol de direitos da
seguridade social, consoante se extrai do art. 194 da Constituição da
República e, ao lado da assistência social, integra a parte da seguridade com
caráter não-contributivo.
Segundo a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal,
todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios)
possuem legitimidade para figurar no pólo passivo de uma demanda de
saúde, de forma isolada ou conjuntamente. A responsabilidade é, portanto,
solidária de todos os entes.
O Poder Judiciário pode, por decisão judicial, garantir o cumprimento
do direito à saúde. Isto não fere a separação dos poderes, já que Judiciário
não está interferindo na política estatal, mas apenas garantindo um direito
já assegurado por comando constitucional imperativo e inafastável, como o
é o direito à saúde.
Ademais, a Suprema Corte entende que não há ofensa à separação
dos poderes quando uma decisão judicial concede direito incluído no mínimo
existencial necessário a garantia de uma vida digna. A determinação de
prioridade na cirurgia de Maria se fundamenta no parágrafo 1º do art. 5º da
Constituição Federal, que determina a aplicabilidade imediata dos direitos
fundamentais. Igualmente, encontra fundamento no princípio da razoável
duração do processo, levando-se em conta que Maria não pode esperar 10
anos para a realização da cirurgia, uma vez que sua saúde e vida podem ser
comprometidas com esta espera.
saúde, sendo um direito da seguridade social, somente é garantida àqueles
que contribuam com o ente estatal; que não possui legitimidade para figurar
no pólo passivo da demanda, devendo a ação ter sido postulada contra a
União, única responsável pelo SUS, considerando-se o texto constitucional e
a Lei Orgânica do Distrito Federal; que, dado o princípio da separação dos
poderes, não cabe ao Poder Judiciário atuar na destinação das verbas
governamentais relativas à saúde, obrigando o gestor público do DF a dar
preferência às cirurgias bariátricas, em detrimento de outros aspectos da
saúde; e, por fim, que não existe nenhum princípio ou dispositivo
constitucional que fundamente eventual decisão dando prioridade a Maria
na realização do procedimento. Na situação hipotética acima descrita,considerando-se o disposto na Constituição Federal de 1988 e na Lei
Orgânica do Distrito Federal, procedem as alegações do GDF? Justifique sua
resposta. [valor: 4,50 pontos]
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79
Por fim, a imediata realização da cirurgia tem amparo na própria
dignidade da pessoa humana, princípio orientador de todo o ordenamento
jurídico.
JURISPRUDÊNCIA RECLACIONADA:
DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DIREITO À SAÚDE.
TRATAMENTO MÉDICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES
FEDERADOS. CONSONÂNCIA DA DECISÃO RECORRIDA COM A
JURISPRUDÊNCIA CRISTALIZADA NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
REAFIRMAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA EM REPERCUSSÃO GERAL - RE 855.178-
RG/PE, REL. MIN. LUIZ FUX. RECURSO EXTRAORDINÁRIO QUE NÃO MERECE
TRÂNSITO. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 28.3.2015. 1. Esta
Suprema Corte, ao julgamento do RE 855.178-RG/PE, Rel. Min. Luiz Fux, DJe
16.3.2015, submetido à sistemática da repercussão geral, reafirmou a
jurisprudência no sentido da responsabilidade solidária dos entes federados
pelo dever de prestar assistência à saúde, destacando que o polo passivo da
ação pode ser composto por qualquer um deles, isoladamente, ou
conjuntamente. 2. O entendimento adotado pela Corte de origem, nos
moldes do assinalado na decisão agravada, não diverge da jurisprudência
firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal. 3. A existência de
precedente firmado pelo Plenário desta Corte autoriza o julgamento
imediato de causas que versem sobre o mesmo tema, independentemente
da publicação ou do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes. 4. As
razões do agravo regimental não se mostram aptas a infirmar os
fundamentos que lastrearam a decisão agravada. 5. Agravo regimental
conhecido e não provido. (RE 933857 AgR, Relator(a): Min. ROSA WEBER,
Primeira Turma, julgado em 16/02/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-048
DIVULG 14-03-2016 PUBLIC 15-03-2016)
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DIREITO
À SAÚDE. TRATAMENTO MÉDICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS
ENTES FEDERADOS. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REAFIRMAÇÃO DE
JURISPRUDÊNCIA. O tratamento médico adequado aos necessitados se
insere no rol dos deveres do Estado, porquanto responsabilidade solidária
dos entes federados. O polo passivo pode ser composto por qualquer um
deles, isoladamente, ou conjuntamente. (RE 855178 RG, Relator(a): Min.
LUIZ FUX, julgado em 05/03/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO
GERAL - MÉRITO DJe-050 DIVULG 13-03-2015 PUBLIC 16-03-2015 )
RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO (LEI Nº 12.322/2010) – CUSTEIO,
PELO ESTADO, DE SERVIÇOS HOSPITALARES PRESTADOS POR INSTITUIÇÕES
PRIVADAS EM BENEFÍCIO DE PACIENTES DO SUS ATENDIDOS PELO SAMU
NOS CASOS DE URGÊNCIA E DE INEXISTÊNCIA DE LEITOS NA REDE PÚBLICA –
DEVER ESTATAL DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE E DE PROTEÇÃO À VIDA
RESULTANTE DE NORMA CONSTITUCIONAL – OBRIGAÇÃO JURÍDICO-
CONSTITUCIONAL QUE SE IMPÕE AOS ESTADOS – CONFIGURAÇÃO, NO
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80
CASO, DE TÍPICA HIPÓTESE DE OMISSÃO INCONSTITUCIONAL IMPUTÁVEL AO
ESTADO – DESRESPEITO À CONSTITUIÇÃO PROVOCADO POR INÉRCIA
ESTATAL (RTJ 183/818-819) – COMPORTAMENTO QUE TRANSGRIDE A
AUTORIDADE DA LEI FUNDAMENTAL DA REPÚBLICA (RTJ 185/794-796) – A
QUESTÃO DA RESERVA DO POSSÍVEL: RECONHECIMENTO DE SUA
INAPLICABILIDADE, SEMPRE QUE A INVOCAÇÃO DESSA CLÁUSULA PUDER
COMPROMETER O NÚCLEO BÁSICO QUE QUALIFICA O MÍNIMO EXISTENCIAL
(RTJ 200/191-197) – O PAPEL DO PODER JUDICIÁRIO NA IMPLEMENTAÇÃO
DE POLÍTICAS PÚBLICAS INSTITUÍDAS PELA CONSTITUIÇÃO E NÃO
EFETIVADAS PELO PODER PÚBLICO – A FÓRMULA DA RESERVA DO POSSÍVEL
NA PERSPECTIVA DA TEORIA DOS CUSTOS DOS DIREITOS: IMPOSSIBILIDADE
DE SUA INVOCAÇÃO PARA LEGITIMAR O INJUSTO INADIMPLEMENTO DE
DEVERES ESTATAIS DE PRESTAÇÃO CONSTITUCIONALMENTE IMPOSTOS AO
PODER PÚBLICO – á TEO‘Iá Dá “‘E“T‘IÇÃO Dá“ ‘E“T‘IÇÕE“” (OU Dá
“LIMITáÇÃO Dá“ LIMITáÇÕE“”) – CARÁTER COGENTE E VINCULANTE DAS
NORMAS CONSTITUCIONAIS, INCLUSIVE DAQUELAS DE CONTEÚDO
PROGRAMÁTICO, QUE VEICULAM DIRETRIZES DE POLÍTICAS PÚBLICAS,
ESPECIALMENTE NA ÁREA DA SAÚDE (CF, ARTS. 6º, 196 E 197) – A QUESTÃO
Dá“ “E“COLHá“ T‘ãGICá“” – A COLMATAÇÃO DE OMISSÕES
INCONSTITUCIONAIS COMO NECESSIDADE INSTITUCIONAL FUNDADA EM
COMPORTAMENTO AFIRMATIVO DOS JUÍZES E TRIBUNAIS E DE QUE
RESULTA UMA POSITIVA CRIAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO DIREITO –
CONTROLE JURISDICIONAL DE LEGITIMIDADE DA OMISSÃO DO PODER
PÚBLICO: ATIVIDADE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIAL QUE SE JUSTIFICA PELA
NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DE CERTOS PARÂMETROS
CONSTITUCIONAIS (PROIBIÇÃO DE RETROCESSO SOCIAL, PROTEÇÃO AO
MÍNIMO EXISTENCIAL, VEDAÇÃO DA PROTEÇÃO INSUFICIENTE E PROIBIÇÃO
DE EXCESSO) – DOUTRINA – PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL EM TEMA DE IMPLEMENTAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS
DELINEADAS NA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (RTJ 174/687 – RTJ
175/1212-1213 – RTJ 199/1219-1220) – EXISTÊNCIA, NO CASO EM EXAME,
DE RELEVANTE INTERESSE SOCIAL. 2. AÇÃO CIVIL PÚBLICA: INSTRUMENTO
PROCESSUAL ADEQUADO À PROTEÇÃO JURISDICIONAL DE DIREITOS
REVESTIDOS DE METAINDIVIDUALIDADE – LEGITIMAÇÃO ATIVA DO
MINISTÉRIO PÚBLICO (CF, ART. 129, III) – A FUNÇÃO INSTITUCIONAL DO
MINI“TÉ‘IO PÚBLICO COMO “DEFEN“O‘ DO POVO” (CF, á‘T. 129, II) –
DOUTRINA – PRECEDENTES. 3. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAS PESSOAS
POLÍTICAS QUE INTEGRAM O ESTADO FEDERAL BRASILEIRO, NO CONTEXTO
DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) – COMPETÊNCIA COMUM DOS ENTES
FEDERADOS (UNIÃO, ESTADOS-MEMBROS, DISTRITO FEDERAL E
MUNICÍPIOS) EM TEMA DE PROTEÇÃO E ASSISTÊNCIA À SAÚDE PÚBLICA
E/OU INDIVIDUAL (CF, ART. 23, II). DETERMINAÇÃO CONSTITUCIONAL QUE,
AO INSTITUIR O DEVER ESTATAL DE DESENVOLVER AÇÕES E DE PRESTAR
SERVIÇOS DE SAÚDE, TORNA AS PESSOAS POLÍTICAS RESPONSÁVEIS
SOLIDÁRIAS PELA CONCRETIZAÇÃO DE TAIS OBRIGAÇÕES JURÍDICAS, O QUE
LHE“ CONFE‘E LEGITIMáÇÃO Pá““IVá “áD CáU“áM” NAS DEMANDAS
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81
MOTIVADAS POR RECUSA DE ATENDIMENTO NO ÂMBITO DO SUS –
CONSEQUENTE POSSIBILIDADE DE AJUIZAMENTO DA AÇÃO CONTRA UM,
ALGUNS OU TODOS OS ENTES ESTATAIS – PRECEDENTES – RECURSO DE
AGRAVO IMPROVIDO.
(ARE 727864 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Segunda Turma,
julgado em 04/11/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-223 DIVULG 12-11-
2014 PUBLIC 13-11-2014)
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
- Gabarito: 1- Apresentação e estrutura textual (legibilidade, respeito às
margens e indicação de parágrafos) - 0,00 a 0,20 - 2 Desenvolvimento do
tema - 2.1 Saúde como direito fundamental e dever do Estado e direito
social / saúde assegurada pela seguridade social, de forma gratuita,
independentemente de contribuição - 0,00 a 1,10 - 2.2 Competência
concorrente e solidária entre todos os entes da Federação - 0,00 a 1,50 - 2.3
Não ofensa à separação de poderes / possibilidade de apreciação pelo Poder
Judiciário - 0,00 a 1,10 - 2.4 Princípio da razoável duração do processo
(celeridade) / outros princípios, como o da dignidade humana - 0,00 a 1,10
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EDUCAÇÃO
PROCURADOR DO MUNIÍPIO - PGM - CUIABÁ/MT - 2014 - FCC
Em resposta a requisições de informações a órgãos municipais e estaduais
sobre a oferta de ensino público a crianças e adolescentes na capital de
determinado Estado, um membro do Ministério Público que oficia na
localidade obtém os seguintes dados: (i) aplicação de 27,5%, pelo Município,
e de 26%, pelo Estado, da receita respectiva resultante de impostos,
compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e
desenvolvimento do ensino; (ii) atendimento a crianças de até 5 anos de
idade, em creches e estabelecimentos de educação infantil públicos,
mantidos pelo Município, e particulares conveniados com o Município,
inexistindo estabelecimentos públicosmantidos pelo Estado para esse fim,
atestada ainda uma carência de 600 vagas, conforme dados constantes de
recente recenseamento escolar; (iii) atendimento a crianças e adolescentes
a partir dos 6 anos de idade, inclusive, em estabelecimentos de ensino
fundamental públicos, mantidos pelo Município, inexistindo carência de
vagas, diante da igual oferta de ensino fundamental em estabelecimentos
públicos, mantidos pelo Estado; (iiii) atendimento a adolescentes em
estabelecimentos de ensino médio públicos, mantidos exclusivamente pelo
Estado, no período diurno, havendo ociosidade de vagas, razão pela qual
não há oferta no período noturno, a despeito da existência de demanda da
população local nesse sentido. Diante desse quadro, o membro do
Ministério Público pretende promover medida judicial com vistas a compelir
os entes públicos a suprirem a carência existente no atendimento a crianças
de até 5 anos de idade, bem como a promoverem a oferta de ensino
noturno regular, em estabelecimentos públicos de ensino médio.
Considerados os dados fornecidos e a disciplina constitucional da matéria,
indaga-se: a. Em relação ao questionamento judicial pretendido: a.1 de qual
ação poderia o Ministério Público valer-se, em tese, para tanto? a.2 sob
quais fundamentos constitucionais e em face de qual(is) ente(s) poderiam
ser deduzidos os pedidos em questão? b. Sob quais fundamentos
constitucionais poderiam Estado e Município apresentar suas defesas
respectivas em juízo, na hipótese de serem acionados?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao item “a.1”, a medida judicial cabível é o ajuizamento
de ação civil pública com base no art. 129, III, da C‘FB e art. 25, IV, “a”, da
Lei nº 8.625/93, tendo por supedâneo o direito social à educação, previsto
nos arts. 6º, 205 e 206, IV, da CRFB.
Em relação ao item “a.2”, o Ministério Público poderia alegar que
agiu para concretizar o direito à educação, não podendo o Judiciário deixar
de apreciar a demanda (inafastabilidade da jurisdição – art. 5º, XXXV, da
CRFB), bem como a intervenção judicial para a implementação de política
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83
pública a fim de resguardar o direito à educação. No tocante às crianças até
os cinco anos de idade, o fundamento é o art. 208, I e IV, da CRFB.
Além disso, com base no art. 211, §2º, da CRFB, os Municípios
atuarão prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil. No
que tange ao Estado, o pleito envolve a oferta de ensino noturno regular,
consoante o art. 208, VI; e 211, §3º, ambos da CRFB.
Em relação ao item “b”, os fundamentos de defesa dos entes políticos
abrangeriam a impossibilidade de intervenção judicial na implementação de
políticas públicas. Por envolver assuntos eminentemente técnicos, é natural
que haja a prevalência da competência administrativa, isto é, do Poder
Executivo na política pública, pois ele detém maiores conhecimentos sobre
isso. Não se está falando que o Judiciário não deva e não possa agir,
provocadamente, mas o agir deve ser feito com muita contenção.
O grande problema surge quando, a pretexto de realização maior da
Justiça e de desígnios e valores sociais mais elevados, confere-se ao
magistrado, e mesmo dele se exige, o poder de substituir a vontade política e
a expressão de justiça do legislador, concretizada na lei, pela expressão
política e a vontade de justiça do próprio juiz, ainda mais quando dificilmente
o magistrado possui conhecimentos técnicos sobre assuntos tão específicos.
Quando órgãos judiciários, contudo, passam a atender (expressa ou
veladamente), com regularidade, expectativas sociais não
selecionadas normativamente pelo direito, como são o caso de exigências
essencialmente políticas, econômicas ou morais, estar-se-á esgarçando a
diferenciação funcional do direito, que permitiu às democracias ocidentais
uma de suas mais importantes conquistas: a previsibilidade na ação do
Estado e da própria sociedade. Canotilho aduz que as Constituições elegem o
Poder Legislativo, não o Judiciário, como o concretizador privilegiado da
Constituição. Suas decisões, portanto, não podem ser – sem mais –
desconsideradas por órgãos do Poder Judiciário. E o Legislativo foi claro ao
mencionar que compete ao Executivo realizar as demarcações, sob pena de o
Judiciário tornar-se Executivo e ignorar o Legislativo, passando a ditar como
realizar as demarcações territoriais pertinentes.
Com efeito, naqueles campos em que, por sua alta complexidade
técnica e dinâmica específica, falecem parâmetros objetivos para uma
atuação segura do Poder Judiciário, a intensidade do controle deverá ser
tendencialmente menor. Nestes casos, a expertise e a experiência dos órgãos
e entidades da Administração em determinada matéria poderão ser decisivas
na definição da espessura do controle. Há também situações em que, pelas
circunstâncias específicas de sua configuração, a decisão final deve estar
preferencialmente a cargo do Poder Executivo, seja por seu lastro (direto ou
mediato) de legitimação democrática, seja em deferência à legitimação
alcançada após um procedimento amplo e efetivo de participação dos
administrados na decisão.
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Reconhece-se, portanto, que, na análise dos atos administrativos pelo
Poder Judiciário, somente sejam efetivamente controlados aqueles que
claramente violem regras ou princípios: trata-se do chamado "princípio da
deferência". O princípio da deferência impõe que só haverá sindicabilidade
diante de opções ou interpretações desprovidas de razoabilidade,
flagrantemente inconstitucionais ou ilegais. Entre várias opções ou
interpretações razoáveis, plausíveis, deverá ser respeitada a que foi adotada
pela Administração, ainda que haja outras também plausíveis.
Ademais, pelo enunciado, denota-se que há o cumprimento mínimo
da exigência constitucional para aplicação da receita municipal e estadual na
manutenção e desenvolvimento do ensino, conforme art. 212 da CRFB, de
forma que se encontra atendida a atuação prioritária no ensino fundamental
(art. 211, §§2º e 3º, da CRFB).
Por fim, há que se ter em mente a chamada cláusula da reserva do
possível. Aefetividade dos direitos fundamentais, em especial os sociais, está
condicionada às possibilidades financeiras dos cofres públicos. Como não há
recursos disponíveis para suprir todas as demandas sociais existentes, é
necessário eleger aquelas (escolhas trágicas) a serem perseguidas, tarefa a
ser realizada pelos órgãos de representação dos cidadãos, e não pelo
Judiciário, via de regra.
Pode-se desdobrar a ideia da reserva do possível em dois elementos:
um fático e outro jurídico. O fático refere-se à disponibilidade de recursos
financeiros suficientes à satisfação do direito prestacional, ou seja, ausência
de recursos públicos frente à necessidade dos serviços e bens requeridos; e o
jurídico relaciona-se à existência de autorização orçamentária, portanto
legislativa, para o Estado despender os respectivos recursos. O Estado não
pode infringir as leis orçamentárias, assim, mesmo que possua recurso
público, limita-se às rubricas destinadas a cada matéria.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
[...] Dessa forma, com fulcro no princípio da discricionariedade, a
Municipalidade tem liberdade para, com a finalidade de assegurar o
interesse público, escolher onde devem ser aplicadas as verbas
orçamentárias e em quais obras deve investir. Não cabe, assim, ao Poder
Judiciário interferir nas prioridades orçamentárias do Município e
determinar a construção de obra especificada [...].(STJ, REsp 208893/PR;
Segunda Turma, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 22.03.2004)
[...] 1. Na atualidade, o império da lei e o seu controle, a cargo do Judiciário,
autoriza que se examinem, inclusive, as razões de conveniência e
oportunidade do administrador. 2. Legitimidade do MinistérioPúblico para
exigir do Município a execução de política específica, a qual se tornou
obrigatória por meio de resolução do Conselho Municipal dos Direitos da
Criança e do Adolescente. 3. Tutela específica para que seja incluída verba
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85
no próximo orçamento, a fim de atender a propostas políticas certas e
determinadas [...] (STJ, REsp 493811/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana
Calmon, DJ 15.03.04)
[...] É que a realização dos direitos econômicos, sociais e culturais – além de
caracterizar-se pela gradualidade de seu processo de concretização –
depende, em grande medida, de um inescapável vínculo financeiro
subordinado às possibilidades orçamentárias do Estado, de tal modo que,
comprovada, objetivamente, a incapacidade econômico-financeira da
pessoa estatal, desta não se poderá razoavelmente exigir, considerada a
limitação material referida, a imediata efetivação do comando fundado no
texto da Carta Política. Não se mostrará lícito, no entanto, ao Poder Público,
em tal hipótese – mediante indevida manipulação de sua atividade
financeira e/ou político-administrativa – criar obstáculo artificial que revele
o ilegítimo, arbitrário e censurável propósito de fraudar, de frustrar e de
inviabilizar o estabelecimento e a preservação, em favor da pessoa e dos
cidadãos, de condições materiais mínimas de existência. Cumpre advertir,
desse modo, que a cláusula da “reserva do possível” – ressalvada a
ocorrência de justo motivo objetivamente aferível – não pode ser invocada,
pelo Estado, com a finalidade de exonerar-se do cumprimento de suas
obrigações constitucionais, notadamente usando, dessa conduta
governamental negativa, puder resultar nulificação ou, até mesmo,
aniquilação de direitos constitucionais impregnados de um sentido de
essencial fundamentalidade. [...] (STF, ADPF n. 45, Rel. Min. Celso de Mello,
julg. 29.04.04)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. 3. ed. rev. e
ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.
SARMENTO, Daniel. A ponderação de interesses na Constituição Federal. 1.
ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Na correção serão considerados, o acerto das respostas dadas, o grau de
conhecimento do tema demonstrado, a fluência e a coerência da exposição,
a correção gramatical e a precisão da linguagem jurídica. a.1-ação civil
pública (CRFB, art.129, III).a.2- Fundamentos gerais: - educação com direito
fundamental (CRFB, art.6º, 205 e 206, IV); - inafastabilidade jurisdicional
(CRFB, art.5º, XXXV) e possibilidade de intervenção jurisdicional na
implementação de politicas públicas, a fim de assegurar direitos
fundamentais, de aplicabilidade imediata (CRFB, art. 5º, §1º). Município –
pedido relativo ao atendimento a crianças de ate 5 anos de idade: - CRFB,
art.208, I (educação básica e obrigatória) e IV ) educação infantil); - CRFB,
art. 211,§2º (atuação prioritária na educação infantil); Estado – pedido
relativo à oferta de ensino noturno regular, CRFB, art. 208, (educação básica
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e obrigatória) e IV (ensino noturno regular), CRFB, art. 211, §3º (atuação a
prioritária no ensino médio).b- impossibilidade de intervenção jurisdicional n
implementação e politicas públicas (separação de poderes, CRFB, art.2º).
Cumprimento da exigência constitucional relativa à aplicação mínima da
receita municipal e estadual na manutenção e desenvolvimento do ensino
(CRFB, art. 212). Atuação prioritária no ensino fundamental plenamente
atendida (CRFB, art. 211, §§2º e 3º). Cláusula da reserva do possível.
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AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – TCE/MG - 2018 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Acerca do item 1, as competências constitucionais privativas do TCU
constam dos arts. 71 a 74 e 161 da CRFB: 1. apreciar as contas anuais do
presidente da República; 2. julgar as contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos; 3. apreciar a legalidade
dos atos de admissão de pessoal e de concessão de aposentadorias,
reformas e pensões civis e militares; 4. realizar inspeções e auditorias por
iniciativa própria ou por solicitação do Congresso Nacional; 5. fiscalizar as
contas nacionais das empresas supranacionais; 6. fiscalizar a aplicação de
recursos da União repassados a estados, ao Distrito Federal e a municípios;
7. prestar informações ao Congresso Nacional sobre fiscalizações realizadas;
8. aplicar sanções e determinar a correção de ilegalidades e irregularidades
em atos e contratos; 9. sustar, se não atendido, a execução de ato
impugnado, comunicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado
Federal; 10. emitir pronunciamento conclusivo, por solicitação da Comissão
Mista Permanente de Senadores e Deputados, sobre despesas realizadas sem
autorização; 11. apurar denúncias apresentadas por qualquer cidadão,
partido político, associação ou sindicato sobre irregularidades ou
ilegalidades na aplicação de recursos federais; 12. fixar os coeficientes dos
fundos de participação dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; e
13. fiscalizar a entrega dos recursos aos governos estaduais e às prefeituras
municipais.
Já no que pertine ao item 2, a fiscalização e o controle orçamentário
servem para coibir abusos do poder público no que se refere ao dinheiro
público e sua destinação. Essa fiscalização das contas públicas é competência
FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA - TRIBUNAIS DE
CONTAS
No contexto da administração pública, controle consiste em mecanismos
jurídicos e administrativos por meio dos quais se exerce o poder de
fiscalização e de revisão da atividade administrativa em todas as esferas de
poder. Os órgãos de controle são de grande importância nas relações entre
Estado e sociedade, pois garantem que as atividades estatais sejam
conduzidas de forma a atender aos direitos dos cidadãos, uma vez que o
patrimônio público (material e imaterial) pertence aos cidadãos, e não à
administração, que é mera gestora da coisa pública. Considerando que o
texto precedente tem caráter unicamente motivador, redija um texto acerca
do controle externo exercido pelos tribunais de contas. Em seu texto, 1 -
descreva as competências constitucionais privativas do Tribunal de Contas
da União; [valor: 10,00 pontos] 2 - discorra sobre as finalidades e os
objetivos da fiscalização financeira e orçamentária da União e das entidades
da administração direta e indireta. [valor: 9,00 pontos]
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88
do Congresso Nacional, mediante controle externo, com auxílio do TCU, e
pelo controle interno de cada poder, conforme o art. 70 da CRFB.
Nesse controle, que abrange os âmbitos contábil, financeiro,
orçamentário e patrimonial, devem ser observadas a legalidade, a
legitimidade e a economicidade dos atos administrativos relativos à despesa
pública da fazenda pública como um todo, nas esferas federal, estadual e
municipal. Na fiscalização financeira, verifica-se a entrada e saída de
dinheiro, ao passo que na orçamentária fiscaliza-se a correta execução do
orçamento.
Com relação à legalidade, a despesa deve estar de acordo com as
normas previstas na CRFB e na Lei de Responsabilidade Fiscal. Assim, o
agente público deve ser fiel seguidor da lei, devendo verificar todos os
requisitos legais para a realização da despesa. A legitimidade, por sua vez, é
verificada pela eficiência dos gastos no atendimento às necessidades
públicas, averiguando-se se a despesa atingiu o bem jurídico valorado pela
norma ao autorizá-la.
Por fim, a economicidade se refere à verificação do objetivo da
despesa com ona interpretação das normas oriundas
da Constituição o sentido de maior eficácia, utilizando todas as suas
potencialidades. Assim, a uma norma constitucional deve ser atribuído o
sentido que maior eficácia lhe dê. É um princípio operativo em relação a
todas e quaisquer normas constitucionais, e embora a sua origem esteja
ligada à tese da atualidade das normas programáticas, é hoje invocado no
âmbito dos direitos fundamentais (no caso de dúvidas deve preferir-se a
interpretação que reconheça maior eficácia aos direitos fundamentais).
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2013 – BANCA PRÓPRIA
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Diferencie as técnicas decisórias da interpretação conforme a Constituição e
da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fornecendo ao
menos um exemplo de aplicação de cada uma delas.
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A interpretação constitucional utiliza alguns princípios próprios e
possui peculiaridades e complexidades que lhe são inerentes. Saliente-se que
há uma ligação umbilical entre a interpretação constitucional e a
interpretação das leis, pois a jurisdição constitucional concretiza-se, em
grande parte, pela verificação da compatibilidade entre a lei ordinária e as
normas da Constituição.
Entende-se por interpretação conforme a Constituição como sendo
uma técnica que não afeta o enunciado legal, mas atinge seu significado
normativo possível, mediante declaração de constitucionalidade
condicionada à observância de uma única interpretação compatível com o
texto constitucional.
Por sua vez, entende-se por inconstitucionalidade parcial sem
redução de texto como sendo uma técnica que não afeta o enunciado legal,
mas atinge seu significado normativo possível, mediante declaração de
inconstitucionalidade restrita a um dos significados possíveis do enunciado.
No tocante aos exemplos, em relação à interpretação conforme à
Constituição, temos o notório entendimento do STF no sentido de que a
tipificação penal do aborto não abrange a seara dos fetos anencéfalos. Já
um exemplo de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto temos a
ADI 1.946, na qual o STF declarou a inconstitucionalidade parcial sem
redução de texto do art. 14 da Emenda Constitucional 20/98 (que instituiu o
teto para os benefícios previdenciários do RGPS), para excluir sua aplicação
ao benefício do salário maternidade (licença gestante), que deve ser pago
sem sujeição a teto e sem prejuízo do emprego e do salário, conforme o
art. 7º, XVIII, da CRFB.
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CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSP – 2019 – VUNESP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O controle de constitucionalidade é um dos temas mais importantes
do direito constitucional. Pode ser conceituado, basicamente, como a
possibilidade de declaração de invalidade de leis, tendo como parâmetro a
Constituição.
Sua origem remonta ao caso Marbury vs Madison, onde a Suprema
Corte Americana declarou que um conflito entre uma norma ordinária e uma
norma constitucional seria resolvido com a prevalência desta última, tendo
em vista a sua superioridade normativa. Sua importância decorre do óbvio
parâmetro que se estabelece para avaliar a validade das normas editadas no
ordenamento jurídico pátrio.
Há classicamente duas modalidades de controle: o incidental e o
concentrado. O controle incidental (ou difuso) é exercido por todos os órgãos
julgadores, sem a necessidade de deslocamento de competência caso a
questão da inconstitucionalidade da norma seja suscitada no processo. Em
geral, seu efeito é inter partes: ou seja, só é aplicável àquele caso sob exame
pelo juízo. No Brasil, o art. 97 da CRFB prevê a aplicação da chamada reserva
de Plenário: quando um órgão colegiado é chamado a analisar a validade de
uma norma, a sua inconstitucionalidade deve ser declarada por maioria
absoluta de seus membros.
Já o controle concentrado (ou principal) baseia-se na indicação de um
órgão julgador específico para a análise da constitucionalidade das leis, em
geral um órgão de cúpula. Seus efeitos, em geral, são erga omnes, se
espraiando por todo o ordenamento, a fim de conferir segurança jurídica à
aplicação das leis.
No Brasil, seu principal instrumento é a ação direta de
inconstitucionalidade, de competência do STF. Sua legitimidade é restrita às
autoridades ou instituições previstas no art. 103 da CRFB, sendo que alguns
deles, como os Governadores de Estado ou as confederações sindicais,
devem comprovar a pertinência da norma impugnada com seus interesses
institucionais (no primeiro caso, uma lei que impacte no ordenamento ou nas
Disserte sobre o tema: Controle judicial de constitucionalidade. 1. Origem.
Conceito e Importância. 2. Controle incidental ou difuso. Características.
Efeitos. Reserva de Plenário. 3. Controle concentrado ou principal.
Características. Ação Direta de Inconstitucionalidade. Legitimidade e
pertinência temática. Efeitos temporais e modulação. Obs.: No
desenvolvimento da dissertação, o candidato deverá levar em consideração
rigorosamente os itens e subitens, de acordo com a ordem proposta.
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finanças daquele Estado e, no segundo caso, uma lei que tenha sido editada
acerca do âmbito de atuação daquela entidade).
Finalmente, por a inconstitucionalidade ser um vício que afeta a
norma em seu plano de validade, ela acaba fulminando-a desde seu
nascedouro. Contudo, em alguns casos isso acaba gerando situações
injustas, uma vez que a lei foi aplicada na prática. Assim, a legislação
autoriza que o Supremo Tribunal Federal module esses efeitos, sendo
resguardada a segurança jurídica (art. 27 da Lei 9.868/99).
PROCURADOR AUTÁRQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A cláusula de reserva de plenário é um mecanismo constitucional
relativo ao controle difuso de constitucionalidade brasileiro, insculpida no
art. 97 da CRFB, a qual determina que o julgamento da inconstitucionalidade
de uma lei ou ato normativo do Poder Público, quando realizada por um
Tribunal, só será possível pelo voto da maioria absoluta dos seus membros
ou dos membros de seu órgão especial.
A 4ª Câmara do Tribunal de Justiça do Estado X violou a Cláusula da
Reserva de Plenário, pois, no exercício do controle difuso de
Considere a seguinte situação hipotética: A Assembleia Legislativa do Estado
X, visando aumentar a arrecadação do ente federativo, instituiu por lei
ordinária um novo imposto a ser pago por todos os contribuintes de forma
mensal. Mélvio, residente no Estado X, efetuou o pagamento do imposto por
3 (três) meses, mas, por duvidar da constitucionalidade da lei em questão,
ajuizou uma ação declaratória de inexistência de débito, cumulada com
repetição de valores pagos, aduzindo, dentre outros argumentos e de forma
incidental, que a nova lei estadual é inconstitucional. Distribuída a ação, o
juiz da 1a Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital do Estado X julgou
improcedentes os pedidos iniciais por entender que a norma está em plena
consonância com a Constituição Federal. Irresignado com a sentença, Mélvio
interpôs recurso de apelação que foi distribuído à 4a Câmara de Direito
Público do respectivo Tribunal de Justiça do Estado. Ao julgar o recurso, a 4a
Câmara do Tribunal de Justiça acolheu os argumentos da apelação e,
embora não tenha declarado expressamente a inconstitucionalidade da lei,
afastou a sua incidência. Considere ainda que no momento do julgamento a
matéria não havia sido analisada pelo órgão especial ou pleno do Tribunal de
Justiça, tampouco pelo Supremo Tribunal Federal. A partir do caso e das
informações apresentadas, responda ao seguinte: a) Discorra sobre a
Cláusula de Reserva de Plenário.menor custo possível, ou seja, saber se o ente ou órgão
utilizou da melhor relação custo-benefício para alcançar a finalidade
pretendida.
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-ES - 2013 - VUNESP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A prestação de contas consiste na obrigação legal de toda pessoa
física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie
ou administre dinheiros, bens ou valores públicos (art. 70, parágrafo único,
da Constituição Estadual do Estado do Espírito Santo). A prerrogativa
constitucional de analisá-las ou julgá-las é do Tribunal de Contas que, neste
caso, é o Estadual (art. 71 da Constituição do Estado do Espírito Santo).
No caso de o prefeito não prestar contas, ele pode estar sujeito ao
crime de responsabilidade, com julgamento pelo Poder Judiciário,
independentemente do pronunciamento da Câmara dos Vereadores, bem
como motivo para intervenção do Estado no Município (art. 30, II,
Constituição do Estado do Espírito Santo). Ainda, pode estar sujeito às
penalidades cabíveis referentes à improbidade administrativa.
Todo prefeito municipal tem o dever de prestar contas. Pergunta-se: a) No
que consiste tecnicamente essa prestação de contas do prefeito municipal e
quem tem a prerrogativa constitucional de analisá-las e julgá-las? b) No caso
de essas contas não serem prestadas, quais as consequências jurídicas
podem advir ao prefeito?
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PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RR - 2004 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Nos termos da Súmula nº 653 do STF, os TCEs devem ter sete
membros e, dentre eles, quatro serão indicados pela Assembleia Legislativa,
enquanto que os outros três serão indicados pelo chefe do Executivo
Estadual. Além disso, dentre os indicados pelo governador, um deverá ter
origem dentre os auditores, o segundo deverá vir do ministério público
especial perante a Corte de Contas e o terceiro indicado será de livre escolha.
Para o STF, os conselheiros de TCEs não são agentes políticos, uma
vez que exercem a função de auxiliares do Legislativo no controle da
Administração Pública. No que tange à natureza do ato de nomeação,
entende-se que é um ato administrativo de natureza complexa, pois sua
interação exige a participação do chefe do Executivo e a escolha pelo
Legislativo, dois poderes do estado, os quais, juntamente com o Judiciário,
devem atuar de modo independente e harmônico entre si.
No tocante ao atendimento dos requisitos constitucionais, a CRFB
manda aplicar aos TCEs, no que couber, as disposições acerca do Tribunal de
Contas da União. Assim, conforme o art. 73, §1º, da CRFB, os requisitos para
Suponha que, na Constituição de determinado estado da Federação, seja
estabelecido, textualmente: Art. 46. O Tribunal de Contas, integrado por 7
conselheiros, tem sede na capital, quadro próprio de pessoal e jurisdição em
todo o estado, observado o disposto no art. 235, inciso III, da Constituição da
República. § 1.º Os conselheiros do Tribunal de Contas serão nomeados
entre brasileiros que satisfaçam aos seguintes requisitos: I ter mais de 35
anos e menos de 65 anos de idade; II possuir idoneidade moral e reputação
ilibada; III apresentar notórios conhecimentos jurídicos, contábeis,
econômicos e financeiros ou de administração pública; IV ter mais de 10
anos de exercício de função ou de efetiva atividade profissional que exija os
conhecimentos mencionados no inciso anterior. § 2.º Os conselheiros do
Tribunal de Contas do estado serão escolhidos: I um terço, pelo governador
do estado, de sua livre escolha, indicados alternadamente entre os auditores
e membros do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, cujos nomes
constarão em lista tríplice, segundo o critério de antiguidade e
merecimento; II dois terços, pela Assembleia Legislativa. Com base na
situação hipotética acima apresentada e à luz da jurisprudência e da
doutrina, redija um texto dissertativo que aborde, necessariamente, os
seguintes tópicos: 1 - natureza do ato de nomeação de conselheiro do
Tribunal de Contas do estado; 2- necessidade, ou não, de comprovação do
atendimento das exigências constitucionais para nomeação de conselheiro
de Tribunal de Contas; 3- possibilidade de controle do ato de nomeação pelo
Poder Judiciário.
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nomeação de membro do TCU são: idade superior a trinta e cinco e menos de
sessenta e cinco anos de idade; idoneidade moral e reputação ilibada,
notórios conhecimentos jurídicos, contábeis, econômicos e financeiros ou de
administração pública; e mais de dez anos de exercício de função ou de
efetiva atividade profissional nas áreas anteriormente mencionadas.
Importante destacar que a qualificação profissional formal não é
requisito à nomeação de conselheiro de tribunal de contas estadual. O
requisito “notório saber” é pressuposto subjetivo a ser analisado pelo
governador do Estado, a seu juízo discricionário.
Por fim, acerca da possibilidade de controle do ato de nomeação pelo
Judiciário, o STF entende que é possível, especialmente se houver tentativa
de macular princípios constitucionais, como a legalidade e a publicidade.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Súmula 653 do STF - No Tribunal de Contas Estadual, composto por sete
conselheiros, quatro devem ser escolhidos pela Assembleia Legislativa e três
pelo chefe do Poder Executivo estadual, cabendo a este indicar um dentre
auditores e outro dentre membros do Ministério Público, e um terceiro a sua
livre escolha.
Por vislumbrar ofensa à Súmula Vinculante 13 (...) o Tribunal deu
provimento a agravo regimental interposto contra decisão que indeferira
pedido de liminar em reclamação ajuizada contra decisão de 1º grau que, no
bojo de ação popular movida pelo reclamante, mantivera a posse do irmão
do Governador do Estado do Paraná no cargo de Conselheiro do Tribunal de
Contas local, para o qual fora por este nomeado. (...) Destacou-se que tal ato
fora publicado em jornal no Diário da Assembleia somente em 9.7.2008, e
que, no mesmo dia, em Sessão Especial Plenária, os Deputados Estaduais
integrantes da Assembleia Legislativa elegeram o irmão do Governador para
ocupar o cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas (...) Entendeu-se que
estariam presentes os requisitos autorizadores da concessão da liminar.
Considerou-se que a natureza do cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas
não se enquadraria no conceito de agente político, uma vez que exerce a
função de auxiliar do Legislativo no controle da Administração Pública, e que
o processo de nomeação do irmão do Governador, ao menos numa análise
perfunctória dos autos, sugeriria a ocorrência de vícios que maculariam a
sua escolha por parte da Assembleia Legislativa do Estado. Registrou-se o
açodamento, no mínimo suspeito, dos atos levado a cabo na referida Casa
Legislativa para ultimar o processo seletivo, o que indicaria, quando mais
não seja, a tentativa de burlar os princípios da publicidade e impessoalidade
que, dentre outros, regem a Administração Pública em nossa sistemática
constitucional. Observou-se que a aprovação do irmão do Governador para
o cargo dera-se inclusive antes de escoado integralmente o prazo aberto
para a inscrição de candidatos ao mesmo, cuja vacância, ao menos do ponto
de vista formal, ocorrera apenas em 10.7.2009. Afirmou-se, também, ser de
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duvidosa constitucionalidade, em face do princípio da simetria, a escolha de
membros do Tribunal de Contas pela Assembleia Legislativa por votação
aberta, tendo em conta o disposto no art. 52, III, b, da CF. Concluiu-se que,
além desses fatos, a nomeação do irmão, pelo Governador, para ocupar o
cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas, agente incumbido pela
Constituição de fiscalizaras contas do nomeante, estaria a sugerir, em
princípio, desrespeito aos mais elementares postulados republicanos. Por
conseguinte, deferiu-se, por unanimidade, a liminar, para sustar os efeitos
da nomeação sob exame até o julgamento da mencionada ação popular.(...)
Rcl 6702 AgR-MC/PR, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 4.3.2009. (Rcl-6702)
O preceito veiculado pelo art. 73 da CB aplica-se, no que couber, à
organização, composição e fiscalização dos tribunais de contas dos Estados e
do Distrito Federal, bem como dos tribunais e conselhos de contas dos
Municípios. Imposição do modelo federal nos termos do art. 75. A inércia da
Assembleia Legislativa cearense relativamente à criação de cargos e
carreiras do Ministério Público Especial e de auditores que devam atuar
junto ao tribunal de contas estadual consubstancia omissão inconstitucional.
[ADI 3.276, rel. min. Eros Grau, j. 2-6-2005, P, DJ de 1º-2-2008.] = ADI 374,
rel. min. Dias Toffoli, j. 22-3-2012, P, DJE de 21-8-2014
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/TO – 2008 – CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A relação entre o Tribunal de Contas e o Poder Legislativo diz respeito,
essencialmente, ao controle externo que, nos termos do art. 71 da CRFB, é exercido
O TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO COMO ÓRGÃO NÃO INTEGRANTE DO
CONGRESSO NACIONAL 2.1. Feita a ressalva, começo por dizer que o Tribunal de
Contas da União não é órgão do Congresso Nacional, não é órgão do Poder
Legislativo. Quem assim me autoriza a falar é a Constituição Federal, com todas as
letras do seu art. 44, litteris: "O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso
Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal" (negrito
à parte). Logo, o parlamento brasileiro não se compõe do Tribunal de Contas da
União. Da sua estrutura orgânica ou formal deixa de fazer parte a Corte Federal de
Contas e o mesmo é de se dizer para a dualidade Poder Legislativo/Tribunal de
Contas, no âmbito das demais pessoas estatais de base territorial e natureza
federada. Carlos Ayres Britto. O regime constitucional dos tribunais de contas. In:
Diálogo Jurídico. Salvador, CAJ - Centro de Atualização Jurídica, v. I, n.º 9, dez./
2001. Internet: (com adaptações). Tendo como
referência o texto acima, faça o que se pede a seguir: 1- aponte a(s) atribuição(ões)
do Tribunal de Contas da União (TCU) que não denota(m) subordinação alguma ou
auxílio ao Congresso Nacional; 2- aponte a(s) atribuição(ões) do TCU que denota(m)
auxílio ao Poder Legislativo.
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pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Os
Tribunais de Contas são órgãos colegiados técnicos, auxiliares dos Poderes
Legislativos, imbuídos da missão de controle externo, compreendendo a fiscalização
e controle do orçamento.
O fato de o Tribunal de Contas da União auxiliar o Congresso Nacional no
exercício do controle externo não significa, porém, que ele seja hierarquicamente
subordinado ao Legislativo. Segundo a melhor doutrina, o Tribunal de Contas da
União atua ao lado do Congresso, junto dele, mas não dentro ou abaixo. Tal
raciocínio é aplicado a todas as Cortes de Contas. Desse modo, deve-se reconhecer
que o Tribunal de Contas não está subordinado ao Legislativo e nem integra a sua
estrutura, muito embora auxilie esse Poder quanto ao controle externo.
Decerto, o Tribunal de Contas é órgão da pessoa jurídica federativa que
integra e tem autonomia administrativa e financeira, sem subordinação a qualquer
dos Poderes. A Corte de Contas tem competências próprias fixadas na CRFB e na
legislação específica. Assim, como órgão independente, o Tribunal de Contas auxilia
os três poderes, mantendo com eles cooperação funcional, além de auxiliar a
comunidade e os órgãos de participação política.
Dentre as competências do TCU que não denotam auxílio ao Congresso
Nacional, temos: a atribuição para elaborar o seu próprio regimento interno; a
atribuição para eleger seus órgãos diretivos; e a iniciativa de projetos de lei sobre a
sua organização. Essas prerrogativas são próprias de Tribunais e são conferidas pela
CRFB (art. 73) ao TCU, que remete ao art. 96 do texto constitucional. Também há a
competência do Tribunal de Contas para realizar auditorias e inspeções a pedido
dos outros poderes, o que comprova a ausência de subordinação ao Legislativo,
além do fato de não ser um mero auxiliar de tal poder.
Por outro lado, denotam auxílio ao Poder Legislativo as competências do
TCU elencadas no art. 71 da CRFB ligadas ao controle externo, que é de titularidade
do Congresso Nacional e exercido com o auxílio do próprio TCU. Dentre essas
competências, temos: apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da
República (inciso I); o julgamento das contas dos administradores e demais
responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos da administração direta e
indireta (inciso II); a fiscalização da aplicação de quaisquer recursos repassados pela
União mediante convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a
Estado, ao Distrito Federal ou a Município (inciso VI); e a representação ao Poder
competente sobre irregularidades ou abusos apurados (inciso XI).
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“Em decorrência da amplitude das competências fiscalizadoras da Corte de Contas,
tem-se que não é a natureza do ente envolvido na relação que permite, ou não, a
incidência da fiscalização da Corte de Contas, mas sim a origem dos recursos
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envolvidos, conforme dispõe o art. 71, II, da Constituição Federal. [MS 24.379, rel.
min. Dias Toffoli, j. 7-4-2015, 1ª T, DJE de 8-6-2015.]
“A competência do Tribunal de Contas da União para julgar contas abrange todos
quantos derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano
ao erário, devendo ser aplicadas aos responsáveis, em caso de ilegalidade de
despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, lei que
estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado aos
cofres públicos (art. 71, II, da CB/1988 e art. 5º, II e VIII, da Lei 8.443/1992). A
tomada de contas especial não consubstancia procedimento administrativo
disciplinar. Tem por escopo a defesa da coisa pública, buscando o ressarcimento do
dano causado ao erário. Precedente (MS 24.961, rel. min.Carlos Velloso, DJ de 4-3-
2005). [MS 25.880, rel. min. Eros Grau, j. 7-2-2007, P, DJ de 16-3-2007.]
“As cortes de contas seguem o exemplo dos tribunais judiciários no que concerne
às garantias de independência, sendo também detentoras de autonomia funcional,
administrativa e financeira, das quais decorre, essencialmente, a iniciativa
reservada para instaurar processo legislativo que pretenda alterar sua organização
e funcionamento, conforme interpretação sistemática dos arts. 73, 75 e 96, II, d, da
Constituição Federal. [ADI 4.418, rel. min. Dias Toffoli, j. 15-12-2016, P, DJE de 3-3-
2017.] Vide ADI 1.994, rel. min. Eros Grau, j. 24-5-2006, P, DJ de 8-9-2006.
TRIBUNAL DE CONTAS - TCU - 2008 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A relação entre o Tribunal de Contas e o Poder Legislativo diz respeito,
essencialmente, ao controle externo que, nos termos do art. 71 da CRFB, é exercido
pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Os
Tribunais de Contas são órgãos colegiados técnicos, auxiliares dos Poderes
Legislativos, imbuídos da missão de controle externo, compreendendo a fiscalização
e controle do orçamento.
O fato de o Tribunal de Contas da União auxiliar o Congresso Nacional no
exercício do controle externo não significa, porém, que ele seja hierarquicamente
subordinado ao Legislativo. Segundoa melhor doutrina, o Tribunal de Contas da
União atua ao lado do Congresso, junto dele, mas não dentro ou abaixo. Tal
raciocínio é aplicado a todas as Cortes de Contas. Desse modo, deve-se reconhecer
Discorra, de forma fundamentada e de acordo com a Constituição Federal
brasileira, sobre os seguintes aspectos: A) natureza jurídica do TCU; B) relação entre
o TCU e o Poder Legislativo; C) eventual vinculação hierárquica da Corte de Contas
com o Congresso Nacional.
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que o Tribunal de Contas não está subordinado ao Legislativo e nem integra a sua
estrutura, muito embora auxilie esse Poder quanto ao controle externo.
Decerto, o Tribunal de Contas é órgão da pessoa jurídica federativa que
integra e tem autonomia administrativa e financeira, sem subordinação a qualquer
dos Poderes. A Corte de Contas tem competências próprias fixadas na CRFB e na
legislação específica. Assim, como órgão independente, o Tribunal de Contas auxilia
os três poderes, mantendo com eles cooperação funcional, além de auxiliar a
comunidade e os órgãos de participação política.
Dentre as competências do TCU, temos aquelas que não denotam auxílio ao
Congresso Nacional, tais como: a atribuição para elaborar o seu próprio regimento
interno; a atribuição para eleger seus órgãos diretivos; e a iniciativa de projetos de
lei sobre a sua organização. Essas prerrogativas são próprias de Tribunais e são
conferidas pela CRFB (art. 73) ao TCU, que remete ao art. 96 do texto constitucional.
Também há a competência do Tribunal de Contas para realizar auditorias e
inspeções a pedido dos outros poderes, o que comprova a ausência de subordinação
ao Legislativo, além do fato de não ser um mero auxiliar de tal poder.
Por fim, é de se ressaltar que o Tribunal de Contas não possui personalidade
jurídica, mas apenas capacidade processual ou postulatória quando se mostrar
necessário defender suas prerrogativas institucionais, conforme entendimento
jurisprudencial.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“Em decorrência da amplitude das competências fiscalizadoras da Corte de Contas,
tem-se que não é a natureza do ente envolvido na relação que permite, ou não, a
incidência da fiscalização da Corte de Contas, mas sim a origem dos recursos
envolvidos, conforme dispõe o art. 71, II, da Constituição Federal. [MS 24.379, rel.
min. Dias Toffoli, j. 7-4-2015, 1ª T, DJE de 8-6-2015.]
“A competência do Tribunal de Contas da União para julgar contas abrange todos
quantos derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte dano
ao erário, devendo ser aplicadas aos responsáveis, em caso de ilegalidade de
despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, lei que
estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado aos
cofres públicos (art. 71, II, da CB/1988 e art. 5º, II e VIII, da Lei 8.443/1992). A
tomada de contas especial não consubstancia procedimento administrativo
disciplinar. Tem por escopo a defesa da coisa pública, buscando o ressarcimento do
dano causado ao erário. Precedente (MS 24.961, rel. min.Carlos Velloso, DJ de 4-3-
2005). [MS 25.880, rel. min. Eros Grau, j. 7-2-2007, P, DJ de 16-3-2007.]
“As cortes de contas seguem o exemplo dos tribunais judiciários no que concerne
às garantias de independência, sendo também detentoras de autonomia funcional,
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administrativa e financeira, das quais decorre, essencialmente, a iniciativa
reservada para instaurar processo legislativo que pretenda alterar sua organização
e funcionamento, conforme interpretação sistemática dos arts. 73, 75 e 96, II, d, da
Constituição Federal. [ADI 4.418, rel. min. Dias Toffoli, j. 15-12-2016, P, DJE de 3-3-
2017.] Vide ADI 1.994, rel. min. Eros Grau, j. 24-5-2006, P, DJ de 8-9-2006.
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/SP - 2011 - FCC
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em termos históricos, remete-se a Montesquieu o aprofundamento dos
estudos acerca da separação dos poderes como uma doutrina política, de forma a
especificar cada função (administrativa, legislativa e judiciária). Elas, para o bom
funcionamento estatal, deveriam ser praticadas de maneira separada e por órgãos
distintos, tendo em vista a necessidade de controles entre os poderes. Aponta-se
que, em realidade, o poder é uno, havendo a divisão das funções.
Atualmente, entende-se que os poderes, além de exercerem as funções
típicas, também praticam funções atípicas. No que tange ao Legislativo, ele detém o
poder de inovar na ordem jurídica mediante diversos instrumentos jurídicos, com
maior ou menor participação do Executivo, e também do Judiciário. Dentre outras
funções típicas, há a de fiscalização e controle.
No desempenho da sua função fiscalizador, o Legislativo pode desejar
acompanhar de perto o que acontece no governo do país. Na esfera federal, por
exemplo, a Câmara dos Deputados, o Senado e qualquer das Comissões dessas
Casas podem convocar Ministros da República ou titulares de órgãos diretamente
subordinados à Presidência da República para que prestem, pessoalmente,
informações sobre assunto previamente estabelecido, podendo, se o Legislativo
preferir, deles requerer informações por escrito.
Disserte sobre a função de fiscalização exercida pelos órgãos legislativos
conjuntamente com os Tribunais de Contas, abordando os aspectos a seguir
apontados e destacando, sempre que cabível, a estruturação para tanto existente
no âmbito do Estado de São Paulo e o papel do Ministério Público junto ao Tribunal
de Contas do Estado nesse contexto: a. a inserção da função no sistema
constitucional de separação de poderes; b. formas de fiscalização e critérios
adotados para exercício do controle daí decorrente; c. objetos e sujeitos que se
submetem ao controle; d. a aplicação de sanções pelos órgãos legislativos e
Tribunais de Contas. Para elaboração da dissertação, considere a disciplina da
matéria na Constituição da República, Constituição do Estado, legislação de
regência das atividades da Assembléia Legislativa e do TCE-SP, bem como na lei de
instituição do Ministério Público junto ao TCE-SP.
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A relação entre o Tribunal de Contas e o Poder Legislativo diz
respeito, essencialmente, ao controle externo que, nos termos do art. 71 da CRFB, é
exercido pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Os
Tribunais de Contas são órgãos colegiados técnicos, auxiliares dos Poderes
Legislativos, imbuídos da missão de controle externo, compreendendo a fiscalização
e controle do orçamento.
O fato de o Tribunal de Contas auxilia o Legislativo no exercício do controle
externo não significa, porém, que ele seja hierarquicamente subordinado ao
Legislativo. Segundo a melhor doutrina, o Tribunal de Contas atua ao lado do
Legislativo, junto dele, mas não dentro ou abaixo. Desse modo, deve-se reconhecer
que o Tribunal de Contas não está subordinado ao Legislativo e nem integra a sua
estrutura, muito embora auxilie esse Poder quanto ao controle externo.
Decerto, o Tribunal de Contas é órgão da pessoa jurídica federativa que
integra e tem autonomia administrativa e financeira, sem subordinação a qualquer
dos Poderes. A Corte de Contas tem competências próprias fixadas na CRFB e na
legislação específica. Assim, como órgão independente, o Tribunal de Contas auxilia
os três poderes, mantendo com eles cooperação funcional, além de auxiliar a
comunidade e os órgãos de participação política.
A competência do Tribunal de Contas da União, abrangendo os TCEs, para
julgar contas abrange todos quantos derem causa a perda, extravio ou outra
irregularidade de que resultedano ao erário, devendo ser aplicadas aos
responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as
sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa
proporcional ao dano causado aos cofres públicos (art. 71, II, da CRFB, art. 5º, II e
VIII, da Lei nº 8.443/92, arts. 32 e 33 da Constituição de São Paulo e arts. 1º e 25 da
Lei Complementar Estadual nº 709/93).
Conforme determina o art. 71, VIII da CRFB, compete ao Tribunal de Contas
aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de
contas, as sanções previstas em lei. Na esfera estadual, o art. 32, IX, da Constituição
de São Paulo repete essa disposição.
No âmbito do TCU, a Lei nº 8.443/92 (Lei Orgânica do TCU) conferiu amplos
poderes no exercício da fiscalização e, no aspecto sancionador, autorizou a (i)
aplicar penalidades, desde multa e obrigação de devolução do débito apurado, até
a medida cautelar de afastamento temporário do cargo (art. 44) e a
indisponibilidade de bens do responsável (art. 44, §2°), bem como a (ii) solicitar ao
órgão competente o arresto dos bens de responsáveis julgados em débito (art. 61),
além da inabilitação para o exercício de cargo em comissão ou função de confiança
na administração pública (art. 60), dentre outras atribuições.
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No que tange ao TCE/SP, a Lei Complementar Estadual nº 709/93 (Lei
Orgânica do TCE) conferiu amplos poderes no exercício da fiscalização e, no aspecto
sancionador, autorizou a (i) aplicar penalidades: multa e obrigação de devolução do
débito apurado (arts. 102 e 103), solicitar ao órgão competente o arresto dos bens
de responsáveis julgados em débito (art. 107), inabilitação para o exercício de cargo
em comissão ou função de confiança na administração pública (art. 108) e medida
cautelar de afastamento temporário do cargo (art. 109) e a indisponibilidade de
bens do responsável (art. 109, §2°).
Por fim, acerca do Ministério Público Especial junto ao Tribunal de Contas, o
STF entende que os Procuradores das Cortes de Contas são ligados
administrativamente a elas, sem qualquer vínculo com o Ministério Público comum,
e não se submetem ao controle do CNMP. Frise-se que o art. 130 da CRFB dispõe
sobre o um Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, aplicando-se as mesmas
garantias, vedações e forma de investidura dos Ministérios Públicos “comuns”. O
Ministério Público Especial, como dito, não faz parte da estrutura do Ministério
Público da União e nem dos Estados, já que é instituído por lei de iniciativa do
respectivo Tribunal de Contas.
As incumbências ficam adstritas ao disposto no art. 71 da CRFB e, no caso
do Ministério Público Especial junto ao TCE/SP, ao disposto no art. 33 da
Constituição de São Paulo. Isso decorre por conta do art. 75 da CRFB, ou seja, os
Tribunais de Contas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios devem
observar as normas que regem a organização, composição e fiscalização do TCU
naquilo que for aplicável.
Nota-se que devem existir membros do Ministério Público Especial
organizados em carreira, para que atuem junto às Cortes de Contas Estaduais e
Municipais, sendo vedado, segundo o STF, o uso de membros da Advocacia Pública
ou do Ministério Público “comum” para o exercício dessas funções.
No caso do TCE/SP, a Lei Complementar Estadual nº 1.110/10 criou o
Ministério Público Especial. Verifica-se a previsão desse parquet especial no art. 5º
da Lei Orgânica do TCE/SP. Ademais, nos termos da Lei Complementar Estadual nº
1.110/10, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Estado é constituído
pelo cargo em provimento isolado de Procurador, privativo de brasileiro, bacharel
em Direito e com pelo menos cinco anos de efetivo exercício em atividade
profissional que exija aquela graduação.
Além disso, a investidura no cargo de Procurador depende
de aprovação em concurso público de provas e títulos organizado pelo Tribunal de
Contas do Estado de São Paulo, assegurada a participação da Ordem dos
Advogados do Brasil – Seção de São Paulo e observada, nas nomeações, a ordem de
classificação.
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JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
““egundo precedente do “TF (ADI 789/DF), os Procuradores das Cortes de Contas
são ligados administrativamente a elas, sem qualquer vínculo com o Ministério
Público comum. Além de violar os arts. 73, § 2º, I, e 130, da CF, a conversão
automática dos cargos de Procurador do Tribunal de Contas dos Municípios para os
de Procurador de Justiça – cuja investidura depende de prévia aprovação em
concurso público de provas e títulos – ofende também o art. 37, II, do texto magno.
[ADI 3.315, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 6-3-2008, P, DJE de 11-4-2008.]
“A cláusula de garantia inscrita no art. 130 da Constituição – que não outorgou ao
MP especial as mesmas prerrogativas e atributos de autonomia conferidos ao MP
comum – não se reveste de conteúdo orgânico-institucional. Acha-se vocacionada,
no âmbito de sua destinação tutelar, a proteger, unicamente, os membros do MP
especial no relevante desempenho de suas funções perante os tribunais de contas.
Esse preceito da Lei Fundamental da República – que se projeta em uma dimensão
de caráter estritamente subjetivo e pessoal – submete os integrantes do MP
especial junto aos tribunais de contas ao mesmo estatuto jurídico que rege, em
tema de direitos, vedações e forma de investidura no cargo, os membros do MP
comum. O MP especial junto aos tribunais de contas estaduais não dispõe de
fisionomia institucional própria e, não obstante as expressivas garantias de ordem
subjetiva concedidas aos seus procuradores pela própria CR (art. 130), encontra-se
consolidado na "intimidade estrutural" dessas Cortes de Contas (RTJ 176/540-541),
que se acham investidas – até mesmo em função do poder de autogoverno que
lhes confere a Carta Política (CF, art. 75) – da prerrogativa de fazer instaurar,
quanto ao MP especial, o processo legislativo concernente à sua organização. [ADI
2.378, rel. min. Maurício Corrêa, j. 19-5-2004, P, DJ de 6-9-2007.]”
AUDITOR - CONTROLADORIA GERAL DO ESTADO DO MATO GROSSO - 2015 - FMP
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A relação entre o Tribunal de Contas e o Poder Legislativo diz respeito,
essencialmente, ao controle externo que, nos termos do art. 71 da CRFB, é exercido
pelo Congresso Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Os
Tribunais de Contas são órgãos colegiados técnicos, auxiliares dos Poderes
Legislativos, imbuídos da missão de controle externo, compreendendo a fiscalização
e controle do orçamento.
Ao tratar do controle externo, a cargo do Congresso Nacional, a Constituição da
República Federativa do Brasil , no artigo 71, afirma que ele é exercido com o
“auxílio” do Tribunal de Contas da União. Isso significa subordinação hierárquica do
TCU ao Congresso Nacional?
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O fato de o Tribunal de Contas da União auxiliar o Congresso Nacional no
exercício do controle externo não significa, porém, que ele seja hierarquicamente
subordinado ao Legislativo. Segundo a melhor doutrina, o Tribunal de Contas da
União atua ao lado do Congresso, junto dele, mas não dentro ou abaixo. Tal
raciocínio é aplicado a todas as Cortes de Contas. Desse modo, deve-se reconhecer
que o Tribunal de Contas não está subordinado ao Legislativo e nem integra a sua
estrutura, muito embora auxilie esse Poder quanto ao controle externo.
Decerto, o Tribunal de Contas é órgão da pessoa jurídica federativa que
integra e tem autonomia administrativa e financeira, sem subordinação aqualquer
dos Poderes. A Corte de Contas tem competências próprias fixadas na CRFB e na
legislação específica. Assim, como órgão independente, o Tribunal de Contas auxilia
os três poderes, mantendo com eles cooperação funcional, além de auxiliar a
comunidade e os órgãos de participação política.
Dentre as competências do TCU, temos aquelas que não denotam auxílio ao
Congresso Nacional, tais como: a atribuição para elaborar o seu próprio regimento
interno; a atribuição para eleger seus órgãos diretivos; e a iniciativa de projetos de
lei sobre a sua organização. Essas prerrogativas são próprias de Tribunais e são
conferidas pela CRFB (art. 73) ao TCU, que remete ao art. 96 do texto constitucional.
Também há a competência do Tribunal de Contas para realizar auditorias e
inspeções a pedido dos outros poderes, o que comprova a ausência de subordinação
ao Legislativo, além do fato de não ser um mero auxiliar de tal poder.
Por fim, é de se ressaltar que o Tribunal de Contas não possui personalidade
jurídica, mas apenas capacidade processual ou postulatória quando se mostrar
necessário defender suas prerrogativas institucionais, conforme entendimento
jurisprudencial.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A resposta deve ser negativa, levando em conta a autonomia ou independência do
Tribunal de Contas da União, bem como a existência de competências próprias,
estabelecidas na própria constituição. É necessário mencionar que o termo auxílio
não significa subordinação, o que está consolidado na jurisprudência dos tribunais
brasileiros. É necessário mencionar que o Tribunal de Contas tem competências que
lhe são próprias, decorrentes diretamente da Constituição e da legislação. É
necessário mencionar que a Constituição, em especial no art. 73, que remete ao art.
96, dá ao Tribunal de Contas prerrogativas próprias de Tribunais, como a
relacionadas a sua iniciativa de projetos de lei, organização administrativa própria,
elaboração de regimento interno, entre outras, denotando a sua autonomia. A
forma da resposta e o uso correto da língua portuguesa serão considerados. Abaixo
a tabela referência para a resposta, que, como dito nos esclarecimentos
preliminares, “levará em consideração os critérios de pontuação estabelecidos nas
tabelas de pontuação, mas com a diferenciação decorrente da demonstração do
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100
conhecimento técnico e da capacidade de expressão, de argumentação e de
convencimento em relação ao tema proposto. Ainda que atendendo à totalidade
dos itens das tabelas, haverá importantes descontos proporcionais em relação aos
erros cometidos e às imprecisões técnicas nas respostas dadas, ainda que o tema
enfrentado não seja diretamente ligado à questão, pois as afirmações
complementares, ditas erradamente, podem comprometer a resposta proporcional
ou integralmente, tendo em conta o conhecimento esperado do candidato
relativamente aos itens constantes no Edital.” Pontuação aproximada - Critério
considerado da resposta - Resposta negativa, com menção à autonomia ou
independência do Tribunal de Contas - Consideração de que o “auxílio” não significa
subordinação - Menção de que o Tribunal de Contas tem competências próprias,
estabelecidas na própria Constituição e na legislação - Menção de que o art. 73 da
Constituição, que remete ao art. 96, dá aos Tribunais de Contas atribuições de
autonomia dos Tribunais, como as relacionadas a iniciativa de projetos de lei,
regimento interno próprio e organização administrativa própria Uso correto e culto
da língua portuguesa e questões formais da resposta.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“As cortes de contas seguem o exemplo dos tribunais judiciários no que concerne
às garantias de independência, sendo também detentoras de autonomia funcional,
administrativa e financeira, das quais decorre, essencialmente, a iniciativa
reservada para instaurar processo legislativo que pretenda alterar sua organização
e funcionamento, conforme interpretação sistemática dos arts. 73, 75 e 96, II, d, da
Constituição Federal. [ADI 4.418, rel. min. Dias Toffoli, j. 15-12-2016, P, DJE de 3-3-
2017.] Vide ADI 1.994, rel. min. Eros Grau, j. 24-5-2006, P, DJ de 8-9-2006.
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/MS - 2013 – BANCA PRÓPRIA
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Conforme determina o art. 71 da CRFB, o controle externo é feito pelo Poder
Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas. Em que pese auxiliar o Legislativo, o
Tribunal de Contas não é submisso a esse Poder. O Tribunal de Contas, portanto, é
órgão independente, detendo competências próprias, atuando paralelamente aos
três poderes, auxiliando-os e promovendo a cooperação funcional.
Discorra sobre o controle externo realizado pelos Tribunais de Contas, abordando,
necessariamente a seguinte indagação: Os Tribunais de Contas possuem
legitimidade para requisitar diretamente informações que importem quebra de
sigilo bancário?
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101
Há divergências sobre se eles poderiam, no exercício da fiscalização,
requisitar aos bancos informações sigilosas que sejam importantes para a avaliação
da regularidade das contas.
Parte da doutrina entende ser possível que as Cortes de Contas requisitem
informações sigilosas, pois seria um poder inerente às atribuições de fiscalização
previstas no art. 71 da CRFB. Outra parte da doutrina, porém, entende não ser
possível a requisição por não haver na CRFB permissão para tanto. Para esses
doutrinadores, apenas o Poder Judiciário detém autoridade para quebra do sigilo,
diante de instauração de procedimento administrativo ou judicial, ou, em situações
pontuais, o Poder Legislativo.
Na jurisprudência, o tema também tem sido historicamente controvertido,
com recente mudança de entendimento. Em 2012, o STF reafirmou o entendimento
no sentido de que o TCU não detém legitimidade para requisitar diretamente
informações que importem quebra de sigilo bancário. O fundamento foi o fato de o
TCU não estar incluído no rol dos que poderiam ordenar a quebra de sigilo bancário.
O legislador, ao editar a Lei Complementar nº 105/01, conferiu esse poder
de quebra ao Poder Judiciário (art. 3º), ao Poder Legislativo Federal (art. 4º), bem
como às comissões parlamentares de inquérito, após prévia aprovação do pedido
pelo Plenário da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do plenário de suas
respectivas Comissões Parlamentares de Inquérito (art. 4º, §1º e §2º). Além disso,
por implicar restrição ao direito fundamental à intimidade e à vida privada (art. 5º,
X, da CRFB), os referidos dispositivos deveriam ser interpretados restritivamente.
A jurisprudência, porém, evoluiu para mitigar o supracitado entendimento
em situações que envolvem a necessidade de transparência quanto ao destino dos
recursos públicos. Nesse sentido, em 2015 o STF decidiu que diante do interesse da
sociedade de conhecer o destino dos recursos públicos, o sigilo de informações
necessárias à preservação da intimidade é relativizado.
Assim, operações financeiras que envolvam recursos públicos não estão
abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a Lei Complementar nº 105/01, visto
que as operações dessa espécie estão submetidas aos princípios insculpidos no art.
37 da CRFB. Em tais situações, é prerrogativa constitucional do TCU o acesso a
informações relacionadas a operações financiadas com recursos públicos.
O entendimento atual do STF, portanto, é o de que, em regra, o TCU não
detém legitimidade para requisitar diretamente informações que importem quebra
de sigilo bancário. No entanto, quando se tratar de operações fundadas em recursos
de origem pública, não se poderá opor o sigilo bancário e empresarial ao TCU.
Ressalte-se que tal inoponibilidadeaplica-se ainda que recursos de origem pública
em questão provenham de pessoas jurídicas de direito privado, como os bancos em
que o Estado é parte (Banco do Brasil, BNDES, dentre outros).
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JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“(...) 3. O sigilo de informações necessárias para a preservação da intimidade é
relativizado quando se está diante do interesse da sociedade de se conhecer o
destino dos recursos públicos. 4. Operações financeiras que envolvam recursos
públicos não estão abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a Lei Complementar
nº 105/2001, visto que as operações dessa espécie estão submetidas aos princípios
da administração pública insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Em tais
situações, é prerrogativa constitucional do Tribunal [TCU] o acesso a informações
relacionadas a operações financiadas com recursos públicos. 5. O segredo como
“alma do negócio” consubstancia a máxima cotidiana inaplicável em casos análogos
ao sub judice, tanto mais que, quem contrata com o poder público não pode ter
segredos, especialmente se a revelação for necessária para o controle da
legitimidade do emprego dos recursos públicos. É que a contratação pública não
pode ser feita em esconderijos envernizados por um arcabouço jurídico capaz de
impedir o controle social quanto ao emprego das verbas públicas. 6. “O dever
administrativo de manter plena transparência em seus comportamentos impõe não
haver em um Estado Democrático de Direito, no qual o poder reside no povo (art.
1º, parágrafo único, da Constituição), ocultamento aos administrados dos assuntos
que a todos interessam, e muito menos em relação aos sujeitos individualmente
afetados por alguma medida.” (MELLO, Celso ántônio Bandeira de. Curso de Direito
Administrativo. 27ª edição. São Paulo: Malheiros, 2010, p. 114). 7. O Tribunal de
Contas da União não está autorizado a, manu militari, decretar a quebra de sigilo
bancário e empresarial de terceiros, medida cautelar condicionada à prévia
anuência do Poder Judiciário, ou, em situações pontuais, do Poder Legislativo.
Precedente: MS 22.801, Tribunal Pleno, Rel. Min. Menezes Direito, DJe 14.3.2008.
8. In casu, contudo, o TCU deve ter livre acesso às operações financeiras realizadas
pelas impetrantes, entidades de direito privado da Administração Indireta
submetidas ao seu controle financeiro, mormente porquanto operacionalizadas
mediante o emprego de recursos de origem pública. Inoponibilidade de sigilo
bancário e empresarial ao TCU quando se está diante de operações fundadas em
recursos de origem pública. Conclusão decorrente do dever de atuação
transparente dos administradores públicos em um Estado Democrático de Direito.
(...). 10. O princípio da conformidade funcional a que se refere Canotilho, também,
reforça a conclusão de que os órgãos criados pela Constituição da República, tal
como o TCU, devem se manter no quadro normativo de suas competências, sem
que tenham autonomia para abrir mão daquilo que o constituinte lhe entregou em
termos de competências.(CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional
e Teoria da Constituição. 5ª edição. Coimbra: Almedina, 2002, p. 541.) 11. A
Proteção Deficiente de vedação implícita permite assentar que se a publicidade não
pode ir tão longe, de forma a esvaziar, desproporcionalmente, o direito
fundamental à privacidade e ao sigilo bancário e empresarial; não menos
verdadeiro é que a insuficiente limitação ao direito à privacidade revelar-se-ia, por
outro ângulo, desproporcional, porquanto lesiva aos interesses da sociedade de
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exigir do Estado brasileiro uma atuação transparente. (...) 13. Consequentemente a
recusa do fornecimento das informações restou inadmissível, porquanto
imprescindíveis para o controle da sociedade quanto à destinação de vultosos
recursos públicos. O que revela que o determinado pelo TCU não extrapola a
medida do razoável. (...) 15. A limitação ao direito fundamental à privacidade que,
por se revelar proporcional, é compatível com a teoria das restrições das restrições
(Schranken-Schranken). O direito ao sigilo bancário e empresarial, mercê de seu
caráter fundamental, comporta uma proporcional limitação destinada a permitir o
controle financeiro da Administração Publica por órgão constitucionalmente
previsto e dotado de capacidade institucional para tanto. 16. É cediço na
jurisprudência do E. “TF que: “áDMINI“T‘áÇÃO PÚBLICá – PUBLICIDADE. A
transparência decorre do princípio da publicidade. TRIBUNAL DE CONTAS –
FISCALIZAÇÃO – DOCUMENTOS. Descabe negar ao Tribunal de Contas o acesso a
documentos relativos à Administração Pública e ações implementadas, não
prevalecendo a óptica de tratar-se de matérias relevantes cuja divulgação possa
importar em danos para o Estado. Inconstitucionalidade de preceito da Lei Orgânica
do Tribunal de Contas do Estado do Ceará que implica óbice ao acesso.” (áDI 2.361,
Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe 23/10/2014).(...) (MS 33340,
Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 26/05/2015, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-151 DIVULG 31-07-2015 PUBLIC 03-08-2015)
PROCURADOR DO BANCO CENTRAL - 2009 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Conforme determina o art. 71 da CRFB, o controle externo é feito pelo Poder
Legislativo com o auxílio do Tribunal de Contas. Em que pese auxiliar o Legislativo, o
Tribunal de Contas não é submisso a esse Poder. O Tribunal de Contas, portanto, é
órgão independente, detendo competências próprias, atuando paralelamente aos
três poderes, auxiliando-os e promovendo a cooperação funcional.
Há divergências sobre se eles poderiam, no exercício da fiscalização,
requisitar aos bancos informações sigilosas que sejam importantes para a avaliação
da regularidade das contas.
Parte da doutrina entende ser possível que as Cortes de Contas requisitem
informações sigilosas, pois seria um poder inerente às atribuições de fiscalização
previstas no art. 71 da CRFB. Outra parte da doutrina, porém, entende não ser
Considerando as suas competências constitucionais e legais e os direitos
fundamentais à intimidade e à vida privada, o Tribunal de Contas da União tem
poderes para determinar a quebra do sigilo bancário de dados constantes do Banco
Central do Brasil? Justifique a sua resposta.
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possível a requisição por não haver na CRFB permissão para tanto. Para esses
doutrinadores, apenas o Poder Judiciário detém autoridade para quebra do sigilo,
diante de instauração de procedimento administrativo ou judicial, ou, em situações
pontuais, o Poder Legislativo.
Na jurisprudência, o tema também tem sido historicamente controvertido,
com recente mudança de entendimento. Em 2012, o STF reafirmou o entendimento
no sentido de que o TCU não detém legitimidade para requisitar diretamente
informações que importem quebra de sigilo bancário. O fundamento foi o fato de o
TCU não estar incluído no rol dos que poderiam ordenar a quebra de sigilo bancário.
O legislador, ao editar a Lei Complementar nº 105/01, conferiu esse poder
de quebra ao Poder Judiciário (art. 3º), ao Poder Legislativo Federal (art. 4º), bem
como às comissões parlamentares de inquérito, após prévia aprovação do pedido
pelo Plenário da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do plenário de suas
respectivas Comissões Parlamentares de Inquérito (art. 4º, §1º e §2º). Além disso,
por implicar restrição ao direito fundamental à intimidade e à vida privada (art. 5º,
X, da CRFB), os referidos dispositivos deveriam ser interpretados restritivamente.
A jurisprudência, porém, evoluiu para mitigar o supracitado entendimentoem situações que envolvem a necessidade de transparência quanto ao destino dos
recursos públicos. Nesse sentido, em 2015 o STF decidiu que diante do interesse da
sociedade de se conhecer o destino dos recursos públicos, o sigilo de informações
necessárias à preservação da intimidade é relativizado.
Assim, operações financeiras que envolvam recursos públicos não estão
abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a Lei Complementar nº 105/01, visto
que as operações dessa espécie estão submetidas aos princípios insculpidos no art.
37 da CRFB. Em tais situações, é prerrogativa constitucional do TCU o acesso a
informações relacionadas a operações financiadas com recursos públicos.
O entendimento atual do STF, portanto, é o de que, em regra, o TCU não
detém legitimidade para requisitar diretamente informações que importem quebra
de sigilo bancário. No entanto, quando se tratar de operações fundadas em recursos
de origem pública, não se poderá opor o sigilo bancário e empresarial ao TCU.
Ressalte-se que tal inoponibilidade aplica-se ainda que recursos de origem pública
em questão provenham de pessoas jurídicas de direito privado, como os bancos em
que o Estado é parte (Banco do Brasil, BNDES, dentre outros).
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“(...) 3. O sigilo de informações necessárias para a preservação da intimidade é
relativizado quando se está diante do interesse da sociedade de se conhecer o
destino dos recursos públicos. 4. Operações financeiras que envolvam recursos
públicos não estão abrangidas pelo sigilo bancário a que alude a Lei Complementar
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105
nº 105/2001, visto que as operações dessa espécie estão submetidas aos princípios
da administração pública insculpidos no art. 37 da Constituição Federal. Em tais
situações, é prerrogativa constitucional do Tribunal [TCU] o acesso a informações
relacionadas a operações financiadas com recursos públicos. 5. O segredo como
“alma do negócio” consubstancia a máxima cotidiana inaplicável em casos análogos
ao sub judice, tanto mais que, quem contrata com o poder público não pode ter
segredos, especialmente se a revelação for necessária para o controle da
legitimidade do emprego dos recursos públicos. É que a contratação pública não
pode ser feita em esconderijos envernizados por um arcabouço jurídico capaz de
impedir o controle social quanto ao emprego das verbas públicas. 6. “O dever
administrativo de manter plena transparência em seus comportamentos impõe não
haver em um Estado Democrático de Direito, no qual o poder reside no povo (art.
1º, parágrafo único, da Constituição), ocultamento aos administrados dos assuntos
que a todos interessam, e muito menos em relação aos sujeitos individualmente
afetados por alguma medida.” (MELLO, Celso ántônio Bandeira de. Curso de Direito
Administrativo. 27ª edição. São Paulo: Malheiros, 2010, p. 114). 7. O Tribunal de
Contas da União não está autorizado a, manu militari, decretar a quebra de sigilo
bancário e empresarial de terceiros, medida cautelar condicionada à prévia
anuência do Poder Judiciário, ou, em situações pontuais, do Poder Legislativo.
Precedente: MS 22.801, Tribunal Pleno, Rel. Min. Menezes Direito, DJe 14.3.2008.
8. In casu, contudo, o TCU deve ter livre acesso às operações financeiras realizadas
pelas impetrantes, entidades de direito privado da Administração Indireta
submetidas ao seu controle financeiro, mormente porquanto operacionalizadas
mediante o emprego de recursos de origem pública. Inoponibilidade de sigilo
bancário e empresarial ao TCU quando se está diante de operações fundadas em
recursos de origem pública. Conclusão decorrente do dever de atuação
transparente dos administradores públicos em um Estado Democrático de Direito.
(...). 10. O princípio da conformidade funcional a que se refere Canotilho, também,
reforça a conclusão de que os órgãos criados pela Constituição da República, tal
como o TCU, devem se manter no quadro normativo de suas competências, sem
que tenham autonomia para abrir mão daquilo que o constituinte lhe entregou em
termos de competências.(CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional
e Teoria da Constituição. 5ª edição. Coimbra: Almedina, 2002, p. 541.) 11. A
Proteção Deficiente de vedação implícita permite assentar que se a publicidade não
pode ir tão longe, de forma a esvaziar, desproporcionalmente, o direito
fundamental à privacidade e ao sigilo bancário e empresarial; não menos
verdadeiro é que a insuficiente limitação ao direito à privacidade revelar-se-ia, por
outro ângulo, desproporcional, porquanto lesiva aos interesses da sociedade de
exigir do Estado brasileiro uma atuação transparente. (...) 13. Consequentemente a
recusa do fornecimento das informações restou inadmissível, porquanto
imprescindíveis para o controle da sociedade quanto à destinação de vultosos
recursos públicos. O que revela que o determinado pelo TCU não extrapola a
medida do razoável. (...) 15. A limitação ao direito fundamental à privacidade que,
por se revelar proporcional, é compatível com a teoria das restrições das restrições
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106
(Schranken-Schranken). O direito ao sigilo bancário e empresarial, mercê de seu
caráter fundamental, comporta uma proporcional limitação destinada a permitir o
controle financeiro da Administração Publica por órgão constitucionalmente
previsto e dotado de capacidade institucional para tanto. 16. É cediço na
jurisprudência do E. “TF que: “áDMINI“T‘áÇÃO PÚBLICA – PUBLICIDADE. A
transparência decorre do princípio da publicidade. TRIBUNAL DE CONTAS –
FISCALIZAÇÃO – DOCUMENTOS. Descabe negar ao Tribunal de Contas o acesso a
documentos relativos à Administração Pública e ações implementadas, não
prevalecendo a óptica de tratar-se de matérias relevantes cuja divulgação possa
importar em danos para o Estado. Inconstitucionalidade de preceito da Lei Orgânica
do Tribunal de Contas do Estado do Ceará que implica óbice ao acesso.” (áDI 2.361,
Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, DJe 23/10/2014).(...) (MS 33340,
Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 26/05/2015, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-151 DIVULG 31-07-2015 PUBLIC 03-08-2015)
TRIBUNAL DE CONTAS - TCDF - 2012 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O controle do orçamento público divide-se em duas estruturas: o controle
externo e o controle interno. Fala-se, ainda, em um controle privado, na medida em
que os cidadãos poderão também fiscalizar o orçamento.
O controle interno, que tem previsão nos arts. 70 e 74 da CRFB, é o controle
exercido internamente por cada um dos três poderes, destinado a funcionar de
forma integrada, com a finalidade de: (i) avaliar o cumprimento das leis
orçamentárias; (ii) comprovar a legalidade e avaliar os resultados quanto à eficácia
e eficiência dos gastos públicos; (iii) controlar as operações de crédito, avais e
garantias; e (iv) auxiliar o controle externo no exercício da sua missão institucional.
Essas funções do controle interno estão elencadas no art. 74 da CRFB. Trata-
se de uma atividade de fiscalização prévia feita pelo próprio poder em relação aos
seus agentes, órgãos e instituições. O art. 74 da CRFB dispôs claramente que todos
os poderes manterão, de forma integrada, sistema de controle interno, que nada
mais é que um mecanismo de autocontrole do poder em que se insere. Embora cada
poder tenha seu próprio controle interno, o sistema deverá ser coordenado pelo
Poder Executivo.
Redija um texto dissertativo a respeito dos controles interno e externo no setor
público, desenvolvendo, necessariamente, os seguintes tópicos: 1- controle interno:
conceito e finalidade; 2- formas de desenvolvimento do controle interno nas
diversas esferas de governo;3- vinculação entre controle interno e externo.
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107
Esse sistema de controle interno deve ser reproduzido nas demais esferas de
governo, tendo em vista o disposto no art. 75, caput, da CRFB, que determina que as
normas estabelecidas referentes ao TCU aplicam-se, no que couber, à organização,
composição e fiscalização dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal,
bem como dos Tribunais e Conselhos de Contas dos Municípios.
Exemplos do exercício do controle interno nos estados e municípios são: a
prestação de contas anual, de todos os responsáveis por bens ou valores públicos,
ao Poder Executivo; a realização de auditorias sobre a gestão dos recursos públicos
que estiverem sob a responsabilidade de entidades públicas e privadas; a
aprovação, por decreto do Poder Executivo, dos orçamentos das entidades
autárquicas ou paraestatais; e a avaliação do desempenho da auditoria interna das
entidades da administração indireta.
O controle externo, por sua vez, é aquele exercido pelo Poder Legislativo de
cada ente, com o auxílio do Tribunal de Contas, nos termos dos arts. 70 a 73 da
CRFB. Os controles interno e externo estão ligados, na medida em que formam um
sistema de controle das contas públicas. Há assuntos que são objeto do controle
interno e do externo, conforme determina o art. 70 da CRFB, que estabelece
critérios de fiscalização a serem observados em ambos os controles.
Assim, a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e
patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à
legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de
receitas são objeto do controle interno e do externo.
Ressalte-se que não há hierarquia entre o controle interno e o controle
externo. Os dois possuem igual importância e podem agir de forma autônoma entre
si, conforme se depreende do art. 74, I a III, da CRFB, que prevê diversos temas
exclusivos do controle interno. De todo modo, é admissível também a atuação
cooperativa, com fundamento no art. 74, IV, da CRFB, pelo qual o controle interno
pode apoiar a missão do controle externo. Tal apoio, contudo, não pode ser
compreendido como uma submissão do controle interno ao controle externo, mas
sim como uma harmoniosa cooperação entre os dois níveis de controle.
Por fim, é de se ressaltar que a verificação da legalidade dos atos de
execução orçamentária será prévia (antes de o ato financeiro produzir efeitos);
concomitante (ao longo da execução do ato financeiro); e subsequente (após a
realização daquele ato em certo período de tempo), nos termos do art. 77 da Lei nº
4.320/64.
TRIBUNAIS DE CONTAS - TCM/GO - 2015 - FCC
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108
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O art. 74 da CRFB aponta as finalidades do controle interno. A primeira
delas é a avaliação do cumprimento das metas previstas no plano plurianual, da
execução dos programas de governo e dos orçamentos da União. Exemplo dessa
avaliação é a elaboração, pelos órgãos e unidades do sistema de controle interno da
União, da prestação de contas anual do Presidente da República, a ser encaminhada
ao Congresso Nacional, nos termos do art. 84, XXIV, da CRFB.
Outra finalidade do sistema de controle interno é comprovar a legalidade e
avaliar os resultados quanto à eficácia e à eficiência da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração federal, bem
como da aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado. Exemplo
prático de atuação nesse sentido é a realização de auditoria sobre a gestão dos
recursos públicos federais sob a responsabilidade de órgãos e entidades públicas e
privadas.
A terceira finalidade do sistema de controle interno é a de exercer o
controle das operações de crédito, avais e garantias, bem como dos direitos e
haveres da União. Exemplo de aplicação prática de tal finalidade é a instauração de
processo disciplinar com vistas à responsabilização administrativa por lesão ou
ameaça ao patrimônio da União.
Por fim, a finalidade de apoiar o controle externo no exercício de sua missão
institucional verifica-se quando o controle interno cede ou angaria informações
requisitadas pelo Tribunal de Contas, no exercício do controle externo, bem como
nos casos em que se provoca a atuação do TCU, quando necessária.
Artigo 74 da Constituição Federal atribui quatro finalidades ao sistema de controle
interno dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Apresente um exemplo
prático de atuação envolvendo cada uma das finalidades estabelecidas no artigo
citado. (elabore sua resposta definitiva em até 30 linhas).
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FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
ANALISTA DO MPU - MPU - 2018 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Acerca do item 1, o art. 129 da CRFB apresenta um rol de funções
institucionais do Ministério Público: I – promover, privativamente, a ação
penal pública, na forma da lei; II – zelar pelo efetivo respeito dos Poderes
Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na
Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III –
promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do
patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos
e coletivos; IV – promover a ação de inconstitucionalidade ou representação
para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta
Constituição; V – defender judicialmente os direitos e interesses das
populações indígenas; VI – expedir notificações nos procedimentos
administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos
para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII – exercer o
controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar
A atual configuração do Ministério Público brasileiro representa a
construção de uma instituição específica denominada por especialistas
instância da integridade. A existência dessa instância, com atribuições
específicas para o controle da legalidade e da legitimidade, é, segundo os
especialistas, condição necessária para assegurar legitimidade ao próprio
regime democrático. (...) O crescimento institucional, historicamente
recente, do Ministério Público no Brasil (que teve como base a
independência e a autonomia que lhe foram conferidas pela Constituição de
1988) é parte de uma tendência mundial à consolidação desse tipo de órgão
público — que, embora estatal, é independente dos governos — como apoio
à expansão da cidadania e, consequentemente, na defesa do estado
democrático de direito. Celso de Albuquerque Silva e Laone Lago. O
Ministério Público brasileiro: institucionalização e consolidação do
representante da “sociedade aberta” no Brasil como agente indutor de
políticas públicas. In: Temas atuais do Ministério Público Federal. 3.ª ed. rev.,
ampl. e atual. Salvador: Editora JusPODIVM, 2015, p. 59 (com adaptações).
Considerando que o fragmento de texto precedente tem caráter unicamente
motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema. AS
FUNÇÕES INSTITUCIONAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO E OS IMPACTOS DE SUA
ATUAÇÃO Em seu texto, 1 - apresente cinco funções institucionais do
Ministério Público previstas na Constituição Federal de 1988 e discorra sobre
cada uma delas; [valor: 20,00 pontos] 2- exemplifique uma atuação do
Ministério Público que tenha contribuído para a promoção da cidadania,
explicitando a função institucional exercida nessa situação; [valor: 9,00
pontos] 3 - comente a atuação do Ministério Público na defesa de interesses
difusos e coletivos. [valor: 9,00 pontos]
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110
mencionada no artigo anterior; VIII – requisitar diligências investigatórias e a
instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas
manifestações processuais; IX – exercer outras funções que lhe forem
conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a
representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas.
No que se refere ao item 2, são diversos os exemplos que podem ser
apresentados nesse aspecto, tendo em vista a ampla atuação do Ministério
Público em vários temas. Um exemplo são os termos de ajustamento de
conduta firmados pelo Ministério Público com outros órgãos como medida
para zelar pelo efetivo respeito a serviços de relevância pública que visam
garantir direitos constitucionais (art. 129, II, da CRFB).
Um exemplo concreto são termos de ajustamento firmados com o
objetivo de reformular sítios eletrônicos que fornecem informações sobre
programas habitacionais para que os cidadãos, nos termos da Lei de Acesso
à Informação, tenham acesso a documentos como listagens de interessados
e requisitos do programa, o que garante maior transparência dos programas
do governo. Para assegurar a efetividade da medida, o Ministério Público
pode acordar com a administração pública um plano de execução do
compromisso firmado e determinar a aplicação de multa em caso de
descumprimento do pactuado.
Outro exemplo são os acordos de conduta firmados entre o Ministério
Público e as instituições de ensino para que as mensalidades de cursos
superiores não sejam abusivas e para que os alunos inadimplentes não sejam
proibidos de renovar suas matrículas. No mesmo sentido, ou seja, atuando
para zelar pelo respeito aos serviços de relevância pública, o Ministério
Público pode acordar medidas de ação e execução, bem como arbitrar multa
para o caso de descumprimento do que foi ajustado.
Essas medidas promovem a cidadania porque têm como base a
garantia dos direitos sociais previstos no art. 6º da CRFB, no caso,
respectivamente, o direito à moradia e à educação.
Por fim, no que tange ao item 3, a atuação do Ministério Público na
defesa de interesses difusos e coletivos é cada dia mais urgente. Isso porque,
no contexto social atual, as violações de direito de grupos são cada vez mais
recorrentes pelos mais diversos motivos, os quais quase sempre se
relacionam com a vulnerabilidade — de várias naturezas — dos cidadãos.
Para proteger esses direitos, o Ministério Público pode promover
Inquérito Civil Público (art. 129, III, da CRFB), no qual poderá apurar
eventuais violações de direito. Especificamente na seara consumerista,
podem-se defender, por exemplo, o interesse e os direitos de consumidores
vítimas do vazamento de informações pela falta de segurança virtual de
fornecedores de serviços. Nesse caso, após a conclusão do Inquérito Civil
Público, o Ministério Público poderá ajuizar ação civil coletiva de
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111
responsabilidade e reparação de danos materiais e morais individualmente
causados aos usuários do serviço.
A atuação do Ministério Público na defesa dos interesses difusos e
coletivos deverá, então, ser constante para que seja eficaz, tendo em vista
que a cada dia surgem mais cenários que possibilitam violações de direitos.
PROCURADOR DO DF - PGDF - 2013 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A advocacia pública, junto com o Ministério Público, a Defensoria
Pública e a Advocacia privada, insere-se no rol das funções essenciais à
Justiça. No plano federal, ela é representada pela Advocacia-Geral da União,
que atua diretamente ou por órgão vinculado, representando a União,
judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar
que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de
consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. Assim, ela possui
quatro carreiras: Advogado da União, Procurador Federal, Procurador do
Banco Central e Procurador da Fazenda.
No que tange ao âmbito estadual/distrital, o art. 132 da CRFB
menciona que os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal,
organizados em carreira, na qual o ingresso dependerá de concurso público
de provas e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil
em todas as suas fases, exercerão a representação judicial e a consultoria
jurídica das respectivas unidades federadas. Além disso, é assegurada
estabilidade após três anos de efetivo exercício, mediante avaliação de
desempenho perante os órgãos próprios, após relatório circunstanciado das
corregedorias.
Porém, o STF entende pela possibilidade de ocorrência de situações
em que o Poder Legislativo necessite praticar em juízo, em nome próprio,
uma série de atos processuais na defesa de sua autonomia e independência
frente aos demais Poderes. Logo, nada impede que assim o faça por meio de
Discorra sobre o tema Advocacia pública no período pós-1988: perfil
constitucional e jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao
elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos. A
advocacia pública do Distrito Federal (DF) na Constituição de 1988 e na Lei
Orgânica do DF: característica e competências centrais da Procuradoria-
Geral do DF; [valor: 5,00 pontos] 1- Entendimento do STF acerca da: 1-
prerrogativa de foro dos procuradores estaduais e necessidade de
apresentação de instrumento de mandato; 2-criação de cargos de
provimento em comissão para assessoramento jurídico; [valor: 2,50 pontos]
3- possibilidade de criação de procuradoria estadual especial no âmbito do
Poder Legislativo/tribunal de contas. [valor: 2,50 pontos]
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112
um setor pertencente em sua estrutura administrativa, também responsável
pela consultoria e assessoramento jurídico de seus demais órgãos. Esse
entendimento também é válido para a Corte de Contas.
Em relação à prerrogativa de foro para procurador-geral de estado,
ela só existe se o direito estiver explícito na Constituição Estadual. O mesmo
vale para os procuradores do Estado. Acerca do instrumento de mandato, o
STF entende que, pelo princípio da razoabilidade, deve ser afastada a
exigência, como ônus processual, da prova da qualidade de procurador do
Estado por quem assim se apresenta e subscreve ato processual. O mandato
é legal e decorre da CRFB, do CPC e das respectivas leis orgânicas. A súmula
644 do STF vai no mesmo sentido, ao aduzir que procurador autárquico não
precisa de mandato para representar a autarquia.
No que tange ao item 2, a atividade de assessoramento jurídico do
Poder Executivo dos Estados deve ser exercida por procuradores organizados
em carreira, nos termos do art. 132 da CRFB. Esse preceito destina-se à
configuração da necessária qualificação técnica e independência funcional
desses agentes públicos. Assim, o STF entende que é inconstitucional norma
estadual que autoriza a ocupante de cargo em comissão o desempenho das
atribuições de assessoramento jurídico, no âmbito do Poder Executivo.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
A estruturação da Procuradoria do Poder Legislativo distrital está,
inegavelmente, na esfera de competência privativa da Câmara Legislativa do
DF. Inconsistência da alegação de vício formal por usurpação de iniciativa do
Governador. A Procuradoria-Geral do Distrito Federal é a responsável pelo
desempenho da atividade jurídica consultiva e contenciosa exercida na
defesa dos interesses da pessoa jurídica de direito público Distrito Federal.
Não obstante, a jurisprudência desta Corte reconhece a ocorrência de
situações em que o Poder Legislativo necessite praticar em juízo, em nome
próprio, uma série de atos processuais na defesa de sua autonomia e
independência frente aos demais Poderes, nada impedindo que assim o faça
por meio deum setor pertencente a sua estrutura administrativa, também
responsável pela consultoria e assessoramento jurídico de seus demais
órgãos. Precedentes: ADI 175, DJ de 8-10-1993 e ADI 825-MC, DJ de 2-4-
1993. [ADI 1.557, rel. min. Ellen Gracie, j. 31-3-2004, P, DJ de 18-6-2004.]
= ADI 94, rel. min. Gilmar Mendes, j. 7-12-2011, P, DJE de 16-12-2011
HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL. FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO.
PROCURADOR-GERAL DE ESTADO DE RORAIMA. CARGO EQUIPARADO A
SECRETÁRIO DE ESTADO POR FORÇA DE LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL.
VEDAÇÃO DO ART. 125, § 1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
INAPLICABILIDADE DE SIMETRIA COM O CARGO DE ADVOGADO-GERAL DA
UNIÃO. SITUAÇÕES JURÍDICAS DISTINTAS.1. Segundo a jurisprudência do
“TF, “compete à Constituição do Estado definir as atribuições do Tribunal de
Justiça, não podendo este desempenho ser transferido – menos ainda por
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113
competência aberta – ao legislador infraconstitucional (art. 125, § 1º, da
C‘FB/88)” (áDI 3140, ‘elator (a): Min. Cã‘MEN LÚCIá, Pleno, DJ
29.06.2007). 2. É inconstitucional, por isso, a norma da Constituição do
Estado de Roraima que atribui foro por prerrogativa de função a agentes
públicos equiparados a Secretários de Estado (alínea a, inciso X, do art. 77),
equiparação a ser promovida pelo legislador infraconstitucional. 3.
Conforme dispõe o parágrafo único do art. 4º da Lei Complementar 71/2003,
do Estado de ‘oraima, “O Procurador-Geral do Estado terá (…) as mesmas
prerrogativas, subsídio e obrigações de “ecretário de Estado”. Não sendo
Secretário de Estado, mas apenas equiparado a ele, não tem o Procurador-
Geral foro por prerrogativa no Tribunal de Justiça. Não o favorece o decidido
pelo STF em relação ao cargo de Advogado-Geral da União (PET 1.199
AgR/SP, Relator: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Pleno, DJ 25-06-1999). Ao
reconhecer, nesse julgamento, a prerrogativa de foro, o STF o fez na
expressa consideração de que, por força do § 1º do art. 13 da Lei
9.649/1998, o Advogado-Geral da União. HC 103803/RR
Habeas Corpus. 2. Procurador do Estado da Paraíba condenado por crime
doloso contra a vida. 3. A Constituição do Estado da Paraíba prevê, no art.
136, XII, foro especial por prerrogativa de função, dos procuradores do
Estado, no Tribunal de Justiça, onde devem ser processados e julgados nos
crimes comuns e de responsabilidade. 4. O art. 136, XII, da Constituição da
Paraíba, não pode prevalecer, em confronto com o art. 5º, XXXVIII, letra 'd',
da Constituição Federal, porque somente regra expressa da Lei Magna da
República, prevendo foro especial por prerrogativa de função, para
autoridade estadual, nos crimes comuns e de responsabilidade, pode afastar
a incidência do art. 5º, XXXVIII, letra 'd', da Constituição Federal, quanto à
competência do Júri. 5. Em se tratando, portanto, de crimes dolosos contra a
vida, os procuradores do Estado da Paraíba hão de ser processados e
julgados pelo Júri. (...)". (HC 78168, Relator Ministro Néri da Silveira, Tribunal
Pleno, julgamento em 18.11.1998, DJ de 29.8.2003)
O princípio da razoabilidade, a direcionar no sentido da presunção do que
normalmente ocorre, afasta a exigência, como ônus processual, da prova da
qualidade de procurador do Estado por quem assim se apresenta e
subscreve ato processual. O mandato é legal e decorre do disposto nos arts.
12 e 132, respectivamente do CPC e da CF. [RE 192.553, rel. min. Marco
Aurélio, j. 15-12-1998, 2ª T, DJ de 16-4-1999.]
Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Recurso que não
demonstra o desacerto da decisão agravada. 3. Alegação de falta de
prequestionamento. Improcedência. 4. Servidor Público Ativo. Ingresso após
à Lei nº 5.851, de 1999. Plano de carreira e vencimentos dos servidores do
Poder Judiciário. Igualdade de vencimentos com os servidores admitidos
antes da referida lei. Princípio da Isonomia. Impossibilidade. Precedentes. 5.
Agravo regimental a que se nega provimento. (...) A agravante não
conseguiu demonstrar o desacerto da decisão agravada. No que concerne à
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114
suposta ausência de capacidade postulatória do Procurador do Estado, razão
não assiste ao agravante em face do que dispõe a Súmula 644/STF". (AI
587083, Relator Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgamento em
23.10.2007, DJe de 30.11.2007)
A atividade de assessoramento jurídico do Poder Executivo dos Estados é de
ser exercida por procuradores organizados em carreira, cujo ingresso
depende de concurso público de provas e títulos, com a participação da OAB
em todas as suas fases, nos termos do art. 132 da CF. Preceito que se destina
à configuração da necessária qualificação técnica e independência funcional
desses especiais agentes públicos. É inconstitucional norma estadual que
autoriza a ocupante de cargo em comissão o desempenho das atribuições de
assessoramento jurídico, no âmbito do Poder Executivo. Precedentes. [ADI
4.261, rel. min. Ayres Britto, j. 2-8-2010, P, DJE de 20-8-2010.] = ADI 4.843
MC-ED-REF, rel. min. Celso de Mello, j. 11-12-2014, P, DJE de 19-2-2015
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115
Em função de o Estados ter deixado de repassar a um de seus municípios a
parcela da arrecadação de ICMS (imposto sobre circulação de mercadorias e
sobre as prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal
e de comunicação) e de IPVA (imposto sobre a propriedade de veículos
automotores) que lhe cabia transferir por força da Constituição Federal, o
Município em questão requereu ao Presidente da República que fosse
decretada intervenção federal no Estado, considerando os graves danos
sofridos nas finanças municipais e a possibilidade de serviços públicos de sua
responsabilidade deixarem de ser prestados por falta de recursos.
Solicitadas informações pela União, o Tribunal de Contas do Estado
confirmou que a transferência das receitas não foi realizada pelo Estado
porque o Município deixará de aplicar no exercício anterior o mínimo de
recursos exigido pela Constituição Federal nas ações e serviços públicos de
saúde, registrando, ainda, que a retenção da receita foi realizada pelo Estado
em valor inferior àquele que o município deixou de aplicar nas ações e
serviços públicos de saúde no exercício anterior. Nessa situação, à luz das
normas da constituição Federal, estará a União autorizada a decretar a
intervenção no estado? Justifique a resposta.
INTERVENÇÃO
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RN - 2014 - FCC
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A intervenção é a suspensão, ainda que parcial, da plena autonomia
de que dispõem os entes federativos, em razão de circunstâncias
excepcionalíssimas. O art. 18 da CRFB esclarece com propriedade que a
República é composta de União, Estados e Municípios, todos autônomos.
Não poderia ser diferente, considerando-se que esse é o cerne da definição
da forma federativa de Estado. Em situações específicas podem ser
parcialmente suprimidos direitos dos cidadãos e até mesmo dos entes
federativos. É o que se convencionou denominar de estado de emergência,
podendo ser configurado pelo estado de sítio, pelo estado de defesa ou
exatamente pela intervenção.
No caso desta última, os arts. 34 e 35 da CRFB se encarregam de
prever as situações que podem ensejá-la. Destaca-se, por exemplo, a
manutenção da integridade nacional, a necessidade de garantia do livre
exercício dos Poderes e a necessidade de garantir a execução de lei federal
ou decisão judicial. Nesse rol, taxativo, encontra-se a preservação do
princípio da autonomia municipal (art. 34, VII, “c”, da CRFB) e a
reorganização das finanças de Estado que deixar de entregar a Município
receitas tributárias fixadas na CRFB dentro do prazob) No caso hipotético indicado, a 4a Câmara
de Direito Público do Tribunal de Justiça violou a Cláusula da Reserva de
Plenário? Justifique.
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14
constitucionalidade, nos termos apregoados pelo art. 97 da CRFB, o
julgamento da inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo do Poder
Público, quando realizada por um Tribunal, só será possível pelo voto da
maioria absoluta dos seus membros ou dos membros de seu órgão especial.
No caso hipotético apresentado, muito embora não tenha declarado
expressamente a inconstitucionalidade da norma, o órgão fracionário (4ª
Câmara) afastou a incidência da norma, e, conforme Súmula Vinculante nº
10, viola a cláusula de reserva de plenário a decisão de órgão fracionário de
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de
lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em
parte.
Por derradeiro, não há, no caso, as hipóteses de mitigação da
cláusula de reserva de plenário previstas pela jurisprudência do STF e
reafirmada pelo artigo 949, parágrafo único, do CPC/2015, quais sejam: 1)
existência de pronunciamento do plenário ou órgão especial do próprio
Tribunal; ou 2) pronunciamento do plenário do STF sobre a questão; e, o
enunciado afirma expressamente que a matéria não foi objeto de análise
pelo plenário do TJ Estadual, tampouco pelo STF.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
INCONSTITUCIONALIDADE - INCIDENTE - DESLOCAMENTO DO PROCESSO
PARA O ÓRGÃO ESPECIAL OU PARA O PLENO - DESNECESSIDADE. Versando a
controvérsia sobre ato normativo já declarado inconstitucional pelo
guardião maior da Carta Política da Republica - o Supremo Tribunal Federal -
descabe o deslocamento previsto no artigo 97 do referido Diploma maior. O
julgamento de plano pelo órgão fracionado homenageia não só a
racionalidade, como também implica interpretação teleológica do artigo 97
em comento, evitando a burocratização dos atos judiciais no que nefasta ao
princípio da economia e da celeridade. A razão de ser do preceito está na
necessidade de evitar-se que órgãos fracionados apreciem, pela vez
primeira, a pecha de inconstitucionalidade arguida em relação a um certo
ato normativo. (AI 168149 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Segunda
Turma, julgado em 26/06/1995, DJ 04-08-1995 PP-22520 EMENT VOL-01794-
19 PP-03994)
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJMS - 2015 – VUNESP
É possível a realização de controle de constitucionalidade no âmbito da ação
civil pública? Fundamente sua resposta de modo que aborde o seguinte: a)
exercício do controle de constitucionalidade mediante instrumentos que
qualifiquem a questão constitucional como questão prejudicial ou incidental;
b) exercício do controle de constitucionalidade mediante instrumentos que
qualifiquem a questão constitucional como questão principal; c) se a ação
civil pública serve como instrumento de constitucionalidade de caráter
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15
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O controle de constitucionalidade realizado de forma concreta ou
incidental é aquele em que a questão da constitucionalidade encontra-se na
causa de pedir e não no pedido, ou seja, em qualquer demanda em que se
pretenda um bem da vida, a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
poderá ser alegada como questão prejudicial, a ser resolvida antes do
julgamento do mérito da demanda.
O controle de constitucionalidade realizado de forma abstrata é
aquele em que a questão da constitucionalidade encontra-se como questão
central de mérito no processo, demandando uma declaração que afirme ou
negue o caráter constitucional desse dispositivo. Nesse caso, o controle será
realizado por ações específicas previstas na Constituição Federal (Ação
Direta de Inconstitucionalidade, Ação Direta de Inconstitucionalidade por
Omissão, Ação Declaratória de Constitucionalidade e Arguição de
Descumprimento de Preceito Fundamental), a serem julgadas pelo STF.
A ação civil pública não consta do rol referido no item b, portanto,
somente pode ser realizado o controle concreto ou incidental de
constitucionalidade por meio dela. Conforme entendimento do STF, é cabível
a ação civil pública como instrumento de controle difuso de
constitucionalidade quando a alegação de inconstitucionalidade integra a
causa de pedir, e não o pedido estrito.
A inconstitucionalidade de determinado dispositivo legal pode ser
alegada em ação civil pública, desde que a título de causa de pedir, e não de
pedido, pois nessa hipótese o controle de constitucionalidade terá caráter
incidental.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...) 3. CABIMENTO DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA. A não recepção do Decreto-Lei
no 972/1969 pela Constituição de 1988 constitui a causa de pedir da ação
civil pública e não o seu pedido principal, o que está plenamente de acordo
com a jurisprudência desta Corte. A controvérsia constitucional, portanto,
constitui apenas questão prejudicial indispensável à solução do litígio, e não
seu pedido único e principal. Admissibilidade da utilização da ação civil
pública como instrumento de fiscalização incidental de constitucionalidade.
Precedentes do STF. (RE 511961, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, Tribunal
Pleno, julgado em 17.06.2009, DJe-213 DIVULG 12.11.2009 PUBLIC
13.11.2009 EMENT VOL-02382-04 PP- 00692 RTJ VOL-00213- PP-00605).
prejudicial/incidental e/ou principal; d) posicionamento do Supremo
Tribunal Federal acerca do controle de constitucionalidade na ação civil
pública.
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16
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2017 – BANCA PRÓPRIA
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A temática da modulação está prevista no art. 27 da Lei nº 9.868/99
e no art. 11 da Lei nº 9.882/99. Ambos os dispositivos aludem ao fato de que,
ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista
razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o
Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros,
restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a
partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser
fixado.
O STF reiteradamente faz uso da modulação, ou seja, acaba por
admitir sua compatibilidade, situação que é seguida por boa parte da
doutrina. Importante ressaltar que a modulação pode ocorrer no controle
abstrato e no controle concreto. O novo CPC também faz previsão da
modulação.
No que toca ao momento da modulação, ela pode ocorrer enquanto
não transitar em julgado o acórdão, sendo certo que a jurisprudência do STF
reconhece, quando a Corte não tenha apreciado a incidência ou não da
modulação quando do julgamento do mérito da questão constitucional, a
possibilidade de a matéria ser suscitada também via embargos de
declaração.
Acerca da legitimidade, considerando a omissão legal em definir a
legitimidade especifica para a provocação da questão de modulação, ela
poderá ser suscitada ex officio tanto pelo Relator quanto por qualquer outro
julgador (seja do STF, seja das demais instancias), assim como pelos demais
atores da relação processual, como o Ministério Público, a AGU e eventuais
amici curiae.
Por fim, considerando que as leis que instituem ou majoram tributos
podem em tese acarretar questões de insegurança jurídica ou de excepcional
interesse social, poderão elas, em tese, sofrer modulação. Essa modulação,
todavia, deve ser excepcionalíssima, na medida em que a conduta de
permanente modulação de inconstitucionalidade de leis que instituem
tributos por mero argumento de "prejuízo ao Erário" termina por incentivar a
produção de leis inconstitucionais e premiar o Estado por sua própria
A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem ampliado a chamada
“modulação dosestipulado (art. 34, V,
“b”, da C‘FB). E é justamente neste último caso que se enquadra a hipótese
especificada no enunciado da questão.
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116
A omissão injustificada no repasse de receitas previstas no art. 34, V,
“b”, da CRFB é um motivo para ensejar a intervenção. Porém, note-se que a
própria Constituição traz duas hipóteses que autorizam os Estados a reterem
essas receitas, conforme expressa previsão do parágrafo único do art. 160: a)
pagamento de créditos, inclusive de autarquias; e b) aplicação de parte do
percentual de tributos municipais em serviços de saúde.
Está-se diante de um suposto embate em torno de duas normas, mas
deveser registrado que o embate é aparente, pois as normas se
complementam. Não faria o menor sentido autorizar a retenção de repasses,
ao mesmo tempo em que se determina a intervenção federal no Estado. Vê-
se que o Município não pode alegar isso, sob pena de se locupletar da
própria torpeza. Além disso, a retenção efetuada pelo Estado foi realizada
em valor inferior ao que o Município deixou de aplicar nos serviços de saúde.
Encontra-se pautada, portanto, em perfeita razoabilidade a conduta do ente
estadual. Sendo assim, revela-se impossível a intervenção federal na
hipótese em tela, pois a conduta do Estado está amparada por outros
dispositivos de hierarquia e importância constitucionais.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
- Gabarito: Abordagem Esperada: Constará da avaliação da Prova Discursiva
o domínio técnico do conteúdo aplicado, a precisão da linguagem jurídica, a
correção gramatical e a adequação vocabular, considerados os mecanismos
básicos de constituição do vernáculo e os procedimentos de coesão e
argumentação. O candidato deverá tratar em sua resposta: a. O Estado que
deixar de entregar aos Município receitas tributárias fixadas na Constituição
Federal fica sujeita à intervenção federal, com a finalidade de reorganização
de suas finanças, nos termos da alínea “b” do inciso V do artigo 34 da CF.0,3
b.No entanto, no caso em questão, a retenção da receita está
excepcionalmente amparada pelo inciso II do parágrafo único do artigo 160
da CF. Se a retenção realizada tem fundamento constitucional e ainda foi
realizada com razoabilidade (visto que em valor inferior àquele não investido
pelo Município), não se justifica a intervenção federal. A intervenção é
medida excepcionalmente de suspensão da autonomia estadual, atuando
como sanção ao descumprimento de uma obrigação do Estado. Se o Estado
agiu licitamente, afastada está a possibilidade de decretação da intervenção.
0,7
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117
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS
ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCE/AM - FCC - 2013
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Conforme determinado pela Constituição Federal e ressalvado os
casos especificados na Lei de Licitações, as obras, serviços, compras e
alienações serão contratadas mediante processo que assegure igualdade de
condições a todos os concorrentes. As diferenciações podem ocorrer apenas
no tocante ao objeto, mas não com restrição à competitividade, que
prejudica a própria vantajosidade que se busca em uma licitação.
Além disso, o art. 19, III, da CRFB foi violado, já que referido
dispositivo normativo veda a criação de privilégios entre brasileiros, o que
naturalmente abarca as pessoas jurídicas. Deve ser lembrado que a intenção
da licitação é possibilitar a ampla competição, de forma a obter a oferta
mais vantajosa para a Administração.
A lei estadual poderia ser objeto de ADI, uma vez que a ação é cabível
contra lei ou ato normativo estadual impugnado em face da CRBF. De acordo
com o art. 103, V, da CRFB e art. 2º, V, da Lei nº 9.868/99, os governadores
podem ajuizar ADI perante o STF. Contudo, embora os governadores possam
ajuizar ADI, a norma em tela não poderia ser objeto de ADC, uma vez que
esta é cabível apenas contra lei ou ato normativo federal.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
LICITAÇÃO PÚBLICA. Concorrência. Aquisição de bens. Veículos para uso
oficial. Exigência de que sejam produzidos no Estado-membro. Condição
compulsória de acesso. Art. 1º da Lei nº 12.204/98, do Estado do Paraná,
com a redação da Lei nº 13.571/2002. Discriminação arbitrária. Violação ao
ESTUDO DE CASO - Suponha que um deputado estadual tenha apresentado
projeto de lei determinando que a substituição da frota de veículos para uso
oficial seria permitida desde que os bens adquiridos fossem produzidos
naquele Estado. Em 2012, o projeto foi aprovado pela Assembleia
Legislativa, mas vetado pelo Governador, tendo o veto sido derrubado pelo
Poder Legislativo estadual. Desde então, as empresas que comercializam
veículos produzidos em outros Estados têm impetrado mandados de
segurança para que possam participar dos procedimentos licitatórios para
compra de veículos oficiais, mas a jurisprudência ainda não se firmou a
respeito da questão. Considerando essa situação, responda: 1- Que
argumentos jurídicos podem ser invocados, à luz da CF, em favor das
empresas que comercializam veículos produzidos em outros Estados, para
que a lei referida deixe de lhes ser aplicada? 2- O Governador do Estado em
questão tem legitimidade para propor, perante o STF, ação direta de
inconstitucionalidade contra a referida lei estadual? E ação declaratória de
constitucionalidade? Justifique.
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118
princípio da isonomia ou da igualdade. Ofensa ao art. 19, II, da vigente
Constituição da República. Inconstitucionalidade declarada. Ação direta
julgada, em parte, procedente. Precedentes do Supremo. É inconstitucional a
lei estadual que estabeleça como condição de acesso a licitação pública, para
aquisição de bens ou serviços, que a empresa licitante tenha a fábrica ou
sede no Estado-membro.(STF - ADI: 3583 PR, Relator: Min. CEZAR PELUSO,
Data de Julgamento: 21/02/2008).
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJAM - 2016 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A noção de proibição do retrocesso social também é chamada de
vedação ao retrocesso social, efeito cliquet ou proibição da evolução
reacionária.
Esse princípio correlaciona-se aos seguintes princípios de viés jurídico-
constitucional: (a) princípio do Estado democrático e social de direito, do
qual decorre a necessidade de um mínimo de segurança jurídica, cuja
manutenção é abrangida pelo princípio da confiança; oferece segurança não
só contra medidas retroativas, mas também, de certa forma, contra aquelas
de cunho retrocessivo; (b) princípio da dignidade da pessoa humana, do qual
decorre a exigência de que sejam implementadas pelo poder público
medidas (prestações positivas) de concretização de direitos sociais, culturais,
econômicos, com vistas a assegurar existência e vida digna para todos;
Segundo o princípio constitucional de proibição do retrocesso no domínio
dos direitos fundamentais e sociais, o Estado só pode afetar o conteúdo já
realizado dos direitos sociais ou dos direitos derivados a prestações neles
baseados quando se sustente em uma comprovada incapacidade material,
designadamente financeira, para manter a medida reconhecida de
realização daqueles direitos ou quando a tal se veja compelido por força da
necessária realização de outros valores de natureza constitucional. Ingo
Wolfgang Sarlet. A eficácia dos direitos fundamentais. 4.ª ed., Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2004, p. 403-30 (com adaptações). No direito
constitucional brasileiro, a proibição de retrocesso de que trata o texto
apresentado acima, decorre de, pelo menos, cinco princípios de matriz
jurídico-constitucional. Considerando esse entendimento, redija um texto
dissertativo que atenda às seguintes determinações. 1 - Aponte, no mínimo,
quatro princípios de matriz jurídico-constitucional que fundamentamo
princípio constitucional da proibição do retrocesso, explicitando a correlação
entre este e cada um dos quatro princípios apontados. [valor: 1,20 ponto] 2 -
Discorra sobre a finalidade do princípio da proibição do retrocesso, sobre a
correlação desse princípio com os objetivos fundamentais da República
Federativa do Brasil — art. 3.º da CF — e sobre a maneira como esses
objetivos se realizam. [valor: 1,10 ponto]
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119
afasta medidas de cunho retrocessivo que venham a minimizar tal
concretude; (c) princípio da máxima eficácia e efetividade das normas que
definem os direitos fundamentais (art. 5º, § 1º, da CRFB), com otimização e
eficácia do princípio da segurança jurídica, que dá suporte contra medidas
retrocessivas; (d) princípio do respeito ao ato jurídico perfeito (art. 5º, XXXVI,
da CRFB), relacionado aos princípios da tutela jurisdicional efetiva e da
segurança jurídica e intrinsecamente associado à proibição do retrocesso nos
direitos fundamentais; (e) princípio da proteção da confiança, que exige do
poder público a boa-fé nas relações com os particulares e o respeito pela
confiança que os indivíduos depositam na estabilidade e continuidade da
ordem jurídica; (f) vinculação dos órgãos estatais à concretização das
imposições constitucionais e a uma autovinculação em relação aos atos
anteriores, como corolário do princípio da segurança jurídica e proteção da
confiança — noção mais ampla de segurança jurídica, que encontra amparo
na Constituição Federal (art. 5º, caput) e nos princípios do Estado social e
democrático de direito.
No tocante ao item 2, entende-se que a proibição do retrocesso busca
impedir que sejam frustrados direitos sociais, culturais e econômicos já
concretizados, tanto na ordem constitucional como na infraconstitucional,
em atenção aos objetivos da República Federativa do Brasil. Esses objetivos
fundamentais realizam-se mediante a implementação e a efetivação do
Estado democrático de direito.
Para fundamentar mais, na medida em que se lida com direitos
fundamentais — e, nessa qualidade, subtraídos à disponibilidade do poder
político —, quando se pretende retroceder no grau de realização atingido, o
Estado não pode bastar-se para fundamentar a afetação ou restrição do
conteúdo dos direitos sociais ou dos direitos derivados a prestações neles
baseados, com razões ou preconceitos de natureza ideológica não
constitucionalmente sustentados ou com justificações meramente apoiadas
em diferenças de opinião política próprias da variação conjuntural das
maiorias de governo.
Mesmo quando se sustente em uma justificação objetivamente
comprovável e de base constitucional, o Estado não pode afetar ou suprimir
prestações existentes de forma arbitrária, com eventual violação de
princípios constitucionais, como o princípio da confiança no próprio Estado
de direito ou o princípio da igualdade ou o princípio da universalidade na
titularidade e no exercício de direitos fundamentais, tais como os direitos
civis e políticos.
A questão da proibição do retrocesso não se coloca, em tese, apenas
no que se refere aos direitos sociais. Pelo contrário, a partir do momento em
que o Estado cumpre (total ou parcialmente) as tarefas constitucionalmente
impostas para realizar um direito social, econômico ou cultural, o respeito
constitucional deixa de consistir (ou deixa de constituir unicamente) uma
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120
obrigação positiva, para se transformar ou passar também a ser uma
obrigação negativa. O Estado, que estava obrigado a atuar para dar
satisfação ao direito social ou para regular o direito econômico ou cultural,
passa a estar obrigado a abster-se de atentar contra a realização dada a
esses direitos.
PROCURADORIA MUNICIPAL - PGM-FORTALEZA/CE - 2017 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A proibição de excesso é a vertente do princípio da proporcionalidade
que proíbe que o Estado aja além da conta, isto é, que faça mais do que
deveria. Aplica-se sobretudo aos direitos de defesa (que impõem uma
abstenção ao Estado).
Se, por exemplo, o Estado edita lei que autoriza interceptações sem
ordem judicial e para fins outros que não os previstos no texto constitucional,
ele age excessivamente e viola a proporcionalidade. Nesse caso, o Estado foi
para além dos limites autorizados pelo direito fundamental e não se absteve
de fazer algo que lhe era vedado.
Não obstante, alguns direitos fundamentais exigem obrigações
positivas do Estado que, tradicionalmente, impõem um dever de proteção,
isto é, uma ação e não uma mera abstenção (e.g. direitos de prestação).
Nesses casos, se o Estado não age ou se age de maneira insuficiente, ele
viola a proibição de proteção insuficiente, que é a segunda vertente do
princípio da proporcionalidade.
Isso ocorre, notadamente, no caso das obrigações positivas ou dos
deveres de proteção, a exemplo dos direitos fundamentais sociais. Se o
Estado tem o dever de proteger o meio ambiente, promover a educação e a
saúde e não o faz ou faz aquém do devido, ele infringe a proibição de
proteção insuficiente. Essas ações só podem ser exigidas dentro da reserva
do possível, que será aferida concretamente, não bastando a mera invocação
abstrata de insuficiência de recursos.
O princípio da proporcionalidade, parâmetro para aferir a
(in)constitucionalidade das limitações a direitos fundamentais, é constituído
por duas vertentes: a proibição de excesso e a proibição de proteção
insuficiente. Valendo-se de conceitos como direito de defesa, direitos de
prestação, dever de proteção e reserva do possível, conceitue essas duas
vertentes, apresentando, pelo menos, um exemplo de aplicação de cada
uma delas. Nesse sentido, considere que seu texto será avaliado da seguinte
forma: 1 - proibição de excesso, com, pelo menos, um exemplo de aplicação;
[valor: 7,00 pontos] 2 - proibição de proteção insuficiente, com, pelo menos,
um exemplo de aplicação. [valor: 7,25 pontos]
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MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSE – 2008 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Denominam-se princípios constitucionais sensíveis os postulados que
podem dar ensejo à mais grave e draconiana medida que a Constituição
prevê: a intervenção. Com efeito, o princípio federativo especifica que cada
ente será absolutamente independente dos outros, apresentando sua própria
esfera de governo e administração. Contudo, em situações extremamente
específicas, a União será autorizada a intervir nos Estados e no Distrito
Federal, a fim de manter o próprio equilíbrio federativo, que se encontraria
em perigo.
Uma dessas hipóteses, tal como já adiantado acima, consiste na
violação a princípios constitucionais muito específicos, previstos no art. 34,
VII, da CRFB. São eles: a) forma republicana, sistema representativo e regime
democrático; b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d)
prestação de contas da Administração Pública; e) investimento mínimo em
saúde. São esses os chamados princípios constitucionais sensíveis.
A sua inobservância pode acarretar a decretação de intervenção
federal, que é a supressão temporária de toda a autonomia de um ente
federativo em detrimento de outro, de hierarquia superior. Sua violação,
assim, é considerada tão grave que enseja esta suspensão do equilíbrio
federativo formal.
Por fim, poder-se-ia indagar se o constituinte derivado tem permissão
para acrescer outros princípios sensíveis. O tema deve ser tratado com
parcimônia, pois enseja duas interpretações. A primeira defende a
possibilidade de acréscimo, pois uma emenda constitucional neste sentido
teria por fim garantir a funcionalidade e continuidade de toda a Nação.
Porém, parece-nos mais adequada a tese queadvoga em prol da
impossibilidade, vez que se estaria ampliando o rol de exceções ao princípio
federativo e violando seu núcleo essencial, o que é vedado pelo art. 60,
parágrafo quarto, I, da CRFB.
Elabore dissertação acerca dos princípios constitucionais sensíveis,
abordando, necessariamente, os seguintes aspectos: 1- Definição de
princípios constitucionais sensíveis com a indicação de, pelo menos, três
desses princípios presentes na atual Constituição Federal brasileira; 2-
Possibilidade ou não de um constituinte derivado acrescentar outros
princípios aos já existentes, por meio de emenda à Constituição; 3-
consequência da inobservância desses princípios para a estrutura federativa
brasileira.
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ORÇAMENTO
ANALISTA DE POLÍTICAS PÚBLICAS - SEPLAG-NITERÓI-RJ - 2018 – FGV
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A Lei Complementar nº 101/00, conhecida como Lei de
Responsabilidade Fiscal – LRF, estatui uma série de limites de gastos com
pessoal por parte dos entes federativos. Os arts. 19 e 20 da LRF tratam dos
limites de gastos.
O limite prudencial, com base no art. 22 da LRF, é uma limitação
prévia em 95% dos valores estatuídos como teto de despesa de pessoal, com
o escopo de resguardar o volume máximo de gastos a fim de não ultrapassá-
lo.
Na situação de esse limite ser ultrapassado, o art. 22, parágrafo
único, IV, da LRF aduz que são vedadas ao Poder ou órgão pertinente que
tiver incorrido em excesso o provimento de cargo público, admissão ou
contratação de pessoal a qualquer título, ressalvada a reposição decorrente
de aposentadoria ou falecimento de servidores das áreas de educação, saúde
e segurança.
Como dito, as limitações de gastos com pessoal são vistas
globalmente e também por Poder. No caso do Judiciário, ele possui
limitações específicas na esfera federal e na esfera estadual. O art. 20, §1º,
da LRF aduz que no Judiciário de cada esfera os limites serão repartidos entre
seus órgãos de forma proporcional à média das despesas com pessoal, em
percentual da receita corrente líquida, verificadas nos três exercícios
financeiros imediatamente anteriores ao da publicação da própria LRF.
O não preenchimento do cargo vago de desembargador viola, por
exemplo, o bom funcionamento dos tribunais (em seu pleno ou órgão
especial), bem como, a depender da situação, o provimento por meio do
quinto constitucional ou promoção por merecimento e antiguidade de juízes
de primeira instância. Também é possível verificar violação à razoável
duração dos processos, já que a falta de um desembargador pode gerar a
redistribuição dos processos ou a paralisação do andamento deles até que
ocorra a nomeação.
Determinado Estado da Federação alcançou o limite prudencial de despesas
com pessoal. Entretanto, como um desembargador desse mesmo Estado
veio a se aposentar, abrindo vaga no Tribunal, surgiu a dúvida quanto à
possibilidade de preenchimento do cargo. Sobre a hipótese, responda aos
itens a seguir. A) O que é o limite prudencial e como ele interfere no
provimento de cargos públicos? B) O não preenchimento do cargo de
desembargador do Tribunal viola algum dispositivo constitucional? C) Na
hipótese, há algum limite a ser observado pelo Poder Judiciário?
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124
Por fim, acerca dos limites do Judiciário, o art. 19, II, da LRF aduz que
a despesa total com pessoal não poderá ultrapassar 60% da receita corrente
líquida. Por sua vez, no detalhamento desse limite, o art. 20, II, ”b”, da L‘F
aduz que o Judiciário não poderá ultrapassar 6%.
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125
PODER CONSTITUINTE
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PB – FCC (2018)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O Poder Constituinte do Estado-membro caracteriza-se por ser
derivado. Uma vez que retira sua força da Constituição Federal, e não de si
próprio. Sendo subordinado à Constituição Federal, deve ser exercido com
observância aos limites impostos por ela, como prescreve o art. 25.
Entre as limitações impostas ao Poder Constituinte estadual
encontram-se os chamados (i) princípios constitucionais sensíveis, a que se
refere o inciso VII do artigo 34, (ii) os princípios constitucionais estabelecidos,
que organizam a Federação e estabelecem preceitos de observância
obrigatória pelos Estados (regras de pré-organização e de competência),
bem como (iii) os princípios federais extensíveis, que são normas centrais
comuns à União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Um dos princípios constitucionais extensíveis é o da separação de
poderes, uma vez que constitui princípio fundamental do Estado de Direito
Democrático (art. 2 da CRFB). Dele se extrai que o Poder Legislativo não pode
praticar ou impedir a prática de atos que se inserem no âmbito de
competência própria do Poder Executivo. O controle exercido pelo Poder
Legislativo, decorrente do sistema de freios e contrapesos, é essencialmente
a posteriori e, salvo nos casos expressamente admitidos na Constituição
Federal, não pode ser exigido como condição à prática de atos de
competência do Poder Executivo.
Sendo a celebração de convénio típico ato de direção da
administração, de competência privativa do Chefe do Poder Executivo (art.
84, XI, da CRFB), conclui-se que a Constituição do Estado contrariou o
princípio da separação de poderes ao condicionar a celebração do ajuste a
controle prévio da Assembleia Legislativa.
ESTUDO DE CASO - Considere a hipótese de a Constituição de certo Estado
da Federação ter atribuído à Assembleia Legislativa competência privativa
para (i) autorizar o Governador a celebrar convênios e (ii) para autorizar a
instauração de processo penal contra o Governador, por prática de crime
comum, tendo, ainda, determinado (iii) que o Governador ficará suspenso
de suas funções se recebida denúncia por crime comum contra ele proposta.
À luz das disposições da Constituição Federal, da doutrina jurídica e da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, responda, justificadamente,
quais as características do Poder Constituinte estadual e quais os limites que
lhe foram impostos pela Constituição Federal, bem como se as disposições
do texto constitucional estadual são compatíveis ou não com a Constituição
Federal.
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A Constituição do Estado não poderia ter atribuído à Assembleia
Legislativa a competência para autorizar a instauração de processo penal
contra o Governador, tendo desbordado dos limites ao Poder Constituinte
estadual também nesse ponto. Segundo entendimento do STF, o princípio
republicano é princípio constitucional sensível (art. 34, VII, "a") que implica a
responsabilidade do Chefe do Poder Executivo.
Ademais, salvo nos casos previstos na Constituição Federal, o
princípio da separação de poderes não admite o controle político prévio ao
exercício das atribuições típicas do Poder Judiciário. A partir dessas
premissas, o STF, alterando sua jurisprudência na matéria, concluiu que
norma da Constituição do Estado que exige autorização política para a
instauração de processo penal contra o Governador é obstáculo a sua
responsabilização, tendo sido admitida excepcionalmente pela Constituição
Federal apenas em relação ao Presidente da República, por sua especial
condição de Chefe de Estado.
Nessa linha, decidiu que, por força dos princípios republicanos e da
separação de poderes, é vedada a reprodução dessa norma da Constituição
Federal nas Constituições dos Estados.
Também de acordo com o entendimento do STF, o princípio
democrático impede que a Constituição Estadual determine o afastamento
do Governadorde suas funções se recebida denúncia criminal contra ele
proposta. Em razão do princípio democrático, não pode ser reproduzida na
Constituição do Estado a norma da Constituição Federal excepcionalmente
destinada ao Presidente da República.
O afastamento do Govenador de suas funções poderá, se for o caso e
por decisão fundamentada, ser determinado pelo Superior Tribunal de
Justiça como medida cautelar diversa da prisão, prevista na legislação
processual penal.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Ementa: Direito Constitucional. Ação Direta de Inconstitucionalidade.
Governador de Estado. Normas da Constituição Estadual sobre Crimes de
Responsabilidade. Licença Prévia da Assembleia Legislativa para Instauração
de Processos por Crimes Comuns . 1. “á definição dos crimes de
responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e
julgamento são da competência legislativa privativa da União” (“úmula
Vinculante 46, resultado da conversão da Súmula 722/STF). São, portanto,
inválidas as normas de Constituição Estadual que atribuam o julgamento de
crime de responsabilidade à Assembleia Legislativa, em desacordo com a Lei
nº 1.079/1950. Precedentes. 2. A Constituição Estadual não pode
condicionar a instauração de processo judicial por crime comum contra
Governador à licença prévia da Assembleia Legislativa. A república, que
inclui a ideia de responsabilidade dos governantes, é prevista como um
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princípio constitucional sensível (CRFB/1988, art. 34, VII, a), e, portanto, de
observância obrigatória, sendo norma de reprodução proibida pelos Estados-
membros a exceção prevista no art. 51, I, da Constituição da República. 3.
Tendo em vista que as Constituições Estaduais não podem estabelecer a
chamada “licença prévia”, também não podem elas autorizar o afastamento
automático do Governador de suas funções quando recebida a denúncia ou
a queixa-crime pelo Superior Tribunal de Justiça. É que, como não pode
haver controle político prévio, não deve haver afastamento automático em
razão de ato jurisdicional sem cunho decisório e do qual sequer se exige
fundamentação (HC 101.971, Primeira Turma, Rel. Min. Cármen Lúcia, j. em
21.06.2011, DJe 02.09.2011; HC 93.056 Rel. Min. Celso de Mello, Segunda
Turma, j. em 16.12.2008, DJe 14.05.2009; e RHC 118.379 (Rel. Min. Dias
Toffoli, Primeira Turma, j. em 11.03.2014, DJe 31.03.2014), sob pena de
violação ao princípio democrático. 4. Também aos Governadores são
aplicáveis as medidas cautelares diversas da prisão previstas no art. 319 do
Código de Processo Penal, entre elas “a suspensão do exercício de função
pública”, e outras que se mostrarem necessárias e cujo fundamento decorre
do poder geral de cautela conferido pelo ordenamento jurídico brasileiro aos
juízes. 5. Pedido julgado integralmente procedente, com declaração de
inconstitucionalidade por arrastamento da suspensão funcional automática
do Governador do Estado pelo mero recebimento da denúncia ou queixa-
crime. áfirmação da seguinte tese: “É vedado às unidades federativas
instituírem normas que condicionem a instauração de ação penal contra o
Governador, por crime comum, à prévia autorização da casa legislativa,
cabendo ao Superior Tribunal de Justiça dispor, fundamentadamente, sobre
a aplicação de medidas cautelares penais, inclusive afastamento do cargo".
(ADI 4764, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Relator(a) p/ Acórdão: Min.
ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 04/05/2017, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-178 DIVULG 14-08-2017 PUBLIC 15-08-2017)
ANALISTA LEGISLATIVO - CÂMARA DOS DEPUTADOS – 2014 - CESPE
Considere que tramite, no âmbito da Câmara dos Deputados, proposta de
emenda à Constituição (PEC) que visa estabelecer a pena de morte para
crimes comuns, além dos casos de guerra declarada, e que um deputado
federal, irresignado com tal situação, tenha impetrado mandado de
segurança perante o Supremo Tribunal Federal com o objetivo de impedir a
tramitação da PEC na Câmara dos Deputados. Considere, ainda, que a
petição inicial da ação, entre outras alegações, tenha aduzido violação ao
dispositivo constitucional — o qual se insere entre as cláusulas pétreas —
que veda pena de morte para crimes comuns no Brasil. A partir da situação
hipotética apresentada e com base nas normas constitucionais e na
jurisprudência do STF, redija um texto dissertativo, a respeito da
argumentação apresentada pelo autor em sua petição inicial, abordando, de
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SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Dentre as atribuições do Poder Constituinte Reformador está a de
modificar a Constituição Federal, podendo suprimir, acrescentar ou modificar
trechos do texto constitucional. Porém, com base no art. 60, §4º, da CRFB,
existem matérias que nem podem ser objeto de deliberação, pois o Poder
Constituinte Originário entendeu que determinados temas são tão
importantes que nem mesmo proposta de emenda constitucional para aboli-
los pode sofrer tramitação.
No caso da pena de morte, a única possibilidade de ela ser utilizada é
apenas em caso de guerra declarada. Frise-se que essa previsão se encontra
nas chamadas cláusulas pétreas constitucionais, configurando elementos
que não podem ser abolidos. Ao se pretender alargar as possibilidades de
uso da pena de morte, viola-se o art. 60, §4º, IV, da CRFB, isto é, os direitos e
garantias individuais. Ora, ao possibilitar a ampliação do uso da pena de
morte, além de violar ditames éticos e morais, também se fulmina o direito
de as pessoas não serem punidas com a perda da vida em caso de
cometimento de crimes comuns em situações de normalidade constitucional.
Em relação ao cabimento de mandado de segurança, o STF entende
que não se admite, no sistema brasileiro, o controle jurisdicional de
constitucionalidade material de projetos de lei ou de proposta de emenda à
Constituição. O que a Jurisprudência do STF tem admitido, como exceção, é a
legitimidade do parlamentar, e somente dele, para impetrar mandado de
segurança com a finalidade de coibir atos praticados no processo de
aprovação de lei ou emenda constitucional incompatíveis com disposições
constitucionais que disciplinam o processo legislativo.
Esse tipo de controle é conhecido como controle de
constitucionalidade preventivo concreto exercido pelo Judiciário (no caso,
pelo STF) e ele é preventivo e concreto porque decorre da impetração do
forma fundamentada, necessariamente, os seguintes aspectos: 1- cabimento
de mandado de segurança para a impugnação da PEC; [valor: 9,00 pontos] 2-
legitimidade ativa do deputado federal; [valor: 9,00 pontos] 3- classificação
do controle de constitucionalidade exercido, na referida situação, quanto ao
momento, ao órgão e à via ou sistema do controle; [valor: 6,00 pontos] 4-
possibilidade de prosseguimento do trâmite da ação em caso de perda
superveniente do mandato parlamentar; [valor: 9,00 pontos] 5-
possibilidade de prosseguimento da ação em caso de aprovação da PEC e a
consequente promulgação da emenda constitucional; [valor: 9,00 pontos] 6-
possibilidade de impetração de mandado de segurança preventivo por
cidadão brasileiro que não ostente a condição de parlamentar, mas que
invoque direito líquido e certo de ver cumpridas as normas da Constituição
de 1988; [valor: 9,00 pontos] 7- violação ao dispositivo constitucional — o
qual se insere entre as cláusulas pétreas — que veda pena de morte para
crimes comuns no Brasil. [valor: 6,00 pontos]
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mandado de segurança a partir de uma alegada violação ao devido processo
legislativo em um caso concreto.
Acerca da perda superveniente do mandato parlamentar no caso de
ação mandamental, o STF entende que isso é causa geradora da extinção do
processo.Cumpre ressaltar que a perda superveniente de titularidade do
mandato legislativo tem efeito desqualificador da legitimidade ativa do
congressista. A atualidade do exercício do mandato parlamentar configura
situação legitimante e necessária, tanto para a instauração, quanto para o
prosseguimento da causa perante o Supremo Tribunal Federal. Afinal, é a
única hipótese de controle preventivo de constitucionalidade e, por isso,
admissível apenas para o parlamentar.
Caso a PEC torne-se efetivamente emenda constitucional, ocorrerá a
perda do objeto do mandado de segurança, pois ele não serve para
impugnar lei ou normas em tese. Ademais, o instrumento cabível para
combater eventual inconstitucionalidade dessa emenda são as ações de
controle concentrado, e não mais o mandado de segurança.
DEFENSOR PÚBLICO -0 DPE/PE - 2014 - CESPE
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A noção de poder constituinte tem desdobramentos lógicos na teoria
da Constituição, a começar pela própria ideia da supremacia do texto
constitucional, base conceitual do controle de constitucionalidade.
Como a onipotência do constituinte originário não se transfere à
autoridade pública que o constituiu, o poder constituinte derivado está
sujeito a limitações cujo desrespeito dá ensejo a atuação da jurisdição
constitucional. No campo da proteção dos direitos fundamentais, a
problemática dos limites ao poder constituinte derivado adquire maior
complexidade pois o rol que enumera direitos e garantias individuais está
revestido da condição de cláusula pétrea.
Devido ao fato de ser constitucionalmente vedada a proposição de
emenda que elimine direitos e garantias individuais, há doutrinadores que
defendem haver um limite material intransponível para a reforma, inserido
pelo constituinte originário. Desse modo, somente por meio da ruptura com
a ordem jurídica vigente seria viável prejudicar o núcleo essencial da
proteção dos direitos fundamentais sem incorrer em inconstitucionalidade
retificável pela jurisdição.
Relacione o exercício do poder constituinte derivado à proteção
constitucional dos direitos fundamentais e descreva, à luz da teoria da
constituição e do direito constitucional positivo brasileiro, as abordagens
doutrinarias a esse respeito.
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Contudo, também há na doutrina quem argumente que a especial
rigidez das cláusulas pétreas do texto constitucional não demanda,
necessariamente, uma completa renovação do ordenamento por outra
constituinte, impondo-se, apenas, maior dificuldade para reformar
validamente a Constituição ao exigir a duplicação do processo que visa
emendá-la em detrimento da substância mínima definidora dos direitos
fundamentais.
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ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AP - 2006 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
De acordo com o entendimento do STF, lei estadual que concede meia
entrada não possui qualquer inconstitucionalidade material. Isso ocorre
porque é necessário que o Estado atue efetivamente sobre o domínio
econômico que, além de adequado, é indispensável para consolidação e
preservação do sistema capitalista de mercado. Os preceitos da ordem
econômica não podem ser interpretados isoladamente, ou seja, se de um
lado a CRFB assegura a livre iniciativa, de outro determina que o Estado
tome providências no sentido de garantir o exercício efetivo do direito à
educação, à cultura e ao desporto.
Referida intervenção econômica tem por escopo o aprimoramento
educacional e cultural. É certo que a ordem econômica na CRFB define opção
por um sistema no qual joga um papel primordial para a livre iniciativa. Essa
circunstância não legitima, no entanto, a assertiva de que o Estado só
intervirá na economia em situações excepcionais. Mais do que simples
instrumento de governo, a CRFB enuncia diretrizes, programas e fins a serem
realizados pelo Estado e pela sociedade.
Postula um plano de ação global normativo para o Estado e para a
sociedade, informado pelos preceitos veiculados pelos seus arts. 1º, 3º e 170,
todos da CRFB. A livre iniciativa é expressão de liberdade titulada não apenas
pela empresa, mas também pelo trabalho. Por isso a CRFB, ao contemplá-la,
cogita também da iniciativa do Estado. Não a privilegia, portanto, como bem
pertinente apenas à empresa. Se de um lado a CRFB assegura a livre
iniciativa, de outro determina ao Estado a adoção de todas as providências
tendentes a garantir o efetivo exercício do direito à educação, à cultura e ao
desporto.
No que tange ao aspecto formal, o art. 23, V, da CRFB dispõe que é
competência comum dos entes federativos assegurar os meios de acesso à
cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação. Além
O governador do estado do Amapá pretende enviar à Assembleia Legislativa
um projeto de lei que estabelece que todas as pessoas com até 21 anos de
idade terão desconto de 50% no pagamento de ingressos para eventos
artísticos, culturais e esportivos realizados no território do estado, sob o
argumento de que o custo dos ingressos frequentemente inviabiliza o acesso
de jovens a tais eventos. Considerando a situação hipotética acima descrita,
redija um texto dissertativo que avalie a compatibilidade entre o referido
projeto e a Constituição da República, abordando tanto as questões relativas
à competência estadual para regular tal matéria quanto a compatibilidade
do referido desconto com os princípios constitucionais.
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132
disso, o art. 24, I, da CRFB confere competência aos Estados para legislar
sobre direito econômico, somado ao fato de que meia entrada não é fixação
de preço.
Ao tempo da questão, inexistia lei sobre o tema, o que gerava a
competência suplementar dos Estados, ou seja, não havia
inconstitucionalidade formal sobre o tema. Porém, a Lei nº 12.852/13, que
instituiu o Estatuto da Juventude, dispôs sobre diversos aspectos e, dentre
eles, a meia-entrada. Além disso, a Lei nº 12.933/13 dispôs sobre meia-
entrada para uma série de beneficiários.
O Decreto nº 8.537/15 regulamentou o benefício da meia-entrada
para acesso a eventos artístico-culturais e esportivos por jovens de baixa
renda, por estudantes e por pessoas com deficiência, e estabeleceu os
procedimentos e os critérios para a reserva de vagas a jovens de baixa renda
nos veículos do sistema de transporte coletivo interestadual.
Diante disso, a legislação local que dispuser de forma contrária às
legislações federais ficará suspensa, conforme o art. 24, §4º, da CRFB.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
"É certo que a ordem econômica na Constituição de 1988 define opção por
um sistema no qual joga um papel primordial a livre iniciativa. Essa
circunstância não legitima, no entanto, a assertiva de que o Estado só
intervirá na economia em situações excepcionais. Mais do que simples
instrumento de governo, a nossa Constituição enuncia diretrizes, programas
e fins a serem realizados pelo Estado e pela sociedade. Postula um plano de
ação global normativo para o Estado e para a sociedade, informado pelos
preceitos veiculados pelos seus arts. 1º, 3º e 170. A livre iniciativa é
expressão de liberdade titulada não apenas pela empresa, mas também pelo
trabalho. Por isso a Constituição, ao contemplá-la, cogita também da
‘iniciativa do Estado’; não a privilegia, portanto, como bem pertinente
apenas à empresa. Se de um lado a Constituição assegura a livre iniciativa,
de outro determina ao Estado a adoção de todas as providências tendentes
a garantir o efetivo exercício do direito à educação, à cultura e ao desporto
(arts. 23, V, 205, 208, 215 e 217, § 3º, da Constituição). Na composição entre
esses princípios e regras há de ser preservado o interesse dacoletividade,
interesse público primário. O direito ao acesso à cultura, ao esporte e ao
lazer são meios de complementar a formação dos estudantes." (ADI 1.950,
rel. min. Eros Grau, julgamento em 3-11-2005, Plenário, DJ de 2-6-2006.)
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ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
OFICIAL TÉCNICO DE INTELIGÊNCIA - ABIN - 2018 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O estado de defesa, assim como o estado de sítio, representa o que a
doutrina denomina de sistema constitucional de crises. Tais institutos
constitucionais qualificam-se como regimes jurídicos para situações de crise
grave (decorrentes de guerra, golpe de estado, calamidades) que expressam
mecanismos de autopreservação da Constituição.
No que toca às hipóteses que autorizam a decretação do estado de
defesa, o art. 136 da CRFB dispôs que o instituto serve para preservar ou
restabelecer a ordem pública ou a paz social em duas situações: (i) grave e
iminente instabilidade institucional; (ii) calamidades de grandes proporções
na natureza. Em relação aos direitos fundamentais que podem sofrer
restrição, o art. 136, § 1º, da CRFB indica os seguintes: (i) direito de reunião;
(ii) sigilo de correspondência; (iii) sigilo de comunicação telegráfica e
telefônica.
Quanto aos tipos de controle e o momento em que podem ser
exercidos, temos: (i) o controle político exercido pelo Congresso Nacional a
posteriori para aprovar o decreto que instaurou o estado de defesa e seja
para analisar o relatório apresentado pelo presidente da República, após
cessado o estado de defesa; e (ii) o controle judicial exercido a posteriori
sobre a legalidade das prisões e medidas executadas durante o estado de
defesa.
PROCURADOR LEGISLATIVO (PB) - FCC - 2013
Considerando o regramento estabelecido pela Constituição Federal de 1988
para a defesa do Estado e das instituições democráticas, discorra a respeito
do estado de defesa. Em seu texto, descreva: 1 - o conceito do instituto e as
hipóteses que justificam a sua decretação; [valor: 9,50 pontos] 2 - os direitos
fundamentais que podem sofrer restrição durante a sua vigência; [valor:
9,50 pontos] 3 - os tipos de controle e o momento em que podem ser
exercidos. [valor: 9,50 pontos]
ESTUDO DE CASO- Sob alegação de não pagamento, no prazo constitucional,
de precatório de determinado Município, o Tribunal de Justiça estadual
acolhe representação com pedido de intervenção do Estado no Município e
requisita ao Governador a decretação do ato interventivo,
independentemente de apreciação pela Assembléia Legislativa. Diante disso,
considerada a disciplina constitucional da matéria, responda,
justificadamente: a) sob qual fundamento, poderia, em tese, o fato relatado
na representação levar à decretação de intervenção do Estado no
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134
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O STF entende que a intervenção sob a alegação de não pagamento
no prazo constitucional de precatório somente seria válida se o
descumprimento do ente federativo for voluntário e intencional. Assim, não
se justifica decreto de intervenção por não pagamento de precatório judicial
quando o fato não se deva a uma omissão voluntária e intencional do ente
federado (insuficiência temporária de recursos financeiros).
A decretação de intervenção do Estado no Município dependerá de
provimento do Tribunal de Justiça, requisitando ao Governador que o faça
(art. 35, IV, da CRFB). É dispensada a apreciação do ato de decretação pela
Assembleia Legislativa, consoante o art. 36, §3º, da CRFB.
Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de
Justiça que defere pedido de intervenção estadual em Município, por se
tratar de decisão de natureza político-administrativa, e não jurisdicional.
Referida visão consolidou-se na Súmula 637 do STF.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
O descumprimento voluntário e intencional de decisão transitada em
julgado configura pressuposto indispensável ao acolhimento do pedido de
intervenção federal. A ausência de voluntariedade em não pagar
precatórios, consubstanciada na insuficiência de recursos para satisfazer os
créditos contra a Fazenda Estadual no prazo previsto no § 1º do art. 100 da
Constituição da República, não legitima a subtração temporária da
autonomia estatal, mormente quando o ente público, apesar da exaustão do
erário, vem sendo zeloso, na medida do possível, com suas obrigações
derivadas de provimentos judiciais.[IF 1.917 AgR, rel. min. Maurício Corrêa, j.
17-3-2004, P, DJ de 3-8-2007.] IF 4.640 AgR, rel. min. Cezar Peluso, j. 29-3-
2012, P, DJE de 25-4-2012.
Súmula 637 do STF - Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de
tribunal de justiça que defere pedido de intervenção estadual em município.
Por não se tratar de causa, em sentido próprio, mas de providência
administrativa, da privativa iniciativa do Tribunal de Justiça, não cabe
recurso extraordinário contra a decisão daquela corte, que indeferiu o
encaminhamento do pedido de intervenção federal, por suposto
descumprimento de decisão judicial (art. 34, IV, da Constituição).[RE
149.986, rel. min. Octavio Gallotti, j. 9-3-1993, 1ª T, DJ de 7-5-1993.]
Município? b) o procedimento observado no caso seria adequado para a
decretação de intervenção estadual sob esse fundamento? c) seria
admissível a interposição de recurso extraordinário em face do acórdão do
TJ que deferiu o pedido de intervenção?
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135
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AM - 2017 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
No tocante ao item 1, o mencionado projeto dispõe sobre uma
temática eminentemente laboral, ou seja, Direito do Trabalho, cuja
competência para legislar é privativa da União, conforme o art. 22, I, da
CRFB. O STF entende que os empregados públicos sujeitam-se ao regime
celetista, de forma que o projeto de lei estadual é inconstitucional por
invasão de atribuição, mesmo que a estatal seja estadual.
Não haveria inconstitucionalidade se ocorresse autorização, com base
no art. 22, parágrafo único, da CRFB, por meio de lei complementar para que
os estados pudessem legislar sobre pontos específicos das atribuições do art.
22, I, da CRFB. Destaque-se, ainda, que há patente violação ao art. 37, XIII,
da CRFB, ou seja, o projeto estadual macula o dispositivo normativo que
veda a vinculação ou equiparação de vencimentos para efeito de
remuneração do pessoal do serviço público.
Em relação ao item 2, como a situação apontada é caso de
inconstitucionalidade formal, o projeto ter ou não iniciativa de deputado
estadual não gera consequências. Como dito, é competência privativa da
União legislar sobre Direito do Trabalho, ou seja, inconstitucionalidade
formal, de modo que a iniciativa ou não do deputado estadual não revela
importância para a abordagem do assunto, conforme entendimento
jurisprudencial e doutrinário.
Acerca do item 3, com base no art. 173, §2º, II, da CRFB, a estatal que
presta atividade econômica não se assemelha à estatal que presta serviços
públicos. Logo, a estatal do enunciado terá o mesmo tratamento dispensado
às empresas privadas que não pertençam à Administração Indireta.
Determinada Assembleia Legislativa aprovou projeto de lei apresentado por
deputado estadual que estende a empregados públicos de determinada
empresa pública estadual exploradora de atividade econômica o direito de
servidores públicos estatutários à percepção de “gratificação de titulação”, a
ser auferida mediante a conclusão de curso de pós-graduação em instituição
de ensino reconhecida pelas leis brasileiras. Tendo recebido a proposição
para a análise, com vistas à sua apreciação para efeitos de sanção ou veto, o
governador do estado solicitou manifestação prévia do respectivo órgão
estadual de consultoria jurídica.Analise a legitimidade da proposição
legislativa em apreço considerando os termos da Constituição Federal de
1988. Em seu texto, discorra sobre os seguintes aspectos: 1- competência
legislativa do estado-membro para legislar a respeito da matéria; [valor: 4,75
pontos] 2- apresentação do referido projeto de lei por parlamentar estadual;
[valor: 4,75 pontos] 3- extensão aos referidos empregados públicos da
gratificação conferida aos servidores estatutários estaduais. [valor: 4,75
pontos] (30 LINHAS)
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Diante disso, ela ficará adstrita ao regime jurídico próprio das
empresas privadas, principalmente no tocante às obrigações civis,
comerciais, trabalhistas e tributárias. Como decorrência, a extensão da
gratificação dos servidores para os empregados públicos da estatal
interferiria na atividade privada. “omente seria lícita essa “extensão” no
caso da autorização contida no art. 22, parágrafo único, da CRFB; por meio
de lei federal que regule o tema; ou por meio de negociação coletiva entre a
empresa pública estadual e os empregados públicos.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Direito do Trabalho: legislação federal sobre reajuste de salário (‘gatilho
salarial’): incidência direta sobre as relações contratuais trabalhistas do
Estado-membro e suas autarquias. No âmbito da competência privativa da
União para legislar sobre Direito do Trabalho - que abrange as normas de
reajuste salarial compulsório - a lei federal incide diretamente sobre as
relações contratuais dos servidores dos Estados, dos Municípios e das
respectivas autarquias: uma coisa é repelir - por força da autonomia do
Estado ou da vedação de vinculações remuneratórias -, que a legislação local
possa atrelar os ganhos dos servidores estaduais, estatutários ou não, a
vencimentos da União ou índices federais de qualquer sorte. Outra coisa
bem diversa é afirmar a incidência direta sobre os salários de servidores
locais, regidos pelo Direito do Trabalho, de lei federal sobre reajustes
salariais: aqui, o problema não é de vinculação; nem de usurpação ou
renúncia indevida à autonomia do Estado; é, sim, de competência da União
para legislar sobre Direito do Trabalho”. (‘E 164.715, ‘el. Min. “epúlveda
Pertence, julgamento em 13-6-1996, Plenário, DJ de 21-2-1997).
(...) O Supremo fixou entendimento no sentido de que as empresas públicas
que exercem atividade econômica sujeitam-se ao regime jurídico das
empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias.
Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 552217 AgR,
Relator(a): Min. EROS GRAU, Segunda Turma, julgado em 29/09/2009, DJe-
200 DIVULG 22-10-2009 PUBLIC 23-10-2009 EMENT VOL-02379-08 PP-
01686)
RECURSO TRABALHISTA. IPC DE MARÇO DE 1990. ÍNDICE DE 84,32%.
DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA EM RELAÇÃO AOS EMPREGADOS
PÚBLICOS CONTRATADOS SOB O REGIME DA CLT. Os servidores do Distrito
Federal, à época regidos pela CLT, não têm direito adquirido às diferenças
salariais de 84,32% com base no IPC de março de 1990. A Lei distrital
38/1989 incide apenas sobre as relações do Distrito Federal com seus
servidores com vínculo estatutário. Agravo regimental a que se nega
provimento.
(AI 581418 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma,
julgado em 15/08/2006, DJ 22-09-2006 PP-00052 EMENT VOL-02248-07 PP-
01309)
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137
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A resposta do candidato deve conter, no mínimo, os seguintes elementos. Na
medida em que o projeto de lei em apreço dispõe sobre direito de
empregados públicos de empresa estatal exploradora de atividade
econômica, com a qual mantêm vínculo trabalhista e não estatutário, ocorre
invasão de competência da União para legislar sobre direito do trabalho,
prevista no art. 22, I, da Constituição Federal de 1988 (CF). Em uma única
circunstância legítima os estados poderiam legislar sobre a matéria: caso a
União fizesse uso da faculdade constante no parágrafo único do art. 22 da CF
e, por meio de lei complementar, autorizasse os entes estaduais a legislar
sobre questões específicas das matérias relacionadas no art. 22, I (entre as
quais, o direito do trabalho) — ADI 1.808, ADI 144, ADI 318. Havendo
invasão de competência legislativa da União, não há de se cogitar a
existência ou não de vício de iniciativa quanto à apresentação/propositura
do projeto de lei. Assim, afigura-se incorreto sustentar tanto a possibilidade
quanto a impossibilidade de iniciativa do parlamentar estadual em relação à
respectiva matéria. Empresa pública estadual exploradora de atividade
econômica submete-se a “regime jurídico próprio das empresas privadas,
inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários” (art. 173, § 1.º, II, CF). Por isso, é inconstitucional qualquer
extensão aos empregados públicos, por meio de lei, dos direitos conferidos
aos servidores públicos estatutários. A esses empregados cabem somente os
direitos trabalhistas concedidos por lei federal em caráter geral (ou por lei
estadual autorizada nos termos do art. 22, parágrafo único, CF) ou
negociados em contrato de trabalho (RE 552.217 AgR, AI 581.418 AgR, ADI
318).
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RR - 2013 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Emenda à Constituição de determinada unidade da Federação alterou o
limite de idade para a aposentadoria compulsória dos servidores públicos
desse estado-membro, prevendo a aposentadoria compulsória desses
servidores aos setenta e cinco anos de idade, com proventos integrais após
cinco anos de efetivo exercício no cargo, circunstância que ensejou o
ajuizamento de ação direta de inconstitucionalidade perante o STF. Nas
informações prestadas na ação, a assembleia legislativa do referido estado
destacou ter atuado no exercício de sua competência em matéria
previdenciária. À luz da Constituição Federal e da jurisprudência do STF,
responda, de forma justificada, aos seguintes questionamentos, relativos à
situação hipotética acima apresentada. 1- Houve ofensa às normas gerais
em matéria previdenciária? 2- Quais são os limites à competência
concorrente do estado membro? 3- A norma padece de vício de
inconstitucionalidade?
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138
Conforme o entendimento prevalente no STF, ocorreu ofensa às
normas gerais em matéria previdenciária. O art. 40, §1º, II, da CRFB não
deixa qualquer margem para a atuação inovadora do legislador constituinte
estadual, pois a disposição da CRFB é norma central categórica, de
observância compulsória por parte dos Estados-membros e municípios.
Ademais, muito embora o art. 24, XII, da CRFB disponha que é
competência concorrente da União e dos Estados legislar sobre previdência
social, o parágrafo primeiro do mesmo artigo aduz que no âmbito da
legislação concorrente, a competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais. Assim, como a União estipulou, na parte topográfica da
Constituição referente à Administração Pública, que o limite de idade, à
época da questão, era de 70 anos de idade, com base no princípio da
simetria, essa norma é de reprodução obrigatória, haja vista não tratar de
especificidades locais.
Somente o legislador constituinte derivado federal pode dispor sobre
a matéria, razão pela qual a norma impugnada padece do vício formal de
inconstitucionalidade. Por outro lado, já tendo o legislador constituinte
originário estabelecido a idade de 70 anos para o implemento da
aposentadoria compulsória da magistratura, a norma constitucional
estadual acaba por violar o conteúdo material da constituição federal ao
estabelecer a idade de 75 para o implemento da aposentadoria compulsória.
Acerca dos limites do constituinte derivado, ele cria ordenamento
constitucionalautônomo, mas o processo de criação que ele percorre difere
profundamente da originalidade criadora do constituinte federal. A
precedência da Constituição federal sobre a do Estado-Membro é exigência
lógica da organização federal, e essa precedência, que confere validez ao
sistema federal, imprime a força de matriz originária ao constituinte federal
e faz do constituinte original um seguimento derivado daquele.
Sendo um poder derivado do poder constituinte originário, não se
trata de um poder soberano, no sentido de poder dotado de capacidade de
autodeterminação plena. O poder constituinte dos Estados-membros é, isto
sim, expressão da autonomia desses entes, estando submetido a limitações,
impostas heteronomamente, ao conteúdo das deliberações e à forma como
serão tomadas.
No tocante ao federalismo, os entes federados dispõem de certas
prerrogativas para criação legislativa objetivando que não fiquem à mercê
das normas ditas centrais, sobretudo porque o Estado só é federal com a
constitucionalização do federalismo, além de que a ideia-matriz do
federalismo é da união na diversidade.
O federalismo deve garantir, a um só tempo, o direito à diferença e à
participação de todos na vontade central. Adotar a forma federativa não
significa impor a estrutura administrativo-organizacional do ente central às
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139
entidades parciais. Constitui, sim, garantir que em determinados espaços os
estados-membros possam agir com certa margem de liberdade de
conformação, sem que disso se depreenda qualquer prejuízo à união
indissolúvel pré-concebida. Em um país de dimensões continentais, em que
cada estado possui necessidades sócio-econômicas diversas, e que há
enorme variedade cultural, atribuir uma leitura centralizadora ao modelo
federativo significa afastar a possibilidade do direito de reduzir as
desigualdades sociais e regionais.
Portanto, no caso em tela, a norma padece de vício de
inconstitucionalidade formal e material, contrariando os limites impostos ao
poder constituinte derivado.
JURISPRUDÊNCIA APLICADA:
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA CAUTELAR. ART. 57, §
1º, II, DA CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ, NA REDAÇÃO DADA PELA EC
32, DE 27/10/2011. IDADE PARA O IMPLEMENTO DA APOSENTADORIA
COMPULSÓRIA DOS SERVIDORES PÚBLICOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS
ALTERADA DE SETENTA PARA SETENTA E CINCO ANOS. PLAUSIBILIDADE
JURÍDICA DA ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ART. 40, § 1º, II, DA CF. PERICULUM
IN MORA IGUALMENTE CONFIGURADO. CAUTELAR DEFERIDA COM EFEITO
EX TUNC. I – É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que as
normas constitucionais federais que dispõem a respeito da aposentadoria
dos servidores públicos são de absorção obrigatória pelas Constituições dos
Estados. Precedentes. II – A Carta Magna, ao fixar a idade para a
aposentadoria compulsória dos servidores das três esferas da Federação em
setenta anos (art. 40, § 1º, II), não deixou margem para a atuação inovadora
do legislador constituinte estadual, pois estabeleceu, nesse sentido, norma
central categórica, de observância obrigatória para Estados e Municípios. III
– Mostra-se conveniente a suspensão liminar da norma impugnada, também
sob o ângulo do perigo na demora, dada a evidente situação de insegurança
jurídica causada pela vigência simultânea e discordante entre si dos
comandos constitucionais federal e estadual. IV – Medida cautelar
concedida com efeito ex tunc.
(ADI 4696 MC, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno,
julgado em 01/12/2011, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-055 DIVULG 15-03-
2012 PUBLIC 16-03-2012)
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140
PODER EXECUTIVO
DEFENSOR PÚBLICO – DPE/RS – FCC (2018)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao item “a”, relevância e urgência são questões políticas.
Por força do princípio da separação dos poderes, o exame judicial é
excepcional, ocorrendo se houver flagrante violação dos referidos requisitos,
nos termos da jurisprudência do STF.
ácerca do item “b”, a resposta é negativa. O tema da hipotética MP
não esbarra nos limites materiais estabelecidos no art. 62 da CRFB. Há
inclusive MP real sobre o tema.
No que se refere ao item “c”, a resposta é negativa. “e o Congresso
Nacional não editar, no prazo de sessenta dias, Decreto regulamentando as
relações produzidas sob a medida provisória, os efeitos da rejeição serão ex
nunc, consoante a inteligência do art. 62, § 11, da CRFB.
Por fim, acerca do item “d”, a resposta é negativa. á segunda medida
provisória é inconstitucional, pois não é possível reeditar medida provisória
com o mesmo objeto de medida provisória rejeitada na mesma sessão
legislativa, ante a inteligência do art. 62, §10, da CRFB.
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJPA - 2014 – VUNESP
ESTUDO DE CASO - O Presidente da República adotou, em maio de 2015,
medida provisória, cujo objeto era a norma jurídica sobre trânsito de
veículos automotores. O Congresso Nacional, dentro do prazo de 60 dias,
contatos de sua publicação, emitiu juízo prévio sobre os pressupostos
constitucionais da referida espécie normativa, considerando os mesmos
atendidos, ao mesmo período temporal, deliberou sobre o mérito da medida
provisória, rejeitando-a integralmente. Em novembro de 2015, o chefe do
executivo editou outra medida provisória, que veiculava as mesmas matérias
da medida provisória anteriormente rejeitada. Responda de forma
justificada, apontando os fundamentos legais: a. É admissível, durante a
vigência da medida provisória, o exame jurisdicional dos requisitos de
relevância e urgência? b. Existe alguma limitação material a medida
provisória editada em maio de 2015? c. A rejeição de medida provisória
opera sempre com efeitos ex tunc? D. É Constitucional a medida provisória
publicada em novembro de 2015? (Elabore sua resposta definitiva em até 30
linhas)
A doutrina do direito constitucional brasileiro, há algum tempo, divergia
sobre a possibilidade ou impossibilidade de os Estados-membros da
federação adotarem medidas provisórias estaduais. Não obstante, o
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141
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Atualmente, é pacífico o entendimento de que é possível os Estados
adotarem medidas provisórias, desde que haja previsão expressa na
respectiva Constituição Estadual.
O STF consagrou esse entendimento por decisão proferida com base
nos seguintes fundamentos: a) ausência de disposição constitucional
proibindo a adoção; b) aplicação da competência residual dos Estados (art.
25, §1º, da CRFB); c) instrumento adequado para solucionar situações
emergenciais; d) a aplicação do princípio da simetria.
Em relação às medidas provisórias estaduais, aplicam-se as mesmas
limitações constitucionais aplicáveis às medidas provisórias federais,
contidas no art. 62 da CRFB, no que for cabível, em especial os requisitos de
relevância e urgência. Importante, ainda, esclarecer que há uma limitação
expressa no art. 25, §2º, da CRFB, que veda o seu uso para regulamentar a
exploração dos serviços locais de gás canalizado.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...) 1. Podem os Estados-membros editar medidas provisórias em face do
princípio da simetria, obedecidas as regras básicas do processo legislativo no
âmbito da União (CF, artigo 62). 2. Constitui forma de restrição não prevista
no vigente sistema constitucional pátrio (CF, § 1º do artigo 25) qualquer
limitação imposta às unidades federadas para a edição de medidas
provisórias. Legitimidade e facultatividade de sua adoção pelos Estados-
membros, a exemplo da União Federal. (...)
(ADI 425, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em
04/09/2002, DJ 19-12-2003 PP-00062 EMENT VOL-02137-01 PP-00014)
PROCURADORDO ESTADO – PGE/MA – FCC (2016)
Supremo Tribunal Federal enfrentou explicitamente essa questão,
consagrando seu entendimento sobre a matéria. Assim sendo, discorra
sobre o tema, explicando se, atualmente, é possível a adoção de medidas
provisórias pelos Estados, destacando em sua resposta os respectivos
fundamentos constitucionais, a posição do STF e demais aspectos
pertinentes à matéria no âmbito do direito constitucional.
ESTUDO DE CASO - O Governador de determinado Estado da federação,
considerando as dificuldades de índole orçamentário-financeira que o ente
vem enfrentando, pretende reduzir o teto para pagamento de requisições de
pequeno valor, que atualmente é de quarenta salários mínimos. Pretende,
ademais, que o novo patamar seja aplicável a todos os pagamentos que
vierem a ser realizados pela Fazenda estadual a partir de então. Por fim, a
intenção é de que o teto seja aplicável inclusive para fins de pagamento de
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142
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O Estado possui competência para fixar, por lei própria, de acordo
com sua capacidade econômica, o patamar para pagamento das obrigações
consideradas de pequeno valor (art. 100, § 4º, da CRFB). Poderá, inclusive, à
luz de sua capacidade econômica, pautando-se pela razoabilidade, fixar o
valor em patamar abaixo de 40 salários-mínimos (art. 87, I, do ADCT), desde
que não seja inferior ao valor do maior benefício do regime geral de
previdência social.
O novo teto não poderá atingir as requisições que decorram de
sentenças transitadas em julgado ou cujas execuções tenham sido iniciadas
anteriormente à entrada em vigor da lei, em observância ao princípio da
segurança jurídica (art. 5º, XXXVI, da CRFB). O novo teto aplica-se a todos os
débitos futuros da Fazenda estadual, inclusive os de natureza alimentícia.
Em matéria de preferências no pagamento de débitos da Fazenda, à
luz do disposto na Constituição, com a interpretação fixada pelo STF,
possuem preferência, em relação aos próprios débitos de natureza
alimentícia em geral, os débitos de natureza alimentícia cujos titulares
tenham 60 anos de idade ou mais ou que sejam portadores de doença grave,
enquanto pendente o pagamento (art. 100, §§ 1º e 2º, da CRFB), devendo ser
justificada sua aplicabilidade ou não ao pagamento de requisições de
pequeno valor.
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RO - 2011 - FCC
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Decretos autônomos são espécies normativas primárias, ou seja,
derivam diretamente da Constituição, dispondo sobre situações não
contempladas por lei, ou seja, inovando na ordem jurídica. Estão previstos no
art. 84, VI da CRFB, tendo sido introduzidos no ordenamento jurídico pela EC
nº 32/01 e constituem em exceções no ordenamento jurídico.
débitos de natureza alimentícia considerados de pequeno valor, os quais, no
entanto, seriam pagos com preferência sobre todos os demais. Diante disso,
responda, justificadamente, à luz da Constituição da República e da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal: De que maneira seria possível
instrumentalizar a pretensão governamental? Quais as condicionantes a
serem observadas para que seja compatível com a disciplina constitucional
da matéria?
É possível decreto autônomo estadual? Explique e faça a relação com o
Princípio da Legalidade e da Separação dos Poderes.
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143
Tais decretos derivam do chamado Poder Regulamentar (também
denominado por alguns doutrinadores como Poder Normativo), um dos
poderes-deveres da Administração Pública e que confere ao Chefe do Poder
Executivo o poder-dever de editar atos destinados a complementar a lei,
dando-lhe fiel execução. Embora a CRFB preveja a possibilidade de edição de
tais decretos pelo Presidente da República (art. 84, VI), doutrina e
jurisprudência majoritárias entendem que, pelo princípio da simetria, os
demais chefes dos Poderes Executivos (Governadores e Prefeitos) também
podem fazer uso de tal espécie normativa, sendo, portanto, possível sim a
existência de decretos autônomos estaduais.
Sobre o princípio da simetria, ou do paralelismo, vale registrar que se
trata do princípio que exige que os demais entes políticos (Estados,
Municípios e Distrito Federal) adotem em suas respectivas constituições e leis
orgânicas os preceitos fundamentais e as regras de organização do Estado
disciplinadas pela Constituição Federal.
Não obstante se entenda pela admissão do decreto autônomo, deve-
se deixar claro que tal espécie normativa somente pode ser utilizada
naqueles estritos casos previstos na Constituição Federal (art. 84, IV), ou
seja, apenas para tratar da organização e funcionamento da administração
federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou extinção
de órgãos públicos; e extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos,
sob pena de ser inconstitucional. Ademais, ainda que seja de competência do
Chefe do Executivo editar decretos autônomos dispondo sobre referidos
temas, havendo lei regulamentando o assunto, deve-se respeitá-la, em
observância ao principio da legalidade, base de um Estado Democrático de
Direito e ao qual toda a Administração Pública está vinculada (art. 5º, I; e
art. 37, caput, da CRFB).
Urge ressaltar que, embora o entendimento atualmente
predominante, tanto na doutrina como na jurisprudência, seja pela
existência dos decretos autônomos no ordenamento jurídico, mormente após
a edição da EC nº 32/01, há quem defenda a inconstitucionalidade de tais
espécies normativas, embasando-se no primado de que a Constituição
apenas conferiu ao chefe do Executivo o poder de editar atos (decretos) para
regulamentar, dar fiel execução às leis, não podendo criar direitos e deveres.
Assim, para tal corrente, apenas existiriam os decretos regulamentares. Isso
porque, se a Administração Pública somente pode atuar se a lei
expressamente autorizar (principio da legalidade), o administrador não
poderia editar um decreto sem prévia autorização legal.
Contudo, o STF já se posicionou pela viabilidade dos decretos
autônomos, sendo cabível, inclusive, controle de constitucionalidade sobre
eles. Na mesma linha de entendimento, é o Superior Tribunal de Justiça.
Importante mencionar que, caso tais decretos invadam matérias reservadas
à lei (princípio da reserva legal), extrapolando aqueles temas que a
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144
Constituição Federal lhes possibilitou regulamentar, além de infringir o
princípio da legalidade, haveria violação ao princípio da separação dos
poderes (art. 2º; e art. 60,§4º, III da CRFB), já que o Poder Executivo estaria
legislando e, consequentemente, usurpando a função típica o Poder
Legislativo.
Em suma, é sim possível a existência de decretos autônomos
estaduais, em decorrência do princípio da simetria, devendo-se, contudo,
sempre observar os limites impostos pela Constituição Federal, sob pena de
violação aos princípios da legalidade e da separação dos poderes.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
ADI 2857:AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI 6.835/2001 DO
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO. INCLUSÃO DOS NOMES DE PESSOAS FÍSICAS E
JURÍDICAS INADIMPLENTES NO SERASA, CADIN E SPC. ATRIBUIÇÕES DA
SECRETARIA DE ESTADO DA FAZENDA. INICIATIVA DA MESA DA ASSEMBLÉIA
LEGISLATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. A lei 6.835/2001, de
iniciativa da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo, cria
nova atribuição à Secretaria de Fazenda Estadual, órgão integrante do Poder
Executivo daquele Estado. À luz do princípio da simetria, são de iniciativa
do Chefe do Poder Executivo estadual as leis que versem sobre a
organização administrativa do Estado, podendo a questão referente à
organização e funcionamento da Administração Estadual,quando não
importar aumento de despesa, ser regulamentada por meio de Decreto do
Chefe do Poder Executivo (art. 61, § 1º, II, e e art. 84, VI, a da Constituição
federal). Inconstitucionalidade formal, por vício de iniciativa da lei ora
atacada. (STF - ADI: 2857 ES, Relator: JOAQUIM BARBOSA, Data de
Julgamento: 30/08/2007, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-152
DIVULG 29-11-2007 PUBLIC 30-11-2007 DJ 30-11-2007) (grifos nossos).
ADI 3664:EMENTAS: 1. INCONSTITUCIONALIDADE. Ação direta. Objeto.
Admissibilidade. Impugnação de decreto autônomo, que institui benefícios
fiscais. Caráter não meramente regulamentar. Introdução de novidade
normativa. Preliminar repelida. Precedentes. Decreto que, não se limitando
a regulamentar lei, institua benefício fiscal ou introduza outra novidade
normativa, reputa-se autônomo e, como tal, é suscetível de controle
concentrado de constitucionalidade. 2. INCONSTITUCIONALIDADE. Ação
direta. Decreto nº 27.427/00, do Estado do Rio de Janeiro. Tributo. Imposto
sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Benefícios fiscais.
Redução de alíquota e concessão de crédito presumido, por Estado-
membro, mediante decreto. Inexistência de suporte em convênio celebrado
no âmbito do CONFAZ, nos termos da LC 24/75. Expressão da chamada
“guerra fiscal”. Inadmissibilidade. Ofensa aos arts. 150, § 6º, 152 e 155, § 2º,
inc. XII, letra “g”, da CF. Ação julgada procedente. Precedentes. Não pode o
Estado-membro conceder isenção, incentivo ou benefício fiscal, relativos ao
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, de modo
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145
unilateral, mediante decreto ou outro ato normativo, sem prévia celebração
de convênio intergovernamental no âmbito do CONFAZ. (STF - ADI: 3664 RJ,
Relator: Min. CEZAR PELUSO, Data de Julgamento: 01/06/2011, Tribunal
Pleno, Data de Publicação: DJe-181 DIVULG 20-09-2011 PUBLIC 21-09-2011
EMENT VOL-02591-01) (grifos nossos).
ADI 3232:EMENTAS: 1. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Condição. Objeto. Decreto que cria cargos públicos remunerados e
estabelece as respectivas denominações, competências e remunerações.
Execução de lei inconstitucional. Caráter residual de decreto autônomo.
Possibilidade jurídica do pedido. Precedentes. É admissível controle
concentrado de constitucionalidade de decreto que, dando execução a lei
inconstitucional, crie cargos públicos remunerados e estabeleça as
respectivas denominações, competências, atribuições e remunerações. 2.
INCONSTITUCIONALIDADE. Ação direta. Art. 5º da Lei nº 1.124/2000, do
Estado do Tocantins. Administração pública. Criação de cargos e funções.
Fixação de atribuições e remuneração dos servidores. Efeitos jurídicos
delegados a decretos do Chefe do Executivo. Aumento de despesas.
Inadmissibilidade. Necessidade de lei em sentido formal, de iniciativa
privativa daquele. Ofensa aos arts. 61, § 1º, inc. II, a, e 84, inc. VI, a, da CF.
Precedentes. Ações julgadas procedentes. São inconstitucionais a lei que
autorize o Chefe do Poder Executivo a dispor, mediante decreto, sobre
criação de cargos públicos remunerados, bem como os decretos que lhe
dêem execução. (STF - ADI: 3232 TO, Relator: CEZAR PELUSO, Data de
Julgamento: 14/08/2008, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJe-187
DIVULG 02-10-2008 PUBLIC 03-10-2008) (grifos nossos).
ADI 2387:AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECRETO Nº 3.721,
DE 8.01.2001, QUE ALTERA OS ARTIGOS 20, II E 31, INCISOS IV E V DO
DECRETO Nº 81.240, DE 20.01.78. LEI Nº 6.435, DE 15.07.77, QUE DISCIPLINA
O FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA FECHADA.
DECRETO AUTÔNOMO. INEXISTÊNCIA. É firme a jurisprudência deste
Supremo Tribunal no sentido de que a questão relativa ao decreto que, a
pretexto de regulamentar determinada lei, extrapola o seu âmbito de
incidência, é tema que se situa no plano da legalidade, e não no da
constitucionalidade. No caso, o decreto em exame não possui natureza
autônoma, circunscrevendo-se em área que, por força da Lei nº 6.435/77, é
passível de regulamentação, relativa à determinação de padrões mínimos
adequados de segurança econômico-financeira para os planos de benefícios
ou para a preservação da liquidez e da solvência dos planos de benefícios
isoladamente e da entidade de previdência privada no seu conjunto. Ação
direta de inconstitucionalidade não conhecida. (STF - ADI: 2387 DF, Relator:
MARCO AURÉLIO, Data de Julgamento: 21/02/2001, Tribunal Pleno, Data de
Publicação: DJ 05-12-2003).
AgRg no RMS 27.679/RS ( STJ):PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE
SEGURANÇA – COMPETÊNCIA DA UNIÃO PARA LEGISLAR SOBRE ÁGUAS –
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146
ATO ADMINISTRATIVO BASEADO EM DECRETO ESTADUAL AUTÔNOMO
CONFLITANTE COM LEIS ESTADUAL E FEDERAL – INVALIDADE. 1. O
ordenamento jurídico nacional não permite a edição de Decretos
autônomos, salvo nos casos do inciso VI do artigo 84 da Constituição
Federal/88. 2. O Decreto Estadual em comento veicula restrições
inexistentes nas leis regulamentadas, o que invalida as restrições
apresentadas. 3. Ainda que houvesse lei estadual restringindo a perfuração e
captação de águas em poços artesianos, sua validade restaria afastada com
base na competência da UNIÃO para legislar sobre águas -artigo 22, inciso
IV, da Constituição Federal/88. Agravo regimental improvido. (AgRg no RMS
27.679/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado
em 13/10/2009, DJe 21/10/2009).
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147
PODER LEGISLATIVO
ANALISTA - ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO SERGIPE – FCC (2018)
ESTUDO DE CASO - Em discurso proferido no Plenário de determinada
Assembleia Legislativa, Deputado Estadual pertencente a partido de
oposição ao governo atribuiu ao Deputado Estadual líder do governo na Casa
a suposta prática de atos definidos em lei como crimes contra a
Administração Pública. A acusação partiu de elementos constantes de
relatório do Tribunal de Contas do Estado sobre irregularidades na
celebração, no ano em curso, de contratos pela Administração direta
estadual, com empresa da qual o Deputado líder do governo é diretor,
havendo ainda indícios de que teria percebido vantagens materiais
indevidas. O discurso, registrado em meio digital, foi divulgado pelo próprio
Deputado de oposição em perfis seus e do partido, mantidos em redes
sociais diversas, e aos quais têm acesso, diariamente, centenas de milhares
de pessoas que seguem suas publicações. Diante do ocorrido, o Deputado
líder do governo na Assembleia promoveu, em face do Deputado de
oposição, o ajuizamento de ação penal, pela prática de crimes contra a
honra, em virtude de lhe ter imputado a prática de atos ilícitos, e
simultaneamente o ajuizamento de ação, na esfera cível, pleiteando
indenização por danos materiais e morais sofridos em decorrência da
divulgação, em redes sociais do vídeo em que registrado o discurso. O
Deputado de oposição, a seu turno, de posse do relatório do Tribunal de
Contas, adotou duas medidas: requereu ao Ministério Público de Contas que
tomasse as medidas cabíveis para promover a responsabilização cível e
penal do Deputado líder do governo; e requereu à Assembleia Legislativa a
abertura de processo para que a Mesa da Casa declarasse a perda do
mandato do Deputado líder do governo, por quebra de decoro parlamentar.
Considerados os elementos acima, à luz da Constituição Federal e da
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, responda, justificadamente: a.
É legítima a pretensão de responsabilização do Deputado Estadual de
oposição, nas esferas cível e penal, em virtude do discurso proferido no
Plenário da Assembleia? E em virtude de sua divulgação por meio das redes
sociais? b. O Ministério Público de Contas está legitimado a adotarefeitos” da pronúncia de inconstitucionalidade da lei.
Analise a compatibilidade de tal prática para com o sistema brasileiro de
controle de constitucionalidade, assim como o momento adequado e a
legitimidade para a sua provocação, bem como a sua aplicabilidade às leis
que instituem ou majoram tributos.
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torpeza, gerando enriquecimento estatal às custas do sacrifício de direitos
fundamentais do contribuinte. Ademais, o juiz deve ser imparcial em suas
decisões, sem pender para mera preocupação com eventuais prejuízos de
seus julgados aos cofres públicos.
PROCURADOR DO ESTADO – PGE/MT – FCC - 2016
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O processo de elaboração da norma em questão seria
inconstitucional sob quatro aspectos: vício de iniciativa: trata-se de projeto
de lei de iniciativa privativa do Governador do Estado; inadequação da via
eleita: para organização da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso é
necessária lei complementar, cujo quorum de aprovação é o da maioria
absoluta dos membros da assembleia Legislativa; procedimento de análise
do veto (a Assembleia Legislativa não poderia introduzir alteração no texto
vetado) e promulgação da lei (após a rejeição do veto, o projeto deveria ser
enviado ao Governador do Estado para promulgação e somente se esta não
tivesse ocorrido no prazo de 48 horas é que caberia ao Presidente da
Assembleia Legislativa fazê-lo).
O Governador do Estado está legitimado a questionar a
constitucionalidade da Lei Ordinária em face da Constituição do Estado, por
meio de Ação Direta de Inconstitucionalidade, ajuizada perante o Tribunal de
Justiça de Mato Grosso.
ESTUDO DE CASO - Projeto de lei ordinária alterando a organização da
carreira de Procurador do Estado de Mato Grosso, de autoria de
determinado Deputado Estadual, é aprovado pela maioria simples dos
membros da Assembleia Legislativa, presente a maioria absoluta à sessão de
votação. É, então, enviado ao Governador do Estado, que dentro do prazo
de quinze dias acaba por vetá-lo totalmente. O projeto retorna, assim, à
Assembleia Legislativa, que introduz pequena modificação no texto, sendo
em seguida o veto do Chefe do Poder Executivo Estadual rejeitado pela
maioria absoluta de seus membros, e a lei consequentemente promulgada e
publicada pelo Presidente da Assembleia Legislativa. Reputando irregular o
processo de elaboração da norma nessas condições, o Governador do Estado
pretende questionar sua constitucionalidade, em sede judicial. À luz da
disciplina da matéria na Constituição da República e na Constituição do
Estado de Mato Grosso, responda fundamentadamente às seguintes
indagações acerca da situação hipotética acima apresentada: a. Sob quais
aspectos o processo de elaboração da norma em questão acima referida
seria inconstitucional? b. Estaria o Governador do Estado legitimado a
questionar a constitucionalidade da lei em sede judicial? Em caso negativo,
por quê? Em caso afirmativo, qual a medida cabível e o juízo competente?
(Elabore sua resposta definitiva em até 40 linhas)
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PROCURADOR – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA/GO – 2019 – IADES
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
1. Cabe ADI de lei estadual em face da Constituição do estado – cabe aos
Estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou
atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual,
vedada a atribuição da legitimação para agir a um único (art. 125, § 2o, da
CF).
2. Proposta a ação direta em face da Constituição Estadual, será competente
o Tribunal de Justiça, que é o guardião do direito constitucional estadual.
3. O controle, no caso, é concentrado, pois se trata de lei em tese.
4. Não há necessidade de simetria – previsão que não afronta a CF, já que é
ausente o dever de simetria para com o modelo federal, que impõe apenas a
pluralidade de legitimados para a propositura da ação (art. 125, § 2o,
CF/1988). [ADI 119, rel. min. Dias Toffoli, j. 19-2-2014, P, DJE de 28-3-2014.].
5. Cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) o julgamento do recurso
extraordinário, porque se trata de questão constitucional (CF, art. 102, III,
“a”).
6. Cabe recurso extraordinário, porque as normas constitucionais estaduais
reproduzem dispositivos da Constituição Federal.
Leia, com atenção, as informações a seguir. Analise o caso em que um
partido político, com representação da Câmara Legislativa, ajuizou ação
direta de inconstitucionalidade (ADI) em face de determinada lei estadual. O
fundamento é a afronta de uma lei estadual em face da Constituição do
Estado que, por sua vez, reproduz dispositivo da Constituição Federal. A
ação foi julgada procedente e a lei foi declarada inconstitucional com
eficácia geral. Considerando o exposto, redija um texto dissertativo e (ou)
descritivo respondendo aos questionamentos “é cabível a referida ação
declaratória de inconstitucionalidade? É possível recorrer dessa decisão?”.
Aborde, necessariamente os tópicos a seguir. a) Explique se é cabível o
controle de constitucionalidade de lei estadual em face da Constituição do
Estado, e qual o órgão competente para o julgamento da ADI na justiça
estadual. b) Indique, no que tange aos legitimados para propor ação
declaratória de inconstitucionalidade, se deve existir simetria entre o
modelo federal e o estadual. c) Indique se cabe recurso da decisão que
julgou procedente a ADI e a quem tal recurso deveria ser dirigido. d) Indique
se a Procuradoria da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás e a
Procuradoria do Estado de Goiás poderiam recorrer, mesmo sem ter
legitimidade para a ADI. e) Indique se a recorrente, no caso narrado, em
cabendo o recurso, teria, como a fazenda pública, prazo em dobro.
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7. Se não houvesse a reprodução, não caberia o recurso (Brasília, 27 de
setembro de 2006. Ministro GILMAR MENDES Relator * decisão publicada no
DJU de 10.10.2006).
8. O STF fixou entendimento de que a legitimidade recursal no controle
concentrado é paralela à legitimidade processual ativa. Caberia ao
governador do estado, por exemplo, assinar o recurso, e não o procurador.
(RE 774057 AgR / SP – SÃO PAULO . AG. REG. NO RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO. Julgamento:
30/11/2018).
9. O prazo para interpor o recurso extraordinário é de 15 (quinze) dias – CPC,
art. 1.003, § 5o: excetuados os embargos de declaração, o prazo para
interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 (quinze) dias.
10. Segundo entendimento do STF, não há prazo em dobro nos processos
objetivos - CPC, art. 183.
PROCURADOR – ASSEMBLEIA LEGISLATIVA/GO – 2019 – IADES
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
1. A ADPF tem previsão no art. 102, § 1o da CF;
2. Os legitimados para ação direita são os mesmo da ADPF - Podem propor
arguição de descumprimento de preceito fundamental: I - os legitimados
para a ação direta de inconstitucionalidade (art. 2o, da Lei no 9.882/1999);
3. Os legitimados para ADI estão na Constituição Federal (CF), art. 103 e seus
incisos;
Leia, com atenção, as informações a seguir. Analise o caso de um cidadão
que interpôs ação de descumprimento de preceito fundamental (ADPF)
perante o Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir a
inconstitucionalidade de determinada lei pré-constitucional em face da
Constituição de 1998. Na ação, foi formulado um pedido para que, se não
conhecida a ADPF, ela fosse recebida como ação direta de
inconstitucionalidade (ADI). O estado de Goiás e a Assembleia Legislativa de
Goiás foram intimados para se manifestarem. Com base nessas informações,
redija um texto dissertativo e (ou) descritivo respondendo ao
questionamento “é correto afirmar que a áDPF será julgada procedente?”.
Abordemedidas
judiciais visando à responsabilização cível e penal do Deputado Estadual líder
do governo? c. É cabível a instauração de processo para declaração de perda
do mandato do Deputado Estadual líder do governo, pelos motivos e da
forma requerida pelo Deputado Estadual de oposição?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Os parlamentares têm assegurado, por expressa previsão
constitucional, o direito à expressão plena em decorrência de seus atos ou
palavras no exercício da função. Com efeito, o art. 53 da Constituição Federal
dispõe que os congressistas são invioláveis, civil e penalmente, por qualquer
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148
opinião, palavra ou voto. Em virtude do princípio da simetria, a mesma regra
se aplica aos deputados estaduais.
Assim, a pretensão de responsabilização do deputado estadual é
infundada, pois as acusações feitas por ele parecem ter sido no exercício do
mandato, já que proferidas em sessão plenária. De acordo com o
mencionado dispositivo, o parlamentar não pode ser responsabilizado civil
ou criminalmente. Da mesma forma, o fato de ter divulgado o discurso em
redes sociais não retira a imunidade, pois houve mera reprodução de
discurso originariamente imune, o que pode ser interpretado como mera
divulgação de atividade parlamentar.
O Ministério Público de Contas está legitimado a adotar providências
no âmbito da Corte de Contas. Assim, poderá investigar eventuais atos
ilícitos financeiros cometidos pelo deputado, mas não na seara criminal,
tampouco acerca de sua responsabilização pessoal, vez que nenhuma dessas
esferas é atinente às atividades do Tribunal de Contas do Estado (cujas
atribuições estão previstas no art. 71 da CRFB).
De acordo com o art. 53, § 3º, da CRFB, o processo criminal contra
ato de parlamentar ocorrido durante o mandato deverá ser comunicado à
Casa a qual pertence, que poderá sustar o andamento da ação penal. No
entanto, a conduta delitiva parece configurar crime de responsabilidade, em
especial ao se cotejar os arts. 54, I, “a” da Constituição com o art. 55, I
também da Constituição. Assim, o deputado se sujeitará à perda de seu
cargo, consoante disposto no art. 55, §§ 1º e 2,º da CRFB, o que será
decidido pela própria casa legislativa.
POLÍCIA DO SENADO - SENADO FEDERAL - 2008 – FGV
O Senado Federal, por decisão unânime, fez instalar uma Comissão
Parlamentar de Inquérito para investigar as razões que originaram o caos
aéreo nacional. Os senadores pretendiam conhecer todos os detalhes
relacionados ao tráfego aéreo nacional com objetivo de elaborar uma nova
legislação que melhor regulasse a matéria. Diversas medidas foram tomadas,
entre elas a convocação de autoridades civis e militares para prestarem
depoimentos, a requisição de documentos de órgãos públicos, a realização
de diligências envolvendo exames estatísticos e, ainda, a convocação de
pessoas envolvidas com a colisão de dois aviões no aeroporto de Porto
Alegre. Esse acidente fora causa da morte de 150 pessoas que estavam
embarcadas no avião da companhia Voe Bem que, ao aterrissar, colidiu com
um avião particular que estava em solo, manobrando para estacionar em um
hangar. O primeiro a ser intimado, na condição de testemunha, foi o
controlador da pista principal do aeroporto de Porto Alegre, José Josias. Ao
chegar ao Senado Federal para ser ouvido, José Josias estava acompanhado
pelo advogado Mário Messias, o qual se dirigiu ao Presidente do Senado
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149
comunicando que ficaria ao lado do seu cliente durante todo o depoimento.
O advogado também apresentou uma petição juntando documentos que
comprovavam que José Josias fora indiciado no inquérito policial que
apurava a responsabilidade criminal das mortes ocorridas naquele mesmo
acidente que os Senadores apuravam. A petição finalizava informando que
José Josias se reservaria ao direito de permanecer calado caso considerasse
que as respostas às perguntas eventualmente formuladas pelos Senadores
violariam sua garantia de não se auto-incriminar, a sessão corria bem até
que a Senadora Maria Marins indagou de José Josias sobre a permissão que
ele teria dado para que o avião da companhia Voe Bem pousasse justamente
na pista de número 03, onde estava o avião particular. Nesse momento, José
virou-se para Mário e disse que não gostaria de responder àquela pergunta,
tendo o Dr. Mário Messias dito que José poderia deixar de responder à
pergunta. Maria Marins indignou-se e disse que aquele comportamento era
inadmissível, ao que o advogado retrucou que se tratava de uma garantia de
seu cliente. A Senadora então expulsou o advogado da sala, o qual saiu sob
protestos, dizendo que a lei previa que ele poderia acompanhar seu cliente.
Com a saída de seu advogado, José Josias foi novamente perguntado pela
Senadora sobre a permissão que ele teria dado para que o avião da
companhia Voe Bem pousasse justamente na pista de número 03, onde
estava o avião particular. Mais uma vez, José se recusou a responder. Nesse
momento, a Senadora avisou a José que essa recusa caracterizaria os crimes
de desobediência (art. 330 do Código Penal), desacato (art. 331 do Código
Penal) e falso testemunho (art. 342 do Código Penal), pois José ali
comparecera na qualidade de testemunha, não indiciado. Pela terceira vez,
José afirmou que permaneceria calado, sendo-lhe dado voz de prisão em
flagrante pela Senadora Maria Marins, determinando-se à Polícia Legislativa
que lavrasse o auto de prisão em flagrante, que seria presidido por ela
própria, Senadora. (a) Foi correta a expulsão do advogado da sala de sessões
em que ocorria o depoimento de seu cliente? Indique as normas jurídicas
(princípios e leis) que regulam o caso. (b) Avalie a decretação da prisão de
José Josias. Analise o(s) crime(s) efetivamente praticado por José Josias.
Indique e analise as normas jurídicas (princípios e leis) que regulam o caso.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Diante do caso acima explicitado, faz-se importante salientar,
primeiramente, que foi incorreta a expulsão do advogado da sala de sessões
em que ocorria o depoimento do seu cliente, haja vista a disposição do art.
3º, §2º, da Lei nº 1.579/52, que regulamenta as Comissões Parlamentares de
Inquérito, no sentido de que o depoente poderá fazer-se acompanhar de
advogado, ainda que em reunião secreta. Ademais, a Lei nº 8.906/94
assegura ao profissional da advocacia as suas prerrogativas funcionais e,
dentre elas, a de assistir o seu cliente e a de comunicar-se com ele durante a
inquirição, bem como a de não sofrer nenhum tipo de coação.
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150
Cumpre destacar, ainda, que, embora a presença de advogado não
seja tida como obrigatória ao longo dos procedimentos conduzidos pelas
CPIs, a escolha de um defensor cuida-se de uma faculdade do cidadão. A
defesa técnica, exercida por profissional de advocacia, dotado de capacidade
postulatória, constitui-se, ao lado da autodefesa, em uma das subdivisões do
direito constitucional da ampla defesa (art. 5º, LV, da CRFB).
No tocante à prisão de Josias, pode-se afirmar que o auto de prisão
foi lavrado em desacordo com a legislação vigente, haja vista que a conduta
praticada por ele é, na verdade, atípica. Assim, não há que se falar em
eventual prática do crime de desacato, tendo em vista a inexistência de
qualquer ofensa ou desprestígio a funcionário público. De igual forma, não
encontra pertinência legal a capitulação do delito de desobediência, diante
da ausência da ordem legal desobedecida. Por sua vez, a infração de falso
testemunho também não restou configurada, porque ninguém está obrigado
a responder questionamentos realizados por autoridade pública, mesmo na
condição de testemunha, que possam vir a incriminar o depoente.
O princípionecessariamente, os tópicos a seguir: a) Quem são os legitimados
para ajuizar a ADPF? b) O que é o princípio da subsidiariedade? c) Seria
admitido, no caso narrado, o recebimento da ADPF como ADI? d) No
procedimento da ADPF, o relator poderia indeferir a inicial liminarmente, e
tal decisão é recorrível?
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4. O princípio da subsidiariedade significa que não cabe ADPF quando houver
outro meio eficaz para sanar a lesividade, por exemplo, quando couber ADI,
ADC etc. Não será admitida arguição de descumprimento de preceito
fundamental quando houver qualquer outro meio eficaz de sanar a
lesividade (art. 4o, § 1o, da Lei no 9.882/1999);
5. À ADPF cabe direito pré-constitucional. Caberá também arguição de
descumprimento de preceito fundamental: I - quando for relevante o
fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo
federal, estadual ou municipal, incluídos os anteriores à Constituição (art. 1o,
parágrafo único da Lei no 9.882/1999);
6. Não caberia o recebimento, porque não cabe ADI de lei pré-constitucional,
nem o legitimado está correto;
7. O STF não admite a fungibilidade da ADPF pela ADI quando se tratar de
erro grosseiro;
8. O relator pode indeferir liminarmente, pois o cidadão não é legitimado
para o ajuizamento da ADPF. A petição inicial será indeferida liminarmente
pelo relator, quando não for o caso de arguição de descumprimento de
preceito fundamental, faltar algum dos requisitos prescritos nessa lei ou for
inepta (art. 4o da Lei no 9.882/1999);
9. Liminar é no início do processo, sem ouvir as partes; e
10. Cabe recurso de agravo em cinco dias – art. 4, § 2o, da Lei no
9.882/1999.
PROCURADOR MUNICIPAL - PGM-PAULÍNIA/SP - 2016 – FGV
O Prefeito do Município X, com o objetivo de promover o ecoturismo na
região, negocia há longa data com representantes do ramo hoteleiro a
fixação de uma Área de Proteção Ambiental – APA e a edição de um Plano
de Desenvolvimento Turístico. Anos após o início das negociações, o
Município X edita a Lei n. 123, que define a área da APA e aprova o referido
Plano de Desenvolvimento Turístico. Entretanto, esta Lei vem a ser
declarada inconstitucional pelo Tribunal de Justiça, em controle concentrado
de constitucionalidade. Com isso, o presidente de uma grande rede de
hotéis, ingressa com Ação de Responsabilidade Civil em face do Município X,
alegando: i) responsabilidade por omissão legislativa do Município X, pela
demora na aprovação da Lei, frustrando sua legítima expectativa; e ii)
responsabilidade civil pela declaração de inconstitucionalidade da Lei n. 123,
que lhe causou comprovados prejuízos decorrentes do início das obras de
construção de um hotel no Município X. Sobre o caso, responda: A) Procede
a responsabilidade por omissão legislativa no caso? Justifique. B) Procede a
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21
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A responsabilidade civil do Estado é um tema polêmico, que sempre
traz diversos questionamentos. A regra geral está prevista no art. 37, § 6º,
da CRFB, segundo o qual os entes públicos (suas autarquias, fundações e
prestadoras, ainda que empresas privadas, de serviços públicos) serão
responsáveis pelos danos que seus agentes causarem a terceiros.
Boa parte da doutrina e jurisprudência pátrias defende a tese de que
aquele dispositivo prevê a responsabilidade objetiva do Estado. Ou seja: uma
vez comprovado o nexo de causalidade entre a conduta do agente (lícita ou
ilícita) e o dano sofrido por terceiro, o Estado terá a obrigação de indenizar,
independentemente de qualquer elucubração acerca de eventual dolo ou
culpa do agente público.
Contudo, é importante ressaltar que a tese da responsabilidade
objetiva não é aplicada em todas as situações. Por regra, ela é muito bem
aceita em condutas comissivas de agentes estatais, bem como em atos
negociais (contratos, por exemplo). Por outro lado, o enunciado em comento
trata de dois atos de império por excelência: a elaboração de lei e a
realização de controle de constitucionalidade pelo Judiciário.
Em primeiro lugar, um particular jamais pode entender que o
Município é responsável por um ato que depende da vontade soberana de
dois Poderes: o Executivo, que deveria enviar o projeto de lei, e o Legislativo,
que aprovará o projeto após discussões e deliberações de diversos membros.
O processo legislativo não é ato negocial, pois configura verdadeiro ato de
império (tal como a declaração de guerra e o exercício da diplomacia, ainda
que comercial), sobre o qual não se pode responsabilizar o ente público, sob
pena de engessar toda e qualquer elaboração legislativa. O que se admite,
em casos bastante excepcionais, é a responsabilização por leis de efeitos
concretos, desde que os prejuízos e o nexo de causalidade sejam provados
inequivocamente pelo particular (o que não parece ser o caso em tela).
Ademais, a mera demora no processo legislativo não implica em
omissão legislativa nesse caso. A jurisprudência até reconhece, em remotas
hipóteses, a responsabilidade estatal, mas apenas se houver obrigação
prevista constitucionalmente para o envio (e não aprovação) do projeto de
lei, desde que seja essencial para a disciplina e/ou tutela de direitos. No
enunciado em comento, nenhum desses requisitos está presente, uma vez
que existia mera expectativa do particular que o agente público conseguisse
(por meios políticos) a aprovação de projeto que lhe seria favorável.
No que tange à declaração de inconstitucionalidade, igualmente se
está diante de um ato de império, neste caso do Poder Judiciário. As decisões
responsabilidade em decorrência de declaração de inconstitucionalidade da
Lei n. 123? Justifique.
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22
judiciais, em regra, não ensejam qualquer responsabilidade do Estado por se
tratarem de atos apolíticos e neutros, mas passíveis de impugnação inclusive
por terceiros que demonstrem interesse jurídico em sua reforma.
Excepcionalmente admite-se a mitigação dessa regra nas hipóteses de erro
judiciário grave, em que haja a lesão a direitos humanos (por exemplo, a
privação da liberdade decretada em processo criminal).
Não se vislumbra, também, responsabilidade do Município na
declaração da inconstitucionalidade da lei. A aprovação de ato legislativo é
uma conduta legítima de qualquer esfera de governo, apresentando-se como
clássico ato de império, não passível de indenização. O que o particular
poderia requerer, em remotíssima hipótese, seria a responsabilização direta
do agente público, em nome deste, mas devendo provar o dolo específico em
causar o vício que deu origem à inconstitucionalidade.
TRIBUNAIS DE CONTAS – TCM/SP - 2015 – FGV
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em primeiro lugar, é necessário pontuar que a lei padece de grave
vício formal de inconstitucionalidade. Com efeito, algumas matérias
previstas na Constituição guardam a chamada reserva de iniciativa, com
fundamento no princípio da separação de poderes. Vale dizer: com o intuito
de evitar desequilíbrios ou até mesmo ingerências entre os diferentes
poderes, o legislador constitucional entendeu por bem reservar a iniciativa
dessas matérias para o Chefe do Poder Executivo (regra que é aplicada aos
demais entes da Federação em virtude do princípio da simetria).
Note-se que justamente uma dessas matérias é a organização, o
regime jurídico ou a remuneração dos servidores públicos (consoante
disposição do art. 61, § 1º, II, “c”, da C‘FB). E esse é o tema sobre o qual a lei
tratada no enunciado versa, o que conduz inevitavelmente à
inconstitucionalidade. Perceba-se que a mera sanção da lei com vício de
iniciativa pelo Chefe do Poder Executivo não supre a irregularidade, tal como
enunciado na Súmula 5 do SupremoTribunal Federal (aplicada até hoje).
Um grupo de vereadores, com forte apoio popular, encaminhou projeto de
lei à respectiva Casa Legislativa promovendo o aumento da remuneração de
todos os servidores públicos municipais. O projeto foi aprovado pela Câmara
Municipal e sancionado pelo Chefe do Poder Executivo em solenidade muito
festiva, tornando-se, portanto, lei. Pouco tempo depois, o Prefeito Municipal
arrependeu-se de ter apoiado a iniciativa e solicitou à Procuradoria do
Município que analisasse a possibilidade de não cumprir a lei. À luz do
exposto, responda de forma fundamentada: a – A lei apresenta algum vício
de inconstitucionalidade? b – O Prefeito municipal pode deixar de cumprir a
lei?
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A princípio, o Prefeito não pode se furtar de cumprir a lei, pois uma
norma geral e abstrata é dotada de coercitividade, devendo ser de
observância por todos, indistintamente. No entanto, não se pode perder de
vista que se está diante de um Chefe de Poder, independente. Assim, o
Prefeito tem o direito (talvez até o dever) de orientar a Administração
Pública acerca de uma possível inconstitucionalidade, notoriamente sobre
um tema que impacta diretamente nas contas públicas.
Portanto, vem sendo reconhecida a possibilidade de o Chefe do
Executivo editar um decreto em que determina a não aplicação de uma
norma, desde que de maneira fundamenta e seguida do manejo da ação
cabível para a sua impugnação pela via judicial (no caso, a representação de
inconstitucionalidade, de competência do Tribunal de Justiça).
ADVOGADO DA UNIÃO – AGU - 2016 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A ação declaratória de constitucionalidade foi regulada pela Lei nº
9.868/99, tendo como objetivo a declaração de conformidade de uma lei ou
ato normativo federal autônomo (não regulamentar) com a CRFB. Nesse tipo
de ação, é feita a análise em abstrato da norma impugnada, sem avaliar sua
aplicação a um caso concreto. A legitimidade ativa para propor a ação está
prevista no art. 103 da CRFB, que é bem mais amplo do que o rol previsto na
Lei nº 9.868/99.
Diversamente da ação direta de inconstitucionalidade, que pode ser
manejada contra lei ou ato normativo estadual e federal, a ação declaratória
de constitucionalidade tem por alvo apenas lei ou ato normativo federal.
Acerca do procedimento, a petição inicial indicará o dispositivo da lei ou do
ato normativo questionado e os fundamentos jurídicos do pedido, o pedido,
com suas especificações, e a existência de controvérsia judicial relevante
Determinado estado da Federação editou lei que torna o exercício da
acupuntura uma exclusividade dos médicos. Dada a existência de relevante
controvérsia doutrinária sobre a aplicação dessa lei, o Conselho Federal de
Medicina (CFM) ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) ação declaratória
de constitucionalidade (ADC) pedindo que o tribunal declare sua
constitucionalidade. Com base na jurisprudência do STF e nas normas
constitucionais, redija um texto dissertativo acerca da viabilidade da ADC
apresentada. Em seu texto, aborde 1 - a finalidade da ADC e a presunção de
constitucionalidade das normas; [valor: 2,00 pontos] 2 - a legitimidade do
CFM para ajuizar ADC; [valor: 2,50 pontos] 3 - o objeto da ADC; [valor: 2,50
pontos] 4 - a relevante controvérsia sobre a aplicação da norma objeto da
referida ADC como requisito para sua propositura. [valor: 2,50 pontos]
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sobre a aplicação da disposição objeto da ação declaratória, consoante o art.
14 da Lei nº 9.868/99.
Aduza-se que a controvérsia deve ser jurídica, com decisões judiciais
conflitantes, e não a mera cizânia doutrinária. Afinal, a inexistência de
pronunciamentos judiciais distintos faria com que a ADC se tornasse um
instrumento de consulta sobre a validade constitucional de determinada lei
ou ato normativo federal, o que desconfiguraria a natureza jurisdicional que
qualifica a atividade desenvolvida pelo STF.
No que se refere ao julgamento, proclamar-se-á a constitucionalidade
ou a inconstitucionalidade da disposição ou da norma impugnada se em um
ou em outro sentido se tiverem manifestado pelo menos seis Ministros.
Ademais, proclamada a constitucionalidade, julgar-se-á improcedente
eventual ação direta de inconstitucionalidade ajuizada. Isso ocorre porque a
ADC é uma ADI de sinal trocado.
Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo
em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social,
poderá o STF, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os
efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de
seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
Referido procedimento é chamado de modulação dos efeitos jurídicos.
A doutrina e a jurisprudência apontam que a ADC busca transformar
a presunção relativa de constitucionalidade das normas em presunção
absoluta. Apesar de as normas possuírem uma presunção de
constitucionalidade, essa presunção é apenas relativa, o que pode levar ao
constante questionamento de sua constitucionalidade. Com isso, mostra-se
viável o ajuizamento de ADC para confirmar essa constitucionalidade
relativa, transformando-a em absoluta.
Os legitimados para a ADC são os mesmos para propor a ação direta
de inconstitucionalidade: o Presidente da República, os governadores, a
Mesa da Câmara dos Deputados, a Mesa do Senado Federal, a Mesa de
Assembleia/Câmara Legislativa; o Procurador-Geral da República, o Conselho
Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, partido político com
representação no Congresso Nacional e confederação sindical ou entidade de
classe de âmbito nacional.
Em relação ao CFM, ele não se configura como uma entidade de
classe, mas uma entidade de fiscalização profissional. O rol do art. 103 da
CRFB (legitimados para ADI e ADC) é taxativo, de forma que a única entidade
de fiscalização é o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“O ajuizamento da ação declaratória de constitucionalidade, que faz
instaurar processo objetivo de controle normativo abstrato, supõe a
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existência de efetiva controvérsia judicial em torno da legitimidade
constitucional de determinada lei ou ato normativo federal. Sem a
observância desse pressuposto de admissibilidade, torna-se inviável a
instauração do processo de fiscalização normativa in abstracto, pois a
inexistência de pronunciamentos judiciais antagônicos culminaria por
converter, a ação declaratória de constitucionalidade, em um inadmissível
instrumento de consulta sobre a validade constitucional de determinada lei
ou ato normativo federal, descaracterizando, por completo, a própria
natureza jurisdicional que qualifica a atividade desenvolvida pelo Supremo
Tribunal Federal. O Supremo Tribunal Federal firmou orientação que exige a
comprovação liminar, pelo autor da ação declaratória de
constitucionalidade, da ocorrência, 'em proporções relevantes', de dissídio
judicial, cuja existência -- precisamente em função do antagonismo
interpretativo que dele resulta -- faça instaurar, ante a elevada incidência de
decisões que consagram teses conflitantes, verdadeiro estado de
insegurança jurídica, capaz de gerar um cenário de perplexidade social e de
provocar grave incerteza quanto à validade constitucional de determinada
lei ou ato normativo federal." (ADC 8-MC, rel. min. Celso de Mello,
julgamento em 13-10-1999, Plenário, DJ de 4-4-2003.) No mesmo
sentido: ADC 1, rel. min. Moreira Alves, julgamento em 1º-12-1993,
Plenário, DJ de 16-6-1995.
“áceita a idéia de que a ação declaratória configura uma áDI com sinal
trocado, tendo ambas caráter dúplice ou ambivalente, afigura-sedifícil
admitir que a decisão proferida em sede de ação direta de
inconstitucionalidade seria dotada de efeitos ou conseqüências diversos
daqueles reconhecidos para a ação declaratória de constitucionalidade.
Argumenta-se que, ao criar a ação declaratória de constitucionalidade de lei
federal, estabeleceu o constituinte que a decisão definitiva de mérito nela
proferida -- incluída aqui, pois, aquela que, julgando improcedente a ação,
proclamar a inconstitucionalidade da norma questionada -- 'produzirá
eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos
do Poder Judiciário e do Poder Executivo' (Art. 102, § 2º da Constituição
Federal de 1988). Portanto, sempre se me afigurou correta a posição de
vozes autorizadas do Supremo Tribunal Federal, como a de Sepúlveda
Pertence, segundo a qual, 'quando cabível em tese a ação declaratória de
constitucionalidade, a mesma força vinculante haverá de ser atribuída à
decisão definitiva da ação direta de inconstitucionalidade." (Rcl 2.256, voto
do rel. min. Gilmar Mendes, julgamento em 11-9-2003, DJ de 30-4-2004.)
“LEGITIMIDADE - AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - CONSELHOS -
AUTARQUIAS CORPORATIVISTAS. O rol do artigo 103 da Constituição Federal
e exaustivo quanto a legitimação para a propositura da ação direta de
inconstitucionalidade. Os denominados Conselhos, compreendidos no
genero "autarquia" e tidos como a consubstanciar a espécie corporativista
não se enquadram na previsão constitucional relativa as entidades de classe
de âmbito nacional. Da Lei Basica Federal exsurge a legitimação de Conselho
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único, ou seja, o Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Dai a
ilegitimidade "ad causam" do Conselho Federal de Farmacia e de todos os
demais que tenham idêntica personalidade jurídica - de direito público. (ADI
641 MC, Relator(a): Min. NÉRI DA SILVEIRA, Relator(a) p/ Acórdão: Min.
MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 11/12/1991, DJ 12-03-1993 PP-
03557 EMENT VOL-01695-02 PP-00223)
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
O candidato deverá abordar os seguintes aspectos: 1- A finalidade da ADC e
a presunção de constitucionalidade das normas - A ADC visa transformar a
presunção relativa de constitucionalidade das normas (juris tantum) em
presunção absoluta (jure et de jure). Apesar de as normas possuírem uma
presunção de constitucionalidade, essa presunção é apenas relativa, o que
pode levar ao constante questionamento de sua constitucionalidade. Com
isso, mostra-se viável o ajuizamento de ADC para confirmar essa
constitucionalidade relativa, transformando-a em absoluta. Assim, caso a
ADC seja julgada procedente, a constitucionalidade da norma não poderá
mais ser questionada, seja pelos demais órgãos do Poder Judiciário, seja pela
administração pública (art. 102, § 2.º, da CF). 2- A legitimidade do CFM para
ajuizar ADC - O CFM, por não ser entidade de classe, mas uma entidade de
fiscalização profissional, não é legitimado para propor ADC, pois, conforme
previsto no art. 103 da CF, o rol dos legitimados para propor ADC é taxativo
e não inclui esse tipo de entidade de fiscalização. A única exceção, entre os
conselhos de classe, é o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil, em virtude de menção expressa na CF. Assim, não se mostra viável a
ADC apresentada, por ilegitimidade ativa ad causam. Nesse sentido: ADI 641
MC, relator para Acórdão min. Marco Aurélio, DJ 12/03/1993; ADI 1997,
relator ministro Marco Aurélio, DJ 8/6/1999. 3 O objeto da ADC A ADC, nos
termos do art. 102, I, a, da CF, somente poderá ter por objeto lei ou ato
normativo federal, não sendo possível sua propositura com base em norma
estadual. Por mais esse motivo, não se mostra viável a ADC apresentada, já
que norma estadual não pode ser objeto desse tipo de ação. 4- A relevante
controvérsia sobre a aplicação da norma objeto da ADC como requisito para
sua propositura É indispensável que haja controvérsia jurídica relevante
sobre a aplicação da norma para justificar a propositura da ADC, não
bastando a relevante controvérsia doutrinária. Trata-se de requisito
indispensável para o conhecimento da ação, com o fim de justificar eventual
insegurança na aplicação da norma. De acordo com o “TF, “a inexistência de
pronunciamentos judiciais antagônicos culminaria por converter a ação
declaratória de constitucionalidade em um inadmissível instrumento de
consulta sobre a validade constitucional de determinada lei ou ato
normativo federal, descaracterizando, por completo, a própria natureza
jurisdicional que qualifica a atividade desenvolvida pelo Supremo Tribunal
Federal” (áDC 8, relator ministro Celso de Mello, DJ 4/4/2003). Por tal razão,
também não se mostra viável a ADC apresentada.
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PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SP - 2012 - FCC
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em regra, o Chefe do Poder Executivo Estadual apresenta
legitimidade ampla para ajuizar a ação direta de inconstitucionalidade, em
virtude do disposto no art. 103, V, da CRFB. Contudo, a doutrina e a
jurisprudência já entendem, de longa data, restringindo a sua legitimidade
aos atos de seu Estado. Caso deseje impugnar um ato de outro Ente, o
Governador do Estado deverá apresentar razões que justifiquem seu
interesse. Se por um lado não há uma exigência de pertinência temática tão
grande quanto no caso das entidades de classe, por outro também não se
tutela a impugnação a atos normativos que não apresentam nenhum
gravame para aquele Estado específico.
Por outro lado, existia ainda entendimento de que atos com vício de
iniciativa, mas posteriormente sancionados, não poderiam ser objeto de
ação direta de inconstitucionalidade que alegasse o vício formal. O
entendimento era tão sólido que chegou a ser consolidado na mencionada
Súmula nº 5 do STF.Não é despiciendo lembrar que o processo legislativo é
um conjunto de atos de autoridades destinadas a produzir um ato normativo
dotado, em regra, de generalidade e abstração, as leis. Como expressão mais
conhecida da soberania popular, as leis são elaboradas com base no ideal
democrático de participação, em harmonia com a independência que deve
nortear a relação entre os três poderes da República.
Assim, os arts. 61 e seguintes da CRFB determinam as etapas do
processo legislativo: a iniciativa, discussão, deliberação, sanção,
promulgação e publicação. A iniciativa de leis de interesse direto do Poder
Executivo é privativa deste Poder (art. 61, §1º, da CRFB), exatamente para
preservar sua independência, garantindo a perfeita atuação do sistema de
freios e contrapesos, evitando que o Poder Legislativo abuse de seu direito
constitucionalmente legítimo em desfavor da Administração Pública.
Porém, mesmo diante de uma lei cuja iniciativa é privativa do
Executivo, o Chefe deste Poder ainda apresenta outro momento para frear
Projeto de lei estadual de rigem parlamentar que criou um programa social,
no Âmbito da Administração Estadual, não foi vetado pelo anterior
Governador do Estado e assim se converteu em lei. Com base nessa
premissa, responda de forma fundamentada: a. Essa lei é constitucional? b.
Pode o atual Governador do Estado propor Ação Direta de
Inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal ou ha
impedimento, nos termos da Sumula 5 do Supremo Tribunal Federal? Obs.:
A Súmula nº 5 do Supremo Tribunal Federal assim está editada: "A sanção do
projeto supra a falta de iniciativa do Poder Executivo.”.
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sua inserção no mundo jurídico: a sanção, prevista no art. 66, §1º, da CRFB,
que prevê a possibilidade de veto por razões jurídicas, dentre elas,
logicamente, o vício de iniciativa. Dispondo de meios para tentar obstar a
produção de efeitos doato normativo, entendia-se que a sanção do projeto
importava em aquiescência com seu conteúdo e a derrogação do vício formal
e, consequentemente, importando em abuso de direito e benefício em
virtude de sua própria torpeza o manejo da ação direta de
inconstitucionalidade para arguir esse mesmo vício. No entanto, houve uma
guinada expressiva neste entendimento.
Atualmente, casos como a lei que cria de programa que interfira
diretamente na Administração Estadual, considerados como de iniciativa
privativa do Chefe do Poder Executivo, podem ser arguidos pelo próprio a
qualquer tempo, sem configurar abuso de direito ou aquiescência.
Em primeiro lugar, entende-se que o vício de iniciativa não pode ser
suprido pela sanção, por estar ínsito na formação do ato, por existir desde o
começo. Assim, a sanção do projeto ou seu veto pelo Governador é
irrelevante para que a nulidade do ato seja arguida, notadamente pela
necessidade de defesa da Constituição. Em segundo lugar, o manejo da ação
direta de inconstitucionalidade não é do Estado da Federação, mas do
próprio Governador, como figura política. Dessa maneira, considera-se que
sua propositura é um ato de disposição política, e não jurídica, ficando a seu
critério até mesmo impugnar ato por ele elabora, uma vez que seu juízo de
conveniência política pode assim requerer que o faça, especialmente por
conta de mudanças nas circunstâncias governamentais.
Assim, a fim de impugnar a lei mencionada no enunciado da questão,
que é inconstitucional por vício de iniciativa (art. 61, § 1º, II, alíneas “a”, “b”
e “e”), é possível que o Governador proponha ação direta de
inconstitucionalidade, já que resta superado o entendimento outrora
consagrado na Súmula nº 5 do STF.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
O Plenário julgou procedente pedido formulado em ação direta para
declarar a inconstitucionalidade da Lei 6.841/1996 do Estado de Mato
Grosso. A norma impugnada, de iniciativa parlamentar, dispõe sobre a
indenização por morte e invalidez permanente dos servidores públicos
militares do referido Estado-membro. Segundo alegado, a norma em
comento ofenderia os artigos 2º; 61, § 1º, II, c e f; 63, II; e 84, III, todos da CF,
a ensejar sua inconstitucionalidade formal, porquanto se trataria de matéria
relativa a regime jurídico dos servidores militares, a implicar acréscimo de
despesa pública. O Colegiado, de início, afastou a preliminar de decadência
da ação direta, aplicável, no caso, o Verbete 360 da “úmula do “TF (“Não há
prazo de decadência para a representação de inconstitucionalidade prevista
no art. 8º, parágrafo único, da Constituição Federal”). Também rejeitou
argumento segundo o qual teria havido a convalidação do ato impugnado
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em razão da sanção do governador, haja vista o vício formal de iniciativa.
Quanto ao mérito, a Corte destacou que a locução “regime jurídico”
abrangeria, entre outras regras, aquelas relativas aos direitos e às vantagens
de ordem pecuniária dos servidores públicos. Ademais, a lei teria criado
indenização a ser paga pelo Executivo. ADI 3920/MT, rel. Min. Marco
Aurélio, 5.2.2015. (ADI-3920)
Por ofensa à iniciativa privativa do Chefe do Poder Executivo para a
propositura de leis sobre o regime jurídico dos servidores públicos (CF, art.
61, § 1º II, c), o Tribunal, julgando procedente a ação direta ajuizada pelo
Governador do Estado do Rio de Janeiro, declarou a inconstitucionalidade da
Lei 1.786/91, do mesmo Estado, de origem parlamentar ("Art.1º - Os
servidores aposentados, por exceção, em razão de exercício de atividades
consideradas penosas, insalubres ou perigosas serão considerados, para
efeito de cálculo dos triênios incorporados aos seus proventos, como se em
atividade estivessem até o necessário para integralizar o percentual máximo
atribuível aos servidores em atividade. Parágrafo único - As disposições
desta lei são estendidas aos professores excetuados na aposentadoria por
norma constitucional, bem como a outras categorias funcionais em idêntica
situação, definidas em outras leis."). O Tribunal considerou ainda que a
sanção tácita da lei não supre o vício formal por falta de iniciativa do Chefe
do Poder Executivo. Precedentes citados: Rp 890-GB (RTJ 69/625); ADInMC
1.070-MS (DJU de 15.995); ADInMC 1.963-PR (DJU de 7.5.99). ADIn 700-RJ,
rel. Min. Maurício Corrêa, 23.5.2001.(ADI-700)
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJPA – 2011 - CESPE
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
á emenda constitucional, por ser de iniciativa de integrante da
respectiva ássembleia Legislativa e por tratar de condições de ingresso e
promoção no quadro de oficiais combatentes militares do Estado, possui
vício.
Emenda constitucional de iniciativa da assembleia legislativa de determinada
unidade da Federação tratou das condições para ingresso e promoção no
quadro de oficiais combatentes dos militares no âmbito do estado-membro.
O governador do estado, então, ajuizou ação direta de inconstitucionalidade
relativa a essa emenda junto ao Supremo Tribunal Federal. Com base na
situação hipotética acima, responda, de forma fundamentada e de acordo
com a jurisprudência da suprema corte, ao seguinte questionamento: A
emenda constitucional padece de vício de inconstitucionalidade formal?
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30
O vício é a inconstitucionalidade formal subjetiva, já que
apresentada por pessoa não legitimada para o processo legislativo. Com
base no art. 61, § 1º, II, f, da C‘FB, aplicada por simetria aos Estados e com
base no entendimento do “TF, o projeto deveria ter sido apresentado apenas
pelo governador por ser matéria de competência privativa.
á emenda apresentada pelo integrante da ássembleia Legislativa
violou uma competência privativa do Governador (Executivo), ou seja,
também macula o princípio da separação de poderes. Não é de hoje que
vigora a teoria da separação dos poderes, cujo escopo não é apenas o
surgimento de governos autocráticos, mas também o de racionalizar o
funcionamento do Estado, fazendo-o atuar segundo um sistema de freios e
contrapesos. O regime presidencialista e um Estado federal como o nosso
prevalece não apenas no plano do governo da União, mas em todos os
demais níveis político-administrativos, incluindo, por óbvio, os estados e
municípios
Por fim, saliente-se que, com base no entendimento do STF, o vício
formal não é superado pelo fato de a iniciativa legislativa ostentar hierarquia
constitucional estadual.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.
EMENDA CONSTITUCIONAL QUE DISPÕE SOBRE REGIME JURÍDICO DOS
SERVIDORES MILITARES DO ESTADO DE RONDÔNIA. PROJETO ORIGINADO NA
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. VÍCIO
RECONHECIDO. VIOLAÇÃO À RESERVA DE INICIATIVA DO CHEFE DO PODER
EXECUTIVO. AÇÃO JULGADA PROCEDENTE. I - À luz do princípio da simetria,
a jurisprudência desta “uprema Corte é pacífica ao afirmar que, no tocante
ao regime jurídico dos servidores militares estaduais, a iniciativa de lei é
reservada ao Chefe do Poder Executivo local por força do artigo 61, § 1º, II, f,
da Constituição. II - O vício formal não é superado pelo fato de a iniciativa
legislativa ostentar hierarquia constitucional. III - áção direta julgada
procedente para declarar a inconstitucionalidade do artigo 148-á da
Constituição do Estado de Rondônia e do artigo 45 das Disposições
Constitucionais Transitórias da Carta local, ambos acrescidos por meio da
Emenda Constitucional 56, de 30 de maio de 2007.
(áDI 3930, Relator(a): Min. Ricardo Lewandowski, Tribunal Pleno, julgado em
16/09/2009, DJe-200 Divulg 22-10-2009 Public 23-10-2009 Ement Vol-02379-
02 PP-00310)
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/RO - 2011 - FCC
Uma câmara do Tribunal de Justiça considerou inconstitucional