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1 EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS 2 Sumário INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 5 HISTÓRIA DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR ................................................ 7 ASPECTOS LEGAIS ..................................................................................................... 10 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO APH ................................................................... 12 ATENDIMENTO AO TRAUMATIZADO ................................................................... 14 LIDERANÇA NO ATENDIMENTO CRÍTICO ........................................................... 18 INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO NA PRÁTICA ................................................... 19 AUTONOMIA E TOMADA DE DECISÕES ............................................................... 21 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A UM PACIENTE VÍTIMA DE TRAUMA ... 24 CINEMÁTICA DO TRAUMA ...................................................................................... 24 CONCLUSÃO ................................................................................................................ 28 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 29 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criada a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 4 Vídeos de Apoio Visando promover mais um pouco de conhecimento sobre o assunto de EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS, foram selecionados alguns vídeos que deverão ser assistidos antes de inciar a leitura do conteúdo da apostila. Vídeo 1: Avaliação do Paciente no Trauma Disponível em: > Sinopse: o professor André Rodrigues aborda no video do Canal Prepara Enfer- magem, os assuntos pertinentes à avaliação do paciente vítima de trauma. Vídeo 2: Entendendo o XABCDE do TRAUMA Disponível em: > Sinopse: o professor Éder Marques através do video do Canal Prática Enferma- gem, aborda sobre a realização do protocolo XABCDE. No atendimento pré-hos- pitalar, a avaliação do paciente precisa seguir uma sequência rápida, dessa forma o protocolo auxilia os profissionais na hora do atendimento. https://www.youtube.com/watch?v=xKklnKbzZMQ https://www.youtube.com/watch?v=L1wfHsMU0e8 5 INTRODUÇÃO O Atendimento Pré-Hospitalar (APH) pode ser definido como um atendi- mento de emergência realizado, a vítimas de traumas ou em situações clínicas fora do ambiente hospitalar, em que se realiza a estabilização das mesmas no local, seguida de remoção até uma unidade hospitalar capaz de realizar o aten- dimento adequado para situação. O profissional responsável pelo atendimento a vítima de trauma, indepen- dentemente do tipo de acidente ocorrido, deve ser capacitado para realização de todos os procedimentos padrões relativos a este atendimento. A avaliação da vítima para a identificação de uma possível fratura, bem como presença de he- morragias, demanda do enfermeiro um conhecimento prévio sobre a anatomia humana, principais manifestações clínicas apresentadas e a cinemática do trauma. O trauma pode ser derivado de agentes externos podendo ser físicos, quí- micos ou outros, de forma não intencional, no entanto alguns casos podem ser evitados, dependendo de suas variáveis. Acerca do tipo de trauma, é notável que a maior parcela é derivada de acidentes automobilísticos, seguido de golpes, como acidente com arma de fogo, e quedas acidentais. O paciente politraumatizado apresenta uma série de problemas referentes ao seu tratamento, exigindo que o atendimento seja realizado encarando-o como um todo. A alteração mais comum no paciente vítima de politrauma são as he- morragias, classificadas quanto ao tipo de vaso sanguíneo (Arterial, quando o sangramento ocorre em jato, geralmente coloração vermelho-vivo, podendo le- var a óbito em poucos minutos; Venosa, o sangramento é contínuo, de coloração escura, raramente fatal; Capilar, o sangramento é contínuo e discreto, possuindo pequena importância), e a profundidade (Externa, ocorre sangramento de estru- turas superficiais com exteriorização deste, pode ser controlado por meio de téc- nicas básicas de primeiros socorros; Interna, o sangramento tem origem em es- truturas profundas, podendo ser oculto ou se não, as medidas pré-hospitalares básicas de hemostasia geralmente não funcionam). Quanto mais rápido o fluxo da hemorragia menor é o tempo que o organismo suporta a perda de sangue, e mais rápido deve ser atendimento à vítima para locomoção ao hospital. 6 Além de hemorragia o paciente pode apresentar um quadro de infecção, desequilíbrio hidroeletrolítico, acidobásico, térmico e metabólico, edema cerebral e insuficiência renal devido em sua grande parcela a alterações respiratórias e hemodinâmicas significativas. A área de urgência e emergência integra um con- siderável elemento da assistência de enfermagem. Frente a esse cenário, no ambiente hospitalar são ofertados serviços de elevada complexidade e diversi- dade no atendimento a pacientes em situação de risco, como como é o caso dos politraumatizados. A qualidade de uma boa assistência realizada pela equipe de enferma- gem, em principal a que atua na emergência e urgência, auxilia no estabeleci- mento do diagnóstico precoce e no tratamento oportuno para os tipos de lesões dos pacientes politraumatizados, quando presentes. 7 HISTÓRIA DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR Em meados do século XVIII, o médico Barão Dominique Jean Larrey, no período das guerras napoleônicas, nota a exigência de realização de uma assis- tência fora do ambiente hospitalar aos soldados, sendo esta neste cenário, efe- tuada no campo de batalha. Nessa época revelaram-se as conhecidas ambulân- cias voadoras, que eram movidas por cavalos e possuíam como objetivo o ganho de tempo no transporte dos soldados feridos no campo de batalha, sendo intro- duzida a ideia de que os profissionais atuantes deveriam ter treinamento na as- sistência médica, visando garantir o atendimento no lugar do incidente e caso necessário, durante o transporte. Durante o Século XIX, Florence Nightingale, considerada fundadora da Enfermagem, durante a Guerra da Crimeia, prestou assistência aos soldados feridos em hospitais do exército britânico. Por meio de suas observações trouxe novas perspectivas para a saúde, principalmente através da Teoria Ambienta- lista, na qual considerava que o ambiente era fator extremamente influente na recuperação de saúde dos soldados. A SegundaGuerra Mundial foi um período de grande relevância para a assistência ao trauma, devido nessa época os serviços de atendimento as víti- mas politraumatizadas se disseminarem, por meio do início do tratamento dos pacientes que estavam em campo de batalha. Com o passar do tempo, ficou clara a necessidade da elaboração de ser- viços especializados em trauma no nível pré-hospitalar de maneira adequada, na qual, no fim da década de sessenta, originou-se a estruturação dos Serviços Médicos de Emergência. Nos Estados Unidos (EUA) a consolidação dos Serviços Médicos de Emergência-SME modernos, ocorreu no ano de 1966, expondo por meio da di- vulgação de um estudo da Academia Nacional de Ciência/Conselho Nacional de Pesquisa (NAS/NRC) intilulada “Accidental Death and Disability: The Neglected Disease of Modern Society” (Morte e Deficiência por Acidentes: uma doença ne- gligenciada pela sociedade moderna), que os serviços de APH no país estavam inadequados, auxiliando na evolução de um sistema de assistência formal aos 8 pacientes lesionados em acidentes. Com intuito de centralizar todos os chama- dos de emergência, em 1968, foi criado o número único 911, no qual as emer- gências eram direcionadas para os profissionais da área que conforme os recur- sos, a organização e os protocolos preestabelecidos pelos médicos responsá- veis em cada região, avaliavam a ocorrência da forma adequada e enviavam a equipe. No fim dos anos 70, com a realização do primeiro curso de Advanced Trauma Life Support (ATLS) no ano 1978, iniciou uma nova abordagem relacio- nada ao atendimento a vítimas de trauma, devido este ser reconhecido como doença cirúrgica pela Comissão de Trauma do Colégio Americano de Cirurgiões. Nessa década também, ainda nos EUA, os hospitais de emergência médica, passaram a investir nos profissionais médicos e enfermeiros e socorristas, que atuavam neste setor, melhorando a qualidade da assistência. No Brasil, desde o ano de 1893, já era considerado a realização de aten- dimento das vítimas no local da emergência, fato que demostra que a preocupa- ção com o APH é tão antiga quanto em outros países, no qual o Senado da República aprovou uma lei que estabelecia o socorro médico de urgência nas ruas do Rio de Janeiro, na época, capital do país. Em 1899, o Corpo de Bombei- ros desta, colocava em ação a primeira ambulância, movimentada por tração animal, com o intuito de executar o atendimento, o qual a partir desse evento, é caracterizada a tradição histórica dessa classe profissional a prestação desse serviço. O curso de APH em Trauma foi elaborado em meados da década de 80, após a experimentação de uso do Suporte Avançado de Vida (SAV) no trauma em atendimento hospitalar. Os serviços de APH surgiram no Brasil em diversas cidades com características distintas, na qual a sistematização define-se por meio da influência das escolas de APH instaladas no século XIX como o Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), modelo francês, e Serviço de Emergência Médica (SEM), modelo norte americano, sendo mais predominante no país o último citado. No ano de 1989, em São Paulo, por meio da resolução n°. 042 de 22 de maio de 1989 originou-se o chamado Projeto Resgate, elaborado em união com a Secretaria Estadual de Saúde (SES), através do SAMU-SP, a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o Corpo de Bombeiros e do Grupamento de Rádio 9 Patrulhamento Aéreo, no qual dentro deste encontra-se uma mescla do modelo americano com o modelo Francês. Outro modelo misto, implantado inicialmente em 1990 na cidade de Curitiba, baseia-se no Sistema de Atendimento ao Trauma e Emergências (SIATE), ainda neste ano , o SIATE, reformulou o APH em nível nacional, sendo modelo para a criação do Programa de Enfrentamento às Emer- gências e Trauma (PEET) pelo Ministério da Saúde, com o intuito de conter a incidência e a morbimortalidade por causas externas, através da intervenção nos níveis de prevenção, atendimento pré-hospitalar (APH), atendimento hospitalar e reabilitação. 10 ASPECTOS LEGAIS É notável que os aspectos legais integram uma parte essencial no exer- cício de qualquer profissão. Frente a isto, a falta de uma legislação especifica tornou-se um obstáculo para o progresso do APH no Brasil, de forma que acabou contribuindo para a formação de várias estruturas de atenção pré-hospitalar, cada uma com suas particularidades e sem um padrão nacional a ser seguido. Desde o ano de 1997, os serviços de APH fornecido pelo Corpo de Bom- beiros, começaram a ser discutidos pelos Conselhos Federal e Regionais de Medicina, pois esses serviços não possuíam embasamento técnico considerável para essa atuação. Em, 1998, com intuito de normatizar a atividade médica na área de urgência e emergência no cenário do pré-hospitalar, o Conselho Federal de Medicina lançou a resolução n. 1.529/98. Nos anos seguintes foram elabora- das novas resoluções e portarias através do Ministério da Saúde, sendo que em 24 de julho de 1999 foi criada a portaria n° 824 que normatizava o APH em todo país. No mês de maio de 2001, foi promulgada a portaria nº 737, a qual definiu a política nacional de redução de morbimortalidade, em primeiro de junho do mesmo ano a portaria n° 814 estabeleceu a normatização dos serviços de APH móvel de urgências citando os princípios e diretrizes da regulação médica das urgências. Já em 5 de novembro de 2002 surgiu a portaria n° 2048, regulamen- tando o atendimento das urgências e emergências, e descrevendo as atribuições de cada profissional. No dia 29 de setembro de 2003 são criadas as portarias n°1863 e n°1864/GM, nas quais a primeira instituiu a Política Nacional de Atenção às Ur- gências, que deveria ser implantada em todas as unidades federadas, respei- tando as competências das três esferas de gestão e a segunda instituiu dentro da Política Nacional de Atenção às Urgências, o componente pré-hospitalar, por meio do estabelecimento de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-192) em todos os Municípios e regiões do território. Em relação aos aspectos legais pertinentes para a atuação do enfermeiro, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) com o intuito de garantir amparo legal ao enfermeiro que atua no APH, constituiu diversas resoluções, na qual uma delas, a n° 225, elaborada em 28 de fevereiro de 2000, dispõe acerca da 11 prescrição de medicamentos à distância, pelos profissionais da enfermagem via rádio ou telefone, tornando assim, legal a prática de cumprir prescrições médi- cas. Outra legislação importante é a Lei do Exercício Profissional de Enferma- gem, n° 7498/86, na qual foram estabelecidas as funções privativas do enfer- meiro como, por exemplo, a execução das sondagem vesical de alívio e demora. O COFEN na data de 22 de março de 2011, utilizando de atribuições que lhe são conferidas, estabeleceu como se deve pautar a presença do Enfermeiro no Aten- dimento Pré e Inter Hospitalar, em situações de risco sejam elas conhecidas ou não por meio da da Resolução n° 375 revogando a Resolução COFEN- 300/2005: Art. 1º A assistência de Enfermagem em qualquer tipo de unidade mó- vel (terrestre, aérea ou marítima) destinada ao Atendimento Pré-Hos- pitalar e Inter-Hospitalar, em situações de risco conhecido ou desco- nhecido, somente deve ser desenvolvida na presença do Enfermeiro. § 1º A assistência de enfermagem em qualquer serviço Pré-Hospitalar, prestado por Técnicos e Auxiliares de Enfermagem, somente poderá ser realizada sob a supervisão direta do Enfermeiro. Art. 2º No Atendimento Pré-Hospitalar e Inter-Hospitalar, os profissio- nais de Enfermagem deverão atender o disposto na Resolução CO- FEN nº 358/2009. COFEN (2011) Referente aos aspectos legais, nota-se que aconteceram transformações que favoreceram o profissionalde enfermagem, tanto na regulamentação do APH em todo o país, como no desencadeamento de um posicionamento das entidades da classe. A presença do enfermeiro no atendimento pré-hospitalar é fundamental para o bom andamento da assistência ao paciente vítima de trauma, formando junto com os outros profissionais, uma equipe capacitada para atender as necessidades da população. 12 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NO APH O atendimento pré-hospitalar atualmente no Brasil, se baseia em duas modalidades, sendo elas o Suporte Básico à Vida (SBV) e o Suporte Avançado à Vida (SAV). O SBV deve ser realizado por pessoas treinadas em primeiros socorros estando sob supervisão médica, no qual são utilizadas manobras não invasivas para preservação da vida. Já o SAV, é um o atendimento privativamente realizado por médicos e enfermeiros, devido nesta situação ser necessário o uso de manobras invasivas que demandam maior conhecimento técnico-científico. Dessa forma, o enfermeiro presta assistência direta ao paciente grave sob risco de óbito. Para ocorrer a otimização dos serviços de emergência, se faz necessário que os profissionais estejam capacitados e atendam as particularidades da as- sistência de enfermagem, visando à prevenção, proteção e recuperação da sa- úde. O raciocínio clínico para a tomada de decisões, capacidade física e psí- quica para lidar com situações de estresse, capacidade de trabalhar em equipe e a habilidade para executar as intervenções prontamente são as principais com- petências essenciais ao enfermeiro. O tempo perpassado entre a assistência prestada no acidente e a admis- são hospitalar são fatores pertinentes para redução da morbimortalidade das ví- timas. A primeira hora, conhecida como “a hora de ouro” (golden hour), após a ocorrência de um trauma, é encarada como o tempo crítico para a implementa- ção do tratamento que pode alterar o prognóstico, conceito amplamente disse- minado devido estudos demonstrarem que boa parte das vítimas com lesões graves evoluem a óbito no trajeto entre o local do evento e o hospital ou nas primeiras horas do acidente. Dentro da equipe de APH o enfermeiro é um participante ativo, responsá- vel pela assistência que é prestada as vítimas. Atuando em situações pertinentes à restrição de espaço físico e em diversos ambientes, em situações limite de tempo, da vítima e da cena, em que deverão ser tomadas decisões imediatas, pautadas em conhecimento e rápida análise. No atendimento a inúmeras emer- gências sejam estas traumáticas ou não, preciso aprimorar-se progressiva- mente, mesmo sendo competente. O enfermeiro atuante na área de emergência, constitui-se como centro da equipe de enfermagem, devendo planejar os procedimentos de intervenção, 13 acompanhar o preparo dos equipamentos e coordenar sua equipe. Dessa forma, esse profissional necessita conciliar a capacidade intelectual, as habilidades téc- nicas, a liderança, a iniciativa, a criatividade e a responsabilidade para tomar decisões rápidas e apropiadas. A atuação do enfermeiro no período pré e inter hospitalar vem aumen- tando com o passar do tempo, em grande parte devido a progressiva melhoria da assistência realizada por esses profissionais. É necessário salientar a impor- tância dos conhecimentos teóricos e práticos, que estes profissionais possuem, e que são de grande importância para uma atuação segura e rápida. 14 ATENDIMENTO AO TRAUMATIZADO Nos últimos anos, o perfil de morbimortalidade brasileiro passa por uma transição epidemiológica, se tornando mais evidentes as taxas de mortalidade por trauma, principalmente causadas por acidentes de trânsito. Em contramão, ocorreu uma ascensão do atendimento pré-hospitalar (APH), que tem auxiliado de forma significativa na estabilização do quadro e determinação da complexi- dade de tratamento fundamental às vítimas. Para realizar uma melhor avaliação do doente traumatizado, o profissional capacitado deve presumir possíveis lesões conforme a avaliação da cinemática do trauma. No atendimento pré-hospitalar (APH) a avaliação da cena e das con- dições em que ocorreu o evento, possibilita que se determine uma relação entre o que foi observado e as possíveis lesões reveladas, gerando informações e indicações para as lesões sofridas pela vítima. Os profissionais que atendem um politraumatizado devem se atentar as lesões encontradas na realização do exame físico, e as que não são obvias, pois estas podem ser existentes devido o mecanismo de trauma sofrido. Um profissional qualificado por meio da avaliação da cinemática do trauma, consegue identificar ou prever lesões graves, assim como, realizar o tratamento precoce. As informações também podem ser alcançadas por meio da vítima e testemunhas, no entanto, as observações da biomecânica não necessi- tam postergar o início da avaliação e o atendimento do doente. Na avaliação inicial de um traumatismo craniano devem ser determinados cinco pontos, sendo eles: grau de consciência, respiração, resposta das pupilas ao estímulo luminoso, movimentos espontâneos e sinais externos de lesão in- terna. Em relação aos sinais externos de lesão interna pode-se destacar uma ferida profunda ou irregularidade nos ossos do crânio que levam a crer que existe um afundamento ósseo, um hematoma ao redor dos olhos, hemorragia auditiva, epistaxe ou hemorragia pela boca podem levar ao diagnóstico de fratura da base do crânio. Os enfermeiros atuantes na área de emergência possuem o conheci- mento e as habilidades necessários para a atuação junto a esses pacientes. A assistência exige, frequentemente, a realização de tomadas de decisão em situ- ações não esperadas, envolvendo questões de vida e morte. As prioridades 15 devem ser estabelecidas com rapidez, baseadas em conhecimento e em julga- mento corretos. As decisões tomadas no momento da classificação de risco devem ser rápidas, para que os pacientes recebam assistência adequada o mais breve pos- sível. Possuindo como objetivo comum a restauração da estabilidade hemodinâ- mica do paciente em estado grave. A atuação nessa área demanda do enfer- meiro conhecimento dos princípios e técnicas aplicadas à medicina, à cirurgia, à pediatria, à obstetrícia e à psiquiatria. Huddleston; Ferguson (2013), destacam que as intervenções de enferma- gem interdependentes são exclusivas da enfermagem e incluem a gerência do serviço, as orientações, a classificação de risco e os encaminhamentos, as in- tervenções de enfermagem dependentes são aquelas necessariamente prescri- tas por profissionais de outras áreas de saúde, como, por exemplo, a adminis- tração de fármacos. As intervenções de enfermagem interdependentes são de- terminadas por colaboração multiprofissionais. Em razão da complexidade das situações, da evolução dos conhecimen- tos e da utilização de recursos, é essencial que os enfermeiros do atendimento hospitalar analisem e elaborem novos modelos e práticas de assistência em emergência, englobando o paciente doente em todas as suas esferas (biológi- cas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais). Assim como devem possuir conhecimento dos conceitos para avaliação adequada e a terapia apropriada, utilizando o processo da enfermagem como modelo assistencial para a prática junto ao paciente vítima de trauma. Diversas causas cooperam para cada tipo de lesão traumática. Os acha- dos da avaliação comum e dos exames diagnósticos são utilizados na determi- nação do tipo e da extensão da lesão. O trauma produz uma possibilidade de complicações consideráveis e dano que coloca em risco a vida. As prioridades da assistência de enfermagem no atendimento ao paciente vítimas de trauma, são as seguintes: manter via aérea pérvia; monitorar choque; restaurar o volume de sangue circulantea perfusão tecidual em caso de choque; correlacionar o mecanismo da lesão com a condição clínica do paciente; moni- torar sinais de lesão; restaurar a mobilidade máxima; fortalecer os grupos mus- 16 culares envolvidos na sustentação de peso e na amplitude de movimentos; pre- venir complicações ortopédicas; promover estratégias junto ao paciente para o enfrentamento efetivo da situação e prevenir ou minimizar complicações. Durante a realização da ventilação com o dispositivo Bolsa-válvula más- cara, o paciente deglute ar distendendo o estômago, o que pode causar vômito. A introdução das sondas nasogástricas-SNG e vesical de demora-SVD, são im- portantes procedimentos executados pela enfermagem no atendimento inicial e devem ser realizadas na fase de reanimação. A sondagem gástrica previne o vômito. A realização de sondagem por via nasal é contraindicada em pacientes que apresentem sinais sugestivos de fratura de base de crânio, como equimose, hematoma, edema periorbitário, sangramento pelo conduto auditivo e/ou nasal, hemotimpano, nessa situação deve-se realizar a sondagem orogástrica. A son- dagem vesical possibilita analisar o volume e característica da urina, sendo o débito urinário um indicador da perfusão tecidual e da avaliação macroscópica. No atendimento do paciente vítima de trauma a assistência de enferma- gem deve evitar o comprometimento respiratório e complicações pertinentes à lesão. Assim como avaliar e registrar os sinais vitais, o estado mental, os sons pulmonares e intestinais, o débito urinário, e quaisquer sinais e sintomas que apontem alterações nesses parâmetros, analisar gasometria arterial e monitorar para hipoxemia e desequilíbrio acidobásico, monitorar a saturação de oxigênio, e fazer controle de hemorragias. A realização do diagnóstico de prováveis lesões deve ser realizado pre- cocemente, por meio do exame físico, em que na inspeção observa-se a expan- são da caixa torácica, jugulares dilatadas, desvio da traqueia, frequência respi- ratória anormal e se há presença de movimentos paradoxais. Na palpação in- vestiga-se creptações de arcos costais e enfisema subcutâneo, enquanto a per- cussão pode revelar presença de ar (timpanismo – pneumotórax) ou sangue (macicez – hemotórax). A ausculta pode determinar ausência ou diminuição de murmúrio vesicular. O início do transporte de um paciente traumatizado grave nunca deve ser atrasado para conseguir acesso venoso e repor volume. No caminho para o hos- pital, podem ser inseridos dois cateteres venosos de grosso calibre, iniciando a administração de solução cristaloide aquecida (39°), de preferência Ringer lac- tato. As soluções administradas devem ser aquecidas, auxiliando a prevenção 17 de hipotermia. Em pacientes adultos com suspeita de hemorragia descontrolada no tórax, abdome ou retroperitônio, a terapia com líquidos intravenosos deverá ser realizada. Conforme a RDC 36 no Art. 8º o Plano de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde (PSP), elaborado pelo Núcleo de Segurança do Paciente, deve determinar estratégias e ações de gestão de risco, de acordo com as ativi- dades elaboradas pelo serviço de saúde para: Identificação, análise, avaliação, monitoramento e comunicação dos riscos no atendimento de emergência, de forma sistemática; Integrar os diferentes processos de gestão de risco desenvolvidos nos serviços de saúde; Implementação de protocolos estabelecidos pelo Ministério da Sa- úde; Identificação do paciente; Higiene das mãos; Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos; Segurança na prescrição, uso e administração de sangue e hemo- componentes; Segurança no uso de equipamentos e materiais; Prevenção de quedas dos pacientes; Prevenção de lesões por pressão; Prevenção e controle de eventos adversos, incluindo as infecções relacionadas à assistência de enfermagem; Comunicação efetiva entre profissionais de enfermeiros e paci- ente/família; Promoção do ambiente seguro no pronto atendimento e outros; 18 LIDERANÇA NO ATENDIMENTO CRÍTICO Como supracitado neste estudo, a atuação dos enfermeiros no APH teve início com as grandes guerras do início do século 20, no entanto a atuação do mesmo no Brasil nesta área só começou a ter ênfase nas décadas de 80 e 90, através da estruturação desse modo de atendimento. O serviço de APH engloba ações que intencionam o cuidado e tratamento, historicamente, se constitui numa forma de atendimento multidisciplinar. MARTINS (2004), destaca: O serviço de APH tendo em vista que envolve ações que objetivam o cuidado e tratamento, historicamente, se constitui numa forma de aten- dimento multidisciplinar. Em uma situação de emergência que tem como objetivo final a cura, que pode ser alcançada por meio de trata- mento, esta não poderá realizar-se se não for subsidiada pelo cuidado. Portanto, na assistência pré-hospitalar acredita-se que existem cuida- dos de enfermagem que, sob supervisão, orientação e decisão do en- fermeiro devem ser classificados como sendo simples ou complexos para então ser prestado pelo profissional de enfermagem devidamente capacitado (MARTINS, 2004, p.95-96) O mal súbito é um atendimento relacionado à clínica no qual são encon- trados diversos tipos de ocorrências, como por exemplo crise hipertensiva, e atendimentos relativos à causa externa que levaram ao trauma como queda da própria altura, síncope e embriaguez. É notável que grande parte dos atendi- mentos realizados é referente a causas agudas, traumáticas ou clínicas, e que caso a assistência não for prestada de forma rápida, pode promover enormes danos com a piora do quadro, devido à demora do atendimento. Liderar é saber, administrar, organizar o trabalho em equipe, tendo em vista um atendimento eficiente, pois o líder é o ponto de apoio para a equipe, na educação ou coordenação do serviço, estimulando a equipe para aprimorar de forma plena seu potencial, o que servirá de influencia direta na qualidade da assistência. Nota-se que na realidade do APH, em algumas situações, pode-se encontrar pacientes em ambientes hostis com estado crítico que necessitarão de cuidados imediatos e, dessa forma, saber liderar a equipe em meio a essas dificuldades, se mostra muito relevante nessa área. 19 INFLUÊNCIA DO TREINAMENTO NA PRÁTICA No ambiente pré-hospitalar, a prática de enfermagem não engloba so- mente a competência no assistência ao paciente e habilidade bem treinada, as- sim como capacita o profissional no enfrentamento de desafios que não são vi- sualizados no contexto hospitalar. Atualmente existem diversos cursos como, o Advanced Cardiac Life Support (ACLS) que abrangem treinamentos relativos ao inusitado, possuindo como intuito, treinar o enfermeiro para lidar com situações inesperadas que exigem um alto nível de resolutividade para o cuidado com o paciente. A realização de treinamento vai ter imensa importância na hora do aten- dimento direto à vítima, devido a tomada de decisão em APH necessitar ser rá- pida e acertada, priorizando o tratamento mais eficaz possível com o objetivo de minimizar as sequelas ou evitá-las, garantindo em seguida melhor qualidade de vida. No cenário de atendimento a um paciente grave, sabe-se que não há tempo para aprendizado, dessa forma, é essencial que o profissional possua domínio da técnica, dos equipamentos, dos materiais e seja treinado rotineira- mente, sobretudo em técnicas mais complexas e menos utilizadas no cotidiano. O paciente diversas vezes, se encontra sadio anteriormente ao acidente e, desse modo, despreparado, é o único no qual não se pode ter o controle prévio, no entanto o correto preparo do enfermeiro e manejo do equipamento pode benefi- ciar o cuidado prestado e a avaliação, consequentemente, favorecendo a vítima. Dentro desse contexto,o treinamento é uma maneira de sempre relem- brar os procedimentos e condutas, especialmente, das condições de emergência que não são muito comuns, mas que podem levar ao óbito. O profissional deve possuir consciência de manter-se sempre atualizado o conhecimento teórico e prático, o que vai possibilitar prestar uma assistência mais segura. Vale ressaltar, que a realização de treinamento tende a preservar a agili- dade do atendimento, visto que o profissional devidamente capacitado poderá apontar as ações a serem tomadas, priorizando sempre a melhor conduta, se- quenciando quais os melhores procedimentos a serem executados visando a estabilização precoce do paciente para mantê-lo o mais estável possível até a 20 chegada ao hospital, diminuindo assim o tempo de cena. Fato que pode ameni- zar ou até mesmo impedir sequelas provenientes de lesões mais sérias, melho- rando o prognóstico da vítima, ou até mesmo diminuindo a taxa de mortes pre- coces. De forma geral, nota-se que o treinamento influencia em diversos aspec- tos práticos dos profissionais enfermeiros que atuam no APH, pois possibilita acelerar e orientar a assistência, relembrando as mais variadas condutas e man- tendo a atualização do conteúdo. Fato que pode prevenir a defasagem dos pro- fissionais, mantendo desse modo, a qualidade do atendimento. 21 AUTONOMIA E TOMADA DE DECISÕES O grau de independência ou dependência nas intervenções do profissio- nal de enfermagem está relacionado com a política de educação e das institui- ções e com as ações práticas da enfermagem. Na qual entre as preposições se encontra a criação de protocolos de atendimento, que possibilitam um maior grau de autonomia na atuação do enfermeiro. É necessário salientar que ainda nota-se uma falta de regulamentação referente a protocolos e rotinas a serem executadas pelo enfermeiro no atendi- mento sem presença da figura médica. As propostas existentes no país são em sua maioria originadas de modelos estrangeiros, principalmente norte ameri- cano, no qual o enfermeiro possui uma autonomia distinta da que dispõe no Bra- sil. O que pode-se notar também, em relação a autonomia, é que as ações advindas de protocolos, variam conforme a instituição, e que as condutas se dão a partir dos mesmos, limitando o pensamento crítico nas tomadas de decisão em situações que fogem do protocolo institucional, devido serem adotadas uma con- duta para cada situação específica. Percebendo-se a pouca flexibilidade, visto que nas situações que não se encaixam no protocolo, o que deve ser feito, parte da consulta com o médico regulador. O enfermeiro no APH possui um alto grau de autonomia, no entanto de- para-se com as funções privativas da medicina como prescrição de medicamen- tos e acesso à via aérea avançada, ficando subordinado ao oficial médico da regulação. SOUZA et al. (2009), lecionam: No contexto dos setores de emergência, a atividade de enfermagem exige especialização, experiência administrativa e na área intervencio- nista e contínuo desenvolvimento, o que envolve estudo e atualização frequente, tanto nas técnicas de gestão modernas e nas tecnologias que vem sendo incorporadas rapidamente ao cuidado, quanto na área clínica SOUZA et al. (p. 531. 2009). O grau de autonomia e os fatores que contribuem para a mesma depen- dem do nível de conhecimento apresentado pelo profissional, de modo que 22 quanto maior este, mais seguro o enfermeiro estará durante a avaliação e esco- lhas de condutas, ou na realização de determinado tipo de procedimento. A enfermeiro que possui o domínio do conhecimento científico e o de- monstra no seu dia-a-dia, durante a assistência, possibilita que este seja valori- zado dentro da equipe a qual pode demonstrar mais confiança nas condutas dele. O profissional de APH, apesar das dificuldades, buscam o conhecimento de forma profunda. O exercício eficaz da liderança pelo enfermeiro é essencial para que o mesmo consiga conduzir sua equipe, em um local onde a tomada de decisão deve ser rápida, a assistência à vítima de trauma deve ser sincronizada, demandando do enfermeiro conhecimento científico e competência clínica. WELIBE; GALVÃO (2005), destacam: O enfermeiro é peça chave da equipe responsável pelo atendimento à vítima de trauma, assim sendo, o mesmo deve buscar aprimoramento em relação às habilidades de liderança, como por exemplo, relaciona- mento interpessoal, trabalho em equipe, comunicação, motivação e to- mada de decisão. WELIBE; GALVÃO (p. 33-38, 2005) O profissional de enfermagem mesmo pode se deparar com questiona- mentos, especialmente em situações que ele se encontre na assistência pré- hospitalar e o estado da vítima é emergencial. Situação que exige a realização de determinados procedimentos, como por exemplo a intubação endotraqueal, e não há a presença do profissional médico na cena, no entanto devido à falta de amparo legal, o enfermeiro não o realiza. É necessário salientar, que o amparo legal é essencial no estabeleci- mento da segurança jurídica das ações e relações dos profissionais. Apesar disso, a legislação vigente progride e segue a reboque dos movimentos e an- seios sociais, por meio de uma prática assídua é que surgem projetos de leis e propostas de atualização do ordenamento jurídico dentro do APH. O domínio do conhecimento científico é de extrema importância para a conquista de uma maior autonomia, devido melhorar a credibilidade junto à re- gulação médica auxiliando a romper diversas barreiras que impossibilitam esse crescimento, visto que esse profissional demonstra que está apto a tomar deci- sões e determinar as ações da melhor forma possível. Se faz necessário restaurar uma prática de assistência mais humanizada e acolhedora aos pacientes e familiares nas unidades de emergência e, para esse fim, qualquer ação realizada pelo profissional de enfermagem, por mais 23 curto que seja, possibilita reduzir a aflição tanto do paciente como seus familia- res. Sendo o vínculo, o acolhimento, o diálogo e o relacionamento terapêutico tecnologias que devem integrar a rotina de atendimento de enfermagem. O enfermeiro possui como funções fundamentais, a organização e coor- denação de toda assistência de enfermagem, assim como providenciar todos os recursos materiais e humanos indispensáveis para um atendimento benéfico, ofertando segurança e informação à equipe de enfermagem. Ademais, sua res- ponsabilidade não se limita somente a conhecimentos prévios, mas na constante atualização de assuntos de interesse da sua área de atuação, da mesma forma que no compartilhamento e envolvimento de seus conhecimentos com a equipe de profissionais de saúde. 24 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A UM PACIENTE VÍTIMA DE TRAUMA Os traumas retratam um enorme problema de saúde pública, em razão do aumento estarrecedor de acidentes de trânsito e de trabalho e os casos de vio- lências, provocadas à própria pessoa ou outras, podendo acontecer em qualquer faixa etária e em todos os grupamentos socioculturais. O acidente de trânsito permanece sendo o tipo de trauma mais comum, estimando-se que cerca de 6% das deficiências físicas mundiais são derivadas destes. No Brasil, pesquisas exibem que 31% dos óbitos na faixa etária de zero a dezoito anos de idade são relacionadas a esse tipo de acidente. A vítima de trauma deve ser apontada sempre como paciente de alto risco devido desconhe- cimento das lesões que ocorreram e devido a facilidade de, em curto período de tempo, ter suas funções vitais danificadas. É fundamental que os profissionais da área da saúde unam esforços pertinentes ao atendimento destes pacientes, assistindo-os de forma efetiva e eficaz, em tempo hábil, visandoprevenir ou re- duzir as sequelas e recuperar a pessoa para que assume seu papel familiar e social. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), realizada através do processo de enfermagem, consegue auxiliar na melhoria da assistência rea- lizada às vítimas de trauma. Esse processo é um instrumento metodológico que viabiliza a identificar, compreender, descrever, explicar e ou predizer como os pacientes respondem aos problemas de saúde e processos vitais, determinando que aspectos dessas respostas reivindiquem uma intervenção profissional, im- plicando na presença de alguns elementos que lhes são inerentes. A grande maioria dos traumas fatais tende a apresentar evolução dife- rente quando abordados de forma eficaz nos primeiros minutos após o acidente, principalmente referente à assistência respiratória, ao controle imediato da he- morragia, à imobilização e a remoção. Sendo assim, é fundamental que o enfer- meiro conheça os pontos fundamentais para um atendimento eficaz. CINEMÁTICA DO TRAUMA É extremamente necessário que a enfermeiro leve em consideração de- terminados fatores que colaboram para um ligeiro progresso do quadro clínico 25 das vítimas de trauma, destacando a idade, alergias, medicamentos em uso, patologias associadas e gravidez, líquidos e alimentos ingeridos e o ambiente da ocorrência que constituem a cinemática do trauma. Na avaliação do paciente vítima de trauma, primeiramente deve ser defi- nida a condição atual da vítima por meio da primeira impressão geral do seu estado, e de valores basais para o estado respiratório, circulatório e neurológico da mesma. Posteriormente, de forma ligeira são avaliadas as condições com risco de vida, iniciando-se a intervenção urgente e reanimação. O traumatismo ocorre quando uma força externa, podendo ser provinda de radiação, eletricidade, compostos químicos ou de natureza mecânica, incide sobre um corpo, gerando diversas lesões. É fundamental que o enfermeiro pos- sua um conhecimento prévio acerca do mecanismo de lesão do trauma, para possibilitar que este consiga antecipar e prever as potenciais lesões internas. Os eventos traumáticos estão estreitamente relacionados a três tipos de mecanismos, sendo: Trauma por impacto: geralmente observado em acidentes com veículos motorizados, desportos de contato, pancada ou quedas. As lesões são consequencia de forças suportadas durante desaceleração. Neste caso o corpo para rapidamente e os tecidos e órgãos continuam a deslocar-se para frente. Esta situação provoca lesões que acarretam laceração ou esmagamento da es- trutura interna do organism, sem comprometimento da integridade cutânea. O grau do trauma possui relação com a transferência de energia que provoca a deformação do tecido e a resposta da es- trutura anatômica envolvida. Por exemplo, os órgãos ocos como o estômago, que tendem a ser compressíveis quando uma força é aplicada, possuem menor chance de se romper que os órgãos sólidos, como o baço, devido serem menos compressíveis. Trauma por desaceleração (ou contusão): definido por processo in- famatório em pulmão ou coração no local do impacto, provocando edema e presença de infiltrado linfomonocitário o que irá caracter- izar a lesão. Nesse tipo de trauma, a vítima terá dor local, no en- tanto sem alterações no momento, após o período de 24h, a vítima irá manifestar atelectasia ou quadro similar à pneumonia. No 26 coração, geralmente ocorre uma diminuição na fração de ejeção e quadros de insuficiência cardíaca e arritmias graves). Esse tipo de trauma é muito comum em acidentes automobilísticos e quedas de elevadas alturas. Trauma penetrante: ocorre em agressão por armas brancas, de fogo, objeto pontiagudo ou estilhaços de explosões que penetram a pele afetando as estruturas internas. As lesões tendem a ser ig- noradas, devido o aspecto exterior da ferida não delimitar a exten- são da lesão interior. A estabilização do paciente traumatizado ocorre através da pela inspeção e intervenções relacionadas com a contenção da hemorragia externa grave, ma- nutenção das vias aéreas e proteção da coluna cervical, garantia de respiração e ventilação eficazes, verificação da circulação e sinais de hemorragias internas, estado neurológico e exposição com controle da temperatura (XABCDE). Em seguida deve ser realizada a remoção para uma unidade hospitalar apropriada, realizada por via terrestre, em grande parte das situações, ou por via aérea, em alguns casos. Referente a presença da hemorragia externa grave o enfermeiro deve se atentar a essa situação, possibilitando sua contenção, devido esta ser a causa do maior número de óbitos em traumas, o que é evidenciado através da mudança do protocolo PHTLS (Curso de Atendimento Pré Hospitalar ao Trauma), no qual passou a ser a primeira etapa a ser investigada. A hemorragia pode ser con- trolada através de pressão direta, elevação da extremidade, e pontos de pressão. Relacionado às vias aéreas o profissional deve certificar a permeabilidade das vias aéreas garantindo que não existe perigo de obstrução (elevação do mento e tração da mandíbula). É necessário avaliar se há chances de presença lesão da medula espinhal, devido a possibilidade de lesar a coluna cervical du- rante o procedimento, devendo manter o pescoço em posição neutra. Uma vez que o enfermeiro tenha imobilizado o pescoço para proteger a coluna cervical, deve-se imobilizar toda a coluna da vítima do trauma. 27 Para garantia da respiração e ventilação eficazes, o professional de enfer- magem deve realizar ausculta para confirmer o fluxo de ar nos pulmões, a per- cussão que pode evidenciar a presença de sangue ou ar nos pulmões. Sendo assim, deve-se realizar uma rapida inspeção do tórax, analisando o padrão res- piratório, por meio da amplitude dos movimentos torácicos, e presença de mo- vimentos paradoxais. Na etapa de circulação e controle de hemorragia deve-se identificar sinais de hemorragia interna, assim como realização de monitorização da pressão ar- terial, do pulso, assim como de estase jugular e perfusão tecidual Na avaliação neurológica deve ser utilizada a Escala de Coma de Glas- gow para verificar o nível de consciência do paciente, tendo como parâmetros a abertura ocular, resposta verbal, e resposta motora. O seu escore máximo é de 15, que indica que o paciente não possui nenhum dano neurológico. O valor inferior a 8 aponta uma lesão grave, sendo indicada a realização de intubação da vítima, 9 a 12 lesão moderada, e 13 a 15 lesão mínima. A exposição do paciente é realizada por meio da remoção de suas roupas, fato essencial para localizar todas as lesões. Após esse procedimento todo o corpo da vítima deve ser coberto, visando a conservação da temperatura corpo- ral, devido a hipotermia ser um problema grave na assistência ao paciente trau- matizado. 28 CONCLUSÃO As lesões traumáticas necessitam de atenção especial do enfermeiro em razão do potencial de comprometimento das funções respiratória e circulatória da vítima. Devido ao alto risco de trauma em vários sistemas corporais, o profis- sional de enfermagem deve realizar o protocolo XABCDE em t0das as vítimas. A complexidade das intervenções as vítimas extremamente instáveis, se constitui em elevado risco, e cujas situações de saúde demandam uma aborda- gem sistematizada e coerente, apta a de ser modificada conforme a evolução de cada situação. O enfermeiro deve conhecer e possuir habilidade na avaliação da vítima de trauma, de modo a examinar de forma adequada o paciente e na ausência de um médico, conseguir preservar a vida. Assim como saber reconhecer as necessidades de cada lesão determinando as prioridades de sua assistência, e trabalhando fortemente na prevenção destes traumas, por meio da postura edu- cadora.29 REFERÊNCIAS AZEVEDO, Tania Maria Vargas Escobar. Atendimento pré-hospitalar na Pre- feitura do Município de São Paulo: análise do processo de capacitação das equipes multiprofissionais fundamentada na promoção da saúde. 2002. BORTOLOTTI, Fábio. Manual do Socorrista. Porto Alegre: Expansão editorial, 2008. 396 p. BRASIL, Ministério da Saúde. 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