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1 
 
 
Quatro a seis 
 
O AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO 
 2 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho 
de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de 
cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma 
entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de co-
nhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na 
sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos 
científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, 
transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de publi-
cações e/ou outras normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, 
de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir 
uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, ex-
celência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar 
o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de quali-
dade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 3 
 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
1. O CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR ................................. 4 
2. BASES LEGAIS PARA AS AÇÕES DE SAÚDE DO 
TRABALHADOR ................................................................................................ 6 
3. O AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO ........................... 8 
3.1 Agentes ambientais e doenças ocupacionais .............................. 10 
4. SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES NO BRASIL ... 11 
5. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO............................. 13 
5.1 Grupo I da CID 10 – Doenças infecciosas e parasitárias ............. 17 
5.2 Grupo II da CID 10 – Neoplasias (Tumores) ................................ 19 
5.3 Grupo III do CID 10 – Doenças do sangue e dos órgãos 
hematopoiéticos ............................................................................................ 19 
5.4 Grupo IV Cid – 10 – Doenças Endócrinas, Nutricionais e 
Metabólicas ................................................................................................... 20 
5.5 Grupo V CID-10 – Transtornos Mentais e do Comportamento ... 21 
5.6 Grupo VI CID-10 – Doenças do Sistema Nervoso ....................... 22 
5.7 Grupo VII CID-10 – Doenças do Olho e Anexos .......................... 23 
5.8 Grupo VIII CID-10 – Doenças do ouvido ...................................... 24 
5.9 Grupo IX CID-10 - Doenças do Sistema Circulatório ................... 26 
5.10 Grupo X CID-10 Doenças do Sistema Respiratório ................... 26 
5.11 Grupo XI CID-10 – Doenças do Sistema Digestivo .................... 27 
5.12 Grupo XII CID-10 - Doenças da Pele e Tecidos Subcutâneos ... 28 
5.13 Grupo XIV CID-10 – Doenças do Sistema Geniturinário ............ 28 
6. REFERÊNCIAS: ........................................................................... 30 
 
 4 
 
 
 
1. O CAMPO DA SAÚDE DO TRABALHADOR 
 
 
Figura: 01 
 
 
A Saúde do Trabalhador constitui uma área da Saúde Pública que tem 
como objeto de estudo e intervenção as relações entre o trabalho e a saúde. 
Tem como objetivos a promoção e a proteção da saúde do trabalhador, por meio 
do desenvolvimento de ações de vigilância dos riscos presentes nos ambientes 
e condições de trabalho, dos agravos à saúde do trabalhador e a organização e 
prestação da assistência aos trabalhadores, compreendendo procedimentos de 
diagnóstico, tratamento e reabilitação de forma integrada, no SUS. 
 Estão incluídos nesse grupo os indivíduos que trabalharam ou trabalham 
como empregados assalariados, trabalhadores domésticos, trabalhadores 
avulsos, trabalhadores agrícolas, autônomos, servidores públicos, trabalhadores 
cooperativados e empregadores particularmente, os proprietários de micro e 
pequenas unidades de produção. São também considerados trabalhadores 
aqueles que exercem atividades não remuneradas habitualmente, em ajuda a 
membro da unidade domiciliar que tem uma atividade econômica, os aprendizes 
e estagiários e aqueles temporária ou definitivamente afastados do mercado de 
trabalho por doença, aposentadoria ou desemprego. 
A PEA brasileira foi estimada, em 1997, em 75,2 milhões de pessoas. 
Dessas, cerca de 36 milhões foram consideradas empregadas, das quais 22 
milhões são seguradas pelo Seguro Acidente de Trabalho (SAT) da Previdência 
 5 
 
 
Social (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/IBGE – Programa Nacional 
de Pesquisas Continuadas por Amostras de Domicílios/PNAD, 1998). 
 Entre os determinantes da saúde do trabalhador estão compreendidos 
os condicionantes: 
►sociais; 
► econômicos; 
► tecnológicos e organizacionais, responsáveis pelas condições de vida 
e os fatores de risco ocupacionais físicos, químicos, biológicos, mecânicos e 
aqueles decorrentes da organização laboral presentes nos processos de 
trabalho. Assim, as ações de saúde do trabalhador têm como foco as mudanças 
nos processos de trabalho que contemplem as relações saúde-trabalho em toda 
a sua complexidade, por meio de uma atuação multiprofissional, interdisciplinar 
e intersetorial. 
 Os trabalhadores, individual e coletivamente nas organizações, são 
considerados sujeitos e partícipes das ações de saúde, que incluem: o estudo 
das condições de trabalho, a identificação de mecanismos de intervenção 
técnica para sua melhoria e adequação e o controle dos serviços de saúde 
prestados. 
 Na condição de prática social, as ações de saúde do trabalhador 
apresentam dimensões sociais, políticas e técnicas indissociáveis. Como 
consequência, esse campo de atuação tem interfaces com o sistema produtivo 
e a geração da riqueza nacional, a formação e preparo da força de trabalho, as 
questões ambientais e a seguridade social. De modo particular, as ações de 
saúde do trabalhador devem estar integradas com as de saúde ambiental, uma 
vez que os riscos gerados nos processos produtivos podem afetar, também, o 
meio ambiente e a população em geral. 
 As políticas de governo para a área de saúde do trabalhador devem 
definir as atribuições e competências dos diversos setores envolvidos, incluindo 
as políticas econômica, da indústria e comércio, da agricultura, da ciência e 
tecnologia, do trabalho, da previdência social, do meio ambiente, da educação e 
da justiça, entre outras. Também devem estar articuladas às estruturas 
organizadas da sociedade civil, por meio de formas de atuação sistemáticas e 
organizadas que resultem na garantia de condições de trabalho dignas, seguras 
e saudáveis para todos os trabalhadores. 
 6 
 
 
 
 
2. BASES LEGAIS PARA AS AÇÕES DE SAÚDE DO 
TRABALHADOR 
 
A Lei n° 8.080 de 19 de Setembro de 1990. 
Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da 
saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá 
outras providências. 
Art. 6º Estão incluídas ainda no campo de atuação do Sistema Único de 
Saúde (SUS): 
§ 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto 
de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e 
vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim 
como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos 
aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho,abrangendo: 
III - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde 
(SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, 
extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, 
de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde 
do trabalhador; 
Esse conjunto de atividades está detalhado nos incisos de I a VIII do 
referido parágrafo, abrangendo: 
I- a assistência ao trabalhador vítima de acidente de trabalho ou 
portador de doença profissional e do trabalho; 
II- a participação em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos 
riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de 
trabalho; 
III- a participação na normatização, fiscalização e controle das 
condições de produção, extração, armazenamento, transporte, 
distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas 
e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; 
 7 
 
 
IV- a avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; 
V- a informação ao trabalhador, à sua respectiva entidade sindical e 
às empresas sobre os riscos de acidente de trabalho, doença 
profissional e do trabalho, bem como os resultados de 
fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de 
admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da 
ética profissional; 
VI- a participação na normatização, fiscalização e controle dos 
serviços de saúde do trabalhador nas instituições e empresas 
públicas e privadas; 
VII- a revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no 
processo de trabalho; 
VIII- a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão 
competente a interdição de máquina, do setor, do serviço ou de 
todo o ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco 
iminente para a vida ou saúde do trabalhador. 
 
Além da Constituição Federal, outros instrumentos e regulamentos 
federais orientam o desenvolvimento das ações nesse campo, no âmbito do 
setor Saúde, entre os quais destacam-se a Portaria/MS n.º 3.120/1998 e a 
Portaria/MS n.º 3.908/1998, que tratam, respectivamente, da definição de 
procedimentos básicos para a vigilância em saúde do trabalhador e prestação 
de serviços nessa área. A operacionalização das atividades deve ocorrer nos 
planos nacional, estadual e municipal, aos quais são atribuídos diferentes 
responsabilidades e papéis. 
 No plano internacional, desde os anos 70, documentos da OMS, como a 
Declaração de Alma Ata e a proposição da Estratégia de Saúde para Todos, têm 
enfatizado a necessidade de proteção e promoção da saúde e da segurança no 
trabalho, mediante a prevenção e o controle dos fatores de risco presentes nos 
ambientes de trabalho (OMS, 1995). Recentemente, o tema vem recebendo 
atenção especial no enfoque da promoção da saúde e na construção de 
ambientes saudáveis pela OPAS,1995. A Organização Internacional do Trabalho 
(OIT), na Convenção/OIT n.º 155/ 1981, adotada em 1981 e ratificada pelo Brasil 
 8 
 
 
em 1992, estabelece que o país signatário deve instituir e implementar uma 
política nacional em matéria de segurança e do meio ambiente de trabalho. 
 
3. O AMBIENTE E AS DOENÇAS DO TRABALHO 
 
 
 
Figura: 02 
 
No decorrer da história da humanidade, o ambiente de trabalho tem 
causado doença, incapacidade e morte num número incalculável de 
trabalhadores. Apesar do estágio atingido pelo progresso científico 
proporcionando amplas possibilidades de prevenir os riscos existentes, a 
realidade é que os agravos à saúde dos trabalhadores ainda permanencem em 
proporções preocupantes. 
Quando pensamos nos danos à saúde dos indivíduos laborais, a primeira 
ideia que se surge é a do acidente de trabalho porque ele ocorre de forma 
abrupta, suas cosequências são detectadas mais facilmente e exigem desde um 
pronto atendimento, gerando pertubação no ambiente. 
 9 
 
 
No entanto, existe como agravo que acontece de maneira lenta, passando 
despercebido ou sendo confundido com outras alterações do estado de saúde, 
até mesmo por médicos. 
Trata-se da doença profissional, doença do trabalho ou doença 
ocupacional. O nexo causal, nos casos de acidente, feito com maior facilidade, 
nela se estabelece com dificuldade, gerando prejuízos ao trabalhador e à 
sociedade, além de deficiência marcante de dados estatísticos. 
Na história da Medicina já existe referência sobre a associação entre 
trabalho e doença em documentos egípcios e greco-romanos, embora fossem 
insignificantes porque, à época, os trabalhos de risco mais e levado eram 
exercidos pelos escravos das nações subjugadas. Como exemplo tem-se a 
citação da intoxicação saturnina num trabalhador mineiro, feita por Hipócrates. 
Apesar da profundidade da obra, o autor não fez qualquer menção ao ambiente 
de trabalho nem à ocupação do paciente. 
Entretanto, quem se notabilizou foi o médico italiano Bernardino 
Ramazzini, Pai da Medicina do Trabalho, ao publicar, em 1700, o livro “As 
Doenças dos Trabalhadores” descrevendo cerca de 50 doenças relacionadas 
ao trabalho. Nele conclama os médicos a investigarem a ocupação dos 
pacientes, para relacionar os sinais e/ou sintomas apresentados com suas 
condições de trabalho. 
Recentemente, encontramos relatos de acidentes e doenças, no livro 
intitulado “As vítimas dos ambientes de trabalho” – rompendo o silêncio, 
publicado pelo sindicato dos metalúrgicos de Osasco -SP. Na referência aos 
trabalhadores mutilados, está descrito que os trabalhadores ficam à mercê 
de irregularidades, tanto do ponto de vista das relações de trabalho, como das 
péssimas condições em que desempenham suas funções. O drama vivido por 
essas pessoas tem proporções incalculáveis. São histórias cercadas de tristeza, 
revolta e injustiça , quase sempre acompanhadas de desestruturação familiar. 
Estudos sobre segurança e saúde no trabalho citam a velocidade com 
que novas formas de trabalho são implementadas no processo produtivo, 
ocasionando alterações no perfil dos acidentes e das doenças ocupacionais. 
Os riscos físicos, químicos, biológicos e mecânicos, responsáveis pelos 
principais agravos detectados até a década de 80, estão sendo acrescidos 
por outros ligados à organização do trabalho (terceirização, inexistência de 
 10 
 
 
pausas, gerenciamento de pessoal), e passam a ter importância na organização 
e capacitação dos profissionais de segurança e saúde no trabalho. 
A formação dos profissionais priorizando os riscos clássicos, não 
consegue mais dar resposta às necessidades que surgiram com a nova 
organização da produção. A implantação de ações multiprofissionais é inadiável. 
 
3.1 Agentes ambientais e doenças ocupacionais 
 
Para conservar sua saúde, o ser humano trava uma constante batalha 
contra as forças biológicas, físicas, mentais e sociais que podem alterar o 
equilíbrio do seu organismo. A doença , portanto, não é um evento estático, 
mas um processo, pois o aparecimento de sinais e/ou sintomas significa que 
a enfermidade já se instalou. Daí a necessidade de se dar prioridade à 
prevenção. 
Conforme os princípios da epidemiologia, o processo-doença é 
desencadeado pelo desequilíbrio na interação dinâmica entre os elementos 
denominados agente, hospedeiro e meio ambiente. 
Entende-se por agente um elemento, uma substância, cuja presença 
ou ausência pode, em condições favoráveis existentes no organismo e no meio 
ambiente, provocar o início de um processo patológico. Estes agentes se 
classificam em físicos, químicos,biológicos, ergonômicos e mecânicos, podendo 
causar acidentes, doenças inespecíficas ou doenças do trabalho. 
Inespecíficas são doenças físicas e psíquicas, cada vez mais frequentes 
nas sociedades industriais, e atribuíveis a um ou mais fatores do ambiente 
de trabalho, entre as quais: cansaço e insônia persistentes; distúrbios digestivos 
(gastrites, úlcera gastroduodenal), neuroses, artroses, asma brônquica, 
hipertensão arterial. 
O hospedeiro é representado pelo homem e contribui através de hábitos, 
costumes e de condicionantes (idade, sexo, estado civil, etnia, ocupação, carga 
genética e eficiência de seus mecanismos de defesa). 
O meio ambiente engloba o ambiente de trabalho (características do 
local, dimensões, iluminamento, aeração, níveis de ruído, poeiras, gases, 
vapores, fumo s, etc.), bem como os elementos conexos à atividade em si (tipo 
 11 
 
 
de trabalho, posição do trabalhador, ritmo de trabalho, ocupação do tempo, 
horário de trabalho diário, turnos, horário semanal). Portanto, a detecção 
precoce é fundamental, pois quanto mais cedo forem detectadas as alterações 
maiores serão as chances de reverter a evolução da doença. 
 
 
4. SITUAÇÃO DE SAÚDE DOS TRABALHADORES 
NO BRASIL 
 
 
A precarização do trabalho caracteriza-se pela desregulamentação e 
perda de direitos trabalhistas e sociais, a legalização dos trabalhos temporários 
e da informalização do trabalho. Como consequência, podem ser observados o 
aumento do número de trabalhadores autônomos e subempregados e a 
fragilização das organizações sindicais e das ações de resistência coletiva e/ou 
individual dos sujeitos sociais.Tradicionalmente, a atividade rural é caracterizada 
por relações de trabalho à margem das leis brasileiras, não raro com a utilização 
de mão-de-obra escrava e, frequentemente, do trabalho de crianças e 
adolescentes; sendo provocada pelo trabalho. Todo (a) trabalhador (a), urbano 
e rural, formal e informal, celetista ou estatutário, está sujeito a adoecer em 
decorrência do trabalho. 
O processo saúde-doença dos trabalhadores tem relação direta com o 
seu trabalho; e não deve ser reduzido a uma relação monocausal entre doença 
e um agente específico; ou multicausal, entre a doença e um grupo de fatores 
de riscos (físicos, químicos, biológicos, mecânicos), presentes no ambiente de 
trabalho. Saúde e doença estão condicionados e determinados pelas condições 
de vida das pessoas e são expressos entre os trabalhadores também pelo modo 
como vivenciam as condições, os processos e os ambientes em que trabalham. 
Independentemente se o trabalhador é urbano ou rural, ou de sua forma 
de inserção no mercado de trabalho, se formal ou informal, ou de seu vínculo 
empregatício, público ou privado, se assalariado, autônomo, avulso, temporário, 
cooperativado, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado. 
 12 
 
 
A terceirização, no contexto da precarização, tem sido acompanhada de 
práticas de intensificação do trabalho e/ou aumento da jornada de trabalho, com 
acúmulo de funções, maior exposição a fatores de riscos para a saúde, 
descumprimento de regulamentos de proteção à saúde e segurança, 
rebaixamento dos níveis salariais e aumento da instabilidade no emprego. Tal 
contexto está associado à exclusão social e à deterioração das condições de 
saúde. 
A adoção de novas tecnologias e métodos gerenciais facilita a 
intensificação do trabalho que, aliada à instabilidade no emprego, modifica o 
perfil de adoecimento e sofrimento dos trabalhadores, expressando-se, entre 
outros, pelo aumento da prevalência de doenças relacionadas ao trabalho, como 
as Lesões por Esforços Repetitivos (LER), também denominadas de Distúrbios 
Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT); o surgimento de novas 
formas de adoecimento mal caracterizadas, como o estresse e a fadiga física e 
mental e outras manifestações de sofrimento relacionadas ao trabalho. 
 
 
Figura: 03 
 
 
Configura, portanto, situações que exigem mais pesquisas e 
conhecimento para que se possa traçar propostas coerentes e efetivas de 
intervenção. 
 Embora as inovações tecnológicas tenham reduzido a exposição a 
alguns riscos ocupacionais em determinados ramos de atividade, contribuindo 
 13 
 
 
para tornar o trabalho nesses ambientes menos insalubre e perigoso, constata-
se que, paralelamente, outros riscos são gerados. A difusão dessas tecnologias 
avançadas na área da química fina, na indústria nuclear e nas empresas de 
biotecnologia que operam com organismos geneticamente modificados, por 
exemplo, acrescenta novos e complexos problemas para o meio ambiente e a 
saúde pública do país. 
 
5. DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO 
 
No geral, as doenças relacionadas ao trabalho podem ser divididas entre 
doenças profissionais e doenças do trabalho. 
Neste sentido, as doenças profissionais são específicas de determinadas 
atividades ou profissões. Ou seja, elas acontecem em razão da exposição a 
fatores de risco na atividade desempenhada pelo trabalhador. 
Já as doenças do trabalho não estão ligadas à atividades diretamente. 
Mas, sim, à forma e às condições sob as quais ela é desenvolvida. Assim, elas 
estão mais relacionadas ao ambiente de trabalho do que a uma tarefa específica. 
A lista de doenças relacionadas ao trabalho hoje é muito maior do que há 
alguns anos. E isto é resultado de um número crescente de pessoas que 
dedicam cada vez mais horas do dia ao trabalho e negligenciam o autocuidado. 
Um estudo da Previdência Social indicou que as doenças motivadas por 
fatores de riscos ergonômicos e sobrecarga mental já superam até mesmo os 
riscos traumáticos, como fraturas. 
Mas, a verdade, é que esta realidade não é vantajosa para nenhum dos 
envolvidos. Nem para colaboradores, que podem ter que lidar com grandes 
problemas de saúde. Nem para a empresa, que sofre com a queda do bem-estar 
geral e da produtividade. 
A saúde dos trabalhadores constitui uma importante área da Saúde 
Pública que tem como objetivo a promoção e a proteção da saúde do 
trabalhador, por meio do desenvolvimento de ações de acompanhamento dos 
riscos presentes nos ambientes e condições de trabalho, dos problemas a saúde 
do trabalhador, a organização e prestação de assistência aos trabalhadores, 
 14 
 
 
compreendendo procedimentos de diagnósticos, tratamento e reabilitação de 
forma integrada, no Sistema de Saúde Pública brasileiro. 
Entre os fatores determinantes da saúde do trabalhador estão 
compreendidas as condições sociais, econômicas e os fatores de risco 
ocupacionais, físicos, químicos, biológicos, mecânicos e aqueles decorrentes da 
organização laboral presentes nos processos de trabalho. 
 Assim, ações de saúde do trabalhador tem como foco modificar os 
processos de trabalho, de forma a contemplarem as relações saúde-trabalho em 
todas as atividades profissionais. 
 Os trabalhadores individual e coletivamente nas organizações são 
considerados sujeitos e participantes das ações que incluem o estudo das 
condições de trabalho, a identificação de mecanismos de intervenção técnica 
para sua melhoria, adequação e o controle dos serviços de saúde prestados 
 O adoecimento dos trabalhadores e sua relação com o trabalho. Os 
trabalhadores compartilham das mesmas doenças e morte da população em 
geral, em função de sua idade, gênero, grupo social ou presença em grupo 
especifico de risco. Além disso, os trabalhadores podem adoecer ou morrer por 
causas relacionadas ao trabalho, em consequências da profissão que exercem 
ou exerceram ou pelas condições adversas em que seu trabalho e ou foi 
realizado. Assim, o perfil de adoecimento e morte dos trabalhadoresresultara na 
separação desses fatores que podem ser resumidos em quatro grupos de 
causas: 
► Doenças comuns, aparentemente sem qualquer relação com o 
trabalho; 
 
► Doenças comuns (crônico-degenerativas, infecciosas, neoplasias, 
traumáticas) eventualmente modificadas no aumento da frequência de sua 
ocorrência ou no surgimento em trabalhadores, sob determinadas condições de 
trabalho; 
 
► Doenças comuns que são agravadas em função das condições de 
trabalho, a asma brônquica, a dermatite de contato alérgica, a perda auditiva 
conduzida pelo ruído (ocupacional), doenças musculoesqueléticas e alguns 
transtornos mentais exemplificam esta possibilidade, na qual, em decorrência do 
 15 
 
 
trabalho, multiplicam-se as condições provocadoras ou desencadeadoras 
desses quadros hospitalares. 
 
► Agravos à saúde específicos, típicos dos acidentes do trabalho e pelas 
doenças profissionais. A silicose e a asbesto se exemplificam este grupo de 
agravos específicos. 
 
 Os três últimos grupos constituem a família das doenças relacionadas ao 
trabalho. A natureza dessa relação e sutilmente distinta em cada grupo. O 
quadro abaixo resume e exemplificados grupos das doenças relacionadas de 
acordo com a classificação proposta por Chileno. 
 
Classificação das doenças segundo a sua relação com o trabalho. 
 
categorias Exemplos 
 
 
I- Trabalho como causa necessária 
 
● Intoxicação por chumbo; 
● Silicose; 
● Doenças profissionais legalmente 
reconhecidas. 
 
 
II- Trabalho como fator contributivo, 
mas não necessário. 
 
 
● Doenças coronarias; 
● Doenças do aparelho locomotor; 
● Câncer; 
● Varizes dos membros inferiores. 
 
 
III- Trabalho como provocador de um 
distúbio latente, ou agravador de uma 
doença. 
 
● Bronquite crônica; 
● Dermatite de contato alérgico; 
● Asma; 
● Doenças mentais. 
 
Quadro: 01 
 16 
 
 
 
Classicamente, os fatores de risco para a saúde e segurança os 
trabalhadores, presentes ou relacionados ao trabalho, podem ser classificados 
em cinco grandes grupos, que serão mostrados a seguir: 
 
 
Grupo Exemplo 
 
 
Físicos 
 
Ruído, vibração, radiação ionizante e 
não ionizante, temperaturas extremas 
(frio e calor), pressão atmosférica 
anormal, etc. 
 
 
 
 
Químicos 
 
Agentes e substâncias químicas, sob 
as formas líquida, gasosa ou de 
partículas, poeiras minerais e 
vegetais, comuns nos processos de 
trabalho. 
 
 
 
Biológicos 
 
Vírus, bactérias, parasitas geralmente 
associados ao trabalho em hospitais, 
laboratórios, na agricultura e 
pecuária. 
 
 
 
 
Ergonômicos e psicossociais 
 
Decorrem da organização e gestão do 
trabalho como, por exemplo, da 
utilização de equipamentos, 
máquinas e mobiliários inadequados, 
levando a postura e posições 
incorretas, locais adaptados com más 
condições de iluminação, ventilação, 
entre outros. 
 
 
Mecânicos e acidentais 
 
Ligado à proteção das máquinas, 
arranjo físico, ordem e limpeza do 
ambiente de trabalho, sinalização, 
rotulagem de produtos e outros que 
podem levar a acidentes de trabalho. 
 
Quadro: 02 
 
 
 17 
 
 
Verificada a classificação dos grupos de risco a saúde e segurança dos 
trabalhadores, e importante mostrar as doenças relacionadas ao trabalho 
conforme a classificação Internacional de Doenças 10 (CID 10), que podemos 
verificar a seguir: 
 
 
Grupo Doença 
I Infecciosa e parasitária 
II Neoplasia (tumores) 
III De sangue e órgãos hematopédicos 
IV Endócrinas, nutricionais e 
metabólicas. 
V Transtornos mentais e de 
comportamento 
VI Do sistema nervoso 
VII Do olho e anexos 
VIII Do ouvido 
IX Do sistema circulatório 
X Do sistema respiratório 
XI Do sistema digestivo 
XII De pele e tecidos subcutâneos 
XIII Do sistema ósteomuscular e do tecido 
conjuntivo 
XIV Do sistema genito-urinário 
Quadro: 03 
 
 
5.1 Grupo I da CID 10 – Doenças infecciosas e parasitárias 
 
 As doenças parasitárias ou parasitoses são causadas por classes de 
parasitas, como os protozoários, os helmintos e outros. Elas podem atingir tanto 
animais quanto pessoas. Alguns exemplos de parasitoses em humanos são a 
malária, o mal de Chagas e a ascaridíase (lombriga). 
As doenças infecciosas e parasitarias relacionadas ao trabalho 
apresentam algumas características, que as distinguem dos demais grupos: 
► Os agentes originários não são de natureza ocupacional; 
 18 
 
 
► A ocorrência da doença depende das condições ou circunstancias em 
que o trabalho e executado e da exposição ocupacional que favorece o contato, 
o contagio ou transmissão. 
 
 Os agentes originários estão, geralmente, mencionados no próprio nome 
da doença e são comuns às doenças infecciosas e parasitarias não relacionadas 
ao trabalho. Estão disseminados no meio ambiente, dependente das condições 
ambientais e de saneamento. 
As consequências da exposição para a saúde do trabalhador a fatores de 
risco biológico presentes em situações de trabalho incluem quadros de infecção 
aguda e crônica, parasitoses, reações alérgicas, toxicas a plantas e animais. As 
infecções podem ser causadas por bactérias, vírus, riquetsias, clamídias e 
fungos. As parasitoses estão associadas a protozoários, helmintos e artrópodes. 
 Algumas dessas doenças infecciosas e parasitarias são transmitidas por 
artrópodes que atuam como hospedeiros intermediários. Diversas plantas e 
animais produzem substancias alergênicas irritativas e toxicas, com as quais os 
trabalhadores entram em contato diretamente, por ex. poeiras, pelos, pólen, 
esporos, fungos ou picadas e mordeduras. 
 Muitas dessas doenças são originalmente zoonoses que podem estar 
relacionadas ao trabalho. Entre grupos mais expostos estão os trabalhadores de 
agricultura, da saúde (em contato com paciente ou materiais contaminados) em 
centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, em atividades de 
investigações de campo e vigilância em saúde, controle de vetores e aqueles 
que lidam com animais. Também podem ser afetadas as pessoas que trabalham 
no meio silvestre, como na silvicultura, em atividades de pesca, produção e 
manipulação de produtos animais, como abatedouros curtumes, frigoríficos, 
indústrias alimentícias (carnes e pescados), trabalhadores em serviços de 
saneamento e de coleta de lixo. 
 
 
 
 
 19 
 
 
5.2 Grupo II da CID 10 – Neoplasias (Tumores) 
 
O termo neoplasia ou tumores designa um grupo de doenças 
caracterizadas pela perda de controle do processo de divisão celular, por meio 
do qual que os tecidos normalmente crescem ou se renovam, levando a 
multiplicação celular desordenada. 
A inoperância dos mecanismos de regulação e controle de proliferação 
celular, além do crescimento incontrolável, pode levar, no caso do câncer, a 
invasão os tecidos vizinhos e a propagação para outras regiões do corpo, 
produzindo metástase. 
 Apesar de não serem conhecidos como mecanismos envolvidos, estudo 
experimental tem demonstrado que a alteração celular responsável pela 
produção de tumor pode se originar numa única célula e envolve dois estágios. 
No primeiro, denominado de iniciação, mudanças irreversíveis (mutações) 
ocorrem no material genético da célula. No segundo estágio, denominado de 
promoção, mudanças intra e extracelulares permitem a proliferação da célula 
transformada, dando origem a um nódulo que, em etapas posteriores, pode se 
disseminar para regiões distintas do corpo. 
 Por outro lado, tem em comum com outras doenças ocupacionais, a 
dificuldade de relacionar as exposições a doença e ao fato que são, em sua 
grande maioria, preveníeis. Dessa forma, a vigilância efetiva do câncer 
ocupacional e feita sobre os processosde atividades do trabalho com potencial 
carcinogênico, ou seja, dos riscos ou das exposições. A vigilância de agravos ou 
efeitos para a saúde busca a detecção precoce de casos e a investigação da 
possível relação com o trabalho para a identificação de medias de controle e 
intervenção. 
 
5.3 Grupo III do CID 10 – Doenças do sangue e dos órgãos 
hematopoiéticos 
 
O sistema hematopoiético constitui um complexo formado pela medula 
óssea, outros órgãos hemoformadores e pelo sangue. Na medula óssea 
produzidas, continuamente, as células sanguíneas eritrócitos, neutrófilos e 
 20 
 
 
plaquetas, sob rígido controle dos fatores de crescimento. Para que cumpram 
sua função fisiológica, os elementos celulares do sangue devem circular em 
número e estruturas adequados. 
A capacidade produtiva da medula óssea é impressionante. Diariamente, 
ela substitui 3 bilhões de eritrócitos por quilograma de peso corporal. Os 
neutrófilos têm uma meia vida de apenas 6 horas e cerca de 1,6 bilhões de 
neutrófilos por quilograma de peso corporal, que necessitam ser produzidos a 
cada dia. Uma população inteira de plaquetas deve ser substituída a cada 10 
dias. Toda essa intensa atividade torna a medula óssea muito sensível a 
infecções, aos agentes químicos, aos metabólicos e aos ambientais que alteram 
a síntese do DNA ou a formação celular. E, também, por isso, o exame do 
sangue periférico se mostra uma sensível e acurado espelho da atividade 
medular. 
 Nos seres humanos adultos, o principal órgão hematopoiético localiza-se 
na camada medular óssea do esterno, costelas, vértebras e ilíacos. A medula 
óssea é formada por um estroma e pelas células hemoformadores que têm 
origem na célula primordial linfoide e célula primordial mieloide de três linhagens. 
Sob o controle de substâncias indutoras, estas células primordiais sofrem um 
processo de diferenciação e proliferação, dando origem, após a formação de 
precursores, as células circulantes do sangue periférico. 
 
5.4 Grupo IV Cid – 10 – Doenças Endócrinas, Nutricionais e 
Metabólicas 
 
Os efeitos ou danos sobre o sistema endócrino, nutricional e metabólico, 
decorrente da exposição ambiental, ocupacional a substancias e agentes tóxicos 
são ainda pouco conhecidos, porém, ainda necessitam de estudos mais 
aprofundados. 
 As prevenções das doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas 
relacionadas ao trabalho baseiam-se nos procedimentos de vigilância dos 
agravos à saúde, dos ambientes e das condições de trabalho, em conhecimento 
medico clinico, epidemiológico, de higiene ocupacional, toxicologia, ergonomia, 
psicologia, entre outras disciplinas, nas percepções dos trabalhadores sobre o 
 21 
 
 
trabalho e a saúde, nas normas técnicas e regulamentadas existentes, 
envolvendo: 
 
► Conhecimento prévio das atividades e locais de trabalho, onde existam 
substancias químicas, agentes físicos ou biológicos e fatores de risco 
decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores de 
doenças; 
► Identificação dos problemas ou danos potenciais para a saúde, 
decorrentes da exposição aos fatores de riscos identificados; 
► Identificação e proposição de medidas de controle que devem ser 
adotadas para eliminação ou controle da exposição aos fatores de risco e para 
a proteção dos trabalhadores; 
► Educação e informação aos trabalhadores e empregados. 
 
 
5.5 Grupo V CID-10 – Transtornos Mentais e do 
Comportamento 
 
A contribuição do trabalho para as alterações da saúde mental das 
pessoas e dada a partir de ampla gama de aspectos de fatores pontuais, como 
a exposição a determinado agente toxico, até a completa exposição de fatores 
relativos a organização do trabalho, como a divisão e parcelamento das tarefas, 
as políticas de gerenciamento das pessoas e a estrutura hierárquica 
organizacional. 
 Os transtornos mentais e de comportamento relacionados ao trabalho 
resultam, assim, não de fatores isolados, mas de contexto de trabalho em 
interação com o corpo e aparato psíquico dos trabalhadores. As ações 
implicadas no ato de trabalhar podem atingir o corpo dos trabalhadores, 
produzindo disfunções e lesões biológicas, mas também reações psíquicas as 
situações de trabalho que provocam doenças, além de poderem desencadear 
processos psicopatológicos especificamente relacionados as condições do 
trabalho desempenhado pelo trabalhador. 
 22 
 
 
 Em decorrência do lugar de destaque que o trabalho ocupa na vida das 
pessoas, sendo fonte de garantia de subsistência e de posição social, a falta de 
trabalho ou mesmo a ameaça de perda do emprego geram sofrimento psíquico, 
pois ameaçam a subsistência e a vida material do trabalhador de sua família. 
 Ao mesmo tempo, abalar o valo subjetivo que a pessoa se atribui, 
gerando sentimentos de menor valia, angustia insegurança, desanimo e 
desespero, caracterizando quadros ansiosos e depressivos. 
 
5.6 Grupo VI CID-10 – Doenças do Sistema Nervoso 
 
 
 
Figura: 04 
 
Doenças do sistema nervoso são aquelas que atacam cérebro, medula 
espinhal, nervos e terminações nervosas. 
Sua manifestação clínica se dá através de sintomas capazes de 
prejudicar desde funções básicas, como reações motoras, até as complexas, a 
exemplo das capacidades cognitivas. 
Isso porque o sistema nervoso está presente em todo o organismo, 
elaborando e transmitindo comandos para que os demais sistemas cumpram seu 
papel. 
 23 
 
 
A vulnerabilidade do sistema nervoso aos efeitos da exposição 
ocupacional e ambiental a um grama de substanciais químicas, agentes físicos 
e fatores causais de adoecimento, decorrentes da organização do trabalho, tem 
ficado cada vez mais evidente, traduzindo-se em episódios isolados ou 
epidêmicos de doenças nos trabalhadores. 
 As manifestações neurológicas das intoxicações decorrentes de 
exposição ocupacional a metais pesados, aos agrotóxicos ou a solventes 
orgânicos, e de outras doenças do sistema nervoso relacionadas as condições 
de trabalho, costumam receber o primeiro atendimento na rede básica e serviço 
de saúde. 
Quando isso ocorre, e necessárias profissionais que atendem esses 
trabalhadores estejam familiarizados com os principais agentes químicos, 
físicos, biológicos e os fatores decorrentes da organização do trabalho, 
potencialmente causadores de doença, para que possam caracterizar a relação 
da doença com o trabalho, possibilitando o diagnóstico correto e o 
estabelecimento das condutas adequadas. 
 
 
5.7 Grupo VII CID-10 – Doenças do Olho e Anexos 
 
 
Figura: 05 
 24 
 
 
 
 
 O aparelho visual e vulnerável a ação de inúmeros fatores de risco para 
a saúde presentes no trabalho como, por exemplo, agentes mecânicos (corpos 
estranhos, ferimentos contusos e cortantes), agentes físicos (temperaturas 
extremas, eletricidade, radiações ionizantes e não-ionizantes), agentes 
químicos, agentes biológicos (picadas de marimbondo e pelo de lagarta) e ao 
sobre-esforço que leva a debilidade induzida por algumas atividades de 
monitoramento visual. 
 Os efeitos de substancias toxicas sobre o aparelho visual tem sido 
reconhecido como um importante problema de saúde ocupacional. 
 
 
5.8 Grupo VIII CID-10 – Doenças do ouvido 
 
 
 
Figura: 06 
 
 As doenças otorrinolaringológicas relacionadas ao trabalho são 
causadas por agentes ou mecanismos irritativos, alérgicos ou tóxicos. No ouvido 
 25 
 
 
interno, os danos decorrem da exposição a substancias neurotoxicas e fatores 
de natureza física como ruído, pressão atmosférica, vibrações e radiações 
ionizantes. Os agentes biológicos estão frequentementeassociados as 
inflamações do ouvido externo, aos eventos de natureza traumática e a lesão do 
pavilhão auricular. 
 A exposição ao ruído, pela frequência e por suas múltiplas 
consequências sobre o organismo humano, constitui um dos principais 
problemas de saúde ocupacional e ambientais na atualidade. A Perda Auditiva 
Induzida pelo Ruído (PAIR) e um os problemas de saúde relacionados ao 
trabalho mais frequente em todo o mundo. 
 
 
Figura: 07 
 
 Além das alternativas que podem ser adotadas pelo empregador, o 
funcionário também tem o direito de receber EPI (Equipamento de Proteção 
Individual), nesse caso, em especial, protetores auriculares para garantir mais 
segurança à sua audição. A realização de audiometria também pode ser 
indicada para o Êxito do programa de prevenção da perda auditiva no trabalho. 
A investigação, a orientação terapêutica e a caracterização dos danos ao 
aparelho auditivo provocados pelas situações de trabalho que incluem a 
exposição ao ruído, devem ser realizadas em centros especializados. Entretanto, 
os profissionais da atenção básica devem estar capacitados a reconhecer suas 
manifestações para o correto encaminhamento do paciente. 
 26 
 
 
 
5.9 Grupo IX CID-10 - Doenças do Sistema Circulatório 
 
 
Figura: 08 
 
 Apesar da crescente valorização dos fatores pessoais como 
sedentarismo, tabagismo e dieta, na determinação das doenças 
cardiovasculares, pouca atenção tem sido dada aos fatores de risco presentes 
na atividade ocupacional atual ou anterior dos pacientes. O aumento dramático 
da ocorrência de transtornos agudos e crônicos do sistema cardiocirculatório na 
população faz com que as relações das doenças com o trabalho mereçam maior 
atenção. 
 Observa-se, por exemplo, que a literatura e a mídia tem dado destaque 
as relações entre ocorrência de infarto agudo do miocárdio, doença coronariana 
crônica e hipertensão arterial, com situações e a condição desemprego, entre 
outras. 
 
 
5.10 Grupo X CID-10 Doenças do Sistema Respiratório 
 
 O sistema respiratório constitui uma comunicação importante do 
organismo humano com o meio ambiente, particularmente com o ar e seus 
constituintes. A poluição do ar no ambiente de trabalho associada a uma extensa 
 27 
 
 
gama de doenças do trato respiratório acometem desde o nariz até o espaço 
pleural. 
 Entre os fatores que influenciam os efeitos da exposição a esses agentes 
estão a propriedade químicas, físicas dos gases e as características próprias do 
indivíduo, como herança genética, doenças persistentes e hábitos de vida, como 
tabagismo. 
 
5.11 Grupo XI CID-10 – Doenças do Sistema Digestivo 
 
 Entre os fatores importantes para ocorrência das doenças digestivas 
relacionadas ao trabalho estão os agentes físicos, substâncias tóxicas, fatores 
da organização do trabalho, como estresse e situações de conflito, tensão, 
trabalho em turnos, fadiga, posturas forçadas, horários e condições inadequadas 
para alimentação. 
 Entre os fatores de risco físico presentes no trabalho podem lesar o 
sistema digestivo estão radiações ionizantes, vibrações, ruído, temperaturas 
extremas (calor e frio) e exposição a mudanças rápidas e radicais de temperatura 
ambiente. Queimaduras, se extensas, podem causar úlcera gástrica e lesão 
hepática. 
 Posições forçadas no trabalho podem causar alterações digestivas, 
particularmente na presença de condições predisponentes, como hérnia 
paraesofageana e viceroptose. Os fatores relacionados à organização do 
trabalho são responsáveis pela crescente ocorrência de problemas e queixas 
gastrintestinais entre os trabalhadores. 
 Condições de fadiga física patológica trabalho muito pesado, trabalho em 
turnos, situações de conflito e de estresse, exigência de produtividade, controle 
excessivo e relações de trabalho despóticas podem desencadear quadros de dor 
epigástrica, regurgitação e aerofagia, diarreia e ulcera péptica. 
 
 
 
 
 
 28 
 
 
5.12 Grupo XII CID-10 - Doenças da Pele e Tecidos 
Subcutâneos 
 
 As doenças de pele ocupacionais compreendem as alterações da série 
mucosa e anexos, direta ou indiretamente causadas, mantidas ou agravadas 
pelo trabalho. São determinadas pela interação de dois grupos de fatores: 
• Predisponentes ou causas indiretas, como idade, sexo, etnia, 
antecedentes mórbidos e doenças concomitantes, fatores ambientais, como diria 
o clima (temperatura, umidade) hábitos e facilidades de higiene; 
• Causas diretas constituídas pelos agentes biológicos, físicos, 
químicos ou mecânicos presentes no trabalho que atuariam diretamente sobre o 
regulamento, produzindo ou agravando uma dermatose preexistente. 
 Cerca de 80% das dermatoses ocupacionais são produzidas por gentes 
químicos, substancias orgânicas e inorgânicas, irritantes e sensibilizantes. A 
maioria e de tipo irritativo e um menor número e de tipo sensibilizante. As 
dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais frequentes. 
 
5.13 Grupo XIV CID-10 – Doenças do Sistema Geniturinário 
 
 A exposição ambiental ou ocupacional a agentes biológicos, químicos e 
farmacológicos pode lesar, de forma aguda ou crônica, os rins e o trato urinário. 
 
 
Figura: 09 
 29 
 
 
 
O diagnóstico diferencial nos casos decorrentes da intoxicação 
medicamentosa e facilitado pelo relato do paciente ou de seus familiares e pela 
evolução, geralmente aguda e reversível. Porém, os demais agentes 
desencadeiam insidiosos crônicos, dificultando sua identificação e aumentando 
a possibilidade de dano. 
 O sofrimento, o comprometimento da qualidade de vida, a morte do 
trabalhador vítima de uma doença renal ou do trato urinário, o custo social 
decorrente de sua incapacidade para o trabalho, os tratamentos dispendiosos a 
que deverá ser submetido, como os procedimentos de dialises ou transplante 
dos rins, entre outros, aumenta a importância do controle, o monitoramento dos 
ambientes e condições de trabalho em que estão presentes fatores de risco de 
lesão para o sistema geniturinário. Reforçam, também, a necessidade de 
acompanhamento, de controle medico e indicação de afastamento da exposição 
ao primeiro sinal de alteração, evitando comprometimento mais grave. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 30 
 
 
 
6. REFERÊNCIAS: 
 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria/MS n.º 1.339/1999, de 18 de 
novembro de 1999. Lista de Doenças Relacionadas ao Trabalho. Diário Oficial 
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Brasil: realidade, fantasia ou utopia? 1994. 335 p. Tese (Doutorado) – Faculdade 
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FRANCO, T.; DRUCK, G. Padrões de industrialização, riscos e meio 
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MINAYO GOMEZ, C.; COSTA, S. T. A construção do campo da saúde do 
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trabalhador no SUS: proposta de sistema de informação de riscos e danos no 
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 OLIVEIRA, S.G. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 3. ed. São 
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(Dissertação de Mestrado em Saúde Coletiva) – Faculdade de Ciências Médicas, 
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WÜNSCH FILHO, V. Reestruturação produtiva e acidentes de trabalho no 
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