Prévia do material em texto
1
Olá, pessoal! Tudo bem?
Aqui é Ricardo Torques, coordenador do Estratégia OAB e do Estratégia Carreira
Jurídica. Além disso, sou professor de Direito Processual Civil, Direito Eleitoral e Direitos
Humanos.
Instagram: www.instagram.com/proftorques
Aguardo seu contato. ;) Dúvidas, críticas e sugestões são sempre bem-vindas!
Em nome dos nossos professores, gostaria de lhes apresentar o e-book "Resumão para a 1ª Fase da OAB". Elaborado
com muito carinho e cuidado por nós, você terá uma visão dos temas mais importantes para fins de prova.
Aproveito, ainda, para dar um aviso importante: se você quiser receber materiais gratuitos como esse diretamente
no WhatsApp, participe do nosso grupo de estudo. Lá, enviaremos notícias quentes, cronogramas e materiais
gratuitos focados na 1ª Fase da OAB 40.
Basta tocar no botão abaixo para começar a receber os materiais direto no seu celular.
2
SÍNTESE ESTRATÉGICA
1ª FASE DA OAB 40
Olá, futuro(a) Advogado(a), tudo certo?!
A prova objetiva do 40º Exame da Ordem dos Advogados do Brasil está se aproximando, e, pensando em auxiliá-
los na revisão dos principais temas nessa reta final, o Estratégia OAB elaborou a Síntese Estratégica: um material
específico com os pontos que acreditamos serem mais relevantes para sua prova e que não podem deixar de ser
revisados.
O material abordará de modo direto, curto e objetivo os temas mais cobrados na prova, além daqueles pontos
espinhosos do edital, das “decorebas” que precisam ser revistas logo antes da prova, incluindo também as nossas
apostas. Tudo isso por meio de frases, tabelas, mapas mentais e outros meios para auxiliar na fixação do conteúdo
e formação da memória de curto prazo. Ao final do estudo desse material, esperamos que você possa garantir
algumas questões a mais na prova vindoura.
Passaremos por todas as fontes de conhecimento exigidas na prova da OAB, de acordo com a predileção de
cobrança. Assim, citaremos trechos legislativos relevantes, especialmente selecionados, mas não deixaremos de
relacionar conteúdos jurisprudenciais e doutrinários. E todas as matérias exigidas no exame serão revisadas
proporcionalmente à incidência de cada uma na nossa prova.
Para finalizar, sabemos que o treino é essencial em todas as fases da OAB. Nessa reta final, resolva muitas questões.
Elas não apenas testarão seus conhecimentos, como ajudarão a raciocinar da maneira exigida pelo examinador,
além de otimizar sua revisão e facilitar a fixação.
Pensando nisso, elaboramos um caderno de questões para cada uma das matérias do conteúdo programático do
edital, através do nosso Sistema de Questões da OAB. Para resolvê-las, basta clicar nos links respectivos abaixo:
Matéria Link do caderno no SQ
Ética Profissional Ética Profissional
Filosofia do Direito Filosofia do Direito
Direito Constitucional Direito Constitucional
Direitos Humanos Direitos Humanos
Direito Internacional Direito Internacional
Direito Tributário Direito Tributário
Direito Administrativo Direito Administrativo
Direito Ambiental Direito Ambiental
Direito Civil Direito Civil
Direito da Criança e do
Adolescente
Direito da Criança e do Adolescente
Direito do Consumidor Direito do Consumidor
Direito Empresarial Direito Empresarial
Direito Processual Civil Direito Processual Civil
Direito Penal Direito Penal
Direitos Processual Penal Direitos Processual Penal
3
Direito do Trabalho Direito do Trabalho
Direito Processual do Trabalho Direito Processual do Trabalho
Direito Financeiro Direito Financeiro
Direito Eleitoral Direito Eleitoral
Direito Previdenciário Direito Previdenciário
Esperamos que gostem do material e de todos os novos projetos que preparamos para que avancem rumo à
aprovação.
Por fim, desejamos uma excelente prova e que continuem dando o seu melhor até lá!
Contem sempre conosco.
Yasmin Ushara,
Coordenação - Estratégia OAB.
4
SUMÁRIO
Ética profissional .......................................................................................................................................................................... 4
Filosofia do Direito ..................................................................................................................................................................... 12
Direito Constitucional ................................................................................................................................................................ 16
Direitos Humanos ...................................................................................................................................................................... 24
Direito Internacional .................................................................................................................................................................. 27
Direito Tributário ....................................................................................................................................................................... 30
Direito Administrativo ................................................................................................................................................................ 37
Direito Ambiental ...................................................................................................................................................................... 46
Direito Civil ................................................................................................................................................................................ 48
Direito da Criança e do Adolescente ........................................................................................................................................... 59
Direito do Consumidor ............................................................................................................................................................... 61
Direito Empresarial .................................................................................................................................................................... 64
Direito Processual Civil ............................................................................................................................................................... 72
Direito Penal .............................................................................................................................................................................. 79
Direito do Processual Penal ........................................................................................................................................................ 86
Direito do Trabalho .................................................................................................................................................................... 93
Direito do Processual do Trabalho ............................................................................................................................................ 100
Direito Financeiro ........................................................................................................................................................................ 2
Direito Eleitoral ........................................................................................................................................................................ 105
Direito Previdenciário .............................................................................................................................................................. 110
Considerações finais ........................................................................................................................................................... 114
ÉTICA PROFISSIONAL
1. Atividade da Advocacia.Existência de uma Constituição escrita e rígida =
princípio da supremacia formal da Constituição e;
Existência de um mecanismo de fiscalização das leis,
com previsão de, pelo menos, um órgão com
competência para o exercício da atividade de controle.
#10 – Principais Espécies de Inconstitucionalidade:
inconstitucionalidade material: ocorre quando
o conteúdo da lei contraria a Constituição
inconstitucionalidade formal: caracteriza-se
pelo desrespeito ao processo de elaboração da
norma, preconizado pela Constituição.
#11 – Cláusula de Reserva de Plenário (CF, art. 97):
Regra: somente pelo voto
da maioria absoluta de seus
membros ou dos membros do
respectivo órgão especial
poderão os tribunais declarar a
inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do Poder Público.
Mitigação da “cláusula de reserva de plenário”
(NCPC, art. 949, parágrafo único). A aplicação dessa
cláusula somente é necessária quando o Tribunal se
depara, pela primeira vez, com determinada
controvérsia constitucional. Nesse sentido, se o órgão
especial, o Plenário do Tribunal ou o Plenário do
STF já tiverem se pronunciado sobre a
inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo,
não haverá necessidade de se observar a reserva de
plenário em casos futuros.
Súmula Vinculante nº 10 do Supremo Tribunal
Federal: Viola a cláusula de reserva de plenário (CF,
artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal
que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
poder público, afasta sua incidência, no todo ou em
parte.
#12 – Súmula Vinculante:
Caso seja praticado ato administrativo ou
proferida decisão judicial que contrarie os termos da
súmula, a parte prejudicada poderá intentar
reclamação diretamente perante o STF. Salienta-se,
contudo, que o uso da reclamação só será admitido
após o esgotamento das vias administrativas.
As Súmulas Vinculantes não vinculam:
Supremo Tribunal Federal (elas vinculam todos os
demais órgãos do Poder Judiciário).
Poder Legislativo, no exercício de sua função
típica de legislar (quando o Poder Legislativo exerce
função administrativa, deverá observar as Súmulas
Vinculantes).
Poder Executivo, no exercício de sua função
atípica de legislar (quando o Presidente edita uma
medida provisória, ele não precisa observar as
Súmulas Vinculantes).
#13 – Controle Abstrato ou Concentrado:
Noção conceitual: busca examinar a
constitucionalidade de uma lei em tese.
#14 - Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI:
Quais espécies normativas podem ser objeto
de controle?
O direito municipal, bem como as leis e atos
normativos do Distrito Federal editados no
desempenho de sua competência municipal, não
poderão ser impugnados em sede de ADI.
Legitimados para propor ADI: o STF diferencia os
legitimados a propor ADI em dois grupos:
Legitimados Universais: podem propor ADI
sobre qualquer matéria.
Legitimados Especiais: só podem propor ADI
quando haja comprovado interesse de agir, ou seja,
pertinência entre a matéria do ato impugnado e as
funções exercidas pelo legitimado. Em outras
palavras, só poderão propor ADI quando houver
pertinência temática.
Só podem ser impugnados via ADI atos que
possuam normatividade, isto é, sejam dotados de
generalidade e abstração. Tem exceção? Sim!
Segundo o STF, atos de efeitos concretos aprovados
19
sob a forma de lei em sentido estrito, elaborada pelo
Poder Legislativo e aprovada pelo Chefe do Executivo,
podem ser objeto de ADI. Ex.: LDO, Lei Orçamentária
Anual e Medidas Provisórias que abram créditos
extraordinários.
Efeitos da decisão:
Efeitos retroativos (“ex tunc”): A declaração de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo terá, em
regra, efeitos retroativos (“ex tunc”), salvo a
possibilidade de o STF, por decisão de 2/3 (dois
terços) dos seus membros, proceda à modulação dos
efeitos temporais da sentença. Assim,
excepcionalmente, a decisão em sede de ADI poderá
ter efeitos “ex nunc” ou a partir de outro momento
fixado na respectiva decisão.
Eficácia “erga omnes”: A decisão em sede de
ADI terá eficácia contra todos, ou seja, alcança
indistintamente a todos.
Efeito vinculante: A decisão definitiva de mérito
proferida pelo STF em ADI terá efeito vinculante em
relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à
Administração Pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal.
Efeito repristinatório: Quando uma lei ou ato
normativo é declarado inconstitucional em sede de
ADI, a legislação anterior (acaso existente) voltará a
ser aplicável.
O efeito vinculante não alcança o Poder
Legislativo, no exercício de sua função típica, que
poderá editar nova lei de conteúdo idêntico ao da
norma declarada inconstitucional pelo STF.
#15 – Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental – ADPF (CF, art. 102, §1º, c/c Lei
9.882/99):
Cabe ao STF identificar quais normas devem ser
consideradas preceitos fundamentais decorrentes da
CF/88 para fim de conhecimento de ADPF.
Segundo o STF, são preceitos fundamentais já
reconhecidos:
I) os direitos e garantias individuais;
II) as cláusulas pétreas;
III) os princípios constitucionais sensíveis (art. 34,
VII);
IV) o direito à saúde e;
V) o direito ao meio ambiente.
Legitimados: são os mesmos da ADI, ADC e da
ADO (CF, art. 103, I a IX).
Objeto: supre lacuna do controle concentrado:
permite o controle de constitucionalidade das leis e
atos normativos municipais, dos atos
administrativos e do direito pré-constitucional.
Exemplo: ADPF 54 (interrupção da gravidez de feto
anencéfalo. Na ocasião, foram examinados alguns
dispositivos do Código Penal (norma pré-
constitucional) à luz do princípio da dignidade da
pessoa humana.)
Princípio da subsidiariedade: não será admitida
arguição de descumprimento de preceito
fundamental quando houver qualquer outro meio
eficaz para sanar a lesividade = caráter residual. Não
sendo possível o ajuizamento das demais
modalidades de controle abstrato, admite-se o uso da
ADPF.
Modalidades: doutrina majoritária:
Hipóteses de não cabimento: não cabe ADPF!
Contra atos políticos: não são passíveis de
impugnação judicial quando praticados dentro das
hipóteses definidas pela Constituição, sob pena de
ofensa à separação dos Poderes;
Contra os enunciados das súmulas do STF;
Contra questões controvertidas derivadas de
normas secundárias e de caráter tipicamente
regulamentar (em regra, salvo hipóteses
excepcionais).
Princípio da fungibilidade:
A ADI e a ADPF são consideradas ações fungíveis, o
que significa que uma pode ser substituída pela outra.
Uma ADPF ajuizada perante o STF poderá ser
conhecida como ADI e vice-versa.
#16 – A Evolução do Controle de
Constitucionalidade no Brasil
A primeira Constituição Brasileira a dispor do controle
de constitucionalidade foi a Constituição de 1891,
que, por influência da doutrina da judicial review
norte-americana, previu um controle judicial
difuso/incidental de constitucionalidade das leis.
Com a constituição de 1934, foi instituído a reserva de
plenário, a atuação do Senado Federal, a
representação interventiva e o mandado de
segurança.
Em 1965, por força da Emenda Constitucional nº 16,
na Constituição de 1946, foi inaugurado no Brasil o
controle concentrado ou também chamado de
abstrato da constitucionalidade dos atos normativos
federais e estaduais, com a criação da representação
genérica de inconstitucionalidade (atualmente
denominada de ação direta de inconstitucionalidade
por ação) à semelhança do modelo kelseniano,
exclusiva do PGR.
20
Com a Constituição Federal de 1988, aplicou-se o
modelo concentrado-principal da
constitucionalidade, com a instituição da Ação Direta
de Inconstitucionalidade por Omissão, ao lado da já
existente, ação direta de inconstitucionalidade por
ação, ampliando ainda a legitimação para propor
estas demandas,retirando a exclusividade das mãos
do Procurador Geral da República.
#17 – Inconstitucionalidade Superveniente
Concepção tradicional: Refere-se ao entendimento
de que a lei ou ato normativo impugnado por meio de
ADI deve ser posterior ao texto da Constituição de
1988, que é invocado como parâmetro. Se a lei ou ato
normativo for anterior à CF/88 e estiver em conflito
com ela, não será considerada inconstitucional, mas
sim não-recebida pela Constituição atual. Nesse caso,
a questão não se trata de inconstitucionalidade, mas
sim de direito intertemporal (recepção ou não
recepção). O STF não admite essa acepção (ADI
02/DF).
Concepção moderna: Está relacionada ao fenômeno
do processo de inconstitucionalização. Significa que
uma lei ou ato normativo que foi considerado
constitucional pelo STF pode, com o tempo e as
mudanças ocorridas no cenário jurídico, político,
econômico e social do país, tornar-se inconstitucional
em um novo exame do tema. Assim, a
inconstitucionalidade superveniente ocorre quando a
lei (ou ato normativo) torna-se inconstitucional ao
longo do tempo e em virtude das mudanças na
sociedade. Não se trata de uma sucessão de
Constituições. A lei estava em conformidade com a
atual CF, mas, com o tempo, torna-se incompatível
com o mesmo Texto Constitucional. Essa acepção é
admitida pelo STF (ADI 3937/SP).
3. Organização do Estado:
#18 – Conceito e Dimensões:
Estado “é a ordem jurídica soberana que tem por
fim o bem comum de um povo situado em
determinado território”.
possui as três dimensões: povo, território e
governo.
#19 – Estado Federal:
Estado é denominado como federal quando os
entes federativos possuem capacidade política. Em
decorrência da autonomia política dessas pessoas
jurídicas, encontramos internamente uma
pluralidade de ordenamentos jurídicos, já que o
Estado possui vários centros produtores de normas.
Exemplo: Brasil - composto pela U, E, DF e M.
Na federação há um Estado Soberano
decorrente da união indissolúvel de entes
autônomos. Essa união tem fundamento em uma
Constituição Federal e por ser indissolúvel não pode
ser desfeita: não existindo assim o direito de
secessão.
#20 – Federação – Características:
Autonomia política de seus membros, que
engloba:
a) Auto-organização: atributo que se expressa
através da elaboração das Constituições Estaduais
(em relação aos Estados) e das Leis Orgânicas (em
relação aos Municípios).
b) Autolegislação: a CRFB/88 estabeleceu a
existência de diversos produtores de normas,
permitindo que os entes federativos editem suas
próprias leis.
c) Autoadministração: o legislador constituinte
fornece aos entes federados a capacidade de exercer
atividades administrativa, tributária e legislativa,
sem a necessidade de interferência da União. Por
exemplo: elaboração de orçamentos, arrecadação de
tributos e execução de políticas públicas.
d) Autogoverno: capacidade dos entes federados
para eleger aqueles que serão os seus
representantes.
Repartição constitucional de competências: a
CRFB/88 define quais são as atribuições de cada ente
federativo.
Indissolubilidade do vínculo federativo: não
há direito de secessão.
Nacionalidade única: mesma nacionalidade
para todos os cidadãos da federação.
Rigidez constitucional: para a manutenção de
um Estado federal é preciso que o pacto federativo
seja protegido. Isso ocorre através de uma
Constituição escrita e rígida. Emenda constitucional
não pode abolir a forma federativa (cláusula pétrea).
Existência de mecanismo de intervenção:
federais ou estaduais que são usados para combater
atos praticados contra o pacto federativo.
Existência de um Tribunal Federativo: cuja
finalidade é solucionar litígios entre os entes
federativos. No Brasil, essa competência é do STF.
Participação dos entes federativos na
formação da vontade nacional: através de um órgão
legislativo. Na federação brasileira os Estados e o DF
21
participam da vontade nacional através do Senado
Federal.
#21 – Alteração na estrutura dos Estados:
Art. 18, §3º, CF: Os Estados podem incorporar-se
entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se
anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou
Territórios Federais, mediante aprovação da
população diretamente interessada, através de
plebiscito, e do Congresso Nacional, por lei
complementar.
Dentro do modelo federativo podemos ter
alteração na estrutura territorial do Estados-membros,
desde que isso não venha a impactar na soberania do
próprio Estado Federal.
população diretamente interessada? Abrange
toda a população do(s) Estado(s) afetado(s), devendo
essa ser consultada e não apenas a população da área
a ser desmembrada, incorporada ou subdividida (ADI
nº 2.650/DF).
a consulta ocorre por meio de um plebiscito e a
possibilidade de modificação do(s) Estado(s)
depende da aprovação da população. Enquanto a
reprovação implica na não modificação territorial, a
aprovação deixa a decisão final a cargo do Congresso
Nacional.
#22 – Repartição de competências:
Noção conceitual: processo de distribuição
constitucional de poderes entre as entidades
federadas e constitui o ponto nuclear da noção de
Estado Federal.
Princípio da predominância do interesse: a
distribuição de competências ocorre da seguinte
forma: enquanto a União é responsável pelas matérias
de interesse nacional/geral, as matérias de interesse
regional competem aos Estados; já as matérias de
interesse local pertencem aos Municípios.
Princípio da subsidiariedade: as decisões
devem ser tomadas pelo ente federativo com maior
proximidade da questão a ser resolvida.
Técnicas de repartição de competências:
repartição horizontal: cada ente tem
competência constitucional para tratar de uma
matéria específica. Não há intervenção de um ente
sobre o outro.
repartição vertical: importa em uma partilha
entre os entes, que irão atuar de forma conjunta ou
concorrente sobre a mesma matéria.
Nossa atual Constituição: há a presença da repartição
horizontal, através das competências exclusivas e
privativas da União. Ao mesmo tempo encontramos a
repartição vertical por meio das competências
comuns e concorrentes.
#23 – Competência Privativa:
A competência privativa da União é aquela que
está relacionada com a elaboração de leis (produção
de ato normativo).
Esse dispositivo cai muito em prova. Muito mesmo.
Então, de olho no recurso mnemônico para ajudar.
“CAPACETE PM”:
#24 – Competência Legislativa Concorrente:
“Art. 24. Compete à União, aos
Estados e ao Distrito Federal
legislar concorrentemente sobre:
I - direito tributário, financeiro,
penitenciário, econômico e
urbanístico;
II – Orçamento;”
Vamos levar o seguinte mnemônico para prova:
“PUFETO” = Penitenciário – Urbanístico – Financeiro
– Econômico – Tributário – Orçamento.
Municípios? Apesar de não constarem no caput
do art. 24 da CF, o Supremo Tribunal Federal entende
que o Município pode legislar sobre assuntos de
interesse local, nos termos do art. 30 da CRFB/88.
“Art. 24(...)
§ 1º - No âmbito da legislação concorrente, a
competência da União limitar-se-á a estabelecer
normas gerais.
22
§ 2º - A competência da União para legislar sobre
normas gerais não exclui a competência suplementar
dos Estados.
§ 3º - Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os
Estados exercerão a competência legislativa plena,
para atender a suas peculiaridades.
§ 4º - A superveniência de lei federal sobre normas
gerais suspende a eficácia da lei estadual, no que lhe
for contrário.”
se a União se mantiver inerte, não editando a
norma geral, o §3º autoriza que os Estados e DF
legislem integralmente sobre a matéria, até que a
União exerça a sua competência. Essa é a expressão
da competência suplementar supletiva. Caso a União
edite a norma geral depois dos Estados e Distrito
Federal, o §4º determina que a lei federal poderásuspender a eficácia da lei estadual/distrital. Tenha
uma atenção especial aqui, pois apenas será suspensa
a eficácia do que for contrário ao disposto na lei
federal. Não haverá revogação.
4. Intervenção Federal:
#25 – Introdução:
A ideia básica consiste em limitação da
autonomia política de Estados e Municípios, de
forma excepcional e temporária, à luz do princípio
da proporcionalidade.
É mecanismo típico de um modelo de Estado
federal. É o que a doutrina chama de elemento de
estabilização constitucional.
#26 – Taxatividade das hipóteses:
as situações que demandam uma medida como
essa são determinadas taxativamente pelo texto
constitucional (CF, art. 34).
Somente podemos falar em decretação de
intervenção federal em Municípios localizados em
Territórios Federais. A intervenção em Município
situado em um Estado não poderá ser decretada pela
União; É em verdade hipótese de intervenção
estadual.
#27 – Modalidades:
Intervenção federal espontânea seria aquela
em que o Presidente age de ofício,
independentemente de uma provocação (CF, art. 34,
incisos I, II, III e V).
Intervenção federal provocada é aquela
decretação de intervenção realizada pelo Presidente
da República que depende de um ato provocação.
Tal fato ocorre por uma solicitação ou requisição (CF,
art. 34, IV, VI e VII da CRFB/88).
5. Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas:
#28 – Estado de Defesa:
CF. Art. 136. O Presidente da República pode, ouvidos
o Conselho da República e o Conselho de Defesa
Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou
prontamente restabelecer, em locais restritos e
determinados, a ordem pública ou a paz social
ameaçadas por grave e iminente instabilidade
institucional ou atingidas por calamidades de grandes
proporções na natureza.
§ 1º O decreto que instituir o estado de defesa
determinará o tempo de sua duração, especificará as
áreas a serem abrangidas e indicará, nos termos e
limites da lei, as medidas coercitivas a vigorarem,
dentre as seguintes:
I - restrições aos direitos de:
a) reunião, ainda que exercida no seio das
associações;
b) sigilo de correspondência;
c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
II - ocupação e uso temporário de bens e serviços
públicos, na hipótese de calamidade pública,
respondendo a União pelos danos e custos
decorrentes.
§ 2º O tempo de duração do estado de defesa não será
superior a trinta dias, podendo ser prorrogado uma
vez, por igual período, se persistirem as razões que
justificaram a sua decretação.
§ 3º Na vigência do estado de defesa:
I - a prisão por crime contra o Estado, determinada
pelo executor da medida, será por este comunicada
imediatamente ao juiz competente, que a relaxará, se
não for legal, facultado ao preso requerer exame de
corpo de delito à autoridade policial;
II - a comunicação será acompanhada de declaração,
pela autoridade, do estado físico e mental do detido
no momento de sua autuação;
III - a prisão ou detenção de qualquer pessoa não
poderá ser superior a dez dias, salvo quando
autorizada pelo Poder Judiciário;
IV - é vedada a incomunicabilidade do preso.
§ 4º Decretado o estado de defesa ou sua
prorrogação, o Presidente da República, dentro de
vinte e quatro horas, submeterá o ato com a respectiva
justificação ao Congresso Nacional, que decidirá por
maioria absoluta.
§ 5º Se o Congresso Nacional estiver em recesso, será
convocado, extraordinariamente, no prazo de cinco
dias.
§ 6º O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro
de dez dias contados de seu recebimento, devendo
continuar funcionando enquanto vigorar o estado de
defesa.
23
§ 7º Rejeitado o decreto, cessa imediatamente o
estado de defesa.
#29 – Estado de Sítio:
CF. Art. 137. O Presidente da República pode, ouvidos
o Conselho da República e o Conselho de Defesa
Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização
para decretar o estado de sítio nos casos de:
I - comoção grave de repercussão nacional ou
ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de
medida tomada durante o estado de defesa;
II - declaração de estado de guerra ou resposta a
agressão armada estrangeira.
Parágrafo único. O Presidente da República, ao
solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou
sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do
pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por
maioria absoluta.
Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua
duração, as normas necessárias a sua execução e as
garantias constitucionais que ficarão suspensas, e,
depois de publicado, o Presidente da República
designará o executor das medidas específicas e as
áreas abrangidas.
§ 1º - O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não
poderá ser decretado por mais de trinta dias, nem
prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do
inciso II, poderá ser decretado por todo o tempo que
perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira.
§ 2º - Solicitada autorização para decretar o estado de
sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do
Senado Federal, de imediato, convocará
extraordinariamente o Congresso Nacional para se
reunir dentro de cinco dias, a fim de apreciar o ato.
§ 3º - O Congresso Nacional permanecerá em
funcionamento até o término das medidas coercitivas.
Art. 139. Na vigência do estado de sítio decretado com
fundamento no art. 137, I, só poderão ser tomadas
contra as pessoas as seguintes medidas:
I - obrigação de permanência em localidade
determinada;
II - detenção em edifício não destinado a acusados ou
condenados por crimes comuns;
III - restrições relativas à inviolabilidade da
correspondência, ao sigilo das comunicações, à
prestação de informações e à liberdade de imprensa,
radiodifusão e televisão, na forma da lei;
IV - suspensão da liberdade de reunião;
V - busca e apreensão em domicílio;
VI - intervenção nas empresas de serviços públicos;
VII - requisição de bens.
Parágrafo único. Não se inclui nas restrições do inciso
III a difusão de pronunciamentos de parlamentares
efetuados em suas Casas Legislativas, desde que
liberada pela respectiva Mesa.
6. Imunidades Parlamentares:
#30 – Imunidades dos Deputados e Senadores:
CF. Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis,
civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões,
palavras e votos.
§ 1º Os Deputados e Senadores, desde a expedição
do diploma, serão submetidos a julgamento perante o
Supremo Tribunal Federal.
§ 2º Desde a expedição do diploma, os membros do
Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em
flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos
serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa
respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus
membros, resolva sobre a prisão.
§ 3º Recebida a denúncia contra o Senador ou
Deputado, por crime ocorrido após a diplomação, o
Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa
respectiva, que, por iniciativa de partido político nela
representado e pelo voto da maioria de seus
membros, poderá, até a decisão final, sustar o
andamento da ação.
§ 4º O pedido de sustação será apreciado pela Casa
respectiva no prazo improrrogável de quarenta e cinco
dias do seu recebimento pela Mesa Diretora.
§ 5º A sustação do processo suspende a prescrição,
enquanto durar o mandato.
§ 6º Os Deputados e Senadores não serão obrigados
a testemunhar sobre informações recebidas ou
prestadas em razão do exercício do mandato, nem
sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles
receberam informações.
§ 7º A incorporação às Forças Armadas de Deputados
e Senadores, embora militares e ainda que em tempo
de guerra, dependerá de prévia licença da Casa
respectiva.
§ 8º As imunidades de Deputados ou Senadores
subsistirão durante o estado de sítio, só podendo ser
suspensas mediante o voto de dois terços dos
membros da Casa respectiva, nos casos de atos
praticados fora do recinto do Congresso Nacional, que
sejam incompatíveis com a execuçãoda medida.
24
DIREITOS HUMANOS
1. Sistema Interamericano de Direitos Humanos (OEA).
Convenções.
#01 – Organização dos Estados Americanos (OEA):
A OEA é o órgão central do sistema interamericano
de Direitos Humanos, que foi estabelecido pela Carta
da OEA, em 1948, a qual determina seus propósitos
e princípios. A Carta da OEA foi assinada em 1948 por
21 países, entre eles, o Brasil.
#02 – Convenção Americana de Direitos Humanos
(Pacto de San José da Costa Rica): é o principal
instrumento para a implementação dos Direitos
Humanos no âmbito da OEA. Editado em 1969, foi
ratificado e promulgado pelo Brasil em 1992.
Direitos previstos no Pacto de San José da Costa Rica:
Quanto às garantias judiciais, a Convenção
contemplou: Juízo Natural e Imparcial; Presunção de
inocência; Assistência de um tradutor; Ampla defesa;
Não autoincriminação; e Possibilidade de recorrer das
decisões.
Segundo o Pacto, durante o processo,
toda pessoa tem direito, em plena
igualdade, à seguinte garantia: direito do
acusado de ser assistido gratuitamente
por um tradutor ou intérprete, caso não compreenda
ou não fale a língua do juízo ou tribunal.
Direito à liberdade de pensamento e expressão: O
exercício desse direito não pode estar sujeito à
censura prévia, mas a responsabilidades ulteriores,
que devem ser expressamente previstas em lei e que
se façam necessárias para assegurar o respeito ao
direito das demais pessoas. A lei pode submeter os
espetáculos públicos à censura prévia, com o objetivo
exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção
moral da infância e da adolescência.
Direito de circulação e de residência: Toda
pessoa que se encontre legalmente no
território de um Estado tem o direito de nele
livremente circular e de nele residir, em
conformidade com as disposições legais. O
estrangeiro que se encontre legalmente no
território de um Estado-parte só poderá dele
ser expulso em decorrência de decisão
adotada em conformidade com a lei. Em
nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso
ou entregue a outro país, seja ou não de
origem, onde seu direito à vida ou à liberdade
pessoal esteja em risco de violação em virtude
de sua raça, nacionalidade, religião, condição
social ou de suas opiniões políticas. É proibida
a expulsão coletiva de estrangeiros.
Direito à vida: A pena de morte não foi
abolida no Pacto de San José da Costa Rica,
uma vez que é admitida nos países que já a
prevejam para os crimes mais graves. Em
nenhuma hipótese será aceita para: delitos
políticos ou conexos, para menores de 18
anos quando da prática do ato infracional,
para maiores de 70 anos e para mulheres
grávidas. Países que tenham abolido a pena
de morte não poderão restabelecê-la.
Cláusula Federal: os Estados-partes
constituídos em forma de federação (como o
Brasil), não poderão alegar o
descumprimento das disposições do Pacto de
San José da Costa Rica sob o argumento de
que internamente essa competência é do
ente federado.
#03 – Mecanismos de Implementação do Pacto:
Existem dois órgãos competentes para a
implementação dos direitos assegurados: a
Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(órgão de natureza executiva) e a Corte
Interamericana de Direitos Humanos (órgão de
natureza jurisdicional).
#04 - Comissão Interamericana: A Comissão é o
principal responsável pela fiscalização do
cumprimento das regras do Pacto, sendo responsável
pelo recebimento e pelo processamento dos
relatórios, das comunicações interestatais e das
petições individuais.
Petições individuais: qualquer pessoa ou grupo de
pessoas, ou entidade não governamental legalmente
reconhecida em um ou mais Estados-partes da OEA,
poderá apresentar à Comissão as referidas petições,
contendo denúncias ou queixas de violação a direitos
previstos no Pacto.
Para que uma petição seja admitida pela Comissão,
será necessário: hajam sido interpostos e esgotados
os recursos da jurisdição interna; Apresentação do
expediente internacional no prazo de 6 meses a contar
25
da decisão interna insatisfatória; não haja outro
procedimento internacional apurando a questão
(litispendência internacional); e Identificação com
nome, nacionalidade, domicílio e assinatura.
Ainda que não tenha esgotado os recursos internos
ou tenha passado o prazo de 6 meses, é possível
peticionar quando: não existir, na legislação interna do
Estado de que se tratar, o devido processo legal para a
proteção do direito violado; não se houver permitido
ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso
aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele
impedido de esgotá-los; e houver demora injustificada
na decisão sobre os mencionados recursos.
Processo: Recebida a petição ou a comunicação, a
Comissão solicitará informações ao Estado acusado
que deverá prestar esclarecimento num prazo
determinado, concedendo ao Estado a oportunidade
para o contraditório. Recebidas as informações do
Estado acusado, a Comissão analisará a subsistência
da acusação. Sendo insubsistentes as alegações, o
procedimento será arquivado. Contudo, se houver
razões justificáveis, a Comissão procederá ao exame e
à investigação do caso, podendo solicitar informações
complementares ao Estado e buscar uma solução
amistosa.
No caso de solução amistosa, a Comissão deverá
encaminhar ao Secretário-Geral da OEA um relatório
expondo os fatos e a solução adotada. Por outro lado,
não havendo solução amigável, igual relatório deverá
ser enviado aos Estados-partes interessados, contendo
as conclusões da Comissão quanto à questão
apresentada. Decorrido o prazo de 3 meses após o
envio dessas informações, caso o assunto não tenha
sido solucionado, a Comissão emitirá seu parecer e
conclusões, indicando recomendações e fixando prazo
para reparação do direito violado. Após esse prazo,
nova decisão pela maioria absoluta dos membros da
Comissão decidirá se as medidas tomadas foram
suficientes para reparar a violação e se haverá a
publicação, ou não, do relatório para a comunidade
internacional. Durante esses 3 meses, poderão os
Estados interessados, ou a Comissão, submeter a
questão à Corte Interamericana (únicos legitimados a
submeter um caso à Corte Interamericana).
Medidas Cautelares: Em situações de
gravidade e urgência a Comissão
poderá, por iniciativa própria ou a
pedido da parte, solicitar que um
Estado adote medidas cautelares
(inclusive de natureza coletiva) para
prevenir danos irreparáveis a pessoas que se
encontrem sob sua jurisdição, independentemente de
qualquer petição ou caso pendente.
#05 – Corte Interamericana de Direitos Humanos:
órgão jurisdicional do sistema interamericano. Em
1998 o Brasil reconheceu a jurisdição contenciosa
obrigatória da Corte Interamericana de Direitos
Humanos.
Controle de Convencionalidade: A Corte
além da competência contenciosa, realiza o
controle de convencionalidade, que
consiste no parecer acerca da
compatibilidade das leis internas de um país
com o Pacto de San José da Costa Rica. Essas
consultas poderão ser realizadas pelos
membros da OEA, bem como pelos demais
órgãos que compõem a estrutura da
Organização.
Legitimados para ingressar na Corte: Estados-
partes e Comissão Interamericana.
Uma pessoa poderá
peticionar diretamente à Corte nos
casos graves e urgentes para evitar
danos irreparáveis para que sejam
tomadas medidas acautelatórias, nos
procedimentos já em andamento
na Corte.
Medida Provisória: Em casos de extrema
gravidade e urgência, e quando se fizer
necessário evitar danos irreparáveis às
pessoas, a Corte, nos assuntos de que estiver
conhecendo, poderá tomar as medidas
provisórias que considerar pertinentes. Se se
tratar de assuntos que ainda não estiverem
submetidos ao seu conhecimento, poderá
atuar a pedido da Comissão.
Sentença Internacional: A sentença será
executada internamente no Estado, pelo
procedimento interno vigente para a
execução de sentenças contra o Estado,razão
pela qual, no Brasil, será observado o regime
de precatórios e as sentenças serão
executadas perante a Justiça Federal. Não se
confunde com sentença estrangeira, assim
não é necessário observar o procedimento de
homologação perante o STJ.
A Corte submeterá à Assembleia Geral da
OEA, em cada período ordinário de sessões,
um relatório sobre suas atividades no ano
anterior. Indicará os casos em que um Estado
não tenha dado cumprimento a suas
sentenças. Poderá submeter à Assembleia
Geral da OEA proposições ou
recomendações para o melhoramento do
sistema interamericano de direitos humanos,
no que diz respeito ao trabalho da Corte.
#06 – Protocolo de San Salvador: acrescenta, ao
Sistema Interamericano, a proteção dos direitos
sociais, econômicos e culturais, que deve ser adotado
pelos Estados-partes progressivamente. O Brasil
aderiu ao seu texto e foi promulgado na ordem
interna pelo Presidente da República (Decreto nº
26
3.321/1999). Prevê dois mecanismos de
implementação: o sistema de relatórios e as petições
individuais.
As petições individuais são restritas aos casos de
violação de direito de liberdade sindical e de
educação. Alguns dos direitos presentes neste
Protocolo adicional são o direito à educação e o
direito a condições justas, equitativas e satisfatórias de
trabalho.
2. Sistema Global de Direitos Humanos (ONU). Convenções.
O Direito Humanitário, a Organização Internacional
do Trabalho e a Liga das Nações são considerados os
principais precedentes do processo de
internacionalização dos direitos humanos, uma vez
que rompem com o conceito de soberania, já que
admitem intervenções nos países em prol da proteção
dos direitos humanos.
#07 – Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políticos (PIDCP): Apresenta os seguintes direitos,
dentr outros: igualdade entre homens e mulheres;
proibição de tortura e de penas cruéis; ninguém
poderá ser objeto de ingerências arbitrárias ou ilegais
em sua vida privada, em sua família, em seu domicílio
ou em sua correspondência, nem de ofensas ilegais às
suas honra e reputação; toda pessoa terá direito à
proteção da lei contra essas ingerências ou ofensas. O
documento permite que em situações excepcionais,
que ameacem a existência do Estado, este suspenda
o cumprimento das obrigações decorrentes do Pacto,
desde que esta suspensão não imponha
discriminações por motivo de raça, cor, sexo, língua,
religião ou origem social. O Primeiro Protocolo
Adicional ao PIDCP trata sobre o mecanismo de
petição individual. O segundo Protocolo Adicional ao
PIDCP trata da vedação à pena de morte, admitindo,
como exceção, apenas para o caso de infração penal
grave de natureza militar e cometida em tempo de
guerra, desde que o Estado Parte tenha formulado tal
reserva no ato da ratificação do Protocolo.
#08 - Pacto Internacional dos Direitos Econômicos,
Sociais e Culturais (PIDESC): Dispõe, dentre outros
direitos, sobre a educação primária (que deverá ser
obrigatória e acessível gratuitamente a todos) e sobre
a educação secundária em suas diferentes formas,
inclusive a educação secundária técnica e profissional,
que deverá ser generalizada e tornar-se acessível a
todos. O Brasil é signatário do PIDESC mas não
ratificou o seu Protocolo Facultativo.
#09 - Convenção Internacional Para a Proteção de
Todas as Pessoas Contra o Desaparecimento
Forçado: entende-se por desaparecimento forçado a
prisão, detenção, sequestro ou qualquer outra forma
de privação de liberdade que seja perpetrada por
agentes do Estado, ou por pessoas ou grupos de
pessoas agindo com autorização, apoio ou
aquiescência do Estado, e a subsequente recusa em
admitir privação de liberdade ou a ocultação do
destino ou o paradeiro da pessoa desaparecida,
privando-o, assim, da proteção da Lei.
#10 - Convenção sobre a Eliminação de Todas as
Formas de Discriminação contra a Mulher: Esse
Tratado obriga todos os Estados signatários a proibir,
sob sanções, a demissão por motivo de gravidez ou
de licença-maternidade e a discriminação nas
demissões motivadas pelo estado civil. Essa conduta
se revela em abuso de direito e pode acarretar o
pagamento de dano moral se movida a ação cabível
#11 – Estatuto de Roma: Instituiu o Tribunal Penal
Internacional, que é responsável por julgar pessoas
acusadas da prática de crimes de interesse
internacional, tais como genocídio, crimes de guerra
e crimes contra a humanidade.
3. Direitos Humanos no Brasil
#12 – Direitos Humanos e a CF/1988: Os tratados e
convenções internacionais sobre direitos humanos
que forem aprovados, em cada Casa do Congresso
Nacional, em dois turnos, por 3/5 dos votos dos
respectivos membros, serão equivalentes às emendas
constitucionais. O Brasil se submete à jurisdição de
Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha
manifestado adesão.
#13 – Incidente de Deslocamento de Competência:
Segundo a CF/88, nas hipóteses de
grave violação de direitos humanos, o
Procurador-Geral da República, com a
finalidade de assegurar o cumprimento
de obrigações decorrentes de tratados
internacionais de direitos humanos dos
quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do
inquérito ou processo, incidente de deslocamento de
competência para a Justiça Federal.
#14 - Conselho Nacional dos Direitos Humanos –
CNDH: órgão incumbido de velar pelo efetivo
respeito aos direitos humanos por parte dos poderes
públicos, dos serviços de relevância pública e dos
particulares, competindo-lhe, dentre outras funções:
receber representações ou denúncias de condutas ou
situações contrárias aos direitos humanos e apurar as
respectivas responsabilidades e representar ao
Congresso Nacional, visando a tornar efetivo o
exercício das competências de suas Casas e
Comissões sobre matéria relativa a direitos humanos.
#15 – Comissão Nacional da Verdade: Competência
de examinar e esclarecer as graves violações de
direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988, a fim
de efetivar o direito à memória e à verdade histórica,
bem como promover a reconciliação nacional.
27
#16 – Estatuto do Refugiado: É refugiado aquele
que: I - devido a fundados temores de perseguição
por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo
social ou opiniões políticas encontre-se fora de seu
país de nacionalidade e não possa ou não queira
acolher-se à proteção de tal país; II - não tendo
nacionalidade e estando fora do país onde antes teve
sua residência habitual, não possa ou não queira
regressar a ele, em função das circunstâncias descritas
no inciso anterior; III - devido a grave e generalizada
violação de direitos humanos, é obrigado a deixar seu
país de nacionalidade para buscar refúgio em outro
país. Os efeitos da condição dos refugiados serão
extensivos ao cônjuge, aos ascendentes e
descendentes, assim como aos demais membros do
grupo familiar que do refugiado dependerem
economicamente, desde que se encontrem em
território nacional. O ingresso irregular no território
nacional não constitui impedimento para o
estrangeiro solicitar refúgio às autoridades
competentes. Compete ao Comitê Nacional para os
Refugiados (CONARE) analisar o pedido e declarar
o reconhecimento, em primeira instância, da
condição de refugiado. A decisão pelo
reconhecimento da condição de refugiado será
considerada ato declaratório. Em caso de decisão
negativa, cabe recurso ao Ministro de Estado da
Justiça no prazo de 15 dias.
DIREITO INTERNACIONAL
1. Direito Internacional Público
#01 – Fontes do Direito Internacional Público:
Segundo a Convenção de Viena sobre o Direito dos
Tratados, “tratado” significa um acordo internacional
concluído por escrito entre Estados e regido pelo
Direito Internacional, quer conste de um instrumento
único, quer de dois ou mais instrumentos conexos,
qualquer que seja sua denominação específica.
Um Estado pode, ao assinar, ratificar, aceitar ou
aprovar um tratado, ou a eleaderir, formular uma
reserva, a não ser que:
a reserva seja proibida pelo tratado;
o tratado disponha que só possam ser
formuladas determinadas reservas, entre as
quais não figure a reserva em questão; ou
nos casos não previstos acima, a reserva seja
incompatível com o objeto e a finalidade do
tratado.
Um Estado não poderá invocar o seu direito
interno para justificar o descumprimento de
obrigações assumidas em um tratado
internacional devidamente internalizado.
É nulo um tratado que, no momento
de sua conclusão, conflite com uma
norma imperativa de Direito
Internacional geral. Para os fins da
presente Convenção, uma norma
imperativa de Direito Internacional geral
é uma norma aceita e reconhecida pela
comunidade internacional dos Estados como
um todo, como norma da qual nenhuma
derrogação é permitida e que só pode ser
modificada por norma ulterior de Direito
Internacional geral da mesma natureza. Se
sobrevier uma nova norma imperativa de
Direito Internacional geral, qualquer tratado
existente que estiver em conflito com essa
norma torna-se nulo e extingue-se.
#02 – Imunidade de Jurisdição e de Execução: As
imunidades dos estados em direito internacional são
tradicionalmente apresentadas como a reunião de
dois privilégios: a imunidade de jurisdição (permite
ao estado não ser julgado pelos tribunais de outro
estado) e a imunidade de execução (permite ao
Estado se opor à execução de seus bens em outro
estado).
Gozam da imunidade de jurisdição: chefes de
estado e governo; agentes diplomáticos;
determinadas categorias de cônsules; tropas
estrangeiras, autorizadas a atravessar o
território de estado ou de nele se instalarem
temporariamente; oficiais e tripulantes de
navios de guerra de um estado, aceitos em
águas territoriais de outro; oficiais e
tripulantes de aeronave militar autorizados a
pousar em território estrangeiro. O Estado
estrangeiro goza de imunidade de jurisdição
absoluta no que diz respeito aos atos de
império. No entanto, nos atos de gestão, o
Estado estrangeiro goza de imunidade de
jurisdição relativa. Assim, não há que se falar
em imunidade de jurisdição do Estado
estrangeiro diante de casos levados à Justiça
do Trabalho.
A imunidade de execução é
absoluta quanto aos bens destinados
aos fins de exercício da soberania, ou
seja, não é possível a penhora de bens
que estejam diretamente vinculados
ao funcionamento da missão
diplomática.
#03 – Imunidade Diplomática: O agente
diplomático gozará da imunidade de jurisdição penal
do Estado acreditado. A imunidade de jurisdição de
um agente diplomático no Estado acreditado não o
isenta da jurisdição do Estado acreditante. O Estado
acreditante pode renunciar à imunidade de
jurisdição dos seus agentes diplomáticos. Em caso de
28
falecimento de um membro da Missão os membros
de sua família continuarão no gozo dos privilégios e
imunidades a que têm direito até a expiração de um
prazo razoável que lhes permita deixar o território do
Estado acreditado. A residência particular do agente
diplomático goza da mesma inviolabilidade e
proteção que os locais da missão.
O Estado acreditante deverá certificar-se de que a
pessoa que pretende nomear como Chefe da Missão
perante o Estado acreditado obteve o Agrément do
referido Estado. O Estado acreditado não está
obrigado a dar ao Estado acreditante as razões da
negação do "agrément ". O Estado acreditado poderá
a qualquer momento, e sem ser obrigado a justificar a
sua decisão, notificar ao Estado acreditante que o
Chefe da Missão ou qualquer membro do pessoal
diplomático da Missão é persona non grata ou que
outro membro do pessoal da Missão não é aceitável.
O Estado acreditante, conforme o caso, retirará a
pessoa em questão ou dará por terminadas as suas
funções na Missão. Se o Estado acreditante se recusar
a cumprir, ou não cumpre dentro de um prazo
razoável, o Estado acreditado poderá recusar-se a
reconhecer tal pessoa como membro da Missão.
#04 – Nacionalidade: São brasileiros natos: os
nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que
de pais estrangeiros, desde que estes não estejam a
serviço de seu país; os nascidos no estrangeiro, de pai
brasileiro ou mãe brasileira, desde que qualquer deles
esteja a serviço da República Federativa do Brasil; os
nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe
brasileira, desde que sejam registrados em repartição
brasileira competente ou venham a residir na
República Federativa do Brasil e optem, em qualquer
tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira.
Extradição: nenhum brasileiro será extraditado, salvo
o naturalizado, em caso de crime comum, praticado
antes da naturalização, ou de comprovado
envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e
drogas afins, na forma da lei; Não será concedida
extradição de estrangeiro por crime político ou de
opinião. Súmula 421 do STF: Não impede a extradição
a circunstância de ser o extraditando casado com
brasileira ou ter filho brasileiro.
#05 – Lei de Migração:
Imigrante é a pessoa nacional de outro país ou
apátrida que trabalha ou reside e se estabelece
temporária ou definitivamente no Brasil;
Ao migrante é garantida no território nacional, em
condição de igualdade com os nacionais, a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, bem como
são assegurados o direito à educação pública, vedada
a discriminação em razão da nacionalidade e da
condição migratória.
São princípios da Política Migratória brasileira: não
criminalização da migração; acolhida humanitária e a
promoção de entrada regular e de regularização
documental, dentre outros.
Visto de Visita: poderá ser concedido ao visitante
que venha ao Brasil para estada de curta duração,
sem intenção de estabelecer residência (ex: turismo,
negócios, atividades desportivas). É vedado ao
beneficiário de visto de visita exercer atividade
remunerada no Brasil.
Visto temporário: poderá ser concedido ao
imigrante que venha ao Brasil com o intuito de
estabelecer residência por tempo
determinado e que se enquadre, por
exemplo, em uma das seguintes hipóteses:
estudo, tratamento de saúde, acolhida
humanitária, trabalho, dentre outras. O visto
temporário para acolhida humanitária poderá
ser concedido ao apátrida ou ao nacional de
qualquer país em situação de grave ou
iminente instabilidade institucional, de
conflito armado, de calamidade de grande
proporção, de desastre ambiental ou de grave
violação de direitos humanos ou de direito
internacional humanitário, ou em outras
hipóteses, na forma de regulamento.
Residente Fronteiriço: pessoa nacional de
país limítrofe ou apátrida que conserva a sua
residência habitual em município fronteiriço
de país vizinho. A fim de facilitar a sua livre
circulação, poderá ser concedida ao residente
fronteiriço, mediante requerimento,
autorização para a realização de atos da vida
civil. O espaço geográfico de abrangência e
de validade da autorização será especificado
no documento de residente fronteiriço. O
documento de residente fronteiriço será
cancelado, a qualquer tempo, se o titular:
tiver fraudado documento ou utilizado
documento falso para obtê-lo; obtiver outra
condição migratória; sofrer condenação
penal; ou exercer direito fora dos limites
previstos na autorização.
Asilo Político: constitui ato discricionário do
Estado, poderá ser diplomático (nas
Embaixadas e não no Consulado) ou territorial
e será outorgado como instrumento de
proteção à pessoa.
Medidas de Cooperação: extradição
(medida de cooperação internacional entre o
Estado brasileiro e outro Estado pela qual se
concede ou solicita a entrega de pessoa sobre
quem recaia condenação criminal definitiva
ou para fins de instrução de processo penal
em curso); transferência de execução da
pena (quando couber solicitação de
extradição executória, a autoridade
competente poderá solicitar ou autorizara
transferência de execução da pena, desde
29
que observado o princípio do non bis in
idem); transferência de pessoa condenada
(quando o pedido se fundamentar em tratado
ou houver promessa de reciprocidade).
Medidas de Retirada Compulsória:
repatriação; deportação; expulsão.
Repatriação: medida
administrativa de devolução de pessoa
em situação de impedimento ao país
de procedência ou de nacionalidade.
Não será aplicada medida de
repatriação à pessoa em situação de
refúgio ou de apatridia, de fato ou de direito,
ao menor de 18 anos desacompanhado ou
separado de sua família, exceto nos casos em
que se demonstrar favorável para a garantia
de seus direitos ou para a reintegração a sua
família de origem, ou a quem necessite de
acolhimento humanitário, nem, em qualquer
caso, medida de devolução para país ou
região que possa apresentar risco à vida, à
integridade pessoal ou à liberdade da pessoa.
Deportação: medida decorrente de
procedimento administrativo que consiste na
retirada compulsória de pessoa que se
encontre em situação migratória irregular em
território nacional. Não se procederá à
deportação se a medida configurar extradição
não admitida pela legislação brasileira.
Expulsão: consiste em medida administrativa
de retirada compulsória de migrante ou
visitante do território nacional, conjugada
com o impedimento de reingresso por prazo
determinado.
#06 – Mercosul:
O Tribunal Permanente de Revisão do MERCOSUL
tem como base jurídica o Protocolo de Olivos e tem
como competência resolver litígios dentro do sistema
regional de integração, proferir pareceres consultivos
e editar medidas excepcionais e de urgência.
2. Direito Internacional Privado
#07 – Elementos de Conexão:
A lei do país em que domiciliada a pessoa determina
as regras sobre o começo e o fim da personalidade, o
nome, a capacidade e os direitos de família.
Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada
a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e
às formalidades da celebração. Tendo os nubentes
domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do
matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal. O
regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei
do país em que tiverem os nubentes domicílio, e, se
este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
Para qualificar e reger as
obrigações, aplicar-se-á a lei do país
em que se constituírem.
A sucessão por morte ou por
ausência obedece à lei do país em
que domiciliado o defunto ou o
desaparecido, qualquer que seja a natureza e a
situação dos bens. A sucessão de bens de
estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei
brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos
brasileiros, ou de quem os represente, sempre que
não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a
capacidade para suceder.
É competente a autoridade judiciária brasileira,
quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de
ser cumprida a obrigação. Só à autoridade judiciária
brasileira compete conhecer das ações relativas a
imóveis situados no Brasil.
#08 - Direito Processual Internacional:
É do Supremo Tribunal Federal (STF), a competência
para processar e julgar, originariamente, o litígio entre
um Estado estrangeiro ou organismo internacional e a
União, o Estado, o Distrito Federal ou o Território.
Compete à autoridade judiciária
brasileira processar e julgar as ações
em que: no Brasil tiver de ser
cumprida a obrigação; o
fundamento seja fato ocorrido ou
ato praticado no Brasil; as partes,
expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição
nacional.
Compete à autoridade judiciária brasileira, com
exclusão de qualquer outra: em matéria de sucessão
hereditária, proceder à confirmação de testamento
particular e ao inventário e à partilha de bens
situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja
de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora
do território nacional; em divórcio, separação judicial
ou dissolução de união estável, proceder à partilha
de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do
território nacional.
Não compete à autoridade judiciária brasileira o
processamento e o julgamento da ação quando
houver cláusula de eleição de foro exclusivo
estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo
réu na contestação.
#09 – Cooperação Internacional: A cooperação
jurídica internacional para execução de decisão
estrangeira dar-se-á através do cumprimento de
cartas rogatórias ou de ação de homologação de
sentença estrangeira.
Auxílio Direto: Cabe auxílio direto quando a
medida não decorrer diretamente de decisão
de autoridade jurisdicional estrangeira a ser
30
submetida a juízo de delibação no Brasil.
Recebido o pedido de auxílio direto passivo,
a autoridade central o encaminhará à
Advocacia-Geral da União, que requererá em
juízo a medida solicitada. O Ministério Público
requererá em juízo a medida solicitada
quando for autoridade central. Compete ao
juízo federal do lugar em que deva ser
executada a medida apreciar pedido de
auxílio direto passivo que demande prestação
de atividade jurisdicional.
Carta Rogatória: O procedimento da carta
rogatória perante o STJ é de jurisdição
contenciosa e deve assegurar às partes as
garantias do devido processo legal. A defesa
restringir-se-á à discussão quanto ao
atendimento dos requisitos para que o
pronunciamento judicial estrangeiro produza
efeitos no Brasil. Em qualquer hipótese, é
vedada a revisão do mérito do
pronunciamento judicial estrangeiro pela
autoridade judiciária brasileira.
Sentença Estrangeira: A homologação de
sentenças estrangeiras é competência do STJ.
A decisão estrangeira (não se confunde com
sentença internacional) somente terá eficácia
no Brasil após a homologação de sentença
estrangeira ou a concessão do exequatur às
cartas rogatórias, salvo disposição em sentido
contrário de lei ou tratado. É passível de
execução a decisão estrangeira concessiva de
medida de urgência.
A sentença estrangeira de divórcio
consensual produz efeitos no Brasil,
independentemente de homologação pelo
Superior Tribunal de Justiça (STJ).
#10 – Arbitragem: As pessoas capazes de contratar
poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios
relativos a direitos patrimoniais disponíveis. A
administração pública direta e indireta poderá
utilizar-se da arbitragem para dirimir conflitos
relativos a direitos patrimoniais disponíveis.
DIREITO TRIBUTÁRIO
1. Fontes do Direito Tributário
#01 – Lei Complementar
A CF/1988 prescreve no art. 146 que à Lei
Complementar compete:
1) Dispor sobre conflitos de
competência, em matéria tributária, entre a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios;
2) Regular as limitações constitucionais ao poder de
tributar;
3) Estabelecer normas gerais em matéria de
legislação tributária, ESPECIALMENTE sobre:
definição de tributos e de suas espécies, fatos
geradores, bases de cálculo e contribuintes
relativamente aos impostos discriminados na
Constituição, obrigação, lançamento, crédito,
prescrição e decadência. Atenção: ao utilizar a
expressão "especialmente sobre", a CF/88 indica que
esse rol é exemplificativo.
Essas são denominadas funções típicas da lei
complementar em matéria tributária.
Nenhuma outra espécie normativa que não seja Lei
Complementar pode regular as matérias indicadas no
artigo 146 da Constituição Federal, sob pena de
inconstitucionalidade. Isso é frequentemente
explorado no exame de ordem.
#02 – Medida provisória
A Emenda Constitucional nº 32/2001 passou a
autorizar, expressamente, a utilização de Medida
Provisória para instituição ou aumento de tributos:
CF/88: Art. 62. § 2º Medida provisória que implique
instituição ou majoração de impostos, exceto os
previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II*, só produzirá
efeitos no exercíciofinanceiro seguinte se houver
sido convertida em lei até o último dia daquele em
que foi editada.
*imposto de importação, imposto de exportação,
imposto sobre produtos industrializados, imposto
sobre operações financeiras e imposto extraordinário
de guerra. Medida Provisória que instituir ou majorar
esses tributos pode produzir efeitos no mesmo no
ano de sua publicação, independentemente de sua
conversão em lei.
2. Espécies tributárias
#03 – Taxas
As taxas são um tributo contraprestacional. Assim,
são arrecadadas para financiar a própria atividade
estatal a que se referem. Por exemplo: o valor pago
à título de Taxa Judiciária ou de Coleta de Lixo
Domiciliar se destina a financiar a própria atividade
estatal.
A CF/88 prescreve que a taxa é um tributo de
competência comum da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios.
Para que um serviço público possa justificar a
exigência de uma taxa, o serviço público deve ser:
31
1) Efetivamente utilizado (fruição efetiva);
2) Potencialmente utilizado (utilização potencial)
- ATENÇÃO: não é admitida a cobrança de
taxa pelo exercício potencial do poder de
polícia.
3) Específico (uti singuli);
4) Divisíveis.
Súmula Vinculante nº 19: A taxa
cobrada exclusivamente em razão dos
serviços públicos de coleta, remoção e
tratamento ou destinação de lixo ou
resíduos provenientes de imóveis, não
viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.
Súmula Vinculante nº 41: O serviço de iluminação
pública não pode ser remunerado mediante taxa.
Súmula Vinculante nº 29: É constitucional a adoção,
no cálculo do valor de taxa, de um ou mais elementos
da base de cálculo própria de determinado imposto,
desde que não haja integral identidade entre uma
base e outra.
Como se trata de tributo vinculado, cujo fato gerador
é a prestação de um serviço público específico e
divisível ou o exercício do poder de polícia, a sua base
de cálculo deve ter equivalência razoável com o custo
incorrido pelo Estado na sua atuação.
Súmula 545 do STF: Preços de serviços públicos e
taxas não se confundem, porque estas,
diferentemente daqueles, são compulsórias e têm sua
cobrança condicionada à prévia autorização
orçamentária, em relação à lei que as instituiu.
Súmula 667 do STF: Viola a garantia constitucional de
acesso à jurisdição a taxa judiciária calculada sem
limite sobre o valor da causa.
3. Competência tributária
#04 – Classificações da competência tributária
4. Princípios do Direito Tributário
#05 – Princípio da Estrita Legalidade
Nenhum tributo pode ser instituído e nem
aumentado senão por meio de lei em sentido estrito.
Também é designado como Princípio da Tipicidade
Tributária (tipo tributário), Princípio do Tipo Tributário,
da Legalidade Estrita, do Tipo Fechado Tributário etc.
A mera atualização do valor monetário
pode ser implementada por meio de
ato infralegal, como, por exemplo, um
Decreto.
Norma legal que altera o prazo de recolhimento de
obrigação tributária não se sujeita ao princípio da
anterioridade.
Súmula 160: É defeso, ao Município, atualizar o IPTU,
mediante decreto, em percentual superior ao índice
oficial de correção monetária.
#06 – Princípio da Anterioridade
Desdobramento do Princípio da Não Surpresa.
Objetiva que o contribuinte não seja surpreendido
com a cobrança de um tributo criado ou majorado.
Divide-se em:
1. Princípio da Anterioridade Anual (ou de
Exercício): é vedada a cobrança de tributos no
mesmo exercício financeiro em que haja sido
32
publicada a lei que os instituiu ou aumentou. Não é
aplicável à lei que diminua o valor de um tributo.
Não se deve confundir o Princípio da
Anterioridade de Exercício com o
Princípio da Anualidade, princípio
de direito financeiro segundo o qual
a cobrança de tributos depende de
autorização anual do poder legislativo mediante
previsão no orçamento.
2. Princípio da Anterioridade Nonagesimal (ou
Noventena): é vedada a cobrança de tributos antes
de decorridos 90 dias corridos da data em que haja
sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou.
O Princípio da Anterioridade
Nonagesimal impõe o prazo mínimo
de 90 dias para a exigência do
tributo, e não de 3 meses!
#07 - Princípio da Irretroatividade
Em regra a lei deve ser anterior ao fato por ela
qualificado; os efeitos da lei não podem retroagir para
alcançar fatos passados!
Ao publicar uma lei instituindo ou majorando um
tributo (Princípio da Estrita Legalidade Tributária), a
entidade tributante deve observar o Princípio da
Irretroatividade Tributária.
O mesmo não ocorre em relação à lei que seja
meramente interpretativa e à lei infracional mais
benigna, que podem ser aplicada retroativamente.
5. Imunidades tributárias
#08 – Imunidades gerais previstas no inciso VI do
art. 150 da CF/88
O principal dispositivo constitucional que dispõe
sobre imunidades é o art. 150, VI da CF/88.
Imunidade recíproca: As entidades políticas
integrantes da Federação não podem fazer incidir
impostos umas sobre as outras. É uma cláusula
pétrea.
A imunidade tributária não será aplicada às
autarquias e fundações públicas quando: 1)
explorarem atividades econômicas regidas pelas
normas aplicáveis a empreendimentos privados; 2)
em que haja contraprestação ou pagamento de
preços ou tarifas pelo usuário.
De acordo com o STF, a imunidade
tributária não extingue os créditos
tributários constituídos legitimamente
contra pessoa jurídica não imune à
época de sua constituição, ainda que
patrimônio sobre o qual recai o tributo venha a ser
incorporado pelo poder público
#09 – Imunidades e espécies tributárias
Nenhuma imunidade do art. 150, VI da CF/88
alcança qualquer outra espécie tributária que não
seja imposto. Assim, não há imunidade, nesses casos,
para taxas, para contribuições, para empréstimos
compulsórios ou para contribuição de melhoria.
Mas atenção: há imunidades específicas para
impostos fora das hipóteses do inciso VI do art. 150,
bem como há imunidade para outras espécies
tributárias, como taxas e contribuições.
#10 – Imunidades e obrigações acessórias
A imunidade tributária se restringe tão somente à
obrigação tributária principal, ou seja, à obrigação
patrimonial de dar dinheiro ao Estado a título de
tributo ou multa; a imunidade tributária NÃO IMPEDE
a instituição e exigência de deveres instrumentais ou
obrigações acessórias.
6. Vigência, aplicação, interpretação e integração da legislação
tributária
#11 – Aplicação da legislação tributária
A legislação tributária aplica-se imediatamente aos
fatos geradores futuros e aos pendentes, assim
entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início
mas não esteja completa.
Fato gerador pendente designa
hipóteses de incidência (ou seja, verbo
+ complemento) que iniciaram a sua
formação sob a égide de uma
determinada lei, mas que concluíram tal
formação quando já estava em vigor e eficaz uma
nova norma jurídica.
O inciso II do art. 106 exige que o “ato não esteja
definitivamente julgado” para fins de aplicação da
lei mais benigna. Assim, se o “ato já estiver
definitivamente julgado”, o instituto não tem
aplicabilidade, mesmo que mais benigna.
7. Obrigação tributária
#12 – Obrigação tributária principal
Corresponde à obrigação de dar dinheiro ao Fisco a
título de tributo ou multa tributária. É uma obrigação
patrimonial.
Abarca não apenas a obrigação de pagar um tributo,
mas também a obrigação de pagar uma multa
tributária.
#13 – Obrigação tributária acessória
Corresponde a uma obrigação de fazer, não fazer ou
tolerar algo (fiscalização) no interesse da
arrecadação ou da fiscalização dos tributos.
Verifica-se que não tem por objeto a entrega de
dinheiro (dever de dar) ao Fisco a título de tributo ou
multa tributária (obrigação principal), sendo, assim,
uma obrigação NÃO-patrimonial.
33
As imunidades e as isenções, assim
como as anistias e suspensão de
exigibilidade do crédito tributárionão
alcançam as obrigações acessórias,
de modo que a pessoa imune ou isenta estará
desobrigada tão somente do pagamento do tributo,
continuando obrigada ao cumprimento das
obrigações acessórias que porventura houverem
(mesmo não estando obrigada ao pagamento do
tributo).
#14 – Conversão da obrigação acessória em
obrigação tributária principal
Lembre-se que uma obrigação acessória pode ser
instituída por um ato infralegal, mas punição pelo seu
descumprimento (multa tributária) deve ser
estipulada por meio de lei em sentido estrito.
#15 - Princípio do Pecunia Non Olet ou da
Interpretação Objetiva do Fato Gerador
Para o Direito Tributário, mesmo que determinado ato
(que corresponda ao fato gerador de uma obrigação
tributária) venha a ser praticado por agente incapaz,
tenha objeto ilícito, impossível, indeterminável ou
indeterminado, ou não observe os requisitos de forma
prescrita ou não defesa em lei, ainda assim
desencadeará os efeitos tributários e imporá o
dever de cumprir a obrigação, conforme preceitua o
art. 118 do CTN.
8. Crédito tributário
#16 – Modalidades de lançamento
De acordo com o CTN, existem três modalidades de
lançamento, por meio do qual o crédito tributário é
constituído. São eles:
• Lançamento direito ou de ofício: dispensa
qualquer participação do contribuinte. Base de
cálculo do tributo será arbitrada pelo Fisco se
constatada omissão ou acaso não mereçam fé as
declarações e os esclarecimentos prestados pelo
contribuinte.
• Lançamento por declaração ou misto: conta
com a participação do contribuinte e também do
Fisco na referida constituição
• Lançamento por homologação ou
“autolançamento”: conta com acentuado grau
de participação do contribuinte, pois cabe ao
Fisco tão somente homologar ou não a sua
atividade.
Súmula 397, STJ: O contribuinte do IPTU
é notificado do lançamento pelo envio do
carnê ao seu endereço.
Súmula 436, STJ: A entrega de
declaração pelo contribuinte reconhecendo débito
fiscal constitui o crédito tributário, dispensada
qualquer outra providência por parte do fisco.
9. Sujeição ativa e passiva tributária
#17 – Sujeição ativa tributária
Nem sempre o sujeito ativo da obrigação é a pessoa
jurídica de direito público titular da competência; é
possível que o polo ativo seja ocupado por quem não
detém competência.
As funções de recolher, cobrar, arrecadar,
fiscalizar ou executar o tributo (capacidade
tributária ativa) podem ser delegadas! A
competência nunca!
#18 – Sujeição passiva tributária
Sujeito passivo da obrigação tributária principal é a
pessoa a quem a lei atribui a obrigação de pagar um
tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, § 1º, do
CTN), ou seja, é a pessoa que tem a obrigação de dar
dinheiro ao Estado (em sentido amplo) a título de
tributo ou multa.
CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL
É aquele que tem
relação pessoal e
direta com a situação
que constitua o
respectivo fato gerador
da obrigação tributária.
É aquele que, sem
revestir a condição de
contribuinte, seja
obrigado ao
cumprimento da
obrigação por força de
uma lei.
A responsabilidade tributária deve ser
atribuída a uma pessoa por meio de lei
da entidade tributante! Nunca poderá
ser instituída por instrumento normativo
que não seja lei!
#19 – Inoponibilidade das convenções particulares
à Fazenda Pública
Por meio de ato/contrato, particular não pode
simplesmente “escolher” quem será o sujeito passivo
de uma obrigação tributária (contribuinte ou
responsável), já que essa condição já foi fixada por lei
cogente e inderrogável pela vontade das partes.
Súmula 614, STJ: O locatário não possui
legitimidade ativa para discutir a relação
jurídico-tributária de IPTU e de taxas
referentes ao imóvel alugado nem para
repetir indébito desses tributos.
10. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário
#20 – Hipóteses de suspensão do crédito tributário
CTN, Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito
tributário:
I – MORatória;
II – o DEpósito do seu montante integral;
34
III – as Reclamações e os recursos, nos termos das leis
reguladoras do processo tributário administrativo;
IV – a concessão de medida LIMinar em mandado de
segurança.
V – a concessão de medida LIMinar ou de tutela
antecipada, em outras espécies de ação judicial;
VI – o PARcelamento
MNEMÔNICO:
MOR-DE-R e LIM²-PAR
#21 – Moratória
Moratória é a prorrogação legal do prazo para o
cumprimento da obrigação tributária, concedida pelo
credor ao devedor por meio de lei.
Pode ser concedida somente por meio de lei da
entidade tributante. Logo, não pode ser concedida
por ato infralegal que não seja lei em sentido estrito
(lei ordinária).
ATENÇÃO: a suspensão da exigibilidade
do crédito tributário alcança somente as
obrigações principais, e não as acessórias.
11. Extinção do crédito tributário
#22 – Hipóteses de extinção do crédito tributário
CTN, Art. 156. Extinguem o crédito tributário:
I - o pagamento;
II - a compensação;
III - a transação;
IV - remissão;
V - a prescrição e a decadência;
VI - a conversão de depósito em renda;
VII - o pagamento antecipado e a homologação do
lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e
seus §§ 1º e 4º;
VIII - a consignação em pagamento, nos termos do
disposto no § 2º do artigo 164;
IX - a decisão administrativa irreformável, assim
entendida a definitiva na órbita administrativa, que não
mais possa ser objeto de ação anulatória;
X - a decisão judicial passada em julgado.
XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma
e condições estabelecidas em lei.
Embora o art. 156 prescreva que tais
hipóteses extinguem o crédito tributário,
elas extinguem, em verdade, a própria
obrigação tributária, ou seja, o vínculo
entre o Fisco e o contribuinte.
#23 – Efeitos da extinção do crédito tributário
Uma vez extinto o crédito tributário em razão das
hipóteses do art. 156, estará extinta a obrigação
tributária. Isso significa que não há mais obrigação a
ser satisfeita.
O pagamento de débito extinto, inclusive pela
decadência ou prescrição, e mesmo que o
contribuinte tenha assinado confissão "irretratável" de
débito, desencadeia o direito à devolução do valor -
indevidamente - pago.
12. Exclusão do crédito tributário
#24 – Hipóteses de exclusão do crédito tributário
CTN, Art. 175. Excluem o crédito tributário:
I - a isenção;
II - a anistia.
Excluir o crédito tributário significa evitar que ele se
constitua, inibindo seu lançamento. Somente por
meio de lei em sentido estrito pode uma isenção ou
anistia serem concedidos.
A norma de isenção e a norma de anistia incidem
entre a ocorrência do fato gerador e a constituição
do respectivo crédito tributário.
Acaso o crédito tributário já tenha sido constituído,
seja do tributo ou da multa, não poderá mais incidir
a norma de exclusão do crédito tributário.
#25 – Diferenças entre isenção, anistia, imunidade
tributária e não incidência
ISENÇÃO ANISTIA
Inibe TRIBUTO, abrange
fato gerador posterior à
lei (efeitos para frente,
para o futuro)
Inibe MULTA, abrangendo
fato gerador anterior à lei
(efeitos para trás, para o
passado)
IMUNIDADE NÃO INCIDÊNCIA
Decorre de regra
constitucional de
Regra jurídica de
tributação não existe,
35
“incompetência
tributária”.
13. Impostos em espécie
#26 – Impostos federais
CF/88, Art. 153. Compete à União instituir impostos
sobre:
I - importação de produtos estrangeiros; (II)
II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais
ou nacionalizados; (IE)
III - renda e proventos de qualquer natureza; (IR)
IV - produtos industrializados; (IPI)
V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas
a títulos ou valores mobiliários; (IOF)
VI - propriedade territorial rural; (ITR)
VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar.
(IGF)
Súmula 498, STJ: Não incide imposto de
renda sobre a indenização por danos
morais.
Súmula Vinculante58: Inexiste direito a
crédito presumido de IPI relativamente à entrada de
insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não
tributáveis, o que não contraria o princípio da não
cumulatividade.
Súmula 185, STJ: Nos depósitos judiciais, não incide
o Imposto sobre Operações Financeiras.
#27 – Impostos estaduais
CF/88: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito
Federal instituir impostos sobre:
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer
bens ou direitos; (ITCMD)
II - operações relativas à circulação de mercadorias e
sobre prestações de serviços de transporte
interestadual e intermunicipal e de comunicação,
ainda que as operações e as prestações se iniciem no
exterior; (ICMS)
III - propriedade de veículos automotores. (IPVA)
Súmula Vinculante 32: O ICMS não incide
sobre alienação de salvados de sinistro
pelas seguradoras
Súmula 166, STJ: Não constitui fato
gerador do ICMS o simples deslocamento de
mercadoria de um para outro estabelecimento do
mesmo contribuinte.
Súmula 509, STJ: É lícito ao comerciante de boa-fé
aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota
fiscal posteriormente declarada inidônea, quando
demonstrada a veracidade da compra e venda.
Súmula Vinculante 48: Na entrada de mercadoria
importada do exterior, é legítima a cobrança do ICMS
por ocasião do desembaraço aduaneiro.
Súmula 112, STF: O imposto de transmissão “causa
mortis” é devido pela alíquota vigente ao tempo da
abertura da sucessão.
Súmula 331, STF: É legítima a incidência do imposto
de transmissão "causa mortis" no inventário por morte
presumida.
#28 – Impostos municipais
CF/88, Art. 156. Compete aos Municípios instituir
impostos sobre:
I - propriedade predial e territorial urbana; (IPTU)
II - transmissão "inter vivos", a qualquer título, por ato
oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão
física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de
garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição;
(ITBI)
III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos
no art. 155, II, definidos em lei complementar. (ISS)
Súmula 626, STJ: A incidência do IPTU
sobre imóvel situado em área considerada
pela lei local como urbanizável ou de
expansão urbana não está condicionada à
existência dos melhoramentos elencados
no art. 32, § 1º, do CTN.
Súmula 399, STJ: Cabe à legislação municipal
estabelecer o sujeito passivo do IPTU.
Súmula 589, STF: É inconstitucional a fixação de
adicional progressivo do imposto predial e territorial
urbano em função do número de imóveis do
contribuinte.
Súmula 397, STJ: O contribuinte do IPTU é notificado
do lançamento pelo envio do carnê ao seu endereço.
Súmula 539, STF: É constitucional a lei do Município
que reduz o imposto predial urbano sobre imóvel
ocupado pela residência do proprietário, que não
possua outro.
Súmula 656, STF: É inconstitucional a lei que
estabelece alíquotas progressivas para o imposto de
transmissão inter vivos de bens imóveis - ITBI com
base no valor venal do imóvel.
14. Precatórios
#29 – Disciplina Constitucional
CF, Art. 100. Os pagamentos devidos pelas Fazendas
Públicas Federal, Estaduais, Distrital e Municipais, em
virtude de sentença judiciária, far-se-ão
exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos
respectivos, proibida a designação de casos ou de
36
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos
adicionais abertos para este fim.
§ 1º Os débitos de natureza alimentícia
compreendem aqueles decorrentes de salários,
vencimentos, proventos, pensões e suas
complementações, benefícios previdenciários e
indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em
responsabilidade civil, em virtude de sentença judicial
transitada em julgado, e serão pagos com
preferência sobre todos os demais débitos, exceto
sobre aqueles referidos no § 2º deste artigo.
§ 2º Os débitos de natureza alimentícia cujos
titulares, originários ou por sucessão hereditária,
tenham 60 (sessenta) anos de idade, ou sejam
portadores de doença grave, ou pessoas com
deficiência, assim definidos na forma da lei, serão
pagos com preferência sobre todos os demais débitos,
até o valor equivalente ao triplo fixado em lei para os
fins do disposto no § 3º deste artigo, admitido o
fracionamento para essa finalidade, sendo que o
restante será pago na ordem cronológica de
apresentação do precatório.
§ 3º O disposto no caput deste artigo relativamente à
expedição de precatórios não se aplica aos
pagamentos de obrigações definidas em leis como
de pequeno valor que as Fazendas referidas devam
fazer em virtude de sentença judicial transitada em
julgado.
§ 4º Para os fins do disposto no § 3º, poderão ser
fixados, por leis próprias, valores distintos às entidades
de direito público, segundo as diferentes capacidades
econômicas, sendo o mínimo igual ao valor do maior
benefício do regime geral de previdência social.
§ 5º É obrigatória a inclusão no orçamento das
entidades de direito público de verba necessária ao
pagamento de seus débitos oriundos de sentenças
transitadas em julgado constantes de precatórios
judiciários apresentados até 2 de abril, fazendo-se o
pagamento até o final do exercício seguinte, quando
terão seus valores atualizados monetariamente.
§ 6º As dotações orçamentárias e os créditos abertos
serão consignados diretamente ao Poder Judiciário,
cabendo ao Presidente do Tribunal que proferir a
decisão exequenda determinar o pagamento integral
e autorizar, a requerimento do credor e
exclusivamente para os casos de preterimento de seu
direito de precedência ou de não alocação
orçamentária do valor necessário à satisfação do seu
débito, o sequestro da quantia respectiva.
§ 7º O Presidente do Tribunal competente que, por
ato comissivo ou omissivo, retardar ou tentar frustrar a
liquidação regular de precatórios incorrerá em crime
de responsabilidade e responderá, também, perante o
Conselho Nacional de Justiça.
§ 8º É vedada a expedição de precatórios
complementares ou suplementares de valor pago,
bem como o fracionamento, repartição ou quebra do
valor da execução para fins de enquadramento de
parcela do total ao que dispõe o § 3º deste artigo.
§ 9º Sem que haja interrupção no pagamento do
precatório e mediante comunicação da Fazenda
Pública ao Tribunal, o valor correspondente aos
eventuais débitos inscritos em dívida ativa contra o
credor do requisitório e seus substituídos deverá ser
depositado à conta do juízo responsável pela ação de
cobrança, que decidirá pelo seu destino definitivo.
§ 10. Antes da expedição dos precatórios, o Tribunal
solicitará à Fazenda Pública devedora, para resposta
em até 30 (trinta) dias, sob pena de perda do direito de
abatimento, informação sobre os débitos que
preencham as condições estabelecidas no § 9º, para
os fins nele previstos.
§ 11. É facultada ao credor, conforme estabelecido em
lei do ente federativo devedor, com auto
aplicabilidade para a União, a oferta de créditos
líquidos e certos que originalmente lhe são próprios
ou adquiridos de terceiros reconhecidos pelo ente
federativo ou por decisão judicial transitada em
julgado para:
I - quitação de débitos parcelados ou débitos inscritos
em dívida ativa do ente federativo devedor, inclusive
em transação resolutiva de litígio, e, subsidiariamente,
débitos com a administração autárquica e fundacional
do mesmo ente;
II - compra de imóveis públicos de propriedade do
mesmo ente disponibilizados para venda;
III - pagamento de outorga de delegações de serviços
públicos e demais espécies de concessão negocial
promovidas pelo mesmo ente;
IV - aquisição, inclusive minoritária, de participação
societária, disponibilizada para venda, do respectivo
ente federativo; ou
V - compra de direitos, disponibilizados para cessão,
do respectivo ente federativo, inclusive, no caso da
União, da antecipação de valores a serem recebidos a
título do excedente em óleo em contratosInscrição na OAB
#01 – Atividade da Advocacia
São atividades privativas de advocacia:
I - a postulação a órgão do Poder Judiciário e aos
juizados especiais;
II - as atividades de consultoria, assessoria e direção
jurídicas (Atenção: se praticados por aqueles que não
possuem tal qualificação são tidos como NULOS e
implicam em responsabilização na esfera civil, penal e
administrativa).
É obrigatório ser visado por advogado
os atos e contratos constitutivos de
pessoas jurídicas, quando forem
apresentados para registro no órgão
competente (Exceção: microempresas
e empresas de pequeno porte).
É vedada a divulgação de advocacia em conjunto
com outra atividade.
O estagiário de advocacia, regularmente inscrito,
pode praticar esses atos, na forma do regimento geral,
em conjunto com advogado e sob responsabilidade
deste.
Algumas exceções legais dispensam a necessidade
de postulação em juízo ser realizada por advogado:
Habeas Corpus;
Juizado Especial Cível (até 20 salários-mínimos);
Juizado Especial Federal Cível (até 60 salários-
mínimos);
Ação de Alimentos;
Defesa em sede de Processo Administrativo
Disciplinar;
5
Jus postulandi na seara trabalhista
Nas ações de Mandado de
segurança, Habeas Data e Revisão
Criminal é necessária a
representação por advogado.
No processo administrativo, o
advogado contribui com a postulação de decisão
favorável ao seu constituinte, e os seus atos
constituem múnus público.
O advogado pode contribuir com o processo
legislativo e com a elaboração de normas jurídicas, no
âmbito dos Poderes da República.
Art. 3º-A. Os serviços profissionais de advogado são,
por sua natureza, técnicos e singulares, quando
comprovada sua notória especialização, nos termos da
lei. Parágrafo único. Considera-se notória
especialização o profissional ou a sociedade de
advogados cujo conceito no campo de sua
especialidade, decorrente de desempenho anterior,
estudos, experiências, publicações, organização,
aparelhamento, equipe técnica ou de outros requisitos
relacionados com suas atividades, permita inferir que
o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais
adequado à plena satisfação do objeto do contrato.
#02 – Inscrição na OAB
Requisitos legais para inscrição na OAB:
Capacidade civil;
Diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em
instituição de ensino oficialmente autorizada e
credenciada;
Título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro;
Aprovação em Exame de Ordem;
Não exercer atividade incompatível com a advocacia;
Idoneidade moral;
Prestar compromisso perante o conselho (ato
personalíssimo).
A inidoneidade moral, pode
ser suscitada por qualquer pessoa, e é
declarada mediante decisão que
obtenha no mínimo 2/3 (dois terços)
dos votos de todos os membros do
conselho competente, em procedimento que
observe os termos do processo disciplinar.
Não atende ao requisito de idoneidade moral
aquele que tiver sido condenado por crime
infamante, salvo reabilitação judicial.
Tipos de Inscrição na OAB:
Principal: Realizada no Conselho Seccional
ou na Subseção da OAB em que o advogado
pretende ter domicílio profissional.
Suplementar: Necessária quando o
advogado exercer habitualmente a profissão,
com 6 (seis) ou mais ações judiciais, em
território não abrangido por sua jurisdição.
Transferência da inscrição: Quando o
advogado mudar definitivamente o seu
domicílio profissional.
Considera-se domicílio profissional a sede principal
da atividade de advocacia, prevalecendo, na dúvida,
o domicílio da pessoa física do advogado.
Não confunda:
Cancela-se a inscrição do profissional que:
Assim o requerer;
Sofrer penalidade de
exclusão (para nova
inscrição é necessário
provas de reabilitação);
Falecer;
Passar a exercer, em caráter
definitivo, atividade
incompatível com a
advocacia;
Perder qualquer um dos
requisitos necessários para
inscrição.
Para novo pleito de inscrição na OAB, é desnecessária
aprovação em nova prova do exame da Ordem, mas
deve-se prestar novo compromisso. Não se restaura o
número de inscrição anterior.
Licencia-se o profissional que:
assim o requerer, por motivo justificado;
passar a exercer, em caráter temporário,
atividade incompatível com o exercício da
advocacia;
sofrer doença mental considerada curável.
Se o advogado sofre doença
mental considerada incurável, não
será caso de licença e sim de
cancelamento, por perda de um dos
requisitos necessários para inscrição:
capacidade civil.
Advogado Estrangeiro:
O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em
direito no Brasil, deve fazer prova do título de
graduação, obtido em instituição estrangeira,
devidamente revalidado, além de atender aos demais
requisitos para inscrição como advogado (inclusive
aprovação no exame da Ordem).
Estagiários:
A inscrição do estagiário é feita no Conselho Seccional
em cujo território se localize seu curso jurídico. Deve
preencher alguns requisitos: não exercer atividade
incompatível com a advocacia; possuir idoneidade
moral e prestar compromisso perante o conselho.
O aluno de curso jurídico que exerça atividade
incompatível com a advocacia pode freqüentar o
estágio ministrado pela respectiva instituição de
ensino superior, para fins de aprendizagem, vedada a
inscrição na OAB.
6
Por fim, alguns atos de advocacia
podem ser praticados isoladamente
pelo estagiário, ainda que sob a
responsabilidade do advogado, são
eles:
Retirar e devolver autos em cartório,
assinando a respectiva carga;
Obter junto aos escrivães e chefes de
secretarias certidões de peças ou autos de
processos em curso ou findos;
Assinar petições de juntada de documentos a
processos judiciais ou administrativos.
Para o exercício de atos extrajudiciais, o estagiário
pode comparecer isoladamente, quando receber
autorização ou substabelecimento do advogado.
Em caso de pandemia ou em outras situações
excepcionais que impossibilitem as atividades
presenciais, declaradas pelo poder público, o estágio
profissional poderá ser realizado no regime de
teletrabalho ou de trabalho a distância em sistema
remoto ou não, por qualquer meio telemático, sem
configurar vínculo de emprego a adoção de qualquer
uma dessas modalidades. Se houver concessão, pela
parte contratante ou conveniada, de equipamentos,
sistemas e materiais ou reembolso de despesas de
infraestrutura ou instalação, todos destinados a
viabilizar a realização da atividade de estágio à
distância, essa informação deverá constar,
expressamente, do convênio de estágio e do termo
de estágio.
2. Direitos e Deveres dos Advogados. Do Instrumento de Mandato.
Sociedade de Advogados. Advogados Empregados.
#03 – Direitos e Deveres dos Advogados
São direitos dos advogados, dentre outros:
II – a inviolabilidade de seu escritório ou local de
trabalho, bem como de seus instrumentos de trabalho,
de sua correspondência escrita, eletrônica, telefônica
e telemática, desde que relativas ao exercício da
advocacia;
III - comunicar-se com seus clientes, pessoal e
reservadamente, mesmo sem procuração, quando
estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em
estabelecimentos civis ou militares, ainda que
considerados incomunicáveis;
IV - ter a presença de representante da OAB, quando
preso em flagrante, por motivo ligado ao exercício da
advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena
de nulidade e, nos demais casos, a comunicação
expressa à seccional da OAB;
V - não ser recolhido preso, antes de sentença
transitada em julgado, senão em sala de Estado Maior,
com instalações e comodidades condignas, assim
reconhecidas pela OAB, e, na sua falta, em prisão
domiciliar;
X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer tribunal
judicial ou administrativo, órgão de deliberação
coletiva da administração pública ou comissão
parlamentar de inquérito, mediantede partilha
de petróleo.
§ 12. A partir da promulgação desta Emenda
Constitucional, a atualização de valores de
requisitórios, após sua expedição, até o efetivo
pagamento, independentemente de sua natureza,
será feita pelo índice oficial de remuneração básica da
caderneta de poupança, e, para fins de compensação
da mora, incidirão juros simples no mesmo percentual
de juros incidentes sobre a caderneta de poupança,
ficando excluída a incidência de juros compensatórios.
§ 13. O credor poderá ceder, total ou parcialmente,
seus créditos em precatórios a terceiros,
independentemente da concordância do devedor,
não se aplicando ao cessionário o disposto nos §§ 2º e
3º.
37
§ 14. A cessão de precatórios, observado o disposto
no § 9º deste artigo, somente produzirá efeitos após
comunicação, por meio de petição protocolizada, ao
Tribunal de origem e ao ente federativo devedor.
§ 15. Sem prejuízo do disposto neste artigo, lei
complementar a esta Constituição Federal poderá
estabelecer regime especial para pagamento de
crédito de precatórios de Estados, Distrito Federal e
Municípios, dispondo sobre vinculações à receita
corrente líquida e forma e prazo de liquidação.
§ 16. A seu critério exclusivo e na forma de lei, a União
poderá assumir débitos, oriundos de precatórios, de
Estados, Distrito Federal e Municípios, refinanciando-
os diretamente.
§ 17. A União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios aferirão mensalmente, em base anual, o
comprometimento de suas respectivas receitas
correntes líquidas com o pagamento de precatórios e
obrigações de pequeno valor.
§ 18. Entende-se como receita corrente líquida, para
os fins de que trata o § 17, o somatório das receitas
tributárias, patrimoniais, industriais, agropecuárias, de
contribuições e de serviços, de transferências
correntes e outras receitas correntes, incluindo as
oriundas do § 1º do art. 20 da Constituição Federal,
verificado no período compreendido pelo segundo
mês imediatamente anterior ao de referência e os 11
(onze) meses precedentes, excluídas as duplicidades,
e deduzidas:
I - na União, as parcelas entregues aos Estados, ao
Distrito Federal e aos Municípios por determinação
constitucional;
II - nos Estados, as parcelas entregues aos Municípios
por determinação constitucional;
III - na União, nos Estados, no Distrito Federal e nos
Municípios, a contribuição dos servidores para custeio
de seu sistema de previdência e assistência social e as
receitas provenientes da compensação financeira
referida no § 9º do art. 201 da Constituição Federal.
§ 19. Caso o montante total de débitos decorrentes de
condenações judiciais em precatórios e obrigações de
pequeno valor, em período de 12 (doze) meses,
ultrapasse a média do comprometimento percentual
da receita corrente líquida nos 5 (cinco) anos
imediatamente anteriores, a parcela que exceder esse
percentual poderá ser financiada, excetuada dos
limites de endividamento de que tratam os incisos VI e
VII do art. 52 da Constituição Federal e de quaisquer
outros limites de endividamento previstos, não se
aplicando a esse financiamento a vedação de
vinculação de receita prevista no inciso IV do art. 167
da Constituição Federal.
§ 20. Caso haja precatório com valor superior a 15%
(quinze por cento) do montante dos precatórios
apresentados nos termos do § 5º deste artigo, 15%
(quinze por cento) do valor deste precatório serão
pagos até o final do exercício seguinte e o restante em
parcelas iguais nos cinco exercícios subsequentes,
acrescidas de juros de mora e correção monetária, ou
mediante acordos diretos, perante Juízos Auxiliares de
Conciliação de Precatórios, com redução máxima de
40% (quarenta por cento) do valor do crédito
atualizado, desde que em relação ao crédito não
penda recurso ou defesa judicial e que sejam
observados os requisitos definidos na regulamentação
editada pelo ente federado.
§ 21. Ficam a União e os demais entes federativos, nos
montantes que lhes são próprios, desde que aceito por
ambas as partes, autorizados a utilizar valores objeto
de sentenças transitadas em julgado devidos a pessoa
jurídica de direito público para amortizar dívidas,
vencidas ou vincendas:
I - nos contratos de refinanciamento cujos créditos
sejam detidos pelo ente federativo que figure como
devedor na sentença de que trata o caput deste artigo;
II - nos contratos em que houve prestação de garantia
a outro ente federativo;
III - nos parcelamentos de tributos ou de contribuições
sociais; e
IV - nas obrigações decorrentes do descumprimento
de prestação de contas ou de desvio de recursos.
§ 22. A amortização de que trata o § 21 deste artigo:
I - nas obrigações vencidas, será imputada
primeiramente às parcelas mais antigas;
II - nas obrigações vincendas, reduzirá uniformemente
o valor de cada parcela devida, mantida a duração
original do respectivo contrato ou parcelamento.
DIREITO ADMINISTRATIVO
1. Serviços Públicos
#01 – Princípios dos Serviços Públicos
Princípio da continuidade dos serviços públicos:
estabelece a necessidade de que os serviços públicos
sejam contínuos e ininterruptos.
Hipóteses de interrupção (Lei 8.987/95, art. 6º, §3º):
Situações de emergência;
38
Após aviso prévio, por razões de ordem técnica
ou de segurança das instalações, ou por
inadimplência do usuário, considerado o interesse da
coletividade.
Princípio da generalidade: serviços públicos devem
ser prestados da maneira mais ampla e também não
poderão beneficiar determinados usuários em
detrimento de outros.
Princípio da modicidade das tarifas: serviços
deverão ser remunerados com preços módicos, de
modo a atingir o maior número possível de
beneficiários.
Princípio da atualidade: prestador deve garantir a
atualidade dos serviços, que compreende a
modernidade das técnicas, do equipamento e das
instalações e a sua conservação, bem como a
melhoria e a expansão do serviço.
Princípio da cortesia: exige-se do prestador do
serviço uma atuação cortês e educada, trazendo o
melhor atendimento possível e a melhor experiência
para o usuário.
#02 – Principais classificações:
Delegáveis e indelegáveis:
Indelegáveis: são os serviços que o Estado
presta direta e exclusivamente. Ex: defesa nacional.
Delegáveis: tanto o Estado como os particulares
(delegatários) prestam para atender a um interesse
geral. Ex: transporte coletivo e energia elétrica.
Coletivos (Uti Universi) e singulares (Uti singuli):
Coletivos (Uti Universi): são aqueles prestados à
coletividade, mas de maneira a atingir grupos
indeterminados de pessoas.
Singulares (Uti singuli): são destinados a
usuários individuais, determinados, sendo possível a
mensuração da utilização de cada indivíduo.
Súmula Vinculante 41 – STF - O
serviço de iluminação pública não
pode ser remunerado mediante taxa.
Serviços Públicos
Propriamente ditos e de Utilidade
Pública:
Propriamente ditos: o próprio Estado os executa
e são considerados indispensáveis à sociedade. Em
regra, são gratuitos. Ex: saneamento básico, higiene
ou segurança.
Serviços de utilidade pública: beneficiam
diretamente a coletividade; satisfazem de maneira
direta os indivíduos. Ex: energia elétrica residencial e
o atendimento em postos de saúde.
#03 – Delegação do serviço público:
A titularidade dos serviços públicos pertence ao
Estado, mas a Administração Pública poderá
delegar a execução de tais serviços aos
particulares.
Execução indireta: os serviços públicos não
serão prestados pelos órgãos públicos internos
da Administração Pública. Corresponde à
descentralização administrativa.
Descentralização X Desconcentração
Descentralização: distribuição de
competências de uma para outra
pessoa física ou jurídica;
Desconcentração: distribuição
interna de competências, ou seja,
dentro da mesma pessoa jurídica.
Concessão de serviço público (comum ou
simples) – Lei 8.987/95:“Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera-
se:
II - concessão de serviço público: a delegação de
sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante
licitação, na modalidade concorrência ou diálogo
competitivo, a pessoa jurídica ou consórcio de
empresas que demonstre capacidade para seu
desempenho, por sua conta e risco e por prazo
determinado;”
Exige prévia licitação: modalidade concorrência ou
diálogo competitivo.
A outorga da concessão ou permissão não terá
caráter de exclusividade, salvo se existir
inviabilidade técnica ou econômica devidamente
justificada no ato anterior ao edital de licitação,
conforme estabelecido no artigo 16 da Lei
8.987/95.
Caducidade: decorre de culpa do
concessionário (inexecução total ou parcial do
contrato, nas hipóteses do art. 38, §1º, da Lei
8.987/95). Pressupõe processo administrativo,
com ampla defesa, e possibilidade de correção
das irregularidades (Lei 8.987/95, art. 38, §§2º e
3º).
Encampação: poder concedente simplesmente
decide encerrar a concessão por motivos de
interesse público superveniente, utilizando-se
da prerrogativa da supremacia do interesse.
Depende de lei autorizativa específica e após
prévio pagamento da indenização.
#04 – Parcerias Público-Privadas:
Contratos de concessão especial de serviços.
Parceiro privado não é remunerado
exclusivamente pelo usuário. Tem que haver
contraprestação do Poder Público.
Modalidades:
39
Vedações (Lei 11.079/2004,
art. 2º, §4º):
“É vedada a celebração de contrato
de parceria público-privada:
I - cujo valor do contrato seja inferior
a R$ 10.000.000,00 (dez milhões de
reais);
II - cujo período de prestação do serviço seja inferior
a 5 (cinco) anos; ou
III - que tenha como objeto único o fornecimento de
mão de obra, o fornecimento e instalação de
equipamentos ou a execução de obra pública.”
2. Agentes Públicos
#05 – Contratação por tempo determinado
São agentes contratados por tempo determinado
para atenderem necessidades temporárias de
excepcional interesse público.
CRFB, art. 37, IX:“IX - a lei estabelecerá os casos de
contratação por tempo determinado para atender a
necessidade temporária de excepcional interesse
público;”
Não prestam concurso público. Recrutamento se
dá por processo seletivo simplificado.
#06 – Cargo em comissão:
Somente funções de chefia, direção e
assessoramento;
Ocupados em caráter provisório = livre nomeação
e exoneração;
Prescindem (dispensam) de concurso público.
#07 – Notários e registradores:
Os delegatários de serviços
públicos, como os notários e
registradores, são admitidos através
de concurso público, mas são
considerados particulares em
colaboração, por não perderem a
natureza de particulares (CF, art. 236).
#08 – Formas de provimento:
Ascenção, transposição ou
acesso: tais hipóteses foram abolidas
pela Constituição. Permitiam o
provimento em cargo de carreira
diferente da sua, sem prévia
aprovação em concurso público.
Súmula Vinculante 43 - STF: É
inconstitucional toda modalidade de provimento que
propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação
em concurso público destinado ao seu provimento,
em cargo que não integra a carreira na qual
anteriormente investido.
Reintegração e recondução:
Lei 8.112/90:
“Art. 28. A reintegração é a
reinvestidura do servidor estável no
cargo anteriormente ocupado, ou
no cargo resultante de sua
transformação, quando invalidada a sua demissão por
decisão administrativa ou judicial, com ressarcimento
de todas as vantagens.
Art. 29. Recondução é o retorno do servidor estável ao
cargo anteriormente ocupado e decorrerá de:
I - inabilitação em estágio probatório relativo a outro
cargo;
II - reintegração do anterior ocupante.”
#09 – Concurso Público:
Alteração do edital: após a publicação do
edital e no curso do certame, só se admite a
alteração das regras do concurso se houver
modificação na legislação que disciplina a
respectiva carreira. Precedentes. (RE 318.106,
rel. min. Ellen Gracie, DJ 18.11.2005)
Prazo de validade do concurso.
Prorrogação: Segundo o STF, existe juízo de
conveniência e oportunidade que deverá
ser feito por parte do administrador para
prorrogar o prazo de validade do certame
público.
#10 – Vedação à acumulação remunerada de
cargos, empregos e funções – exceções (CF, art. 37,
XVI):
“XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos
públicos, exceto, quando houver compatibilidade de
horários, observado em qualquer caso o disposto no
inciso XI:
a) a de dois cargos de professor;
b) a de um cargo de professor com outro técnico
ou científico;
c) a de dois cargos ou empregos privativos de
profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas.”
#11 – Teto remuneratório:
40
#12 – Exoneração em estágio probatório:
Súmula nº 21, STF: "Funcionário em estágio
probatório não pode ser exonerado nem
demitido sem inquérito ou sem as
formalidades legais de apuração de sua
capacidade."
#13 – Princípio da Irredutibilidade da
Remuneração:
CRFB, art. 37, XV:
“XV - o subsídio e os vencimentos dos
ocupantes de cargos e empregos públicos
são irredutíveis, ressalvado o disposto nos
incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º,
150, II, 153, III, e 153, § 2º, I;”
O sentido da irredutibilidade, porém, não é
absoluto. Tribunais já se pacificaram:
vencimento não acompanha pari passu o índice
inflacionário;
vencimento nominal sofre redução em virtude da
incidência de impostos (eventual aumento de carga
tributária).
3. Intervenção do Estado na Propriedade
#14 – Desapropriação:
Fase declaratória: ato discricionário da
Administração. O processo administrativo irá
verificar a caracterização de uma das
hipóteses de interesse social ou necessidade
ou utilidade pública, com o objetivo de
expedir o decreto expropriatório.
Efeitos da declaração:
a) Sujeição do imóvel à força expropriatória do
Estado;
b) Fixação do Estado do bem – artigo 26,
parágrafo 1o, Decreto 3.365/41).
c) Atribui ao Estado o direito de adentrar no
imóvel declarado, após prévia autorização
judicial;
d) Fixação do termo inicial para o prazo de
caducidade da declaração;
É de dois anos o prazo
decadencial para propositura da
demanda de desapropriação por
interesse social e de cinco anos o
prazo para propositura de demanda
por necessidade ou utilidade
pública.
Fase executória: pode ocorrer mediante
acordo na esfera administrativa ou por
demanda judicial.
Retrocessão e tredestinação:
Tredestinação: efetivada a desapropriação, o
poder público deve destinar o bem desapropriado à
finalidade pública que justificou o ato expropriatório.
Se não o fizer, ocorrerá o fenômeno da tredestinação.
Admite duas espécies:
a) Tredestinação lícita: apesar da alteração de
finalidade, o bem permanece destinado ao interesse
público. Não dá ensejo à retrocessão.
b) Tredestinação ilícita: ao bem desapropriado
é dado destino desprovido de interesse público.
Retrocessão: direito que assiste ao proprietário
do bem de exigi-lo de volta caso, após efetivada a
desapropriação, a ele seja dada destinação
desprovida de interesse público (tredestinação
ilícita).
Direito de extensão: direito que assiste ao
particular de, impugnando o valor ofertado
pelo Poder Público, pleitear a extensão da
desapropriação, para que alcance a parte
remanescente do bem que se tornaria inútil
ou de difícil utilização.
#15 – Tombamento:
Restrição estatal na propriedade privada,
que se destina especificamente à proteção do
patrimônio histórico e artístico nacional
Possibilidade de tombamento de bens de
entes “maiores” por entes “menores”. (RMS
18.952/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2005,
DJ 30/05/2005).
#16 – Requisição Administrativa:
Utilização pelo Estado de bens móveis e
imóveis, ou mesmo de serviços prestados por
particulares, em face desituações de iminente
perigo. A indenização será sempre posterior e
acaso haja dano.
#17 – Servidão Administrativa:
Restrição específica que atinge parcial e
concretamente o direito de propriedade,
incidindo sobre o caráter exclusivo de
propriedades determinadas.
#18 – Limitação Administrativa
41
Ato genérico por meio do qual o poder
público impõe a proprietários
indeterminados obrigações com o objetivo
de fazer com que aquela propriedade atenda
à sua função social.
4. Poderes Administrativos
Instrumentos que a Administração possui para
melhor atender ao interesse público. São
“prerrogativas instrumentais”.
#19 – Poder Hierárquico:
Impõe-se a estrita obediência dos subalternos
às ordens e instruções expedidas pelos seus
superiores. O subordinado deve cumprir as
ordens que lhe sejam dadas, salvo se
manifestamente ilegais.
#20 – Poder Regulamentar ou Normativo:
Prerrogativa que os Chefes do Poder
Executivo têm de regulamentar certa lei para
poder explicar sua correta execução. Contém
normas “para fiel execução da lei”; não pode
estabelecer normas contra legem ou ultra
legem. Não pode inovar a ordem jurídica,
criando direitos, obrigações, proibições,
medidas punitivas.
#21 – Poder Disciplinar:
Poder que possui a administração pública de
apurar infrações e aplicar penas aos
servidores públicos ou demais pessoas que se
sujeitem à disciplina administrativa.
#22 – Poder de Polícia:
Permite à Administração Pública restringir ou
limitar direitos ou interesses individuais no que
tange à liberdade e a propriedade.
Atributos:
Discricionariedade: administrador público poderá
escolher, dentro de um juízo de conveniência e
oportunidade, a alternativa mais adequada dentre as
várias sanções previstas na norma
Autoexecutoriedade: em regra, não é necessária a
intervenção do Judiciário para a execução dos atos
materiais de polícia, a exemplo da interdição de
estabelecimento.
Coercibilidade: aptidão que o ato de polícia
possui de criar unilateralmente uma obrigação a ser
adimplida pelo seu destinatário.
Todavia, fique atento:
Súmula 323 do STF: É inadmissível a apreensão
de mercadorias como meio coercitivo para
pagamento de tributos.
Delegação do poder de polícia:
“É constitucional a delegação do poder de polícia, por
meio de lei, a pessoas jurídicas de direito privado
integrantes da Administração Pública indireta de
capital social majoritariamente público que prestem
exclusivamente serviço público de atuação própria do
Estado e em regime não concorrencial” (RE 633782)
#23 – Abuso de Poder:
Caso o administrador atue fora dos limites
previamente estabelecidos no dispositivo legal,
abusará do seu poder.
Admite-se duas espécies:
Excesso de poder: administrador viola os limites
de sua competência, invadindo atribuições elencadas
a outros agentes.
Desvio de poder: administrador desvia-se do
interesse público e busca alcançar fim diverso
daquele previsto em lei.
5. Administração Indireta
#24 – Composição:
Conjunto de pessoas jurídicas, sem autonomia
política, que exercem de forma descentralizada
determinadas atividades administrativas.
São elas:
a) Autarquias;
b) Empresas Públicas;
c) Sociedades de Economia Mista;
d) Fundações Públicas;
e) Consórcios Públicos (associações públicas);
Não estão sujeitas a um vínculo de hierarquia ou
subordinação com a Administração Direta, mas,
sim, apenas supervisão ministerial.
#25 – Criação:
Autarquias e fundações de direito público: lei
específica institui diretamente as entidades.
Empresas públicas, sociedades de economia
mista e fundações públicas de direito privado: a
lei apenas autoriza sua criação. Após, deve haver
o registro dos atos constitutivos na Junta
Comercial.
#26 – Agências Reguladoras:
Autarquias em regime especial que fiscalizam a
prestação de serviços públicos por parte das
concessionárias e permissionárias.
Regime especial destas autarquias decorre da
necessidade de emprestar maior independência,
segurança e estabilidade à sua atuação.
42
#27 – Empresas Públicas e Sociedades de
Economia Mista – aspectos importantes:
Personalidade de direito privado
Regime de pessoal: CLT
Sujeição ao regime jurídico próprio das empresas
privadas, inclusive quanto aos direitos e
obrigações civis, comerciais, trabalhistas e
tributários (CF, art. 173, §1º, II)
Contratação através de concurso público (CF, art.
37, II)
Obras e serviços através de prévia licitação, em
regra (CF, art. 173, §1º).
Traços comuns Traços distintos
▪ Criação e extinção
autorizadas por lei.
▪ Personalidade jurídica
de direito privado.
▪ Sujeição ao controle
estatal.
▪ Derrogação parcial do
regime de direito
privado por normas de
direito público.
▪ Vinculação aos fins
definidos na lei
instituidora.
▪ Desempenho de
atividade de natureza
econômica e, em
algumas ocasiões, a
prestação de serviços
públicos.
▪ Forma de
organização (EP =
qualquer forma
admitida em direito;
SEM = sociedade
anônima).
▪ Composição do
capital (EP = capital
público; SEM =
capital público e
privado).
6. Responsabilidade Civil do Estado
#28 – CF, Art. 37, §6º - Responsabilidade Objetiva:
A responsabilidade civil do Estado baseia-se na
teoria do risco administrativo consagrada no
artigo 37, §6º, da Constituição Federal de 1988:
“§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e
as de direito privado prestadoras de serviços
públicos responderão pelos danos que seus
agentes, nessa qualidade, causarem a
terceiros, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.”
Requisitos:
Conduta estatal
Dano anormal e específico
Nexo de causalidade
Não há necessidade de prova de dolo ou culpa.
Por isso, a Administração Pública pode ser
responsabilizada por indenizar o particular
mesmo que tenha praticado um ato lícito.
Excludentes de responsabilidade:
Caso fortuito e força maior;
Culpa exclusiva da vítima; e
Fato de terceiro.
OBSERVAÇÃO: culpa concorrente da vítima gera
abatimento proporcional do quantum indenizatório.
Legitimidade passiva:
Tese de Repercussão Geral: “A teor do
disposto no art. 37, § 6º, da Constituição
Federal, a ação por danos causados por
agente público deve ser ajuizada contra o
Estado ou a pessoa jurídica de direito
privado prestadora de serviço público,
sendo parte ilegítima para a ação o autor
do ato, assegurado o direito de regresso
contra o responsável nos casos de dolo ou
culpa.” (RE 1027633, rel. Ministro MARCO
AURÉLIO, Pleno, 6.12.2019)
Direito de regresso contra o agente público:
A Constituição assegura ao Estado exercer o
direito de regresso contra o agente público
causador dos danos.
A responsabilidade civil do agente estatal é subjetiva,
dependente, portanto, da prova de dolo ou culpa.
7. Licitação
#29 – Modalidades de Licitação:
Lei 14.133/21: Art. 28. São modalidades de licitação:
I - pregão;
II - concorrência;
III - concurso;
IV - leilão;
V - diálogo competitivo.
§ 1º Além das modalidades referidas no caput deste
artigo, a Administração pode servir-se dos
procedimentos auxiliares previstos no art. 78 desta Lei.
§ 2º É vedada a criação de outras modalidades de
licitação ou, ainda, a combinação daquelas referidas
no caput deste artigo.
Art. 29. A concorrência e o pregão seguem o rito
procedimental comum a que se refere o art. 17 desta
Lei, adotando-se o pregão sempre que o objeto
possuir padrões de desempenho e qualidade que
possam ser objetivamente definidos pelo edital, por
meio de especificações usuais de mercado.
Parágrafo único. O pregão não se aplica às
contratações de serviços técnicos especializados de
43
natureza predominantemente intelectual e de obras e
serviços de engenharia, exceto os serviços de
engenharia de que trata a alínea “a” do inciso XXI do
caput do art. 6º desta Lei.
Art. 30. Oconcurso observará as regras e condições
previstas em edital, que indicará:
I - a qualificação exigida dos participantes;
II - as diretrizes e formas de apresentação do trabalho;
III - as condições de realização e o prêmio ou
remuneração a ser concedida ao vencedor.
Parágrafo único. Nos concursos destinados à
elaboração de projeto, o vencedor deverá ceder à
Administração Pública, nos termos do art. 93 desta Lei,
todos os direitos patrimoniais relativos ao projeto e
autorizar sua execução conforme juízo de
conveniência e oportunidade das autoridades
competentes.
Art. 31. O leilão poderá ser cometido a leiloeiro oficial
ou a servidor designado pela autoridade competente
da Administração, e regulamento deverá dispor sobre
seus procedimentos operacionais.
§ 1º Se optar pela realização de leilão por intermédio
de leiloeiro oficial, a Administração deverá selecioná-
lo mediante credenciamento ou licitação na
modalidade pregão e adotar o critério de julgamento
de maior desconto para as comissões a serem
cobradas, utilizados como parâmetro máximo os
percentuais definidos na lei que regula a referida
profissão e observados os valores dos bens a serem
leiloados.
§ 2º O leilão será precedido da divulgação do edital
em sítio eletrônico oficial, que conterá:
I - a descrição do bem, com suas características, e, no
caso de imóvel, sua situação e suas divisas, com
remissão à matrícula e aos registros;
II - o valor pelo qual o bem foi avaliado, o preço mínimo
pelo qual poderá ser alienado, as condições de
pagamento e, se for o caso, a comissão do leiloeiro
designado;
III - a indicação do lugar onde estiverem os móveis, os
veículos e os semoventes;
IV - o sítio da internet e o período em que ocorrerá o
leilão, salvo se excepcionalmente for realizado sob a
forma presencial por comprovada inviabilidade
técnica ou desvantagem para a Administração,
hipótese em que serão indicados o local, o dia e a hora
de sua realização;
V - a especificação de eventuais ônus, gravames ou
pendências existentes sobre os bens a serem
leiloados.
§ 3º Além da divulgação no sítio eletrônico oficial, o
edital do leilão será afixado em local de ampla
circulação de pessoas na sede da Administração e
poderá, ainda, ser divulgado por outros meios
necessários para ampliar a publicidade e a
competitividade da licitação.
§ 4º O leilão não exigirá registro cadastral prévio, não
terá fase de habilitação e deverá ser homologado
assim que concluída a fase de lances, superada a fase
recursal e efetivado o pagamento pelo licitante
vencedor, na forma definida no edital.
Art. 32. A modalidade diálogo competitivo é restrita a
contratações em que a Administração:
I - vise a contratar objeto que envolva as seguintes
condições:
a) inovação tecnológica ou técnica;
b) impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua
necessidade satisfeita sem a adaptação de soluções
disponíveis no mercado; e
c) impossibilidade de as especificações técnicas serem
definidas com precisão suficiente pela Administração;
II - verifique a necessidade de definir e identificar os
meios e as alternativas que possam satisfazer suas
necessidades, com destaque para os seguintes
aspectos:
a) a solução técnica mais adequada;
b) os requisitos técnicos aptos a concretizar a solução
já definida;
c) a estrutura jurídica ou financeira do contrato;
§ 1º Na modalidade diálogo competitivo, serão
observadas as seguintes disposições:
I - a Administração apresentará, por ocasião da
divulgação do edital em sítio eletrônico oficial, suas
necessidades e as exigências já definidas e
estabelecerá prazo mínimo de 25 (vinte e cinco) dias
úteis para manifestação de interesse na participação
da licitação;
II - os critérios empregados para pré-seleção dos
licitantes deverão ser previstos em edital, e serão
admitidos todos os interessados que preencherem os
requisitos objetivos estabelecidos;
III - a divulgação de informações de modo
discriminatório que possa implicar vantagem para
algum licitante será vedada;
IV - a Administração não poderá revelar a outros
licitantes as soluções propostas ou as informações
sigilosas comunicadas por um licitante sem o seu
consentimento;
V - a fase de diálogo poderá ser mantida até que a
Administração, em decisão fundamentada, identifique
a solução ou as soluções que atendam às suas
necessidades;
VI - as reuniões com os licitantes pré-selecionados
serão registradas em ata e gravadas mediante
utilização de recursos tecnológicos de áudio e vídeo;
44
VII - o edital poderá prever a realização de fases
sucessivas, caso em que cada fase poderá restringir as
soluções ou as propostas a serem discutidas;
VIII - a Administração deverá, ao declarar que o diálogo
foi concluído, juntar aos autos do processo licitatório
os registros e as gravações da fase de diálogo, iniciar
a fase competitiva com a divulgação de edital
contendo a especificação da solução que atenda às
suas necessidades e os critérios objetivos a serem
utilizados para seleção da proposta mais vantajosa e
abrir prazo, não inferior a 60 (sessenta) dias úteis, para
todos os licitantes pré-selecionados na forma do inciso
II deste parágrafo apresentarem suas propostas, que
deverão conter os elementos necessários para a
realização do projeto;
IX - a Administração poderá solicitar esclarecimentos
ou ajustes às propostas apresentadas, desde que não
impliquem discriminação nem distorçam a
concorrência entre as propostas;
X - a Administração definirá a proposta vencedora de
acordo com critérios divulgados no início da fase
competitiva, assegurada a contratação mais vantajosa
como resultado;
XI - o diálogo competitivo será conduzido por
comissão de contratação composta de pelo menos 3
(três) servidores efetivos ou empregados públicos
pertencentes aos quadros permanentes da
Administração, admitida a contratação de profissionais
para assessoramento técnico da comissão;
§ 2º Os profissionais contratados para os fins do inciso
XI do § 1º deste artigo assinarão termo de
confidencialidade e abster-se-ão de atividades que
possam configurar conflito de interesses.
#30 – Inexigibilidade de Licitação:
Lei 14.133/21: Art. 74. É inexigível a licitação quando
inviável a competição, em especial nos casos de:
I - aquisição de materiais, de equipamentos ou de
gêneros ou contratação de serviços que só possam ser
fornecidos por produtor, empresa ou representante
comercial exclusivos;
II - contratação de profissional do setor artístico,
diretamente ou por meio de empresário exclusivo,
desde que consagrado pela crítica especializada ou
pela opinião pública;
III - contratação dos seguintes serviços técnicos
especializados de natureza predominantemente
intelectual com profissionais ou empresas de notória
especialização, vedada a inexigibilidade para serviços
de publicidade e divulgação:
a) estudos técnicos, planejamentos, projetos básicos
ou projetos executivos;
b) pareceres, perícias e avaliações em geral;
c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias
financeiras ou tributárias;
d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras
ou serviços;
e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou
administrativas;
f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
g) restauração de obras de arte e de bens de valor
histórico;
h) controles de qualidade e tecnológico, análises,
testes e ensaios de campo e laboratoriais,
instrumentação e monitoramento de parâmetros
específicos de obras e do meio ambiente e demais
serviços de engenharia que se enquadrem no disposto
neste inciso;
IV - objetos que devam ou possam ser contratados por
meio de credenciamento;
V - aquisição ou locação de imóvel cujas características
de instalações e de localização tornem necessária sua
escolha.
§ 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste
artigo, a Administração deverá demonstrar a
inviabilidade de competição mediante atestado de
exclusividade, contratode exclusividade, declaração
do fabricante ou outro documento idôneo capaz de
comprovar que o objeto é fornecido ou prestado por
produtor, empresa ou representante comercial
exclusivos, vedada a preferência por marca específica.
§ 2º Para fins do disposto no inciso II do caput deste
artigo, considera-se empresário exclusivo a pessoa
física ou jurídica que possua contrato, declaração,
carta ou outro documento que ateste a exclusividade
permanente e contínua de representação, no País ou
em Estado específico, do profissional do setor artístico,
afastada a possibilidade de contratação direta por
inexigibilidade por meio de empresário com
representação restrita a evento ou local específico.
§ 3º Para fins do disposto no inciso III do caput deste
artigo, considera-se de notória especialização o
profissional ou a empresa cujo conceito no campo de
sua especialidade, decorrente de desempenho
anterior, estudos, experiência, publicações,
organização, aparelhamento, equipe técnica ou outros
requisitos relacionados com suas atividades, permita
inferir que o seu trabalho é essencial e
reconhecidamente adequado à plena satisfação do
objeto do contrato.
§ 4º Nas contratações com fundamento no inciso III do
caput deste artigo, é vedada a subcontratação de
empresas ou a atuação de profissionais distintos
daqueles que tenham justificado a inexigibilidade.
§ 5º Nas contratações com fundamento no inciso V do
caput deste artigo, devem ser observados os seguintes
requisitos:
I - avaliação prévia do bem, do seu estado de
conservação, dos custos de adaptações, quando
45
imprescindíveis às necessidades de utilização, e do
prazo de amortização dos investimentos;
II - certificação da inexistência de imóveis públicos
vagos e disponíveis que atendam ao objeto;
III - justificativas que demonstrem a singularidade do
imóvel a ser comprado ou locado pela Administração
e que evidenciem vantagem para ela.
8. Improbidade
#31 – Atos de Improbidade Administrativa que
Atentam Contra os Princípios da Administração
Pública – ROL TAXATIVO:
Lei 8.429/92: Art. 11. Constitui ato de improbidade
administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública a ação ou omissão dolosa que
viole os deveres de honestidade, de imparcialidade e
de legalidade, caracterizada por uma das seguintes
condutas:
III - revelar fato ou circunstância de que tem ciência em
razão das atribuições e que deva permanecer em
segredo, propiciando beneficiamento por informação
privilegiada ou colocando em risco a segurança da
sociedade e do Estado;
IV - negar publicidade aos atos oficiais, exceto em
razão de sua imprescindibilidade para a segurança da
sociedade e do Estado ou de outras hipóteses
instituídas em lei;
V - frustrar, em ofensa à imparcialidade, o caráter
concorrencial de concurso público, de chamamento
ou de procedimento licitatório, com vistas à obtenção
de benefício próprio, direto ou indireto, ou de
terceiros;
VI - deixar de prestar contas quando esteja obrigado a
fazê-lo, desde que disponha das condições para isso,
com vistas a ocultar irregularidades;
VII - revelar ou permitir que chegue ao conhecimento
de terceiro, antes da respectiva divulgação oficial, teor
de medida política ou econômica capaz de afetar o
preço de mercadoria, bem ou serviço.
VIII - descumprir as normas relativas à celebração,
fiscalização e aprovação de contas de parcerias
firmadas pela administração pública com entidades
privadas.
XI - nomear cônjuge, companheiro ou parente em
linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro
grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de
servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo
de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício
de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de
função gratificada na administração pública direta e
indireta em qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
compreendido o ajuste mediante designações
recíprocas;
XII - praticar, no âmbito da administração pública e
com recursos do erário, ato de publicidade que
contrarie o disposto no § 1º do art. 37 da Constituição
Federal, de forma a promover inequívoco
enaltecimento do agente público e personalização de
atos, de programas, de obras, de serviços ou de
campanhas dos órgãos públicos.
§ 1º Nos termos da Convenção das Nações Unidas
contra a Corrupção, promulgada pelo Decreto nº
5.687, de 31 de janeiro de 2006, somente haverá
improbidade administrativa, na aplicação deste artigo,
quando for comprovado na conduta funcional do
agente público o fim de obter proveito ou benefício
indevido para si ou para outra pessoa ou entidade.
§ 2º Aplica-se o disposto no § 1º deste artigo a
quaisquer atos de improbidade administrativa
tipificados nesta Lei e em leis especiais e a quaisquer
outros tipos especiais de improbidade administrativa
instituídos por lei.
§ 3º O enquadramento de conduta funcional na
categoria de que trata este artigo pressupõe a
demonstração objetiva da prática de ilegalidade no
exercício da função pública, com a indicação das
normas constitucionais, legais ou infralegais violadas.
§ 4º Os atos de improbidade de que trata este artigo
exigem lesividade relevante ao bem jurídico tutelado
para serem passíveis de sancionamento e
independem do reconhecimento da produção de
danos ao erário e de enriquecimento ilícito dos
agentes públicos.
§ 5º Não se configurará improbidade a mera
nomeação ou indicação política por parte dos
detentores de mandatos eletivos, sendo necessária a
aferição de dolo com finalidade ilícita por parte do
agente.
#32 – Prescrição:
Lei 8.429/92: Art. 23. A ação para a aplicação das
sanções previstas nesta Lei prescreve em 8 (oito) anos,
contados a partir da ocorrência do fato ou, no caso de
infrações permanentes, do dia em que cessou a
permanência.
§ 1º A instauração de inquérito civil ou de processo
administrativo para apuração dos ilícitos referidos
nesta Lei suspende o curso do prazo prescricional por,
no máximo, 180 (cento e oitenta) dias corridos,
recomeçando a correr após a sua conclusão ou, caso
não concluído o processo, esgotado o prazo de
suspensão.
§ 2º O inquérito civil para apuração do ato de
improbidade será concluído no prazo de 365
(trezentos e sessenta e cinco) dias corridos,
prorrogável uma única vez por igual período,
mediante ato fundamentado submetido à revisão da
instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva lei orgânica.
46
§ 3º Encerrado o prazo previsto no § 2º deste artigo, a
ação deverá ser proposta no prazo de 30 (trinta) dias,
se não for caso de arquivamento do inquérito civil.
§ 4º O prazo da prescrição referido no caput deste
artigo interrompe-se:
I - pelo ajuizamento da ação de improbidade
administrativa;
II - pela publicação da sentença condenatória;
III - pela publicação de decisão ou acórdão de Tribunal
de Justiça ou Tribunal Regional Federal que confirma
sentença condenatória ou que reforma sentença de
improcedência;
IV - pela publicação de decisão ou acórdão do
Superior Tribunal de Justiça que confirma acórdão
condenatório ou que reforma acórdão de
improcedência;
V - pela publicação de decisão ou acórdão do
Supremo Tribunal Federal que confirma acórdão
condenatório ou que reforma acórdão de
improcedência.
§ 5º Interrompida a prescrição, o prazo recomeça a
correr do dia da interrupção, pela metade do prazo
previsto no caput deste artigo.
§ 6º A suspensão e a interrupção da prescrição
produzem efeitos relativamente a todos os que
concorreram para a prática do ato de improbidade.
§ 7º Nos atos de improbidade conexos que sejam
objeto do mesmo processo, a suspensão e a
interrupção relativas a qualquer deles estendem-se
aos demais.
§ 8º O juiz ou o tribunal, depois de ouvido o Ministério
Público, deverá, de ofício ou a requerimento da parte
interessada, reconhecer a prescrição intercorrente dapretensão sancionadora e decretá-la de imediato,
caso, entre os marcos interruptivos referidos no § 4º,
transcorra o prazo previsto no § 5º deste artigo.
Art. 23-A. É dever do poder público oferecer contínua
capacitação aos agentes públicos e políticos que
atuem com prevenção ou repressão de atos de
improbidade administrativa.
Art. 23-B. Nas ações e nos acordos regidos por esta Lei,
não haverá adiantamento de custas, de preparo, de
emolumentos, de honorários periciais e de quaisquer
outras despesas.
§ 1º No caso de procedência da ação, as custas e as
demais despesas processuais serão pagas ao final.
§ 2º Haverá condenação em honorários sucumbenciais
em caso de improcedência da ação de improbidade
se comprovada má-fé.
Art. 23-C. Atos que ensejem enriquecimento ilícito,
perda patrimonial, desvio, apropriação,
malbaratamento ou dilapidação de recursos públicos
dos partidos políticos, ou de suas fundações, serão
responsabilizados nos termos da Lei nº 9.096, de 19 de
setembro de 1995.
DIREITO AMBIENTAL
#01 – Resolução CONAMA n.º 237/97:
“Art. 1º (...)
I - Licenciamento Ambiental: procedimento
administrativo pelo qual o órgão ambiental
competente licencia a localização, instalação,
ampliação e a operação de empreendimentos e
atividades utilizadoras de recursos ambientais,
consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras
ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar
degradação ambiental, considerando as disposições
legais e regulamentares e as normas técnicas
aplicáveis ao caso.”
Destaque-se, portanto, que o licenciamento
ambiental é um procedimento exigido previamente à
construção, instalação, ampliação ou funcionamento
das atividades. Ele é, pois, um pré-requisito para que
a viabilidade ambiental do empreendimento seja
atestada.
Se o licenciamento ambiental é um procedimento
administrativo, pode-se afirmar que as licenças
ambientais são atos administrativos.
#02 – Lei Complementar nº 140/2011:
46
Em regra, o ente responsável pelo licenciamento
de tais atividades é aquele que instituiu a respectiva
UC.
Os empreendimentos e atividades são
licenciados ou autorizados por um único ente
federativo (LC nº 140/11, art. 13).
O decurso dos prazos de licenciamento sem a
emissão da licença ambiental não implica emissão
tácita nem autoriza a prática de ato que dela dependa
ou decorra (art. 14, § 3º).
Renovação das licenças: é importante destacar
que a antecedência mínima para requerê-la é de 120
dias da expiração de seu prazo de validade, ficando
este automaticamente prorrogado até a manifestação
definitiva do órgão ambiental competente (art. 18, §
4º).
#03 – Art. 225 da Constituição Federal:
“Art. 225 Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
se ao Poder Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações.”
O direito ao meio ambiente independe de cor,
raça, credo, condição social ou econômica ou
quaisquer outros fatores.
“Ecologicamente equilibrado”: aquele que
mantenha os processos ecológicos de tal modo a
possibilitar as relações que mantêm a qualidade
ambiental e os o bem-estar das populações.
Meio ambiente: bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida.
É direito fundamental da pessoa humana, sendo
considerado um direito de terceira geração, pois
está relacionado a aspectos transindividuais.
As usinas que operem com reator nuclear
deverão ter sua localização definida em lei federal,
sem o que não poderão ser instaladas (CF, art. 225,
§6º).
#04 – Competências Ambientais na CFRB/1988:
Repartição de competências: está fundada no
critério da predominância do interesse. Assim,
competem à União assuntos de interesse nacional;
aos estados, temas de interesse regional; e aos
municípios, assuntos de interesse local.
As competências materiais da União são
indelegáveis (exclusivas).
A responsabilidade civil por danos nucleares
independe da existência de culpa, assim como é
entendida a responsabilidade civil ambiental como
um todo = responsabilidade civil objetiva!
As competências legislativas da União são
privativas, mas delegáveis, na medida em que lei
complementar pode autorizar os estados a legislar
sobre questões específicas – art. 22, parágrafo único).
#05 – Princípios da Prevenção e da Precaução:
Princípio da prevenção: preconiza uma ideia de
prevenção de riscos no tocante a atividades de vasto
conhecimento humano, isto é, para as quais o risco
seja certo, conhecido (há um razoável nível de certeza
científica do potencial de dano ambiental).
A premissa é a de que os danos ao ambiente são,
em regra, de difícil reparação, enaltecendo a
importância de evitar (prevenir) para não ter de
remediar depois.
Princípio da precaução: trabalha com a ideia de
um alto grau de incerteza científica! É recomendável
que o poder público não libere a atividade
supostamente impactante até que haja uma evolução
científica a fim de melhor analisar a natureza e a
extensão dos potenciais males ambientais (in dubio
pro natura, in dubio pro salute – na dúvida, deve-se
adotar a medida mais protetora ao meio ambiente
e/ou à saúde).
Com base neste princípio: Súmula 618/STJ - “A
inversão do ônus da prova aplica-se às ações de
degradação ambiental”.
#06 – Fundamentos da PNRH:
É válido destacar os fundamentos da Política
Nacional de Recursos Hídricos (Lei 9.433/97), a seguir
transcritos:
“Art. 1º A Política Nacional de Recursos Hídricos
baseia-se nos seguintes fundamentos:
I - a água é um bem de domínio público;
II - a água é um recurso natural limitado, dotado de
valor econômico;
III - em situações de escassez, o uso prioritário dos
recursos hídricos é o consumo humano e a
dessedentação de animais;
IV - a gestão dos recursos hídricos deve sempre
proporcionar o uso múltiplo das águas;
V - a bacia hidrográfica é a unidade territorial para
implementação da Política Nacional de Recursos
Hídricos e atuação do Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos;
VI - a gestão dos recursos hídricos deve ser
descentralizada e contar com a participação do
Poder Público, dos usuários e das comunidades.”
#07 – Sistema Nacional do Meio Ambiente:
Órgão superior do SISNAMA: Conselho de
Governo. Função básica: assessorar o Presidente da
República nas estratégias relacionadas à política
ambiental do país.
Órgão consultivo e deliberativo: Conselho
Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Função
47
básica: assessorar, estudar e propor ao Conselho de
Governo, diretrizes de políticas governamentais para
o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no
âmbito de sua competência, sobre normas e padrões
compatíveis com o meio ambiente ecologicamente
equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida.
Órgão central: desde a promulgação da Lei nº
8.490/1992, o órgão central é, na realidade, o
Ministério do Meio Ambiente. Função básica:
planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como
órgão federal, a política nacional e as diretrizes
governamentais fixadas para o meio ambiente.
Órgãos executores: o Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA e o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade - ICMBio, com a
finalidade de executar e fazer executar a política e as
diretrizes governamentais fixadas para o meio
ambiente, de acordo com as respectivas
competências.
Cada estado da Federação tem o dever de
organizar sua própria estrutura de atuação ambiental,
sobretudo por meio de atribuições executoras.
Similarmente, os órgãos municipais também são
importantes atores dentro da estrutura ambiental do
país por se encontrarem mais próximos das realidades
locais e terem, portanto, mais condições de exercer as
funções de controle e fiscalização ambiental dentro
dolimite de sua competência.
#08 – Conceitos importantes do SNUC - Sistema
Nacional de Unidades de Conservação da Natureza
– SNUC (Lei 9.985/2000):
Unidade de conservação (art. 2º, I):
“espaço territorial e seus recursos ambientais,
incluindo as águas jurisdicionais, com características
naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder
Público, com objetivos de conservação e limites
definidos, sob regime especial de administração, ao
qual se aplicam garantias adequadas de proteção.”
Conservação da natureza (art. 2º, II):
“o manejo do uso humano da natureza,
compreendendo a preservação, a manutenção, a
utilização sustentável, a restauração e a recuperação
do ambiente natural, para que possa produzir o maior
benefício, em bases sustentáveis, às atuais gerações,
mantendo seu potencial de satisfazer as necessidades
e aspirações das gerações futuras, e garantindo a
sobrevivência dos seres vivos em geral;”
Uso sustentável (art. 2º, XI):
“exploração do ambiente de maneira a garantir a
perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos
processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e
os demais atributos ecológicos, de forma socialmente
justa e economicamente viável;”
#09 – APP x RL:
Área de Preservação Permanente - APP: área
protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com
a função ambiental de preservar os recursos hídricos,
a paisagem, a estabilidade geológica e a
biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e
flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas;
Na prática, as APPs são áreas presentes no
entorno de corpos de água ou outros locais
ambientalmente relevantes, como encostas,
chapadas, biomas específicos etc.
Reserva Legal: área localizada no interior de uma
propriedade ou posse rural com a função de
assegurar o uso econômico de modo sustentável dos
recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a
conservação e a reabilitação dos processos
ecológicos e promover a conservação da
biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de
fauna silvestre e da flora nativa;
A reserva legal se aplica somente aos imóveis
rurais. A ideia da reserva legal é que todo imóvel rural
mantenha área com cobertura de vegetação nativa.
#10 – Educação Ambiental:
Lei 9.795/99, art. 1º: “Entendem-se por educação
ambiental os processos por meio dos quais o
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem
de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade
de vida e sua sustentabilidade.”
Agora atenção, pessoal: em regra, a
educação ambiental NÃO deve ser
implantada como disciplina específica no
currículo de ensino! Isso porque ela deve
ser abordada de forma inter, multi e
transdisciplinar com as demais
disciplinas regulares dos cursos.
#11 – Conceito de Meio Ambiente:
Lei 6.938/81, art. 3º, I:
“Art 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se
por:
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis,
influências e interações de ordem física, química e
biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas
as suas formas;”
#12 – Fontes do Direito Ambiental:
48
#13 – Responsabilidade Ambiental:
As pessoas físicas ou jurídicas que causarem dano
ambiental estão sujeitas à responsabilização nas
esferas penal, administrativa e civil!
A responsabilidade das pessoas jurídicas não
exclui a das pessoas físicas, autoras, coautoras ou
partícipes do mesmo fato!
A teoria da dupla imputação necessária se
aplica ao Direito Ambiental? Não! O STF (RE
548.181/PR) reconheceu a possibilidade de se
processar penalmente uma pessoa jurídica, mesmo
não havendo ação penal em curso contra pessoa física
com relação ao crime.
Pessoa jurídica pode ser desconsiderada sempre
que sua personalidade for obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do
meio ambiente (art. 4º da Lei nº 9.605/98).
Teoria do Risco Integral: não se admite a
existência de excludentes do nexo causal, como o fato
de terceiro, caso fortuito ou a força maior (REsp
1818008/RO).
DIREITO CIVIL
1. Parte Geral
#01 – Pessoas Naturais
Capacidade: é a medida da personalidade.
Pessoas com deficiência são plenamente capazes;
não são nem absolutamente nem relativamente
capazes. Excepcionalmente, se sujeitam à curatela.
Emancipação: Aquisição da plena
capacidade antes dos 18 anos. Hipóteses:
Voluntária: pela concessão dos pais, ou de um deles na
falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial
Judicial: por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver 16 anos completos
Pelo casamento
Pelo exercício de emprego público efetivo
Pela colação de grau em curso de ensino superior
Pelo estabelecimento civil ou comercial, desde que, em
função dele, o menor com 16 anos completos tenha
economia própria
Pela existência de relação de emprego, desde que, em
função dela, o menor com 16 anos completos tenha
economia própria
Presunção de morte:
Direta (sem ausência): Se for extremamente provável a
morte de quem estava em perigo de vida (casos de
acidentes aéreos no mar, desaparecido durante uma
nevasca numa expedição de montanhismo, um jornalista
em uma zona de distúrbio civil etc.) Ou, se alguém,
desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for
encontrado até 2 (dois) anos após o término da guerra. A
declaração da morte presumida, nesses casos, somente
poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e
averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do
falecimento.
Indireta (com ausência – abertura da sucessão definitiva):
Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela
haver notícia, se não houver deixado representante ou
procurador a quem caiba administrar-lhe os bens. Também
se declarará a ausência quando o ausente deixar
mandatário que não queira ou não possa exercer ou
continuar o mandato, ou se os seus poderes forem
insuficientes.
#02 – Pessoas Jurídicas
Desconsideração da personalidade jurídica:
49
#03 – Fato jurídico
Vícios de Consentimento:
Erro: Falta representação psicológica da realidade
Dolo: Induzir alguém em erro
Coação: Medo de dano a si, à família, a outrem ou aos bens
Estado de perigo: alguém, premido da necessidade de
salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano
conhecido pela outra parte, assume obrigação
excessivamente onerosa
Lesão: Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação
manifestamente desproporcional ao valor da prestação
oposta
Nulidades e Anulabilidades:
Causas de Nulidades: Menoridade (menores de 16 anos);
Má-fé; Iniquidade; Simulação (vício social); Motivo
determinante ilícito; Objeto ilícito, impossível ou
indeterminado; Ausência de forma determinada em lei ou
seguimento de forma proibida.
Causas de Anulabilidade: Fala de assistência
(relativamente incapazes); Maiores de 16 anos e menores
de 18 anos; Ébrios habituais e os viciados em tóxico;
Aqueles que, por causa transitória ou permanente, não
puderem exprimir sua vontade; Pródigos; Vícios de
Consentimento: erro, dolo, coação, estado de perigo e
lesão.
A anulabilidade convalesce pelo decurso do tempo. O
prazo decadencial é de 4 anos para pleitear a anulação
do negócio jurídico, contados:
Coação – do dia em que ela cessar;
Erro/Dolo/Fraude contra credores/Estado de
perigo/Lesão – do dia em que se realizou o negócio
jurídico;
Atos de incapazes – do dia em que cessar a incapacidade.
Quando a lei dispuser que determinado ato é
anulável, mas não estabelecer prazo para
pleitear anulação, será de 2 anos a contar da
data da conclusão.
Condição, Termo e Encargo:
CONDIÇÃO TERMO ENCARGO
Evento Futuro
e
Evento Futuro
e
Cláusula
acessória
Incerto – “Se” Certo –
“Quando”
à liberalidade –
“Como/Desde
que”Quando
suspensiva:
suspende a
aquisição
e o exercício
do direito –
Não gera
direito
adquirido
Quando
suspensivo:
Não impede a
aquisição,
mas apenas o
exercício –
Gera direito
adquirido
Não impede a
aquisição, nem
o exercício
#04 – Prescrição:
Prescrição da pretensão de reparação civil
extracontratual: 3 anos
Prescrição da pretensão de reparação civil
contratual: 10 anos por ausência de previsão legal
A prescrição intercorrente observará o
mesmo prazo de prescrição da
pretensão, observadas as causas de
impedimento, de suspensão e de
interrupção da prescrição previstas no
CC/02 e no CPC.
CC. Art. 205. A prescrição ocorre em dez anos,
quando a lei não lhe haja fixado prazo menor.
Art. 206. Prescreve:
§ 1º Em um ano:
I - a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de
víveres destinados a consumo no próprio
estabelecimento, para o pagamento da hospedagem
ou dos alimentos;
II - a pretensão do segurado contra o segurador, ou a
deste contra aquele, contado o prazo:
a) para o segurado, no caso de seguro de
responsabilidade civil, da data em que é citado para
responder à ação de indenização proposta pelo
terceiro prejudicado, ou da data que a este indeniza,
com a anuência do segurador;
b) quanto aos demais seguros, da ciência do fato
gerador da pretensão;
III - a pretensão dos tabeliães, auxiliares da justiça,
serventuários judiciais, árbitros e peritos, pela
percepção de emolumentos, custas e honorários;
IV - a pretensão contra os peritos, pela avaliação dos
bens que entraram para a formação do capital de
sociedade anônima, contado da publicação da ata da
assembléia que aprovar o laudo;
V - a pretensão dos credores não pagos contra os
sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo
50
da publicação da ata de encerramento da liquidação
da sociedade.
§ 2º Em dois anos, a pretensão para haver prestações
alimentares, a partir da data em que se vencerem.
§ 3º Em três anos:
I - a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos
ou rústicos;
II - a pretensão para receber prestações vencidas de
rendas temporárias ou vitalícias;
III - a pretensão para haver juros, dividendos ou
quaisquer prestações acessórias, pagáveis, em
períodos não maiores de um ano, com capitalização
ou sem ela;
IV - a pretensão de ressarcimento de enriquecimento
sem causa;
V - a pretensão de reparação civil;
VI - a pretensão de restituição dos lucros ou
dividendos recebidos de má-fé, correndo o prazo da
data em que foi deliberada a distribuição;
VII - a pretensão contra as pessoas em seguida
indicadas por violação da lei ou do estatuto, contado
o prazo:
a) para os fundadores, da publicação dos atos
constitutivos da sociedade anônima;
b) para os administradores, ou fiscais, da
apresentação, aos sócios, do balanço referente ao
exercício em que a violação tenha sido praticada, ou
da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar
conhecimento;
c) para os liquidantes, da primeira assembléia
semestral posterior à violação;
VIII - a pretensão para haver o pagamento de título de
crédito, a contar do vencimento, ressalvadas as
disposições de lei especial;
IX - a pretensão do beneficiário contra o segurador, e
a do terceiro prejudicado, no caso de seguro de
responsabilidade civil obrigatório.
§ 4º Em quatro anos, a pretensão relativa à tutela, a
contar da data da aprovação das contas.
§ 5º Em cinco anos:
I - a pretensão de cobrança de dívidas líquidas
constantes de instrumento público ou particular;
II - a pretensão dos profissionais liberais em geral,
procuradores judiciais, curadores e professores pelos
seus honorários, contado o prazo da conclusão dos
serviços, da cessação dos respectivos contratos ou
mandato;
III - a pretensão do vencedor para haver do vencido o
que despendeu em juízo.
Art. 206-A. A prescrição intercorrente observará o
mesmo prazo de prescrição da pretensão, observadas
as causas de impedimento, de suspensão e de
interrupção da prescrição previstas neste Código e
observado o disposto no art. 921 da Lei nº 13.105, de
16 de março de 2015 (Código de Processo Civil).
2. Direito das Obrigações
#05 – Modalidades das Obrigações
Obrigação de dar coisa certa: abrange os
acessórios, ainda que não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do
caso.
Perecimento: Se a coisa se perder, sem culpa do devedor,
antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica
resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda
resultar de culpa do devedor, responderá este pelo
equivalente e mais perdas e danos.
Deterioração:
Sem culpa do devedor: poderá o credor
resolver a obrigação, ou aceitar a coisa,
abatido de seu preço o valor que perdeu.
Com culpa do devedor: poderá o credor
exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no
estado em que se acha, com direito a
reclamar, em um ou em outro caso,
indenização das perdas e danos.
Das Obrigações Alternativas: Nas obrigações
alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não
se estipulou. Quando a escolha couber ao credor e uma
das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor,
o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o
valor da outra, com perdas e danos; se, por culpa do
devedor, ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis,
poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas,
além da indenização por perdas e danos.
Das Obrigações Solidárias: Há solidariedade, quando na
mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de
um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida
toda. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da
vontade das partes.
Solidariedade Ativa: Cada um dos credores solidários
tem direito a exigir do devedor o cumprimento da
prestação por inteiro. O pagamento feito a um dos
credores solidários extingue a dívida até o montante do
que foi pago. Convertendo-se a prestação em perdas e
danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade.
Solidariedade Passiva: o credor tem direito a exigir e
receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou
totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido
parcial, todos os demais devedores continuam obrigados
solidariamente pelo resto. Não importará renúncia da
solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um
ou alguns dos devedores. Impossibilitando-se a prestação
por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para
todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas
e danos só responde o culpado.
51
Art. 282. O credor pode renunciar à
solidariedade em favor de um, de alguns ou
de todos os devedores. Parágrafo único. Se o
credor exonerar da solidariedade um ou mais
devedores, subsistirá a dos demais.
Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por
inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-
devedores a sua quota, dividindo-se
igualmente por todos a do insolvente, se o
houver, presumindo-se iguais, no débito, as
partes de todos os co-devedores.
Art. 284. No caso de rateio entre os co-
devedores, contribuirão também os
exonerados da solidariedade pelo credor,
pela parte que na obrigação incumbia ao
insolvente.
#06 – Do Adimplemento e Inadimplemento da
Obrigação
O terceiro não interessado, que paga a dívida em seu
próprio nome, tem direito a reembolsar-se do que
pagar; mas não se sub-roga nos direitos do credor.
Se pagar antes de vencida a dívida, só terá direito ao
reembolso no vencimento.
O pagamento feito por terceiro, com
desconhecimento ou oposição do devedor, não
obriga a reembolsar aquele que pagou, se o devedor
tinha meios para ilidir a ação.
Não cumprida a obrigação, responde o devedor por
perdas e danos, mais juros e atualização monetária
segundo índices oficiais regularmente estabelecidos,
e honorários de advogado.
#07 - Das Arras ou Sinal
Nas Arras Penintenciais:
Quem pagou o sinal e não executou
o contrato: A outra parte pode desfazero
contrato e reter os valores.
Quem recebeu o sinal e não executou o
contrato: devolução do sinal mais o seu
equivalente, com atualização monetária, juros e
honorários de advogado.
3. Direito dos Contratos
#08 – Dos Contratos em Geral
Art. 421-A. Os contratos civis e
empresariais presumem-se paritários e
simétricos até a presença de elementos
concretos que justifiquem o afastamento
dessa presunção, ressalvados os regimes
jurídicos previstos em leis especiais,
garantido também que:
I - as partes negociantes poderão estabelecer
parâmetros objetivos para a interpretação das
cláusulas negociais e de seus pressupostos de revisão
ou de resolução;
II - a alocação de riscos definida pelas partes deve ser
respeitada e observada; e
III - a revisão contratual somente ocorrerá de maneira
excepcional e limitada.
Vícios Redibitórios: A coisa recebida em virtude de
contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou
defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é
destinada, ou lhe diminuam o valor. Essa previsão se aplica
também às doações onerosas. Se o alienante conhecia o
vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com
perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá
o valor recebido, mais as despesas do contrato. A
responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa
pereça em poder do alienatário, se perecer por vício
oculto, já existente ao tempo da tradição.
Prazos:
Bens móveis: 30 dias
(contado a partir da tradição)
Bens imóveis: 1 ano (contado
a partir da tradição)
Exceções:
1. Se o sujeito já estava na
posse do bem o prazo cai pela metade,
contado da conclusão do negócio;
2. Quando o vício se conhece posteriormente,
começa a contar o prazo de seu
conhecimento. Limita-se o prazo total a 180
dias (bens móveis) ou 1 ano (bens imóveis).
O adquirente deve denunciar o defeito ao
alienante nos 30 dias seguintes ao seu
descobrimento, sob pena de decadência.
Da Evicção: É a perda judicial da coisa, em virtude de
sentença judicial, por quem a possuía como sua, em favor
de terceiro, detentor de direito anterior sobre ela. Podem
as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou
excluir a responsabilidade pela evicção. Não pode,
contudo, o adquirente demandar pela evicção, se sabia
que a coisa era alheia ou litigiosa.
Da Exceção de Contrato não Cumprido: Nos contratos
bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a
sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro. Se,
depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes
contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de
comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se
obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe
52
incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou
dê garantia bastante de satisfazê-la.
#09 – Dos Contratos em Espécie
Da Compra e Venda: A compra e venda pode ter por
objeto coisa atual ou futura. Neste caso, ficará sem efeito o
contrato se esta não vier a existir, salvo se a intenção das
partes era de concluir contrato aleatório. A fixação do
preço pode ser deixada ao arbítrio de terceiro, que os
contratantes logo designarem ou prometerem designar.
Se o terceiro não aceitar a incumbência, ficará sem efeito o
contrato, salvo quando acordarem os contratantes
designar outra pessoa.
Nulo é o contrato de compra e venda, quando
se deixa ao arbítrio exclusivo de uma das
partes a fixação do preço.
É anulável a venda de ascendente a
descendente, salvo se os outros
descendentes e o cônjuge do alienante
expressamente houverem consentido. Em
ambos os casos, dispensa-se o consentimento
do cônjuge se o regime de bens for o da
separação obrigatória. Já a doação de
ascendentes a descendentes, ou de um
cônjuge a outro, dispensa consentimento pois
importa adiantamento do que lhes cabe por
herança.
Sob pena de nulidade, não
podem ser comprados, ainda que em
hasta pública, pelos servidores
públicos, em geral, os bens ou direitos
da pessoa jurídica a que servirem, ou
que estejam sob sua administração
direta ou indireta;
Se, na venda de um imóvel, se estipular o
preço por medida de extensão, ou se
determinar a respectiva área, e esta não
corresponder, em qualquer dos casos, às
dimensões dadas, o comprador terá o direito
de exigir o complemento da área, e, não
sendo isso possível, o de reclamar a resolução
do contrato ou abatimento proporcional ao
preço (venda ad mensuram). Não haverá
complemento de área, nem devolução de
excesso, se o imóvel for vendido como coisa
certa e discriminada, tendo sido apenas
enunciativa a referência às suas dimensões,
ainda que não conste, de modo expresso, ter
sido a venda ad corpus.
Contrato de Doação: contrato em que uma pessoa, por
liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou
vantagens para o de outra. A doação far-se-á por escritura
pública ou instrumento particular. A doação verbal será
válida, se, versando sobre bens móveis e de pequeno
valor, se lhe seguir incontinenti a tradição.
Se o donatário for absolutamente incapaz,
dispensa-se a aceitação, desde que se trate de
doação pura.
A doação pode ser revogada por ingratidão
(ex: injúria grave, calúnia, ofensa física, tentou
contra a vida do doador ou cometeu crime de
homicídio doloso contra ele) do donatário, ou
por inexecução do encargo. Não se pode
renunciar antecipadamente o direito de
revogar a liberalidade por ingratidão do
donatário. A doação onerosa pode ser
revogada por inexecução do encargo, se o
donatário incorrer em mora.
CC. Art.564: Não se revogam por ingratidão:
I - as doações puramente remuneratórias;
II - as oneradas com encargo já cumprido;
III - as que se fizerem em cumprimento de obrigação
natural;
IV - as feitas para determinado casamento.
Da Locação de Coisas: Na locação de coisas, uma das
partes se obriga a ceder à outra, por tempo determinado
ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa
retribuição. Se, findo o prazo, o locatário continuar na
posse da coisa alugada, sem oposição do locador,
presumir-se-á prorrogada a locação pelo mesmo aluguel,
mas sem prazo determinado. Se, notificado o locatário, não
restituir a coisa, pagará, enquanto a tiver em seu poder, o
aluguel que o locador arbitrar, e responderá pelo dano
que ela venha a sofrer, embora proveniente de caso
fortuito.
Do Empréstimo: Comodato e Mútuo
Comodato - O comodato é o empréstimo gratuito
de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a tradição
do objeto. O comodatário é obrigado a conservar,
como se sua própria fora, a coisa emprestada, não
podendo usá-la senão de acordo com o contrato
ou a natureza dela, sob pena de responder por
perdas e danos. O comodatário constituído em
mora, além de por ela responder, pagará, até
restituí-la, o aluguel da coisa que for arbitrado pelo
comodante. Se, correndo risco o objeto do
comodato juntamente com outros do
comodatário, antepuser este a salvação dos seus
abandonando o do comodante, responderá pelo
dano ocorrido, ainda que se possa atribuir a caso
fortuito, ou força maior.
Mútuo - O mútuo é o empréstimo de coisas
fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao
mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo
gênero, qualidade e quantidade. Este empréstimo
transfere o domínio da coisa emprestada ao
mutuário, por cuja conta correm todos os riscos
dela desde a tradição.
Da Empreitada: O empreiteiro de uma obra pode
contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os
materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se
presume; resulta da lei ou da vontade das partes. O
contrato para elaboração de um projeto não implica a
obrigação de executá-lo, ou de fiscalizar-lhe a execução.
Quando o empreiteiro fornece os materiais, correm por
53
sua conta os riscos até o momento da entrega da obra, a
contento de quem a encomendou, se este não estiver em
mora de receber. Mas se estiver, por sua conta correrãoos
riscos. Se o empreiteiro só forneceu mão-de-obra, todos os
riscos em que não tiver culpa correrão por conta do dono.
Da Comissão: O contrato de comissão tem por objeto a
aquisição ou a venda de bens pelo comissário, em seu
próprio nome, à conta do comitente.
Da Agência e Distribuição: Pelo contrato de agência,
uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem
vínculos de dependência, a obrigação de promover, à
conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos
negócios, em zona determinada, caracterizando-se a
distribuição quando o agente tiver à sua disposição a
coisa a ser negociada. O proponente pode conferir
poderes ao agente para que este o represente na
conclusão dos contratos.
Da Corretagem: Pelo contrato de corretagem, uma
pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de
prestação de serviços ou por qualquer relação de
dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou
mais negócios, conforme as instruções recebidas. O
corretor é obrigado a executar a mediação com diligência
e prudência, e a prestar ao cliente, espontaneamente,
todas as informações sobre o andamento do negócio. Sob
pena de responder por perdas e danos, o corretor prestará
ao cliente todos os esclarecimentos acerca da segurança
ou do risco do negócio, das alterações de valores e de
outros fatores que possam influir nos resultados da
incumbência.
Do Contrato de Fiança: Pelo contrato de fiança, uma
pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação
assumida pelo devedor, caso este não a cumpra. A fiança
dar-se-á por escrito, e não admite interpretação extensiva.
O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem
direito a exigir, até a contestação da lide, que sejam
primeiro executados os bens do devedor. Se o fiador
alegar esse benefício de ordem, ele deve nomear bens
do devedor, sitos no mesmo município, livres e
desembargados, quantos bastem para solver o débito.
Art. 828. Não aproveita este benefício ao
fiador:
I - se ele o renunciou expressamente;
II - se se obrigou como principal pagador, ou
devedor solidário;
III - se o devedor for insolvente, ou falido.
4. Responsabilidade Civil
#10 – Da Obrigação de Indenizar
Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo. Haverá obrigação de reparar o
dano, independentemente de culpa, nos casos
especificados em lei, ou quando a atividade
normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem.
Atos Ilícitos: Aquele que, por
ação ou omissão voluntária, negligência
ou imprudência, violar direito e causar
dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato
ilícito.
Também comete ato ilícito o titular de um direito que,
ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-
fé ou pelos bons costumes.
CC. Art. 188. Não constituem atos ilícitos:
I - os praticados em legítima defesa ou no exercício
regular de um direito reconhecido;
II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a
lesão a pessoa, a fim de remover perigo iminente.
Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será
legítimo somente quando as circunstâncias o
tornarem absolutamente necessário, não excedendo
os limites do indispensável para a remoção do perigo.
Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do
inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo,
assistir-lhes-á direito à indenização do prejuízo que
sofreram. Se o perigo ocorrer por culpa de terceiro,
contra este terá o autor do dano ação regressiva para
haver a importância que tiver ressarcido ao lesado. A
mesma ação competirá contra aquele em defesa de
quem se causou o dano (art. 188, inciso I).
Essas pessoas responderão pelos atos praticados
pelos terceiros ali referidos ainda que não haja
culpa de sua parte (responsabilidade objetiva).
54
Aquele que ressarcir o dano causado por outrem
pode reaver o que houver pago daquele por quem
pagou, salvo se o causador do dano for
descendente seu, absoluta ou relativamente
incapaz.
O dono de edifício ou construção responde pelos
danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de
falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta.
Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde
pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou
forem lançadas em lugar indevido.
#11 – Da Indenização:
A indenização mede-se pela extensão do dano.
CC. Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à
saúde, o ofensor indenizará o ofendido das despesas
do tratamento e dos lucros cessantes até ao fim da
convalescença, além de algum outro prejuízo que o
ofendido prove haver sofrido.
Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o
ofendido não possa exercer o seu ofício ou profissão,
ou se lhe diminua a capacidade de trabalho, a
indenização, além das despesas do tratamento e
lucros cessantes até ao fim da convalescença, incluirá
pensão correspondente à importância do trabalho
para que se inabilitou, ou da depreciação que ele
sofreu. Parágrafo único: O prejudicado, se preferir,
poderá exigir que a indenização seja arbitrada e paga
de uma só vez.
O disposto acima aplica-se ainda no caso de
indenização devida por aquele que, no exercício de
atividade profissional, por negligência, imprudência
ou imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe
o mal, causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho.
5. Direito das Coisas
#12 – Classificação da Posse
A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e
desde o momento em que as circunstâncias façam
presumir que o possuidor não ignora que possui
indevidamente.
# 13 – Efeitos da Posse: O possuidor tem direito a
ser mantido na posse em caso de turbação,
restituído no de esbulho, e segurado de violência
iminente, se tiver justo receio de ser molestado. O
possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se
ou restituir-se por sua própria força, contanto que o
faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não
podem ir além do indispensável à manutenção, ou
restituição da posse. Não obsta à manutenção ou
reintegração na posse a alegação de propriedade, ou
de outro direito sobre a coisa.
O possuidor de má-fé responde por todos os frutos
colhidos e percebidos, bem como pelos que, por culpa
sua, deixou de perceber, desde o momento em que se
constituiu de má-fé; tem direito às despesas da produção
e custeio.
O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das
benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto às
voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando
o puder sem detrimento da coisa, e poderá exercer o
direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias
e úteis. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente
as benfeitorias necessárias; não lhe assiste o direito de
retenção pela importância destas, nem o de levantar as
voluptuárias.
#14 – Dos Direitos Reais
Os direitos reais sobre coisas móveis, quando
constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se
adquirem com a tradição. Os direitos reais sobre imóveis
constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se
adquirem com o registro no Cartório de Registro de
Imóveis dos referidos títulos salvo os casos expressos no
Código Civil.
#14 – Usucapião:
Ordinária: Rural e urbana; Prazo de 10 anos; Requisitos:
Boa-fé, com justo título
Extraordinária: Rural e urbana; Prazo de 15 anos - reduz
para 10 anos se o possuidor estabeleceu sua moradia ou
realizou obras/serviços de caráter produtivo.
Constitucional: Rural e urbana; Prazo de 5 anos; Pode ser:
• Urbano (Especial, Pro moradia): Área de até 250 m²; Sem
oposição; Moradia sua ou de família; Não ser proprietário
de outro imóvel; Não pode usucapir deste modo mais de
uma vez;
• Rurais (Especial, Pro labore): Área de até 50 ha; Sem
oposição; Tornar produtiva e ter moradia; Não ser
proprietário de outro imóvel.
Familiar: Somente urbana; Prazo de 2 anos; Requisitos:intervenção
pontual e sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida
surgida em relação a fatos, a documentos ou a
afirmações que influam na decisão;
XIII - examinar, em qualquer órgão dos Poderes
Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública
em geral, autos de processos findos ou em
andamento, mesmo sem procuração, quando não
estiverem sujeitos a sigilo ou segredo de justiça,
assegurada a obtenção de cópias, com possibilidade
de tomar apontamentos;
As autoridades e os servidores públicos dos
Poderes da República, os serventuários da
Justiça e os membros do Ministério Público
devem dispensar ao advogado, no exercício
da profissão, tratamento compatível com a
dignidade da advocacia e condições
adequadas a seu desempenho, preservando
e resguardando, de ofício, a imagem, a
reputação e a integridade do advogado nos
termos desta Lei. Durante as audiências de
instrução e julgamento realizadas no Poder
Judiciário, nos procedimentos de jurisdição
contenciosa ou voluntária, os advogados do
autor e do requerido devem permanecer no
mesmo plano topográfico e em posição
equidistante em relação ao magistrado que as
presidir.
A medida judicial cautelar que importe na
violação do escritório ou do local de trabalho
do advogado será determinada em hipótese
excepcional, desde que exista fundamento
em indício, pelo órgão acusatório. Deve,
ainda, ser cumprida na presença de
representante da OAB. É vedada a
determinação dessa medida se fundada
exclusivamente em elementos produzidos
em declarações do colaborador sem
confirmação por outros meios de prova.
O representante da OAB que acompanhar a
medida tem o direito a ser respeitado pelos
agentes responsáveis pelo cumprimento do
mandado de busca e apreensão, sob pena de
abuso de autoridade, e o dever de zelar pelo
fiel cumprimento do objeto da investigação,
bem como de impedir que documentos,
mídias e objetos não relacionados à
investigação, especialmente de outros
processos do mesmo cliente ou de outros
clientes que não sejam pertinentes à
persecução penal, sejam analisados,
fotografados, filmados, retirados ou
apreendidos do escritório de advocacia.
7
No caso de inviabilidade técnica quanto à
segregação da documentação, da mídia ou
dos objetos não relacionados à investigação,
em razão da sua natureza ou volume, no
momento da execução da decisão judicial de
apreensão ou de retirada do material, a cadeia
de custódia preservará o sigilo do seu
conteúdo, assegurada a presença do
representante da OAB.
É vedado ao advogado efetuar colaboração
premiada contra quem seja ou tenha sido seu
cliente, e a inobservância disso importará em
processo disciplinar, que poderá culminar
com a aplicação da sanção de exclusão, sem
prejuízo das penas previstas no art. 154 do
Código Penal.
Cabe, privativamente, ao Conselho Federal da
OAB, em processo disciplinar próprio, dispor,
analisar e decidir sobre a prestação efetiva do
serviço jurídico realizado pelo advogado.
Cabe também ao Conselho Federal da OAB
dispor, analisar e decidir sobre os honorários
advocatícios dos serviços jurídicos realizados
pelo advogado, resguardado o sigilo,
observado o disposto no inciso XXXV do
caput do art. 5º da Constituição Federal. É
nulo o ato que violar essa competência
privativa.
São direitos das advogadas, dentre outros:
I – gestante: a) entrada em tribunais sem ser submetida
a detectores de metais e aparelhos de raios X; e b)
reserva de vaga em garagens dos fóruns dos tribunais;
III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz,
preferência na ordem das sustentações orais e das
audiências a serem realizadas a cada dia, mediante
comprovação de sua condição;
IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos
processuais quando for a única patrona da causa,
desde que haja notificação por escrito ao cliente.
#04 – Do Instrumento de Mandato
Art. 5º O advogado postula, em juízo ou fora dele,
fazendo prova do mandato.
§ 1º O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem
procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de
15 (quinze) dias, prorrogável por igual período.
§ 2º A procuração para o foro em geral habilita o
advogado a praticar todos os atos judiciais, em
qualquer juízo ou instância, salvo os que exijam
poderes especiais.
§ 3º O advogado que renunciar ao mandato
continuará, durante os 10 (dez) dias seguintes à
notificação da renúncia, a representar o mandante,
salvo se for substituído antes do término desse prazo.
§ 4º As atividades de consultoria e assessoria jurídicas
podem ser exercidas de modo verbal ou por escrito, a
critério do advogado e do cliente, e independem de
outorga de mandato ou de formalização por contrato
de honorários.
O advogado deve notificar o cliente da renúncia ao
mandato, preferencialmente mediante carta com
aviso de recepção, comunicando, após, o Juízo. A
renúncia ao patrocínio deve ser feita sem menção do
motivo que a determinou, fazendo cessar a
responsabilidade profissional pelo acompanhamento
da causa, uma vez decorrido o prazo previsto acima. A
renúncia ao mandato não exclui responsabilidade por
danos eventualmente causados ao cliente ou a
terceiros.
O substabelecimento do mandato, com reserva de
poderes, é ato pessoal do advogado da causa. O
substabelecimento do mandato sem reserva de
poderes exige o prévio e inequívoco conhecimento
do cliente. O substabelecido com reserva de poderes
deve ajustar antecipadamente seus honorários com o
substabelecente.
O advogado não deve aceitar procuração de quem já
tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento
deste, salvo por motivo plenamente justificável ou
para adoção de medidas judiciais urgentes e
inadiáveis.
A revogação do mandato judicial por vontade do
cliente não o desobriga do pagamento das verbas
honorárias contratadas, assim como não retira o
direito do advogado de receber o quanto lhe seja
devido em eventual verba honorária de sucumbência,
calculada proporcionalmente em face do serviço
efetivamente prestado.
#05 - Sociedade de Advogados
A sociedade de advogados, reconhecida
como uma sociedade simples de prestação
de serviço, poderá ser classificada como:
Pluripessoal: dois ou mais advogados se
reúnem em uma sociedade civil para a
prestação de serviços advocatícios;
Unipessoal: O advogado poderá concentrar
todas as quotas da sociedade em seu nome.
A sociedade de advogados e a sociedade unipessoal
de advocacia adquirem personalidade jurídica com o
registro aprovado dos seus atos constitutivos no
Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial
tiver sede.
NÃO serão admitidas a registros, nem podem
funcionar, as sociedades:
que apresentem forma ou características de
sociedade empresária;
que adotem denominação de fantasia;
que realizem atividades estranhas à
advocacia;
que incluam como sócio ou titular de
sociedade unipessoal de advocacia pessoa
não inscrita como advogado ou totalmente
proibida de advogar.
8
O impedimento ou a incompatibilidade em caráter
temporário do advogado não o exclui da sociedade
de advogados à qual pertença e deve ser averbado
no registro da sociedade, sendo proibida, em
qualquer hipótese, a exploração de seu nome e de
sua imagem em favor da sociedade.
Nas sociedades de advogados, a escolha do
sócio-administrador poderá recair sobre
advogado que atue como servidor da
administração direta, indireta e fundacional,
desde que não esteja sujeito ao regime de
dedicação exclusiva, não lhe sendo aplicável
o disposto no inciso X do caput do art. 117 da
Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, no
que se refere à sociedade de advogados.
As procurações devem ser outorgadas
individualmente aos advogados e indicar a sociedade
de que façam parte. Os advogados sócios de uma
mesma sociedade profissional não podem
representar em juízo clientes de interesses opostos.
A sociedade de advogados e a
sociedade unipessoal de advocacia
podem terPosse com exclusividade, sobre imóvel urbano de até
250m², cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-
companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio
integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel
urbano ou rural; Esse direito não será reconhecido ao
mesmo possuidor mais de uma vez.
55
Poderá o possuidor requerer ao juiz seja
declarada adquirida, mediante usucapião, a
propriedade imóvel. Essa declaração
constituirá título hábil para o registro no
Cartório de Registro de Imóveis. A usucapião
é hipótese de aquisição originária da
propriedade.
Das Construções e Plantações: Aquele que
semeia, planta ou edifica em terreno alheio
perde, em proveito do proprietário, as
sementes, plantas e construções; se procedeu
de boa-fé, terá direito a indenização. Se a
construção ou a plantação exceder
consideravelmente o valor do terreno, aquele
que, de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá
a propriedade do solo, mediante pagamento
da indenização fixada judicialmente, se não
houver acordo.
Da Passagem Forçada: O dono do prédio
que não tiver acesso a via pública, nascente ou
porto, pode, mediante pagamento de
indenização cabal, constranger o vizinho a lhe
dar passagem, cujo rumo será judicialmente
fixado, se necessário. Sofrerá o
constrangimento o vizinho cujo imóvel mais
natural e facilmente se prestar à passagem. Se
ocorrer alienação parcial do prédio, de modo
que uma das partes perca o acesso a via
pública, nascente ou porto, o proprietário da
outra deve tolerar a passagem.
Condomínio Edilício: O condômino, ou
possuidor, que não cumpre reiteradamente
com os seus deveres perante o condomínio
poderá, por deliberação de 3/4 dos
condôminos restantes, ser constrangido a
pagar multa correspondente até ao quíntuplo
do valor atribuído à contribuição para as
despesas condominiais, conforme a
gravidade das faltas e a reiteração,
independentemente das perdas e danos que
se apurem. O condômino ou possuidor que,
por seu reiterado comportamento anti-social,
gerar incompatibilidade de convivência com
os demais condôminos ou possuidores,
poderá ser constrangido a pagar multa
correspondente ao décuplo do valor
atribuído à contribuição para as despesas
condominiais, até ulterior deliberação da
assembléia.
Condomínio em Multipropriedade: Regime
de condomínio em que cada um dos
proprietários de um mesmo imóvel é titular de
uma fração de tempo, à qual corresponde a
faculdade de uso e gozo, com exclusividade,
da totalidade do imóvel, a ser exercida pelos
proprietários de forma alternada. São direitos
do multiproprietário, além daqueles previstos
no instrumento de instituição e na convenção
de condomínio em multipropriedade: ceder a
fração de tempo em locação ou comodato.
Da Laje: O proprietário de uma construção-
base poderá ceder a superfície superior ou
inferior de sua construção a fim de que o
titular da laje mantenha unidade distinta
daquela originalmente construída sobre o
solo. O titular da laje poderá ceder a
superfície de sua construção para a instituição
de um sucessivo direito real de laje, desde
que haja autorização expressa dos titulares da
construção-base e das demais lajes.
6. Direito de Família
#15 – Proteção dos filhos: A guarda será unilateral
ou compartilhada e poderá ser requerida por
consenso dos pais ou decretada pelo juiz, em
atenção a necessidades específicas do filho, ou em
razão da distribuição de tempo necessário ao
convívio deste com o pai e com a mãe.
#16 – Suspensão e Extinção do Poder Familiar:
Art. 1.635. Extingue-se o poder familiar: I - pela morte
dos pais ou do filho; II - pela emancipação, nos termos
do art. 5º, parágrafo único; III - pela maioridade; IV -
pela adoção; V - por decisão judicial, na forma do
artigo 1.638.
Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o
pai ou a mãe que: I - castigar imoderadamente o filho;
II - deixar o filho em abandono; (...) V - entregar de
forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção.
Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o
poder familiar aquele que: I – praticar contra outrem
igualmente titular do mesmo poder familiar: a)
homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza
grave ou seguida de morte, quando se tratar de crime
doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou
menosprezo ou discriminação à condição de mulher;
b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual
sujeito à pena de reclusão (...).
#17 – Regime de Bens: O CC/2002 prefixa 4 regimes
de bens: comunhão parcial de bens, comunhão total
ou universal de bens, separação convencional ou
legal de bens e participação final de aquestos. O
pacto antenupcial é obrigatório sempre que o
regime de bens escolhido pelos nubentes seja
qualquer outro que não o regime de comunhão
parcial de bens. O pacto deve ser feito por escritura
pública, sob pena de nulidade.
Nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do
outro, exceto no regime da separação absoluta: I -
alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; II -
pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou
direitos; III - prestar fiança ou aval; IV - fazer doação,
não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos
que possam integrar futura meação. Se um dos
cônjuges negar vênia para a realização dos negócios
jurídicos supramencionados, sem justo motivo, ou se
lhe é impossível concedê-la (se está em coma, por
exemplo), o outro pode requerer suprimento da
56
outorga. No entanto, a falta de autorização ou do
suprimento judicial torna anulável o ato. O outro
cônjuge pode pleitear a anulação no prazo
decadencial de 2 anos, contados do término da
sociedade conjugal.
Regime de Comunhão Parcial de Bens:
Regime em que os bens adquiridos antes da
união formam o patrimônio individual de cada
cônjuge, ao passo que o patrimônio adquirido
depois da constância da união forma o
patrimônio comum, em comunhão.
Art. 1.659. Excluem-se da comunhão: I - os bens que
cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe
sobrevierem, na constância do casamento, por
doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar;
II - os bens adquiridos com valores exclusivamente
pertencentes a um dos cônjuges em sub-rogação dos
bens particulares; III - as obrigações anteriores ao
casamento; IV - as obrigações provenientes de atos
ilícitos, salvo reversão em proveito do casal; V - os
bens de uso pessoal, os livros e instrumentos de
profissão; VI - os proventos do trabalho pessoal de
cada cônjuge; VII - as pensões, meios-soldos,
montepios e outras rendas semelhantes.
Art. 1.660. Entram na comunhão: I - os bens
adquiridos na constância do casamento por título
oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges;
II - os bens adquiridos por fato eventual, com ou sem
o concurso de trabalho ou despesa anterior; III - os
bens adquiridos por doação, herança ou legado, em
favor de ambos os cônjuges; IV - as benfeitorias em
bens particulares de cada cônjuge; V - os frutos dos
bens comuns, ou dos particulares de cada cônjuge,
percebidos na constância do casamento, ou
pendentes ao tempo de cessar a comunhão.
#18 – Alimentos:
São devidos os alimentos quando quem os pretende
não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu
trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se
reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do
necessário ao seu sustento. O direito à prestação de
alimentos é recíproco entre pais e filhos, e extensivo
a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos
mais próximos em grau, uns em falta de outros. Na
falta dos ascendentes cabe a obrigação aos
descendentes, guardada a ordem de sucessão e,
faltando estes, aos irmãos, assim germanos como
unilaterais. Se, fixados os alimentos, sobrevier
mudança na situação financeira de quem os supre, ou
na de quem os recebe, poderá o interessado
reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias,
exoneração, redução ou majoração do encargo.
CC. Art. 1.694.Podem os parentes, os cônjuges ou
companheiros pedir uns aos outros os alimentos de
que necessitem para viver de modo compatível com a
sua condição social, inclusive para atender às
necessidades de sua educação.
§ 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das
necessidades do reclamante e dos recursos da
pessoa obrigada.
§ 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à
subsistência, quando a situação de necessidade
resultar de culpa de quem os pleiteia.
Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os
pretende não tem bens suficientes, nem pode prover,
pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de
quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque
do necessário ao seu sustento.
Art. 1.696. O direito à prestação de alimentos é
recíproco entre pais e filhos, e extensivo a todos os
ascendentes, recaindo a obrigação nos mais
próximos em grau, uns em falta de outros.
Art. 1.697. Na falta dos ascendentes cabe a obrigação
aos descendentes, guardada a ordem de sucessão e,
faltando estes, aos irmãos, assim germanos como
unilaterais.
Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em
primeiro lugar, não estiver em condições de suportar
totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os
de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas
a prestar alimentos, todas devem concorrer na
proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação
contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a
integrar a lide.
Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier
mudança na situação financeira de quem os supre, ou
na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar
ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração,
redução ou majoração do encargo.
Art. 1.700. A obrigação de prestar alimentos
transmite-se aos herdeiros do devedor, na forma do
art. 1.694.
Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos
poderá pensionar o alimentando, ou dar-lhe
hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de
prestar o necessário à sua educação, quando menor.
Parágrafo único. Compete ao juiz, se as circunstâncias
o exigirem, fixar a forma do cumprimento da
prestação.
Art. 1.702. Na separação judicial litigiosa, sendo um
dos cônjuges inocente e desprovido de recursos,
prestar-lhe-á o outro a pensão alimentícia que o juiz
fixar, obedecidos os critérios estabelecidos no art.
1.694.
Art. 1.703. Para a manutenção dos filhos, os cônjuges
separados judicialmente contribuirão na proporção
de seus recursos.
Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados
judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o
outro obrigado a prestá-los mediante pensão a ser
57
fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado
culpado na ação de separação judicial.
Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier
a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em
condições de prestá-los, nem aptidão para o trabalho,
o outro cônjuge será obrigado a assegurá-los, fixando
o juiz o valor indispensável à sobrevivência.
Art. 1.705. Para obter alimentos, o filho havido fora do
casamento pode acionar o genitor, sendo facultado
ao juiz determinar, a pedido de qualquer das partes,
que a ação se processe em segredo de justiça.
Art. 1.706. Os alimentos provisionais serão fixados
pelo juiz, nos termos da lei processual.
Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é
vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o
respectivo crédito insuscetível de cessão,
compensação ou penhora.
Art. 1.708. Com o casamento, a união estável ou o
concubinato do credor, cessa o dever de prestar
alimentos.
Parágrafo único. Com relação ao credor cessa,
também, o direito a alimentos, se tiver procedimento
indigno em relação ao devedor.
Art. 1.709. O novo casamento do cônjuge devedor
não extingue a obrigação constante da sentença de
divórcio.
Art. 1.710. As prestações alimentícias, de qualquer
natureza, serão atualizadas segundo índice oficial
regularmente estabelecido.
7. Direito das Sucessões
#19 – Sucessão Geral: Aberta a sucessão, a herança
transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e
testamentários (Princípio da Saisine). Havendo
herdeiros necessários, o testador só poderá dispor
da metade da herança.
#20 – Renúncia da Herança: Quando o herdeiro
prejudicar os seus credores, renunciando à herança,
poderão eles, com autorização do juiz, aceitá-la em
nome do renunciante. A habilitação dos credores se
fará no prazo de 30 dias seguintes ao conhecimento
do fato. Pagas as dívidas do renunciante, prevalece a
renúncia quanto ao remanescente, que será
devolvido aos demais herdeiros.
#21 - Da Sucessão Legítima: Defere-se na seguinte
ordem:
Descendentes, em concorrência com o
cônjuge/companheiro, salvo se casado este com o falecido
no regime da comunhão universal de bens, separação
obrigatória/legal de bens, comunhão parcial sem bens
particulares do falecido;
Ascendentes, em concorrência com o
cônjuge/companheiro;
Cônjuge sobrevivente: se torna herdeiro universal se o
falecido não tem ascendentes nem descendentes, mas só
colaterais;
Colaterais.
São herdeiros necessários os
descendentes, os ascendentes e o
cônjuge. Pertence aos herdeiros
necessários, de pleno direito, a metade
dos bens da herança, constituindo a
legítima.
O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a sua
parte disponível (50% da herança), ou algum legado,
não perderá o direito à legítima.
Para excluir da sucessão os herdeiros colaterais, basta
que o testador disponha de seu patrimônio sem os
contemplar.
Os descendentes da mesma classe têm os mesmos
direitos à sucessão de seus ascendentes.
Na linha descendente, os filhos sucedem por cabeça,
e os outros descendentes, por cabeça ou por estirpe,
conforme se achem ou não no mesmo grau.
Na falta de descendentes, são chamados à sucessão
os ascendentes, em concorrência com o cônjuge
sobrevivente. Na classe dos ascendentes, o grau mais
próximo exclui o mais remoto, sem distinção de
linhas.
Concorrendo com ascendente em 1º grau, ao
cônjuge tocará 1/3 da herança; caber-lhe-á a metade
desta se houver um só ascendente, ou se maior for
aquele grau.
Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime
de bens, será assegurado, sem prejuízo da
participação que lhe caiba na herança, o direito real
de habitação relativamente ao imóvel destinado à
residência da família, desde que seja o único daquela
natureza a inventariar.
#22 - Direito de Representação: ocorre quando a lei
chama certos parentes do falecido a suceder em
todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo
fosse.
#23 – Deserdação: Os herdeiros necessários podem
ser privados de sua legítima nos casos de
indignidade ou quando houver: Ofensa física; Injúria
grave; Relações ilícitas com a madrasta ou com o
padrasto; Desamparo do ascendente em alienação
mental ou grave enfermidade.
#24 – Sucessão Testamentária: O testamento é ato
personalíssimo, podendo ser mudado a qualquer
tempo. Não podem testar os incapazes e aqueles
que, no ato de fazê-lo, não tiverem pleno
discernimento. Podem testar os maiores de 16 anos.
Podem ser chamados a suceder: I - os filhos, ainda
não concebidos, de pessoas indicadas pelo testador,
desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão; II - as
pessoas jurídicas; III - as pessoas jurídicas, cuja
58
organização for determinada pelo testador sob a
forma de fundação. O testamento pode ser revogado
pelo mesmo modo e forma como pode ser feito.
87. Lei de Locações
#25 – Direito de Preferência:
Lei 8.245/91. Art. 27. No caso de venda, promessa
de venda, cessão ou promessa de cessão de direitos
ou dação em pagamento, o locatário tem preferência
para adquirir o imóvel locado, em igualdade de
condições com terceiros, devendo o locador dar - lhe
conhecimento do negócio mediante notificação
judicial, extrajudicial ou outro meio de ciência
inequívoca.
Parágrafo único. A comunicação deverá conter todas
as condições do negócio e, em especial, o preço, a
forma de pagamento, a existênciade ônus reais, bem
como o local e horário em que pode ser examinada a
documentação pertinente.
Art. 28. O direito de preferência do locatário caducará
se não manifestada, de maneira inequívoca, sua
aceitação integral à proposta, no prazo de trinta dias.
Art. 29. Ocorrendo aceitação da proposta, pelo
locatário, a posterior desistência do negócio pelo
locador acarreta, a este, responsabilidade pelos
prejuízos ocasionados, inclusive lucros cessantes.
Art. 30. Estando o imóvel sublocado em sua
totalidade, caberá a preferência ao sublocatário e, em
seguida, ao locatário. Se forem vários os
sublocatários, a preferência caberá a todos, em
comum, ou a qualquer deles, se um só for o
interessado.
Parágrafo único. Havendo pluralidade de
pretendentes, caberá a preferência ao locatário mais
antigo, e, se da mesma data, ao mais idoso.
Art. 31. Em se tratando de alienação de mais de uma
unidade imobiliária, o direito de preferência incidirá
sobre a totalidade dos bens objeto da alienação.
Art. 32. O direito de preferência não alcança os casos
de perda da propriedade ou venda por decisão
judicial, permuta, doação, integralização de capital,
cisão, fusão e incorporação.
Parágrafo único. Nos contratos firmados a partir de 1o
de outubro de 2001, o direito de preferência de que
trata este artigo não alcançará também os casos de
constituição da propriedade fiduciária e de perda da
propriedade ou venda por quaisquer formas de
realização de garantia, inclusive mediante leilão
extrajudicial, devendo essa condição constar
expressamente em cláusula contratual específica,
destacando-se das demais por sua apresentação
gráfica. (Incluído pela Lei nº 10.931, de 2004)
Art. 33. O locatário preterido no seu direito de
preferência poderá reclamar do alienante as perdas e
danos ou, depositando o preço e demais despesas do
ato de transferência, haver para si o imóvel locado, se
o requerer no prazo de seis meses, a contar do
registro do ato no cartório de imóveis, desde que o
contrato de locação esteja averbado pelo menos
trinta dias antes da alienação junto à matrícula do
imóvel.
Parágrafo único. A averbação far - se - á à vista de
qualquer das vias do contrato de locação desde que
subscrito também por duas testemunhas.
Art. 34. Havendo condomínio no imóvel, a preferência
do condômino terá prioridade sobre a do locatário.
#26 – Locações Residenciais:
Lei 8.245/91. Art. 46. Nas locações ajustadas por
escrito e por prazo igual ou superior a trinta meses, a
resolução do contrato ocorrerá findo o prazo
estipulado, independentemente de notificação ou
aviso.
§ 1º Findo o prazo ajustado, se o locatário continuar
na posse do imóvel alugado por mais de trinta dias
sem oposição do locador, presumir - se - á prorrogada
a locação por prazo indeterminado, mantidas as
demais cláusulas e condições do contrato.
§ 2º Ocorrendo a prorrogação, o locador poderá
denunciar o contrato a qualquer tempo, concedido o
prazo de trinta dias para desocupação.
Art. 47. Quando ajustada verbalmente ou por escrito
e como prazo inferior a trinta meses, findo o prazo
estabelecido, a locação prorroga - se
automaticamente, por prazo indeterminado, somente
podendo ser retomado o imóvel:
I - Nos casos do art. 9º;
II - em decorrência de extinção do contrato de
trabalho, se a ocupação do imóvel pelo locatário
relacionada com o seu emprego;
III - se for pedido para uso próprio, de seu cônjuge ou
companheiro, ou para uso residencial de ascendente
ou descendente que não disponha, assim como seu
cônjuge ou companheiro, de imóvel residencial
próprio;
IV - se for pedido para demolição e edificação
licenciada ou para a realização de obras aprovadas
pelo Poder Público, que aumentem a área construída,
em, no mínimo, vinte por cento ou, se o imóvel for
destinado a exploração de hotel ou pensão, em
cinqüenta por cento;
V - se a vigência ininterrupta da locação ultrapassar
cinco anos.
§ 1º Na hipótese do inciso III, a necessidade deverá
ser judicialmente demonstrada, se:
a) O retomante, alegando necessidade de usar o
imóvel, estiver ocupando, com a mesma finalidade,
outro de sua propriedade situado nas mesma
59
localidade ou, residindo ou utilizando imóvel alheio,
já tiver retomado o imóvel anteriormente;
b) o ascendente ou descendente, beneficiário da
retomada, residir em imóvel próprio.
§ 2º Nas hipóteses dos incisos III e IV, o retomante
deverá comprovar ser proprietário, promissário
comprador ou promissário cessionário, em caráter
irrevogável, com imissão na posse do imóvel e título
registrado junto à matrícula do mesmo.
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
1. Direito à convivência comunitária e familiar
#01 – Adoção
Entrega para adoção: 19-A, ECA
a) desejando entregar seu filho para adoção, a
gestante ou mãe deve ser encaminhada à
Justiça da Infância e Juventude, onde ela
será ouvida por equipe multiprofissional e
receberá atendimento especializado (estado
gestacional/puerperal).
b) Antes da entrega a adoção, é realizada uma
busca pela família extensa (parentes
próximos) pelo prazo máximo de 90 dias
c) Após o nascimento, é necessário que a mãe
confirme em audiência a sua intenção.
d) Caso a criança esteja em situação de guarda
durante o procedimento de entrega para
adoção, os detentores desta têm 15 dias para
propor ação de adoção a contar do término
do estágio de convivência.
e) Caso os pais desistam da entrega da criança,
esta permanece com eles, os quais receberão
acompanhamento familiar pelo prazo de 180
dias.
Requisitos subjetivos:
Habilitados no Cadastro Nacional de Adoção (por
ordem cronológica)
EXCEÇÕES:
a) Adoção unilateral (padrasto ou madrasta)
b) Por parente com sócio afetividade (exceto
irmãos ou ascendentes - impedidos de
adotar)
c) Tutor ou guardião de criança maior de 03
anos com sócio afetividade e ausência de
má-fé.
idoneidade e voluntariedade do adotante
Requisitos objetivos:
Consentimento (retratável até a audiência de
ratificação ou até 10 dias da publicação da sentença)
ou destituição por ação judicial
Oitiva: se possível da criança e obrigatória do
adolescente (poder de veto)
Estágio de convivência:
Nacional: fixada pelo juiz (até 90 dias),
podendo ser dispensada em caso de prévia
guarda, tutela ou vínculo já preexistente).
Internacional: sempre obrigatório, pelo
prazo de 30 a 45 dias, cumprido no Brasil
OBSERVAÇÃO: realizada por residentes no
estrangeiro (ainda que brasileiros); brasileiros têm
preferência sobre os estrangeiros; adotando não
perde a nacionalidade brasileira; deve ocorrer
habilitação prévia no exterior, com posterior
nacionalização no Brasil - validade por 01 ano).
2. Medidas socioeducativas e de proteção
#02 – Remissão
Perdão ou progressão
MP: concedida antes do processo e sujeita à
homologação judicial (só cabe extinção)
Juiz: concedida durante o processo e cabe
suspensão deste ou extinção.
Cabe, como condição, a aplicação de qualquer
medida socioeducativa, salvo internação e
semiliberdade
Pode ser revista a qualquer tempo.
#03 – Súmulas relevantes sobre ato infracional
Súmula 265 do STJ: É necessária a oitiva do
menor infrator antes de decretar-se a regressão da
medida socioeducativa.
Súmula 338 do STJ: A prescrição penal é
aplicável nas medidas socioeducativas.
OBS: prazo de 04 anos.
Súmula 342 do STJ: No procedimento para
aplicação de medida socioeducativa, é nula a
desistência de outras provas em face da confissão
do adolescente.
Súmula 492 do STJ: O ato infracional análogo ao
tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida
socioeducativa de internação do adolescente.
60
1Medidas de Proteção
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
Aplicam-se as medidas de proteção quando os direitos
das crianças e adolescentes forem violados:
❑ Por ação ou omissão da sociedade ou do Estado.
❑ Por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável.❑ Em razão da própria conduta da criança ou adolescente.
❑Podem ser aplicadas de forma isolada (ou seja, apenas uma delas) ou de forma
cumulada.
❑Na aplicação das medidas leva-se em conta as necessidades pedagógicas.
❑Será obrigatoriamente expedida a guia de acolhimento, da qual constará uma
série de informações relativas à identificação da criança ou adolescente e da sua
família.
MEDIDAS DE PROTEÇÃO
❑ Encaminhamento aos pais ou responsável,
mediante termo de responsabilidade.
❑ Orientação, apoio e acompanhamento temporários.
❑ Matrícula e frequência obrigatórias em
estabelecimento oficial de ensino fundamental.
❑ Inclusão em serviços e programas oficiais ou
comunitários de proteção, apoio e promoção da
família, da criança e do adolescente.
❑ Requisição de tratamento médico, psicológico ou
psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial.
❑ Inclusão em programa oficial ou comunitário de
auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e
toxicômanos.
❑ Acolhimento institucional.
❑ Inclusão em programa de acolhimento familiar.
❑ Colocação em família substituta.
❑Será elaborado o plano individual de atendimento (PIA) da criança ou
adolescente.
❑As medidas de proteção devem ser acompanhadas da regularização do registro
civil.
❑Os registros e certidões necessários à inclusão, a qualquer tempo, do nome do
pai no assento de nascimento são isentos de multas, custas e emolumentos,
gozando de absoluta prioridade.
❑São gratuitas, a qualquer tempo, a averbação requerida do reconhecimento de
paternidade no assento de nascimento e a certidão correspondente.
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Ricardo Torques
3. Autorização para viagens
#04 – Nacional
Menores de 16 anos desacompanhados de
pais e responsáveis
Regra geral = proibidos fora da comarca
EXCEÇÕES: autorização por escrito dos pais; ou,
mesmo sem autorização por escrito, para comarcas
contíguas no mesmo Estado ou na mesma região
metropolitana; acompanhados por parentes até o 3º
grau, com prova documental do parentesco.
#05 – Internacional
Acompanhado de ambos os pais, ou com
autorização do outro (por escrito e com firma
reconhecida).
Pode ser suprimida por autorização judicial.
4. Conselho Tutelar
Características:
Órgão não jurisdicional, permanente e autônomo,
com cinco membros
conselheiros eleitos para mandatos de 04 anos
(eleição 01 ano após as eleições presidenciais) -
requisitos: idoneidade moral, maior de 21 anos;
residência no município.
Direitos: cobertura previdenciária, férias anuais
remuneradas, acrescidas de um terço, Licença-
maternidade e Gratificação natalina.
ATRIBUIÇÕES do Conselho:
Atender as crianças e adolescentes nas hipóteses
de situação irregular;
Atender e aconselhar os pais ou responsável;
Promover a execução de suas decisões;
Encaminhar ao Ministério Público notícia de fato
que constitua infração administrativa ou penal contra
os direitos da criança ou adolescente;
Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua
competência;
Providenciar a medida de proteção, estabelecida
pela autoridade judiciária, para o adolescente autor
de ato infracional;
Expedir notificações;
Requisitar certidões de nascimento e de óbito de
criança ou adolescente quando necessário;
Assessorar o Poder Executivo local na elaboração
da proposta orçamentária para planos e programas
de atendimento dos direitos da criança e do
adolescente;
Representar, em nome da pessoa e da família, contra
a violação dos direitos de comunicação social da
Constituição Federal;
Representar ao Ministério Público para efeito das
ações de perda ou suspensão do poder familiar, após
esgotadas as possibilidades de manutenção da
criança ou do adolescente junto à família natural.
IMPEDIMENTOS: não podem servir no mesmo
conselho:
marido e mulher;
ascendentes e descendentes;
sogro e genro ou nora;
irmãos;
cunhados, durante o cunhadio;
tio e sobrinho;
padrasto ou madrasta e enteado.
OBSERVAÇÃO: Aplicam-se, também, para a
autoridade judiciária e ao representante do
Ministério Público.
5. Acesso à justiça
61
ACESSO À JUSTIÇA
O concedente (proprietário) não pode receber qualquer pagamento
pela transferência feita pelo superficiário a terceiros, sendo nula
cláusula nesse sentido.
✓ Crianças e adolescentes têm assegurado, pela Constituição Federal, acesso à Justiça.
✓ Em razão dos interesses peculiares desse grupo de pessoas, optou-se por criar uma
Justiça Especializada, a Justiça da Infância e da Juventude, para o julgamento das causas
que envolvem crianças e adolescentes:
Acesso à Justiça 1
As principais competências da Justiça da Infância e da Juventude são
as competências para:
o conhecer de representações pela prática de ato infracional;
o realizar o processo de adoção; e
o realizar o processo de perda do poder familiar.
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Ricardo Torques
6. Principais Crimes e infrações administrativas
#06 – Crimes
a) Todos de ação penal pública incondicionada
b) Corrupção de menores
c) Pornografia infantil
d) colocação de menores em perigo
e) embaraço ao cumprimento de decisões judiciais
f) omissões médicas
#07 – Infrações administrativas
Sanções pecuniárias de 03 a 100 salários-
mínimos, a depender da gravidade da infração
Possibilidade de interdição provisória do
estabelecimento.
7. Medidas de prevenção especial
#08 – Diversões e espetáculos públicos
Menores de 10 anos: somente poderão ingressar
e permanecer nos locais de apresentação ou
exibição quando acompanhadas dos pais ou
responsável.
#09 – Produtos de venda proibida
armas, munições e explosivos;
bebidas alcoólicas;
produto que possa dependência física ou
psíquica;
fogos de estampido e de artifício (exceto,
reduzido potencial);
revistas e publicações inadequadas;
bilhetes lotéricos e equivalentes.
#10 – Hospedagem em hotel
Menores desacompanhados dos pais,
REGRA: vedação
EXCEÇÃO: quando autorizados pelos pais ou
responsável.
DIREITO DO CONSUMIDOR
1. Conceitos introdutórios e âmbito de aplicação do CDC
#01 – Consumidor: Consumidor é toda pessoa física
ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço
como destinatário final.
Teorias sobre o destinatário final:
Teoria maximalista: consumidor será apenas o
destinatário final fático do produto ou serviço,
independentemente da destinação que se dê a ele.
Teoria finalista: é a Teoria adotada pelo CDC; consumidor
é o destinatário final, fático (último na cadeia de consumo)
e econômico (não utiliza o produto ou serviço para lucro).
Teoria finalista mitigada: Teoria adotada pelo STJ;
consumidor é a pessoa física ou jurídica que, embora não
seja tecnicamente a destinatária final do produto ou
serviço, se apresenta em situação de vulnerabilidade.
Consumidores por equiparação:
Coletividade de pessoas: Equipara-se a consumidor a
coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que
haja intervindo nas relações de consumo.
Exemplo: na relação Condomínio –
Construtora em que o condomínio age na
qualidade de representante dos interesses da
coletividade.
Vítimas de acidente de consumo: Equiparam-se aos
consumidores todas as vítimas do evento.
Pessoas expostas a práticas comerciais: Equiparam-se
aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não,
expostas às práticas comerciais previstas.
#02 – Fornecedor: Fornecedor é toda pessoa física ou
jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira,
bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividade de produção, montagem,
criação, construção, transformação, importação,
exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços.
#03 – Aplicabilidade do CDC:
Súmula 130 STJ - A empresa
responde, perante o cliente, pela
reparação de dano ou furto de
veículo ocorridos em seu
estacionamento.
62
Súmula 297 STJ- O Código de Defesa do Consumidor
é aplicável às instituiçõesfinanceiras.
Súmula 563 STJ - O Código de Defesa do
Consumidor é aplicável às entidades abertas de
previdência complementar, não incidindo nos
contratos previdenciários celebrados com entidades
fechadas.
Súmula 608 STJ- Aplica-se o Código de Defesa do
Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo
os administrados por entidades de autogestão.
Não se aplica o CDC:
CDC não é aplicável às
relações contratuais entre clientes e
advogados.
CDC não é aplicável aos
contratos de locação.
Demanda que discute dano material em transporte
INTERNACIONAL - não se aplica o CDC, mas as
Convenções Internacionais;
Demanda que discute dano moral ou material em
transporte NACIONAL: aplica-se o CDC; Demanda
que discute dano moral em transporte
INTERNACIONAL: aplica-se o CDC.
#04 – Direitos Básicos do Consumidor: O CDC traz
alguns direitos do consumidor, dentre eles:
A informação adequada e clara sobre os diferentes
produtos e serviços, com especificação correta de
quantidade, características, composição, qualidade,
tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que
apresentem – essa informação deve ser acessível à pessoa
com deficiência.
a garantia de práticas de crédito responsável, de educação
financeira e de prevenção e tratamento de situações de
superendividamento, preservado o mínimo existencial, nos
termos da regulamentação, por meio da revisão e da
repactuação da dívida, entre outras medidas.
a preservação do mínimo existencial, nos termos da
regulamentação, na repactuação de dívidas e na
concessão de crédito.
a informação acerca dos preços dos produtos por unidade
de medida, tal como por quilo, por litro, por metro ou por
outra unidade, conforme o caso.
Tendo mais de um autor a ofensa, todos
responderão solidariamente pela
reparação dos danos previstos nas
normas de consumo.
2. Responsabilidade do Fornecedor
#05 – Responsabilidade pelo Fato do Produto ou
Acidente de Consumo: o produto é defeituoso
quando não oferece a segurança que dele
legitimamente se espera.
O fabricante, produtor, construtor e importador
respondem objetivamente (independe de dolo/culpa,
basta comprovar a conduta, o nexo causal e o dano).
O comerciante será responsável apenas quando: i)
fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não
puderem ser identificados; ii) o produto for fornecido sem
identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor
ou importador; iii) não conservar adequadamente os
produtos perecíveis.
Excludentes da responsabilidade: fabricante, construtor
ou importador provarem que não colocaram o produto no
mercado; que, embora tenham colocado o produto no
mercado, o defeito inexiste; ou que a culpa do defeito foi
exclusiva do consumidor ou de terceiro.
Prazo: PRESCRICIONAL de 5 anos, a contar do
conhecimento do dano e de sua autoria.
#06 – Responsabilidade pelo Fato do serviço: Os
fornecedores (todos) respondem objetiva e
solidariamente por defeitos relativos à prestação
dos serviços, bem como por informações
insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e
riscos. Exceção: o profissional liberal responde
subjetivamente e possui obrigação de meio, salvo
o cirurgião plástico, que possui obrigação de
resultado.
Excludentes da responsabilidade: fornecedor provar
que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste, ou culpa
exclusiva do consumidor ou de terceiros.
Prazo: PRESCRICIONAL de prazo de 5 anos, a contar do
conhecimento do dano e de sua autoria.
#07 – Responsabilidade pelo Vício do Produto:
Os fornecedores (todos) respondem solidariamente
pelos vícios de qualidade ou quantidade que tornem os
produtos impróprios para o consumo ou lhe diminuam
o valor.
STJ: “Há responsabilidade solidária de todos
os integrantes da cadeia de fornecimento
por vício no produto adquirido pelo
consumidor, aí incluindo-se o fornecedor
direto (in casu, a concessionária) e o
fornecedor indireto (a fabricante do veículo)”.
Identificado vício de qualidade do produto, se o vício não
for sanado no prazo máximo de 30 dias, ou outro prazo
acordado entre fornecedor e consumidor, desde que não
seja inferior a 7 ou superior a 180 dias, o consumidor pode
escolher entre: substituir o produto por outro da mesma
espécie; pedir a restituição imediata da quantia paga;
ou o abatimento proporcional do preço.
Identificado vício de quantidade do produto, o
consumidor não precisa aguardar prazo algum para
escolher entre: abatimento proporcional do preço;
complementação do peso ou da medida; substituição do
produto por outro da mesma espécie; ou restituição
imediata da quantia paga.
No caso de fornecimento de produtos in natura, será
responsável perante o consumidor o fornecedor
63
imediato, exceto quando identificado claramente seu
produtor.
Prazo: DECADENCIAL de 30 dias, para bens e produtos
não duráveis, ou decadencial de 90 dias, para bens e
produtos duráveis. Se vício aparente: a contagem inicia
da entrega efetiva do produto. Se vício oculto: a
contagem inicia quando ficar evidenciado o vício.
Obstam a decadência: a reclamação
comprovadamente formulada pelo consumidor até a
resposta negativa correspondente e a instauração de
inquérito civil até o seu encerramento.
#08 – Responsabilidade pelo Vício do Serviço:
Identificado vício de qualidade do serviço: consumidor
poderá exigir, alternativamente e à sua escolha entre: a
reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando
cabível; a restituição imediata da quantia paga; ou o
abatimento proporcional do preço.
O fornecedor imediato será responsável
quando fizer a pesagem ou a medição e o
instrumento utilizado não estiver aferido
segundo os padrões oficiais.
Quando o serviço for prestado com o intuito
de reparar qualquer produto, considera-se
implícita a obrigação do fornecedor
empregar apenas componentes de reposição
originais, adequados e novos.
Aplica-se o mesmo prazo do vício do produto.
3. Práticas Comerciais e Proteção Contratual. Superendividamento
#09 – Oferta: A oferta e apresentação de produtos
ou serviços devem assegurar informações corretas,
claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa
sobre suas características, qualidades, quantidade,
composição, preço, garantia, prazos de validade e
origem, entre outros dados, bem como sobre os
riscos que apresentam à saúde e segurança dos
consumidores.
#10 – Publicidade: É proibida toda publicidade
enganosa ou abusiva.
Publicidade enganosa: qualquer modalidade de
informação ou comunicação de caráter publicitário,
inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro
modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro
o consumidor.
Publicidade abusiva: discriminatória de qualquer
natureza, a que incite à violência, explore o medo ou
a superstição, se aproveite da deficiência de
julgamento e experiência da criança, desrespeita
valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou
perigosa à sua saúde ou segurança.
#11 – Práticas Abusivas: É vedado ao fornecedor de
produtos ou serviços, dentre outras práticas abusivas:
condicionar o fornecimento de produto ou de serviço
ao fornecimento de outro produto ou serviço, bem
como, sem justa causa, a limites quantitativos (venda
casada);
recusar a venda de bens ou a prestação de serviços,
diretamente a quem se disponha a adquiri-los
mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de
intermediação regulados em leis especiais;
#12 – Direito de Arrependimento: O consumidor pode
desistir do contrato (para exercer esse direito não é
necessária qualquer motivação), no prazo de 7 dias a
contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do
produto ou serviço, sempre que a contratação de
fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do
estabelecimento comercial.
#13 – Cláusulas abusivas: São nulas de pleno direito,
entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao
fornecimentode produtos e serviços que:
impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade
do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos
produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição
de direitos.
condicionem ou limitem de qualquer forma o acesso aos
órgãos do Poder Judiciário;
estabeleçam prazos de carência em caso de
impontualidade das prestações mensais ou impeçam o
restabelecimento integral dos direitos do consumidor e de
seus meios de pagamento a partir da purgação da mora
ou do acordo com os credores;
#14 – Superendividamento: impossibilidade manifesta
de o consumidor pessoa natural, de boa-fé, pagar a
totalidade de suas dívidas de consumo, exigíveis e
vincendas, sem comprometer seu mínimo existencial.
A requerimento do consumidor
superendividado, o juiz poderá instaurar
processo de repactuação de dívidas, com
vistas à realização de audiência conciliatória,
presidida por ele ou por conciliador
credenciado no juízo, com a presença de
todos os credores de dívidas do consumidor,
na qual o consumidor apresentará proposta
de plano de pagamento com prazo máximo
de 5 anos, preservados o mínimo existencial,
nos termos da regulamentação, e as garantias
e as formas de pagamento originalmente
pactuadas.
Excluem-se do processo de repactuação as
dívidas, ainda que decorrentes de relações de
consumo, oriundas de contratos celebrados
dolosamente sem o propósito de realizar
pagamento, bem como as dívidas
provenientes de contratos de crédito com
garantia real, de financiamentos imobiliários e
de crédito rural.
No fornecimento de crédito e na venda a
prazo, o fornecedor/intermediário deverá
informar, prévia e adequadamente, no
momento da oferta, sobre: I - o custo efetivo
64
total e a descrição dos elementos que o
compõem; II - a taxa efetiva mensal de juros,
bem como a taxa dos juros de mora e o total
de encargos, de qualquer natureza, previstos
para o atraso no pagamento; III - o montante
das prestações e o prazo de validade da
oferta, que deve ser, no mínimo, de 2 dias; V
- o direito do consumidor à liquidação
antecipada e não onerosa do débito, nos
termos da lei.
4. Defesa do Consumidor em Juízo
#15 – Microssistema de Tutela Coletiva
Legitimados Concorrentes:
Das Ações Coletivas Para a Defesa de Interesses
Individuais Homogêneos: Proposta a ação, será
publicado edital no órgão oficial, a fim de que os
interessados possam intervir no processo como
litisconsortes, sem prejuízo de ampla divulgação pelos
meios de comunicação social por parte dos órgãos de
defesa do consumidor. Em caso de procedência do
pedido, a condenação será genérica, fixando a
responsabilidade do réu pelos danos causados. A
liquidação e a execução de sentença poderão ser
promovidas pela vítima e seus sucessores, assim como
pelos legitimados concorrentes acima descritos.
É direito básico do consumidor a facilitação da defesa dos
seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova,
a critério do juiz, caso seja verossímil a alegação ou
quando for o consumidor hipossuficiente.
Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá
exercer o direito de regresso contra os demais
responsáveis, segundo sua participação na causação do
evento danoso. A ação de regresso poderá ser ajuizada em
processo autônomo, facultada a possibilidade de
prosseguir-se nos mesmos autos, vedada a denunciação
da lide.
Efeitos da Coisa Julgada: Processo extinto sem
resolução do mérito: produz apenas coisa julgada
formal; Pedido julgado improcedente: não atinge as
demandas individuais que venham a ser propostas.
4. Convenção Coletiva de Consumo
#16 – Convenção Coletiva de Consumo:
CDC. Art. 107. As entidades civis de consumidores e
as associações de fornecedores ou sindicatos de
categoria econômica podem regular, por convenção
escrita, relações de consumo que tenham por objeto
estabelecer condições relativas ao preço, à qualidade,
à quantidade, à garantia e características de produtos
e serviços, bem como à reclamação e composição do
conflito de consumo.
§ 1° A convenção tornar-se-á obrigatória a partir do
registro do instrumento no cartório de títulos e
documentos.
§ 2° A convenção somente obrigará os filiados às
entidades signatárias.
§ 3° Não se exime de cumprir a convenção o
fornecedor que se desligar da entidade em data
posterior ao registro do instrumento.
DIREITO EMPRESARIAL
1. Empresa e empresário
#01 – Empresa
65
EMPRESA
A EMPRESA É EXPLORADA POR UMA PESSOA
NATURAL OU PESSOA JURÍDICA.
❖ Pessoa Natural: Empresário Individual
❖ Pessoa Jurídica: Sociedade Empresária
R
E
Q
U
IS
IT
O
S
Organização
❖ Define a empresa como uma organização para produzir
ou comercializar em escala;
❖ Sua finalidade é organizar todos os elementos de tal
maneira que consiga o lucro;
Empresa 1
Atividade
Profissional
❖ Habitualidade
❖ Pessoalidade
Busca de
Lucro
❖ Exercer atividade que visa ao lucro por intermédio da
produção ou comercialização de bens e/ou serviços
❖ Basta o objetivo de lucrar
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
#02 – Empresário
O profissional liberal, em regra, não é empresário,
contudo, quando a atividade intelectual for absorvida
por elementos de empresa (estrutura empresarial), a
atividade intelectual se transformará em atividade
empresarial.
1. ARTÍSTICA
➢ Pintor de quadros/Atores/cantores (...)
1
ATIVIDADE INTELECTUAL
2. LITERÁRIA
➢ escritores
Atividade Intelectual
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
3. CIENTÍFICA
➢ medico/advogado/contador (...)
OBSERVAÇÃO: Sociedade de
Advogados - não poderá ser considerada
empresária, ainda que o exercício da
profissão seja absorvido pela empresa -
proibição no Estatuto. Assim, sempre será
Sociedade Simples.
O empresário individual é aquele que exerce a
empresa, utilizando-se da personalidade jurídica de
pessoa natural, ou seja, a empresa faz parte de seu
patrimônio pessoal, havendo, portanto, confusão
patrimonial e responsabilidade do patrimônio
pessoal.
Sua identificação é por "Firma"
OBSERVAÇÃO: empresário casado: não pode ser
sócio do cônjuge no regime de comunhão universal
ou separação obrigatória.
#03 – Registro empresarial
Principais atos registrais
Arquivamento: Registro de atos
empresariais.
Matrícula: Registro dos auxiliares do
Comércio.
Autenticação: Registro dos Livros
Empresariais
Consequências da irregularidade
Não poderá propor ação de exigir contas para
requerer falência de outro empresário com base em
atos de falência;
Não poderá valer-se da eficácia probatória que
possuem os livros empresariais, trazendo para os
livros uma presunção de veracidade em relação a
outros documentos do processo;
Não poderá propor recuperação de empresas;
Se requerida a exibição dos livros empresariais, e o
empresário não os possuir, ou possuí-los sem os
requisitos de modo e segurança de escrituração,
presumir-se-ão verdadeiros os fatos relatados pelo
requerente da exibição judicial.
2. Sociedades - principais espécies
#04 – Sociedade em comum
Hipóteses:
a) apenas de fato, por não terem sequer contrato
escrito
b) possuem contrato escrito não registrado
c) mesmo registradas, passaram por uma substancial
mudança em suas cláusulas essenciais, não as tendo
levado a registro
Responsabilidade:
- perante os sócios = solidária
- perante terceiros: é Ilimitada, respondendo
primeiro o patrimônio especial e, exaurido este, o
patrimônio pessoal dos sócios
OBSERVAÇÃO: Perde o benefício de ordem aquele
que contratou pela sociedade
#05 – Sociedade Simples
Espécies:
a) pura;
b) em comum;
c) em nome coletivo;
d) em comandita;
e) limitada;
f) cooperativa
Responsabilidade dos sócios:
a) irregular: regras da sociedade em comum.
b) pura: poderá ser subsidiária ou solidária,
dependendo do que estabelecer o contrato social;
c) especial: dependerá da legislação específica;
d) alternativa:ficará vinculada ao tipo societário
escolhido pelos sócios
#06 – Sociedade Limitada
66
Regência supletiva: no silêncio do contrato
social, adotam, subsidiariamente, as regras das
sociedades simples, podendo os sócios optar
pelas supletivas das sociedades por ações.
Venda de cotas: no silêncio do contrato, a cessão
de quotas é permitida, desde que não haja
oposição de sócios que representem 25% do
capital social (sociedade de pessoas com base no
affectio societatis).
Responsabilidade dos sócios: restrita ao valor de
suas quotas, havendo solidariedade quanto à
integralização do capital social
Condomínio de quotas: as cotas são
indivisíveis, mas podem ter mais de um titular em
condomínio, quando seus direitos serão exercidos
pelo representante dos condôminos (por
exemplo, inventariante); todos os condôminos
têm obrigação solidária pela integralização do
capital social.
Vedação à contribuição por mera prestação de
serviços
Sócio remisso: inadimplente com sua parcela do
capital social não integralizado - consequências =
sócio que pagou sua parte poderá:
Excluí-lo da sociedade, após notificá-lo, e
reconstituir a sociedade com outro sócio de sua
confiança ou convertendo em unipessoal ou
empresário individual;
Se o sócio remisso, integralizar, ao menos parte,
basta diminuir o capital do remisso e assumir o
restante.
Liquidar a sociedade;
#07 – Sociedade Anônima
Conceito: sociedade comercial que tem seu
capital social dividido em ações, estando a
responsabilidade de cada acionista limitada à
integralização das suas ações
Espécies:
a) Abertas, aquelas que têm seus valores
mobiliários negociados na bolsa de valores ou no
mercado de balcão
b) Fechadas, aquelas que não têm seus valores
mobiliários negociados da mesma forma.
#08 – Ações
Conceito: parcela do capital social e atribui a seu
detentor a condição de sócio
Espécies:
a) Ordinárias: oferecem direitos e vantagens
comuns a todos os acionistas
b) Preferenciais: atribuem uma vantagem política e
econômica ao seu detentor
c) De Fruição: oferecidas aos ordinarialistas ou
preferencialistas que tiverem suas ações amortizadas
pela companhia.
Voto plural: ações ordinárias com poder de
voto superior às demais, possibilitando que um
acionista exerça o controle da companhia ainda
que com pequena participação no capital social;
possibilita a captação pública de recursos sem
perda do poder de mando na companhia; seu
limite é de 10 votos do plural por 1 da ordinária
(110-A, L. 6.04/1976).
Conversibilidade: ações ordinárias podem ser
convertidas em preferenciais.
3. Estabelecimento
#09 – Conceito de estabelecimento
Complexo de bens (materiais e imateriais)
reunidos para o desenvolvimento da atividade
empresarial.
Possui um valor econômico próprio, distinto do
valor dos bens que o compõem.
Universalidade de fato.
#10 – Trespasse
Objeto: alienação ou arrendamento do
estabelecimento para outro empresário (não
abrange, porém, no nome).
Forma: averbação no registro de empresas
para dar publicidade (oponibilidade perante
terceiros)
Requisitos: Notificação dos credores
(ausência = ato de falência) - prazo de 30 dias
para oposição (estabelecimento é garantia de
solvência da empresa, por ser penhorável,
inclusive a sede).
Responsabilidade dos contratantes
Adquirente passa a ser o responsável por todas as
dívidas contabilizadas (sucessão).
Alienante: responsável solidário pelas
contabilizadas regularmente por 01 anocontado da
publicação da averbação para as vencidas e 01 ano
contado do vencimento para as vincendas
Débitos tributários:
a) Alienante cessa a exploração = responsabilidade
exclusiva do adquirente por todos os débitos
(sucessão)
b) Alienante continua exploração ou a retoma
dentro de seis meses = responsabilidade subsidiária
junto com o adquirente.
Sub-rogação nos contratos do
alienante (salvo os de caráter pessoal).
Cláusula de não estabelecimento:
não concorrência por cinco anos,
salvo previsão expressa no contrato.
Arrendamento: durante todo o prazo do contrato.
#11 – Nome Empresarial
67
CC. Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma
ou a denominação adotada, de conformidade com
este Capítulo, para o exercício de empresa.
Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial,
para os efeitos da proteção da lei, a denominação das
sociedades simples, associações e fundações.
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída
por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe,
se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou
do gênero de atividade.
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de
responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual
somente os nomes daqueles poderão figurar,
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a
expressão "e companhia" ou sua abreviatura.
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente
responsáveis pelas obrigações contraídas sob a firma
social aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma
da sociedade de que trata este artigo.
Art. 1.158. Pode a sociedade limitada adotar firma ou
denominação, integradas pela palavra final "limitada"
ou a sua abreviatura.
§ 1º A firma será composta com o nome de um ou mais
sócios, desde que pessoas físicas, de modo indicativo
da relação social.
§ 2º A denominação deve designar o objeto da
sociedade, sendo permitido nela figurar o nome de um
ou mais sócios.
§ 3º A omissão da palavra "limitada" determina a
responsabilidade solidária e ilimitada dos
administradores que assim empregarem a firma ou a
denominação da sociedade.
Art. 1.159. A sociedade cooperativa funciona sob
denominação integrada pelo vocábulo "cooperativa".
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob
denominação integrada pelas expressões ‘sociedade
anônima’ ou ‘companhia’, por extenso ou
abreviadamente, facultada a designação do objeto
social.
Parágrafo único. Pode constar da denominação o
nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja
concorrido para o bom êxito da formação da empresa.
Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode,
em lugar de firma, adotar denominação aditada da
expressão ‘comandita por ações’, facultada a
designação do objeto social.
Art. 1.162. A sociedade em conta de participação não
pode ter firma ou denominação.
Art. 1.163. O nome de empresário deve distinguir-se
de qualquer outro já inscrito no mesmo registro.
Parágrafo único. Se o empresário tiver nome idêntico
ao de outros já inscritos, deverá acrescentar
designação que o distinga.
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto
de alienação.
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento,
por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar
o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a
qualificação de sucessor.
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for
excluído ou se retirar, não pode ser conservado na
firma social.
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos
constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas
averbações, no registro próprio, asseguram o uso
exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado.
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-
se-á a todo o território nacional, se registrado na forma
da lei especial.
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo,
ação para anular a inscrição do nome empresarial feita
com violação da lei ou do contrato.
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será
cancelada, a requerimento de qualquer interessado,
quando cessar o exercício da atividade para que foi
adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da
sociedade que o inscreveu.
4. Títulos de crédito
Requisitos:
a) Cartularidade: não pode ser verbal, deve existir o
documento, o título propriamente dito
b) Literalidade: só terá validade para o mundo
jurídico aquilo que está escrito no título
c) Autonomia: Abstração e Independência - a
obrigação constante no título sedesvincula do
negócio que lhe deu origem
Inoponbilidade das exceções a terceiros de
boa fé: proibição de o devedor, no plano
processual, alegar, em face do portador do título
de crédito, as defesas pessoais que poderia
sustentar contra os coobrigados anteriores
#12 – Endosso
Translativo: transferência do título (não pode
ser proibido e não se admite endosso parcial)
- não se admite o endosso condicional
Em branco: ao portador
Em preto: nominal
Mandato: poderes apenas de representação
do endossante
Pode endossar novamente, nessa condição
Poderes não cessam com a morte ou incapacidade do
endossante
68
Póstumo: após o vencimento - possível, mas
se o título for protestado, tem força apenas de
cessão de crédito.
#13 – Aval
Garantia pessoal no título
Em branco: não indica a avalizada,
reputando-se o sacador (emitente do título).
Em preto: identificação do avalizado
Simultâneo: mais de um avalista para o
mesmo avalizado - em branco e superpostos,
são considerados em benefício do sacador.
Sucessivo: um avalista garante o outro
avalista - depende de cláusula expressa, não
sendo presumido.
#14 – Títulos mais relevantes
Letra de câmbio: título abstrato, que corresponde
a um documento formal, decorrente da relação de
crédito entre duas ou mais pessoas.
- Por essa relação de crédito o sacador dá ordem de
pagamento pura e simples, à vista ou a prazo, ao
sacado, a seu favor ou de terceira pessoa (tomador ou
beneficiário), no valor e nas condições nela
constantes.
- o aceite do sacado é seu requisito de exigibilidade,
portanto
- aceite limitativo: é aquele em que o sacado aceita
pagar apenas uma parte do valor do título.
- Cláusula não aceitável: é a que traz a proibição do
aceite antes da data de seu vencimento.
- Prescrição:
a) Três anos: a contar da data do vencimento do título
- para o exercício do direito de crédito contra o
devedor principal e seu avalista.
b) Um ano: a contar da data do protesto do título -
para o exercício do direito de crédito contra os
coobrigados (sacador, endossantes e respectivos
avalistas).
c) Seis meses: a contar do pagamento - para o
exercício do direito de regresso por qualquer um dos
coobrigados.
Nota promissória: promessa de pagamento que
uma pessoa faz a outra
- Prescrição:
a) 03 anos para execução de nota promissória à vista
- conta-se a partir do término do prazo legal para
apresentação a pagamento ou do prazo fixado no
título;
b) 05 anos: para ajuizamento de ação monitória ou
de cobrança (Súmula 504 do STJ)
Cheque: ordem de pagamento à vista
- considera-se não escrita cláusula "a prazo", mas a
apresentação antecipada do título ao sacado
configura ato ilícito por abuso do direito, passível de
dano moral (Súmula 370, do STJ)
- prazo de apresentação ao sacado:
a) 30 dias: mesma praça;
b) 60 dias: praças diferentes.
- Prescrição:
a) Seis meses: ação executiva - contados da expiração
do prazo de apresentação
b) 05 anos: contados da emissão do título - ação
monitória ou de cobrança (Súmula 503 do STJ).
Duplicata: título criado para relações
empresariais, podendo ser emitida nas
modalidades compra e venda, prestação de
serviços ou serviços mercantis.
- Sacador: aquele que vende mercadoria ou presta
determinado serviço na seara empresarial, tendo
dever de emitir a nota fiscal e a duplicata na entrega
da mercadoria ou serviço.
- Sacado: aquele que adquire a mercadoria ou serviço
e que, no recebimento, deve oferecer o seu aceite,
referendando a transação - espécies de aceite:
a) Ordinário: simples assinatura do sacado no título;
b) Presumido: situação em que o sacado não assina o
título ou o retém em seu poder. O comprovante de
entrega de mercadorias assinado faz presumir o
aceite, que é obrigatório nesse caso.
- Prazo para protesto por falta de aceite ou falta de
pagamento: 30 dias
5. Contratos empresariais
#15 – Compra e venda
Retrovenda: aquela que assegura ao vendedor o
direito de recobrar o bem vendido no prazo
máximo de três anos, após a venda.
Venda com reserva de domínio: assegura ao
vendedor a reserva de domínio sobre a coisa
vendida, até que o comprador pague
integralmente o preço ajustado
Venda a contento: venda feito sob condição
suspensiva de o comprador manifestar o seu
contentamento com a mercadoria; a essa regra
se sujeita também a venda a prova
Preempção ou preferência: assegura ao
vendedor o chamado direito de prelação,
segundo o qual, o comprador que quiser vender
ou dar em pagamento o bem que adquiriu do
vendedor, tem que oferecer a este, nas mesmas
condições de preço, o direito de preferência, não
69
podendo ser cedido ou passado a herdeiros, pois
se trata de um direito exclusivo do vendedor
#16 – Alienação fiduciária em garantia
Conceito: representa a venda em garantia de um
bem financiado (móvel ou imóvel), por meio do o
fiduciário passa a ter o domínio resolúvel e a
posse indireta, independentemente de tradição, e
o devedor (o financiado ou fiduciante), a posse
direta do bem e o respectivo depósito.
- Na alienação fiduciária, o caráter transitório se
evidencia de maneira que a propriedade do bem
dado em garantia seja transferida ao credor fiduciário
até o momento em que o devedor fiduciante satisfaça
todas as prestações assumidas na aquisição do bem
alienado fiduciariamente.
#17 – Arrendamento mercantil (leasing)
Assemelha-se a um contrato de locação, podendo
o arrendatário, entretanto, no término do contrato,
comprar o bem locado, pagando o VRG (valor
residual geral)
O arrendamento mercantil puro ou financeiro se
caracteriza pela inexistência de resíduo expressivo
#18 – Franquia
FRANQUIA
CARACTERÍSTICAS
ENGINEERING
MANAGEMENT
MARKETING
➢ o franqueador orienta o franqueado no processo de montagem e
planejamento de seu estabelecimento;
➢ o franqueador orienta o franqueado sobre o processo de
treinamento de sua equipe de funcionário e gerência;
➢ o franqueador orienta o franqueado sobre divulgação e promoção
dos produtos.
Franquia 1
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
franquia é uma opção de o franqueador expandir os negócios de forma mais
econômica, pois não terá despesas com estruturação de filiais, além do que, com o
aumento das compras com seus fornecedores, possibilitará uma melhor negociação de
preços.
ESPÉCIES
a) Consensual
b) Bilateral
c) Oneroso
d) Escrito
e) Assinado por duas testemunhas
f) Validade após registro
6. Falência e recuperações judiciais
#19 – Fase pré-falimentar
FALÊNCIA AÇÃO DE FALÊNCIA
A) DEVEDOR EMPRESÁRIO
B) INSOLVÊNCIA
C) SENTENÇA DECRETATÓRIA DE FALÊNCIA
A FALÊNCIA PODE SER PROPOSTA
POR:
a) Impontualidade injustificada
b) Execução frustrada
c) Atos de falência
CRISE ECONÔMICA DO
EMPRESÁRIO E SOCIEDADE
EMPRESARIA, EM QUE A
CONTINUIDADE DA EMPRESA SE
TORNA INVIÁVEL.
Falência 1
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
Pressupostos:
Ajuizada pelo próprio
empresário, pela
sociedade empresária ou
por terceiros, para
viabilizar a execução
coletiva com o objetivo de
pagar os credores e
promover a maximização
dos ativos da massa
falida, com a ideia de
trazer o menor prejuízo
possível para todas as
partes.
COMPETÊNCIA
Local em que se encontra
o maior volume de
negócios do falido.
FRASE PRÉ-FALIMENTAR
Causas
Juízo universal: todas as ações são atraídas
para o juízo falimentar.
Não se aplica para:
Sociedades simples
Empresas públicas
Sociedades de economia mista
Cooperativas de crédito
Consórcios
Entidades de previdência privada e outras entidades
legalmente equiparadas
#20 – Hipóteses de falência
Impontualidade injustificada:
título ou títulos executivos que ultrapassem 40
salários-mínimos +
Protesto para fins falimentares
Execução frustrada:
Devedor não paga ou não garante o juízo dentro do
prazo legal
Atos de falência:
liquidação precipitada de seus ativospagamentos ruinosos ou fraudulentos;
realiza ou tenta realizar inequivocamente negócio
simulado ou alienação de parte ou da totalidade de
seu ativo a terceiro, com o objetivo de retardar
pagamentos ou fraudar credores;
trespasse irregular ou simulado;
dá ou reforça garantia a credor ficando insolvente;
ausenta-se sem deixar representante habilitado e com
recursos suficientes para pagar os credores;
abandona estabelecimento
tenta ocultar-se de seu domicílio, do local de sua sede
ou de seu principal estabelecimento;
inadimplemento de obrigação do plano de
recuperação judicial.
#21 – Procedimento - fase falimentar e pós
falimentar
70
RITO DO PROCESSO
FALIMENTAR
1. QUANDO O PEDIDO FOR REALIZADO PELO PRÓPRIO DEVEDOR, O RITO A SER
SEGUIDO É O PREVISTO NOS ARTS. 105 A 107 DA LEI DE RECUPERAÇÃO E FALÊNCIA;
2. NOS DEMAIS CASOS, SEGUE-SE O RITO DO ART. 98 DA MESMA LEI.
Falência
Auto Falência Sentença
Decretação e
Falência
Arrecadação
de Bens
Liquidação/
Pagamento
dos Credores
Encerramento
da Falência
Pedido do
Credor
Causas de
Insolvência
Defesas
Preliminares
Sentença
Denegação da
Falência
Falência 2
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
O devedor poderá se defender no prazo de dez dias, via contestação, no que poderá elidir a
falência, pedir recuperação ou demonstrar que os requisitos para o pedido de falência não foram
preenchidos.
DEFESA
Tem efeito de decisão interlocutória, pois apenas dá inicio ao processo de falência.
DECISÃO QUE
DECRETA A
QUEBRA
O administrador judicial deve verificar os créditos, sendo que, de forma simultânea, a sentença
explicita prazo de 15 dias para as habilitações.
VERIFICAÇÃO DE
CRÉDITOS
compromisso do administrador judicial a arrecadação dos bens e documentos da massa falida
para futuramente promover a venda para a liquidação de seus ativos e pagamento dos credores.
ARRECADAÇÃO
DOS BENS E
DOCUMENTOS
Após a verificação de contas do administrador por decisão judicial, é possível o encerramento da
falência.
VERIFICAÇÃO DE
CONTAS
Se dá por decisão judicial que levará em conta, no mínimo, o pagamento de 50% dos créditos
quirografários, além de outras hipóteses.
ENCERRAMENTO
DA FALÊNCIA
Falência 3
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
Falência 4
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
ORDEM DE PAGAMENTO DOS CRÉDITOS
Natureza Beneficiário
Créditos extraconcursal / Pagamento
Antecipado
Verbas Salariais Imediatas
Crédito extraconcursal Restituição Em Dinheiro
Crédito Extraconcursal Remuneração De Trabalhadores, Do Administrador Judicial E Dos Auxiliares
Crédito Extraconcursal Quantias Fornecidas À Massa Pelos Credores
Crédito Extraconcursal Despesas Com Arrecadação, Administração, Realização Do Ativo E Distribuição
Crédito Extraconcursal Custas Judicais Da Massa
Crédito Extraconcursal Atos Juridicos Válidos Praticados Durante A Recuperação E Após A Decretação Da Falência
Crédito Concursal Créditos Acidentários E Alimentares
Crédito Concursal Créditos Trabalhistas
Crédito Concursal Créditos Com Garantia Real
Crédito Concursal Créditos Tributários
Crédito Concursal Créditos Quirografários
Crédito Concursal Multas E Penas Pecuniárias
Crédito Concursal Créditos Subordinados
Crédito Concursal Juros Vencidos Após A Decretacao
Devolução De Saldo Empresário Ou Sociedade Empresária
FASE PÓS-FALIMENTAR
CONCLUÍDA A REALIZAÇÃO DE TODO O ATIVO E DISTRIBUÍDO O PRODUTO ENTRE OS CREDORES:
a) Administrador judicial apresentará suas contas ao juiz no prazo de 30 dias;
b) O juiz decidirá, por sentença, se aprova ou não as contas apresentadas pelo administrador judicial:
1. Havendo impugnação ou parecer: o administrador
será ouvido novamente, após suas contas serão
julgadas
2. não havendo impugnação, o juiz julgará
c) Após julgado as contas, o administrador apresentará relatório final em 10 dias;
d) Apresentado o relatório final, o juiz encerrará a falência por sentença.
IMEDIATAMENTE APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA SENTENÇA DE ENCERRAMENTO, OS PRAZOS
PRESCRICIONAIS REFERENTES ÀS OBRIGAÇÕES DO FALIDO QUE ESTAVAM SUSPENSOS EM
RAZÃO DA SENTENÇA DECLARATÓRIA DA FALÊNCIA COMEÇAM A FLUIR NOVAMENTE.
Fase Pós-Falimentar 1
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES
SOMENTE SERÁ PROFERIDA A SENTENÇA
DE EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES SE
PRESENTE UMA DAS SEGUINTES
HIPÓTESES:
a) pagamento de todos os créditos;
b) pagamento, depois de realizado todo o ativo, de mais de 25% dos créditos quirografários, sendo
facultado ao falido o depósito da quantia necessária para atingir essa porcentagem, se para tanto não
bastou a integral liquidação do ativo;
c) o decurso do prazo de 3 (três) anos, contado da decretação da falência, ressalvada a utilização dos
bens arrecadados anteriormente, que serão destinados à liquidação para a satisfação dos credores
habilitados ou com pedido de reserva realizado.
Extinção das Obrigações 1
ESTRATÉGIA OAB
Prof. Alessandro Sanchez
#22 – Principais súmulas sobre falência
Súmula 219, STJ Os créditos decorrentes de
serviços prestados à massa falida, inclusive a
remuneração do síndico, gozam dos privilégios
próprios dos trabalhistas.
Súmula 361, STJ A notificação do protesto, para
requerimento de falência da empresa devedora,
exige a identificação da pessoa que a recebeu.
#23 – Recuperação judicial
Legitimidade ativa:
a) empresário em crise
b) sociedade empresária em crise
c) cônjuge sobrevivente
71
d) herdeiros
e) inventariante
f) sócio remanescente
Requisitos:
a) empresa regular
b) existência há mais de dois anos
c) não ter se beneficiado do instituto nos últimos cinco
anos
d) não ter cometido determinados crimes contra
o patrimônio e a administração pública.
Documentos indispensáveis à propositura da
ação:
a) exposição de causas da crise econômico-financeira;
b) as demonstrações contábeis (podendo ser
simplificadas, na hipótese de o devedor ser
microempresa ou empresa de pequeno porte);
c) o relatório da situação econômica; a relação dos
credores;
d) a relação dos empregados;
e) a certidão de regularidade da Junta Comercial; o
contrato social ou estatuto atualizado e atas de
nomeação dos atuais administradores;
f) a relação dos bens particulares dos sócios
controladores e administradores;
g) os extratos bancários do devedor e certidões de
protesto;
h) a relação das ações judiciais em andamento.
Créditos excluídos:
a) os créditos tributários e previdenciários;
b) os créditos posteriores ao pedido de
recuperação judicial;
c) os créditos de proprietário fiduciário; TRAVA
BANCÁRIA
d) os créditos de arrendamento mercantil (leasing);
e) vendedor ou promitente vendedor de imóvel,
cujos respectivos contratos contenham cláusula de
irrevogabilidade ou irretratabilidade, inclusive
incorporações imobiliárias;
f) proprietário em contrato de venda com reserva
de domínio;
g) titulares de ACC (Adiantamento de Contrato de
Câmbio).
#24 – Procedimento da Recuperação judicial
OBSERVAÇÃO: Súmula 480, STJ - O juízo da
recuperação judicial não é competente para decidir
sobre a constrição de bens não abrangidos pelo plano
de recuperação da empresa.
#25 – Stay period
Suspensão das ações e prescrições: 180 dias,
prorrogáveis por mais 180 apenas uma vez, se não
houver culpa do devedor.
Exceções: ilíquidas, trabalhistas, tributárias,
extraconcursais.
#26 - Aprovação do plano
Simples: sem objeções
Em assembleia: com objeções
Aprovação: por mais da metade dos créditos
presentes e em todas as classes.
Aprovação forçada ("cramdown"): O juiz poderá
conceder a recuperação judicial com base em
plano que não obteve aprovação na assembleia
geral de credores, desde que, na mesma
assembleia, tenha o plano obtido, de forma
cumulativa:
a. o voto favorável de credores que
representem mais da metade do
valor de todos os créditos
presentes à assembleia,
independentemente de classes;
b. a aprovação de duas das classesde credores pelo quórum
qualificado ou, caso haja
somente duas classes com
credores votantes, a aprovação
de pelo menos uma delas; e
c. c) na classe que houver rejeitado
o plano, tiver obtido o voto
favorável de mais de 1/3 dos
credores e não houver
72
tratamento diferenciado previsto
no plano para os dissidentes.
#27 – Novação dos créditos
Com a aprovação do plano, todos os créditos nele
abrangidos e anteriores à aprovação ficam
novados.
Não atinge as garantias, salvo anuência dos
respectivos credores.
#28 – Habilitações de créditos
Tempestiva: 15 dias da publicação do edital
de aviso do processamento da recuperação -
confere direito de voto na assembleia geral
de credores
Retardatária: após esse prazo
Não tem direito a voto, salvotrabalhista
Autuação em separado (incidente)
Ser for após a formação do quadro geral de credores,
tramitará por procedimento comum (ação)
#29 – Duração da recuperação judicial
02 anos da concessão
Prazo de supervisão judicial da concessão, quando o
descumprimento do plano importa em convolação
em falência
Após esse prazo, o descumprimento pode configurar
ato de falência, a ser apurado em ação autônoma.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL
1. Litisconsórcio e Intervenção de terceiros
#01 – Litisconsórcio
Espécies e consequências de sua não formação:
Facultativo: por opção do autor - a ausência de sua
formação apenas importa em inoponibilidade da
sentença para quem não participou do processo
Necessário: por disposição legal (ex. confrontantes
na ação de usucapião) ou por incindibilidade da
relação jurídica (ex. todas os contratantes na ação de
anulação de contrato)
OBSERVAÇÃO: a ausência de sua formação importa
em nulidade do processo nos casos de litisconsórcio
unitário (quando a sentença deve ser uniforme para
todas as partes) e inoponível para quem não
participou quando for simples (quando o resultado
não precisar ser necessariamente o mesmo para todas
as partes).
#02 -Assistência
Hipóteses de cabimento:
terceiro com interesse jurídico que uma das partes
processuais seja a vencedora da demanda.
o assistente recebe o processo no estado em que se
encontrar.
Espécies
ASSISTÊNCIA
SIMPLES LITISCONSORCIAL
A parte ingressa em juízo
para auxiliar uma das
partes por possuir
Sempre que a
sentença influir na
relação jurídica
interesse jurídico no
deslinde da demanda.
entre ele e o
adversário do
assistido.
Relação jurídica do
terceiro assistente apenas
com o assistido.
Relação jurídica do
terceiro assistente
com ambas as partes
na ação.
O assistente é um
coadjuvante no processo
(atividade subordinada).
O assistente recebe
tratamento de parte.
Procedimento: o magistrado poderá:
rejeitar liminarmente o ingresso; ou
se não for o caso de rejeição, o magistrado deverá
intimar as partes para que, no prazo de 15 dias,
apresentem impugnação.
#03 – Denunciação da lide
Natureza: demanda incidente; regressiva;
eventual; e antecipada.
Hipóteses:
ao alienante imediato, no processo relativo à coisa
cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de
que possa exercer os direitos que da evicção lhe
resultam;
àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato,
a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem
for vencido no processo.
OBSERVAÇÃO: Não se admite nas hipóteses de
intromissão de fundamento novo
#04 – Chamamento ao processo
Hipóteses:
73
Admite-se o chamamento do afiançado quando o
fiador for demandado.
Admite-se o chamamento ao processo dos demais
fiadores quando a ação for proposta apenas contra
um deles.
Admite-se o chamamento ao processo dos demais
devedores solidários quando o credor ingressar
contra um deles apenas.
Procedimento:
pedido na defesa
prazo para citação
a) 30 dias, se residir na mesma comarca,
seção ou subseção; ou
b) 2 meses, se residir em comarca, seção ou
subseção distintas ou estiver em local
incerto ou não sabido.
Finalidade: formação de título executivo contra
os demais devedores solidários chamados ao
processo.
#05 - Incidente de desconsideração da
personalidade jurídica
Legitimidade: parte ou do Ministério Público
(quando lhe couber intervir no processo) - não
cabe de ofício, portanto.
Cabimento: fase conhecimento, cumprimento de
sentença ou execução de título extrajudicial
Defesa: instaurado o incidente, o sócio ou a
pessoa jurídica será citado para manifestar-se e
requerer as provas cabíveis no prazo de 15
(quinze) dias.
Efeitos do julgamento: acolhido o pedido de
desconsideração, de alienação ou de oneração de
bens, havida em fraude de execução, será ineficaz
em relação ao requerente.
Espécies de desconsideração:
Ortodoxa: atinge o patrimônio dos sócios ou
administradores por dívidas da empresa
Inversa: atinge o patrimônio da empresa por dívida
do sócio
Expansiva: atinge o patrimônio de sócio oculto da
empresa
Indireta: atinge o patrimônio de outras empresas do
mesmo grupo econômico da devedora
Teorias:
Maior: Código Civil - necessidade de demonstração
de confusão patrimonial ou desvio de finalidade.
Menor: ambiental e consumerista - basta mero
inadimplemento da empresa.
2. Indeferimento da inicial e improcedência liminar
#06 – Indeferimento da inicial
Decorre de vícios processuais insanáveis ou
insanados, porque deve o juiz, antes de sentenciar,
determinar que a parte corrija o vício (15 dias).
Hipóteses:
a) Inépcia da petição inicial: falta de pedido ou
causa de pedir; pedido indeterminado
(exceto se for caso legal de pedido genérico);
falta de lógica; e pedidos incompatíveis
b) Ilegitimidade de parte manifesta
c) Falta de interesse processual
d) Não manter endereço atualizado quando
atuar em causa própria
e) Não proceder à emenda.
Recurso: da sentença cabe apelação com efeito
regressivo (permite juízo de retratação).
Sentença sem análise do mérito
O réu será citado para apresentar contrarrazões
O provimento do recurso importa na abertura de
prazo para o réu apresentar contestação
#07 – Improcedência liminar
Hipóteses:
Pedido contrário a precedente vinculante ou
Prescrição ou Decadência + desnecessidade de dilação
probatória
Recurso: da sentença cabe apelação com efeito
regressivo (permite juízo de retratação).
Sentença sem análise do mérito
O réu será citado para apresentar contrarrazões
O provimento do recurso importa na abertura de
prazo para o réu apresentar contestação.
3. Tutela provisória
#08 – Tutelas provisórias de urgência e evidência
Espécies de tutela de urgência: requisitos do risco
de dano, plausibilidade do direito e reversibildiade da
medida
Antecipada: antecipação dos efeitos da decisão
(satisfativa) - ex. alimentos provisórios
Cautelar: visam garantir a efetividade do processo,
protegendo o bem jurídico, as partes ou as provas
(acautelatórias) - ex. arresto
Tutela de evidência: baseada na
prova pré-constituída (plausibilidade do
direito) - hipóteses: tese autoral baseada
em precedente vinculante e prova
meramente documental; sanção ao réu
que abusa do direito de defesa; ação de
74
depósito com prova documental do contrato;
ausência de defesa séria do réu à pretensão do autor.
#09 – Tutelas antecedentes
Antecipada:
se a liminar for concedida, deve o pedido ser aditado
em 15 dias (ou outro maior que o juiz fixar), pena de
extinção do processo e revogação da liminar.
não há necessidade de recolhimento de novas custas
no aditamento.
o réu deve agravar da decisão concessiva da liminar,
sob pena de estabilização da tutela, quando só
poderá pedir sua revogação em ação autônoma que
deve ser ajuizada no prazo decadencial de 02 anos
contados da ciência da decisão que extinguiu o
processo.
Cautelar: peculiaridades
se a liminar for concedida, o prazo para o aditamento
é de 30 dias, não podendo ser mais repetido o
pedido, salvo pelacomo sede, filial ou local de
trabalho espaço de uso individual ou
compartilhado com outros escritórios de
advocacia ou empresas, desde que
respeitadas as hipóteses de sigilo previstas na Lei e no
Código de Ética e Disciplina.
Art. 15, § 4º: Nenhum advogado pode integrar mais de
uma sociedade de advogados, constituir mais de uma
sociedade unipessoal de advocacia, ou integrar,
simultaneamente, uma sociedade de advogados e
uma sociedade unipessoal de advocacia, com sede ou
filial na mesma área territorial do respectivo Conselho
Seccional.
Art. 17-A: O advogado poderá associar-se a uma ou
mais sociedades de advogados ou sociedades
unipessoais de advocacia, sem que estejam presentes
os requisitos legais de vínculo empregatício, para
prestação de serviços e participação nos resultados, na
forma do Regulamento Geral e de Provimentos do
Conselho Federal da OAB.
Essa associação dar-se-á por meio de pactuação de
contrato próprio, que poderá ser de caráter geral ou
restringir-se a determinada causa ou trabalho e que
deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB
em cuja base territorial tiver sede a sociedade de
advogados que dele tomar parte.
Além da sociedade, o sócio e o titular da sociedade
individual de advocacia respondem subsidiária e
ilimitadamente pelos danos causados aos clientes por
ação ou omissão no exercício da advocacia, sem
prejuízo da responsabilidade disciplinar em que
possam incorrer.
#06 – Advogados empregados
O advogado empregado não está obrigado à
prestação de serviços profissionais de interesse
pessoal dos empregadores, fora da relação de
emprego.
As atividades do advogado empregado poderão ser
realizadas, a critério do empregador, em qualquer um
dos seguintes regimes: exclusivamente presencial;
não presencial (teletrabalho ou trabalho à
distância) ou misto.
O comparecimento nas dependências de
forma não permanente, variável ou para
participação em reuniões ou em eventos
presenciais não descaracterizará o
regime não presencial.
Na vigência da relação de emprego, as partes
poderão pactuar, por acordo individual simples, a
alteração de um regime para outro.
A jornada de trabalho do advogado empregado,
quando prestar serviço para empresas, não poderá
exceder a duração diária de 8 (oito) horas contínuas e
a de 40 (quarenta) horas semanais.
Art. 21. Nas causas em que for parte o empregador, ou
pessoa por este representada, os honorários de
sucumbência são devidos aos advogados
empregados. Parágrafo único. Os honorários de
sucumbência, percebidos por advogado empregado
de sociedade de advogados são partilhados entre ele
e a empregadora, na forma estabelecida em acordo.
3. Honorários Advocatícios. Da Incompatibilidade e Impedimento.
#07 – Honorários Advocatícios
Os Honorários Convencionados são aqueles
em que as partes, advogado e cliente,
pactuam o valor a ser cobrado, de forma
escrita, ou verbal. Na falta de estipulação ou
de acordo, os honorários são fixados por
arbitramento judicial, em remuneração
compatível com o trabalho e o valor
econômico da questão, observado
obrigatoriamente o disposto no Código de
Processo Civil.
Salvo estipulação em contrário, 1/3 (um terço) dos
honorários é devido no início do serviço, outro terço
até a decisão de primeira instância e o restante no
final.
O advogado, quando indicado para
patrocinar causa de juridicamente
Espécies de
Honorários
Convencionados
Arbitrados
Sucumbenciais
Assistenciais
9
necessitado, no caso de impossibilidade da
Defensoria Pública no local da prestação de
serviço, tem direito aos honorários fixados
pelo juiz, segundo tabela organizada pelo
Conselho Seccional da OAB, e pagos pelo
Estado.
Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de
honorários antes de expedir-se o mandado de
levantamento ou precatório, o juiz deve determinar
que lhe sejam pagos diretamente, por dedução da
quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este
provar que já os pagou.
Os Honorários de Sucumbência são aqueles
arcados pela parte vencida no processo.
Considera-se advocacia pro bono a
prestação gratuita, eventual e voluntária de
serviços jurídicos em favor de instituições
sociais sem fins econômicos e aos seus
assistidos, sempre que os beneficiários não
dispuserem de recursos para a contratação de
profissional.
Os honorários assistenciais são aqueles fixados em ações
coletivas propostas por entidades de classe em
substituição processual, sem prejuízo aos honorários
convencionais.
Nos casos judiciais e administrativos, as disposições,
as cláusulas, os regulamentos ou as convenções
individuais ou coletivas que retirem do sócio o direito
ao recebimento dos honorários de sucumbência,
serão válidos somente após o protocolo de petição
que revogue os poderes que lhe foram outorgados ou
que noticie a renúncia a eles, e os honorários serão
devidos proporcionalmente ao trabalho realizado nos
processos.
Salvo renúncia expressa do advogado
aos honorários pactuados na hipótese
de encerramento da relação contratual
com o cliente, o advogado mantém o
direito aos honorários proporcionais ao
trabalho realizado nos processos judiciais e
administrativos em que tenha atuado, nos exatos
termos do contrato celebrado, inclusive em relação
aos eventos de sucesso que porventura venham a
ocorrer após o encerramento da relação contratual.
O distrato e a rescisão do contrato de prestação de
serviços advocatícios, mesmo que formalmente
celebrados, não configuram renúncia expressa aos
honorários pactuados.
O contrato de prestação de serviços de
advocacia não exige forma especial, mas deve
estabelecer: o seu objeto, os honorários
ajustados, a forma de pagamento, a extensão
do patrocínio, esclarecendo se este abrangerá
todos os atos do processo ou limitar-se-á a
determinado grau de jurisdição, além de
dispor sobre a hipótese de a causa encerrar-
se mediante transação ou acordo.
A compensação de créditos, pelo advogado,
de importâncias devidas ao cliente, somente
será admissível quando o contrato de
prestação de serviços a autorizar ou quando
houver autorização especial do cliente para
esse fim, por este firmada.
Art. 24-A. No caso de bloqueio universal
do patrimônio do cliente por decisão
judicial, garantir-se-á ao advogado a
liberação de até 20% (vinte por cento)
dos bens bloqueados para fins de
recebimento de honorários e reembolso
de gastos com a defesa, ressalvadas as causas
relacionadas aos crimes previstos na Lei nº 11.343, de
23 de agosto de 2006 (Lei de Drogas), e observado o
disposto no parágrafo único do art. 243 da
Constituição Federal.
Contrato com cláusula quota litis:
O contrato com cláusula quota litis, também
conhecido como contrato de honorários ad exitum,
refere-se àquele em que o cliente não tem condições
de arcar com os valores da demanda, ou seja, o
advogado efetuará o pagamento de toda a demanda
e, ao final do processo, receberá os honorários
pertinentes, a depender do êxito que tiver obtido na
demanda
Na hipótese da adoção dessa cláusula, os honorários
devem ser necessariamente representados por
pecúnia e, quando acrescidos dos honorários da
sucumbência, não podem ser superiores às vantagens
advindas a favor do cliente.
Prescrição:
Prescreve em 5 anos a ação de cobrança de
honorários, contado o prazo:
do vencimento do contrato, se houver;
do trânsito em julgado da decisão que os fixar;
da ultimação do serviço extrajudicial;
da desistência ou transação;
da renúncia ou revogação do mandato.
Art. 26. O advogado substabelecido,
com reserva de poderes, não pode
cobrar honorários sem a intervenção
daquele que lhe conferiu o
substabelecimento. Parágrafo único. O
disposto no caput deste artigo não se
aplica na hipótese de o advogado substabelecido,
com reservas de poderes, possuir contrato celebrado
com o cliente.
#08 – Incompatibilidade e Impedimento
Incompatibilidade: Proibiçãoocorrência de fatos novos.
defesa sobre a concessão da liminar em 05 dias, pena
de revelia (mas não ocorre a estabilização da tutela.
o indeferimento da liminar não impede que o autor
apresente o pedido principal.
4. Audiência de conciliação e mediação
Cabimento: todos os processos que admitem
autocomposição (mesmo que de direitos
indisponíveis, se possível acordo sobre a forma de seu
exercício).
Não comparecimento da parte: se injustificado
importa em multa de até 2% do proveito econômico
do processo ou do valor da causa, em favor da União
ou do Estado.
Prazo da defesa: começa a correr da data da
audiência em que for encerrada a tentativa frustrada
de conciliação ou do pedido bilateral de sua não
realização (deve ser apresentado pelo réu em até 10
dias antes da audiência).
5. Reconvenção
pretensão do réu exercida contra o autor baseada em
fundamento da defesa ou fato conexo com a causa de
pedir da petição inicial, podendo ser oposta mesmo
que o réu não conteste
a desistência ou extinção sem resolução do mérito
não importa na extinção automática da reconvenção
cabe reconvenção da reconvenção (conexão com
fundamento da reconvenção ou com fato novo nela
narrado).
cabe ampliação subjetiva da lide (inserção de novos
réus na reconvenção ou apresentação em
litisconsórcio com mais reconvintes).
6. Saneamento e providências preliminares
Objeto:
Fixação dos pontos controvertidos
Solução de questões processuais pendentes
Análise da pertinência das provas requeridas
Julgamento antecipado da lide (dispensa de dilação
probatória)
Julgamento fracionado (dispensa de dilação
probatória em parcela dos pedidos)
Decisão de inversão do ônus da prova
#10 – Pedido de ajustes e esclarecimentos
Prazo comum de 05 dias da publicação da decisão de
saneamento (prazo para estabilização do
saneamento)
Prazo para recursos após o escoamento do prazo de
estabilização do saneamento
#11 – Pedido de ajustes e esclarecimentos
Audiência especial para fixação de pontos
controvertidos em conjunto com as partes
Causas complexas ou por iniciativa do juiz
7. Provas
#12 – Distribuição do ônus da prova
Distribuição estática: "quem alega tem que
provar"
Autor: fato constitutivo de seu direito
Réu: fatos novos (impeditivos, modificativos ou
extintivos)
Distribuição dinâmica:
Legal: ope legis - inversão do ônus da prova por
expressa previsão legal (ex. publicidade enganosa)
Judicial (opejudicis): por decisão do magistrado no
caso concreto, invertendo o ônus nas seguintes
hipóteses:
a) impossibilidade de quem deveria
provar
b) dificuldade de acesso à prova por
quem deveria provar
75
c) facilidade de acesso pela outra parte
Por convenção das partes
(convencional) admite-se a
redistribuição do ônus, exceto se
extremamente difícil ou impossível o
acesso à prova pela outra parte; ou
tratar-se de direito indisponível;
#13 – Produção antecipada de provas
Cabimento:
IMPOSSIBILIDADE ou DIFICULDADE PARA
REALIZAÇÃO POSTERIOR;
POSSIBILIDADE DE AUTOCOMPOSIÇÃO ou OUTRA
SOLUÇÃO DO CONFLITO;
Conhecimento do fato possa JUSTIFICAR OU EVITAR
A AÇÃO.
OBSERVAÇÃO: cabe para produção de qualquer
meio de prova, inclusive, para simples exibição de
documentos ou coisas
Se não houver potencial de conflito, pode ser
unilateral (ação de justificação).
Pode ser ação autônoma ou pedido incidental em
ação já em andamento (neste caso quando houver
urgência na antecipação da fase processual).
Competência: para ação autônoma
Juiz do foro do local em que deve ser produzida a
prova ou o foro do domicílio do réu.
NÃO PREVINE a competência para a ação decorrente
em que a prova produzida antecipadamente possa ser
utilizada.
NÃO será admitido recurso, EXCETO no caso de
indeferimento TOTAL do requerimento originário de
produção antecipada de provas.
Petição inicial: requisitos específicos
Indicação da razão que justifica o pedido;
Indicação dos fatos sobre os quais recairá a prova.
OBSERVAÇÃO: Realizada a prova, os autos
permanecerão em cartório para que os interessados
possam extrair cópia ou certidão pelo período de 1
mês, após, os autos serão entregues ao promovente
da ação.
#14 – Provas em espécie
Incidente de falsidade na prova documental:
Regra geral é questão incidental (não faz coisa
julgada), a menos que a parte peça que seja julgada
como questão principal (fazendo coisa julgada).
Só será realizada perícia se a parte não concordar em
retirar o documento do processo.
É ônus da parte argúi a falsidade provar o fato, salvo
em se tratando de falsidade de assinatura (cujo ônus
é de quem juntou o documento).
Prova pericial:
Honorários: podem ser pagos, a pedido da parte
deferido pelo juiz, 50% antes e 50% depois de
entregue o laudo pericial
Perícia simples: mera arguição em audiência do
especialista se o ponto controvertido for de menor
complexidade.
Perícia consensual: perito escolhido por consenso
das partes.
Quesitos suplementares e pedido de
esclarecimentos: os primeiros só podem ser
apresentados até a entrega do laudo; já os últimos,
são apresentados após a entrega do laudo.
Prova testemunhal:
Devem ser intimadas pelo advogado da parte que as
arrolar, com juntada do comprovante de intimação em
até 03 dias antes da audiência
Rol de testemunhas deve ser apresentado em até 15
dias contados do saneamento ou outro prazo fixado
pelo juiz.
Cada parte pode arrolar até 10 testemunhas, sendo
até 03 para cada fato.
A recusa da testemunha (contradita) deve ser
apresentada oralmente na audiência, com
possibilidade de produção de provas na hora.
Depois de apresentado o rol a parte só pode substituir
a testemunha que falecer; que, por enfermidade, não
estiver em condições de depor; que, tendo mudado
de residência ou de local de trabalho, não for
encontrada.
8. Coisa julgada
#15 – Questão prejudicial e coisa julgada rebus sic
standibus nas relações continuativas
Questão prejudicial: não transita em julgado,
exceto se:
Depender do julgamento do mérito;
Se houver contraditório (prévio e efetivo); e
O juízo tiver competência em razão da matéria e da
pessoa.
O procedimento não possuir restrições probatórias
Coisa julgada rebus sic standibus nas relações
continuativas:
se houver fato novo ou nova regulação jurídica do
tema, pode a questão ser reexaminada, em sendo a
relação continuativa, desde que preservados os
76
efeitos anteriormente já consolidados (ex. ação
revisional de alimentos).
9. Liquidação de sentença
Liquidação provisória: possibilidade de ser
apresentada mesmo nos casos em que o recurso da
sentença genérica tenha sido recebido com efeito
suspensivo.
Espécies de liquidação: por arbitramento
(necessidade apenas de prova pericial para apuração
do valor devido) ou por procedimento comum
(necessidade de provar fato com outros meios de
prova - ex. testemunhal).
Liquidação parcial de sentença: cabimento
concomitante de liquidação e cumprimento de
sentença quando o título judicial possui parte líquida
e ilíquida.
Necessidade de exibição de documentos
10. Recursos
Requisitos:
Intrínsecos: envolvem a existência do direito de
recorrer - recorribilidade da decisão; cabimento do
recurso; legitimidade e interesse recursal; ausência de
fato impeditivo (renúncia, desistência ou
aquiescência)
Extrínsecos: envolvem o exercício do direito de
recorrer - tempestividade, preparo e regularidade
formal
#16 – Recurso adesivo
Cabimento:
Sucumbência recíproca em:
a) apelação;
b) RE;
c) REsp.
Prazo: momento das contrarrazões, desde que o
recorrente adesivo não tenha apresentado
recurso independente.
Subordinação: não será conhecido se houver
desistência do recurso principal ou se ele for
considerado inadmissível.
#17 – Reexame necessário
Cabimento - sucumbência da Fazenda Pública em
sentença e ausência de recurso voluntário Exceções:
A condenação ou o proveito econômico obtido na
causa for de valor certo e líquido inferior a:
a) 1.000 salários-mínimos para a União e as
respectivas autarquias e fundações de
direito público;
b) 500 salários-mínimos para os Estados, o
Distrito Federal, as respectivas autarquias
e fundações de direito público e os
Municípios que constituam capitais dos
Estados;
c) 100 salários-mínimos para todos os
demais Municípios e respectivas
autarquias e fundações de direito público.
Sentença fundada em precedente vinculante e
orientação vinculante firmada no âmbito
administrativo do próprio ente público, consolidada
em manifestação, parecer ou súmula administrativa.
#18 – Incidente de ampliação de julgamento
Cabimento: decisão não unânime em
Apelação
Ação rescisória com rescisão da sentença
Agravo de instrumento que julgar parcialmente o
mérito.
OBSERVAÇÃO: não se aplica:
Incidente de assunção de competência e ao de
resolução de demandas repetitivas;
Da remessa necessária;
Decisão do plenário ou pela corte especial.
Procedimento:
Prosseguimento com a convocação de mais
julgadores, com direito de nova sustentação oral
Os julgadores que já tiverem votado poderão rever
seus votos
#19 – Sustentação oral
Cabimento:
a) Apelação;
b) Recurso ordinário;
c) Recurso especial;
d) Recurso extraordinário;
e) Embargos de divergência;
f) Ação rescisória, no mandado de segurança,
na reclamação e outras ações competência
originária;
g) Agravo de instrumento interposto contra
decisões interlocutórias que versem sobre
tutelas provisórias de urgência ou da
evidência;
h) Agravo interno da decisão monocrática nos
recursos e ações citadas anteriormente.
#20 – Recursos em espécie
Apelação sem efeito suspensivo automático: a
regra é que a apelação possua efeito suspensivo
automático, quando só cabe a efetivação da decisão
77
após o julgamento do recurso, exceto nos seguintes
casos:
homologa divisão ou demarcação de terras;
condena a pagar alimentos;
extingue sem resolução do mérito ou julga
improcedentes os embargos do executado;
julga procedente o pedido de instituição de
arbitragem;
confirma, concede ou revoga tutela provisória;
decreta a interdição.
Taxatividade mitigada no agravo de
instrumento:
o rol das hipóteses de agravo de instrumento é
exaustivo (art. 1.015 do CPC e outras opções legais),
mas a parte, se houve urgência no exame de matéria
neles não previstas, pela inutilidade de se aguardar
eventual apelação para discussão do tema, pode
apresentar o agravo de instrumento (ex. discussão
sobre competência do juízo).
se a parte não apresentar o agravo de instrumento
fora das hipóteses explícitas de se não cabimento,
deverá discutir a matéria como preliminar em sua
apelação ou contrarrazões de apelação.
Agravo interno e agravos em recurso especial e
extraordinário:
O agravo interno é o recurso cabível contra decisões
monocráticas em segunda instância, sendo dirigido
ao órgão colegiado
Será cabível da decisão da Presidência do Tribunal
que não receber recurso especial ou extraordinário
em caso de o recurso ser contrário a precedente
vinculante do tribunal superior
Nos demais casos de inadmissibilidade, o recurso
cabível será o agravo em recurso especial ou agravo
em recurso extraordinário
Em caso de unanimidade na decisão do agravo
interno ou manifesto incabimento, o agravante, que
litigar em abuso do direito, será multado entre 1% e
5% do valor atualizado da causa em favor da parte
contrária.
Recurso ordinário constitucional:
Cabimento: decisão denegatórias de mandado de
segurança e mandado de injunção de competência
original de Tribunal (regionais, para o STJ; do STJ, para
o STF).
OBS: também é cabível, para o STJ, com tramitação
similar a do agravo de instrumento, das decisões
interlocutórias proferidas em ações de competência
da Justiça Federal, nas quais litiguem de um lado,
Estado estrangeiro ou organização internacional, e de
outro, município ou pessoa residente ou domiciliada
no Brasil.
Recurso especial:
Requisitos específicos: ofensa ou negativa de
vigência de dispositivo de lei federal (não cabe de lei
estadual e municipal); esgotamento de instância;
prequestionamento; decisão de tribunal.
OBS: dissídio jurisprudencial: é possível justificar o
especial, também, por divergência entre o acórdão
recorrido e a jurisprudência de outro tribunal, quando
a parte deverá demonstrar similitude fática entre os
casos usando a técnica do cotejo analítico, além da
veracidade do paradigma utilizado.
Não admite: rediscussão sobre interpretação de
cláusula contratual e simples reexame de provas do
processo.
Relevância: requisito novo, inserido por emenda
constitucional, ainda, não aplicável por ausência de lei
infraconstitucional regulamentadora.
Recurso extraordinário:
Requisitos específicos: ofensa direta à Constituição;
esgotamento de instância; prequestionamento;
decisão final (não precisa ser de tribunal, cabendo,
inclusive, de acórdão de turma recursal); repercussão
geral
Se a ofensa à Constituição for indireta, aplica-se a
fungibilidade, com envio do recurso para o STJ julgá-
lo como recurso especial, estando preenchidos seus
pressupostos de admissibilidade.
Repercussão geral: relevância (econômica, jurídica,
política ou social) e transcendência; só pode ser
examinado pelo STF e só pode ser afastada por voto
de 2/3 dos Ministros (8, portanto).
#21 – Ação Rescisória
Cabimento: vícios graves (art. 966, do CPC)
Prazos:
02 anos:
- contados do trânsito em julgado da última decisão
do processo
- contados da publicação de acórdão que declarou a
inconstitucionalidade do dispositivo legal no qual se
fundou a sentença, desde que não tenha ocorrido
modulação de efeitos por decisão do STF
05 anos: para o surgimento de prova nova
Competência: definida por quem prolatou a última
decisão de mérito no processo (efeito substitutivo).
#22 – IAC e IRDR - Incidentes de Assunção de
Competência e Resolução de Recursos Repetitivos
IRDR:
necessidade de solução controvérsia sobre a mesma
questão unicamente de direito com efetiva
repetição de processos que gere risco de ofensa à
isonomia e à segurança jurídica
78
deslocamento do feito para o órgão especial, a fim de
formação de precedente vinculante
a desistência do processo pela parte não interfere no
julgamento do incidente, o qual, apenas não será
aplicado ao caso concreto do desistente.
Cabe a admissão de amicus curie.
IAC:
necessidade de solução de relevante questão de
direito, com grande repercussão social, sem repetição
em múltiplos processos, identificada incidentalmente
em processo ou recurso analisado pelo tribunal
deslocamento do feito para o órgão especial, a fim de
formação de precedente vinculante.
11. Execução de título extrajudicial
#23 – Impenhorabilidades
Bem de família:
aplica-se mesmo para pessoas solteiras ou viúvas
em caso de mais de um imóvel de propriedade da
entidade familiar com a finalidade de residência da
família, penhora-se o de maior valor
se o único imóvel da família estiver alugado e os
valores contribuírem para o sustento, será
impenhorável
é possível a penhora da sede da empresa, salvo
microempresa
Contas bancárias:
Pequena poupança (até 40 salários-mínimos) é
impenhorável, conceito que se aplica à caderneta de
poupança ou outros investimentos
Salários:
Em regra são impenhoráveis, mas podem ser
penhorados:
a) forem de elevado valor (que ultrapassem 50
salários-mínimos mensais);
b) em execução de alimentos oriundos de direito de
família;
c) excepcionalmente, em proporção que não afete o
sustento da família, definida pelo juiz no caso
concreto.
#24 – Prescrição intercorrente
Não localização do executado para citação ou de bens
penhoráveis
Suspensão do processo por um ano, quando o
exequente poderá requerer novas diligênciasApós esse prazo, inicia-se o prazo prescrição do
crédito contido no título (depende, portanto, da
natureza da obrigação)
Se não localizado o devedor ou bens no prazo
prescricional, o juiz deve decretar a prescrição de
ofício, mas com prévia oitiva do credor (pode alegar,
por exemplo, causas suspensivas ou interruptivas da
prescrição.
#25 – Preço vil
Não se efetiva arrematação, segundo leilão, por valor
inferior a 50% do valor da avaliação, ou outro
percentual fixado pelo juiz superior a este.
Em caso de arrematação por valor inferior, cabe
pedido incidental de anulação da arrematação, se
apresentado até a assinatura do auto de arrematação.
Após esse momento, só cabe ação autônoma, quando
ao arrematante deverá ser citado como litisconsorte
necessário e poderá desistir da arrematação sem
ônus.
#26 – Embargos do executado
Ação autônoma (distribuída por dependência e com
pagamento de custas)
Citação do embargado na pessoa de seu procurador
Prazo de 15 dias contados da citação individual de
cada executado (aqui não se aplica prazo comum,
salvo se cônjuges).
Não possui efeito suspensivo automático, o qual só
será concedido se presentes 4 requisitos:
a) pedido da parte;
b) risco de dano no prosseguimento da execução;
c) plausibilidade da argumentação do executado;
d) segurança do juízo (ou seja, só são concedidos os
efeitos se há oferta de bem para penhora, ou penhora
já realizada na execução)
Se forem abusivos (improcedência liminar,
indeferimento da inicial, intempestividade e
protelação), cabe a fixação de multa de até 20% sobre
o valor da execução.
12. Mandado de segurança
79
DIREITO PENAL
1. Princípios Fundamentais do Direito Penal
#01 – Princípios Penais
Princípio da legalidade ou da reserva legal:
proíbe a retroatividade de uma lei penal
incriminadora.
Princípio da intervenção mínima (ultima ratio):
o Direito Penal deve intervir o mínimo possível nas
relações sociais, somente se criando crimes quando
realmente necessário para garantir a segurança
jurídica. Se subdivide em princípio da subsidiariedade
e princípio da fragmentariedade.
Princípio da humanidade ou dignidade da
pessoa humana: o Direito Penal deve respeitar, acima
de tudo, os direitos humanos fundamentais, e em
hipótese alguma violar a dignidade da pessoa
humana.
Princípio da intranscendência ou pessoalidade
das penas: a pena é pessoal e intransferível e jamais
ultrapassa a pessoa do autor.
Princípio da culpabilidade ou da
responsabilidade penal subjetiva: não há crime sem
culpa lato sensu (responsabilidade pessoal) decorre
de uma conduta praticada pelo agente através de
dolo ou culpa (em sentido estrito).
Princípio da lesividade ou ofensividade: sua
principal função é proibir a incriminação de condutas
que não ultrapassem o âmbito, a esfera do próprio
agente (ex.: autolesão não configura crime).
Princípio da adequação social da conduta:
condutas socialmente adequadas, aceitas pela
sociedade, devem ser reconhecidas como atípicas.
Porém, atualmente, boa parte da doutrina não aceita
sua aplicação de forma direta por se contrapor ao
princípio da legalidade.
2. Teoria da Norma
#02 – Espécies de normas penais
Lei penal incriminadora: estabelece os crimes e
prevê suas penas, estando prevista na parte especial
do Código Penal e em leis penais extravagantes.
Lei penal não incriminadora: pode ser
explicativa (não prevê crime nem estabelece pena,
possui apenas cunho explicativo. Ex.: delimita um
conceito, um princípio) ou permissiva (autoriza que
em certas hipóteses o agente atue sem que o fato seja
considerado crime. Ex.: legítima defesa).
Lei penal em branco: está incompleta e exige um
complemento para que possa ser interpretada e
aplicada. Pode ser homogênea ou heterogênea.
Lei excepcional (art. 3º CP): criada para
situações anormais de calamidade, vigorando
enquanto durar a situação que lhe deu causa. Seu
prazo de vigência é indeterminado, porém
condicionado, vinculado à situação anormal que lhe
deu causa. Possui ultratividade gravosa.
Lei temporária (art. 3º CP): criada para situações
particulares, não necessariamente anormais,
possuindo assim prazo de vigência determinado.
Também possui ultratividade gravosa.
#03 – Aplicação da lei penal no tempo
Objetiva determinar o momento de ocorrência de um
crime (tempo do crime), sendo que, para isso o CP
adotou a teoria da atividade (art. 4º).
80
#04 – Aplicação da lei penal no espaço
Teoria da Ubiquidade (art. 6º CP): lugar do
crime será tanto o local onde ocorre a prática da
conduta quanto o local em que se produzir, ou
devesse ter se produzido (tentativa) o resultado.
Princípio da territorialidade (art. 5º CP): regra
geral que define a aplicação da lei penal brasileira a
todos os fatos ocorridos (ação ou resultado) em
território nacional, ou em suas extensões, ressalvadas
as regras de tratados e convenções internacionais.
3. Iter Criminis
#05 – Conceito de Iter Criminis
Estudo das etapas de realização do crime doloso
(algumas são obrigatórias, outras facultativas).
#06 – Etapas do Iter Criminis
1. Cogitação: etapa psíquica, que não afeta bem
jurídico alheio, é absolutamente impunível.
2. Preparação ou atos preparatórios: etapa concreta,
no mundo fático, que visa instrumentalizar a realização
do crime. Via de regra, também impunível. Exemplos
de exceções: arts. 288 e 291 do CP, Lei 13.260/16 –
Terrorismo.
3. Atos executórios ou execução: agente dá início à
realização do crime, passando a interferir na esfera do
bem jurídico alheio e permitindo a intervenção do
direito penal, o que ocorre ao menos através da
tentativa (art. 14, II e parágrafo único, do CP).
4. Consumação: ocorre quando o crime está
completo, ou seja, quando o agente realiza tudo
aquilo que o tipo penal proibiu, lesionando o bem
jurídico tutelado pela norma.
#07 – Tentativa (Art. 14, II e parágrafo único, do CP)
Iter criminis que não se concluiu. O agente inicia a
execução, mas não chega à consumação por motivos
alheios à sua vontade, gerando assim um crime
incompleto, que terá sua pena diminuída de 1/3 a
2/3.
#08 – Institutos defensivos do Iter Criminis
Desistência voluntária (art. 15, 1ª parte, CP):
agente inicia os atos executórios e, durante sua
realização, voluntariamente desiste de prosseguir e
abandona a prática dos atos em curso.
Arrependimento eficaz (art. 15, 2ª parte, CP): o
agente inicia e completa todos os atos executórios,
não havendo mais nada a realizar, porém, por sua
própria escolha, atua eficazmente e impede a
consumação, evitando assim a produção do resultado.
Arrependimento posterior (art. 16, CP):
acontece posteriormente à consumação, quando o
agente repara o dano ou restitui a coisa, para receber
diminuição de pena de um 1/3 a 2/3. Requisitos:
a) Crime sem violência ou grave ameaça à pessoa;
b) Reparação do dano até o recebimento da denúncia.
Crime impossível (art. 17, CP): a lesão do bem
jurídico tutelado no tipo específico é absolutamente
impossível de ocorrer, embora o agente, que não sabe
disso, realize a conduta e atue com dolo.
4. Teoria do Crime
#09 – Conceito analítico de crime
Nosso ordenamento adotou a concepção tripartida
de delito (Teoria Finalista da Ação). O conceito
analítico de crime é formado por três elementos para
que se possa falar em crime (estrito senso). São eles:
fato típico, ilicitude ou antijuridicidade e culpabilidade
(reprovabilidade).
#10 – Fato típico
Em seu aspecto formal, é a descrição na lei da conduta
humana proibida para qual se estabelece uma sanção.
É composto pelos elementos objetivos (aqueles
concretamente previstos na norma, expressamente
descritos no próprio tipo) e subjetivos (dolo e
especial fim de agir).
81
#11 – Ilicitude ou antijuridicidade
É a relação de contrariedade entre determinado
comportamento que integre um fato típico e o
ordenamentojurídico.
Excludentes de ilicitude (art. 23, CP):
a) estado de necessidade: decorre de uma situação
de perigo em que há a estrita necessidade de
sacrificar certo bem jurídico para se preservar outro.
b) legítima defesa: ocorre quando o agente sofre
uma injusta agressão, que seja atual ou iminente, a um
bem jurídico próprio ou mesmo de terceiro, atuando
para repelir essa agressão e garantir a proteção do
bem jurídico ameaçado/agredido, desde que atue
usando moderadamente os meios suficientes,
disponíveis e necessários para isso.
c) estrito cumprimento do dever legal: decorre de
uma situação de perigo em que há a estrita
necessidade de lesionar, sacrificar certo bem jurídico
para se preservar outro.
d) exercício regular de direito: age licitamente todo
aquele que exerce de forma regular, e dentro dos
imites, um direito que lhe tenha sido outorgado pela
lei. Ex.: ofendículos.
e) consentimento do ofendido: causa supralegal de
exclusão da ilicitude, ocorre quando o titular de um
bem jurídico disponível autoriza previamente sua
lesão, desde que o agente atue dentro dos limites do
consentimento, afastando assim a ilicitude da conduta
e consequentemente o crime.
#12 – Culpabilidade
Reprovabilidade pessoal da conduta
típica e ilícita praticada. É fundamento e
pressuposto para a aplicação da pena.
Elementos da culpabilidade:
a) imputabilidade: plena capacidade de entender o
mundo e a natureza dos fatos, e ainda de se
autodeterminar de acordo com esse entendimento.
b) potencial conhecimento da ilicitude: para que
haja reprovação, culpabilidade e crime é preciso que
o agente conheça, ou tenha ao menos a possibilidade
de conhecer, o caráter ilícito, proibido, daquilo que
faz.
c) exigibilidade de conduta diversa: é preciso que
seja possível exigir do agente um comportamento
diferente daquele realizado, ou seja, que seja possível,
diante dos fatos concretos apresentados, exigir que o
sujeito não tivesse realizado o fato típico e Ilícito.
5. Teoria do Erro
#13 – Teoria limitada da culpabilidade
No que tange às espécies de erro, nosso
ordenamento adotou, a partir da teoria
normativa pura da culpabilidade, a
vertente chamada teoria limitada da
culpabilidade.
#14 – Espécies de erro
Segundo a teoria limitada da culpabilidade, há três
espécies de erros essenciais:
a) Erro de tipo incriminador (art. 20 do CP): incide
nos elementos objetivos que compõem o tipo penal,
ou seja, quando o agente se equivoca a respeito da
situação fática que está realizando ao cometer o crime
b) Erro de tipo permissivo (art. 20, § 1º, do CP):
incide sobre elementos integrantes de um tipo penal
autorizador, ou seja, incide sobre elementos que
compõem uma excludente de ilicitude (ex.: agressão
na legítima defesa), gerando uma descriminante
putativa.
c) Erro de proibição (art. 21 do CP): o agente não
conhece o caráter ilícito do seu comportamento, ou
seja, erra a respeito da proibição daquilo que faz, atua
sem o conhecimento da ilicitude de seus atos.
OBSERVAÇÃO: erro de tipo e erro de proibição
podem decorrer pela influência de um terceiro. É o
erro determinado por terceiros (art. 20, § 2º, CP).
Há também os erros acidentais, que são assim
chamados por serem relacionados a falhas, acidentes,
no momento de realização da conduta típica. São eles:
a) Erro sobre a pessoa (art. 20, § 3º, do CP): erro
quanto à identidade da vítima.
b) Erro de execução ou aberratio ictus (art. 73 do
CP): erro fático na realização/execução da conduta,
em que o agente erra o alvo visado, atingindo vítima
diversa da pretendida.
c) Aberratio criminis ou aberratio delicti (art. 74 do
CP): erro quanto ao crime praticado, quanto ao bem
jurídico lesionado.
6. Concurso de Pessoas
#15 – Conceito de concurso de pessoas
82
Ocorre quando dois ou mais agentes, em acordo de
vontades (liame subjetivo), concorrem para a prática
de determinado crime. Pode se dar na forma de
coautoria ou participação.
#16 – Teoria monista temperada
ATENÇÃO: nosso ordenamento adotou a teoria
monista temperada (art. 29, CP), pela qual autor,
coautor e partícipe respondem pelo mesmo crime,
embora cada um tenha sua pena individualizada e
calculada separadamente, respondendo, portanto, na
medida de sua culpabilidade.
Exceções à teoria monista: possibilitam que
coautores respondam por crimes diferentes. Ex: crime
de aborto.
7. Concurso de Crimes
#17 – Conceito de concurso de crimes
Ocorre quando o agente realiza vários crimes,
idênticos ou diferentes, por meio de várias condutas
(concurso material ou crime continuado) ou por
meio de uma só conduta (concurso formal).
#18 – Espécies de concurso de crimes
De acordo com a espécie de concurso de crime
ocorrida, será definida a forma de aplicação da pena.
8. Teoria da Pena
#19 – Conceito de pena
Pena é toda sanção imposta pelo Estado, mediante a
ação penal, a quem pratica uma infração penal, como
retribuição ao ato ilícito praticado e com o fim de
evitar novos delitos.
#20 – Espécies de penas
Penas privativas de liberdade (PPL):
Regimes de cumprimento das PPL: fechado,
semiaberto ou aberto.
Modalidades de PPL: reclusão ou detenção.
Dosimetria das PPL (art. 68, CP adotou sistema
trifásico - Nelson Hungria): 1ª fase: fixação da pena-
base, conforme circunstâncias judiciais; 2ª fase:
circunstâncias agravantes e atenuantes; 3ª fase:
causas de aumento e de diminuição de pena.
Limite máximo de cumprimento de PPL: foi alterado
pela Lei 13.964/19 e agora é de 40 anos (art. 75 do
CP).
Súmula 444, STJ - É vedada a utilização de inquéritos
policiais e ações penais em curso para agravar a pena-
base.
Penas restritivas de direitos (PRD, art. 43, CP):
são penas substitutivas da privação da liberdade, e
por isso autônomas e não acessórias, sendo
inadmissível sua cumulação com penas privativas de
liberdade. São elas: Prestação pecuniária; Prestação
de serviços à comunidade ou a entidades públicas;
Perda de bens e valores; Limitação de final de semana;
Interdições temporárias de direitos.
Pena de multa: sanção penal oriunda de crime,
pessoal, intransferível e individualizada (princípio da
intranscendência e da individualização das penas).
9. Extinção da punibilidade
#21 – Conceito de extinção da punibilidade
Refere-se ao afastamento da possibilidade de punir
determinado fato, mesmo este sendo típico, ilícito e
culpável.
Estão previstas no art. 107 do CP, sendo a prescrição
a mais importante delas para fins de prova.
#22 – Conceito de prescrição
Perda do direito de punir (jus puniendi) pela inércia
do Estado, que não o exercitou dentro de certo lapso
de tempo, fixado previamente em lei.
#23 – Espécies de prescrição
83
Prescrição da pretensão punitiva comum (art.
109, CP): o Estado perde a possibilidade de aplicar a
pena antes da sentença condenatória transitar em
julgado. Via de regra, toma por base a pena máxima
abstrata prevista na lei. Os prazos prescricionais são
reduzidos pela metade quando o agente, no tempo
do crime, for menor de 21 anos, ou se na data da
sentença for maior de 70 anos (art. 115 do CP).
Modalidades:
Prescrição superveniente, intercorrente ou
subsequente (art. 110, § 1º, do CP)
Prescrição retroativa (art. 110, § 1º, do CP)
Prescrição da pretensão executória (art. 110,
CP): prescrição da execução da pena que foi aplicada
concretamente na sentença condenatória definitiva,
transitada em julgado. Prazo será calculado nas bases
da tabela do art. 109 do CP.
Prescrição da pena de multa (art. 118, CP):
prescrevem em dois anos (multa for a única cominada)
ou no mesmo prazo da PPL referente ao crime,
quando a multa for cumulativa ou alternativamente
cominada.
10. PARTE ESPECIAL – Crimes contra a vida
#24 – Homicídio (art. 121, CP)
Homicídio privilegiado (art. 121, § 1º, do CP –
redução da pena de 1/6 a 1/3): causa de diminuição
de pena.
É possível o homicídio privilegiado-qualificado,desde que as qualificadoras sejam de natureza
objetiva, sendo que, este não é crime hediondo.
O homicídio culposo na direção de veículo
automotor será tratado pelo CTB (art. 302).
No crime de latrocínio, a finalidade (dolo) do agente
é a subtração da coisa, mas para isso acaba matando.
#25 – Aborto autorizado ou legal (art. 128, CP)
O aborto eugênico ou eugenésico ocorre quando há
deformidades ou anomalias no feto que possam gerar
inviabilidade para vida extrauterina e não há previsão
ou autorização no Código Penal. Porém, o STF admite
e autoriza o aborto em casos de anencefalia.
11. Crimes contra o patrimônio
#26 – Furto (art. 155, CP)
O furto de uso não caracteriza crime.
A consumação do furto, de acordo com a teoria
majoritária e adotada atualmente pelo STF (teoria da
amotio), ocorre com a mera inversão da posse.
Furto famélico: pessoa, visando a satisfazer uma
necessidade alimentar imediata, subtrai alimentos,
importando assim em situação de perigo atual para a
pessoa, sendo subtração é a única forma de
solucionar o problema naquele momento.
#27 – Roubo (art. 157, CP)
Roubo de uso: não configura crime de roubo, pode-
se imputar ao agente o constrangimento ilegal (art.
146 do CP), ou outros crimes decorrentes da violência.
Súmula 610, STF. Há crime de latrocínio quando o
homicídio se consuma, ainda que não realize o agente
a subtração de bens da vítima.
#28 – Apropriação indébita previdenciária (art.
168-A, CP)
Art. 168-A, § 2º, CP: ocorre a extinção da
punibilidade neste crime se, antes do início da ação
fiscal, o agente espontaneamente declara e efetua o
pagamento das contribuições ou valores devidos.
Porém, atualmente o STF e o STJ entendem, de acordo
com a Lei 12.382/11, que o pagamento integral dos
tributos devidos será causa de extinção da
punibilidade e poderá ser efetuado a qualquer tempo,
mesmo após o recebimento da denúncia, até mesmo
após o trânsito em julgado da sentença condenatória.
#29 – Estelionato (art. 171, CP)
Diferenças entre estelionato e outros crimes:
84
a) Estelionato e apropriação indébita: no
estelionato, o agente possui o dolo ab initio, antes de
auferir a vantagem e na apropriação indébita seu dolo
vem após possuir o bem de forma legítima.
b) Estelionato e furto mediante fraude: no
estelionato, a fraude é utilizada para que a vítima
entregue a coisa ao agente. No furto, a fraude é para
diminuir a vigilância sobre a coisa para possibilitar a
subtração.
c) Estelionato e extorsão: no estelionato, a vítima
entrega voluntariamente a coisa. Na extorsão, a vítima
faz ou deixa de fazer algo entregando a vantagem em
razão da violência ou grave ameaça.
d) Falso (crime anterior) e estelionato (crime
posterior): Súmula 17 STJ: O crime-meio (falso) é
absorvido pelo crime-fim (estelionato) quando o falso
foi o meio necessário para se obter o estelionato.
Súmula 554, STF: O pagamento de cheque
emitido sem provisão de fundos após o recebimento
da denúncia não obsta ao prosseguimento da ação
penal.
Súmula 521, STF: O foro competente para o
processo e julgamento dos crimes de estelionato, sob
a modalidade de emissão dolosa de cheque sem
provisão de fundos, é o local onde se deu a recusa do
pagamento pelo sacado.
#30 – Receptação (art. 180, CP)
Se a infração anterior for
contravenção não haverá receptação.
Crime anterior não precisa ser
previsto como crime contra o
patrimônio.
Não há receptação de bem imóvel (STF).
É admissível a receptação de receptação.
12. Crimes contra a dignidade sexual
#31 – Estupro (art. 213, CP)
Estupro na sua forma simples (art. 213, caput, CP) e
nas formas qualificadas é crime hediondo.
O art. 214 (atentado violento ao pudor) foi revogado
pela Lei 12.015/2009 e todas as condutas nele
previstas passaram a compor o art. 213 (estupro),
ocorrendo assim a chamada abolitio criminis formal.
#32 – Importunação sexual (art. 215-A, CP)
Ao instituir o Art. 215-A do CP, a Lei 13.718/18
revogou a contravenção penal de importunação
ofensiva ao pudor. Não houve, porém, abolitio
criminis, pois o Art. 61 da LCP foi apenas formalmente
revogado e seu conteúdo migrou para o novo crime
de importunação sexual (princípio da continuidade
normativo-típica).
#33 – Estupro de Vulnerável (art. 217-A do CP)
Sujeito ativo: homem ou mulher.
Sujeito passivo: somente o vulnerável, conceito
que engloba as seguintes pessoas:
a) Menor de 14 (catorze) anos;
b) Alguém que por enfermidade/deficiência
mental, não tem discernimento para o ato;
c) Alguém que, por qualquer outra causa, não
possa oferecer resistência.
#34 – Ação penal nos crimes sexuais (art. 225 do
CP)
A Lei 13.718/18 alterou a natureza da ação penal nos
crimes sexuais, tornando-a ação penal pública
incondicionada para todas as hipóteses.
13. Crimes contra a paz pública
#35 – Associação criminosa (art. 288 do CP)
Antigo crime de “quadrilha ou bando”, prevê como
crime, punido com pena de reclusão de 1 a 3 anos, a
conduta de associarem-se 3 ou mais pessoas, para
o fim específico de cometer crimes. Deve haver a
presença do dolo de associação e do especial fim de
agir (fim de praticar 2 ou mais crimes).
Associação para tráfico de drogas: incide o tipo
específico previsto no art. 35 da Lei 11.343/2006.
14. Crimes contra a fé pública
#36 – Moeda falsa (art. 289 do CP)
A doutrina e a jurisprudência consideram que a
falsificação grosseira do dinheiro contrafeito configura
crime impossível (art. 17 do CP).
Já a utilização de papel-moeda grosseiramente
falsificado para obtenção de vantagem indevida irá
configurar crime de estelionato (Súmula 73 do STJ).
#37 – Falsidade ideológica (art. 299 do CP)
Falsidade ideológica: O documento não possui
vício em sua forma, ou seja, é formalmente perfeito
(não envolve a forma do documento), porém, seu
conteúdo é falso, de modo que a falsidade somente
será provada pela apuração dos fatos.
Falsidade material: O documento possui vício
em sua forma (rasuras, introdução de novos dizeres,
supressão de palavras), ou seja, é formalmente falso,
independentemente do seu conteúdo ser
verdadeiro ou não.
85
15. Crimes contra a Administração Pública - Dos crimes praticados
por funcionário público contra a administração em geral
#38 - Peculato (art. 312 do CP)
Sujeito ativo: funcionário público que praticar as
condutas típicas atuando em razão do seu cargo ou da
função pública que exerce. Trata-se de crime próprio.
Peculato de uso não configura o crime.
Peculato culposo (art. 312, § 2º, do CP): funcionário
concorre culposamente para o crime de outrem.
Como depende de outra prática criminosa, é
chamado de crime parasitário.
#39 - Concussão (art. 316 do CP)
Configura este crime exigir vantagem indevida, para
si ou para outrem, direta ou indiretamente em razão
da função, ainda que fora dela, ou antes de assumi-la;
se caracteriza quando há ameaça de represálias,
explícitas ou implícitas, por parte do funcionário
público, incutindo algum temor, medo à vítima.
#40 – Corrupção Passiva (art. 317 do CP)
Solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função, ou antes de
assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida, ou
aceita promessa de tal vantagem.
ATENÇÃO: Pode haver corrupção ativa sem que o
funcionário público responda por corrupção passiva.
#41 - Prevaricação (arts. 319 e 319-a do CP)
Possui natureza híbrida, já que o tipo penal é
formado por condutas comissivas (retardar e praticar)
e outra omissiva (deixar de praticar) caracterizando-se,
neste caso, como crime omissivo próprio.
16. Crimes contra a Administração Pública - Dos crimes praticados
por particular contra a administração em geral
#42 - Desacato (art. 331 do CP)
A consumação ocorre com a simples prática da
ofensa, independentemente do funcionário público
se sentir ofendido (crime formal). Para que haja o
desacato o funcionáriodeve estar presente para
ouvir a ofensa. O STF entende que a criminalização do
desacato é compatível com o Estado Democrático de
Direito, razão pela qual continua a ser crime.
#43 – Corrupção Ativa (art. 333 do CP)
Oferecer ou prometer vantagem indevida a
funcionário público, para determiná-lo a praticar,
omitir ou retardar ato de ofício. A iniciativa de oferecer
ou prometer vantagem deve ser do particular (crime
comum). O ato a ser praticado, omitido ou retardado
deve ser do funcionário.
#44 - Contrabando ou Descaminho (art. 334 e art.
334-a do CP)
De acordo com posicionamento do STF e STJ, aplica-
se o princípio da insignificância no descaminho se o
valor sonegado não ultrapassa R$ 20.000,00 (vinte mil
reais).
STF, via de regra, não reconhece a aplicação do
princípio da insignificância para o contrabando.
17. Crimes contra a Administração da Justiça
#45 - Denunciação Caluniosa (art. 339 do CP)
É fundamental que o agente saiba que a vítima é
inocente e tenha o dolo específico de fazer uma
denunciação falsa. Em hipótese de conflito aparente
de normas, a calúnia será crime (crime-meio)
absorvido pela denunciação caluniosa (princípio da
consunção).
#46 – Favorecimento real e Favorecimento pessoal
(arts. 348 e 349 do CP)
A diferença entre as duas espécies de favorecimento
previstas no Código Penal é que no favorecimento real
o sujeito visa tornar seguro o proveito do crime,
enquanto no favorecimento pessoal o sujeito visa
tornar seguro o autor de um crime antecedente. Em
ambos, o auxílio deve ocorrer após a consumação do
crime anterior.
18. Dos Crimes Contra o Estado Democrático de Direito
#47 - Crimes Contra a Soberania Nacional
CP. Atentado à soberania
Art. 359-I. Negociar com governo ou grupo
estrangeiro, ou seus agentes, com o fim de provocar
atos típicos de guerra contra o País ou invadi-lo:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 8 (oito) anos.
§ 1º Aumenta-se a pena de metade até o dobro, se
declarada guerra em decorrência das condutas
previstas no caput deste artigo.
§ 2º Se o agente participa de operação bélica com o
fim de submeter o território nacional, ou parte dele, ao
domínio ou à soberania de outro país:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.
Atentado à integridade nacional
Art. 359-J. Praticar violência ou grave ameaça com a
finalidade de desmembrar parte do território nacional
para constituir país independente:
86
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, além da
pena correspondente à violência.
Espionagem
Art. 359-K. Entregar a governo estrangeiro, a seus
agentes, ou a organização criminosa estrangeira, em
desacordo com determinação legal ou regulamentar,
documento ou informação classificados como secretos
ou ultrassecretos nos termos da lei, cuja revelação
possa colocar em perigo a preservação da ordem
constitucional ou a soberania nacional:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 12 (doze) anos.
§ 1º Incorre na mesma pena quem presta auxílio a
espião, conhecendo essa circunstância, para subtraí-lo
à ação da autoridade pública.
§ 2º Se o documento, dado ou informação é
transmitido ou revelado com violação do dever de
sigilo:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 15 (quinze) anos.
§ 3º Facilitar a prática de qualquer dos crimes previstos
neste artigo mediante atribuição, fornecimento ou
empréstimo de senha, ou de qualquer outra forma de
acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de
informações:
Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 4º Não constitui crime a comunicação, a entrega ou
a publicação de informações ou de documentos com
o fim de expor a prática de crime ou a violação de
direitos humanos.
#48 - Dos Crimes Contra as Instituições
Democráticas
CP. Abolição violenta do Estado Democrático de
Direito
Art. 359-L. Tentar, com emprego de violência ou grave
ameaça, abolir o Estado Democrático de Direito,
impedindo ou restringindo o exercício dos poderes
constitucionais:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, além da
pena correspondente à violência.
Golpe de Estado
Art. 359-M. Tentar depor, por meio de violência ou
grave ameaça, o governo legitimamente constituído:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos, além da
pena correspondente à violência.
#49 - Dos Crimes Contra o Funcionamento das
Instituições Democráticas no Processo Eleitoral
CP. Interrupção do processo eleitoral
Art. 359-N. Impedir ou perturbar a eleição ou a aferição
de seu resultado, mediante violação indevida de
mecanismos de segurança do sistema eletrônico de
votação estabelecido pela Justiça Eleitoral:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
Violência política
Art. 359-P. Restringir, impedir ou dificultar, com
emprego de violência física, sexual ou psicológica, o
exercício de direitos políticos a qualquer pessoa em
razão de seu sexo, raça, cor, etnia, religião ou
procedência nacional:
Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa, além
da pena correspondente à violência.
#50 - Dos Crimes Contra o Funcionamento dos
Serviços Essenciais
CP. Abolição violenta do Estado Democrático de
Direito
CP. Sabotagem
Art. 359-R. Destruir ou inutilizar meios de comunicação
ao público, estabelecimentos, instalações ou serviços
destinados à defesa nacional, com o fim de abolir o
Estado Democrático de Direito:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 8 (oito) anos.
DIREITO DO PROCESSUAL PENAL
1. Ação penal
#01 – Inquérito policial
Assistência jurídica necessária: 14-A, CPP
investigação de servidores na área de segurança
pública e militares em missões de garantia da lei e da
ordem
uso de força letal
exercício de suas funções
a) citação do servidor para constituir
defensor em 48 horas
b) se não constituir será a instituição de
origem intimada para indicação de
defensor em 48 horas (pode ser a
Defensoria ou defensor pago pela
instituição)
Vícios: não contaminam a ação penal, salvo
provas ilícitas (teoria dos frutos da árvore
envenenada)
Valor probante: formação de justa causa
para a ação penal, mas não pode ser o único
meio de prova para a condenação
87
A regra é a repetição das provas na instrução, salvo as
irrepetíveis, antecipadas e cautelares
Prazos: não há consequências para seu
descumprimento
10 dias - investigado preso
30 dias - investigado solto
Lei Antidrogas: 30 prorrogáveis por mais 30 (investigado
preso); 90 dias prorrogáveis por mais 90 (investigado solto);
Economia Popular: 10 dias (investigado preso ou solto)
#02 – ANPP - Acordo de Não Persecução Penal
Cabimento:
Pena mínima inferior a 04 anos (considerando
majorantes e minorantes)
Crime praticado sem violência ou grave ameaça
Adequação da medida (prevenção e remediação)
Impedimentos:
Cabimento de transação penal ou suspensão
condicional do processo
Ter usado de outro benefício despenalizador nos 05
anos anteriores
Reincidência
Conduta criminal habitual, reiterada ou profissional,
salvo se insignificantes as infrações penais anteriores
Crimes de violência doméstica ou familiar praticados
contra mulher em razão de sua condição feminina.
Condições: ofertadas pelo Ministério Público
e controladas pelo juiz
Confissão formal e circunstanciada
Reparação do dano (se possível)
Renúncia dos instrumentos, produto e proveito do
crime;
Prestação de serviços à comunidade (tempo da pena
mínima diminuída de 1/3 a 2/3)
Pagamento de prestação pecuniária (proporcional e
compatível com a infração)
Outras condições ofertadas pelo MP no caso concreto.
#03 – Transação Penal
Cabimento: infrações penais de menor
potencial ofensivo (pena máxima de até 02
anos)
Impedimentos:
Reincidência com crime com pena privativa de liberdade
Uso do benefício nos últimos 05 anos
Circunstâncias desfavoráveis.
(inadequação)
Inadimplemento: retomada do processo penal,
com oferta da denúncia ou novas diligênciasno
inquérito policial - SV 35.
#04 – Suspensão Condicional do Processo
Cabimento:
Pena mínima igual ou inferior a 01 ano (com
majorantes, minorantes e qualificadoras).
Quando há concurso de crimes, leva-se em consideração
o somatório das penas (Súmulas 723 do STF e 243 do STJ).
Circunstâncias favoráveis
Impedimentos:
Condenação anterior (salvo pôr em pena de multa)
Não esteja sendo processado por outro crime
Crimes militares
Violência doméstica contra a mulher
Uso do benefício nos últimos 05 anos
Circunstâncias desfavoráveis (inadequação)
Descumprimento de ANPP anterior
Condições: período de prova de 02 a 04 anos
(cabível prorrogação)
Reparação do dano (se possível)
Proibição de frequentar determinados lugares
Proibição de ausentar-se da comarca sem autorização
judicial
Comparecimento mensal em juízo
Outras condições fixadas pelo juiz de acordo com o caso
concreto
Revogação:
Obrigatória: se por processado por novo crime ou não
reparar injustificadamente o dano;
Facultativa: descumprimento de outras condições ou
ser processado por contravenção penal.
#05 – Ação Penal Pública Condicionada
Representação:
a) Condição de procedibilidade
b) Procurador = poderes especiais
c) Decadência = seis meses do conhecimento
do fato
d) Retratação = antes da oferta da denúncia
(salvo violência doméstica = antes do
recebimento da denúncia)
#06 – Ação Penal Privada
Decadência: 06 meses da ciência da autoria
Exceções: induzimento a erro essencial e
ocultação de impedimento (06 meses do
trânsito em julgado da sentença cível);
88
propriedade imaterial ( 30 dias de
homologação do laudo).
Perempção
Abandono da causa pelo querelante por
30 dias
Regulação da capacidade processual em
60 dias (sucessão em caso de falecimento do querelante, ou
representação em caso de incapacidade superveniente)
Desistência tácita: querelante deixa de comparecer às
audiências ou não pede a condenação do réu nas alegações
finais
Perdão:
Até o trânsito em julgado
Expresso ou tácito (comportamento incompatível)
Bilateral (réu deve concordar), mas se presume aceito se
não houver discordância em 03 dias de sua intimação
Afeta a todos os que aceitarem
OBSERVAÇÃO: crime contra honra de servidor
público no exercício das funções: legitimidade
concorrente (cabe ação penal pública ou privada) -
Súmula 714 do STF
lesão corporal com violência doméstica: sempre é
hipótese de ação penal pública incondicionada.
2. Competência
#07 – Relativa
Pode ser conhecida de ofício, mas somente até
a audiência de instrução e julgamento (princípio
da identidade física do juiz)
Regra geral: local da infração
Crimes à distância: praticado no Brasil com
resultado no estrangeiro
Teoria da ubiquidade - foro tanto o do lugar da ação ou
omissão quanto o do local em que se produziu ou deveria se
produzir o resultado - o foro competente será o do lugar em
que foi praticado o último ato de execução no Brasil
Plurilocal: teoria do resultado - lugar em que se
consumar a infração ou último ato de execução
(tentado).
Praticados no exterior: juízo da Capital do
Estado onde houver por último residido o
acusado;
Nunca tiver residido no Brasil ou
extraterritorialidade (Brasil se comprometeu a
processar e punir crime praticado no exterior
com a lei brasileira): juízo da Capital da
República.
Navios ou aeronaves: sujeitos à lei brasileira -
local em que primeiro aportar a embarcação ou
pousar a aeronave ou o último local em que
tenham aportado ou pousado.
OBSERVANÇÃO: Cheque sem fundos: teoria do
resultado - local da recusa do pagamento.
Estelionato por depósito, emissão de cheques sem
fundos ou com o pagamento frustrado, ou mediante
transferência de valores: domicílio da vítima
Homicídio: morte em local diverso da conduta = local
da ação ou omissão (não o do resultado - facilitação
da produção da prova).
#08 – Absoluta
Justiça Federal:
a) Crimes que afetam bens, serviços ou
interesses da União, suas autarquias e
empresas públicas, salvo a competência da
justiça eleitoral e justiça militar.
OBSERVAÇÃO: Não abrange as sociedades
de economia mista.
b) Crimes previstos em tratado ou convenção
internacional, quando, iniciada a
execução no País, o resultado tenha ou
devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou
reciprocamente;
c) Crimes em que haja grave violação
de direitos humanos (incidente de
federalização)
d) Crimes políticos;
e) Crimes relacionados à disputa sobre direitos
indígenas de forma coletiva
f) Crimes ou contravenções cometidos a bordo
de navios ou aeronaves, salvo competência
da Justiça Militar.
g) Crimes de ingresso ou permanência irregular
de estrangeiro no Brasil;
h) Execução de carta rogatória e sentença
estrangeira homologada (após o exequatur
pelo STJ);
i) Crimes contra o sistema financeiro;
j) Crimes contra a organização do trabalho;
k) Crimes de contrabando e de descaminho;
l) Contravenções praticadas pelos detentores
de foro na Justiça Federal.
Foro por prerrogativa de função:
a) Crimes cometidos durante o exercício do
cargo e com ele relacionados
OBSERVAÇÃO: Prerrogativa de
função x Tribunal do Júri (Súmula
Vinculante 45)
89
a) Prerrogativa prevista na CRFB/88 x Competência
do Júri: Prevalece a competência de foro por
prerrogativa de função, já que as duas regras
estão previstas na CF.
b) Prerrogativa não prevista na CF/88 x
Competência do Júri – Prevalece a competência
do Tribunal do Júri, pois apenas essa, nesse caso,
está expressa na Constituição da República
Federativa do Brasil.
#09 – Conexão
Intersubjetiva
Por simultaneidade ocasional: pessoas diversas
cometem infrações diversas no mesmo local, na mesma
época, mas desde que não estejam ligadas por nenhum
vínculo subjetivo.
Por concurso: concurso de pessoas - vínculo entre
infrações
Por reciprocidade:, agentes praticaram as infrações uns
contra os outros ao mesmo tempo e no mesmo lugar.
Objetiva:
Lógica ou teleológica: uma infração deve ter sido
praticada para “facilitar” a outra.
Consequencial: uma infração é cometida para ocultar a
outra, ou, ainda para garantir a impunidade do infrator ou
garantir a vantagem da outra infração.
Instrumental: prova da ocorrência de uma infração e de
sua autoria influencia na caracterização da outra infração.
#10 – Continência
Por cumulação subjetiva: duas ou mais pessoas
são acusadas pela mesma infração (concurso de
pessoas) - um único crime, cometido por dois ou
mais agentes em concurso (coautoria ou
participação) - o vínculo entre os agentes e não
entre as infrações.
Por concurso formal, aberratio ictus e aberratio
delicti: mediante uma só conduta o agente
pratica dois ou mais crimes (pluralidade de
infrações com unidade de conduta).
3. Questões incidentes
#11 – Questões prejudiciais
Obrigatórias: juízo penal absolutamente
incompetente quando há seriedade na
controvérsia
Estado civil - prejudicial de mérito para a ação penal
(elementar do crime)
Suspensão do processo e da prescrição até sua solução
no juízo cível (trânsito em julgado) - pode ser determinada
de ofício
Cabe produção de provas urgentes no juízo penal
durante a suspensão do processo
Ministério Público passa a intervir ou até promover o
processo cível.
Facultativas: outros temas prejudiciais
envolvendo elementares do crime
Suspensão do processo e da prescrição, apenas se já
existir ação cível em curso, mas desde que não haja
restrições probatórias na ação
Suspensão por prazo razoável (não precisa aguardar o
trânsito em julgado)
Questão de difícil solução, mas findo o prazo de
suspensão (e não prorrogado), cabe prosseguimento do
processo penal
Intervenção do MP apenas quando o processo
prejudicado for de ação penal pública.
OBS: só cabe recurso (RESE) da decisãoque
determinar a suspensão, em ambas as
hipóteses.
#12 – Incidente de insanidade
Não é realizado quando há oposição da defesa.
Suspensão do processo sem suspensão da
prescrição.
Réu preso: transferência para hospital
psiquiátrico ou cela separada
Superveniente: suspensão do processo até o
reestabelecimento do réu (condição de
prosseguibilidade)
Ao tempo do crime: processo continua correndo
- cabe absolvição, absolvição imprópria
(inimputabilidade) ou condenação com redução
de pena ou aplicação de medida de segurança
(semi-inimputável).
4. Medidas cautelares e prisões
#13 – Prisão em flagrante
Espécies
Próprio: está cometendo ou acabou de cometê-lo
Impróprio: logo após cometer o crime - presunção de
autoria e perseguição (sem interrupção, mesmo que tenha
perdido de vista)
Presumido: veemente indício de autoria porque
encontrado com instrumento, armas, objetos, documentos
etc., relacionados ao crime
Preparado: induzimento pelo agente - ilícito (delito
putativo por obra do agente provocador) - S. 145, STF.
Diferido: ação controlada - prisão no momento da
máxima eficiência - organizações criminosas e tráfico de
drogas (necessidade de comunicação ao juiz)
90
Comunicação: - imediata ao juiz, MP e familiares
do preso (ou pessoa por ele indicada)
Audiência de custódia: verificar a legalidade da
prisão, condições pessoais do preso e sua
necessidade e adequação
Até 24 horas do recebimento do auto de prisão em
flagrante pelo juiz
Cabe relaxamento, concessão de liberdade provisória
(com ou sem fiança), substituição por outras medidas
cautelares, ou conversão em preventiva - necessidade de
pedido do MP
#14 – Prisão preventiva
Pressupostos e requisitos:
• Prova da existência do crime (plausibilidade)
+
• Indícios suficientes de autoria
+
• Garantia da ordem pública ou econômica
ou
• conveniência da instrução
ou
• Efetividade do processo
Contemporaneidade do periculum libertatis
OBSERVAÇÃO: cabe a decretação pelo
descumprimento de outra medida cautelar
Prazo: reavaliação de 90 em 90 dias.
Não se aplica:
a) Crimes sem pena privativa de liberdade
ou cuja pena máxima seja igual ou inferior
a 04 anos.
EXCEÇÕES: reincidentes dolosos e
violência doméstica e familiar contra
mulher, idoso, enfermo, deficiente ou criança
e adolescente, em contexto de coabitação.
b) crimes culposos
c) Casos de imunidades formais
d) Durante as eleições
#15 – Prisão domiciliar
Substitutiva à preventiva
Condições:
+ de 80 anos
debilitado por doença grave
Em crimes sem violência ou grave ameaça e não
cometidos contra filho ou dependente:
a) responsável por menor de 06 anos ou
deficiente
b) gestante
c) mãe de criança de até 12 anos (ou pai,
desde que seja o único responsável).
#16 – Prisão temporária
Objetivo: auxiliar na investigação de crimes
graves
Momento: antes do processo
Cabimento: rol exaustivo (2º, L. 7.960/1984)
Requisitos:
Fumus comissi delicti + necessidade para investigações
ou para identificação do réu ou que não possua residência
fixa.
Prazo: 05 dias (prorrogáveis por mais 05)
Hediondos: 30 dias prorrogáveis por mais 30.
#17 – Liberdade provisória e fiança
Sem fiança:
a) Presença de descriminantes
b) Hipossuficientes financeiros
c) Inafiançáveis
Com fiança:
Delegado: crimes com pena máxima igual ou menor que
04 anos
Quebramento: perda de 50% e do direito de prestar
nova fiança no mesmo processo
a) prática de crime doloso;
b) não comparecimento injustificado
em juízo;
c) obstrução ao processo;
d) descumprimento de outra medida
cautelar cumulada;
e) resistência injustificada à ordem
judicial
Perda: 100%: não apresentação para cumprimento da
pena.
5. Provas
#18 – Cadeia de custódia
Objetivo: proteção às evidências do crime e
rastreamento e registro de todo caminho
percorrido pelo vestígio para efeito de
constituição de prova técnica no processo penal.
• Visa a sindicabilidade da autenticidade da
prova
Quebra: nulidade relativa
Fases:
Externa: preservação do local do crime e detecção dos
vestígios
91
Interna: reconhecimento; isolamento; fixação; coleta;
acondicionamento; transporte; recebimento;
processamento; armazenamento; descarte.
#19 – Provas ilícitas
Espécies:
Ilícitas - violam o direito material (inadmissíveis) -
devem ser desentranhadas dos autos
Ilegítimas - violam o procedimento (nulidade na
produção da prova) - podem, porém, ser refeitas ou
convalidadas
OBSERVAÇÃO: Prova ilícita por derivação:
teoria dos frutos da árvore envenenada -
mesmo as provas lícitas, se derivadas (nexo
causal) das ilícitas, ficam contaminadas.
EXCEÇÕES:
Fonte independente: sem nexo causal com a ilícita
Descoberta inevitável (fonte hipotética independente) -
seria descoberta de qualquer forma, mesmo se for derivada
da ilícita.
Nexo causal atenuado: acusado ou terceiro rompe o
nexo causal da ilicitude
Hipóteses de admissibilidade:
Exceção de erro inócuo: vício sem relevância prática ou
condenação pautada em outras provas lícitas
Serendipidade: encontro fortuito (casualidade).
Campos abertos: não há privacidade em atos cometidos
em público.
Teoria do risco: não há privacidade para quem quebra o
dever de sigilo profissional (sobre o tema da prova).
#20 - Exame de corpo de delito
Necessidade: crimes que deixam vestígios
Substituição: prova testemunhal (não sendo
possível sua realização)
Não cabe substituição por confissão
Laudo pericial
Realizado por um perito oficial ou dois peritos
nomeados pelo juiz
Contraditório apenas durante o processo, quando
pode ser realizado laudo complementar
Juiz não está vinculado às suas conclusões
(sistema liberatório)
#21 - Confissão e interrogatório
Interrogatório:
Meio de defesa e último ato da instrução (mesmo nos
procedimentos especiais)
Inversão importa em nulidade relativa (necessidade de
arguição pela defesa e demonstração de efetivo prejuízo)
Não admite condução coercitiva
Individualizado na hipótese de coautoria e participação
Acusado preso em audiência por videoconferência tem
direito à presença de seu defensor na penitenciária
Confissão
Simples x qualificada (com reconhecimento de
descriminantes ou exculpantes)
Retratável
Divisível
#22 - Reconhecimento de pessoas e coisas
Necessidade de observância
do procedimento legal, pena de
nulidade
Descrição da pessoa pela vítima
Colocação do suspeito ao lado de outras
pessoas, com as mesmas características
físicas
Auto de reconhecimento deve ser assinado por duas
testemunhas
Reconhecimento fotográfico é prova atípica e, por si só,
não pode servir de base para condenação.
Pode ser suprida por outras provas, desde que
não haja contaminação
#23 - Buscas pessoal e domiciliar
Pessoal:
Independente de mandado
Necessidade de justificar fundada suspeita
Pode ser realizada no cumprimento do mandado de
busca domiciliar
Domiciliar:
Regra geral, com mandado judicial, e deve ser realizada
durante o dia.
EXCEÇÕES: flagrante com fundada suspeita ou
consentimento provado do suspeito
#24 - Interceptação telefônica
Cabimento: apenas no âmbito do processo ou
investigação criminal, por ordem judicial
Requisitos:
Indícios de autoria
Prova imprescindível (subsidiariedade)
Infração penal punida com reclusão
Prazo: 15 dias (prorrogáveis por quantas vezes se
fizer necessário, mas sempre por ordem judicial).
Degravação: não precisa ser integral, de forma
que compete à defesa pedir trechos não juntados
no processo.
92
6. Tribunal do Júri
#25 - Pronúncia, impronúncia e despronúncia
Pronúncia: in dubio pro societate - bastam
indícios de autoria e materialidade
Remessa dos autos para julgamento pelo tribunal do júri
Identificaçãode qualificadoras, majorantes e
capitulação do crime
Vedação ao excesso de linguagem: não cabe eloquência
acusatória pelo magistrado (decisão é provisória) e a decisão
não pode ser usada como argumento de autoridade o
plenário do júri
Impronúncia: presença de dúvida razoável a
favor da defesa
Absolvição sumária: prova categórica da:
Inexistência do fato
Ausência de autoria ou participação
Atipicidade, presença de descriminante ou exculpante
EXCEÇÃO: inimputabilidade, salvo se for a única
tese defensiva (hipótese de absolvição imprópria,
porque, se cumulada com outras defesas, cabe
absolvição própria pelo plenário do júri).
Despronúncia: reforma da decisão de pronúncia
por provimento do recurso
#26 - Desaforamento
Provocado pelas partes ou de ofício pelo juiz
(defesa, porém, sempre deve ser ouvida)
Hipóteses:
Interesse de ordem pública
Dúvida sobre a imparcialidade do júri ou segurança
pessoal do acusado
Excesso de serviço (marcação da sessão de julgamento
em prazo superior a 06 meses da preclusão da decisão de
pronúncia)
#27 - Juntada de documentos
Preclusão: 03 dias antes da sessão de
julgamento com ciência da outra parte.
7. Recursos e ações impugnativas
#28 - Recurso em sentido estrito
Cabimento: hipóteses do art. 581, do
CPP - exemplos:
Inépcia da denúncia
Não homologação de ANPP
Decretação de incompetência do juízo
Acolhimento de exceções (litispendência, ilegitimidade,
coisa julgada)
Pronúncia
Fiança
Extinção da punibilidade
Intimação para contrarrazões:
mesmo no caso de inépcia da
denúncia, deve o réu ser intimado
pessoalmente, não bastando a mera
nomeação de defensor para
apresentação de contrarrazões
(Súmula 707 do STF)
#29 - Revisão criminal
Pode ser pedida diretamente pela parte, mesmo
sem assistência de advogado.
CPP. Art. 621. A revisão dos processos findos será
admitida:
I - quando a sentença condenatória for contrária ao
texto expresso da lei penal ou à evidência dos autos;
II - quando a sentença condenatória se fundar em
depoimentos, exames ou documentos
comprovadamente falsos;
III - quando, após a sentença, se descobrirem novas
provas de inocência do condenado ou de
circunstância que determine ou autorize diminuição
especial da pena.
Art. 622. A revisão poderá ser requerida em qualquer
tempo, antes da extinção da pena ou após.
Parágrafo único. Não será admissível a reiteração do
pedido, salvo se fundado em novas provas.
Art. 623. A revisão poderá ser pedida pelo próprio réu
ou por procurador legalmente habilitado ou, no caso
de morte do réu, pelo cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão.
Art. 624. As revisões criminais serão processadas e
julgadas:
I - pelo Supremo Tribunal Federal, quanto às
condenações por ele proferidas;
II - pelo Tribunal Federal de Recursos, Tribunais de
Justiça ou de Alçada, nos demais casos.
§ 1º No Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Federal
de Recursos o processo e julgamento obedecerão ao
que for estabelecido no respectivo regimento interno.
§ 2º Nos Tribunais de Justiça ou de Alçada, o
julgamento será efetuado pelas câmaras ou turmas
criminais, reunidas em sessão conjunta, quando
houver mais de uma, e, no caso contrário, pelo tribunal
pleno.
§ 3º Nos tribunais onde houver quatro ou mais câmaras
ou turmas criminais, poderão ser constituídos dois ou
mais grupos de câmaras ou turmas para o julgamento
93
de revisão, obedecido o que for estabelecido no
respectivo regimento interno.
Art. 625. O requerimento será distribuído a um relator
e a um revisor, devendo funcionar como relator um
desembargador que não tenha pronunciado decisão
em qualquer fase do processo.
§ 1º O requerimento será instruído com a certidão de
haver passado em julgado a sentença condenatória e
com as peças necessárias à comprovação dos fatos
arguidos.
§ 2º O relator poderá determinar que se apensem os
autos originais, se daí não advier dificuldade à
execução normal da sentença.
§ 3º Se o relator julgar insuficientemente instruído o
pedido e inconveniente ao interesse da justiça que se
apensem os autos originais, indeferi-lo-á in limine,
dando recurso para as câmaras reunidas ou para o
tribunal, conforme o caso (art. 624, parágrafo único).
§ 4º Interposto o recurso por petição e
independentemente de termo, o relator apresentará o
processo em mesa para o julgamento e o relatará, sem
tomar parte na discussão.
§ 5º Se o requerimento não for indeferido in limine,
abrir-se-á vista dos autos ao procurador-geral, que
dará parecer no prazo de dez dias. Em seguida,
examinados os autos, sucessivamente, em igual prazo,
pelo relator e revisor, julgar-se-á o pedido na sessão
que o presidente designar.
Art. 626. Julgando procedente a revisão, o tribunal
poderá alterar a classificação da infração, absolver o
réu, modificar a pena ou anular o processo.
Parágrafo único. De qualquer maneira, não poderá ser
agravada a pena imposta pela decisão revista.
Art. 627. A absolvição implicará o restabelecimento de
todos os direitos perdidos em virtude da condenação,
devendo o tribunal, se for caso, impor a medida de
segurança cabível.
Art. 628. Os regimentos internos dos Tribunais de
Apelação estabelecerão as normas complementares
para o processo e julgamento das revisões criminais.
Art. 629. À vista da certidão do acórdão que cassar a
sentença condenatória, o juiz mandará juntá-la
imediatamente aos autos, para inteiro cumprimento da
decisão.
Art. 630. O tribunal, se o interessado o requerer,
poderá reconhecer o direito a uma justa indenização
pelos prejuízos sofridos.
§ 1º Por essa indenização, que será liquidada no juízo
cível, responderá a União, se a condenação tiver sido
proferida pela justiça do Distrito Federal ou de
Território, ou o Estado, se o tiver sido pela respectiva
justiça.
§ 2º A indenização não será devida:
a) se o erro ou a injustiça da condenação proceder de
ato ou falta imputável ao próprio impetrante, como a
confissão ou a ocultação de prova em seu poder;
b) se a acusação houver sido meramente privada.
Art. 631. Quando, no curso da revisão, falecer a
pessoa, cuja condenação tiver de ser revista, o
presidente do tribunal nomeará curador para a defesa.
DIREITO DO TRABALHO
1. Relação de Emprego
#01 – Conceito
A relação de trabalho, como um
gênero, abrange diversas espécies,
entre elas: Relação de emprego;
Trabalho autônomo; Trabalho eventual;
Trabalho avulso; Estágio; Trabalho
voluntário etc.
A relação de emprego pressupõe a existência de um
elo entre empregador e empregador, em que deverá
haver os cinco requisitos a seguir.
#02 – Requisitos da relação de emprego
1. Trabalho realizado por pessoa natural: prestação
de serviço deve-se dar obrigatoriamente por pessoa
física ou natural, podendo ser o empregador
(tomador) tanto pessoa física como pessoa jurídica, o
que em nada alterará essa relação de emprego.
2. Pessoalidade: caráter de infungibilidade no que
tange à figura do empregado.
3. Subordinação: pode ser verificada sob três
ângulos: subordinação jurídica, subordinação
econômica, subordinação técnica.
94
4. Habitualidade ou não eventualidade: trabalho
realizado não pode se dar de forma eventual ou
ocasional, logo, o empregado sempre deverá ter uma
expectativa de retorno.
5. Onerosidade: todo trabalho prestado deverá haver
uma contraprestação financeira, caso contrário,
estaríamos diante de um trabalho voluntário.
Macete de Memorização: SHOPP (subordinação,
habitualidade, onerosidade, pessoalidade e pessoa
física).
Os empregados, assim constituídos em uma relação
de emprego, possuem o manto protetivo da CLT, em
contraponto aos demais (relação de trabalho) que
possuem regramento próprio a eles aplicado. Prazo
de 5 dias úteis, sob pena de pagamento de multa.
2. Relações empregatícias especiais
#03 – Conceito
Alguns empregados possuem uma regulamentaçãoespecial e que não foram alterados pela reforma
trabalhistas, e as quais devemos nos ater, como o
empregado doméstico, trabalhador rural e o
teletrabalho.
#04 – Espécies de relações empregatícias especiais
1. Doméstico (LC nº 150/2015): aquele(a) que presta
seus serviços em âmbito residencial, sem qualquer
finalidade lucrativa, à pessoa ou família, e de forma
contínua, subordinada e remunerada.
2. Trabalhador Rural – Lei nº 5589/73: o empregado
rural deve atender aos mesmos requisitos dos
trabalhadores urbanos. Contudo, a identificação do
empregado como rural deverá ter por base a análise
de alguns quesitos. O empregador deve ser
obrigatoriamente rural, ou seja, pessoa física ou
jurídica que explore atividade agroeconômica.
3. “Hipersuficiente”: portador de diploma de nível
superior e perceber salário mensal igual ou superior
a duas vezes o limite máximo dos benefícios do
Regime Geral de Previdência Social, nos termos do
artigo 444, parágrafo único, da CLT (os requisitos são
cumulativos).
4 – Teletrabalho: regulamentado entre os artigos 75-
A e seguintes da CLT. Não há diferença entre o
trabalho realizado nas dependências da empresa e o
executado a distância.
3. Contrato de Trabalho
#05 – Elementos do contrato de trabalho
a) Agente capaz: empregado, deve ter capacidade
plena ou relativa para poder pactuar o contrato de
trabalho.
o A partir de 14 anos: somente aprendiz;
o A partir de 16 anos: qualquer atividade, sendo
vedado, em qualquer hipótese, laborar em
ambientes insalubres, perigosos e em horário
noturno.
o A partir de 18 anos: qualquer atividade sem
restrição.
b) Forma prescrita e não defesa em lei: não exige
forma especial, podendo ser tácito/expresso,
verbal/escrito, prazo determinado/indeterminado,
intermitente.
95
c) Objeto lícito: contrato de trabalho apenas será
válido e apto a produzir efeitos na seara trabalhista,
caso o seu objeto seja lícito, ou seja, não seja tipificado
penalmente, caracterizando crime ou contravenção
penal.
#06 - Suspensão e interrupção do contrato de
trabalho
• Interrupção do contrato de trabalho:
ausência da prestação do labor, porém, com
remuneração e contagem de tempo de
serviço.
• Suspensão do contrato de trabalho: não
haverá prestação de serviço laboral, porém
sem qualquer contraprestação financeira ao
empregado e contagem de tempo de serviço.
Observe algumas das hipóteses de interrupção do
Contrato de Trabalho, quando a remuneração do
empregado ainda será mantida:
Destacamos hipóteses de suspensão do contrato de
trabalho, as quais o empregado não recebe qualquer
contraprestação financeira:
96
4. Jornada de Trabalho
#07 – Disposição constitucional sobre jornada
Regra constitucional limitadora: 8 horas diárias e 44
horas semanais (art. 7º, XIII, CF).
Por meio de negociação coletiva poderá ser
estipulada jornada de trabalho do empregado, esta se
sobrepondo, inclusive, às disposições legais, desde
que seja respeitado o limite constitucional.
#08 – Tempo à disposição
É considerado como tempo de serviço efetivo o
período em que o empregado esteja à disposição do
empregador, aguardando ou executando ordens,
salvo disposição especial expressamente consignada
(ex.: sobreaviso e prontidão).
O instituto das horas in itinere foi
extinto, não cabendo em nenhuma
hipótese o cômputo na jornada de
trabalho do período entre casa-trabalho
e trabalho-casa.
#09 - Controle de Jornada
Art. 12, LC nº 150/2015: É obrigatório o registro do
horário de trabalho do empregado doméstico por
qualquer meio manual, mecânico ou eletrônico,
desde que idôneo.
Doutrina e a jurisprudência conceituam o fraudulento
“cartão de ponto britânico”, como sendo aquele com
horário de entrada e saída uniformes. Para os
estabelecimentos com mais de 20 trabalhadores
será obrigatória a anotação da hora de entrada e de
saída.
#10 - Ausência de Controle de Jornada
Categorias de empregados em que não é possível o
empregador exercer efetivos controle sobre a
jornada realizada (não recebem hora extra):
empregados que exercem atividade externa, gerentes
com poderes de gestão, teletrabalhador que presta
serviço por produção ou tarefa.
#11 – Trabalho Noturno (salário-condição)
Nos casos em que o trabalhador laborar em
período considerado híbrido (diurno e noturno),
o adicional incidirá apenas sobre o período
noturno.
97
5. Trabalho Extraordinário
#12 – Conceito
Jornada Extraordinária é aquela prestada além da
jornada normal de cada empregado, seja máxima,
seja especial.
Pode ser realizada tanto antes do início da jornada
normal como após o seu término, ou ainda, durante a
jornada, quando exista trabalho nos intervalos
intrajornada remunerados.
#13 – Requisitos
Empregador poderá exigir a prestação de serviço
extraordinário, a depender do cumprimento dos
requisitos previstos no art. 59 da CLT e art. 7º, XVI da
CF:
• Existência de Acordo de Prorrogação de
Jornada (Acordo Individual; Convenção
Coletiva; ou Acordo Coletivo de Trabalho);
• Cumprimento de, no máximo, 2 horas extras
diárias.
#14 – Remuneração
Deve ser remunerado com o correspondente
adicional de 50% sobre o valor da hora normal.
#15 – Hipóteses excepcionais de prorrogação
Hipóteses excepcionais de prorrogação de jornada,
além do limite legal:
• Força Maior (não há previsão legal do teto);
• Conclusão de serviços inadiáveis ou cuja
inexecução possa acarretar prejuízos
(máximo 4 horas diárias);
• Recuperação de Horas (máximo 10 horas
diárias).
6. Estabilidades provisórias e garantia de emprego
#16 – Conceito
A estabilidade no contrato de trabalho consiste no
direito do trabalhador de permanecer no emprego,
mesmo que contra a vontade do empregador, e
enquanto inexistir uma causa relevante e expressa em
lei, de forma a autorizar a sua dispensa, como ocorre
na dispensa por justa causa.
Tal aspecto funda-se no princípio da causalidade da
dispensa, e destina-se a impedir a dispensa
imotivada, arbitrária, ou ainda, abusiva, em razão de
determinado fato gerador.
#17 - Estabilidade Decenal
A partir da promulgação da CF/1988, o regime do
FGTS passou a ser obrigatório, NÃO sendo mais
possível o empregado conquistar a estabilidade
decenal.
O empregado decenal caracterizava-se por ser aquele
empregado que conquistava a estabilidade após 10
anos de prestação de serviço ao mesmo empregador,
o que o tornava estável de forma permanente.
#18 – Dirigente Sindical
O dirigente sindical é aquele que atua na defesa dos
interesses da categoria e, portanto, goza de
estabilidade provisória, desde o registro da sua
candidatura e, uma vez eleito, até 01 (um) ano após
o final do seu mandato (03 anos).
A estabilidade do dirigente também se aplica aos seus
suplentes, de forma que se limita a 07 titulares e 07
suplentes.
#19 - Dirigente De Cooperativa De Empregados
Caso dispensado o empregado eleito para a Diretoria
da Cooperativa no período do registro de sua
candidatura até um ano após o término de seu
mandado, tem-se por nula a dispensa, uma vez que
amparado pela estabilidade provisória (art. 55 da Lei
nº 5.764 /71 e art. 543, § 3º, da CLT).
#20 - Representante Dos Trabalhadores No
Conselho Nacional Da Previdência Social
O artigo 3º, § 7º da Lei nº 8.213/1991 prevê que goza
de estabilidade o representante dos trabalhadores no
Conselho Nacional Da Previdência Social, desde a
nomeação até 01 ano após o término do mandato,
o que se aplica também ao seu membro suplente.
#21 - Dirigente da CIPA
O empregado eleito para o cargo de direção da CIPA
gozará da estabilidade prevista no artigo 10, II, “a” do
ADCT, a qual é estabelecida desde o registo da
candidatura até 1 ano após o final do mandato.
#22 - Gestante
Nos termos do artigo 10, II, “b” do ADCT, é vedada a
dispensa da empregada gestante, desde a
confirmação da gravidez até 5 (cinco) meses após
o parto.
Já a licençatotal do
exercício da advocacia. A incompatibilidade
permanece ainda que o ocupante do
cargo/função esteja afastado de suas
atividades, como ocorre na licença
remunerada.
10
Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa
própria, com as seguintes atividades:
I - chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do
Poder Legislativo e seus substitutos legais;
II - membros de órgãos do Poder Judiciário, do
Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas,
dos juizados especiais, da justiça de paz, juízes
classistas, bem como de todos os que exerçam função
de julgamento em órgãos de deliberação coletiva da
administração pública direta e indireta; (ADIN 1.127-8)
III - ocupantes de cargos ou funções de direção em
Órgãos da Administração Pública direta ou indireta,
em suas fundações e em suas empresas controladas
ou concessionárias de serviço público;
IV - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta
ou indiretamente a qualquer órgão do Poder Judiciário
e os que exercem serviços notariais e de registro;
V - ocupantes de cargos ou funções vinculados direta
ou indiretamente a atividade policial de qualquer
natureza;
VI - militares de qualquer natureza, na ativa;
VII - ocupantes de cargos ou funções que tenham
competência de lançamento, arrecadação ou
fiscalização de tributos e contribuições parafiscais;
VIII - ocupantes de funções de direção e gerência em
instituições financeiras, inclusive privadas. (...)
§ 2º Não se incluem nas hipóteses do
inciso III os que não detenham poder de
decisão relevante sobre interesses de
terceiro, a juízo do conselho competente
da OAB, bem como a administração
acadêmica diretamente relacionada ao magistério
jurídico.
Impedimento: Proibição parcial para
advogar, ou seja, o advogado poderá
continuar atuando, mas de forma limitada.
São impedidos de exercer a advocacia:
os servidores da administração direta, indireta e
fundacional, contra a Fazenda Pública que os remunere ou
à qual seja vinculada a entidade empregadora (não se
incluem aqui os docentes dos cursos jurídicos);
os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes
níveis, contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito
público, empresas públicas, sociedades de economia
mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou
empresas concessionárias ou permissionárias de serviço
público.
4. Infrações e Sanções Disciplinares. Processo Disciplinar.
#09 –Infrações e Sanções Disciplinares.
O advogado é responsável pelos atos que, no
exercício profissional, praticar com dolo ou culpa. Em
caso de lide temerária, o advogado será
solidariamente responsável com seu cliente, desde
que coligado com este para lesar a parte contrária, o
que será apurado em ação própria.
Constituem-se infrações disciplinares,
dentre outras:
exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou
facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não
inscritos, proibidos ou impedidos;
Abandonar a causa sem justo motivo ou antes de
decorridos 10 dias da comunicação da renúncia;
Violar, sem justa causa, sigilo profissional
deturpar o teor de dispositivo de lei, de citação doutrinária
ou de julgado, bem como de depoimentos, documentos e
alegações da parte contrária, para confundir o adversário
ou iludir o juiz da causa (punível com censura);
As sanções disciplinares consistem
em: I - censura; II - suspensão; III -
exclusão; e IV - multa.
A penalidade de exclusão sempre
estará diretamente ligada a prática de
crime ou quando aplicada, por três vezes,
pena de suspensão; já a suspensão disciplinar
está relacionada a aspectos que envolvam
dinheiro, retenção de autos, conduta
incompatível com a advocacia, inépcia
profissional ou reincidência em infração
disciplinar.
A censura pode ser convertida em advertência, em
ofício reservado, sem registro nos assentamentos do
inscrito, quando presente circunstância atenuante.
Prescrição:
Art. 43. A pretensão à punibilidade das infrações
disciplinares prescreve em 5 (cinco) anos, contados da
data da constatação oficial do fato.
§ 1º Aplica-se a prescrição a todo processo disciplinar
paralisado por mais de três anos, pendente de
despacho ou julgamento, devendo ser arquivado de
ofício, ou a requerimento da parte interessada, sem
prejuízo de serem apuradas as responsabilidades pela
paralisação.
§ 2º A prescrição interrompe-se:
I - pela instauração de processo disciplinar ou pela
notificação válida feita diretamente ao representado;
II - pela decisão condenatória recorrível de qualquer
órgão julgador da OAB.
#10 – Processo Disciplinar
Todos os prazos necessários à manifestação
de advogados, estagiários e terceiros, nos
processos em geral da OAB, são de 15
(quinze) dias, inclusive para interposição de
recursos.
Nos casos de comunicação por ofício reservado ou de
notificação pessoal, considera-se dia do começo do
11
prazo o primeiro dia útil imediato ao da juntada aos autos
do respectivo aviso de recebimento.
No caso de atos, notificações e decisões divulgados por
meio do Diário Eletrônico da Ordem dos Advogados do
Brasil, o prazo terá início no primeiro dia útil seguinte à
publicação, assim considerada o primeiro dia útil seguinte
ao da disponibilização da informação no Diário.
O processo disciplinar instaura-se de ofício
ou mediante representação de qualquer
autoridade ou pessoa interessada. Não se
considera fonte idônea a que consistir em
denúncia anônima. A representação será
formulada ao Presidente do Conselho
Seccional ou ao Presidente da Subseção, por
escrito ou verbalmente, devendo, neste
último caso, ser reduzida a termo. Esse
processo tramita em sigilo, até o seu término,
só tendo acesso às suas informações as
partes, seus defensores e a autoridade
judiciária competente.
Recebida a representação, o Presidente do
Conselho Seccional ou o da Subseção,
quando esta dispuser de Conselho, designa
relator, por sorteio, um de seus integrantes,
para presidir a instrução processual. O relator,
atendendo aos critérios de admissibilidade,
emitirá parecer propondo a instauração de
processo disciplinar ou o arquivamento
liminar da representação, no prazo de 30
(trinta) dias, sob pena de redistribuição do
feito pelo Presidente do Conselho Seccional
ou da Subseção para outro relator,
observando-se o mesmo prazo. O Presidente
do Conselho competente ou, conforme o
caso, o do Tribunal de Ética e Disciplina,
proferirá despacho declarando instaurado o
processo disciplinar ou determinando o
arquivamento da representação, nos termos
do parecer do relator ou segundo os
fundamentos que adotar.
Ao representado deve ser assegurado amplo
direito de defesa, podendo acompanhar o
processo em todos os termos, pessoalmente
ou por intermédio de procurador, oferecendo
defesa prévia após ser notificado, razões
finais após a instrução e defesa oral perante o
Tribunal de Ética e Disciplina, por ocasião do
julgamento.
Concluída a instrução, o relator profere
parecer preliminar fundamentado, a ser
submetido ao Tribunal de Ética e Disciplina,
dando enquadramento legal aos fatos
imputados ao representado. Abre-se, em
seguida, prazo sucessivo de 15 (quinze) dias,
ao interessado e ao representado, para
apresentação de razões finais.
Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas
as decisões proferidas por seu Presidente,
pelo Tribunal de Ética e Disciplina, ou pela
diretoria da Subseção ou da Caixa de
Assistência dos Advogados. Cabe recurso ao
Conselho Federal de todas as decisões
definitivas proferidas pelo Conselho
Seccional.
Todos os recursos têm efeito suspensivo,
exceto quando tratarem de eleições, de
suspensão preventiva decidida pelo Tribunal
de Ética e Disciplina, e de cancelamento da
inscrição obtida com falsa prova.
Nos casos de infração ético-disciplinar punível
com censura, será admissível a celebração de
termo de ajustamento de conduta, se o fato
apurado nãomaternidade será de 120 dias, podendo-
se iniciar 28 dias antes do parto, e perdurar até 92
dias após o parto.
#23 – Acidentado
O empregado que sofre de acidente ou doença do
trabalho tem direito à estabilidade de, no mínimo, 12
meses após a cessação do auxílio-doença acidentário.
Requisitos (Súmula 378, TST):
• Afastamento superior a 15 dias, sendo os
primeiros 15 dias hipótese de interrupção do
contrato de trabalho, com o pagamento sob
responsabilidade do empregador; e
• Percepção do auxílio-doença acidentário
(código B-91).
#24 - Representante dos Empregados
98
Nas empresas com mais de 200 empregados, é
assegurada a eleição de uma comissão para
representá-los, com a finalidade de promover-lhes o
entendimento direto com os empregadores.
A comissão será composta da seguinte forma:
Desde o registro da candidatura até um ano após o
fim do mandato, o membro da comissão de
representantes dos empregados não poderá sofrer
despedida arbitrária, e esta prerrogativa não se aplica
aos suplentes.
7. Sistema Remuneratório
#25 – Remuneração
Remuneração: é gênero do qual salário é espécie.
Compreende o binômio salário mais gorjeta, ou seja,
é o conjunto de todas as verbas recebidas pelo
empregado.
As gorjetas não servem de base de cálculo para os
seguintes direitos (entendimento do TST):
#26 – Parcelas salariais e indenizatórias
A remuneração pode ser composta por parcelas de
natureza salarial (geram reflexos nas demais verbas
trabalhistas) ou de natureza indenizatória (não
integram ao salário e, automaticamente, não refletem
em outras parcelas).
8. Extinção do Contrato de Trabalho
#27 – Conceito
O contrato de trabalho pode encontrar seu término
em decorrência de fatores extintivos diversificados.
A diversidade desses fatores — ou causas extintivas —
tende a produzir efeitos jurídicos diferenciados, os
quais se expressam, regra geral, pela incidência de
verbas rescisórias.
#28 – Espécies de extinção e verbas devidas
99
Súmula nº 14 do TST - Reconhecida a culpa recíproca
na rescisão do contrato de trabalho (art. 484 da CLT),
o empregado tem direito a 50% do valor do aviso
prévio, do décimo terceiro salário e das férias
proporcionais.
#29 - Obrigações Decorrentes da Extinção do
Contrato
O artigo 477 da CLT teve grande
impacto em razão da alteração do prazo
para cumprimento/ adimplemento das
obrigações trabalhistas, sendo este de
10 dias a contar do término do contrato
de trabalho, independentemente se o
aviso prévio será indenizado ou trabalhado.
9. Negociação Coletiva (ACT / CCT)
#30 – Principais características
Não será permitido estipular duração de
convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho
superior a dois anos, sendo vedada a ultratividade;
Não gera direito adquirido;
As condições estabelecidas em acordo coletivo
de trabalho sempre prevalecerão sobre as
estipuladas em convenção coletiva de trabalho.
Negociado X Legislado - A convenção coletiva e
o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a
lei quando, entre outros, dispuserem sobre os itens
constantes do art. 611-A, CLT;
Constituem objeto ilícito de convenção coletiva
ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a
supressão ou a redução dos direitos previstos no art.
611-B, da CLT.
10. Trabalhador Doméstico (Lei Complementar nº 150/2015)
#31 – Conceito
O empregado doméstico é aquele que presta seus
serviços em âmbito residencial, sem qualquer
finalidade lucrativa, à pessoa ou família, e de forma
contínua, subordinada e remunerada.
#32 - Requisitos caracterizadores
Prestação de serviço para pessoa ou família;
serviço em âmbito residencial; finalidade não
lucrativa; e trabalho realizado por período superior a
dois dias por semana;
Vedada a contratação de menor de 18 anos;
Jornada: 8 horas diárias e 44 semanais;
Banco de Horas: Compensação no período
máximo de 1 ano;
FGTS: 8% + 3,2% (pagamento da indenização
compensatória da perda do emprego).
100
DIREITO DO PROCESSUAL DO TRABALHO
1. Organização da Justiça do Trabalho
#01 – Aspectos gerais
A Justiça do Trabalho é dividida em órgãos, iniciando-
se as lides, em regra, no primeiro grau de jurisdição
(Vara do Trabalho), e podendo chegar até o terceiro
grau de jurisdição (TST), conforme preceituado no
artigo 111, da CF/88:
2. Competência da Justiça do Trabalho
#02 – Jurisdição trabalhista
A jurisdição trabalhista, em sua atuação, é delimitada
pela sua competência, seja em razão da matéria
(competência absoluta), seja em razão da localidade
(competência relativa).
#03 - Competência material
A EC nº 45/2004 ampliou a competência material
trabalhista, como se observa pela redação do artigo
114, da CF/88.
#04 – Competência territorial
Delimita a atuação territorial do jurisdicionado
trabalhista, de forma que o local de propositura da
ação estará diretamente conectado às regras previstas
no artigo 651, da CLT.
Exceções quanto ao local de propositura da
Reclamação Trabalhista: agente ou viajante
comercial, empregador que promova a realização de
suas atividades fora do local de contratação, dissídio
em agência ou filial no estrangeiro.
#05 - Incompetência absoluta e relativa
3. Atos processuais
#06 – Aspectos gerais
A legislação a ser aplicada para a prática de
determinado ato processual está diretamente ligada a
legislação vigente naquele exato momento.
Com o advento da reforma trabalhista,
os processos que estão em trâmite
sofrerão a incidência imediata das
normas processuais trabalhistas em
vigência no momento daquele ato
processual, o que poderá fazer,
portanto, com que incida a Lei nº 13.467/2017.
4. Prazos processuais
#07 – Prazos processuais diferenciados
Algumas pessoas jurídicas possuem prazos
diferenciados, em especial, pessoas jurídicas de
direito público que não explorem atividade
econômica (autarquias e fundações), que terão prazo
em dobro para recorrer e quádruplo para contestar,
nos termos do artigo 1º do DL nº 779/69.
Já o Ministério Público e Defensoria, nos termos do
artigo 180 e 186, do CPC, possuirão apenas prazo em
dobro para as manifestações processuais nos autos.
#08 – Principais prazos processuais
101
ATENÇÃO: No processo do trabalho não há prazo
em dobro para litisconsortes com diferentes
procuradores, conforme OJ nº 310 da SDI-1 do TST.
5. Honorários periciais
#09 – Principais aspectos
A responsabilidade pelo pagamento dos
honorários periciais é da parte sucumbente na
pretensão, salvo se beneficiária da Justiça Gratuita;
A legislação admite o parcelamento dos
honorários periciais;
O magistrado não pode exigir adiantamento de
valores (honorários) para fins de realização da perícia
(OJ nº 98 da SDI-II do TST);
Caso haja, no processo, assistente de perito, este,
como foi nomeado pela parte interessada, esta que
deverá arcar com os custos decorrentes desta
contratação, nos termos da Súmula nº 341 do TST.
6. Honorários advocatícios
#10 – Principais aspectos
Com a Lei no 13.467/2017, o instituto
dos honorários advocatícios passou a
vigorar como regra nas ações
trabalhistas, de forma que a mera
sucumbência será capaz de instituir o
direito dos honorários advocatícios, ainda que o
advogando esteja atuando em causa própria. Tal
regramento também se aplicará nas ações contra a
Fazenda Pública, em sede de reconvenção, ou
quando a parte estiver assistida ou substituída pelo
sindicato da sua categoria.
A fixação da porcentagem dos honorários pelo
magistrado, entre o mínimo de 5% e o máximo de
15%, terá por base os seguintes aspectos:
O valor que resultar da liquidação da sentença;
O proveito econômico obtido, ou não sendo
possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da
causa.
#11 – Honorários frente ao beneficiário da justiça
gratuita
Diferenciações entre os honorários advocatícios e
periciais frentetiver gerado repercussão
negativa à advocacia.
5. Ética e Publicidade. Órgãos e Estrutura da OAB. Eleições
#11 – Ética e Publicidade
Art. 32. Não poderá o advogado,
enquanto exercer cargos ou funções em
órgãos da OAB ou representar a classe
junto a quaisquer instituições, órgãos ou
comissões, públicos ou privados, firmar
contrato oneroso de prestação de serviços ou
fornecimento de produtos com tais entidades nem
adquirir bens imóveis ou móveis infungíveis de
quaisquer órgãos da OAB, ou a estes aliená-los.
O advogado tem o dever de guardar sigilo
dos fatos de que tome conhecimento no
exercício da profissão. O sigilo profissional é
de ordem pública, independentemente de
solicitação de reserva que lhe seja feita pelo
cliente. Presumem-se confidenciais as
comunicações de qualquer natureza entre
advogado e cliente. O advogado se submete
a essas regras inclusive quando no exercício
das funções de mediador, conciliador e
árbitro.
O sigilo profissional cederá em face de circunstâncias
excepcionais que configurem justa causa, como nos
casos de grave ameaça ao direito à vida e à honra ou
que envolvam defesa própria. O advogado não é
obrigado a depor, em processo ou procedimento
judicial, administrativo ou arbitral, sobre fatos a cujo
respeito deva guardar sigilo profissional.
A publicidade profissional do advogado tem
caráter meramente informativo e deve primar
pela discrição e sobriedade, não podendo
configurar captação de clientela ou
mercantilização da profissão.
É vedada a inclusão de fotografias pessoais
ou de terceiros nos cartões de visitas do
advogado, bem como menção a qualquer
emprego, cargo ou função ocupado, atual ou
pretérito, em qualquer órgão ou instituição,
salvo o de professor universitário.
12
As colunas que o advogado mantiver nos
meios de comunicação social ou os textos que
por meio deles divulgar não deverão induzir o
leitor a litigar nem promover, dessa forma,
captação de clientela.
É vedado ao advogado:
responder com habitualidade a consulta sobre matéria
jurídica, nos meios de comunicação social;
debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o
patrocínio de outro advogado;
abordar tema de modo a comprometer a dignidade da
profissão e da instituição que o congrega;
divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes
e demandas;
insinuar-se para reportagens e declarações públicas.
Será admitida a celebração de
termo de ajustamento de conduta
no âmbito dos Conselhos Seccionais
e do Conselho Federal para fazer
cessar a publicidade irregular
praticada por advogados e
estagiários.
#12 – Órgãos e Estrutura da OAB
Compete ao Conselho Seccional dentre
outras funções:
fiscalizar, por designação expressa do Conselho Federal da
OAB, a relação jurídica mantida entre advogados e
sociedades de advogados e o advogado associado em
atividade na circunscrição territorial de cada seccional,
inclusive no que se refere ao cumprimento dos requisitos
norteadores da associação sem vínculo empregatício;
promover, por intermédio da Câmara de Mediação e
Arbitragem, por designação do Conselho Federal da OAB,
a solução sobre questões atinentes à relação entre
advogados sócios ou associados e os escritórios de
advocacia sediados na base da seccional e homologar,
caso necessário, quitações de honorários entre advogados
e sociedades de advogados, observado o disposto no
inciso XXXV do caput do art. 5º da Constituição Federal.
Art. 56. O Conselho Seccional compõe-se de
conselheiros em número proporcional ao de
seus inscritos, segundo critérios
estabelecidos no regulamento geral. § 1º São
membros honorários vitalícios os seus ex-
presidentes, somente com direito a voz em
suas sessões. (...)
Qualquer transferência de bens ou recursos
de um Conselho Seccional a outro depende
de autorização do Conselho Federal.
#13 – Eleições da OAB
A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB
será realizada na segunda quinzena do mês de
novembro, do último ano do mandato, mediante
cédula única e votação direta dos advogados
regularmente inscritos.
A eleição, na forma e segundo os critérios e
procedimentos estabelecidos no regulamento geral,
é de comparecimento obrigatório para todos os
advogados inscritos na OAB.
O candidato deve comprovar situação regular perante
a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não
ter sido condenado por infração disciplinar, salvo
reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há
mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de
Conselheiro Seccional e das Subseções, quando
houver, e há mais de 5 (cinco) anos, nas eleições para
os demais cargos.
.
FILOSOFIA DO DIREITO
1. Sistema Jurídico:
#01 – Lacunas:
Pode haver lacuna na lei, mas não no direito.
Nas palavras de Miguel Reale: “não há de se confundir
ordenamento LEGAL e ordenamento JURÍDICO, não
podendo o primeiro deixar de ter casos omissos,
enquanto o segundo, sendo o sistema de normas em
sua plena atualização, não pode ter lacunas e deve ser
considerado, em seu todo, vigente e eficaz”. Quando
há lacuna na lei, o juiz recorre à analogia, analogia, os
costumes e os princípios gerais do direito” isso sem
falar da doutrina, da jurisprudência, e do direito
comparado.
INTEGRAÇÃO e INTERPRETAÇÃO não se
confundem. Há duas diferenças importantes: (1) A
interpretação é sempre necessária; a integração só
tem razão em caso de vazio normativo. (2) A
interpretação atua dentro do campo normativo; a
integração vai buscar resposta em outras fontes do
direito justamente pela ausência de lei específica a
reger a hipótese.
#02 – Tipos de Lacunas no Direito
Próprias (ou normativas): As lacunas próprias
ocorrem quando não há uma norma legal específica
que regule uma situação ou questão particular. Isso
pode resultar em incerteza sobre como aplicar o
direito a um caso específico.
13
Exemplo prático: Suponhamos que um país tenha leis
detalhadas sobre questões de propriedade
intelectual, mas não tenha regulamentações claras
para lidar com a proteção legal de invenções criadas
por inteligência artificial. Aqui, existe uma lacuna
normativa, pois a lei existente não abrange essa
situação específica.
Ontológicas (ou fáticas): As lacunas ontológicas
ocorrem quando a própria realidade não se encaixa
facilmente nas categorias ou termos estabelecidos
pela lei, tornando difícil a aplicação direta do direito
existente a uma situação concreta.
Exemplo prático: Suponhamos que um país tenha leis
de trânsito que regulamentam o uso de veículos
terrestres, mas não especifica como aplicar essas leis
a veículos autônomos (sem motorista). Como os
veículos autônomos não se encaixam facilmente nas
categorias tradicionais de veículos, surge uma lacuna
ontológica.
Ideológicas (ou axiológica): ideia de lei injusta:
Bobbio dá especial atenção às lacunas ideológicas,
que ele chama, tal como na classificação acima, de
impróprias. Trata-se, como visto, de lacunas que
surgem ao se comparar o ordenamento jurídico como
ele é com como ele deveria ser, isto é, com uma
representação ideal do ordenamento jurídico. Logo,
há lacuna do ponto de visto axiológico e não
necessariamente do direito posto. Cuida, portanto,
não de simples ausência de solução ou de norma, mas
da ausência da solução justa ou da norma ideal para o
caso concreto.
Exemplo prático: Suponhamos que um país tenha leis
que criminalizam o uso recreativo da maconha, mas a
opinião pública tenha evoluído para aceitar seu uso
moderado. Nesse caso, pode haver uma lacuna
axiológica, pois a lei não reflete mais os valores e
atitudes da sociedade.
#03 – Fontes:
Norma sem sanção é conselho: As normas são
imperativas, obrigatórias em vista da sanção. Mas
CUIDADO: a norma pode estar prevista na própria
norma ou extraída do sistema como um todo!
Classificação das leis quanto à imperatividade:
Não é qualquer comportamento habitual que
pode ser consideradoum costume (fonte do
direito). Há DOIS requisitos. O primeiro é o objetivo,
a prática constante e reiterada no tempo, isto é, a
continuidade, uniformidade e diuturnidade do
comportamento. Já o requisito subjetivo é a crença
na obrigatoriedade da conduta (opinio necessitatis.
Os costumes podem ser contra legem, praeter
legem ou secundum legem. O costume contra legem
(costume negativo) é aquele contrário ao que dispõe
a lei. Em outras palavras, a prática reiterada e
constante em contraposição à norma, com a crença na
impossibilidade de incidência da respectiva sanção. O
costume negativo NÃO tem força para afastar a
norma do ordenamento jurídico (só lei revoga lei).
Analogia é um modo peculiar de interpretação,
com aplicação, a um caso não contemplado na lei, de
norma prevista para hipótese distinta, mas
semelhante. Seu fundamento é a igualdade jurídica:
para os mesmos fatos (ou semelhantes) o mesmo.
2. Hermenêutica:
#04 – Norma Jurídica:
Norma jurídica é a regra de conduta bilateral (por
um lado estabelece direitos e garantias e, por outro,
impõe obrigações), coercitiva (tem o poder de se
fazer cumprir à força) e que objetiva, em tese e em
última instância, a realização da justiça. A estrutura
da norma jurídica pode ser representada
graficamente:
Não escorregue em casa de banana: norma é gênero,
do qual são espécies as regras e os princípios.
#05 – Escola da Exegese:
Norberto Bobbio: a lei não deve ser interpretada
segundo a razão e os critérios valorativos daquele
que deve aplicá-la, mas, ao contrário, este deve
submeter-se completamente à razão expressa na
própria lei
DISTINÇÃO entre interpretação histórica e
sociológica? Na interpretação histórica o sentido é
buscado na situação social existente à época em que
a norma foi editada; na interpretação sociológica o
sentido da norma é esclarecido levando em
consideração a situação social ATUAL (ao tempo da
interpretação).
#06 – Equidade:
14
“A equidade, no direito atual, aparece com três
funções básicas: a) substitutiva; b) integrativa; c)
interpretativa. Na sua função substitutiva, atribui
excepcionalmente poderes ao juiz para decidir com
liberdade, afastando-se das normas legais e
declarando a solução justa para o caso. Na sua função
integrativa, a equidade constitui um instrumento
posto caso a caso pela lei à disposição do juiz para
especificação em concreto dos elementos que a
norma de direito não pode resolver em abstrato.
Finalmente, em sua função interpretativa, busca
estabelecer um sentido adequado para regras ou
cláusulas contratuais em conformidade com os
critérios de igualdade e proporcionalidade". (Paulo de
Tarso Vieira Sanseverino)
3. Justiça:
#07 – Antiguidade – Aristóteles:
Na justiça UNIVERSAL a relação
se dá entre um homem e todos os
outros, de forma geral (relação
homem-sociedade).
A justiça PARTICULAR é aquela
observada na relação entre duas
pessoas. Os casos de descumprimento são
voluntários (o agente visa a levar uma vantagem, com
prejuízo alheio).
A justiça particular comporta subdivisão em
comutativa e em distributiva.
A justiça COMUTATIVA (corretiva ou reparadora)
é a que deve imperar nas relações privadas (entre
pares ou iguais), caso em que os ganhos e perdas
devem ser iguais. Chamamos isso de equidistância, o
que quer dizer que a desigualdade de um não pode
prevalecer sobre o outro. A justiça está na ética do
MEIO TERMO.
A justiça DISTRIBUTIVA (ou de cooperação), a
qual envolve a repartição de bens e direitos pela
sociedade, com aplicação proporcional da igualdade
(para que cada um tenha benefícios e ônus de acordo
com sua capacidade).
A equidade é a última peça necessária para se
completar a teoria aristotélica de justiça. Ela não é o
justo segundo a lei, mas sim o justo no caso concreto
(apesar da lei: tornando pleno o seu conteúdo).
#08 – Antiguidade – Epicuristas:
A Justiça advém da ideia de que cada indivíduo
deve buscar uma vida prazerosa que não interfira na
felicidade alheia. Com base na solidariedade, a justiça
está em agir também pensando no outro – o que é
justo ou injusto decorre de uma convenção entre os
homens na busca da felicidade individual e comum.
#09 – Antiguidade – Estoicistas:
Tudo à nossa volta é governado por leis naturais
que impõem coisas boas (a serem desfrutadas) e
coisas ruins (a serem aceitas sem contestação, afinal, o
homem é totalmente incapaz de alterá-las).
A justiça, nesse modelo, nada tem a ver com
convenções entre os homens, encontrando-se na
sincronia com a reta razão, fonte do direito natural.
#10 – Antiguidade – Ulpiano:
Justiça é a vontade constante e perpétua de dar a
cada um o que é seu por direito. A máxima de Ulpiano
condensa os princípios gerais que orbitavam na
época: (a) não ofender (lesar) ninguém = pretensão
negativa e ética como princípio de ordem social e
condição de existência em sociedade; (b) viver
honestamente: generaliza o mandamento de justiça
sob os enfoques de se viver de acordo com a reta
razão e com os bons costumes (direito
consuetudinário; (c) dar a cada um o que lhe
pertence.
#11 – Idade Média – Santo Agostinho:
Para que haja justiça, a lei positiva (humana)
deve estar adequada à lei eterna (divina). A lei
eterna é justa, universal e imutável (fundamento das
demais leis); a lei humana é imperfeita, em que pese
essencial como garantidora da ordem social.
#12 – Idade Média – São Tomás de Aquino:
A sociedade deve ser regida por um regime de
leis, NÃO por um conjunto de comando dos
homens. Aquino admitiu uma ordem natural do
mundo, abaixo da ordem divina: no ápice de tudo está
a lei de Deus (lex aeterna ou lex naturalis), que deve
ser investigada pelos homens para a criação da lex
positiva, que será mais ou menos justa conforme se
aproximar da lei natural.
(1) Lei ETERNA = vinda diretamente de Deus
para reger o Universo; (2) Lei NATURAL = tradução da
lei divina para a linguagem dos homens (por meio do
dom da razão), estabelecendo o código moral e ético
(certo/errado, justo/injusto); (3) Lei HUMANA
(positiva) = lei criada pelo homem para governar
questões cotidianas e viabilizar o funcionamento das
comunidades (regulamenta e integra a lei natural).
#13 – Modernidade – Immanuel Kant:
15
Kant defende sua razão prática como um campo
filosófico no qual é possível refletir sobre a ética, a
moral, o Direito e a política. É o campo reflexivo em
que são buscadas soluções para o agir de modo
correto, justo, bom.
Justiça é a liberdade de agir em conformidade
com o imperativo categórico = apenas as ações
universalizáveis podem ser consideradas justas,
boas, corretas.
#14 – Contemporaneidade:
“A tirania da maioria está agora incluída entre os
males contra os quais a sociedade precisa estar
sempre vigilante” (John Stuart Mill). O governo
eleito, em muitos casos, pode selecionar visões da
maioria (que o elegeu ou que o reelegerá) e acabar
oprimindo a minoria, fenômeno que podemos
chamar (Mill assim chamava) de tirania da maioria,
muito conhecido dentro do populismo.
Jeremy Bentham - Princípio da utilidade: busca
dar a problemas de justiça uma solução capaz de
trazer um resultado positivo para o maior número de
pessoas possível (maximização do bem-estar). Temos
o utilitarismo! Maximalize o prazer; minimize a dor.
A ideia de justiça NÃO se confunde com o
sentimento do justo. O sentimento é intuitivo,
cultivado desde os primeiros anos de vida e ampliado
pelos valores culturais, sociais, religiosos adquiridos
com o passar do tempo. Já a ideia é fruto de profunda
reflexão, em um raciocínio que conjuga a experiência
com a razão. Esse é o âmbito principal da Filosofia
Jurídica.
#15 – Atualidade:
Amartya Sen: A abordagem de Sen à justiça é
centrada nas capacidades das pessoas. Ele argumenta
que a justiça deve ser avaliada com base nas
oportunidades que as pessoas têm para alcançar seus
objetivos e vivervidas significativas. Sen introduziu a
ideia de "abordagem das capacidades", que
considera as liberdades e as habilidades de uma
pessoa como elementos-chave da justiça. Para Sen,
uma sociedade justa é aquela que expande as
capacidades das pessoas e remove as barreiras que
impedem o pleno desenvolvimento humano.
Martha Nussbaum: expandiu a abordagem das
capacidades de Sen, identificando uma lista de
"capacidades centrais" que todas as pessoas
deveriam ter para levar vidas dignas. Essas
capacidades incluem coisas como saúde, educação,
participação política e conexões sociais. A perspectiva
de Nussbaum destaca a importância não apenas das
oportunidades individuais, mas também do ambiente
social e político que permite o florescimento humano.
Iris Marion Young: foi uma filósofa política que
abordou a justiça de maneira mais complexa e
inclusiva. Ela desenvolveu a teoria da justiça como
responsabilidade, que enfatiza a importância de
reconhecer as estruturas sociais que impedem a
participação igualitária e o pleno exercício da
cidadania. Young argumentava que a justiça requer a
transformação dessas estruturas opressivas e a
promoção de espaços de participação democrática
para todos os membros da sociedade.
4. Correntes Filosóficas:
#16 – Jusnaturalismo:
Para os autores jusnaturalistas, justiça é a
observância dos direitos da natureza; injustiça é a
inobservância desses preceitos (mesmo que pela lei
positiva). Não observado o direito natural, a lei
humana (estatal) pode ser fonte injustiças.
“a vida, a liberdade e a
propriedade não existem pelo simples
fato de os homens terem feito leis. Ao
contrário, foi pelo fato de a vida, a
liberdade e a propriedade existirem
antes é que os homens foram levados
a fazer as leis” (Frédéric Bastiat).
Jusnaturalismo COSMOLÓGICO ou ANTIGO:
as leis naturais derivam do cosmos, sendo aplicáveis
em todo o universo.
Jusnaturalismo TEOLÓGICO ou MEDIEVAL (ou
teônico): os direitos naturais são estabelecidos por
Deus.
Jusnaturalismo RACIONALISTA ou
MODERNO: as leis naturais são inatas à condição do
homem e reveladas pela razão.
#17 – Positivismo Jurídico:
posiciona a norma como objeto único da ciência
jurídica.
⮲ o direito se funde com o poder, na medida em que
se restringe ao conjunto de determinações estatais
oficiais cogentes, dotadas de heteronomia – não se
caracteriza por qualquer pretensão especial de
justiça, mas pela oficialidade (admite-se o direito, em
tese, injusto).
Para o positivismo de Hans Kelsen, "o direito
comportaria qualquer conteúdo, não havendo, pois,
limite ético para o legislador [...]. Kelsen relativizou a
importância da justiça, ao afirmar que ela ‘é, antes de
tudo, uma característica possível, mas não necessária
de uma ordem social’.
#18 – Pós-positivismo:
Robert Alexy, Robert Dworkin e Gustav Radbruch
estão entre os principais defensores do modelo pós-
positivista, ao assentarem a existência de uma relação
necessária entre direito e moral. A teoria jurídica deve
oferecer critérios adequados (inclusive moralmente)
para a resolução prática de problemas jurídicos.
16
São características dos pós-positivismo: (a) as
fontes do direito não se resumem ao poder social
(norma), englobando a moral, os ideais de justiça; (b)
há uma interligação direita entre o direito, a moral, a
filosofia e a política; (c) a atividade jurídica deve se
conformar com ideais éticas, morais e de justiça; (d)
relevância dos casos difíceis (hard cases); (e)
reabilitação dos princípios, que deixam de ser mera
exortação e passam a ter força normativa; (f) busca um
lugar teórico para além do jusnaturalismo e do
positivismo (terceira via).
DIREITO CONSTITUCIONAL
1. Direitos e Garantias Fundamentais:
#01 – Direitos e Garantias: diferença
Direitos: são bens constitucionalmente
protegidos. Exemplos: vida, liberdade, propriedade,
informação, intimidade etc.
Garantias: são formas de proteção de tais bens
= instrumentos dispostos pela Constituição para
salvaguardar valores fundamentais. “Remédios
Constitucionais”.
#02 – Gerações:
Emanam de um “progresso histórico-social”.
Eles não “nasceram” em um único momento. Pelo
contrário, são conquistas adquiridas no caminhar do
desenvolvimento da humanidade.
#03 – Limites dos Direitos Fundamentais:
É possível que a lei imponha restrições aos
direitos fundamentais? Sim!! Desde que o núcleo
essencial seja protegido. Dessa forma, o direito
fundamental não pode ser totalmente eliminado, mas
pode ser limitado.
#04 – Eficácia Horizontal dos Direitos
Fundamentais:
A partir do séc. XX: ampliação da aplicação dos
direitos fundamentais também às relações entre
particulares. Até então, a incidência dava-se apenas
nas relações entre o indivíduo/Estado (eficácia
vertical).
#05 – Direitos Fundamentais na Constituição:
Esse agrupamento (do art. 5º ao art. 17) realizado
pelo legislador constituinte é chamado pela doutrina
e jurisprudência de “catálogo dos direitos
fundamentais”:
#06 – Direitos Individuais e Coletivos – Principais
aspectos:
Art. 5º, caput, CF: Todos são iguais perante a lei,
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes:
E os estrangeiros não residentes? Doutrina e a
jurisprudência do STF entendem que basta a estar no
território nacional para que a pessoa seja possuidora
de direito fundamental.
pessoas jurídicas e o Estado também possuem
direitos fundamentais.
Art. 5º, I: homens e mulheres são iguais em
direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
princípio da igualdade: formal e material.
Tratamento diferenciado na lei só é permitido quando
houver razoabilidade para tanto.
ações afirmativas: instrumentos jurídicos que
conferem efetividade aos direitos e garantias
fundamentais (igualdade material). Corrigem
15
distorções decorrentes da simples aplicação formal
do princípio da igualdade. Ex: cotas em universidades
públicas.
Art. 5º, II: ninguém será obrigado a fazer ou deixar
de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
princípio da legalidade x reserva legal: distinção?
A legalidade possui um sentido mais amplo,
pois nele está incluso não só o respeito à lei formal,
mas também ao ato com força de lei e aos atos
expedidos nos limites das leis (atos infralegais). A
legalidade, então, trata da lei em sentido material.
a reserva legal é o princípio da legalidade em
sentido estrito. Está presente quando o texto
constitucional expressamente exige a edição de uma
lei em sentido formal ou de atos que tenham força de
lei para a regulamentação de uma matéria.
Art. 5º, IV: é livre a manifestação do pensamento,
sendo vedado o anonimato;
Liberdade de expressão e vedação ao
anonimato.
“Marcha da Maconha”: Posição STF (ADPF 187) = A
proposta de legalização das drogas não é
considerada apologia ao crime. A interpretação do
Código Penal que implique na criminalização da
manifestação de pensamento neste sentido
(legalização das drogas) é inconstitucional, mesmo
que isto ocorra em eventos públicos.
Art. 5º, VIII: ninguém será privado de direitos por
motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica
ou política, salvo se as invocar para eximir-se de
obrigação legal a todos imposta e recusar-se a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
“escusa de consciência”: o direito à liberdade de
consciência e crença somente pode ser restringido
pelo legislador quando fixada por lei a prestação
alternativa.
Covid-19. Recusa dos pais em vacinar os filhos.
STF: não há legitimidade na recusa dos pais à
vacinação compulsória de filho menor invocando
convicção filosófica.
a obrigatoriedade de imunização por meio de
vacina é constitucional, desde que, seja:
a) registrada em órgãode vigilância sanitária;
b) tenha sido incluída no Programa Nacional de
Imunizações;
c) ou tenha sua aplicação obrigatória determinada em
lei;
d) ou seja objeto de determinação da União, estado,
Distrito Federal ou município, com base em consenso
médico-científico.
Art. 5º, X: são invioláveis a intimidade, a vida
privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado
o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação;
proteção à intimidade, a vida privada, a honra e
a imagem das pessoas.
Quebra de sigilo bancário e fiscal: quem pode
decretar?
a) Poder Judiciário;
b) CPI’s;
c) Autoridades fiscais, desde que em processo
administrativo instaurado ou em curso; e
d) Ministério Público, na defesa do patrimônio
público, em processo administrativo.
Art. 5º, XI: a casa é asilo inviolável do indivíduo,
ninguém nela podendo penetrar sem consentimento
do morador, salvo em caso de flagrante delito ou
desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia,
por determinação judicial;
princípio da inviolabilidade domiciliar: o que
se entende por casa? i) qualquer compartimento
habitado; II) qualquer aposento ocupado de
habitação coletiva; e III) qualquer compartimento
privado não aberto ao público, onde alguém exerce
profissão ou atividade pessoal.
Logo: abrange escritórios e consultórios
profissionais, os quartos de hotel, trailers, barcos.
16
Em quais circunstâncias é permitido penetrar na
casa de um indivíduo?
Art. 5º, XII: é inviolável o sigilo da
correspondência e das comunicações telegráficas, de
dados e das comunicações telefônicas, salvo, no
último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na
forma que a lei estabelecer para fins de investigação
criminal ou instrução processual penal;
inviolabilidade das correspondências e das
comunicações telegráficas
acesso às mensagens do whatsapp: STJ = “Sem
prévia autorização judicial, são nulas as provas
obtidas pela polícia por meio da extração de dados e
de conversas registradas no whatsapp presentes no
celular do suposto autor de fato delituoso, ainda que
o aparelho tenha sido apreendido no momento da
prisão em flagrante” (Informativos/STJ 583 e 593)
Interceptação telefônica: é a captação da
mensagem transmitida (gravação da conversa).
Requisitos?
Prova emprestada: para o STF, não há
impedimento a que prova obtida por meio da
interceptação telefônica (que ocorre no curso de uma
investigação criminal ou instrução processual penal)
seja utilizada em outro processo, mesmo que este seja
um processo administrativo disciplinar.
Art. 5º, XVI: todos podem reunir-se
pacificamente, sem armas, em locais abertos ao
público, independentemente de autorização, desde
que não frustrem outra reunião anteriormente
convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido
prévio aviso à autoridade competente;
Direito de reunião.
Art. 5º, XIX: as associações só poderão ser
compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades
suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no
primeiro caso, o trânsito em julgado;
Importante esclarecer que a dissolução
compulsória da associação somente ocorre por
decisão judicial que tenha transitado em julgado.
Contudo, para ter sua atividade suspensa, basta uma
simples decisão judicial (sem trânsito em jugado).
Art. 5º, XXIV: a lei estabelecerá o procedimento
para desapropriação por necessidade ou utilidade
pública, ou por interesse social, mediante justa e
prévia indenização em dinheiro, ressalvados os
casos previstos nesta Constituição;
Art. 5º, XXXIII: todos têm direito a receber dos
órgãos públicos informações de seu interesse
particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão
prestadas no prazo da lei, sob pena de
responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo
seja imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado;
Publicidade é a regra. Sigilo é exceção.
Remédio constitucional adequado:
a) informações próprias, pessoais do impetrante,
o remédio cabível será o Habeas Data.
b) informações de interesse particular ou
interesse coletivo ou geral, o remédio cabível será o
Mandado de Segurança.
17
Art. 5º, LVII: ninguém será considerado culpado
até o trânsito em julgado de sentença penal
condenatória;
princípio da presunção de inocência
“O art. 283 do CPP, no que condiciona o início do
cumprimento da pena ao trânsito em julgado do
título condenatório, tendo em vista o figurino do art.
5º, LVII, da CF, é constitucional” (STF. Plenário. ADC
43/DF, ADC 44/DF e ADC 54/DF, Rel. Min. Marco
Aurélio, julgados em 7/11/2019)
Pode haver prisão anterior? Sim! Desde que
presentes os requisitos da prisão preventiva (CPP, art.
312).
#07 – Remédios constitucionais:
Art. 5º, LVII: conceder-se-á habeas corpus
sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de
sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
Cabe habeas corpus contra prisão decorrente de
transgressão militar? Sim! Segundo o STF, o HC não
pode discutir o mérito da prisão, mas sim aspectos de
sua legalidade (competência da autoridade que
decretou, observância de contraditório e ampla
defesa etc.)
Art. 5º, LVII: conceder-se-á mandado de
segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando
o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no
exercício de atribuições do Poder Público;
Legitimados?
#08 – Nacionalidade:
CF. Art. 12. São brasileiros:
I - natos:
a) os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda
que de pais estrangeiros, desde que estes não estejam
a serviço de seu país;
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe
brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço
da República Federativa do Brasil;
c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de
mãe brasileira, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente ou venham a residir
na República Federativa do Brasil e optem, em
qualquer tempo, depois de atingida a maioridade,
pela nacionalidade brasileira;
II - naturalizados:
a) os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade
brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto
e idoneidade moral;
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade,
residentes na República Federativa do Brasil há mais
de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal,
desde que requeiram a nacionalidade brasileira.
§ 1º Aos portugueses com residência permanente no
País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros,
serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro,
salvo os casos previstos nesta Constituição.
§ 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre
brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos
previstos nesta Constituição.
§ 3º São privativos de brasileiro nato os cargos:
I - de Presidente e Vice-Presidente da República;
II - de Presidente da Câmara dos Deputados;
III - de Presidente do Senado Federal;
IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal;
V - da carreira diplomática;
VI - de oficial das Forças Armadas.
VII - de Ministro de Estado da Defesa.
§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do
brasileiro que:
I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença
judicial, em virtude de fraude relacionada ao processo
de naturalização ou de atentado contra a ordem
constitucional e o Estado Democrático;
II - fizer pedido expresso de perda da nacionalidade
brasileira perante autoridade brasileira competente,
ressalvadas situações que acarretem apatridia.
§ 5º A renúncia da nacionalidade, nos termos do inciso
II do § 4º deste artigo, não impede o interessado de
18
readquirir sua nacionalidade brasileira originária, nos
termos da lei.
2. Controle de Constitucionalidade:
#09 – Pressupostos: