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NÃO PODE FALTAR
SISTEMA EHL
Gabriela Gambato
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PRATICAR PARA APRENDER
Caro aluno, seja bem-vindo à Seção 2!
Nesta seção, abordaremos um conteúdo de extrema importância para o
delineamento de formas farmacêuticas do tipo emulsão. Como vimos na Seção 1, a
obtenção de emulsões estáveis é o objetivo principal de qualquer farmacêutico
que esteja trabalhando no desenvolvimento ou na preparação destas fórmulas.
Neste sentido, a escolha do agente emulsionante adequado para reduzir a tensão
interfacial água-óleo de uma emulsão é a etapa decisiva na obtenção de fórmulas
com estabilidade prolongada. O processo de escolha pode se dar por tentativa e
erro, mas isso resultará em desperdício de tempo e recursos, desta forma,
utilizam-se métodos para a escolha ser mais assertiva. O método do equilíbrio
hidró�lo-lipó�lo (EHL) é bastante útil e tem sido empregado, principalmente, para
escolher o sistema emulsivo não iônico adequado através de cálculos. O conteúdo
teórico-prático deste método será abordado nesta seção e, para iniciar os estudos,
avaliaremos a fórmula proposta para a primeira emulsão a ser preparada pela
Kendra, uma indústria de bases galênicas.
As matérias-primas para preparar a fórmula da base galênica proposta foram
adquiridas pelo setor de compras e aprovadas pelo controle de qualidade.
Liberadas para utilização, agora é o momento de separá-las, preparar a primeira
base e avaliar as suas características. 
Ao separar os componentes da formulação, você veri�ca que na �cha de preparo
não há descrição sobre o método a ser empregado para preparar a emulsão.
Algumas matérias-primas são líquidas, enquanto outras são sólidas. Dentre as
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sólidas, algumas têm aspecto de cera, e outras são pós. Para escolher o método
ideal, é necessário pesquisar as características físico-químicas das matérias-primas
e conhecer as técnicas possíveis a serem empregadas. 
Vamos conhecer os aspectos teóricos relacionados ao preparo de emulsões. Bons
estudos! 
CONCEITO-CHAVE
SISTEMA EHL: HISTÓRICO E FATORES QUE INFLUENCIAM NA ESCOLHA DO
AGENTE EMULSIVO
Dois líquidos imiscíveis em contato um com o outro tendem a manter uma
interface. Consequentemente, misturá-los será difícil. Se forem agitados, gotículas
esféricas se formarão, porque os líquidos tendem a manter a menor área de
superfície possível, havendo tensão interfacial entre eles. Com a adição de um
emulsi�cante, os líquidos se tornarão miscíveis, porque as moléculas deste agente
se orientarão entre as duas fases.
A porção polar da molécula do emulsi�cante se voltará para a fase hidrofílica da
mistura, enquanto a porção apolar estará voltada para a fase lipofílica. Um agente
emulsi�cante torna os glóbulos da fase dispersa menos propensos a coalescer ou
se juntar para formar glóbulos maiores, os quais, eventualmente, causariam a
separação das fases. A estabilidade de uma emulsão depende das propriedades do
emulsi�cante e do �lme que ele forma na interface óleo-água. 
ASSIMILE 
Inversão de fase
Consiste na inversão das fases interna/externa de uma emulsão, ou seja,
uma emulsão que era óleo-em-água passa a ser água-em-óleo, ou o
contrário. Isso ocorre quando substâncias adicionadas à fórmula alteram as
propriedades de solubilidade do emulsi�cante ou quando uma emulsão
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estabilizada com emulsionante não iônico é aquecida. A temperatura de
inversão de fases do agente emulsionante tem sido relacionada à
estabilidade de uma emulsão.
O sistema de equilíbrio hidró�lo-lipó�lo (EHL) é usado para descrever as
características de emulsi�cantes e tensoativos. O sistema consiste em uma escala
numérica até 40, entretanto, comumente, são utilizados emulsionantes e
tensoativos com valores de 0 a 20 (Figura 2.8), para os quais os valores EHL são
experimentalmente determinados e atribuídos de acordo com sua polaridade,
relativa à sua constituição química. Por meio desta classi�cação, uma faixa de EHL
de e�ciência ideal para cada classe de tensoativos pode ser estabelecida.
Originalmente, este sistema foi designado para classi�car emulsi�cantes não-
iônicos, mas essa classi�cação também tem sido ampliada e aplicada com sucesso
aos tensoativos iônicos.
Se o valor de EHL atribuído ao emulsi�cante for baixo, signi�ca que o número de
grupos hidrofílicos na molécula é pequeno, o que signi�ca que ele é mais lipofílico
e produzirá emulsões A/O. Tensoativos com valores de EHL entre 8 e 18 resultam
em emulsões O/A, devido à característica hidrofílica do tensoativo. Por exemplo, o
Span 80 tem um valor EHL de 4,3 e é solúvel em óleo, enquanto o Tween 20 tem
um valor de EHL de 16,7 e é solúvel em água. 
Figura 2.8 | Escala EHL mostrando a função do emulsi�cante
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Fonte: adaptada de Aulton (2005, p. 108).
A solubilidade do agente emulsi�cante in�uenciará o tipo de emulsão formada.
Geralmente, utilizam-se misturas de emulsi�cante, com o intuito de obter
emulsões mais estáveis do que as emulsões preparadas com um único tipo de
surfactante.
REFLITA 
A escolha do agente emulsionante a ser usado em formas farmacêuticas
emulsionadas não depende apenas da sua capacidade emulsionante mas
também da via de administração especí�ca e, consequentemente, de sua
toxicidade.
A toxicidade das matérias-primas deve ser levada em consideração apenas
em formulações destinadas para uso interno?
CLASSIFICAÇÃO DOS TENSOATIVOS NA ESCALA DE GRIFFIN
A escala de Gri�n classi�ca os tensoativos em faixas de EHL (Tabela 2.2) e
relaciona estas à sua atividade nas formulações, como:
Agentes antiespumantes (EHL entre 1 e 3): dissipam a espuma desestabilizando
a interface ar-líquido, o que permite que o líquido seja drenado da bolsa de ar.
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São exemplos: álcool, óleo de rícino, éter e alguns surfactantes.
Agentes emulsi�cantes: são surfactantes que reduzem a tensão interfacial
entre óleo e água, minimizando a energia de superfície através da formação de
gotículas. Podem apresentar valores de EHL de 3 a 6 (emulsi�cantes A/O) ou de
8 a 18 (emulsi�cantes O/A).
Agentes molhantes (EHL entre 7 e 9): ajudam a atingir contato íntimo entre as
partículas sólidas e os líquidos. Podem ser utilizados em diversas formas
farmacêuticas.
Detergentes (EHL entre 13 e 16): geralmente, destinam-se à limpeza, pois
reduzem a tensão super�cial e molham uma superfície, bem como qualquer
material estranho. Quando um detergente é usado, o material estranho será
emulsi�cado e removido, e pode ocorrer formação de espuma.
Solubilizantes (EHL entre 15 e 20): atuam formando micelas. Geralmente, são
surfactantes com um EHL elevado. São usados para aumentar a solubilidade de
um óleo em um meio aquoso. A porção lipofílica do surfactante aprisionaria o
óleo na porção lipofílica (interior) da micela. A porção hidrofílica do surfactante
em torno do glóbulo de óleo seria, por sua vez, exposto à fase aquosa.
Tabela 2.2 | Relação de alguns agentes emulsi�cantes de acordo com a classi�cação EHL
Classi�cação EHL Substância Nome comercial
Antiespumantes 1,5 Diestearatode dietilenoglicol -
1,8 Trioleato de sorbitano Span® 85
2,1 Triestearato de sorbitano Span® 65
Emulsi�cantes A/O 3,8 Monoestearato de glicerila -
4,3 Monoleato de sorbitano Span® 80
4,9 Oleil éter polioxietileno Brij 92
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Classi�cação EHL Substância Nome comercial
Molhantes 6,7 Monopalmitato de sorbinato Span® 40
7,1 Dioleato de sacarose -
8,6 Monolaurato de sorbitano Span® 20
Detergentes 13,1 Monolaurato de polioxietileno Peg 400
14,9 Polissorbato 60 Tween® 60
16,9 Lauril éter de polioxietileno Brij 35
Emulsi�cantes O/A 9,6 Polissorbato 61 Tween® 61
15 Polissorbato 80 Tween® 80
16,9 Estearato de polioxietileno Myrj 52
Solubilizantes 16,7 Polissorbato 20 Tween® 20
17,0 Polaxamer Pluronic®F-68
18 Oleato de sódio -
Fonte: adaptada de Allen Jr. (2016, p. 298).
Os emulsi�cantes apresentados na Tabela 2.2 apresentam concentrações de uso
variáveis, e a sua utilização no preparo de emulsões deve seguir a faixa de
concentração segura para a �nalidade desejada, indicada pelo fornecedor. Os
ésteres de sorbitano (Span®) e os polissorbatos (Tween®), por exemplo, são
comumente utilizados em produtos farmacêuticos e, quando utilizados como
emulsi�cantes ou solubilizantes, são empregados na faixa de 1 a 15%, mas, para a
�nalidade molhante, a concentração �ca entre 0,1 e 3%.
CÁLCULOS DE EHL
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Os valores de EHL são atribuídos para os emulsi�cantes e para os óleos ou outras
substâncias oleosas. Assim, os emulsi�cantes escolhidos para o preparo da
emulsão são aqueles que apresentam valores de EHL iguais ou próximos ao EHL
da fase oleosa da fórmula. Desta forma, de acordo com a composição da fase
oleosa, pode ser estimado o EHL requerido para uma emulsão e, a partir disso,
escolher o sistema emulsi�cante adequado. Para determinar o EHL requerido de
uma emulsão, deve-se avaliar a composição proposta, dedicando atenção especial
à fase oleosa e, a partir disso, realizar o cálculo.
EXEMPLIFICANDO 
Determinando o EHL requerido para um emulsi�cante em uma
emulsão
Observe a fórmula da tabela. A fase oleosa representa 45% da fórmula,
sendo 25 g de vaselina sólida e 20 g de álcool cetílico. Cada uma destas
matérias-primas apresentam valores de EHL já descritos em literatura.
Todos estes dados devem ser levados em consideração nos cálculos.
Tabela 2.3 |Exemplo esquemático para determinação do EHL
Fórmula
EHL
da substância 
EHL
requerido EHL parcial
Vaselina
sólida
25 g 8 (25 ÷ 45) x 8 4,5
Álcool cetílico 20 g 15 (20 ÷ 45) x
15
6,7
Emulsi�cante 2 g
Conservante 0,2 g
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Fórmula
EHL
da substância 
EHL
requerido EHL parcial
Água
puri�cada
q.s.p.
100g
Fonte: Elaborada pela própria autora.
Ao chegar aos valores de EHL parcial para cada substância oleosa ser
emulsi�cada na fórmula descrita, somam-se os valores:
4,5 + 6,7 = 11,2
A partir deste cálculo, será escolhido um ou mais emulsionantes que
apresente EHL próximo ou igual a 11,2. 
Como apresentado no exemplo, quando uma formulação contém uma mistura de
ingredientes oleosos e ceras, o EHL requerido �nal é calculado somando-se as
contribuições dos valores de equilíbrio hidró�lo-lipó�lo de cada um dos
ingredientes da mistura. Para atender ao EHL requerido, utiliza-se uma mistura de
emulsi�cantes. Geralmente, utiliza-se um emulsi�cante que favorece emulsões A/O
associado a outro que favorece emulsões O/A, em proporções diferentes, que
favoreçam o tipo de emulsão que se deseja obter. A inclusão de um ou mais
agentes emulsionantes facilita a emulsi�cação durante o processo de produção e
contribui na estabilidade do produto durante o tempo de validade em prateleira. O
método EHL permite que o valor de EHL efetivo de misturas de surfactantes seja
calculado.
Onde:
X = EHL requerido para emulsi�car a formulação.
% (a) = 100 X−EHLb
EHLa−EHLb
% (b) = 100 − % (a)
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a = surfactante hidrofílico.
b = surfactante hidrofóbico.
EXEMPLIFICANDO 
Calculando a proporção de uma mistura de emulsionantes 
Aplicando a equação ao exemplo da emulsão para a qual era requerido um
emulsi�cante com EHL igual a 11,2.
Tomaremos como exemplo a seguinte associação:
Emulsi�cante O/A: Polissorbato 80 (emulsi�cante a) → EHLa = 15.
Emulsi�cante A/O: Monoleato de sorbitano (emulsi�cante b) → EHLb =
4,3.
Determinação da % do emulsi�cante a:
Determinação da % do emulsi�cante b:
Assim, tem-se que a mistura de emulsi�cante deve ser composta por 64%
de polissorbato 80, e 36% de monoleato de sorbitano.
Como a fórmula descrita denominava a utilização de 2 g de emulsi�cante,
determina-se a quantidade de cada um com base no percentual obtido:
2 g de emulsi�cante x 64 % = 1,28 g de polissorbato 80.
2 g de emulsi�cante x 36 % = 0,72 g de monoleato de sorbitano.
% (a) = 100 X−EHLb
EHLa−EHLb
% (a) = 100 11,2−4,3
15−4,3
% (a) = 64
% (b) = 100 − % (a)
% (b) = 100 − 64
% (b) = 100 − 64
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Em geral, utiliza-se cerca de 0,5 a 5% de emulsi�cante em relação à quantidade
total de formulação. A determinação da quantidade exata é determinada de forma
experimental. Para iniciar os experimentos, é possível estimar a quantidade de
emulsi�cante por equação matemática.
Onde:
= quantidade do emulsi�cante (g).
 = Relação entre a densidade do emulsi�cante  e a densidade da fase
dispersa .
 = equilíbrio hidró�lo-lipó�lo requerido pela fase dispersa.
 = percentagem da fase contínua. 
Se a quantidade de emulsi�cante for insu�ciente para encobrir as gotículas da fase
dispersa, a estabilidade será comprometida. Se um excesso de emulsi�cante for
utilizado, pode ocorrer a formação de espuma, que é indesejável para grande
parte das emulsões. Assim, o uso do sistema EHL é interessante, mas apresenta
limitações, uma vez que não leva em consideração a concentração do
emulsionante, a presença de adjuvantes e os efeitos da temperatura.
MÉTODOS DE PREPARO DAS EMULSÕES: TÉCNICA GERAL E TÉCNICA DO
BALANÇO HIDRÓFILO-LIPÓFILO
As emulsões, geralmente, não se formam espontaneamente apenas pela mistura
de dois líquidos imiscíveis na presença do emulsionante, é necessário empregar
energia de agitação mecânica ou vibração ultrassônica para reduzir cada fase em
gotículas menores e aumentar a superfície de contato entre elas. Algumas
emulsões podem ser preparadas a frio e, em alguns casos, é necessário utilizar
calor. Podem ser preparadas tanto manualmente quanto por métodos mecânicos.
Esses métodos podem envolver o uso de um almofariz e pistilo, uma garrafa para
agitar, béqueres, um misturador elétrico ou um agitador mecânico, um
homogeneizador de mão e sonicadores.
Q = 6ρ
10−0,5(EHLr)
+ 4Qc
1000
Q
ρ = ρe
ρd
(ρe)
(ρd)
EHLr
Qc
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A técnica de preparo de uma emulsão dependerá das matérias-primas
empregadas na sua composição. As emulsões simples preparadas com goma
arábica podem ser preparadas pelo método da goma seca ou goma úmida. No
método da goma seca, a goma arábica é triturada com óleo e, após a obtenção de
uma pasta �uida e macia, a fase oleosa é adicionada de uma só vez com trituração
vigorosa. No método da goma úmida, a goma arábica é triturada com um agente
levigante hidrofílico, como a glicerina; na sequência, é adicionada a água aos
poucos e, por último, o óleo de forma gradual. Em ambas, a proporção de
óleo:água:emulsi�cante, normalmente, é 4:2:1 para formar a emulsão primária. A
emulsão formada consiste em um sistema de viscosidade e consistência ótimas. 
Fármacos e adjuvantes solúveis em água são adicionados diretamente na emulsão
primária. Fármacos insolúveis podem ser triturados com um agente levigante e
incorporados à emulsão primária. Fármacos solúveis em óleo podem, em alguns
casos, ser solubilizados na fase oleosa antes da formação da emulsão primária.
A preparação de emulsões de sabões nascentes consiste na elaboração do
emulsionante à medida que a emulsão é preparada. O emulsionante é obtido pela
hidrólise alcalina dos ácidos graxos presentes na fase oleosa. Essas emulsões
podem ser preparadas pelo método da garrafa para ingrediente líquidos, ou com
almofariz e pistilo quando a fórmula possui ingrediente sólidos insolúveis. A
emulsão de óleo de oliva e água de cal é um exemplo deste tipo de emulsão. Nela
a solução de hidróxido de cálcio, adicionada de forma gradativa à fórmula, realiza a
hidrólise dos ácidos graxos livre do óleo de oliva. Sabões aminados utilizando a
trietanolamina como base são exemplos mais comuns utilizados em produtos
farmacêuticos e cosméticos. Nesta reação, o estearato de trietanolamina é
formado in situ, por meio da reação da trietanolamina e do ácido graxo respectivo.
O resultado desta reação é uma emulsão O/A estável. Devido à constituição
química das emulsões de sabões nascentes, elas serão incompatíveis com ativos
de caráter ácido e elevadas concentrações de eletrólitos. 
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Emulsões com surfactantes não iônicos empregam o sistema de equilíbrio
hidró�lo-lipó�lo descrito anteriormente. Neste, a possibilidade de separação de
fases é mínima para o valor ideal de EHL, entretanto há casos em que o valor de
EHL requerido não pode ser calculado. Também ocorre que elevadas
concentrações de substâncias ativas oleosas e a presença de componentes que
sofrem partição na fase oleosa podem interferir no valor de EHL requerido para a
emulsão. Desta forma, a escolha apropriada de emulsionante ou mistura de
emulsionante é, geralmente, feita pela preparação de uma série de emulsões com
uma gama de surfactantes de ampla faixa de EHL. 
Os cremes e as loções cremosas utilizados como base para o preparo de formas
farmacêuticas semissólidas de uso tópico são, normalmente, preparados com a
utilização de calor, imprescindível para fusão das ceras e outros materiais graxos.
Neste caso, os componentes da fórmula são divididos em duas fases distintas: óleo
e água. Cada fase é aquecida individualmente até cerca de 70 °C a 80 °C. Na
sequência, uma fase é vertida sobre a outra, geralmente a aquosa na oleosa, com
agitação lenta e vigorosa até o resfriamento.
REFERÊNCIAS
ALLEN  JÚNIOR, L. V. The art, science, and technology  of pharmaceutical
compounding. 5. ed. Washington, D.C.: American Pharmacists Association, 2016.
AULTON,  M. E. Aulton delineamento de formas  farmacêuticas. 2. ed. Porto
Alegre, RS: Artmed, 2005. 
FERREIRA, A.  de O. Guia prático da farmácia magistral.  4. ed. São Paulo, SP:
Pharmabooks, 2010.
FRANZOL,  A.; REZENDE, M. C. Estabilidade de emulsões: um estudo de caso
envolvendo emulsionantes aniônico, catiônico e não-iônico. Polímeros, v. 25, p. 1-
9, 2015. Disponível em: https://bit.ly/3BLTC77. Acesso em: 29 jun. 2021.
MAHATO, R. I.; NARANG, A. S. Pharmaceutical Dosage Forms and Drug
Delivery. 3. ed. Boca Raton: CRC Press, 2018.
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https://www.scielo.br/j/po/a/3zgkZ5GKyNRyfqVqZYTBM9z/?format=pdf&lang=pt
ROWE,  R. C.; SHESKEY, P. J.; OWEN, S. C. Handbook of  pharmaceutical
excipientes. London: PhP, 2006. Disponível em: https://bit.ly/3BShTs3. Acesso em:
12 jul. 2021.
ZANIN, S. M.  W.; MIGUEL, M. D.; CHIMELLI, M. C.; OLIVEIRA, A. B. Determinação
do equilíbrio hidró�lo-lipó�lo (EHL) de óleos de origem vegetal. Visão Acadêmica,
Curitiba, v. 3, n. 1, p.  13-18, jan.-jun./2002. Disponível em: https://bit.ly/3LXG8K4.
Acesso em: 12 jul. 2021.
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https://gmpua.com/RD/RD/HandbookPharmaceutical%20Excipients.pdf
https://revistas.ufpr.br/academica/article/view/494/407

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