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Pesquisa em artes visuais: linhas das áreas pedagógicas
Prof. Geisiel Ramos
Descrição
A construção do conhecimento e a pesquisa estruturada entre a
pedagogia e a arte. As artes e seu legado histórico-pedagógico. O
contexto didático da arte na educação formal e não formal e seus
desdobramentos.
Propósito
A arte na educação assume o papel formativo e simbólico na
construção do aprendizado do educando, ao incorporá-lo ativamente
como leitor em um mundo repleto de elementos visuais. Por isso,
adquirir tal conhecimento é fundamental para os profissionais de
licenciatura em artes visuais, bem como saber aplicar em sua atuação
profissional a relação entre a pedagogia e a arte , em seu contexto
formal e não formal.
Objetivos
Módulo 1
A relação entre artes e práticas pedagógicas
Reconhecer os conceitos básicos da relação entre arte e pedagogia.
Módulo 2
Práticas pedagógicas em artes no contexto
da educação formal
Identificar as práticas pedagógicas de experiência artística na
educação formal.
Módulo 3
Práticas pedagógicas em artes na educação
não formal
Identificar as práticas pedagógicas de experiência artística na
educação não formal.
Introdução
A arte consiste numa linguagem capaz de ser autônoma. Tal
noção é fundamental para que você perceba como isso é
importante na relação intrínseca com as práticas pedagógicas
Além disso, você será capaz de expressar melhor a sua visão
sobre as ações que movem a pesquisa na arte-educação. Diante
do exposto, convidamos você para o desafio de colocar em
prática o conhecimento aqui discutido entre sínteses,
observações, diálogos com autores e pensamentos que
contribuirão para a sua formação.
Assim, você estabelecerá parâmetros para transformar a sua
ação didática pedagógica com apoio nas artes. E, claro, será
fundamental agregar as abordagens que você já possui e adquiriu
ao longo do curso, além de considerar, também, os aspectos
regionais. É nesse sentido que abordaremos a importância das
artes e suas metodologias para as práticas pedagógicas.
Veremos, do mesmo modo, os princípios básicos da prática
artística, suas relações e como foram se transformando em
diferentes momentos da história, além de perceber todo o
processo democrático da relação pedagógica entre a arte formal

e não formal. Contudo, iremos conferir como os recursos visuais
ajudam na construção simbólica e no percurso narrativo para
uma pesquisa em artes. Assim, você poderá alçar voos para além
do conteúdo abordado aqui, afinal, as artes dão asas à nossa
imaginação!
1 - A relação entre artes e práticas pedagógicas
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de reconhecer os conceitos básicos da relação
entre arte e pedagogia.
Aproximações da arte na pedagogia
Vamos iniciar a nossa jornada! Será fundamental compor as nossas
reflexões a partir das abordagens teóricas e conceituais, a fim de
explicar como se dá a relação entre pesquisa nas artes e as práticas
pedagógicas.
Você já imaginou como seriam as várias teorias existentes acerca da
arte e da pedagogia se todas estivessem erradas? Não estamos falando
de forma filosófica, ou melhor, parafraseando o “sei que nada sei da
arte”, mas vamos, de fato, identificar alguns pontos e relacionar arte e
pedagogia e, a partir disso, construir esse conhecimento como uma teia
de importantes significados. Sendo assim, este será o nosso objetivo:
levá-lo a debater as questões importantes para a sua formação, a fim de
estabelecer conexões entre a arte e a pedagogia. Para dar início a esse
nosso debate, vamos explicar alguns conceitos-chave.
Primeiramente, vamos lembrar que as artes visuais partem do princípio
de que a visão é um campo aberto para a criação estética, seja ela
retratando a realidade ou por meio da imaginação, com o intuito de
construir narrativas no fazer artístico, o qual, muitas vezes, é pautado
pelas técnicas usadas na criação de formas e objetos estéticos. Na
verdade, todas as coisas no mundo são formas!
O conhecimento do uso dos materiais no processo de produção será
essencial no meio educativo. Assim, ser um profissional no campo da
arte-educação possibilita aprender sobre os efeitos dos materiais e seus
limites. Nesse sentido, por exemplo, nas temáticas do universo artístico
que são trabalhadas em sala de aula, o conhecimento dos materiais
será de fundamental importância.
Lembremos, especialmente, de que a arte pode ser representada por
meio de outras linguagens, como teatro, dança e música. Além disso, a
arte é também um campo do conhecimento no qual você, estudante,
poderá propor desafios do fazeres artísticos e pesquisas na arte e seus
desdobramentos histórico, social, estético, conceitual, cultural, além de
desenvolver a autorreflexão e a reflexão dos seus futuros alunos. Já
consegue imaginar?
O Pensador, Auguste Rodin, 1904.
Eventualmente, você já deve ter percebido em seus estudos que o
componente “artes” na educação necessita de elementos não apenas
técnicos, mais conceituais, para discutir algumas ideias, principalmente
quando é abordado o universo artístico, a partir da década de 1960/70
até as artes contemporâneas. De fato, a arte busca estimular a
interação, imaginação, entre outros. Mas é claro que, ao abordar de
forma conjunta às práticas pedagógicas, a fim de pincelar a
sistematização do conhecimento, o processo se torna mais leve.
A ideia central é também lhe encorajar cada vez mais a praticar essa
fascinante linguagem que é a arte, e fazer com que os seus futuros
alunos transformem informações em conhecimentos. Não podemos
esquecer de que a pesquisa no campo “científico” fará você construir
narrativas próprias para suas abordagens:
A pesquisa é desenvolvida
mediante o concurso dos
conhecimentos disponíveis e
a utilização cuidadosa de
métodos, técnicas e outros
procedimentos cientí�cos. Na
realidade, a pesquisa
desenvolve-se ao longo de
um processo...
(GIL, 2002, p. 17)
As teorias da arte e legislação
educacional
Nesse sentido, ao buscarmos compreender a arte e o seu processo
transformador na interação com a pedagogia, perceberemos seu valor
para a aprendizagem. E isso se dá tanto pela pesquisa teórica que
fundamenta tal relação, quanto pelo conhecimento nascido da própria
ação educativa, como lugar privilegiado de diversas experiências!
Desafios, certamente, aparecerão a todo instante.
O caminho da pesquisa em artes pode representar algumas estratégias
que são encontradas em diversas áreas do conhecimento e seus
respectivos obstáculos. Você sabia que o universo artístico das teorias
das artes é apoiado em outros campos do conhecimento? Vamos nos
aprofundar mais sobre esses elementos? Vem comigo!
Escola de Atenas, Rafael, 1509.
Além de suas concepções estéticas da cultura regional, nacional e
internacional, as teorias das artes também se apoiam em suas bases
construtivas, como:

Sociologia

Psicologia

Antropologia

Arqueologia
De fato, a ênfase está em alguma abordagem histórica, considerada nos
estudos como: na história da arte, em grupos sociais, as questões
internas do indivíduo como criador e os registros históricos e seus
desdobramentos. Ainda assim, não podemos esquecer de pontos como:
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.
394/96).
A Metodologia da Abordagem Triangular que se baseia no fazer,
fruir e pensar a arte e seus aspectos cognitivos.
O Parâmetro Curricular Nacional de Arte (PCN), Lei nº 5. 692/71 que
trata do professor polivalente.
A partir dos pontos estabelecidos, podemos perceber
que tanto a condução da pedagogia quanto a teoria da
arte lhe nortearão pelos momentos artísticos, além de
ajudar a estabelecer conceitos construtivos sobre
conhecimento da arte.
Segundo Chamuleau, crítico de arte, podemos entender que:
O pensamento sobre a arte
encontra-se dividido em
cinco grandes famílias
principais, mais
complementares que
antagônicas, a saber:
fenomenologia da arte,
psicologia da arte, sociologia
da arte, formalismo e análise
estrutural. Todaselas se
enriqueceram consoante às
épocas e os autores, com
contribuições metodológicas
provenientes do marxismo,
da psicanálise e, de modo
geral, das ciências humanas.
(CHALUMEAU, 1997, p. 15)
Nessa perspectiva, esse conjunto de linhas teóricas permite a
propagação do conhecimento. Contribuições que vão além do
conhecimento. Você pode ter percebido que a arte ajuda a aprofundar o
nosso entendimento e visão de mundo. Além disso, nos possibilita o
aprimoramento ou refinamento das nossas habilidades estéticas e
cognitivas como, por exemplo, a percepção, o raciocínio e a imaginação.
Diversas observações podem contribuir para essa analogia entre a arte
e a pedagogia. Vamos ver como se dá essa relação em outra dimensão?
A dimensão estética e social da arte e
pedagogia
Arte, educação e sociedade
Confira agora elementos que marcam a importância do papel social da
arte, especialmente quando mediada pela Educação. Vamos assistir!

As práticas artísticas em sala de aula contribuem muito para o
desenvolvimento do aprendizado do aluno. O que parece ser provável,
não acha? Nesse sentido, devemos concordar que a arte tem seu lugar
nos espaços escolares, podendo assim dar o seu devido
reconhecimento, principalmente pelas manifestações culturais, pela sua
dimensão estética e pela transformação social.
I Mostra de Teatro-Educação da Divisão de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação
(Semed) de Manaus/AM.
Em suma, a arte na escola e, mais amplamente, a legitimidade educativa
das práticas artísticas e culturais, parecem ser objeto de um raro
consenso. Pelo menos no que se refere a ideias e discursos, pois, de
fato, o acordo é muitas vezes mal gerido, as restrições orçamentais
atingem primeiro esta esfera e as hierarquias disciplinares não se
desarmam facilmente.
Tais análises não podem, contudo, ser suficientes para desconsiderar
uma linha de força persistente e resistente aos caprichos das políticas
educacionais: um princípio superior comum, de ordem artística e
estética, e que hoje parece afirmar-se na definição do bem educativo de
todos.
Podemos ver como as formas de justificação, responsáveis pela
infiltração da arte no campo educacional, sinalizam uma via diferente do
tratamento dado às disciplinas, muitas vezes marginalizadas. Consegue
imaginar a importância disso?
Muitas das reformas e inovações introduzidas na
educação escolar, do ensino fundamental ao ensino
médio, mesmo na universidade, mesmo quando não
afetam diretamente o campo das artes e das práticas
culturais, referem-se a práticas e valores relacionados
mais particularmente a uma estética e modalidade de
relação com o mundo, ou seja, a dimensão da arte em
relação à estética.
Atenção!
A aplicação de uma pedagogia diferenciada, a ajuda individualizada, o
trabalho pessoal supervisionado, os cursos diversificados, o trabalho
cruzado, a temática de inteligência múltipla, e a inteligência sensível
(entre outras inovações), destacam competências e valores mais
próximos do domínio estético do que do modelo científico. Podemos
pensar em exemplos como o indivíduo e sua expressão, subjetividade,
sensibilidade, imaginação, até emoção.
Você sabia que as materialidades artísticas, como a pintura, escultura,
gravura, entre outras, são as que mostram o valor estético de
determinada sociedade? As expressões podem ser diversas, como no
exemplo da imagem a seguir.
Ainda assim, muitas expressões devem ser ampliadas. Como? Por meio
da difusão e da penetração não só da arte e da cultura artística, mas
também como por meio dos valores estéticos no campo educacional.
Não só a educação artística ascende à categoria de “grande”, ao lado da
educação intelectual e da educação cívica e moral, mas estes próprios
campos educativos integram preocupações e valores de ordem estética.
Na verdade, a arte desempenha esse papel por meio da sensibilidade da
transformação do sujeito. Mas, você deve estar se perguntando: como a
arte pode contribuir mais com a pedagogia?
A arte tende a ser uma forma de conectar os saberes e as
manifestações artísticas, imprimindo suas linguagens na
“imaginação”.
Dessa forma, vamos construindo novos caminhos e outras abordagens
tanto na estética quanto na arte:
Assim, a própria educação
possui uma dimensão
estética: levar o educando a
criar os sentidos e valores
que fundamentem sua ação
no seu ambiente cultural, de
modo que haja coerência,
harmonia, entre o sentir, o
pensar e o fazer.
(DUARTE JR., 1998, p. 18)
Perceba que as aproximações entre arte e pedagogia foram se diluindo
ao longo do texto, dando foco à arte. No próximo tópico, nos
concentraremos em alguns recortes sobre os instrumentos
pedagógicos, a fim de promover a construção da sua teia de
conhecimento.
Recortes entre pedagogia e arte
Nunca pareceu intrigante a você pensar como a pedagogia “molda” uma
pessoa, transformando-a de sujeito passivo para sujeito ativo na família
e na sociedade? Podemos pensar, então, que a pedagogia atua
diretamente na raiz, ou melhor, em todo o contexto da formação do
indivíduo. Vamos pensar melhor sobre isso!
Atenção!
Lembremos que o ensinar e o aprender sobre artes são, sobretudo,
considerados como uma arte, possibilitando a forma correta de lecionar,
pensando na profunda consideração sobre o outro e sua cultura. De
fato, essa construção de conhecimento precisa estar apta a desenvolver
as aptidões estéticas e históricas nos estudantes. A arte torna-se um
fator de prioridade para o desenvolvimento da criança. Nos manuais
sobre a arte de ensinar, são lançadas diversas ações sobre esse
entendimento, historicamente consolidado dentro dos diversos
contextos, os quais foram compondo sua importância e sua devida
sociedade.
Podemos encontrar muitas outras formas e tipos de pedagogia, como:

Pedagogia Tradicional

Pedagogia Nova

Pedagogia Tecnicista

Pedagogia Libertadora
Aqui estão alguns tipos de pedagogia ou tendências pedagógica, as
quais você já ouviu ou, com certeza, ainda ouvirá falar! Por isso, nosso
objetivo aqui não é diferenciá-las, especificamente, mas ajudar você a
lembrar de que o contexto pedagógico influenciará a prática da
experiência artística.
De uma maneira geral, a criança e o jovem devem aprender a operar os
“códigos” das artes. Muito provavelmente você ouviu sobretudo que a
pedagogia é a ciência da educação. No entanto, muitos elementos, entre
a arte e a pedagogia se aproximam. Em outros casos, há diferenças em
sua natureza.
Destacamos os seguintes pontos: a pedagogia está voltada para a
realidade do sujeito, enquanto a arte visa à produção de obras de arte,
em seu estado mais criativo, e seus desdobramentos estéticos e
conceituais.
A pedagogia não dever ser vista como uma ciência
dura, nem como uma obra de arte, mas sim como um
exercício de persuasão, que, de fato, tem a intenção de
conquistar e transformar o estudante por meio do seu
processo de ensino e aprendizagem.
O compromisso com a formação de cidadãos coloca a pedagogia em
pleno exercício da sua ação e atuação. Nesse sentido, a arte entra como
uma abordagem transformadora, possibilitando trocas expressivas.
Concordamos, dessa maneira, que: “A arte é movimento na dialética da
relação homem-mundo” (FERRAZ e FUSARI, 2010, p. 21).
Essa relação, em constante experimentação, seja por meio do potencial
criativo das crianças, adolescentes e jovens, permitirá conectar-se com
o desenvolvimento da criatividade para todos, em um determinado
ambiente, a partir do direcionamento educativo, o que coloca a arte
como produtora de experiência notáveis de acontecimentos.
As relações múltiplas entre artes e pedagogia são consideradas como
construtoras e plenas, no direcionamento, e contribuem para a formação
humana, na qual a expressão e a criatividade têm o seu papel de
destaque.
Há muitas formas ou caminhos para buscar entender a relação entre
arte e educação. Em uma delas, podemos perceber que tornar as
relações próximas entre a pedagogia e arte permanece semelhanteà
realidade entre os sujeitos educandos e educadores, que se encontram
em experiências autênticas, como dito por Paulo Freire em seu livro
Pedagogia da Autonomia:
“Faz parte das condições em que aprender criticamente é
possível à pressuposição por parte dos educandos de que o
educador já teve ou continua tendo experiência da produção de
certos saberes e que estes não podem a eles, os educandos, ser
simplesmente transferidos. Pelo contrário, nas condições de
verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando
em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber
ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo ”
(FREIRE, 2014, p. 28)
A partir dos diversos parâmetros inspirados por autores consagrados é
que a pedagogia possibilita a totalidade da experiência da arte como
Construção e reconstrução do saber 
lugar de extrema partilha e valorização do ensino-aprendizagem.
Portanto, isso está relacionado à atitude que você terá que enfrentar ao
conviver com as diversas situações, seja na prática da pesquisa ou nos
procedimentos práticos do desenvolvimento de planejamento
direcionado à integração das práticas artísticas em sala de aula.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Conforme alguns pontos acerca da abordagem das relações entre a
arte e a pedagogia, muitos avanços foram concretizados para
propor uma educação que fizesse sentido nas práticas da arte-
educação. No entanto, a arte e seus critérios na educação
obtiveram ganhos característicos da própria disciplina.
Leia as afirmativas a seguir:
I. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº
9.394/96) estabelece a inserção da arte como componente
curricular obrigatório no ensino básico.
II. A Abordagem Triangular é uma das metodologias de ensino
escolar de arte que se baseia no fazer, fruir e pensar arte.
III. A matriz estética, que caracterizou o modelo de ensino de arte
implantado no Brasil pela Missão Artística Francesa, está ligada ao
Neoclassicismo.
IV. A Abordagem Triangular propõe uma educação em arte para o
público especial.
V. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Arte (PCN) mantêm a
concepção do professor de arte, presente na Lei nº 5.692/71, como
um professor polivalente nas diferentes linguagens artísticas.
Dos itens acima mencionados, estão corretos apenas:
A I, II e V.
B II, IV e V.
C I, II, III e IV
D II, III, IV e V.
E I, II, IV e V.
Parabéns! A alternativa A está correta.
A arte-educação no Brasil passou por diversos fatores, a fim de
contribuir com as características que pudessem aproximá-la ao
público da sala de aula. Nesse sentido, algumas normas,
metodologias e parâmetros foram essenciais para a inserção da
arte no país. Portanto, é de fundamental importância o educador da
arte se apropriar desse conhecimento.
Questão 2
No desenvolvimento simbólico da criança e jovem, é essencial o
aprendizado nas artes, sendo este como fator de fundamental
importância para o desenvolvimento da imaginação. Diante disso, a
escola coloca-se como ponto necessário a essa compreensão.
Leia as afirmativas abaixo:
I. A arte é um fator prioritário para o desenvolvimento da função
simbólica na criança.
II. A escola deve priorizar o desenvolvimento do sistema da
linguagem oral e escrita, além da expressão artística.
III. A arte da música é a linguagem mais apropriada para os
estudantes desenvolverem o senso estético.
IV. As linguagens artísticas são necessárias apenas na
aplicabilidade de poucas regiões do país.
V. Para uma criança ou um jovem se apropriarem das linguagens da
arte e compreenderem seu sentido, é necessário aprender a operar
com seus códigos.
Dos itens acima mencionados, estão corretos apenas:
A I, II e IV.
B III, IV e V.
C I, IV e V
D I, II e V.
E II, III e IV.
Parabéns! A alternativa D está correta.
A arte é de prioritária importância para o desenvolvimento da
criança e jovem, sendo responsável em elevar a sua função
simbólica. Isso coloca o contexto escolar necessário nessa
formação e de grande importância ao aprendizado das suas formas
de artes.
2 - Práticas pedagógicas em artes no contexto da educação
formal
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de identi�car as práticas pedagógicas de
experiência artística na educação formal.
O sentido da arte na educação forma
Para nos aprofundar em alguns pontos característicos das práticas
pedagógicas no contexto da educação formal e seus desdobramentos, é
necessário deter-nos sobre alguns conceitos norteadores e
manifestações no processo de ensino e aprendizagem. No entanto,
compreender, adquirir novos conhecimentos na arte e colocar em
prática são desafios importantes para o profissional que está em sala
de aula. Isso porque muitas abordagens, conceitos e situações
artísticas estão sendo transformadas a cada instante.
É aqui que questionamos: qual o sentido da arte na educação? Por que
as pessoas precisam aprender sobre arte? Vamos nos aprofundar mais
sobre essas questões?
Primeiramente, devemos compreender que as práticas artísticas estão
associadas às situações qualificadas como contextos formais da
educação. Sendo assim, pontuamos, por exemplo, aquilo que o aluno
possivelmente deve levar em conta:
1.
Participar das aulas de forma ativa e respeitando o contexto
cultural.
2.
Compreender os percursos formativos.
3.
Estabelecer conexões com meios operatórios.
4.
Realizar propostas artísticas.
Lembremos, especialmente, que essas pontuações não são regras nem
estanques. Na verdade, há uma diversidade ao relacionar esses
contextos. De fato, a arte, no contexto formal, muitas vezes, mistura-se
com o contexto não formal em seu percurso criativo.
Ainda assim, é perceptível que a educação formal traduz as vertentes da
aprendizagem, dado que a educação formal fornece a base, a
aprendizagem de conhecimentos e as habilidades, realizados por
instituições como escolas, universidades, entre outras.
Por exemplo, o estudo da História da Arte, no contexto escolar, deve
favorecer elementos da memorização, alguns fatos e estilos artísticos.
No Brasil, a arte passou a ser introduzida no currículo escolar em 1971,
no âmbito das práticas de ensino. Portanto, essas práticas puderam ser
flexíveis em razão das diversas mudanças e influências no campo da
cultura, da política e da economia e suas variáveis.
Assim, vamos entender a educação formal como um lugar técnico em
que a arte se transforma no fazer criativo. É o transformar a matéria.
Isso é dado por meio da ação humana que maneja materiais a fim de
um resultado plástico:
A arte é uma produção; logo,
supõe trabalho. Movimento
que arranca o ser do não ser,
a forma do amorfo, o ato da
potência, o cosmos do caos.
Techné chamavam-na os
gregos: modo exato de
perfazer uma tarefa,
antecedente de todas as
técnicas dos nossos dias.
(BOSI, 1986, p. 14)
Techné
A palavra grega techné pode nos remeter à ideia de técnica, da forma como
entendemos hoje. Porém, em seu sentido mais histórico (na forma como
aparece nas obras clássicas, como na Metafísica, de Aristóteles), deve ser
traduzida como “arte/ofício” e compreende não somente o processo
técnico de produção, como também a sua capacidade de transmissão.
Portanto, uma ligação clara entre arte e educação.
Ainda que se possa argumentar que a mera presença da educação
artística na política educativa não é garantia de meios adequados ou de
qualidade na sala de aula, é significativo que, pelo menos em nível de
legislação, reconheça-se que a arte contribui para a educação da
criança. Uma frase atribuída ao pintor espanhol Pablo Picasso pode nos
ajudar: “Toda criatura nasce artista. A dificuldade é continuar artista
enquanto se cresce!”.
Se, por um lado, há um reconhecimento tácito da importância das
crianças em terem a experiência artística e se envolverem na vida
cultural de um país; por outro, há sempre uma diferença considerável
entre o que é obrigatório num país e a natureza e qualidadedo currículo
artístico, o qual as crianças realmente recebem nas escolas. Parece
haver um abismo entre a crença geral de que a arte é boa para as
crianças e o saber fazer quando se trata de controlar a qualidade da
educação artística que as crianças, os jovens e os adultos recebem.
Formações e reconstrução de
saberes
A pesquisa em artes no âmbito da
educação formal
Confira exemplos de temas de pesquisa possíveis na área da arte e
educação formal, oferecendo pistas para escolha de novos temas.
Vamos assistir!

Você sabia que a arte é também um campo de formação e construção
de saberes? Com o ensino da arte, é possível que o aluno perceba
outras realidades, por meio da reconfiguração, da reconstrução, a partir
do contato com o campo das artes e seus desdobramentos estéticos e
conceituais.
Na educação, a arte promove sentidos por meio da
tradição e de seus movimentos contra o comum. Esse
movimento contrário é o que torna o sentido da arte na
educação como meio operativo capaz de forjar o
mundo pela criatividade.
Não podemos nos esquecer das suas tradições e realizações históricas,
que muito contribuíram para o processo de agenciamento da arte na
educação formal.
No campo das artes, temos as linguagens que são compostas por
quatro formas de expressão, que visam desenvolver uma nova geração
de artistas com novas oportunidades no setor criativo:
Teatro
Dança
Música
Artes visuais
Com essa abordagem, objetiva-se a oferecer aos alunos a oportunidade
de explorar os valores sociais e culturais.
A fim de desenvolver uma compreensão de como as artes refletem a
história do país e contribuem para sua cultura e criatividade,
percebemos que elas estão internamente ligadas. As artes expressivas
procuram estimular o interesse e o envolvimento ao longo da vida com
uma variedade de atividades criativas.
Agora, você poderia estar se perguntando: Afinal, as práticas artísticas
são importantes na educação formal?
Vamos listar, a seguir, alguns pontos da educação formal que, de
maneira eficiente, podem surtir efeito nas práticas das artes, mas, claro,
percebendo as suas diferenças de ambientes e estrutura social:
Essas relações não estão isoladas nem são únicas! Num breve
percurso, a situação geral da educação artística no mundo parece ter
mudado pouco ao longo dos anos: os objetivos culturais, sociais e
 Abordagem técnica
Para alguns estilos, assuntos e mídias, um
ambiente escolar formal é uma maneira eficiente e
eficaz de aprender as técnicas necessárias para se
tornar proficiente na criação do trabalho.
 Ambiente de aprendizagem estruturado
Alguns artistas estão predispostos a aprender
melhor no ambiente formal do que uma instituição
de ensino irá proporcionar. A sala de aula ou a sala
específica (ou ateliê), juntamente às relações
construídas com professores e colegas, podem
nutrir o aprendizado e o desenvolvimento dos
alunos nas diversas linguagens.
 Expansão dos horizontes
Além de aprender técnicas específicas à linguagem
escolhida pelo estudante, durante uma educação
formal, você provavelmente terá a oportunidade de
experimentar outras mídias, estilos e técnicas. Tal
exploração ampliará os horizontes e enriquecerá a
compreensão do futuro ofício do aluno. Os
estudantes de artes visuais, por exemplo, também
passam tempo mergulhados na história da arte,
dando-lhes uma perspectiva de seu trabalho.
 Credenciais
Um diploma em licenciatura em artes pode ajudá-lo
em muitos níveis, especialmente se você deseja
ensinar ou ocupar um cargo em uma organização
de artes.
estéticos continuam a ser a principal justificativa apresentada para a
existência da educação artística, no contexto da educação formal. Ao
mesmo tempo, à medida que os professores de arte ganham
reconhecimento em diversos países, há o desejo de examinar mais
detalhadamente os objetivos inerentes à educação artística que valorize
o espaço do aprendiz.
Você deve perceber que, em muitos casos, as artes plásticas são
geralmente vistas como a personificação do individualismo e da
liberdade de expressão. A educação formal, por outro lado, está ligada
ao Estado e seus objetivos, especialmente durante um período, como o
nosso, de construção do Estado-nação e seus desdobramentos técnicos
e conceituais.
No entanto, contra sua suposta divergência radical, duas características
marcam a evolução da escola e das artes:
Homologias marcantes Descontinuidades muito
lentas
Atribuiremos isso aos efeitos do processo de construção do Estado-
nação, em especial à percepção do passado histórico e sua gestão. De
fato, não estamos aqui ou ali estabelecendo princípios ideológicos, mas,
desejamos que você perceba que as relações estabelecidas no
processo educativo se tornam também um palco de discussões críticas
e políticas.
Algumas gotas no contexto brasileiro
Gostaríamos, agora, que você conhecesse os primórdios da educação
artística no Brasil, articulada a partir da Missão Artística Francesa, por
volta de 1816, e que influenciou a arte brasileira e implantou concepções
mais amplas sobre, principalmente, a arte acadêmica e seus
desdobramentos.

Podemos, assim, nos envolver com dimensão operativa que a Missão
produziu no desenvolvimento da arte-educação no país. Para que você
possa perceber de maneira ampla a atuação da arte no contexto
brasileiro, é importante observar a abordagem histórica.
Nesse sentido, convém destacar que o ensino da arte no Brasil ficou
muito evidente a partir de alguns marcos e movimentos artísticos-
culturais, como a Semana de Arte Moderna de 1922, que trouxe um
olhar diferente para a produção artística brasileira. Inclusive, no ano de
2022, esse evento completou cem anos de muitas memórias e gerações
que marcaram as artes no país.
Abaporu, Tarsila do Amaral, 1928.
A partir desses e de outros eventos significativos no campo da arte, o
ensino e a aprendizagem nas escolas brasileiras se permitem ter uma
grande bagagem cultural, dando assim maior valorização à concepção
do desenvolvimento da arte no Brasil. Estamos, de fato, tratando sobre a
educação formal e a importância da arte como instrumento de
transformação do indivíduo por meio da criatividade e imaginação.
Diversos teóricos de educação já chamavam atenção para essa forma
de ensinar e aprender. Entre os expoentes, está o filósofo e o pedagogo
norte-americano John Dewey (1859-1952), que reforçava os princípios
que hoje norteiam a educação baseada em projetos, quando abordadas
as Metodologias Ativas em sala de aula.
A educação, portanto, não deveria se restringir à
transmissão de saberes, mas deveria valorizar as
experiências dos alunos e a conexão dos conhecimentos
com situações cotidianas.
Não podemos esquecer de que o ensino da arte no Brasil teve a grande
contribuição da pesquisadora em arte-educação Ana Mae Barbosa, que
favoreceu diversas propostas inéditas na década de 1980 na educação
da arte brasileira. Algumas denominações dessa formalização puderam
ser apoiadas em aplicações com outras nomenclaturas como:
Educação artística
Ensino da arte
Trabalhos manuais
Ensino do desenho
Geometria
Desenho geométrico
No entanto, essas denominações encontraram-se apoiadas em suas
práticas, contextos e expressões culturais. Com base nos estudos
desenvolvidos por Ana Mae, a arte na educação tem que se relacionar
com a realidade e o contexto do estudante. Assim, ela desenvolveu uma
proposta chamada de “Proposta Triangular”, que possibilita as reais
necessidades do estudante. Sendo assim, ela afirma que:
Em arte-educação, a
Proposta Triangular, que até
pode ser considerada
elementar se comparada com
os parâmetros educacionais
estéticos so�sticados das
nações centrais, tem
correspondido a realidade do
professor que temos e a
necessidade de
instrumentalizar o aluno para
o momento em que vivemos,
respondendo ao valor
fundamental a ser buscado
em nossa educação: a leitura,
a alfabetização.
(BARBOSA, 1988, p. 35)
Portanto, diversas metodologias puderam ser empregadase, com suas
respectivas relevâncias, puderam favorecer o ensino e aprendizado do
estudante. Ainda assim, podemos contemplar, em meados do século
XX, o Projeto Construtivo Brasileiro, que foi uma exposição de grande
repercussão no país, com curadoria de Aracy Amaral e Lygia Pape.
É nesse contexto que a educação artística, no ambiente formal da
educação, acontece, com seus inúmeros desdobramentos, que você,
estudante, pode se aprofundar.
Teia, Lygia Pape, 2000.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No processo de ensino-aprendizagem da educação formal nas
artes, é possível diversificar a metodologia, colocando em questão
a melhor condução para o aluno, e assim, estabelecer conexões e
fixar o aprendizado. Diante disso, algumas pesquisas indicam que o
estudo da História da Arte, no contexto escolar, deve enfatizar:
Parabéns! A alternativa C está correta.
No processo de aprendizagem, no contexto formal das artes, o
educador consegue estabelecer diversos meios e abordagens. No
ensino da História da Arte, deve-se enfatizar justamente alguns
pontos como a memória, o estilo e o contexto, permitindo assim
que o aluno possa reagir de forma crítica.
Questão 2
Ao oferecer uma visão panorâmica do movimento construtivo-
concreto brasileiro, a exposição, com curadoria de Aracy Amaral e
Lygia Pape, fundou o processo de difusão e institucionalização
dessa produção no Brasil e no exterior, tornando-se, assim, um
tópico importante na história das exposições no país.
Realizada em 1977, na Pinacoteca de São Paulo e, em seguida, no
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, trata-se da exposição:
A
a integração de seu conteúdo com outras
disciplinas.
B as obras clássicas da tradição universal.
C
a memorização de períodos, elementos estilísticos e
fatos marcantes.
D a abordagem do contexto social e político.
E a conexão com obras do mundo oriental.
A Nova Objetividade Brasileira.
B Vontade Construtiva Brasileira.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Os desdobramentos ocorridos na arte brasileira, sob influência das
correntes modernistas, favoreceram percursos ao olhar da arte-
educação formal. Nesse sentido, diversas exposições de caráter
formal deram pistas para a nova abordagem dos artistas brasileiros,
possibilitando assim uma grande repercussão, e uma dessas
exposições, em 1977, foi o Projeto Construtivo Brasileiro na Arte.
3 - Práticas pedagógicas em artes na educação não formal
Ao �nal deste módulo, você deverá ser capaz de identi�car as práticas pedagógicas de
experiência artística na educação não formal.
Aberturas de caminho na educação
não formal
Iremos agora desvendar algumas práticas pedagógicas em artes no
contexto da educação não formal e suas aplicações conceituais.
C Exposição Nacional de Arte Concreta.
D Projeto Construtivo Brasileiro na Arte.
E Formas Geométricas Brasileiras.
Atividade discursiva
Vamos começar com a seguinte questão: o que é a educação não
formal? Você já ouviu falar sobre esse tipo de educação?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Nesse primeiro momento, você deve compreender a educação não
formal como uma educação que se distancia do sistema
tradicional de ensino. Apesar de ser distinta da educação formal,
ela também tem seu sistema de educação organizado para a
aprendizagem dos alunos. É uma das formas de complementação
do método formal de ensino.
De fato, nós aprendemos de diversas formas a partir de experiências
formal ou não formal e isso pode, cada vez mais, fortalecer os vínculos
entre uma e outra.
Ampliando um pouco mais, um dos objetivos fundamentais da
educação é a preservação e transmissão da tradição cultural às
gerações mais jovens. Nas sociedades sem escrita, porém, falta a
ferramenta indispensável para transmitir uma concepção do mundo
para além do aqui e agora. A educação, portanto, deve ser assegurada
pela passagem direta e pessoal de valores, pensamentos, modos de
vida.
Essa transmissão direta e pessoal é obtida por meio da educação
informal que é realizada pelo grupo familiar, pares e adultos da
comunidade. Você deve encarar como uma forma de educação baseada
quase exclusivamente na observação e na experiência direta, que
substitui em grande parte o que é oferecido pela escola nas sociedades
alfabetizadas.

Ainda assim, a educação não formal trata-se de um processo de
aprendizagem diversificado, que tem em si os ambientes não escolares
como lugar de experiência singular. No setor artístico, existem diversos
locais para aprendizagem artística não formal e suas práticas culturais.
Analisando a imagem a seguir, vamos perceber algumas diferenças
entre a educação formal e a não formal:
A educação não formal propõe, principalmente, como foco, uma
população com menor poder financeiro e, de fato, com todo o contexto
social desfavorável a uma educação de qualidade. Isso é muito comum
nas diversas periferias das grandes cidades. Podemos assim, citar
alguns espaços, como: oficinas, cursos culturais e técnicos artísticos
entre outros.
Atenção!
Não podemos esquecer de que as atividades artísticas não formais não
têm que cumprir requisitos rigorosos e é o espaço onde crianças e
jovens têm liberdade para se expressarem quase sem quaisquer
limitações, devido à ausência de um programa de educação formal. Este
espaço cria boas condições para compreender as reais necessidades
do público. Entretanto, é no contexto da educação não formal que a
cultura artística pode contribuir para a união entre as esferas separadas
da educação, cultura e das artes.
Os desa�os da educação não formal

A pesquisa em artes no âmbito da
educação não formal
Confira agora exemplos de temas de pesquisas possíveis na arte e na
educação não formal, oferecendo pistas para escolha de novos temas.
Vamos assistir!
É possível perceber a presença dos diversos setores da educação não
formal nas cidades como, por exemplo, os museus e as instituições
culturais, que contribuem no processo de ensino e aprendizagem da arte
de crianças e adolescentes carentes:
A educação não formal visa
contribuir para o
desenvolvimento de crianças
e adolescentes, e ainda tem
como um de seus objetivos
erradicar o trabalho infantil.
(SOUZA, 2008, p. 2)
Não podemos esquecer de que a educação não formal favorece
também o crescimento do terceiro setor, sendo este formado pelas
organizações não governamentais, como as ONGs.
No Brasil, esse processo de apoderamento das instituições não formais
como espaço de experiências transformadoras para as crianças e
adolescentes aumenta as “descobertas de talentos”. Muitos
pesquisadores se debruçaram sobre o assunto da educação da arte em
espaços não formais.
Atenção!
Lembremos, especialmente, de que esse processo de educação é
também uma formação considerada como saber, em que se constituem
novos e diversos ambientes. E, claro, com todo o processo de
sistematização.
Os desafios ao colocar as definições acerca da educação não formal
são muitos e perpassam por diversas categorias de aprendizado.
Vejamos o que diz Gohn (2006) a esse respeito:
“A educação não formal designa um processo com várias
dimensões tais como: a aprendizagem política dos direitos dos
indivíduos enquanto cidadãos; a capacitação dos indivíduos para
o trabalho, por meio da aprendizagem de habilidades e/ou
desenvolvimento de potencialidades; a aprendizagem e exercício
de práticas que capacitam os indivíduos a se organizarem com
objetivos comunitários, voltadas para a solução de problemas
coletivos cotidianos; a aprendizagem de conteúdos que
possibilitem aos indivíduos fazerem uma leitura do mundo do
ponto de vista de compreensão do que se passa ao seu redor; a
educação desenvolvida na mídia e pela mídia, em especial a
eletrônica etc” (GOHN, 2006, p. 2).
Um direcionamento pedagógico é capaz de transformar por meio da
arte na educação não formal. O indivíduo pode ser capaz de elevar a sua
expressão aos mais diversos meios da sua capacidade.No entanto,
você vai perceber que o modelo descentralizado da educação não
formal pode se destacar muito no cenário nacional e internacional.
Alguns desses espaços podem acontecer em museus, espaços
culturais, centros comunitários, praças, parques, entre outros.
Educação não formal 
Entendemos que a educação não formal qualifica indivíduos para o meio
comum de potencialidades estéticas, históricas e artísticas, por meio
dos seus espaços de aprendizado e experimentações. Esses espaços
podem ser encontrados nos mais diversos meios de organização.
Algumas aplicações com a arte
Percebemos a importância da educação não formal e seus
desdobramentos. Agora, vamos ampliar nosso olhar acerca do fazer
artístico!
Primeiramente, acreditamos que a escola é um espaço de construção
de significados na sua atuação profissional e, com o aporte das artes, é
possível conectar significados e construir narrativas, estimulando
principalmente o fazer artístico na educação não formal. Pois bem, caro
estudante, aplicar os conceitos da arte na educação não formal para
que os alunos possam interagir com os materiais pode ser um desafio
muito importante na sua atuação profissional.
Lembremos que os sistemas educacionais existem para promover a
aprendizagem formal, que segue um programa de estudos e é
intencional no sentido de que a aprendizagem é o objetivo de todas as
atividades em que os alunos se envolvem.
Se pensarmos em um contexto como o museu e instituições culturais,
devemos estabelecer que o papel do educador deve em si fazer com
que o público visitante possa fazer suas próprias conexões com relação
ao que está sendo exposto.
Diante disso, no contexto da educação não formal, a arte trabalha o
fazer artístico, colocando assim uma diversidade de atividades, a fim de
expandir a participação social no ambiente diferente dos espaços
institucionais.
Por exemplo, na educação artística e cultural ou educação popular: num
momento em que o primeiro nomeado é novamente objeto de uma forte
vontade política e de um consenso quase total, deu para perceber
suficientemente que as duas frases compartilham o mesmo
substantivo: educação?
Nessas condições, não é legítimo indagar sobre o lugar que poderia
ocupar, no anunciado grande projeto de generalização da educação
artística e cultural, os movimentos e federações se dizem possuir uma
educação popular.
Convém destacar que, em muitos casos, a educação não formal ainda
passa por alguns ajustes quando se trata da inclusão no currículo dos
cursos de licenciatura, o estágio supervisionado em espaços da
educação popular. Isso porque algumas normas na Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional (LDB - Lei nº 9.394/1996) ainda não estão
bem definidas, mas acontecem.
Essa possibilidade de atuação profissional permite, na mediação
pedagógica, uma maior contribuição, para assim favorecer o acesso à
diversidade de manifestações artísticas. Dessa forma, você estará com
“a cabeça mais aberta” ao experimentar regras e culturas diferentes. E
isso é importante!
Intercâmbio de ideias, valores e concepções estética
erudita e popular contribuem também para a sua formação
humanizada.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O sistema de aprendizado da educação não formal também
pretende desenvolver a experiência que vai além da experiência dos
conteúdos formais. Diante disso, marque a alternativa correta sobre
os contrastes da educação formal com a não formal.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Os contrates que são possíveis identificar entre a educação formal
e a não formal são diversos. No entanto, alguns são mais
marcantes, como na educação formal, sendo a institucionalização,
o individualismo e as abordagens metodológicas e seus
desdobramentos. Sendo assim, o que caracteriza uma e outra são
os processos de ensino e aprendizado.
Questão 2
A
Institucionalização X Formalização; Individualismo
X Competição; Abordagens metodológicas X
Abordagens espontâneas.
B
Escolas X Universidade; Cidade X Campo; Roteiros X
Ritmo; Diversidade X Unicidade.
C
Aparência X Liberdade; Gêneros X Política; União X
Afeto; Ciência X Razão.
D
Matutino X Vespertino; Padrão X Contraste; Certeza
X Dúvida; Função X Forma.
E
Nacional X Global; Ético X Imposição; Postura X
Desorganizado; Imaginação X Concreto.
Diversos são os espaços e as instituições artísticas e culturais que
o estudante/profissional pode atuar no contexto da educação não
formal. Diante disso, em um museu, o papel do educador e
mediador de arte é o de
Parabéns! A alternativa D está correta.
Em uma instituição não formal, como um museu, o educador tem a
função de estimular o público visitante a criar relações que
fortaleçam as suas próprias interpretações sobre a exposição,
sendo assim outras conexões poderão ser feitas em sua
imaginação.
Considerações �nais
Chegamos ao final dessa jornada! Ou, pelo menos, aos primeiros passos
dela...
Esperamos que tenha percebido a importância das bases construtivas
que a arte possibilita para o desenvolvimento do seu contexto entre a
teoria e a prática nas abordagens educacionais. E, ao mesmo tempo,
percebido o quanto a arte e sua abordagem educativa promovem
algumas considerações no desenvolvimento da experiência que
caracteriza a legitimação da educação no contexto escolar.
No âmbito da educação formal, não podemos deixar passar a
importância do caráter multidisciplinar e como a arte pode ser
A explicar os detalhes da obra.
B aplicar a abordagem triangular.
C estabelecer conexões com obras clássicas.
D
instigar o público a estabelecer sua própria relação
com a exposição.
E determinar o percurso da visita.
importante nas estruturas social e individual, além de discutir os
desafios da arte na educação brasileira. Eis a razão pela qual a
competência que envolve o desenvolvimento, tanto técnico como
filosófico, pode ser mediado por meio da arte na educação.
Por outro lado, de forma complementar, percebemos que, no âmbito da
educação não formal, tal relação - Arte e Educação - deve ser entendida
como uma prática que se torna elemento de mediação. Diferentes
modalidades e funcionamentos podem equacionar um grupo ou
sociedade, que vai além das formalidades. Exatamente por isso as
propostas nos diversos setores descentralizadores desta possibilidade
de educação rompem as limitações do espaço e tempo e dão às
crianças, aos jovens e aos adultos maior liberdade de ação e expressão.
O que se espera é que, assim, tanto as dimensões políticas como as
sociais possam direcionar o aprendiz a uma compreensão mais global
de sua própria formação.
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Ouça agora alguns tópicos importantes abordados em nosso estudo.
Vamos ouvir!
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Leia:
O livro Educação, escola e docência: novos tempos, novas atitudes e
veja como o autor, Mário Sérgio Cortella, aborda a dinâmica do processo
de educação e seus desdobramentos filosóficos, políticos e conceituais.
A reportagem Lagos Andinos dão banho de beleza, de Paulo Naves, e
perceba como, mesmo há tanto tempo (Jornal Folha de São Paulo, 28
de Junho de 1999), a educação do olhar já aparece como sendo
necessária à inspiração.
Assista:
Ao vídeo Bienal do Livro Rio 2019. A Importância da Arte-Educação nas
Escolas e se debruce sobre os comentários da pesquisadora brasileira
Ana Mae Barbosa, e seus conceitos sobre a arte-educação e o seu
processo de ensino aprendizado.
À entrevista Lygia Pape, gravadora, escultora e pintora, sobre seu
trabalho, no canal “Arte é Investimento”, e conheça um pouco mais as
ideias dessa que é referência da arte nacional.
Ao vídeo Abordagem triangular é indicada para a educação de artes no
ensino fundamental, no canal “Instituto Claro”, e conheça um pouco
mais sobre essa abordagem.
Referências
BARBOSA, A. M. Arte-educação: conflitos/acertos. São Paulo: Max
Limonad, 1988.
BARBOSA, A. M. Inquietações e mudançasno ensino da arte. São Paulo:
Cortez, 2002.
BOSSI, A. Reflexões sobre a arte. São Paulo: Ática, 1986.
CHALUMEAU, J. L. As teorias da arte: filosofia, crítica e história da arte
de Platão aos nossos dias. Lisboa: Piaget, 1997. p.15.
DELORS, J. (Coord.). Os quatro pilares da educação. Educação: um
tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 1985. p. 89-102.
DONDIS, D. A. Sintaxe da Linguagem Visual. São Paulo: Martins Fontes,
1994.
DUARTE JR, J. Fundamentos estéticos da educação. 2. ed. Campinas:
Papirus, 1998.
FERRAZ, M. H. C. de T.; FUSARI, M. F. de R. Arte na Educação Escolar.
São Paulo: Cortez, 2010.
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática
educativa. 49. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.
GIL, A, C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.
GOHN, M. G. Educação não formal na pedagogia social. An. 1 Congr.
Intern. Pedagogia Social Mar., 2006.
GOHN, M. G. Educação não formal, participação da sociedade civil e
estruturas colegiadas nas escolas. Rio de Janeiro: [s.ed.], 2006.
SOUZA, C.R.T de. A educação não formal e a escola aberta. EDUCERE,
2008.
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