Prévia do material em texto
TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA – TEA - DSM5 1 Sumário TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA – TEA - DSM5 .................. 1 NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 1. HISTÓRICO .................................................................................... 3 2. COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO SOCIAL ..................................... 4 3. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E SUAS POSSÍVEIS CAUSAS 6 3.1 Importância do diagnóstico precoce ............................................... 7 3.2 Etiologia e causas .......................................................................... 9 3.2.1 Os fatores de risco ambientais do autismo ............................ 12 3.3 Sinais do Transtorno do Espectro Autista .................................... 13 3.3.1 Possíveis sinais de autismo em bebês e crianças: ................ 13 3.3.2 Possíveis sinais de autismo em qualquer idade .................... 14 4. INCLUSÃO SOCIAL ..................................................................... 15 5. DIAGNÓSTICO ............................................................................. 17 5.1 Orientações terapêuticas ............................................................. 20 6. O TRABALHO DE PSICÓLOGOS E EQUIPES MULTIDISCIPLINARES ................................................................................... 23 6.1 Critérios diagnósticos do DSM 5 .................................................. 24 6.2 Nível de gravidade de interação/comunicação social ................... 26 7. REFERÊNCIAS ............................................................................ 28 file://///192.168.0.2/v/Pedagogico/SAÚDE%20E%20BEM-ESTAR/ABA-%20ANÁLISE%20COMPORTAMENTAL%20APLICADA%20AO%20AUTISMO/TRANSTORNOS%20DO%20ESPECTRO%20AUTISTA%20-%20TEA%20-%20DSM5/TRANSTORNOS%20DO%20ESPECTRO%20AUTISTA%20-%20TEA%20-%20DSM5.docx%23_Toc135829887 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de comunicação. Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 3 1. HISTÓRICO O transtorno do espectro do autista (TEA) ou simplesmente autismo é uma síndrome caracterizada por alteração do desenvolvimento com alta incidência em todo o mundo. O TEA é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento definido no DSM-5, classificação diagnóstica mais recente dos transtornos mentais, por déficits de comunicação social associado a comportamentos ou interesses repetitivos, estereotipados com início precoce. De acordo com o DSM-5, como sintomas deverão estar presentes no início do período de desenvolvimento e se tornarem evidentes na primeira infância. Em 1943, Leo Kanner, empregou o termo autismo para definir uma síndrome específica observada em 11 crianças (o termo "autismo", autos, que significa "a si mesmo", e ismo, que significa “ação ou estado”). A terminologia foi utilizada pela primeira vez pelo alemão Eugen Bleuler em 1911, para descrever a retirada social em pacientes adultos com esquizofrenia. A síndrome de Kanner caracterizava-se por início precoce – a partir do primeiro ano de vida - de retraimento social, mesmice, comprometimento de linguagem, comportamentos motores estereotipados e deficiência intelectual. Kanner não descreveu o autismo em indivíduos com deficiência intelectual grave ou distúrbios cerebrais conhecidos. Alguns anos depois, o austríaco Hans Asperger descreveu pacientes com “tendências autistas” que diferiam das crianças descritas por Kanner, devido à expressão de talentos isolados excepcionais e habilidades linguísticas relativamente preservadas (Síndrome de Asperger). Esta heterogeneidade de apresentações, intensidades e combinações de sintomas se traduz na nomenclatura “espectro autista”. As alterações devem ser identificadas e abordadas nos primeiros anos de vida. Estudos indicam que a intervenção precoce, em todas as suas 4 modalidades, melhora muito o prognóstico dessas crianças, razão pela qual o pediatra deve estar muito atento aos desvios e atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, principalmente na linguagem e habilidades sociais, e sempre encaminhar ao especialista quando estes se mantêm alterados em mais de uma avaliação. O autismo é apenas um dos transtornos que integram o quadro de Transtorno do Espectro Autista (TEA). O TEA foi definido pela última edição do DSM-V como uma série de quadros (que podem variar quanto à intensidade dos sintomas e prejuízo gerando na rotina do indivíduo). Outros exemplos de transtornos que fazem parte do espectro – e que anteriormente eram considerados diagnósticos distintos – são: ►a Síndrome de Asperger e o; ► Transtorno Global do Desenvolvimento. 2. COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO SOCIAL Figura: 01 5 Padrões restritos e repetitivos de comportamento. Alguns fatos sobre o autismo Institutos de controle e prevenção de doenças americanos, como o CDC Centers for Disease Control and Prevention -, estimam a prevalência do Transtorno do Espectro Autista como 1 em 68 crianças nos Estados Unidos. Isso inclui 1 em 42 meninos e 1 em 189 meninas. Esse mesmo instituto afirma que hoje existe 1 caso de autismo para cada 110 pessoas. Extrapolando esses números, estima-se que o Brasil tenha hoje cerca de 2 milhões de autistas. Aproximadamente 407 mil pessoas somente no estado de São Paulo. ►Estima-se que 50.000 adolescentes com autismo tornam-se adultos – e perdem serviços de autismo escolarizados – a cada ano. ►Cerca de um terço das pessoas com autismo permanecem não- verbais. ►Cerca de um terço das pessoas com autismo têm uma deficiência intelectual. ►Certos problemas médicos e de saúde mental frequentemente acompanham o autismo. Eles incluem distúrbios gastrointestinais, convulsões, distúrbios do sono, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), ansiedade e fobias. 6 3. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA E SUAS POSSÍVEIS CAUSAS Figura: 02 Uma das perguntas mais comuns feitas após um diagnóstico de autismo, é o que causou a condição. Sabemos que não há uma única causa de autismo. Pesquisas sugerem que o autismo se desenvolve a partir de uma combinação de influências genéticas e não genéticas, ou ambientais. Essas influências parecem aumentar o risco de uma criança desenvolver autismo. No entanto, é importante ter em mente que o aumento do risco não é a mesma causa. Por exemplo, algumas alterações genéticas 7 associadas ao autismo também podem ser encontradas em pessoas que não têm o distúrbio. Da mesma forma, nem todos expostos a um fator de risco ambiental para o autismo desenvolvem o distúrbio. Na verdade, a maioria não. A origem do autismo se deve a diversosfatores, englobando a relação de fatores descritos abaixo: Genéticos: Fatores complexos, uma vez que não há um gene específico associado ao transtorno do espectro autista, e sim uma variedade de mutações e anomalias cromossômicas que vem sendo associadas a ele. Em relação ao gênero, a proporção é de meninos 4:1 meninas. Neurológicos: Há maior prevalência de TEA associados a atrasos cognitivos e quadros epilepsia, por exemplo. Ambientais: Interação de genes com o ambiente, infecções e intoxicações durante o período pré-natal, prematuridade, baixo peso e complicações no parto são alguns dos fatores que podem contribuir negativamente. 3.1 Importância do diagnóstico precoce A maioria dos casos ainda é detectada tardiamente. Porém, é crescente o número de estudos voltados à importância da detecção precoce. Ainda na primeira infância. Neste período inicial da vida, há alguns comportamentos que fogem ao chamado “desenvolvimento típico”, e já podem servir de alerta a familiares e profissionais da saúde. Nos últimos anos tem aumentado muito o diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA), todavia ainda ocorre com frequência um atraso entre o momento das primeiras preocupações dos pais e o diagnóstico e início de um tratamento adequado. (MacDonald, 2014). Escalas de triagem permitem a detecção de distúrbios que poderiam não ser suspeitados. Estas escalas não são instrumentos diagnósticos, mas 8 permitem que os pacientes com risco de determinada condição possam ser encaminhados precocemente para uma investigação mais especializada. Estes instrumentos de triagem podem ser aplicados em crianças com atraso na comunicação verbal ou não verbal ou em situações de regressão da linguagem ou das habilidades sociais. Destacamos que as escalas de triagem podem implicar em falsos positivos (casos que não terão confirmado o diagnóstico de TEA) ou mesmo falsos negativos (que poderão ser identificados posteriormente como TEA). Para diminuir o risco desta última possibilidade, devemos considerar a possibilidade de negação por parte dos pais diante da possibilidade de TEA, atenuando a intensidade das respostas. Além disso, é importante a observação durante a consulta dos comportamentos da criança e, ainda, o questionamento de outros contatos da criança, como a escola, por exemplo, a respeito das atitudes do paciente. Em qualquer avaliação de uma criança com suspeita de TEA, independente do uso das escalas de triagem, deve ser efetuado uma avaliação detalhada sobre sintomas e sinais que possam sugerir o diagnóstico. Sempre que possível deve-se assistir vídeos caseiros de atividades da criança. Podem ser utilizados os critérios do DSM-5, mas devemos estar atentos que movimentos estereotipados podem aparecer mais tardiamente e que a ausência dos mesmos não deve ser motivo para atrasar uma eventual intervenção terapêutica precoce (Tuchman & Rapin, 2006). Dependendo da idade, casos mais leves de TEA ou crianças com melhor capacidade cognitiva podem passar despercebidos pelas avaliações com uso de escalas. Portanto, os profissionais devem estar atentos e pesquisar de modo ativo a presença de sinais de alerta. O tratamento deve ser fundamentado em terapia comportamental, geralmente realizada por psicólogo especializado, com o objetivo de desenvolver o funcionamento social, a interação das crianças com os pais e colegas, a linguagem e a diminuição dos movimentos repetitivos negativos. 9 Na sequência poderão ser incluídos outros profissionais para o tratamento destes pacientes, como o fonoaudiólogo e o terapeuta ocupacional. A utilização de medicamentos geralmente não está indicada nos pacientes com TEA, podendo ser utilizada de modo mais esporádico em pacientes com irritabilidade, ansiedade ou hiperatividade mais intensas. Avaliação da capacidade auditiva está indicada em praticamente todos os casos. No caso das crianças menores, incapazes de colaborar com uma audiometria convencional, está indicada a realização do potencial evocado auditivo de tronco encefálico. 3.2 Etiologia e causas Figura: 03 O Transtorno do Espectro Autista (TEA) refere-se a uma série de condições caracterizadas por desafios com habilidades sociais, comportamentos repetitivos, fala e comunicação não-verbal, bem como por forças e diferenças únicas. Os sinais mais óbvios do Transtorno do Espectro Autista tendem a aparecer entre 2 e 3 anos de idade. Em alguns casos, ele pode ser diagnosticado por volta dos 18 meses. 10 Sabemos agora que não há um autismo, mas muitos tipos, causados por diferentes combinações de influências genéticas e ambientais. O termo “espectro” reflete a ampla variação nos desafios e pontos fortes possuídos por cada pessoa com autismo. Alguns atrasos no desenvolvimento associados ao autismo podem ser identificados e abordados bem cedo. Recomenda-se que os pais com preocupações busquem uma avaliação sem demora, uma vez que a intervenção precoce pode melhorar os resultados. A etiologia do autismo é desconhecida, embora a taxa de concordância estimada entre 60% e 92% em gêmeos monozigóticos, comparada à taxa de 0% a 10% em gêmeos dizigóticos, evidencie a importância de fatores genéticos. A concordância incompleta em gêmeos monozigóticos sugere a interferência de fatores ambientais. Acredita-se que o autismo esteja associado a uma herança poligênica e potencialmente epistática, e que fatores ambientais possam atuar em sinergia com os determinantes genéticos, aumentando a possibilidade de doença manifesta. Este processo de mudança estável da cromatina que altera a expressão de alguns genes por fatores ambientais, podendo ser transmitida para outra geração, é chamado de epigenética. O autismo é, portanto, um distúrbio multifatorial envolvendo fatores genéticos e fatores ambientais. O progresso da genética molecular e clínica, com o desenvolvimento de novas técnicas, melhorou o conhecimento sobre síndromes genéticas associadas ao transtorno do espectro autista. As alterações genéticas identificadas no TEA podem ser classificadas como anormalidades cromossômicas citogeneticamente visíveis, representadas por variações no número de cópias de um segmento de DNA, incluindo deleções, duplicações e distúrbios de gene único). 11 Exemplos de sinais que podem ser rastreados precocemente, e servir de alerta Figura: 04 ►Dificuldade em sustentar contato visual enquanto é alimentado; ►Ausência de resposta clara ao ser chamado pelo nome (importante descartar hipótese de perda auditiva); ►Atraso no desenvolvimento da linguagem verbal e não verbal (não apontar, não responder a sorrisos, demorar para balbuciar e falar, ou regressão de linguagem); ►Desconforto com afagos e ao ser pego no colo; ►Aversão ou fixação a algumas texturas, incômodos com determinados sons e barulhos, comportamentos repetitivos e estereotipados (enfileirar brinquedos, rodopiar em torno de si mesmo, balançar o corpo). ►Quanto mais cedo a família e a escola forem orientadas sobre o quadro da criança, melhor será sua inserção social e aquisição de 12 autonomia. A intervenção precoce (que pode ocorrer mesmo antes do diagnóstico conclusivo) visa estimular as potencialidades e auxiliar no desenvolvimento de formas adaptativas de comunicação e interação. 3.2.1 Os fatores de risco ambientais do autismo Pesquisas também apontam que certas influências ambientais podem aumentar ainda mais – ou reduzir – o risco de autismo em pessoas que são geneticamente predispostas ao transtorno. É importante notar que o aumento ou diminuição do risco parece ser pequeno para qualquer um desses fatores de risco. 3.2.1.1 Risco aumentado do autismo ►Idade avançada dos pais (qualquer dos pais) ►Gravidez e complicações no parto (por exemplo, prematuridade extrema [antes de26 semanas], ►Baixo peso ao nascerem, gestações múltiplas [dupla, tripleto, etc.]) ►Gravidez com espaçamento inferior a um ano. 3.2.1.2 Risco diminuído do autismo Vitaminas pré-natais contendo ácido fólico, antes e durante a concepção e durante a gravidez. 3.2.1.3 Nenhum efeito sobre o risco Vacinas. Cada família tem uma experiência única com um diagnóstico de autismo, e para alguns, corresponde ao momento da vacinação do seu filho. Ao mesmo tempo, os cientistas têm realizado extensas pesquisas ao longo das últimas duas décadas para determinar se 13 existe alguma ligação entre a vacinação infantil e o autismo. Os resultados desta pesquisa são claros: As vacinas não causam autismo. 3.3 Sinais do Transtorno do Espectro Autista O tempo e a gravidade dos primeiros sintomas do Transtorno do Espectro Autista podem variar amplamente. Algumas crianças com autismo mostram sugestões de problemas futuros dentro dos primeiros meses de vida. Em outros, os sintomas podem não se tornar óbvio até 24 meses ou mais tarde. Algumas crianças com autismo parecem desenvolver normalmente até cerca de 18 a 24 meses de idade e, em seguida, parar de ganhar novas habilidades e / ou começam a perder habilidades. As seguintes “bandeiras vermelhas” sugerem que uma criança está em risco de sofrer de autismo. Algumas crianças sem autismo têm alguns desses sintomas, e nem todas as crianças com autismo mostram todos eles. É por isso que uma avaliação mais aprofundada é crucial. Se o seu filho apresentar algum dos seguintes, por favor, veja o Passo 2: Faça a sua criança ser examinada. 3.3.1 Possíveis sinais de autismo em bebês e crianças: Figura: 05 14 ►Por volta dos 6 meses de idade, nenhum sorriso social ou outras expressões quentes, alegres dirigidas às pessoas; ►Até 6 meses, contato visual limitado ou inexistente; ►Por volta dos 9 meses, nenhuma partilha de sons vocais, sorrisos ou outra comunicação não-verbal; ►Com 12 meses, nenhum balbucio; ► Por volta dos 12 meses, nenhum uso de gestos para se comunicar (por exemplo, apontar, alcançar, acenar etc.); ► Com 12 meses, nenhuma resposta ao nome quando chamado; ► Por volta dos 16 meses, sem palavras; ► Em 24 meses, não há expressões significativas de duas palavras; ► Qualquer perda de qualquer discurso adquirido anteriormente, balbuciar ou habilidades sociais. 3.3.2 Possíveis sinais de autismo em qualquer idade ►Evita contato visual e prefere ficar sozinho; ► Luta com a compreensão dos sentimentos de outras pessoas; ► Permanece não verbal ou atrasou o desenvolvimento da linguagem; ► Repete palavras e frases mais e mais (ecolalia); ► Obtém perturbado por pequenas alterações na rotina ou arredores; 15 ► Tem interesses muito restritos; ► Realiza comportamentos repetitivos como bater, balançar ou girar; ► Tem reações incomuns e muitas vezes intensas a sons, odores, sabores, texturas, luzes e / ou cores. 4. INCLUSÃO SOCIAL Figura: 06 Com o diagnóstico conclusivo é possível exigir o cumprimento de direitos como a inclusão nas escolas. Por lei, a criança com Transtorno do Espectro Autista tem direito a um professor-acompanhante em sala de aula, por exemplo. A inclusão de crianças autistas nas escolas é fundamental e garantida por lei. É importante frisar que ainda temos muito a avançar na prática da inclusão e no acesso a tratamentos especializados. Na rede pública, tenho experiência com o PSF (Programa da Saúde da Família). Atuante na maioria das unidades básicas de saúde de Grande São Paulo. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) na qual trabalho, geralmente são levantadas suspeitas em consultas de puericultura. Nestes casos, o 16 profissional encaminha a criança para avaliação psicológica e fonoaudiológica na própria UBS. Caso seja confirmada a hipótese de TEA, o caso é discutido com o CAPS Infantil (serviço mais especializado). O CAPS nos auxilia na conclusão do diagnóstico e absorve os casos mais comprometidos. Há muitas ONGs ou Associações de Pais que também oferecem suporte às crianças e famílias. Ao contrário do que muitas famílias acreditam, fazer adaptações na escola não é um favor. Fazer algumas adaptações para os alunos com necessidades especiais deve fazer parte do plano de trabalho de toda escola. A Lei número 12.764, de 27 de dezembro de 2012, deixa claro que são direitos da pessoa com TEA: ► Proteção contra qualquer forma de abuso e exploração. ► Acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo: a) O diagnóstico precoce, ainda que não definido. b) O atendimento multiprofissional. c) A nutrição adequada e a terapia nutricional. d) Os medicamentos. e) Informações que auxiliem no diagnóstico. ► Acesso à educação e ao ensino profissionalizante. ► Acesso à moradia, inclusive à residência protegida. ► Acesso ao mercado de trabalho. ► Acesso à previdência social e à assistência social. ► Quando incluída nas classes comuns de ensino regular, terá direito a acompanhante especializado (se for necessário). 17 5. DIAGNÓSTICO Figura: 07 O diagnóstico é realizado a partir da história clínica que deve atentar para a presença dos sintomas centrais do TEA (American Psychiatric Association, 2013), além de sintomas comórbidos como auto e heteroagressividade, crises de birra, hiperatividade, desatenção, impulsividade, problemas de sono e autolesões. Os critérios diagnósticos, do DSM – V são os mais usados. (Quadro Quadro 1. Critérios DSM - V DSM-V: Critérios diagnósticos dos Transtornos do Espectro Autista 299,00 (F84.0) A Deficiências persistentes na comunicação e interação social: Limitação na reciprocidade social e emocional; Limitação nos comportamentos de comunicação não verbal utilizados para interação social; Limitação em iniciar, manter e entender relacionamentos, variando de dificuldades com adaptação de comportamento para se ajustar às diversas situações sociais. 18 B Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, manifestadas pelo menos por dois dos seguintes aspectos observados ou pela história clínica: Movimentos repetitivos e estereotipados no uso de objetos ou fala; Insistência nas mesmas coisas, aderência inflexível às rotinas ou padrões ritualísticos de comportamentos verbais e não verbais; Interesses restritos que são anormais na intensidade e foco; Hiper ou hiperreativos a estímulos sensoriais do ambiente. C Os sintomas devem estar presentes nas primeiras etapas do desenvolvimento. Eles podem não estar totalmente manifestos até que a demanda social exceda suas capacidades ou podem ficar mascarados por algumas estratégias de aprendizado ao longo da vida. D Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo nas áreas social, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento atual do paciente. E Esses distúrbios não são melhor explicados por deficiência cognitiva ou atraso global do desenvolvimento. Este modelo difere do anterior por abandonar a tríade clássica que abarcava o atraso da linguagem e incluir os sintomas em dois domínios, sendo o primeiro relativo ao déficit de comunicação social e o segundo a comportamentos e interesses restritos e repetitivos. O diagnóstico do autismo é clínico, feito por meio de observação direta do comportamento e de entrevista com os pais e cuidadores. Os sintomas dos itens A e B, listados no Quadro 1, deverão estar presentes nos primeiros anos de idade, sendo possível, com experiência e avaliação multidisciplinar, fazer o diagnóstico por volta dos 18 meses de idade. À medida que o tempo passa, os itens C e D manifestam-se. A avaliação clínica deve incluir a história desde o pré-natal até a idade atual do paciente. 19 Do períodopré-natal, deve-se investigar movimentação fetal, resultados de exames ultrassonográficos, tratamentos, em particular a exposição a algumas drogas, tais como a talidomida e o valproato, ocorrência de diabetes gestacional ou hemorragias. Do período perinatal, têm interesse: o posicionamento no útero, o tipo de parto, a nota de Apgar, os dados de nascimento como peso, comprimento corporal e perímetro cefálico. A idade gestacional tem grande importância, pois o risco de autismo é inversamente proporcional ao grau da prematuridade. Condições relacionadas à hipóxia no nascimento, tais como aspiração de mecônio, anemia neonatal, incompatibilidade ABO ou Rh, hiperbilirrubinemia, lesão ou trauma ao nascimento, também devem ser investigadas. Observar, ainda, o padrão alimentar e suas dificuldades e verificar resultados dos testes de rastreamento, principalmente hipotireoidismo e fenilcetonúria. No exame físico, deve ser observada presença de dismorfismos aparentes, de malformações e de hipotonia neonatal. Do período pós-natal, observar desenvolvimento neuropsicomotor, padrão de alimentação e alterações gastrointestinais, padrão de sono, convulsões, disfunção sensorial, atraso de linguagem, sinais comportamentais precoces do autismo, tais como dificuldade de iniciar o sono, irritabilidade, contato pobre por meio do olhar, choro excessivo e paradoxal, preferindo ficar quieto no leito do que ser carregado no colo, movimentação repetitiva e outros comportamentos atípicos. Investigar alterações no desenvolvimento e aprendizagem, toda suspeita de regressão motora ou perda de habilidades já adquiridas deve orientar o clínico para a busca de doenças metabólicas. A variabilidade de apresentação e grau de prejuízo é muito grande e depende diretamente do ambiente, nível de linguagem da criança e coeficiente de inteligência. Em torno de 60% a 70% têm algum grau de deficiência intelectual. O DSM-V também permite o diagnóstico concomitante de Transtorno do déficit de Atenção (TDA) com o TEA. 20 Nos casos suspeitos, o exame neuro pediátrico deve ser realizado sistematicamente em busca de sinais e sintomas neurológicos associados ao TEA, tais como hipotonia, ataxia, movimentos anormais ou convulsões, que podem estar presentes em torno de 20% dos pacientes. Em caso de crises convulsivas ou suspeita, o eletroencefalograma (EEG) pode ser um exame útil na detecção de atividade cerebral epiléptica. É muito importante descartar a possibilidade de déficit sensorial, auditivo ou visual. A realização de exame oftalmológico e audiometria é sempre recomendada. 5.1 Orientações terapêuticas Muitas intervenções psicossociais diferentes foram desenvolvidas no intuito de minimizar tanto os sintomas centrais quanto os sintomas associados do TEA. O método ABA é um tratamento baseado em teorias de aprendizagem e condicionamento funcional no qual são incluídos alvos de intervenção específicos associados a técnicas de reforço positivo. Existem vários métodos para abordagem e intervenções, todos eles com suas vantagens e desvantagens, o mais importante é a experiência do profissional para adequar às necessidades individuais de cada criança, de acordo com a idade, coeficiente de inteligência, linguagem e presença de comportamentos comórbidos. O uso de medicamentos visa principalmente ao tratamento dos sintomas associados ao transtorno do espectro do autismo, uma vez que a eficácia para o tratamento dos sintomas básicos do autismo não foi estabelecida. 21 Figura: 08 O uso de medicamentos é útil na redução de alguns comportamentos comórbidos, tais como ansiedade, irritabilidade, hiperatividade, agressividade e alterações do sono. Tratamentos empíricos sem comprovação científica devem ser evitados, pois são onerosos, além de atrasarem a abordagem específica e o prognóstico. As alterações comportamentais associadas ao TEA são: • Irritabilidade, • Agressividade, • Muitas vezes com autoagressão, • Ansiedade, • Hiperatividade, • Impulsividade, • Desatenção e insônia. Os antipsicóticos atípicos risperidona e aripiprazol são os únicos aprovados pelo órgão regulador americano FDA (Food and Drug 22 Administration) para o tratamento da irritabilidade associada ao diagnóstico do autismo. A risperidona é aprovada em crianças a partir dos 5 anos de idade, e o aripiprazol a partir dos 6 anos de idade. Outras classes de medicamentos, como os antipsicóticos típicos, antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, estabilizadores do humor, psicoestimulantes e agonistas alfa-2 adrenérgicos, também têm sido usadas com eficácia bastante variada, necessitando de maior número de estudos controlados. Os problemas relacionados ao sono são frequentes no TEA, a insônia pode estar presente em 50% a 80% dos pacientes e níveis diminuídos de melatonina, hormônio relacionado à regulação do sono, foram relatados em muitos estudos de TEA, que apontam benefícios terapêuticos do uso da melatonina. Tratamentos alternativos são amplamente relatados em todo o mundo, mas a grande maioria ainda carece de comprovação científica, apesar de alguns relatos pontuais de melhora em alguns sintomas do TEA. Dentre os mais comentados, podemos citar: • Complementação com ômega 3, com relatos de melhora do sintoma de hiperatividade, • Suplementação de vitamina B12, algumas dietas com restrições alimentares e uso de enzimas digestivas. Devemos analisar todos esses tratamentos alternativos com muito critério e com a visão da medicina baseada em evidências científicas, para não expormos nossos pacientes a tratamentos pouco efetivos, onerosos e de difícil execução prática. As famílias quase sempre se frustram com a grande expectativa criada em torno desses tratamentos. A informação e consequente criação de um ambiente agradável e produtivo, além de intervenções seguras e criteriosas, são de fundamental importância para os pacientes e para as pessoas que convivem com eles. Somente dessa forma produziremos uma inclusão verdadeira. 23 6. O TRABALHO DE PSICÓLOGOS E EQUIPES MULTIDISCIPLINARES Figura: 09 Nos planos de saúde ou tratamentos particulares é importante seguir as recomendações dadas pelo profissional que forneceu o diagnóstico. E então buscar terapias nas áreas indicadas a contribuir com o caso. • Psicoterapia, • Fonoaudiologia, • Psicopedagogia, • Terapia ocupacional, • Atividade física, • Musicoterapia, etc. A família precisa de muito apoio e orientação em todo o processo, pois não é fácil a busca por tratamentos e aceitação do diagnóstico. Há uma série de mudanças na dinâmica familiar, a fim de se reorganizar para comparecer às terapias propostas, além do cuidado da criança em casa, que pode ser bem desgastante (especialmente em situações de agitação e crises). Se necessário, a família deve ser encaminhada para orientação e acompanhamento psicológico. O psicólogo atuará no fortalecimento e apoio 24 emocional durante as várias adaptações que o tratamento exige dos familiares. Quanto mais orientada a família, maiores as chances de compreensão em relação ao quadro. Também é maior a probabilidade de estímulo às potencialidades do indivíduo, evitando proteção excessiva e isolamento. 6.1 Critérios diagnósticos do DSM 5 ►Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos): ►Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, e dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais.►Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal, ou déficits na compreensão e uso gestos a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal. ►Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando, por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas, ou em fazer amigos a ausência de interesse por pares. ►Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos): 25 ►Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (por exemplo, estereotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas). Figura: 10 ►Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (como sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente). ►Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (por exemplo, forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos). ►Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (como indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento). Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento, mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser 26 mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida. Esses sinais causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente, e não são melhor explicados por prejuízos da inteligência ou por atraso global do desenvolvimento. 6.2 Nível de gravidade de interação/comunicação social Nível 1- Leve (necessita suporte): Prejuízo notado sem suporte; dificuldade em iniciar interações sociais, respostas atípicas ou não sucedidas para abertura social; interesse diminuído nas interações sociais; falência na conversação; tentativas de fazer amigos de forma estranha e malsucedida. Nível 2- Moderado (necessita de suporte substancial): Déficits marcados na conversação; prejuízos aparentes mesmo com suporte; iniciação limitadas nas interações sociais; resposta anormal/reduzida a aberturas sociais. Nível 3 - Grave (necessita de suporte muito substancial): Prejuízos graves no funcionamento; iniciação de interações sociais muito limitadas; resposta mínima a aberturas sociais. Comportamento restritivo / repetitivo Nível-1 (necessita suporte): Comportamento interfere significantemente com a função; dificuldade para trocar de atividades; independência limitada por problemas com organização e planejamento. Nível-2 (necessita de suporte substancial): Comportamentos suficientemente frequentes, sendo óbvios para observadores casuais; 27 comportamento interfere com função numa grande variedade de ambientes; aflição e/ou dificuldade para mudar o foco ou ação. Nível-3 (necessita de suporte muito substancial): Comportamento interfere marcadamente com função em todas as esferas; dificuldade extrema de lidar com mudanças; grande aflição/dificuldade de mudar o foco ou ação. A observação direta ou entrevista com a criança é imprescindível, pois a criança deve ter oportunidade de demonstrar suas habilidades e capacidades, além de suas dificuldades, e também deve incluir avaliação cognitiva, funcionamento adaptativo e de linguagem. 28 7. REFERÊNCIAS American Psychiatric Association. Diagnostic and statistical manual of mental disorders, 5th ed. Arlington, VA: American Psychiatric Publishing; 2013. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and statistical manual of mental disorders. 5th ed. Arlington, VA: American Psychiatric Association, 2013. ASPERGER, H. Die autistischen psychopathen im kindesalter. Arch. Psychiatry Nervenkrandeiten, v. 117, p. 73-136, 1944. AUTISM AND DEVELOPMENTAL DISABILITIES MONITORING NETWORK SURVEILLANCE YEAR 2000 PRINCIPAL INVESTIGATORS. Prevalence of autism spectrum disorders—autism and developmental disabilities monitoring network, six sites, United States, 2000. BAIO, J. et al. Prevalence of Autism Spectrum Disorder Among Children Aged 8 Years — Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 11 Sites, United States, 2014. BENT, S. et al. Internet-based, randomized controlled trial of omega-3 fatty acids for hyperactivity in autism. Journal of the American Academy of Child and Adolescent Psychiatry, v. 53, n. 6, p. 658-666, 2014. CHRISTENSEN, D. L. et al. Prevalence and characteristics of autism spectrum disorder among children aged eight years—Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network, 11 sites, United States, 2012. DEFILIPPIS, M.; WAGNER, K. D. Treatment of Autism Spectrum Disorder in Children and Adolescents. Psychopharmacol Bull, v. 46, n. 2, p. 18-41, 2016. GARDENER, H.; SPIEGELMAN, D.; BUKA, S. L. Perinatal and neonatal risk factors for autism: A comprehensive meta-analysis. Pediatrics, v. 128, p. 344- 355, 2011. LANDA, R. Early communication development and intervention for children with autism. Mental Retardation and Developmental Disabilities Research Reviews, v. 13, n. 1, p. 16-25, 2007. M. C.; LOMBARDO, M. V.; BARON-COHEN, S. Autism. Lancet, v. 383, p. 896910, 2014. 29 MaCDONALD. R, Parry-Cruwys D, Dupere S, Ahearn W. Assessing progress and outcome of early intensive behavioral intervention for toddlers with autism. Res Dev Disabil 2014. Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5.ª edição (2013). PAULA, C. S. et al. Brief Report: Prevalence of Pervasive Developmental Disorder in Brazil: A Pilot Study. J Autism Dev Disord, v. 41, p. 1738, 2011. RESEARCH UNITS ON PEDIATRIC PSYCHOPHARMACOLOGY AUTISM NETWORK. Risperidone in children with autism and serious behavioral problems. The New England Journal of Medicine, v. 347, n. 5, p. 314-321, 2002. ROBERT, C. et al. Role of Genetics in the Etiology of Autistic Spectrum Disorder: Towards a Hierarchical Diagnostic Strategy. Int. J. Mol. Sci. v. 18, p. 618, 2017. ROSTI, R. O. et al. The genetic landscape of autism spectrum disorders. Dev. Med. Child Neurol, v. 56, p. 12-18, 2014. TORDJMAN, S. et al. Advances in the research of melatonin in autism spectrum disorders: Literature review and new perspectives. Int. J. Mol. Sci., v. 14, p. 2050820542, 2013. TORDJMAN, S. et al. Gene-environment interactions in autism spectrum disorders: Role of epigenetic mechanisms. Front. Psychiatry, v. 5, p. 1-17, 2014. TUCHMAN. R, Rapin I. Autism. A neurological disorder of early brain development. Cambridge University Press, 2006. VIRUÉS-ORTEGA, J. Applied behavior analytic intervention for autism in early childhood: meta-analysis, meta-regression and dose-response meta- analysis of multiple outcomes. Clinical Psychology Review, v. 30, p. 387-399, 2010.