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PROJETO ELÉTRICO PREDIAL Apresentação As Organizações da Sociedade Civil (OSCs) têm representado um importante papel no contexto atual, exigindo das entidades o estabelecimento de novos paradigmas. Nesse cenário, a gestão profissional passa a ter cada vez mais um papel decisivo para o sucesso das OSCs, independente do ramo de sua natureza. Para garantir a qualidade dos serviços e sobrevivência organizacional, a Diretoria da Associação dos Técnicos de Pernambuco - ATPE faz evoluir seu processo administrativo, adotando uma gestão interativa, transparente e centrada em resultados. Dentro deste contexto, a nossa gestão, atenta às mudanças, missão, visão e valores da ATPE dá prioridade ao planejamento estratégico, objetivos, metas e resultados em busca da excelência organizacional. Diretoria da ATPE Presidente da ATPE Augusto Carlos Vaz de Oliveira Vice-Presidente da ATPE Luis Paulo de Sousa Primeiro Secretário Emauso Costa dos Santos Primeiro Tesoureiro Rodrigo Santiago do Nascimento Conselho Fiscal Pedro Rodrigo de Lima Conselho Fiscal Teleones Eugênio do Nascimento Conselho Fiscal José Otávio Barbosa Pontes SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1 2. GRANDEZAS ELÉTRICAS 1 3. POTÊNCIA ELÉTRICA (ATIVA) (P) 1 4. FATOR DE POTÊNCIA 1 5. CÁLCULO TÉCNICO DA ENERGIA ELÉTRICA 1 6. INSTRUMENTOS DE MEDIDAS 1 7. CORRENTE ALTERNADA 2 8. SIMBOLOGIA GRÁFICA DE PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS – DESENHO E REPRESENTAÇÃO - NBR 5444 (REVOGADA) 3 9. DEFINIÇÕES 6 10. ELETRODUTOS 7 11. CONDUTORES 8 12. FATOR DE CORREÇÃO DE AGRUPAMENTO 10 13. FATOR DE CORREÇÃO DE TEMPERATURA 11 14. QUEDAS DE TENSÃO 12 15. FATOR DE DEMANDA 12 16. PADRÃO DE ENTRADA – CELPE 15 17. QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO 17 18. DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO PARA INSTALAÇÕES ELÉTRICAS RESIDENCIAIS: DTM, IDR E DPS 18 19. ATERRAMENTO 20 20. PLANTA BAIXA E 3D 20 21. DIAGRAMAS 21 22. CIRCUITOS ELÉTRICOS 22 23. PREVISÃO DE CARGA 25 24. CONSIDERAÇÕES GERAIS 26 25. BIBLIOGRAFIA 26 26. ANEXOS 27 1 1. INTRODUÇÃO O objetivo desta apostila é subsidiar o discente a elaborar o projeto elétrico de uma edificação individual com carga instalada inferior a 50 kW, utilizando a normas vigentes e as exigências da Celpe – Neoenergia. 2. GRANDEZAS ELÉTRICAS Na eletricidade básica existem três grandezas fundamentais que são a tensão elétrica, a corrente elétrica, a resistência elétrica. Para estudá-las utilizaremos o conceito de cargas elétrica. • TENSÃO ELÉTRICA (E): É a diferença de potencial entre dois pontos. Unidade: Volt (V). • CORRENTE ELÉTRICA (I): É o movimento ordenado dos elétrons. Unidade: Ampere (A). • RESISTÊNCIA ELÉTRICA (R): É a oposição (dificuldade) que os materiais oferecem à passagem da corrente elétrica. Unidade: Ohm (Ω). 3. POTÊNCIA ELÉTRICA (ATIVA) (P) A Potência elétrica (ativa) (P) é a quantidade de energia consumida em um intervalo de tempo. A potência elétrica é medida em Watts (W) que corresponde a quantidade de energia por segundo (J/seg.), e possui os mesmos múltiplos e submúltiplos que as outras grandezas elétricas. Além das unidades convencionais existem ainda o cavalo vapor (CV) e o horse power (HP), observe as relações entre eles e o Watt: 1 CV = 736 W 1 HP = 746 W FÓRMULAS: 4. FATOR DE POTÊNCIA É uma relação entre potência ativa e potência reativa por consequência energia ativa e reativa. Ele indica a eficiência com a qual a energia está sendo usada. O fator de potência de um sistema elétrico qualquer, que está operando em corrente alternada (CA), é definido pela razão da potência real ou potência ativa pela potência total ou potência aparente. Um FP alto indica uma boa eficiência quanto ao uso de energia, significa dizer que grande parte da energia drenada é transformada em trabalho, inversamente a isso um fator de potência baixo indica que você não está aproveitando plenamente a energia drenada (entende-se por "energia drenada" a energia que você compra da concessionaria). 5. CÁLCULO TÉCNICO DA ENERGIA ELÉTRICA Na prática o consumo de energia elétrica é calculado com base no KWh, ou seja calcula-se a potência em KW e multiplica-se pelo tempo em horas. O preço de cada KWh é determinado pela concessionária de energia elétrica. Geralmente a quantidade de consumo influencia no valor. τ = P. T 6. INSTRUMENTOS DE MEDIDAS • VOLTÍMETRO - Destinado a medir a tensão elétrica. Deve ser conectado em paralelo com o elemento que 2 se deseja saber a tensão. • AMPERÍMETRO - Destinado a medir a corrente elétrica. Deve ser conectado em série com o elemento que se deseja saber a tensão. • OHMÍMETRO - Destinado a medir a resistência elétrica. Deve ser conectado em circuitos que estejam sem tensão elétrica. OBS.: O voltímetro e o amperímetro podem ser de corrente contínua ou de corrente alternada, por isso deve- se também observar que corrente elétrica estamos utilizando para ligarmos os instrumentos. • MULTÍMETRO - Instrumento composto por vários instrumentos de medidas elétricas, basicamente o ohmímetro, o amperímetro e o voltímetro. • MEGÔMETRO - é um instrumento de medição que consiste em gerar e aplicar uma tensão para medir a resistência de isolamento utilizado, geralmente, em motores e transformadores. O princípio de seu funcionamento é medir valores elevados de resistência elétrica, onde o ohmímetro não consegue mensurar, gerando uma alta tensão para ganhar a resistência do componente e assim, definir por meio da corrente estabelecida o valor da constância do item medido. • TERRÔMETRO - O terrômetro é um aparelho que tem a capacidade de medir a resistência do solo em receber as descargas elétricas. Ou seja, ele mede a eficiência do aterramento através de sensores. 7. CORRENTE ALTERNADA Provavelmente você sabe que mais de 90% de todas as linhas de transmissão de eletricidade conduzem corrente alternada. Usa-se muito pouco a corrente contínua nos temas de luz e força. Entretanto, a C. C. é importante nos circuitos eletrônicos. Existem duas razões muito boas para esta preferência. Inicialmente, a C.A. pode fazer quase tudo que é feito pela C.C. A transmissão elétrica é mais fácil e mais econômica com a C.A. do que com a C.C. A tensão alternada pode ser aumentada ou reduzida facilmente e sem perda apreciável com o emprego de transformadores. • CORRENTE ALTERNADA - Corrente que muda constantemente de valor (amplitude) e inverte seu sentido a intervalos regulares (milisegundos). • FORMA DE ONDA - Gráfico das variações da tensão ou da corrente durante um certo tempo. • ONDA SENOIDAL - Uma curva contínua que representa todos os valores instantâneos de uma tensão ou corrente alternada senoidal. • CICLO - Um conjunto completo de valores positivos e negativos de uma onda de tensão ou corrente alternada. • FREQUÊNCIA - O número de ciclos por segundo. E expressa em hertz (Hz). 1 Hz = 1 ciclo/segundo. • FASE - Diferença de tempo relativa entre os mesmos pontos de duas formas de onda. • VALOR MÁXIMO, EFICAZ E MËDIO de uma onda senoidal. • PERÍODO (T) - É o tempo que uma onda gasta para completar um ciclo. • F=1/T a. CIRCUITO MONOFÁSICO Constituído de uma fase e um neutro a ddp é sempre entre 0V e a variação da onda da fase. b. CIRCUITO BIFÁSICO Constituído de duas fases, a ddp é sempre entre a variação de uma fase e a variação da 3 onda da outra fase. c. CIRCUITO TRIFÁSICO Constituído de três fases (R,S,T) a ddp é sempre entre a variação das três fases R, S, T. 8. SIMBOLOGIA GRÁFICA DE PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS – DESENHO E REPRESENTAÇÃO - NBR 5444 (REVOGADA) No projeto de instalações elétricas, vários dados devem estar claramente locados na planta: localização das tomadas, pontosde iluminação, quadros, percursos da instalação, condutores, distribuição da carga, proteções, etc... Portanto, na planta baixa devemos no mínimo representar: • a localização dos pontos de consumo de energia elétrica, seus comandos e indicações dos • circuitos a que estão ligados; • a localização dos quadros e centros de distribuição; • o trajeto dos condutores (inclusive dimensões dos condutos e caixas); • um diagrama unifilar discriminando os circuitos, seção dos condutores, dispositivos de manobra e proteção; indicar o material a ser utilizado Símbolos - Seria muito complicado reproduzir exatamente os componentes de uma instalação, por isso, utiliza- se de símbolos gráficos onde todos os componentes estão representados. Existem muitos padrões para simbologia de projeto de instalações elétricas: ABNT, Dim, ANSI, JIS, ... e aqui no Brasil também vemos a adoção de padrões personalizados que ficam estampados nas legendas, alguns com a finalidade de simplificar o entendimento do projeto. A norma técnica que especifica os símbolos padrões em nosso país é a NBR 5444 sb2/89. A simbologia apresentada nesta Norma é baseada em Figuras geométricas simples para permitir uma representação clara dos dispositivos elétricos. Os símbolos utilizados baseiam-se em quatro elementos geométricos básicos: o traço, o círculo, o triângulo equilátero e o quadrado. Traço - O traço representa o eletroduto, os diâmetros devem ser anotados em milímetros e seguem a tabela de conversão ao lado. 4 Círculo - Representa o ponto de luz, o interruptor e a indicação de qualquer dispositivo embutido no teto. Nesse ponto, particularmente, recomendo não seguir a norma. Costumo utilizar o símbolo S para interruptor para não confundir o desenho. Triângulo Equilátero - Representa tomada em geral. Variações acrescentadas a ela indicam mudança de significado e função (tomadas de luz e telefone, por exemplo), bem como modificações em sua altura na instalação (baixa, média e alta). Quadrado - Representa qualquer tipo de elemento no piso. A seguir são mostradas tabelas dos símbolos mais utilizados, segundo a NBR 5444. Quadros de Distribuição Dutos 5 Pontos de Luz Interruptores 6 Tomadas Outros Símbolos Tabela 6 - Símbolo de Tipos de Condutores 9. DEFINIÇÕES Carga instalada: Soma das potências nominais dos equipamentos elétricos instalados na unidade consumidora, em condições de entrar em funcionamento, expressa em quilowatts (kW). Para o cálculo da carga instalada de uma unidade consumidora, deve ser feito o somatório das potências nominais da iluminação, aparelhos eletrodomésticos, motores, estação de recarga para veículo elétrico e demais equipamentos elétricos em condições de entrar em operação. Não devem ser considerados os aparelhos de reserva. 7 Demanda: Média das potências elétricas ativas ou reativas, solicitadas ao sistema elétrico pela parcela da carga instalada em operação na unidade consumidora, durante um intervalo de tempo especificado, expressa em quilowatts (kW) e quilovolt-ampère-reativo (kvar), respectivamente. Demanda máxima: Máxima potência elétrica, expressa em kVA, solicitada por uma unidade consumidora durante um período de tempo especificado. Padrão de entrada: Conjunto de condutores, equipamentos de medição e acessórios compreendidos entre a conexão com a rede da distribuidora e o circuito de distribuição após o dispositivo de proteção da unidade consumidora. Ponto de entrega: Ponto de conexão do sistema elétrico da distribuidora com a unidade consumidora, caracterizando-se como o limite de responsabilidade de fornecimento. Corrente de projeto é a corrente que vai ser calculada e usada em um projeto, esta corrente é usada para dimensionar tanto os cabos quanto os dispositivos de proteção. Corrente corrigida é calculada da seguinte maneira: Onde: • = Corrente corrigida; • = Corrente de projeto; • = Fator de correção de agrupamento; • = Fator de correção de temperatura; 10. ELETRODUTOS Para facilitar o dimensionamento, utiliza-se uma tabela, que a partir do número de condutores e a seção do maior condutor de cada trecho, fornece o tamanho nominal do eletroduto. 8 11. CONDUTORES Uma vez representados os eletrodutos, e sendo através deles que os fios dos circuitos irão passar, pode-se fazer o mesmo com a fiação: representando-a graficamente, através de uma simbologia própria. – Azul claro: para condutores neutros com isolação; – Verde ou verde com amarelo: para condutores de proteção (popularmente conhecidos como “fio terra”); – Qualquer outra cor exceto azul claro, verde e verde com amarelo: para condutores fase e retorno. Na impossibilidade de diferenciar os circuitos pelas cores acima, pode ser utilizado anilhas de identificação. Capacidade de Condução de Corrente dos Condutores - Para o correto dimensionamento dos condutores que serão utilizados na instalação, não basta conhecer a corrente corrigida do projeto por circuito. É necessário conhecer qual é a maior corrente elétrica que o condutor suporta, sem que haja um sobreaquecimento capaz de danificar a sua isolação. A NBR 5410/04, estabelece os valores de corrente para os condutores em função do modo como serão instalados. Na tabela a seguir, os valores nominais de capacidade de condução de corrente, para condutores isolados, são fornecidos para os instalados no interior de eletrodutos plásticos, os embutidos em alvenaria ou para eletrodutos metálicos aparentes. 9 Capacidades de condução de corrente, em ampères, para os métodos de referência A1, A2, B1, B2, C e D Condutores: cobre e alumínio Isolação: PVC Temperatura no condutor: 70°C Temperaturas de referência do ambiente: 30°C (ar), 20°C (solo) Capacidades de condução de corrente, em ampères, para os métodos de referência A1, A2, B1, B2, C e D Condutores: cobre e alumínio Isolação: EPR ou XLPE Temperatura no condutor: 90°C Temperaturas de referência do ambiente: 30°C (ar), 20°C (solo) Seção Mínima dos Condutores - A NBR 5410/04 estabelece as seções mínimas dos condutores de um circuito em função do uso e determina a unidade da seção em mm². Para circuitos de iluminação, a seção mínima de um condutor de cobre é de 1,5mm² e para circuitos de tomadas (TUE E TUG) a seção mínima de um condutor de cobre 10 é de 2,5 mm². Também especifica a seção mínima dos condutores neutro e de aterramento para circuitos monofásicos e bifásicos. Seção reduzida do condutor neutro Seção mínima do condutor de proteção 12. FATOR DE CORREÇÃO DE AGRUPAMENTO É um fator delimitado pela NBR 5410:2004, que leva em consideração o agrupamento dos circuitos em um mesmo eletroduto ou eletrocalha. https://engfam.com.br/projetos-eletricos-de-baixa-tensao/ 11 13. FATOR DE CORREÇÃO DE TEMPERATURA Caso a temperatura ambiente seja diferente de 30ºC para condutores não enterrados e de 20 ºC para condutores enterrados, a NBR 5410/2004 define um fator de correção de temperatura (FCT) que divide o valor da corrente de projeto, para a obtenção da corrente corrigida. A Tabela 40 da NBR 5410/2004 define os seguintes valores para FCT: 12 14. QUEDAS DE TENSÃO Em qualquer ponto de utilização da instalação, a queda de tensão verificada não deve ser superior aos seguintes valores, dados em relação ao valor da tensão nominal da instalação: a) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT, no caso de transformador de propriedade da(s) unidade(s) consumidora(s); b) 7%, calculados a partir dos terminais secundários do transformador MT/BT da empresa distribuidora de eletricidade, quando o pontode entrega for aí localizado; c) 5%, calculados a partir do ponto de entrega, nos demais casos de ponto de entrega com fornecimento em tensão secundária de distribuição; d) 7%, calculados a partir dos terminais de saída do gerador, no caso de grupo gerador próprio. Em nenhum caso a queda de tensão nos circuitos terminais pode ser superior a 4%. 15. FATOR DE DEMANDA Razão entre a demanda máxima num intervalo de tempo especificado e a carga instalada na unidade consumidora. Os dados abaixo foram extraídos de documentação da Celpe - NOR.DISTRIBU-ENGE-0021 - Fornecimento de Energia Elétrica em Tensão Secundária de Distribuição a Edificações Individuais A demanda das Edificações individuais deve ser calculada pelo método da Carga Instalada, utilizando-se a seguinte fórmula: De = a + b + c + d + e + f + g + h A parcela "a" representa a soma das demandas referentes à iluminação e tomadas de uso geral, calculadas com base no Quadro 1 A segunda parcela b=b1+b2+b3+b4+b5+b6 representa a soma das demandas dos aparelhos eletrodomésticos e de aquecimento, calculadas utilizando os Quadros 2 e 3 seguintes, cujos fatores de demanda (fd) devem ser aplicados separadamente por grupos homogêneos de equipamentos, onde: b1- Chuveiros e torneiras elétricas com potência superior a 1 kW, conforme Quadro 3; b2- Aquecedores de água com potência superior a 1 kW, conforme Quadro 2; b3- Fornos, fogões e fritadeiras elétricas com potência superior a 1 kW, conforme Quadro 3; b4- Máquinas de lavar/secar e ferro elétrico com potência superior a 1 kW, conforme Quadro 2; b5- Aparelhos não referidos acima com potência superior a 1 kW, conforme Quadro 2; b6- Aparelhos com potência até 1 kW, conforme Quadro 2. A terceira parcela "c" representa a demanda dos aparelhos de ar condicionado calculada aplicando-se os fatores de demanda do Quadro 4 A parcela "g" representa a demanda para bombas e banheiras de hidromassagem, que deve ser calculada utilizando-se os fatores de demanda do Quadro 7 13 14 Nota: Para utilizar o quadro 3 deve-se agrupar as cargas com potência até 3,5 kW e acima separadamente e aplicar o fator de demanda correspondente de acordo com o número de aparelhos por grupo. 15 16. PADRÃO DE ENTRADA – CELPE 16 17 Dimensionamento do Padrão de Entrada MONOFÁSICO TRIFÁSICO 17. QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO O quadro de distribuição, também chamado de quadro de luz ou quadro geral de força e luz, é o centro de distribuição da instalação elétrica, pôr que recebe os condutores que vêm do medidor, contém os dispositivos de proteção (disjuntores); distribui os circuitos terminais que farão a alimentação de toda a instalação. O quadro de distribuição deverá: • conter um dispositivo de proteção Diferencial Residual contra choques elétricos; • ser instalado em lugar de fácil acesso, com proteção adequada às influências externas e o mais próximo possível do centro de cargas da residência (local onde haja maior concentração de cargas de potências elevadas: cozinha, área de serviço, banheiro, etc.); • possuir identificação dos circuitos; • possuir uma reserva para ampliações futuras, compatível com a quantidade e tipo de circuitos previstos inicialmente. 18 Nos quadros de distribuição, deve ser previsto espaço de reserva para ampliações futuras, com base no número de circuitos com que o quadro for efetivamente equipado, conforme tabela 59. 18. DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO PARA INSTALAÇÕES ELÉTRICAS RESIDENCIAIS: DTM, IDR E DPS Para garantir uma instalação elétrica segura e dentro das diretrizes da NBR5410, é necessária a utilização de dispositivos de segurança para a proteção dos circuitos da residência, tanto contra choques quanto sobreaquecimento ou surtos de corrente ou tensão. Disjuntores Disjuntores são dispositivos de manobra e proteção com capacidade de ligação e interrupção de corrente quando surgem no circuito condições anormais de trabalho, como curto-circuito ou sobrecarga. O disjuntor funciona como um interruptor. Como o relê bimetálico e o relê eletromagnético são ligados em série dentro do disjuntor, ao ser acionada a alavanca liga/desliga, fecha-se o circuito que é travado pelo mecanismo de disparo e a corrente circula pelos dois relês. (ligado). Havendo uma sobrecarga de longa duração no circuito, o relê bimetálico atua sobre o mecanismo de disparo abrindo o circuito. Para cada tipo de carga foi estipulado uma curva de ruptura para o disjuntor e essas curvas foram separadas em categorias. A curva de ruptura do disjuntor é o tempo em que o disjuntor suporta uma corrente acima da corrente nominal por determinado tempo. Quando se tem uma equipamento muito delicado necessita-se que a interrupção do circuito quando a corrente passe o limite de funcionamento seja muito rápida, para que o equipamento não seja danificado, em compensação na partida de um motor por exemplo, para que este saia do estado de inércia e chegue a sua velocidade máxima uma grande corrente é necessária no instante da partida, ás vezes muitas vezes maior do que a corrente para que este mesmo motor esteja em velocidade plena, nestes casos o disjunto tem que suportar a corrente alta durante um período de tempo maior. Além do período de tempo as curvas de rupturas estipulam o quanto maior essas correntes podem ser em relação as correntes nominais. 19 Curva B: A curva de ruptura B para um disjuntor estipula, que sua corrente de ruptura esta compreendido entre 3 e 5 vezes a corrente nominal, um disjuntor de 10A nesta curva deve operar quando sua corrente atingir entre 30A a 50A. Os disjuntores curva B são usados onde se espera um curto circuito com baixa intensidade, normalmente cargas resistivas, em residências nas tomadas de uso comum, onde a demanda de corrente de partida do equipamento é baixa. Curva C: A curva de ruptura C para um disjuntor estipula, que sua corrente de ruptura esta compreendido entre 5 e 10 vezes a corrente nominal, um disjuntor de 10A nesta curva deve operar quando sua corrente atingir entre 50A a 100A. Os disjuntores de curva C são usados onde se espera uma curto circuito de intensidade média e onde a demanda de corrente para partida de equipamentos é mediana, normalmente cargas indutivas, como motores, sistemas de comando e controle, circuitos de iluminação em geral e ligação de bobinas. Curva D: A curva de ruptura D para um disjuntor, estipula que sua corrente de ruptura esta compreendido entre 10 e 20 vezes a corrente nominal, um disjuntor de 10A nesta curva deve operar quando sua corrente atingir entre 100A a 200A. Os disjuntores de curva D são usados onde se espera uma curto circuito de intensidade alta e onde a corrente de partida é muito acentuada, sendo muito utilizados em grande motores e grandes transformadores. Não existe, contudo, disjuntores de curva A, o motivo é para que o A da curva não seja confundido com o A de ampere, unidade de corrente elétrica. Dispositivo Diferencial Residual (DR) É obrigatório, em todas as instalações elétricas de baixa tensão no Brasil, o uso do chamado dispositivo DR (diferencial residual) nos circuitos elétricos que atendam aos seguintes locais: banheiros, cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de serviço e áreas externas. Esse dispositivo protege contra choques elétricos e incêndios, desligando o circuito elétrico caso ocorra uma fuga de corrente que poderia colocar em risco a vida de pessoas e animais domésticos e a própria instalação elétrica, portanto é um interruptor de corrente de fuga. O interruptor de corrente de fuga é constituído por um transformador de corrente, um disparador e um mecanismo liga-desliga, e é acionado pela comparação da corrente de entrada com a de saída, chamada de “corrente diferencial Residual” (IDR). Dispositivos de ProteçãoContra Surtos (DPS) Além da proteção contra excesso e a detecção de falta de corrente, há também dispositivos especializados na detecção de variações bruscas da tensão elétrica. Picos de tensão podem ocorrer na presença de descargas atmosféricas, durante chuvas muito fortes, e tendem a danificar os dispositivos eletrônicos da residência. https://www.mundodaeletrica.com.br/o-que-e-um-circuito-eletrico/ 20 Para prevenir a queima desses equipamentos, é aconselhável a instalação de um dispositivo de proteção contra surtos, capaz de limitar sobretensões e enviar para o terra os surtos de corrente que ocorrem caso uma descarga atmosférica entre em contato com a rede elétrica. 19. ATERRAMENTO O sistema de aterramento é fundamental e obrigatório para todas as instalações, sejam residenciais, prediais ou industriais. Agrupamentos das hastes de aterramento. 20. PLANTA BAIXA E 3D 21 21. DIAGRAMAS Os diagramas representam a instalação elétrica como um todo. Possuem diversos modelos. Os mais utilizados são: Unifilar e a Multifilar. Diagrama Unifilar. É o que comumente vimos nas plantas de instalações elétricas prediais. Define as principais partes do sistema elétrico permitindo identificar o tipo de instalação, sua dimensão, ligação, o número de condutores, modelo do interruptor, e dimensionamento de eletrodutos, condutores, lâmpadas e tomadas. Esse tipo de diagrama localiza todos os componentes da instalação. O diagrama a abaixo indica a ligação de um ponto de luz no teto com 1 lâmpada de 100 watts ligado por um interruptor simples e pertencente ao circuito 2. 22 Ilustração de Representação do Diagrama Unifilar. Diagrama Multifilar Representa todo o sistema elétrico, indicando todos os condutores detalhadamente. Cada condutor é representado por um traço que será utilizado na ligação dos componentes. 22. CIRCUITOS ELÉTRICOS É o conjunto de equipamentos e fios, ligados ao mesmo dispositivo de proteção. Em uma instalação elétrica residencial, encontramos dois tipos de circuito: o de distribuição e os circuitos terminais. Circuito de Distribuição Liga o quadro do medidor ao quadro de distribuição. 23 Circuitos Terminais Partem do quadro de distribuição e alimentam diretamente lâmpadas, tomadas de uso geral e tomadas de uso específico. Circuito de Iluminação 24 Circuito de Tomadas de Uso Geral Circuito de Tomadas de Uso Específico Ilustração de Ligação de Interruptor de 1 e 2 Seções 25 Ilustração de Ligação de Interruptores Three e Four Way 23. PREVISÃO DE CARGA Iluminação - Em cada cômodo ou dependência deve ser previsto pelo menos um ponto de luz fixo no teto, comandado por interruptor. Na determinação das cargas de iluminação, como alternativa à aplicação da ABNT NBR 5413, conforme prescrito na alínea a) de 4.2.1.2.2, pode ser adotado o seguinte critério: a) em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m2, deve ser prevista uma carga mínima de 100 VA; b) em cômodo ou dependências com área superior a 6 m2, deve ser prevista uma carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m2, acrescida de 60 VA para cada aumento de 4 m2 inteiros. Pontos de tomada - O número de pontos de tomada deve ser determinado em função da destinação do local e dos equipamentos elétricos que podem ser aí utilizados, observando-se no mínimo os seguintes critérios: a) em banheiros, deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada, próximo ao lavatório, atendidas as restrições de 9.1; b) em cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, cozinha-área de serviço, lavanderias e locais análogos, deve ser previsto no mínimo um ponto de tomada para cada 3,5 m, ou fração, de perímetro, sendo que acima da bancada da pia devem ser previstas no mínimo duas tomadas de corrente, no mesmo ponto ou em pontos distintos; c) em varandas, deve ser previsto pelo menos um ponto de tomada; NOTA Admite-se que o ponto de tomada não seja instalado na própria varanda, mas próximo ao seu acesso, quando a varanda, por razões construtivas, não comportar o ponto de tomada, quando sua área for inferior a 2 m2 ou, ainda, quando sua profundidade for inferior a 0,80 m. d) em salas e dormitórios devem ser previstos pelo menos um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração, de perímetro, devendo esses pontos ser espaçados tão uniformemente quanto possível; NOTA Particularmente no caso de salas de estar, deve-se atentar para a possibilidade de que um ponto de tomada venha a ser usado para alimentação de mais de um equipamento, sendo recomendável equipá-lo, portanto, com a quantidade de tomadas julgada adequada. e) em cada um dos demais cômodos e dependências de habitação devem ser previstos pelo menos: • um ponto de tomada, se a área do cômodo ou dependência for igual ou inferior a 2,25 m2. Admite-se que esse ponto seja posicionado externamente ao cômodo ou dependência, a até 0,80 m no máximo de sua porta de acesso; • um ponto de tomada, se a área do cômodo ou dependência for superior a 2,25 m2 e igual ou inferior a 6 m²; • um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração, de perímetro, se a área do cômodo ou dependência for superior a 6 m2, devendo esses pontos ser espaçados tão uniformemente quanto possível. 26 Potências atribuíveis aos pontos de tomada - A potência a ser atribuída a cada ponto de tomada é função dos equipamentos que ele poderá vir a alimentar e não deve ser inferior aos seguintes valores mínimos: a) em banheiros, cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos, no mínimo 600 VA por ponto de tomada, até três pontos, e 100 VA por ponto para os excedentes, considerando-se cada um desses ambientes separadamente. Quando o total de tomadas no conjunto desses ambientes for superior a seis pontos, admite-se que o critério de atribuição de potências seja de no mínimo 600 VA por ponto de tomada, até dois pontos, e 100 VA por ponto para os excedentes, sempre considerando cada um dos ambientes separadamente; b) nos demais cômodos ou dependências, no mínimo 100 VA por ponto de tomada. 24. CONSIDERAÇÕES GERAIS Todo ponto de utilização previsto para alimentar, de modo exclusivo ou virtualmente dedicado, equipamento com corrente nominal superior a 10 A deve constituir um circuito independente. Os pontos de tomada de cozinhas, copas, copas-cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos devem ser atendidos por circuitos exclusivamente destinados à alimentação de tomadas desses locais. A distribuição do diagrama unifilar dependerá se os eletrodutos serão posicionados dentro do concreto armado da laje ou se será entre a laje e o forro de gesso ou material similar. 25. BIBLIOGRAFIA • NBR 05410-2004 - Instalações elétricas de baixa tensão • NBRISO_CIE8995-1 - Iluminação de ambientes de trabalho - Parte 1: Interior • NBR 05444-1968 – SB02 – Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais • Celpe - NOR.DISTRIBU-ENGE-0021 Sites: • http://www.aneel.gov.br/ • http://www.celpe.com.br/ 27 26. ANEXOS TABELA DE CIRCUITOS, CONDUTORES E PROTEÇÃO 28 29 DIAGRAMA DO QUADRO DE DISJUNTORES - MONOFÁSICO 30 DIAGRAMA DO QUADRO DE DISJUNTORES - TRIFÁSICO