Prévia do material em texto
1 SEGURANÇA PÚBLICA E OS DESAFIOS ENFRENTADOS PELA POLÍCIA JUDICIARIA DE SÃO LUÍS – MA PARA GARANTIR O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, NA PERSPECTIVA DO PRESIDENTE DA ADEPOL Cassia Regina Miranda de carvalho1i Moizes Araújo Silva2 Et al3 RESUMO A pesquisa sobre a polícia judiciária do Maranhão foi realizada por meio de uma revisão bibliográfica que incluiu artigos, entrevistas e podcasts com o presidente da ADEPOL. Essas entrevistas foram conduzidas tanto pela nossa equipe quanto por repórteres, proporcionando uma visão abrangente sobre o tema. A segurança pública é importante para a ordem social e proteção dos direitos individuais e coletivos. A polícia judiciária é responsável pela investigação de crimes. Contudo, em cidades como São Luís – MA, enfrenta desafios como falta de recursos e estrutura, prejudicando sua eficácia. O presidente da ADEPOL, enfatiza a importância da valorização da Polícia Judiciária para combater o crime de forma eficaz. Ele destaca a necessidade de salários justos, melhores condições de trabalho, tecnologia e capacitação. A falta de efetivo e estrutura, especialmente na ACADEPOL, afeta a formação dos policiais. Apesar dos desafios, a dedicação da equipe tem gerado bons resultados, mas investimentos são cruciais para melhorar a eficiência e o atendimento em todo o Maranhão. Palavras-chaves: Estrutura; Policia Judiciaria; Maranhão; ADEPOL ABSTRACT The research on the judicial police of Maranhão was conducted through a bibliographic review that included articles, interviews, and podcasts featuring the president of ADEPOL. These interviews were carried out by both our team and reporters, providing a comprehensive view of the topic. Public security is essential for maintaining social order and protecting individual and collective rights. The judicial police are responsible for investigating crimes; however, in cities like São Luís, MA, they face challenges such as a lack of resources and infrastructure, which hampers their effectiveness. The president of ADEPOL emphasizes the importance of valuing the judicial police to combat crime effectively. He highlights the need for fair wages, better working conditions, advanced technology, and training. The shortage of personnel and inadequate infrastructure, particularly at ACADEPOL, adversely affects the training of police officers. Despite these challenges, the team's dedication has produced positive results, but investments are crucial to improve efficiency and services throughout Maranhão. Keywords: Structure; Judicial Police; Maranhão; ADEPOL 1 Acadêmica do 6º período da Faculdade Laboro (mirandacarvalh@gmail.com); 2 Acadêmico do 6º período da Faculdade Laboro (moizes.araujo.silva15@gmail.com); 3 Et al mais 16 acadêmicos do 6º período da Faculdade Laboro mailto:mirandacarvalh@gmail.com 2 1. INTRODUÇÃO O trabalho de pesquisa sobre a polícia judiciária do Maranhão se deu através de uma pesquisa bibliográfica em artigos, entrevistas e podcasts que foram feitas ao presidente da ADEPOL, tanto por nós da equipe, mas também por entrevistas que ele deu para alguns repórteres. O presidente da ADEPOL, enfatiza a importância da valorização da Polícia Judiciária para combater o crime de forma eficaz. Ele destaca a necessidade de salários justos, melhores condições de trabalho, tecnologia e capacitação. A falta de efetivo e estrutura, especialmente na ACADEPOL, afeta a formação dos policiais. Apesar dos desafios, a dedicação da equipe tem gerado bons resultados, entretanto investimentos são cruciais para melhorar a eficiência e o atendimento em todo o Maranhão. Uma das matérias jornalística usado nesse trabalho foi feito na Difusora em 18/ 09/2023 em que o presidente da ADEPOL deixa bem claro a situação precária das delegacias e dos trabalhos que são prejudicados por falta de efetivo. Há dois quadros mostrando a quantidade de homicídio no Maranhão um quadro comparativo e outro quantificando os homicídios de 2020 até ano de 2024. A importância de se abordar o tema como esse serve de alerta tanto para os estudantes de Direito como também para a sociedade que é a grande prejudicada com a falta de estrutura e a falta de efetivo da polícia judiciaria como relata o presidente da ADEPOL. A pesquisa foi dividida entre os membros da equipe em que cada membro ficou responsável por um tópico para que se tivesse um retrato mais detalhado do trabalho desenvolvido pela polícia judiciaria. 2. SEGURANÇA PÚBLICA COMO PILAR SOCIAL A segurança pública é um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade, pois garante a ordem social, a proteção da vida e do patrimônio, e a preservação dos direitos individuais e coletivos. Ela está diretamente ligada à manutenção da paz social e do estado democrático de direito, já que sem segurança, não há como assegurar o pleno exercício das liberdades civis e dos direitos constitucionais. A própria Constituição Federal, em seu Artigo 144, afirma: “A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.” Nesse contexto, a polícia judiciária desempenha um papel crucial no sistema de segurança pública, sendo responsável por investigar crimes, reunir provas e responsabilizar os envolvidos. Isso fortalece o sistema de justiça criminal e assegura que as leis sejam cumpridas, 3 protegendo o estado democrático de direito. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, “A polícia judiciária tem a função de investigação criminal e apuração de infrações penais, sendo essencial ao fortalecimento da justiça e à manutenção da ordem democrática.” No entanto, em cidades como São Luís – MA, a polícia judiciária enfrenta grandes desafios. O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado do Maranhão (ADEPOL) destaca que a precariedade de recursos, a falta de estrutura e a crescente demanda por segurança têm dificultado o trabalho da polícia judiciária. Como observado pela juíza Maria Lúcia Karam, Entrevistas dadas ao Pastoral Carcerária e em publicações da LEAP Brasil “A carência de infraestrutura adequada, somada à falta de recursos humanos e materiais, compromete diretamente a capacidade das forças de segurança em enfrentar a criminalidade e garantir a segurança da população.” Isso significa que, sem os investimentos necessários, a qualidade do serviço oferecido à população diminui, aumentando a sensação de insegurança. (PASTORAL CARCERARIA, 2018) Uma segurança pública eficaz depende de uma série de fatores, incluindo o bom funcionamento das instituições policiais, a aplicação eficiente das leis e o respeito aos direitos humanos. Para que isso aconteça, é necessário que a polícia judiciária esteja bem equipada, capacitada e com infraestrutura adequada. Quando o estado falha em oferecer esses recursos, compromete-se a segurança pública e, por consequência, o estado democrático de direito. Nesse sentido, Fernando Veloso, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, ressalta em sua obra “É possível – Gestão da Segurança Pública e Redução da Violência”, no blog da Monica Tappler e no jornal O Dia: “Investir em segurança pública é garantir não apenas a preservação da ordem, mas também a confiança da população nas instituições do Estado, o que fortalece a democracia. (VELOSO, 2021) Na visão da ADEPOL, o fortalecimento da polícia judiciária, com o devido investimento em tecnologia, pessoal e inteligência, é fundamental para enfrentar os desafios da criminalidade e garantir que a segurança pública seja tratada como uma prioridade de Estado. Isso assegura a proteção dos direitos de todos e o funcionamento saudável da democracia. 2.1 A política de segurança pública na contemporaneidade Segurança Pública: De acordo com o dispositivo constitucional, o Brasil tem umaformação sócio-histórica e político-cultural, com o objetivo de garantir a ordem e a paz social. Diante disso, observa-se uma adoção de política punitiva para repressão da criminalidade, como também o combate a erradicação da marginalidade, tendo em vista a garantia do projeto pacto pela paz, que visa garantir ao cidadão os direitos e deveres básicos para o convívio social. 4 Portanto, a partir dessa justificativa falaremos da Política Nacional de segurança pública na contemporaneidade sobre os desafios enfrentados para garantir o Estado Democrático de direito do cidadão ludovicense como também seus agregados. O atual cenário da Segurança pública em São Luís surge como o principal requisito à garantia de direitos e ao cumprimento de deveres, estabelecidos nos ordenamentos jurídicos. A segurança pública é considerada uma demanda social que necessita de estruturas estatais e demais organizações da sociedade ludovicense para ser efetivada. Às instituições bem como os órgãos estatais, estão incumbidos de adotar ações voltadas para garantir a segurança da sociedade, tendo como eixo político estratégico a política de segurança pública, ou seja, o conjunto de ações delineadas em planos e programas e implementados como forma de garantir a segurança individual e coletiva. O secretário de segurança pública do estado do Maranhão, com sede matriz na capital maranhense- São Luís - tem aliado junto com as secretarias municipais os instrumentos de enfrentamento da criminalidade e da violência, no qual apresentar um dado satisfatório para de redução a violência na grande São Luís, logo, os crimes violentos intencionais- apresentando com referencial do delito de homicídio com base comparativa de lapso temporal igual a 4 anos, de acordo a figura (1) e figura (2). Figura 1 Fonte: https://www.ssp.ma.gov.br/estatisticas-da-grande-sao-luis/ 5 Figura 2 Fonte: https://www.ssp.ma.gov.br/estatisticas-da-grande-sao-luis/ QUADRO COMPARATIVO (Acumulado até a data de ontem do Mês anterior / Mês atual) SET/24 OUT/24 DIF. ABS DIF.% ACUMULADO CVLI 22 16 -6 – • CVLI – Crimes Violentos Letais Intencionais QUADRO COMPARATIVO (Acumulado até a data de ontem do Ano anterior / Ano atual) OUT/23 OUT/24 DIF. ABS DIF.% ACUMULADO CVLI 24 16 -8 – Fonte: https://www.ssp.ma.gov.br/estatisticas-da-grande-sao-luis/ Os gráficos acima no endereço eletrônico mostram atualizado o quantitativo de homicídios praticados no estado Maranhão e as tabelas mostra o acumulado de forma comparativa entre o ano anterior e ano atual que também é atualizado na data que é acessado. 6 É notório que o plano efetivo de redução da criminalidade em São Luís, é comprovada com base a redução do delito de homicídio, que gera um reflexo que a população está segura e efetivando o seu direito a segurança proporcionado pelo poder público, como também demonstrando a efetiva participação do seu dever perante a sociedade, e consolidando o estado democrático de direito. Além disso, é importante salientar, que apesar de haver um processo de “criminalização da pobreza e da miséria” que está diretamente associado a insegurança do cidadão, a política de segurança contemporânea desenvolvida por parcerias de órgãos e instituições estatais na grande São Luís deixa evidentemente que o trabalho é realizado, mas também mostra que o trabalho não para através de estimativa de acordo com o Anexo I – Quadro informativo do governo do Estado. 2.2 A necessidade de afirmação das políticas de segurança pública na sociedade Mantendo o objetivo de ter uma estrutura social focada em segurança pública e para que funcione precisa da sociedade civil organizada, leis penais e processuais, polícia, Ministério Público, judiciário e Sistema Carcerário. Embora o sistema de segurança tenha a polícia como referência por ser a principal responsável pelo controle do crime, atualmente é acionada somente em casos que haja gravidade e de urgência. Quando se trata do estado brasileiro em âmbito federal, estadual e municipal, necessita desencadear ações para a sociedade por haver uma carência maior quando se trata de seguranças públicas. Uma vida em sociedade gera conflitos e o desafio do estado é equilibrar estes conflitos a níveis satisfatórios diante das ameaças urbanas, sobretudo da violência em processo de recrudescimento. Na sociedade atual a repressão estatal já não é compatível com a realidade cheia de conflitos no dia a dia. Está escancarado aos olhos de toda a sociedade que as hostilidades sofridas não podem ter medidas de rigor axiológico da classificação, objetivando concentrar os esforços de repressão. Hoje não resta dúvidas de que a repressão policial não tenha a mesma representação do que no passado, no tocante ao controle das forças sociais oprimidas e marginalizadas. Uma política pública de segurança deve ter a capacidade de articular a repressão e prevenção ao crime, tendo em vista trabalhar com a participação e envolvimento da própria sociedade o que poderá denominar de prevenção social em detrimento do vigente sistema de prevenção criminal “O Estado não pode fomentar a violência, mas sim contê-la” afirma Sérgio 7 Adorno, um sociólogo brasileiro, renomado professor da Universidade de São Paulo e especialista em violência urbana. A sociedade continua a clamar por leis severas e mais repressão, mesmo que aos olhos do estado esse clamor não tenha impacto algum também é preciso mostrar que ações estatais devem ser duradouras e não suscetíveis de mudanças constantes a cada pleito eleitoral. 2.3 A polícia judiciária como instrumento de garantia das políticas de segurança pública Precipuamente, é interessante apontar que um dos desafios mais latentes na contemporaneidade pelo sistema estatal, é diminuir e prevenir a criminalidade e violência através das políticas de segurança pública. As políticas de segurança pública, segundo (ADORNO, 1996; BENGOCHEA et al., 2004; SAPORI, 2007) pode ser definida como “a forma de instituir mecanismos e estratégias de controle social e enfrentamento da violência e da criminalidade, racionalizando as ferramentas da punição”. Como isso, subentendesse que a segurança social, surge como o principal requisito à garantia de direitos e ao cumprimento de deveres, e precisa da de uma estrutura estatal organizada para sua efetivação. Surgindo assim os órgãos estatais e instituições político- administrativas de monopólio e mediação das ferramentas de punição, como detentores do dever de protagonizar ações voltadas a garantir a segurança individual e coletiva dos membros da sociedade em geral. Isso significa que tanto o Estado bem como a sociedade em geral, devem exercer papéis cruciais na definição de estratégias políticas e de poder que legitimam o processo de desenvolvimento das políticas públicas, conforme menciona (PEREIRA, 2009, p. 96): Trata-se, pois, a política pública, de uma estratégia de ação, pensada, planejada e avaliada, guiada por uma racionalidade coletiva na qual tanto o Estado como a sociedade desempenham papéis ativos. No mesmo sentindo (BENGOCHEA et al., 2004, p. 120), preconiza que: A segurança pública é um processo sistêmico e otimizado que envolve um conjunto de ações públicas e comunitárias, visando assegurar a proteção do indivíduo e da coletividade e a ampliação da justiça da punição, recuperação e tratamento dos que violam a lei, garantindo direitos e cidadania a todos. Um processo sistêmico porque envolve, num mesmo cenário, um conjunto de conhecimentos e ferramentas de competência dos poderes constituídos e ao alcance da comunidade organizada, interagindo e compartilhando visão, compromissos e objetivos comuns; e otimizado porque depende de decisões rápidas e de resultados imediatos. 8 Isso demonstra quea segurança pública, entende-se como um processo articulado e dinâmico que envolve o ciclo burocrático do sistema de justiça criminal. E para a efetivação de políticas de segurança pública, que controle o avanço da criminalidade e os autos índices de violência faz se necessário a contribuição de órgãos político-administrativos e institucionais. E nesta seda, olvidasse a polícia judiciaria como um preconizador e alavanca motriz dos bastidores para a efetivação das políticas de segurança pública. Tendo em vista que a mesma atua de forma fundamental para o cerceamento da violência na sociedade, bem como desempenha um papel crucial na garantia das políticas de segurança pública, “pois a polícia judiciária é responsável por conduzir inquéritos policiais, que são fundamentais para a apuração de infrações penais e para a proteção dos direitos dos cidadãos” (OLIVEIRA FILHO 2009). E todo esse trabalho desempenhado pela polícia judiciaria, é crucial para que se chegue à Segurança cidadã pois “[...] na perspectiva de Segurança Cidadã, o foco é o cidadão e, nesse sentido, a violência é percebida como os fatores que ameaçam o gozo pleno de sua cidadania” (FREIRE, 2009, p. 107), e partindo do pressuposto que a polícia judiciaria funciona na investigação e prevenção da violência e criminalidade, a mesma é um potencial alicerce e instrumento de garantia da efetivação de políticas públicas que visam a segurança social. . 3. A “INSEGURANÇA PÚBLICA” COMO REFLEXO DO DESAMPARA AOS POLICIAIS CIVIS A segurança pública é um dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988, sendo dever do Estado assegurar a proteção da sociedade. No entanto, o debate sobre a insegurança pública reflete um aspecto muitas vezes negligenciado: o desamparo dos próprios agentes da segurança. Esses profissionais, enquanto responsáveis pela manutenção da ordem e combate ao crime, enfrentam um cenário de vulnerabilidade crescente, tanto dentro quanto fora de serviço. A atuação dos Policiais Civis, foco dessa reflexão, envolve desafios diários que aumentam o risco à sua integridade física e mental. Isso ocorre em virtude da imersão na identidade profissional, a pressão por respostas rápidas e eficazes, além da necessidade de tomar decisões complexas em situações de risco que são fatores que agravam o estresse e a insegurança no ambiente de trabalho. Esse cenário é agravado pela carência de políticas públicas que ofereçam suporte efetivo a esses profissionais, tanto no âmbito físico quanto psicológico, tornando a atuação policial uma tarefa ainda mais árdua e solitária. Fora do horário de trabalho, a vulnerabilidade do policial é ainda mais acentuada, com índices de violência que superam as mortes ocorridas em serviço. Sem a proteção de seus 9 equipamentos e uniformes, o policial de folga torna-se um alvo mais fácil, aumentando o risco de ataques que podem resultar em fatalidades. Esse desamparo é exacerbado pelo fato de que, em muitas corporações, a morte de um policial fora de serviço não é reconhecida como um risco associado à atividade profissional, dificultando o acesso das famílias a amparos legais e previdenciários, como ilustra o caso de um policial militar assassinado enquanto morava em uma escola para auxiliar na segurança local. Conforme indica o estudo de Simon (2023), "existe uma sobrecarga em relação às condições de trabalho dos policiais civis. Essa sobrecarga reflete o aumento das demandas de investigação, impulsionado pela expansão urbana e o crescimento populacional, o que impacta diretamente nos índices de criminalidade e, consequentemente, no volume de investigações. Portanto, ao se refletir sobre a insegurança pública, é essencial reconhecer que o desamparo aos profissionais da segurança, em especial aos policiais civis, é um fator que precisa ser enfrentado para a melhoria das condições de trabalho e, por consequência, da segurança da sociedade como um todo. Dessa forma, garantir a segurança pública de forma eficaz exige uma atenção redobrada não apenas para com a sociedade, mas também para com os agentes que atuam na linha de frente dessa missão. Políticas públicas que promovam melhores condições de trabalho, suporte psicológico e valorização profissional são fundamentais para a construção de uma sociedade mais segura e justa. 3.1 A evolução da polícia judiciária no Brasil Na Idade Média, especificamente durante o Período Feudal, o poder conhecido como jus politiae era atribuído ao príncipe. Esse poder permitia ao príncipe estabelecer normas e regras para o povo sem a obrigação de segui-las ele próprio. Com o advento do Liberalismo, surgiu o Estado de Direito, marcando um novo período onde a sociedade passou a ser organizada e regida pelo Princípio da Legalidade. Nesse contexto, até mesmo o Estado ficou sujeito às leis que ele próprio criou. Seguindo essa linha de pensamento, pode-se afirmar que o Poder de Polícia conferido ao Estado tem como principal objetivo cumprir a lei e suas finalidades, restringindo até mesmo direitos dos cidadãos quando em conflito com a política do Estado, a preservação da ordem pública e a segurança da coletividade. Essa ação estatal pode ser exercida tanto de forma preventiva quanto repressiva. 10 Assim, as investigações criminais são atos do Poder de Polícia do Estado, atuando de forma cautelar contra a criminalidade e preparando a ação penal para o Ministério Público ou querelante, impedindo que os elementos dos crimes se dissipem com o tempo. É importante mencionar que o combate à criminalidade como uma das principais funções do Estado intensificou-se nos séculos XVII e XIX. Um momento significativo nesse processo foi a criação de instituições que exercem o poder de polícia, prevenindo e reprimindo a criminalidade, sem se confundirem com o representante físico do Estado. No Brasil, durante o período colonial, tivemos um esboço de Polícia através dos alcaides, que exerciam atividades de Polícia Administrativa e Judiciária, vinculados aos magistrados. Somente em 1841, com a Lei 261, regulamentada pelo Decreto 120/1842, foram criados a Polícia Judiciária e o cargo de Delegado de Polícia, distinguindo as funções de Polícia Administrativa e Judiciária. Atualmente, a Constituição Federal define os órgãos policiais, tanto administrativos quanto judiciais, e suas respectivas funções. 3.2 As competências atribuídas à polícia judiciária, diferença entre polícia militar e polícia civil A polícia judiciária é um órgão da segurança do Estado que tem como principal função apurar as infrações penais e sua autoria por meio da investigação policial, que é um procedimento administrativo com característica inquisitiva, servindo, em regra, de base à pretensão punitiva do Estado formulada pelo Ministério. No Brasil as atribuições de polícia judiciária são da competência das Polícias Civis das 27 unidades da federação (Polícias Civis dos Estados e do Distrito Federal) e da Polícia Federal, de acordo com os parágrafos 4º e 1º, do artigo 144, da Constituição Federal de 1988. A polícia judiciária (PJ) tem competências que incluem: ● Prevenir e detectar crimes ● Recolher elementos probatório ● Elaborar análises sobre sobre fenômenos criminais ● Cumprir determinações do poder judiciário, como mandados de prisão 11 A polícia judiciária pode identificar pessoas, realizar vigilâncias, proceder a buscas e revistas. A mesma tem acesso a informações para caracterizar, identificar e localizar atividades criminosas. A principal diferença entre a Polícia Militar e a Polícia Civil é o tipo de atuação: a Polícia Militar é responsável por manter a ordem pública e prevenir crimes, enquanto a Polícia Civil é responsável por investigar crimes já ocorridos. Já a Polícia Civil é responsável por investigar uma variedade de casos, desde crimes menores até casos mais complexos,como homicídios e roubos. A Polícia Civil também atende requisições de juízes e promotores durante o desenvolvimento do processo. A Polícia Militar é a força policial responsável pelo chamado policiamento ostensivo. Isso significa que ela serve para coibir as ilicitudes de maneira imediata, repreendendo-a por sua presença e potencial coercitivo. Isso explica uma das principais diferenças entre as Polícias Civil e Militar. Enquanto a Civil é uma força mais voltada para a investigação, a Militar dedica-se à vigilância e repressão imediata e emergencial de atos criminosos ou ilícitos. Se, após um assalto, o Boletim de Ocorrência deve ser registrado na Polícia Civil, imediatamente após ou durante o assalto, é responsabilidade da Polícia Militar correr atrás do assaltante. É importante que não haja confusão entre o policial militar e o militar das Forças Armadas. Embora ambos façam parte da carreira militar (inclusive compartilhando nomenclatura de postos semelhantes), são especificações absolutamente distintas. 3.3 A importância da polícia judiciária como mantenedora do estado democrático de direito A polícia judiciária é importante para o Estado Democrático de Direito porque garante a imparcialidade, autonomia e independência do Poder Judiciário, além de assegurar a realização de um processo penal que esteja de acordo com os princípios da democracia. A mesma atua sobre pessoas que cometem ilícitos penais, e tem como atribuição cumprir as determinações do Poder Judiciário, como mandados de prisão. Cabe exclusivamente a polícia judiciária a apuração de fatos delituosos e a coleta preliminar dos elementos de prova que sustentarão a viabilidade ou não do subconsciente processo penal - meio instrumentalizado do direito de punir do estado. Deve por tanto a fase preliminar do jus puniendi ser realizada por ente imparcial e extrínseco ao futuro processo penal, com a perfeita separação entre o Estado- 12 investigador, Estado- acusador e Estado Julgador garantindo e preservando o exercício dos direitos fundamentais. A polícia judiciária é prevista no Código de Processo Penal, no artigo 4º. 4. UMA VISÃO DA CORPORAÇÃO - NA PESSOA DO PRESIDENTE DO SINDICATO DOS DELEGADOS DO MARANHÃO Segundo Dominici, presidente da ADEPOL, destaca a importância da valorização da Polícia Judiciária para garantir a eficiência no combate ao crime. Ele defende que a valorização passa não apenas por salários adequados, mas também por melhores condições de trabalho, investimento em tecnologia e capacitação profissional. “Um dos maiores desafios que enfrentamos hoje é a questão estrutural. A ACADEPOL, que é a nossa academia de polícia, responsável pela formação dos novos profissionais, está sucateada”. Isso é algo que afeta diretamente a qualidade da formação e capacitação dos policiais. Precisa de mais investimentos nesse setor para garantir que se tenha uma força policial bem treinada e preparada para atuar em todas as regiões do estado.” A falta de efetivo também é um problema grave. “Não temos policiais suficientes para atender toda a demanda do estado. No Maranhão, são 217 municípios e, infelizmente, muitos deles não contam com delegados fixos.” Isso faz com que casos de algumas cidades precisem ser atendidos por outras regionais, o que acaba atrasando as investigações. Apesar de todos esses desafios, os delegados e demais profissionais da Polícia Judiciária têm se esforçado muito. Graças ao empenho e dedicação da equipe, temos conseguido bons resultados na resolução de crimes. Mesmo sem a estrutura ideal, o esforço dos nossos policiais permite que muitos casos sejam resolvidos de forma eficiente. Mas, claro, com melhores condições, poderíamos entregar resultados ainda mais rápidos e efetivos. Investir na estrutura da polícia e na formação dos profissionais é essencial. Com uma ACADEPOL reformada e mais recursos para as delegacias, poderia haver um aumento do efetivo e melhorar o atendimento em todo o estado. “Isso resultaria em investigações mais ágeis e eficientes, além de um maior controle sobre o combate à criminalidade em regiões que hoje estão mais vulneráveis.” A entrevista na integra está no APÊNDICE - A 4.1 Obstáculos que impedem o bom funcionamento A segurança pública enfrenta diversos desafios, especialmente no contexto das polícias judiciárias, responsáveis pela investigação criminal e pela garantia da justiça. Em São Luís, 13 capital do Maranhão, esses desafios se tornam ainda mais evidentes devido a fatores estruturais, sociais e políticos. Na perspectiva do presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Maranhão (ADEPOL-MA), a garantia do Estado Democrático de Direito passa por uma série de obstáculos que comprometem a eficácia das ações da polícia judiciária. Entre os principais obstáculos que impedem o bom funcionamento da polícia judiciária em São Luís, destacam-se: Defasagem no efetivo policial: Um dos maiores desafios enfrentados pela Polícia Civil é a falta de delegados, investigadores e escrivães. A sobrecarga de trabalho decorrente do baixo número de profissionais gera atraso nas investigações e comprometimento da qualidade do atendimento à população. Falta de investimentos em infraestrutura: As delegacias de São Luís muitas vezes operam em condições precárias, com equipamentos obsoletos, instalações inadequadas e falta de materiais básicos para o desenvolvimento das investigações. Essa carência afeta diretamente a eficiência da atuação policial e a celeridade no processamento dos crimes. Baixos salários e falta de valorização profissional: Outro ponto frequentemente citado pelos representantes da ADEPOL é a desmotivação dos profissionais da segurança pública devido aos baixos salários e à ausência de políticas de valorização da carreira. Isso resulta em um ambiente de trabalho menos propício à eficiência e qualidade. Interferências políticas: A atuação da polícia judiciária deve ser independente e imparcial, mas em alguns casos, segundo apontamentos feitos pela ADEPOL, a interferência política em investigações pode comprometer a autonomia da instituição e a busca pela justiça. Esses fatores são frequentemente mencionados por lideranças da classe, como o presidente da ADEPOL-MA, como limitadores da plena realização do papel da polícia judiciária no fortalecimento do Estado Democrático de Direito. A falta de apoio do poder público e a ausência de reformas estruturais agravam ainda mais a sensação de insegurança da população e a dificuldade de solucionar crimes com eficácia. “Sem as condições mínimas de trabalho, seja em termos de efetivo ou infraestrutura, é impossível garantir uma investigação de qualidade, o que compromete o papel da Polícia Civil na construção de uma sociedade mais justa e segura” (Presidente da ADEPOL-MA, 2023). 14 4.2 O aumento da criminalidade e a falta de efetivo Há alguns anos pensava – se que o criminoso já nascia com a marca da criminalidade, sendo assim um delinquente. Chegou – se definir os criminosos congênitos, que teria características que os levaria a ser um criminoso em potencial. Com os estudos sociais foi constatado que a trajetória de um indivíduo perante a sociedade é o que vai colaborar para a inserção ou não no mundo da criminalidade. Motivos como a pobreza; mal vivência; miséria; fome e desnutrição; civilização; profissão. Apontar motivos e consequências se faz necessários, até mesmo porque trazem em todos os cidadãos reações quanto aos princípios morais e éticos, construídos ao longo da vida. Em 2024 o aumento da criminalidade foi de 26% um dos maiores crescimentos foi o estelionato, furtos de celular; furto de veículo, furto a pedestre e roubo de celular. O roubo de veículos entre o ano passado e este ano apresentou 15% de aumento, enquanto o roubo a pedestre teve uma trajetória de queda entre 2020e 2024; de 2023 para 2024 a redução foi de 2%. A falta de investimento do estado na própria sociedade facilita que esse índice avance ainda mais. Primeiro: a repressão ao crime por parte da polícia limita, segundo: pela falta de efetivo para conter a criminalidade, a falta de condições de trabalho: armas obsoletas, viaturas em quantidade pequena, falta de combustível, viaturas danificadas, terceiro: falta de treinamento, a falta de cadeias que sejam capazes de comportar presos. Portanto, a solução da criminalidade não vem da repressão da polícia, mas sim na forma eficaz da prevenção. Molina afirma que: “criar pressupostos necessários ou de resolver as situações carências criminógenas, procurando uma socialização proveitosa de acordo com os objetivos sociais”. Essas ações preveem reações positivas em médio e longo prazos não sendo ações imediatistas, sendo o principal objetivo da prevenção primária está na extinção de focos que possam gerar violência, podendo assim haver a extinção desta no seu nascimento impedindo que ela se desenvolva. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Em síntese chega-se à conclusão que há descaso por parte do Estado numa perspectiva política, pois há um complexo de problemas que assola a segurança pública de todas as unidades municipais do país. Pois a falta de investimento, para treinamento e melhoria nas estruturas das 15 delegacias de acordo com os Anexos de A- H percebe-se essa falta de compromisso por parte dos responsáveis em promover as condições de trabalho para a polícia judiciaria. Também na fala do presidente da ADEPOL quando fala do sucateamento da ACADEPOL que é a academia de polícia, ou seja, onde são dados treinamentos técnicos aos policiais, a fata de investimentos em tecnologia para dar melhores condições para as investigações, também mostra o descaso por parte do Estado. Portanto chega-se a conclusão que enquanto não houver investimento por parte daqueles que devem promover uma boa estrutura para as delegacias, ou seja, os governos dos Estados além do dever de investir em tecnologia para a melhoria do trabalho dos investigadores. REFERÊNCIAS ADEPOL-MA. Desafios e propostas para a segurança pública no Maranhão. São Luís, 2023. ADORNO, S. A gestão urbana do medo e da insegurança: violência, crime e justiça penal na sociedade brasileira contemporânea. 282 p. Tese (apresentada como exigência parcial para o Concurso de Livre-Docência em Ciências Humanas) – Departamento de Sociologia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 1996. BENGOCHEA, J. L. et al. A transição de uma polícia de controle para uma polícia cidadã. Revista São Paulo em Perspectiva, v. 18, n. 1, p. 119-131, 2004. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF. Disponível em: Acesso em: 20 out. 2024. FREIRE, M. D. Paradigmas de segurança no Brasil: da ditadura aos nossos dias. Revista Brasileira de Segurança Pública, Ano 3, edição 5, p. 100-114, ago./set. 2009. SIMON, Gustavo Saloum. Percepção da saúde mental em policiais civis da delegacia regional de Manhuaçu/MG. 2023. 32f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharel em Medicina). Centro Universitário UNIFACIG, Manhuaçu, 2023. Disponível em:Ace sso em: 20 out. 2024. 16 OLIVEIRA FILHO, Roberto Gurgel. A polícia judiciária como instrumento de garantia do Estado Democrático de Direito. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 14, n. 2099, 31 mar. 2009. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/12517. Acesso em: 25 out. 2024. PEREIRA, P. A. P. Discussões conceituais sobre política social como política pública e de direito de cidadania. In: BOSCHETTI, I. (Org.). Política social no capitalismo: tendências contemporâneas. São Paulo: Cortez, 2009. SAPORI, L. F. Segurança pública no Brasil: desafios e perspectivas. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/o-combate-a-criminalidade-passa-por- diversas-etapas/ Acesso em: 22 out. 2024 Entrevista na TV Difusora Disponível Em: Acesso em 22 de out. 2024. Disponível em: Acesso em: 22 out. 2024 https://jornal.usp.br/radio-usp/o-combate-a-criminalidade-passa-por-diversas-etapas/ https://jornal.usp.br/radio-usp/o-combate-a-criminalidade-passa-por-diversas-etapas/ https://jornal.usp.br/radio-usp/o-combate-a-criminalidade-passa-por-diversas-etapas/ https://youtu.be/2JVv55Uf41E?si=yRvL9HLcdvSSBBvh 17 APÊNDICE 18 APÊNDICE A - Perguntas feitas ao presidente da ADEPOL (Associação dos Delegados de Polícia) 1.Quais são os principais desafios enfrentados pela Polícia Judiciária do Maranhão? Um dos maiores desafios é a questão estrutural, especialmente a situação da Acadepol, que está sucateada e impacta a formação dos policiais. 2.Qual a importância da Acadepol para a Polícia Judiciária? A Acadepol é responsável pela formação dos novos profissionais, e sua má condição afeta a qualidade do treinamento e capacitação dos policiais. 3.Como a falta de efetivo impacta a atuação da polícia no Maranhão? A falta de policiais é grave, pois muitos dos 217 municípios não têm delegados fixos, o que leva a atrasos nas investigações, já que casos de algumas cidades precisam ser atendidos por outras regionais. 4.Apesar das dificuldades, como os delegados têm conseguido resolver crimes? Graças ao empenho e dedicação da equipe, os delegados e outros profissionais têm alcançado bons resultados na resolução de crimes, mesmo sem a estrutura ideal. 5.O que poderia melhorar a eficiência das investigações no Maranhão? Investir na estrutura da polícia e na formação dos profissionais é essencial. Com uma Acadepol reformada e mais recursos para as delegacias, poderíamos aumentar o efetivo e melhorar o atendimento em todo o estado. 6.Qual seria o resultado de um maior investimento na Polícia Judiciária? Isso resultaria em investigações mais ágeis e eficientes e em um maior controle sobre o combate à criminalidade em regiões vulneráveis. 19 ANEXOS 20 Imagens de algumas delegacias do Estado do Maranhão, fornecidas pela ADEPOL (Associação dos Delegados de Polícia) ANEXO A - Delegacia no Maranhão ANEXO B – Interior de delegacia no Maranhão 21 ANEXO C – Provas de crimes “guardados” em áreas abertas de delegacia no Maranhão ANEXO D - Arquivos defasados em delegacia no Maranhão 22 ANEXO E – Delegacia no Maranhão ANEXO F – Interior de Delegacia no Maranhão 23 ANEXO G – Interior de delegacia no Maranhão ANEXO H – Estrutura de delegacia no Maranhão 24 ANEXO I – Quadro informativo da segurança pública ii