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PROTOCOLO DE ENFERMAGEM NA
ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER
(Versão Abril 2023)
Secretaria Municipal da Saúde
Caxias do Sul – RS
Abril 2023
1
Prefeito
Adiló Didomenico
Secretária de Saúde
Daniele Leandra Meneguzzi
Diretor de Políticas e Planejamento
Saúde
Dino Roberto Soares de Lorenzi
Diretora da Atenção Primária em Saúde
Juliana Argenta Caloni
Diretora Técnica de Atenção à Saúde
da Mulher
Vanessa Bosi de Lima Almeida
Responsável Técnica da Enfermagem 
Elisângela Nunes de Almeida
Versão atualizada e revisada do
Protocolo de Enfermagem na Atenção
à Saúde da Mulher e da Gestante –
SMS Caxias do Sul – 2019.
Atualizado e Revisado em Abril de 
2023
Entidade Mantenedora:
Prefeitura Municipal de Caxias do Sul
CNPJ: 88.830.609/0001-39
Instituição Mantenedora:
Secretaria Municipal de Saúde de
Caxias do Sul
Endereço: Rua Marechal Floriano 421,
Centro. Caxias do Sul. CEP
Contato: (54) 3390 - 4400
E-mail: gabinetesaude@caxias.rs.gov.br
2
Sumário
APRESENTAÇÃO……………………………………………………………………………5
1 CARACTERIZAÇÂO E SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO MUNICÍPIO DE CAXIAS
DO SUL…………………………………………………………………………………………………………………………………6
2 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER………………..8
3 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO……………..10
4 PREVENÇÃO E REASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA……………………………….15
5 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA GESTANTE DE 
RISCO HABITUAL……………………………………………………………………………………………………………..17
5.1 Atenção pré-concepcional…………………………………………………………………………………………..17
5.2 Diagnóstico de Gravidez……………………………………………………………………………………………..17
5.3 Acolhimento e Escuta…………………………………………………………………………………………………..19
5.4 Consulta de Enfermagem…………………………………………………………………………………………….20
5.4.1 Calendário de vacinas……………………………………………………………………………………………...22
5.4.2 Exame Clínico Obstétrico…………………………………………………………………………………………25
5.4.3 Resultados dos exames de rotina do pré-natal de risco habitual…………………………28
5.4.4 Aspectos a serem abordados nos grupos educativos realizados pela equipe 
multidisciplinar…………………………………………………………………………………………………………………...29
6 QUEIXAS MAIS COMUNS NA GESTAÇÃO……………………………………………………………...30
7 DIREITOS DA GESTANTE, DA PARTURIENTE E DA LACTANTE………………………..33
8 PUERPÉRIO…………………………………………………………………………………………………………………..35
9 ALEITAMENTO MATERNO………………………………………………………………………………………...39
9.1 Queixas/ intercorrências mais comuns na amamentação……………………………………….41
10 PLANEJAMENTO FAMILIAR……………………………………………………………………………………..45
10.1 Métodos Contraceptivos……………………………………………………………………………………………45
11 QUEIXAS GINECOLÓGICAS MAIS COMUNS………………………………………………………..47
11.1 Alterações menstruais……………………………………………………………………………………………...47
11.2 Corrimento genital……………………………………………………………………………………………………..47
11.3 Dor pélvica………………………………………………………………………………………………………………….48
11.4 Infecção urinária………………………………………………………………………………………………………...48
REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………………………………………………...49
3
COMISSÃO DE PROTOCOLOS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO
PRIMÁRIA/ATENÇÃO BÁSICA PORTARIA Nº 106/2019
Considerando a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe
sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências;
o Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987, que Regulamenta a Lei no
7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá
outras providências;
a Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as
condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências;
a Resolução COFEN nº 195 de 1997, que dispõe sobre a solicitação de
exames de rotinas e complementares por Enfermeiro;
a Resolução COFEN nº 358 de 15 de outubro de 2009, que dispõe
sobre a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação
do exercício da enfermagem, e dá outras providências; Sistematização da
Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em
ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de
Enfermagem, e dá outras providências;
a Lei nº 12.401 de 28 de abril de 2011, que altera a Lei nº 8.08Lei no
7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe a regulamentação do exercício da
enfermagem, e dá outras providências; de 19 de setembro de 1990, para dispor
sobre a assistência terapêutica e a incorporação de tecnologia em saúde no SUS;
o Decreto nº 7.508 de 28 de junho de 2011, o qual regulamenta a Lei nº
8.080, de 19 de setembro de 1990, para dispor sobre a organização do Sistema
Único de Saúde - SUS, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a
articulação interfederativa, e dá outras providências;
a Resolução COFEN nº 509 de 4 de abril de 2016, que atualiza a
norma técnica para Anotação de Responsabilidade Técnica pelo Serviço de
Enfermagem e define as atribuições do enfermeiro Responsável Técnico;
a Resolução COFEN nº 514 de 6 de junho de 2016, que aprova o guia
de Recomendações para os registros de enfermagem no prontuário do paciente com
a finalidade de nortear os profissionais de Enfermagem;
a Resolução COFEN nº 543 de 12 de maio de 2017, que atualiza e
estabelece parâmetros para o Dimensionamento do Quadro de Profissionais de
Enfermagem nos serviços/locais em que são realizadas atividades de enfermagem;
a Resolução COFEN nº 564 de 6 de dezembro de 2017, que aprova o
novo Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem; a Portaria GM/MS nº 2.436,
de 24 de setembro de 2017, que aprova a Política Nacional da Atenção Básica; as
Publicações do Ministério da Saúde as quais norteiam as ações em saúde;
a necessidade de respaldar a atuação do profissional enfermeiro no
âmbito da Atenção Primária em Saúde.
4
APRESENTAÇÃO
O protocolo de enfermagem na área da atenção ginecológica e ao pré-natal
de risco habitual visa contribuir para a redução da morbidade e mortalidade materna
e perinatal, bem atender situações comuns da saúde da mulher, em particular às
relacionadas às patologias mais prevalentes e de maior impacto como o câncer de
mama e de colo uterino. 
O referido protocolo contém a descrição de uma situação específica de
assistência/cuidado, nos diversos ciclos e ações programáticas, o que permite
operacionalizar o processo do cuidado, dando suporte técnicos aos profissionais de
enfermagem. 
Compreende o cuidado de enfermagem nos serviços da Atenção Primária à
Saúde voltado à mulher com base nas linhas de cuidados prioritários e ações de
promoção da saúde, prevenção de doenças e redução de risco,
rastreamento/detecção precoce, diagnóstico, tratamento e reabilitação de doenças,
considerando a singularidade, as necessidades e os direitos da mulher. 
5
1 CARACTERIZAÇÃO E SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO
MUNICÍPIO DE CAXIAS DO SUL
O município de Caxias do Sul está localizado na extremidade leste da encosta
superior do nordeste do estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil. A população
de Caxias do Sul possui, atualmente, 523.716 habitantes (estimativa IBGE/2021). A
Secretaria Municipal da Saúde é responsável pela formulação e a implantação de
políticas, programas e projetos que visem à promoção de uma saúde de qualidade
aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua missão é prestar atenção
integral à saúde da população da cidade, o que atribuições do enfermeiro na saúde
da mulher inclui desde a assistência básica até o atendimento aos casos mais
complexos, incluindo a atenção hospitalar e aos casos de urgência e emergência.
Há 50 Unidades Básicas de Saúde no município, 52 equipes de Saúde da Família
e 33 equipes de EAP.
Fecundidade
A fecundidade em mulheres com menos de 15 anos de idade no município de
Caxias do Sul, foi de 3,46% (2000 e 2015) e 28,47% entre 15 e 19 anos, no mesmo
período. Sabe-se que a gravidez precoce eleva o risco de abandono escolar,
contribuindo para a precarização econômica e potencializando a vulnerabilidade
social das mulheres adolescentes. Além disso,e cultural que vive. Encaminhar para médicos prescrever. 
10.1 Métodos Contraceptivos 
A escolha do método contraceptivo depende da idade, doenças associadas,
tabagismo, estilo de vida e perfil sociocultural, uma vez que há contraindicações
relativas e absolutas para cada método. Portanto, é importante levantar o histórico
gineco-obstétrico, rastrear e registrar o risco cardiovascular da paciente, interrogar
comorbidades e medicamentos em uso, investigar gestação em curso, etc. É
fundamental elucidar os possíveis efeitos colaterais e interações medicamentosas
que possam vir a interferir na eficácia do método, bem como orientar quanto à
importância do uso do preservativo:
Dispositivo Intrauterino (DIU): Na consulta de enfermagem quando a paciente
demonstrar interesse por este método e tiver indicação para o uso do mesmo o
enfermeiro deve fornecer informações e esclarecimentos:
• Deve realizar coleta do exame citopatológico (se o último foi a mais de um
ano);
• Inserir no CMCE e fornecer termo de consentimento;
44
• Orientar a manter os cuidados contraceptivos;
• Se o citopatológico estiver alterado encaminhar para consulta médica para
tratamento;
• Esclarecer que não há limite inferior ou superior de idade para o uso do DIU,
nem mesmo a questão de nuliparidade é um impeditivo ao uso do método;
• Quando for agendado a inserção do DIU a paciente deve comparecer ao
Ambulatório com um acompanhante, levar o resultado do exame
citopatológico e apresentar um teste de gravidez negativo realizado até 48
horas antes do procedimento ou teste rápido realizado na UBS.
Laqueadura de trompas e vasectomia: os usuários que tomarem esta decisão
poderão ser referenciados ao Ambulatório de Planejamento Familiar, desde que
maiores de vinte e um anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos. Devem,
obrigatoriamente, participar de grupos de planejamento familiar na UBS ou
orientação individual. (Conforme Lei Federal nº 14443/2022). O enfermeiro deve
esclarecer sobre riscos cirúrgico-anestésicos, efeitos colaterais, irreversibilidade do
método, opções de métodos de reversão. Após todos os esclarecimentos o usuário
(a) deve assinar o termo de manifestação de vontade.
Anticoncepção de Emergência: Tem indicação de uso após uma relação sexual
desprotegida, falha potencial de um método já utilizado ou às vítimas de violência
sexual. Deve ser usada até 72 horas, reduz a possibilidade de gravidez em 75%.
Mas pode ser utilizada até o quinto dia após a relação sexual sem proteção. Pode
ser prescrita pelo enfermeiro.
Métodos comportamentais – tabelinha, controle de muco cervical não devem ser
recomendados ou estimulados pela sua alta taxa de gravidez;
Métodos de barreira - podem ser usados com 30 dias após o nascimento,
recomendado usar lubrificante pela atrofia vaginal que ocorre no puerpério
(preservativo masculino). Pode ser ainda usado preservativo feminino;
45
Implante Subdérmico - são critérios de inclusão no Programa de Implante
Subdérmico na SMS de Caxias do Sul: 
• Adolescentes gestantes com até 16 anos (inclusive);
• Dependente química sem acompanhamento;
• Doença mental incapacitante;
• Risco social alto.
11 QUEIXAS GINECOLÓGICAS MAIS COMUNS
11.1 Alterações menstruais:
• Atraso menstrual/ amenorréia - 7 dias ou mais, solicitar teste rápido de 
gravidez se mulher sexualmente ativa. Caso não tenha atividade sexual: 
encaminhar para consulta médica.
• Sangramento uterino irregular – encaminhar para consulta médica
11.2 Corrimento genital – solicitar exames direto de secreção vaginal ou
encaminhar ao médico
• Vaginose bacteriana (Gardnerella vaginalis) – Metronidazol gel (7 noites)* 
• Candidíase vaginal – Miconazol creme ( 7 noites) ou Fluconazol 150 mg dose
única (contraindicado na gravidez) *
• Tricomoníase (trata-se de IST) – Metronidazol 250 mg, 02 comprimidos a
cada 12h (VO) por 7 dias – casal. Solicitar testes rápidos (casal), sem
atividade sexual por 7 a 10 dias.
• Recidivas – Encaminhar para médico
* Se achado em exame CP rotineiro e paciente assintomática – Não tratar:
• Vaginose: ardência vaginal, corrimento fétido e dor na relação sexualidade
• Candidíase: prurido vaginal, corrimento esbranquiçado e grumoso, relação
sexual dolorosa 
46
11.3 Dor pélvica – encaminhar para consulta médica
11.4 Infecção urinária (ardência miccional, hematúria e urgência miccional) pode
ser atendida pelo médico ginecologista, clínico, médico ESF ou enfermeiro
(urgência). Conforme necessidade o enfermeiro pode solicitar EQU e urocultura
com teste e encaminhar resultado para médico.
47
REFERÊNCIAS
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em Curitiba. Construção e Implementação da Nomenclatura de Diagnósticos e
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______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de
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https://unasus2.moodle.ufsc.br/pluginfile.php/13944/mod_resource/content/4/un03/index.html
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Brasília-DF, 2015b. Disponível em:
 acesso em 02 mai 2019.
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______. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação.
Brasília-DF, 2014b.Disponível
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49
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http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2014/maio/29/Manual-de-ACR-em
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf
Saúde de Caxias do Sul: colaboradores Rosiane Wagner dos Reis ...(et al.); rev.final
Léia Cristiane Loeblein Fernandes Muniz 2019. 98 p.
______. Florianópolis. Protocolo de Enfermagem na Saúde da Mulher: acolhimento
às demandas da mulher nos diferentes ciclos de vida. v.3. 2017. 93 p.
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM (SC). Secretaria Municipal de Saúde
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Atuação da Equipe de Enfermagem na Atenção Primária à Saúde/ Conselho
Regional de Enfermagem de Minas Gerais. Belo Horizonte: Coren-MG, 2017. 220p.
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE RECIFE. Protocolo de
enfermagem na atenção básica do Coren-PE/ Conselho Regional de Enfermagem
de Pernambuco. Recife: COREN, 2019. 384p.
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO DE JANEIRO. Secretaria
Municipal de Saúde e Defesa Civil. Coordenação de Saúde da Família. Protocolos
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de 1997, que dispõe sobre a solicitação de exames de rotina e complementares pelo
Enfermeiro. Disponível em: . Acesso em 30 abr 2019.
______. Decreto nº 94.406 de 08 de junho de 1987 que regulamenta a Lei nº 7.498
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e dá outras providências. Disponível em: http://www.portalcofen.gov.br.
______. Resolução n. 311, de 8 de fevereiro de 2007. Aprova a Reformulação do
Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem. Disponível em: . Acesso em 30 abr 2019.
______. Resolução n. 358, de 15 de outubro de 2009. Dispõe sobre a
Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de
Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado
profissional de Enfermagem, e dá outras providências. Disponível em:
. Acesso em 30 abr
2019.
______. Resolução n. 429, de 30 de maio de 2012. Dispõe sobre o registro das
ações profissionais no prontuário do paciente, e em outros documentos próprios da
enfermagem, independente do meio deManual técnico: saúde da mulher nas
Unidades Básicas de Saúde /
Secretaria da Saúde, Coordenação da Atenção Básica/Estratégia Saúde
50
http://www/
http://www.portalcofen.gov.br/
http://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-1951997_4252
da Família. – 2. ed. - São Paulo: SMS, 2012.
67 p. – suporte – tradicional ou eletrônico. Disponível em:
. Acesso em 30 abr
2019.
______. Resolução n. 514, de 15 de maio de 2016. Aprova o Guia de
Recomendações para os registros de enfermagem no prontuário do paciente, com a
finalidade de nortear os profissionais de Enfermagem. Disponível em:
. Acesso em 30
abr 2019.
______. Diretrizes para elaboração de Protocolos de Enfermagem na Atenção
Primária à Saúde pelos Conselhos Regionais / Conselho Federal de Enfermagem.
Brasília: COFEN, 2018.
CONSELHO INTERNACIONAL DE ENFERMEIROS. Classificação Internacional
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/Secretaria da Saúde, Coordenação da Atenção Básica/Estratégia Saúde da Família.
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51
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https://www.ufrgs.br/telessauders/documentos/telecondutas/tc_toxoplasmosegestacao.pdf
	Sumário
	COMISSÃO DE PROTOCOLOS DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA/ATENÇÃO BÁSICA PORTARIA Nº 106/2019
	Considerando a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências;
	o Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987, que Regulamenta a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem, e dá outras providências;
	a Lei nº 8080 de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências;
	a Resolução COFEN nº 195 de 1997, que dispõe sobre a solicitação de exames de rotinas e complementares por Enfermeiro;
	a Resolução COFEN nº 358 de 15 de outubro de 2009, que dispõe sobre a Lei no 7.498, de 25 de junho de 1986, que dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências; Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências;
	APRESENTAÇÃO
	1 CARACTERIZAÇÃO E SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO
	2 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER
	3 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
	4 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA
	5.CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA GESTANTE DE RISCO HABITUAL
	5.3. Acolhimento e escuta
	O acolhimento da gestante implica a responsabilização pela integralidade do cuidado, a partir de uma escuta qualificada e da avaliação de vulnerabilidades, de acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. O profissional deve permitir que a gestante expresse suas preocupações e suas angústias, garantindo a atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência e, quando necessário, possibilitando a criação de vínculo da gestante com a equipe de saúde. É importante acolher o(a) acompanhante de escolha da mulher, não oferecendo obstáculos à sua participação no pré-natal, no trabalho de parto, no parto e no pós-parto (Lei nº 11.108, de 7 de abril de 2005).
	5.4. Consulta de Enfermagem
	5.4.1 Calendário de vacinas
	5.4.2 Exame Clínico Obstétrico (a cada consulta):
	5.4.3 Resultados dos exames de rotina do pré-natal de risco habitual.
	5.4.4 Aspectos a serem abordados nos grupos educativos realizados pela equipe multidisciplinar.
	6 QUEIXAS MAIS COMUNS NA GESTAÇÃO
	8 PUERPÉRIO
	Prescrição do contraceptivo (MÉDICO NA CONSULTA DE 30 DIAS APÓS O NASCIMENTO)
	9 ALEITAMENTO MATERNO
	Pega correta:
	9.1 Intercorrências mais comuns na amamentação
	O bebê não suga ou tem sucção fraca - Pode estar associada ao uso de bicos artificiais, chupetas ou dor ao ser posicionado (posicionamento incorreto) para mamar. O bebê pode não conseguir abrir a boca o suficiente para abocanhar a aréola e fazer uma boa pega, as mamas podem estar ingurgitadas e dificultar a pega ou ainda a mãe pode ter mamilos planos ou invertidos. Em algumas mulheres o leite pode demorar de três a quatro dias para descer (apojadura). Deve-se apoiar a mãe a manter o aleitamento materno. Se as mamas estiverem muito cheias, com a pele esticada, deve-se esvaziá-las um pouco antes de amamentar, para amaciar a aréola e facilitar a pega. Condições clínicas maternas que necessitam de avaliação quanto à manutenção ou contraindicação de aleitamento materno.
	Pouco leite ou leite fraco - Pode estar associado à insegurança materna, quanto a sua capacidade de nutrir plenamente o seu bebê. A mãe, algumas vezes, interpreta o choro do bebê e as mamadas frequentes (comportamentos normais do bebê) como sinais de fome. A mãe sente a mama murcha (flácida). A pouca produção de leite materno pode ser feita pelo acompanhamento do peso do bebê, se ele estiver com ganho de peso inadequado, a preocupação da mãe será pertinente. Deve-se avaliar os fatores maternos (desejo de amamentar, estresse, falta de apoio e outros); acolher a mãe e avaliar se as mamas estão cheias ou flácidas; verificar se a pega e o posicionamento do bebê estão corretos; aumentar a frequência das mamadas; dar tempo para o bebê esvaziar as mamas; e oferecer as duas mamas em cada mamada.
	Mamilos planos ou invertidos - Podem dificultar o início da amamentação, mas não a impede, pois o bebê faz o bico com a aréola. Deve-se encorajar a mãe, pois a medida que o bebê vai sugando, os mamilos vão se tornando mais propícios à amamentação. Ajudar a mãe a fazer o bebê abocanhar os mamilos e parte da aréola, para isso é necessário que a aréola esteja macia, além de tentar posições. Enquanto o bebê não sugar efetivamente o leite deve ser ordenhado e oferecido ao bebê com copo ou seringa.
	Ingurgitamento mamário - O ingurgitamento mamário ocorre, geralmente, três a cinco dias após o parto, mas pode acontecer em qualquer período da lactação, devido leite em abundância, início tardio da amamentação, restrição da frequência e da duração das mamadas e sucção ineficaz do bebê. O ingurgitamento pode ser fisiológico ou patológico.
	Lesões ou dor nos mamilos - Trauma mamilar (fissuras, edema, bolhas, hematomas, equimoses) é a causa mais comum de dor na nos mamilos amamentação, geralmente, devido pega e posicionamento. Inadequados. Deve-se orientar:
	Mastite - É um processo inflamatório que acomete um ou mais segmento das mamas, geralmente, unilateral, que pode progredir ou não para uma infecção bacteriana. O leite acumulado e o dano tecidual favorecem a instalação da infecção, comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus) e às vezes por Escherichia colli e Streptococcus, sendo as lesões mamilares, a porta de entrada mais frequente das bactérias. A mastite pode ser infecciosa ou não infecciosa:
	Abcesso Mamário - Em geral, é causado por mastite não tratada, tratamento iniciado tardiamente ou ineficaz. É comum após a interrupção da amamentação na mama afetada pela mastite, sem a ordenha do leite. O diagnóstico é feito pelo quadro clínico: febre mal-estar, calafrios e presença de área de flutuação no local afetado. O enfermeiro deve observar a presença de nódulo duro que não regride, febre de instalação súbita, sensação de mal estar geral; e encaminhar para consulta médica no mesmo dia. No diagnóstico diferencial do abscesso, deve-se considerar galactocele, fibroadenoma e carcinoma da mama.
	10 PLANEJAMENTO FAMILIAR
	10.1 Métodos Contraceptivos
	11 QUEIXAS GINECOLÓGICAS MAIS COMUNS
	WORKOWSKI, K. A., BOLAN, G..A. Sexually transmitted diseases treatment guidelines, 2015. Centers for Disease Control and Prevention. MMWR Recomm Rep. 2015 Jun 5;64(RR-03):1-137. Disponível em Acesso em 04 Jul 2019.não raramente, quanto mais precoce
a gravidez, maior a possibilidade de reincidência de nova gestação. Por outro lado,
houve um aumento da fecundidade entre mulheres a partir dos 35 a 39 anos
(24,37%) e mesmo após os 40 anos (8,8%), o que requer monitoramento, pois o
conceber mais tardiamente traz maiores riscos maternos e perinatais, com destaque
para as malformações e cromossomopatias fetais.
Parto e Nascimento
Em relação ao tipo de parto, o aumento das taxas de cesarianas é um dado
preocupante no Brasil. Esse tipo de parto representou aproximadamente 56% dos
partos, porém houve uma variação entre serviços públicos (40%) e serviços privados
(85%) no município. Essas taxas divergem com os 15% preconizados pela
Organização Mundial da Saúde para preservação do binômio mãe – filho. No Brasil,
corroborando com esses dados, maiores taxas de mortalidade maternas foram
associadas com maiores porcentagens de cesárias.
Há uma tendência mundial no aumento da prática de cesarianas. Segundo
dados do DATASUS, em Caxias do Sul, no ano de 2000 e 2017, os partos cesáreos
representaram 57,7% e 71,1%, respectivamente. A variação percentual do período
avaliado indicou um aumento de 13,4% no parto cesáreo. Esses dados sugerem um
questionamento sobre a real indicação clínica da execução de cesarianas.
6
Câncer de Mama e Colo do Útero
O câncer de mama lidera as causas de óbito feminino por neoplasias, sendo
seguido pelas neoplasias de brônquios e pulmões. O câncer de mama é o mais
comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, após o câncer de pele não
melanoma, respondendo por 28% dos casos novos a cada ano entre o sexo
feminino (Caxias do Sul, 2018). Relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta
idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente, após os 50 anos.
Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos
quanto nos em desenvolvimento. O rastreio populacional entre 50 e 69 anos
mediante mamografia é a estratégia adotada pelo Ministério da Saúde para a sua
detecção precoce e redução da mortalidade feminina.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer ( 2019), o câncer do colo do útero é
causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano –
HPV. Algumas alterações celulares podem evoluir para o câncer, porém são
descobertas facilmente no exame preventivo (conhecido também como
Papanicolau) e são curáveis na quase totalidade dos casos. Por isso, a importância
da realização de campanhas e periodicidade da realização do exame.
7
2 CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA MULHER
A Consulta de Enfermagem (COFEN, 2018) deve estar baseada em suporte
teórico que oriente e ampare cada uma das etapas do processo de enfermagem:
coleta de dados ou histórico de enfermagem; diagnóstico de enfermagem;
planejamento de enfermagem; implementação e avaliação de enfermagem. Além da
competência técnica, o enfermeiro deve demonstrar interesse pela saúde da mulher
e seu modo de vida, ouvindo suas queixas e considerando suas preocupações e
angústias, através de uma escuta qualificada, a fim de proporcionar a criação de
vínculo. Desta forma, poderá contribuir para a produção de mudanças concretas e
saudáveis nas atitudes da mulher, de sua família e comunidade, exercendo assim
papel educativo.
A Sistematização da Assistência de Enfermagem e a implementação do
Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados está prevista na
Resolução Cofen nº 358/2009 (COFEN, 2009). A execução do Processo de
Enfermagem deve ser registrada formalmente, através do resumo dos dados
coletados sobre a pessoa; os diagnósticos de enfermagem acerca das respostas da
pessoa; as ações ou intervenções de enfermagem realizadas; e os resultados
alcançados. Esses registros podem ser também da família ou coletividade humana. 
O registro no prontuário eletrônico recomenda o uso do SOAP (Subjetivo,
Objetivo, Análise e Plano), a construção/atualização da lista de problemas e a
utilização da Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem em Saúde
Coletiva (CIPESC), como forma de facilitar a comunicação entre profissionais e a
obtenção de dados clínicos. Quanto à taxonomia utilizada no processo de
enfermagem, optamos pela Classificação Internacional das Práticas de Enfermagem
em Saúde Coletiva (CIPESC).
O Projeto das CIPESC foi constituído, em 1996, pela Associação Brasileira de
Enfermagem (ABEn) e construído em consonância com a realidade de saúde do
Brasil. Deu origem ao Livro “Cipescando em Curitiba: Construção e Implementação
da Nomenclatura de Diagnósticos e Intervenções de Enfermagem na Rede Básica
de Saúde. A CIPESC “é capaz de desencadear o raciocínio clínico, julgamento e a
tomada de decisão do enfermeiro por meio do diagnóstico de enfermagem e o plano
de cuidados”. Tem por referência os pressupostos da Reforma Sanitária Brasileira,
os perfis de saúde-doença da população e a inscrição constitutiva da enfermagem
no processo de produção de saúde. Assim, as consultas de enfermagem adquiriram
uma maior visibilidade na APS, bem como, consolida o compromisso ético do junto
ao usuário.
Segundo o Ministério da Saúde, as atribuições do Enfermeiro na saúde da
mulher/pré-natal são:
• Realizar acolhimento com escuta qualificada e privacidade, de modo a
proporcionar ambiente de confiança e respeito;
• Realizar exame clínico das mamas e solicitar mamografia conforme protocolo;
8
• Coletar exame citopatológico do colo do útero conforme protocolo;
• Realizar testes rápidos (diagnóstico de gravidez, sífilis, hepatite B, hepatite C
e HIV);
• Desenvolver atividades educativas, individuais e em grupos (grupos ou
atividades de sala de espera);
• Atentar para situações de violência física, psicológica, sexual e outras, entre
parcerias sexuais e intrafamiliares;
• Orientar a mulher sobre os serviços de referência para atendimento à
violência sexual: Centro de Referência da Mulher e Pravivis (Centro
Obstétrico Hospital Geral);
• Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da
amamentação e vacinação;
• Preencher e fornecer o Cartão da Gestante, que deve ser verificado e
atualizado a cada consulta;
• Prescrever medicamentos padronizados para o programa de pré-natal; 
• Orientar a vacinação nas mulheres;
• Identificar as gestantes com algum sinal de alarme e/ou identificadas como de
alto risco e encaminhá-las para consulta médica. Caso seja classificada como
de alto risco e houver dificuldade para agendar a consulta médica (ou demora
significativa para este atendimento), a gestante deve ser encaminhada
diretamente ao serviço de referência;
• Orientar as gestantes e a equipe quanto aos fatores de risco e à
vulnerabilidade e social e risco clínico;
• Orientar as gestantes sobre a periodicidade das consultas e realizar busca
ativa das gestantes faltosas;
• Realizar visitas domiciliares durante o período gestacional e puerperal;
• Orientar, estimular e acompanhar o processo de aleitamento materno;
• Orientar e esclarecer dúvidas em relação ao planejamento familiar.
9
3 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
Segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer, 2020), o câncer de colo do
útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres e apresenta maior
potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente, seguido do
câncer de pele (juntamente com o câncer de mama, lidera os tumores de causa
ginecológica). 
O método de rastreamento do câncer do colo de útero e de suas lesões
precursoras é o exame citopatológico, que deve ser realizado anualmente. A coleta
deverá ocorrer a cada 3 anos após 2 exames consecutivos com resultado
negativo em mulheres assintomáticas e que já tiveram atividade sexual dos 25
anos até os 64 anos de idade, desde que não sejam histerectomizadas(a cada
três anos após dois exames anuais consecutivos negativos). Sempre orientar a
usuária sobre o procedimento, buscando esclarecer suas dúvidas e reduzir a
ansiedade. Em relação à técnica da coleta de material citológico, deve-se seguir as
normas descritas no Protocolo de Procedimentos Operacionais Básicos de
Enfermagem do município (POP n. 66, pág. 147).
Quadro 1. Recomendações da coleta do exame citopatológico do colo
do útero diante da situações
 
Situação O que fazer?
Sem história de atividade sexual Não há indicação para rastreamento do câncer de 
colo do útero
Gestantes
Aproveitar o período gestacional para rastrear, 
porém recomenda-se análise caso a caso, pesando
riscos e benefícios
Climatério e pós menopausa
 
Se dificuldade diagnóstica decorrente de atrofia, 
encaminhar para consulta médica
 
Histerectomizadas por motivo
benigno
Não precisa realizar o CP do colo
Imunossuprimidas Coleta semestral enquanto persistir a 
imunossupressão
10
Quadro 2. Recomendações diante dos problemas mais frequentes
encontrados durante a coleta do exame citopatológico do colo do útero
Ressecamento
vaginal ou colpite
atrófica
- É comum no período do climatério, com indicação de tratamento
se houver secura vaginal, dispareunia, dificuldades na coleta do
exame ou atrofia na amostra.
- Encaminhar ao médico para avaliação e prescrição de estriol
se necessário (medicação de risco para carcinoma de
endométrio)
- Mulheres com história de câncer de mama devem ser
encaminhadas para avaliação médica.
Ectopia Presença de epitélio endocervical eviscerado para ectocérvice.
Achado fisiológico, só demanda intervenção se citopatológico
alterado ou sangramento pós-coital (cauterização).
Cisto de Naboth É decorrente da obstrução dos ductos excretores das glândulas
endocervicais subjacentes, sem significado patológico, não
demandando intervenções (fisiológico)
Pólipos Cervicais - São projeções da mucosa do canal do colo uterino, podendo levar
a sangramento vaginal fora do período menstrual e principalmente
após relação sexual. Na maioria dos casos, são benignos, não
causam dor pélvica ou dispareunia.
- Encaminhar ao ginecologista para retirada em presença de queixa
de sangramento após relação sexual, corrimento vaginal
aumentado; sangramento discreto entre as menstruações.
11
Quadro 3. Adequabilidade da amostra
Amostra insatisfatória
para avaliação
- Amostra com leitura prejudicada por natureza
técnica ou devido à presença de: sangue, piócitos,
artefatos de dessecamento, contaminantes
externos ou intensa superposição celular.
- A mulher deve repetir o exame em 6 a 12
semanas com correção, quando possível, do
problema que motivou o resultado insatisfatório.
Amostra satisfatória para
avaliação
- Células em quantidade representativa, cuja
observação permita conclusão diagnóstica. Podem
estar presentes células representativas dos
epitélios do colo do útero: células escamosas;
células glandulares (não inclui o epitélio
endometrial) e células metaplásicas.
Esfregaços normais
somente com células
escamosas
- O exame citopatológico deve conter amostra do
canal cervical coletada com escova apropriada e
da ectocérvice, coletada com espátula tipo ponta
longa (espátula de Ayre).
12
Quadro 4. Conduta frente aos resultados de exames citopatológicos normais
Resultados O que fazer?
Dentro dos limites da normalidade
no material examinado
Seguir a rotina de rastreamento citológico.Metaplasia escamosa imatura
Reparação epitelial
Inflamação sem identificação do
agente (alterações celulares
benignas reativas ou reparativas)
- Seguir a rotina de rastreamento citológico.
- Se sintomática: vide página 47
Achados microbiológicos:
- Lactobacillus sp, cocos
 
Seguir a rotina de rastreamento citológico.
 Se sintomática: vide página 47
Bacilos supracitoplasmáticos
(sugestivos de Gardnerella/
Mobiluncus, Candida sp)
Seguir a rotina de rastreamento citológico.
Tratar apenas em caso de queixa clínica de 
corrimento vaginal. 
Atrofia com inflamação
Seguir rotina de rastreamento citológico.
Se o laudo do exame citopatológico mencionar 
dificuldade diagnóstica decorrente da atrofia, a 
estrogenização deve ser feita por meio da via 
vaginal se não há contraindicação (risco de câncer 
endometrial).
Indicando radiação
Seguir rotina de rastreamento citológico.
O tratamento radioterápico prévio deve ser 
mencionado na requisição do exame.
Achados microbiológicos:
- Chlamydia sp.
- Efeito citopático compatível com
vírus do grupo herpes
- Trichomonas vaginalis
- Actinomyces sp.
- Chlamydia, Gonococo e Trichomonas: mesmo 
que sintomatologia ausente (como na maioria dos 
casos de infeção por Chlamydia e Gonococo), 
encaminhar para tratamento da mulher e parceria 
sexual, além de oferta de sorologias de IST e 
orientações (uso de preservativo). 
- Actinomyces: bactéria encontrada no trato genital 
de um percentual (10% a 20%) de mulheres 
usuárias de DIU; rara em não usuárias. A conduta 
é expectante: não se trata, não se retira o DIU.
- Herpes vírus: recomenda-se o tratamento em 
caso de presença de lesões ativas de herpes 
genital.
Citologia com células endometriais
normais fora do período menstrual
ou
- Seguir rotina de rastreamento citológico.
- Avaliar a cavidade endometrial, confirmando se 
o exame não foi realizado próximo ao período 
13
após a menopausa menstrual (encaminhar para médico). 
Quadro 5. Recomendação inicial diante de resultados de exames
citopatológicos anormais
Resultados O que fazer?
Atipias de
significado
indeterminado
Em células
escamosas.
Provavelmente
não
neoplásica.
(ASC-US)
- Em mulheres com o colo do útero 
presente, cuja conclusão diagnóstica 
apresente resultados normais 
deverão ser repetidos em seis 
meses*.
Não se pode
afastar lesão
de alto grau.
(ASC-H)
Enfermeiro encaminha para
Serviço de Patologia Cervical
Em células
glandulares.
Provavelmente
não
neoplásica.
(AGC) Enfermeiro encaminha para
Serviço de Patologia CervicalNão se pode
afastar lesão
de alto grau.
(AGC-H)
De origem
indefinida.
Provavelmente
não
neoplásica. Enfermeiro encaminha para
Serviço de Patologia CervicalNão se pode
afastar lesão
de alto grau.
Lesão intraepitelial de baixo grau
Enfermeiro encaminha para
Serviço de Patologia Cervical
Se dois exames negativos,
seguir rotina de rastreamento.
Lesão intraepitelial de alto grau Enfermeiro encaminha para
Serviço de Patologia Cervical
Lesão intraepitelial de alto grau, não podendo
excluir microinvasão ou carcinoma epidermoide
invasor
Enfermeiro encaminha para o Ceclin 
- UCS, em ALTA prioridade
Adenocarcinoma in situ ou invasor
*Protocolo de Patologia Cervical de Caxias do Sul, 2020.
14
4 PREVENÇÃO E RASTREAMENTO DO CÂNCER DE MAMA
Na consulta de enfermagem da mulher, primeiramente questionar aspectos
sociais e emocionais, história familiar, antecedentes pessoais, história obstétrica,
método contraceptivo usado (encaminhar para planejamento familiar se necessário)
e condições gerais de saúde. O exame físico se dará sentada, inicialmente, na mesa
ginecológica, com o tronco desnudo e os braços pendentes ao lado do corpo ou com
os braços levantados sobre a cabeça. Observar as mamas quanto à simetria,
tamanho, contorno, forma, pigmentação areolar, aspecto da papila, saída
espontânea de secreção e características da pele: presença de achatamento,
abaulamento ou espessamento da pele da mama e/ou retrações. Diferenças na cor,
temperatura, textura e padrão de circulação venosa. 
Na inspeção dinâmica, solicitar a elevação dos braços em direção do
segmento cefálico. Após, solicitar que a mulher coloque as mãos atrás da nuca e
faça movimentos de abrir e fechar os braços. Observar presença de retrações ou
exacerbações de assimetrias, além de verificar comprometimento do plano muscular
em casos de carcinoma. Deve-se pesquisarlinfonodos palpáveis.
Não se recomenda o autoexame de mamas, pois este não dispensa a
mamografia. Segundo evidências, não provou ser benéfico para a detecção precoce
de tumores e por trazer falsa segurança, dúvida e excesso de exames invasivos.
Portanto, não deve ser orientado/estimulado para o reconhecimento de lesões,
embora possa ser recomendado para que a mulher tenha conhecimento de seu
próprio corpo. A mamografia é o principal exame diagnóstico do câncer de mama.
Sua sensibilidade é maior após os 50 anos pela maior adiposidade da mama. No
entanto, já deve ser solicitada rotineiramente a partir dos 40 anos de idade,
conforme recomendação do Protocolo do Município de Caxias do Sul (ver resultados
possíveis da mamografia no quadro 6).
15
Quadro 6. Alterações e encaminhamentos conforme Bi-Rads.
BI-RADS SIGNIFICADO RISCO DE CÂNCER CONDUTA
0 - exame inconclusivo indeterminado - Encaminhar para consulta
médica 
1 - benigno 0% - Enfermeiro solicita
mamografia anual
2 - benigno 0% - Enfermeiro solicita
mamografia anual
3 - provavelmente benigno 95% - Enfermeiro encaminha
para Mastologista
- Biópsia.
6 - biópsia prévia confirma 
câncer
100% - Enfermeiro encaminha
para Mastologista
- Tratamento oncológico
16
 5.CONSULTA DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO À SAÚDE DA GESTANTE DE
RISCO HABITUAL
5.1. Atenção pré-concepcional
O aconselhamento pré-concepcional se caracteriza por um conjunto de
medidas de natureza médica, social e psíquica que visa permitir ao casal,
preferencialmente, ou à mulher, isoladamente em alguns casos, determinar o
momento ideal para que a gestação ocorra. Assim, é recomendável que antes da
decisão favorável à concepção sejam discutidos com o casal aspectos como
sexualidade, anticoncepção e a própria gravidez, e paralelamente a ampla gama de
mudanças que a gestação e a maternidade podem acarretar ao organismo,
fisiológicas e, eventualmente, patológicas. Diante disso, é recomendável que a
mulher seja avaliada antes de engravidar e em tempo oportuno, idealmente 3 meses
antes da concepção, para que possa dispor de melhores condições clínicas e
receber orientações adequadas quanto a hábitos saudáveis. Isso inclui orientações
sobre alimentação, tabagismo, álcool, drogas, medicamentos em uso, esquema de
vacinação e controle de peso. A suplementação com ácido fólico e a realização de
exames básicos, como testes rápidos para HIV, Hepatites B e C e Sífilis e coleta de
citopatológico do colo uterino devem fazer parte desse momento. Aliada a essas
medidas de ordem geral, a orientação pré-concepcional favorece a solução de
dúvidas e mitos e oferece um esclarecimento inicial na tentativa de amenizar as
preocupações do casal, permitindo uma gestação mais tranquila. 
5.2. Diagnóstico de Gravidez
 
• Dosagem urinária de gonadotrofina coriônica humana (ßHCG) ou teste rápido 
de gravidez – com vistas a antecipar a captação pré-natal precoce das
gestantes. Mulheres com história de atraso menstrual de sete dias ou
mais devem realizar este teste. É um método de sensibilidade e
especificidade comparável à dosagem plasmática da gonadotrofina coriônica
humana (ßHCG);
17
Suspeita de Gravidez
- acolhimento e escuta
- avaliar desejo gestacional
Atraso Menstrual ≥ 7 dias
SIMNÃO
Reavaliar após 15 dias Realizar teste rápido de gravidez
Menstruou Não menstruou Negativo Positivo
- Reavaliar testagem para 
Sífilis, HIV, Hepatites B e C
- Cadastrar gestante
- Agendar consulta e 
exames o mais breve 
possível
Avaliar se existe 
desejo de gestar
SIMNÃO
- Orientações
- Ácido Fólico
Oferecer 
contracepção
• Dosagem sérica de gonadotrofina coriônica humana (ßHCG): também poderá
ser solicitada para confirmar a ocorrência de gravidez quando o teste rápido
não estiver disponível, igualmente nos casos com atraso menstrual há sete
dias ou mais. 
O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher
desde o início da gestação, garantindo o bem-estar materno e fetal, tanto na
Atenção Básica e nos outros serviços da rede, como no consultório de rua da Rede
de Atenção Psicossocial. A gestante deve ser captada o mais precocemente
possível, e em todo caso de suspeita de gestação deve-se realizar teste rápido. É
fundamental estimular a participação da parceria sexual no acompanhamento pré-
natal. Devem ser realizadas, no mínimo, 6 consultas, considerando o
cronograma abaixo:
 
• Até a 34ª semana – mensal;
• Da 34ª até a 37ª semana – quinzenal;
• A partir da 37ª semana – semanal
• Consulta de puerpério – 7 a 10 dias após o nascimento
18
Fgura 1: Fluxograma para diagnóstico de Gravidez
5.3. Acolhimento e escuta 
 O acolhimento da gestante implica a responsabilização pela integralidade do
cuidado, a partir de uma escuta qualificada e da avaliação de vulnerabilidades, de
acordo com o seu contexto social, entre outros cuidados. O profissional deve permitir
que a gestante expresse suas preocupações e suas angústias, garantindo a atenção
resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da
assistência e, quando necessário, possibilitando a criação de vínculo da gestante
com a equipe de saúde. É importante acolher o(a) acompanhante de escolha da
mulher, não oferecendo obstáculos à sua participação no pré-natal, no trabalho de
parto, no parto e no pós-parto (Lei nº 11.108, de 7 de abril de 2005).
Anamnese (história clínica, antecedentes familiares, pessoais e obstétricos). Deve-
se considerar os fatores relacionados às características abaixo:
✔ Individuais e sociodemográficas: idade menor que 15 anos e maior que 35
anos; esforço físico excessivo; carga horária extensa e rotatividade de horário
no trabalho; exposição a agentes físicos, químicos e biológicos; estresse;
situação familiar insegura e não aceitação da gravidez; baixa escolaridade;
condições ambientais desfavoráveis; altura menor do que 1,45 m; Índice de
Massa Corporal (IMC) que evidencie baixo peso, sobrepeso ou obesidade.
OBS: Merecem particular atenção no acompanhamento de mulheres negras,
indígenas, com baixa escolaridade, idade inferior a 15 anos e superior a 40 anos,
mulheres que tiveram pelo menos um filho morto em gestação anterior e/ou que
tiveram mais de três filhos vivos.
✔ História reprodutiva anterior: recém-nascido com restrição de crescimento,
pré-termo ou malformado; macrossomia fetal; síndromes hemorrágicas ou
hipertensivas; intervalo interpartal menor do que dois anos ou maior do que
cinco anos; nuliparidade e multiparidade (cinco ou mais partos), cirurgia
uterina anterior, considerando três ou mais cesáreas.
✔ Cálculo da Data Provável do Parto (DPP) e da Idade Gestacional (IG):
pode ser feito por gestograma ou aplicativos específicos para esse fim. Com o
19
gestograma, coloque a seta sobre o dia e o mês correspondentes ao primeiro
dia e mês da última menstruação e observe a seta na data (dia e mês)
indicada como data provável do parto. Verifique pela data da consulta a idade
gestacional apresentada pelo gestograma. Outra forma de estimar a DPP
consiste em somar sete dias ao primeiro dia da última menstruação e
subtrair três meses do mês em que ocorreu a última menstruação. Esta
forma de cálculo é chamada de Regra de Näegele. Nos casos em que o
número de dias encontrado for maior do que o número de dias do mês, no
cálculo do mês provável subtraia dois meses. Corrija o ano conforme a
proporção necessária. Exemplo de cálculo da idade gestacional:
DUM Cálculo do dia Cálculo do mês DPP
28/05/18 28+7=35 (05) 5-2=março
Maio, menos dois
meses
05/03/19
12/03/18 12+7=19 3-3=dezembro
Março, menostrês
meses
19/12/18
5.4. Consulta de Enfermagem
A consulta de enfermagem é uma atividade independente, realizada
privativamente pelo enfermeiro, com o objetivo de propiciar condições para a
promoção da saúde da gestante e a melhoria na sua qualidade de vida, mediante
uma abordagem contextualizada e participativa.
A primeira consulta deve ser realizada assim que a gestação for confirmada
e deverá seguinte roteiro:
• Investigar sintomas e queixas;
• Realizar os testes rápidos para ISTs (Hepatite B e C, Sífilis e HIV);
• Anamnese (história clínica, antecedentes familiares, pessoais e obstétricos);
• Verificar condições de moradia, de trabalho e exposições ambientais;
• Preencher dados da gestação no prontuário eletrônico e cartão da gestante;
• Investigar rede familiar e social;
20
• Orientar sobre a importância do pré-natal, autocuidado e como proceder em
possíveis situações de risco e/ou urgência;
• Questionar sobre a utilização de medicamentos na gestação;
• Determinar cálculo da idade gestacional e data provável do parto, a partir da
DUM;
• Verificar peso e altura, com respectiva avaliação do estado nutricional;
• Encaminhar / agendar consulta odontológica;
• Verificar sinais vitais;
• Investigar sobre violência doméstica;
• Orientar para a participação em grupos de gestantes, pré-natal do parceiro e
demais ações educativas conforme a rotina da UBS;
• Atentar para fatores e sinais de risco;
• Questionar sobre exposição ao tabaco, álcool e outras drogas e as
consequências para a saúde da mulher e do feto;
• Realizar exame físico geral e específico;
• Verificar situação vacinal;
• Orientar sobre o pré-natal do parceiro;
• Verificar data do último CP e realizar nova coleta, se necessário;
• Orientar sobre aleitamento materno e planejamento familiar;
• Agendar consulta subsequente com médico pré-natalista;
• Prescrever suplementação de ácido fólico - 0,4mg/dia à 5 mg (conforme
critério do profissional): deverá ser prescrito 60 a 90 dias antes da
concepção, devendo ser mantida até a 12ª semana (redução do risco de
malformações do tubo neural).
 Sugere-se uma consulta de enfermagem entre 28 a 32 semanas de gestação
para abordar as orientações fornecidas na primeira consulta, reforçando os
seguintes tópicos:
• Planejamento familiar;
• Sinais de parto / Tipos de parto;
• Aleitamento materno;
• Importância do pré-natal, autocuidado e como proceder em possíveis
situações de risco e/ou urgência;
• Imunizações;
21
• Cuidados com RN;
• Alimentação saudável e adequada;
• Saúde Mental;
5.4.1 Calendário de vacinas
dT e dTpa - A rotina para estas vacinas está descrita no quadro 11. Está indicada
para gestantes a partir da 20ª semana embora o melhor momento seja por volta da
27ª semana, e preferencialmente 20 dias antes do parto. Em último caso, poderá ser
feita no puerpério caso a mulher não a tenha recebido na gestação.
Vacina contra Influenza - A vacina contra a influenza é recomendada a todas as
gestantes em qualquer período gestacional. O Programa Nacional de Imunizações
(PNI) disponibiliza esta vacina na rede pública de saúde a todas as gestantes
durante a campanha anual contra influenza sazonal. O esquema consiste em uma
dose no período da campanha.
Vacinação contra Hepatite B - Por considerar os riscos da gestante não vacinada
contrair a doença e de haver transmissão vertical, é importante que a gestante
receba a vacina contra a hepatite B em qualquer momento da gestação,
independentemente da faixa etária. O esquema desta vacina deve ser seguido
conforme os calendários de vacinação do adolescente e do adulto.
 Gestantes com esquema incompleto (1 ou 2 doses): deve-se completar o
esquema.
 Gestantes com esquema completo: não se deve vaciná-las.
Não há indicação de solicitação do anti-HBs como rastreador de imunidade, nem
mesmo de revacinação. O serviço de Infectologia pode ser consultado no caso de
dúvidas a respeito de pacientes vacinadas que não apresentarem a conversão.
Rubéola, Sarampo, Caxumba e Febre amarela - As vacinas virais vivas que
contêm os componentes do sarampo, da rubéola, da caxumba e da febre amarela
não são recomendadas em situações normais. Contudo, quando for alto o risco de
22
ocorrer a infecção natural pelos agentes dessas doenças (viagens a áreas
endêmicas ou vigência de surtos ou epidemias), deve-se avaliar cada situação,
sendo válido optar pela vacinação quando o benefício for maior do que o possível
risco. Após a vacinação com tríplice viral recomenda-se evitar a gravidez nos 30
dias subsequentes, apenas por precaução. Entretanto, se a mulher engravidar antes
desse prazo ou se houver administração inadvertida durante a gestação, não se
justifica o aborto em nenhum desses casos, por se tratar apenas de risco teórico. A
gestante deverá ser acompanhada pelo serviço de saúde.
Varicela - Gestante suscetível (não vacinada ou sem histórico bem definido de ter
tido doença) que tenha tido contato com pessoa infectada por varicela deve receber
a imunoglobulina humana anti-varicela zoster (IGHVAZ). O uso da imunoglobulina
está indicado até o 5º dia do contato com o caso confirmado de varicela.
Covid-19 – Gestante e puérperas até 40 dias devem ser todas vacinas com vacinas
a base de vírus inativados ou RNA mensageiro.
Quadro 8. Imunização: Recomendações de rotina no pré-natal
VACINA SITUAÇÃO DOSES ESQUEMA OBSERVAÇÕES
dT/dTpa Esquema 
vacinal 
desconhecido
Não
vacinada.
3 doses 1ª dose dT 
(qualquer idade 
gestacional);
2ª dose dT (após 
60 ou no mínimo 
30 dias da 1ª);
3ª dose dTpa 
(após 60 dias ou 
no mínimo 30 
dias da 2ª).
Caso iniciado o 
esquema tardiamente: 
aplicar a 2ª ou a 3ª 
dose pelo menos 20 
dias antes do parto, 
respeitando o intervalo 
mínimo de 30 dias da 
1ª dose,
A dose de dTpa deve 
ser administrada em 
todas as gestações;
23
A vacina pode ser 
realizada a partir da 
20ª semana; 
Esquema 
incompleto
Completar
 
Conforme o 
número de doses 
faltantes, sendo 
uma de dTpa.
Esquema com 
três doses de 
dT
Uma dose
de dTpa
Administrar uma 
dose de dTpa.
Vacinação 
completa
Uma dose
de dTpa
Reforço.
Hepatite
Esquema 
vacinal 
desconhecido
Não 
vacinada; 
HbsAg (-) e 
Anti-Hbsa idade gestacional. Traçados iniciais abaixo ou
acima da faixa devem ser medidos novamente em 15 dias para descartar erro da
idade gestacional e risco para o feto. 
Fonte: https://unasus2.moodle.ufsc.br
25
Ausculta de batimentos fetais - Verificar os batimentos cardiofetais (BCFs) em um
minuto, quanto ao ritmo, frequência e regularidade. Os ruídos fetais compreendem o
batimento cardíaco e o sopro funicular (por compressão do cordão e sincrônico com
o anterior). A frequência esperada é de 120 a 160 bpm. Na apresentação cefálica,
os batimentos encontram-se abaixo do umbigo, na apresentação pélvica, acima do
umbigo e na apresentação córmica (situação transversa), na altura do umbigo.
Alterações persistentes da frequência dos BCF devem ser avaliadas pelo médico.
Vale ressaltar que ocorre aumento transitório da frequência cardíaca do bebê na
presença de contração uterina, movimento fetal ou estímulo mecânico. Se ocorrer
desaceleração durante e após contração, pode ser sinal de preocupação.
Nestas condições, referir para avaliação médica ou maternidade.
Avaliação da dinâmica uterina - Avaliar, de acordo com as queixas da gestante, a
frequência e intensidade das contrações. Posicionar a gestante em decúbito lateral
esquerdo por 10 minutos, colocar a mão no fundo do útero da mesma, a fim de
avaliar o início de uma contração, anotar frequência e duração. Caso em 10 minutos
ela tenha mais de 3 contrações com duração maior que 20 segundos, cada uma das
contrações, encaminhar paciente para avaliação na maternidade. Caso a
intensidade ou frequência forem menores, são contrações de treinamento ou
Braxton Hicks.
Membros Inferiores: avaliar presença de edema
Quadro 9 Características do edema
Características Classificação Observações
Edema presente somente no
tornozelo, sem alteração de pressão
Arterial ou aumento de peso súbito.
+/+++ - Verificar relação do edema com a
atividade laboral ou a posição que a
gestante permanece maior parte do
seu tempo;
- Verificar os calçados;
- Verificar temperatura e estação do
ano;
- Orientar repouso em decúbito
Edema presente em membros
inferiores, com alteração de Pressão
Arterial e aumento de peso.
++/+++
Edema generalizado (face, tronco e
membros) ou que já se mostra
+++/+++
26
presente quando a gestante acorda
acompanhado ou não de
hipertensão ou aumento súbito de
peso.
lateral esquerdo;
- Verificar presença de sinais ou
sintomas de pré-eclâmpsia grave;
- Avaliar BCFs e movimentos fetais;
- Agendar retorno semanal;
- Caso haja hipertensão, a gestante
deve ser encaminhada ao médico.
Edema unilateral de MMII, com dor
e/ou sinais flogísticos
Suspeita de processos trombóticos
(tromboflebite, TVP). A gestante
deve ser avaliada pelo médico da
unidade e encaminhada para o
serviço de alto risco.
5.4.3 Resultados dos exames de rotina do pré-natal de risco habitual.
Teste rápido
(TR) p/ Sífilis
(0214010082)
1ª consulta
 
TR Sífilis reagente Solicitar VDRL e encaminhar para
consulta médica
Teste rápido
(TR) para
detecção de HIV
(0214010040)
1ª consulta TR reagente: TR1
reagente – realizar
TR2 (marca
diferente).
TR1 e TR2
reagentes: Amostra
reagente para HIV.
TR discordante:
TR1 reagente e TR2
não reagente: repetir
os dois TR.
Permanecendo a
discordância, solicitar
Encaminhar para o Serviço de
Infectologia para início de Terapia
Antirretroviral para a profilaxia da
transmissão vertical e tratamento
da infecção pelo HIV.
Manter acompanhamento pré-
natal na Atenção Básica
27
exames laboratoriais.
Teste rápido
para Hepatite C
(0214010090)
Quando
houverem
fatores de risco
Segundo
histórico de
risco para
exposição
ao HCV
TR reagente: contato
prévio com HCV.
 Encaminhar para o Serviço de
Infectologia 
Sorologia
Hepatite B
(HBsAg)
(0202030970)
ou TR Hepatite
B (0214010104)
1ª consulta HBsAg reagente:
suspeita de infecção
por Hep. B
HBsAg reagente: encaminhar
para o Serviço de Infectologia e
notificar à Vigilância
Epidemiológica para que seja
feita a reserva da Imunoglobulina
contra o vírus da Hepatite B, que
será disponibilizada ao hospital
de referência para o parto e será
aplicada no recém-nascido.
Citopatológico
cervico-vaginal7
Conforme a
idade
Ver Quadro 5 e 6 Ver Quadro 5 e 6
*Protocolo de Pré-natal de Caxias do Sul, 2020.
5.4.4 Aspectos a serem abordados nos grupos educativos realizados pela
equipe multidisciplinar.
✔ Mudanças fisiológicas, emocionais e sexo na gestação;
✔ Autocuidado/autoestima;
✔ Exposição ao cigarro, álcool e outras drogas;
✔ Nutrição;
✔ Benefícios legais: direitos sociais, legais e trabalhistas, direito de
acompanhante no parto;
✔ Aleitamento materno;
✔ Cuidados com o RN;
28
✔ Saúde bucal;
✔ Saúde mental;
✔ Sinais de parto/Tipos de parto;
✔ Planejamento familiar;
✔ Outros assuntos de interesse das gestantes e de acordo com a realidade
local.
ATENÇÃO: não deverá existir alta do pré-natal, isto só deverá ocorrer após a
consulta de puerpério. É importante salientar que ao encaminhar a gestante para o
pré-natal de alto risco, esta deve manter-se vinculada à Unidade de Saúde ,
sendo este acompanhamento importante para a manutenção da qualidade do pré-
natal. Cabe à equipe de enfermagem e aos ACS realizarem a busca ativa das
gestantes faltosas.
6 QUEIXAS MAIS COMUNS NA GESTAÇÃO
Sintomas Orientações de Enfermagem
Náuseas,
vômitos e
tonturas
- Realizar 6 refeições leves ao dia;
 - Evitar frituras, gorduras e alimentos com cheiros fortes;
- Evitar líquidos durante as refeições;
- Ingerir alimentos sólidos antes de se levantar pela manhã, como
bolacha de água e sal;
- Ingerir alimentos gelados;
- Observar sinais de desidratação. 
- Se suspeita de Hiperêmese Gravídica – encaminhar para consulta
médica, orientar fracionar mais a alimentação diária, evitar alimentos
líquidos ou tomar líquido até 30 minutos depois das refeições
Pirose (Azia) - Consumir dieta fracionada, evitando frituras;
- Evitar café, chá preto, mates, doces, álcool e fumo.
- Em alguns casos, a critério médico, a gestante pode fazer uso de
medicamentos antiácidos.
29
Sialorréia
(salivação
excessiva)
- Sintoma comum no início da gestação;
- Orientar dieta semelhante à indicada para náusea e vômitos;
- Orientar a deglutir a saliva e tomar líquidos em abundância
(especialmente em épocas de calor).
Fraquezas e
desmaios
- Não realizar mudanças bruscas de posição;
- Orientar dieta fracionada, de forma que a gestante evite jejum
prolongado e grandes intervalos entre as refeições;
- Explicar que sentar com a cabeça abaixada ou deitar em decúbito
lateral, respirando profunda e pausadamente, melhora a sensação de
fraqueza e desmaio.
Flatulência e
obstipação
intestinal
- Se houver flatulências (gases) e/ou obstipação intestinal, orientar
dieta rica em resíduos: frutas cítricas, verduras, mamão, ameixas e
cereais integrais;
- Recomendar a ingestão de líquidos e evitar alimentos de alta
fermentação, tais como repolho, couve, ovo, feijão, leite e açúcar.
- Se dor abdominal: encaminhar para consulta médica
Hemorróidas - Orientar alimentação rica em fibras;
- Evitar usar papel higiênico colorido ou áspero (nestes casos, deve-se
molhá-lo) e realizar higiene perianal com água e sabão neutro, após a
evacuação;
- Encaminhar para consulta médica, caso haja dor ou sangramento
anal persistente
Corrimento
Vaginal
- Explicar que um aumento de fluxo vaginal é comum na gestação. Se
sintomas avaliação medica
- Se sintomas, encaminhar para avaliação médica.
Queixas
urinárias
- A compressão da bexiga pelo útero gravídico, diminui a capacidade
volumétrica, ocasionando polaciúria (aumento do ritmo miccional) e a
nictúria (aumento do ritmo miccional no período de sono), que se
acentua à medida que a gravidez progride, dispensando tratamento e
cuidados especiais.Avaliar sempre: Presença de sintomas como dor ao urinar ou
hematúria, acompanhada ou não de febre (avaliação médica)
Falta de ar e - Recomendar repouso em decúbito lateral esquerdo;
30
dificuldade para
respirar
- Escutar as angústias da gestante;
- Atentar para outros sintomas associados (tosse, chiado e sibilância) e
para achados no exame cardiopulmonar, pois – embora seja pouco
frequente – pode se tratar de um caso de doença cardíaca ou
respiratória.
Mastalgia (dor
nas mamas)
- Orientar quanto à normalidade de incômodo mamário, pela fisiologia
da gestação, devido ao aumento mamário e ao desenvolvimento de
suas glândulas;
- Recomendar o uso constante de sutiã, com boa sustentação, após
descartar qualquer intercorrência mamária;
- Orientar sobre o colostro (principalmente nas fases tardias da
gravidez).
Lombalgia (dor
lombar)
- Orientar a correção da postura ao se sentar e ao andar;
- Orientar o uso de sapatos com saltos baixos e confortáveis;
- Fazer a aplicação de calor local; eventualmente.
Cefaleia - Afastar hipóteses de hipertensão arterial e pré-eclâmpsia (se houver
mais de 24 semanas de gestação);
- Conversar com a gestante sobre suas tensões, seus conflitos e seus
temores;
- Encaminhar para consulta médica, se o sintoma persistir;
- Orientar quanto aos sinais e sintomas que podem indicar doença
grave.
Sangramento
nas gengivas
- Recomendar a escovação após as refeições, assim como o uso de
escova de dentes macia;
- Orientar a realização de massagem na gengiva;
- Recomendar o uso de fio dental;
- Encaminhar para avaliação odontológica no pré-natal.
Edema - Geralmente surge no 3º trimestre da gestação, limitando-se aos
membros inferiores e, ocasionalmente às mãos. Piora com o
ortostatismo (ficar em pé) prolongado e com
a deambulação; desaparece pela manhã acentua-se ao longo do dia.
Avaliar sempre: A possibilidade do edema patológico, em geral
associado à hipertensão e proteinúria, sendo sinal de pré-eclâmpsia.
31
Varizes - Orientar a não permanecer muito tempo em pé ou sentada;
- Repousar (por 20 minutos), várias vezes ao dia, com as pernas
elevadas;
- Não usar roupas muito justas e nem ligas nas pernas;
- Se possível, utilizar meia-calça elástica para gestante;
- Observar possibilidade de complicações tromboembólicas.
Cãimbras - Evitar o excesso de exercícios;
- Realizar alongamentos antes e após o início de exercícios ou
caminhadas longas, assim como na ocasião da crise álgica e quando
for repousar;
- Evitar o alongamento muscular excessivo ao acordar, em especial
dos músculos do pé (ato de se espreguiçar).
Cloasma
gravídico
(manchas
escuras no
rosto)
- Explicar que é uma ocorrência comum na gravidez e que costuma
diminuir ou desaparecer, em tempo variável, após o parto;
- Evitar exposição direta ao sol (usar boné, chapéu…);
- Utilizar filtro solar, aplicando no mínimo três vezes ao dia;
Estrias - Orientar que são frequentes após o 5º mês de gestação, geralmente
no quadril, abdome e mamas, ocasionadas pela distensão dos tecidos,
e que não existe método eficaz de prevenção. As estrias, que no início
apresentam cor arroxeada, tendem com o tempo a ficar com uma cor
semelhante à da pele.
- Pode ser recomendada a massagem local, com óleos e cremes
hidratantes compatíveis com a gravidez, livre de conservantes ou
qualquer outro alergênico.
7 DIREITOS DA GESTANTE, DA PARTURIENTE E DA LACTANTE
• Toda mulher tem direito a realizar exames de acompanhamento pré-natal, dar
à luz com segurança, à licença-maternidade e a amamentar o seu filho. O
conhecimento das mães em relação a esses direitos é uma arma fundamental
para que eles sejam respeitados na prática.
32
• Acompanhamento pré-natal – A gestante tem direito a acompanhamento
especializado durante a gravidez assegurado pela Lei nº 9.263, de 1996, que
determina que as instâncias do Sistema Único de Saúde (SUS) têm obrigação
de garantir, em toda a sua rede de serviços, programa de atenção integral à
saúde, em todos os seus ciclos vitais, que inclua, como atividades básicas, a
assistência à concepção e contracepção, o atendimento pré-natal e a
assistência ao parto, ao puerpério e ao neonato.
• A Lei nº 11.634, de 2007, determina que toda gestante assistida pelo SUS tem
direito ao conhecimento e à vinculação prévia à maternidade na qual será
realizado seu parto e à maternidade na qual ela será atendida nos casos de
intercorrência pré-natal.
• O atendimento prioritário à gestante e à lactante em hospitais, órgãos e
empresas públicas e em bancos é garantido pela Lei n. 10.048, assim como
pelo Decreto n. 5.296, de 2004.
• Outro marco nos direitos da gestante é a Portaria n. 569, de 1º de junho de
2000, do Ministério da Saúde, que instituiu o Programa de Humanização no
Pré-natal e Nascimento, no âmbito do SUS. A norma traz diversas
determinações em relação aos direitos da gestante, como, por exemplo, o
direito ao acesso a atendimento digno e de qualidade no decorrer da
gestação, parto e puerpério, a realização de, no mínimo, seis consultas de
acompanhamento pré-natal, sendo, preferencialmente, uma no primeiro
trimestre, duas no segundo e três no terceiro trimestre da gestação. A portaria
determina também que receber com dignidade a mulher e o recém-nascido é
uma obrigação das unidades.
• Lei do Acompanhante – A Lei nº 11.108, de 2005, garante que a parturiente
tem o direito de indicar um acompanhante durante todo o período de trabalho
de parto, parto e pós-parto imediato. Essa lei foi regulamentada pela Portaria
n. 2.418, de 2 de dezembro de 2005, do Ministério da Saúde. Em situação de
urgência, nenhum hospital, maternidade ou casa de parto pode recusar um
atendimento de parto.
• Direitos trabalhistas – O empregador não pode exigir atestados de gravidez
ou quaisquer outros de objetivo discriminatório para fins de admissão ou
manutenção do emprego de mulheres, sob pena de cometer crime, conforme
33
estabelece a Lei nº 9.029, de 1995. A Consolidação das Leis Trabalhistas
(CLT) confere uma série de direitos às gestantes. De acordo com o artigo
391-A c/c art. 10, II do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias
(ADCT), a grávida tem o direito à garantia de emprego a contar da
confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. 
• A CLT garante ainda a licença maternidade de 120 dias, sem prejuízo do
emprego e do salário (art. 392) e, de acordo com a Lei n. 11.770, de 2008, as
empresas privadas podem aderir ao programa “Empresa Cidadã”, que amplia
a licença-maternidade em 60 dias. A lei foi recentemente alterada para admitir
a prorrogação da licença-paternidade por 15 dias, além dos 5 (cinco) dias
previstos no art. 10, § 1º do ADCT.
• Licença em caso de adoção – Em caso de adoção, a licença-maternidade é
de 120 dias. De acordo com informações do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), que concede o benefício, o homem ou a mulher que adotar
uma criança de até 12 anos de idade deve requerer o salário-maternidade
diretamente no INSS, independentemente da sua relação de trabalho
(empregado, autônomo, empregado doméstico, entre outros). O benefício
será pago, durante 120 dias, a qualquer um dos adotantes, sem ordem de
preferência, inclusive nas relações homo afetivas.
• Aleitamento materno – A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda
o aleitamento materno exclusivo até o bebê completar seis meses. Seguindo
essa recomendação, o artigo 396 da CLT garante que as mães que voltarem
ao trabalho antes de o bebê completar seis meses têm o direito a dois
intervalos, de meia hora cada, durante a jornada de trabalho, especificamente
para a amamentação.
• O artigo 9º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que o
poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições
adequadasao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas
à medida privativa de liberdade. Dessa forma, a Lei de Execuções Penais
prevê estabelecimentos penais destinados a mulheres com berçário, onde as
condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amamentá-los, no
mínimo, até 6 (seis) meses de idade (art. 83, § 2º). 
34
8 PUERPÉRIO
Após o nascimento, as puérperas retornarão à unidade na primeira semana
para realizar a consulta puerperal, que será pré-agendada pela equipe do “Acolhe
Bebê”. A atenção à mulher no pós-parto é fundamental para a saúde materna e
neonatal. Na impossibilidade do pré agendamento, deve-se GARANTIR o acesso
através de busca. 
As mulheres que tiveram gestação de risco devem fazer a consulta puerperal
com o médico da atenção básica. As consultas de puerpério serão duas: 7 dias
(enfermeiro) e 30 dias após o nascimento (médico). Se por solicitação do Acolhe
Bebê, a primeira consulta de puerpério pode ser médica (gestações de alto risco ou
se complicações no nascimento que demandem avaliação médica precoce). 
Na consulta devem ser registrados os dados do parto no prontuário eletrônico
(SIGSS) e o roteiro deve incluir: 
 Escuta da puérpera em relação ao processo do parto e vínculo com o
neonato;
 Avaliar o estado emocional da mulher e vínculo mãe-bebê;
 Exame físico: mamas (pesquisar sinais de ingurgitamento, fissuras
mamilares, mastite);
 Avaliar involução uterina, lóquios (cor, odor e quantidade), episiorrafia ou
incisão cirúrgica;
 Em caso de parto vaginal com lacerações ou realização de episiotomia,
verificar dor em local de sutura, presença de secreções e sinais flogísticos ou
outras alterações e orientar cuidados;
 Em caso de parto cesárea, verificar sinais flogísticos e presença de secreção
em ferida operatória e orientar cuidados;
 Atentar aos sinais de alerta: febre, sangramento vaginal aumentado, dor
pélvica ou infecção, leucorréia fétida, alteração da pressão arterial e presença
de mastite;
 Avaliação do sangramento, se adequado para o período;
 Verificação de sinais vitais;
35
 Observar técnica de amamentação, pega e posição correta, eventuais
dificuldades.
 Orientar cuidados com as mamas e importância da amamentação;
 Orientações sobre planejamento familiar 
 Agendar consulta médica de retorno;
 Realizar busca ativa de puérperas faltosas nas consultas.
* Na presença de febre, hipertensão arterial (PA acima de 140 /90 mmHg), infecção
de ferida operatória, mastite, sangramento aumentado, lóquios fétidos, histórico de
gestação de alto risco = AVALIAÇÃO MÉDICA.
** Se paciente com crise hipertensiva grave (PA= ou > a 160/100mHg), sinais de
complicação séptica (febre alta, taquicardia, prostração, hipotensão arterial) sem
disponibilidade imediata de consulta médica = Encaminhar de imediato para
maternidade onde ocorreu o nascimento (a mesma orientação serve para pós
abortamento). 
Prescrição do contraceptivo (MÉDICO NA CONSULTA DE 30 DIAS APÓS O
NASCIMENTO)
A contracepção no puerpério deve ser imediatamente lembrada no momento
da consulta puerperal e durante o pré-natal (consulta entre 28 e 32 semanas). O
intervalo interpartal adequado deve ser de pelo menos dois anos.
✔ Dispositivo Intrauterino (DIU): as maternidades de Caxias do Sul contam
com a possibilidade da inserção do DIU no pós-parto imediato ou na
cesárea. Cabe aos profissionais sinalizarem esta possibilidade no pré-natal
para que a paciente manifeste sua vontade ao chegar às maternidades,
cabendo à equipe de atendimento hospitalar a inserção do dispositivo,
respeitando o entendimento da equipe assistencial. O DIU também poderá
36
ser inserido a partir de seis semanas pós-parto, seguindo fluxo de
encaminhamento vigente para aquele ambulatório via UBS (rever a
necessidade prévia de exame citopatológico em dia: menos de um ano da
data da última coleta). Preferencial para portadoras de HAS.
✔ Minipílula: contém apenas progesterona (minipílula) e pode ser utilizado pela
mulher que está amamentando. O seu uso deve ser iniciado na primeira
consulta de puerpério realizada com o médico e mantido até o desmame.
✔ Injetável trimestral (Acetato de Medroxiprogesterona 150mg): pode ser
utilizado pela mulher que está amamentando. O seu uso pode ser iniciado no
pós-parto imediato . O seu uso deve ser iniciado na primeira consulta de
puerpério realizada com o médico.
✔ Laqueadura de trompas e vasectomia: os usuários que tomarem esta
decisão poderão ser referenciados ao Ambulatório de Planejamento Familiar,
desde que maiores de vinte e um anos de idade ou, pelo menos, com dois
filhos vivos. Devem, obrigatoriamente, participar de grupos de planejamento
familiar na UBS ou orientação individual. (Conforme Lei Federal nº
14443/2022). O enfermeiro deve esclarecer sobre riscos cirúrgico-
anestésicos, efeitos colaterais, irreversibilidade do método, opções de
métodos de reversão. Após todos os esclarecimentos o usuário (a) deve
assinar o termo de manifestação de vontade.
✔ Anticoncepcional hormonal oral combinado e o injetável mensal:
formulações contendo estrógenos não devem ser utilizados em lactantes,
pois interferem na qualidade do leite materno e podem afetar adversamente a
saúde do bebê. 
✔ Os métodos comportamentais – tabelinha, controle de muco cervical não
devem ser recomendados ou estimulados pela sua alta taxa de gravidez;
37
✔ Métodos de barreira - podem ser usados com 30 dias após o nascimento,
recomendado usar lubrificante pela atrofia vaginal que ocorre no puerpério
(preservativo masculino). Pode ser ainda usado preservativo feminino;
✔ Implante Subdérmico - são critérios de inclusão no Programa de Implante
Subdérmico na SMS de Caxias do Sul: 
- Adolescentes gestantes com até 16 anos (inclusive);
- Dependente química sem acompanhamento;
- Doença mental incapacitante;
- Risco social alto.
9 ALEITAMENTO MATERNO
O aleitamento materno é um processo de extrema importância para a saúde
da criança, pois envolve uma interação profunda entre mãe e filho, pela sua
disponibilidade de nutrientes e substâncias imunoativas, além de repercussões nas
habilidades cognitivas e psicomotoras da criança. O leite materno é produzido
enquanto a criança mama, sob estímulo da prolactina. Já a ocitocina é liberada,
principalmente, pelo estímulo provocado pela sucção da criança, mas possui
interferência de estímulos condicionados, chamando atenção para estímulos
negativos, como dor, desconforto, estresse, ansiedade, medo, insegurança e falta de
autoconfiança, o que pode inibir a liberação da ocitocina, prejudicando a saída do
leite da mama.
O enfermeiro deve incentivar a mãe a amamentar durante a consulta, se
oportuno, a fim de observar:
Posição Correta:
✔ A mãe deve estar em posição confortável, (posição tradicional é a sentada)
com as costas e os pés bem apoiados;
✔ Bebê de frente para o corpo da mãe;
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✔ Barriga com barriga (mãe/bebê);
✔ Cabeça e corpo do bebê alinhados em linha reta;
✔ A face do bebê deve voltar-se para o seio, o nariz ou o lábio superior em
frente ao mamilo;
✔ Corpo do bebê apoiado e bem alinhado;
✔ O bebê deve ser levado ao seio, não o contrário;
✔ A mãe não deve sentir dor nos mamilos durante as mamadas.
Pega correta:
✔ A boca do bebê deve ficar bem aberta (se necessário, estimular o bebê a abrir
a boca tocando o seu queixo ou seus lábios com o dedo ou mamilo;
✔ O bebê abocanha parte da aréola;
✔ O queixo do bebê fica muito próximo ou toca o peito da mãe;
✔ Vê-se pouca aréola por baixo da boca do bebê;
✔ Os lábios do bebê devem estar voltados para fora, como uma “boca de
peixe”;
✔ Se necessário, puxar o queixo do bebê para baixo, com o dedo indicador,
fazendo com que a boca abra mais e o lábio inferior esteja virado parafora;
✔ O bebê suga, faz uma pausa e suga novamente.
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9.1 Intercorrências mais comuns na amamentação 
O bebê não suga ou tem sucção fraca - Pode estar associada ao uso de bicos 
artificiais, chupetas ou dor ao ser posicionado (posicionamento incorreto) para 
mamar. O bebê pode não conseguir abrir a boca o suficiente para abocanhar a 
aréola e fazer uma boa pega, as mamas podem estar ingurgitadas e dificultar a pega
ou ainda a mãe pode ter mamilos planos ou invertidos. Em algumas mulheres o leite 
pode demorar de três a quatro dias para descer (apojadura). Deve-se apoiar a mãe 
a manter o aleitamento materno. Se as mamas estiverem muito cheias, com a pele 
esticada, deve-se esvaziá-las um pouco antes de amamentar, para amaciar a aréola 
e facilitar a pega. Condições clínicas maternas que necessitam de avaliação quanto 
à manutenção ou contraindicação de aleitamento materno.
Pouco leite ou leite fraco - Pode estar associado à insegurança materna, quanto a
sua capacidade de nutrir plenamente o seu bebê. A mãe, algumas vezes, interpreta
o choro do bebê e as mamadas frequentes (comportamentos normais do bebê)
como sinais de fome. A mãe sente a mama murcha (flácida). A pouca produção de
leite materno pode ser feita pelo acompanhamento do peso do bebê, se ele estiver
com ganho de peso inadequado, a preocupação da mãe será pertinente. Deve-se
avaliar os fatores maternos (desejo de amamentar, estresse, falta de apoio e outros);
acolher a mãe e avaliar se as mamas estão cheias ou flácidas; verificar se a pega e
o posicionamento do bebê estão corretos; aumentar a frequência das mamadas; dar
tempo para o bebê esvaziar as mamas; e oferecer as duas mamas em cada
mamada.
Mamilos planos ou invertidos - Podem dificultar o início da amamentação, mas
não a impede, pois o bebê faz o bico com a aréola. Deve-se encorajar a mãe, pois
a medida que o bebê vai sugando, os mamilos vão se tornando mais propícios à
amamentação. Ajudar a mãe a fazer o bebê abocanhar os mamilos e parte da
aréola, para isso é necessário que a aréola esteja macia, além de tentar posições.
Enquanto o bebê não sugar efetivamente o leite deve ser ordenhado e oferecido ao
bebê com copo ou seringa.
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Ingurgitamento mamário - O ingurgitamento mamário ocorre, geralmente, três a
cinco dias após o parto, mas pode acontecer em qualquer período da lactação,
devido leite em abundância, início tardio da amamentação, restrição da frequência e
da duração das mamadas e sucção ineficaz do bebê. O ingurgitamento pode ser
fisiológico ou patológico.
Quando o ingurgitamento for fisiológico, deve-se orientar:
✔ Amamentar o mais cedo possível, logo após o parto;
✔ Amamentar em livre demanda, sem horários pré-estabelecidos;
✔ Observar técnica correta da amamentação;
✔ Evitar uso de água, chás e outros leites, para o bebê.
No ingurgitamento patológico, a mama encontra-se excessivamente
distendida, mamilos achatados, o leite não flui com facilidade, pode apresentar áreas
avermelhadas, edemaciadas e brilhantes, muitas vezes, acompanhada de febre e
mal-estar. Neste caso, deve-se orientar:
✔ Ordenha manual antes das mamadas;
✔ Mamadas frequentes;
✔ Massagem delicada nas mamas, com movimentos circulares, principalmente
nos pontos mais ingurgitados;
✔ Uso do sutiã com alças largas e firmes, para sustentação anatômica das
mamas;
✔ A mama deve ser ordenhada manualmente, se o bebê não sugar;
✔ Encaminhar para consulta médica para prescrição medicamentosa, se
necessário.
Lesões ou dor nos mamilos - Trauma mamilar (fissuras, edema, bolhas,
hematomas, equimoses) é a causa mais comum de dor na nos mamilos
amamentação, geralmente, devido pega e posicionamento. Inadequados. Deve-se
orientar:
✔ Evitar o uso de óleos, cremes, sabonetes, álcool ou qualquer produto
secante, nos mamilos;
✔ Observar a mamada e corrigir a pega, se necessário;
✔ Se a mama estiver tensa, ordenhar antes das mamadas;
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✔ Amamentar em livre demanda (a criança é levada ao seio assim que sinaliza
fome, isso evita que sugue com muita força);
✔ Desencadear o reflexo de ejeção do leite (ordenhar um pouco de leite), evita
que o bebê sugue com força para desencadear o reflexo;
✔ Início da mamada pela mama menos afetada;
✔ Observar presença de anquiloglossia;
✔ Introduzir o dedo mínimo na comissura labial do bebê para interromper a
vedação da boca do bebê/mama, se for necessário interromper a mamada
✔ No caso, de fissuras/rachaduras nos mamilos enxaguar com água limpa após
as mamadas;
✔ Manter os seios expostos ao ar livre, alternativamente pode-se utilizar um
coador de plástico pequeno sem cabo, para eliminar o contato da área
traumatizada com a roupa;
✔ Aplicar leite materno nos mamilos e aréolas após as mamadas.
Mastite - É um processo inflamatório que acomete um ou mais segmento das 
mamas, geralmente, unilateral, que pode progredir ou não para uma infecção 
bacteriana. O leite acumulado e o dano tecidual favorecem a instalação da infecção, 
comumente pelo Staphylococcus (aureus e albus) e às vezes por Escherichia colli e 
Streptococcus, sendo as lesões mamilares, a porta de entrada mais frequente das 
bactérias. A mastite pode ser infecciosa ou não infecciosa:
✔ Mastite não infecciosa – Dor, edema, hiperemia e calor local. Estimular o
repouso e o apoio emocional dos familiares.
✔ Mastite infecciosa – Dor, hiperemia, edema, calor local, febre (>38ºC),
calafrios e mal-estar. Consulta médica, no mesmo dia.
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Abcesso Mamário - Em geral, é causado por mastite não tratada, tratamento
iniciado tardiamente ou ineficaz. É comum após a interrupção da amamentação na
mama afetada pela mastite, sem a ordenha do leite. O diagnóstico é feito pelo
quadro clínico: febre mal-estar, calafrios e presença de área de flutuação no local
afetado. O enfermeiro deve observar a presença de nódulo duro que não regride,
febre de instalação súbita, sensação de mal estar geral; e encaminhar para consulta
médica no mesmo dia. No diagnóstico diferencial do abscesso, deve-se considerar
galactocele, fibroadenoma e carcinoma da mama.
Quadro 9. Condições clínicas maternas que necessitam de avaliação quanto à
manutenção ou contraindicação de aleitamento materno:
Condição clínica materna Conduta do enfermeiro
Infecção por HIV Contraindicar o aleitamento e encaminhar a criança 
para o médico ou pediatra a fim de assegurar a 
nutrição adequada do bebê.
Infecção pelo HTLV 1 e 2 (vírus 
linfotrópico humano de células T)
Contraindicar o aleitamento e encaminhar a criança 
para o médico ou pediatra a fim de assegurar a 
nutrição adequada do bebê.
Infecção pelo vírus da hepatite B Manter aleitamento materno.
Infecção pelo vírus da hepatite C Discutir com médico. Geralmente o aleitamento não
é contraindicado, exceto se fissuras mamilares ou 
carga viral elevada.
Tuberculose pulmonar Manter o aleitamento. A mãe não tratada, ou que 
esteja tratando a menos de duas semanas, deve 
higienizar as mãos e proteger boca e nariz com 
uma máscara ou lenço em todas as mamadas.
Doença de chagas Contraindicar na fase aguda ou na ocorrência de 
sangramento dos mamilos.
Infecção Herpética com vesículas Manter aleitamento materno na mama sadia.
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10 PLANEJAMENTO FAMILIAR
No Brasil, o planejamento familiar foi regulamentado pela Lei nº 9.263 (1996),
com o objetivo de assegurar direitos a homens e mulheres em relação à saúde
sexual e reprodutiva. O enfermeiro deve abordar o planejamento familiar, desde a
prevenção da gravidez até o planejamento da concepção, através do apoio
emocional e da prescrição preventiva de ácido fólico e solicitação de exames de
rotina.
O enfermeiro deve orientar sobre a eficácia e segurança, contraindicações se
tiver alguma, vantagens e desvantagens de cada método. Deve também acolher os
sentimentos da mulher/homem com relação ao método, respeitando o contexto
social

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