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10. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA E TESTAMENTO 
Sucessão Testamentária é aquela em que a transmissão hereditária se opera por ato de última 
vontade, revestido da solenidade requerida por lei. Em outras palavras, é a sucessão que se faz 
por meio de um testamento. Permite a instituição de herdeiro (sucessor a título universal) ou 
legatário (sucessor a título singular). Como já vimos, tem certas limitações, pois deve respeitar 
a legítima (que é a parte que cabe aos herdeiros necessários). 
A sucessão testamentária rege-se pela: 
• Lei vigente no momento da feitura do testamento, que regula a capacidade testamentária 
ativa e a forma do ato de última vontade. 
• Lei que vigorar ao tempo da abertura da sucessão, que rege a capacidade testamentária 
passiva e a eficácia jurídica do conteúdo das disposições testamentárias. 
Testamento — é um ato personalíssimo, unilateral, solene e revogável pelo qual alguém 
dispõe no todo ou em parte de seu patrimônio para depois de sua morte. 
O testamento serve também para a nomeação de tutores, reconhecimento de filhos, 
deserdação de herdeiros, revogação de testamentos anteriores e outras declarações de última 
vontade. 
O testamento é ato unilateral e individual, não podendo ser feito em conjunto com outra 
pessoa (é nulo o testamento conjuntivo). Proíbe-se, os pactos sucessórios, ou seja, 
estipulações bilaterais, de feição contratual, em favor dos estipulantes ou de terceiros, 
afastando-se a possibilidade de contratos que tenham por objeto herança de pessoa viva (art. 
426 C.C. – pacta corvina). É ato personalíssimo, podendo ser revogado. 
O testamento, por ser um negócio jurídico, requer para a sua validade agente capaz, objeto 
lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. É um negócio jurídico que requer uma série de 
solenidades. Caso não sejam observadas, o ato será considerado nulo (conforme a regra geral 
do art. 166, V do CC). Também é necessária a análise da capacidade testamentária ativa e 
passiva. 
Capacidade Testamentária Ativa 
A capacidade testamentária ativa é a capacidade para fazer o testamento. O Código Civil 
estabelece apenas como incapazes de testar (art. 1.860 CC): os menores de dezesseis anos, os 
desprovidos de discernimento (ex.: os que não estiverem em perfeito juízo, surdos-mudos, que 
não puderem manifestar a sua vontade, etc.) e a pessoa jurídica. 
Assim, podem testar o cego, o analfabeto, o pródigo, o falido, etc. Os maiores de 16 anos, mas 
menores de 18 anos, apesar de relativamente incapazes, podem testar, mesmo sem a 
assistência de seu representante legal. 
A incapacidade posterior à elaboração do testamento não o invalida. A capacidade para testar 
deve existir no momento em que o testamento é feito, pois a incapacidade superveniente não 
invalida o testamento eficaz. O testamento do incapaz não pode ser convalidado com a 
superveniência da capacidade. 
Capacidade Testamentária Passiva 
A capacidade testamentária passiva é a capacidade para adquirir por testamento. Rege-se pela 
regra genérica de que são capazes todas as pessoas, físicas ou jurídicas, nacionais ou 
estrangeiras, maiores ou menores, existentes ao tempo da morte do testador. 
Não podem ser contemplados por testamento as coisas inanimadas, os animais e as entidades 
místicas. Se o beneficiário do testamento já morreu (pré-morto), a cláusula é considerada 
caduca. 
São absolutamente incapazes para adquirir por testamento: 
• Os indivíduos não concebidos (o nascituro possui capacidade, pois já foi concebido) até a 
morte do testador, salvo se a disposição deste se referir à prole eventual de pessoas por ele 
designadas e existentes ao abrir-se a sucessão. 
• As pessoas jurídicas de direito público externo relativamente a imóveis situados no Brasil. 
São relativamente incapazes para adquirir por testamento, proibindo que se nomeiem 
herdeiros ou legatários: 
• A pessoa que, a rogo, escreveu o testamento, seu cônjuge, seus ascendentes, descendentes, 
e irmãos. 
• As testemunhas do testamento. 
• O concubinário (amante) do testador casado, salvo se este, sem culpa sua, estiver separado 
de fato do cônjuge há mais de 05 anos. 
• O tabelião, civil ou militar, o comandante, ou escrivão, perante o qual se fizer, assim como o 
que fizer, ou aprovar o testamento. 
Restrições do testamento 
Não se pode dispor de mais da metade dos bens havendo herdeiros necessários 
(descendentes, ascendentes e cônjuge sobrevivente), salvo se os mesmo forem deserdados. As 
disposições que excederem à metade disponível será reduzida ao limite dela. Reduzem-se 
também as doações feitas em vida, que atingiram a legítima dos herdeiros necessários (são 
chamadas doações inoficiosas). 
Um testamento pode ser revogado por outro (de qualquer espécie), total ou parcialmente. 
Não há uma hierarquia entre os testamentos. 
11. FORMAS DE TESTAMENTO 
1) ORDINÁRIO: a) Público; b) Particular; c) Cerrado 
2) ESPECIAL: a) Militar; b) Marítimo; c) Aeronáutico 
TESTAMENTO ORDINÁRIO 
Testamento Público (arts. 1.864 a 1.867 CC) 
Testamento público é o lavrado por tabelião em livro de notas, de acordo com a declaração de 
vontade do testador, exarada verbalmente (o mudo não pode) em língua nacional, perante o 
oficial. É o testamento mais seguro. Porém tem o inconveniente de permitir a qualquer pessoa 
conhecer o seu teor. Podem testar de forma pública: os analfabetos, os surdos (desde que não 
sejam mudos). O cego só pode testar por testamento público. Só não podem assim testar os 
mudos e os surdos-mudos. 
Os requisitos essenciais dessa forma estão nos incisos do art. 1864 do CC. 
Com a abertura da sucessão, o traslado é apresentado em juízo. Depois de lido e não tendo 
vícios o Juiz ordena o registro e cumprimento. 
Testamento cerrado (arts. 1.868 a 1.875 CC) 
Testamento cerrado é o escrito em caráter sigiloso, feito e assinado pelo testador ou por 
alguém a seu rogo, completado por instrumento de aprovação lavrado por oficial público em 
presença de 02 (duas) testemunhas idôneas. Também é chamado de secreto ou místico. 
O analfabeto e o cego não podem testar desta forma. O surdo-mudo só poderá fazer esse 
testamento se souber ler e escrever. Ao entregá-lo ao oficial deve escrever na face externa 
“que é seu testamento cuja aprovação lhe pede”. 
Contém quatro elementos: 
a) Cédula testamentária – escrita pelo testador (ou alguém a seu rogo, desde que não seja 
beneficiário), em caráter sigiloso. As disposições testamentárias estão nesta fase. 
b) Auto de entrega – o testador (não se admite portadores) entrega a cédula ao tabelião na 
presença das testemunhas, que não precisam saber do teor do testamento. 
c) Auto de aprovação – lavrado pelo oficial público para assegurar a autenticidade do ato; 
todos (oficial, testador, testemunhas) assinam o instrumento. 
d) Cerramento – o tabelião lacra o envelope com cera derretida, costura a cédula com cinco 
pontos de retrós e lança pingos de lacre sobre cada um. Após isso o tabelião entrega ao 
testador, lançando em seu livro nota do lugar, ano, mês e dia em que o testamento foi 
aprovado e entregue. 
Requisitos: 
• Escrito (em língua nacional ou estrangeira – art. 1.871 CC) e assinado pelo testador; pode ser 
escrito mecanicamente, desde que todas as páginas sejam numeradas e autenticadas com sua 
assinatura (art. 1.868, parágrafo único CC). 
• Entregue ao oficial na presença de 02 (duas) testemunhas. 
• Oficial pergunta se este é o testamento e exara o auto de aprovação, tendo-o por bom, firme 
e valioso. 
• Leitura do auto de aprovação. 
• É cerrado (fechado e lacrado) e costurado. 
Morto o testador, deve o testamento cerrado ser apresentado ao Juiz para as formalidades da 
abertura, e para que o Juiz mande registrar, arquivar e cumprir (arts. 1.125 e 1.126 do C.P.C.). 
Observações: 
1. Estão proibidas de usar este testamento as pessoas que não saibam ler (analfabetos e 
cegos). 
2. As testemunhas, ao contrário do testamento público, não sabem quaissão as disposições 
testamentárias. 
3. Desvantagens: possui muitas formalidades, pode ser ocultado; qualquer vício o invalida (ex: 
lacre rompido). 
Testamento particular (arts. 1.876 a 1.880 CC) 
O testamento particular (também chamado de aberto, ológrafo ou privado), é o escrito pelo 
testador e lido em voz alta perante três testemunhas idôneas, que também assinam. É a forma 
menos segura de se testar, porque depende de confirmação em juízo pelas testemunhas. É 
permitido aos que sabem ler e escrever. Não pode ser utilizado pelo cego, analfabeto e os 
incapacitados de escrever. 
Requisitos: 
• Escrito de próprio punho pelo testador ou mediante processo mecânico (art. 1.876 CC) – 
neste caso não pode conter rasuras ou espaços em branco. 
• 03 (três) testemunhas. 
• Leitura do testamento pelo testador. 
• Publicação, em juízo, após a morte do testador. 
• Homologação do testamento pelo Juiz. 
• Sobrevivência de pelo menos uma das testemunhas. Se as testemunhas forem afirmativas 
(contestes) sobre o fato ou pelo menos da leitura perante elas e reconheçam suas assinaturas 
o testamento será confirmado. Em casos excepcionais o testamento sem testemunhas poderá 
ser confirmado pelo Juiz, desde que se convença da sua veracidade. 
Morto o testador, será publicado em juízo, com citação dos herdeiros legítimos. Pelo menos 
uma das testemunhas deve reconhecer sua autenticidade. Após isso e ouvido o Ministério 
Público o Juiz confirmará o testamento. 
TESTAMENTOS ESPECIAIS 
São os de caráter provisório, feitos em situações de emergência. 
Testamento Marítimo e Aeronáutico 
O testamento marítimo ou aeronáutico consiste na declaração de vontade feita a bordo de 
navios ou aeronaves de guerra ou mercantes, em viagem de alto mar. Deve ser lavrado pelo 
comandante ou escrivão de bordo perante duas testemunhas idôneas. 
Observação: se o testador não morrer na viagem ou nos 90 dias subseqüentes após o 
desembarque, o testamento perde a validade (caduca). 
Testamento Militar 
Testamento militar é a declaração de última vontade feita por militares e demais pessoas a 
serviço do exército em campanha, dentro ou fora do país. Deve ser escrito por autoridade 
militar, na presença de duas testemunhas. Admite a forma nuncupativa, isto é, feita por 
pessoa ferida; neste caso, pode ser feito de viva voz na presença de duas testemunhas. 
Em qualquer hipótese, se o testador não morrer na guerra ou nos 90 dias subseqüentes em 
lugar onde possa testar na forma ordinária, o testamento caducará. 
Registro, Arquivamento e Cumprimento 
Após a morte do testador, o testamento deve ser apresentado ao Juiz que o mandará registrar, 
arquivar e cumprir, se não houver vício externo que o torne suspeito de nulidade ou falsidade. 
Depois de efetuado o registro, o mérito das disposições testamentárias será examinado no 
inventário ou em ação ordinária própria. 
12. DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS 
O Código Civil Brasileiro dispõe de um Capítulo somente sobre as Disposições Testamentárias, 
ou seja, aquelas coisas que podem ou não ser ditas em testamentos. 
A rigor, predomina o Princípio da Autonomia da Vontade do Testador, ou seja, a maneira que 
ele dispor será absoluta quanto aos bens. Contudo, nem mesmo a disposição de última 
vontade do de cujus poderá ferir a legislação, nem mesmo a vontade do testador pode se opor 
à licitude da lei ou os princípios morais. 
Como sabemos, no testamento podem conter disposições patrimoniais ou disposições 
exclusivamente pessoais. As disposições patrimoniais podem ser encontradas mais facilmente 
nos testamentos comuns,e, até certos autores vêem o testamento apenas como meio de 
disposição do patrimônio. Contudo, existem também diversas disposições de ordem não 
patrimonial que podem ser aditadas a um testamento, por exemplo, reconhecimento de filho, 
nomeação de tutor, recomendações sobre o funeral, o destino do corpo do de cujus, e outras 
relativas a direito pessoal. 
Convém salientar que serão consideradas como não escritas quaisquer cláusulas chamadas de 
derrogativas, aquelas onde o testador contraria o Princípio da Irrevogabilidade do Testamento, 
ou dispensa qualquer das suas solenidades. 
Existem, contudo, uma variada gama de cláusulas possíveis de serem apostas em um 
testamento. 
Pode-se num testamento, instituir herdeiros, através de um antigo instituto conhecido desde o 
Direito Romano como heredis institutio, válido ainda em nosso ordenamento jurídico. Existem 
duas regras gerais, a primeira, onde diz que somente o testador tem o poder de instituir os 
herdeiros, e a segunda, é que não existem nenhuma restrição acerca da quantidade de 
herdeiros. A Instituição de algum herdeiro gera efeitos imediatos, cabendo aos herdeiros 
testamentários o direito à sua parte. 
È lícito ao testador impor alguma condição sobre os bens dispostos em testamento, de modo 
que podem haver condições que enquanto não forem atendidas, o bem não se transmitirá. Por 
exemplo, um herdeiro testamentário receberá o bem quando colar grau em curso superior. 
Conforme a vontade do testador, podem ser apostos sobre os bens determinados encargos, 
que podem variar indefinidamente. Podendo ser o encargo em favor de terceira pessoa, ou da 
sociedade em geral. 
O testador, da mesma forma, pode colocar no testamento, algumas razões que levaram ele a 
realizar a divisão dos bens como foi feita, dá-se o nome dessa disposição de Disposição Causal. 
Finalmente, pode impor ônus e gravames sobre os bens que serão herdados. Os mais 
conhecidos desses ônus são as cláusulas restritivas à propriedade, que consistem na cláusula 
de incomunicabilidade, inalienabilidade e impenhorabilidade. Sobre essas últimas, se faz 
necessário que o disponente, no próprio instrumento, mencione um motivo bastante 
justificado para a aposição dessas cláusulas no testamento. 
13. LEGADOS 
Legado é a disposição testamentária a título singular, pela qual o testador deixa a pessoa 
estranha ou não à sucessão legítima, um ou mais objetos individualizados ou uma certa 
quantia em dinheiro. O legado é típico de sucessão testamentária, recaindo sobre uma coisa 
certa e determinada (ex.: deixo a meu amigo minha biblioteca; deixo a meu sobrinho o meu 
piano, etc.). 
O conceito jurídico atual de legado é um ato de liberalidade feita em testamento a uma pessoa 
determinada, chamada de legatário. 
O legatário não é obrigado a aceitar o legado, podendo renunciar tácita ou expressamente. Os 
legados podem caducar (ex.: anulação do testamento; alienação, modificação ou perecimento 
da coisa; falecimento do legatário antes do testador; revogação; indignidade, etc.). 
Enquanto a herança consiste na totalidade ou de uma fração ideal dos bens do de cujus, como 
uma universalidade de bens, sendo considerada um único bem imóvel, conforme o art. 80, II 
do CC, o legado é a sucessão que incide sobre uma coisa certa e determinada. A herança é 
indefinida e o legado é definido. 
Quando o legado é deixado para um herdeiro legítimo, que passa a acumular os papéis de 
herdeiro e legatário, é chamado de legado precípuo ou prelegado. 
O legado, quanto ao objeto, pode ser de coisas corpóreas ou incorpóreas, crédito ou de 
quitação de dívidas, alimentos; usufruto, imóvel, dinheiro; renda ou pensão periódica. 
O legado de coisas pode se dar sobre uma coisa específica ou genérica, de modo que, nesse 
último caso, a escolha somente será feita depois, pelo legatário, ou outra pessoa designada 
pelo testador. Como a coisa legada é definida apenas pelo gênero, o legado se cumprirá 
mesmo que tal coisa não exista entre os bens do testador, segundo reza o art. 1.915 do CC. 
Além disso, o código veda totalmente o legado de coisa alheia, conforme o disposto no art. 
1.912. 
Também pode um crédito de propriedade do de cujus ser objeto de legado, para se transferir 
ao legatário, de modo que o novo crédito agora seja devido ao mesmo, de modo igual ao que 
ocorre em uma cessão de crédito.Pode ser transmitida uma quitação de dívida ao legatário, e 
se transfere pela própria entrega do instrumento de quitação do herdeiro para o legatário. 
Os alimentos podem ser transmitidos por legado. Através dessa modalidade de legado, cria-se 
uma relação jurídica que obriga o pagamento da pensão alimentícia, como aquela devida aos 
filhos. Os alimentos devem compreender o necessário à manutenção da vida do legatário 
(alimentado), levando sempre em conta as circunstâncias e o meio-termo, de modo que o 
valor estipulado dos alimentos não seja praticamente uma “esmola”, mas também não seja 
muito alto, de modo que seja um aproveitamento ilícito do alimentado. 
Em geral, os alimentos são fixados levados em conta as possibilidades do alimentante e as 
necessidades do alimentado. Essa modalidade de legado tem fulcro legislativo no art. 1.920 do 
CC: “O legado de alimentos abrange o sustento, a cura, o vestuário e a casa, enquanto o 
legatário viver, além da educação, se ele for menor.” 
O testador, se possuir plena propriedade de um bem, pode legar o seu usufruto para uma 
terceira pessoa, de modo que essa fique no uso e fruição do bem, em todo o prazo estipulado. 
Se não houver um prazo estipulado pelo testador, há uma presunção iure et de iure de que 
este prazo seja vitalício com relação ao legatário, conforme o disposto no art. 1.921. 
Quanto ao legado de bem imóvel deve-se observar a disposição do art.1.922: “Se aquele que 
legar um imóvel lhe ajuntar depois novas aquisições, estas, ainda que contíguas, não se 
compreendem no legado, salvo expressa declaração em contrário do testador”. E, no 
parágrafo único: “Não se aplica o disposto neste artigo às benfeitorias necessárias, úteis ou 
voluptuárias feitas no prédio legado”. 
Pode-se também legar dinheiro. O pagamento deve ser feito logo após a partilha, de forma 
que os juros correrão a partir do momento em que o herdeiro pagador se constituir em mora, 
ou seja, no momento em que for feito a partilha e o legatário não receber o dinheiro. 
O Legado de Renda ou Pensão Periódica é o gênero do qual o legado de Alimentos é espécie. 
Nesta modalidade, é legada uma renda, de caráter vitalício ou não, renda esta fixada pelo 
próprio testador. 
Há o legado alternativo quando o testador coloca duas ou mais opções de legado ao herdeiro 
incumbido de cumprir o legado. Está amparado no art. 1.932 do Código: “No legado 
alternativo, presume-se deixada ao herdeiro a opção.” 
O art. 1.924 do Código Civil assinala que o direito de pedir o legado não se exercerá, enquanto 
se litigue sobre a validade do testamento, e, no legados condicionais, ou a prazo, enquanto 
esteja pendente a condição ou o prazo não se vença. 
14. DIREITOS DE ACRESCER ENTRE OS HERDEIROS 
Quando vários herdeiros ou legatários, pela mesma disposição testamentária, forem 
conjuntamente chamados à herança em quinhões determinados, e qualquer deles não puder 
(ex.: pré-morte, indignidade, renúncia, etc.) ou não quiser aceitá-la, a sua parte acrescerá à 
dos outros co-herdeiros ou co-legatários (salvo direito do substituto). Exemplo: A deixa seus 
bens a B, C e D. Se um deles falecer antes de A, sua parte retornará ao monte, acrescendo ao 
quinhão dos outros dois. Mesmo que D tenha filhos estes não receberão os bens por 
representação. 
Obs. Não haverá direito de acrescer se a cédula testamentária for declarada nula ou anulada, 
caso em que subsistirá a sucessão legítima (art. 1.788 CC). 
Requisitos 
• Nomeação de co-herdeiro ou co-legatário, na mesma disposição testamentária. 
• Deixa dos mesmos bens ou da mesma porção de bens. 
• Ausência de cotas hereditárias. 
15. HERDEIROS NECESSÁRIOS E REDUÇÃO DAS DISPOSIÇÕES TESTAMENTÁRIAS 
Herdeiros Necessários não estão, obrigatoriamente, ligados a um tipo de Sucessão. São assim 
considerados por ser uma qualidade dada somente a alguns parentes próximos do de cujus, 
determinados pelo art. 1.845: “São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o 
cônjuge.” 
Não é aquele somente tipificado em Lei, como o Herdeiro Legítimo. Como possui a qualidade 
de necessário, a lei confere ao mesmo o direito à Legítima. O de cujus de maneira alguma 
pode, por arbítrio próprio, se furtar a transferir ao herdeiro necessário a Legítima a que este 
possui direito. Contudo, nada impede que o herdeiro necessário renunciar a herança, na 
conformidade da Lei. 
Legítima e Metade Disponível do patrimônio do de cujus – Distinção 
O patrimônio de uma pessoa, enquanto viva, pode ser dividido em duas metades: a Legítima e 
a metade disponível. Entretanto, tal distinção somente produzirá efeitos práticos se houverem 
herdeiros necessários em jogo (Descendentes, Ascendentes e/ou Cônjuge sucessíveis). 
A metade chamada de Legítima é aquela que a lei transmite obrigatoriamente, e de maneira 
igual, aos herdeiros necessários, a não ser que eles mesmos (e seus cônjuges, se houver), de 
maneira expressa, renunciem à herança, por força do art. 1.846 do Código Civil: “Pertence aos 
herdeiros necessários, de pleno direito, a metade dos bens da herança, constituindo a 
legítima.” 
No caso dessa ressalva, nem o próprio autor da herança poderá deixar de transferir a Legítima 
para algum herdeiro necessário. 
A outra metade do patrimônio, chamada de Metade Disponível, é aquela que o autor da 
herança pode deixar para quem quiser, mediante um ato de disposição de última vontade 
(Testamento ou Codicilo), a priori, não há restrições visíveis quanto à forma de disposição da 
metade disponível, contudo, mesmo a disposição de última vontade deve obedecer a certas 
determinações emanadas da lei.

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