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Organização Político-Administrativa do Brasil – Divisão Política e Regional II
GEOGRAFIA DA BAHIA
ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO BRASIL – 
DIVISÃO POLÍTICA E REGIONAL II
RELEMBRANDO
No final da última aula, destacamos a transição entre governos, os chamados governa-
dores-gerais. Também vimos que o Brasil é marcado por uma série de ciclos econômi-
cos, sendo que, entre 1530 e 1580, o ciclo mais marcante da história brasileira foi o ciclo 
do açúcar.
CICLOS ECONÔMICOS
Formação territorial do Brasil
A formação do Brasil tem relação com os últimos cinco séculos:
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Século XV: Extração do pau-brasil (ciclo exploratório, e não um ciclo colonizador).
Século XVI: Auge da produção de cana-de-açúcar. A partir deste século, a colonização 
aconteceu desde 1530, entrando em decadência por volta de 1580, devido à morte do rei 
de Portugal D. Sebastião. Posteriormente, seu parente mais próximo, D. Henrique, idoso e 
enfermo, morre e o poder fica nas mãos de Filipe II, Rei de Portugal e Espanha. Como os 
espanhóis são inimigos históricos dos holandeses, a perseguição aos holandeses levaria à 
decadência do açúcar brasileiro, como veremos adiante.
Século XVII: Declínio do açúcar brasileiro devido à competição com a Holanda.
Século XVIII: Ciclo do ouro (MG). Descoberta do ouro em Caité (MG).
Século XIX: Ciclo da borracha, auge do cultivo do café (1870). A aquisição do Acre é fruto 
deste ciclo, e dos atritos entre a Bolívia e o Brasil – o Acre foi incorporado ao Brasil a partir 
de 1903, por meio do Tratado de Petrópolis.
Século XX: Declínio do café (Vargas promove a industrialização do país na era moderna).
Século XXI: Cultivo da soja/algodão.
Ciclo do açúcar
• Século: XVI e XVII (auge).
• Ocorreu principalmente na região do Nordeste (BA e PE).
• No Nordeste, há posição geográfica favorável para o escoamento para a coroa lusitana.
• Litoral.
• Solo e clima favoráveis.
• Experiência de cultivo da monocultura canavieira (em Açores, Cabo Verde e Madeira).
• Mercado consumidor no continente europeu.
• Alto valor na Europa.
• Participação de capital holandês: financiamento da produção, transporte, refino e dis-
tribuição na Europa. A perseguição aos holandeses levaria ao declínio do ciclo (só os 
holandeses detinham a técnica para o refino do açúcar, e financiavam a produção, 
através dos engenhos). 
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Mão de obra
Índios:
• Utilizados até aproximadamente 1560 em lavouras menos desenvolvidas ou 
mais pobres.
Negros:
• Preferencialmente utilizados a partir de 1560 (mão de obra básica do Brasil durante 
todo o período colonial e imperial).
• Utilizados acima de tudo pelo fato de representarem uma fonte de lucro extra através 
do tráfico de escravos.
• Os índios foram sendo exterminados e a opção pelas comunidades negras era maior, 
pois eles já conheciam as técnicas agrícolas.
• O tráfico intercontinental ocorreu até 1850, quando surgiu a Lei Eusébio de Queiroz, 
que proibiu o tráfico de escravos. A utilização de recursos no processo de industria-
lização (antes utilizados para a compra de escravos) favoreceu o fim do tráfico inter-
continental. 
Obs.: � no Brasil, o processo de industrialização ocorreu tardiamente.
• A substituição da mão de obra indígena provocou o extermínio das comunidades indí-
genas e a inserção desses indivíduos à sociedade, principalmente pela catequese 
promovida pelos jesuítas (que chegaram ao Brasil no governo de Tomé de Souza, por 
volta de 1548 a 1553).
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A imagem a seguir mostra as regiões que mais forneceram negros ao Brasil:
Obs.: � o Brasil foi um dos países que mais utilizaram negros no processo agrícola e foi um 
dos últimos países a abolir a escravidão (somente em 1888, com a Lei Áurea, um ano 
antes da substituição da monarquia pela república).
Decadência do ciclo-do-açúcar
Espanhóis e holandeses são inimigos históricos (assim como franceses e ingleses) e 
começou a haver, no Brasil, movimento de perseguição aos holandeses. Estes eram funda-
mentais no processo de exploração da cana-de-açúcar.
Em um primeiro momento, os holandeses foram para o extremo norte do Brasil e, em 
um segundo momento, foram expulsos, indo para as Antilhas, onde encontram as mesmas 
condições do Brasil (solo e clima favoráveis, mão de obra abundante e posição geográfica).
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Começou a haver uma competição entre o açúcar brasileiro e o açúcar holandês produ-
zido nas Antilhas. A maior aceitação no mercado europeu do açúcar holandês promoveu a 
decadência do açúcar brasileiro. Portugal, então, voltou seus olhos ao Brasil (considerando 
que a função da colônia era ser uma economia complementar à sua metrópole), e teve início 
o movimento das entradas e bandeiras. Estes movimentos tinham por objetivo a captura de 
escravos e a busca de metais preciosos. 
ATENÇÃO
A entrada era um movimento público, que respeitava os limites do Tratado de Tordesilhas, 
enquanto a bandeira era um movimento privado, que não respeitava os limites do Tratado. 
Segundo a lógica da bandeira, só seria dona de uma terra recém descoberta a nação que 
ela povoasse (ideia que já permeava o imaginário popular desde 1530).
União Ibérica (1580 – 1640)
• Foi um período em que Portugal e Espanha foram comandados por Felipe II da Espanha.
• D. Sebastião (POR) morre em 1578 sem deixar sucessores.
• D. Henrique, seu tio já idoso, assume o trono e falece em 1580, também sem sucessores.
• Felipe II, rei da Espanha invade o país e impõe governo conjunto.
• Possessões portuguesas passam a ficar sob controle espanhol (entre elas, o Brasil).
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• Ocorre um acordo com a nobreza portuguesa que determina a manutenção de órgãos 
administrativos portugueses nas colônias, portanto internamente não houve alterações 
no Brasil.
• O Tratado de Tordesilhas começa a ser ultrapassado.
• A Holanda, um dos inimigos da Espanha, é impedida de fazer comércio em qualquer 
possessão espanhola.
• O comércio do açúcar no Brasil que tinha participação holandesa é atingido.
• Os holandeses invadem o Brasil tentando romper o bloqueio espanhol ao comércio de 
açúcar (1624 – 1654).
• A primeira tentativa de invasão ao solo brasileiro aconteceu em 1624-25, na Bahia.
• Ocorre a criação da Companhia das Índias Ocidentais que é uma empresa holandesa 
responsável por viabilizar recursos para invadir novamente o Brasil.
• Entre 1630 e 1654, ocorre a invasão da Holanda em Pernambuco, contudo o território 
não estava preparado para receber ataques e os nativos começaram a reagir no ano 
de 1645 devido à intensificação da cobrança dos impostos (senhores de engenho com 
os banqueiros holandeses).
• Outro fator que aumentou essa disputa entreos dois países foi a religião: os holande-
ses eram judeus/protestantes e os portugueses professavam o catolicismo.
• A derrota da Holanda somente aconteceu no ano de 1654.
Consequências dessa insurreição
Colonização das Antilhas, que fizeram com que a Holanda aumentasse sua produção 
de açúcar com técnicas mais avançadas que geraram uma decadência na produção desse 
produto no nordeste do Brasil. 
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Ciclo do Ouro
Tudo isso levou à busca de um novo modelo de exploração no Brasil, não tendo o açúcar 
como principal produto. O movimento de interiorização culminou com as entradas e bandeiras.
Antecedentes:
• No final do século XVII, as exportações de açúcar brasileiro (produzido nos engenhos 
do Nordeste) começaram a diminuir. Isto ocorreu porque a Holanda havia começado a 
produzir este produto nas ilhas da América Central.
• Com preços mais baixos e boa qualidade, o mercado consumidor europeu passou a 
dar preferência para o açúcar holandês.
Crise do açúcar e a descoberta das minas de ouro
• A crise do açúcar colocou Portugal numa situação de busca por novas fontes de renda.
• Foi neste contexto que ocorrem as bandeiras, entradas e descidas.
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• A descoberta de ouro no Brasil, na região de Caité, próxima à cidade de Belo Hori-
zonte, durante todo século XVIII (auge do ciclo do ouro) provocou uma intensa migra-
ção para as regiões auríferas.
Esquematizando:
ENTRADAS BANDEIRAS DESCIDAS
Tinha como objetivo a captura de escravos e a busca de metais 
preciosos.
Expedições religiosas que 
buscavam a catequização 
dos nativos – “Soldados de
Deus”.
Expedições organizadas e 
financiadas pela Coroa Lusi-
tana.
Visavam a exploração nos 
limites de Tordesilhas
Expedições privadas onde 
cada bandeirante possuía 
participação nos lucros.
Visavam a exploração além 
dos limites de Tordesilhas.
Obs.: o processo de interiorização já havia acontecido anos antes, uma vez que, quando se 
estabeleceu o ciclo do açúcar no litoral brasileiro, ali também existia pecuária. Esta 
pecuária era um obstáculo para o desenvolvimento da cultura de açúcar. Então, a 
coroa lusitana teve a ideia de deslocar esses animais para a porção central do Brasil. 
Esse deslocamento ocorreu através do Rio São Francisco (que, por isso, é chamado 
de “rio dos currais”).
ATENÇÃO
O Rio São Francisco é considerado rio de integração nacional, pois passa por Minas Ge-
rais, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.
Com o movimento das entradas e bandeiras, houve o desenvolvimento de vilas, comuni-
dades que favoreceram o processo de interiorização e ocupação da porção central do terri-
tório brasileiro.
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Fonte: Atlas histórico escolar. Rio de Janeiro: FAE, 1991, p. 24.
CARTOGRAFIA: ERICSON GUILHERME LUCIANO
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Conta a História que Bartolomeu Bueno da Veiga (o Anhanguera, à esquerda na foto) 
estava desbravando a porção central do Brasil, quando encontra índios e mostra a eles uma 
pepita de ouro, demonstrando às comunidades indígenas o desejo pelo metal. Bartolomeu, 
então, joga uma garrafa de cachaça no chão, ateando fogo nela, ameaçando fazer o mesmo 
com os rios da região. Os índios, então, começam a gritar “anhanguera, anhanguera”, que, 
em tupi, significa “diabo velho”. 
Obs.: os espanhóis não estavam preocupados com a porção do Brasil que, por direito, lhe 
pertencia. Isto ocorria por dois motivos: o primeiro consistia na dificuldade de acesso 
do território mais a oeste. Além disso, os espanhóis promoviam enorme pilhagem, já 
que, diferentemente do nativo brasileiro, os nativos da América do Norte e América 
Central (atual Estado mexicano) adornavam metais preciosos. Logo, havia desinte-
resse por parte dos espanhóis. Por isso, o Brasil tem território de 8.514.476 km².
A exploração Aurífera
• Os bandeirantes descobriram ouro na região do Rio das Velhas por volta de 1695 → a 
partir daí ocuparam-se várias áreas em Minas, Mato Grosso e Goiás.
• Iniciou-se um processo acelerado de urbanização nas áreas próximas às minas 
descobertas.
Obs.: houve, também, deslocamento da capital à época (Salvador, entre 1549 e 1763), 
para o Rio de Janeiro, considerando a necessidade de uma capital que pudesse fis-
calizar as áreas auríferas (MG, MT e GO).
• O grande afluxo de pessoas para a região e a escassez de gêneros de subsistência 
causaram graves crises de fome.
• Com o tempo, a escassez de alimentos foi reduzindo com o cultivo de roças de subsis-
tência, a diversificação das atividades econômicas e o comércio de produtos vindos de 
outras regiões da colônia. 
ATENÇÃO
Estudamos História para analisar o passado, compreender o presente e vislumbrar o futu-
ro. Por que a Região Nordeste é mais rural? Resposta: porque, na região, estabeleceu-se 
a monocultura de cana-de-açúcar. Por que a Região Sudeste é o coração industrial do 
Brasil? Resposta: porque, nesta região, estabeleceu-se o ciclo do ouro, que demandava a 
necessidade de tecnologia para extração.
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A Coroa organizou rapidamente um sistema de exploração das minas:
• Distribuição das datas → privilégio aos grupos mais ricos.
Obs.: datas eram lotes de terras.
• Criação da Intendência de Minas (1702) → órgão responsável pela cobrança dos tri-
butos, policiamento e justiça local. A Intendência de Minas tentava evitar o tráfico.
As formas de arrecadação variaram com o tempo, destacando-se:
• O quinto → 20% do metal extraído cabia à Coroa.
• A capitação → cobrança de um imposto por cabeça de escravo maior de 12 anos.
• A derrama → cobrança de impostos atrasados ou extraordinários.
• Em 1725, a Coroa instalou a primeira Casa de Fundição – onde o ouro seria fundido, 
tributado e transformado em barras. Quem fosse pego com ouro que não estivesse em 
barras, estaria cometendo crime contra a coroa portuguesa.
Fim do ciclo do Ouro
• A maioria das minas de ouro se esgotou no fim do século XVIII (por volta de 1785). O 
ouro extraído era extremamente superficial (ouro de aluvião).
• Parte da população mineira se deslocou ao Planalto Central do Brasil para trabalhar 
em fazendas de gado. Iniciou-se, portanto, uma tentativa de equilíbrio demográfico 
no Brasil.
• Aqueles que ficaram em Minas Gerais passaram também a dedicar-se à agricultura 
(impulso para a cultura do algodão) com produções no Maranhão, Pernambuco e na 
Bahia destinadas à exportação. 
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Resumindo
Obs.: � perceba que, em pleno século XXI, a agricultura e a pecuária ainda são a base da 
economia brasileira.
Ciclo do ouro: vinda da família real
Antecedentes: vinda da família real (em 1808) em função do bloqueio continental impostopela França.
A família real chega no dia 22 de janeiro de 1808, promovendo grandes transformações 
na vida pacata e rural. Começa a haver o movimento de urbanização e industrialização. 
Ocorre a criação do Banco do Brasil, da faculdade de medicina no Rio de Janeiro, da Biblio-
teca Nacional, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e, principalmente a abertura dos portos, 
demonstrando, mesmo que de forma embrionária, o movimento marcado pela emancipa-
ção do Brasil. Já no ano de 1815, o Brasil é elevado à condição de Reino Unido a Portugal 
e Algarves.
Continuaremos o estudo no próximo bloco.
��Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pelo professor Julio Cezar dos Santos. 
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.
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