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Expansão Marítima
As Grandes Navegações foram o processo de exploração do Oceano Atlântico realizado pioneiramente por Portugal no século XV e acompanhado por outros países europeus ao longo do XVI. Levaram a uma série de “descobrimentos” por parte dos europeus e resultaram, por fim, na chegada europeia ao continente americano em 1500. Por meio das Grandes Navegações, iniciou-se a colonização da América e consolidou-se a passagem da Idade Média para a Idade Moderna.
 
Contexto histórico
O contexto em que ocorre as grandes navegações, é marcado por uma grave crise económica na Europa a chamada de crise do século XIV, marcada pela peste negra, guerra dos cem anos, ciclos de fome e guerras camponesas. A Europa passava por uma escassez de metais preciosos para a cunhagem de novas moedas. Diante desse colapso na Europa havia uma busca por novos mercados na África e no Oriente.
 
Grandes navegações portuguesas
Quando o assunto são as Grandes Navegações, o pioneirismo português sempre se destaca. Foi a partir do exemplo dado por Portugal que outros países da Europa, como Espanha e França, lançaram-se à navegação e exploração do Oceano Atlântico. O pioneirismo português foi resultado de uma série de condições que permitiram a esse pequeno país da Península Ibérica lançar-se nessa empreitada.
Na época, Portugal reunia condições políticas, econômicas, comerciais e geográficas que tornaram possível seu papel pioneiro. O resultado disso foi a “descoberta” de diversos locais desconhecidos pelos europeus, além da abertura de novas rotas e o surgimento de novas possibilidades de comércio. Para os portugueses, todo esse processo culminou na chegada da expedição de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 1500.
Alguns fatores explicam esse pioneirismo de Portugal:
·Monarquia consolidada;
·Território unificado;
·Investimento no desenvolvimento de conhecimento náutico;
·Interesse da sociedade na expansão do comércio;
·Investimentos estrangeiros no comércio;
·Posição geográfica.
 
No século XV, Portugal era uma nação politicamente estável. Essa estabilidade foi garantida pela Revolução de Avis, realizada entre 1383 e 1385. Com isso, Portugal teve melhores condições para investir no desenvolvimento do comércio e da tecnologia náutica. Em comparação, as nações vizinhas (Espanha, França e Inglaterra) ainda procuravam estabilidade política nesse mesmo período.
Outro fator era a questão territorial, uma vez que o território português já havia sido consolidado desde o século XIII, quando a região de Algarve foi reconquistada dos mouros (muçulmanos que invadiram a Península Ibérica no século VIII). Os vizinhos espanhóis, por exemplo, só garantiram certa unificação territorial no final do século XV.
Em relação à tecnologia e ao conhecimento náutico, existem muitos historiadores que atribuem uma grande importância à Escola de Sagres, centro de estudos construído por infante D.Henrique em Algarve. Nesse local, promoviam-se pesquisas de desenvolvimento de melhores técnicas de navegação. Novos estudos, porém, levaram alguns historiadores a questionar a existência e a importância dessa escola no pioneirismo de Portugal.
Outro fator importante foi a relevância comercial assumida por Portugal por volta do século XV. Essa importância e vocação comercial dos portugueses resultaram da influência dos mouros no período em que dominaram a Península Ibérica. Por fim, há que se destacar que Lisboa havia recebido grandes investimentos de comerciantes genoveses, que estavam interessados em transformar a cidade em um grande centro comercial.
Havia ainda a questão geográfica: Portugal estava posicionado mais a oeste que qualquer outra nação europeia. Além disso, era o país europeu mais próximo da costa oeste do continente africano. Isso fazia de Portugal ponto de partida para expedições que buscavam uma nova rota para alcançar a Índia e o tão valorizado comércio das especiarias.
A soma de todos esses fatores fez com que Portugal tivesse as condições necessárias para ser a nação pioneira das Grandes Navegações, processo que resultou em grandes “descobertas”:
·1415: conquista de Ceuta, no norte da África;
·1418: chegada à lha da Madeira;
·1427: chegada a Açores;
·1434: travessia do Cabo Bojador;
·1488: travessia do Cabo da Boa Esperança;
·1499: descobrimento de um novo caminho para a Índia;
·1500: chegada ao Brasil.
 
Grandes navegações espanholas
Ao longo de todo o século XV, a Espanha, nação vizinha de Portugal, assistiu à expansão marítima conduzida pelos portugueses. A Espanha manteve-se alheia a esse processo até, praticamente, o final do século XV. Isso ocorreu porque a nação espanhola, durante toda parte desse século, teve como grande prioridade garantir a expulsão dos mouros – o que foi concluído somente em 1492. Além disso, politicamente falando, a Espanha só atingiu certa estabilidade com o casamento dos monarcas Fernando e Isabel, em 1469.
O investimento em expedições marítimas só foi possível depois da conquista de Granada, cidade ao sul da Espanha, em 1492. A primeira expedição espanhola foi liderada pelo genovês Cristóvão Colombo. Nela, três embarcações (Niña, Pinta e Santa María) saíram da Espanha visando a alcançar a Ásia. No entanto, essa expedição alcançou a região das Bahamas, no continente americano, em 12 de outubro de 1492.
 
Principais rotas e expedições
A principal rota de Portugal era o Périplo Africano, rota que contornava da costa Atlântica da África, o principal ponto conquistado foi Ceuta no atual Marrocos.
A rota oriental fazia o seguinte percurso: Cristóvão Colombo acreditava na esfericidade da terra e propôs chegar ao Oriente pelo Ocidente dando a volta pelo mundo por outro lado. A rainha da Espanha Isabel de Castela, patrocinou a expedição de Colombo.
 
Principais tratados
Bulla Inter Coetera
O papa Alexandre VI vai dividir as terras do Atlântico para Portugal e Espanha traçando uma linha imaginaria de 100 léguas a oeste das ilhas de cabo verde, só que Portugal não aceitou essa divisão por que colocava as ilhas de Cabo verde em vulnerabilidade.
Tratado de Tordesilhas
Acordo mediado pelo papa, dividia as terras entre Portugal e Espanha, a linha divisória 370 léguas a oeste de cabo verde.
 
Consequências
*As Grandes Navegações conduziram uma série de mudanças que já estavam em curso na Europa desde o século XII. Com esse processo, a Europa iniciou sua passagem para a Idade Moderna e deu prosseguimento ao fortalecimento do comércio e da moeda, garantindo, assim, o mercantilismo, práticas econômicas que fizeram a transição do feudalismo para o capitalismo.
*As Grandes Navegações foram responsáveis por transformar Portugal na maior potência do mundo durante os séculos XV e XVI, por meio do grandioso império ultramarino formado pelos portugueses. Assim, Portugal estabeleceu colônias em diferentes partes do mundo: América do Sul, África e Ásia.
*A hegemonia do comércio marítimo não se encontrava mais nas mãos dos árabes e italianos e sim dos Ibéricos Portugal e Espanha.
* Expansão do catolicismo na América.
* Genocídio indígena.
* Diáspora Africana em decorrência do tráfico de escravos.
 
Invasão ou Descobrimento do Brasil?
Existem duas vertentes historiográficas com relação ao descobrimento do Brasil, a primeira versão ressalta que a chegada ao Brasil seria ocasional por conta de um desvio de rotas em função de uma tempestade.
Já a outra vertente coloca que a chegada dos portugueses ao Brasil foi intencional com o objetivo de averiguar terras a oeste.
 
Chegada dos portugueses
A expedição de Pedro Álvares Cabral era composta de cerca de 1500 homens distribuídos em 13 caravelas que partiram de Lisboa, em 9 de março de 1500. A chegada, como já vimos, aconteceu no dia 22 de abril de 1500 e muitos historiadores sustentam que a rota tomada por Cabral foi desviada intencionalmente para que ele se aproximasse da América.
O primeiro relato da chegada dos portugueses foi realizado pelo escrivão da viagem, Pedro Vaz de Caminha. Ele discorreu sobre as possibilidades econômicas da terra, sobre os nativos e as possibilidades de expansãoManuel Nunes Viana foi nomeado "governador das minas". Logo tentou instaurar a paz na região. Prometeu punir os criminosos e fazer justiça. Todavia, não agradava aos paulistas ter como líder um emboaba. Foram então ao sertão, e fizeram com que os índios também se revoltassem. Em seguida, foram para Sabará organizar a reação. Daí partiram para lutar contra os emboabas e expulsá-los da terra. Apesar de estarem em maior número, os paulistas estavam mal organizados. Quando entraram em combate com as tropas de Nunes Viana, foram derrotados. Em seguida, dirigiram-se para o arraial de Cachoeira do Campo. Novo combate se travou, e Nunes Viana foi ferido e substituído. Outros combates se seguiram, os quais os paulistas perderam de novo. A guerra durou de 1707 a 1709.
 
Como o ouro era extraído
 
Quanto às técnicas de mineração adotadas, grande importância teve a contribuição cultural dos escravos minas, que tinham uma grande tradição na mineração e fundição de ouro e ferro, conhecimento este superior ao dos portugueses da época.
Após a queda de produção do sistema de exploração aurífera de aluvião, passaram a ser necessárias técnicas mais refinadas que exigiam a permanência por maior período do garimpeiro. Esta necessidade de permanecer junto aos locais de exploração também contribuiu para o estabelecimento das novas vilas. É neste período que são fundadas as Vilas de São João Del Rei, do Ribeirão do Carmo, atual Mariana, Vila Real de Sabará, de Pitangui e Vila Rica de Ouro Preto, atual Ouro Preto, entre outras.
 
O apogeu e as mudanças na colônia
 
O ouro da colônia passava a representar em Portugal uma nova esperança de trabalho e enriquecimento, e muitas pessoas começaram a deixar o país. De 300 mil habitantes estimados em 1690, a colônia passara a cerca de 3 000 000 no final do século XVIII. Este fluxo emigratório acabará por impor o português como língua nacional em substituição à língua geral(língua que se desenvolveu a partir do tupi antigo). Durante o auge do período de exploração, diversos povoamentos foram fundados. Começou também a fazer-se a ocupação do território mais adentro e não apenas no litoral como se fazia até então.
O enorme crescimento demográfico consolidou um mercado interno, uma vez que os produtos da colônia não eram mais apenas para exportação, como ocorria com o açúcar e o tabaco do nordeste, e fez com que surgisse a necessidade de uma produção de alimentos interna que pudesse suprir as necessidades dos novos habitantes. A falta de mantimentos havia inclusive levado a mortes e a crises de fome.
O ouro trouxe prosperidade para as cidades mineiras que viviam da extração e a explosão demográfica provocada permitiu o desenvolvimento de uma classe média composta por artesãos, profissionais das minas, comerciantes, militares, artistas, músicos, poetas e intelectuais que contribuíram para o grande desenvolvimento cultural do Brasil naquela época. Ao enriquecer algumas famílias, os seus filhos foram mandados para estudar na Europa e, ao voltar, esses jovens disseminaram as ideias iluministas e a estética árcade - daí o fato de o arcadismo ter tido particular importância em Vila Rica (atual Ouro Preto).
No Brasil, os leitores, não só os jovens da elite mas um público mais geral, conquistados pela clareza e simplicidade da poesia árcade, passaram a consumir a literatura aqui produzida. Pela primeira vez na colônia, artistas e intelectuais foram capazes de formar um sistema intelectual capaz de competir com os da metrópole. Pavimentava-se assim o caminho para a independência em 1822 e à independência artística, que foi atingida no Romantismo e, depois, no Modernismo.
O arcadismo começou nas letras; nas artes visuais, ainda predominava o Barroco, mais especificamente o Barroco em sua fase Rococó. Na construção de casas, igrejas e palácios, o estilo predominante do barroco mineiro tem sido apontado como a mais bela herança dos tempos do ouro.
 
Taxação
 
Ao longo dos anos, os tipos de impostos cobrados pela metrópole sobre a área económica e tributária brasileira (não todos em simultâneo) foram:
*Os quintos do ouro: o imposto régio sobre o ouro consistia no estabelecimento de que um quinto (20%) do ouro extraído no território português do Brasil seria da Coroa Portuguesa por direito.
*A capitação: os quintos por casa de moeda foram convertidos em imposto sobre escravos e pessoas livres que trabalhassem com as próprias mãos, bem como, sobre as lojas, vendas e comércio em geral. Vigorou apenas por 16 anos no período de 1734 a 1750 quando, por alvará com força de Lei de 3 de dezembro de 1750, o Marquês de Pombal extinguiu a capitação na cobrança do direito senhorial dos quintos, e a substituiu pela retenção dos quintos por Casas de Fundição com uma quota mínima anual de 100 arrobas (1 500 quilogramas) que seria garantida pelos municípios, comprometendo-se estes a lançar derramas para compensar eventuais diferenças entre a quantia efetivamente arrecadada e a importância destinada ao Erário Real.
*A derrama: uma vez que era frequente que o quinto não fosse pago integralmente, sendo acumulativos os valores não pagos, era preciso intensificar a cobrança, confiscando-se bens e objetos de ouro. Essa prática de cobranças de valores para atingir a meta estipulada pela Coroa era chamada "derrama". A derrama consistia no rateio da diferença entre as comarcas e, nestas, o rateio entre os homens bons, sob pena de confisco forçado dos bens dos mesmos homens bons, caso os quintos não atingissem as 100 arrobas anuais (1 500 quilogramas). As demais capitanias tinham obrigação de reter os quintos, mas não eram oneradas pela derrama.
As questões tributárias foram detalhadamente regulamentadas pelo Regimento das Intendências e Casas de Fundição, promulgado a 4 de Março de 1751. O governo tomou também medidas que visavam a combater o contrabando e saída clandestina do ouro: expulsou ourives das regiões auríferas, proibiu a circulação de ouro em pó, ordenou a intensificação das patrulhas de dragões e renovou os dispositivos legais que proibiam a reexportação de ouro e minerais preciosos. Com as inovações introduzidas nesta altura, se tinha também o objetivo de desfazer um método fiscal opressivo para os setores da população que não estavam ligados à mineração e que originava muitos abusos e injustiças. A preocupação pela escolha de um modelo mais justo e equilibrado está bem patente no preâmbulo do diploma de 3 de Dezembro em que se afirma, nomeadamente, que se preferia a tranquilidade e a comodidade dos povos à obtenção de maiores receitas para o Real Erário. O novo método de cobrança proporcionou à Coroa, na década de 1752-1762, um rendimento médio anual de 108 arrobas de ouro, enquanto o anterior sistema tinha permitido arrecadar 125,4 arrobas por ano. Entre 1762 e 1777, a média anual baixou para 82,5 devido ao progressivo esgotamento do ouro de aluvião.
 
 
 
O novo poder econômico para Coroa de Portugal
Mapa de rendimento do ouro nas Reais Casas de Fundição em Minas Gerais, entre julho e setembro de 1767. Arquivo Nacional.
 
No Brasil, até 1760, ano em que os aluviões começaram a esgotar-se, produziram-se cerca de mil toneladas de ouro. Tudo se resumiu a um enriquecimento temporário das finanças do estado e à formação de algumas, mas poucas, fortunas particulares. Com esses recursos, o rei dom João V, que reinou em Portugal durante toda a primeira metade do século XVIII, promoveu a construção de algumas obras públicas, sendo a mais célebre o palácio-convento nacional de Mafra, cuja construção ocupa quase todo o reinado e que absorveu uma grande parte dos recursos vindos do Brasil. Construiu-se também, no Rio de Janeiro, o palácio dos governantes. Também com o dinheiro vindo do Brasil, o rei pôde intervir em alguns problemas europeus, como na guerra da sucessão de Espanha e, por exemplo, na defesa da Europa contra os Turcos, na batalha naval do cabo de Matapan, que destruiu a armada turca e salvou a Europa de uma ameaça eminente.
Contudo, com os vários acordos estabelecidos entre Portugal e a Inglaterra a partirde 1642 (Tratado de Paz e Comércio entre dom João IV e Carlos I de 1642, Tratado de Paz e Aliança de Westminster de 1654, Tratado de Paz e Amizade de 1661,Tratado de Methuen de 1703) foram concedidos grandes privilégios ao comércio e súditos britânicos, bem como a liberdade do comércio para os ingleses no Brasil e na Índia. Alguns historiadores defendem a tese de que o ouro brasileiro ajudou, assim, a Inglaterra a concentrar reservas que fizeram, do sistema bancário inglês, o principal centro financeiro da Europa, bem como tornou possível o financiamento da Revolução Industrial inglesa.
 
Fim do ciclo do ouro
A maioria das minas de ouro se esgotou no fim do século XVIII. Parte da população mineira se deslocou ao Planalto para trabalhar em fazendas de gado e para o centro-norte e centro-sul da Capitânia do Rio de Janeiro, onde passaram a dedicar-se a produção de víveres para a cidade do Rio (em Cantagalo) e começaram as primeiras plantações de café do Vale do Paraíba Fluminense. Aqueles que ficaram em Minas Gerais passaram também a dedicar-se à agricultura. Nessa época, houve um impulso para a cultura do algodão, com produções no Maranhão, Pernambuco e na Bahia destinadas à exportação. A cultura da cana-de-açúcar, que não fora totalmente abandonada durante o ciclo da mineração, ganhou novo impulso, em particular no Nordeste e no Rio de Janeiro.
Contudo, nenhum desses produtos foi tão grande e importante quanto o ouro havia sido. Durante o período colonial, sempre houve um grande produto que era o centro da economia. Após o fim do ciclo do ouro, faltava ao Brasil um grande produto para preencher a lacuna deixada pelos metais preciosos. Esse vácuo gerou uma crise econômica que durou até o início do ciclo do café, em meados do século XIX. Conforme o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, "entre 1750 e 1850, a economia brasileira não está só estacionada. Ela regride."Durante a crise, o poder de compra da população era bem menor do que na fase áurea da mineração.
Nada ficou, no solo brasileiro, do impulso dinâmico do ouro, salvo os templos e as obras de arte. Em fins do século XVIII, embora ainda não se tivessem esgotado os diamantes, o país estava prostrado. A renda per capita dos 3 milhões de brasileiros não superava os 50 dólares anuais no atual [década de 1970] poder aquisitivo, segundo os cálculos de Celso Furtado, e este era o nível mais baixo de todo o período colonial.
—Galeano, Eduardo (29 de setembro de 2010). As veias abertas da América Latina. [S.l.]: L&PM Editores
Formação da sociedade colonial
Após os portugueses e espanhóis descobrirem o continente americano, uma série de relatos e crônicas dava o tom de encantamento que as novas terras despertavam nos habitantes do velho continente. Um misto de inocência e descrições bíblicas do paraíso indicava que tanto a terra quanto os seus habitantes precisavam ser “conquistados”, “catequizados” e “civilizados” pelos reinos cristãos europeus.
Um pouco disso explica, mesmo que de forma subjetiva, aspectos importantes da formação da sociedade colonial. Afinal, tratava-se de uma terra de possibilidades, de riquezas escondidas, de descobertas possíveis, um “novo mundo”.
Com a descoberta cada vez mais frequente de ouro por parte das bandeiras, a estrutura administrativa que pudesse garantir as posses da Coroa começou a se estruturar de forma mais efetiva.
Assim, a sociedade colonial constituiu-se, basicamente, de uma elite vinda de Portugal, que acumulava riquezas; de escravos, que consistiam na força de trabalho principal do período colonial; e de indígenas, que, apesar de todas as resistências contra os portugueses, tiveram nações inteiras dizimadas, territórios tomados, quando não escravizados. Havia também os representantes da administração colonial, os representantes da Igreja Católica e, no decorrer do tempo, começou a surgir a figura dos “brasileiros”, ou seja, pessoas nascidas no território colonial.
É importante dizer que as mulheres, assim como os indígenas e negros, tiveram grande parte de suas histórias negligenciada e esquecida durante esse período. Mesmo assim, a historiografia contemporânea já trabalha narrativas que contam a história de personalidades importantes durante o período colonial.
Um nome que ficou conhecido é o de Chica da Silva (1732-1796), natural da região de Minas Gerais e ex-escrava alforriada que ganhou destaque no Arraial do Tijuco, atual Diamantina. Há também a interessantíssima história de Rosa Maria Egipciáca da Vera Cruz, que, sendo escrava e tendo se alfabetizado sozinha, escreveu a obra mais antiga de uma autora negra brasileira, a Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas.
 
 
 
 	 Atividades de História Módulo II
 
 
 
 
 
01) Explique em linhas gerais o que foi o empreendimento marítimo ocorrido no século XV e XVI.
 
02) Quais são os fatores que explicam o pioneirismo português nas grandes navegações?
 
03) Comente sobre o contexto histórico europeu na época das grandes navegações.
 
04) Qual a importância da escola de Sagres para o pioneirismo português nas grandes navegações?
 
05) Por que a Espanha se manteve alheia ao processo de expansão marítima até praticamente o final do século XV?
 
06) Quais eram as principais rotas e expedições realizadas por Portugal e Espanha?
 
 
07) Qual era o objetivo dos portugueses com as grandes navegações?
08) Comente sobre o principal tratados vigente no período das grandes navegações.
09) Cite três consequências ocasionadas em decorrência do processo de expansão marítima.
 
10) Comente sobre o debate historiográfico sobre a questão que envolve o descobrimento ou a invasão do Brasil.
 
 
11) Por que Portugal decidiu colonizar o Brasil somente em 1530?
 
12) Qual a primeira atividade económica praticada no Brasil?
 
13) Explique o que era o sistema de capitanias hereditárias e porque esse sistema fracassou?
 
14) Quais foram as capitanias que mais prosperaram no América portuguesa?
15) Qual era o objetivo do governo-geral?
 
16) Determine a relação existente entre as sesmarias e o problema de concentração de terras existentes no Brasil.
 
17) Explique como funcionava um engenho de açúcar.
 
18)Quais eram as etapas de produção do açúcar?
19) Defina os termos:
a) Pacto colonial -
b) Plantation-
 
20) Quais eram os dois tipos de engenho? Comente sobre cada um.
 
21) Qual era a composição social existente no engenho?
 
22) Quais eram as formas de exploração do ouro? Comente sobre cada uma.
 
 
23) Contestando o Tratado de Tordesilhas, o rei da França, Francisco I, declarou em 1540:
“Gostaria de ver o testamento de Adão para saber de que forma este dividira o mundo”. (Citado por Cláudio Vicentino, História Geral, 1991.)
a) O que foi o Tratado de Tordesilhas?
b) Por que alguns países da Europa, como a França, contestavam aquele tratado?
 
 
24) O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras". Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de :
a) O lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.
b) Os árabes serem aliados históricos dos portugueses.
c) A mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente.
d) As feitorias africanas facilitarem a comercialização desse produto.
 
 
25)“Para o conjunto da economia europeia, no século XVI, caracterizada pela produção em crescimento e pelo aumento das transações mercantis, ao lado de um novo crescimento de sua população, o efeito mais importante dos grandes descobrimentos foi a alta geral dos preços...”
O efeito a que o texto se refere foi provocado:
a)pelo grande afluxo de metais preciosos.b)pela ampliação da área de produção agrícola.
c)pela redução do consumo de produtos manufaturados.
d)pela descoberta de novas rotas comerciais no Oriente.
 
26) A agromanufatura do açúcar no Brasil colonial garantia todo o processo de produção, desde o plantio da cana até o produto final, pronto para ser exportado para a Europa, ficando na colônia o açúcar mascavo e sendo exportado em sua maior parte o açúcar branco. Apesar de controlar todo o processo de produção, não eram os portugueses que realizavam a distribuição do produto na Europa, cabendo essa função aos:
a) ingleses.
b) holandeses.
c) franceses.
d) belgas.
 
 
27) A imagem abaixo é do holandês Frans Post, que pintou diversas imagens do Brasil, dentre elas os engenhos de açúcar.
 Fábrica de açúcar e plantação do Engenho Real, de Frans Post (1612-1680)
 
Os engenhos constituíam verdadeiras fábricas, realizando todas as fases do processo de produção do açúcar em suas próprias instalações. Dentre as alternativas abaixo, qual indica uma informação incorreta sobre os engenhos de açúcar?
a) Após a colheita, a cana-de-açúcar era levada à moenda para sofrer o esmagamento de seu caule e a extração da garapa.
b) Em terras coloniais era produzido apenas um tipo de açúcar: o mascavo, de coloração escura. O açúcar branco era refinado na Europa, em virtude de ser direcionado aos consumidores desse continente.
c) As moendas funcionavam com o uso da tração animal, o trapiche, pois os gastos exigidos para a sua construção eram menores.
d) Os engenhos não estavam disponíveis em toda e qualquer propriedade que plantava cana-de-açúcar. Os fazendeiros que não possuíam um engenho eram geralmente conhecidos como lavradores de cana.
 
28) Para a extração do pau-brasil, os portugueses precisaram da força de trabalho indígena. Em troca, ofereciam aos nativos bugigangas europeias. Que tipo de trabalho implicava a extração do pau-brasil?
a) apenas a derrubada das árvores.
b) derrubada das árvores, corte das toras e transporte.
c) extração da tinta da casca das árvores.
d) apenas o corte das toras das árvores.
 
29) A atividade mineradora no Brasil concentrou-se, sobretudo, na região de Minas Gerais, onde foram construídas vilas e cidades como Ouro Preto, Mariana e Diamantina. Em cidades como essas, é possível ver até hoje os reflexos da vida social e cultural que surgiu em torno da mineração. Em termos artísticos, podemos dizer que o gênero de arte largamente praticado em Minas, na época da Mineração, foi:
a) o realismo
b) o surrealismo
c) o barroco
d) o expressionismo abstrato
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
 
Disponível em: http/historiadomundo.com.br/artigo/artigos/asgrandesnavegações Acesso em março de 2022.
 
Disponível em: http/escolakids.uol.com.br/historia/osprimeiros_anos_do_Brasil.htm Acesso em março de 2022.
 
	Disponível em: http/pt.wikipédia.org/wiki/ciclo_do_ouro Acesso em março de 2022.do cristianismo. Apesar disso, os portugueses não tiveram grande interesse nas possibilidades que o Brasil oferecia naquele momento.
Isso porque o grande interesse dos portugueses era a obtenção do ouro e esse metal precioso não seria fácil de achar, pois era preciso explorar a terra. Naquele momento, o comércio com as Índias era mais lucrativo e, por isso, tornou-se a prioridade portuguesa. Nos anos seguintes, os portugueses realizaram uma série de expedições de exploração no litoral para identificar detalhes do litoral brasileiro.
 
Exploração do pau-brasil
Economicamente, o único proveito que os portugueses tiraram das terras brasileiras, durante o Período Pré-Colonial, foi por meio de três feitorias instaladas em Cabo Frio, Porto Seguro e em Igarassu. Essas feitorias serviram como ponto de armazenamento da primeira atividade económica praticada no Brasil: a exploração do pau-Brasil.
 
Capitanias hereditárias.
O começo da década de 1530 deu início a um processo de transição. Os portugueses começaram a esboçar ações para desenvolver uma colonização efetiva, e a expedição de Martim Afonso de Sousa (1530-1533) foi o pontapé que iniciou esse processo. Essa expedição, segundo o historiador Boris Fausto, tinha função de patrulhar a costa do Brasil, estabelecer uma colónia e iniciar a ocupação da terra.
A existência das feitorias e a exploração do pau-brasil não garantiram uma real ocupação do território brasileiro e, a partir da década de 1530, Portugal sentiu a necessidade de reforçar a presença de habitantes portugueses na América.
Os fatores que justificam isso são principalmente, o declínio do comércio de especiarias nas Índias e as constantes invasões de franceses no território português (segundo o território definido pelo Tratado de Tordesilhas). Assim, para tornar o Brasil lucrativo e para não perder as terras para os franceses, a exploração e ocupação da terra começaram a ser incentivadas.
A expedição de Martim Afonso foi a responsável por fundar São Vicente, no litoral Paulista, em 1532, e acredita-se que a decisão do rei D. João III de criar as capitanias hereditárias aconteceu enquanto Martim ainda explorava o Brasil.
O sistema de capitanias foi implantado em 1534 e, a partir dele, o território da América Portuguesa foi dividido em 5 faixas de terra, que seriam entregues para particulares investirem, com fundos próprios, no desenvolvimento e na ocupação de sua capitania. Esses particulares ficaram conhecidos como capitães donatários. As duas capitanias hereditárias que prosperaram foram as capitanias de Pernambuco e São Vicente.
 
Governo-Geral
Havia uma grande dificuldade de administrar a colónia e os ocupantes que nela se estabeleciam. A Coroa portuguesa entendia a necessidade de instalar um corpo administrativo que pudesse organizar de perto toda a imensa extensão territorial que se formava como posse do Império Português, sobretudo após o fracasso do sistema de capitanias.
Foi nesse contexto que, em março de 1549, Tomé de Sousa aportou no litoral brasileiro com a missão de desempenhar uma série de funções administrativas, como defesa, estímulos à produção agrícola, relacionamento com os indígenas e a fundação de uma capital colonial – designada, na época, como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, atual Salvador. Tomé de Sousa assumiu o cargo de governador-geral.
Junto com o governador-geral., veio também a Companhia de Jesus, com o objetivo de catequizar e “pacificar” os povos indígenas. Os jesuítas (como eram conhecidos os membros da Companhia de Jesus) fundaram, em 1553, o Colégio dos Jesuítas da Bahia.
Apesar do relativo êxito da centralização da administração com o governador-geral, que era um português nomeado pela Coroa para o cargo, as condições de comunicação e transporte no século XVI eram extremamente precárias. Isso dificultava bastante o controle administrativo. Esse modelo de administração durou até a chegada da Família Real no Brasil em 1808, inaugurando aquilo que ficou conhecido como Período Joanino.
 
Ciclo do Açúcar
O Ciclo do Açúcar foi uma das principais bases econômicas, sociais e culturais no Brasil Colonial, entre meados dos séculos XVI e XVIII. Sua implementação ocorreu por meio da importação pelos portugueses do sistema de sesmarias, responsável pela distribuição de terras para produção agrícola na, então, colônia portuguesa. Esse processo foi fundamental para a ocupação territorial, que, aos poucos, formou boa parte do que hoje representa a geografia atual do Brasil.
Nesse período, formaram-se os engenhos, que eram as unidades produtivas responsáveis pela moenda da cana-de-açúcar, além de concentrar o exercício de outras atividades importantes para o período, como a produção da cachaça brasileira, por intermédio dos alambiques, entre outras coisas.
 
Contexto histórico
O açúcar comum é resultado de um processo de transformação que foi desenvolvido por volta do século VI a.C. a partir da cana-de-açúcar. As Cruzadas foram responsáveis pelo acesso dos povos europeus a essa iguaria, que passou a ser muito apreciada. Por volta do século XII, a então República de Veneza passou a dominar seu processo de produção e abastecer a Europa.
O que podemos chamar de revolução do mercado açucareiro só ocorreu a partir das expansões marítimas europeias por meio, sobretudo, do Oceano Atlântico, no contexto do mercantilismo. Pequenas ilhas passaram a comportar estruturas de produção açucareiras.
Portugal passou a desenvolver a produção de açúcar em maior escala a partir de meados do século XV, nos territórios da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde. Portanto, antes dessa produção chegar às colônias nas Américas, por volta do século XVI, os portugueses já dominavam as técnicas de produção do açúcar, inclusive com a implementação da mão de obra escrava.
Após o estabelecimento dos portugueses, em 1500, na terra em que seria chamada de Brasil, a produção do açúcar não foi implementada a princípio. Até 1530, consolidou-se o que ficou conhecido como Ciclo do Pau-Brasil, no qual a madeira que concede o nome ao ciclo era o principal produto comercializado entre a colônia e a metrópole.
Foi somente a partir da expedição colonizadora designada pelo Império Português a Martim Afonso de Sousa, entre 1530 e 1532, que a produção do açúcar passou a se desenvolver no Brasil, tornando-se, depois, a base da economia colonial até o século XVIII e caracterizando o que ficou conhecido como Ciclo do Açúcar.
 
Por que foram instalados os engenhos?
Com a expansão marítima e a descoberta de novos territórios nas Américas pelos espanhóis e portugueses, outras nações, como França, Holanda e Inglaterra, despertaram o interesse em promover suas próprias conquistas e participarem ativamente de todo o comércio decorrente disso. Essa nova configuração ditou o desenvolvimento econômico e político dos principais países europeus entre os séculos XV e XVIII, dentro do contexto do que ficou conhecido como mercantilismo, o conjunto de práticas econômicas adotado pelas nações europeias entre o século XV e o século XVIII.
Nesse sentido, Portugal começou a sentir seu império ultramarino ameaçado, sobretudo pela França e pela Holanda, que, entre os séculos XVI e XVII, chegaram a invadir as terras brasileiras e estabelecerem, mesmo que momentaneamente,projetos de colonização.
Para conter essas ameaças, por volta de 1530, a Coroa portuguesa decidiu enviar uma campanha oficial para o Brasil com o objetivo principal de mapear e demarcar o seu território e estabelecer uma administração colonial. O território, nesse momento, não possuía a mesma extensão territorial dos dias de hoje, mas, mesmo assim, representava sérios desafios administrativos para a metrópole, sobretudo no que dizia respeito à sua defesa.
Em 1532, Martim Afonso de Sousa desembarcou no Brasil e, em 1534, houve a tentativa de implementar um sistema que já existia na pequena Ilha da Madeira: as capitanias hereditárias. Martim Afonso, que se tornou donatário da Capitania de São Vicente (atual São Paulo), iniciou em suas terras o cultivo da cana-de-açúcar,por meio de mudas que teria trazido em viagem, e implementou um dos primeiros engenhos de açúcar do período colonial, sendo uma das principais referências na difusão desse sistema agroindustrial.
O primeiro engenho de que se tem registro em terras brasileiras é datado de 1516, no litoral da Província de Pernambuco, pelo administrador colonial Pepo Capico. Porém, foi a partir da década de 1530 que o engenho foi implementado de fato na colônia, sobretudo em São Vicente e Pernambuco, como forma de sistematização de um processo de produção açucareira de caráter extensivo e também de povoamento das regiões recém-descobertas.
A partir de então, a produção de açúcar passou a desempenhar um papel fundamental sob diversos aspectos de todo o sistema colonial português. Além do seu impacto na alimentação, na colônia e também no mundo, sua produção em grande escala permitiu maiores acessos ao produto. Todo o seu sistema de produção acabou formando também as bases sociais de todo o período e possui heranças até os dias de hoje. Os engenhos foram, portanto, o principal modelo de unidade produtiva de uma das bases econômicas do Brasil Colonial.
 
Como funcionavam os engenhos?
Sob a lógica do mercantilismo, Portugal estabelecia uma série de normas e regras às suas colónias com o objetivo de manter uma exclusividade comercial tanto na compra de matérias-primas a preços baratos quanto na venda de produtos manufaturados a preços mais elevados. Esse conjunto de regras e normas ficou conhecido como Pacto Colonial.
Os engenhos eram unidades produtivas que estruturaram boa parte da sociedade colonial. Eram instalados em latifúndios, concedidos a donatários pelo Império Português por meio sistema de sesmarias. A mão de obra utilizada era predominantemente escravagista.
Em um primeiro momento, entre o século XVI e o início do XVII, os indígenas foram utilizados como mão de obra escrava. Contudo, uma série de problemas começou a se colocar frente a escravização indígena. Os primeiros contatos com diferentes povos nativos e complicações como epidemias e choques culturais dificultavam o apresamento desses povos. Ao mesmo tempo, os jesuítas, que chegaram em missão à colônia brasileira em meados do século XVI, passaram a se opor à utilização dos índios para trabalhos forçados.
Diante dessas dificuldades, o tráfico negreiro possibilitou a substituição da mão de obra indígena pelos africanos escravizados. A escravidão africana, os latifúndios e a monocultura de exportação passaram a ser as bases do sistema que ficou conhecido como plantation. Esse quadro é fundamental para entendermos o funcionamento do engenho e como essa dinâmica atingiu diretamente a estrutura social que se formava na colônia.
Existiam, basicamente, dois tipos de engenho, entendidos aqui não apenas como um instrumento de moenda da cana-de-açúcar, mas como uma unidade produtiva: os engenhos reais, movidos a água; e os trapiches movidos por tração animal. Eram compostos pela casa-grande,onde morava o dono da grande propriedade, conhecido como senhor de engenho, e sua família; a senzala, onde ficavam os escravizados; a casa de engenho, onde era feita a moagem; a capela, onde as atividades religiosas eram exercidas; e a propriedade agrícola,onde estavam os canaviais, pastagens e terras dedicadas ao cultivo de alimentos.
Nos engenhos eram produzidos também destilarias para a fabricação da cachaça brasileira, que era utilizada, inclusive, como escambo entre os escravizados. As terras para cultivo eram divididas também entre as que o próprio dono das terras explorava e as chamadas fazendas obrigadas, em que o proprietário da terra cedia o cultivo a um outro lavrador, que, em troca, pagava uma espécie de aluguel pela terra mais metade da sua produção de açúcar. Existiam também os lavradores livres, que cultivavam em suas próprias terras, porém, por não possuírem o engenho propriamente dito, moíam a cana em outro lugar, deixando a metade de sua produção com o dono.
 
Crise do ciclo do açúcar
Desde o século V, os holandeses desempenhavam um importante papel no refino do açúcar e distribuição para países europeus. Boa parte dos rendimentos obtidos com o comércio do açúcar ficava com os holandeses, por serem eles os responsáveis por esse processo de comercialização. Há indícios, inclusive, de que houve investimentos holandeses para a instalação de engenhos no Brasil Colônia. Havia, portanto, uma colaboração entre portugueses e holandeses no comércio açucareiro.
Contudo, em 1580, o rei de Portugal, D. Sebastião, desapareceu durante uma batalha contra os mouros no Norte da África, criando uma profunda crise política, que resultou na Guerra de Sucessão Portuguesa(1580-1583) e também na União Ibérica, na qual os reinos de Portugal e Espanha foram unificados com Felipe II como monarca.
Embora Portugal mantivesse uma relação comercial estável com os holandeses, essa relação não se sustentava com os espanhóis. A crise diplomática agravou-se ainda mais após o rei Felipe II tentar acabar com a participação dos holandeses na economia açucareira do Brasil. Como retaliação, os holandeses decidiram invadir a colônia portuguesa, dando início às incursões que ficaram conhecidas como invasões Holandesas.
Em 1637, os holandeses conseguiram estabelecer-se na Capitania de Pernambuco, controlando a produção de açúcar na região. Entre 1645 e 1654, com a Insurreição Pernambucana, os portugueses retomaram o território, expulsando os holandeses das terras brasileiras.
Assim, os holandeses dirigiram-se para o Caribe, com o objetivo de instalar as técnicas de produção de açúcar na região e diminuir a dependência em relação ao açúcar brasileiro. Em seguida, durante o século XVII, os franceses e os ingleses reproduziram a iniciativa holandesa no Caribe, fazendo com que o açúcar brasileiro perdesse significativamente a sua competitividade.
Diante das dificuldades que a economia açucareira passou a sofrer no Brasil, outro acontecimento acabou por minimizar a importância do cultivo da cana-de-açúcar no Brasil: a descoberta do ouro, no final do século XVII. Dada a importância do metal como reserva de valor, sobretudo no mercantilismo, a produção do açúcar, longe de acabar, deixou de ter a importância de outrora, dando início, portanto, ao Ciclo do Ouro.
 
Ciclo do Ouro 	
 
O ciclo do ouro, também referido como ciclo da mineração e corrida do ouro, diz respeito ao período da história brasileira em que a extração e exportação do ouro dominou a dinâmica econômica do Brasil Colônia. O ciclo vigorou com força durante os primeiros 60 anos do século XVIII, altura a partir da qual a produção de ouro começou a decair devido ao esgotamento progressivo das minas da região explorada, que compreende os atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
 
 
Os bandeirantes descobrem o ouro
 
Quando chegaram ao Brasil, os primeiros exploradores portugueses buscavam ouro e metais preciosos, pois acreditava-se que os havia no seu território. Mas, no início e durante os primeiros dois séculos de ocupação portuguesa, as excursões pioneiras no litoral e interior do país não trouxeram muitos resultados, ainda que estas riquezas abundassem em várias zonas do Brasil, como mais tarde se viria a descobrir.
No fim do século XVII, a prosperidade dos engenhos açucareiro das colônias holandesas, francesas e inglesas da América Central fez a produção de açúcar no território brasileiro enfrentar uma séria crise. Foi então que a Coroa Portuguesa começou a estimular os seus funcionários e a população da colônia, principalmente a do Planalto de Piratininga, atual cidade de São Paulo, a desbravar as terras ainda desconhecidas em busca de minerais preciosos, nomeadamente ouro.
Muitos exploradores morreram à procura de jóias e pedras preciosas, tal como o bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que morreu em 1681 à procura de esmeraldas. Finalmente, nos últimos anos do século XVII, os primeiros exploradores descobriram esse tipo de riqueza no Brasil.
Foi nos sertões de Taubaté que, em 1697, se deu a primeira grande descoberta, consistindoem "dezoito a vinte ribeiros de ouro da melhor qualidade", conforme anunciou o então governador do Rio de Janeiro, Castro Caldas. Em janeiro deste mesmo ano, a Coroa havia enviado uma Carta Régia ao governador Arthur de Sá onde se comprometia com uma ajuda de custos à busca pelos metais preciosos de 600 000 reais por ano e onde se dizia que se dariam aos paulistas beneméritos "as mesmas honras, e mercês de hábitos, e foros de fidalgos da Casa", desde que encontrassem e explorassem as lavras auríferas. Foi o início da primeira "corrida ao ouro" da história moderna . Em 1719, a bandeira de Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em Mato Grosso. Em 1725, foi descoberto ouro na Vila Boa de Goiás. O suprimento de homens e mercadorias para essas regiões passou a se dar através das monções.
 
Os emboabas também querem enriquecer
 
Como era de se esperar, a notícia da descoberta se espalhou rapidamente. Isso fez com que uma quantidade enorme de aventureiros se deslocasse para a região em que o metal havia sido encontrado. Esses aventureiros, em sua maioria vindos de Portugal e de outras regiões do Brasil, passaram a ser chamados de emboabas. A presença de tais grupos gerou atritos com os paulistas (bandeirantes e seus descendentes) e engendrou brigas pela posse das jazidas.
Entre os emboabas que vieram de outras regiões da colônia, destacam-se os nordestinos. No Nordeste, como dito anteriormente, a plantação de cana de açúcar estava em decadência. Ninguém conseguia enriquecer e se destacar na sociedade, excetuando-se os poucos senhores de engenhos. Quanto aos que vieram de Portugal, seu fluxo emigratório era tão intenso que, em 1720, o rei dom João V criou uma lei para o controlá-lo. Passou a se fazer a vigia e vistoria dos navios "da Repartição do Sul" dirigidos ao porto do Rio de Janeiro, e acabaram por serem adotadas as licenças especiais e o passaporte em 1709 como uma maneira de diminuir o fluxo dos aventureiros.
Os emboabas se espalharam, e, nas povoações já formadas, eram tão numerosos quanto os bandeirantes que vinham de São Vicente e do planalto do Piratininga. Os crimes aumentaram muito, e imperava a lei do mais forte. A população andava armada, as menores discussões se transformavam em conflitos, que deixavam mortos e feridos. No restante da colônia, tinha se instalado o caos. Cidades inteiras eram abandonadas por pessoas que saíam em busca de ouro nos garimpos. Plantações de cana de açúcar foram abandonadas. Houve considerável aumento no preço dos escravos, animais e víveres. Inúmeros povos indígenas foram extintos.
O português Manuel Nunes Viana foi nomeado "governador das minas". Logo tentou instaurar a paz na região. Prometeu punir os criminosos e fazer justiça. Todavia, não agradava aos paulistas ter como líder um emboaba. Foram então ao sertão, e fizeram com que os índios também se revoltassem. Em seguida, foram para Sabará organizar a reação. Daí partiram para lutar contra os emboabas e expulsá-los da terra. Apesar de estarem em maior número, os paulistas estavam mal organizados. Quando entraram em combate com as tropas de Nunes Viana, foram derrotados. Em seguida, dirigiram-se para o arraial de Cachoeira do Campo. Novo combate se travou, e Nunes Viana foi ferido e substituído. Outros combates se seguiram, os quais os paulistas perderam de novo. A guerra durou de 1707 a 1709.
 
Como o ouro era extraído
 
Quanto às técnicas de mineração adotadas, grande importância teve a contribuição cultural dos escravos minas, que tinham uma grande tradição na mineração e fundição de ouro e ferro, conhecimento este superior ao dos portugueses da época.
Após a queda de produção do sistema de exploração aurífera de aluvião, passaram a ser necessárias técnicas mais refinadas que exigiam a permanência por maior período do garimpeiro. Esta necessidade de permanecer junto aos locais de exploração também contribuiu para o estabelecimento das novas vilas. É neste período que são fundadas as Vilas de São João Del Rei, do Ribeirão do Carmo, atual Mariana, Vila Real de Sabará, de Pitangui e Vila Rica de Ouro Preto, atual Ouro Preto, entre outras.
 
O apogeu e as mudanças na colônia
 
O ouro da colônia passava a representar em Portugal uma nova esperança de trabalho e enriquecimento, e muitas pessoas começaram a deixar o país. De 300 mil habitantes estimados em 1690, a colônia passara a cerca de 3 000 000 no final do século XVIII. Este fluxo emigratório acabará por impor o português como língua nacional em substituição à língua geral(língua que se desenvolveu a partir do tupi antigo). Durante o auge do período de exploração, diversos povoamentos foram fundados. Começou também a fazer-se a ocupação do território mais adentro e não apenas no litoral como se fazia até então.
O enorme crescimento demográfico consolidou um mercado interno, uma vez que os produtos da colônia não eram mais apenas para exportação, como ocorria com o açúcar e o tabaco do nordeste, e fez com que surgisse a necessidade de uma produção de alimentos interna que pudesse suprir as necessidades dos novos habitantes. A falta de mantimentos havia inclusive levado a mortes e a crises de fome.
O ouro trouxe prosperidade para as cidades mineiras que viviam da extração e a explosão demográfica provocada permitiu o desenvolvimento de uma classe média composta por artesãos, profissionais das minas, comerciantes, militares, artistas, músicos, poetas e intelectuais que contribuíram para o grande desenvolvimento cultural do Brasil naquela época. Ao enriquecer algumas famílias, os seus filhos foram mandados para estudar na Europa e, ao voltar, esses jovens disseminaram as ideias iluministas e a estética árcade - daí o fato de o arcadismo ter tido particular importância em Vila Rica (atual Ouro Preto).
No Brasil, os leitores, não só os jovens da elite mas um público mais geral, conquistados pela clareza e simplicidade da poesia árcade, passaram a consumir a literatura aqui produzida. Pela primeira vez na colônia, artistas e intelectuais foram capazes de formar um sistema intelectual capaz de competir com os da metrópole. Pavimentava-se assim o caminho para a independência em 1822 e à independência artística, que foi atingida no Romantismo e, depois, no Modernismo.
O arcadismo começou nas letras; nas artes visuais, ainda predominava o Barroco, mais especificamente o Barroco em sua fase Rococó. Na construção de casas, igrejas e palácios, o estilo predominante do barroco mineiro tem sido apontado como a mais bela herança dos tempos do ouro.
 
Taxação
 
Ao longo dos anos, os tipos de impostos cobrados pela metrópole sobre a área económica e tributária brasileira (não todos em simultâneo) foram:
*Os quintos do ouro: o imposto régio sobre o ouro consistia no estabelecimento de que um quinto (20%) do ouro extraído no território português do Brasil seria da Coroa Portuguesa por direito.
*A capitação: os quintos por casa de moeda foram convertidos em imposto sobre escravos e pessoas livres que trabalhassem com as próprias mãos, bem como, sobre as lojas, vendas e comércio em geral. Vigorou apenas por 16 anos no período de 1734 a 1750 quando, por alvará com força de Lei de 3 de dezembro de 1750, o Marquês de Pombal extinguiu a capitação na cobrança do direito senhorial dos quintos, e a substituiu pela retenção dos quintos por Casas de Fundição com uma quota mínima anual de 100 arrobas (1 500 quilogramas) que seria garantida pelos municípios, comprometendo-se estes a lançar derramas para compensar eventuais diferenças entre a quantia efetivamente arrecadada e a importância destinada ao Erário Real.
*A derrama: uma vez que era frequente que o quinto não fosse pago integralmente, sendo acumulativos os valores não pagos, era preciso intensificar a cobrança, confiscando-se bens e objetos de ouro. Essa prática de cobranças de valores para atingir a meta estipulada pela Coroa era chamada "derrama". A derrama consistia no rateio da diferença entre as comarcas e, nestas, o rateio entre os homens bons, sob pena de confisco forçado dos bens dos mesmos homens bons, caso os quintosnão atingissem as 100 arrobas anuais (1 500 quilogramas). As demais capitanias tinham obrigação de reter os quintos, mas não eram oneradas pela derrama.
As questões tributárias foram detalhadamente regulamentadas pelo Regimento das Intendências e Casas de Fundição, promulgado a 4 de Março de 1751. O governo tomou também medidas que visavam a combater o contrabando e saída clandestina do ouro: expulsou ourives das regiões auríferas, proibiu a circulação de ouro em pó, ordenou a intensificação das patrulhas de dragões e renovou os dispositivos legais que proibiam a reexportação de ouro e minerais preciosos. Com as inovações introduzidas nesta altura, se tinha também o objetivo de desfazer um método fiscal opressivo para os setores da população que não estavam ligados à mineração e que originava muitos abusos e injustiças. A preocupação pela escolha de um modelo mais justo e equilibrado está bem patente no preâmbulo do diploma de 3 de Dezembro em que se afirma, nomeadamente, que se preferia a tranquilidade e a comodidade dos povos à obtenção de maiores receitas para o Real Erário. O novo método de cobrança proporcionou à Coroa, na década de 1752-1762, um rendimento médio anual de 108 arrobas de ouro, enquanto o anterior sistema tinha permitido arrecadar 125,4 arrobas por ano. Entre 1762 e 1777, a média anual baixou para 82,5 devido ao progressivo esgotamento do ouro de aluvião.
 
 
 
O novo poder econômico para Coroa de Portugal
Mapa de rendimento do ouro nas Reais Casas de Fundição em Minas Gerais, entre julho e setembro de 1767. Arquivo Nacional.
 
No Brasil, até 1760, ano em que os aluviões começaram a esgotar-se, produziram-se cerca de mil toneladas de ouro. Tudo se resumiu a um enriquecimento temporário das finanças do estado e à formação de algumas, mas poucas, fortunas particulares. Com esses recursos, o rei dom João V, que reinou em Portugal durante toda a primeira metade do século XVIII, promoveu a construção de algumas obras públicas, sendo a mais célebre o palácio-convento nacional de Mafra, cuja construção ocupa quase todo o reinado e que absorveu uma grande parte dos recursos vindos do Brasil. Construiu-se também, no Rio de Janeiro, o palácio dos governantes. Também com o dinheiro vindo do Brasil, o rei pôde intervir em alguns problemas europeus, como na guerra da sucessão de Espanha e, por exemplo, na defesa da Europa contra os Turcos, na batalha naval do cabo de Matapan, que destruiu a armada turca e salvou a Europa de uma ameaça eminente.
Contudo, com os vários acordos estabelecidos entre Portugal e a Inglaterra a partir de 1642 (Tratado de Paz e Comércio entre dom João IV e Carlos I de 1642, Tratado de Paz e Aliança de Westminster de 1654, Tratado de Paz e Amizade de 1661,Tratado de Methuen de 1703) foram concedidos grandes privilégios ao comércio e súditos britânicos, bem como a liberdade do comércio para os ingleses no Brasil e na Índia. Alguns historiadores defendem a tese de que o ouro brasileiro ajudou, assim, a Inglaterra a concentrar reservas que fizeram, do sistema bancário inglês, o principal centro financeiro da Europa, bem como tornou possível o financiamento da Revolução Industrial inglesa.
 
Fim do ciclo do ouro
A maioria das minas de ouro se esgotou no fim do século XVIII. Parte da população mineira se deslocou ao Planalto para trabalhar em fazendas de gado e para o centro-norte e centro-sul da Capitânia do Rio de Janeiro, onde passaram a dedicar-se a produção de víveres para a cidade do Rio (em Cantagalo) e começaram as primeiras plantações de café do Vale do Paraíba Fluminense. Aqueles que ficaram em Minas Gerais passaram também a dedicar-se à agricultura. Nessa época, houve um impulso para a cultura do algodão, com produções no Maranhão, Pernambuco e na Bahia destinadas à exportação. A cultura da cana-de-açúcar, que não fora totalmente abandonada durante o ciclo da mineração, ganhou novo impulso, em particular no Nordeste e no Rio de Janeiro.
Contudo, nenhum desses produtos foi tão grande e importante quanto o ouro havia sido. Durante o período colonial, sempre houve um grande produto que era o centro da economia. Após o fim do ciclo do ouro, faltava ao Brasil um grande produto para preencher a lacuna deixada pelos metais preciosos. Esse vácuo gerou uma crise econômica que durou até o início do ciclo do café, em meados do século XIX. Conforme o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, "entre 1750 e 1850, a economia brasileira não está só estacionada. Ela regride."Durante a crise, o poder de compra da população era bem menor do que na fase áurea da mineração.
Nada ficou, no solo brasileiro, do impulso dinâmico do ouro, salvo os templos e as obras de arte. Em fins do século XVIII, embora ainda não se tivessem esgotado os diamantes, o país estava prostrado. A renda per capita dos 3 milhões de brasileiros não superava os 50 dólares anuais no atual [década de 1970] poder aquisitivo, segundo os cálculos de Celso Furtado, e este era o nível mais baixo de todo o período colonial.
—Galeano, Eduardo (29 de setembro de 2010). As veias abertas da América Latina. [S.l.]: L&PM Editores
Formação da sociedade colonial
Após os portugueses e espanhóis descobrirem o continente americano, uma série de relatos e crônicas dava o tom de encantamento que as novas terras despertavam nos habitantes do velho continente. Um misto de inocência e descrições bíblicas do paraíso indicava que tanto a terra quanto os seus habitantes precisavam ser “conquistados”, “catequizados” e “civilizados” pelos reinos cristãos europeus.
Um pouco disso explica, mesmo que de forma subjetiva, aspectos importantes da formação da sociedade colonial. Afinal, tratava-se de uma terra de possibilidades, de riquezas escondidas, de descobertas possíveis, um “novo mundo”.
Com a descoberta cada vez mais frequente de ouro por parte das bandeiras, a estrutura administrativa que pudesse garantir as posses da Coroa começou a se estruturar de forma mais efetiva.
Assim, a sociedade colonial constituiu-se, basicamente, de uma elite vinda de Portugal, que acumulava riquezas; de escravos, que consistiam na força de trabalho principal do período colonial; e de indígenas, que, apesar de todas as resistências contra os portugueses, tiveram nações inteiras dizimadas, territórios tomados, quando não escravizados. Havia também os representantes da administração colonial, os representantes da Igreja Católica e, no decorrer do tempo, começou a surgir a figura dos “brasileiros”, ou seja, pessoas nascidas no território colonial.
É importante dizer que as mulheres, assim como os indígenas e negros, tiveram grande parte de suas histórias negligenciada e esquecida durante esse período. Mesmo assim, a historiografia contemporânea já trabalha narrativas que contam a história de personalidades importantes durante o período colonial.
Um nome que ficou conhecido é o de Chica da Silva (1732-1796), natural da região de Minas Gerais e ex-escrava alforriada que ganhou destaque no Arraial do Tijuco, atual Diamantina. Há também a interessantíssima história de Rosa Maria Egipciáca da Vera Cruz, que, sendo escrava e tendo se alfabetizado sozinha, escreveu a obra mais antiga de uma autora negra brasileira, a Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas.
 
 
 
 	 Atividades de História Módulo II
 
 
 
 
 
01) Explique em linhas gerais o que foi o empreendimento marítimo ocorrido no século XV e XVI.
 
02) Quais são os fatores que explicam o pioneirismo português nas grandes navegações?
 
03) Comente sobre o contexto histórico europeu na época das grandes navegações.
 
04) Qual a importância da escola de Sagres para o pioneirismo português nas grandes navegações?
 
05) Por que a Espanha se manteve alheia ao processo de expansão marítima até praticamente o final do século XV?
 
06) Quais eram as principais rotas e expedições realizadas por Portugal e Espanha?
 
 
07) Qual era o objetivo dos portugueses com as grandes navegações?
08) Comente sobre o principal tratados vigente no período das grandes navegações.09) Cite três consequências ocasionadas em decorrência do processo de expansão marítima.
 
10) Comente sobre o debate historiográfico sobre a questão que envolve o descobrimento ou a invasão do Brasil.
 
 
11) Por que Portugal decidiu colonizar o Brasil somente em 1530?
 
12) Qual a primeira atividade económica praticada no Brasil?
 
13) Explique o que era o sistema de capitanias hereditárias e porque esse sistema fracassou?
 
14) Quais foram as capitanias que mais prosperaram no América portuguesa?
15) Qual era o objetivo do governo-geral?
 
16) Determine a relação existente entre as sesmarias e o problema de concentração de terras existentes no Brasil.
 
17) Explique como funcionava um engenho de açúcar.
 
18)Quais eram as etapas de produção do açúcar?
19) Defina os termos:
a) Pacto colonial -
b) Plantation-
 
20) Quais eram os dois tipos de engenho? Comente sobre cada um.
 
21) Qual era a composição social existente no engenho?
 
22) Quais eram as formas de exploração do ouro? Comente sobre cada uma.
 
 
23) Contestando o Tratado de Tordesilhas, o rei da França, Francisco I, declarou em 1540:
“Gostaria de ver o testamento de Adão para saber de que forma este dividira o mundo”. (Citado por Cláudio Vicentino, História Geral, 1991.)
a) O que foi o Tratado de Tordesilhas?
b) Por que alguns países da Europa, como a França, contestavam aquele tratado?
 
 
24) O açúcar e suas técnicas de produção foram levados à Europa pelos árabes no século VIII, durante a Idade Média, mas foi principalmente a partir das Cruzadas (séculos XI e XIII) que a sua procura foi aumentando. Nessa época passou a ser importado do Oriente Médio e produzido em pequena escala no sul da Itália, mas continuou a ser um produto de luxo, extremamente caro, chegando a figurar nos dotes de princesas casadoiras". Considerando o conceito do Antigo Sistema Colonial, o açúcar foi o produto escolhido por Portugal para dar início à colonização brasileira, em virtude de :
a) O lucro obtido com o seu comércio ser muito vantajoso.
b) Os árabes serem aliados históricos dos portugueses.
c) A mão de obra necessária para o cultivo ser insuficiente.
d) As feitorias africanas facilitarem a comercialização desse produto.
 
 
25)“Para o conjunto da economia europeia, no século XVI, caracterizada pela produção em crescimento e pelo aumento das transações mercantis, ao lado de um novo crescimento de sua população, o efeito mais importante dos grandes descobrimentos foi a alta geral dos preços...”
O efeito a que o texto se refere foi provocado:
a)pelo grande afluxo de metais preciosos.
b)pela ampliação da área de produção agrícola.
c)pela redução do consumo de produtos manufaturados.
d)pela descoberta de novas rotas comerciais no Oriente.
 
26) A agromanufatura do açúcar no Brasil colonial garantia todo o processo de produção, desde o plantio da cana até o produto final, pronto para ser exportado para a Europa, ficando na colônia o açúcar mascavo e sendo exportado em sua maior parte o açúcar branco. Apesar de controlar todo o processo de produção, não eram os portugueses que realizavam a distribuição do produto na Europa, cabendo essa função aos:
a) ingleses.
b) holandeses.
c) franceses.
d) belgas.
 
 
27) A imagem abaixo é do holandês Frans Post, que pintou diversas imagens do Brasil, dentre elas os engenhos de açúcar.
 Fábrica de açúcar e plantação do Engenho Real, de Frans Post (1612-1680)
 
Os engenhos constituíam verdadeiras fábricas, realizando todas as fases do processo de produção do açúcar em suas próprias instalações. Dentre as alternativas abaixo, qual indica uma informação incorreta sobre os engenhos de açúcar?
a) Após a colheita, a cana-de-açúcar era levada à moenda para sofrer o esmagamento de seu caule e a extração da garapa.
b) Em terras coloniais era produzido apenas um tipo de açúcar: o mascavo, de coloração escura. O açúcar branco era refinado na Europa, em virtude de ser direcionado aos consumidores desse continente.
c) As moendas funcionavam com o uso da tração animal, o trapiche, pois os gastos exigidos para a sua construção eram menores.
d) Os engenhos não estavam disponíveis em toda e qualquer propriedade que plantava cana-de-açúcar. Os fazendeiros que não possuíam um engenho eram geralmente conhecidos como lavradores de cana.
 
28) Para a extração do pau-brasil, os portugueses precisaram da força de trabalho indígena. Em troca, ofereciam aos nativos bugigangas europeias. Que tipo de trabalho implicava a extração do pau-brasil?
a) apenas a derrubada das árvores.
b) derrubada das árvores, corte das toras e transporte.
c) extração da tinta da casca das árvores.
d) apenas o corte das toras das árvores.
 
29) A atividade mineradora no Brasil concentrou-se, sobretudo, na região de Minas Gerais, onde foram construídas vilas e cidades como Ouro Preto, Mariana e Diamantina. Em cidades como essas, é possível ver até hoje os reflexos da vida social e cultural que surgiu em torno da mineração. Em termos artísticos, podemos dizer que o gênero de arte largamente praticado em Minas, na época da Mineração, foi:
a) o realismo
b) o surrealismo
c) o barroco
d) o expressionismo abstrato
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
 
Disponível em: http/historiadomundo.com.br/artigo/artigos/asgrandesnavegações Acesso em março de 2022.
 
Disponível em: http/escolakids.uol.com.br/historia/osprimeiros_anos_do_Brasil.htm Acesso em março de 2022.
 
	Disponível em: http/pt.wikipédia.org/wiki/ciclo_do_ouro Acesso em março de 2022.
 
Expansão Marítima
As Grandes Navegações foram o processo de exploração do Oceano Atlântico realizado pioneiramente por Portugal no século XV e acompanhado por outros países europeus ao longo do XVI. Levaram a uma série de “descobrimentos” por parte dos europeus e resultaram, por fim, na chegada europeia ao continente americano em 1500. Por meio das Grandes Navegações, iniciou-se a colonização da América e consolidou-se a passagem da Idade Média para a Idade Moderna.
 
Contexto histórico
O contexto em que ocorre as grandes navegações, é marcado por uma grave crise económica na Europa a chamada de crise do século XIV, marcada pela peste negra, guerra dos cem anos, ciclos de fome e guerras camponesas. A Europa passava por uma escassez de metais preciosos para a cunhagem de novas moedas. Diante desse colapso na Europa havia uma busca por novos mercados na África e no Oriente.
 
Grandes navegações portuguesas
Quando o assunto são as Grandes Navegações, o pioneirismo português sempre se destaca. Foi a partir do exemplo dado por Portugal que outros países da Europa, como Espanha e França, lançaram-se à navegação e exploração do Oceano Atlântico. O pioneirismo português foi resultado de uma série de condições que permitiram a esse pequeno país da Península Ibérica lançar-se nessa empreitada.
Na época, Portugal reunia condições políticas, econômicas, comerciais e geográficas que tornaram possível seu papel pioneiro. O resultado disso foi a “descoberta” de diversos locais desconhecidos pelos europeus, além da abertura de novas rotas e o surgimento de novas possibilidades de comércio. Para os portugueses, todo esse processo culminou na chegada da expedição de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, em 1500.
Alguns fatores explicam esse pioneirismo de Portugal:
·Monarquia consolidada;
·Território unificado;
·Investimento no desenvolvimento de conhecimento náutico;
·Interesse da sociedade na expansão do comércio;
·Investimentos estrangeiros no comércio;
·Posição geográfica.
 
No século XV, Portugal era uma nação politicamente estável. Essa estabilidade foi garantida pela Revolução de Avis, realizada entre 1383 e 1385. Com isso, Portugal teve melhores condições para investir no desenvolvimento do comércio e da tecnologia náutica. Em comparação, as nações vizinhas (Espanha, França e Inglaterra) ainda procuravam estabilidade política nesse mesmo período.
Outro fator era a questão territorial, uma vez que o território português já havia sido consolidado desde o século XIII, quando a região de Algarve foi reconquistada dos mouros (muçulmanos que invadirama Península Ibérica no século VIII). Os vizinhos espanhóis, por exemplo, só garantiram certa unificação territorial no final do século XV.
Em relação à tecnologia e ao conhecimento náutico, existem muitos historiadores que atribuem uma grande importância à Escola de Sagres, centro de estudos construído por infante D.Henrique em Algarve. Nesse local, promoviam-se pesquisas de desenvolvimento de melhores técnicas de navegação. Novos estudos, porém, levaram alguns historiadores a questionar a existência e a importância dessa escola no pioneirismo de Portugal.
Outro fator importante foi a relevância comercial assumida por Portugal por volta do século XV. Essa importância e vocação comercial dos portugueses resultaram da influência dos mouros no período em que dominaram a Península Ibérica. Por fim, há que se destacar que Lisboa havia recebido grandes investimentos de comerciantes genoveses, que estavam interessados em transformar a cidade em um grande centro comercial.
Havia ainda a questão geográfica: Portugal estava posicionado mais a oeste que qualquer outra nação europeia. Além disso, era o país europeu mais próximo da costa oeste do continente africano. Isso fazia de Portugal ponto de partida para expedições que buscavam uma nova rota para alcançar a Índia e o tão valorizado comércio das especiarias.
A soma de todos esses fatores fez com que Portugal tivesse as condições necessárias para ser a nação pioneira das Grandes Navegações, processo que resultou em grandes “descobertas”:
·1415: conquista de Ceuta, no norte da África;
·1418: chegada à lha da Madeira;
·1427: chegada a Açores;
·1434: travessia do Cabo Bojador;
·1488: travessia do Cabo da Boa Esperança;
·1499: descobrimento de um novo caminho para a Índia;
·1500: chegada ao Brasil.
 
Grandes navegações espanholas
Ao longo de todo o século XV, a Espanha, nação vizinha de Portugal, assistiu à expansão marítima conduzida pelos portugueses. A Espanha manteve-se alheia a esse processo até, praticamente, o final do século XV. Isso ocorreu porque a nação espanhola, durante toda parte desse século, teve como grande prioridade garantir a expulsão dos mouros – o que foi concluído somente em 1492. Além disso, politicamente falando, a Espanha só atingiu certa estabilidade com o casamento dos monarcas Fernando e Isabel, em 1469.
O investimento em expedições marítimas só foi possível depois da conquista de Granada, cidade ao sul da Espanha, em 1492. A primeira expedição espanhola foi liderada pelo genovês Cristóvão Colombo. Nela, três embarcações (Niña, Pinta e Santa María) saíram da Espanha visando a alcançar a Ásia. No entanto, essa expedição alcançou a região das Bahamas, no continente americano, em 12 de outubro de 1492.
 
Principais rotas e expedições
A principal rota de Portugal era o Périplo Africano, rota que contornava da costa Atlântica da África, o principal ponto conquistado foi Ceuta no atual Marrocos.
A rota oriental fazia o seguinte percurso: Cristóvão Colombo acreditava na esfericidade da terra e propôs chegar ao Oriente pelo Ocidente dando a volta pelo mundo por outro lado. A rainha da Espanha Isabel de Castela, patrocinou a expedição de Colombo.
 
Principais tratados
Bulla Inter Coetera
O papa Alexandre VI vai dividir as terras do Atlântico para Portugal e Espanha traçando uma linha imaginaria de 100 léguas a oeste das ilhas de cabo verde, só que Portugal não aceitou essa divisão por que colocava as ilhas de Cabo verde em vulnerabilidade.
Tratado de Tordesilhas
Acordo mediado pelo papa, dividia as terras entre Portugal e Espanha, a linha divisória 370 léguas a oeste de cabo verde.
 
Consequências
*As Grandes Navegações conduziram uma série de mudanças que já estavam em curso na Europa desde o século XII. Com esse processo, a Europa iniciou sua passagem para a Idade Moderna e deu prosseguimento ao fortalecimento do comércio e da moeda, garantindo, assim, o mercantilismo, práticas econômicas que fizeram a transição do feudalismo para o capitalismo.
*As Grandes Navegações foram responsáveis por transformar Portugal na maior potência do mundo durante os séculos XV e XVI, por meio do grandioso império ultramarino formado pelos portugueses. Assim, Portugal estabeleceu colônias em diferentes partes do mundo: América do Sul, África e Ásia.
*A hegemonia do comércio marítimo não se encontrava mais nas mãos dos árabes e italianos e sim dos Ibéricos Portugal e Espanha.
* Expansão do catolicismo na América.
* Genocídio indígena.
* Diáspora Africana em decorrência do tráfico de escravos.
 
Invasão ou Descobrimento do Brasil?
Existem duas vertentes historiográficas com relação ao descobrimento do Brasil, a primeira versão ressalta que a chegada ao Brasil seria ocasional por conta de um desvio de rotas em função de uma tempestade.
Já a outra vertente coloca que a chegada dos portugueses ao Brasil foi intencional com o objetivo de averiguar terras a oeste.
 
Chegada dos portugueses
A expedição de Pedro Álvares Cabral era composta de cerca de 1500 homens distribuídos em 13 caravelas que partiram de Lisboa, em 9 de março de 1500. A chegada, como já vimos, aconteceu no dia 22 de abril de 1500 e muitos historiadores sustentam que a rota tomada por Cabral foi desviada intencionalmente para que ele se aproximasse da América.
O primeiro relato da chegada dos portugueses foi realizado pelo escrivão da viagem, Pedro Vaz de Caminha. Ele discorreu sobre as possibilidades econômicas da terra, sobre os nativos e as possibilidades de expansão do cristianismo. Apesar disso, os portugueses não tiveram grande interesse nas possibilidades que o Brasil oferecia naquele momento.
Isso porque o grande interesse dos portugueses era a obtenção do ouro e esse metal precioso não seria fácil de achar, pois era preciso explorar a terra. Naquele momento, o comércio com as Índias era mais lucrativo e, por isso, tornou-se a prioridade portuguesa. Nos anos seguintes, os portugueses realizaram uma série de expedições de exploração no litoral para identificar detalhes do litoral brasileiro.
 
Exploração do pau-brasil
Economicamente, o único proveito que os portugueses tiraram das terras brasileiras, durante o Período Pré-Colonial, foi por meio de três feitorias instaladas em Cabo Frio, Porto Seguro e em Igarassu. Essas feitorias serviram como ponto de armazenamento da primeira atividade económica praticada no Brasil: a exploração do pau-Brasil.
 
Capitanias hereditárias.
O começo da década de 1530 deu início a um processo de transição. Os portugueses começaram a esboçar ações para desenvolver uma colonização efetiva, e a expedição de Martim Afonso de Sousa (1530-1533) foi o pontapé que iniciou esse processo. Essa expedição, segundo o historiador Boris Fausto, tinha função de patrulhar a costa do Brasil, estabelecer uma colónia e iniciar a ocupação da terra.
A existência das feitorias e a exploração do pau-brasil não garantiram uma real ocupação do território brasileiro e, a partir da década de 1530, Portugal sentiu a necessidade de reforçar a presença de habitantes portugueses na América.
Os fatores que justificam isso são principalmente, o declínio do comércio de especiarias nas Índias e as constantes invasões de franceses no território português (segundo o território definido pelo Tratado de Tordesilhas). Assim, para tornar o Brasil lucrativo e para não perder as terras para os franceses, a exploração e ocupação da terra começaram a ser incentivadas.
A expedição de Martim Afonso foi a responsável por fundar São Vicente, no litoral Paulista, em 1532, e acredita-se que a decisão do rei D. João III de criar as capitanias hereditárias aconteceu enquanto Martim ainda explorava o Brasil.
O sistema de capitanias foi implantado em 1534 e, a partir dele, o território da América Portuguesa foi dividido em 5 faixas de terra, que seriam entregues para particulares investirem, com fundos próprios, no desenvolvimento e na ocupação de sua capitania. Esses particulares ficaram conhecidos como capitães donatários. As duas capitanias hereditárias que prosperaram foram as capitanias de Pernambuco e SãoVicente.
 
Governo-Geral
Havia uma grande dificuldade de administrar a colónia e os ocupantes que nela se estabeleciam. A Coroa portuguesa entendia a necessidade de instalar um corpo administrativo que pudesse organizar de perto toda a imensa extensão territorial que se formava como posse do Império Português, sobretudo após o fracasso do sistema de capitanias.
Foi nesse contexto que, em março de 1549, Tomé de Sousa aportou no litoral brasileiro com a missão de desempenhar uma série de funções administrativas, como defesa, estímulos à produção agrícola, relacionamento com os indígenas e a fundação de uma capital colonial – designada, na época, como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, atual Salvador. Tomé de Sousa assumiu o cargo de governador-geral.
Junto com o governador-geral., veio também a Companhia de Jesus, com o objetivo de catequizar e “pacificar” os povos indígenas. Os jesuítas (como eram conhecidos os membros da Companhia de Jesus) fundaram, em 1553, o Colégio dos Jesuítas da Bahia.
Apesar do relativo êxito da centralização da administração com o governador-geral, que era um português nomeado pela Coroa para o cargo, as condições de comunicação e transporte no século XVI eram extremamente precárias. Isso dificultava bastante o controle administrativo. Esse modelo de administração durou até a chegada da Família Real no Brasil em 1808, inaugurando aquilo que ficou conhecido como Período Joanino.
 
Ciclo do Açúcar
O Ciclo do Açúcar foi uma das principais bases econômicas, sociais e culturais no Brasil Colonial, entre meados dos séculos XVI e XVIII. Sua implementação ocorreu por meio da importação pelos portugueses do sistema de sesmarias, responsável pela distribuição de terras para produção agrícola na, então, colônia portuguesa. Esse processo foi fundamental para a ocupação territorial, que, aos poucos, formou boa parte do que hoje representa a geografia atual do Brasil.
Nesse período, formaram-se os engenhos, que eram as unidades produtivas responsáveis pela moenda da cana-de-açúcar, além de concentrar o exercício de outras atividades importantes para o período, como a produção da cachaça brasileira, por intermédio dos alambiques, entre outras coisas.
 
Contexto histórico
O açúcar comum é resultado de um processo de transformação que foi desenvolvido por volta do século VI a.C. a partir da cana-de-açúcar. As Cruzadas foram responsáveis pelo acesso dos povos europeus a essa iguaria, que passou a ser muito apreciada. Por volta do século XII, a então República de Veneza passou a dominar seu processo de produção e abastecer a Europa.
O que podemos chamar de revolução do mercado açucareiro só ocorreu a partir das expansões marítimas europeias por meio, sobretudo, do Oceano Atlântico, no contexto do mercantilismo. Pequenas ilhas passaram a comportar estruturas de produção açucareiras.
Portugal passou a desenvolver a produção de açúcar em maior escala a partir de meados do século XV, nos territórios da Ilha da Madeira, Açores e Cabo Verde. Portanto, antes dessa produção chegar às colônias nas Américas, por volta do século XVI, os portugueses já dominavam as técnicas de produção do açúcar, inclusive com a implementação da mão de obra escrava.
Após o estabelecimento dos portugueses, em 1500, na terra em que seria chamada de Brasil, a produção do açúcar não foi implementada a princípio. Até 1530, consolidou-se o que ficou conhecido como Ciclo do Pau-Brasil, no qual a madeira que concede o nome ao ciclo era o principal produto comercializado entre a colônia e a metrópole.
Foi somente a partir da expedição colonizadora designada pelo Império Português a Martim Afonso de Sousa, entre 1530 e 1532, que a produção do açúcar passou a se desenvolver no Brasil, tornando-se, depois, a base da economia colonial até o século XVIII e caracterizando o que ficou conhecido como Ciclo do Açúcar.
 
Por que foram instalados os engenhos?
Com a expansão marítima e a descoberta de novos territórios nas Américas pelos espanhóis e portugueses, outras nações, como França, Holanda e Inglaterra, despertaram o interesse em promover suas próprias conquistas e participarem ativamente de todo o comércio decorrente disso. Essa nova configuração ditou o desenvolvimento econômico e político dos principais países europeus entre os séculos XV e XVIII, dentro do contexto do que ficou conhecido como mercantilismo, o conjunto de práticas econômicas adotado pelas nações europeias entre o século XV e o século XVIII.
Nesse sentido, Portugal começou a sentir seu império ultramarino ameaçado, sobretudo pela França e pela Holanda, que, entre os séculos XVI e XVII, chegaram a invadir as terras brasileiras e estabelecerem, mesmo que momentaneamente,projetos de colonização.
Para conter essas ameaças, por volta de 1530, a Coroa portuguesa decidiu enviar uma campanha oficial para o Brasil com o objetivo principal de mapear e demarcar o seu território e estabelecer uma administração colonial. O território, nesse momento, não possuía a mesma extensão territorial dos dias de hoje, mas, mesmo assim, representava sérios desafios administrativos para a metrópole, sobretudo no que dizia respeito à sua defesa.
Em 1532, Martim Afonso de Sousa desembarcou no Brasil e, em 1534, houve a tentativa de implementar um sistema que já existia na pequena Ilha da Madeira: as capitanias hereditárias. Martim Afonso, que se tornou donatário da Capitania de São Vicente (atual São Paulo), iniciou em suas terras o cultivo da cana-de-açúcar, por meio de mudas que teria trazido em viagem, e implementou um dos primeiros engenhos de açúcar do período colonial, sendo uma das principais referências na difusão desse sistema agroindustrial.
O primeiro engenho de que se tem registro em terras brasileiras é datado de 1516, no litoral da Província de Pernambuco, pelo administrador colonial Pepo Capico. Porém, foi a partir da década de 1530 que o engenho foi implementado de fato na colônia, sobretudo em São Vicente e Pernambuco, como forma de sistematização de um processo de produção açucareira de caráter extensivo e também de povoamento das regiões recém-descobertas.
A partir de então, a produção de açúcar passou a desempenhar um papel fundamental sob diversos aspectos de todo o sistema colonial português. Além do seu impacto na alimentação, na colônia e também no mundo, sua produção em grande escala permitiu maiores acessos ao produto. Todo o seu sistema de produção acabou formando também as bases sociais de todo o período e possui heranças até os dias de hoje. Os engenhos foram, portanto, o principal modelo de unidade produtiva de uma das bases econômicas do Brasil Colonial.
 
Como funcionavam os engenhos?
Sob a lógica do mercantilismo, Portugal estabelecia uma série de normas e regras às suas colónias com o objetivo de manter uma exclusividade comercial tanto na compra de matérias-primas a preços baratos quanto na venda de produtos manufaturados a preços mais elevados. Esse conjunto de regras e normas ficou conhecido como Pacto Colonial.
Os engenhos eram unidades produtivas que estruturaram boa parte da sociedade colonial. Eram instalados em latifúndios, concedidos a donatários pelo Império Português por meio sistema de sesmarias. A mão de obra utilizada era predominantemente escravagista.
Em um primeiro momento, entre o século XVI e o início do XVII, os indígenas foram utilizados como mão de obra escrava. Contudo, uma série de problemas começou a se colocar frente a escravização indígena. Os primeiros contatos com diferentes povos nativos e complicações como epidemias e choques culturais dificultavam o apresamento desses povos. Ao mesmo tempo, os jesuítas, que chegaram em missão à colônia brasileira em meados do século XVI, passaram a se opor à utilização dos índios para trabalhos forçados.
Diante dessas dificuldades, o tráfico negreiro possibilitou a substituição da mão de obra indígena pelos africanos escravizados. A escravidão africana, os latifúndios e a monocultura de exportação passaram a ser as bases do sistema que ficou conhecido como plantation. Esse quadro é fundamentalpara entendermos o funcionamento do engenho e como essa dinâmica atingiu diretamente a estrutura social que se formava na colônia.
Existiam, basicamente, dois tipos de engenho, entendidos aqui não apenas como um instrumento de moenda da cana-de-açúcar, mas como uma unidade produtiva: os engenhos reais, movidos a água; e os trapiches movidos por tração animal. Eram compostos pela casa-grande,onde morava o dono da grande propriedade, conhecido como senhor de engenho, e sua família; a senzala, onde ficavam os escravizados; a casa de engenho, onde era feita a moagem; a capela, onde as atividades religiosas eram exercidas; e a propriedade agrícola,onde estavam os canaviais, pastagens e terras dedicadas ao cultivo de alimentos.
Nos engenhos eram produzidos também destilarias para a fabricação da cachaça brasileira, que era utilizada, inclusive, como escambo entre os escravizados. As terras para cultivo eram divididas também entre as que o próprio dono das terras explorava e as chamadas fazendas obrigadas, em que o proprietário da terra cedia o cultivo a um outro lavrador, que, em troca, pagava uma espécie de aluguel pela terra mais metade da sua produção de açúcar. Existiam também os lavradores livres, que cultivavam em suas próprias terras, porém, por não possuírem o engenho propriamente dito, moíam a cana em outro lugar, deixando a metade de sua produção com o dono.
 
Crise do ciclo do açúcar
Desde o século V, os holandeses desempenhavam um importante papel no refino do açúcar e distribuição para países europeus. Boa parte dos rendimentos obtidos com o comércio do açúcar ficava com os holandeses, por serem eles os responsáveis por esse processo de comercialização. Há indícios, inclusive, de que houve investimentos holandeses para a instalação de engenhos no Brasil Colônia. Havia, portanto, uma colaboração entre portugueses e holandeses no comércio açucareiro.
Contudo, em 1580, o rei de Portugal, D. Sebastião, desapareceu durante uma batalha contra os mouros no Norte da África, criando uma profunda crise política, que resultou na Guerra de Sucessão Portuguesa(1580-1583) e também na União Ibérica, na qual os reinos de Portugal e Espanha foram unificados com Felipe II como monarca.
Embora Portugal mantivesse uma relação comercial estável com os holandeses, essa relação não se sustentava com os espanhóis. A crise diplomática agravou-se ainda mais após o rei Felipe II tentar acabar com a participação dos holandeses na economia açucareira do Brasil. Como retaliação, os holandeses decidiram invadir a colônia portuguesa, dando início às incursões que ficaram conhecidas como invasões Holandesas.
Em 1637, os holandeses conseguiram estabelecer-se na Capitania de Pernambuco, controlando a produção de açúcar na região. Entre 1645 e 1654, com a Insurreição Pernambucana, os portugueses retomaram o território, expulsando os holandeses das terras brasileiras.
Assim, os holandeses dirigiram-se para o Caribe, com o objetivo de instalar as técnicas de produção de açúcar na região e diminuir a dependência em relação ao açúcar brasileiro. Em seguida, durante o século XVII, os franceses e os ingleses reproduziram a iniciativa holandesa no Caribe, fazendo com que o açúcar brasileiro perdesse significativamente a sua competitividade.
Diante das dificuldades que a economia açucareira passou a sofrer no Brasil, outro acontecimento acabou por minimizar a importância do cultivo da cana-de-açúcar no Brasil: a descoberta do ouro, no final do século XVII. Dada a importância do metal como reserva de valor, sobretudo no mercantilismo, a produção do açúcar, longe de acabar, deixou de ter a importância de outrora, dando início, portanto, ao Ciclo do Ouro.
 
Ciclo do Ouro 	PAREI AQUI
 
O ciclo do ouro, também referido como ciclo da mineração e corrida do ouro, diz respeito ao período da história brasileira em que a extração e exportação do ouro dominou a dinâmica econômica do Brasil Colônia. O ciclo vigorou com força durante os primeiros 60 anos do século XVIII, altura a partir da qual a produção de ouro começou a decair devido ao esgotamento progressivo das minas da região explorada, que compreende os atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
 
 
Os bandeirantes descobrem o ouro
 
Quando chegaram ao Brasil, os primeiros exploradores portugueses buscavam ouro e metais preciosos, pois acreditava-se que os havia no seu território. Mas, no início e durante os primeiros dois séculos de ocupação portuguesa, as excursões pioneiras no litoral e interior do país não trouxeram muitos resultados, ainda que estas riquezas abundassem em várias zonas do Brasil, como mais tarde se viria a descobrir.
No fim do século XVII, a prosperidade dos engenhos açucareiro das colônias holandesas, francesas e inglesas da América Central fez a produção de açúcar no território brasileiro enfrentar uma séria crise. Foi então que a Coroa Portuguesa começou a estimular os seus funcionários e a população da colônia, principalmente a do Planalto de Piratininga, atual cidade de São Paulo, a desbravar as terras ainda desconhecidas em busca de minerais preciosos, nomeadamente ouro.
Muitos exploradores morreram à procura de jóias e pedras preciosas, tal como o bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que morreu em 1681 à procura de esmeraldas. Finalmente, nos últimos anos do século XVII, os primeiros exploradores descobriram esse tipo de riqueza no Brasil.
Foi nos sertões de Taubaté que, em 1697, se deu a primeira grande descoberta, consistindo em "dezoito a vinte ribeiros de ouro da melhor qualidade", conforme anunciou o então governador do Rio de Janeiro, Castro Caldas. Em janeiro deste mesmo ano, a Coroa havia enviado uma Carta Régia ao governador Arthur de Sá onde se comprometia com uma ajuda de custos à busca pelos metais preciosos de 600 000 reais por ano e onde se dizia que se dariam aos paulistas beneméritos "as mesmas honras, e mercês de hábitos, e foros de fidalgos da Casa", desde que encontrassem e explorassem as lavras auríferas. Foi o início da primeira "corrida ao ouro" da história moderna . Em 1719, a bandeira de Pascoal Moreira Cabral descobriu ouro em Mato Grosso. Em 1725, foi descoberto ouro na Vila Boa de Goiás. O suprimento de homens e mercadorias para essas regiões passou a se dar através das monções.
 
Os emboabas também querem enriquecer
 
Como era de se esperar, a notícia da descoberta se espalhou rapidamente. Isso fez com que uma quantidade enorme de aventureiros se deslocasse para a região em que o metal havia sido encontrado. Esses aventureiros, em sua maioria vindos de Portugal e de outras regiões do Brasil, passaram a ser chamados de emboabas. A presença de tais grupos gerou atritos com os paulistas (bandeirantes e seus descendentes) e engendrou brigas pela posse das jazidas.
Entre os emboabas que vieram de outras regiões da colônia, destacam-se os nordestinos. No Nordeste, como dito anteriormente, a plantação de cana de açúcar estava em decadência. Ninguém conseguia enriquecer e se destacar na sociedade, excetuando-se os poucos senhores de engenhos. Quanto aos que vieram de Portugal, seu fluxo emigratório era tão intenso que, em 1720, o rei dom João V criou uma lei para o controlá-lo. Passou a se fazer a vigia e vistoria dos navios "da Repartição do Sul" dirigidos ao porto do Rio de Janeiro, e acabaram por serem adotadas as licenças especiais e o passaporte em 1709 como uma maneira de diminuir o fluxo dos aventureiros.
Os emboabas se espalharam, e, nas povoações já formadas, eram tão numerosos quanto os bandeirantes que vinham de São Vicente e do planalto do Piratininga. Os crimes aumentaram muito, e imperava a lei do mais forte. A população andava armada, as menores discussões se transformavam em conflitos, que deixavam mortos e feridos. No restante da colônia, tinha se instalado o caos. Cidades inteiras eram abandonadas por pessoas que saíam em busca de ouro nos garimpos. Plantações de cana de açúcar foram abandonadas. Houve considerável aumento no preço dos escravos, animais e víveres. Inúmeros povos indígenas foram extintos.
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