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PROTOCOLO DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER (Versão Abril 2023) Secretaria Municipal da Saúde Caxias do Sul – RS Abril 2023 1 Prefeito Adiló Didomenico Secretária de Saúde Daniele Leandra Meneguzzi Diretor de Políticas e Planejamento Saúde Dino Roberto Soares de Lorenzi Diretora da Atenção Primária em Saúde Juliana Argenta Caloni Diretora Técnica de Atenção à Saúde da Mulher Vanessa Bosi de Lima Almeida Responsável Técnica da Enfermagem Elisângela Nunes de Almeida Versão atualizada e revisada do Protocolo de Enfermagem na Atenção à Saúde da Mulher e da Gestante – SMS Caxias do Sul – 2019. Atualizado e Revisado em Abril de 2023 Entidade Mantenedora: Prefeitura Municipal de Caxias do Sul CNPJ: 88.830.609/0001-39 Instituição Mantenedora: Secretaria Municipal de Saúde de Caxias do Sul Endereço: Rua Marechal Floriano 421, Centro. Caxias do Sul. CEP Contato: (54) 3390 - 4400 E-mail: gabinetesaude@caxias.rs.gov.br 2 Sumário APRESENTAÇÃO……………………………………………………………………………5 1 CARACTERIZAÇÂO E SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE CAXIAS DO SUL…………………………………………………………………………………………………………………………………6 2 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER………………..8 3 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO……………..10 4 PREVENÇÃO E REASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA……………………………….15 5 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA GESTANTE DE RISCO HABITUAL……………………………………………………………………………………………………………..17 5.1 Atenção pré-concepcional…………………………………………………………………………………………..17 5.2 Diagnóstico de Gravidez……………………………………………………………………………………………..17 5.3 Acolhimento e Escuta…………………………………………………………………………………………………..19 5.4 Consulta de Enfermagem…………………………………………………………………………………………….20 5.4.1 Calendário de vacinas……………………………………………………………………………………………...22 5.4.2 Exame Clínico Obstétrico…………………………………………………………………………………………25 5.4.3 Resultados dos exames de rotina do pré-natal de risco habitual…………………………28 5.4.4 Aspectos a serem abordados nos grupos educativos realizados pela equipe multidisciplinar…………………………………………………………………………………………………………………...29 6 QUEIXAS MAIS COMUNS NA GESTAÇÃO……………………………………………………………...30 7 DIREITOS DA GESTANTE, DA PARTURIENTE E DA LACTANTE………………………..33 8 PUERPÉRIO…………………………………………………………………………………………………………………..35 9 ALEITAMENTO MATERNO………………………………………………………………………………………...39 9.1 Queixas/ intercorrências mais comuns na amamentação……………………………………….41 10 PLANEJAMENTO FAMILIAR……………………………………………………………………………………..45 10.1 Métodos Contraceptivos……………………………………………………………………………………………45 11 QUEIXAS GINECOLÓGICAS MAIS COMUNS………………………………………………………..47 11.1 Alterações menstruais……………………………………………………………………………………………...47 11.2 Corrimento genital……………………………………………………………………………………………………..47 11.3 Dor pélvica………………………………………………………………………………………………………………….48 11.4 Infecção urinária………………………………………………………………………………………………………...48 REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………………………………………...49 3 COMISSÃO DE PROTOCOLOS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA/ATENÇÃO BÁSICA PORTARIA Nº 106/2019 Considerando a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências; o Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987, que Regulamenta a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá outras providências; a Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências; a Resolução COFEN nº 195 de 1997, que dispõe sobre a solicitação de exames de rotinas e complementares por Enfermeiro; a Resolução COFEN nº 358 de 15 de outubro de 2009, que dispõe sobre a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências; Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências; a Lei nº 12.401 de 28 de abril de 2011, que altera a Lei nº 8.08Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências; de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no SUS; o Decreto nº 7.508 de 28 de junho de 2011, o qual regulamenta a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa, e dá outras providências; a Resolução COFEN nº 509 de 4 de abril de 2016, que atualiza a norma técnica para Anotação de Responsabilidade Técnica pelo Serviço de Enfermagem e define as atribuições do enfermeiro Responsável Técnico; a Resolução COFEN nº 514 de 6 de junho de 2016, que aprova o guia de Recomendações para os registros de enfermagem no prontuário do paciente com a finalidade de nortear os profissionais de Enfermagem; a Resolução COFEN nº 543 de 12 de maio de 2017, que atualiza e estabelece parâmetros para o Dimensionamento do Quadro de Profissionais de Enfermagem nos serviços/locais em que são realizadas atividades de enfermagem; a Resolução COFEN nº 564 de 6 de dezembro de 2017, que aprova o novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem; a Portaria GM/MS nº 2.436, de 24 de setembro de 2017, que aprova a Política Nacional da Atenção Básica; as Publicações do Ministério da Saúde as quais norteiam as ações em saúde; a necessidade de respaldar a atuação do profissional enfermeiro no âmbito da Atenção Primária em Saúde. 4 APRESENTAÇÃO O protocolo de enfermagem na área da atenção ginecológica e ao pré-natal de risco habitual visa contribuir para a redução da morbidade e mortalidade materna e perinatal, bem atender situações comuns da saúde da mulher, em particular às relacionadas às patologias mais prevalentes e de maior impacto como o câncer de mama e de colo uterino. O referido protocolo contém a descrição de uma situação específica de assistência/cuidado, nos diversos ciclos e ações programáticas, o que permite operacionalizar o processo do cuidado, dando suporte técnicos aos profissionais de enfermagem. Compreende o cuidado de enfermagem nos serviços da Atenção Primária à Saúde voltado à mulher com base nas linhas de cuidados prioritários e ações de promoção da saúde, prevenção de doenças e redução de risco, rastreamento/detecção precoce, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças, considerando a singularidade, as necessidades e os direitos da mulher. 5 1 CARACTERIZAÇÃO E SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE CAXIAS DO SUL O município de Caxias do Sul está localizado na extremidade leste da encosta superior do nordeste do estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. A população de Caxias do Sul possui, atualmente, 523.716 habitantes (estimativa IBGE/2021). A Secretaria Municipal da Saúde é responsável pela formulação e a implantação de políticas, programas e projetos que visem à promoção de uma saúde de qualidade aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua missão é prestar atenção integral à saúde da população da cidade, o que atribuições do enfermeiro na saúde da mulher inclui desde a assistência básica até o atendimento aos casos mais complexos, incluindo a atenção hospitalar e aos casos de urgência e emergência. Há 50 Unidades Básicas de Saúde no município, 52 equipes de Saúde da Família e 33 equipes de EAP. Fecundidade A fecundidade em mulheres com menos de 15 anos de idade no município de Caxias do Sul, foi de 3,46% (2000 e 2015) e 28,47% entre 15 e 19 anos, no mesmo período. Sabe-se que a gravidez precoce eleva o risco de abandono escolar, contribuindo para a precarização econômica e potencializando a vulnerabilidade social das mulheres adolescentes. Além disso,e cultural que vive. Encaminhar para médicos prescrever. 10.1 Métodos Contraceptivos A escolha do método contraceptivo depende da idade, doenças associadas, tabagismo, estilo de vida e perfil sociocultural, uma vez que há contraindicações relativas e absolutas para cada método. Portanto, é importante levantar o histórico gineco-obstétrico, rastrear e registrar o risco cardiovascular da paciente, interrogar comorbidades e medicamentos em uso, investigar gestação em curso, etc. É fundamental elucidar os possíveis efeitos colaterais e interações medicamentosas que possam vir a interferir na eficácia do método, bem como orientar quanto à importância do uso do preservativo: Dispositivo Intrauterino (DIU): Na consulta de enfermagem quando a paciente demonstrar interesse por este método e tiver indicação para o uso do mesmo o enfermeiro deve fornecer informações e esclarecimentos: • Deve realizar coleta do exame citopatológico (se o último foi a mais de um ano); • Inserir no CMCE e fornecer termo de consentimento; 44 • Orientar a manter os cuidados contraceptivos; • Se o citopatológico estiver alterado encaminhar para consulta médica para tratamento; • Esclarecer que não há limite inferior ou superior de idade para o uso do DIU, nem mesmo a questão de nuliparidade é um impeditivo ao uso do método; • Quando for agendado a inserção do DIU a paciente deve comparecer ao Ambulatório com um acompanhante, levar o resultado do exame citopatológico e apresentar um teste de gravidez negativo realizado até 48 horas antes do procedimento ou teste rápido realizado na UBS. Laqueadura de trompas e vasectomia: os usuários que tomarem esta decisão poderão ser referenciados ao Ambulatório de Planejamento Familiar, desde que maiores de vinte e um anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. Devem, obrigatoriamente, participar de grupos de planejamento familiar na UBS ou orientação individual. (Conforme Lei Federal nº 14443/2022). O enfermeiro deve esclarecer sobre riscos cirúrgico-anestésicos, efeitos colaterais, irreversibilidade do método, opções de métodos de reversão. Após todos os esclarecimentos o usuário (a) deve assinar o termo de manifestação de vontade. Anticoncepção de Emergência: Tem indicação de uso após uma relação sexual desprotegida, falha potencial de um método já utilizado ou às vítimas de violência sexual. Deve ser usada até 72 horas, reduz a possibilidade de gravidez em 75%. Mas pode ser utilizada até o quinto dia após a relação sexual sem proteção. Pode ser prescrita pelo enfermeiro. Métodos comportamentais – tabelinha, controle de muco cervical não devem ser recomendados ou estimulados pela sua alta taxa de gravidez; Métodos de barreira - podem ser usados com 30 dias após o nascimento, recomendado usar lubrificante pela atrofia vaginal que ocorre no puerpério (preservativo masculino). Pode ser ainda usado preservativo feminino; 45 Implante Subdérmico - são critérios de inclusão no Programa de Implante Subdérmico na SMS de Caxias do Sul: • Adolescentes gestantes com até 16 anos (inclusive); • Dependente química sem acompanhamento; • Doença mental incapacitante; • Risco social alto. 11 QUEIXAS GINECOLÓGICAS MAIS COMUNS 11.1 Alterações menstruais: • Atraso menstrual/ amenorréia - 7 dias ou mais, solicitar teste rápido de gravidez se mulher sexualmente ativa. Caso não tenha atividade sexual: encaminhar para consulta médica. • Sangramento uterino irregular – encaminhar para consulta médica 11.2 Corrimento genital – solicitar exames direto de secreção vaginal ou encaminhar ao médico • Vaginose bacteriana (Gardnerella vaginalis) – Metronidazol gel (7 noites)* • Candidíase vaginal – Miconazol creme ( 7 noites) ou Fluconazol 150 mg dose única (contraindicado na gravidez) * • Tricomoníase (trata-se de IST) – Metronidazol 250 mg, 02 comprimidos a cada 12h (VO) por 7 dias – casal. Solicitar testes rápidos (casal), sem atividade sexual por 7 a 10 dias. • Recidivas – Encaminhar para médico * Se achado em exame CP rotineiro e paciente assintomática – Não tratar: • Vaginose: ardência vaginal, corrimento fétido e dor na relação sexualidade • Candidíase: prurido vaginal, corrimento esbranquiçado e grumoso, relação sexual dolorosa 46 11.3 Dor pélvica – encaminhar para consulta médica 11.4 Infecção urinária (ardência miccional, hematúria e urgência miccional) pode ser atendida pelo médico ginecologista, clínico, médico ESF ou enfermeiro (urgência). Conforme necessidade o enfermeiro pode solicitar EQU e urocultura com teste e encaminhar resultado para médico. 47 REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, Lêda M; CUBAS, Márcia Regina e organizadores. Cipescando em Curitiba. Construção e Implementação da Nomenclatura de Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem na Rede Básica de Saúde, 2005. AMHERDT, Amy; MILAR, Jane. 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Dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente, e em outros documentos próprios da enfermagem, independente do meio deManual técnico: saúde da mulher nas Unidades Básicas de Saúde / Secretaria da Saúde, Coordenação da Atenção Básica/Estratégia Saúde 50 http://www/ http://www.portalcofen.gov.br/ http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-1951997_4252 da Família. – 2. ed. - São Paulo: SMS, 2012. 67 p. – suporte – tradicional ou eletrônico. Disponível em: . Acesso em 30 abr 2019. ______. Resolução n. 514, de 15 de maio de 2016. Aprova o Guia de Recomendações para os registros de enfermagem no prontuário do paciente, com a finalidade de nortear os profissionais de Enfermagem. Disponível em: . Acesso em 30 abr 2019. ______. Diretrizes para elaboração de Protocolos de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde pelos Conselhos Regionais / Conselho Federal de Enfermagem. Brasília: COFEN, 2018. CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIROS. 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Acolhimento e escuta O acolhimento da gestante implica a responsabilização pela integralidade do cuidado, a partir de uma escuta qualificada e da avaliação de vulnerabilidades, de acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. O profissional deve permitir que a gestante expresse suas preocupações e suas angústias, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e, quando necessário, possibilitando a criação de vínculo da gestante com a equipe de saúde. É importante acolher o(a) acompanhante de escolha da mulher, não oferecendo obstáculos à sua participação no pré-natal, no trabalho de parto, no parto e no pós-parto (Lei nº 11.108, de 7 de abril de 2005). 5.4. Consulta de Enfermagem 5.4.1 Calendário de vacinas 5.4.2 Exame Clínico Obstétrico (a cada consulta): 5.4.3 Resultados dos exames de rotina do pré-natal de risco habitual. 5.4.4 Aspectos a serem abordados nos grupos educativos realizados pela equipe multidisciplinar. 6 QUEIXAS MAIS COMUNS NA GESTAÇÃO 8 PUERPÉRIO Prescrição do contraceptivo (MÉDICO NA CONSULTA DE 30 DIAS APÓS O NASCIMENTO) 9 ALEITAMENTO MATERNO Pega correta: 9.1 Intercorrências mais comuns na amamentação O bebê não suga ou tem sucção fraca - Pode estar associada ao uso de bicos artificiais, chupetas ou dor ao ser posicionado (posicionamento incorreto) para mamar. O bebê pode não conseguir abrir a boca o suficiente para abocanhar a aréola e fazer uma boa pega, as mamas podem estar ingurgitadas e dificultar a pega ou ainda a mãe pode ter mamilos planos ou invertidos. Em algumas mulheres o leite pode demorar de três a quatro dias para descer (apojadura). Deve-se apoiar a mãe a manter o aleitamento materno. Se as mamas estiverem muito cheias, com a pele esticada, deve-se esvaziá-las um pouco antes de amamentar, para amaciar a aréola e facilitar a pega. Condições clínicas maternas que necessitam de avaliação quanto à manutenção ou contraindicação de aleitamento materno. Pouco leite ou leite fraco - Pode estar associado à insegurança materna, quanto a sua capacidade de nutrir plenamente o seu bebê. A mãe, algumas vezes, interpreta o choro do bebê e as mamadas frequentes (comportamentos normais do bebê) como sinais de fome. A mãe sente a mama murcha (flácida). A pouca produção de leite materno pode ser feita pelo acompanhamento do peso do bebê, se ele estiver com ganho de peso inadequado, a preocupação da mãe será pertinente. Deve-se avaliar os fatores maternos (desejo de amamentar, estresse, falta de apoio e outros); acolher a mãe e avaliar se as mamas estão cheias ou flácidas; verificar se a pega e o posicionamento do bebê estão corretos; aumentar a frequência das mamadas; dar tempo para o bebê esvaziar as mamas; e oferecer as duas mamas em cada mamada. Mamilos planos ou invertidos - Podem dificultar o início da amamentação, mas não a impede, pois o bebê faz o bico com a aréola. Deve-se encorajar a mãe, pois a medida que o bebê vai sugando, os mamilos vão se tornando mais propícios à amamentação. Ajudar a mãe a fazer o bebê abocanhar os mamilos e parte da aréola, para isso é necessário que a aréola esteja macia, além de tentar posições. Enquanto o bebê não sugar efetivamente o leite deve ser ordenhado e oferecido ao bebê com copo ou seringa. Ingurgitamento mamário - O ingurgitamento mamário ocorre, geralmente, três a cinco dias após o parto, mas pode acontecer em qualquer período da lactação, devido leite em abundância, início tardio da amamentação, restrição da frequência e da duração das mamadas e sucção ineficaz do bebê. O ingurgitamento pode ser fisiológico ou patológico. Lesões ou dor nos mamilos - Trauma mamilar (fissuras, edema, bolhas, hematomas, equimoses) é a causa mais comum de dor na nos mamilos amamentação, geralmente, devido pega e posicionamento. Inadequados. Deve-se orientar: Mastite - É um processo inflamatório que acomete um ou mais segmento das mamas, geralmente, unilateral, que pode progredir ou não para uma infecção bacteriana. O leite acumulado e o dano tecidual favorecem a instalação da infecção, comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus) e às vezes por Escherichia colli e Streptococcus, sendo as lesões mamilares, a porta de entrada mais frequente das bactérias. A mastite pode ser infecciosa ou não infecciosa: Abcesso Mamário - Em geral, é causado por mastite não tratada, tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. É comum após a interrupção da amamentação na mama afetada pela mastite, sem a ordenha do leite. O diagnóstico é feito pelo quadro clínico: febre mal-estar, calafrios e presença de área de flutuação no local afetado. O enfermeiro deve observar a presença de nódulo duro que não regride, febre de instalação súbita, sensação de mal estar geral; e encaminhar para consulta médica no mesmo dia. No diagnóstico diferencial do abscesso, deve-se considerar galactocele, fibroadenoma e carcinoma da mama. 10 PLANEJAMENTO FAMILIAR 10.1 Métodos Contraceptivos 11 QUEIXAS GINECOLÓGICAS MAIS COMUNS WORKOWSKI, K. A., BOLAN, G..A. Sexually transmitted diseases treatment guidelines, 2015. Centers for Disease Control and Prevention. MMWR Recomm Rep. 2015 Jun 5;64(RR-03):1-137. Disponível em Acesso em 04 Jul 2019.não raramente, quanto mais precoce a gravidez, maior a possibilidade de reincidência de nova gestação. Por outro lado, houve um aumento da fecundidade entre mulheres a partir dos 35 a 39 anos (24,37%) e mesmo após os 40 anos (8,8%), o que requer monitoramento, pois o conceber mais tardiamente traz maiores riscos maternos e perinatais, com destaque para as malformações e cromossomopatias fetais. Parto e Nascimento Em relação ao tipo de parto, o aumento das taxas de cesarianas é um dado preocupante no Brasil. Esse tipo de parto representou aproximadamente 56% dos partos, porém houve uma variação entre serviços públicos (40%) e serviços privados (85%) no município. Essas taxas divergem com os 15% preconizados pela Organização Mundial da Saúde para preservação do binômio mãe – filho. No Brasil, corroborando com esses dados, maiores taxas de mortalidade maternas foram associadas com maiores porcentagens de cesárias. Há uma tendência mundial no aumento da prática de cesarianas. Segundo dados do DATASUS, em Caxias do Sul, no ano de 2000 e 2017, os partos cesáreos representaram 57,7% e 71,1%, respectivamente. A variação percentual do período avaliado indicou um aumento de 13,4% no parto cesáreo. Esses dados sugerem um questionamento sobre a real indicação clínica da execução de cesarianas. 6 Câncer de Mama e Colo do Útero O câncer de mama lidera as causas de óbito feminino por neoplasias, sendo seguido pelas neoplasias de brônquios e pulmões. O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, após o câncer de pele não melanoma, respondendo por 28% dos casos novos a cada ano entre o sexo feminino (Caxias do Sul, 2018). Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente, após os 50 anos. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. O rastreio populacional entre 50 e 69 anos mediante mamografia é a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde para a sua detecção precoce e redução da mortalidade feminina. Segundo o Instituto Nacional do Câncer ( 2019), o câncer do colo do útero é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano – HPV. Algumas alterações celulares podem evoluir para o câncer, porém são descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como Papanicolau) e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, a importância da realização de campanhas e periodicidade da realização do exame. 7 2 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER A Consulta de Enfermagem (COFEN, 2018) deve estar baseada em suporte teórico que oriente e ampare cada uma das etapas do processo de enfermagem: coleta de dados ou histórico de enfermagem; diagnóstico de enfermagem; planejamento de enfermagem; implementação e avaliação de enfermagem. Além da competência técnica, o enfermeiro deve demonstrar interesse pela saúde da mulher e seu modo de vida, ouvindo suas queixas e considerando suas preocupações e angústias, através de uma escuta qualificada, a fim de proporcionar a criação de vínculo. Desta forma, poderá contribuir para a produção de mudanças concretas e saudáveis nas atitudes da mulher, de sua família e comunidade, exercendo assim papel educativo. A Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados está prevista na Resolução Cofen nº 358/2009 (COFEN, 2009). A execução do Processo de Enfermagem deve ser registrada formalmente, através do resumo dos dados coletados sobre a pessoa; os diagnósticos de enfermagem acerca das respostas da pessoa; as ações ou intervenções de enfermagem realizadas; e os resultados alcançados. Esses registros podem ser também da família ou coletividade humana. O registro no prontuário eletrônico recomenda o uso do SOAP (Subjetivo, Objetivo, Análise e Plano), a construção/atualização da lista de problemas e a utilização da Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC), como forma de facilitar a comunicação entre profissionais e a obtenção de dados clínicos. Quanto à taxonomia utilizada no processo de enfermagem, optamos pela Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde Coletiva (CIPESC). O Projeto das CIPESC foi constituído, em 1996, pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e construído em consonância com a realidade de saúde do Brasil. Deu origem ao Livro “Cipescando em Curitiba: Construção e Implementação da Nomenclatura de Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem na Rede Básica de Saúde. A CIPESC “é capaz de desencadear o raciocínio clínico, julgamento e a tomada de decisão do enfermeiro por meio do diagnóstico de enfermagem e o plano de cuidados”. Tem por referência os pressupostos da Reforma Sanitária Brasileira, os perfis de saúde-doença da população e a inscrição constitutiva da enfermagem no processo de produção de saúde. Assim, as consultas de enfermagem adquiriram uma maior visibilidade na APS, bem como, consolida o compromisso ético do junto ao usuário. Segundo o Ministério da Saúde, as atribuições do Enfermeiro na saúde da mulher/pré-natal são: • Realizar acolhimento com escuta qualificada e privacidade, de modo a proporcionar ambiente de confiança e respeito; • Realizar exame clínico das mamas e solicitar mamografia conforme protocolo; 8 • Coletar exame citopatológico do colo do útero conforme protocolo; • Realizar testes rápidos (diagnóstico de gravidez, sífilis, hepatite B, hepatite C e HIV); • Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou atividades de sala de espera); • Atentar para situações de violência física, psicológica, sexual e outras, entre parcerias sexuais e intrafamiliares; • Orientar a mulher sobre os serviços de referência para atendimento à violência sexual: Centro de Referência da Mulher e Pravivis (Centro Obstétrico Hospital Geral); • Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da amamentação e vacinação; • Preencher e fornecer o Cartão da Gestante, que deve ser verificado e atualizado a cada consulta; • Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal; • Orientar a vacinação nas mulheres; • Identificar as gestantes com algum sinal de alarme e/ou identificadas como de alto risco e encaminhá-las para consulta médica. Caso seja classificada como de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta médica (ou demora significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada diretamente ao serviço de referência; • Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à vulnerabilidade e social e risco clínico; • Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca ativa das gestantes faltosas; • Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal; • Orientar, estimular e acompanhar o processo de aleitamento materno; • Orientar e esclarecer dúvidas em relação ao planejamento familiar. 9 3 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer, 2020), o câncer de colo do útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres e apresenta maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente, seguido do câncer de pele (juntamente com o câncer de mama, lidera os tumores de causa ginecológica). O método de rastreamento do câncer do colo de útero e de suas lesões precursoras é o exame citopatológico, que deve ser realizado anualmente. A coleta deverá ocorrer a cada 3 anos após 2 exames consecutivos com resultado negativo em mulheres assintomáticas e que já tiveram atividade sexual dos 25 anos até os 64 anos de idade, desde que não sejam histerectomizadas(a cada três anos após dois exames anuais consecutivos negativos). Sempre orientar a usuária sobre o procedimento, buscando esclarecer suas dúvidas e reduzir a ansiedade. Em relação à técnica da coleta de material citológico, deve-se seguir as normas descritas no Protocolo de Procedimentos Operacionais Básicos de Enfermagem do município (POP n. 66, pág. 147). Quadro 1. Recomendações da coleta do exame citopatológico do colo do útero diante da situações Situação O que fazer? Sem história de atividade sexual Não há indicação para rastreamento do câncer de colo do útero Gestantes Aproveitar o período gestacional para rastrear, porém recomenda-se análise caso a caso, pesando riscos e benefícios Climatério e pós menopausa Se dificuldade diagnóstica decorrente de atrofia, encaminhar para consulta médica Histerectomizadas por motivo benigno Não precisa realizar o CP do colo Imunossuprimidas Coleta semestral enquanto persistir a imunossupressão 10 Quadro 2. Recomendações diante dos problemas mais frequentes encontrados durante a coleta do exame citopatológico do colo do útero Ressecamento vaginal ou colpite atrófica - É comum no período do climatério, com indicação de tratamento se houver secura vaginal, dispareunia, dificuldades na coleta do exame ou atrofia na amostra. - Encaminhar ao médico para avaliação e prescrição de estriol se necessário (medicação de risco para carcinoma de endométrio) - Mulheres com história de câncer de mama devem ser encaminhadas para avaliação médica. Ectopia Presença de epitélio endocervical eviscerado para ectocérvice. Achado fisiológico, só demanda intervenção se citopatológico alterado ou sangramento pós-coital (cauterização). Cisto de Naboth É decorrente da obstrução dos ductos excretores das glândulas endocervicais subjacentes, sem significado patológico, não demandando intervenções (fisiológico) Pólipos Cervicais - São projeções da mucosa do canal do colo uterino, podendo levar a sangramento vaginal fora do período menstrual e principalmente após relação sexual. Na maioria dos casos, são benignos, não causam dor pélvica ou dispareunia. - Encaminhar ao ginecologista para retirada em presença de queixa de sangramento após relação sexual, corrimento vaginal aumentado; sangramento discreto entre as menstruações. 11 Quadro 3. Adequabilidade da amostra Amostra insatisfatória para avaliação - Amostra com leitura prejudicada por natureza técnica ou devido à presença de: sangue, piócitos, artefatos de dessecamento, contaminantes externos ou intensa superposição celular. - A mulher deve repetir o exame em 6 a 12 semanas com correção, quando possível, do problema que motivou o resultado insatisfatório. Amostra satisfatória para avaliação - Células em quantidade representativa, cuja observação permita conclusão diagnóstica. Podem estar presentes células representativas dos epitélios do colo do útero: células escamosas; células glandulares (não inclui o epitélio endometrial) e células metaplásicas. Esfregaços normais somente com células escamosas - O exame citopatológico deve conter amostra do canal cervical coletada com escova apropriada e da ectocérvice, coletada com espátula tipo ponta longa (espátula de Ayre). 12 Quadro 4. Conduta frente aos resultados de exames citopatológicos normais Resultados O que fazer? Dentro dos limites da normalidade no material examinado Seguir a rotina de rastreamento citológico.Metaplasia escamosa imatura Reparação epitelial Inflamação sem identificação do agente (alterações celulares benignas reativas ou reparativas) - Seguir a rotina de rastreamento citológico. - Se sintomática: vide página 47 Achados microbiológicos: - Lactobacillus sp, cocos Seguir a rotina de rastreamento citológico. Se sintomática: vide página 47 Bacilos supracitoplasmáticos (sugestivos de Gardnerella/ Mobiluncus, Candida sp) Seguir a rotina de rastreamento citológico. Tratar apenas em caso de queixa clínica de corrimento vaginal. Atrofia com inflamação Seguir rotina de rastreamento citológico. Se o laudo do exame citopatológico mencionar dificuldade diagnóstica decorrente da atrofia, a estrogenização deve ser feita por meio da via vaginal se não há contraindicação (risco de câncer endometrial). Indicando radiação Seguir rotina de rastreamento citológico. O tratamento radioterápico prévio deve ser mencionado na requisição do exame. Achados microbiológicos: - Chlamydia sp. - Efeito citopático compatível com vírus do grupo herpes - Trichomonas vaginalis - Actinomyces sp. - Chlamydia, Gonococo e Trichomonas: mesmo que sintomatologia ausente (como na maioria dos casos de infeção por Chlamydia e Gonococo), encaminhar para tratamento da mulher e parceria sexual, além de oferta de sorologias de IST e orientações (uso de preservativo). - Actinomyces: bactéria encontrada no trato genital de um percentual (10% a 20%) de mulheres usuárias de DIU; rara em não usuárias. A conduta é expectante: não se trata, não se retira o DIU. - Herpes vírus: recomenda-se o tratamento em caso de presença de lesões ativas de herpes genital. Citologia com células endometriais normais fora do período menstrual ou - Seguir rotina de rastreamento citológico. - Avaliar a cavidade endometrial, confirmando se o exame não foi realizado próximo ao período 13 após a menopausa menstrual (encaminhar para médico). Quadro 5. Recomendação inicial diante de resultados de exames citopatológicos anormais Resultados O que fazer? Atipias de significado indeterminado Em células escamosas. Provavelmente não neoplásica. (ASC-US) - Em mulheres com o colo do útero presente, cuja conclusão diagnóstica apresente resultados normais deverão ser repetidos em seis meses*. Não se pode afastar lesão de alto grau. (ASC-H) Enfermeiro encaminha para Serviço de Patologia Cervical Em células glandulares. Provavelmente não neoplásica. (AGC) Enfermeiro encaminha para Serviço de Patologia CervicalNão se pode afastar lesão de alto grau. (AGC-H) De origem indefinida. Provavelmente não neoplásica. Enfermeiro encaminha para Serviço de Patologia CervicalNão se pode afastar lesão de alto grau. Lesão intraepitelial de baixo grau Enfermeiro encaminha para Serviço de Patologia Cervical Se dois exames negativos, seguir rotina de rastreamento. Lesão intraepitelial de alto grau Enfermeiro encaminha para Serviço de Patologia Cervical Lesão intraepitelial de alto grau, não podendo excluir microinvasão ou carcinoma epidermoide invasor Enfermeiro encaminha para o Ceclin - UCS, em ALTA prioridade Adenocarcinoma in situ ou invasor *Protocolo de Patologia Cervical de Caxias do Sul, 2020. 14 4 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA Na consulta de enfermagem da mulher, primeiramente questionar aspectos sociais e emocionais, história familiar, antecedentes pessoais, história obstétrica, método contraceptivo usado (encaminhar para planejamento familiar se necessário) e condições gerais de saúde. O exame físico se dará sentada, inicialmente, na mesa ginecológica, com o tronco desnudo e os braços pendentes ao lado do corpo ou com os braços levantados sobre a cabeça. Observar as mamas quanto à simetria, tamanho, contorno, forma, pigmentação areolar, aspecto da papila, saída espontânea de secreção e características da pele: presença de achatamento, abaulamento ou espessamento da pele da mama e/ou retrações. Diferenças na cor, temperatura, textura e padrão de circulação venosa. Na inspeção dinâmica, solicitar a elevação dos braços em direção do segmento cefálico. Após, solicitar que a mulher coloque as mãos atrás da nuca e faça movimentos de abrir e fechar os braços. Observar presença de retrações ou exacerbações de assimetrias, além de verificar comprometimento do plano muscular em casos de carcinoma. Deve-se pesquisarlinfonodos palpáveis. Não se recomenda o autoexame de mamas, pois este não dispensa a mamografia. Segundo evidências, não provou ser benéfico para a detecção precoce de tumores e por trazer falsa segurança, dúvida e excesso de exames invasivos. Portanto, não deve ser orientado/estimulado para o reconhecimento de lesões, embora possa ser recomendado para que a mulher tenha conhecimento de seu próprio corpo. A mamografia é o principal exame diagnóstico do câncer de mama. Sua sensibilidade é maior após os 50 anos pela maior adiposidade da mama. No entanto, já deve ser solicitada rotineiramente a partir dos 40 anos de idade, conforme recomendação do Protocolo do Município de Caxias do Sul (ver resultados possíveis da mamografia no quadro 6). 15 Quadro 6. Alterações e encaminhamentos conforme Bi-Rads. BI-RADS SIGNIFICADO RISCO DE CÂNCER CONDUTA 0 - exame inconclusivo indeterminado - Encaminhar para consulta médica 1 - benigno 0% - Enfermeiro solicita mamografia anual 2 - benigno 0% - Enfermeiro solicita mamografia anual 3 - provavelmente benigno 95% - Enfermeiro encaminha para Mastologista - Biópsia. 6 - biópsia prévia confirma câncer 100% - Enfermeiro encaminha para Mastologista - Tratamento oncológico 16 5.CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA GESTANTE DE RISCO HABITUAL 5.1. Atenção pré-concepcional O aconselhamento pré-concepcional se caracteriza por um conjunto de medidas de natureza médica, social e psíquica que visa permitir ao casal, preferencialmente, ou à mulher, isoladamente em alguns casos, determinar o momento ideal para que a gestação ocorra. Assim, é recomendável que antes da decisão favorável à concepção sejam discutidos com o casal aspectos como sexualidade, anticoncepção e a própria gravidez, e paralelamente a ampla gama de mudanças que a gestação e a maternidade podem acarretar ao organismo, fisiológicas e, eventualmente, patológicas. Diante disso, é recomendável que a mulher seja avaliada antes de engravidar e em tempo oportuno, idealmente 3 meses antes da concepção, para que possa dispor de melhores condições clínicas e receber orientações adequadas quanto a hábitos saudáveis. Isso inclui orientações sobre alimentação, tabagismo, álcool, drogas, medicamentos em uso, esquema de vacinação e controle de peso. A suplementação com ácido fólico e a realização de exames básicos, como testes rápidos para HIV, Hepatites B e C e Sífilis e coleta de citopatológico do colo uterino devem fazer parte desse momento. Aliada a essas medidas de ordem geral, a orientação pré-concepcional favorece a solução de dúvidas e mitos e oferece um esclarecimento inicial na tentativa de amenizar as preocupações do casal, permitindo uma gestação mais tranquila. 5.2. Diagnóstico de Gravidez • Dosagem urinária de gonadotrofina coriônica humana (ßHCG) ou teste rápido de gravidez – com vistas a antecipar a captação pré-natal precoce das gestantes. Mulheres com história de atraso menstrual de sete dias ou mais devem realizar este teste. É um método de sensibilidade e especificidade comparável à dosagem plasmática da gonadotrofina coriônica humana (ßHCG); 17 Suspeita de Gravidez - acolhimento e escuta - avaliar desejo gestacional Atraso Menstrual ≥ 7 dias SIMNÃO Reavaliar após 15 dias Realizar teste rápido de gravidez Menstruou Não menstruou Negativo Positivo - Reavaliar testagem para Sífilis, HIV, Hepatites B e C - Cadastrar gestante - Agendar consulta e exames o mais breve possível Avaliar se existe desejo de gestar SIMNÃO - Orientações - Ácido Fólico Oferecer contracepção • Dosagem sérica de gonadotrofina coriônica humana (ßHCG): também poderá ser solicitada para confirmar a ocorrência de gravidez quando o teste rápido não estiver disponível, igualmente nos casos com atraso menstrual há sete dias ou mais. O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher desde o início da gestação, garantindo o bem-estar materno e fetal, tanto na Atenção Básica e nos outros serviços da rede, como no consultório de rua da Rede de Atenção Psicossocial. A gestante deve ser captada o mais precocemente possível, e em todo caso de suspeita de gestação deve-se realizar teste rápido. É fundamental estimular a participação da parceria sexual no acompanhamento pré- natal. Devem ser realizadas, no mínimo, 6 consultas, considerando o cronograma abaixo: • Até a 34ª semana – mensal; • Da 34ª até a 37ª semana – quinzenal; • A partir da 37ª semana – semanal • Consulta de puerpério – 7 a 10 dias após o nascimento 18 Fgura 1: Fluxograma para diagnóstico de Gravidez 5.3. Acolhimento e escuta O acolhimento da gestante implica a responsabilização pela integralidade do cuidado, a partir de uma escuta qualificada e da avaliação de vulnerabilidades, de acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. O profissional deve permitir que a gestante expresse suas preocupações e suas angústias, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e, quando necessário, possibilitando a criação de vínculo da gestante com a equipe de saúde. É importante acolher o(a) acompanhante de escolha da mulher, não oferecendo obstáculos à sua participação no pré-natal, no trabalho de parto, no parto e no pós-parto (Lei nº 11.108, de 7 de abril de 2005). Anamnese (história clínica, antecedentes familiares, pessoais e obstétricos). Deve- se considerar os fatores relacionados às características abaixo: ✔ Individuais e sociodemográficas: idade menor que 15 anos e maior que 35 anos; esforço físico excessivo; carga horária extensa e rotatividade de horário no trabalho; exposição a agentes físicos, químicos e biológicos; estresse; situação familiar insegura e não aceitação da gravidez; baixa escolaridade; condições ambientais desfavoráveis; altura menor do que 1,45 m; Índice de Massa Corporal (IMC) que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade. OBS: Merecem particular atenção no acompanhamento de mulheres negras, indígenas, com baixa escolaridade, idade inferior a 15 anos e superior a 40 anos, mulheres que tiveram pelo menos um filho morto em gestação anterior e/ou que tiveram mais de três filhos vivos. ✔ História reprodutiva anterior: recém-nascido com restrição de crescimento, pré-termo ou malformado; macrossomia fetal; síndromes hemorrágicas ou hipertensivas; intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que cinco anos; nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos), cirurgia uterina anterior, considerando três ou mais cesáreas. ✔ Cálculo da Data Provável do Parto (DPP) e da Idade Gestacional (IG): pode ser feito por gestograma ou aplicativos específicos para esse fim. Com o 19 gestograma, coloque a seta sobre o dia e o mês correspondentes ao primeiro dia e mês da última menstruação e observe a seta na data (dia e mês) indicada como data provável do parto. Verifique pela data da consulta a idade gestacional apresentada pelo gestograma. Outra forma de estimar a DPP consiste em somar sete dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrair três meses do mês em que ocorreu a última menstruação. Esta forma de cálculo é chamada de Regra de Näegele. Nos casos em que o número de dias encontrado for maior do que o número de dias do mês, no cálculo do mês provável subtraia dois meses. Corrija o ano conforme a proporção necessária. Exemplo de cálculo da idade gestacional: DUM Cálculo do dia Cálculo do mês DPP 28/05/18 28+7=35 (05) 5-2=março Maio, menos dois meses 05/03/19 12/03/18 12+7=19 3-3=dezembro Março, menostrês meses 19/12/18 5.4. Consulta de Enfermagem A consulta de enfermagem é uma atividade independente, realizada privativamente pelo enfermeiro, com o objetivo de propiciar condições para a promoção da saúde da gestante e a melhoria na sua qualidade de vida, mediante uma abordagem contextualizada e participativa. A primeira consulta deve ser realizada assim que a gestação for confirmada e deverá seguinte roteiro: • Investigar sintomas e queixas; • Realizar os testes rápidos para ISTs (Hepatite B e C, Sífilis e HIV); • Anamnese (história clínica, antecedentes familiares, pessoais e obstétricos); • Verificar condições de moradia, de trabalho e exposições ambientais; • Preencher dados da gestação no prontuário eletrônico e cartão da gestante; • Investigar rede familiar e social; 20 • Orientar sobre a importância do pré-natal, autocuidado e como proceder em possíveis situações de risco e/ou urgência; • Questionar sobre a utilização de medicamentos na gestação; • Determinar cálculo da idade gestacional e data provável do parto, a partir da DUM; • Verificar peso e altura, com respectiva avaliação do estado nutricional; • Encaminhar / agendar consulta odontológica; • Verificar sinais vitais; • Investigar sobre violência doméstica; • Orientar para a participação em grupos de gestantes, pré-natal do parceiro e demais ações educativas conforme a rotina da UBS; • Atentar para fatores e sinais de risco; • Questionar sobre exposição ao tabaco, álcool e outras drogas e as consequências para a saúde da mulher e do feto; • Realizar exame físico geral e específico; • Verificar situação vacinal; • Orientar sobre o pré-natal do parceiro; • Verificar data do último CP e realizar nova coleta, se necessário; • Orientar sobre aleitamento materno e planejamento familiar; • Agendar consulta subsequente com médico pré-natalista; • Prescrever suplementação de ácido fólico - 0,4mg/dia à 5 mg (conforme critério do profissional): deverá ser prescrito 60 a 90 dias antes da concepção, devendo ser mantida até a 12ª semana (redução do risco de malformações do tubo neural). Sugere-se uma consulta de enfermagem entre 28 a 32 semanas de gestação para abordar as orientações fornecidas na primeira consulta, reforçando os seguintes tópicos: • Planejamento familiar; • Sinais de parto / Tipos de parto; • Aleitamento materno; • Importância do pré-natal, autocuidado e como proceder em possíveis situações de risco e/ou urgência; • Imunizações; 21 • Cuidados com RN; • Alimentação saudável e adequada; • Saúde Mental; 5.4.1 Calendário de vacinas dT e dTpa - A rotina para estas vacinas está descrita no quadro 11. Está indicada para gestantes a partir da 20ª semana embora o melhor momento seja por volta da 27ª semana, e preferencialmente 20 dias antes do parto. Em último caso, poderá ser feita no puerpério caso a mulher não a tenha recebido na gestação. Vacina contra Influenza - A vacina contra a influenza é recomendada a todas as gestantes em qualquer período gestacional. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) disponibiliza esta vacina na rede pública de saúde a todas as gestantes durante a campanha anual contra influenza sazonal. O esquema consiste em uma dose no período da campanha. Vacinação contra Hepatite B - Por considerar os riscos da gestante não vacinada contrair a doença e de haver transmissão vertical, é importante que a gestante receba a vacina contra a hepatite B em qualquer momento da gestação, independentemente da faixa etária. O esquema desta vacina deve ser seguido conforme os calendários de vacinação do adolescente e do adulto. Gestantes com esquema incompleto (1 ou 2 doses): deve-se completar o esquema. Gestantes com esquema completo: não se deve vaciná-las. Não há indicação de solicitação do anti-HBs como rastreador de imunidade, nem mesmo de revacinação. O serviço de Infectologia pode ser consultado no caso de dúvidas a respeito de pacientes vacinadas que não apresentarem a conversão. Rubéola, Sarampo, Caxumba e Febre amarela - As vacinas virais vivas que contêm os componentes do sarampo, da rubéola, da caxumba e da febre amarela não são recomendadas em situações normais. Contudo, quando for alto o risco de 22 ocorrer a infecção natural pelos agentes dessas doenças (viagens a áreas endêmicas ou vigência de surtos ou epidemias), deve-se avaliar cada situação, sendo válido optar pela vacinação quando o benefício for maior do que o possível risco. Após a vacinação com tríplice viral recomenda-se evitar a gravidez nos 30 dias subsequentes, apenas por precaução. Entretanto, se a mulher engravidar antes desse prazo ou se houver administração inadvertida durante a gestação, não se justifica o aborto em nenhum desses casos, por se tratar apenas de risco teórico. A gestante deverá ser acompanhada pelo serviço de saúde. Varicela - Gestante suscetível (não vacinada ou sem histórico bem definido de ter tido doença) que tenha tido contato com pessoa infectada por varicela deve receber a imunoglobulina humana anti-varicela zoster (IGHVAZ). O uso da imunoglobulina está indicado até o 5º dia do contato com o caso confirmado de varicela. Covid-19 – Gestante e puérperas até 40 dias devem ser todas vacinas com vacinas a base de vírus inativados ou RNA mensageiro. Quadro 8. Imunização: Recomendações de rotina no pré-natal VACINA SITUAÇÃO DOSES ESQUEMA OBSERVAÇÕES dT/dTpa Esquema vacinal desconhecido Não vacinada. 3 doses 1ª dose dT (qualquer idade gestacional); 2ª dose dT (após 60 ou no mínimo 30 dias da 1ª); 3ª dose dTpa (após 60 dias ou no mínimo 30 dias da 2ª). Caso iniciado o esquema tardiamente: aplicar a 2ª ou a 3ª dose pelo menos 20 dias antes do parto, respeitando o intervalo mínimo de 30 dias da 1ª dose, A dose de dTpa deve ser administrada em todas as gestações; 23 A vacina pode ser realizada a partir da 20ª semana; Esquema incompleto Completar Conforme o número de doses faltantes, sendo uma de dTpa. Esquema com três doses de dT Uma dose de dTpa Administrar uma dose de dTpa. Vacinação completa Uma dose de dTpa Reforço. Hepatite Esquema vacinal desconhecido Não vacinada; HbsAg (-) e Anti-Hbsa idade gestacional. Traçados iniciais abaixo ou acima da faixa devem ser medidos novamente em 15 dias para descartar erro da idade gestacional e risco para o feto. Fonte: https://unasus2.moodle.ufsc.br 25 Ausculta de batimentos fetais - Verificar os batimentos cardiofetais (BCFs) em um minuto, quanto ao ritmo, frequência e regularidade. Os ruídos fetais compreendem o batimento cardíaco e o sopro funicular (por compressão do cordão e sincrônico com o anterior). A frequência esperada é de 120 a 160 bpm. Na apresentação cefálica, os batimentos encontram-se abaixo do umbigo, na apresentação pélvica, acima do umbigo e na apresentação córmica (situação transversa), na altura do umbigo. Alterações persistentes da frequência dos BCF devem ser avaliadas pelo médico. Vale ressaltar que ocorre aumento transitório da frequência cardíaca do bebê na presença de contração uterina, movimento fetal ou estímulo mecânico. Se ocorrer desaceleração durante e após contração, pode ser sinal de preocupação. Nestas condições, referir para avaliação médica ou maternidade. Avaliação da dinâmica uterina - Avaliar, de acordo com as queixas da gestante, a frequência e intensidade das contrações. Posicionar a gestante em decúbito lateral esquerdo por 10 minutos, colocar a mão no fundo do útero da mesma, a fim de avaliar o início de uma contração, anotar frequência e duração. Caso em 10 minutos ela tenha mais de 3 contrações com duração maior que 20 segundos, cada uma das contrações, encaminhar paciente para avaliação na maternidade. Caso a intensidade ou frequência forem menores, são contrações de treinamento ou Braxton Hicks. Membros Inferiores: avaliar presença de edema Quadro 9 Características do edema Características Classificação Observações Edema presente somente no tornozelo, sem alteração de pressão Arterial ou aumento de peso súbito. +/+++ - Verificar relação do edema com a atividade laboral ou a posição que a gestante permanece maior parte do seu tempo; - Verificar os calçados; - Verificar temperatura e estação do ano; - Orientar repouso em decúbito Edema presente em membros inferiores, com alteração de Pressão Arterial e aumento de peso. ++/+++ Edema generalizado (face, tronco e membros) ou que já se mostra +++/+++ 26 presente quando a gestante acorda acompanhado ou não de hipertensão ou aumento súbito de peso. lateral esquerdo; - Verificar presença de sinais ou sintomas de pré-eclâmpsia grave; - Avaliar BCFs e movimentos fetais; - Agendar retorno semanal; - Caso haja hipertensão, a gestante deve ser encaminhada ao médico. Edema unilateral de MMII, com dor e/ou sinais flogísticos Suspeita de processos trombóticos (tromboflebite, TVP). A gestante deve ser avaliada pelo médico da unidade e encaminhada para o serviço de alto risco. 5.4.3 Resultados dos exames de rotina do pré-natal de risco habitual. Teste rápido (TR) p/ Sífilis (0214010082) 1ª consulta TR Sífilis reagente Solicitar VDRL e encaminhar para consulta médica Teste rápido (TR) para detecção de HIV (0214010040) 1ª consulta TR reagente: TR1 reagente – realizar TR2 (marca diferente). TR1 e TR2 reagentes: Amostra reagente para HIV. TR discordante: TR1 reagente e TR2 não reagente: repetir os dois TR. Permanecendo a discordância, solicitar Encaminhar para o Serviço de Infectologia para início de Terapia Antirretroviral para a profilaxia da transmissão vertical e tratamento da infecção pelo HIV. Manter acompanhamento pré- natal na Atenção Básica 27 exames laboratoriais. Teste rápido para Hepatite C (0214010090) Quando houverem fatores de risco Segundo histórico de risco para exposição ao HCV TR reagente: contato prévio com HCV. Encaminhar para o Serviço de Infectologia Sorologia Hepatite B (HBsAg) (0202030970) ou TR Hepatite B (0214010104) 1ª consulta HBsAg reagente: suspeita de infecção por Hep. B HBsAg reagente: encaminhar para o Serviço de Infectologia e notificar à Vigilância Epidemiológica para que seja feita a reserva da Imunoglobulina contra o vírus da Hepatite B, que será disponibilizada ao hospital de referência para o parto e será aplicada no recém-nascido. Citopatológico cervico-vaginal7 Conforme a idade Ver Quadro 5 e 6 Ver Quadro 5 e 6 *Protocolo de Pré-natal de Caxias do Sul, 2020. 5.4.4 Aspectos a serem abordados nos grupos educativos realizados pela equipe multidisciplinar. ✔ Mudanças fisiológicas, emocionais e sexo na gestação; ✔ Autocuidado/autoestima; ✔ Exposição ao cigarro, álcool e outras drogas; ✔ Nutrição; ✔ Benefícios legais: direitos sociais, legais e trabalhistas, direito de acompanhante no parto; ✔ Aleitamento materno; ✔ Cuidados com o RN; 28 ✔ Saúde bucal; ✔ Saúde mental; ✔ Sinais de parto/Tipos de parto; ✔ Planejamento familiar; ✔ Outros assuntos de interesse das gestantes e de acordo com a realidade local. ATENÇÃO: não deverá existir alta do pré-natal, isto só deverá ocorrer após a consulta de puerpério. É importante salientar que ao encaminhar a gestante para o pré-natal de alto risco, esta deve manter-se vinculada à Unidade de Saúde , sendo este acompanhamento importante para a manutenção da qualidade do pré- natal. Cabe à equipe de enfermagem e aos ACS realizarem a busca ativa das gestantes faltosas. 6 QUEIXAS MAIS COMUNS NA GESTAÇÃO Sintomas Orientações de Enfermagem Náuseas, vômitos e tonturas - Realizar 6 refeições leves ao dia; - Evitar frituras, gorduras e alimentos com cheiros fortes; - Evitar líquidos durante as refeições; - Ingerir alimentos sólidos antes de se levantar pela manhã, como bolacha de água e sal; - Ingerir alimentos gelados; - Observar sinais de desidratação. - Se suspeita de Hiperêmese Gravídica – encaminhar para consulta médica, orientar fracionar mais a alimentação diária, evitar alimentos líquidos ou tomar líquido até 30 minutos depois das refeições Pirose (Azia) - Consumir dieta fracionada, evitando frituras; - Evitar café, chá preto, mates, doces, álcool e fumo. - Em alguns casos, a critério médico, a gestante pode fazer uso de medicamentos antiácidos. 29 Sialorréia (salivação excessiva) - Sintoma comum no início da gestação; - Orientar dieta semelhante à indicada para náusea e vômitos; - Orientar a deglutir a saliva e tomar líquidos em abundância (especialmente em épocas de calor). Fraquezas e desmaios - Não realizar mudanças bruscas de posição; - Orientar dieta fracionada, de forma que a gestante evite jejum prolongado e grandes intervalos entre as refeições; - Explicar que sentar com a cabeça abaixada ou deitar em decúbito lateral, respirando profunda e pausadamente, melhora a sensação de fraqueza e desmaio. Flatulência e obstipação intestinal - Se houver flatulências (gases) e/ou obstipação intestinal, orientar dieta rica em resíduos: frutas cítricas, verduras, mamão, ameixas e cereais integrais; - Recomendar a ingestão de líquidos e evitar alimentos de alta fermentação, tais como repolho, couve, ovo, feijão, leite e açúcar. - Se dor abdominal: encaminhar para consulta médica Hemorróidas - Orientar alimentação rica em fibras; - Evitar usar papel higiênico colorido ou áspero (nestes casos, deve-se molhá-lo) e realizar higiene perianal com água e sabão neutro, após a evacuação; - Encaminhar para consulta médica, caso haja dor ou sangramento anal persistente Corrimento Vaginal - Explicar que um aumento de fluxo vaginal é comum na gestação. Se sintomas avaliação medica - Se sintomas, encaminhar para avaliação médica. Queixas urinárias - A compressão da bexiga pelo útero gravídico, diminui a capacidade volumétrica, ocasionando polaciúria (aumento do ritmo miccional) e a nictúria (aumento do ritmo miccional no período de sono), que se acentua à medida que a gravidez progride, dispensando tratamento e cuidados especiais.Avaliar sempre: Presença de sintomas como dor ao urinar ou hematúria, acompanhada ou não de febre (avaliação médica) Falta de ar e - Recomendar repouso em decúbito lateral esquerdo; 30 dificuldade para respirar - Escutar as angústias da gestante; - Atentar para outros sintomas associados (tosse, chiado e sibilância) e para achados no exame cardiopulmonar, pois – embora seja pouco frequente – pode se tratar de um caso de doença cardíaca ou respiratória. Mastalgia (dor nas mamas) - Orientar quanto à normalidade de incômodo mamário, pela fisiologia da gestação, devido ao aumento mamário e ao desenvolvimento de suas glândulas; - Recomendar o uso constante de sutiã, com boa sustentação, após descartar qualquer intercorrência mamária; - Orientar sobre o colostro (principalmente nas fases tardias da gravidez). Lombalgia (dor lombar) - Orientar a correção da postura ao se sentar e ao andar; - Orientar o uso de sapatos com saltos baixos e confortáveis; - Fazer a aplicação de calor local; eventualmente. Cefaleia - Afastar hipóteses de hipertensão arterial e pré-eclâmpsia (se houver mais de 24 semanas de gestação); - Conversar com a gestante sobre suas tensões, seus conflitos e seus temores; - Encaminhar para consulta médica, se o sintoma persistir; - Orientar quanto aos sinais e sintomas que podem indicar doença grave. Sangramento nas gengivas - Recomendar a escovação após as refeições, assim como o uso de escova de dentes macia; - Orientar a realização de massagem na gengiva; - Recomendar o uso de fio dental; - Encaminhar para avaliação odontológica no pré-natal. Edema - Geralmente surge no 3º trimestre da gestação, limitando-se aos membros inferiores e, ocasionalmente às mãos. Piora com o ortostatismo (ficar em pé) prolongado e com a deambulação; desaparece pela manhã acentua-se ao longo do dia. Avaliar sempre: A possibilidade do edema patológico, em geral associado à hipertensão e proteinúria, sendo sinal de pré-eclâmpsia. 31 Varizes - Orientar a não permanecer muito tempo em pé ou sentada; - Repousar (por 20 minutos), várias vezes ao dia, com as pernas elevadas; - Não usar roupas muito justas e nem ligas nas pernas; - Se possível, utilizar meia-calça elástica para gestante; - Observar possibilidade de complicações tromboembólicas. Cãimbras - Evitar o excesso de exercícios; - Realizar alongamentos antes e após o início de exercícios ou caminhadas longas, assim como na ocasião da crise álgica e quando for repousar; - Evitar o alongamento muscular excessivo ao acordar, em especial dos músculos do pé (ato de se espreguiçar). Cloasma gravídico (manchas escuras no rosto) - Explicar que é uma ocorrência comum na gravidez e que costuma diminuir ou desaparecer, em tempo variável, após o parto; - Evitar exposição direta ao sol (usar boné, chapéu…); - Utilizar filtro solar, aplicando no mínimo três vezes ao dia; Estrias - Orientar que são frequentes após o 5º mês de gestação, geralmente no quadril, abdome e mamas, ocasionadas pela distensão dos tecidos, e que não existe método eficaz de prevenção. As estrias, que no início apresentam cor arroxeada, tendem com o tempo a ficar com uma cor semelhante à da pele. - Pode ser recomendada a massagem local, com óleos e cremes hidratantes compatíveis com a gravidez, livre de conservantes ou qualquer outro alergênico. 7 DIREITOS DA GESTANTE, DA PARTURIENTE E DA LACTANTE • Toda mulher tem direito a realizar exames de acompanhamento pré-natal, dar à luz com segurança, à licença-maternidade e a amamentar o seu filho. O conhecimento das mães em relação a esses direitos é uma arma fundamental para que eles sejam respeitados na prática. 32 • Acompanhamento pré-natal – A gestante tem direito a acompanhamento especializado durante a gravidez assegurado pela Lei nº 9.263, de 1996, que determina que as instâncias do Sistema Único de Saúde (SUS) têm obrigação de garantir, em toda a sua rede de serviços, programa de atenção integral à saúde, em todos os seus ciclos vitais, que inclua, como atividades básicas, a assistência à concepção e contracepção, o atendimento pré-natal e a assistência ao parto, ao puerpério e ao neonato. • A Lei nº 11.634, de 2007, determina que toda gestante assistida pelo SUS tem direito ao conhecimento e à vinculação prévia à maternidade na qual será realizado seu parto e à maternidade na qual ela será atendida nos casos de intercorrência pré-natal. • O atendimento prioritário à gestante e à lactante em hospitais, órgãos e empresas públicas e em bancos é garantido pela Lei n. 10.048, assim como pelo Decreto n. 5.296, de 2004. • Outro marco nos direitos da gestante é a Portaria n. 569, de 1º de junho de 2000, do Ministério da Saúde, que instituiu o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento, no âmbito do SUS. A norma traz diversas determinações em relação aos direitos da gestante, como, por exemplo, o direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da gestação, parto e puerpério, a realização de, no mínimo, seis consultas de acompanhamento pré-natal, sendo, preferencialmente, uma no primeiro trimestre, duas no segundo e três no terceiro trimestre da gestação. A portaria determina também que receber com dignidade a mulher e o recém-nascido é uma obrigação das unidades. • Lei do Acompanhante – A Lei nº 11.108, de 2005, garante que a parturiente tem o direito de indicar um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. Essa lei foi regulamentada pela Portaria n. 2.418, de 2 de dezembro de 2005, do Ministério da Saúde. Em situação de urgência, nenhum hospital, maternidade ou casa de parto pode recusar um atendimento de parto. • Direitos trabalhistas – O empregador não pode exigir atestados de gravidez ou quaisquer outros de objetivo discriminatório para fins de admissão ou manutenção do emprego de mulheres, sob pena de cometer crime, conforme 33 estabelece a Lei nº 9.029, de 1995. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) confere uma série de direitos às gestantes. De acordo com o artigo 391-A c/c art. 10, II do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), a grávida tem o direito à garantia de emprego a contar da confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. • A CLT garante ainda a licença maternidade de 120 dias, sem prejuízo do emprego e do salário (art. 392) e, de acordo com a Lei n. 11.770, de 2008, as empresas privadas podem aderir ao programa “Empresa Cidadã”, que amplia a licença-maternidade em 60 dias. A lei foi recentemente alterada para admitir a prorrogação da licença-paternidade por 15 dias, além dos 5 (cinco) dias previstos no art. 10, § 1º do ADCT. • Licença em caso de adoção – Em caso de adoção, a licença-maternidade é de 120 dias. De acordo com informações do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que concede o benefício, o homem ou a mulher que adotar uma criança de até 12 anos de idade deve requerer o salário-maternidade diretamente no INSS, independentemente da sua relação de trabalho (empregado, autônomo, empregado doméstico, entre outros). O benefício será pago, durante 120 dias, a qualquer um dos adotantes, sem ordem de preferência, inclusive nas relações homo afetivas. • Aleitamento materno – A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até o bebê completar seis meses. Seguindo essa recomendação, o artigo 396 da CLT garante que as mães que voltarem ao trabalho antes de o bebê completar seis meses têm o direito a dois intervalos, de meia hora cada, durante a jornada de trabalho, especificamente para a amamentação. • O artigo 9º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que o poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadasao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas à medida privativa de liberdade. Dessa forma, a Lei de Execuções Penais prevê estabelecimentos penais destinados a mulheres com berçário, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no mínimo, até 6 (seis) meses de idade (art. 83, § 2º). 34 8 PUERPÉRIO Após o nascimento, as puérperas retornarão à unidade na primeira semana para realizar a consulta puerperal, que será pré-agendada pela equipe do “Acolhe Bebê”. A atenção à mulher no pós-parto é fundamental para a saúde materna e neonatal. Na impossibilidade do pré agendamento, deve-se GARANTIR o acesso através de busca. As mulheres que tiveram gestação de risco devem fazer a consulta puerperal com o médico da atenção básica. As consultas de puerpério serão duas: 7 dias (enfermeiro) e 30 dias após o nascimento (médico). Se por solicitação do Acolhe Bebê, a primeira consulta de puerpério pode ser médica (gestações de alto risco ou se complicações no nascimento que demandem avaliação médica precoce). Na consulta devem ser registrados os dados do parto no prontuário eletrônico (SIGSS) e o roteiro deve incluir: Escuta da puérpera em relação ao processo do parto e vínculo com o neonato; Avaliar o estado emocional da mulher e vínculo mãe-bebê; Exame físico: mamas (pesquisar sinais de ingurgitamento, fissuras mamilares, mastite); Avaliar involução uterina, lóquios (cor, odor e quantidade), episiorrafia ou incisão cirúrgica; Em caso de parto vaginal com lacerações ou realização de episiotomia, verificar dor em local de sutura, presença de secreções e sinais flogísticos ou outras alterações e orientar cuidados; Em caso de parto cesárea, verificar sinais flogísticos e presença de secreção em ferida operatória e orientar cuidados; Atentar aos sinais de alerta: febre, sangramento vaginal aumentado, dor pélvica ou infecção, leucorréia fétida, alteração da pressão arterial e presença de mastite; Avaliação do sangramento, se adequado para o período; Verificação de sinais vitais; 35 Observar técnica de amamentação, pega e posição correta, eventuais dificuldades. Orientar cuidados com as mamas e importância da amamentação; Orientações sobre planejamento familiar Agendar consulta médica de retorno; Realizar busca ativa de puérperas faltosas nas consultas. * Na presença de febre, hipertensão arterial (PA acima de 140 /90 mmHg), infecção de ferida operatória, mastite, sangramento aumentado, lóquios fétidos, histórico de gestação de alto risco = AVALIAÇÃO MÉDICA. ** Se paciente com crise hipertensiva grave (PA= ou > a 160/100mHg), sinais de complicação séptica (febre alta, taquicardia, prostração, hipotensão arterial) sem disponibilidade imediata de consulta médica = Encaminhar de imediato para maternidade onde ocorreu o nascimento (a mesma orientação serve para pós abortamento). Prescrição do contraceptivo (MÉDICO NA CONSULTA DE 30 DIAS APÓS O NASCIMENTO) A contracepção no puerpério deve ser imediatamente lembrada no momento da consulta puerperal e durante o pré-natal (consulta entre 28 e 32 semanas). O intervalo interpartal adequado deve ser de pelo menos dois anos. ✔ Dispositivo Intrauterino (DIU): as maternidades de Caxias do Sul contam com a possibilidade da inserção do DIU no pós-parto imediato ou na cesárea. Cabe aos profissionais sinalizarem esta possibilidade no pré-natal para que a paciente manifeste sua vontade ao chegar às maternidades, cabendo à equipe de atendimento hospitalar a inserção do dispositivo, respeitando o entendimento da equipe assistencial. O DIU também poderá 36 ser inserido a partir de seis semanas pós-parto, seguindo fluxo de encaminhamento vigente para aquele ambulatório via UBS (rever a necessidade prévia de exame citopatológico em dia: menos de um ano da data da última coleta). Preferencial para portadoras de HAS. ✔ Minipílula: contém apenas progesterona (minipílula) e pode ser utilizado pela mulher que está amamentando. O seu uso deve ser iniciado na primeira consulta de puerpério realizada com o médico e mantido até o desmame. ✔ Injetável trimestral (Acetato de Medroxiprogesterona 150mg): pode ser utilizado pela mulher que está amamentando. O seu uso pode ser iniciado no pós-parto imediato . O seu uso deve ser iniciado na primeira consulta de puerpério realizada com o médico. ✔ Laqueadura de trompas e vasectomia: os usuários que tomarem esta decisão poderão ser referenciados ao Ambulatório de Planejamento Familiar, desde que maiores de vinte e um anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. Devem, obrigatoriamente, participar de grupos de planejamento familiar na UBS ou orientação individual. (Conforme Lei Federal nº 14443/2022). O enfermeiro deve esclarecer sobre riscos cirúrgico- anestésicos, efeitos colaterais, irreversibilidade do método, opções de métodos de reversão. Após todos os esclarecimentos o usuário (a) deve assinar o termo de manifestação de vontade. ✔ Anticoncepcional hormonal oral combinado e o injetável mensal: formulações contendo estrógenos não devem ser utilizados em lactantes, pois interferem na qualidade do leite materno e podem afetar adversamente a saúde do bebê. ✔ Os métodos comportamentais – tabelinha, controle de muco cervical não devem ser recomendados ou estimulados pela sua alta taxa de gravidez; 37 ✔ Métodos de barreira - podem ser usados com 30 dias após o nascimento, recomendado usar lubrificante pela atrofia vaginal que ocorre no puerpério (preservativo masculino). Pode ser ainda usado preservativo feminino; ✔ Implante Subdérmico - são critérios de inclusão no Programa de Implante Subdérmico na SMS de Caxias do Sul: - Adolescentes gestantes com até 16 anos (inclusive); - Dependente química sem acompanhamento; - Doença mental incapacitante; - Risco social alto. 9 ALEITAMENTO MATERNO O aleitamento materno é um processo de extrema importância para a saúde da criança, pois envolve uma interação profunda entre mãe e filho, pela sua disponibilidade de nutrientes e substâncias imunoativas, além de repercussões nas habilidades cognitivas e psicomotoras da criança. O leite materno é produzido enquanto a criança mama, sob estímulo da prolactina. Já a ocitocina é liberada, principalmente, pelo estímulo provocado pela sucção da criança, mas possui interferência de estímulos condicionados, chamando atenção para estímulos negativos, como dor, desconforto, estresse, ansiedade, medo, insegurança e falta de autoconfiança, o que pode inibir a liberação da ocitocina, prejudicando a saída do leite da mama. O enfermeiro deve incentivar a mãe a amamentar durante a consulta, se oportuno, a fim de observar: Posição Correta: ✔ A mãe deve estar em posição confortável, (posição tradicional é a sentada) com as costas e os pés bem apoiados; ✔ Bebê de frente para o corpo da mãe; 38 ✔ Barriga com barriga (mãe/bebê); ✔ Cabeça e corpo do bebê alinhados em linha reta; ✔ A face do bebê deve voltar-se para o seio, o nariz ou o lábio superior em frente ao mamilo; ✔ Corpo do bebê apoiado e bem alinhado; ✔ O bebê deve ser levado ao seio, não o contrário; ✔ A mãe não deve sentir dor nos mamilos durante as mamadas. Pega correta: ✔ A boca do bebê deve ficar bem aberta (se necessário, estimular o bebê a abrir a boca tocando o seu queixo ou seus lábios com o dedo ou mamilo; ✔ O bebê abocanha parte da aréola; ✔ O queixo do bebê fica muito próximo ou toca o peito da mãe; ✔ Vê-se pouca aréola por baixo da boca do bebê; ✔ Os lábios do bebê devem estar voltados para fora, como uma “boca de peixe”; ✔ Se necessário, puxar o queixo do bebê para baixo, com o dedo indicador, fazendo com que a boca abra mais e o lábio inferior esteja virado parafora; ✔ O bebê suga, faz uma pausa e suga novamente. 39 9.1 Intercorrências mais comuns na amamentação O bebê não suga ou tem sucção fraca - Pode estar associada ao uso de bicos artificiais, chupetas ou dor ao ser posicionado (posicionamento incorreto) para mamar. O bebê pode não conseguir abrir a boca o suficiente para abocanhar a aréola e fazer uma boa pega, as mamas podem estar ingurgitadas e dificultar a pega ou ainda a mãe pode ter mamilos planos ou invertidos. Em algumas mulheres o leite pode demorar de três a quatro dias para descer (apojadura). Deve-se apoiar a mãe a manter o aleitamento materno. Se as mamas estiverem muito cheias, com a pele esticada, deve-se esvaziá-las um pouco antes de amamentar, para amaciar a aréola e facilitar a pega. Condições clínicas maternas que necessitam de avaliação quanto à manutenção ou contraindicação de aleitamento materno. Pouco leite ou leite fraco - Pode estar associado à insegurança materna, quanto a sua capacidade de nutrir plenamente o seu bebê. A mãe, algumas vezes, interpreta o choro do bebê e as mamadas frequentes (comportamentos normais do bebê) como sinais de fome. A mãe sente a mama murcha (flácida). A pouca produção de leite materno pode ser feita pelo acompanhamento do peso do bebê, se ele estiver com ganho de peso inadequado, a preocupação da mãe será pertinente. Deve-se avaliar os fatores maternos (desejo de amamentar, estresse, falta de apoio e outros); acolher a mãe e avaliar se as mamas estão cheias ou flácidas; verificar se a pega e o posicionamento do bebê estão corretos; aumentar a frequência das mamadas; dar tempo para o bebê esvaziar as mamas; e oferecer as duas mamas em cada mamada. Mamilos planos ou invertidos - Podem dificultar o início da amamentação, mas não a impede, pois o bebê faz o bico com a aréola. Deve-se encorajar a mãe, pois a medida que o bebê vai sugando, os mamilos vão se tornando mais propícios à amamentação. Ajudar a mãe a fazer o bebê abocanhar os mamilos e parte da aréola, para isso é necessário que a aréola esteja macia, além de tentar posições. Enquanto o bebê não sugar efetivamente o leite deve ser ordenhado e oferecido ao bebê com copo ou seringa. 40 Ingurgitamento mamário - O ingurgitamento mamário ocorre, geralmente, três a cinco dias após o parto, mas pode acontecer em qualquer período da lactação, devido leite em abundância, início tardio da amamentação, restrição da frequência e da duração das mamadas e sucção ineficaz do bebê. O ingurgitamento pode ser fisiológico ou patológico. Quando o ingurgitamento for fisiológico, deve-se orientar: ✔ Amamentar o mais cedo possível, logo após o parto; ✔ Amamentar em livre demanda, sem horários pré-estabelecidos; ✔ Observar técnica correta da amamentação; ✔ Evitar uso de água, chás e outros leites, para o bebê. No ingurgitamento patológico, a mama encontra-se excessivamente distendida, mamilos achatados, o leite não flui com facilidade, pode apresentar áreas avermelhadas, edemaciadas e brilhantes, muitas vezes, acompanhada de febre e mal-estar. Neste caso, deve-se orientar: ✔ Ordenha manual antes das mamadas; ✔ Mamadas frequentes; ✔ Massagem delicada nas mamas, com movimentos circulares, principalmente nos pontos mais ingurgitados; ✔ Uso do sutiã com alças largas e firmes, para sustentação anatômica das mamas; ✔ A mama deve ser ordenhada manualmente, se o bebê não sugar; ✔ Encaminhar para consulta médica para prescrição medicamentosa, se necessário. Lesões ou dor nos mamilos - Trauma mamilar (fissuras, edema, bolhas, hematomas, equimoses) é a causa mais comum de dor na nos mamilos amamentação, geralmente, devido pega e posicionamento. Inadequados. Deve-se orientar: ✔ Evitar o uso de óleos, cremes, sabonetes, álcool ou qualquer produto secante, nos mamilos; ✔ Observar a mamada e corrigir a pega, se necessário; ✔ Se a mama estiver tensa, ordenhar antes das mamadas; 41 ✔ Amamentar em livre demanda (a criança é levada ao seio assim que sinaliza fome, isso evita que sugue com muita força); ✔ Desencadear o reflexo de ejeção do leite (ordenhar um pouco de leite), evita que o bebê sugue com força para desencadear o reflexo; ✔ Início da mamada pela mama menos afetada; ✔ Observar presença de anquiloglossia; ✔ Introduzir o dedo mínimo na comissura labial do bebê para interromper a vedação da boca do bebê/mama, se for necessário interromper a mamada ✔ No caso, de fissuras/rachaduras nos mamilos enxaguar com água limpa após as mamadas; ✔ Manter os seios expostos ao ar livre, alternativamente pode-se utilizar um coador de plástico pequeno sem cabo, para eliminar o contato da área traumatizada com a roupa; ✔ Aplicar leite materno nos mamilos e aréolas após as mamadas. Mastite - É um processo inflamatório que acomete um ou mais segmento das mamas, geralmente, unilateral, que pode progredir ou não para uma infecção bacteriana. O leite acumulado e o dano tecidual favorecem a instalação da infecção, comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus) e às vezes por Escherichia colli e Streptococcus, sendo as lesões mamilares, a porta de entrada mais frequente das bactérias. A mastite pode ser infecciosa ou não infecciosa: ✔ Mastite não infecciosa – Dor, edema, hiperemia e calor local. Estimular o repouso e o apoio emocional dos familiares. ✔ Mastite infecciosa – Dor, hiperemia, edema, calor local, febre (>38ºC), calafrios e mal-estar. Consulta médica, no mesmo dia. 42 Abcesso Mamário - Em geral, é causado por mastite não tratada, tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. É comum após a interrupção da amamentação na mama afetada pela mastite, sem a ordenha do leite. O diagnóstico é feito pelo quadro clínico: febre mal-estar, calafrios e presença de área de flutuação no local afetado. O enfermeiro deve observar a presença de nódulo duro que não regride, febre de instalação súbita, sensação de mal estar geral; e encaminhar para consulta médica no mesmo dia. No diagnóstico diferencial do abscesso, deve-se considerar galactocele, fibroadenoma e carcinoma da mama. Quadro 9. Condições clínicas maternas que necessitam de avaliação quanto à manutenção ou contraindicação de aleitamento materno: Condição clínica materna Conduta do enfermeiro Infecção por HIV Contraindicar o aleitamento e encaminhar a criança para o médico ou pediatra a fim de assegurar a nutrição adequada do bebê. Infecção pelo HTLV 1 e 2 (vírus linfotrópico humano de células T) Contraindicar o aleitamento e encaminhar a criança para o médico ou pediatra a fim de assegurar a nutrição adequada do bebê. Infecção pelo vírus da hepatite B Manter aleitamento materno. Infecção pelo vírus da hepatite C Discutir com médico. Geralmente o aleitamento não é contraindicado, exceto se fissuras mamilares ou carga viral elevada. Tuberculose pulmonar Manter o aleitamento. A mãe não tratada, ou que esteja tratando a menos de duas semanas, deve higienizar as mãos e proteger boca e nariz com uma máscara ou lenço em todas as mamadas. Doença de chagas Contraindicar na fase aguda ou na ocorrência de sangramento dos mamilos. Infecção Herpética com vesículas Manter aleitamento materno na mama sadia. 43 10 PLANEJAMENTO FAMILIAR No Brasil, o planejamento familiar foi regulamentado pela Lei nº 9.263 (1996), com o objetivo de assegurar direitos a homens e mulheres em relação à saúde sexual e reprodutiva. O enfermeiro deve abordar o planejamento familiar, desde a prevenção da gravidez até o planejamento da concepção, através do apoio emocional e da prescrição preventiva de ácido fólico e solicitação de exames de rotina. O enfermeiro deve orientar sobre a eficácia e segurança, contraindicações se tiver alguma, vantagens e desvantagens de cada método. Deve também acolher os sentimentos da mulher/homem com relação ao método, respeitando o contexto social