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Lição 2 - Direito Empresarial
Olá, estudante! Você já sabe qual é a importância das empresas na sociedade 
em que vivemos atualmente?
Desde os tempos remotos, a prática comercial sempre se mostrou bastante 
protetiva às partes envolvidas nos atos de comércio. Ocorre, porém, que o 
tratamento jurídico dispensado às empresas empreendedoras a partir do 
direito societário sofreu uma enorme evolução. 
Nesta lição, serão abordadas as características da citada evolução da prática 
comercial, as particularidades das organizações empresarias, bem como os 
direitos e deveres dos sujeitos nela intervenientes. 
Você irá constatar que a organização no exercício de uma atividade econô-
mica permite a percepção de benefícios em toda a sociedade e não apenas o 
lucro à sociedade empresarial.
Ora, a integração da comunidade no desenvolvimento das atividades meio 
e fim de uma companhia possibilita a empregabilidade de muitas pessoas e 
o giro de capital em outras áreas. 
A realização da atividade empresarial depende da presença de certos 
elementos a serem estudados nesta lição.
Vamos começar? 
O objetivo desses estudos é contribuir para que você se sinta preparado 
para:
• compreender a evolução normativa do Direito Comercial brasileiro;
• estudar o surgimento da Teoria da Empresa e suas fontes;
• identificar os requisitos caracterizadores da atividade empresarial;
• entender acerca da necessidade de inscrição e da capacidade do 
empresário; 
• conhecer a extensão da importância do registro;
• analisar a Teoria da Empresa como novo paradigma do Direito Comercial;
• identificar as fontes do Direito Empresarial;
• analisar os conceitos de empresa, empresário e sociedade empresária, bem 
como as características distintivas entre eles.
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Vamos iniciar o nosso estudo compreendendo as noções gerais do Direito 
Empresarial, como ele se define e quais são as suas principais características. 
1. Noções Gerais do Direito Empresarial 
O Direito Empresarial é o regime jurídico especial do Direito Privado desti-
nado à regulação das atividades econômicas e dos seus agentes produtivos, 
organizados com fins de produção e circulação de bens e serviços. Em ou-
tras palavras, o Direito Empresarial realiza a tutela das atividades que te-
nham os requisitos da companhia baseado na autonomia privada daqueles 
que realizam as relações jurídicas. 
2. Origem e Evolução Histórica
O Direito Empresarial originou-se na Idade Média diante da necessidade de 
normas que regulassem as transações realizadas pelos comerciantes da épo-
ca. Criado pelos próprios comerciantes, os quais ditavam as normas a serem 
aplicadas às suas relações, ele permaneceu assim vigendo por um longo pe-
ríodo. No século XIX, com as monarquias e a criação do Código Napoleônico, 
surgiu a Teoria dos Atos do Comércio. 
3. Teoria dos Atos do Comércio e Teoria da Empresa
Segundo a teoria dos atos do comércio, todos que praticassem uma ativida-
de econômica que o Direito compreendesse como um ato de comércio eram 
considerados comerciantes e, por isso, submeter-se-iam às obrigações do 
Código Comercial. O regime do Direito Comercial garantia aos comerciantes 
uma série de privilégios, entre os quais a concordata e a celebração de contra-
tos mercantis. Para tal caracterização, havia uma lista de atividades definidas 
como atividades comerciais. Contudo, em certo momento, tal teoria tornou-
-se inaplicável, uma vez que muitas atividades importantes, como a prestação 
de serviços e as atividades rurais, não se encontravam na lista.
A partir da Segunda Guerra Mundial, na Itália, surge a teoria da empresa. 
Conforme ela, a atividade em si não importa mais, mas, sim, o modo como se 
exerce tal atividade. Dessa forma, o Direito Empresarial deixou de regular a 
atividade de setores específicos e passou a regular o modo como os sujeitos 
organizavam o seu trabalho, de tal forma que, todo aquele que organizasse 
seu negócio profissionalmente, para produzir ou circular bens ou serviços, 
teria o amparo jurídico do Direito Empresarial. 
O Código Civil de 2002 implantou no Direito brasileiro a chamada teoria da 
empresa ao estabelecer em seu artigo 966, disposto a seguir, in verbis: “(...) con-
sidera-se empresário quem exerce profissionalmente a atividade econômica 
organizada para a produção ou a circulação de bens e serviços”.
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3.1 Empresa
Empresa é a atividade econômica, profissional e organizada para a produção 
de bens e/ou serviços. A empresa é a própria atividade exercida, ou seja, é a 
produção de bens e serviços, ou, ainda, é o comércio de bens e serviços.
 ► 3.1.1 Atividade Econômica
Para se configurar em atividade econômica, há a necessidade de buscar o lu-
cro, ou seja, visar o lucro por intermédio da produção ou comercialização de 
bens ou serviços, ainda que não se alcance o lucro propriamente dito.
 ► 3.1.2 Atividade Profissional
Para se configurar em atividade profissional, é imprescindível restar evi-
denciada a pessoalidade por meio da assunção pessoal de responsabilidade 
pela atividade praticada e a habitualidade a partir da frequência na ativida-
de empresarial praticada de forma reiterada e em nome próprio. 
 ► 3.1.3 Atividade Organizada
Para se configurar em atividade organizada, é necessária a expertise para 
a boa aplicação do capital, desde a aquisição de insumos, o comando dos 
trabalhadores até a entrega dos bens e serviços aos seus destinatários.
3.2 Empresário
Ultrapassada a teoria dos atos de comércio, a qual considerava comerciantes so-
mente aqueles que estivessem registrados nas corporações de comércio, com a vi-
gência e adoção da teoria da empresa, empresário não é aquele que exerce a ativi-
dade previamente descrita em uma lista de atividades consideradas empresariais, 
mas, sim, “aquele que exerce uma atividade econômica profissionalmente organi-
zada para a produção e/ou circulação de bens e serviços”. Ou seja, “empresário é a 
pessoa física ou jurídica que exerce uma atividade econômica profissionalmente 
organizada para a produção e/ou circulação de bens e serviços”.
 ► 3.2.1 Registro Público de Empresas Mercantis
Todos os empresários precisam obrigatoriamente estar inscritos no Registro 
Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua ativi-
dade, para que possam exercer profissionalmente a atividade econômica, além 
do que não ter impedimentos e observar alguns requisitos para o exercício de 
atividade empresarial. 
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 ► 3.2.2 Requisitos para o Exercício de Atividade Empresarial
Deve o empresário atender cumulativamente dois requisitos: 
• não ser impedido; 
• estar no pleno gozo da capacidade civil. 
3.2.2.1 Ausência de Impedimentos
Algumas pessoas, apesar de terem capacidade civil plena, são impedidas de exer-
cer atividade empresarial. Há aquelas impedidas legalmente de exercer ativida-
de empresarial, conforme reza o artigo 972 do Código Civil, a seguir transcrito in 
verbis: “Art. 972º Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em 
pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”. 
O artigo 2º do Código Comercial considerava impedidos de serem empresá-
rios os funcionários públicos. Atualmente, em regra, os funcionários públicos 
ainda são impedidos de serem empresários, bem como, por exemplo, os se-
nadores, os deputados e os presidentes, observada a parcial vedação. É veda-
do também aos cônsules, nos seus distritos, exceto os não remunerados, de 
acordo com o Decreto nº 3.259, de 1889. Estão impedidos também os militares 
ativos das três armas, vide Estatuto e Código Militar. 
Os Magistrados são impedidos pela Lei Orgânica da Magistratura e os mem-
bros do Ministério Público pela Lei Orgânica do Ministério Público. Tam-
bém persiste o impedimento aos leiloeiros, conforme estabelece o Decreto 
nº 21.981, de 1932. Os médicos, por sua vez, sofrem tal impedimento apenas 
para o exercício em conjunto com o ramo farmacêutico nos exatos termos 
estipulados pelo Decreto nº 20.377, de 1931. Além desses, estão impedidos deexercer atividade empresarial todos os devedores do INSS, em face de dis-
posição legal, conforme estabelece a Lei nº 8.212/91, Art. 95, § 2º, alínea “d”. 
Excepcionalmente, não podem exercer atividade empresarial as sociedades 
não constituídas segundo a legislação pátria que tenham sede fora do Brasil. 
3.2.2.2 Capacidade Civil
A regra é o pleno gozo da capacidade civil. Porém, existem casos em que o inca-
paz poderá continuar a atividade empresarial, adquirindo status de empresário. 
São as seguintes situações: 
• incapacidade superveniente: quando a pessoa era capaz e se torna incapaz 
para os atos da vida civil;
• falecimento ou ausência dos pais. 
Em ambos os casos é demandada autorização judicial, além do que se exige 
que o incapaz seja representado ou assistido, conforme seja absoluta ou rela-
tiva a incapacidade. O Código Civil regulamenta assim:
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“Art. 974º Poderá o incapaz, por meio de representante ou devidamente 
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por 
seus pais ou pelo autor de herança. 
§ 1º Nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame das 
circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em 
continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, 
tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos 
direitos adquiridos por terceiros.”.
Referidas regras valem tão somente para o caso do exercício do empresaria-
do como empresário individual. De igual forma, um incapaz pode ser sócio de 
sociedade empresarial, desde que: 1º) não seja administrador da sociedade; 2º) 
o capital social esteja totalmente integralizado; 3º) haja assistência ou repre-
sentação, conforme a incapacidade seja, respectivamente, relativa ou absoluta.
4. Fontes do Direito Empresarial
A principal fonte do Direito Empresarial é a lei. Ele é oriundo do comando dado 
pelo legislador constitucional na Constituição Federal de 1988. Inobstante o 
texto supramencionado, o Direito Empresarial também se encontra regulado 
no Código Civil de 2002, no Código Comercial de 1.850 (parte não revogada so-
bre comércio marítimo) e em diversas leis esparsas. São fontes secundárias do 
Direito Comercial os usos e os costumes, a jurisprudência e a doutrina.
5. Aplicação do Direito Empresarial
1º) Suponha que logo após André, 52 anos, Flávio, 44 anos, e José, 29 anos, 
celebrarem o contrato social para constituição da Sociedade Imobiliária 
Comércio de Imóveis Ltda., integralizando 100% do capital social, José é 
interditado e declarado incapaz, mediante sentença judicial transitada em 
julgado. José poderá permanecer na sociedade mesmo tornando-se incapaz 
posteriormente à assinatura do Contrato Social, devendo a partir de então 
ser representado ou assistido, a depender do motivo determinante da sua 
incapacidade, conforme estabelece o artigo 974, parágrafo terceiro, do 
Código Civil, a saber: 
“Art. 974º § 3º O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das 
Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais 
de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma 
conjunta, os seguintes pressupostos: 
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente 
incapaz deve ser representado por seus representantes legais.”. 
Considere nessa situação hipotética tratar-se de uma sociedade. Desse modo, 
a continuidade de José como sócio estará condicionada somente ao artigo 
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974, parágrafo terceiro, independentemente da necessidade de autorização 
judicial por expressa previsão legal.
2º) Suponha que um psiquiatra trabalhe sozinho e possua todos os 
elementos para ser um empresário: exploração profissional da atividade, 
individual, direta, habitual e com fins lucrativos de uma atividade 
econômica. Mesmo assim, este não será juridicamente considerado 
empresário.
De outro lado, o hospital de grande porte onde esse mesmo psiquiatra traba-
lha como plantonista nos outros dias em que não está na sua clínica, constitui 
elemento da empresa sendo considerado como uma sociedade empresária. 
Isso porque a atividade é intelectual, mas organizada como uma empresa. 
Destarte, não se classifica como empresário quem exerce profissão inte-
lectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso 
de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir 
elemento de empresa. 
3º) Imagine agora que um dentista no exercício da sua profissão resolve 
locar um espaço maior, contratando diversos empregados da atividade-
meio (limpeza e segurança) e da atividade-fim (dentistas). A pessoalidade da 
sua atividade deixa de ser referência, visto que, agora, a referência passou 
a ser a própria estrutura empresarial, já que transformou o seu consultório 
em uma clínica de grande porte, de tal forma que a atividade intelectual foi 
absorvida pela estrutura empresarial organizada. 
4º) Da mesma forma, suponha que uma escritora, a qual exerça a sua 
atividade pessoal literária com a ajuda de uma pessoa para a diagramação 
e correção ortográfica, em regra, não é considerada uma empresária. 
Considere, agora, que essa mesma escritora comece a editar livros de 
outros autores, imprimi-los e vendê-los em busca de lucro. A situação 
se transformou de tal forma que fez surgir uma atividade intelectual 
organizada, classificada como atividade empresarial. 
As atividades intelectuais serão excepcionalmente consideradas empresárias, 
se houver a organização. Por sua vez, a atividade do advogado naturalmente 
exercente de atividade intelectual não poderá ser considerada empresária, 
ainda que o exercício da profissão seja absorvido pela empresa, em razão de 
expressa proibição objetiva no Estatuto do Advogado, seja a Lei n. 8.906/1994.
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Figura 1

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