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Direito Processual Civil II
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	Direito Processual Civil II
 
Eixo temático do semestre: Processo, verdade e participação.
Aula 1 
1. Participação no processo;
2. Conceito de parte;
3. Regime legal da representação processual;
4. A “sucessão” das partes e procuradores;
5. A alienação da coisa ou objeto litigioso;
6. Sucessão por morte.
	No que consiste a participação no processo?
Efetivo exercício do contraditório (não explica tudo - várias situações não cabem dentro dessa caixa. Ex: amicus curiae, MP);
Qual o principal meio processual de participação no processo?
Funcionamento da máquina do contraditório. 
Qual o papel (função) da participação no processo?
Legitimação política. 
· Processo = procedimento + contraditório. 
· Contraditório tem como principal elemento a participação. Para Salles, processo = procedimento + normatividade. 
· Participação é um direito que pode ou não ser exercido. 
· Por “partes” geralmente se entende autor e réu. Porém, pode ser entendido no sentido amplo, como sujeitos que participam do desenvolvimento do contraditório. Ex: MP como custus legis (fiscal da lei), litisdenunciado, chamado ao processo, assistente, etc. 
· Não são estritamente autor ou réu, pois têm outras funções dentro do processo – mas são sempre sujeitos do contraditório.
 
· As partes sempre comparecem ao processo civil representadas por advogados. Porém, também há uma forma de representação de direito material (ex: menor de idade que se faz representar por seus pais ou responsáveis – o menor é parte, mas representada; PJ que se faz representar nos termos de seu estatuto por seu presidente);
· Também há a figura da substituição processual. Ex: processos coletivos. Associação ou MP propõe em nome próprio a ação em interesse de outro. Legitimação extraordinária. A parte é o próprio instituto. Substituído pode entrar como auxiliar. 
Partes (2 sentidos):
	Restrito
	Amplo
	Partes = autor + réu (singulares ou em litisconsórcio)
	Partes = sujeitos do contraditório (MP como custos legis, intervenção de terceiros, amicus curiae)
Regime legal de representação processual:
· Capacidade postulatória - Art. 103 CPC: A parte será representada em juízo por advogado regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil.
· Advocacia em causa própria: Art. 103, Parágrafo único. É lícito à parte postular em causa própria quando tiver habilitação legal. + Art. 106. Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado:
I - declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o recebimento de intimações;
II - comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.
§ 1º Se o advogado descumprir o disposto no inciso I, o juiz ordenará que se supra a omissão, no prazo de 5 (cinco) dias, antes de determinar a citação do réu, sob pena de indeferimento da petição.
§ 2º Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as intimações enviadas por carta registrada ou meio eletrônico ao endereço constante dos autos.
Revogação do mandato: 
Art. 111. A parte que revogar o mandato outorgado a seu advogado constituirá, no mesmo ato, outro que assuma o patrocínio da causa.
Parágrafo único. Não sendo constituído novo procurador no prazo de 15 (quinze) dias, observar-se-á o disposto no art. 76. (extinção se autor ou revelia se réu)
Renúncia do mandato:
Art. 112. O advogado poderá renunciar ao mandato a qualquer tempo, provando, na forma prevista neste Código, que comunicou a renúncia ao mandante, a fim de que este nomeie sucessor.
§ 1º Durante os 10 (dez) dias seguintes, o advogado continuará a representar o mandante, desde que necessário para lhe evitar prejuízo
§ 2º Dispensa-se a comunicação referida no caput quando a procuração tiver sido outorgada a vários advogados e a parte continuar representada por outro, apesar da renúncia.
A “sucessão” das partes e procuradores:
· Confusão entre os termos sucessão e substituição – o CPC atual tenta unificar com o termo sucessão, o que acaba ficando confuso. 
· Estabilização dos elementos subjetivos (partes) do processo*: Art. 108. No curso do processo, somente é lícita a sucessão voluntária das partes nos casos expressos em lei.
*Elementos objetivos: pedido e causa de pedir/elementos subjetivos: partes. 
· Estabilização dos elementos objetivos do processo: Art. 329. O autor poderá: I - até a citação, aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independentemente de consentimento do réu;
II - até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar.
· Alienação do objeto litigioso do processo: Art. 109. A alienação da coisa ou do direito litigioso por ato entre vivos, a título particular, não altera a legitimidade das partes.
· Sucessão por morte: Art. 110. Ocorrendo a morte de qualquer das partes, dar-se-á a sucessão pelo seu espólio ou pelos seus sucessores, observado o disposto no art. 313, §§ 1º e 2º.
Habilitação: art. 687/692 – para citar os herdeiros caso não apareçam.
Responsabilidade processual: proposta de sistematização (CPC não traz essa matéria completamente sistematizada)
· Disciplina da responsabilidade no CPC:
· Deveres das partes e seus procuradores (arts. 77/78 CPC)
· Responsabilidade das partes por dano processual = litigância de má-fé (arts. 79/81 CPC)
 
· Despesas, honorários advocatícios e multas (arts. 82/97 CPC)
· Danos decorrentes de decisões processuais (revertidas) (art. 302 [tutela provisória] e 520, II, fine [cumprimento provisório])
Deveres das partes
Art. 77. Além de outros previstos neste Código, são deveres das partes, de seus procuradores e de todos aqueles que de qualquer forma participem do processo:
I - expor os fatos em juízo conforme a verdade;
II - não formular pretensão ou de apresentar defesa quando cientes de que são destituídas de fundamento;
III - não produzir provas e não praticar atos inúteis ou desnecessários à declaração ou à defesa do direito;
IV - cumprir com exatidão as decisões jurisdicionais, de natureza provisória ou final, e não criar embaraços à sua efetivação;
V - declinar, no primeiro momento que lhes couber falar nos autos, o endereço residencial ou profissional onde receberão intimações, atualizando essa informação sempre que ocorrer qualquer modificação temporária ou definitiva;
VI - não praticar inovação ilegal no estado de fato de bem ou direito litigioso.
Outros deveres das partes
Gerais
· O dever geral de cooperação (art. 6º CPC)
· O dever de comportamento segundo a boa-fé (art. 5º CPC)
Específicos
· Do procurador indicar número da OAB e endereço (art. 105, §§ 2º e 3º)
· De indicar desinteresse pela audiência de conciliação ou mediação (art. 334, § 5º) – todas as partes precisam manifestar o desinteresse. Se uma das partes aceita, todas devem comparecer. Isso serve para impedir que uma das partes tente atrasar o processo. 
· Bom comportamento em audiência (art. 360, II)
· Não atentar contra a dignidade da justiça na execução (art. 774)
· Tratamento (com urbanidade) (art. 459, § 1º e art. 446, IV) 
A litigância de má-fé: o ilícito processual
· Art. 80 – transgressão aos deveres processuais
· Correspondência com art. 77
· A litigância de má fé: caracteriza o ilícito processual (no sentido de conduta sancionável)
Aula 2 - Prova: conceito e objeto
Evolução e conceito de prova 
Prova em perspectiva histórica
· Juízos divinos
· Provas sociais 
A racionalidade como característica da prova “moderna”
· Racionalidade na produção 
· Racionalidade na apreciação
Significado de “prova”
Evidence (elemento de prova) x proof (aquilo que faz prova – efetivamente)
Conceito de prova
· Conceito: “Prova é demonstração, e provar é demonstrar” (Cândido Dinamarco)
· Como atividade: “Conjunto de atividades de verificação e demonstração da verdade” (Cândido Dinamarco)para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso. [“teoria maior” – exige mais requisitos]
CDC - Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. [“teoria menor”]
Incidente de desconsideração – significado e modalidades
Por que um incidente? Para garantir que a invasão do patrimônio de terceiros não se realize sem contraditório. 
Desconsideração incidental: Art. 134. O incidente de desconsideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo extrajudicial.
Desconsideração originária (na petição inicial – não incidental): § 2º Dispensa-se a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a pessoa jurídica.
Incidente de desconsideração – procedimento 
Incidente de desconsideração e fraude à execução
Inclusão do legitimado verdadeiro (antiga nomeação à autoria)
Situação de direito material: demandado não tem vínculo jurídico com bem disputado ou não é responsável pelo dano – deve indicar o verdadeiro responsável. 
Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu.
Finalidade: correção do polo passivo da relação processual.
§ 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
Requisito para o demandado: indicar o sujeito passivo.
Opções para o autor: proceder à substituição ou incluir o indicado como litisconsorte. 
Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
§ 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
§ 2º No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir, como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu.
Prazos:
· Réu: o da contestação
· Autor: 15 dias
Consequências para o autor: paga despesas e honorários (3 a 5% do valor da causa) do réu excluído. 
Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu.
Parágrafo único. Realizada a substituição, o autor reembolsará as despesas e pagará os honorários ao procurador do réu excluído, que serão fixados entre três e cinco por cento do valor da causa ou, sendo este irrisório, nos termos do art. 85, § 8º.
Intervenções especiais de entes públicos: União e outras pessoas jurídicas de direito público
Art. 5º A União poderá intervir nas causas em que figurarem, como autoras ou rés, autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas federais.
Parágrafo único. As pessoas jurídicas de direito público poderão, nas causas cuja decisão possa ter reflexos, ainda que indiretos, de natureza econômica, intervir, independentemente da demonstração de interesse jurídico, para esclarecer questões de fato e de direito, podendo juntar documentos e memoriais reputados úteis ao exame da matéria e, se for o caso, recorrer, hipótese em que, para fins de deslocamento de competência, serão consideradas partes.
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image3.png· Como resultado dessa atividade: “É todo meio destinado a convencer o juiz a respeito da verdade de uma situação de fato” (Greco Filho)
· Prova é todo o meio de demonstração de um determinado fato, destinado a levar ao juiz o conhecimento de sua existência.
Finalidade da prova
Formar a convicção do julgador (nas várias instâncias) acerca dos fatos controvertidos entre as partes.
Direito à prova
· Onde está previsto esse direito?
· CF não tem disposição prevendo expressamente esse direito
· Se pode extrair das garantias devido processo legal e ampla defesa
· No CPC: Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz.
· Qual o conteúdo desse direito?
· Utilizar todos os meios de prova admissíveis
· Direito à contraprova (prova contrária)
· Participar da produção das provas
· Direito à correta valoração da prova
Objeto de prova
· O que deve ser objeto da prova?
· Todos os fatos precisam ser objeto da prova?
· Não, os fatos precisam ser:
· Controvertidos (art. 374, II e III, CPC) – uma parte afirma e a outra nega;
· Relevantes/necessários (art. 370, CPC) – trazer alguma consequência para o processo;
· Determinados (não podem ser vagos).
· Há também:
· Fatos incontroversos dependentes de prova
· Necessários ao convencimento do juiz (art. 370, caput, CPC)
· Envolver direitos indisponíveis (art. 345, II, CPC)
· Exigirem forma especial (p.e., art. 1.543, caput e art. 1.245 CC)
· Fatos controvertidos que independem de prova (art. 374, I e III, CPC) – ex: pandemia como força maior.
Prova do direito
· Como regra, o direito não exige prova
· O juiz conhece o direito (iura novit curia)
· Por exceção (art. 376 CPC), admite-se prova do direito:
· Dos Estados
· Municipal
· Estrangeiro
· Consuetudinário
Fonte x meio de prova
Fonte: pessoas ou coisas das quais se possa extrair informações para confirmação da veracidade dos fatos.
Meios: técnicas destinadas à investigação dos fatos (formas processuais).
Meios de prova
· Regra da máxima amplitude probatória
· Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz.
· Limitações: Art. 443. O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos:
I - já provados por documento ou confissão da parte;
II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados.
· Revogado pelo CPC: antes não cabia prova testemunhal a casos que não ultrapassassem 10x o salário mínimo.
Classificação das provas
Quanto aos meios de prova:
Típicas (previstas no CPC):
· Ata notarial (384 CPC)
· Depoimento pessoal (385 e 388 CPC)
· Confissão (389 e 395 CPC)
· Exibição de documento ou coisa (396 e 404 CPC)
· Documental (405 e 438 CPC)
· Documentos eletrônicos (439 e 441 CPC)
· Testemunhal (442 e 463 CPC)
· Pericial (464 e 480 CPC)
· Inspeção judicial (481 e 483 CPC)
Produção antecipada de prova (381 e 383 CPC)
Atípicas (não previstas no CPC):
· Constatações por oficial de justiça
· Reconhecimento pessoal
· Reconstituição
· Testemunha técnica (expert witness)
Quanto à fonte:
· Pessoais (apresentação de relato): ex – testemunhas presenciais
· Reais (relatos sobre coisas): ex - ata notarial, gravação
Quanto ao objeto: 
· Direta
· Indireta (indiciária): não diz respeito direto aos fatos
Quanto à forma:
· Orais
· Documentais
· Materiais
Quanto à preparação:
· Produzidas no processo: levadas para dentro do processo, como a prova testemunhal, que é levada a depor em juízo.
· Preconstituídas: feitas antes do processo, que podem ser feitas como a produção antecipada de prova, ou prova documental (como uma ata notarial).
Prova emprestada: é aquela extraída de outro processo de natureza jurisdicional
· CPC: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.
Aula 3 – Momentos da prova & audiência de instrução e julgamento
Indicação
· Na inicial: Art. 319. A petição inicial indicará: VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados;
· Na contestação: Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir.
Especificação
Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo (extinção ou julgamento antecipado), deverá o juiz, em decisão de saneamento e de organização do processo:
II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios de prova admitidos;
Deferimento
Quando o juiz defere as provas que as partes pretendem produzir?
· No saneamento do processo
Produção no processo
Variável conforme o meio de prova utilizado, por ex: 
· Documental: Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações.
Art. 320. A petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. (Há uma liberalidade da jurisprudência em aceitar provas que não estavam na inicial. Muitas vezes a parte faz isso para aguardar os atos da outra parte, de forma estratégica). 
· Oral: Art. 453. As testemunhas depõem, na audiência de instrução e julgamento, perante o juiz da causa, exceto:
 
· Pericial: Art. 477. O perito protocolará o laudo em juízo, no prazo fixado pelo juiz, pelo menos 20 (vinte) dias antes da audiência de instrução e julgamento.
· Produção antecipada de prova (em procedimento antecedente): produzida antes do processo se iniciar, as vezes servirá até mesmo para o juiz decidir se inicia o processo. 
· Quando cabe esse procedimento? 
Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que:
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos fatos na pendência da ação;
II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro meio adequado de solução de conflito;
III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação.
Audiência de instrução e julgamento: colocação no processo
Qual o significado dessa audiência para disciplina estabelecida pelo CPC?
· Audiência de encerramento da fase instrutória, para: 
· Derradeira tentativa de conciliação entre as partes;
· Com a coleta da prova oral indicada pelas partes;
· Apresentação de alegações finais pelas partes; e 
· Prolação da sentença, com encerramento da fase de conhecimento em primeiro grau de jurisdição. 
Poderes do juiz e participação das partes
· Poderes do juiz:
Art. 360. O juiz exerce o poder de polícia, incumbindo-lhe:
I - manter a ordem e o decoro na audiência;
II - ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente;
III - requisitar, quando necessário, força policial;
IV - tratar com urbanidade as partes, os advogados, os membros do Ministério Público e da Defensoria Pública e qualquer pessoa que participe do processo;
V - registrar em ata, com exatidão, todos os requerimentos apresentados em audiência.
Participação das partes:
· Conciliação
· Prestar depoimento pessoal
Por meio de seus advogados:
· Formular requerimentos
· Fazer perguntas
A produção da prova oral
Art. 361. As provas orais serão produzidas em audiência, ouvindo-se nesta ordem, preferencialmente:
I - o perito e os assistentes técnicos, que responderão aos quesitos de esclarecimentos requeridos no prazo e na forma do art. 477 , caso não respondidos anteriormente por escrito;
II - o autor e, em seguida, o réu, que prestarão depoimentos pessoais;
III - as testemunhas arroladas pelo autor e pelo réu, que serão inquiridas.
· O que acontece se a testemunha não comparecer?
Se tiver sidointimada para o ato: condução coercitiva (art. 455, § 5º)
Aula 4 – Ônus da prova
Significado e função
O ônus da prova visa responder uma questão central: Quem deve provar o quê no processo?
Ônus da prova é o encargo atribuído a cada uma das partes de demonstrar a ocorrência dos fatos de seu interesse. 
Dupla função do ônus da prova: 
· Regra de instrução para as partes, orientando sobe quais devem ser suas iniciativas probatórias (o que devo provar no processo? ) – ônus subjetivo/formal.
· Regra de julgamento para o juiz, diante do non liquet. (o que cada parte deveria ter provado no processo? julga a favor de quem se desincumbiu melhor desse ônus) – ônus objetivo/material.
Princípios relacionados 
· Indeclinabilidade da jurisdição: vedação ao non liquet (casos em que o juiz não encontrava nítida resposta jurídica para fazer o julgamento e, por isso, deixava de julgar).
· Dispositivo: a parte tem disponibilidade sobre o processo. Ou seja, a parte poderá dispor das provas como quiser. O juiz só pode interferir em situações específicas. 
· Princípio do impulso oficial: é o princípio pelo qual compete ao juiz, uma vez instaurada a relação processual, mover o procedimento de fase em fase, até exaurir a função jurisdicional.
· Persuasão racional: juiz deve julgar a causa a partir de elementos racionais de convicção, que devem constar de sua decisão. 
Sistema brasileiro de ônus da prova:
· Fatos constitutivos: que geram algum direito.
· Fatos impeditivos: que impedem aquele direito afirmado pelo autor.
· Fatos modificativos: que modificam a situação, influenciando sobre o direito.
· Fatos extintivos
· Ônus estático: 
Art. 373. O ônus da prova incumbe:
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
· Ônus dinâmico: § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
 
Reescrito com finalidade didática:
O juiz poderá atribuir o ônus da prova de modo diverso daquele previsto no caput:
· Nos casos previstos em lei
· Diante de peculiaridades da causa relacionadas:
· À impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput;
· À maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário.
Nas hipóteses do parágrafo anterior o juiz decidirá fundamentadamente e deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. 
· Vedação da probatio diabólica
Art. 373, § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.
· Convenção sobre o ônus da prova
Art. 373, § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando:
I - recair sobre direito indisponível da parte
II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.
§ 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo.
Presunções
· Legais: vêm previstas em algum dispositivo da lei.
· Humanas: decididas por máximas de experiência ou indícios (circunstâncias de fato das quais se pode extrair uma convicção).
· Exemplo: colisão traseira de trânsito (a culpa é do de trás).
· Absolutas: não podem ser afastadas por prova em contrário.
· Relativas: podem ser afastadas por prova em contrário.
· Mistas: só podem ser afastadas com provas específicas.
Exemplos: 
· Absolutas – iure et de iure
Art. 163. Presumem-se fraudatórias dos direitos dos outros credores as garantias de dívidas que o devedor insolvente tiver dado a algum credor.
· Relativas – iure tantum 
Art. 322. Quando o pagamento for em quotas periódicas, a quitação da última estabelece, até prova em contrário, a presunção de estarem solvidas as anteriores.
· Mistas: admitem prova em contrário, mas apenas na forma prevista em lei.
Art. 1.545. O casamento de pessoas que, na posse do estado de casadas, não possam manifestar vontade, ou tenham falecido, não se pode contestar em prejuízo da prole comum, salvo mediante certidão do Registro Civil que prove que já era casada alguma delas, quando contraiu o casamento impugnado.
Inversão do ônus da prova
Inversão
CDC: Art. 6º São direitos básicos do consumidor: VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;
Dinamização
CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.
Inversão e dinamização são coisas diferentes.
A inversão é feita em caráter geral em relação a casos em que o consumidor é o demandante, cumprindo os requisitos de verossimilhança e hipossuficiência (premissa geral estabelecida em lei)
A dinamização vem da observação do juiz no caso concreto e das diferenças entre as partes de capacidade probatória.
Apreciação da prova
Convicção íntima: Tribunal do Júri 
Prova legal: não há em nosso sistema. Atribuição de peso especifico para cada prova (hierarquia). Documental > testemunhal, por exemplo. 
Persuasão racional: juiz é convencido racionalmente pelas partes, ancorada na obrigação de motivar a sentença. 
· CPC-1973: Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova (...), mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o conhecimento – livre convencimento motivado.
· CPC-2015: Art. 371. O juiz apreciará a prova constante dos autos, (...) e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento – convencimento motivado. 
· Art. 489 regula a motivação do juiz.
Aula 5 – Provas ilícitas
Significado e importância 
· Prova ilícita x prova ilegítima (definição de Ada Pellegrini):
· Prova ilícita: viola direitos materiais
· Prova ilegítima: viola direitos processuais
· Salles considera que não é uma definição mais tão útil, acredita na “ilegítima” como um julgamento moral:
Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz.
· Prova ilícita x prova inválida (não segue o devido processo legal, violando direito constitucional das partes)
· Prova ilícita x prova insuficiente (campo de apreciação da prova)
· Prova ilícita x prova irrelevante 
Disciplina legal 
Art. 5º LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;
· Não podem entrar no processo, e se entrarem, devem ser excluídas. 
Art. 157. CPP São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
Art. 5º CF XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; - juiz cível não tem esse poder.
Tipos de prova ilícita
· Por derivação: descobertas a partir de meio ilícito, derivadamente (ex: polícia busca descobrir um traficante por violação de correspondência e descobre dois).
· Prova lícitaemprestada: ex – vem de um processo penal para um cível. 
· De fonte independente: 
· Por descobrimento inevitável: acabaria sendo descoberto mesmo sem o meio ilícito. 
· Fortuita
Aula 6 – Sentença: conceito e requisitos
Definição legal
Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões interlocutórias e despachos.
§ 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487 , põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.
· A partir dessa definição saberemos se cabem recursos de apelação ou de agravo de instrumento (âncora recursal).
Sentença: unidade de comunicação. O que se comunica é um comando normativo – individualização da norma. 
Sentença: terminologia 
· Sentença definitiva (terminativa de mérito)
· Julga o mérito
· É terminativa
· Acolhe ou rejeita o pedido do autor
· Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz:
I - acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção;
· Sentença meramente terminativa (de extinção do processo sem julgamento de mérito)
· Somente põe fim ao processo, sem resolução de mérito. 
· Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando:
I - indeferir a petição inicial;
III - por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias;
Etc. 
Requisitos da sentença
Art. 489. São elementos essenciais da sentença:
· I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo;
· II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; (com as diretrizes do § 1º)
· III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem.
Princípio da adstrição (ou congruência)
Juiz adstrito (limitado) ao que foi pedido.
· Preservação do correto exercício da ampla defesa.
Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.
Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional.
Liquidez da sentença
Liquidez – expressão em quantia monetária. Decisão deverá ser líquida.
Art. 491. Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação, o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando (hipóteses de decisões ilíquidas):
I - não for possível determinar, de modo definitivo, o montante devido;
II - a apuração do valor devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente dispendiosa, assim reconhecida na sentença.
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, seguir-se-á a apuração do valor devido por liquidação.
§ 2º O disposto no caput também se aplica quando o acórdão alterar a sentença. (também deverá ser líquido)
Fundamentos da sentença
§ 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que:
I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida;
II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso;
III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão;
IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador;
V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos;
VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento.
Fatos novos conhecidos na sentença
Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão.
· Fatos supervenientes (sem alteração da causa de pedir).
· Vedada a decisão surpresa: Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir.
· Comparar com 342 CPC (novas alegações depois da constatação).
Limite objetivo da sentença
Art. 492
A sentença não pode julgar:
a) Além do pedido (ultra petita)
b) Fora do pedido (extra petita) – ex: dano moral em vez de material
c) Não aprecia o pedido formulado (citra petita) – ex: pede dano moral e material e só aprecia o material
Aula 7 – Sentença: emendas e eficácia
· Regra geral: ao publicar a sentença (baixa em cartório) o juiz não pode mais modificá-la.
 
· Art. 463 – CPC/1973: na redação original. Modificada pela lei 11.232/20005: “Ao publicar a sentença de mérito o juiz cumpre e acaba o ofício jurisdicional.”
· Esgota sua jurisdição
· Não pode mais modificá-la
· A alteração é excepcional:
· Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:
I - para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo;
II - por meio de embargos de declaração.
Efeitos da sentença
· Primários - relativos à própria tutela jurisdicional, de executividade. 
· Secundários – não estão abrangidos na tutela jurisdicional, mas decorrem dela – ex: dissolução da comunhão de bens na anulação do casamento.
Hipoteca legal: 
495 CPC 
Havendo condenação ao pagamento de prestação em dinheiro, a sentença vale como título constitutivo da hipoteca legal. Implica o direito de preferência, quanto ao pagamento em relação a outros credores. 
· Credor leva sentença a registro independente de ordem judicial. Assim, terá de informar nos autos para intimação da parte contrária. 
Art. 495. A decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente em dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título constitutivo de hipoteca judiciária.
§ 1º A decisão produz a hipoteca judiciária:
I - embora a condenação seja genérica;
II - ainda que o credor possa promover o cumprimento provisório da sentença ou esteja pendente arresto sobre bem do devedor;
III - mesmo que impugnada por recurso dotado de efeito suspensivo.
§ 2º A hipoteca judiciária poderá ser realizada mediante apresentação de cópia da sentença perante o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem judicial, de declaração expressa do juiz ou de demonstração de urgência.
§ 3º No prazo de até 15 (quinze) dias da data de realização da hipoteca, a parte informá-la-á ao juízo da causa, que determinará a intimação da outra parte para que tome ciência do ato.
§ 4º A hipoteca judiciária, uma vez constituída, implicará, para o credor hipotecário, o direito de preferência, quanto ao pagamento, em relação a outros credores, observada a prioridade no registro.
§ 5º Sobrevindo a reforma ou a invalidação da decisão que impôs o pagamento de quantia, a parte (credor) responderá, independentemente de culpa, pelos danos que a outra parte tiver sofrido em razão da constituição da garantia, devendo o valor da indenização ser liquidado e executado nos próprios autos.
Remessa necessária
Natureza: condição de eficácia da sentença. 
*Efeitos: executivo e de coisa julgada.
Razões para existência dessa regra: situações em que as partes, o juiz e a adm. pública se juntassem contra o Estado, para deixar de cumprir a sentença. 
A apelação voluntária parcial afasta a apreciação do tribunal da matéria não impugnada? Não 
Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito* senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:
I - proferida contraa União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público;
II - que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal.
§ 1º Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo tribunal avocá-los-á.
§ 2º Em qualquer dos casos referidos no § 1º, o tribunal julgará a remessa necessária.
§ 3º Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a:
I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e fundações de direito público;
II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados;
III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público.
§ 4º Também não se aplica o disposto neste artigo quando a sentença estiver fundada em:
I - súmula de tribunal superior;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência;
IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.
Isenções da aplicação (se não houver apelação, a sentença transita em julgado):
· Causas abaixo dos valores indicados no § 3º.
· Sentença fundada em:
· Súmula de tribunal superior
· RE e REsp repetitivos
· IRDR ou IAC
· Orientação vinculante da própria administração (ex: parecer da AGU)
Aula 8 – Fixação de honorários advocatícios
Aspectos gerais da disciplina legal
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor.
No juizado de pequenas causas, em 1º grau, não há necessidade de pagar honorários. 
§ 8º Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º.
Quando cabe a condenação em honorários sucumbenciais*? (em decorrência da condenação da parte contrária ou da absolvição da parte que representa)
*não são os honorários contratuais
· Art. 85 § 1º São devidos honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente.
Cabe condenação de honorários contra a parte beneficiária da gratuidade de Justiça?
· Sim: § 3º Vencido o beneficiário, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário.
Critérios de fixação de honorários - gerais
Como são calculados os honorários sucumbenciais?
§ 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido (se não houver condenação) ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
I - o grau de zelo do profissional;
II - o lugar de prestação do serviço;
III - a natureza e a importância da causa;
IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
Critérios de fixação de honorários – Fazenda Pública
§ 3º Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2º e os seguintes percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos;
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-mínimos;
IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.
§ 5º Quando, conforme o caso, a condenação contra a Fazenda Pública ou o benefício econômico obtido pelo vencedor ou o valor da causa for superior ao valor previsto no inciso I do § 3º, a fixação do percentual de honorários deve observar a faixa inicial e, naquilo que a exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.
Critérios de fixação de honorários – Fazenda Pública (condenação ilíquida)
§ 4º Em qualquer das hipóteses do § 3º :
I - os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for líquida a sentença;
II - não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado;
III - não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor atualizado da causa;
Honorários recursais 
Art. 85. § 1º São devidos honorários advocatícios (...) nos recursos interpostos (...).
§ 11. O tribunal, ao julgar recurso, majorará os honorários fixados anteriormente levando em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, observando, conforme o caso, o disposto nos §§ 2º a 6º (10 a 20%, mesmo na improcedência e sem resolução de mérito), sendo vedado ao tribunal, no cômputo geral da fixação de honorários devidos ao advogado do vencedor, ultrapassar os respectivos limites estabelecidos nos §§ 2º e 3º (10 a 20% + tabela para a Fazenda) para a fase de conhecimento.
Cabimento dos horários:
Cabem apenas em recursos que possam ter os honorários como objeto de recurso.
Não são cabíveis: 
· Em agravo de instrumento ou agravo interno (salvo se relativos a decisões parciais de mérito ou de extinção parcial sem resolução de mérito).
· Em embargos de declaração (salvo se dotados de efeito infringente para substituir a decisão de mérito ou de extinção parcial sem resolução de mérito).
· Em agravo em RE ou REsp.
Honorários no cumprimento da sentença
Art. 523. § 1º Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários de advogado de dez por cento.
§ 2º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos no § 1º incidirão sobre o restante.
Art. 520. O cumprimento provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo será realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo.
 
STJ – Súmula 517: São devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, haja ou não impugnação, depois de escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a intimação do advogado da parte executada
Enunciado 51 – ENFAM - A majoração de honorários advocatícios prevista no art. 827, § 2º, do CPC/2015 não é aplicável à impugnação ao cumprimento de sentença.
Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de dez por cento, a serem pagos pelo executado.
§ 1º No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor dos honorários advocatícios será reduzido pela metade.
§ 2º O valor dos honorários poderá ser elevado até vinte por cento, quando rejeitados os embargosà execução, podendo a majoração, caso não opostos os embargos, ocorrer ao final do procedimento executivo, levando-se em conta o trabalho realizado pelo advogado do exequente.
Aula 8 – Coisa julgada: sentido & conceito
Conceito: colocação constitucional
Está entre os direitos e garantias fundamentais: art. 5º CF
XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada;
· Norma de estabilização das relações jurídicas. 
Conceito: sentido processual
Sentença: 
· Unidade de sentido (normativo)
· Expressa um comando jurídico
· Individualiza a norma no caso concreto 
· Produz efeitos para fora do processo
Coisa julgada
· Sentido geral: imutabilidade dos efeitos da sentença, quando a decisão não comporta mais recurso
· Sentença em sentido amplo: sentença de 1º grau e acórdão
Conceito – dificuldades
Entender seus limites em relação à sentença (conteúdo normativo)
· O que transita em julgado? 
Imutabilidade
· Versus limites do conteúdo da decisão
· Versus disponibilidade do direito
· Versus mutabilidade para “terceiros” (aqueles que não são partes)
· Versus mudança social
Conceito – a abordagem de direito processual
A grande questão: como explicar a sentença e relação a seus limites? 
Questão decorrente: como explicar, então, o quem ver a ser a coisa julgada? 
· Art. 502. Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso.
Conceito – a posição de Liebman 
Separa:
· Eficácia da sentença
· Se aplica para terceiros
· Autoridade da coisa julgada 
· Qualidade dos efeitos da sentença (imutabilidade)
· Se aplica para as partes, não para terceiros
· Se aplica no limite do conteúdo normativo constante da sentença
Coisa julgada formal 
· É [apenas] a imutabilidade da sentença como ato jurídico processual (Dinamarco)
· Produz efeitos dentro do processo
· Não produz efeitos para fora
· A decisão judicial (sentença ou acordão) não comporta recurso 
· Preclusão temporal: quando se esgota o prazo para interpor recurso
· Preclusão lógica: quando ocorra renúncia ao direito de interpor recurso ou quando aja aquiescência com a sentença (ex: pagar em uma ação de cobrança).
Coisa julgada material 
· Imutabilidade dos efeitos que se projeta para fora do processo, no âmbito do direito material
· Ocorre nas sentenças de mérito (que decidem sobre a pretensão formulada pelo autor)
· “Moeda de duas faces”: contém tanto a imutabilidade para fora do processo quanto para dentro. 
 
· Regimes excepcionais:
· Sentenças proferidas em relações continuativas (art. 505, I)
· Sentenças de alimentos (art. 12 Lei nº 5.478/1968)
· Sentenças determinativas (estabilização da tutela provisória – art. 304)
· Tratamento especial da coisa julgada:
· Ação Popular e Ação Civil Pública (ACP) – sencundum eventum probationis
· ACP (direitos individuais homogêneos) – secundum eventum litis
Efeito preclusivo da coisa julgada
Art. 508. Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido.
· Atinge a matéria deduzida (trazida para o processo) e a deduzível
· Atinge as possibilidades probatórias das partes 
Aula 9 – Limites da coisa julgada
Limites da coisa julgada – sentido
Dificuldades
· Entender seus limites em relação à sentença (conteúdo normativo): limites objetivos 
· Entender a projeção da imutabilidade para os vários sujeitos: limites subjetivos 
Imutabilidade 
· Versus limites do conteúdo da decisão 
· Versus mutabilidade para “terceiros”
Limites objetivos da coisa julgada
Art. 504. Não fazem coisa julgada: [não se tornam imutáveis]
I - os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença;
II - a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença.
· Em outro processo, com objeto diverso, esses fatos poderão ser revistos 
· O que se torna imutável é o comando constante da sentença
Art. 489 § 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os seus elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé.
Coisa julgada sobre questão prejudicial
Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida.
§ 1º O disposto no caput aplica-se à resolução de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, se:
I - dessa resolução depender o julgamento do mérito;
II - a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia;
III - o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal.
Como o juiz julga a questão prejudicial? 
Sempre incidentalmente 
Limites subjetivos da coisa julgada
Questões centrais: 
· Quem está impedido de rediscutir as questões resolvidas pela sentença?
· Quem se beneficia dessa imutabilidade?
CPC: art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros.
Retomada da distinção de Liebman: a eficácia da sentença atinge terceiros; a autoridade da coisa julgada atinge somente as partes.
Classificação da posição dos terceiros em relação à coisa julgada:
a) Absolutamente indiferentes
b) Com interesse de fato 
c) Juridicamente interessados
d) Com interesse jurídico inferior ou subordinado ao das partes
Coisa julgada nas ações de estado
O que são as ações de estado? 
Aquelas que dizem respeito às relações da pessoa com:
· A sociedade política (nacionalidade e cidadania).
· A sociedade doméstica (estado de família + capacidade)
Coisa julgada e tríplice identidade
Art. 337. § 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.
§ 4º Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado.
· Atenção: há efeitos da coisa julgada sem identidade de ações. Ex: 
· Liquidação em desacordo com a sentença.
· Efeito da ação declaratória negativa
· A extensão do efeito negativo da CJ. 
Aula 10 - Coisa julgada e ação rescisória 
Meios de impugnação do julgado [da sentença] 
2 formas:
· Recurso - Art. 1.009. Da sentença cabe apelação.
· Ações autônomas - Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando:
Significado da ação rescisória
A rescisória é a ação por meio da qual se pede a desconstituição de sentença transitada em julgado (Babosa Moreira).
Pedidos na ação rescisória
2 tipos de pedidos: rescindente (judicium rescindens) e rescisório (judicium rescissorium)
· Rescidente (pedido principal): a desconstituição do julgado;
· Rescisório: novo julgamento.
Vícios ensejadores de rescisão
Estão sujeitas à desconstituição:
· Sentenças nulas: 
Art. 966. A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I - se verificar que foi proferida por força de prevaricação, concussão ou corrupção do juiz;
II - for proferida por juiz impedido ou por juízo absolutamente incompetente;
· Meramente rescindíveis:
VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável;
VIII - for fundada em erro de fato verificável do exame dos autos.
Aula 10 – Litisconsórcio 
Conceito de litisconsórcio 
Parte: dois sentidos
· Restrito: partes = autor e réu
· Amplo: partes = sujeitos do litisconsórcio 
Litisconsórcio: reunião no polo ativo ou no polo passivo de mais de uma pessoa [“pluralidade subjetiva da lide”].
Classificação do litisconsórcio – quanto à posição no processo
· Ativo: no polo ativo do processo;
· Passivo: no polo passivo do processo;
· Misto: nos dois polos. 
Classificação do litisconsórcio – quanto à posição no processo
· Inicial: aparece logo que a demanda se inicia;
· Ulterior: se torna litisconsórcio posteriormente. 
Litisconsórcio facultativo
É aquele que se forma por vontade e iniciativa da parte dentro dos permissivas legais, sem quesua formação seja obrigatória por lei ou pela natureza da relação jurídica controvertida. 
CPC: Art. 113. Duas ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou de obrigações relativamente à lide;
II - entre as causas houver conexão pelo pedido ou pela causa de pedir;
III - ocorrer afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito.
Litisconsórcio multitudinário 
Art. 223. § 1º O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de litigantes na fase de conhecimento, na liquidação de sentença ou na execução, quando este comprometer a rápida solução do litígio ou dificultar a defesa ou o cumprimento da sentença.
§ 2º O requerimento de limitação interrompe o prazo para manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que o solucionar.
Litisconsórcio necessário 
Facultativo = depende somente da vontade das partes 
Necessário = a formação é obrigatória por lei ou pela natureza da relação jurídica controvertida 
Art. 114. O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela natureza da relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença depender da citação de todos que devam ser litisconsortes.
Classificação do litisconsórcio – quanto à decisão
· Unitário: quando o processo tiver de ser decidido de maneira uniforme para todos os litisconsortes.
Art. 116. O litisconsórcio será unitário quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver de decidir o mérito de modo uniforme para todos os litisconsortes.
· Simples: o juiz pode decidir de forma diversa entre os litisconsortes. 
Regra básica: a característica de unitário existe em razão da natureza da relação jurídica discutida. 
Cruzamento de critérios:
· Facultativo simples: exemplo - ação de funcionários reclamando um benefício administrativo. 
· Necessário simples: exemplos - ação de usucapião em relação aos confrontantes (art. 246, § 3º CPC); ação real imobiliária de bem exclusivo (art. 73, § 1º, CPC);
· Facultativo unitário: ação reivindicatória ajuizada por apenas um dos condôminos 
· Necessário unitário: exemplos - ação de anulação de casamento proposta pelo MP (relativamente aos cônjuges); ação de anulação de um contrato (obrigação não cindível); ação de petição de herança em relação aos herdeiros.
Consequências da não formação do litisconsórcio necessário
Art. 115. A sentença de mérito, quando proferida sem a integração do contraditório, será: 
I - nula, se a decisão deveria ser uniforme em relação a todos que deveriam ter integrado o processo; [no caso de litisconsórcio necessário/unitário, isto é, naquele em que a decisão deveria ser uniforme em relação a todos]
II - ineficaz, nos outros casos, apenas para os que não foram citados. [no caso de litisconsórcio necessário/simples (não exige decisão uniforme)]
Intervenção litisconsorcial iussu iudicis: a citação dos litisconsortes passivos necessários pode correr por determinação do juiz ao autor
CPC: Art. 115. Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio passivo necessário, o juiz determinará ao autor que requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes, dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do processo. [deve determinar, também, a intimação do litisconsorte ativo unitário]
Atividade dos litisconsortes:
· Regra básica: serão considerados como litigantes distintos em relação à parte contrária – não prejudicarão ou beneficiarão uns aos outros.
· Regra do unitário: também são considerados como litigantes distintos e relação à parte contrária – não prejudicarão, mas poderão beneficiar.
Art. 117. Os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas os poderão beneficiar.
Art. 118. Cada litisconsorte tem o direito de promover o andamento do processo, e todos devem ser intimados dos respectivos atos.
Aula 11 – Intervenção de terceiros
A regra é que sempre que a sentença afete a esfera jurídica de um terceiro, ele possa participar do processo. 
Parte e terceiro
Parte: dois sentidos
· Restrito: partes = autor e réu
· Amplo: partes = sujeitos do contraditório
Terceiro = todos aqueles que não são parte [em relação a um dado processo]
Quando ingressa no processo, passa a ser parte [sujeito do contraditório]
Quando o terceiro pode ingressar no processo? 
Regra geral: quando tenha interesse jurídico 
Terceiros, eficácia da sentença, coisa julgada
Eficácia da sentença: pode atingir terceiros
Coisa julgada: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros.
Efeitos da sentença podem atingir terceiros, depende da colocação do terceiro em relação ao objeto material do processo.
Significado de intervenção de terceiros 
Inter venire = entrar no meio (da relação jurídico-processual)
Processo incidente x Incidente processual?
· Processo incidente, por ex: 
· Embargos de terceiro: demanda permitida à parte que tenha algum direito subjetivo seu ameaçado por algum direito constitutivo surgido dentro do processo (art. 675/681 CPC)
· [hoje] a oposição (art. 682/686 CPC)
· Incidente processual, por ex:
· Alegação de impedimento ou suspeição do juiz (art. 146 CPC)
· Conflito de competência (art. 951/959 CPC)
Tipos de intervenção
Voluntária: 
· Assistência: pendente uma causa entre duas ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para assisti-la;
· Recurso de terceiro prejudicado;
· Intervenção de colegitimados extraordinários: ex- algum instituto de defesa de direitos difusos. 
· Amicus curiae
Provocada ou coata:
· Denunciação da lide
· Chamamento ao processo 
· Inclusão do legitimado ou verdadeiro obrigado 
· Intervenção por ordem do juiz interessado na produção da prova
· Desconsideração da personalidade jurídica 
Aula 12 – Assistência
Conceito
Assistência = intervenção de terceiros voluntária (espontânea) 
Ocorre pelo “ingresso voluntário de terceiro no processo com a finalidade de ajudar uma das partes” (Dinamarco)
CPC: Art. 119. Pendendo causa entre 2 (duas) ou mais pessoas, o terceiro juridicamente interessado em que a sentença seja favorável a uma delas poderá intervir no processo para assisti-la. [ajudá-la]
Posição jurídica do terceiro: situação jurídica conexa ou dependente.
Interesse jurídico
O interesse jurídico ocorre quando a relação jurídica da qual o terceiro é titular possa ser atingida de forma reflexa pela sentença proferida entre as partes de um dado processo.
Exemplos:
· Sublocatário no despejo movido em face do sublocador (ou na renovatória de locação comercial);
· Adquirente de imóvel na ação de interdição do vendedor;
· Funcionário público na ação de indenização em face do Estado relativo a dano por ele causado (Estado teria direito de regresso contra ele);
· Seguradora na ação contra o segurado (na ausência de denunciação da lide).
Tipos de assistência
· Assistência simples (aquela do art. 119)
· Assistência litisconsorcial: Art. 124. Considera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença influir na relação jurídica entre ele [assistente] e o adversário do assistido. [assistente tem posição igual à do litisconsorte]
· Ex: o afiançado como assistente do fiador (ou vice-versa);
· O proprietário do veículo como assistente do motorista acionado em perdas e danos;
· O condômino na ação reivindicatória promovida por outro dos condôminos (coproprietários);
· O usufrutuário na ação reivindicatória promovida em face do nu proprietário (aquele que está no registro).
Eficácia da assistência 
Parágrafo único. A assistência será admitida em qualquer procedimento e em todos os graus de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em que se encontre.
Art. 122. A assistência simples não obsta a que a parte principal [assistida] reconheça a procedência do pedido, desista da ação, renuncie ao direito sobreo que se funda a ação ou transija sobre direitos controvertidos. [=não perde a disponibilidade sobre o direito]
Art. 121. O assistente simples atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.
Parágrafo único. Sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente será considerado seu substituto processual.
Efeitos da sentença
A coisa julgada somente atinge as partes (art. 506) - não atinge o assistente simples
Contudo: Art. 123. Transitada em julgado a sentença no processo em que interveio o assistente, este não poderá, em processo posterior, discutir a justiça da decisão, salvo se alegar e provar que:
I - pelo estado em que recebeu o processo ou pelas declarações e pelos atos do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença;
· Ex: segurador que participa do processo como assistente (não litisdenunciado) em relação à demonstração da existência do fato segurado [sinistro]
II - desconhecia a existência de alegações ou de provas das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu.
[justiça da decisão = fundamentos de fato ou de direito acolhidos pela sentença]
Trâmite
Art. 120. Não havendo impugnação no prazo de 15 (quinze) dias, o pedido do assistente será deferido, salvo se for caso de rejeição liminar.
Parágrafo único. Se qualquer parte alegar que falta ao requerente interesse jurídico para intervir, o juiz decidirá o incidente, sem suspensão do processo.
Recurso de terceiro prejudicado
(Assistência em grau de recurso)
Art. 996. O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, como parte ou como fiscal da ordem jurídica.
Parágrafo único. Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir direito de que se afirme titular ou que possa discutir em juízo como substituto processual.
Aula 13 – Denunciação da Lide
Quadro de direito material
Direito de regresso 
· Aquele exigível de terceiro que deve responder por prejuízo ou obrigação imposta ao titular [do direito de regresso].
· Denunciação da lide é cabível nas situações que o CPC especifica.
Terminologia e finalidade 
Terminologia: denunciação DA lide [e não à lide]
Finalidade – permitir ao denunciado: 
· Auxiliar o denunciante no litígio com o adversário
· Defender-se no litígio secundário [entre denunciante e denunciado], na posição de demandado.
Conceito
Intervenção coata
Consistente em ação secundária, de natureza condenatória, ajuizada incidentalmente no curso de outra ação condenatória principal, com a finalidade de formular pretensão indenizatória contra terceiros, nas hipóteses do art. 125 do CPC. 
Efeitos para o processo
Ampliação objetiva e ampliação subjetiva do processo
Eventualidade da demanda secundária
CPC art. 129 § único: Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado.
· Se o denunciante for vencedor, não tem porque denunciar a lide. 
Posição das partes na denunciação
Art. 127. Feita a denunciação pelo autor [na petição inicial], o denunciado poderá assumir a posição de litisconsorte do denunciante e acrescentar novos argumentos à petição inicial, procedendo-se em seguida à citação do réu.
	
Denunciação pelo autor
	
Denunciação pelo réu
	Art. 126. A citação do denunciado será requerida na petição inicial, se o denunciante for autor
	Art. 126. A citação do denunciado será requerida (...) na contestação, se o denunciante for réu
	Denunciado pode acrescentar novos “argumentos” à inicial
	Art. 128. Feita a denunciação pelo réu:
I - se o denunciado contestar o pedido formulado pelo autor, o processo prosseguirá tendo, na ação principal, em litisconsórcio, denunciante e denunciado;
II - se o denunciado for revel, o denunciante pode deixar de prosseguir com sua defesa, eventualmente oferecida, e abster-se de recorrer, restringindo sua atuação à ação regressiva;
III - se o denunciado confessar os fatos alegados pelo autor na ação principal, o denunciante poderá prosseguir com sua defesa ou, aderindo a tal reconhecimento, pedir apenas a procedência da ação de regresso.
Cabimento
Art. 125. É admissível a denunciação da lide, promovida por qualquer das partes:
I - ao alienante imediato, no processo relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da evicção lhe resultam;
· Hipótese específica (alienante x alienado)
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.
· Exemplos: contrato de seguro; construtora e subempreteira; funcionário causador de dano na ação contra o Estado
A solução conjunta da lide secundária
· Resultado de economia processual 
· Inexistência de obrigatoriedade da denunciação
Art. 125 § 1º O direito regressivo será exercido por ação autônoma quando a denunciação da lide for indeferida, deixar de ser promovida ou não for permitida.
Art. 1.072, II – Revoga o art. 506 CC [obrigatoriedade de notificação do alimente]
Eficácia da sentença
Forma de julgamento: Art. 129. Se o denunciante for vencido na ação principal, o juiz passará ao julgamento da denunciação da lide.
Parágrafo único. Se o denunciante for vencedor, a ação de denunciação não terá o seu pedido examinado, sem prejuízo da condenação do denunciante ao pagamento das verbas de sucumbência em favor do denunciado.
Art. 128. Parágrafo único. Procedente o pedido da ação principal, pode o autor, se for o caso, requerer o cumprimento da sentença também contra o denunciado, nos limites da condenação deste na ação regressiva.
Limitação a única denunciação sucessiva
Art. 125. § 2º Admite-se uma única denunciação sucessiva, promovida pelo denunciado, contra seu antecessor imediato na cadeia dominial ou quem seja responsável por indenizá-lo, não podendo o denunciado sucessivo promover nova denunciação, hipótese em que eventual direito de regresso será exercido por ação autônoma.
Inciso II do art. 125 – limitações?
II - àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo.
· Limitação às ações de garantia: obrigação legal ou contratual do denunciado e garantir o resultado da demanda principal. 
· O denunciante pode introduzi um novo fundamento, estranho à lide principal?
Aula 14 – Chamamento ao processo
Quadro de direito material
Direito de reembolso nas obrigações solidárias passivas
1º O que são obrigações solidárias passivas?
Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.
2º: O que é o direito de reembolso?
Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os co-devedores. 
Finalidade
Qual a finalidade do chamamento ao processo?
· Geral: trazer para o processo os codevedores solidários para que respondam pelo débito. 
· Específico: gerar um título executivo judicial em face do chamado, em favor do devedor que pagar a totalidade do débito, mas também em favor do credor. 
Conceito
É uma forma de intervenção coata, por meio da qual o réu faz com que os coobrigados ingressem no processo [“na relação jurídica processual”] como seus litisconsortes, ficando abrangidos pela eficácia da sentença, tanto em face de quem realizou o pagamento [não apenas do chamante] quanto em face do autor, para fins de reembolso dos valores que foram pagos.
Natureza
Há controvérsia doutrinária – possibilidades:
· É uma ação condenatória
· É uma forma de ampliação subjetiva e objetiva do processo
Posiçãodas partes no processo
Qual a posição do chamado no chamamento?
Art. 131. A citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem efeito o chamamento.
· Litisconsorte do chamante
O processo depois de aceito o chamamento:
Ampliação do litisconsórcio passivo mesmo o autor não o tendo feito.
Cabimento
Chamado
· O chamado também deve ele mesmo ser devedor solidário. 
· Teria legitimidade passiva originária [autor o poderia ter colocado quando propôs a demanda]
Chamante
· O chamante deve ter direito de reembolso em face dos chamados [caso chamante pague o débito]
Regra geral: 
Art. 130. É admissível o chamamento ao processo, requerido pelo réu:
I - do afiançado, na ação em que o fiador for réu; [Art. 818. CC Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso este não a cumpra.] [Art. 829. A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservarem o benefício de divisão. Parágrafo único. Estipulado este benefício, cada fiador responde unicamente pela parte que, em proporção, lhe couber no pagamento.]
II - dos demais fiadores, na ação proposta contra um ou alguns deles;
III - dos demais devedores solidários, quando o credor exigir de um ou de alguns o pagamento da dívida comum.
Chamamento sucessivo
· Chamamento sucessivo: possível [de outros coobrigados solidários]
· Chamamento múltiplo: possível [para chamar vários coobrigados solidários]
Efeitos do chamamento
Quanto ao direito:
· Não-obrigatoriedade – não acarreta perda do direito de reembolso.
· Há perda da vantagem processual [de formação de um título executivo contra os devedores].
Quanto à sentença: define a responsabilidade de cada um dos demandados:
· Em favor do autor da demanda
· Em favor do devedor que satisfizer a dívida
Procedimento
Art. 131. A citação daqueles que devam figurar em litisconsórcio passivo será requerida pelo réu na contestação e deve ser promovida no prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de ficar sem efeito o chamamento.
Parágrafo único. Se o chamado residir em outra comarca, seção ou subseção judiciárias, ou em lugar incerto, o prazo será de 2 (dois) meses.
 Art. 132. A sentença de procedência valerá como título executivo em favor do réu que satisfizer a dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na proporção que lhes tocar.
Aula 15 – Oposição
Oposição é uma modalidade de intervenção de terceiros? Não, pois é um incidente processual. 
· Para o CPC é um “procedimento especial”: art. 682 a 686 CPC. 
· Oposição = processo incidente.
Quadro de direito material
Assistência: interesse jurídico (direito conexo com o dependente)
Denunciação: direito de regresso
Chamamento: direito de reembolso
Oposição: o próprio direito que está sendo disputado pelas partes, no todo ou em parte. 
Art. 682. Quem pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre que controvertem autor e réu poderá, até ser proferida a sentença, oferecer oposição contra ambos.
Finalidade
· Geral: permite ao terceiro formular pretensão relativa ao mesmo bem jurídico disputado pelas partes de um dado processo.
· Específico: possibilitar que o terceiro tenha sua pretensão julgada na mesma sentença que decidir a pretensão das partes no processo originário [a pretensão do opoente deve ser incompatível com aquela das partes]. 
Conceito
É uma forma de intervenção voluntária de terceiro, realizada por meio de processo incidental autônomo, previsto no CPC como procedimento especial, constituindo verdadeira ação judicial de conhecimento, pela qual terceiro, em relação ao dado processo, formula pretensão própria, relativa, no todo ou em parte, ao bem jurídico disputado pelas partes no processo originário.
Posição das partes na oposição
Cabimento
· Requisito de direito material: “Pretender, no todo ou em parte, a coisa ou o direito sobre o qual controvertem autor e réu” (682 CPC) – seu interesse deve ser incompatível com os das partes. 
· Requisito temporal (ou topológico): “até a sentença ser proferida” (682 CPC). Depois da sentença cabe uma oposição autônoma, separada desse processo. 
Procedimento
Propositura da demanda – Citação pelos advogados dos opostos – Contestação no prazo de 15 dias
Apresentada a contestação 
· Um dos opostos reconhece a procedência da oposição (ex: “ele realmente tem direito a esse imóvel”) – prossegue contra o outro oposto 
· Opostos contesta, - prossegue contra ambos 
Prossegue contra ambos
· Proposta antes da instrução probatória – seguem, processo originário e oposição
· Proposta depois da instrução probatória – suspende o processo até a conclusão da instrução 
Aula 16 – Amicus curiae & outras modalidades de intervenção de terceiro
Amicus Curiae – quadro de direito material
Postulação de direito x postulação de interesse [Kazuo Watanabe]
Permite a possibilidade, excepcional em nosso ordenamento, de postular no processo interesses simples: o amicus curiae não precisa ter interesse jurídico ou pessoal no processo, pode ser por mero altruísmo ou algo do tipo. 
· Também é possível concentrar o interesse de classes específicas, como consumidores, bancários, etc. 
Amicus curiae – cabimento
Cabe em razão: 
· Da relevância da matéria;
· Da especificidade do tema objeto da demanda (ex: temas repetitivos relativos a patentes);
· Da repercussão social da controvérsia; 
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação.
Amicus curiae – meios de admissão
· Por solicitação do juiz ou relator 
· Por requerimento da(s) parte(s)
· Do próprio terceiro que pretenda manifestar-se
Art. 138. O juiz ou o relator, considerando a relevância da matéria, a especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia, poderá, por decisão irrecorrível, de ofício ou a requerimento das partes ou de quem pretenda manifestar-se, solicitar ou admitir a participação de pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada, no prazo de 15 (quinze) dias de sua intimação. [Notar requisito da representatividade adequada: agente deve estar minimamente capacitado para representar]
§ 2º Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a intervenção, definir os poderes do amicus curiae. 
Amicus curiae – recursos
Cabem: 
· Embargos de declaração
· Da decisão que julgar IRDR (Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas)
§ 1º A intervenção de que trata o caput não implica alteração de competência nem autoriza a interposição de recursos, ressalvadas a oposição de embargos de declaração e a hipótese do § 3º. [notar que o ingresso dele não modifica a competência]
§ 3º O amicus curiae pode recorrer da decisão que julgar o incidente de resolução de demandas repetitivas.
Incidente de desconsideração da personalidade jurídica – quadro de direito material
Questão central: determinação da efetiva responsabilidade patrimonial decorrente de um débito. 
O que é responsabilidade patrimonial? 
· Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
Quanto se justifica o reconhecimento da responsabilidade patrimonial dos sócios (ou inversa)?
CC - Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la

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