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FISIOTERAPIA 
NEUROFUNCIONAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Identificar os pontos físicos do exame neurológico e sua aplicabilidade.
 > Descrever a rotina de avaliação fisioterapêutica.
 > Formular o diagnóstico fisioterapêutico neurofuncional voltado para a 
pediatria.
Introdução
A avaliação fisioterapêutica neurofuncional de crianças deve ser conduzida de 
forma muito peculiar, visto que tal população tem características anatômicas e 
fisiológicas bastante específicas. Ademais, uma atenção especial deve ser dada 
às crianças que apresentem alguma alteração com potencial para influenciar 
seu desenvolvimento neuropsicomotor. Como a criança está em fase de desen-
volvimento cerebral, tem grande capacidade de adaptação (neuroplasticidade); 
logo, os tratamentos devem ser iniciados o mais cedo possível para que sejam 
evitadas complicações ou sequelas.
Na avaliação, vários critérios devem ser levados em consideração para 
verificar se o desenvolvimento neuropsicomotor está dentro do esperado: a 
funcionalidade, os valores de Apgar, a qualidade de vida, as atividades e a par-
Avaliação 
fisioterapêutica 
aplicada à 
neuropediatria
Maria Cecília Ribeiro Bruning
ticipação, além de alterações que podem estar presentes desde o nascimento. 
Considerar todos esses critérios é essencial para que se tenha o prognóstico 
e se previnam sequelas.
Neste capítulo, você vai explorar os pontos físicos que devem ser avaliados na 
realização do exame neurológico em uma criança. Além disso, vai ver como essa 
avaliação deve ser realizada no contexto da fisioterapia e como o diagnóstico 
deve ser formulado.
Avaliação fisioterapêutica em 
neuropediatria: pontos-chave no exame 
físico
Quando pensamos na avaliação fisioterapêutica em neuropediatria, preci-
samos levar em conta os marcos de desenvolvimento motor de cada faixa 
etária. Por exemplo, com um mês, a criança reage a sons e produz flexão de 
mãos e braços; já com três meses, balbucia e segue objetos com os olhos. 
Assim, progressivamente, a criança vai se desenvolvendo. Sabe-se que os 
marcos de desenvolvimento surgem em sequência – gradualmente – e são 
contínuos, ainda que uma etapa possa vir em conjunto com outra, ou seja, 
elas podem se sobrepor (Tudella; Formiga, 2021). 
Uma avaliação adequada permite que seja feita uma abordagem global do 
paciente, potencializando os resultados das intervenções e auxiliando nas 
tomadas de decisão sobre quais terapêuticas empregar. Alguns elementos são 
básicos nesse contexto: o exame, a avaliação, o diagnóstico, o prognóstico e 
a intervenção (Tecklin, 2019).
Na avaliação, é preciso levar em conta a aquisição da habilidade de executar 
atos motores, ou seja, o desenvolvimento da motricidade, que está ligado à 
maturação do sistema nervoso nos anos iniciais de vida. Ocorre mielinização 
e são formadas as sinapses a partir da 18ª semana, havendo desenvolvimento 
até o sexto ano de vida. Na criança e no adulto, as habilidades que foram 
adquiridas anteriormente são necessárias para que novas competências 
sejam desenvolvidas; no caso da criança, o ambiente e a forma como ela é 
manuseada também influenciam o seu desenvolvimento (Shepherd, 1995).
Alguns fatores devem ser levados em conta na avaliação, como a presença 
de hipertonia (aumento do tônus) flexora quando a criança está em posição 
supina no primeiro trimestre de vida. Nesse caso, a cabeça fica rodada para 
um dos lados e a coluna permanece com posição intrauterina, flexionada, 
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria2
já que ainda não há atividade da musculatura paravertebral (Figura 1). No 
membro inferior, a pelve fica em retroversão e adução, e há flexão de quadril 
e de joelhos, além de dorsiflexão. A partir do segundo mês, começa a haver 
redução do padrão flexor fisiológico e aumento do padrão extensor assimé-
trico; a postura é assimétrica devido ao reflexo tônico cervical assimétrico 
(Tudella; Formiga, 2021).
Figura 1. Recém-nascido em padrão flexor e posição assimétrica; cabeça não permanece 
na linha média.
Fonte: dayanacerizola0/pixabay.com.
Se houver alguma alteração no sistema nervoso, pode haver mudanças 
nesses marcos. Nesse contexto, podem estar presentes alguns sinais, como 
fraqueza muscular, perda de destreza, anomalias na postura e aumento de 
reflexos proprioceptivos. Em uma avaliação neuropediátrica, é importante 
verificar, por exemplo: se há diminuição do tônus, quadro conhecido como 
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria 3
“hipotonia”; se há indicativo de lesão no sistema nervoso central; ou ainda 
se há hipertonia (às vezes chamada de “espasticidade”), que também denota 
algum comprometimento do sistema nervoso (Shepherd, 1995).
Em relação ao controle motor, existem diferentes sistemas de controle, 
que permitem os variados movimentos realizados pelo ser humano. Para 
que esses movimentos ocorram, são necessárias informações sensitivas 
captadas pelos diferentes receptores que convertem a energia física em 
sinais nervosos, os quais chegam aos centros de processamento neurológico 
e são traduzidos em sinais de força contrátil (para produzir movimento, por 
exemplo). O movimento normal depende do sistema neuromuscular, que 
percebe, integra e responde de forma adequada aos estímulos intrínsecos 
ou extrínsecos, sejam eles vindos do próprio corpo ou do ambiente externo.
Para a avaliação da função motora, existem diversas escalas, tais como o 
Teste de Desempenho Motor Infantil (Test of Infant Motor Performance – Timp), 
que permite avaliar a postura e o movimento de bebês entre 34 semanas e 
quatro meses de idade corrigida (que corresponde à idade que o bebê teria 
se nascesse com 40 semanas de gestação). Nessa escala, são verificadas as 
crianças que se beneficiam da intervenção precoce, e avalia-se: o controle 
e o alinhamento postural, que são a base para a execução de atividades 
funcionais; as posições e os movimentos contra a gravidade; a orientação 
da cabeça e do corpo; e a interação com cuidadores.
Já a Escala Motora Infantil de Alberta (Alberta Infant Motor Scale – Aims) 
verifica a maturação motora grossa, em que a criança inicia o desenvolvimento 
dos grandes grupos de músculos, que depois irão atuar na deambulação, 
na postura, etc. Ela abrange bebês do nascimento até a fase de marcha 
independente, identificando aqueles com desenvolvimento motor atrasado 
(Tecklin, 2019).
Outra avaliação que pode ser feita é a análise da marcha nas crianças para 
verificar qualquer alteração que possa ser um sinal de alerta. Ela serve para a 
avaliação de problemas mais graves nas crianças que já deambulam, ou seja, 
que já caminham em posição ortostática. Essa análise deve ser individual, 
permitindo verificar anormalidades para que, de acordo com a etiologia, sejam 
delineadas recomendações de tratamento. A análise pode ser feita por meio 
de gravação em vídeo; o importante é haver observação visual.
A condição clínica mais referida na análise da marcha é a paralisia cerebral. 
As crianças com essa condição apresentam desvio nos três planos de movi-
mento. A marcha se define como uma sequência de movimentos dos membros 
inferiores para avançar o corpo de forma segura e com baixo gasto de energia. 
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria4
Ela é cíclica, sendo o ciclo dividido em períodos de apoio e balanço; o apoio é 
dividido em cinco subfases, e o balanço, em três subfases (Pountney, 2008).
As crianças apresentam vários marcos de desenvolvimento, associa-
dos à sua idade cronológica (no caso de crianças prematuras, deve-se 
considerar a idade cronológica corrigida). Um desses marcos é o desenvolvimento 
motor, que é constante e dinâmico, sendo aprimorado ao longo da vida de 
acordo com as influências que a criança sofre (fatores biológicos e ambientais, 
por exemplo) e com a atividade realizada. Em suma, as posturas, movimentos 
e atividades vão sendo refinados conforme a criança vai crescendo, porém não 
dependem somente dela, mas também de fatores genéticos edo contexto em 
que está inserida.
Os marcos motores podem ser utilizados para a análise do desenvolvimento 
típico. Eles podem ser avaliados por meio de escalas e de acordo com várias 
abordagens teóricas. Esses fatores são relevantes na avaliação fisioterapêutica 
em neuropediatria para determinar as formas de intervenção mais adequadas 
para cada caso (Tudella; Formiga, 2021).
Nesta seção, você conheceu algumas escalas usadas para avaliar o de-
senvolvimento de uma criança. Além disso, explorou mudanças que podem 
estar presentes em pessoas dessa faixa etária e que podem ser evidenciadas 
pela avaliação fisioterapêutica em neuropediatria. Como veremos na próxima 
seção, é muito importante que a fase inicial dessa avaliação seja composta 
pela anamnese.
Rotina da avaliação fisioterapêutica em 
neuropediatria
A criança passa constantemente por mudanças, sejam elas no organismo 
ou mesmo no comportamento, e uma etapa de desenvolvimento vem após 
a outra (às vezes havendo sobreposição de etapas, como vimos). Entre os 
marcos do crescimento, está o desenvolvimento motor, que incrementa e 
atualiza as capacidades de realização de tarefas diárias. Nesse contexto, o 
fisioterapeuta deve avaliar a criança para verificar se existe qualquer alteração 
ou comprometimento em seu desenvolvimento motor. Para fazer isso, ele 
deve utilizar a escala avaliativa adequada ao quadro clínico apresentado, 
buscando determinar a melhor intervenção.
A avaliação fisioterapêutica em neuropediatria deve ser dividida em etapas. 
Ela começa pela anamnese, que consiste em uma entrevista para que sejam 
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria 5
levantadas as informações sobre a história do paciente, o início e a evolução 
de uma doença ou distúrbio, abrangendo até o momento da avaliação. Na 
anamnese, são feitas perguntas sobre: o quadro atual; a evolução; os antece-
dentes pessoais; a história da gestação, do parto e do nascimento; os hábitos 
alimentares; as vacinações; a evolução do crescimento e do desenvolvimento 
neuropsicomotor; e a história familiar e psicossocial (Fogaça; Zimmermann; 
Morelli, 2015).
Com base na anamnese e no exame físico, é possível definir quais aspectos 
do quadro clínico devem ser priorizados na conduta terapêutica. Além disso, 
os dados obtidos serão armazenados e permitirão acompanhar a evolução 
do paciente durante o tratamento fisioterapêutico. A anamnese começa com 
a identificação do paciente (nome, sexo, idade, data de nascimento, nome 
dos pais ou responsáveis, motivo da consulta, etc.). Depois da narrativa feita 
pelo responsável, devem ser verificados os sintomas e sua cronologia, bem 
como fatores que melhoram ou pioram ao longo do tempo. Também é preciso 
conferir se já foram realizados tratamentos, se o paciente faz uso de algum 
medicamento (especificando tempo, dose, etc.) e como a patologia repercute 
no dia a dia da criança.
Esses dados oferecerão uma síntese cronológica da história do paciente, o 
que é essencial para determinar posteriormente a conduta mais adequada de 
tratamento. Uma anamnese sobre os sistemas permite que fatos importantes 
da clínica do paciente não passem despercebidos e que diagnósticos secun-
dários sejam determinados. Fatores como febre, emagrecimento, alterações 
de humor e disposição, alergias, tosse, expectoração e diurese, entre muitos 
outros, são importantes para o diagnóstico fisioterapêutico final (Martins 
et al., 2010).
O exame neurológico em fisioterapia permite: identificar sinais que possam 
direcionar a doença-base; avaliar a presença de comprometimento motor 
ou sensorial; verificar alterações no tônus e a presença de deformidades; 
analisar como está a maturação e a integridade do sistema nervoso central 
e do periférico; e determinar as estratégias e os objetivos de tratamento, 
modificando-os quando necessário.
Na sequência, é muito importante realizar uma inspeção detalhada da 
criança em relação aos padrões posturais que ela adota em diferentes posi-
ções, visualizando como se dispõem os membros superiores e inferiores, o 
tronco, a cabeça e o pescoço. De acordo com a idade da criança, são avaliadas 
as posições sentada, em pé e deitada em prono e em supino, devendo ser 
registrados sinais como inclinação lateral da cabeça, rotação, pronação ou 
supinação de cotovelo e flexão de dedos.
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria6
Por meio do exame físico, é possível verificar as estruturas e funções 
do corpo do recém-nascido, do lactente ou da criança, e os resultados são 
associados aos achados da anamnese e ao exame neurológico, em que se 
verifica o desenvolvimento motor, os reflexos, as posturas e o tônus muscular. 
Assim, é possível realizar um diagnóstico fisioterapêutico. Nessa avaliação, 
se utilizam instrumentos auxiliares como: régua antropométrica, fita métrica, 
balança eletrônica, estesiômetro, termômetro e esfigmomanômetro infantis, 
goniômetro, martelo de reflexo, brinquedos audiovisuais e texturas variadas 
(de acordo com a idade do paciente). Além disso, é importante conhecer o 
escore de Apgar da criança ao nascer (Tudella; Formiga, 2021).
 Além da avaliação visual, outra forma importante de confirmação do 
diagnóstico é a palpação, verificando músculos para identificar tensão normal, 
diminuída ou aumentada. Sinais percebidos na inspeção ou sintomas que 
foram relatados na anamnese podem ser confirmados por meio da palpação. 
O tônus muscular deve ser classificado tendo como referência, entre outras, 
a Escala de Ashworth Modificada (EAM). Nessa escala, 0 indica nenhuma 
alteração no tônus e 4 evidencia uma parte afetada rígida em padrão postu-
ral, devendo ser testados os grupos musculares (Limeira Júnior et al., 2024).
A mobilidade deve ser verificada por meio da movimentação espontânea 
e passiva da criança – de suas articulações e de seu corpo de maneira global. 
Isso serve para avaliar parâmetros como a amplitude de movimento das arti-
culações de forma passiva e, se possível, ativa (nos principais movimentos de 
cada uma). Nesse contexto, pode-se avaliar a postura dinâmica e a estática 
movimentando a criança (para diagnóstico motor) e testando as reações 
de proteção anterior, lateral e posterior. As reações de equilíbrio podem 
ser verificadas por meio da oscilação corporal da criança, modificando seu 
centro de gravidade e promovendo desequilíbrio em sua postura, de modo 
a verificar a presença de movimentos espontâneos, funcionais e induzidos.
As medidas de avaliação antropométrica nos recém-nascidos – como 
comprimento, peso e formato da cabeça – ajudam a verificar a presença de 
plagiocefalia (abaulamento de um dos lados na face posterior da cabeça) ou 
outras alterações. Palpar o crânio serve para verificar presença de cicatriz, 
válvula para tratamento de hidrocefalia e ossos em posição inadequada. 
Também é necessário avaliar as medidas do crânio com fita métrica até os 
dois anos a fim de verificar quadros de microcefalia, macrocefalia ou hidro-
cefalia. No tronco, deve-se analisar o formato e o perímetro torácico durante 
o repouso, a inspiração e a expiração (Tudella; Formiga, 2021).
Quando possível, deve-se verificar a força muscular em crianças maiores 
que já conseguem realizar movimentos contra uma resistência, conferindo 
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria 7
também os reflexos e as reações. Os reflexos podem estar normais (normor-
reflexia), aumentados (hiper-reflexia) ou diminuídos (hiporreflexia); outra 
possibilidade é não haver reflexo (arreflexia). Os principais reflexos a serem 
testados são:
 � reflexo dos pontos cardeais;
 � reflexo dos olhos de boneca;
 � reflexo glabelar;
 � reflexo magnético;
 � reflexo de Galant;
 � reflexo de marcha;
 � reação de colocação dos pés;
 � reação de colocação das mãos;
 � reação de apoio positiva;
 � reflexo de sucção;
 � manobra de propulsão;
 � reflexo tônico lateral;
 � reflexo de preensão palmar;
 � reflexo de extensão cruzada;
 � reflexo tônico-cervical assimétrico;
 � reflexo tônico-cervicalsimétrico;
 � reflexo de Moro;
 � reflexo de preensão plantar;
 � reflexo cutâneo-plantar;
 � reflexo de defesa;
 � reflexo de Landau;
 � reação de paraquedismo;
 � reação de anfíbio.
São testados os reflexos profundos – bicipital, tricipital, patelar e aqui-
leu – e os superficiais – de Babinski e cutâneo-abdominal (Shepherd, 1995).
Depois dessas avaliações, é necessário realizar o exame neurológico para 
verificar como está a integridade e a maturação do sistema nervoso central 
e sua relação com as estruturas e funções. Primeiramente, deve-se avaliar: 
como está a movimentação espontânea da criança; como é sua coordenação 
sensório-motora; se apresenta deficiências, sejam elas primárias, secundárias 
ou globais; as limitações presentes em suas atividades; e as suas restrições. 
Isso irá indicar a melhor forma de intervenção.
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria8
No âmbito neurológico, deve-se verificar, entre outros fatores: reflexos 
normais ou alterados; tônus muscular (podendo haver hipertonia plástica, isto 
é, rigidez, ou hipotonia); coreia (movimentos anormais explosivos); atetose 
(movimentos hipercinéticos lentos); e ataxia (hipotonia e tremor intencional). 
A cada fase, deve-se verificar os reflexos, já que eles vão desaparecendo 
gradativamente; por exemplo, o da marcha desaparece no primeiro mês de 
idade. Em cada fase, portanto, certos reflexos permanecem ou cessam, de 
acordo com o desenvolvimento do sistema nervoso (Tudella; Formiga, 2021).
Após toda essa análise, o fisioterapeuta fará o diagnóstico e elencará 
as intervenções mais adequadas a cada caso clínico. A intenção é detectar 
qualquer mudança para encaminhar o paciente ao tratamento mais adequado. 
Vamos explorar esse assunto em mais detalhes na seção a seguir.
Diagnóstico fisioterapêutico em 
neuropediatria
A fisioterapia tem como principal objetivo em suas intervenções a promoção 
ou a restauração da funcionalidade. Por meio do diagnóstico, o fisioterapeuta 
identifica alterações cinético-funcionais prevalentes para definir os objetivos 
fisioterapêuticos e monitorar a trajetória em direção a eles, escolhendo os 
melhores recursos e técnicas para uma evolução clínica adequada. Nesse 
contexto, o fisioterapeuta precisa conhecer os fatores determinantes para a 
saúde, especialmente em recém-nascidos prematuros e crianças (Castilho-
-Weinert; Forti-Bellani, 2011).
A avaliação é um processo multidirecional, englobando o que é analisado 
pelo fisioterapeuta e as informações repassadas pelos responsáveis, de modo 
que o cuidado com a criança seja ideal. Na avaliação, leva-se em consideração 
as informações do paciente (local onde vive, atividades, etc.) na definição dos 
objetivos do tratamento, bem como do plano de ação terapêutico, sendo esse 
atendimento chamado de “prática baseada em evidências”. Todo o processo 
começa com a avaliação terapêutica e uma abrangência funcional da avalia-
ção inicial. O intuito do processo é manter ou recuperar a funcionalidade em 
atividades da vida diária, com o máximo de independência e qualidade de 
vida (Tudella; Formiga, 2021).
O diagnóstico pode estar centrado na Classificação Internacional de Fun-
cionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), em que são consideradas as condi-
ções de saúde e funcionalidade do indivíduo, levando-se em conta fatores 
contextuais, ambientais e pessoais (Farias; Buchalla, 2005). 
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria 9
A avaliação da criança com alteração neuromotora deve verificar como 
essa condição influencia os domínios de saúde e como tem impacto em sua 
participação na sociedade, analisando os ambientes familiar, social e escolar. 
Além disso, é preciso verificar como os fatores em si atuam sobre a saúde do 
indivíduo. Junto a uma equipe multiprofissional, o fisioterapeuta avalia a neces-
sidade de usar recursos como tecnologia assistiva para melhorar o desempenho 
do paciente na realização de atividades do dia a dia (Tudella; Formiga, 2021).
Nessa avaliação, quando se identifica assimetria persistente na postura 
ou quando estão presentes movimentos estereotipados, é necessária uma 
atenção maior. Veja alguns sinais que indicam anomalias: membros inferiores 
em extensão e adução; pés em flexão plantar; esperneios em extensão e 
adução; assimetria de postura; movimentos intensos com um membro supe-
rior ou um membro inferior; incapacidade de abrir uma das mãos; adução de 
polegar; reflexo de Moro depois dos quatro meses; opistótono; incapacidade de 
firmar a cabeça; clônus dos pés; e ausência de movimentos. Esses são alguns 
dos sinais que se manifestam em decúbito dorsal e que denotam alguma 
alteração na criança. Também devem ser avaliadas outras posições (decúbito 
ventral, sentada, em pé) para verificar qualquer alteração ou distúrbio em 
seu desenvolvimento neuropsicomotor (Shepherd, 1995).
Em relação à avaliação do tônus, o fisioterapeuta deve verificá-lo e clas-
sificá-lo. A espasticidade indica lesão em neurônios da via córtico-espinhal, 
provocando aumento do tônus e hiper-reflexia; nesse caso, o paciente apre-
senta resistência na realização de movimentos passivos (de acordo com o 
grau). A hipotonia é evidenciada quando não é possível manter posturas contra 
a gravidade e não há alinhamento, podendo ser sinal de atraso cognitivo, 
flutuações e atetoses. Nesse quadro, o tônus é variável, caracterizando lesão 
nos núcleos da base ou nas suas vias eferentes e aferentes. A ataxia, por sua 
vez, se relaciona com lesão cerebelar, tônus postural baixo, incapacidade de 
manter posturas e instabilidade nos movimentos (Castilho-Weinert; Forti-
-Bellani, 2011).
A seguir, veja a avaliação do tônus muscular em crianças e lactentes (Tu-
della; Formiga, 2021).
 � Hipertonia plástica: rigidez; resistência em todo o arco de movimento.
 � Hipotonia: diminuição do tônus muscular.
 � Coreia: movimentos anormais explosivos e abruptos em intervalos 
irregulares.
 � Atetose: movimentos lentos e hipercinéticos de contorção e retorção 
no pescoço e nas extremidades.
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria10
 � Ataxia: hipotonia e tremor intencional.
 � Quadro misto: coreia e atetose associadas.
 � Hipertonia flexora fisiológica: apresentada por recém-nascido a termo; 
tônus é idade-dependente.
Na avaliação motora, os principais sinais são a flexão simétrica e a hi-
pertonia fisiológica, que correspondem à postura em flexão natural que a 
criança assume por aumento do tônus dos músculos flexores, especialmente 
em membros superiores. No primeiro mês, a cabeça começa a ser controlada 
de forma voluntária, o que evolui até o terceiro mês. A partir do sexto mês, 
inicia-se a extensão completa e sustentada de membros superiores, a ele-
vação do tronco e a rotação controlada da cabeça. A posição sentada já é 
observada, há mobilidade da cabeça e exploração visual do ambiente. Então, 
iniciam-se controles posturais mais refinados, culminando na postura em pé 
e na marcha (por volta de um ano de vida).
Entre 1 e 2 anos, atividades motoras grossas e refinadas se iniciam, como 
subir e descer degraus, pular e correr. Também há reações de proteção e 
equilíbrio, ganho de força, resistência muscular e agilidade. Na avaliação, 
mudanças na performance sensório-motora mostram ausência de habilidades 
sensório-motoras ou alterações nelas, o que pode ser indicativo de disfunções 
no desenvolvimento infantil (Prado; Vale, 2012).
Como estamos vendo, a avaliação fisioterapêutica é composta por 
vários itens que permitem uma análise detalhada do quadro clínico 
do paciente. Ela é essencial para que a escolha da intervenção seja adequada e 
para que os objetivos de tratamento e as abordagens sejam ideais e satisfatórios 
(Melo et al., 2020).
Se você receber em sua clínica uma criança com encefalopatias (paralisia 
cerebral), ela irá demonstrar vários sinais e sintomas que devem ser avaliados para 
verificar a sua funcionalidade e a presença de alterações nas fases de desenvol-
vimento motor. Quando há uma lesãocerebral, a criança se desenvolve de forma 
mais lenta e, se não houver uma intervenção adequada, o seu desenvolvimento 
pode ser atrasado e desordenado por ação de fatores de risco (Melo et al., 2020).
Uma criança que tem hipotonia e atraso no desenvolvimento motor não 
deambula. Assim, ela depende da fisioterapia para a recuperação e a reabilitação 
da funcionalidade, a melhora da qualidade de vida e o auxílio na manutenção 
do desenvolvimento neuropsicomotor (levando em conta o que se considera 
normal em cada faixa etária). Nesse contexto, deve-se realizar uma avaliação 
detalhada e um tratamento adequado ao seu quadro clínico (que pode envolver, 
por exemplo, paralisia cerebral, lesão cerebral e lesões de plexo braquial) (Melo 
et al., 2020).
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria 11
Na área de fisioterapia em neuropediatria, é realizada a avaliação do 
desenvolvimento da criança desde o nascimento até a infância, seja essa 
criança prematura ou a termo (40 semanas). Essa análise permite escolher 
intervenções adequadas a cada quadro clínico que se apresenta na avaliação 
(alterações motoras, alterações musculares ou alterações posturais da marcha, 
por exemplo). As intervenções buscam melhorar o quadro de desenvolvimento 
e oferecer mais independência funcional ao paciente.
Como vimos neste capítulo, a avaliação se inicia com a anamnese adequada 
e completa, envolvendo ainda o exame físico, a palpação e a inspeção. Também 
são realizados testes neurológicos especiais que irão demonstrar o nível de 
comprometimento e a gravidade do quadro clínico.
O diagnóstico fisioterapêutico avalia: tônus muscular, postura, força mus-
cular e reflexos normais e patológicos presentes em casos de encefalopatias e 
lesões neurológicas. Junto ao diagnóstico médico, o diagnóstico fisioterapêu-
tico permite a determinação da evolução clínica da criança. Nesse contexto, 
existem escalas especiais, como Timp e Aims, que ajudam o profissional a 
identificar comprometimentos na independência e na funcionalidade. Por 
sua vez, a CIF demonstra as barreiras e facilidades nas atividades da criança.
Por fim, é importante pontuar que, além da avaliação, do diagnóstico e 
do tratamento adequados, sempre é importante a parceria entre família e 
profissional – além do trabalho de uma equipe multiprofissional – para que 
os resultados esperados nas terapias sejam alcançados.
Referências
CASTILHO-WEINERT, C. D.; FORTI-BELLANI, L. V. Fisioterapia em neuropediatria. Curitiba: 
Omnipax, 2011. 
FARIAS, N.; BUCHALLA, C. M. A classificação internacional de funcionalidade, incapaci-
dade e saúde da organização mundial da saúde: conceitos, usos e perspectivas. Revista 
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Thieme, 2015. 
LIMEIRA JÚNIOR, F. A. et al. Uso de essências vibracionais florais com tecnologia Quan-
tum Health em crianças com microcefalia: abordagem preliminar com dois casos. Peer 
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2010.
MELO, J. A. L. et al. Elaboração e validação de protocolo de avaliação multidimensional 
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Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 8, p. 59138-59152, 2020. 
POUNTNEY, T. Fisioterapia pediátrica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria12
PRADO, C.; VALE, L. A. Fisioterapia neonatal e pediátrica. Barueri: Manole, 2012. 
SHEPHERD, R. B. Fisioterapia em pediatria. 3. ed. São Paulo: Santos, 1995.
TECKLIN, J. S. Fisioterapia pediátrica. 5. ed. Barueri: Manole, 2019.
TUDELLA, E. et al. Desenvolvimento motor no primeiro ano de vida. In: TUDELLA, E.; 
FORMIGA, C. (org.). Fisioterapia neuropediátrica: abordagem biopsicossocial. Barueri: 
Manole, 2021. p. 23-40.
Leituras recomendadas
ESCÓSSIO, D. S. et al. Atuação fisioterapêutica na estimulação precoce em crianças 
com síndrome de Down: método Bobath. In: FERREIRA, M. A. B. et al. (org.). Diálogos 
interdisciplinares: uma ferramenta importante na produção do conhecimento. Belo 
Horizonte: Poisson, 2023. v. 1. p. 25-33.
SANTOS, J. F. M. et al. A importância do lúdico na fisioterapia neurológica infantil. 
Revista Ibero-Americana de Humanidades, v. 1, n. 1, p. 46-56, 2023.
Avaliação fisioterapêutica aplicada à neuropediatria 13

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