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Design Tipográfico Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Me. Elisa Jorge Quartim Barbosa Revisão Textual: Prof. Me. Claudio Brites Introdução à História do Design Tipográfico • Introdução; • Desenvolvimento da Comunicação Escrita; • Tipografia e Imprensa na Renascença; • A Tipografia e a Industrialização; • A Tecnologia Digital. · Contextualizar a evolução da forma da escrita na comunicação e o seu desenvolvimento tecnológico de reprodução. OBJETIVO DE APRENDIZADO Introdução à História do Design Tipográfi co Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Introdução A evolução da humanidade deve-se principalmente ao registro de sua história na forma da palavra escrita. Parte da história de sociedades sem esse registro se perde- ram e acabaram sendo esquecidos, e apenas após o registro e a distribuição dessas informações é que permitiram o desenvolvimento de nossa sociedade atual. Esta unidade apresentará esses primeiros registros e o seu processo de desen- volvimento, forma e difusão da palavra escrita. Desenvolvimento da Comunicação Escrita Primeiras Sociedades de Escrita O estudo da comunicação escrita é, de certa forma, sinônimo do estudo da histó- ria da civilização. Nos tempos pré-históricos, antes que os sistemas de escrita fossem desenvolvidos, não havia registro da história. O conhecimento dos eventos passados era comunicado oralmente de geração a geração. É possível que, se os registros escritos nunca tivessem existido, a história do mundo poderia ser condensada na relevância do que um ser humano pudesse memorizar. Muitos acreditam que os desenvolvimentos tecnológicos da socieda- de não teria sido possível sem a comunicação escrita. As letras e a tipografia (estilo, arranjo e aparência dos caracteres) estão direta- mente ligadas à tecnologia de fabricação e aos substratos da escrita (barro, pedra, pergaminho ou papel). Sua aparência e forma refletem as matérias-primas e as habilidades de cada grupo social. Pictografia Picto (referente à pintura) Grafia (escrita). A escrita, como conhecemos, nasce apenas no momento em que se começa a organizar e alinhar os sinais lado a lado; no momento em que temos um encadea- mento lógico e topológico desses sinais, configurando uma intenção clara de trans- missão de uma mensagem completa, estabelecemos um vínculo de comunicação, transmitindo a mensagem do emissor (ou registrador) para o receptor (ou leitor). 8 9 O registro visual, no início, era mais da observação da natureza. Alguns desses registros podem até hoje ser encontrados em cavernas ao redor do mundo. Figura 1 – Registro na rocha do homem (Utah – EUA) Fonte: iStock/Getty Images Pictograma ao Ideograma Para que esses registros antigos possam ser considerados como registros de uma ideia escrita, eles devem fazer parte de um sistema codificado de símbolos padronizados e usados repetidamente de modo consistente e padronizado para representar o mesmo conceito durante um determinado período de tempo. Os sistemas baseados em pictogramas foram os primeiros a representar um pensamento mais complexo e abstrato, emoção, conceitos e ações. Foi o primei- ro passo para o desenvolvimento da maioria das línguas, porém ele não favorecia o seu entendimento e demandava muito tempo para o seu registro. À medida que a comunicação escrita se expandiu, foi necessário que a lingua- gem escrita passasse a expressar uma maior variedade de conceitos. O ideograma é a combinação de dois ou mais pictogramas com o propósito de representar um conceito. Ideogramas, em outras palavras, são pictogramas que representam alguma coisa diferente de seu pictograma original – como o exemplo dos ideogramas chineses: Figura 2 – Evolução da escrita chinesa de Pictograma para o Ideograma 9 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Antigos Sistemas de Escrita, Cuneiformes dos Sumérios, Hieróglifos Egípcios A origem da palavra está nos gestos do corpo. Registros feitos com tintas de plantas e minerais se perderam com o tempo. A busca por preservar os escritos ao longo do tempo fez com que o ser humano encontrasse novos processos e ma- teriais de registro em substratos mais duráveis. Inicialmente na argila encontrada nas margens do rio Nilo no Egito, ou em rochas nos registros sumérios, produzin- do ferramentas que pudessem cavar suas camadas mais superficiais, podendo a informação ser preservada por gerações. Esses registros, devido à sua complexidade, eram produzidos por homens al- tamente qualificados, os escribas. Esses registros ficavam limitados aos assuntos políticos da época ou de motivo religioso, se limitando aos interesses de uma pequena parte da população. A escrita cuneiforme requeria ser decifrada para se pudesse compreendê-la, não era identificada intuitivamente. Os primeiros registros escritos foram encontrados na Suméria, no Egito, na China e na Índia. Figura 3 – A escrita cuneiforme data de cerca de 3200 a.C. Fonte: iStock/Getty Images Figura 4 – Os hieróglifos datam de cerca de 3000 a.C. no Egito Fonte: iStock/Getty Images Figura 5 – A escrita chinesa data de cerca de 1800 a.C. Fonte: iStock/Getty Images A introdução da escrita permitiu que essas culturas rapidamente desenvolves- sem organizações sociopolíticas mais complexas, pois proporcionou o registro de códigos de leis, história, literatura, filosofia, medicina, matemática, descobertas científicas e práticas religiosas. 10 11 As Letras durante o Império Romano – Escrita Latina As letras que utilizamos de forma comum no mundo ocidental desenvolveram- -se desde o Império Romano e ao longo de seu declínio, entrando na Idade Média e indo até a Renascença. O alfabeto romano, considerado como a versão mais antiga e conhecida de nosso próprio alfabeto atual, derivou do alfabeto grego via os etruscos ao norte de Roma. Durante a ocupação militar e a expansão do Império Romano, o alfabeto foi espa- lhado pela Inglaterra, Espanha, pelo Egito e Golfo Persa. Essas letras foram geradas diretamente sobre as formas da caligrafia utilizada nesse período e um alfabeto único era essencial para a manutenção política do Império. Durantea Idade Média, as letras se desenvolveram em duas direções gerais: 1. Grupo de letras com estilos similares e infl uência celta, os quais depois foram unifi cados no reinado de Carlos Magno; 2. Estilo gótico, ramifi cando-se simultaneamente nas letras rotunda, textu- ra, bastarda e vários estilos humanísticos. Um belo exemplo da estrutura e força das letras romanas, compostas somente de capitais ou maiúsculas, é a inscrição na base da Coluna de Trajano em Roma, gravada por volta de 114 d.C. Figura 6 – As letras Capitalis Quadrata gravadas em cerca de 114 d. C. na coluna de Trajano ilustram as formas equilibradas com precisão e de boa proporção do alfabeto romano Fonte: Wikimedia Commons A maioria dos documentos romanos era escrita em superfícies que eram depois conservadas na forma de rolos. Os rolos eram construídos de papiro. O papiro era frágil demais para ser dobrado em páginas, por isso os documentos mais extensos eram enrolados na forma de cilindros para armazenagem e transporte. Figura 7 – Rolo de papiro, Museo dal papiro (Siracusa). Foto de Giovanni Dall’Orto Fonte: Wikimedia Commons 11 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Uma forma primitiva de livro foi conhecida como o códex ou códice. Esse consistia de duas placas revestidas de cera unidas ao longo de um dos lados. Para escrever na cera macia, era usada a extremidade pontiaguda de um estilete cuja outra ponta, que era chata, era usada para apagar. Versões posteriores do códex incorporaram o pergaminho (feito de pele de animais) que podia ser usado em ambos os lados. O pergaminho podia ser dobrado e costurado. Figura 8 – O Codex Gigas (Livro Gigante) é o maior manuscrito medieval existente do mundo, com 92 cm de comprimento. Também é conhecida como a Bíblia do Diabo por causa de um retrato muito incomum de página inteira do diabo e da lenda que cerca a sua criação Fonte: Wikimedia Commons Idade Média Seguindo-se à queda do Império Romano em 476 a.C., os centros da civi- lização foram saqueados e a sociedade ocidental caiu no que foi chamado de Idade das Trevas. Foi instituído aí o feudalismo, um sistema econômico em que os servos ou escravos trabalhavam para enriquecer o senhor em troca de pro- teção. A igreja cristã romana emergiu como uma força unificadora na Europa, com o inquestionável poder do clero. Foram estabelecidos mosteiros isolados para ordens religiosas, assim o aprendiza- do e as cópias de textos religiosos eram limitados a determinadas áreas geográficas. Cópias dos textos em papiro eram feitas em pergaminho, sendo possível sua sobrevi- vência até os tempos atuais. Esses manuscritos em pergaminho revelam os diferentes estilos regionais de letras que se desenvolveram na era medieval. 12 13 Figura 9 – As ordens monásticas eram responsáveis pela conservação dos textos antigos por meio de cópias que preservavam e disseminavam o conhecimento. Muitas vezes, homens nascidos em baixo status social entravam para uma ordem religiosa para terem a oportunidade de educação e respeito social Fonte: Wikimedia Commons Com o desenvolvimento do papel na Europa, o livro tornou-se mais barato du- rante a Idade Média, quando foi descoberto que o papel poderia ser fabricado com trapos de panos e fibras de plantas, criando uma alternativa para o dispendioso per- gaminho. O baixo custo do papel permitiu a produção mais rápida e mais econômica dos livros. A crescente classe média estava se tornando mais letrada e podia agora adquirir livros. Logo o papel feito de trapos se tornou disponível em toda a Europa. No início do século XV, havia surgido a letra negra gótica, conhecida como Textura, e a letra Rotunda. Rotunda (também referida como Mão Humanística ou Littera Antiqua) era um estilo mais aberto e redondo, que foi o preferido na França e na Itália. A letra negra gótica continuou popular nas áreas germânicas até os anos 1900. Figura 10 – Letra negra gótica, conhecida como Textura Fonte: Wikimedia Commons Figura 11 – Letra gótica rotunda Fonte: Wikimedia Commons Esses estilos tornaram-se modelos com as primeiras experimentações com os tipos móveis e a imprensa. 13 Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Tipografia e Imprensa na Renascença O Início da Imprensa A economia que mudava e a estabilidade política que emergia no final da Idade Média fomentaram o crescimento das cidades. A crescente complexidade da orga- nização social estimulava o desenvolvimento de grupos de artesãos e das redes de comércio de troca. Foram fundadas universidades nas cidades burguesas, e estudantes foram atraídos para esses centros de conhecimento, arte e cultura, iniciando o período da Renascen- ça. Nesse período, houve o ressurgimento do interesse pelo pensamento antigo grego e romano, o que levou ao movimento filosófico conhecido como Humanismo. Conse- quentemente, houve o aumento da demanda para a leitura dos antigos textos e, para tal, o processo de registro desses textos precisava se desenvolver. Sistema de Gutenberg – Tipos Móveis É creditado a Johann Gutenberg o desenvolvimento do tipo móvel e reutilizável. Gutenberg foi artesão e fundidor de metais. Ele juntou-se ao ourives Johann Fust, que concordou em assumir o custo dos experimentos que Gutenberg realizava, desde que depois tivesse o dinheiro de volta, ficando com o todo o lucro final do seu projeto. Gutenberg adaptou uma prensa que originalmente era usada para esmagar uvas na fabricação de vinho. Desenvolveu um método de fundir tipos de metal em peças únicas que variavam na largura, porém mantinham uma altura constante. Desenvolveu uma rama para prender os tipos em suas posições no leito da prensa de impressão. Figura 12 – Tipos de metal prontos para o uso Fonte: Wikimedia Commons Figura 13 – Rama ou caixilho de paginação, uma moldura retangular de ferro onde as páginas ou colunas eram compostas Fonte: Wikimedia Commons 14 Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce 15 Finalmente, formulou tintas com a consistência certa para serem usadas com os tipos fundidos em chumbo e aperfeiçoou técnicas de registro (o alinhamento preciso de tipos e imagens), para impressões acuradas e limpas, bem como para manter as margens da página impressa sem manchas de tinta. A inovação de Gutenberg foi a produção de caracteres individualizados e reutili- záveis em vez de fundir a página inteira em uma única peça sólida. O processo de impressão requeria que Gutenberg fundisse cada peça de tipo na exata espessura para o entintamento e na exata altura, de forma que eles ficassem todos alinhados em uma linha de base, mas também que ele encontrasse um meio de fundir dife- rentes larguras para acomodar diferentes espaços horizontais de letras – desde uma letra “i” em caixa baixa até uma “M” em caixa alta. Figura 14 – Caixa com os tipos móveis Fonte: Wikimedia Commons Os tipos ficavam dispostos numa caixa dividida internamente, formando cai- xas menores (os “caixotins”). A parte contendo os caracteres mais usados (as minúsculas, a pontuação mais comum, os espaços, os algarismos) ficava num plano mais baixo, mais acessível — era a caixa baixa. A parte com as maiúsculas, os caracteres acentuados e sinais e símbolos menos usados ficava no topo — era a caixa alta. Assim, com o tempo, usar a caixa alta passou a significar “escrever em maiúsculas”, enquanto usar a caixa baixa significa “escrever em minúsculas”. Assim, Gutenberg solucionou os detalhes que tornaram a impressão um processo de reprodução viável. 15 Luiz Tiago Realce UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico O Projeto Bíblia A meta de Gutenberg era o de criar uma impressão com letras tão belas como as manuscritas. Para tal, escolheu um exemplar manuscrito da biblioteca do mosteiro de Mainz, cuja caligrafia era a letra Textura – uma letra fortemente condensada e angulosa. Figura 15 – O patrimônio universal, produzida na primeiraprensa de tipos móveis, a Bíblia de Gutenberg, conservada na Biblioteca Nacional da França Gallica (BnF). Restam apenas 48 exemplares e ela pode ser consultada on-line Fonte: Wikimedia Commons A Bíblia impressa por Johannes Gutenberg é o símbolo-chave de um momento de transição da história humana. A sua invenção, a imprensa, provocou uma revo- lução: a propagação do “conhecimento para todos”. O aperfeiçoamento da prensa de imprimir, a inovação do tipo móvel (letras indi- viduais, reutilizáveis, fundidas em metal ou gravadas em madeira) e a fabricação de maiores quantidades de papel a baixo custo permitiram o aumento da produção de livros. Esse processo era de custo muito menor do que as edições anteriores, copia- das à mão, permitindo a disseminação mais ampla da palavra escrita. A grande dis- ponibilidade de livros encorajou uma maior alfabetização entre as pessoas comuns. Os livros não eram mais uma exclusividade da nobreza. 16 17 Expansão da Imprensa Inicialmente, as primeiras faces de tipos eram modificações e adaptações dos alfabetos feitos à mão pelos escribas. Conforme o processo de impressão ia se popu- larizando, a aparência dos livros foi se distanciando do modelo manuscrito. Algumas adaptações tinham que ser feitas para maior economia e aproveitamento de tinta e papel. Tipos começaram a ser desenhados especificamente para os livros impressos – com desenhos de letras menores, porém mais legíveis. Com isso, os livros ficaram mais compactos e requeriam menos materiais, o que os tornava mais acessíveis. À medida que a atividade da imprensa se espalhava, as tipografias locais come- çaram a preferir os caracteres tipográficos locais, em vez do gótico Textura. Jenson na Itália Nicolas Jenson foi enviado em 1458 pelo rei francês Charles VII a Mainz, para aprender o segredo da impressão mecânica com tipos móveis de Johannes Gutenberg, sendo o seu aprendiz. Quando regressou da Alemanha, em posse do novo saber, o descendente de Char- les VII já não manifestou qualquer interesse pelo assunto. Assim, decidiu levar o seu conhecimento para a Itália. Por volta de 1455, Jenson desenvolveu um novo tipo metálico de romanas combinando a tecnologia alemã com a estética italiana. O grande feito tipográfico do franco-veneziano Nicolas Jenson foi a realização em chumbo de um alfabeto misto. Ele harmonizou letras de proveniências diferentes. As maiúsculas lapidares da Capitalis Quadrata foram complementadas com minúsculas humanistas. Figura 16 – Jenson desenvolveu os primeiros caracteres tipográfi cos romanos puros, caracterizados pelo contraste da haste mais espessa com traços extremamente fi nos; as serifas eram bruscas e solidamente ligadas, com uma ênfase oblíqua. Esse estilo tipográfi co fi cou conhecido como Old Style ou Estilo Antigo Fonte: Wikimedia Commons 17 Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Aldus Manutius como Publicador No início dos anos 1490, na época das viagens de Cristóvão Colombo para a América, o estudioso e professor italiano Aldus Manutius visualizou livros impres- sos de baixo custo como meio de tornar disponíveis a estudantes antigos manuscri- tos, bem como um meio de fazer dinheiro. Seu empreendimento comercial mudou a conceituação dos livros. Ele imprimiu li- vros menores, facilmente portáteis, para que as pessoas pudessem ler individualmente para si mesmas. O design dos livros de Manutius tomou uma estética mais moderna. Figura 17 – Livro projetado e impresso por Aldo Manúcio (ou Aldus Manutius) Fonte: Wikimedia Commons Aldus Manutius trabalhou com Francesco Griffo para desenvolver o primeiro tipo itálico em 1506. Manutius descobriu que os caracteres itálicos eram bem mais estreitos que os caracteres romanos e passou a compor livros inteiros com a versão itálica para economizar espaço, outra vez procurando manter o custo da produção de livros o mais baixo possível. Claude Garamond Assim como as formas anteriores de escrever tiveram influência e evoluíram a partir dos instrumentos e materiais utilizados, Claude Garamond percebeu que a palavra impressa dependia do metal e de suas limitações. Por isso projetou letras que levavam em consideração o processo de impressão, deixando de imitar as for- mas tradicionais das letras manuscritas, tornando-as mais refinadas, acuradas e consistentes ao que o metal possibilitava. Ele foi o primeiro a estabelecer um ne- gócio exclusivamente para fundir letras e as vender para as oficinas de impressão, separando a fundição dos tipos da ofici- na de impressão. Figura 18 – Prova dos tipos de Garamond Fonte: Wikimedia Commons 18 Luiz Tiago Realce Luiz Tiago Realce 19 Garamond talhou um caractere tipográfico baseada no desenho da Aldus Romana. Esse tipo em estilo antigo, ampla e prontamente aceito, foi usado na Europa quase que exclusivamente por 200 anos. Com a combinação simples e cuidadosa das letras em formas clássicas e legíveis, o tipo proporcionava um espaçamento entre palavras mais apertado que resultava em uma tonalidade visual mais uniforme quando impresso. Designer de Tipos, Romain du Roi – Rei Luis IV Já nos séc. XVII, a criação de desenhos de fonte ganha maior importância. No ano de 1692, realiza-se a primeira abordagem científica do design de tipos. A Academia Francesa de Ciências, por determinação de Louis XIV, desenvolve uma fórmula geométrica para tipografia. Um comitê formado por matemáticos elabora as chamadas Romanas do rei (Romain du Roi). Figura 19 – Um exemplo da fonte Romain du Roi desenhada pela Academia Francesa de Ciências para ser uma fonte matemática e geometricamente perfeita Fonte: Wikimedia Commons A Tipografia e a Industrialização Começ ando no sé culo XVII, a mecanização fez com que a produção de tipos crescesse de forma muito rápida. Na mesma época, foi graças aos impressores que a produção da literatura expandiu os conceitos de livre pensamento e de liberdade, encorajando as revoluções americana e francesa e inspirando outros movimentos políticos. Durante esse período, a tipografia transitou desde caracteres de textos claros, práticos e legíveis até as faces de tipos altamente ornamentadas que apareceram nos primeiros anúncios de propaganda da era vitoriana. 19 Luiz Tiago Realce UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Industrialização Para atender às necessidades do crescente setor de produtos manufaturados, os anúncios tornaram-se predominantes. Tipos inusitados em formato display apareceram para ser usados em cartazes, papéis de carta, catálogos, tabelas de horários, cartões postais e outras necessidades de uma economia voltada para a fabricação e para o marketing. Figura 20 – Esse cartaz dos EUA usa vários tipos diferentes para maximizar o tamanho das letras para preencher todos os espaços Fonte: Wikimedia Commons Esses enormes títulos eram talhados em madeira, material mais leve e menos dispendioso em comparação se fosse fundido em chumbo. Figura 21 – Blocos de tipos de madeira para títulos Fonte: Wikimedia Commons 20 21 A ascensão da propaganda no século XIX estimulou a demanda por letras em grande escala, que pudessem chamar a atenção no ambiente urbano. Esse universo da propaganda demandava a utilização de letras com desenhos fora do comum, para compor principalmente pôsteres, catálogos, etiquetas, embalagens. O ano de 1886 marca a evolução da tipografia, com o Linotipo (ou Linotype), inventado por Otto Mergenthaler. Conhecida originalmente como composição de tipos à quente, cada letra era fundida em chumbo, derretido e colocada em um compositor, sendo possível compor uma linha inteira de texto. Cada letra era batida no teclado da máquina, sendo imediatamente fundida e integrada na com- posição de colunas e de páginas. O mé todo de composiç ã o à quente de Mergenthaler era dez vezes mais rá pido do que a composiç ã o manual. A grande limitaç ã o da má quina linotipo era o es- pacejamento entre as letras; erapossí vel o ajuste, poré m demandava a marcaç ã o especial no teclado por parte do operador durante o processo. Figura 22 – Ilustração de 1904 apresentando o sistema da Linotipo Fonte: Wikimedia Commons Figura 23 – Slug (linha de chumbo composta em Linotipo) Fonte: Wikimedia Commons O aumento de produtividade permitiu que os jornais produzissem mais exempla- res a preç o mais baixo. Levando menos tempo na sala de composiç ã o, os jornais eram impressos mais cedo e ediç õ es na hora oportuna tornaram-se rapidamente disponí veis para o pú blico geral Pouco depois, por volta de 1870, ganhou força a litografia (gravura em pedra), especialmente para impressão de pôsteres que utilizavam grande quantidade de fontes display. 21 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico A influência estética da era vitoriana e o movimento Arts and Crafts fluíram em conjunto para criar o movimento Art Nouveau. Baseado em linhas graciosas, sinuosas e curvas e em imagens femininas jovens e esbeltas, o estilo frequente- mente se manifestava nos cartazes. Demonstrava também um renovado interesse pelas letras desenhadas à mão, uma vez que elas podiam ser facilmente incorpo- radas nos trabalhos impressos com o uso da litografia em pedra. Figura 24 – Poster impresso em litografia de Alphonse Mucha Fonte: Wikimedia Commons Figura 25 – Pedra usada para a Litografia Fonte: Wikimedia Commons Arts and Crafts William Morris, líder do movimento Arts and Crafts, quis reafirmar a prima- zia da qualidade do trabalho manual sobre a máquina industrial. Condenou o sistema industrial de seu tempo e resgatou os sistemas da Idade Média, quando “cada homem que fabricava um objeto fazia ao mesmo tempo uma obra de arte e um instrumento útil.” Ele teve uma profunda influência nas artes visuais e no desenho industrial dos fins do século XIX. Sobre o desenho tipográfico, Morris propagava: letras devem ser desenhadas por artistas, e não por engenheiros. Em 1890, resgatou a tipo- grafia de Nicolas Jenson como forma de criticar a produção industrial e os abusos dos cartazes comerciais. Ele editou autores clássicos, sendo mais conhecida a obra- -prima The Works of Geoffrey Chaucer. 22 23 Figura 26 – The Works of Geoff rey Chaucer, ilustrado com xilogravuras segundo desenhos do artista Burne-Jones e impressa na Kelmscott Press em 1896, ano de sua morte Fonte: Wikimedia Commons Para desenhar e imprimir essas obras, Morris estudou em detalhe, entre outros, as iniciais e as bordes (bordas ornamentais) de Peter Löslein e Bernhard Maler, ar- tistas que trabalharam para o prototipógrafo alemão Erhard Ratdolt (1474-1484). Bauhaus O design da década entre as guerras mundiais foi muito variado, e muitas das diferentes influências na arte mundial resultaram em designs tipográficos equivalen- tes. As ideias de Art Dé co, futurismo, construtivismo, Art Nouveau, suprematis- mo, impressionismo, expressionismo, cubismo, De Stijl, surrealismo, Jugendstil, dadaísmo, realismo social e Bauhaus coexistiam nos círculos da arte e do design na Europa. É difícil estabelecer uma linha de tempo, porque muitas delas estavam simultaneamente em voga. A Bauhaus, uma escola germânica de design, foi fundada depois da I Guerra Mundial. O trabalho e as pesquisas dos professores e estudantes se baseavam em novas ideias sobre a composição a partir das influências estéticas e tecnológicas da época. Sua filosofia dizia que a forma segue a função, onde “menos é mais”. A Bauhaus ensinava que o design “limpo” e o uso de materiais de boa qualidade resultavam em “bom design”. A meta era conseguir um espaço ou um objeto bem projetado que pudesse ser manufaturado usando a tecnologia industrial da época, sendo assim uma oposição direta à filosofia do movimento Arts and Crafts. 23 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Moholy-Nagy, que, antes de integrar o corpo docente da Bauhaus, já se havia familiarizado com a obra do construtivista El Lissitzy, criou uma inconfundível ima- gem visual para a escola usando formatos de letras simples, cores fortes, composi- ções intrigantes de fotografia e texto. Letras avulsas, vogais e consoantes, eram isoladas e tratadas como elementos de composição. Uma abordagem tipográfica séria, mas que continha um elemen- to quase teatral. Figura 27 – Folha de rosto de Staatliches Bauhaus Weimar, László Moholy-Nagy (1923) Fonte: Wikimedia Commons Quando a escola foi fechada, muitos dos instrutores emigraram para os Estados Unidos e continuaram a ensinar, onde influenciariam muitas gerações de artistas, designers e arquitetos. Estilo suíço O International Styl designa a expansão da Escola Suíça por todo o mundo. Esse movimento teve adeptos na Alemanha, nos EUA, na Ásia e em muitos outros países e regiões. O estilo demandava uma renúncia à exteriorização de sentimentos pessoais e subjetivos, ou às técnicas propagandísticas de persuasão da publicidade comer- cial. Müller-Brockmann, mentor do Estilo Suíço, alinhou-o pela vereda da “des- personalização” do design. O universalismo do Estilo Internacional fez repetir continuamente os mesmos padrões. Quase todas as agências de comunicação forneciam um trabalho indistinto e entediante. A fonte Helvetica era muito usa- da nessa época. 24 25 Figura 28 – Helvetica é uma fonte tipográfi ca sem serifa considerada como uma das mais populares ao redor do mundo. Foi criada em 1957 pelos designers Max Miedinger e Eduard Hoff mann. O objetivo do novo design foi o de criar uma tipografi a neutra, clara e sem signifi cados intrínsecos na sua forma, além de poder ser usada em uma gama de sinais. É uma das fontes mais associadas ao modernismo no design gráfi co A Tecnologia Digital Composição a Quente para Composição a Frio A transição do linotipo ou tipo a quente para a fotocomposição ou tipo a frio foi gradativa, mas apenas com a popularização do offset nas décadas de 1960/1970 essa tecnologia passou a ser largamente usada, superando o linotipo. A fotocompo- sição foi designada como “composição a frio”, por oposição à linotipia, chamada de composição a quente. Fotocomposição é a composição tipográfica feita por projeção de caracteres so- bre papel (ou película de filme) fotossensível. Contrastando com o processo mais antigo de usar chumbo derretido para fundir matrizes de tipos, na fotocomposição as nuances dos detalhes tipográficos podiam ser controlados. Sem as dificuldades e limitações da fundição do tipo em metal, tornou-se possível o desenvolvimento de novas fontes tipográficas que antes não podiam ser fundidas em chumbo. Outra técnica de impressão surgida nessa época foi a de letras transferíveis (transfer), que era prática e acessível, embora limitada a pequenas sequências de texto. Adquiriu especial popularidade a empresa Letraset, cujas lâminas fo- ram largamente usadas por designers e publicitários. Enquanto os papéis de impressor e designer gráficos eram geralmente pratica- dos pela mesma pessoa nos dias da composição a quente, a invenção da compo- sição a frio aumentou a divisão de responsabilidades. Os requisitos tecnológicos da fotocomposição alteraram as responsabilidades do designer no processo de produção de pré -impressão. 25 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico O layout podia ser feito dentro do estúdio no sistema de decalco-composição (paste up), baseado na transferência de letras-autoadesivas através da fricção sob um suporte plano de papel. Possibilitava maior flexibilidade na criação em relação aos processos impressos com os tipos de metal ou madeira, sendo usada dos anos 1960 até os anos 1980. Figura 29 – Letras decalcáveis da Letraset usadas na foto composição. As letras eram transferidas para um papel e usadas principalmente em títulos Fonte: Wikimedia Commons Tecnologia Digital A segunda metade do século XX prenunciou mudanças drásticas na indústria dos tipos. As mudanças na tecnologia tiraram uma arte das mãos de especialistas técnicos para o domíniodo designer. A disponibilidade do computador pessoal nos anos 1980 provocaram mudanças conceituais e filosóficas e uma explosão de design criativo tanto na criação de fontes tipográficas como na composição tipográfica de fontes tradicionais. Ampliou ainda a possibilidade de criação através dos equipamentos técnicos da era da informática. Figura 30 – O lançamento do computador Macintosh em 1984 revolucionou as indústrias de tipos e o design gráfico quando proporcionou a primeira ferramenta digital de uso amigável Fonte: Wikimedia Commons A tipografia passa a ser encarada como arquivo digital, aberta a uma nova gama de possibilidades, como as inteligências computacionais embutidas nas fontes. 26 27 Tipos Digitais Em 1958, a American Bankers Association desenvolveu um conjunto de ca- racteres dos números 0 a 9 mais alguns símbolos para transações bancárias, para impressão com tinta contendo material magnético. Figura 31 – Os caracteres de E-13B desenhados sobre uma grade Fonte: Esteves, 2010 Logo depois, a European Computer Manufactors Association fez um conjunto al- fanumérico completo chamado CMC7, também para impressão em tinta magnética. Figura 32 – Alguns caracteres CMC7 Fonte: Esteves, 2010 Adrian Frutiger, junto com os técnicos da European Computer Manufactorers Association, em 1968, desenvolveu uma família completa de tipos denominada OCR-B, concebida para superar as restrições do OCR-A. A fonte OCR-B ainda é usada atualmente para facilitar a interpretação pelo computador dos caracteres com precisão, e ao mesmo tempo é agradável o suficiente para os olhos humanos. Figura 33 – A fonte OCR-A de 1968 Fonte: Esteves, 2010 A grande evolução no design tipográfico no final dos anos 1980-1990 foi a possibilidade de suavização digital (anti-aliasing) das bordas, possibilitando uma aparência suave ao fazer com que alguns pixels da borda de uma letra apareçam em tons de cinza. Figura 34 Fonte: Acervo do conteudista Os designers April Greiman, Rudy VanderLans e Zuzana Licko agarraram-se avidamente à tecnologia e imediatamente começaram a explorar a nova lingua- gem visual possibilitada pela introdução da tecnologia digitalizada, armando o palco para uma nova era. 27 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Conjunto de três famílias, a Base 12/9 foi criada em 1996 pela tipógrafa Zuzana Licko para orginalmente ser utilizada no site da revista Emigre com o propósito de ter uma família consistente de fontes para a tela e adequadas tam- bém para a impressão. Figura 35 – As famílias Base 12/9 de cima para baixo: Bitmap, Bitmap sobreposto pelo contorno e fonte para impressora Fonte: Esteves, 2010 A partir do surgimento do formato OpenType, em específico, tornou-se possí- vel embutir algumas “inteligências”, como substituições automáticas de determina- dos pares de caracteres de ligaduras, substituições por glifos alternativos para um mesmo caractere, letras caudais, diferentes estilos de algarismos etc. Popularização do Design de Tipos A distribuição comercial de tipos digitais em âmbito internacional fez com que a difusão de tipos de desenho inédito e independente ganhasse grandes proporções. Aumentou a liberdade de criação de tipos de livre inspiração do có- digo Postscript feito para as impressoras. Com isso, aumentou o interesse por formas tipográficas vernaculares. Figura 36 – A fonte Confidential 1992 é inspirada nos carimbos e a Just Lefthand nas letras de mão Fonte: Esteves, 2010 A comercialização dos novos tipos digitais também foi facilitada com a tecnolo- gia. Qualquer designer poderia criar a sua família tipográfica e disponibilizá-la para a venda, podendo ser adquirida em qualquer lugar do mundo. Bem diferente dos tipos pesados de chumbo, os tipos digitais podem ser transferidos instantaneamen- te. Os principais revendedores são: MyFonts, Linotype e ITC. A partir do ano 2000, houve um grande aumento de promoção e fomento da atividade, com o lançamento de livros específicos do assunto e os primeiros livros de autores brasileiros, como o de Priscila Farias e de Claudio Rocha, e também de grandes exposições e congressos sobre o assunto. Além da exposição positiva, empresas começaram a visualizar tipografias pró- prias para suas identidades visuais, feitas sob encomenda. Nessa nova sociedade de renovação permanente, novas oportunidades de pro- jeto tendem a surgir, ampliando cada vez mais o desenvolvimento da tipografia. 28 29 Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Tipocracia https://goo.gl/zGGiY9 Tipografos.net https://goo.gl/JBkFqQ Livros Elementos do Estilo Tipográfico: versão 3.0 BRINGHURST, R. Elementos do Estilo Tipográfico: versão 3.0. 2. ed. São Paulo: Cosac Naify, 2011. Vídeos O DiaCrítico O DiaCrítico é um programa mensal no YouTube apresentado por Diego Maldonado e Érico Lebedenco sobre tipografia nas mais diversas vertentes. https://goo.gl/RxTzJy Graphic Means Trailer do Documentário Graphic Means. https://goo.gl/vKdGg1 Caixa de Letras – Programa Estilo Arte 1 https://youtu.be/IY8Xh_NGugw DiaTipo SP 2014 – Histórias não impressas https://youtu.be/xwHl_ndO4To Filmes Helvetica Helvetica. Produção e Direção: Gary Hustwit, 2007. DVD (82 min). 29 UNIDADE Introdução à História do Design Tipográfico Referências CLAIR, Kate; BUSIC-SNYDER, Cynthia. Manual de tipografia: a história, a téc- nica e a arte. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. Disponível em: . ESTEVES, Ricardo. O design brasileiro de tipos digitais: a configuração de um campo profissional. São Paulo: Blucher, 2010. FARIAS, Priscila. Tipografia digital: o impacto das novas tecnologias. Rio de Ja- neiro: 2AB, 1998. FONSECA, Joaquim da. Tipografia & design gráfico: design e produção gráfica de impressos e livros. Porto Alegre: Bookman, 2008. Disponível em: . LUPTON, Ellen. Pensar com tipos: guia para designers, escritores, editores e estudantes. São Paulo: Gustavo Gili, 2018. LUPTON, Ellen. Tipos na tela. São Paulo: Gustavo Gilli, 2015. PERUYERA, Matias. Diagramação e layout. Curitiba: Editora Intersaberes, 2018. Disponível em: . TIMOTHY, Samara. Guia de Tipografia. v. 1. Porto Alegre: Bookman, 2011. 30